sábado, 3 de maio de 2025

Formalização

 Fala galera, bom tarde!

Criei um Substack ontem e resolvi postar um texto introdutório que pode servir de ajuda para muita gente que encontra barreiras na linguagem mais formalizada da economia. Nele passo pelos três tipos principais de provas com alguns exemplos e referências no final.

Caso vocês queiram me dar um _feedback_, ficaria muito feliz. Espero que seja de utilidade para quem estiver com alguma dificuldade em matérias que envolvam formalização.


https://substack.com/@beniciomotta/note/p-162764525

Adriana Cotias

 Com revolução na distribuição, brasileiro muda forma de investir


Estabilização monetária, avanço regulatório e plataformas digitais democratizam acesso a produtos financeiros mais sofisticados


Por Adriana Cotias — De São Paulo 30/04/2025 05h06 Atualizado há 2 dias



Há 25 anos, os fundos de investimentos reuniam menos de R$ 300 bilhões, concentrados nos grandes bancos, a poupança acumulava pouco mais de R$ 100 bilhões e ainda não existia o sistema de compra e venda de títulos públicos pela internet, o Tesouro Direto, nem a miríade de papéis de crédito com benefício fiscal para a pessoa física. Hoje, as cifras impressionam. Os fundos têm R$ 9,4 trilhões; a poupança, R$ 1 trilhão; o Tesouro Direto, R$ 164 bilhões e os títulos de crédito privado incentivados, R$ 1,2 trilhão.


Na antiga BM&FBovespa, o número de pessoas físicas que negociava ações nos primórdios do “home broker” era inferior a 100 mil. Agora, a companhia que resultou das fusões das duas bolsas mais a Cetip, o balcão de negociação de títulos privados, se chama B3 e reúne mais de 6 milhões de CPFs.


Se lá atrás os bancos dominavam sozinhos o bolso do brasileiro com perfil poupador, progressivamente novos atores passaram a dividir esse palco. Surgiram as plataformas de investimentos e os agentes autônomos como concorrentes para os bancos e os gerentes. Após 2010 esse cenário começou a ganhar corpo para efetivamente se expandir da metade da década passada em diante.


 

Com a concorrência, ganhou o investidor que passou a poder acessar fundos e produtos antes só disponíveis para a altíssima renda e viu os custos de entrada caírem também. Além disso, os próprios bancos passaram a contar com a chamada “arquitetura aberta”, ou seja, oferecer produtos de terceiros independentes em suas prateleiras.


A desmutualização das bolsas, cujas participações eram das corretoras, foi o primeiro caminho para a disrupção da distribuição e que possibilitou o surgimento das plataformas de investimentos digitais de varejo, como a XP, outras mais institucionais, diz Gilson Finkelsztain, presidente da B3. Esse processo, vale lembrar, veio na esteira de um boom de novas empresas chegando à bolsa em meados dos anos 2000. Com o Brasil em ascensão entre os investidores, foram cinco anos consecutivos de alta da bolsa, entre 2003 e 2007, o que levou os brasileiros a também se animar a investir em ações.


Do lado da bolsa houve o preparo da infraestrutura para aguentar crises, o pregão viva-voz foi encerrado em 2005 e os investimentos em tecnologia, amplificados para suportar volumes crescentes de negociação.


As discussões sobre níveis de transparência corporativa foram institucionalizadas e o investidor passou a ter acesso a uma nova linhagem de produtos, continua o executivo da B3. Ele cita a criação do Tesouro Direto, que nos primeiros dez anos cresceu timidamente; não competia com a poupança, mas hoje é o lugar de reserva das novas gerações. Com a fusão da BM&F e da Bovespa e a aquisição da Cetip, a bolsa deixa de ser um lugar cativo da renda variável para abarcar instrumentos híbridos e de renda fixa.


“Estruturalmente, o Brasil continua sendo o país da renda fixa. A classe tem protagonismo porque a economia roda com taxas de juros reais mais elevadas do que a média do mundo desenvolvido”, diz Finkelsztain. Ele vê espaço, contudo, para ações, fundos imobiliários, de índice (ETF) e recibos de ações estrangeiras (BDR) ganharem participação no patrimônio da pessoa física. Só em fundos imobiliários são 2,3 milhões de CPFs.


No home broker, se no passado, o acesso partia de R$ 5 mil a R$ 10 mil, hoje a média inicial é de R$ 200. Até em contratos derivativos o brasileiro se versou, com os míni contratos de dólar e de Ibovespa representando de 30% a 40% das transações na B3, em linha com as bolsas de mercados mais desenvolvidos


Desde o advento da internet, começou a se esboçar a ideia dos “supermercados” de investimentos, na virada do século, mas eles demoraram a decolar. Carlos Constantini, membro do comitê executivo e diretor responsável pela divisão de gestão de riqueza e serviços do Itaú Unibanco, lembra que o próprio Unibanco, antes da fusão com o Itaú, tentou criar um, com a aquisição do Investshop do antigo banco Bozano, Simonsen. Havia fundos com aplicação mínima de R$ 50 e outras “coisas revolucionárias para a época”, lembra Constantini, que começou a carreira como analista de ações na instituição.


Com a semente original plantada com o controle da inflação no Brasil, os avanços da tecnologia e a modernização do ambiente regulatório, o mercado de investimentos pôde florescer, diz o executivo. Ele lista a criação do Tesouro Direto, as melhorias na governança corporativa com o Novo Mercado e a habilitação de classes como fundos imobiliários, de previdência e dos títulos isentos como marcos dessa construção gradual.


Conforme enumera Constantini, de 1996 a 2003, foram quatro IPOs na bolsa, saltando para mais de uma centena entre 2003 e 2011. Em 2007, no famoso ano das aberturas de capital, foram 64 ofertas. O número de investidores pessoas físicas na bolsa cresceu progressivamente, e o brasileiro ganhou alternativas.


