sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Risco de desidratação

 NEWS - 06.12


ESTADÃO: DEPUTADOS RESISTEM A MEXER NO BPC E PACOTE CORRE RISCO DE DESIDRATAÇÃO- 6/12


Brasília, 05/12/2024 - Em meio a cobranças no mercado financeiro por um corte de gastos mais efetivo, deputados dizem que um eventual endurecimento das propostas apresentadas pelo governo não virá do Congresso sem que o Executivo proponha ajuste maior. Em outro movimento, parlamentares resistem a mexer no Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, e já há quem veja risco de desidratação do pacote.


Na quarta-feira à noite, os deputados aprovaram pedido de urgência para dois projetos incluídos no pacote, relacionados a temas como novos gatilhos do arcabouço, correção do salário mínimo e revisão de programas sociais, caso do BPC. Um deles foi aprovado com apenas três votos além do necessário. Há ainda uma Proposta de Emenda à Constituição, que também mexe no BPC, nos supersalários do funcionalismo e no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).


Os parlamentares, contudo, ainda não se comprometeram a aprovar o conteúdo dos projetos. Líderes da Câmara e articuladores do Palácio do Planalto afirmam que o pacote será aprovado ainda neste ano; a dúvida, no entanto, é sobre o tamanho do ajuste. Além disso, há ainda alguns obstáculos, como o impasse envolvendo o pagamento de emendas parlamentares após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o que tem travado novas votações.


Economistas avaliam que o pacote é insuficiente para garantir o equilíbrio das contas públicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou confiança nas propostas, mas admitiu a necessidade de novas medidas no futuro, e não descartou “voltar” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


No Congresso, integrantes da esquerda e da direita concordam com o diagnóstico de que é impossível manter o arcabouço intacto e as regras atuais dos benefícios da Previdência, vinculados ao salário mínimo, e dos pisos de Saúde e Educação, que crescem conforme a arrecadação do governo. O remédio proposto é que é diferente. Uma ala pressiona por cortes mais duros e outra, por mudanças no arcabouço.


Uma das principais resistências na Câmara é em relação às mudanças no BPC. O benefício é pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, no valor de um salário mínimo. O pacote aperta os critérios para calcular a renda das famílias e proíbe a retirada de rendas não previstas em lei. Na prática, isso pode fazer com que pessoas não tenham mais direito ao benefício por ultrapassar a renda de um quarto do salário mínimo.


‘CONTRASSENSO’. A resistência começa pelo partido de Lula. “Tem coisa para ser modificada. A esquerda não topa mexer no BPC. É um contrassenso mexer com os mais carentes e isso está dando, inclusive, munição para a direita nos criticar e criticar o governo”, disse o deputado Zé Neto (PT-BA).


“Eu espero que a equipe econômica possa rever essa posição, porque nós não podemos cortar ou dificultar o acesso das pessoas com deficiência e dos idosos ao Benefício de Prestação Continuada”, afirmou Valmir Assunção (PT-BA).


Já o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), autor de uma PEC que propõe medidas mais drásticas para controlar as contas, afirmou que não há disposição atualmente no governo e no Congresso para endurecer o pacote. “(A proposta do) BPC, do jeito que está, não está gerando muita economia e está gerando muita resistência”, afirmou ele, para quem as propostas são tímidas diante do desajuste nas contas do governo.


A crítica também vem de políticos de centro e da direita, principalmente do Nordeste, que querem distância do projeto que altera as regras do BPC, e de parlamentares ligados à Saúde e aos direitos da pessoa com deficiência. “Essa proposta não é apenas desumana, é também um retrato da completa insensibilidade e incompetência com que a saúde pública está sendo tratada”, disse o deputado Zacharias Calil (União-GO).


Na quarta-feira, ao orientar a favor da urgência dos projetos, o líder do bloco da Maioria na Câmara, que reúne a base do governo e o Centrão, André Figueiredo (PDT-CE), deixou clara a insatisfação. “É evidente que nós queremos rediscutir o posicionamento relativo ao BPC e tantos outros pontos que precisam ser discutidos.” (Daniel Weterman e Mariana Carneiro)


 


ESTADÃO: MUDANÇA NO BENEFÍCIO ENFRENTA RESISTÊNCIA TAMBÉM NO SENADO- 6/12


A reação a mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC) também já ocorre no Senado, que analisará as medidas após eventual aprovação na Câmara. “O que está sendo proposto é desumano e ameaça milhões de brasileiros que dependem desse benefício para sobreviver”, disse a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP). “Ajustar as contas públicas é necessário, mas é inadmissível que isso seja feito atacando aqueles que já estão à margem da sociedade.”


O governo espera economizar R$ 2 bilhões por ano com a revisão no BPC, gerando uma economia de R$ 12 bilhões ao longo de seis anos.


Mas quase um terço dos benefícios do BPC a pessoas com deficiência em vigor hoje foi concedido por decisões judiciais, que triplicaram em três anos. Para o ministro Fernando Haddad (Fazenda), é preciso combater o que ele chama de “indústria de liminares”. O governo discorda dos critérios da Justiça para avaliação de pessoas com deficiência. (Daniel Weterman e Mariana Carneiro)


 


Nem direita nem esquerda têm disposição para ajuste fiscal, diz autor de proposta que amplia cortes  / Deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) vê descrença do governo em benefícios de um ajuste fiscal e afirma que há falta de coordenação de líderes da Câmara para sanar desequlíbrio das contas do governo no longo prazo- Estadão 5/12


Por Mariana Carneiro e Daniel Weterman


BRASÍLIA – Autor de uma proposta mais dura de ajuste fiscal, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) afirma que, de um lado, o governo Lula não acredita em Orçamento equilibrado, e de outro, falta coordenação no Congresso para a aprovação de um pacote fiscal que resolva o desequilíbrio nas contas públicas no longo prazo. O mais provável, diz ele, é que seja aprovado um pacote tímido para fechar o Orçamento de 2025 e, no ano que vem, voltar à carga com um novo arremedo para encerrar o mandato de Lula.


“Há uma extrema incapacidade dos políticos, tanto da esquerda quanto da direita, de olhar (a responsabilidade fiscal) a médio e longo prazo”, diz Pedro Paulo. “O pacote do governo quer olhar o fechamento do Orçamento do ano que vem e alguma coisa para 2026 para terminar o mandato”.


Além disso, diz ele, “há a racionalidade dos políticos, que pensam ‘não vai resolver o problema e ainda quer que eu faça maldade?’ Eles não acreditam que o pacote fiscal vai dar certo e que ainda estão pedindo para tirar direitos sociais, reduzir abono, mudar critérios de entrada no BPC.”


Na semana passada, Pedro Paulo e um grupo de deputados apresentou uma proposta de emenda constitucional com medidas como a desvinculação de benefícios sociais do salário mínimo e a extinção do abono salarial – benefício concedido a trabalhadores formais que recebem até dois salários mínimos. A economia gerada até 2031 poderia chegar a R$ 1,1 trilhão, segundo as estimativas que eles apresentaram.


O projeto animou parlamentares que consideram tímido o pacote do governo, que fala em uma economia de R$ 327 bilhões até 2030, mas não avançou sem o apoio de líderes do Congresso.


A conclusão de Pedro Paulo é que o governo Lula demonstra uma “crença praticamente indestrutível” contra a responsabilidade fiscal – e, na Câmara, falta o convencimento dos líderes partidários.


“Tem o discurso ‘o governo não botou a cara, não teve coragem, e quer que o Parlamento tenha esse desgaste; vamos deixar esse desgaste para o governo’. É uma racionalidade óbvia que funciona com alguns líderes. Falta uma coordenação das lideranças em favor da responsabilidade fiscal”, afirma Pedro Paulo.


“No governo, há uma percepção de que já foram no limite do limite, de que estão fazendo muito, bem mais do que deveria ser feito, e que a economia vai crescer 3%. Mas no ano que vem não vai ser assim”, afirma. “O governo está ganhando conforto na sua narrativa para a sua base política e está tentando um fôlego para os próximos dois anos para encerrar seu ciclo, mas eu acho que vai colher o preço e vai ser muito mais caro. Pode ser antes da eleição de 2026.”


O parlamentar, assim como boa parte dos economistas, teme que a inflação acelere nos próximos meses como consequência da alta do dólar. A leitura de analistas do mercado financeiro é que o pacote é insuficiente para dar credibilidade ao plano fiscal acertado pelo governo quando apresentou o novo arcabouço fiscal em 2023. Isso fez proliferar apostas de alta da inflação nos anos à frente.


Em meio ao mal-estar instalado no mercado, investidores passaram a esperar que a Câmara possa apertar a proposta do governo, tornando o ajuste mais rigoroso.


Pedro Paulo não enxerga esse cenário como provável e teme por uma desidratação ainda maior. “Nós vamos fazer um arremedo agora para fechar o ano, aproveitar o momento político, e no ano que vem nesta mesma época vamos estar discutindo outro rearranjo do arcabouço fiscal. E em 2026 a mesma coisa, com a dificuldade da proximidade da eleição”, afirma.


Emendas


Pedro Paulo, em conjunto com o deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE), apresentou uma emenda à proposta do governo, sugerindo a redução paulatina de benefícios tributários concedidos a empresas ao longo de dez anos. Ele também crê que é possível reduzir mais o valor do abono salarial para trabalhadores que recebem um salário mínimo – a proposta do governo reduz o benefício para os que ganham até 1,5 salário.


As propostas serão debatidas quando o mérito (conteúdo) do pacote fiscal começar a ser discutido na Câmara. Na noite desta quarta, 4, deputados aprovaram a tramitação em regime de urgência de dois projetos que integram o pacote. Além deles, o governo também enviou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).


Até o momento, não foram indicados relatores para os projetos. Entre os nomes cotados estão Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Cláudio Cajado (PP-BA), além de Rubens Pereira Júnior (PT-MA) na PEC que trata, entre outros temas, de mudanças no abono salarial e de um limite para os supersalários do funcionalismo público.


Como político, vice-líder do governo na Câmara, ele também interpreta sinais não-econômicos do pacote. Se muitos analistas se ativeram à atuação do ministro Fernando Haddad, Pedro Paulo observa que a timidez do plano de ajuste para o longo prazo sugere que Lula trabalha apenas para fechar o atual ciclo político e não está verdadeiramente empenhado em uma reeleição.


“Mais do que sinais econômicos, há sinais políticos do governo. A pouca ousadia e a falta de visão de médio e longo prazo no pacote mostram a falta de disposição do Lula para enfrentar desgaste e um sinal de que ele pode estar contando mais com uma possibilidade de encerrar o ciclo”, afirma ele.


O segundo indicativo para essa análise deverá ocorrer no início do ano que vem, quando está prevista uma reforma ministerial. O espaço ambicionado e cedido a partidos aliados dará sinais sobre se Lula pode conquistar apoios com vistas a uma eventual reeleição.


Votações apertadas e críticas de aliados indicam caminho difícil para governo aprovar pacote de corte de gastos- O Globo 5/12


Por Camila Turtelli — Brasília


As votações apertadas das urgências dos projetos do pacote econômico na noite de quarta-feira no Congresso indicam que o governo terá um caminho difícil para aprovar o corte de gastos desenhado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Por uma diferença de apenas 3 votos, o Executivo não sofreu uma derrota no requerimento para acelerar a tramitação do Projeto de Lei Complementar com gatilhos do arcabouço fiscal. O placar foi 260 a 98, quando eram necessários 257 deputados dizendo "sim" à medida.


Cobranças pelo pagamento de emendas parlamentares, resistência da base governista em mexer em programas sociais e até mágoa de preteridos na sucessão da Mesa Diretora da Câmara são elementos que pesaram nas votações de quarta-feira e que devem reverberar nas próximas semanas, nas quais o governo tem pressa para aprovar as medidas econômicas.


—Não se trata de retirar direitos. Nós vamos discutir isso na hora certa. O que é importante neste momento é nós votarmos a urgência, acelerarmos a discussão e entregarmos ao país a votação dessa matéria até o dia 20 ou 21 de dezembro— apelou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), durante a votação.


O União Brasil, liderado pelo deputado Elmar Nascimento, entregou 44 votos contrários, de um total de 53, na votação da urgência do projeto. Há no partido muita insatisfação em relação às emendas parlamentares, principalmente após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que ampliou restrições para liberação da verba. Além disso, Elmar foi preterido pelo Palácio do Planalto e pelo presidente da Câmara


O PSD, do líder Antonio Britto, também preterido nessa mesma disputa, entregou 20 votos contrários de um total de 37, na votação. Já o Republicanos, de Hugo Motta —preferido para substituir Lira no ano que vem—, teve apenas 3 votos “não”.


Para apaziguar a questão das emendas, o governo fez dois movimentos na semana, um para tentar acelerar o pagamento de valores represados e outro de acionar a Advocacia-Geral da União para se contrapor à decisão do STF e sinalizar que “está ao lado do Congresso” nessa questão.


No início da semana, a Secretaria de Relações Institucionais pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de R$ 7,8 bilhões para realizar o pagamento nos próximos dias de emendas já empenhadas. Os repasses, no entanto, só devem se iniciar a partir de sexta-feira e cair nas contas das prefeituras na próxima semana. Até lá, as negociações com os parlamentares devem ser difíceis.


Há também “fogo amigo” no caminho do governo para aprovar o pacote. Apesar de o PT ter votado em bloco a favor das urgências, petistas têm criticado, em caráter reservado, as medidas dos projetos que mexem com programas sociais e bandeiras do partido. Um dos projetos altera os cálculos de renda pessoal e familiar que definem se determinado candidato tem ou não direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), salário mínimo pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda


Já entre os aliados, o PSOL votou em peso contra as urgências.


—Nós não queremos operar na lógica do ajuste. Portanto, entendemos que não há urgência para esse tipo de ajuste, que é injusto e que só grava os que mais precisam do Estado e dos programas sociais. Vamos cortar lá em cima e não deixar para as calendas isso— afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) durante a votação.


Mesmo entre os partidos da base que votaram a favor, houve sinalizações de que serão pedidas mudanças no teor dos projetos para que eles possam ser aprovados pelo Congresso.


