segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Alex Ribeiro 1301

 ANÁLISE: Deterioração das expectativas de inflação corrói parte do aperto monetário


Alex Ribeiro De São Paulo


 


As expectativas de inflação do mercado financeiro para 2025 já sofreram uma deterioração de 0,40 ponto percentual desde a reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, corroendo parte do aperto promovido com um minichoque na taxa Selic. Ainda assim, as indicações são de que a taxa Selic estará, no fim do ciclo de aperto, claramente no território contracionista.


Às vésperas da reunião de dezembro do colegiado, a expectativa de inflação dos analistas econômicos se encontrava "em torno" de 4,6%, segundo registra a ata desse encontro. Na sexta, as expectativas iá haviam  subido para 5%. Nas duas situações, a inflação projetada se encontrava acima tanto do centro da meta contínua (3%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) quanto do intervalo de tolerância superior (4,5%) previsto nas regras.


Em tese, essa inflação acima do objetivo neste ano não é a maior das preocupações do Copom, já que a política monetária é definida com vistas a colocar a inflação no objetivo em meados de 2026, que é o chamado horizonte relevante de política monetária. Mas o avanço das expectativas de inflação de 2025 importa porque, quanto maiores forem, menores os juros reais. E é justamente o juro real que faz o trabalho de conter a expansão da demanda agregada e, com isso, baixar a inflação para a meta.


Em dezembro, o Copom surpreendeu o mercado com uma alta de 1 ponto percentual na taxa Selic. Também sinalizou duas altas de juros da mesma magnitude, que vão colocar a taxa Selic em 14,25% ao ano até março. Com a atitude mais austera do Copom, o mercado reviu as suas estimativas para a taxa Selic no fim de 2025. Agora, espera que o juro encerre o ano em 15%, em vez de 13%. Mas a alta das expectativas de inflação corrói um pedaço desses juros reais.


Essa corrosão dos juros nominais pode prejudicar o trabalho do Banco Central? Por enquanto, não, porque os juros nominais de 15% antecipados pelo mercado são altos para garantir que a taxa real será contracionista. Grosso modo, uma Selic a 15% com uma inflação de 5% dá uma taxa real de juro de 9,5%. O percentual supera a taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central (5% ao ano) e mesmo as previsões mais pessimistas de participantes do mercado que citam percentuais em 6,5% ou até 7%.


Mas, de qualquer forma, a cada avanço das previsões de inflação do mercado, uma dose do aperto monetário vai sendo corroída. Indicadores antecedentes das projeções sugerem que elas vão continuar subindo. A média das expectativas (soma das projeções, dividido pelo número de projeções) já se encontra em 5,09%, acima da mediana das projeções (percentual mais ao centro entre todos os informados pelos especialistas), que está em 5%, nos dados dos últimos 30 dias. Já a mediana das projeções informadas nos últimos cinco dias já se encontra em 5,14%.

O figurante rouba a cena

 O figurante rouba a cena

O Estado de S. Paulo.
13 de jan. de 2025

Luís Eduardo Assis Economista, autor de 'O Poder das Ideias Erradas' (Ed. Almedina), foi diretor de Política Monetária do Banco Central e professor de Economia da PUC-SP e FGV-SP. E-mail: luiseduardoassis@gmail.com

Em tempos idos, eram as agruras do setor externo, não as contas públicas, que faziam as manchetes no Brasil. Ao longo de décadas, desde o choque de juros na década de 1970 até o fim de 2008, quando as reservas internacionais pela primeira vez superaram a dívida externa, o humor da economia brasileira gravitou em torno das relações com o resto do mundo. Isso ficou para trás. No fim do ano passado, no entanto, o figurante tentou virar protagonista.

Por conta do rebuliço no mercado financeiro, no rastro do fiasco do anúncio do ajuste fiscal, as reservas internacionais despencaram US$ 33,3 bilhões em dezembro último. Não foi pouca coisa: trata-se do maior tombo de toda a série histórica. A fuga de capital foi a contraface da valorização do dólar, 13,7% no último trimestre do ano, a mais alta desde o começo de 2020, quando irrompeu a pandemia.

