terça-feira, 14 de janeiro de 2025

OESP

"O  governo enfrenta dificuldades para vender títulos da dívida pública, em meio a uma disparada das taxas, que atingiram níveis recordes. 

Para analistas financeiros, a desconfiança dos investidores no País e uma cobrança por medidas efetivas de controle de gastos ajudam a explicar o cenário. O Tesouro Nacional, porém, nega crise de confiança e afirma que a demanda tem sido "consistente", apesar do estresse no mercado.

O que acontece na prática é que, gastando mais do que arrecada, o governo recorre à venda dos títulos - pegando dinheiro no mercado financeiro - para sustentar suas ações. No entanto, precisa pagar o investimento no futuro, com juros, aumentando o endividamento público. Com déficit nas contas, a pressão é maior e os investidores cobram taxas mais altas para aplicar o dinheiro." (Estadão, 14/01/2025)

Responsabilidade compartilhada

 Responsabilidade compartilhada

Marcos Lisboa

Folha de S. Paulo, domingo, 12 de janeiro de 2025

Desequilíbrio fiscal é obra de muitas mãos

 

Tornou-se lugar-comum criticar o governo federal pelo desequilíbrio fiscal.

O Executivo tem a sua parcela de responsabilidade, mas o problema é bem mais complexo, e distinto, do que afirma o contraponto "a direita que não quer pagar imposto, e a esquerda não quer cortar despesa".

Existem muitas regras que tornam a despesa do Estado brasileiro mais rígida do que em outros países, assim como diversos privilégios tributários. Elas contam com amplo apoio da esquerda e da direita, e refletem o sucesso de diversos grupos de pressão da sociedade.

A reforma tributária foi abalroada por diversos setores, cada um justificando que seu caso era particular, e que não poderia pagar a alíquota padrão a ser cobrada do restante da sociedade.

Empresas de profissionais liberais, como médicos, economistas e advogados, faturando milhões de reais por ano, conseguiram alíquotas reduzidas.

Vale mencionar que já existe um benefício tributário para empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano. Os regimes especiais permitem pagar uma alíquota menor de imposto sobre o lucro do que as empresas no regime geral.

Os dados mostravam que a desigualdade de renda cairia bem mais com o aumento bem focalizado do Bolsa Família do que com a desoneração da cesta básica. Contudo, prevaleceram os interesses dos produtores em detrimento das famílias mais pobres. Com apoio da esquerda e da direita.

A reforma concedeu benefícios tributários para o setor de aviação regional e o transporte coletivo, entre várias outras atividades.

A desoneração da folha salarial foi criada há mais de uma década por um governo de esquerda como uma medida temporária, para beneficiar algumas empresas. Ela continua em vigor e pode ter custado mais de R$ 20 bilhões em 2024, segundo técnicos do governo.

A concessão de tratamento diferenciado é prática usual no Brasil. As regras permitem privilégios tributários e crédito subsidiado para empresas privadas, ou remuneração acima do teto constitucional para servidores do Judiciário.

Esses benefícios são custeados pelo restante da sociedade, às vezes por mecanismos criativos.

O FGTS é uma poupança forçada do trabalhador com carteira que recebe uma remuneração menor do que se fosse investida em títulos públicos. Os recursos subsidiam empréstimos para empresas privadas.

A contribuição para o Sistema S incide, economicamente, sobre o trabalhador formal. E parte dos recursos é destinada aos sindicatos patronais, como as federações e confederações da indústria, do comércio ou dos serviços.

Às vezes, pode surpreender quem apoiou algumas medidas.

Há alguns anos, João Doria, então governador de São Paulo, tentou reduzir os privilégios tributários para empresas do setor privado. A reação foi avassaladora e a medida não prosperou.

Recentemente, Tarcísio de Freitas, um governador ainda mais identificado com a direita, finalmente conseguiu uma redução desses privilégios.

O setor de energia tem sido inundado por regras que estabelecem benefícios para algumas empresas em detrimento dos demais, desde a capitalização da Eletrobras. Os muitos subsídios cruzados acabam caindo na conta de energia.

Por vezes, o processo de captura do Estado decorre de uma iniciativa temporária que promete desenvolvimento de um setor. Os benefícios tributários para a Zona Franca de Manaus tinham prazo para terminar. Décadas depois, seguem sendo renovados.

Outras vezes, a motivação seria uma crise excepcional que justificaria uma intervenção pública momentânea, como ocorreu durante a pandemia.

Um exemplo é o Perse, que beneficiou o setor de eventos. Segundo relatório da Receita Federal, há empresas beneficiadas em alojamento e alimentação; atividades administrativas; indústria de transformação, entre muitas outras. A conta passou de R$ 7 bilhões entre abril e outubro de 2024.

Vale ressaltar: além de menor cobrança de tributos indiretos, foi igualmente reduzida a tributação sobre o lucro, não exatamente um caso de crise.

Marcos Mendes e eu sistematizamos 42 medidas de concessão de benefícios aprovadas na segunda metade do governo anterior, em 6 outubro de 2022, no Brazil Journal.

