quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Abertura BROADCAST 2111

 Abertura: Escalada da guerra na Ucrânia mina mercados em meio à espera de corte de gastos


São Paulo, 21/11/2024


Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*


OVERVIEW.  O mercado local volta do feriado sob expectativa pelo anúncio do corte de gastos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que tem reunião hoje com o presidente Lula às 15 horas para tratar do pacote de medidas. Os dados de arrecadação federal de outubro também são aguardados bem como a reunião do conselho de administração da Petrobras para analisar o Plano Estratégico 2025-2029. Ainda serão publicados nos EUA as vendas de imóveis usados, os pedidos de auxílio-desemprego e três dirigentes do Federal Reserve discursam.


NO EXTERIOR. A aversão ao risco pressiona as bolsas internacionais, os juros dos Treasuries e dos bônus europeus, enquanto o ouro e os preços do petróleo sobem com a escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia. A Força Aérea ucraniana diz ter sido alvo de míssil balístico intercontinental disparado pela Rússia. Ontem, os EUA deram aval para que a Ucrânia use minas terrestres antipessoal, dias depois de ter permitido o emprego de mísseis de longo alcance. O Nasdaq futuro cai mais, refletindo as perdas superiores a 3% da Nvidia no pré-mercado, após balanço da gigante de chips. Esse quadro deixa em segundo plano o aumento na precificação por manutenção dos juros do Fed em dezembro, após declarações de dirigentes do Fed. A diretora da autoridade monetária Michelle Bowman alertou para uma estagnação no progresso na inflação, enquanto Lisa Cook admitiu que o núcleo de inflação segue elevado. Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse ainda esperar um relaxamento adicional.


POR AQUI. A liquidez pode ser contida ainda pela expectativa do pacote de corte de gastos e o ambiente externo negativo é mau presságio para os ativos locais. O ETF brasileiro EWZ caía 0,37% no pré-mercado em NY às 6h40. O ADR da Vale perdia 0,20%, apesar da alta de 0,39% do minério de ferro na China, enquanto o da Petrobras cedia 0,49% ante queda de mais de 1% dos preços do petróleo. O anúncio de corte de gastos é esperado entre hoje e amanhã, mas há possibilidade de que fique para a semana que vem, o que pode pesar negativamente em dólar e juros futuros. A reunião de Haddad e o presidente Lula fica no foco. A área técnica do Ministério da Defesa fechou acordo com a equipe econômica para cortar gastos na previdência dos militares. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, prevê que se o governo anunciar um pacote robusto, de R$ 60 bilhões ou mais, o mercado poderia melhorar bastante, pois está preparado para algo perto dos R$ 40 bilhões.


NA POLÍTICA. A Polícia Federal teve acesso a registros de uso de computadores do Planalto pelo grupo que planejou matar o presidente Lula, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu ao STF a prisão preventiva de Bolsonaro. Moraes determinou que o ex-ajudante de ordens da Presidência tenente-coronel Mauro Cid compareça à Corte nesta quinta-feira. O PT enviou ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), um pedido de arquivamento do projeto de lei que anistia os condenados pela invasão das sedes dos três Poderes nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023. O governo fechou acordo com o Ministério da Defesa para corte de gastos na previdência os militares.


AGENDA.


ARRECADAÇÃO E PETROBRAS NO RADAR LOCAL - A agenda traz o resultado da arrecadação federal em outubro às 10h30. O Tesouro faz leilão de LTN e de NTN-F às 11 horas. O diretor de Fiscalização do BC, Ailton De Aquino Santos, concede entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), às 11 horas. O conselho de administração da Petrobras analisa o Plano Estratégico 2025-2029 da companhia. O Conselho Monetário Nacional (CMN) reúne-se por meio eletrônico às 15 horas.


