quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Fernando Dantas 2612

 Fernando Dantas: Brasil ainda está antecipando política monetária das grandes economias?


Quando o Banco Central (BC) elevou a Selic de 2% para 2,75% em março de 2021, a autoridade monetária brasileira pulou na frente em termos globais na decisão de iniciar um ciclo de aperto monetário para conter o surto inflacionário da Covid. O Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) só começou a elevar os Fed Funds, taxa básica norte-americana, um ano depois, em março de 2022.


O BC brasileiro fez sua primeira redução de juros em setembro de 2023, e o Fed, em setembro de 2024. Agora, o Brasil retomou a elevação da Selic em setembro de 2024, mas a expectativa não é a de que o Fed venha a elevar a sua taxa básica no horizonte principal das projeções de mercado. A visão de muitos é que o Brasil errou a mão na política econômica, com excesso de estímulo fiscal durante a pandemia e depois, e criou para si mesmo um novo soluço inflacionário, a ser combatido com mais um ciclo de alta da taxa de juros.


Mas o economista Samuel Pessôa (Julius Baer Family Office e IBRE-FGV) vê como provável que a nova guinada de política monetária no Brasil a partir de setembro possa, sim, ser de novo um movimento que antecipa o que pode ocorrer em outras partes do mundo. Uma ressalva importante é que Pessôa não considera que o Fed vá elevar as taxas de juros, mas sim que o ciclo de queda atual possa ser menor do que se supõe, com uma taxa terminal ainda bastante elevada para os padrões recentes (antes da alta inicial para combater a inflação da pandemia).


No Brasil, diz o economista, um erro de avaliação fundamental foi sobre a temperatura da economia em 2024. Em dezembro de 2023, Pessôa previu que a economia ia crescer 1,5% este ano, e que a inflação seria de 4%. Hoje, ele diz, caminha-se para crescimento de 3,5% e a inflação deve ficar por volta de 5%. O aquecimento do mercado de trabalho também surpreendeu, com a taxa de desemprego caindo para pouco mais de 6%, possivelmente um recorde de baixa desde pelo menos 2000.


Pessôa traça um paralelo com os Estados Unidos, onde também a atividade econômica vem surpreendendo constantemente, com previsão de crescimento anualizado no último trimestre de 3%, e uma expansão do PIB no ano ligeiramente abaixo desse nível. A surpresa de crescimento nos Estados Unidos, em relação às previsões um ano antes, está em torno de 1,2 ponto porcentual (pp), enquanto a do Brasil é de aproximadamente 2pp, nota o economista. Já a inflação americana também está um pouco mais elevada que as projeções, mas o destaque são indicadores como serviços, cujo “supernúcleo”, que exclui aluguéis, tem flutuado em torno de 4,4%.


Recentemente, empurrado por declarações de Jerome Powell, chairman do Fed, e de outros diretores, o mercado reprecificou o ciclo de queda à frente, no sentido de reduzi-lo.


“A impressão é de que os Fed Funds [hoje na faixa 4,25-4,50%] vão ser cortados mais uma ou duas vezes, talvez nem duas, e acho que tem chance de a taxa básica se estabilizar por um ou dois anos em torno de 4%”, diz Pessôa.


O economista também vê possibilidade de surpresas em termos de encurtamento do ciclo de afrouxamento monetário na Europa, em que as taxas de desemprego estão em níveis históricos de baixa. Já o baixo nível de utilização da capacidade na indústria na Europa, que muitos interpretam como ociosidade conjuntural, corresponde, na visão do analista da JBFO e do IBRE, a uma mudança estrutural, ligada à desindustrialização na esteira da competição com a China. Pessôa acrescenta que a inflação de serviços na Europa também se estabilizou em nível muito acima da meta de inflação de 2%.


“Considero que podemos ter taxas terminais desse ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos e na Europa bem mais baixas do que se supunha, mas essa percepção deve ficar clara dentro de uns seis meses, no caso americano, e dentro de um ano, no caso europeu”, prevê o economista.


Se isso for verdade, ele diz, é mais uma má notícia para o Brasil, porque o juro alto no resto do mundo pressiona os juros domésticos ainda mais para cima.


Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras.


O colunista entra de folga de final de ano e volta a escrever neste espaço em 3 de janeiro de 2025.


Broadcast+

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Neofeed

 Fundos multimercados batem recordes de resgastes e seguem, em sua maioria, com rentabilidade abaixo do CDI, deixando à mostra a crise existencial desse setor nos últimos anos. O que esperar de 2025?


Leia mais: https://lnkd.in/dqt4WpiA

Será?

 


Marcos Troyjo

 𝐃𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 𝐠𝐞𝐫𝐚çõ𝐞𝐬

𝐈𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐟𝐚𝐦í𝐥𝐢𝐚

𝐌é𝐫𝐢𝐭𝐨, 𝐬𝐨𝐥𝐢𝐝𝐚𝐫𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 & 𝐩𝐫𝐚𝐠𝐦𝐚𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨

Te𝐜𝐧𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚 & 𝐡𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐚𝐬


Estes são alguns temas da conversa com Marcos Troyjo
no Podcast SustenTalks, ancorado pela Professora Natascha Schmitt
(LLM University of California, Berkeley - School of Law).