As reservas internacionais devem ter fechado o ano abaixo da dívida externa, que estava em US$ 362 bilhões em novembro. Isso não acontecia há 17 anos. A balança comercial também não fez bonito. O saldo caiu quase 25% no ano passado.

Mesmo assim, tudo somado, não vale a pena desperdiçar pessimismo com as contas externas – vamos precisar dele para analisar a crise fiscal. As exportações caíram no ano passado, mas estão muito próximas do recorde histórico de 2023. Da mesma forma, o saldo da balança comercial, mesmo tendo recuado, foi o segundo maior da série histórica e pode ser maior agora em 2025, já que o dólar mais caro estimula as exportações e a desaceleração da economia abranda as importações.

A queda nas reservas internacionais, por sua vez, teve até um i mpacto pos i t i v o (temporário, claro) na dívida pública, já que a contrapartida dessa contração na liquidez foi a diminuição de operações compromissadas com lastro em títulos públicos. O economista Fernando Montero, da corretora Tullett Prebon, estima que, por conta das menores reservas, a relação dívida/PIB tenha caído de 77,7% em novembro para 76,1% em dezembro.

Seria uma parvoíce desmesurada tentar conter o aumento da dívida pública mediante redução de reservas internacionais, mas há esse efeito. Tudo somado, o cenário do setor externo em 2025 caminha para uma certa normalidade. O problema no fim de 2024 foi provocado pela ação do homem, antes de ser uma fatalidade. Foi o fracasso nas medidas de ajuste fiscal que geraram um retorno fugaz do setor externo ao centro do palco. O protagonista do nosso drama, passado o susto, volta a ser o desequilíbrio das contas públicas. Enquanto o governo desprezar a necessidade de austeridade nos gastos, esse será o personagem principal na cena econômica. •

Fim de semana em resumo 1301

 Destaques do fim de semana: exportações e importações da China crescem acima do previsto em dezembro


São Paulo, 13/01/2025 - Veja o resumo das reportagens que foram destaque no fim de semana e início da madrugada desta segunda-feira. Para mais detalhes, confira a íntegra da notícia na data e no horário informados:


13/01/2025 00:18:23 - CHINA: EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES CRESCEM ACIMA DO ESPERADO EM DEZEMBRO

Por Daniel Tozzi Mendes*

São Paulo, 13/01/2024 - As exportações da China cresceram 10,7% em dezembro ante igual mês do ano passado, o que representa uma aceleração em relação ao avanço de 6,7% verificados novembro, segundo dados publicados pelo órgão alfandegário do país nesta segunda-feira. O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pela Dow Jones Newswires, que previam alta de 7,4% nas exportações.


01:50:55 - CHINA: PBOC E REGULADORES DO CÂMBIO PROMETEM ESTABILIZAR O YUAN

Singapura, 13/01/2024 - Os reguladores de câmbio chineses reiteraram a promessa de defender o yuan, já que a moeda está sob pressão renovada em meio às perspectivas por novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Em uma reunião recente, autoridades do Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) e da Administração Estatal de Câmbio disseram que pretendem estabilizar a taxa de câmbio em um nível razoável e equilibrado. Eles enfatizaram a determinação de penalizar quaisquer ações que perturbem a ordem do mercado, segundo uma declaração divulgada nesta segunda-feira.


13/01/2025 01:54:36 - LOS ANGELES: NÚMERO DE MORTOS EM INCÊNDIOS SOBE PARA 24

Los Angeles, 13/01/2025 - O número de mortos pelos incêndios florestais na cidade de Los Angeles, no oeste dos Estados Unidos, subiu para 24 no domingo, 12. Outras 16 pessoas seguem desaparecidas. Segundo as autoridades locais, a chegada de ventos de mais de 100 km/h à região pode aumentar ainda mais a gravidade do desastre.