DADOS DOS EUA E DIRIGENTES DO FED EM DESTAQUE - Nos EUA, os pedidos de auxílio-desemprego serão publicados às 10h30, e as vendas de moradias usadas em outubro, às 12 horas. Os dirigentes do Fed que falam em eventos hoje são:   Beth Hammack, de Cleveland às 10h45 e às 14h30; Austan Golsbee, de Chicago às 14h25; e o vice-presidente de Supervisão, Michael Barr às 18h40.  Os bancos centrais da Turquia (8h)  e da África do Sul (10h) anunciam decisões de juros. Na Europa, sai o índice de confiança do consumidor da zona do euro de novembro, às 12 horas.


O QUE SABEMOS.


CARREFOUR - O grupo francês Carrefour anunciou que deixará de comercializar carnes provenientes do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), alegando apoiar agricultores franceses que protestam contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o bloco sul-americano. A decisão reflete preocupações com padrões de produção de carne. Agricultores franceses pressionam o presidente Emmanuel Macron a vetar o acordo, que enfrenta críticas na França, mas é apoiado por países como Alemanha e Espanha.


EM TESE: Embora o Carrefour Brasil tenha afirmado que suas operações não serão afetadas, a decisão pode ter impactos significativos no setor agropecuário dos países do Mercosul e nas relações entre UE e Mercosul. O Brasil pode ser um dos mais atingidos, já que é um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina e a França é um dos importantes mercados para exportação. Ações da JBS e Marfrig podem refletir reação negativa à decisão e essas empresas podem ter que buscar diversificar mercados ou reforçar certificações de qualidade. Há o risco também de outras empresas do setor de alimentos seguirem essa postura da França, o que teria impacto em larga escala.


ACORDOS BRASIL-CHINA Os dois países assinaram ontem 37 acordos e memorandos de entendimento em diversas áreas como agricultura, energia, cultura, turismo, tecnologia e saúde. Um dos principais destaques foi o Plano de Cooperação para sinergias entre os programas brasileiros e a iniciativa "Belt and Road", que seria uma Nova Rota da Seda, reforçando a parceria estratégica. A China é o principal parceiro comercial do Brasil. No entanto, o presidente Lula não aderiu oficialmente à Rota da Seda, para não perder autonomia geopolítica. Houve abertura para importação de sorgo, gergelim e uva fresca do Brasil e outros quatro mercados, incluindo a farinha de peixe, utilizada para ração animal, que representam US$ 7 bilhões. Desde 2023, o Brasil já conquistou 281 mercados agropecuários.


EM TESE: Os acordos entre os dois países significam uma aproximação estratégica e econômica importante em agricultura, indústria e energia, tecnologia (com colaborações em inteligência artificial), cultura e turismo, saúde e sustentabilidade e infraestrutura. Vários setores irão se favorecer no longo prazo, mas o fortalecimento da influência da China na América Latina tende a preocupar os EUA, em especial em setores estratégicos como inteligência artificial e 5G. Um dos memorandos de entendimento foi entre a Telebrás e Shanghai Spacesail Technologies, uma das concorrentes da Starlink, do bilionário Elon Musk. Além disso, a China importa US$ 1,5 bilhão por ano em sorgo dos EUA, segundo a CNN. Haverá também expansão de investimentos nas indústrias brasileiras, como a WEG, Suzano e Randon. A BRF GmbH, subsidiária integral da BRF, firmou contrato vinculante com a Henan Best Foods para adquirir uma fábrica de processados na província de Henan, na China.


OVERNIGHT.


BNDES E BANCO DA CHINA - A primeira operação de empréstimo em moeda chinesa do BNDES com o China Development Bank (CDB) será de 5 bilhões de renmimbis (o equivalente a R$ 4 bilhões) e tem prazo de até três anos, de acordo com a instituição brasileira. O acordo foi fechado hoje, durante visita de Estado do presidente da China, Xi Jinping, ao Brasil. No total, os dois países firmaram 37 atos nesta quarta-feira. A linha de crédito será usada pelo BNDES em diferentes setores da economia doméstica e, segundo o banco, representa a ampliação da cooperação em moeda local entre os países.


MERCADO DE CARBONO A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, 19, o projeto que regulamenta o mercado de carbono no Brasil, com a instituição do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O texto havia voltado para nova votação dos deputados após análise do Senado Federal e agora vai à sanção presidencial.