As propostas seguiram um padrão usual: auxílios com impacto social, como a ampliação do Bolsa Família, lideravam uma extensa lista de benefícios para grupos organizados.

Eram muitos os caronas: taxistas, caminhoneiros, templos religiosos, transferências para estados e municípios e novos benefícios para empresas do setor privado, do etanol a semicondutores e automóveis, de equipamentos de biogás ao setor de portos. A lista segue...

Com duas exceções, as principais medidas tiveram a aprovação da maioria dos congressistas, à direita e à esquerda.

Desde a pandemia, foram transferidos R$ 69 bilhões de recursos do Tesouro a fundos garantidores de empréstimos subsidiados para empresas, como registrou Marcos Mendes. O atual governo contou com o apoio do Congresso para aumentar os gastos públicos em cerca de R$ 245 bilhões desde a transição em 2022.

O Executivo tem sua parcela de responsabilidade. Mas o mesmo ocorre com as demais instâncias do setor público, assim como com os grupos privados que obtêm favores oficiais.

A criatividade de tribunais do Judiciário parece não ter limite para ampliar a remuneração dos juízes. O Legislativo defende as emendas parlamentares, já na casa dos R$ 40 bilhões por ano.

Fica o contraste. Muitos grupos denunciam com indignação as regras que favorecem os demais. Ao mesmo tempo, defendem com virulência os seus próprios privilégios.

A imprensa se beneficia da desoneração da folha de pagamentos. Mas critica duramente as emendas parlamentares.

Empresários reclamam da carga tributária. Por outro lado, defendem vigorosamente os privilégios que recebem do poder público, como regimes tributários especiais ou acesso a créditos subsidiados.

Associações de profissionais liberais vão na linha de frente na defesa da República, mas se recusam a pagar tributos como os que oneram as demais empresas.

A retórica "esquerda versus direita" por vezes encobre os truques do nosso Estado patrimonialista.

Escola austríaca

 O humanismo intrínseco da Escola Austríaca 


O ser humano é soberano nas suas preferências subjectivas, nenhuma força externa deve coarctar a acção humana. Não se deve imprimir na sociedade elementos que distorcem a capacidade dos seres humanos tomarem as decisões que sustentam as suas vidas. O ser humano deve ter máxima liberdade e mínima pressão burocrática. Até porque o ser humano é criativo, forja o seu destino, tem potência criativa para criar valor do nada. Não deve haver um poder centralizado que distorce os incentivos da população ou exerce poder coercivo nos seus cidadãos. Quem discorda destas ideias? O mundo contemporâneo fala de organizações pesadas e sem alma, fala do abandono da solidariedade natural, fala da quebra da fraternidade entre seres humanos. Quem pode discordar da desumanização da nossa sociedade? O que parece que ninguém concorda é a causa da desumanização. Essa causa parece oculta ou misteriosa. Mas todos estes problemas, desde a distorção da estrutura de incentivos ou o afastamento do direito natural tem uma causa à vista de todos. São organizações burocráticas, que criam distorções, falsos e desconexos incentivos, e pior de tudo o definhamento da criatividade humana. Estas organizações podem ser propriedade privada, mas qual será a maior organização de todas? Qual é a organização que absorve mais recursos? Qual é a organização que exerce maior pressão burocrática? Qual a organização que exerce maior poder? Sim, o leitor sabe a resposta. No fundo, até sabe a verdade. Mas não quer a afirmar em viva voz. A máquina de propaganda é forte. As narrativas exercem forte influência. Essa organização até faz sentido, existem bens públicos e serviços públicos. Sabemos que seria até melhor haver concorrência no fornecimento desses bens e serviços. O leitor sabe a realidade e conhece a verdade. Só que não a diz. Nem direi eu próprio. Todos sabemos que o estatismo é uma força praticamente imparável. Estamos a todos a ver as consequências do estatismo, na economia, na sociedade e nos valores dos cidadãos. Poucos porém querem ir à causa destes problemas. A principal causa de todos estes problemas todos sabemos qual é. É daqui que nasce o título desta crónica: o estatismo por muito forte que seja jamais quebrará o espírito humano. E é esta crença inabalável no espírito humano a principal força da Escola Austríaca.

Diário de um economista (9)

 Eu vivi 5 anos na terrinha. Cheguei com certa facilidade, na proposta de ir para Évora. Não foi fácil achar um imóvel, para não dizer impossível. Varri a cidadela inteira.

 Me recordo q vi uma oportunidade num beco, "colado" ao aqueduto. Um casarão daqueles, em dois pisos. O segundo já estava ocupado. Não sei se o senhorio era dono da casa toda ou só do primeiro piso. Gostei muito da cozinha, geladeira e Cooktop bosh e máquinas de lavar roupa e louça LG. O senhorio, um estudante da UÉVORA, de Beja, filho de uma senhora muito solícita, governanta dos casarões da Filadélfia. Depois, os fatos foram nos surpreendendo. 

Em Lisboa, fomos para Almada. Nos dois imóveis paguei mais do q o valor real do imóvel. Não tinha escolha. Imóveis em sua maioria velhos, em Almada sem elevador...mas ok. Ao lado de Lisboa, bastando a Cacília. 