“Isso tudo significa a profissionalização do mercado de investimentos”, afirma o executivo do Itaú. “Em qualquer recorte que fizer, a gente vai encontrar a evolução em paralelo ao amadurecimento do ambiente regulatório no Brasil, a autorregulação fazendo o ‘catch up’, dando o caldo, as condições, seja para a pessoa física, seja para o institucional, um puxando o outro, e favorecendo o mercado de investimentos.”


Ele acrescenta que, no caminho para uma oferta de produtos de terceiros mais ampla, o exercício do dever fiduciário segue como pedra fundamental, mas que o Itaú aprendeu a não eliminar as opções de escolha do cliente.


“O banco tinha uma arquitetura aberta que passava por um filtro de curadoria rígida e percebeu ao longo do tempo que dava para ser menos rígido, desde que trouxesse os riscos às claras.”


Foi com essa capacidade de juntar times e culturas e se reinventar que o Itaú conseguiu manter participação de mercado relevante, com quase 30% no segmento de private banking, de grandes fortunas, sem incluir as operações “offshore”, e de 20% no varejo. No fim de 2024, contabilizava R$ 3,3 trilhões em ativos sob custódia.


Enquanto não havia a estabilização monetária, o investidor só jogava na defesa, ganhava dinheiro no “overnight”, diz o ex-secretário especial do Tesouro e do Orçamento Bruno Funchal, hoje executivo-chefe (CEO) da Bradesco Asset Management. Foi a combinação de avanços estruturais com ciclos de crescimento favoráveis que permitiu que o Brasil chegasse a cifras trilionárias nos mais diversos produtos.


Ele cita a redução de subsídios dos bancos públicos e o fim da TJLP como um divisor de águas que permitiu que o mercado de capitais prosperasse, carregando junto o de investimentos. As emissões de dívida corporativa decolaram e até o mercado secundário de crédito ganhou profundidade.


De 2000 a 2010, anos de crescimento da economia, começou a haver uma lógica para a indústria de gestão de recursos de terceiros. A regulamentação da CVM para os fundos abertos condominiais data de 2004, mas como os juros seguiram altos, eram os produtos de renda fixa, de menor risco, que povoaram o mercado no início, lembra Funchal.


Foi a partir da segunda metade da década que começou a haver alguma diversificação, com fundos multimercados e de ações e o número de assets se multiplicando. No ciclo de crescimento seguinte, entre 2010 e 2015, o acesso foi amplificado para além dos bancos. “Houve a universalização para produtos muito diferentes e a indústria de fundos foi protagonista. Chegam as plataformas e há um rearranjo estrutural do mercado.”


Entre as plataformas, a primeira a conseguir efetivamente quebrar a barreira da distribuição foi a XP Investimentos, fundada por Guilherme Benchimol. Montada primeiro num escritório em Porto Alegre (RS), a XP Inc. é uma empresa listada na bolsa americana Nasdaq desde o fim de 2019 e reúne hoje cerca de R$ 1,25 trilhão em ativos de clientes na sua custódia. Pelos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ao fim de 2024, o total investido pela pessoa física era de quase R$ 7,3 trilhões. “Quando comecei, em 2001, era muito inconsequente e ignorante. O Brasil tinha umas 20 mil, 30 mil pessoas que investiam na bolsa. A XP começou num momento em que não havia a figura do agente autônomo, não existia um mercado de capitais ativo e a concentração bancária de investimentos era 99,5%, com os juros na faixa dos 20% [ao ano]”, diz Benchimol. “Nos últimos 24, 25 anos, teve mais momentos instáveis do que de euforia”, lembra, com os anos de bonança coincindindo com “governos mais austeros”, com a inflação sob controle, o câmbio relativamente estável e um ambiente pró-tomada de risco, refletindo a confiança dos investidores. Ele diz que até 2010 “ era uma corretora de renda variável filhote do ‘bull market’ [mercado comprador] daquele período, entre 2003 e 2007”. Depois começou uma consolidação mais consistente


A trajetória da XP atraiu o interesse de vários escritórios de assessoria que também se transformaram em negócios bilionários, conectados à plataforma, e depois a outras que decidiram usar o canal externo de distribuição, como BTG Pactual, Genial e Safra.


Uma questão que sempre assombra o mercado de investimentos neste 25 anos é a do juro alto. Desde a estabilização monetária do Plano Real, em 1994, o país convive com juros nominais médios de 12,5% e reais na casa dos 6,5%. “Isso traz uma questão cultural que na minha opinião é transformadora no mau sentido; a sociedade fica ‘preguiçosa’, acostumada a investir o dinheiro com muita liquidez sem correr risco”, diz Benchimol. “No Brasil, o investimento mais conservador do mundo, um CDB ou um título público, foi sempre espetacular. Isso mata o nosso futuro. Por que vai investir em ações, alongar por 10, 20 anos, empreender, se pode ganhar inflação mais 6,5% ao ano sem fazer nada?”


Os bancos, por seu lado, também abriram as suas plataformas para produtos de terceiros. Outros movimentos de consolidação enfileirados pelo Itaú - Banco Francês e Brasileiro, BankBoston e as operações de varejo do Citi no Brasil - já tinham como alvo o público de alta renda, com perfil investidor. A aquisição da americana Avenue Secuirities, fundada pelo brasileiro Roberto Lee, é mais um capítulo dessa história, diz Constatini, do Itaú


A grande revolução ainda não terminou, diz Carlos André, presidente da Anbima. Ele afirma que está em curso o processo de “empoderamento” do investidor, com a abordagem de produtos dando lugar à centralidade do cliente na relação. “O que se viu nos últimos 25 anos, seja a maior democratização do mercado de investimentos, seja o surgimento de novos players e modelos de negócios com as plataformas de distribuição e reinvenção de parte dos bancos em como servir os clientes, na prática, tudo isso gira em torno dessa constatação”, afirma André. “Os agentes tiveram que repensar e montar negócios a partir das necessidades do cliente e não o contrário, como o mercado financeiro foi construído 10, 15 anos atrás.” A tecnologia acelerou tudo.


