quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Hiato do produto

 Exclusivo/FGV: Hiato do produto ficou positivo em 4% no 3tri24, maior em quase 30 anos


Por Daniela Amorim


Rio, 08/01/2025 - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro já cresce acima da sua capacidade produtiva há sete trimestres consecutivos. No terceiro trimestre de 2024, o hiato do produto - diferença entre o PIB corrente e o PIB potencial - ficou positivo em 4%, resultado mais elevado em quase três décadas, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtidos com exclusividade pelo Broadcast. "Esse é o maior hiato positivo dos últimos 30 anos", frisou Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV.


A última vez em que o hiato esteve mais positivo foi no primeiro trimestre de 1995, em 5,5%, diz o estudo do Ibre/FGV, conduzido por Considera e pela pesquisadora Elisa Andrade.


A abertura adicional do hiato foi apontada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central como um dos motivos para a intensificação no ritmo de aperto da política monetária. O crescimento da economia acima da capacidade instalada sugere pressões inflacionárias, com a demanda maior do que a oferta. "Você tem um excesso de demanda realmente. O Banco Central não está errado na interpretação dele de que há um excesso de demanda", confirmou Considera.


Depois de passar mais de oito anos operando com ociosidade, a economia brasileira tem rodado acima da sua capacidade máxima produtiva desde o primeiro trimestre de 2023: o hiato ficou positivo em 0,7% nos primeiros três meses de 2023; 2% no segundo trimestre de 2023; 1,5% no terceiro trimestre de 2023; 1,3% no quarto trimestre de 2023; 2,3% no primeiro trimestre de 2024; 3,5% no segundo trimestre de 2024; subindo a 4% no terceiro trimestre de 2024. A cada trimestre, o PIB brasileiro tem renovado patamares recordes, sustentado por um consumo também em níveis históricos.


"Isso mostra uma economia muito aquecida. Isso é bom? É bom, porque tem mais emprego. Mas tem mais inflação. Então se o governo não segura o gasto dele, a inflação vai acontecer mesmo. A única solução que a gente tem para não ficar enfrentando esse dilema é fazer um ajuste fiscal crível, que o mercado acredite que vai dar certo", sugeriu o coordenador do Ibre/FGV.


Na ata do Copom publicada pelo BC no mês passado - após ter elevado a taxa básica de juros, a Selic, em 1,0 ponto porcentual, para 12,25% ao ano -, os integrantes mencionaram que o desempenho do PIB do terceiro trimestre mostrou um hiato do produto mais positivo do que o estimado.


"Analisando o período corrente de atividade econômica, persiste um cenário de atividade resiliente com dinamismo maior do que esperado, como evidenciado na divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, levando a nova reavaliação de um hiato mais positivo", diz a ata do Copom.


O cenário fez o Copom já contratar mais duas altas de 1 ponto porcentual para as primeiras reuniões deste ano. Segundo Claudio Considera, do Ibre/FGV, o atual quadro fiscal tem obrigado o Banco Central a agir de forma mais contundente contra as pressões inflacionárias, elevando significativamente a taxa básica de juros, de forma que contenha a atividade econômica. "A questão é que o Brasil está precisando crescer", ponderou Considera.


A solução para um crescimento econômico sem uma abertura maior do hiato, disse o pesquisador do Ibre/FGV, passaria por mais investimentos em bens de capital, que elevassem a capacidade produtiva, e em ferramentas que permitissem um aumento da produtividade da mão de obra, já sobreutilizada. Como o atual ciclo de elevação de juros inibe essas duas possibilidades, o ajuste fiscal seria imperativo, defende ele.


"Uma coisa boa é que aumentou o investimento. E o consumo não é ruim, mas você tem que garantir que o ajuste fiscal vai existir. Você tem que tirar o governo da demanda, e deixar o privado ocupar", explicou Considera.


Os últimos dados das Contas Nacionais Trimestrais, apurados e divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o PIB cresceu 0,9% no terceiro trimestre de 2024 ante o imediatamente anterior, já descontados os efeitos sazonais, completando assim 13 trimestres de avanços consecutivos. Sob a ótica da demanda, o consumo das Famílias expandiu 1,5% no terceiro trimestre de 2024, também a 13ª taxa positiva consecutiva. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (medida dos investimentos no PIB) aumentou 2,1%, quarto trimestre seguido de elevação.


