*Abertura: Apetite é limitado no exterior e fiscal no Brasil fica no foco*
São Paulo, 04/02/2026
Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*
OVERVIEW. O relatório ADP de empregos no setor privado dos EUA e os PMIs de serviços de janeiro devem dividir o protagonismo internacional ao longo do dia com incertezas geopolíticas e balanços de bancos europeus e empresas de tecnologia americanas, como a Alphabet. No Brasil, começa a temporada de resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 com a repercussão dos números do Santander e expectativas por Itaú Unibanco, após o fechamento dos mercados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e participa de confraternização informal com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários.
NO EXTERIOR. Os índices futuros em Nova York operam perto da estabilidade após o fim da paralisação parcial nos EUA, sancionado pelo presidente Donald Trump, que pode destravar as divulgações de dados, como o relatório de empregos payroll na sexta-feira, embora ainda sem confirmação. O futuro do Nasdaq recua, refletindo pressão sobre a AMD depois de projeções fracas, enquanto investidores aguardam os resultados da Alphabet. Os juros dos Treasuries sobem levemente à espera dos indicadores e do relatório de refinanciamento do Tesouro. No radar estão os rendimentos dos Treasuries de 10 anos, diante do risco de alta caso cresçam as apostas de que a nova liderança do Federal Reserve busque reduzir o balanço patrimonial da instituição, movimento que representa retirada de liquidez e tende a elevar juros de longo prazo. Na Europa, as bolsas sobem na maioria com balanços, apesar da queda de mais de 4% do Santander após acordo para compra do Webster Financial e divulgação de resultado. O petróleo avança com prêmio de risco geopolítico após incidente entre EUA e Irã e de olho em negociações entre os dois países.
POR AQUI. O Ibovespa pode ter desempenho contido pelo exterior e a repercussão do balanço do Santander Brasil deve movimentar também o pregão. A filial do banco espanhol reportou lucro líquido recorrente de R$ 4,1 bilhões no 4º trimestre de 2025, alta de 6% em um ano e em linha com as previsões, mas o aumento da inadimplência entre clientes pode limitar a reação das ações. No exterior, o EWZ, principal ETF do Brasil em Nova York, mostrava viés positivo, refletindo a forte recuperação recente do mercado local, o fluxo estrangeiro e a expectativa de início dos cortes da Selic em março, após o índice renovar máximas históricas com dólar mais fraco e commodities firmes. O petróleo sobe, enquanto o minério de ferro recua na China. Investidores monitoram ainda a pauta de aumento de gastos aprovada pelo Congresso. No campo político e comercial, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Representação Brasileira no Parlasul, deve convocar reunião para analisar o acordo Mercosul-União Europeia, cuja votação, segundo o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, deve ocorrer no fim de fevereiro.
NA POLÍTICA. O Congresso aprovou nesta terça-feira o programa Gás do Povo e um pacote de propostas que amplia remuneração e bônus de servidores do Legislativo e cria cargos no Executivo, com impacto orçamentário estimado de R$ 5,3 bilhões em 2026. Já as gratificações para servidores do Legislativo, que permitem salários acima do teto constitucional, de até cerca de R$ 77 mil, têm custo estimado de cerca de R$ 800 milhões. Os reajustes vão à sanção presidencial. A CPI do INSS adiou o depoimento de Daniel Vorcaro, do Banco Master, de 5 para 19 de fevereiro. O procurador-geral da Justiça Militar, Clauro de Bortolli, pediu ao STM a expulsão do ex-presidente Jair Bolsonaro, junto com outros quatro militares condenados pelo STF. Levantamento do instituto Nexus aponta o presidente Lula como o pré-candidato à Presidência com maior presença nas redes sociais, com 79,92 pontos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aparece em terceiro lugar, com 57,71 pontos.
AGENDA.