Pelo lado dos bancos, houve a percepção da importância de diversificar fontes de receita que não consomem capital, diferentemente do crédito. É saudável arrecadar tarifas e outras comissões, diz. Ao mesmo tempo, quando o investidor tem seus recursos com determinada instituição, ele é mais fiel. Os próximos 25 anos começam novamente sob a égide do juro alto e de grandes mudanças tecnológicas, com a Inteligência Artificial (IA). Mas o investidor parte de um ponto muito diferente, com mais opções



https://valor.globo.com/google/amp/25-anos/noticia/2025/04/30/com-revolucao-na-distribuicao-brasileiro-muda-forma-de-investir.ghtml

O Brasil nos desanima

 Enquanto o Brasil se escandaliza (com razão) com o escândalo das fraudes no INSS, essa reportagem nas Páginas Amarelas da Veja da semana passada revela uma situação trágica na nossa política industrial, que já era complicada antes das guerra tarifária iniciada por Trump. Onde isso vai dar? Ele não está nada otimista…

Segue o texto completo.


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A ESCALADA tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciada com o objetivo de brecar importações, estremeceu o mundo. De acordo com Gustavo Werneck, presidente da Gerdau, a maior siderúrgica do Brasil, a política pode afetar cadeias produtivas globalizadas, mas defende que não há mocinhos e bandidos no jogo do comércio mundial. Para ele, a China, que hoje reclama do protecionismo americano, faz uso de concorrência predatória — e cita como exemplo o que ocorre hoje no mercado brasileiro. Nos últimos anos, a fatia do aço importado do dragão asiático saltou de 10% para 25% do mercado interno nacional. O sistema de cotas e tarifas adotado pelo governo em 2024 não impediu a invasão, e Werneck cobra medidas mais duras. “A concorrência desleal vem do próprio Estado chinês”, afirma ele. Werneck adverte que, se a questão não for resolvida, a Gerdau investirá em outros países, como os próprios Estados Unidos, que sobretaxaram em 25% o aço importado e onde o grupo já tem usinas. O desmonte da reforma trabalhista e o caótico sistema tributário também dificultam novos projetos por aqui. “O futuro da indústria brasileira nos preocupa muito”, diz Werneck.


Quais são os impactos das medidas protecionistas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump?


Ainda é cedo para dimensionar. Embora a Gerdau possa se beneficiar, pois possui uma operação nos Estados Unidos voltada ao consumo interno sem a necessidade de exportar, fazer qualquer tipo de avaliação neste momento é prematuro.


E como a Gerdau é afetada pela sobretaxa que Trump impôs ao aço? 


Como operamos lá, não há impacto. Nossa capacidade de produção nos Estados Unidos é quase a mesma que no Brasil, mas temos 30% de capacidade ociosa lá. Então, podemos aumentar rapidamente a produção sem grandes investimentos, à medida que a demanda interna crescer. O impacto para a indústria em geral é mais complexo. A indústria automotiva, por exemplo, se tornou bastante globalizada e vai demorar muitos anos para que volte a ser totalmente americana. Agora, por estarmos dentro dos Estados Unidos, podemos nos beneficiar com esses incentivos à produção local. Um exemplo é a retomada de projetos de infraestrutura.


O que o Brasil pode aprender com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs tarifas à importação de aço, visando sobretudo a China? 


A Gerdau atua há mais de trinta anos nos Estados Unidos. Um grande aprendizado é que, lá, a defesa comercial envolve toda a cadeia produtiva de um setor. Todas as partes daquela cadeia entendem que a proteção comercial é positiva para a indústria como um todo. No Brasil, temos o grave problema de um setor ficar brigando com o outro. Isso é inaceitável. Alguns setores, como o de máquinas e equipamentos, têm uma visão míope de que aumentar a tarifa de importação do aço vai prejudicá-los. Mas isso vai ajudá-los, porque, do mesmo modo que o governo não defende o aço, não defende também a produção de máquinas, de equipamentos, de tratores. Esses setores jogam contra si mesmos.


Medidas protecionistas não contrariam o livre comércio?


Em nenhum momento pedimos protecionismo. Pedimos defesa contra uma concorrência predatória e desleal. Hoje, a indústria brasileira concorre com o Estado chinês, não com empresas chinesas. Não é à toa que o mundo todo está se defendendo. Existe uma grande diferença entre defesa e proteção. Sempre fomos a favor do livre comércio, desde que em condições iguais e corretas. Vivemos uma condição desleal, com Pequim subsidiando de forma artificial suas empresas. Assim, trocamos empregos brasileiros por chineses e condenamos o futuro da nossa indústria.


Por que as cotas e as tarifas impostas pelo governo, em junho passado, não impediram a invasão de aço da China?


Durante anos, a geração de emprego e renda na China dependeu do crescimento da indústria. Mas o país vive uma profunda transição e, para evitar uma convulsão social, o governo chinês subsidia setores como o do aço. A China exporta produtos em condições não isonômicas com as do mercado mundial. No ano passado, o Brasil criou um mecanismo de cotas e tarifas que estabelece uma taxa de 25% para o aço importado que exceder a cota. Mas está sobrando tanto aço na China, exportado com tantos subsídios, que, depois de um ano, em vez de a importação cair, está crescendo. Hoje, 25% do aço consumido no Brasil é importado, sobretudo da China. A média histórica era de 10%.


Quanto o excedente chinês de aço ameaça as siderúrgicas brasileiras?


O Brasil tem uma demanda anual de 4 milhões de toneladas de vergalhão, que é o tipo de aço mais usado na construção civil. Os Estados Unidos consomem 10 milhões de toneladas por ano. A China tem um excedente hoje de 400 milhões de toneladas de vergalhão. Se ela exportasse apenas 1% disso, atenderia a toda a demanda no Brasil. É chocante. Também sabemos quanto a China paga pelo minério de ferro. Vemos o aço chinês entrar no Brasil a preços menores que os do minério. É evidente a questão do dumping.