Contato: daniela.amorim@estadao.com


Broadcast+

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Dora Kramer

 Da TL do amigo Walmyr Buzatto


Dora Kramer, na Folha de S. Paulo de ontem, 06/01/2025, explica de forma clara o que anda rolando entre o ministro Flávio Dino e o Congresso Nacional. É óbvio que a roubalheira via Emendas Pix está cada vez mais escancarada e não dá pra tapar o Sol com uma peneira. Resta saber se Lula não é um dos que seguram a peneira...


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"Dino mexeu num vespeiro


A cada movimento do ministro Flávio Dino no universo das emendas parlamentares, ele nos mostra que mexeu num ninho de marimbondos dos mais perigosos.


Recentemente foram um projeto militar e organizações não governamentais, mas já estão implicados órgãos do Executivo, prefeituras, deputados, senadores e respectivos apaniguados.


A Polícia Federal está no encalço desse pessoal, cujas atividades há muito estavam a requerer controle. Convém pontuar que Flávio Dino não está à frente do assunto por vontade própria.


Primeiro: ele age provocado e com aval do Supremo Tribunal Federal. Além disso, entrou na vaga da ministra Rosa Weber, que tinha jurisdição sobre o tema, e portanto herdou dela o processo que em 2022 resultou na proibição do orçamento secreto, decisão ignorada pelo Congresso.


Para azar dos congressistas soltos na pirambeira do uso obscuro das emendas e sorte do dinheiro do público, essa herança foi cair logo nas mãos de um ministro que já foi parlamentar, governador e titular da pasta da Justiça.


Com tal experiência, é difícil de ser enrolado. Sabe como as cobras andam e as pedras rolam no Legislativo e no Executivo. A cada truque, atua para desmontar a farsa brandindo a exigência-mãe da Constituição: transparência e lisura, senhores e senhoras.


Essa história não está nem perto de acabar e é importante que a sociedade não se canse do assunto. Não é repetição de notícia velha. É, antes, uma péssima notícia a cada dia. Isso requer plena atenção de todos.


Deixar para lá, acreditar que tudo não passa de uma querela entre Poderes ou de rusga pessoal de Flávio com o ainda presidente da Câmara, Arthur Lira (PP) — como se fala por aí— é a pior das escolhas.


Inclusive porque vai dar ruim para muita gente. E é necessário que dê. Os escândalos estão contratados e isso é bom, pois as coisas não podiam continuar do jeito que estavam, com o Parlamento fazendo e desfazendo do Orçamento na penumbra.


Antes que o pior estoure, conviria ao Planalto deixar claro de que lado está: da legalidade ou da clandestinidade consentida."


Dora Kramer, Folha de S. Paulo, 05/01/2025

Vera Magalhães

 "STF contra o Império? – Vera Magalhães

O Globo, 08/01/25
Integrantes do STF preveem que Musk e Trump voltarão sua metralhadora giratória na direção de Moraes e do tribunal
Mark Zuckerberg não fez questão de ser sutil em nada em seu vídeo de capitulação completa aos desígnios do governo Donald Trump 2.0. Assim, a menção “indireta” ao Supremo Tribunal Federal brasileiro não poderia ser mais explícita e já inaugurando a fase do descompromisso total da empresa que comanda com qualquer rigor factual ou disposição de moderar o debate público.
Pelo contrário: ao replicar as acusações sem fundamento do até aqui concorrente, e agora aparentemente guru Elon Musk, de que o STF mandaria retirar conteúdos do ar por meio de decisões secretas ou clandestinas, o magnata da Meta deixa claro que, de agora em diante, vale tudo em nome do conceito deturpado de liberdade de expressão.
E como reagirá o Supremo diante da mudança de vento nos Estados Unidos que, pelo visto, pode levar outros gigantes da tecnologia e das mídias digitais a fazer guinadas em suas políticas de conteúdos em nome de uma boa convivência com a gestão Trump-Musk, quando não atendendo a ameaças feitas à luz do dia pelo futuro presidente americano?
— Nós faremos o nosso trabalho — me disse, em inglês, um dos magistrados da Corte.
Antes mesmo do anúncio em que um Zuckerberg em tudo repaginado anunciou que decidiu mandar às favas os escrúpulos, eu vinha recolhendo impressões dos ministros a respeito do seguimento do julgamento a respeito da constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet.
Depois que o Congresso recuou, na cara do gol, da disposição de aprovar um projeto de regulamentação das redes sociais, que ficou conhecido como PL das Fake News, o julgamento em curso no Supremo virou, na prática, o plano B para tentar chegar a uma forma mais efetiva de responsabilização das big techs pelo conteúdo propagado por meio delas.
A discussão veio na esteira da guerra aberta pelo ministro Alexandre de Moraes, com aval pleno da Corte e dos pares, com o X, que insistia em descumprir decisões judiciais no Brasil. Musk recuou, mas isso foi antes da vitória de Trump e de sua ascensão à condição de eminência parda do futuro governo, sem nenhuma preocupação com a separação entre os interesses de Estado e das corporações do bilionário — e menos ainda qualquer compromisso com o mínimo de isenção política na plataforma digital que ele transformou numa arma de difusão de propaganda ideológica.
Ainda assim, a maioria dos ministros está convencida de que lhes caberá estabelecer responsabilidades mais claras das empresas na remoção de conteúdos com incitação ou propagação de crimes. A divergência está na necessidade ou não de decisão judicial para que se exija essa ação das gigantes de tecnologia."