—Evidentemente todos nós temos questionamentos em relação a esses dois projetos de lei, mas o que nós estamos votando aqui é a urgência. É preciso que esta Casa dê a sinalização de que tem compromisso com o Brasil que nós tanto queremos. É evidente que nós queremos rediscutir o posicionamento relativo ao BPC e tantos outros pontos que precisam ser discutidos — afirmou o deputado André Figueiredo (PDT-CE), líder da maioria.


A votação ocorreu após o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), dizer que o governo não tinha votos sequer para aprovar as urgências, mas garantir que a Casa não iria “faltar”. Uma reunião de líderes foi realizada no começo da noite e, apesar do acordo para aprovar a urgência, não houve acordo para nomeação da relatoria do projeto ou compromisso com o mérito do projeto.


 


Juízes, procuradores e defensores iniciam ofensiva no Congresso contra PEC que limita supersalários / Representantes das carreiras do Judiciário fazem atuação conjunta para barrar limitação de penduricalhos que fazem remunerações superarem o teto de R$ 44 mil- Folha SP 6/12


Fernanda Brigatti / João Gabriel


Representantes de entidades ligadas à magistratura, ao Ministério Público e à Defensoria Pública em todos os níveis já iniciaram articulação no Congresso Nacional para derrubar o dispositivo da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de corte de gastos que pretende fechar brechas para o pagamento de supersalários no funcionalismo público.


A PEC 45 de 2024 integra o conjunto de três propostas do pacote de redução de despesas anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no fim de novembro.


A alteração que incomoda essas carreiras está no primeiro artigo da PEC, que prevê a necessidade de uma lei complementar para autorizar pagamentos "de caráter indenizatório" acima do teto das remunerações do setor público. O teto equivale ao salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), de R$ 44 mil.


Nesta quarta-feira (4), o líder da bancada do PSB, deputado federal Gervásio Maia (PB), recebeu representantes da magistratura trabalhista e de outras carreiras reunidas no Frentas, que tem 11 entidades.


O diretor de assuntos legislativos da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), Marco Aurélio Treviso, também se encontrou com assessores da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), por onde PECs começam a tramitar.


No mesmo dia, o PT apresentou um requerimento para que a PEC de corte de gastos iniciasse sua tramitação pela CCJ, mas recuou diante do risco de que opositores da matéria conseguirem frear seu andamento na comissão.


Agora, a estratégia é apensar o texto a uma outra proposta que já esteja em estado avançado de discussão, para que a matéria possa ir direto ao plenário —e a base do governo corre contra o tempo para conseguir o apoio necessário para essa articulação funcionar.


A reivindicação dos representantes do judiciário já é de ciência de integrantes do colégio de líderes da Câmara, grupo que, junto ao presidente Arthur Lira (PP-AL), fecha os acordos sobre as redações das propostas.


No entanto, a discussão sobre esse ponto ainda não começou a ser feita entre os deputados. Até aqui, eles se concentraram nos primeiros passos da tramitação das propostas, mas não ainda não se debruçaram sobre o mérito delas.


Até o momento, duas notas de teor semelhante foram divulgadas, colocando 15 entidades contra a aprovação da PEC.


Em uma das notas, assinaram presidentes de seis TRFs (Tribunais Regionais Federais) e representantes do Conselho de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil, do Colégio Permanente de Presidentes dos Tribunais da Justiça Militar, do Colégio de Presidentes dos Tribunais Eleitorais do Brasil, do Colégio de Presidentes e Corregedores dos Tribunais Regionais do Trabalho.


Na outra estão as 11 entidades da Frentas: Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMP), Associação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT) e Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis-DF).


Na quarta, uma reunião na sede da AMB definiu as linhas de atuação do grupo reunido sob o guarda-chuva da Frentas. "Vamos juntos e em consenso", disse o presidente da AMB, Frederico Mendes Júnior. "Nosso objetivo é assegurar a manutenção da valorização que conquistamos nos últimos anos."


O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) disse em nota ter "forte preocupação com o teor da proposta". A aprovação da PEC poderia gerar um gasto de R$ 250 milhões, segundo o tribunal, para repor os cargos vagos que a medida tem o potencial de criar.


Dos magistrados na ativa, 546 já estariam em condições de aposentadorias, e outros 625 cargos estão vagos atualmente, diz Fernando Antonio Torres Garcia, presidente do TJ-SP.


A previsão para tratar as exceções ao teto em lei complementar, e não mais em lei ordinária, atinge diretamente o Poder Judiciário, que tem precedente de uso de penduricalhos que se somam aos salários, fazendo com que a renda final passe dos R$ 44 mil.


O CLP (Centro de Liderança Pública) estima que a regulamentação do teto remuneratório possa poupar cerca de R$ 5 bilhões em todas as esferas, mas especialistas veem um potencial até maior, dada a profusão de penduricalhos.


A Folha mostrou em agosto que a situação financeira do Poder Judiciário para 2025 contrasta com a de outros órgãos do Executivo. Graças às regras do arcabouço fiscal, Poder Judiciário terá um espaço extra de R$ 3,84 bilhões para gastos no ano que vem.


Legislativo, Ministério Público e Defensoria Pública também terão ganhos reais em seus orçamentos. Para eles, o acréscimo será de R$ 1,75 bilhão no total.


Pacote fiscal: após aprovação da urgência, deputados negociam relatoria de projetos / Nomes ligados a partidos do Centrão têm sido avaliados; projetos são considerados prioritários para o governo- CnnBrasil 6/12


Da CNN , Brasília


Após a aprovação dos requerimentos de urgência para os projetos do pacote fiscal na última quarta-feira (4), a Câmara se movimenta para a definição da relatoria dos textos.


A escolha dos relatores é oficializada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que ainda não bateu o martelo sobre quem assumirá os pareceres. Nomes ligados a partidos do Centrão têm sido avaliados, mas ainda não há uma definição oficial por parte de Lira.


A expectativa é de que o tema seja discutido entre líderes partidários ao longo da próxima semana, período em que a Câmara se dedicará a um esforço concentrado para votar propostas.


A aprovação do pacote é considerada prioritária para o governo federal, que tenta buscar alternativas para equilibrar as contas e cumprir a meta fiscal. No entanto, a tramitação dos textos tem enfrentado dificuldades no Congresso.


Pacote fiscal


O pacote é composto por três matérias:um projeto de lei (PL),


•          um projeto de lei complementar (PLP)


•          e uma proposta de emenda à Constituição (PEC).


Os dois primeiros itens tiveram a urgência aprovada em placar apertado, com 260 e 267 votos favoráveis, respectivamente. Os requerimentos precisavam do apoio de ao menos 257 deputados para serem aprovados.


Com a decisão, as propostas terão a análise acelerada e não precisarão ser votadas nas comissões temáticas. Os projetos mudam regras do arcabouço fiscal e limitam benefícios tributários, além de determinar a revisão nas regras para concessão de programas sociais.


Ambos os textos foram apresentados na semana passada após semanas de negociações da equipe econômica. No total, o governo estima que o pacote de corte deve chegar a R$ 70 bilhões até 2026. Para isso, é necessário o aval do Congresso.


Já a PEC enviada pelo governo está parada na Câmara. Entre outros pontos, o texto propõe uma restrição ao pagamento de supersalários no serviço público. Como a CNN mostrou, por falta de acordo, deputados governistas desistiram de avançar com o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


A previsão atual é que a proposta seja apensada a outra PEC que já está com tramitação mais avançada e, assim, ter a votação diretamente no plenário.


Dificuldades


Deputados apresentam resistência ao pacote de gastos diante das novas regras para o pagamento de emendas parlamentares impostas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e chanceladas pelo plenário da Suprema Corte.


A execução das emendas foi suspensa em agosto pelo STF para que o Congresso aprovasse uma legislação que desse mais transparência e rastreabilidade aos recursos. Câmara e Senado aprovaram a proposta, que foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Na última semana, Dino liberou o pagamento dos recursos, mas condicionou a execução à adequação de novas regras, mais rígidas do que as que foram definidas pela lei sancionada. A ação desagradou os congressistas.


Pressionado pelo Congresso, o governo federal pediu, nessa terça-feira (3), a liberação de R$ 7,8 bilhões em recursos de emendas parlamentares. Um ofício da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação com o Congresso, solicitou ao secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, a liberação das emendas individuais e de bancada.


 


STF vê margem para rever pontos de decisão sobre emendas  / Governo pediu reconsideração de três trechos, que estão sob análise de Dino- CnnBrasil 5/12


O Supremo Tribunal Federal (STF) vê espaço para ajustes na decisão que liberou o pagamento de emendas parlamentares, mas sob condicionantes bem mais severas do que as acordadas entre o Congresso Nacional e o governo federal.


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Fontes que acompanham o desenrolar do caso afirmam que o ministro Flávio Dino, relator, vai examinar “com carinho” as alegações da Advocacia-Geral da União (AGU) e, caso elas sejam convincentes, “não terá dificuldades” de reavaliar trechos da decisão.


A AGU acionou o Supremo na noite de terça-feira (3) para pedir a reconsideração de uma série de exigências feitas por Dino e depois referendadas por unanimidade pelo plenário da Corte.


Esses pontos são:


•          a aprovação, pelo Poder Executivo, de um “plano de trabalho” para as emendas Pix;


•          a identificação nominal dos parlamentares solicitantes ou autores das emendas de comissão;


•          e a regra para corrigir o valor de todas as emendas a partir de 2025.


Conforme mostrou a CNN, o pedido do advogado-geral da União, Jorge Messias, replica exatamente as insatisfações que vêm sendo externadas pelos líderes da Câmara dos Deputados em relação à decisão do Supremo.


No que diz respeito às emendas de comissão, por exemplo, Messias diz que, embora as indicações sejam dos líderes partidários após consulta às bancadas, é obrigatório apresentar ata com o posicionamento de cada parlamentar, o que garante a transparência.


O recurso está nas mãos de Dino, que em um primeiro momento deve se manifestar individualmente sobre os argumentos do governo federal. Depois, se for o caso, levará novamente o caso a plenário.


Interlocutores do ministro dizem que ele vai examinar o recurso com “boa vontade” – pesa para isso as relações amigáveis que ele tem com Messias – de quem foi colega de Esplanada quando ministro da Justiça – e com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Uma fala do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, sobre as emendas também foi interpretada como um indicativo de que a Corte tem uma certa flexibilidade em relação ao tema.


Em evento do portal jurídico Jota, Barroso defendeu a decisão da Corte, mas disse que “se tiver algum ponto relevante a ser reconsiderado, nós [ministros do Supremo] vamos repensar”.


 


Área econômica atribui reação do mercado a 'assimetria de informações' / Técnico vê descasamento de expectativas criadas a partir de vazamentos de partes das medidas e o que de fato acabou sendo anunciado pelo ministro Fernando Haddad- Painel – Folha SP 6/12


Fábio Zanini


Danielle Brant


A área econômica do governo atribui a disparada do dólar e a reação do mercado financeiro ao pacote de ajuste fiscal a um descasamento de expectativas criadas a partir de vazamentos de informações pontuais e o que de fato acabou sendo anunciado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda).


Segundo ele, os analistas de mercado, a partir dos vazamentos, fizeram cálculos que esperavam ver concretizados. Ao mesmo tempo, causou mal-estar a divulgação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, algo que não estava previsto no pacote inicial. O problema foi tão agudo que obrigou os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a irem a público dizer que esta pauta é apenas para 2025.


A avaliação otimista do governo é que, conforme os agentes econômicos forem tendo mais informações a respeito das medidas, a reação vai arrefecer, com o dólar caindo abaixo de R$ 6. Isso se intensificará com a eventual aprovação pelo Congresso das medidas já propostas.


O governo martela na tecla de que o pacote é um ajuste para manter de pé o arcabouço, insistindo na economia de R$ 30 bilhões para 2025, além dos cortes já anunciados de R$ 25 bilhões neste ano.


Segundo uma pessoa que participou das discussões, os ajustes servem para garantir espaço para os gastos discricionários, que estavam sendo "esmagados" com o crescimento dos obrigatórios.


Após rusgas, PT abraça medidas de Haddad e põe mercado como alvo / Partido tem histórico de posturas dissonantes com a Fazenda, mas poupa críticas ao pacote fiscal e exalta mudanças no IR- O Globo 6/12


Caio Sartori


Ao contrário de outros momentos em que o Ministério da Fazenda estudou medidas de viés mais simpático à cartilha do mercado financeiro, o PT abraçou nas últimas semanas o pacote fiscal anunciado pelo ministro Fernando Haddad, filiado ao partido desde 1983. Em casos passados, como a discussão envolvendo impostos sobre combustíveis, alterações nos gastos com Saúde e Educação e a revisão da meta fiscal, por exemplo, houve tensão entre a sigla e a pasta.


Pensadas como forma de dar um recado de equilíbrio dos gastos do governo a longo prazo, as iniciativas foram mal recebidas no mercado por causa da inclusão do que Haddad classificou como “revolução” no imposto de renda — justamente o ponto que tem feito petistas enaltecerem o pacote e não atacarem os cortes.


“Corrigir essa injustiça (no imposto de renda) não pode receber prioridade menor que as medidas de contenção de gastos anunciadas no mesmo conjunto pela Fazenda, qualquer que seja o pretexto. O país e o Congresso não devem se curvar à chantagem do mercado e de seus porta-vozes, que já estava prevista muito antes do anúncio feito”, publicou nas redes sociais a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.


Se o IR levou a demonstrações públicas de apoio, petistas e aliados têm reclamado, de forma reservada, das mexidas em programas sociais.


A isenção aos trabalhadores que ganham até R$ 5 mil é uma promessa da campanha de Lula. Apesar de a reação do mercado ter elevado o dólar e colocado em xeque o objetivo original de sinalizar para a estabilidade das contas públicas, há quem avalie que o governo conseguiu transformar o bloco de ideias em algo positivo para a população, já que o IR dominou a repercussão sobre o anúncio de Haddad. É a isso que o PT se agarra.