Por onde o aço chinês entra no Brasil?


Há três grandes entradas. Uma é a Zona Franca de Manaus, que tem um regime tributário especial. Houve um aumento muito grande de aço entrando por Manaus, mas a produção industrial na região não cresceu na mesma proporção. Se esse aço não é consumido na Zona Franca, então está circulando pelo país com isenção de impostos. O segundo problema é um acordo bilateral que permite que o aço importado do Egito pague tarifa reduzida. Essa via cresceu também, e não sabemos se esse aço foi mesmo produzido lá ou se foi fabricado em outro lugar e apenas passou pelo Egito para obter benefício fiscal. O terceiro é a isenção de ICMS que o estado de Santa Catarina concede às importações.


Que medidas brecariam, de fato, a importação de aço?


O público em geral acredita que o empresariado brasileiro não é competitivo e fica “mamando nas tetas do governo”. Isso é uma falácia. A Gerdau e muitos de nossos clientes competem de igual para igual com concorrentes estrangeiros no cenário global. Então, o que pedimos é apenas que o governo crie condições isonômicas de competição com os importados. O governo precisa endurecer as regras. Qualquer aço da China deveria pagar uma tarifa maior. O governo também deveria acelerar as investigações de dumping. Não é possível demorar dois ou três anos para concluir uma investigação.


As sobretaxas podem encarecer o aço no Brasil e pressionar a inflação. Como convencer os consumidores de que isso é necessário?


O Brasil não é um país que regula preço. Temos livre comércio e os preços do aço seguem o mercado internacional. É possível para o governo e qualquer pessoa acompanhá-los e ver se as siderúrgicas estão se aproveitando indevidamente da sobretaxa. Não queremos, de forma nenhuma, usar isso para reajustar preços e pressionar a inflação. O que queremos é diluir custos. Estou com fábricas paradas. O nosso custo fixo está muito alto. Pagamos IPTU, energia, aluguel e salários de empregados de unidades paralisadas.


O senhor já disse que a Gerdau pode rever o plano de investir 6 bilhões de reais neste ano, se o governo não proteger mais o mercado interno. Quão perto a empresa está de cortar investimentos?


Cada investimento em siderurgia demora anos, desde sua concepção até entrar em operação. Há quatro anos, decidimos investir 1,5 bilhão de reais na ampliação do laminador que foi inaugurado em março na usina de Ouro Branco, em Minas Gerais. Quatro anos depois, não temos para quem vender. Se o Brasil continuar criando cada vez mais dificuldades para as empresas, vamos buscar outros lugares para investir. A partir do mês de junho, faremos debates mais profundos, porque não está valendo a pena investir no Brasil. Temos uma história de 124 anos, e, apesar de nossa perseverança, está cada vez mais difícil empreender no Brasil. A Gerdau nunca esteve tão preparada quanto agora. Trabalhamos duro, nos últimos dez anos, para alcançar um nível de competitividade sem igual. Quase não temos dívidas e somos uma referência para a indústria em geral. Vivemos nosso melhor momento e, quando temos tudo para decolar, enfrentamos dificuldades que não são causadas por nós e que nos impedem de colher os frutos de todo esse trabalho. É uma frustração muito grande. O que pedimos não é choro de uma empresa ineficiente.


Com tantos problemas estruturais, ainda dá para ser otimista com o Brasil?


Neste momento, não, e dou alguns exemplos. Nossas operações nos Estados Unidos e no Brasil têm quase o mesmo tamanho, mas, lá, temos apenas três pessoas na área tributária. Aqui, temos 123 para lidar com a confusa tributação brasileira. Outro exemplo é o gás natural, que custa quatro vezes mais aqui do que nos Estados Unidos. Se o país não encontrar, no curto prazo, uma forma de oferecer energia elétrica e gás mais baratos, não compensará investir aqui. Vemos também a desconstrução do que conquistamos no passado, como a reforma trabalhista, que veio para trazer mais competitividade à indústria, mas está sendo desmontada. Todo dia, damos um passo para trás no Brasil. Outro exemplo: criamos, na cidade de Pindamonhangaba, em São Paulo, uma empresa para produzir aço para a indústria de energia eólica, chamada Gerdau Summit. O governo vendeu a energia eólica como um dos setores do futuro, mas a produção de equipamentos acabou e não temos para quem vender o aço. Investimos muito e não vendemos 1 quilo de aço da Gerdau Summit. Então, a indústria vive assim: a gente cria coragem, confia nas perspectivas do país, coloca um monte de dinheiro em novos projetos, e as promessas simplesmente não são cumpridas.


A isso se soma a necessidade de manter juros altos e frear a economia?


Sim, e aí vem a taxa de juros. Nossos clientes, como as montadoras e a construção, vão continuar demandando aço? Estamos em um momento de muita preocupação, porque não conseguimos ver nenhum dos setores em que atuamos se desenvolvendo com clareza no Brasil. Vemos a indústria automotiva com dificuldade, a indústria de energia com dificuldade, a indústria de máquinas e equipamentos importando muita máquina. Estamos mais preocupados do que nunca com o futuro da indústria brasileira. Junte-se a isso a questão da importação predatória de aço chinês, e a pergunta que fazemos é: até quando conseguiremos resistir?

sexta-feira, 2 de maio de 2025

JR Guzo

 https://www.estadao.com.br/politica/j-r-guzzo/soma-da-vontade-de-roubar-com-a-de-absolver-teve-como-resultado-o-brasil-do-inss/


*Soma da vontade de roubar com a de absolver teve como resultado o Brasil do INSS*


_País ‘recivilizado’ por decisões do STF tornou legal roubar o erário público_


Por J.R. Guzzo - 30/04/2025


Cada nação tem os seus usos e costumes. Há países onde é legal açoitar as mulheres em público em casos de infração às leis muçulmanas. Há países onde é legal o consumo de narcóticos. Há países onde é legal o suicídio assistido, com todos os recursos da medicina moderna. Há países onde é legal o porte de armas. No Brasil, como resultado do processo de recivilização empreendido pelo Supremo Tribunal Federal, é legal roubar o erário público.