Call Matinal ConfianceTec 0801

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

08/01/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (07/01)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na terça-feira (07), fechou em alta,  +0,95%, a 121.162 pontos. Volume negociado foi a R$ 21,1 bi.


Já o dólar à vista operou em queda de 0,14%, a R$ 6,1041.


PRINCIPAIS MERCADOS, 07h00


Índices futuros de NY operam em alta quarta-feira (08). Amanhã, pelo feriado de Jimmy Carter, não teremos pregão em NY.


O relatório JOLTS, acima do esperado, reforça a manutenção da taxa de juros nos EUA. Aguardemos  a divulgação hoje da ata da Fed.


EUA🇺🇸:

Dow Jones Futuro, +0,14%

S&P 500 Futuro, +0,15%

Nasdaq Futuro, +0,16%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +0,02%

Nikkei (Japão🇯🇵), -0,26%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,86%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), +1,16%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), +0,77%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,01%

DAX (Alemanha🇩🇪), +0,07%

CAC 40 (França🇫🇷), -0,19%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,01%

STOXX 600🇪🇺, +0,06%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,92%, a US$ 74,93 o barril

Petróleo Brent, +0,73%, a US$ 77,62 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,73%, a 747,50 iuanes (US$ 101,95).


NO DIA, 08/01


Nos EUA, saem os dados de geração de empregos privados do ADP e a ata do Fomc. Os Jolts acabaram mais intensos do que o esperado. 


Na China, temos os dados de inflação, CPI e PPI, na noite desta quarta-feira.


Por aqui, na agenda do dia, a produção industrial de novembro (IBGE), em segunda queda seguida, mas não comprometendo o cronograma do Copom. Duas elevações de 1 ponto são esperadas nos próximos Copom.


Em paralelo, comenta-se no mercado sobre medidas adicionais na contenção de despesas.


AGENDA, 08/01


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: Encomendas à indústria – nov

04h00. Alemanha/Destatis: Vendas no varejo – nov

07h00. Zona do Euro/Eurostat: PPI de novembro

07h00. Zona do Euro: Confiança do Consumidor – dez (final)

08h00. Brasil/FGV: IPC-S da 1ª quadrissemana de janeiro

09h00. Brasil/BC: Saldo da caderneta de poupança – dez

09h00. Brasil/IBGE: Produção industrial de novembro

10h15. EUA/ADP: Empregos criados no setor privado – dez

10h30. EUA/Deptº Trabalho: Pedidos de auxílio-desemprego

12h30. EUA/DoE: Estoques de petróleo

14h30. Brasil/BC: Fluxo cambial de dezembro

17h00. EUA/Fed: Crédito ao consumidor – novembro

22h30. China/NBS: CPI e PPI de dezembro

Eventos

10h00. Christopher Waller (Fed) discursa na OCDE, na França

16h00. EUA/Fed: Ata da última reunião de política monetária

                                

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quarta-feira, bons negócios e feliz 2025!🥳👏🎄

Matinal Josué Leonel

 Vai rolar: Dia tem ADP e ata do Fed, nos EUA; por aqui, sai produção industrial

[08/01/25] À espera dos dados de inflação da China, na noite desta 4ªF, a esperança de nova rodada de estímulos econômicos volta ao radar. Nos EUA, a ata do Fed (16h) e o relatório da ADP (10h15) sobre o ritmo do emprego do setor privado em dezembro podem fortalecer a sensação de que o juro americano vai cair menos este ano.