20:35:42 - LULA PARTICIPA VIRTUALMENTE DE CERIMÔNIA DOS 164 ANOS DA CAIXA E TEM REUNIÃO COM MINISTROS NESTA 2ªF

Brasília, 12/01/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta segunda-feira, às 10h, por videoconferência, da cerimônia alusiva aos 164 anos da Caixa. Antes, às 9h, Lula se reúne com o futuro ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e o secretário de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação Social, Laércio Portela, no Palácio do Planalto. Às 11h, o presidente tem reunião com os ministros da Casa Civil, Rui Costa; da Fazenda, Fernando Haddad; o ministro substituto da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto; o advogado-geral da União, Jorge Messias; o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues; e o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães.


 11:58:13 - DEFESA DE BOLSONARO DIZ QUE APRESENTARÁ CONVITE PARA POSSE DE TRUMP APÓS EXIGÊNCIA DO STF 

Por Lavínia Kaucz

Brasília, 12/01/2025 - O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Fabio Wajngarten, disse que cumprirá a exigência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apresentará o convite oficial para a posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Bolsonaro pediu ao Supremo a liberação do passaporte para viajar aos Estados Unidos. O documento foi apreendido em fevereiro do ano passado após Bolsonaro ser alvo de operação da Polícia Federal (PF) que investiga suposta tentativa de golpe de Estado.


16:30:00 - EUA/VANCE: QUEM COMETEU VIOLÊNCIA EM ATAQUES AO CAPITÓLIO NÃO DEVE RECEBER PERDÃO PRESIDENCIAL

Washington, 12/01/2025 - O vice-presidente eleito dos Estados Unidos JD Vance afirmou que as pessoas responsáveis por atos de violência durante o motim no Capitólio em 6 de janeiro de 2021 "obviamente" não devem ser perdoadas, em meio às promessas que o presidente eleito Donald Trump tem feito de usar seu poder de clemência em nome de alguns daqueles que tentaram anular os resultados da eleição que o republicano perdeu em 2020.


08:08:09 - EUA: TRUMP PREPARA 100 DECRETOS PARA O COMEÇO DO GOVERNO

São Paulo, 11/01/2025 - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump está preparando mais de 100 ordens executivas a partir do primeiro dia na Casa Branca, em uma campanha de choque nas políticas de segurança de fronteiras e deportações, entre outras prioridades do novo governo.


16:03:37 - CANADÁ: CHANCELER DIZ QUE 'TODAS OPÇÕES ESTÃO NA MESA' PARA RESPONDER A AMEAÇAS DE TRUMP

Por Gustavo Boldrini

São Paulo, 12/01/2025 - A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Mélanie Joly, afirmou neste domingo que "todas opções estão na mesa" para responder às ameaças que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito ao país, que incluem tarifas e até mesmo uma anexação do território canadense.


18:30:59 - CANADÁ/TRUDEAU: NENHUM AMERICANO QUER PAGAR TARIFA DE 25% SOBRE AÇO E ALUMÍNIO CANADENSES

Vancouver, 12/01/2025 - O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau sugeriu que as observações do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Canadá se tornar o "51º estado" americano, desviaram a atenção dos danos que tarifas altas infligiriam aos consumidores dos EUA. O republicano ameaçou impor tarifas de 25% sobre todas as importações canadenses.


08:31:29 - ADMINISTRADOR DO CANAL DO PANAMÁ DEFENDE SOBERANIA PANAMENHA E REBATE INTENÇÃO DE TRUMP

Cidade do Panamá, 11/01/2025 - O administrador do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez disse que a hidrovia permanecerá nas mãos dos panamenhos e aberta ao comércio de todos os países, rejeitando as alegações do presidente eleito americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos deveriam assumi-la.