— O ministro apresentou uma proposta que converge com as ideias defendidas historicamente pelo PT que apontam para a justiça tributária. A bancada do PT apoia Haddad e estará na linha de frente da defesa das medidas — afirmou o deputado federal Lindbergh Farias (RJ), que assumirá a liderança petista na Câmara em 2025, à newsletter Jogo Político, do GLOBO.


Na semana passada, Lindbergh divulgou por lista de transmissão um texto em que anuncia o embate com a Faria Lima: “O mercado está atacando o pacote de justiça tributária apresentado pelo presidente Lula porque ele enfrenta privilégios e beneficia quem mais precisa”, escreveu.


Antes, em dezembro de 2023, o parlamentar havia criticado a visão de Haddad sobre a importância de não permitir deficit nas contas do governo, na esteira de uma discordância entre Gleisi e o ministro. Durante evento do próprio PT, a presidente defendeu a expansão de gastos para impulsionar o crescimento do país, mesmo que isso gerasse déficit de até 2% do PIB. O chefe da Fazenda rebateu e reforçou o posicionamento pró-déficit zero. Lindbergh, então, foi às redes em defesa de Gleisi.


No mesmo período, a direção do partido aprovou uma resolução que pregava contra o “austericídio fiscal”.


Quando a Fazenda estudou enquadrar gastos com Saúde e Educação nas regras do arcabouço fiscal, Gleisi classificou como “boa leitura” uma coluna no UOL que repudiava a ideia. Já no mês passado, na esteira das discussões sobre o pacote fiscal, o partido produziu o manifesto “Mercado financeiro e mídia não podem ditar as regras do país”. A equipe de Gleisi alega que o texto não era uma pressão ao governo.


O primeiro embate entre a direção petista e a Fazenda se deu no início do mandato, quando ainda se discutia a continuidade das desonerações de impostos sobre combustíveis implementadas sob Jair Bolsonaro (PL). Gleisi defendeu a manutenção, ciente do impacto político que um aumento no preço da gasolina poderia acarretar. Preocupado com perdas na arrecadação, Haddad foi contra.


A briga com o mercado marcou o posicionamento de vários petistas nos últimos dias, incluindo o próprio Lula. “O PIB de 2024 não vai ser 1,5% como o mercado previu, vai ser maior que 3%. E aos poucos vamos retomando a normalidade e melhorando a vida dos brasileiros, apesar de quem torce contra”, publicou o presidente na quarta-feira.


Irritou os petistas a pesquisa Quaest que mostrou rejeição de 90% a Lula no mercado financeiro. O ministro da Secom, Paulo Pimenta, elencou dados positivos da economia no governo Lula e lamentou a repercussão do levantamento, que ouviu 105 gestores, economistas, analistas e tomadores de decisão.


 


Mercado tenta desestabilizar o governo e antecipar eleição de 2026, diz Rui Costa / Reação do ministro da Casa Civil foi em resposta à pesquisa com economistas de 105 fundos de investimento, que mostrou que 90% deles têm uma avaliação negativa sobre o governo Lula- Valor 5/12


Fabio Murakawa


O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse nesta quinta-feira (5) que o mercado está tentando desestabilizar o governo e antecipar o processo eleitoral de 2026. Referindo-se à alta do dólar após o anúncio do pacote de corte de gastos do governo, Rui Costa demonstrou irritação com uma pesquisa Quaest com economistas de 105 fundos de investimento, que mostrou que 90% deles têm uma avaliação negativa sobre o governo Luiz Inácio Lula da Silva.


Ao discursar em um seminário do PT em Brasília, Rui Costa disse que "o país está crescendo para a economia real, não para os especuladores".


“A gente fazer disputa da narrativa ocupando cada rádio desse país, cada blog, cada conta de Instagram, Facebook, TikTok, seja o que for", disse. "Porque o que eles estão fazendo é antecipar as eleições de 2026, trazendo para o presente uma tentativa de desestabilizar o governo. Mas, mais do que nunca, o presidente Lula está sereno e convicto de como nós vamos chegar em 2026."


Ao deixar o evento, ele foi questionado a quem se referia quando disse que "eles" estão tentando desestabilizar o governo e antecipar o processo eleitoral.


"Talvez os 90% dos 105 entrevistados naquela pesquisa. Talvez eles queiram fazer isso. Porque os números reais não apontam para isso", respondeu. "Então, se as pessoas não querem se curvar aos dados e aos fatos, eu só posso supor que tem outros parâmetros com os quais eles estão trabalhando. E eventualmente pode ser um parâmetro político e eleitoral, que eles têm o direito de ter. Mas isso tem que ser explicitado. Porque se você não explicita informações técnicas, qualquer um e eu podemos levantar a hipótese de ter uma pretensão política nesse tipo de ato especulativo contra o Brasil."


O ministro disse ainda que está "aberto a sentar com os 105 para que eles digam quais são os indicadores que sinalizam para um nível de dúvida do compromisso e do alinhamento do conjunto de despesas ao arcabouço fiscal".


Votação da urgência ao pacote de ajuste fiscal


Rui Costa disse ainda que a votação apertada de ontem na Câmara, em que os deputados por apenas três votos aprovaram a urgência na tramitação do pacote de cortes de gastos, se deve a "uma instabilidade com a questão das emendas".


"A votação reflete também uma instabilidade com a questão das emendas parlamentares, todos sabem disso. Até então, as emendas estavam totalmente bloqueadas e há uma insatisfação parlamentar sobre a não execução das emendas em função do bloqueio por decisão judicial", afirmou. "Só nesta semana tivemos o desbloqueio parcial ou condicionado das emendas. Então, acho que a votação apertada é muito reflexo disso. Vamos intensificar o diálogo."


Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu liberar o pagamento de emendas parlamentares, que estavam bloqueadas desde agosto. O bloqueio ocorreu porque o ministro Flávio Dino havia considerado que as emendas não atendiam a critérios de transparência e rastreabilidade.


A liberação das emendas, no entanto, aconteceu sob condições impostas pela Corte. Uma delas estipula que as emendas de comissão devem ser liberadas com a devida identificação dos parlamentares. E que cabe ao executivo aferir a transparência e liberar caso a caso.


O Congresso cobra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convença Dino, que foi seu ministro da Justiça, a recuar nas exigências feitas para a execução das emendas.


Buscando esfriar o clima no Congresso, o governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte recue das mudanças feitas nas regras das emendas parlamentares e mantenha os termos do projeto de lei complementar (PLP) aprovado no Parlamento.


O pedido foi protocolado na terça-feira (3) e focou em três pontos: a exigência prévia de plano de trabalho para as chamadas "emendas Pix" (transferências especiais); a identificação nominal do parlamentar nas emendas de bancada e de comissão; e o estabelecimento de critérios para limite de crescimento de despesas com as emendas.


 


PT/GLEISI HOFFMANN: SE FOSSE PARA SATISFAZER GANÂNCIA DO MERCADO FINANCEIRO,P/ QUE SERVIRIA PT?- Broadcast 5/12


Por Caio Spechoto


Brasília, 05/12/2024 - A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, colocou o partido contra a “ganância insaciável do mercado financeiro” em discurso no seminário da legenda há pouco. O evento, que ainda está em andamento, é realizado em Brasília.


“Se for para satisfazer a ganância insaciável do mercado financeiro, com juros estratosféricos e assistindo passivamente a especulação com o câmbio, para que serviria o PT?”, declarou a petista. Ela fez afirmações similares sobre injustiça tributária e sacrifício de aposentados. Citou, em tom de crítica, o corte de despesas promovido pelo presidente da Argentina, Javier Milei.


A presidente disse que o partido só entrou agora em discussões que outras forças políticas estão há tempos, como uso de redes sociais, porque passou “os últimos 10 anos” lutando contra a Lava Jato - ela não citou o nome da operação, mas é a ela que se referia. “Esse era o foco de debate e o centro da nossa luta”, declarou ela.


 


Lula quer turbinar comunicação do governo e conversa com o publicitário Sidônio Palmeira / Presidente volta a discutir reforma ministerial e estuda uma forma de abrigar marqueteiro- Folha SP 6/12


O presidente Lula (PT) voltou a discutir uma reforma ministerial para melhorar a performance de seu governo. A ideia é começar as mudanças pelo Palácio do Planalto, mexendo justamente no tabuleiro do PT.


TABULEIRO FEDERAL


Lula já reafirmou a dezenas de interlocutores que pretende turbinar a área de comunicação do governo. Há cerca de dois meses ele passou a convidar o publicitário Sidônio Palmeira para encontros constantes em Brasília e já sondou o profissional para fazer parte do governo. A ideia é abrigá-lo em um ministério no Palácio do Planalto.


TABULEIRO 2


De acordo com ministros de Lula, o presidente quer que Sidônio tenha a partir de agora o mesmo papel que os marqueteiros Duda Mendonça e João Santana tiveram em governos anteriores, dele e de Dilma Rousseff. Ele já teria começado a cumprir a missão ao participar da concepção do discurso do pacote fiscal lançado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na semana passada.


TABULEIRO 3


Duda orientava discursos e posicionamentos, supervisionava peças publicitárias e conversava com Lula constantemente. Santana tinha um peso ainda maior pois era ouvido por Dilma em quase todas as questões.


TABULEIRO 4


Pelos desenhos discutidos, Sidônio poderia ocupar a Secretaria de Comunicação da Presidência, hoje comandada pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS). É neste ponto que começam os problemas.


TABULEIRO 5


Lula tem grande apreço por Pimenta e não quer afastá-lo do Planalto. Isso explicaria a demora em formalizar um convite a Sidônio.


TABULEIRO 6


Pimenta poderia ser deslocado para a Secretaria-Geral, hoje ocupada por Márcio Macedo, que seria então deslocado para uma estatal. Nada ainda foi definido, no entanto, por Lula.


TABULEIRO 7


De acordo com um interlocutor, Pimenta e Macedo podem inclusive permanecer no mesmo lugar —e Sidônio, em vez de ocupar um cargo oficial, seguiria mais fielmente o formato de colaboração de Duda e Santana. Os dois nunca ocuparam cargos, mas eram mais poderosos do que boa parte dos ministros dos governos que orientavam.


O economista e escritor Paulo Nogueira Batista Júnior recebeu convidados para o lançamento de seu novo livro, "Estilhaços", na terça-feira (3). A engenheira civil e mulher do autor, Lavínia Lima, o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) e a atriz e apresentadora Maria Paula Fidalgo marcaram presença no evento realizado na Livraria da Travessa do shopping Iguatemi, em São Paulo.


com JOELMIR TAVARES, KARINA MATIAS, LAURA INTRIERI e MANOELLA SMITH


 


Corrente petista cobra melhoria na comunicação e pedirá que governo Lula use mais rede de rádio e TV / Percepção geral é de que o Planalto está divulgando mal feitos da gestão- Valor 5/12


Fabio Murakawa


Corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB) apresentará ao diretório nacional do partido uma resolução pedindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilize mais vezes as cadeias de rádio e TV para se comunicar com a população. O diretório reúne-se no sábado (7) em Brasília.


Segundo um parlamentar petista, existe uma percepção geral no partido de que o Planalto está comunicando mal os feitos do governo. Lideranças da legenda, além disso, avaliaram positivamente o pronunciamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quando anunciou a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 50 mil juntamente com o pacote de corte de gastos do governo.


Leia também:


A comunicação do governo e da militância em defesa de Lula foi tema de discursos num seminário do PT realizado na quinta-feira (5) em Brasília, prévio à reunião do diretório.


Presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto afirmou que é preciso “discutir a questão da comunicação política”: “Se a gente fala bastante, mas não convence vocês, nosso trabalho é jogado fora. Mas, se a gente discute, ouve e debate e usa todas as ferramentas para convencer o cidadão dos nossos projetos, e coloca essas pessoas em movimento, estamos fazendo política.”


Líder do governo na Câmara, José Guimarães afirmou que “a principal tarefa da direção do PT não é só defender o governo”. Segundo ele, também “é preciso que o governo se conecte com toda essa militância do PT espalhada no Brasil inteiro, dando a essa militância o crédito por tudo o que o governo está fazendo”.


 


Piora de ativos antecipa deterioração da economia, dizem gestores / Leitura é a de que Brasil perdeu benefício da dúvida e terá de trabalhar com taxas de juros mais altas para recuperar confiança de investidores- Valor 5/12


Adriana Cotias


Embora as condições macroeconômicas do Brasil mostrem números ainda favoráveis, o país perdeu nas últimas semanas o “benefício da dúvida” e deve ser forçado a trabalhar com taxas de juros mais altas para recuperar a confiança dos investidores. Segundo Thomas Wu, economista-chefe da Itaú Asset, essa combinação deve levar a Selic para a casa dos 15% ao ano, dos 11,25% atuais. O IPCA previsto para 2025 é de 6%, o dobro da meta perseguida pelo Banco Central.


O dólar, que no início do ano estava cotado abaixo de R$ 5,00 e superou os R$ 6,00 recentemente, também é fruto dessa quebra de confiança. “Não é que o Brasil era um país solvente e agora esteja quebrado, mas no subjetivo sofreu os custos dos eventos das últimas semanas”, disse Wu ao participar de evento da Itaú Asset.


Na tentativa do governo colocar o arcabouço fiscal de pé, em vez de um programa de corte de gastos que recuperasse a confiança, veio um “baita corte de imposto para uma faixa da população com propensão enorme a consumir, num contexto de inflação alta, muito desancorada”, disse Mariana Dreux, gestora do multimercado Itaú Yield Plus . “A gente está vivendo uma crise de desconfiança fiscal e o meu receio é que passe a viver paralelamente uma crise de desconfiança monetária.”


Ao longo do ano, ela comentou que o maior resultado do fundo veio das posições pessimistas em Brasil, apostando em juros mais altos e num real mais depreciado. “A gente está tentando examinar eventos mais agudos, porque eu não tenho garantia de que, se alguém chegou na beira do precipício cinco vezes e não caiu, que ela nunca vá cair”, disse. “A gente está com esse olhar realmente de caudas (de eventos extremos), tentando não se prender muito a um cenário de normalidade, porque eu acho que desde a implementação do Plano Real, o Brasil está num dos momentos mais críticos.”