Faz parte da melhor jurisprudência do STF hoje em dia – os indivíduos ou as empresas que provam a prática de atos de corrupção e têm relações afetivas com o governo Lula, estão legalmente autorizados a meter a mão no dinheiro público, venha de onde ele vier. Não foi necessário, no caso, o Congresso aprovar legislação específica para determinar que a corrupção é legal no Brasil. Quem faz isso, diretamente e na prática, é o STF, com a absolvição automática de todo e qualquer caso de corrupção que chegue até lá.


É resultado do trabalho de “edição do Brasil” desenvolvido pelo ministro Dias Toffoli. O Código Penal diz que é proibido roubar, mas isso é coisa velha, de 1940, e não atende mais as necessidades modernas de defesa da democracia, e outros altos propósitos de natureza cívica. Editado pelo STF, o código, e tudo o mais que possa ser “interpretado” pelos ministros, passou a ser um instrumento de proteção aos corruptos do governo e de todo o baixo mundo que gira em torno dele. De outro lado, o combate a corrupção, como na Lava Jato, é tratado hoje como crime inafiançável.


A soma da vontade de roubar com a vontade de absolver teve como resultado inevitável o Brasil do INSS que está aí – o Brasil do INSS e de todo o conto de terror que está sendo o governo Lula em matéria de ladroagem desesperada. Em pouco mais de dois anos de governo, conseguiram roubar, só ali, cerca de R$ 4 bilhões – a demonstração mais didática do que a legalização virtual da roubalheira está fazendo com esse País. Passou a valer realmente tudo, até roubar os velhinhos aposentados do INSS fazendo descontos ilegais sobre os trocados que recebem ali.


O pior é o argumento da esquerda e suas milícias de apoio: não fomos nós que começamos esse roubo, a gente só continuou com o que já vinha sendo feito. Dois erros fazem um acerto; caso encerrado. Aliás, ficar falando nisso é coisa de fascista, golpista, direitista, bolsonarista etc. etc. que estão aí para acabar com a nossa democracia. Alexandre Moraes deveria prender quem espalha essas fake news.


O que ninguém quer fazer é a pergunta mais simples: como seria possível não roubar se a justiça, na vida prática, permite que se roube?


Não foi demitido até agora nem o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, um notório e experiente frequentador do noticiário policial desde os tempos de Dilma Rousseff. É aí que está o carnegão do tumor: Lula criou esse Ministério da Previdência Social, que não existia, exatamente para esse tipo de coisa. Seu próprio irmão, ninguém menos, está metido até o talo nessa história, como dono de um “sindicato de aposentados” (pode isso, sindicato de quem parou de trabalhar?) que recebia descontos que foram roubados da remuneração dos velhinhos. A Contag, que vive na sala de Lula combinando a “reforma agrária”, também meteu a mão. Não vai acontecer nada com nenhum deles. Já podem preparar a próxima."

Everardo Maciel

 https://www.estadao.com.br/economia/everardo-maciel/compensar-elevacao-limite-isencao-irpf/


*Como compensar a elevação do limite de isenção do IRPF*


_Uma solução seria condicionar a eficácia da medida à sanção de lei, proposta pelo Executivo_


Opinião por Everardo Maciel - Consultor tributário, foi secretário da Receita Federal (1995-2002)


O Projeto de Lei (PL n.º 1.087, de 2025) que pretende elevar o limite de isenção do IRPF é uma proposição precária, assentada em uma redação de péssima qualidade.


De inspiração eleitoreira, parte do pressuposto de que isentar contribuintes do IRPF é praticar justiça fiscal. Pagar imposto de renda é exercício de cidadania, por pouco que seja. Limite de isenção é recurso a ser adotado quando os custos da cobrança superam os resultados da arrecadação. Justiça fiscal, que decorre do princípio da capacidade contributiva, deve ser operada pela grade de progressividade, tributando desproporcionalmente mais os maiores rendimentos.


É razoável admitir que a atual grade deve ser revista em proveito da progressividade. Porém, não é isso que faz aquele projeto. Cria uma exótica e inédita grade denteada de progressividade, que dispara ao alcançar o que foi arbitrariamente qualificado como alta renda (R$ 50 mil mensais).


De forma tosca, institui um Imposto de Renda das Pessoas Físicas Mínimo – IRPFM, tendo em sua base de cálculo o IRPF, inclusive os rendimentos isentos ou tributados exclusiva ou definitivamente, que por via oblíqua perdem sua natureza originária. Um despautério.


Para tributar dividendos recorre à instituição de “alíquota efetiva” (quociente dos valores arrecadados e a receita bruta). Trata-se de conceito utilizado exclusivamente como instrumento de análise da tributação.


O projeto parece queixar-se de alíquotas efetivas supostamente baixas, sem ter em conta que elas decorrem da fruição de benefícios fiscais, amortização de ágio, compensação de prejuízos ou entre tributos, e outros institutos previstos em lei. Portanto, dá-se com uma mão e tira-se com a outra.


A apuração da alíquota efetiva é uma via-crúcis burocrática, especialmente para os optantes do Lucro Presumido e do Simples.


O limite de isenção proposto (R$ 5 mil) é 2,4 vezes a renda per capita dos brasileiros, e, se cotejado, com o PIB per capita só é inferior aos dos países nórdicos. O IRPF passaria a ser financiado por apenas 14% da população economicamente ativa. Os Estados e municípios teriam perda de arrecadação do IRPF retido na fonte de seus servidores.