Essa perspectiva, combinada à retórica protecionista de Trump, tende a manter o dólar caro por aqui, que ainda tem o fiscal doméstico no topo das preocupações.


Às 9h, a produção industrial do IBGE deve registrar a segunda queda seguida em novembro, mas não compromete o cronograma do Copom de pelo menos mais duas doses de alta da Selic. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️04h00 – Alemanha/Destatis: Encomendas à indústria – nov

▪️04h00 – Alemanha/Destatis: Vendas no varejo – nov

▪️07h00 – Zona do Euro/Eurostat: PPI de novembro

▪️07h00 – Zona do Euro: Confiança do Consumidor – dez (final)

▪️08h00 – Brasil/FGV: IPC-S da 1ª quadrissemana de janeiro

▪️09h00 – Brasil/BC: Saldo da caderneta de poupança – dez

▪️09h00 – Brasil/IBGE: Produção industrial de novembro

▪️10h15 – EUA/ADP: Empregos criados no setor privado – dez

▪️10h30 – EUA/Deptº Trabalho: Pedidos de auxílio-desemprego

▪️12h30 – EUA/DoE: Estoques de petróleo

▪️14h30 – Brasil/BC: Fluxo cambial de dezembro

▪️17h00 – EUA/Fed: Crédito ao consumidor – novembro

▪️22h30 – China/NBS: CPI e PPI de dezembro

Eventos

▪️10h00 – Christopher Waller (Fed) discursa na OCDE, na França

▪️16h00 – EUA/Fed: Ata da última reunião de política monetária

Prensa 0801

 📰  *Manchetes de 4ªF, 08/01/2025* 

 

▪️ *VALOR*: Recuperação extrajudicial de empresas ganha fôlego e bate recorde em 2024      


▪️ *GLOBO*: Aliada a Trump, Meta muda regras de Instagram e Facebook   


▪️ *FOLHA*: Meta elimina checagem de fatos e critica tribunais da América Latina  


▪️ *ESTADÃO*: Dono do Facebook se rende a Trump e tira freio a fake news

BDM Matinal Riscala 0801

 Emprego nos EUA testa alívio do dólar

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[08/01/25]


… À espera dos dados de inflação da China, na noite desta 4ªF, a esperança de nova rodada de estímulos econômicos volta ao radar. Nos EUA, a ata do Fed (16h) e o relatório da ADP (10h15) sobre o ritmo do emprego do setor privado em dezembro podem fortalecer a sensação de que o juro americano vai cair menos este ano. Essa perspectiva, combinada à retórica protecionista de Trump, tende a manter o dólar caro por aqui, que ainda tem o fiscal doméstico no topo das preocupações. Às 9h, a produção industrial do IBGE deve registrar a segunda queda seguida em novembro, mas não compromete o cronograma do Copom de pelo menos mais duas doses de alta da Selic.


… Apesar do dado fraco da indústria esperado para hoje, a atividade econômica continua aquecida.


… Em entrevista à GloboNews, ontem, Haddad disse que a Fazenda estima uma alta de 2,5% para o PIB deste ano e que, no ano passado, o Brasil deve ter crescido 3,6%, pouco mais do que a estimativa do mercado no Focus (3,4%).


… O ponto alto de sua participação foi a estimativa de que, retirando os gastos extraordinários com o RS, o déficit primário de 2024 ficará em 0,1%, suficiente para cumprir a meta fiscal e abaixo do limite de tolerância de 0,25%.


… “[A projeção do mercado] Veio caindo de 0,8% para 0,7%, depois 0,6%, mas ninguém estava apostando muita coisa abaixo de 0,5%. Vamos terminar com 0,1%. A segunda casa depois da vírgula pode variar”, afirmou.