O plano de estabilização monetária completou 30 anos, mas o Brasil ainda não roda com inflação e juros baixos, disse Wu. Tem inflação mais controlada, foi uma vitória, mas não consegue ter uma Selic menor. “É um paciente que saiu da UTI, até do hospital, mas precisa de doses cavalares de antibiótico e isso tem efeitos colaterais na saúde”, comparou Wu. Ele ressaltou que “a versão atual do arcabouço é inconsistente internamente”. Com gastos crescendo mais do que as receitas, a estrutura colapsa.


Os investidores que financiam o Brasil e compram títulos públicos seja no Tesouro Direto, via fundos, ou o estrangeiro que administra um fundo de pensão, começam a duvidar da capacidade do governo de pagar suas obrigações, comentou Wu. “Justo ou injusto, se a pessoa desconfia que vai ter mais inflação, ela se protege, vende pré, compra pós e pressiona a inflação implícita, se protege no dólar.” Num primeiro momento, isso tem efeitos sobre os ativos, mas se a confiança não é resgatada, começa a ter custos reais para a economia.


Sem demonizar subsídios, Wu disse que a política monetária perde potência diante de estímulos fiscais e parafiscais. Outro fator que tem contribuído é o volume gigante de emissão de dívida privada, compensando eventual contração do crédito bancário. Com a Selic a 15%, o PIB poderia desacelerar de 3,6% neste ano para 2,6% em 2025.


Quando se compara o mundo pré-pandemia e aquele que emergiu da crise sanitária, Dreux comentou que os governos têm encontrado dificuldades para tirar os programas de transferência de renda que usaram para auxiliar empresas e famílias. O Brasil está inserido nesse contexto.


“Não por acaso a gente tem colhido ritmos de crescimento das economias globais muito mais fortes do que se esperava e um nível de inflação muito mais forte do mundo inteiro, incluindo as economias desenvolvidas que experimentaram inflação mais alta em 40 anos”, lembrou a gestora. “Se antes tinha juros reais negativos nos Estados Unidos, nas economias desenvolvidas, agora tem um juros real gordinho por lá e o Brasil tem que competir com isso.” Nesse relativo, a situação fiscal tem sido avaliada com lupa.


Com um impulso fiscal concentrado no primeiro semestre, não foi surpresa o juro real brasileiro ter superado os 7%, disse Bruno Serra, ex-diretor de política monetária do BC, hoje à frente dos multimercados da família Janeiro. “Num gasto público que cresce acima de dois dígitos, acima da inflação, é claro que não era suficientemente restritivo”, afirmou. Ele acrescentou que será surpresa se o juro real implícito na curva, de 9%, não fizer efeito com um gasto fiscal primário que deve crescer perto de zero real no segundo semestre até o fim do ano que vem.


Bruno Back, gestor da família Itaú Artax, disse não ter convicção de que uma Selic em 15% será suficiente para levar a inflação para perto da meta de 3%. Se por um lado há desaceleração dos gastos do governo federal, por outro há despesas parafiscais e governos estaduais pressionando a conta. Se hoje o mercado projeta um IPCA de 4,5% para 2024 no Focus, ele acha que rapidamente vai migrar para os 5%. Ele prevê 6%. “Eu tenho uma certa preocupação desse número ser até mais alto, dado o choque cambial que teve neste ano.”


 


Dinheiro de fundos em pacote de Haddad deveria abater dívida, dizem economistas / Proposta afastaria incertezas que rondam a desvinculação de oito fundos prevista em medidas de ajuste fiscal do governo- Folha SP 5/12


Adriana Fernandes


Economistas ouvidos pela Folha defendem que o Congresso deixe claro na votação do pacote fiscal que a desvinculação de recursos de oito fundos públicos proposta pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja usada para abater a dívida pública.


De acordo com esses especialistas, a intervenção do Congresso nesse ponto é necessária para evitar incertezas para as contas públicas.


A medida, que consta no pacote anunciado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), colocou em lados opostos o governo e especialistas em contas públicas e deixou no ar suspeitas do que estaria por trás da proposta.


Enquanto o governo diz que a desvinculação de recursos tem como objetivo facilitar a gestão orçamentária e gerar economia de despesas nos fundos nos quais há obrigação de aplicação de recursos, o mercado financeiro vê risco de a medida ter sido formulada para reforçar o caixa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e turbinar empréstimos com taxas subsidiadas.


O dinheiro liberado dos fundos pode ser usado para bancar despesas do orçamento. A medida foi incluída no PLP (Projeto de Lei Complementar) 210, protocolado na semana passada pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).


Hoje, o superávit financeiro dos fundos fica parado na conta única do Tesouro Nacional, onde está depositado o dinheiro do governo. Na prática, o Tesouro tem a verba em caixa mas não pode gastar. Os recursos só podem ser utilizados nas áreas às quais o fundo está vinculado.


Pelo texto do projeto do governo, de 2025 a 2030 o superávit financeiro relativo a uma lista de oito fundos será de livre aplicação. São eles: FDD (Defesa de Direitos Difusos), Funad (Antidrogas), FNM ( Marinha Mercante), FNAC (Aviação Civil) e FUNSET (Segurança e Educação de Trânsito), além dos fundos do Exército, Aeronáutico e Naval. Em 2023, esses fundos tinham um saldo positivo parado de R$ 39 bilhões.


Técnicos do governo negam que a desvinculação do superávit dos fundos será feita para cobrir buraco em outras despesas. Eles explicam que a medida tem o objetivo de gerar menos dívida ao Tesouro Nacional e de usar os recursos que hoje ficam "congelados" nos fundos por conta das vinculações.


O governo diz que a medida é preventiva também para evitar impacto nas contas de decisões judiciais que obriguem o governo a orçar a despesa desses fundos, o que ocuparia espaço no orçamento. É o caso de uma decisão do STF (Supremo Tribunal do Federal) relativa ao FDD, voltado para reparar danos causados a bens, interesses difusos, coletivos, ao consumidor e ao meio ambiente.


Sem a desvinculação proposta no pacote, um integrante da equipe econômica calcula que o governo seria obrigado a orçar cerca de R$ 2,6 bilhões no orçamento de 2025 só para o FDD.


Para o economista Manoel Pires, coordenador do CPFO (Centro de Política Fiscal e Orçamento Público) do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), falta deixar mais claro no projeto de lei o que o governo pode fazer com o dinheiro desvinculado.


"A hipótese mais provável é que o governo use para pagar a despesa do orçamento já contratada para ganhar flexibilidade de caixa e para pagar a dívida. Eu acho que essas são as duas finalidades principais. Mas poderiam colocar no projeto", diz ele.


Segundo o economista, com a confusão gerada em torno da medida, a tendência é os parlamentares fazerem esse ajuste no texto na hora da votação para deixar mais claro na lei o alcance da medida.


"Do jeito que está hoje, está completamente livre", ressalta Pires. Consultado por diversos integrantes do mercado financeiro sobre a medida, o coordenador do CPFO diz que a preocupação maior que ronda os investidores é que o dinheiro seja usado para emprestar dinheiro ao BNDES.


Pires explica que, com a desvinculação, o Tesouro não precisará emitir dívida para pagar despesas e poderá, por exemplo, usar o superávit para gastos da Previdência Social.


"É como se eu tirasse dinheiro da poupança e botasse na conta corrente. A decisão de gastar é outra decisão. Essa é a decisão de como pagar o gasto. São coisas diferentes", ressalta.


Para o pesquisador associado do Insper, Marcos Mendes, será bem-vinda uma medida para abater a dívida. "Se efetivamente o governo decidir usar a desvinculação dos fundos para pagar a dívida pública, será uma medida com uma mudança muito positiva na postura de política fiscal porque até agora as decisões tomadas foram no sentido de desvincular recursos para enviar para bancos públicos", diz ele, que é um crítico ferrenho de medidas parafiscais (fora do Orçamento), como o uso do dinheiro dos fundos para irrigar os empréstimos do BNDES.


Mendes ressalta que a utilização do superávit para pagar dívida diminui a dívida porque o governo terá que se endividar menos para cobrir o déficit esperado. "É um dinheiro que estava parado na conta e você paga a dívida com isso", afirma.


Na sua avaliação, outra forma positiva de utilizar esse dinheiro seria pagar despesa obrigatória. Mas com um detalhe: "Sem liberar dinheiro que seria usado para pagar as despesas obrigatórias para pagar outros gastos."


"Se o governo usar esse dinheiro para pagar essas despesas obrigatórias, vai precisar ir ao mercado e pegar menos dinheiro", explica.


Para Mendes, a pior forma de utilizar o superávit dos fundos é repassar para os bancos públicos, para essas instituições financeiras fazerem crédito. "Aí, perdeu-se a oportunidade de abater dívida pública ou de se endividar menos e está colocando um dinheiro que vai pressionar a demanda agregada, que vai expandir crédito", diz.


"Se desvincular e mandar para o BNDES, ele faz o que quiser com esse dinheiro. Empresta em qualquer linha e o dinheiro sai rápido, desembolsa rápido", prevê.


Ex-secretário do Tesouro e especialista em contas públicas, Jeferson Bittencourt diz que o Congresso poderá provocar uma reação positiva do mercado, se deixar claro no pacote fiscal a obrigação de abater a dívida.


"Não sei se por falta de compromisso, o governo não deixou claro que era para abater dívida, já que a mensagem é tão dicotômica: abater dívida, reação boa; deixar recursos livres para o BNDES emprestar, reação ruim", sugere Bittencourt, que atualmente é chefe da área de macroeconomia da instituição financeira ASA.


Juntar pacote fiscal com isenção de IR foi ‘tiro no pé’, diz Christopher Garman / Diretor-executivo da Eurasia avalia que anúncio de medidas de contenção de gastos com isenção do Imposto de Renda prejudicou estratégia do governo- CnnBrasil 6/12


Jorge Fernando Rodrigues


O cientista político Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, empresa de consultoria e análise de risco, criticou a decisão do governo brasileiro de anunciar o pacote de corte de gastos junto com a ampliação de isenção do Imposto de Renda (IR). Segundo ele, essa estratégia foi um ‘grande tiro no pé’.


Após semanas de expectativa do mercado financeiro, o governo enviou ao Congresso Nacional, no início da semana, uma proposta de corte de gastos obrigatórios que prevê uma economia de cerca de R$ 70 bilhões para os próximos dois anos, incluindo mudanças nas regras sobre o salário mínimo e o abono salarial. Até 2030, a economia seria de R$ 327 bilhões, segundo cálculos da Fazenda.


O governo também pretende encaminhar ao Congresso uma proposta para elevar a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. A medida, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de novembro, deve causar um impacto fiscal de R$ 35 bilhões em perda de arrecadação, segundo o próprio ministério.  


Em contrapartida, a equipe econômica anunciou uma taxação mínima de 10% para quem recebe R$ 600 mil ao ano, o equivalente a R$ 50 mil por mês.


Garman explica que a equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, da Fazenda, até obteve êxito em convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a necessidade de ajustar as contas públicas. Ele afirma que a preocupação com a dívida pública tem contribuído para a desvalorização do real nos últimos meses, gerando expectativas de inflação mais altas e pressionando o Banco Central (BC) a aumentar os juros.


“O argumento da equipe econômica foi que, se nós não fizermos os ajustes das contas agora, não teremos condições para poder permitir que o Banco Central possa reduzir juros lá na frente”, disse.


No entanto, o diretor da Eurasia avalia que o incômodo político gerado por esse anúncio foi o que levou o presidente Lula a também propor uma medida mais eleitoreira, como a isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil.


O diretor da Eurasia argumenta que essa combinação de medidas gerou preocupações sobre a capacidade de financiar a isenção e potencialmente aumentar o consumo e a inflação, contradizendo o objetivo inicial de controle fiscal.


“Isso não apenas gera uma preocupação sobre a capacidade de financiar essa isenção, mas também é uma política que gera mais consumo e, portanto, mais inflação exatamente quando o intuito do governo é tentar controlar esse impulso mais inflacionário. O resultado foi um dólar mais forte, expectativas de inflação crescentes e maiores dificuldades para o Banco Central”, observou.


Cenário externo desfavorável


O cientista político também destaca que o momento é particularmente delicado devido ao cenário externo. As políticas do governo Donald Trump, nos Estados Unidos, incluindo medidas tarifárias mais duras e uma postura anti-imigração mais ferrenha, somadas à falta de melhoria nas contas públicas americanas, tendem a gerar mais inflação global e fortalecer o dólar.


“Tudo isso gera mais inflação e isso também se traduz em um dólar mais forte e moedas de mercados emergentes, como a do Brasil, mais desvalorizadas. Em outras palavras, exatamente quando o governo precisava dar um sinal construtivo para se proteger perante um ambiente externo mais adverso, ele fez justamente o oposto”, afirmou.


“Isso se traduz, no Brasil, com juros mais elevados, câmbio mais depreciado, mais inflação e, politicamente para 2026, gera mais riscos para o presidente Lula nesses próximos anos”, concluiu.


 


Reforma Tributária: parecer de relator no Senado deve manter itens da cesta básica e ampliar cashback / Relator e deputados esperam que a previsão de alíquota padrão seja menor que 28%, mesmo com carnes na cesta- O Globo 6/12


Victoria Abel


O parecer da regulamentação da Reforma Tributária do senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator do texto no Senado, deve seguir a maior parte do que foi aprovado na Câmara, incluindo a manutenção de itens da cesta básica, como carnes e queijos. O relatório será divulgada na segunda-feira.


De acordo com auxiliares que acompanham as negociações, as alterações de mérito feitas pelos deputados serão preservadas. A maior parte das modificações serão redacionais, com o objetivo de dar maior segurança jurídica a matéria.


Entre umas das poucas mudanças de mérito, Braga deve ampliar o alcance do cashback, a devolução dos impostos pagos sobre produtos para população de baixa renda. Hoje, o texto da Câmara prevê 100% de devolução de CBS na compra de botijão de gás, 100% para energia elétrica, água e esgoto e 20% de devolução nas demais compras.