ADP, PMIS E BALANÇOS EM DESTAQUE - Nesta quarta-feira, o relatório de empregos ADP dos EUA saí às 10h15; os PMIs de serviços da S&P às 11h45 e do ISM às 12h. A diretora do Fed Lisa Cook participa de evento às 20h30. Os balanços de Alphabet e Qualcomm serão conhecidos após o fechamento em Nova York. No Brasil, os PMIs composto e de serviços estão previstos às 10h, além do IC-BR de janeiro e o fluxo cambial semanal às 14h30. O Santander divulga balanço antes da abertura da B3 e realiza teleconferência às 10h, enquanto o Itaú Unibanco apresenta seus resultados após o fechamento do mercado.
O QUE SABEMOS.
VALE - O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma segunda ação cautelar contra a Vale, solicitando o bloqueio de R$ 200 milhões e a suspensão da transferência dos direitos minerários da Mina de Viga em Congonhas, MG. A medida surge após o transbordamento de água e sedimentos que impactou o Rio Paraopeba, causando assoreamento e danos à vegetação. Vistorias indicaram que o incidente ocorreu em sumps, cujos sistemas de drenagem eram inadequados para chuvas intensas. O vazamento em Viga ocorreu menos de 24 horas após um incidente similar na Mina de Fábrica, que já resultou em outra ação do MPF com pedido de bloqueio de R$ 1 bilhão.
EM TESE: A leve alta dos ADRs da Vale no pré-mercado em Nova York sinaliza que o mercado deve continuar surfando no bom momento de fluxo para emergentes e que os vazamentos podem ficar em segundo plano. Mesmo após o anúncio do primeiro bloqueio, os papéis seguiram se valorizando. Ontem a ação da mineradora subiu aos R$ 88,99. Foi também um rali diário, com uma alta de 4,92%, o maior ganho porcentual em um só dia desde 26 de setembro de 2024. As ações ON acumulam alta de 22,95% em um mês e de 84,05% em um ano. A Vale divulga seu balanço no dia 12 de fevereiro.
HYPERA - A farmacêutica brasileira aprovou um aumento de capital por meio de subscrição privada de novas ações ordinárias, operação que pode chegar a R$ 1,5 bilhão e admite homologação parcial, desde que atingido um valor mínimo previamente estabelecido. O bloco de controle se comprometeu a exercer integralmente o direito de preferência e a participar do rateio de sobras, assegurando a execução da operação. Nesse contexto, a Votorantim indicou disposição para realizar aporte relevante, reforçando o compromisso de longo prazo com a companhia. Segundo a Hypera, o objetivo é fortalecer a estrutura de capital, reduzir o endividamento líquido e melhorar a eficiência operacional e financeira, ampliando a capacidade de investimento em crescimento orgânico e inorgânico. O preço de emissão foi definido com base na média ponderada das ações em pregões recentes da B3, com aplicação de deságio, prática comum em operações desse tipo.
EM TESE: O mercado tende a reagir de forma mista ao aumento de capital aprovado pela Hypera (HYPE3). Os papéis acumulam alta de 9,86% em um mês e de 8,79% em um ano. A operação pode ser vista como positiva no médio e longo prazos, ao fortalecer a estrutura de capital, reduzir o endividamento e ampliar a flexibilidade financeira para investimentos. O compromisso do bloco de controle em acompanhar a subscrição reduz o risco de execução e reforça a confiança na estratégia da companhia. No curto prazo, porém, o deságio aplicado no preço de emissão pode gerar pressão sobre as ações, em função do efeito dilutivo para os acionistas que não participarem da operação.
OVERNIGHT.
PRIO - A empresa informou que a produção total de petróleo em janeiro deste ano atingiu 155.560 barris de óleo equivalente por dia (boepd), ante 155.780 boepd em dezembro. O número representa uma queda de 0,14% na comparação mensal. Os dados operacionais preliminares da produção foram divulgados há pouco.
LATAM - O Grupo Latam registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 484 milhões no quarto trimestre de 2025. A cifra representa um crescimento de 78,1% ante igual intervalo de 2024. O Ebitdar ajustado da companhia atingiu US$ 1,129 bilhão nos últimos três meses de 2025, alta anual de 30,4%. A margem Ebitdar ajustada cresceu 3,1 pontos porcentuais na mesma base comparativa, para 28,6%.