NATURA E AVON - A Natura&Co teve a oferta vencedora para permanecer com os ativos operacionais da Avon Produtcs Inc (API), levando ao cancelamento do leilão que ocorreria na terça-feira, 19. Segundo o Tribunal de Falências de Delaware, responsável pelo caso do Capítulo 11 da API, a empresa foi a única licitante com lance qualificado. Com isso, a reintegração dos ativos deve recuperar uma parte do caixa transferido para as subsidiárias da API no momento da abertura do Chapter 11.


XP - A empresa fechou o terceiro trimestre de 2024 novamente com lucro líquido e receitas recorde. Com um lucro líquido de R$ 1,187 bilhão, a companhia registrou um crescimento de 9% ano contra ano e 6% em relação ao segundo trimestre. A receita bruta somou R$ 4,546 bilhões, 4% acima do mesmo intervalo de 2023 e 1% acima do segundo trimestre. A receita líquida foi de R$ 4,3 bilhões, alta anual de 5% e trimestral de 2%.


AUREN - A Auren, terceira maior geradora de energia do Brasil, fará um novo Programa de Recompra de 5,4 milhões de ações ordinárias, correspondentes a 1,67% do total de papéis desta classe. O programa terá duração de 18 meses, encerrando em 19 de maio de 2026. Segundo a companhia, a recompra tem o objetivo de permitir o cumprimento das obrigações do Plano de Ações Restritas, sem redução do capital social. Além disso, as ações poderão ser mantidas em tesouraria, alienadas ou canceladas.


IMÓVEIS DE LEILÕES - O crescimento das vendas de imóveis nos últimos anos teve como efeito colateral um aumento na quantidade de bens retomados por falta de pagamento, o que passou a movimentar o mercado de leilões. Dentro desse contexto, a empresa mineira Smart Leilões decidiu criar uma espécie de imobiliária dedicada a agilizar a venda dos bens retomados. Batizada de Smart Link, a nova empresa, lançada neste semestre, tem cerca de 1 mil imóveis no portfólio, com a meta de atingir em torno de 2,5 mil a 3,0 mil ano que vem.


INFLAÇÃO DA ALEMANHA - O índice de preços ao produtor (PPI, pela sigla em inglês) da Alemanha caiu 1,1% em outubro ante igual mês do ano passado, em linha com a projeção de analistas consultados pela FactSet. Em setembro, o PPI havia registrado deflação de 1,4%. Na comparação mensal, o PPI da Alemanha subiu 0,2% em outubro ante setembro, após a queda de 0,5% no mês anterior.


INFLAÇÃO NO REINO UNIDO - O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu 2,3% em outubro ante igual mês do ano passado, superando a expectativa de analistas, de avanço de 2,2%. Também representa uma aceleração em relação ao aumento de 1,7% no confronto anual de setembro. Na leitura mensal, o CPI avançou 0,6% em outubro ante setembro, também acima das projeções dos analistas, de alta de 0,5%. Neste caso, o indicador havia ficado estagnado no mês anterior. O núcleo do CPI subiu 0,4% em outubro ante setembro e 3,3% na comparação anual. As projeções apontavam para alta anual de 3,1%.


JUROS NA CHINA - A China manteve as suas principais taxas de juro de referência estáveis, uma medida amplamente esperada após um corte acentuado nos custos de financiamento no mês passado. Os principais credores chineses mantiveram as taxas de referência dos empréstimos (LPR, na sigla em inglês) de 1 e 5 anos em 3,1% e 3,6%, respectivamente, de acordo com um comunicado do Banco do Povo da China. Em outubro, o PBoC reduziu as taxas como parte do pacote de estímulo de Pequim para melhorar dinamismo do crescimento.


E NOS MERCADOS.


PETRÓLEO - Os contratos futuros de petróleo acentuaram ganhos e renovaram sucessivas máximas intraday, após a Força Aérea da Ucrânia disparar um novo alerta de ataque de mísseis balísticos no país. Mais cedo, os militares ucranianos disseram ter sido alvos de um míssil balístico intercontinental lançado pela Rússia. Por volta das 7h30, o barril do WTI para janeiro subia 1,47%, a US$ 69,76, e o do Brent para igual mês ganhava 1,33%, a US$ 73,77.