A forma de ampliação não foi detalhada pelos interlocutores que participaram de encontros com o relator, mas o próprio Ministério da Fazenda chegou a cogitar o aumento no percentual de devolução para “demais casos”, durante a tramitação na Câmara, o que não avançou na época.


Eduardo Braga e deputados que participaram do debate da Reforma Tributária na Câmara avaliam que mesmo com a manutenção de uma cesta básica maior, de devoluções e incentivos para a Zona Franca de Manaus, a alíquota padrão deve ficar menor do que o valor de 27,99% estimado pela Fazenda. Para eles, a diminuição da sonegação e do contencioso judicial nos primeiros anos de transição, entre 2026 e 2032, já devem levar a uma queda da alíquota para cerca de 25%.


O relator do Senado ainda irá afinar o texto final com deputados, antes da votação no plenário do Senado, para que o retorno da proposta à Câmara tenha uma tramitação rápida. Dessa forma, se acordado, os deputados aprovariam o novo texto do Senado, e não escolheriam o antigo da Câmara.


— Conversamos com ele e acreditamos que há entendimento com o texto e os melhoramento do Senado. A tendência é acompanharmos esse texto. Se não concordarmos com algum dos termos, vamos trabalhar juntos para chegar com o texto redondo na Câmara e votar a versão do Senado em plenário — disse o deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que faz parte do grupo de trabalho da Reforma na Câmara.


Cesta básica


No texto original do governo para a regulamentação, a cesta básica tinha 15 itens, entre eles: arroz, feijão, pão e leite. Os deputados acrescentaram carnes, queijos, todos os tipos de farinha, aveia, sal e óleo de milho, somando 22 itens.


Armas


A tendência do relator também é acatar emendas que solicitam a reinclusão de armas e munições no imposto seletivo, o que foi retirado em plenário pelos deputados.


Zona Franca de Manaus


O senador já sinalizou anteriormente que deve incluir no texto uma isenção de CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) para o comércio na Zona Franca de Manaus. Hoje, o texto que veio da Câmara dos Deputados permite a isenção de CBS para quem está na Zona Franca e compra produtos de fora do local, mas não para a revenda local.


Braga explicou que se um produto for comprado por uma empresa da Zona Franca, de outras empresas de fora, a companhia consegue uma alíquota zero de CBS, mas se a mesma empresa que comprou com isenção for revender o produto dentro da Zona Franca, seria aplicado o imposto para o consumidor final. Para ele, isso pode causar uma distorção e levar consumidores a comprarem direto de empresas de fora da Zona Franca, pelo meio virtual, por exemplo.


 


TCU livra Banco Central em processo de R$ 1 trilhão / Tribunal aprovou contas de 2019 da autarquia que possuíam distorções em demonstrações contábeis- Painel S.A – Folha SP 6/12


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deixa o mandato com uma importante vitória no TCU (Tribunal de Contas da União). A corte de contas aprovou sem ressalvas os números da autarquia de 2019, primeiro ano do mandato de Jair Bolsonaro, após analisar supostas inconsistências contábeis de R$ 1 trilhão apontadas pela CGU (Controladoria-Geral da União) no balanço do BC naquele ano.


Como noticiou o Painel S.A., aliados do presidente Lula no Congresso avaliaram usar esse processo para forçar a saída de Campos Neto do BC no momento em que o presidente Lula o criticava por resistir à redução da taxa básica (Selic). As chances, no entanto, eram remotas.


O TCU é o braço do Congresso responsável pelo controle externo do governo federal. Sua missão é a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país.


Embora os auditores do Banco Central tenham explicado ao relator do processo no TCU, ministro Jonathan de Jesus, que não havia nada de errado na contabilidade apresentada, ele defendia a aprovação das contas com ressalvas.


Após diversas visitas de Campos Neto e do futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, aos gabinetes dos ministros, o relator foi convencido a acompanhar os demais integrantes da corte e aprovar as contas do órgão sem ressalvas.


Havia irregularidades apontadas na execução orçamentária da cobertura de déficit do PASBC (Programa de Assistência à Saúde do Banco Central), bem como problemas na conformidade de controles relacionados à execução do OAM (Orçamento de Autoridade Monetária) e do OFSS (Orçamento Fiscal e da Seguridade Social).


Essas distorções contábeis somavam R$ 1,08 trilhão.


Em seu exame, no entanto, a AudBancos, área técnica do TCU responsável pela análise das contas das instituições financeiras estatais, entendeu que a disformidade contábil seria de "apenas" R$ 1,5 bilhão, considerada imaterial ante os ativos e passivos totais do Banco Central, que, em 2019, somavam R$ 3,4 trilhões.


Com Stéfanie Rigamonti

Imprensa pelo mundo

 Manchetes desta sexta-feira


São Paulo, 06/12/2024 - A seguir, as manchetes desta sexta-feira dos principais jornais brasileiros e do mundo:


O Estado de S.Paulo (SP)


Sem mexer na PM, Tarcísio diz que estava errado sobre câmeras


Folha de S.Paulo (SP)


Tarcísio diz que estava 'completamente errado' sobre câmera de PMs


Valor Econômico (SP)


Crédito privado avança e amplia peso do mercado de capitais no financiamento à infraestrutura


O Globo (RJ)


Tarcísio admite erro em críticas a câmeras e diz que vai ampliar uso pela PM-SP


The New York Times (EUA)


Incidentes de Hegseth no trabalho geram dúvidas sobre indicação à Defesa


The Wall Street Journal (EUA)


Assassinato deflagra iniciativa por segurança


Financial Times (RU)


Oferta da Covalis deixa a francesa Suez em linha para gerir cisão da Thames Water


El País (ESP)


PP bloqueia negociação para distribuição de imigrantes menores


Correio Braziliense (DF)


"Tenho sido maltratado pelo governo federal", diz Ibaneis


Zero Hora (RS)


Avança a regulamentação da inteligência artificial


Diário do Nordeste (CE)


PF investiga esquema de compra de votos


Jornal do Commercio (PE)


Refinaria Abreu e Lima chega aos 10 anos ainda sob promessa de pleno desenvolvimento


Broadcast+

OESP 0612

 Estadão: Candidaturas do País a sede do Pan de 2031 criam embate no COB


São Paulo, 05/12/2024 - A Assembleia Geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai decidir após a segunda quinzena de janeiro a candidatura brasileira a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2031. E vai ter saia-justa. São Paulo já havia se lançado, mas agora tem a concorrência de Rio e Niterói, que oficializaram a intenção nesta semana. As cidades fluminenses contam com um aparato recente, que serviu ao Pan de 2007 e à Olimpíada de 2016. Sete anos antes dos Jogos começarem, a competição entre Rio e São Paulo já começou.


A Panam Sports, entidade principal do esporte nas Américas, estabelece o prazo de 31 de janeiro para a oficialização da candidatura brasileira. Cada país pode apresentar apenas uma candidata. O resultado será divulgado na Assembleia Geral da Panam Sports, durante a realização dos Jogos Pan-Americanos Júnior, em Assunção, no Paraguai, no mês de agosto.


A candidatura é lançada em conjunto com o compromisso assumido por governos federal, estadual e municipal em cumprir todos os requisitos necessários para a realização da competição. A intenção de São Paulo foi oficializada em outubro de 2023, quando a última edição do Pan ainda ocorria em Santiago, no Chile. A Prefeitura reiterou seu objetivo em uma carta durante os Jogos Olímpicos de Paris-2024.


Além da disposição para atender os requisitos exigidos, o município argumenta que já recebeu grandes eventos esportivos, como a abertura da Copa do Mundo de 2014, possui estrutura para sediar o Pan e que contará com modernização para atender toda a população paulista e turistas que acompanharão os Jogos.


Uma força-tarefa foi montada no governo municipal, com participação de representantes de cinco secretarias, além da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam) e a São Paulo Turism (SPTuris).


A coordenação é da Secretaria Municipal de Relações Internacionais (SMRI), que era comandada por Marta Suplicy, no lançamento da candidatura. Porém, ela deixou o governo para disputar a eleição deste ano à Prefeitura como vice de Guilherme Boulos. Ricardo Gomyde assumiu o cargo, com a missão de conduzir os trabalhos para conquistar o Pan.


POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA. No mês de setembro, o presidente do COB, Paulo Wanderley, comentou a até então única candidatura, no COB Expo. “Tenho muita confiança nessa candidatura, por tudo que São Paulo é e por tudo que será no futuro. Os Jogos Pan-Americanos são um evento de excelência e tenho a segurança de que, se aprovado, e vai ser, teremos um evento de da mais alta qualidade por aqui”, declarou.


Mas o mandatário também elogiou as cidades fluminenses, após a oficialização da intenção de sediar os Jogos, na terça-feira. “A candidatura compartilhada é uma tendência do Comitê Olímpico Internacional. É um evento poliesportivo. São mais de 30 campeonatos pan-americanos em uma semana, de todas as modalidades”, disse, em evento no Parque Aquático Maria Lenk, um dos legados do Pan de 2007, que está sob concessão do COB até 2028. O local abriga o principal centro de treinamento de alto rendimento do País.


Enquanto São Paulo mantém o desejo de ser sede, Rio e Niterói se lançam já dispostas a exibir sua competitividade. O principal ponto em que apegam é a estrutura existente por causa do Pan de 2007 e dos Jogos Olímpicos nove anos depois.


“Temos uma vantagem comparativa, que é a de não haver a necessidade de grandes investimentos. Os equipamentos esportivos estão prontos, bem cuidados, funcionais e tenho a certeza de que vamos apresentar uma candidatura com muito legado para as cidades, com muito ganho para a população e, acima de tudo, uma candidatura vencedora”, argumentou o prefeito carioca Eduardo Paes.


A decisão da Assembleia será tomada depois de o novo presidente do COB, Marco La Porta, assumir. Apesar de ele representar oposição a Paulo Wanderley, o clima entre os dois é de cooperação para a transição.


Contribui para uma decisão independente da gestão a heterogeneidade da Assembleia. São 34 presidentes das Confederações Olímpicas de Verão e Inverno filiadas ao COB, dois membros brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) e 19 representantes da Comissão de Atletas (CACOB).


Antes do Pan do Rio, o Brasil havia sediado a competição em 1963, justamente em São Paulo. O País participou de todas as edições dos Jogos Pan-Americanos e teve o seu melhor desempenho em 2019, em Lima, quando terminou na segunda colocação. (Leonardo Catto)


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News 0612

 NEWS - 06.12 >> Valor


Governo fará campanha para divulgar isenção do IR / Gestão Lula tenta reverter imagem de que não tem “marca”- Valor 6/12


Fabio Murakawa


O Palácio do Planalto prepara uma campanha publicitária para defender a reforma na tributação de rendimentos anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que prevê a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil com tributação mínima de 10% para quem recebe mais de R$ 50 mil.


A ideia de fazer a campanha, segundo o Valor apurou, tem origem em pesquisas internas do governo que apontam que a proposta tem alto respaldo até mesmo entre quem classifica a gestão como regular ou ruim e péssimo. Também surge da percepção, inclusive entre aliados, que o Lula 3 é um governo “sem marca” e em meio a críticas de petistas de que o governo está comunicando mal suas ações.


Sob pretexto de defender as medidas, as peças miram associar de maneira mais forte as medidas à gestão Lula, na tentativa de conquistar sobretudo simpatizantes entre a população que recebe entre dois e cinco salários mínimos.


Essa é uma faixa que resiste ao governo petista e é vista como fundamental para que o presidente se reeleja em 2026 sem grandes solavancos. É justamente nesse segmento da população que as pesquisas encomendadas pelo Planalto detectaram a maior aprovação à isenção do Imposto de Renda e à tributação dos que recebem mais.


A ideia é colocar a campanha em TVs, rádios e redes sociais tão logo esteja concluída a votação do pacote de cortes de gastos no Congresso, ainda em dezembro.


O anúncio da isenção do Imposto de Renda foi feito na semana passada de maneira conjunta com o plano de contenção de despesas. O movimento do governo surpreendeu a classe política em Brasília, foi visto com desconfiança pelo mercado e levou à disparada do dólar, que pela primeira vez na história rompeu a barreira dos R$ 6.


A avaliação de analistas é que a medida vai na contramão do ajuste nas contas, já que representa renúncia de receitas. A equipe econômica promete que a reforma será neutra do ponto de vista fiscal e propõe compensar as perdas com aumento da tributação sobre os mais ricos.


Na sexta-feira passada, após a moeda americana disparar, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a proposta do governo “não é pauta para agora” e que só será levada adiante "se houver condições fiscais" para tal.


“A questão de isenção de IR [Imposto de Renda], embora seja um desejo de todos, não é pauta para agora e só poderá acontecer se, e somente se, tivermos condições fiscais para isso. Se não tivermos, não vai acontecer. Mas esta é uma discussão para a frente, que vai depender muito da capacidade do Brasil de crescer e gerar riqueza, sem aumento de impostos”, afirmou Pacheco, na ocasião.


Em meio às resistências em relação à medida, o governo adotou a estratégia de enviar ao Congresso primeiro o pacote de corte de gastos, na esperança de vê-lo aprovado ainda neste ano.


O pacote de contenção de despesas inclui, entre outros pontos, novas regras para o salário mínimo, abono salarial e despesas com militares. A expectativa da equipe econômica é que as alterações garantam uma economia de R$ 71,9 bilhões nos próximos dois anos, valor que chegaria a R$ 327 bilhões no período de 2025 a 2030.


Na campanha publicitária, o Planalto também deve incluir peças para enfatizar a defesa da escola em tempo integral. A proposta encontra grande respaldo entre o eleitorado crítico ao governo, como o público evangélico. Portanto, faz parte da estratégia de ampliar o grupo de apoiadores da gestão petista.


O governo já vinha detectando essa tendência há meses. Não por acaso, a proposta de emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos, encaminhada ao Congresso na segunda-feira, possibilita em um de seus artigos até 20% dos recursos da União no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) sejam usados por Estados e municípios para o programa Escola em Tempo Integral.


Segundo o governo, 1 milhão de vagas nesse tipo de escola foram criadas em 2024. O dispositivo visa acelerar a abertura de novas vagas. E a campanha, por sua vez, tentará reforçar que essa é uma marca do governo Lula.