BRB E WILL BANK -O Banco de Brasília (BRB) informou que não há qualquer evidência técnica ou documental que sustente a estimativa de prejuízos superiores a R$ 5 bilhões, mencionada em notícias veiculadas na imprensa, em relação aos impactos que a liquidação do Will Bank, ligado ao Banco Master, poderia gerar na instituição. Em comunicado, o BRB afirma que os números citados se baseiam em “documentos externos” e “não refletem comunicações oficiais” da companhia. O banco acrescenta que seus ativos “seguem sendo acompanhados e avaliados de forma contínua e técnica".
RENDA DAS FAMÍLIAS - Com suporte de um mercado de trabalho ainda aquecido, que favorece a alta dos rendimentos dos trabalhadores, da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e também do impulso das transferências fiscais, a renda real disponível às famílias brasileiras deve exibir novo crescimento em 2026, avalia a XP Investimentos. A XP projeta que a renda das famílias, descontada a inflação, terá avanço de 4,5% este ano, após ter aumentado 4,8% em 2025.
LEILÃO DO GALEÃO - O Ministério de Portos e Aeroportos realizou nesta terça-feira, 3, a primeira reunião de roadshow para o leilão do Aeroporto Internacional do Galeão (Rio de Janeiro), previsto para março. A iniciativa consiste em encontros individuais com potenciais investidores para apresentar os detalhes do edital de concessão do terceiro maior aeroporto do País. As reuniões tiveram início ontem e seguem por mais dois dias na sede da Agência Nacional de Aviação Civil, em São Paulo.
B3 - O rali pelo qual passou o mercado brasileiro em janeiro refletiu também em um aumento expressivo nas transações com ações. Ao todo, segundo dados compilados pela consultoria Elos Ayta, janeiro terminou com volume de R$ 504,5 bilhões, o maior nível desde junho de 2023. Os dados mostram que o salto do mercado local tem um componente externo bastante forte. Uma parte considerável desse volume veio do investidor estrangeiro que, entre compras e vendas de ações, transacionou R$ 303,7 bilhões no mês - 60,2% do total.
EMBRAER - A Embraer assinou um acordo de suporte para a frota C-390 Millennium da Força Aérea da Hungria. O contrato prevê serviços de manutenção, além de suporte logístico e técnico, utilizando a estrutura europeia da companhia. A empresa também informou que aprofundou as discussões com a Thai Aviation Industries (TAI) para potencial parceria como centro de serviço autorizado local.
CRÉDIT AGRICOLE - O Crédit Agricole registrou uma queda no lucro do quarto trimestre, pois uma cobrança contábil ligada à sua participação no banco italiano Banco BPM ofuscou o crescimento em suas linhas de negócios. A instituição financeira francesa obteve lucro líquido de 1,025 bilhão de euros (US$ 1,21 bilhão) no último trimestre do ano, uma queda de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas superior aos 898,1 milhões de euros estimados em uma pesquisa da Visible Alpha.
ZONA DO EURO/PMI - O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços da zona do euro caiu de 52,4 em dezembro para 51,6 em janeiro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela S&P Global em parceria com o Hamburg Comercial Bank. O resultado ficou abaixo da previsão de analistas consultados pela FactSet, que era de 51,9.
ALEMANHA/PMI - O PMI do setor de serviços na Alemanha desacelerou para 52,4, abaixo do nível de 52,7 em dezembro e da previsão de analistas consultados pela FactSet de 53,3. A leitura acima de 50 indica ainda que o desempenho do setor alemão segue em território de expansão.
REINO UNIDO/PMI - O PMI do setor de serviços do Reino Unido subiu de 51,4 em dezembro para 54,0 em janeiro, acima da projeção de analistas consultados pela FactSet, que era de 54,3.