A crise habitacional é uma realidade. Ainda bem q eu não comprei. Não valia a pena. Agora, tudo piorou e muito.

Portugal é um belo país. Abriram as fronteiras pois precisam alterar a pirâmide etária. E esta garotada q está indo, paga aos q estão se "reformando". Este, o objetivo real.

O problema concreto é q a social democracia está vazando água para todos os lados. Abriram aos imigrantes a cobertura social dos tugas. Qualidade da saúde pública caiu muito. O mesmo tentam com a educação, nas universidades com um plus para o pgto de matrícula e um valor mensal, simbólico q seja.

A social democracia é a expressão de um ativismo fiscal, sem limites, surgido do keynesismo nos anos 30 e 40. As bem sucedidas políticas públicas daqueles anos, considerados dourados até os 60, chegavam ao paradoxismo de q seria "proibido" haver desemprego, pois o Estado sempre estaria atento.

Os anos 70 e 80, até os dias de hje, nos jogaram no conto da carochinha e hje, sim, eu vejo as crises do welfare state pipocando por toda "euroesclerose". Sim, este lado da Europa está em decadência.

Call Matinal ConfianceTec 1401

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

14/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (13/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na segunda-feira (13), fechou em alta de 0,13%, aos 119.006 pontos.


Já o dólar à vista operou em queda de 0,07%, a R$ 6,098.


PRINCIPAIS MERCADOS, 7H00


Índices futuros dos EUA operam em alta nesta terça-feira (14), com atenção para os dados do IPP de dezembro.


🇺🇸EUA:

Dow Jones Futuro, +0,34%

S&P 500 Futuro, +0,52%

Nasdaq Futuro, +0,73%.


Ásia-Pacífico:

Shangai(China🇨🇳), +2,54%

Nikkei (Japão🇯🇵), -1,83%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,83%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +0,31%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), +0,48%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,06%

DAX (Alemanha🇩🇪), +0,73%

CAC 40 (França🇫🇷), +1,12%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,71%

STOXX 600🇪🇺, +0,64%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,37%, a US$ 78,53 o barril

Petróleo Brent, -0,47%, a US$ 80,62 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +2,22%, a 783 iuanes (US$ 106,81).


NO DIA, 1401


Depois dos embargos dos EUA à petroleiras da Rússia, o barril de petróleo ingressou numa escalada, agora acima de US$ 80, pressionando os juros dos Treasuries, perto de 5%. 


É neste clima que deve sair o PPI de dezembro, no aguardo do CPI amanhã, indicador mais esperado da semana.


Estes indicadores mais fortes, na sequência do payroll, devem reforçar a expectativa de menos cortes do Fed no ano (ou nenhuma flexibilização ou aperto).


Soma-se a isso tudo, o medo do tarifaço de Trump, embora ninguém ainda esteja seguro que será adotado. Vamos monitorando.


AGENDA DO DIA, 14/01

Indicadores:

10h00. Brasil🇧🇷/Anfavea: Produção e vendas de veículos em dezembro e total 2024

10h30. EUA🇺🇸/Deptº do Trabalho: PPI de dezembro

11h00. Brasil🇧🇷/Abraciclo: Dados de dezembro e 2024

16h00. Argentina🇦🇷/Indec: Inflação de dezembro e 2024


Eventos:

11h00. Posse de Sidônio Palmeira, novo ministro da Secom

12h00. Jeffrey Schmid (Fed de Kansas City) discursa

17h00. John Williams (Fed de NY) discursa

                               

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios!

Câmbio e inflação 1401

 📈 Dólar a R$ 6,30 Pressiona Inflação, Avalia BNP Paribas


A economista-chefe do BNP Paribas para América Latina, Fernanda Guardado, projeta aceleração da inflação no Brasil para 5,6% em 2025, frente aos 4,83% de 2024. O dólar, estimado em R$ 6,30 devido a riscos fiscais e externos, é o principal fator de pressão. Mesmo com a previsão de desaceleração do PIB para 2,1%, Guardado afirma que uma apreciação significativa do real seria necessária para aliviar os preços, algo improvável sem melhorias no cenário fiscal.  


A alta do IPCA reflete também um mercado de trabalho aquecido e a economia operando acima do potencial, com serviços mostrando aceleração. O BNP revisou sua projeção de inflação para 2026 de 3,6% para 4,2% e espera Selic em 15% ao fim do ciclo de aperto monetário. A incerteza sobre medidas tarifárias nos EUA amplia o intervalo das expectativas.

Tarifas gradativas

 📈 Equipe de Trump Considera Tarifas Gradativas sobre Importações  


A equipe econômica de Donald Trump avalia implementar aumentos graduais de tarifas sobre importações, segundo apuração da Bloomberg. A estratégia prevê elevações mensais de 2% a 5%, buscando fortalecer a posição dos EUA em negociações e mitigar riscos inflacionários.  


A medida seria executada por autoridades sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. O objetivo é equilibrar impactos econômicos internos com pressão estratégica sobre parceiros comerciais. A abordagem reflete a postura protecionista defendida por Trump e pode intensificar debates sobre comércio global e inflação em 2025.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...