A percepção no Planalto é que, quando o governo tem mais nitidez programática das suas próprias ações, consegue angariar apoio além da própria base política. E que pautas como combate a privilégios e à desigualdade encontram respaldo entre a população.


No caso da isenção do imposto de renda, a medida tem apoio até mesmo entre quem classifica o governo como ruim e péssimo. Esse segmento rechaça a tributação dos mais ricos, segundo captaram as pesquisas encomendadas pelo Planalto. Mas o governo mira os que o classificam como regular.


Com o país polarizado, a popularidade de Lula segue estagnada, de acordo com as pesquisas. O último Datafolha, divulgado em outubro, aponta que 36% dos brasileiros aprovam a gestão do presidente (ótimo/bom), ante 32% que o desaprovam (ruim/péssimo) e 29% que consideram o governo regular.


 


Centrão cobra de Lula fim do ‘governo de amigos’ / Em fevereiro, presidente terá de recompor o ministério para formar um time totalmente alinhado ao seu projeto de reeleição- Valor 6/12


Andrea Jubé


O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Hermes Lima, morto em 1978, e citado nesta coluna na semana passada, dizia que política “é uma atividade para pecador, e pecar é uma das atividades mais fascinantes, contraditórias e perturbadoras que o ser humano pode exercer”.


Aposentado compulsoriamente pela ditadura militar em 1968, pelo AI-5, Lima transitou antes pela política. Foi deputado federal, ministro do Trabalho e chanceler do governo João Goulart. Em uma entrevista de 1977, declarou que o cargo de ministro foi “extraordinário”, mas não tinha a “excitação e os imprevistos” que a vida de deputado proporcionava.


Em observação mais recente, a propósito do impeachment da presidente Dilma Rousseff, um senador - que vem a ser um dos oráculos do Congresso - disse à titular desta coluna, em confidência, que o problema da petista foi não pecar. “O erro da Dilma foi querer rezar terço em casa de meretrício”, traduziu.


Na vida, pecamos por excesso, omissão, e segundo a doutrina católica, pela gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça ou soberba. Na política, até mesmo o líder mais experiente, da estatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pecará se não honrar a palavra acordada ou por omissão, se perder o “timing” de um movimento estratégico, como a dança das cadeiras no primeiro escalão.


Pois Lula, em plena metade de seu terceiro mandato, acha-se sob pressão de lideranças do Centrão, esse grupo de partidos hegemônicos no Parlamento, para encerrar o ciclo do que vêm chamando de “governo de amigos”, e fazer um freio de arrumação voltado aos últimos dois anos de gestão e à largada na campanha à reeleição.


Desde o primeiro ano, Lula tem sido criticado pelos aliados do Centrão por se fechar em copas com petistas no Palácio do Planalto. E nem sempre foi esse o modelo. Nos governos Lula 1 e 2, ministros de outros partidos tinham assento no palácio. José Múcio Monteiro (hoje titular da Defesa) e Walfrido dos Mares Guia, ambos do PTB na ocasião, alternaram-se no Ministério da coordenação política, bem como Aldo Rebelo, então no PCdoB.


Mas a opção de Lula, segundo auxiliares de seu entorno mais próximo, tem uma explicação cristalina como a água. O presidente ainda guarda frescos em sua memória os 580 dias em que esteve preso nas instalações da Polícia Federal em Curitiba, e tem anotados no caderninho os nomes dos aliados que jamais saíram de seu lado, bem como os daqueles que se afastaram nos tempos das vacas magras.


Por esse critério, quem ocupa cadeiras no Planalto são alguns dos aliados que demonstraram fidelidade canina a Lula nos piores momentos, e se engajaram no “Lula, livre”. Lá estão Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo Pimenta (Comunicação Social) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral). Fernando Haddad foi cotado para a Casa Civil, mas escolheu a Fazenda.


Porém, com o tensionamento da conjuntura política, em que o governo precisa que os partidos de Centro aprovem, a toque de caixa, as medidas de contenção de gastos - num cenário de aceleração da inflação e escalada do dólar - aumentou a pressão sobre Lula para que ele faça a reforma ministerial. E na esteira das mudanças, nomeie um quadro do Centrão para uma cadeira no Planalto.


Até auxiliares petistas admitem que, em fevereiro, após a posse dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Lula terá de recompor o ministério para formar um time totalmente alinhado ao seu projeto de reeleição, ou de continuidade do PT no governo.


Um ministro não petista observou à coluna que Lula deveria nomear um quadro do Centrão para fazer a interlocução com o Congresso no lugar de Padilha, e repetir um modelo que funcionou no passado. O ideal, diz a fonte, seria um deputado, porque a Casa a ser presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), faz um jogo “mais duro”.


Porém, o que vem circulando na bolsa de apostas é o nome do titular de Minas e Energia e ex-senador, Alexandre Silveira (PSD-MG), para a cadeira de Padilha. A se confirmar a troca na articulação política, as fontes ouvidas pela coluna dizem que Padilha reassumiria as rédeas do Ministério da Saúde. A conferir.


Importante rememorar que Lula não funciona sob pressão. Ao contrário, se lhe apertam de um lado, ele dá meia volta e reage do outro. Basta lembrar que ele foi diuturnamente cobrado a editar medidas de contenção de gastos por mais de dois meses, pelos agentes econômicos. O pacote foi anunciado somente quando Lula autorizou, e com o acréscimo da reforma do Imposto de Renda, o que tumultuou a resposta às medidas.


Lula observará, todavia, que os recados de insatisfação estão saindo aos gritos, até pelo represamento das emendas parlamentares. “Hoje o governo não tem voto nem sequer para aprovar as urgências dos projetos de lei”, avisou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em evento do portal “Jota”. A aflição refletiu-se no placar de votação. O governo aprovou o regime de urgência dos projetos de lei ordinária e de lei complementar referentes ao pacote fiscal no sufoco. O projeto de lei complementar passou com vantagem de apenas 3 votos, e houve 98 votos contrários. No outro PL, foram 156 manifestações contrárias. Lula terá de agir e não pecar por omissão. Depois, não adiantará ajoelhar e rezar.


Andrea Jubé é repórter de Política em Brasília. Escreve às sextas-feiras


 


Acordo entre Eletrobras e União vai mudar conselho / Negociação passa por ampliar o número de vagas no colegiado de 9 para 11, com o governo ficando com três cadeiras- Valor 6/12


Fábio Couto


As negociações arbitrais em curso entre o governo e a Eletrobras abrem espaço para que a União passe a contar com três representantes no conselho de administração da companhia. Hoje, o Estado brasileiro tem um assento e passaria a contar com mais dois no colegiado, apurou o Valor. A mudança, se confirmada, passa por ampliar o número de vagas no conselho da Eletrobras de 9 para 11. Desse total, três ficariam com a União.


Mas um dos temas centrais da arbitragem saiu da pauta da conciliação. Trata-se do aumento do poder de voto do governo na empresa, limitado a 10% das ações. A limitação foi fixada pela lei 14.182/2021, que estabeleceu as diretrizes para a privatização da Eletrobras, como forma de evitar ingerências políticas na empresa. Todo acionista com mais de 10% do capital só pode votar em assembleia até esse limite de ações.


O avanço e o rumo das negociações foram bem recebidos pelo mercado. Ontem, as ações ordinárias da Eletrobras fecharam o pregão na B3 com alta de 4,02%, a R$ 36,46, enquanto as preferenciais encerraram os negócios com alta de 3,44%, a R$ 40,60.


O governo possui cerca de 45% do capital da Eletrobras, mas nas votações é como se tivesse apenas 10%. A medida sempre foi criticada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como a própria desestatização da companhia. As negociações arbitrais fazem parte de decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.385.


Nesta quinta-feira (5), a Eletrobras divulgou fato relevante segundo o qual representantes da empresa, da Advocacia-Geral da União (AGU), da Casa Civil e do Ministério de Minas e Energia (MME), reuniram-se na véspera (4) na Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Federal (CCAF) para buscar um acordo que viabilize maior participação do governo nas decisões da empresa. Procurados, MME e Eletrobras disseram que não iriam comentar o tema.


Em relatórios, o Citi e a Ativa Investimentos disseram que a negociação arbitral parece estar mais próxima do fim do que se esperava. “O que não sabemos, entretanto, é se um acordo será alcançado até 17 de dezembro ou se as negociações precisarão de mais tempo para serem resolvidas”, disse o Citi.


Itaú BBA e Goldman Sachs consideraram positiva a exclusão da proposta de pagamento antecipado pela Eletrobras de cerca de R$ 25 bilhões em recursos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo que subsidia iniciativas no setor elétrico e que tem sido usado para amortizar eventuais impactos nas contas de luz. Para o Itaú BBA, a retirada da CDE da pauta pode abrir espaço para pagamento de dividendos mais altos ou liquidação de dívidas mais caras antes do prazo. O Goldman Sachs avalia que o pagamento antecipado poderia causar “saída significativa de caixa”, elevando a alavancagem.


As discussões também incluem a saída da Eletrobras do capital da Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ). No fato relevante de ontem, a Eletrobras afirma que as negociações tratam da “coordenação de um eventual processo de desinvestimento da Eletrobras (...) por meio da busca de um novo acionista [na Eletronuclear]”. As garantias prestadas pela Eletrobras aos financiamentos contratados pela Eletronuclear seriam mantidas, afirma a empresa. Os financiamentos junto à Caixa e ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somam cerca de R$ 7 bilhões.


Até 2022, a Eletronuclear era controlada pela Eletrobras, mas, com a desestatização da empresa, de energia as usinas nucleares passaram para o controle da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), criada especialmente para esse fim. A Eletrobras manteve participação de 33% na Eletronuclear.


Um dos pontos do acordo passa por aportes da ex-estatal no projeto de Angra 3. A decisão sobre a retomada das obras da usina depende de aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a um custo de R$ 23 bilhões. Um encontro do CNPE que iria deliberar sobre o assunto nesta quarta-feira (4) não foi realizado e a perspectiva agora é que o tema seja tratado em reunião extraordinária, na terça-feira (10).


O Valor apurou que a Eletrobras quer ser desobrigada de aportar cerca de R$ 5 bilhões na retomada de Angra 3. O investimento teria sido acordado no processo de privatização da companhia. Fontes disseram que a empresa chegou a manifestar, em negociações anteriores à arbitragem, o desejo de ter de volta R$ 3 bilhões em aportes de capital feitos na Eletronuclear em 2022. Interlocutores próximos da Eletrobras negaram que o pedido tenha sido feito. O governo, segundo as fontes, não teria concordado com o pedido da Eletrobras, o que não travou o andamento da arbitragem. “A Eletrobras está fazendo de tudo para sair [da Eletronuclear]”, disse uma das fontes. (Colaborou Bianca Ribeiro, de São Paulo)


 


Futuro comando da ANP irá enfrentar novas demandas / Escolhido para o cargo de diretor-geral assume no fim do mês e terá entre as atribuições regulamentar o programa Combustível do Futuro- Valor 6/12


Fábio Couto


A escolha do próximo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), processo em torno ao qual o governo se movimenta, ganha ainda mais relevância diante de novas atribuições que o órgão regulador terá com a implementação do programa Combustível do Futuro, novo marco legal dos biocombustíveis, avaliam especialistas ouvidos pelo Valor.


O tema é considerado essencial no governo, que vê na produção de biocombustíveis um caminho para aumentar a relevância do Brasil na transição energética. O nome mais cotado para conduzir a ANP é o de Pietro Mendes, presidente do conselho de administração da Petrobras, mas correm por fora Allan Kardec Dualibe, presidente da Gasmar, e Daniel Maia, diretor da agência.


A expectativa do governo é que o Combustível do Futuro destrave investimentos que totalizam R$ 260 bilhões em vários segmentos. Os projetos devem evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO2 até 2037, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME). Diante desse cenário, a ANP enfrenta uma crise financeira sem precedentes enquanto espera a definição dos titulares de duas vagas em aberto, entre as quais a da diretoria-geral.


A ANP terá como principal desafio reforçar estruturas e aumentar receitas para cumprir com obrigações previstas pelo novo marco legal dos combustíveis renováveis. Também caberá à agência regulamentar aspectos determinados em lei. O Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) estabelece a adição obrigatória de percentuais de etanol na gasolina e de biodiesel ao óleo diesel e cria programas para novos combustíveis renováveis, como biometano e diesel verde (ver quadro acima).


A ANP também integra políticas públicas de mobilidade, como a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), o Programa de Mobilidade Verde (Mover) e o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos (Proconve).


A nova lei incumbe à ANP o papel de regular as atividades de produção de combustíveis sintéticos e de captura e armazenamento geológico de carbono (CCUS, na sigla em inglês). Terá ainda que monitorar e fiscalizar o cumprimento dos mandatos para etanol e biodiesel, além de definir percentuais de adição de diesel verde ao óleo diesel, entre outras atribuições.


Fernando Xavier, sócio da área de infraestrutura e energia do Machado Meyer Advogados, destaca três temas que merecem atenção especial nos processos de regulamentação pela ANP: os combustíveis sintéticos, o CCUS, e o biometano. No caso dos combustíveis sintéticos, Xavier diz que bastaria à ANP revisitar norma editada em 2016 sobre o tema para a construção de um novo mercado, sem a necessidade de edição de uma resolução específica. Quanto ao CCUS, o especialista ressalta a familiaridade da ANP com o tema, ao passo que no biometano, a agência precisará definir uma metodologia adequada para o cálculo e verificação da redução de emissões de gases de efeito estufa.


Paula Susanna Amaral Mello, sócia da área ambiental do Pinheiro Neto, diz que a agência tem profissionais qualificados e a perspectiva é que seja realizado um trabalho de regulamentação de qualidade. “É uma agência que não pode ficar parada porque tem assuntos relevantes para a pauta nacional e para a projeção internacional do país.”. O cenário é desafiador, acrescenta o sócio da área de petróleo e gás do Pinheiro Neto Advogados Raphael Moraes Paciello diante da necessidade de aumento de equipe para atender às novas demandas regulatórias na velocidade esperada pelo mercado.