07:36:53 - REINO UNIDO E CHINA RETOMAM NEGOCIAÇÕES ECONÔMICAS E FINANCEIRAS APÓS HIATO DE 6 ANOS


Taipei, 11/01/2025 - O Reino Unido e a China retomaram conversas para negociações econômicas e financeiras após uma pausa de seis anos, enquanto a chanceler britânica Rachel Reeves visita Pequim e busca restabelecer laços com a segunda maior economia do mundo.


11:07:37 - REINO UNIDO/REEVES: REGRAS FISCAIS DE OUTUBRO NÃO SÃO NEGOCIÁVEIS

Por Carolina Maingué Pires


São Paulo, 12/01/2025 - A ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, disse que as regras fiscais implementadas em outubro no país não são negociáveis. A declaração ocorre após um aumento recente nos juros dos títulos de dívida do Reino Unido, que aumenta a necessidade de cortes mais profundos nos gastos públicos caso Reeves evite elevar impostos ou afrouxar o compromisso com o controle das despesas.


11:10:28 - ITAMARATY: GOVERNO DO BRASIL DEPLORA EPISÓDIOS DE PRISÕES E PERSEGUIÇÃO A OPOSITORES DE MADURO

Por Renan Monteiro


Brasília, 11/01/2025 - O Ministério das Relações Exteriores, em nota divulgada há pouco, disse que o governo brasileiro "deplora os recentes episódios de prisões, de ameaças e de perseguição" a opositores políticos na Venezuela. O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, tomou posse ontem para o seu terceiro mandato como presidente, em uma cerimônia esvaziada de chefes de Estado e governo.


10:31:38 - G7 DENUNCIA FALTA DE LEGITIMIDADE EM POSSE DE NICOLAS MADURO NA VENEZUELA

Por Aramis Merki II


São Paulo, 12/01/2025 - Os ministros de relações exteriores dos países integrantes do G7 assinaram nota conjunta em que denunciam falta de legitimidade na posse de Nicolas Maduro como presidente da Venezuela. "Rejeitamos a contínua e repressiva pressão de Maduro sobre o poder às custas do povo venezuelano, que votou pela mudança pacificamente e em grande número em 28 de julho de 2024, de acordo com observadores independentes e registros eleitorais disponíveis publicamente", indica o texto.


18:37:29 - ISRAEL: BIDEN E NETANYAHU DISCUTEM ESFORÇOS POR CESSAR-FOGO COM O HAMAS

Gaza, 12/01/2025 - O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA Joe Biden conversaram neste domingo sobre um cessar-fogo e libertação de reféns na guerra entre Israel e Hamas, um sinal da intensificação do esforço para chegar a um acordo antes da posse de Donald Trump na próxima semana.


10:36:42 - UE PODE AFROUXAR SANÇÕES APLICADAS À SÍRIA, DIZ PRINCIPAL DIPLOMATA DO BLOCO EUROPEU 

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo, 12/01/2025 - A União Europeia pode afrouxar as sanções impostas à Síria, mas exigirá que haja uma transição política capaz de refletir "toda a diversidade do país", afirmou a alta representante do bloco para assuntos estrangeiros, Kaja Kallas.


09:28:13 - IRÃ ENVIA 3 MILHÕES DE BARRIS DE PETRÓLEO DE ESTOQUE NA CHINA E TENTA APOIAR GRUPOS DE MILÍCIAS

Berlim, 11/01/2025 - O Irã enviou quase três milhões de barris de petróleo de um local de armazenamento na China em uma tentativa de levantar fundos que podem ser usados para apoiar grupos de milícias aliadas ao Irã no Oriente Médio, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.


20:36:01 - EUA/BIDEN ALERTA PARA POSSÍVEL AUMENTO DO PREÇO DO GÁS E GASOLINA APÓS SANÇÕES À RÚSSIA 

Por Thais Porsch

São Paulo, 10/01/2025 - O presidente dos EUA, Joe Biden, falou há pouco sobre as novas sanções impostas ao petróleo russo nesta sexta-feira e alertou os americanos para a possibilidade do aumento dos preços da gasolina e do gás futuramente.