… Se fossem incluídas as despesas para recuperar o RS, o déficit fecharia em 0,37% do PIB, informou o ministro.


… Caso a projeção de 0,1% mencionada por Haddad se confirme, o governo federal terá exibido um avanço concreto na consolidação fiscal no último ano, avalia o presidente da Febraban, Isaac Sidney, que falou ao Broadcast.


… “O jogo está longe de acabar, mas vejo a equipe econômica resistindo e atuando com foco e perseverança. É preciso reconhecer o esforço, apesar das desconfianças que vieram com a deterioração das expectativas”, ponderou.


… A boa notícia de que a Fazenda persegue e acredita em um déficit próximo de zero não provocou, porém, maior impacto nos negócios, que já estão querendo dar por encerrada a correção de alívio dos últimos dias (abaixo).


… O investidor continua cobrando o governo de um plano mais robusto de controle da dívida pública.


… Haddad evitou comentar ontem reportagem do Valor de que a equipe econômica prepara decreto para conter os gastos neste início de ano a 1/18 do PLOA , pelo menos até a aprovação do Orçamento/25, que ficou para fevereiro.


… A medida tenta transmitir sinalização de austeridade fiscal, informou um membro da equipe econômica ao jornal.


… Despesas de caráter inadiável, como as aposentadorias, as pensões e a folha de pagamento do funcionalismo público, não entrariam nessa regra mais dura e poderiam ser executadas normalmente, segundo a matéria.


… A LDO permite a execução de 1/12 do PLOA, mas “não seria prudente”, diante das incertezas sobre a peça orçamentária, de acordo com a fonte ouvida. O governo também estuda outras medidas, mas não um pacote.


… Segundo o jornal, são medidas acessórias, que não dependem de aprovação do Congresso.


… Questionado sobre novas medidas de contenção de gastos, Haddad disse que a Fazenda só pensa nisso, mas “não quero passar ideia de que vai ter pacote 2, pacote 3…”, argumentando que o trabalho no campo fiscal é “contínuo”.


MAIS AGENDA – O IBGE deve mostrar que a produção industrial brasileira diminuiu 0,6% em novembro, segundo mediana do Broadcast, ampliando a queda de 0,2% em outubro. As projeções variam de -1,4% a +0,3%.


… O BC informa o fluxo cambial de dezembro e total de 2024 (14h30). No acumulado do ano, até o dia 27 do mês passado, a saída de dólares do país estava negativa em US$ 15,918 bilhões, a 3ª maior da série histórica do BC.


… A autoridade monetária também informa o saldo da caderneta de poupança em dezembro (9h). O IPC-S da 1ª quadrissemana de janeiro sai às 8h.


… Lula realiza hoje uma série de atos em memória de dois anos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Vão ser reapresentadas as obras de arte danificadas durante os ataques e haverá abraço simbólico à Praça dos Três Poderes.


… Os principais nomes dos Poderes Legislativo e Judiciário vão desfalcar a cerimônia. Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e o presidente do STF, Luís Roberto Barros, estarão fora de Brasília e devem mandar representantes.


LÁ FORA – Além dos dados da ADP, os EUA divulgam os pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, que devem subir 4 mil, a 215 mil. O diretor do Fed Christopher Waller discursa na OCDE, às 10h.


… À tarde, saem os estoques de petróleo do DoE(12h30), com queda estimada em 1 milhão de barris.


… Na zona do euro, às 7h, sai o PPI de novembro, que deve disparar 1,5%, ante alta de 0,4% em outubro. Na comparação anual, a deflação deve sair de -3,2% para -1,5%.


… O bloco também solta o índice de confiança do consumidor em dezembro (final), que deve ter leitura de -11,3, contra -13,7 em novembro.


SINAIS DE ESGOTAMENTO – Muita gente no mercado já vinha cantado a bola de que não demoraria tanto para os ativos domésticos começarem a ensaiar cansaço e devolver a recuperação observada neste início de ano.


… As primeiras evidências de que o respiro de otimismo pode durar pouco apareceram ontem no câmbio e no DI.


… A cautela tem nome (fiscal doméstico) e sobrenome (EUA, diante da retórica protecionista de Trump, com potencial impacto nos emergentes, e aposta de abordagem menos dovish do Fed, que contrata dólar mais forte).