A desestruturação das agências reguladoras ocorreu gradativamente ao longo dos anos e esse aumento de atribuições vai exigir reforço financeiro e de pessoal, dizem fontes. Um entrave é a busca do governo por corte de gastos.


Rodolfo Saboia, diretor-geral da ANP e que deixa a autarquia no dia 22 de dezembro com o fim do mandato, disse que as atribuições atuais da agência já demandavam esforços elevados, o que se agrava com as novas demandas estabelecidas pelo Combustível do Futuro. Para ele, não basta apenas incluir novas funções no escopo da agência e esperar que “por pensamento mágico” toda a regulação fique pronta. O orçamento da ANP em 2013 era de R$ 397 milhões, enquanto em 2024 é de R$ 134,6 milhões, corte de 66% no período ante inflação acumulada de 86% no período. Além disso, a ANP tem déficit de 130 funcionários efetivos. O último concurso público da agência foi realizado em 2015, para profissionais de nível técnico.


“O desafio será imenso. Convivemos com grandes dificuldades por conta de nossa agenda regulatória, antes das novas atribuições. Vejo com preocupação incluir temas importantes como a transição energética num cenário de grandes restrições”, disse Saboia.


Governo amplia benefício de depreciação, mas valor para 2025 deve permanecer igual / Manutenção do R$ 1,7 bilhão disponível reduz total que cada segmento poderá utilizar- Valor 6/12


Estevão Taiar / Lu Aiko Otta


O governo federal deve ampliar o número de setores da indústria que terão direito ao instrumento de depreciação acelerada no ano que vem, apurou o Valor. Já o montante de R$ 1,7 bilhão disponível do benefício para 2025 pode continuar o mesmo. Nesse caso, um número maior de setores teria direito à quantia, diminuindo o total disponível para cada um.


Lançada neste ano pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a depreciação superacelerada é um incentivo fiscal que permite a indústrias deduzir mais rapidamente, da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), investimentos realizados em máquinas e equipamentos. A dedução pode ser realizada em até dois anos, em vez e ocorrer ao longo da vida útil do ativo. A medida tem impacto no fluxo de caixa das empresas.


O programa prevê R$ 3,4 bilhões de incentivos divididos igualmente entre 2024 e 2025. Neste ano, o R$ 1,7 bilhão vem sendo dividido por 23 setores, sendo que nenhum deles pode receber mais do que R$ 204 milhões. Para o ano que vem, a ideia é que pelo menos outros três setores façam parte do programa: fertilizantes; veículos automotores, reboques e carrocerias que não façam parte do Mobilidade Verde e Inovação (Mover); transportes terrestres. A tendência é que o decreto ampliando o número de setores seja publicado ainda neste ano, com vigência para 2025.


Além da expansão dos setores, o governo ainda tenta aumentar o volume de recursos para o ano que vem. O aumento depende, no entanto, de o governo encontrar uma forma de compensar em termos fiscais o benefício, a fim de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Uma possibilidade é a implantação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Verde, que faz parte do Mover e cujo decreto é aguardado desde meados deste ano pelo setor automotivo. A regulamentação desse tributo, porém, ainda está em discussão no Ministério da Fazenda. A ideia é harmonizar sua aplicação com o Imposto Seletivo, criado na reforma tributária, cujas regras ainda estão em discussão no Congresso Nacional.


Em mais de uma ocasião, o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, afirmou que a depreciação superacelerada é o instrumento mais importante da Nova Indústria Brasil (NIB) - conjunto de propostas apresentadas no início do ano pelo governo federal para o setor fabril.


O Mdic calcula que a depreciação superacelerada diminui, em média, em 4,5% os custos de desembolsos realizados por empresas em máquinas e equipamentos, o que aumentaria a produtividade da economia como um todo. Já o Bradesco BBI, em estudo divulgado no começo do ano, calcula que os R$ 3,4 bilhões em incentivos poderão aumentar os investimentos da indústria em R$ 20 bilhões além do que já era previsto.


 


 


 


Bancos vão ao STF para questionar competência da Previdência em definir teto de juros do consignado / Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a ABBC argumenta que a fixação de limites às taxas de juros é uma prerrogativa do Conselho Monetário Nacional (CMN)- Valor 6/12


Mariana Ribeiro


A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a competência do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), vinculados ao Ministério da Previdência, para fixar o teto de juros praticados nas operações de crédito consignado do INSS.


Para a associação representativa de bancos, “essa interpretação é equivocada e inconstitucional”, pois arroga para as entidades uma responsabilidade típica de órgãos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a ABBC argumenta que a fixação de limites às taxas de juros é uma prerrogativa do Conselho Monetário Nacional (CMN).


A contestação vem em um momento em que diversos bancos estão deixando de operar com crédito consignado do INSS devido ao atual patamar do teto de juros da modalidade. Desde junho, o limite está em 1,66% ao mês para operações com desconto em folha. Uma nova reunião do CNPS está marcada para acontecer em 10 de dezembro.


A ABBC diz que, até maio de 2006, não havia um teto para o consignado INSS, e que, desde então, o instituto vem atribuindo a si próprio, de forma indevida, essa tarefa.


“O INSS, nos sucessivos atos normativos que fixaram limites aos juros do consignado, faz remissão ao art. 6º, VI, da Lei 10.820/03, que, apesar de garantir ao órgão a competência e a legitimidade para disciplinar regras gerais de operação dos descontos nos benefícios dos aposentados, não lhe autoriza a determinar limites de juros”, diz a entidade.


A associação afirma ainda que não se opõe à fixação de teto, mas defende que essa responsabilidade seja atribuída ao CMN, “órgão que reúne a necessária competência técnica para avaliar e decidir sobre o assunto”.


Impactos econômicos


De acordo com a ABBC, o atual limite de juros impacta a viabilidade da linha de crédito. A entidade mostra que, em 2024, houve forte elevação do DI de 2 anos, custo base de captação para os associados da entidade que operam o crédito consignado INSS, saindo de 9,6% ao ano em janeiro para 14% ao ano em novembro. O teto, no entanto, passou por seguidas quedas.


“Apesar dos reiterados apontamentos da ABBC em grupos de trabalho e reuniões do CNPS, verificamos forte resistência do conselho em rever a atual metodologia, que indevidamente utiliza a variação da Selic como base para a revisão do teto de juros, indicador que, conforme demonstrado, não reflete as variações do custo de captação de longo prazo”, afirma a entidade.


A ABBC acrescenta que, quando há redução da Selic, o CNPS “rapidamente diminui o teto dos juros”, mas, quando há aumento, “não ocorre o correspondente e indispensável aumento do teto”.


De acordo com dados da entidade, em março do ano passado, quando diversos bancos suspenderam a oferta da modalidade, o spread das operações estava em 0,73% e, atualmente, está em 0,61%.


Crédito privado avança e amplia peso do mercado de capitais no financiamento à infraestrutura / De janeiro a setembro, o BNDES desembolsou R$ 30,7 bi; debêntures incentivadas somaram R$ 96,1 bi- Valor 6/12


Liane Thedim


O crescimento expressivo do crédito privado neste ano aumentou o peso do mercado de capitais no financiamento à infraestrutura. De janeiro a setembro, o BNDES desembolsou R$ 30,7 bilhões em empréstimos ao setor, enquanto as emissões de debêntures incentivadas, que têm isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, alcançaram valor 213% maior, de R$ 96,1 bilhões, um recorde histórico e 41,7% superior ao registrado em todo o ano passado.


Estudo da Vinci Partners mostra que, de 2019 a 2023, o banco financiou mais do que o mercado de capitais em 2020 e 2022. Nos anos em que as captações via debêntures ficaram acima dos desembolsos do BNDES, a diferença máxima havia sido de 77%. “O Brasil ganhou três BNDES neste ano”, compara Aymar Almeida, sócio e gestor dos fundos de infraestrutura da Kinea Investimentos.


Luciana Aparecida da Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES, diz que a instituição participou, entre janeiro e outubro, de ofertas de debêntures incentivadas no valor de R$ 15 bilhões, subscrevendo R$ 11 bilhões desse total. “Houve operações em que demos garantia firme, mas a demanda foi tanta que acabamos ficando de fora, o que não é ruim, porque o BNDES pode alocar em outra operação que não atrairia demanda de mercado.”


Dados do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb-Fipe) mostram que o BNDES respondia por 17,5% da dívida financeira total das empresas do país em 2016, fatia que neste ano caiu para 6,6%. “Lá atrás o BNDES era competidor do mercado de capitais e hoje é um atestado de qualidade, ou seja, uma mudança para melhor que veio para ficar”, avalia Carlos Antonio Rocca, coordenador da instituição. Segundo ele, o país caminha para uma melhor composição do sistema financeiro, com crédito bancário focado em prazos curtos, mercado de capitais, no médio e longo, e bancos de desenvolvimento, em médio e longo prazos para pequenas e médias empresas e projetos que não se traduzam em rentabilidade privada, assim como inovação.

Brasília em off

 Brasília em Off: A melhor estratégia monetária para Lula- Bloomberg 6/12


Por Martha Beck


(Bloomberg) -- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de integrantes do governo antes do anúncio do plano de corte de gastos que os juros teriam que continuar subindo no Brasil. Também ouviu que é importante que o ciclo de alta possa desacelerar no final no primeiro semestre de 2025 de forma que o Banco Central tenha condições de iniciar 2026, ano de eleição presidencial, reduzindo a Selic.


A avaliação desses integrantes é que o melhor cenário seria o BC fazer uma alta forte logo na próxima reunião do Copom, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.


Câmbio


A ala política do PT segue pressionando e pedindo uma intervenção para segurar a alta do dólar, que opera na casa de R$ 6 e pressiona a inflação. Isso tem deixado as atenções redobradas para as falas do Banco Central sobre política cambial. 


Até agora, o BC tem feito esforço para deixar claro que quem decide não quer ouvir falar nisso. O diretor de Política Monetária e futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, por exemplo, disse em evento no início da semana que o câmbio flutuante é um pilar da matriz econômica brasileira e que qualquer discussão sobre controle do câmbio deve passar longe da cadeira de quem comanda sua diretoria.


Operação pacote


O governo teve que montar uma verdadeira operação de guerra para preparar o pronunciamento feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para anunciar o plano de corte de gastos. Lula informou na noite de segunda-feira (25) que Haddad faria o anúncio já incluindo nele a promessa de campanha de isentar de Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5.000.


No dia seguinte, às 8:00 da manhã, a equipe presidencial que atuaria na gravação entrou pela garagem do prédio para não chamar a atenção dos jornalistas que ficam de plantão na porta. Para evitar as lentes dos fotógrafos, o gabinete de Haddad, que fica virado para a frente do Ministério, não serviu de locação. A gravação ocorreu na sala do Conselho Monetário Nacional (CMN).


O texto começou a ser escrito pelo publicitário Otávio Antunes, marqueteiro de Haddad, pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, e assessores do ministro. O grupo já estava com o trabalho encaminhado quando recebeu do gabinete do presidente sugestões no texto e o slogan “Brasil forte e justo”. Procurada, a Fazenda não comentou.


--Com a colaboração de Daniel Carvalho.

Matinal ConfianceTec 0612

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

06/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (05)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quinta-feira (05) em alta de 1,40%, a 127.858 pontos. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,60%, a R$ 6,011.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40)


Fechando a semana com os índices futuros de NY próximos da estabilidade, enquanto se aguarda o payroll.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40):


EUA: 🇺🇸


Dow Jones Futuro, -0,04%

S&P 500 Futuro, -0,04%

Nasdaq Futuro, +0,03%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +1,05%

Nikkei (Japão🇯🇵), -0,77%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,56%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷): -0,56%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,64%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,04%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,08%

CAC 40 (França🇫🇷), +0,27%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,26%

STOXX 600, -0,01%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,03%, a US$ 68,28 o barril

Petróleo Brent, -0,07%, a US$ 72,04 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,93%, a 797,50 iuanes (US$ 109,86).



🌎 NO DIA (0612)


Fechando a semana no aguardo do relatório de emprego dos EUA (payroll), a mostrar recuperação, depois dos eventos imprevistos em outubro, como os furacões e a greve da Boeing. Expectativa é de criação de 200 mil vagas, mas isso não deve afetar as apostas de novo corte de 0,25 pp no Fomc do dia 18 (CME em chance de 70%).


No Brasil, a situação começa a se "aprumar", diante da movimentação do Congresso em agilizar o trâmite das medidas fiscais. Mas parece fato que não há conforto no mercado, se prevendo a taxa Selic acima de 14% ao fim do ciclo. No Copom deste mês deve vir alta de 0,75 pp.


No Uruguai, depois de 25 anos de negociações, a expectativa é de um acordo entre Mercosul e Zona do Euro, na criação de um mercado comum de mais de 700 milhões de pessoas, com um PIB somado de US$ 22,3 trilhões.


Por fim, a Zona do Euro veio com PIB crescendo 0,4% no 3ºTri contra o segundo; na comparação anual, alta foi de 0,9% também em consenso.


AGENDA 06/12:


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: Produção industrial - out

07h00. Zona do euro/Eurostat: PIB do 3º tri (preliminar)

08h00. Brasil/FGV: IGP-DI de novembro  

09h00. Brasil/BC: Captação da poupança - novembro

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Payroll de novembro

12h00. EUA/Univ. Michigan: Sentimento do consumidor - dez

15h00. EUA/Baker Hugues: Poços de petróleo em operação

17h00. EUA/Fed: Crédito ao consumidor em outubro


Eventos:

11h15. EUA/Fed: Michelle Bowman discursa

12h30. EUA: Austan Goolsbee (Fed de Chicago) discursa

14h00. EUA: Beth Hammack (Fed de Cleveland) discursa

15h00. EUA: Mary Daly (Fed de San Francisco) discursa

65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira e bons negócios!

BDM Matinal Riscala 0612

 *PAYROLL DEVE CONFIRMAR CORTE DE JURO NOS EUA*

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato**

Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2024.