É provável, entretanto, que o projeto seja aprovado pelo Congresso, como seria qualquer outra benesse. Sendo inócua a proposta de compensação, uma solução seria condicionar a eficácia da medida à sanção de lei, proposta pelo Executivo, com corte de gastos e benefícios fiscais em igual montante à perda de arrecadação.


Opinião por Everardo Maciel

Consultor tributário, foi secretário da Receita Federal (1995-2002)

Malu Gaspar 0205

 https://www.facebook.com/share/p/1Am5q44Ya4/


"Pode parecer incrível, mas os bandidos não desistem, e como diria Pero Vaz de Caminha, no Brasil, "tudo dá". A natureza é pródiga, sendo ainda mais pródigos os sindicalistas da República Sindicalista da Corrupção: 


 A entidade que mais aumentou sua arrecadação com o roubo dos aposentados, o Sindinap, tem como vice-presidente o irmão de Lula, Frei Chico. Outra, a Contag, tem ligações históricas com o PT e elege até deputado federal. E outra ainda, Cebap, tem como advogado o filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski (depois que os contratos vieram à tona, Lewandowski disse que não há conflito entre a atuação do filho e a sua)...

 

 *Lupi sabe o que faz* 


Malu Gaspar


O Globo, 1 de maio de 2025

 

"Depois de uma semana fazendo malabarismo para aliviar a barra do presidente do INSS e fingir que não tinha nada a ver com o esquema que por anos roubou todo mês um pedacinho da aposentadoria de milhões de brasileiros, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, surgiu na Câmara dos Deputados nesta semana tomado de súbita indignação e clarividência.

 “Quem fez errado que vá para a cadeia. Eu não estou aqui para acobertar o roubo de quem quer que seja.”


Era o mesmo Lupi que, diante de todas as evidências de que havia uma quadrilha instalada na cúpula do INSS, resistiu a demitir o presidente do instituto já afastado pela Justiça — e ainda o descreveu como “extremamente qualificado”.


A Polícia Federal mostrou que esse servidor público exemplar ignorou os alertas oficiais de que havia um assalto em curso na instituição que dirigia e ainda atropelou os bloqueios determinados pelo Tribunal de Contas da União para impedir descontos indevidos.


Por esse esquema, só em 2024 cerca de R$ 2,3 bilhões foram surrupiados da conta de quase 6 milhões de aposentados para pagar a entidades sindicais por serviços que nunca foram contratados — dinheiro que irrigou as contas não só das entidades sindicais, como também de diretores do INSS, lobistas e operadores financeiros. Sem falar que, nos últimos anos, era difícil frequentar o meio sindical sem ouvir falar nesse esquema.


Vistos como alternativa de sobrevivência depois da extinção da contribuição sindical obrigatória pelo governo Michel Temer, tanto o consignado como a venda de serviços de seguro ou de auxílio-funeral exigiam que cada aposentado autorizasse descontos em seu contracheque — o que limitava a arrecadação, mesmo com propaganda enganosa ou venda casada.

O pulo do gato aconteceu quando os intermediários ligados ao INSS começaram a vender aos sindicatos a lista de novos aposentados, que iam direto para suas carteiras de sócios. Foi assim que um grupo seleto de entidades multiplicou sua arrecadação.


Vendo a fartura na concorrência, vários sindicalistas começaram a criar suas entidades para também entrar na farra. Dois deles me disseram que, nos últimos meses, quando começaram a enfrentar dificuldades para cadastrar suas novas entidades no sistema do INSS, procuraram o chefe de gabinete de Lupi, que por sua vez indicou um advogado para “assessorá-los” na tarefa.


Um desses sindicalistas me mostrou um contrato que disse ter sido entregue pelo advogado, prevendo remuneração de 20% do faturamento. Embora tanto o chefe de gabinete quanto o advogado neguem tudo, esse é exatamente o modus operandi descrito pela PF.

Só Lupi não viu nada. Na Câmara, ele disse que não se julga “responsável institucionalmente” pelo INSS. Ainda justificou o fato de o esquema ter crescido e se multiplicado sob seus olhos com o argumento de que o instituto “não é um botequim da esquina em que você pode enxergar tudo o que está acontecendo”. Isso mesmo tendo dito ao GLOBO, no final de semana, que sabia, sim, do que ocorria, mas era preciso ter “fatos concretos para ser investigados”.


O histórico de Lupi, que deixou o ministério de Dilma Rousseff em 2011 depois de denúncias de corrupção, não autoriza considerar esse discurso incongruente como atestado de incompetência. Mais provável ser sinal de outra coisa — a confiança de que, aconteça o que acontecer, ele continuará no cargo.


Uma razão para isso poderia ser o fato de ser Lupi quem manda no PDT, que Lula não pode dispensar em momento de fragilidade no Congresso e nas pesquisas de opinião.

. Outra, a Contag, tem ligações históricas com o PT e elege até deputado federal. E outra ainda, Cebap, tem como advogado o filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski (depois que os contratos vieram à tona, Lewandowski disse que não há conflito entre a atuação do filho e a sua).


Nos últimos dias, Lula decidiu intervir na Previdência e chamar para si a tarefa de nomear o novo presidente do INSS. Até agora, porém, não demonstra disposição de demitir o ministro — nem de fritá-lo, como já fez com outros auxiliares. Pelo contrário.


Depois da audiência na Câmara, governistas saíram espalhando por Brasília a avaliação de que ele foi bem, saiu das cordas, “convenceu”. Gleisi Hoffmann garantiu que ele fica. Pode até parecer que Lupi não sabe muito bem o que diz, mas ele certamente sabe muito bem o que faz."