… O investidor anda tão desconfiado com a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas, que nem mesmo a projeção de déficit primário na casa de 0,1% do PIB, mencionada ontem por Haddad, teve maior repercussão.


… Longe do patamar de R$ 6,05 estabelecido na mínima do dia (R$ 6,0551), o dólar à vista chegou a zerar o alívio à tarde e virar momentaneamente para alta, antes de fechar em leve baixa de 0,14%, negociado a R$ 6,1042.


… O real ainda exibe algum fôlego, mas o mercado tem dúvidas até quando a moeda conseguirá esticar a reação.


… Em relatório divulgado ontem, o Citi informou que vê espaço para acomodação do dólar neste 1Tri. Mas o banco aponta que um Copom menos agressivo seria um risco para a estratégia de apostar a favor da moeda brasileira.  


… Diante do ritmo de queda mais lento do dólar na segunda metade do pregão desta 3ªF e da piora do clima externo com indicadores fortes da economia americana, os contratos da curva do DI pausaram a correção dos últimos dias.


… Além dos EUA, a incerteza fiscal doméstica freia o espaço de devolução de prêmio de risco nos juros futuros.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subiu a 14,990% (de 14,970% no fechamento anterior); Jan/27, a 15,390% (de 15,340%); Jan/29, a 15,190% (de 15,045%); Jan/31, 14,920% (14,750%); e Jan/33, 14,690% (14,500%).


IBOV TÁ ON – Em busca do terreno perdido na semana passada, quando voltou aos piores níveis em mais de um ano, o índice à vista da bolsa doméstica testou nova recuperação e completou dois pregões seguidos em alta.


… Na 2ªF, já havia recuperado a faixa dos 120 mil pontos e, ontem, recobrou mais um degrau, nos 121 mil pontos (121.162,66), com alta de 0,95%. O volume financeiro, baixo como de costume, alcançou R$ 21,1 bilhões.


… Na máxima do dia (121.713), o índice chegou a subir 1,41%, mas a aversão ao risco no exterior tirou parte do ímpeto da alta, vista mais uma vez como uma correção técnica.


… Com exceção da Vale, as blue chips ajudaram, em especial Petrobras, que acompanhou os ganhos no petróleo. A ação ON subiu 2,80% (R$ 41,42) e a PN, +2,13% (R$ 36,98).


… Na ICE, o Brent março ganhou 0,98%, a US$ 77,05 por barril, com expectativa de sanções mais rigorosas do Ocidente contra a Rússia e o Irã e de novos estímulos na China.


… Um reajuste nos combustíveis pela estatal, diante da alta do dólar, pode ficar de lado, por enquanto. Analistas ouvidos pelo Broadcast veem o preço do Brent estável ou mais baixo na média de 2025, compensando o câmbio.


… Bancos foram bem pela 2ª sessão. Santander registrou +1,54% (R$ 24,37); Bradesco PN, +1,40% (R$ 11,58); Bradesco ON, +1,15% (R$ 10,60); Banco do Brasil ON, +1,21% (R$ 24,25); e Itaú, +1,09% (R$ 31,50).


… Vale cedeu 0,97% (R$ 52,05), em linha com o recuo de 1,38% do minério de ferro em Dalian. A maior desvalorização do dia foi da CSN Mineração, que baixou 3,96%, a R$ 4,78.


… Outros destaques negativos foram RD Saúde (-2,56%; R$ 21,35) e Azul (-2,33%; R$ 4,20).


… Hapvida liderou as altas, com +9,17%, a R$ 2,38, com correção de perdas recentes. Foi acompanhada por Automob (+6,06%, a R$ 0,35) e Carrefour (+5,31%, a R$ 6,15).


SINAL AMARELO – O medo de um repique na inflação ressurgiu em Wall Street com novos dados mostrando que emprego e setor de serviços seguem fortes nos EUA.


… Os números reforçaram a percepção de que o Fed vai agir com mais moderação no ciclo de cortes de juro este ano, o que elevou os juros dos Treasuries e derrubou as ações.


… Uma liquidação nas techs ajudou a aprofundar as perdas. O Nasdaq liderou o desempenho negativo, com queda de 1,89%, aos 19.489,68 pontos. O Dow Jones caiu 0,42% (42.528,36) e o S&P 500 recuou 1,11% (5.909,03).