14:04:48 - MME: BRASIL RETOMA PROCESSO DE ADESÃO À AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIAS RENOVÁVEIS (IRENA)

Por Renan Monteiro


Brasília, 11/01/2025 - O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou hoje a retomada do processo de adesão do Brasil à Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), durante agenda oficial do ministro Alexandre Silveira em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. O governo do ex-presidente Bolsonaro havia interrompido as tratativas para a adesão brasileira.


14:39:43 - STF/DINO DÁ 30 DIAS PARA GOVERNO PADRONIZAR NORMAS SOBRE USO DE EMENDAS EM UNIVERSIDADES 

Por Lavínia Kaucz


Brasília, 12/01/2025 - O ministro do Supremo Tribunal Flávio Dino deu 30 dias para o Ministério da Educação (MEC), a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) definirem normas ou orientações sobre a aplicação e a prestação de contas adequada de emendas parlamentares nas universidades e em suas respectivas fundações de apoio. No despacho, publicado há pouco, Dino considerou a "imperatividade da dimensão preventiva do controle".


16:58:54 - GOVERNO LULA ACIONA PF PARA INVESTIGAR ASSASSINATOS DE SEM-TERRA EM SP

Por Bianca Gomes e Pepita Ortega


São Paulo, 11/01/2025 - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que a Polícia Federal (PF) investigue o ataque a um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) que deixou ao menos dois mortos nesta sexta-feira, 10, em Tremembé (SP), na região do Vale do Paraíba.


Broadcast+

OESP Radar da Imprensa 1301

 Estadão: Com incertezas no câmbio, 'dolarização' de carteira entra no radar de especialistas


São Paulo, 12/01/2025 - A alta do dólar chamou a atenção em 2024, com um salto de 27% sobre o real e uma cotação de R$ 6,19 no fechamento do ano. E, por ora, nada indica uma reversão nesse movimento. Na primeira edição do boletim Focus (uma compilação feita pelo Banco Central com as principais projeções de mercado) deste ano, publicada na segunda-feira, 6, a mediana para o câmbio no fechamento deste ano continuava em pelo menos R$ 6 - um mês antes, estava em R$ 5,77. Novas estimativas serão divulgadas na segunda-feira, 13, pelo BC.


A piora das perspectivas tem dois vetores de peso. Em primeiro lugar, a situação doméstica, já que os investidores seguem preocupados com o crescimento da dívida do País. Sem grandes sinalizações em relação a corte de gastos - dado que o pacote anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi considerado tímido para garantir maior estabilidade do arcabouço fiscal -, as incertezas tomam conta dos cálculos sobre a inflação e os juros.


“O dólar é um termômetro de risco. Quanto maior o risco que o mercado percebe no País, mais o real se desvaloriza frente ao dólar”, afirma Daniel Haddad, diretor de investimentos da Avenue. “O que vai ditar o caminho no curto prazo serão as ações do governo em relação a acalmar ou não o mercado”, completa ele, que, apesar do mesmo sobrenome, não tem parentesco com o ministro.


No cenário externo, as políticas a serem implementadas por Donald Trump nos Estados Unidos devem mexer com a moeda em nível mundial. Se o líder republicano cumprir as promessas de taxação de produtos estrangeiros e deportação de imigrantes, a tendência é de que haja uma alta global do dólar. É que, se implementadas de fato, as políticas propostas por Trump devem provocar mais inflação nos EUA, o que diminuiria o espaço do Federal Reserve (o banco central americano) para cortar os juros. Juros americanos altos atraem capital que poderia ir para economias consideradas mais arriscadas, como é o caso da brasileira.


Ainda que essas promessas fiquem apenas no “discurso”, no curto prazo é esperada volatilidade no mercado. Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, acredita que o dólar deve continuar em patamares elevados ao longo de 2025, oscilando entre R$ 5,70 e R$ 6,30. “Reflexo de uma postura mais dura no combate à inflação por parte do Federal Reserve, assim como uma visão ainda incerta sobre o direcionamento fiscal no Brasil”, diz o especialista.