SustenTalks
𝘚𝘶𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘋𝘦𝘴𝘦𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 & 𝘌𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢
Convidado: Marcos Troyjo

🎥 Assista à íntegra da entrevista: https://lnkd.in/dy_jAp4Y

Boas festas aos amigos!

 


Bankinter Portugal 2412

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado continua suportando tudo. A recuperação de NY ontem foi tão agradável quanto inexplicável. Não tanto o S&P500 (+0,7%), mas principalmente as empresas de tecnologia: SOX +3,1%, com Broadcom +5,5%, TSMC +5,1%, Nvidia +3,7%, Intel +3,5%... Enfim, parecem excessos de final de ano. Mas tomara que estejamos errados e que haja algo (bom) que não estejamos vendo. A única coisa que poderia explicar essa sobrereação é que agora, quanto pior for a macroeconomia americana, melhor. Porque isso forçaria o Fed a reduzir ainda mais as taxas de juros. E ontem NY estava caindo até que, às 13h30, saíram os dados de Pedidos de Bens Duráveis, aparentemente maus (-1,1% vs -0,3%; mas +0,7% excluindo aviação e defesa, o melhor registro desde junho, então não tão maus se analisados além da superfície) e, às 15h, a Confiança do Consumidor recuando (104,7 vs 113,2 esperado vs +112,8 anterior). Ambos os dados foram interpretados como negativos (o que não é correto em relação ao primeiro), e Wall Street começou a subir com força, com um entusiasmo difícil de justificar. A única coisa identificável que pode explicar isso é que Michael Barr, Vice-Presidente de Regulação do Fed (membro permanente do FOMC ou comitê de política monetária), contratou advogados para defendê-lo porque, segundo rumores, Trump quer demiti-lo para garantir que as cargas regulatórias para o setor financeiro sejam aliviadas. Mas os bancos americanos não recuperaram especialmente ontem (+0,8%), então essa alta não deveria ser por isso.


HOJE é véspera de Natal e não há nada relevante programado. Amanhã é Natal, portanto os mercados estarão fechados. Depois de amanhã, quinta-feira, a Europa estará fechada, mas NY estará aberto. E na sexta-feira, 27, será um dia normal, mas com tanta ressaca dos feriados que a atividade será mínima.


Quando a atividade diminui e, sem causas objetivas, o mercado recupera, convém ter cuidado especial. As yields das obrigações subiram (T-Note 4,60%, Bund 2,33%...), o que deveria prejudicar as valorizações e as bolsas. Se elas reagem de forma contrária, subindo, pode ser por dois motivos: (i) algo importante passou despercebido. Pode ser, mas esperamos que não. (ii) A visceralidade está a sobrepor-se à racionalidade, e nesse caso é melhor desconfiar das altas. Até onde conseguimos ver, nossa opção é a (ii). Mas talvez HOJE haja outra pequena subida, inercialmente.


Reiteramos que não há nada grave a acontecer, mas devemos ser um pouco mais prudentes e esperar menos dos próximos trimestres, até que o ajuste de preços se complete e a inflação/taxas se tornem mais claras em relação ao seu rumo. O natural será que as bolsas recuem um pouco durante algum tempo (sem dramas, reajustando-se), que as obrigações continuem a subir suavemente as suas yields, que o dólar continue valorizado (em algum momento de 2025 veremos a paridade com o euro), euro e iene fracos, petróleo relativamente barato e criptomoedas em uma realização de lucros típica de ativos de risco em alta.


Desde o Bankinter, desejamos uma excelente véspera de Natal e um feliz Natal!


S&P500 +0,7% Nq-100 +1% SOX +3,1% ES-50 -0,2% IBEX -0,3% VIX 16,8% Bund 2,33% T-Note 4,59% Spread 2A-10A EUA=+25pb B10A: ESP 3,02% PT 2,81% FRA 3,15% ITA 3,50% Euribor 12m 2,461% (fut.2,105%) USD 1,040 JPY 163,4 Ouro 2.619$ Brent 73,0$ WTI 69,5$ Bitcoin -0,8% (94.054$) Ether +3,8% (3.402$).


FIM

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Encerrando...

 *Encerramento das transmissões*


_O mercado faz uma pausa para o Natal nesta 3ªF e 4ªF, com investidores ainda ressabiados com a efetividade das medidas fiscais aprovada pelo Congresso na semana passada. Juros futuros e dólar continuaram escalando nesta 2ªF e, desta vez, o BC não fez nenhuma intervenção, deixando a moeda americana testar novamente a casa dos R$ 6,20. Os próximos dias serão de liquidez restrita por conta das festas de fim de ano, o que pode favorecer oscilações bruscas dos ativos, embora o BC já tenha deixado agendado um leilão de dólares à vista de até US$ 3 bilhões na 5ªF. No exterior, depois da sinalização dura do Fed na semana passada, uma boa notícia pode vir de Israel nas próximas horas, após Benjamin Netanyahu admitir hoje que houve um "certo avanço" nas negociações com o Hamas para um novo cessar-fogo e troca de prisioneiros na Faixa de Gaza. O BDM Online voltará a ser atualizado normalmente na 5ªF, às 7h. Feliz Natal!_ (*Téo Takar*)

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...