… Tesla caiu 4% após o BofA Global Research rebaixar a ação de compra para neutra. Nvidia recuou 6,2% depois de a apresentação do CEO, Jensen Huang, não mostrar previsões de curto prazo que agradassem os investidores.


… O PMI/ISM de serviços cresceu de 52,1 em novembro para 54,1 em dezembro, acima da previsão de 53. O indicador de preços pagos por materiais e serviços deu um salto de 58,2 para 64,4, nível mais alto em dois anos.


… A Pantheon Macroeconomics disse que o PMI pode indicar que a desinflação do setor foi interrompida no país, mas que aleitura de um mês não é suficiente para definir uma tendência.


… De seu lado, o relatório Jolts apontou alta inesperada na abertura de postos de trabalho, para 8,098 milhões em novembro (melhor resultado em seis meses), de 7,839 milhões em outubro e expectativa de queda a 7,685 milhões.


… Depois da divulgação do PMI e do Jolts, as apostas para o 1º corte de juros pelo Fed em 2025 se deslocaram de maio para junho e a chance de haver apenas uma redução no ano cresceu ligeiramente, de 35% para 37,7% no CME.


… Thomas Barkin (Fed/Richmond) reconheceu que o mercado de trabalho americano segue forte e que a tendência de crescimento econômico em 2025 é mais positiva do que negativa. Os salários, disse, podem pressionar a inflação.


… Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, afirmou que o BC americano deve adotar uma abordagem mais cautelosa.


… Nos Treasuries, o retorno da note de 10 anos bateu no maior nível desde abril do ano passado, em 4,699%, para fechar um pouco abaixo, em 4,692%, de 4,632% na sessão anterior.


… Além dos dados fortes na economia, os juros futuros subiram com a defesa da extensão do teto da dívida e renovadas ameaças de tarifas feitas por Donald Trump.


… O juro da note de 2 anos avançou a 4,298% (de 4,275%) e o do T-Bond de 30 anos subiu a 4,919% (de 4,856%).


… O índice DXY registrou alta de 0,26%, a 108,542 pontos. O euro cedeu 0,40%, a US$ 1,0349, apesar de o CPI de dezembro do bloco ter marcado 2,4% na leitura anual, de 2,2% em novembro.


… O CPI, contudo, não deve incomodar o BCE, segundo o Deustche Bank, já que foi impulsionado essencialmente pelos preços de energia.


… A libra caiu 0,28%, a US$ 1,2483. O iene cedeu 0,28%, a 158,057/US$.


EM TEMPO… PRIO registrou produção total de 106,3 mil barris/dia em dezembro, alta de 38,2% sobre novembro. Vendas alcançaram 3,348 milhões de barris, alta de 15,8% na mesma comparação…


… Salto no resultado foi provocado pela inclusão da produção e vendas de Peregrino.


EMBRAER entregou 75 aeronaves no 4Tri24, alta de 27% sobre 3Tri24 e estável sobre 4Tri23. Entregas no ano somaram 206, contra 181 em 2023 (+14%).


BRADESCO. O gestor Gustavo Brotto foi contratado para a tesouraria do banco após deixar a J.Safra Asset…


… Ele deve assumir o cargo de gerente de mesa de pré-fixados a partir de março, após a saída de Nilton David para a diretoria de política monetária do BC.


JHSF informou que receberá em até 3 etapas o pagamento da venda da sua participação no Shopping Ponta Negra, em Manaus. Valor da transação foi de R$ 82 milhões.


SANTOS BRASIL movimentou 134,4 mil contêineres em dezembro, alta de 25,4% ante o mesmo mês de 2023. No acumulado de 2024, a empresa movimentou 1,53 milhão de contêineres, alta de 23,8% ante 2023.


EQUATORIAL. Conselho aprovou aumento de capital de R$ 111,1 milhões, que ocorrerá mediante subscrição de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 26 por ação.


AERIS. Credores sinalizaram aos donos da empresa que vão recusar, na assembleia marcada para hoje, a proposta de adiar o pagamento das debêntures adquiridas, segundo a Folha…


… A fabricante de pás eólicas acumula dívida bruta de R$ 1,4 bi, sendo 70% com emissões de debêntures.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...