OPÇÕES. Com o cenário esperado de alta do dólar no ano, os analistas reforçam as recomendações para os investidores. Além de comprar diretamente a moeda, é possível dolarizar a carteira por meio de outros instrumentos. Se a ideia é apenas acompanhar a variação da moeda, os fundos cambiais podem ajudar nesse processo. Dependendo da composição da aplicação, é possível ganhar até mesmo acima da oscilação da divisa. Já para quem quer ganhar algum rendimento na moeda forte, os ETFs vinculados às Bolsas americanas são apontados como um caminho mais simples.


Para quem não conhece, os ETFs são fundos que acompanham a variação de índices do mercado e são negociados na forma de ações comuns. Por exemplo, o ETF “IVVB11” é atrelado ao S&P 500, indicador das 500 maiores empresas americanas de capital aberto.


“Existem ETFs que buscam acompanhar a variação da Bolsa americana com a exposição ao câmbio. Ou seja, é semelhante a comprar essas empresas em dólar”, diz Gabriel Tossato, analista da Ágora Investimentos. “É uma forma de estar exposto tanto à variação das ações quanto ao dólar.”


Fundos multimercados de investimento no exterior também podem ser uma forma de ter exposição ao dólar e ao mercado americano. Há uma diversidade deles, com estratégias mais conservadoras (em renda fixa dos EUA) a opções mais arrojadas (com alocação em ações e crédito privado). Atualmente, a Ágora Investimentos indica uma exposição de até 11% da carteira em dólar para investidores arrojados.


Haddad, diretor de investimentos da Avenue, tem uma sugestão de alocação maior - de até 30% da carteira em ativos vinculados ao dólar, com base no perfil de risco de cada investidor. “Se é uma pessoa mais conservadora, não sugerimos mercado acionário, apenas renda fixa americana. Se é uma pessoa mais agressiva, aí recomendamos um pedaço grande em mercado acionário”, afirma ele.


“Os Estados Unidos têm mais de 8 mil ativos, enquanto no Brasil você consegue comprar cerca de 380 ativos. Nos EUA, existem ETFs de todo tipo de setor, de todo tipo de indexador e todo tipo de empresa”, diz o diretor de investimentos da Avenue.


Belitardo, da Hike Capital, destaca a compra de papéis direto na Bolsa dos EUA. O especialista recomenda ações de grandes bancos e holdings diversificadas, como Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, JPMorgan, Morgan Stanley e Bank Of America.


“Caso o investidor opte por dolarizar o seu patrimônio via compra de ações da Bolsa americana, deverá priorizar empresas com baixo nível de endividamento, assim como setores resilientes e que não sejam intensivos em capital (empresas que gastam enormes quantias de recursos para a manutenção e expansão de sua base de ativos)”, diz ele. (Jenne Andrade, E-Investidor)


Broadcast+

Call Matinal ConfianceTec 1301

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

13/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEXTA-FEIRA (10/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na sexta-feira (10), fechou em queda de 0,77%, a 118.856 pontos. Volume negociado foi de R$ 19,7 bi.


Já o dólar à vista operou em alta de 1,00%, a R$ 6,10, mas na semana recuando 1,29%.


PRINCIPAIS MERCADOS, 5h40


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,20%

S&P 500 Futuro, -0,48%

Nasdaq Futuro, -0,69%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), -0,25%

Nikkei (Japão🇯🇵), fechado por feriado

Hang Seng Index (Hong Kong), -1,00%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -1,04%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -1,23%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,33%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,36%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,39%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), -0,35%

STOXX 600🇪🇺, -0,54%


Commodities:

Petróleo WTI, +1,74%, a US$ 77,90 o barril

Petróleo Brent, +1,54%, a US$ 80,99 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,92%, a 768,50 iuanes (US$ 104,82)


NO DIA, 13/01

Semana em que o foco das "tensões" do mercado deve se deslocar para o CPI de dezembro nos EUA (quarta-feira), antes, o PPI, amanhã. Ainda teremos o Livro Bege na quarta, vendas de varejo na quinta-feira e produção industrial na sexta.