FUTUROS DE NY E BOLSAS EUROPEIAS- Os índices futuros de Nova York e as bolsas da Europa pioraram, após relatos de que a Rússia teria disparado mísseis balísticos intercontinentais contra a Ucrânia. Mais cedo, os mercados acionários americanos exibiram sinais difusos com uma reação morna ao balanço da Nvidia. A empresa superou expectativas com lucro e receita, mas registrou desaceleração das vendas e uma margens menores. Às 7h32, o futuro do Dow Jones caía 0,11%, o do S&P 500 perdia 0,29% e o do Nasdaq cedia 0,40%. A Bolsa de Londres tinha ganho marginal de 0,06%, enquanto Paris cedia 0,50% e Frankfurt caía 0,19%.


TREASURIES - Os rendimentos dos Treasuries oscilam perto da estabilidade, com viés negativo, diante da retórica cautelosa de dirigentes do Federal Reserve (Fed) e da escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o Jefferies, o cenário apoia a expectativa pelas cotações da renda fixa trabalhando em uma faixa estreita. "Não vemos um catalisador para um movimento brusco em qualquer direção", afirma o banco. Às 7h33, o retorno da T-note de 2 anos caía a 4,289% (ante 4,318% no fim da tarde de ontem), o da T-note de 10 anos baixava a 4,382% (de 4,412% na véspera) e o do T-bond de 30 anos cedia a 4,576% (de 4,596%).


MOEDAS - O dólar recua ante pares rivais, em meio a sinais de exaustão do rali que impulsionou a moeda americana desde a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, há pouco mais de duas semanas. Segundo análise do Commerzbank, o índice DXY, que mede a moeda americana ante seis rivais fortes, agora está operando em nível acima do que se espera em um cenário de perspectivas de cortes de juros. "O dólar valorizou-se mais no índice do que se poderia esperar com base nos cortes nas taxas precificados", explica. Às 7h35, o DXY tinha viés de alta de 0,01%, a 106,69 pontos, com euro em baixa a US$ 1,0521 (ante US$ 1,0540 no fim da tarde anterior) e a libra, a US$ 1,2630 (ante US$ 1,2647). O dólar recuava a 154,25 ienes (de 155,50 ienes), após o presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, reiterar que as decisões serão tomadas a cada reunião.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, após a reação negativa ao balanço da Nvidia deflagrar um efeito dominó em ações do setor. Tensões geopolíticas também estiveram em foco, diante da escalada nas hostilidades na guerra da Ucrânia. No rastro das perdas da Nvidia, a rival TSMC recuou 1,46% em Taiwan, onde o índice Taiex caiu 0,58%. Em Seul, o índice Kospi cedeu 0,07%, sob o peso da SK Hynix (-1,06%). Em Tóquio, o Nikkei baixou 0,85%. Em Hong Kong, o Hang Seng cedeu 0,53%. Na China continental, por outro lado, o Xangai Composto subiu 0,07%, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto ganhou 0,07%. Na Oceania, o S&P/ASX 200, de Sydney, baixou 0,04%.


*Colaborou André Marinho


Contatos:  silvana.rocha@estadao.com; luciana.xavier@estadao.com



Broadcast+

Matinal ConfianceTec 2111

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

21/11/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE TERÇA-FEIRA (19)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na terça-feira (19) em alta de 0,34%, a 128.197 pontos. Já o dólar encerrou em alta de 0,36%, a R$ 5,768. Mercados seguem estressados, nas indefinições da guerra da Ucrânia e nas expectativas do pacote fiscal.

  

MERCADOS HOJE:


Os índices futuros dos EUA operam em queda no início desta manhã de quinta-feira. Motivo são os ataques de mísseis balísticos da Rússia contra a Ucrânia.