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BDM Matinal Riscala 0205

 *Rosa Riscala: China abre diálogo e payroll ajusta Fed*


… Depois de os lucros sólidos de Microsoft e Meta impulsionarem as bolsas em NY, nesta 5ªF, os balanços de Apple e Amazon frustraram os investidores, com quedas das ações no after hours. Mas notícias oficiais de progressos nas negociações comerciais entre os EUA e a China, reveladas ontem à noite, podem animar a abertura dos negócios. Na agenda do dia, o payroll (9h30) é o grande destaque para calibrar as expectativas ao Fed. Confirmados os dados mais fracos do mercado de trabalho, já apontados pelos relatórios Jolts e ADP desta semana, e ontem pela alta dos pedidos de auxílio-desemprego, deve reforçar as apostas em cortes mais profundos do juro americano. A deterioração do emprego, combinada com a desaceleração da atividade, pode levar Powell a agir mais cedo, especialmente se Washington e Pequim não resolverem as suas diferenças.  


… O Ministério do Comércio da China afirmou em comunicado em seu site que está avaliando uma proposta dos EUA para iniciar conversas sobre a guerra comercial, mas cobrou que os americanos “mostrem sinceridade”.


… E avisou que os EUA devem se preparar para corrigir práticas “equivocadas” e cancelar tarifas unilaterais.


… Declarações do presidente Trump sobre as tarifas no feriado foram consideradas alentadoras, à medida que ele confirmou negociações comerciais da Casa Branca com “cerca de 200 países”, lideradas pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.


… Bessent afirmou que está “confiante de que Pequim deseja chegar a um acordo” e o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hasset, que está “esperançoso” com o progresso comercial, citando “discussões vagas” entre EUA e a China.


… Em entrevista ao Financial Times, o presidente do Goldman Sachs, John Waldron, disse que os primeiros acordos comerciais do governo Trump podem determinar a visão dos investidores sobre as tarifas da Casa Branca. “Podem servir de modelo.”


… Aqui, além da esperança de que os EUA e a China se entendam, o mercado volta do feriado repercutindo a queda dos ADRs brasileiros (exceção de Petrobras) e na expectativa pelo Copom, que subirá mais a Selic na próxima 4ªF.


… Enquanto investidores em NY resgatam as apostas numa queda de 100pbs do juro neste ano, na B3 crescem as chances de o BC decidir um ajuste menor da taxa básica, de 25pbs em vez de 0,50pbs, diante da valorização do câmbio e, agora, do esfriamento do emprego.


… O último balanço do Caged, na 4ªF, derrubou a criação de vagas em março para 71,5 mil, após o salto de 437 mil de fevereiro, retirando uma pressão inflacionária importante do cenário, que se soma à desaceleração da atividade sob o impacto dos juros elevados.


… Nos EUA, Powell já associou uma deterioração do mercado de trabalho a chances maiores de queda dos juros, e apesar do consenso de estabilidade na reunião da semana que vem, na superquarta, o Fed pode adotar uma mensagem de maior flexibilidade.


… Em paralelo, os riscos da política tarifária de Trump foram refletidos na retração de 0,3% do PIB/1Tri, contra expectativa de alta de 0,1%, acentuando o receio de uma recessão da economia, que tenderia a antecipar para junho o primeiro corte do juro.


… Em linha com o PIB, o PMI industrial do ISM, nesta 5ªF, recuou de 49,0 em março para 48,7 em abril, mas investidores receberam com certo alívio o resultado, já que esperavam uma queda maior, para 48,0. Ainda assim, o ISM atingiu o menor nível desde maio/2020.


… Já os pedidos de seguro-desemprego nos EUA dispararam para 241.000 na semana encerrada em 26/04, o maior nível desde fevereiro.


… Para o payroll, as estimativas apontam para a criação de 130 mil empregos em abril e manutenção da taxa de desemprego em 4,2%.


… A despeito do caos tarifário, o noticiário das agências internacionais destacava que as ações americanas já recuperaram quase 90% das perdas desde o Liberation Day, em 2 de abril, quando Trump virou o mundo de cabeça para baixo.


… Nesta 5ªF, o Dow Jones subiu 0,21% (40.752,96 pontos); S&P 500, +0,63% (5.604,14); e Nasdaq, +1,52% (17.710,74) – embalados pelas altas de Microsoft (+7,63%) e Meta (+4,23%), que divulgaram balanços na véspera prometendo continuar investindo pesado em IA.


… A Microsoft aumentou seu lucro em 17,7% no 3Tri fiscal, para US$ 25,8 bilhões, e a Meta, em 35%, para US$ 16,64 bilhões.


… Após o pregão, Amazon (-2,61%) e Apple (-3,75%) decepcionaram no after hours.


… A Amazon reportou lucro de US$ 17,1 bi no 1Tri (+64,4%), com lucro/ação (US$ 1,59) superando o consenso (US$ 1,37). Mas projetou US$ 15,3 bi em lucro operacional para o 2Tri, abaixo dos US$ 17,6 bi esperados.


… Também a Apple registrou lucro líquido (US$ 24,8 bilhões) 4,8% superior ao reportado no mesmo período do ano passado, no segundo trimestre fiscal encerrado em março. O lucro por ação subiu de US$ 1,53 para US$ 1,65 (acima da projeção de US$ 1,62).


… As vendas do iPhone somaram US$ 46,84 bilhões, alta modesta (1,9%), considerando a antecipação de compras para escapar da tarifa.


… Nos Treasuries, os juros caíram no ambiente mais leve do dia, com a Note-2 anos projetando 3,698% na altura do fechamento das bolsas em NY, abaixo da taxa básica dos Fed Funds (no intervalo entre 4,25% e 4,5%), o que levou a comentários de Bessent.


… Em entrevista à Fox News, ele disse que o mercado estava “telegrafando” a queda dos juros para o Fed. “Estamos vendo que a taxa de dois anos está abaixo da taxa dos Fed Funds. É um sinal de que o mercado acha que o Fed deveria cortar.”


… Na Bloomberg, o ex-secretário do Tesouro Lawrence Summers observou que a precificação do mercado de títulos não equivale a um julgamento sobre o que o Fed deve fazer com as taxas e defendeu que o juro seja mantido na 4ªF que vem.