No mercado, há toda uma expectativa em torno dos próximos passos do Fed, já contando com a manutenção do Fed Fund, ao fim de janeiro, em 4,25% a 4,50% anuais. Depois, não descartamos uma nova rodada de apertos monetários, dadas as incertezas do novo governo Trump.


Na China, veio forte a balança comercial  de dezembro, nesta madrugada. As exportações registraram alta anualizada de 10,7%, acima do esperado, e as importações, +1,0%, contra estimativa de queda de 1,2%. 


Com isso, o superávit comercial foi a US$ 104,84 bilhões, acima do esperado (US$ 99,75 bilhões).


Agora, o foco se desloca na China para o PIB/4Tri, produção industrial e vendas no varejo em dezembro, todos na noite de quinta-feira. Indicadores a medirem os estímulos adotados por lá.


Por aqui, o ritmo da atividade será medido pelo IBC-Br (quinta-feira) e o volume de serviços (quarta-feira).


Por fim, na agenda americana, outro destaque são os grandes bancos na temporada de balanços trimestrais.


AGENDA, 13/01


Indicadores:

05h00. Brasil🇧🇷/Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de janeiro

08h25. Brasil🇧🇷/BCB: Boletim Focus

10h00. Brasil🇧🇷/BCB: 5ª edição piloto da pesquisa Firmus

13h00. EUA🇺🇸/Fed NY: Expectativas de inflação – dezembro

15h00. Brasil🇧🇷/Mdic: Balança comercial semanal

Eventos:

10h00. Brasil🇧🇷/BCB: Diogo Guillen participa de live da Bradesco Asset

11h00. Lula tem reunião com Haddad, Rui Costa e líderes do governo no Congresso.

                               

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa segunda-feira e bons negócios!

Vai rolar...1301

 Vai rolar: Dia tem Focus; Guillen participa de live do Bradesco Asset


[13/01/25] Veio forte a balança comercial chinesa em dezembro, divulgada no início da madrugada, e agora o foco se desloca na China para o PIB/4Tri, produção industrial e vendas no varejo em dezembro, todos na noite de 5ªF, e que já devem responder aos estímulos econômicos lançados nos últimos meses pelo governo de Pequim. Por aqui, o ritmo da atividade será medido pelo resultado de novembro do IBC-Br (5ªF) e volume de serviços (4ªF). Mas o ponto alto da semana é a inflação nos EUA. O CPI de dezembro (4ªF) é considerado um teste decisivo para a política menos flexível do Fed, depois do payroll forte e diante do protecionismo tarifário e expansionismo fiscal de Trump. Ainda na agenda americana, os grandes bancos abrem a temporada dos balanços trimestrais e medem a força da economia. (Rosa Riscala)

👉 Confira abaixo a agenda de hoje

Indicadores
▪️05h00 – Brasil/Fipe: IPC da 1ª quadrissemana de janeiro
▪️08h25 – Brasil/BC: Boletim Focus
▪️10h00 – Brasil/BC: 5ª edição piloto da pesquisa Firmus
▪️13h00 – EUA/Fed NY: Expectativas de inflação - dezembro
▪️15h00 – Brasil/Mdic: Balança comercial semanal

Eventos
▪️10h00 – BC: Diogo Guillen participa de live da Bradesco Asset
▪️11h00 – Lula tem reunião com Haddad, Rui Costa e líderes do governo no Congresso

XP News 1301

 13-01  XP News


Bom dia,


🔴 Mercados em baixa às 5h40 de Brasília: S&P -0.58%, Dow Jones -0.27%, Nasdaq -0.85% e o índice europeu STOXX600 -0.72%.