CHINA/PMI - O PMI de serviços da China subiu para 52,3 em janeiro, de 52,0 em dezembro, informou a S&P Global em parceria com a RatingDog. Já o PMI Composto (que engloba indústria e serviços) subiu de 51,3 para 51,6 no período. No setor de serviços, a expansão da atividade foi a maior registrada em três meses, com base no aumento dos novos negócios. Além disso, a taxa de crescimento dos novos pedidos acelerou pela primeira vez em três meses e a demanda externa voltou a melhorar por causa dos lançamentos de novos produtos.
E NOS MERCADOS.
FUTUROS DE NY - Os índices futuros das Bolsas de Nova York têm alta nesta quarta-feira, após balanços e sanção pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de lei que encerra quase quatro dias de paralisação parcial do governo federal. Mercado aguarda balanços da Alphabet após o fechamento da sessão de hoje. Na véspera, a AMD frustrou com as projeções e ações recuavam 6,3% mais cedo mesmo após a companhia anunciar lucro e receita acima do esperado ontem. Às 7h10, no mercado futuro, o Dow Jones subia 0,24%, o S&P 500 avançava 0,04% e o Nasdaq cedia 0,13%.
BOLSAS EUROPEIAS - As bolsas europeias sobem em sua maioria diante de uma enxurrada de balanços de empresas com sede no continente. Nos EUA, sanção de projeto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, deve colocar fim no shutdown parcial das atividades do governo e pode destravar fluxo de divulgações de indicadores econômicos, tirando um fator que começava a gerar incômodo entre investidores. ÀS 7h11, a Bolsa de Londres subia 0,98%, a de Frankfurt caía 0,28%. Paris tinha avanço de 0,62%.
TREASURIES - Os juros dos Treasuries têm leve alta, à medida que os investidores aguardam relatório de refinanciamento trimestral do Tesouro dos EUA e o índice PMI de serviços do ISM. Mercado assimila ainda sanção pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de lei que encerra quase quatro dias de paralisação parcial do governo federal, o que pode destravar as divulgações de dados oficiais. ÀS 7h12, o juro da T-note de 2 anos subia a 3,581% (de 3,567% ontem), o da T-note de 10 anos tinha alta a 4,278% (de 4,265%) e o do T-bond de 30 anos recuava a 4,905% (de 4,896%).
MOEDAS FORTES - O dólar recua antes de dados nos EUA, incluindo o relatório ADP de vagas criadas no setor privado e índice de atividade de serviços do ISM. Às 7h12, o dólar avançava a 156,67 ienes (de 155,75 ienes ontem), enquanto o euro caía a US$ 1,1813 (de US$ 1,1819) e a libra tinha alta a US$ 1,3707 (de US$ 1,3695). O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, tinha queda de 0,07%, a 97,378 pontos.
PETRÓLEO - Os contratos futuros de petróleo prolongam alta, após os Estados Unidos abateram um drone iraniano que tinha como alvo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, segundo a Reuters. O episódio aumentou as preocupações com um possível novo confronto entre a Casa Branca e o Irã, que poderia levar a interrupções no fornecimento de petróleo no Oriente Médio, afirmou Vivek Dhar, da CBA. Embora os EUA e o Irã devam iniciar negociações na sexta-feira, a ameaça do presidente Trump de que "coisas ruins acontecerão" caso não se chegue a um acordo sobre o programa nuclear iraniano justifica um prêmio de risco, acrescentou o analista. Às 7h13, o petróleo WTI para março negociado na Nymex subia 0,62%, a US$ 63,60 o barril. Já o Brent para abril, negociado na ICE, avançava 0,46%, a US$ 67,64 o barril.
BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas da Ásia fecharam com desempenhos distintos, com perdas em Tóquio. As ações da Nintendo desabaram 11% na Bolsa de Tóquio com projeções que decepcionaram os analistas. O índice japonês Nikkei fechou em baixa de 0,8%. Em Seul, o Kospi subiu 1,6%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou perto da estabilidade, com variação de 0,05%. O chinês Xangai Composto fechou em alta de 0,85%, e o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 0,3%. O Taiex, de Taiwan, registrou valorização de 0,3%. Na Oceania, a bolsa australiana marcou ganhos e o índice S&P/ASX subiu 0,80%.