… O relatório de emprego dos EUA deve mostrar recuperação hoje (10h30), após os resultados fora da curva em outubro, comprometidos pelos furacões e a greve da Boeing. Mas um payroll com a criação de 200 mil vagas (mediana das estimativas) não afetará as apostas de novo corte de 25pb do juro americano no dia 18, projetadas em 70% no CME FedWatch – o que tem ajudado a manter o dólar mais fraco. A acomodação no exterior abriu espaço para uma recuperação do câmbio aqui, junto com a movimentação no Congresso para dar celeridade à votação das medidas fiscais. Pior que o pacote, é o pacote não ser aprovado. Mas tanto é verdade que não há tranquilidade, que a percepção de risco permanece elevada, enquanto uma onda de revisões em alta para a Selic antecede o Copom do dia 11.


… A expectativa de um juro de 15% já não é mais apenas um exagero da curva do DI, mas passou a ser a projeção de grandes instituições, como do Itaú Asset. Foi um susto, que apagou a tentativa dos contratos futuros de devolver um pouco dos prêmios.


… O economista-chefe da Itaú Asset, Thomas Wu, acha que a Selic subirá até 15% e que a inflação alcançará 6% em 2025.


… O Deutsche Bank projeta agora que o Copom elevará a dose de aperto para 100pb na próxima reunião, podendo manter esse ritmo no caso de o real continuar desvalorizado. O banco estima a Selic em 14,50% no fim do ciclo.


… Outra instituição que revisou sua estimativa nesta 5ªF foi o C6 Bank, elevando a previsão da Selic terminal de 12,50% para 13,75%.


… Imagine como vem o boletim Focus de 2ªF.


… Pesquisa do Broadcast com 65 casas consultadas apurou que 14 já preveem uma alta de 100pbs da Selic na próxima semana, enquanto a maioria (48) espera um ajuste do pace de 50pbs para 75pbs. Apenas três acreditam em alta de meio ponto.


… A estimativa intermediária para a Selic no final de 2025 segue em 13,25%. Para o fim deste ano, variam de 11,5% a 14,5%. Já a mediana para o 2Tri/2026, horizonte relevante da política monetária, segue em 12%, entre 10% e 14,5%.


… Segundo os economistas, a frustração com o pacote fiscal, que levou o dólar ao patamar dos R$ 6, e a resiliência na desancoragem das expectativas de inflação consolidaram a perspectiva de uma elevação no juro mais agressiva por parte do BC.


… Além do Deutsche, também esperam uma alta de 100pbs no Copom da semana que vem o JP Morgan, Montebravo e XP, entre outros.


… A XP Investimentos ainda estima mais um aumento de 100pbs em janeiro, seguido por duas altas de 50pbs em março e maio, levando a Selic para 14,25%. A corretora revisou as estimativas para o IPCA/2025 de 4,7% para 5,2%.


… O economista-chefe, Caio Megale, cita como fatores de pressão a demanda forte, expectativas de inflação e a depreciação do câmbio.


… Nesta 5ªF, depois de uma semana alçado à faixa dos R$ 6, o dólar furou a marca, mas o alívio não durou até o fechamento (abaixo).


RISCO DE DESIDRATAÇÃO – Em meio a cobranças do mercado por um corte de gastos estrutural, que possa garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal, deputados dizem que um endurecimento das propostas não virá do Congresso.


… O governo enviou três propostas do pacote fiscal à Câmara. Dois projetos já tiveram a urgência aprovada, que tratam dos novos gatilhos do arcabouço, ganho do salário mínimo e revisão em programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).


… Uma das urgências passou com apenas três votos além do necessário, o que mostra indisposição com as medidas e insatisfação com as novas regras para as emendas parlamentares, definidas pelo ministro Flávio Dino, do STF.


… A mudança no BPC está na PEC, junto com os supersalários do funcionalismo público e repasses para o Fundeb, e sofre resistência.


… Apesar de aprovar a urgência, os parlamentares ainda não se comprometeram em aprovar o conteúdo dos projetos, segundo apurou o Estadão. A reportagem afirma que o pacote até pode ser aprovado este ano, mas corre risco de desidratação.


MAIS PAYROLL – O intervalo das apostas para a criação de vagas em novembro vai de 155 mil a 270 mil. Ou seja, mesmo no piso, o dado será muito superior ao de outubro (+12 mil), distorcido pelos furacões e a greve da Boeing.


… A taxa de desemprego tem previsão de alta de 4,1% para 4,2% e o salário médio por hora deve avançar 0,3% na comparação mensal, prometendo ser um componente bastante observado pelos profissionais de mercado.


… Stephen Stanley (Santander) disse que a melhor forma de analisar os dados será comparar a média de dois meses com o mesmo período de 2023.


… Muita gente estará de olho no impacto da alta dos salários sobre a inflação de serviços norte-americana.


… “A inflação de serviços parece estar se estabilizando num ritmo acima do compatível com a meta de inflação (2%) e pode indicar pressões inflacionárias no mercado de trabalho”, disse Dennis DeBusschere (22V) à Bloomberg.


… Para o BofA, o Fed provavelmente verá qualquer fortalecimento no payroll de novembro como “recompensa” pela fraqueza de outubro. Com um dado anulando o outro, o BC americano ainda deve ter espaço para cortar o juro.


MAIS AGENDA – Ao meio-dia, a Universidade de Michigan traz a leitura preliminar do sentimento do consumidor dos EUA (com previsão de alta para 73,3, de 71,8 em novembro) e as expectativas de inflação para 1 e 5 anos. 


… Vários dirigentes do Fed falam nesta 6ªF: Michelle Bowman (11h15), Austan Goolsbee (12h30), Beth Hammack (14h) e Mary Daly (15h). Prossegue no Uruguai a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


AQUI – A inflação do IGP-DI (8h) deve ceder a 1,06% em novembro, de 1,54% em outubro, segundo mediana do Broadcast, diante da descompressão dos preços do minério de ferro. As estimativas vão de 0,95% a 1,40%.


… O BC divulga às 9h o saldo da poupança em novembro. Em outubro, houve retirada líquida de R$ 6,256 bilhões.


O TETO É MAIS EM CIMA? – A espiral de pessimismo do mercado com o cenário fiscal, que já leva, como se viu, até grandes bancos a precificarem o choque de 15% na Selic, dá a medida do perigo e revela que a coisa ficou séria.


… Não tem aposta de graça para o Copom da semana que vem entre as opções futuras na B3, com um racha nas estimativas: 51% de probabilidade de um aperto de 75 pontos e chance não desprezível (40%) de 100 pontos.


… Com os traders e também os departamentos econômicos esticando a corda nas estimativas de Selic terminal, a curva do DI esgotou ontem o alívio inicial com o sinal verde da Câmara para o pacote fiscal tramitar mais rápido.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subia para 14,190% (de 14,090% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,430% (de 14,315%); Jan/29, a 14,145% (de 14,070%); Jan/31, a 13,950% (13,890%); e Jan/33, 13,740% (13,730%).


… O curioso é que, apesar do super conservadorismo incorporado nas projeções do mercado financeiro para a Selic, este movimento não tem contratado, na mesma medida, uma melhora nas estimativas para a taxa de câmbio.


… O Deutsche Bank, por exemplo, espera dólar a R$ 6,10 no fim deste ano, alegando que o governo falhou em apresentar medidas fiscais críveis e que o BC tem sido incapaz de exercer sua capacidade de apreciar o real.


… Por alguns momentos, ontem, a moeda americana chegou a furar os R$ 6, em devolução técnica de ganhos, tendo batido R$ 5,9608 na mínima. Mas não demorou a desacelerar a queda, para fechar cotado a R$ 6,0097 (-0,63%).


… Em pé de guerra com o mercado (e vice-versa), Lula disse que “algumas pessoas alardearam na imprensa que o Brasil cresceria mais que 1,5%, mas para nossa sorte, a economia crescerá neste ano 3,5% e pode chegar a 4%”.


RISCO CALCULADO – Esnobando a cautela da curva do DI com as apostas para lá de conservadoras para a Selic, o Ibovespa e as ações mais sensíveis ao ciclo econômico julgaram que valeria a pena testar uma onda de fôlego.


… Descontando os riscos, quase 90% da carteira de ações da bolsa resolveu subir, incluindo as duas principais blue chips das commodities, com Vale e Petrobras ignorando a queda das cotações do minério de ferro e do petróleo.


… Mais do que os demais ativos domésticos, o Ibovespa decidiu apostar as suas fichas na agilidade do Congresso para aprovar o pacote fiscal e emplacou alta de 1,40%, fechando perto dos 128 mil pontos (127.857,58).


… Um rali do Papai Noel, no entanto, parece improvável na avaliação do Santander, tendo em vista os desafios macroeconômicos atuais, como os riscos de não cumprimento da meta fiscal, combinados às incertezas globais.


… Eletrobras ON (+4,02%; R$ 36,46) liderou as altas no Ibov, após a empresa informar que voltou a se reunir com o governo para chegar a um acordo sobre o direito de voto da União. A ação PNB registrou +3,44% (R$ 40,60).


… Bancos também foram bem: Itaú (+2,14%; R$ 33,38), Santander (+1,78%; R$ 25,75), Bradesco ON (+1,53%; R$ 11,29), Bradesco PN (+1,37%; R$ 12,61) e Banco do Brasil ON (+1,23%; R$ 25,48).


… Petrobras ON subiu 1,49% (R$ 43,00) e o papel PN ganhou 0,99% (R$ 39,64), na contramão da queda de 0,30% do barril do Brent/fev, a US$ 72,09.


… A Opep+ confirmou as expectativas e prorrogou a atual redução da produção de petróleo, de 2,2 milhões de barris por dia, até o fim de março de 2025, o que já estava precificado pelo mercado.


… Vale interrompeu dois pregões de cautela em relação às incertezas sobre pagamento de dividendos extraordinários e teve elevação de 0,82% (R$ 57,80), na máxima do dia, contrariando a queda de 1,17% do minério.


… Multiplan (+3,63%, a R$ 23,70) e Iguatemi (+3,54%, a R$ 19,03) também apareceram na lista das maiores altas. Entre as poucas baixas do pregão, CVC afundou 8,98%, a R$ 2,33, em movimento atribuído a realização de lucros.


… Braskem perdeu 1,11% (R$ 15,21), depois que a empresa anunciou mudanças em sua diretoria.


PÉ NO FREIO – Depois de alcançar recordes sucessivos de fechamento, as bolsas de NY deram uma pausa, em modo cautela antes do payroll.


… O Dow Jones recuou 0,55% (44.765,64 pontos). O S&P 500 caiu 0,19% (6.075,10 pontos) e o Nasdaq perdeu 0,18% (19.700,26 pontos).


… UnitedHealth levou um tombo de 5,1% depois do assassinato do CEO da subsidiária UnitedHealthCare e foi a principal fonte de peso no Dow Jones.


…  Na véspera da divulgação do principal dado do mercado de trabalho dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu (a 224 mil) mais que o esperado (214 mil) e o maior número em seis semanas.


… Apesar do aumento, os pedidos de auxílio-desemprego ainda apoiam a visão de que o mercado de trabalho americano permanece em níveis historicamente fortes.


… A expectativa de um payroll forte elevou levemente o juro curto nos EUA, com a note de 2 anos em 4,138%, de 4,129% na sessão anterior.


… Os longos recuaram. O juro da note de 10 anos cedeu a 4,175% (de 4,177%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,331%, de 4,344%.


… Embora analistas não acreditem que o payroll vá mudar a expectativa de corte de 25pb no juro pelo Fed em dezembro, a inflação de médio prazo preocupa.


… Ontem, a Fitch Ratings avaliou que os riscos de inflação nos EUA estão crescendo com o aumento dos gastos do consumidor, a iminente alta de tarifas e restrições à imigração no futuro governo Trump.


… O BofA tem avaliação similar e considera que a note de 10 anos vai oscilar entre 4% e 4,5% em 2025, sem chance para taxas mais baixas.


… No câmbio, o dólar desvalorizou ante seus principais pares depois de dois dias beirando a estabilidade. O índice DXY teve baixa de 0,57%, a 105,714.


… O euro manteve-se firme (+0,65%, a US$ 1,0587), apesar da destituição do primeiro-ministro da França, Michel Barnier. O presidente Emmanuel Macron disse que continua no cargo até o fim do mandato, em 2027.


… Segundo analistas, a ausência de reação da moeda comum mostra que o mercado não se incomodou com a crise política francesa, ao menos até agora.


… Além disso, a inflação de serviços persistente torna mais provável um corte de 25 pb, em vez de 50pb, na próxima reunião do BCE, o que beneficia o euro.


… O iene subiu 0,28%, a 150,108/US$, depois de o dirigente do BoJ, Toyoaki Nakamura, que geralmente tem postura mais dovish, dizer que não é avesso a um aumento dos juros.


… A libra subiu 0,43%, a US$ 1,2759.


EM TEMPO… ASSAÍ fará a 12ª emissão de debêntures no valor de R$ 800 milhões, com prazo de vencimento de cinco anos.


HAPVIDA celebrou um contrato de locação de imóvel para estruturar o Hospital Ibirapuera. O limite máximo de investimento para a aquisição dos terrenos e custeio das obras é R$ 300 milhões.


CEMIG liquidou os títulos de dívida emitidos no mercado externo (Eurobonds), por parte da Cemig GT. O efeito líquido no caixa da companhia será de R$ 1,866 bilhão.


MRV completou revisão estratégica da subsidiária Resia, nos EUA. O atual CEO da Resia, Ernesto Lopes, deixará o cargo no final de 2024…


… Entre as ações previstas para os próximos anos estão a venda de sete projetos e a desmobilização de mais de 60% do landbank, com expectativa de vendas em torno de US$ 800 milhões até o fim de 2026.


LOG COMMERCIAL PROPERTIES aprovou pagamento de dividendos intermediários, com base na reserva de lucros dos nove primeiros meses do ano, no valor bruto de R$ 150 milhões (R$ 1,71 por ação ordinária). Ex no dia 11.


EQUATORIAL concluiu a venda da SPE 7, negócio anunciado em julho. O equity value da Equatorial SPE 7 é de até R$ 840,6 milhões na data-base de 30 de novembro de 2024, corrigido pelo CDI.


INTERCEMENT. Juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da empresa.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...