*👉O Globo - Governo vai adotar novas medidas fiscais em 2025 para manter arcabouço, afirma secretário*

Limite a supersalários e idade mínima para militares voltarão à agenda em 2025, diz Dario Durigan. Câmbio e juros altos preocupam. As novas propostas devem começar a ser debatidas após a aprovação pelo Congresso do Orçamento de 2025.


*👉Folha - Supersalários em governos estaduais chegam a R$ 49 mil, e cenário é mais grave que na União*

Estados têm excesso de tabelas remuneratórias e discrepâncias entre carreiras, mostra anuário do Instituto República .org. O quadro se agrava nos estados onde a imprensa local e mecanismos de controle e acesso à informação são menos atuantes.


*👉Valor - Governo enfrentará ações de R$ 698,7 bi no STF*

A União conseguiu evitar perdas bilionárias ao vencer, em 2024, a maioria dos julgamentos tributários no STF e no STJ. Ganhou 18 de um total de 23 casos relevantes. Em apenas três deles, o impacto somado era de R$ 86,1 bilhões. Ainda há, contudo, só no Supremo, outros 27 processos que podem ser discutidos neste ano.


🇺🇸 BIG BANKS: Os investidores monitorarão o início da temporada de resultados do 4T24, com bancos como Citigroup, Goldman Sachs e JPMorgan Chase divulgando na quarta-feira. Morgan Stanley e Bank of America publicarão os resultados na quinta-feira.


🇺🇸 *SEM BAIXAR JUROS: Os traders atualmente dão mais de 97% de probabilidade de que o banco central deixará as taxas inalteradas em sua reunião de 29 de janeiro, e uma chance de quase 75% de que o Fed mantenha a linha novamente em março, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.*


🇺🇸 ATIVIDADE FORTE: Na sexta, as folhas de pagamento não agrícolas subiram em 256 mil no mês, acima dos 212 mil em novembro e acima da previsão de 155 mil.


🚨 *O rendimento do título de 10 anos adicionou quase seis pontos-base, a 4,745%. O título de 2 anos subiu mais de 10 pontos-base, a 4,369%.*


🇨🇳 *MOEDA CHINESA: O Banco Popular da China e outros reguladores prometeram melhorar a gestão do mercado de câmbio e evitar qualquer risco de "overshooting" do yuan, disse o PBOC em um comunicado.*


*Folha - Dino dá 30 dias para União e estados publicarem regras para emendas a universidades*

A decisão é um desdobramento de auditoria da CGU sobre a transparência na execução das verbas de emendas por 33 instituições sem fins lucrativos, incluindo ONGs e as fundações ligadas às universidades.


*Folha - Emendas avançam sobre Orçamento e consomem até 74% da verba dos ministérios*

De todo o recurso federal discricionário (R$ 230,1 bilhões em empenhos em 2024), cerca de 19,5% foram direcionados por emendas parlamentares, um percentual inédito. A maior proporção (74%) é a do Ministério do Esporte, com R$ 1,3 bilhão direcionado pelo Congresso. O Turismo vem em segundo lugar, com 69%.


*Valor - Receita da União com dividendos cresce em 2024*

Expectativa é valor alcançar R$ 72,97 bilhões; BNDES e Petrobras se destacam em repasses. O número, se confirmado, será o segundo maior na série histórica em termos nominais. Perde apenas para 2022, que foi de R$ 87 bilhões.


*Estadão - Brasil assina acordo de até R$ 15 bi com Emirados Árabes para exploração de minerais estratégicos*

Memorando prevê cooperação em pesquisa, processamento e transferência de tecnologia em projetos na área de minerais essenciais para a transição energética.


*O Globo - China registra recorde de exportações em 2024, com superávit de quase US$ 1 trilhão*

O valor das exportações superou pela primeira vez os 25 trilhões de yuans, cerca de US$ 3,58 trilhões - um aumento anual de 7,1%. As importações totalizaram cerca de US$ 2,59 trilhões, um aumento anual de 2,3%.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...