… Essa é a opinião de consenso dos Fed boys, que sugerem uma abordagem cautelosa para a redução das taxas, visto que a inflação ainda está acima da meta de 2%, especialmente porque as tarifas ameaçam impulsionar novos aumentos de preços.


… O que está em jogo é se o Fed antecipará ou não para junho o primeiro corte de 25pbs, que está projetado para julho.


… No câmbio, o índice DXY, que mede a força do dólar ante seis moedas fortes, subiu 0,78%, de volta para cima dos 100 pontos (100,194), com a queda do iene a 145,63/US$, após o BoJ ter mantido o juro em 0,5% pela segunda reunião seguida, nesta 5ªF.


… Como reflexo das incertezas da política tarifária promovida pelo governo americano, o BC japonês reduziu pela metade a sua projeção de crescimento econômico para este ano fiscal, para 0,5%.


… O investidor leu a mensagem como sinalização de esvaziamento das apostas em um aperto monetário. O BoJ admitiu ainda que o timing de convergência da inflação para a meta de 2% está “ligeiramente atrasado”.


OURO – Com a China fechada no feriado do Dia do Trabalho, os contratos futuros de ouro tiveram perdas fortes (-2,92%), negociados na Comex a US$ 3.222,20/onça-troy. A melhora no sentimento global de risco contribuiu para a correção da commodity.


… A expectativa é de que o ouro registre fraqueza adicional nesta 6ªF com o feriado chinês se estendendo até o fim da semana.


PETRÓLEO – Os contratos futuros registraram fortes altas nesta 5ªF, com o Brent/julho fechando a US$ 62,13 (+1,75%) na Ice londrina e o tipo WTI/junho a US$ 59,24 na Nymex, com os traders corrigindo parte das quedas recentes, antes da reunião da Opep na 2ªF.


… O mercado reagiu a ameaças de Trump de impor sanções a qualquer país que comprar petróleo do Irã. O presidente escreveu em sua rede social após o adiamento de uma reunião marcada para esse fim de semana entre os dois países sobre o programa nuclear.


… “Todas as compras de petróleo iraniano ou de produtos petroquímicos devem parar AGORA! Qualquer país ou qualquer empresa que comprar qualquer quantidade desses produtos do Irã não poderá fazer negócios com os Estados Unidos.”


… Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, disse que a nova rodada de negociações entre autoridades dos EUA e do Irã seria adiada devido a “razões logísticas” e que “novas datas serão anunciadas quando mutuamente acordadas”.


… Um porta-voz do enviado de Trump, no entanto, disse que os EUA nunca anunciaram que uma reunião seria realizada neste sábado.


ADR DE PETROBRAS – O recibo negociado em NY colou na alta do petróleo e foi destaque neste feriado, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro, fechou em queda de 0,55%, a US$ 26,89, apesar da alta firme das bolsas americanas.


… O ADR da Petrobras PN subiu 0,85% (US$ 10,65) e o ADR de Petrobras ON, +0,49% (US$ 11,35), enquanto o ADR da Vale encerrou o dia em queda de 0,70% (US$ 9,24). Também os bancos registraram perdas: Bradesco, -1,63% (US$ 2,42), e Itaú, -0,32% (US$ 6,29).


MAIS AGENDA – Nos EUA, além do payroll, saem as encomendas à indústria em abril. A leitura final de abril do PMI/S&P Global industrial é destaque na Alemanha (4h55) e zona do euro (5h), onde sai ainda o CPI de abril.


… Exxon Mobil e Chevron soltam balanços antes da abertura. Aqui, tem M. Dias Branco após o fechamento.


EM TEMPO… GOL deu mais um passo para concluir seu processo de recuperação judicial nos EUA, ao fechar acordo com grupo de detentores de notas sênior garantidas com vencimento em 2026…


… Os credores se comprometeram a subscrever US$ 125 milhões em novas notas que fazem parte do financiamento de saída previsto no plano, estimado em até US$ 1,9 bilhão…


… Com o novo compromisso, a Gol diz já ter assegurado ao menos US$ 1,375 bi em aportes para sair do Chapter 11.


VALE. O conselho de administração aprovou a nomeação do advogado Sami Arap como novo vice-presidente executivo jurídico da companhia para substituir Alexandre D´Ambrosio…


… A saída de D’Ambrosio era especulada há meses, em meio às mudanças no comitê-executivo da mineradora promovidas pelo novo diretor-presidente, Gustavo Pimenta.


PETROBRAS. Justiça pediu à companhia parecer jurídico de 2014 que baseou pagamento de reajustes retroativos de 2004 a 2006 para aposentados da Petros (O Globo)…


… Valor total é de cerca de R$ 2,9 bilhões, de acordo com valores corrigidos; decisão integra ação popular movida por 181 beneficiários do fundo de pensão na Justiça Federal de São Paulo em 2019.


PRIO comprou da Equinor participação de 60% no campo de Peregrino por US$ 3,5 bilhões.


ELETROBRAS. AGU enviou ao STF para homologação o acordo firmado com a companhia que permitiu, entre outros pontos, direcionar três assentos no Conselho de Administração da empresa para representantes do governo.


EQUATORIAL aprovou a distribuição de R$ 876,32 milhões em proventos, o equivalente a R$ 0,1685 por ação ON a título de JCP e R$ 0,5315 por ação ON em dividendos; pagamento será efetuado até o fim do ano; ex em 2/5.


BRB. Ministério Público do DF pediu que Justiça impeça banco estatal de comprar fatia do Banco Master. (Folha)


AZZAS. FMR LLC atingiu participação acionária de 5,14% na companhia, passando a deter 10.618.659 de ações ON; corretora não constava no formulário de referência mais recente da empresa, datado de 25/4.


TESLA. A presidente do conselho de administração, Robyn Denholm, desmentiu reportagem do WSJ que informou que a empresa tem planos de procurar um substituto para Elon Musk como CEO da montadora de carros elétricos.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...