PRÉVIA DOS MERCADOS HOJE (5h40)


EUA 🇺🇸:

Dow Jones Futuro, -0,15%

S&P 500 Futuro, -0,31%

Nasdaq Futuro, -0,40%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China), +0,07%

Nikkei (Japão), -0,85%

Hang Seng Index (Hong Kong), -0,53%

Kospi (Coreia do Sul), -0,07%

ASX 200 (Austrália), -0,04%


Europa: 🇪🇺

FTSE 100 (Reino Unido), +0,15%

DAX (Alemanha), -0,15%

CAC 40 (França), -0,39%

FTSE MIB (Itália), -0,62%

STOXX 600, -0,21%

Commodities:

Petróleo WTI, +1,09%, a US$ 69,50 o barril

Petróleo Brent, +0,98%, a US$ 73,53 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,39%, a 777,50 iuanes (US$ 107,40)


NO DIA, 21/11


O mundo em suspense, depois da troca de ataques de mísseis balísticos entre Rússia e Ucrânia. Qual o desfecho? 


Uma nova etapa do conflito se inicia, em perigosa escalada?


Na agenda doméstica, hoje é dia de arrecadação federal; nos EUA, dados de trabalho. A Nvidia deve "causar" em NY, depois de ter caído ontem a noite.  


Por aqui, é o fiscal que continua como protagonista dos negócios.


O governo fechou acordo com a Defesa para cortes de gastos na previdência dos militares, destravando a última pendência do pacote.


Haddad pode se reunir com Lula para o anúncio oficial das medidas nesta quinta-feira (21). Oremos.


AGENDA DO DIA (21/11):


Indicadores:

10h30. Brasil: Receita divulga arrecadação federal de outubro

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Pedidos de auxílio-desemprego

12h00. EUA/NAR: Vendas de moradias usadas em outubro

12h00. Zona do euro: Índice de confiança do consumidor

14h30. Brasil/BC: Fluxo cambial semanal

21h30. Japão/S&P/Jinbun: PMI composto, de indústria e serviços (preliminar)


Eventos:

10h45 e 14h30. EUA: Beth Hammack (Fed/Cleveland) discursa

11h00. Brasil: Receita concede coletiva sobre arrecadação

11h00. Brasil/BCB: Diretor Ailton de Aquino dá coletiva sobre Relatório de Estabilidade Financeira

14h25. EUA: Austan Goolsbee (Fed/Chicago) discursa

15h00. Brasil: Reunião do CMN


Indicadores:

05h00. Brasil/Fipe: IPC da 2ª quadrissemana de novembro

07h00. Zona do euro/Eurostat: CPI de outubro

08h00. Brasil/FGV: IGP-M 2ª leitura de novembro

10h30. EUA/Deptº Comércio: Construção de moradias iniciadas em outubro


Eventos:

10h30. Brasil: Campos Neto (BC) participa de evento da ACSP

17h00. O diretor do BC Diogo Guillen palestra no Curso Estadão de Jornalismo Econômico 

22h15. China: PBoC decide taxa de juros (LPR) de 1 e 5 anos.

     

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quinta-feira e bons negócios!

Bankinter Portugal Matinal 2111

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O tom é um pouco melhor para HOJE e é provável que Nova Iorque termine em positivo (testemunhal, mas positivo) apesar de ONTEM a Ucrânia ter lançado 12 misseis britânicos Storm Shadow sobre a Rússia, depois de ter feito o mesmo, 48h antes, com os seus equivalentes ATACMS americanos. Isso deverá ter vacilado o mercado pela elevação do prémio de risco correspondente à geoestratégia que implica, mas não foi assim. Isso é um bom sintoma. Putin vai colocando linhas vermelhas que a NATO testa sem que nada ocorra, o que é um sinal, junto com outros muitos indícios de que a Rússia colocará todo o seu esforço militar nas próximas semanas para depois declinar devido à falta de meios humanos e materiais, principalmente em 2025, quando se estima que acabará o armamento herdado da URSS. E repõe a um ritmo inferior ao que consome, portanto é provável que agora estejamos no momento de maior tensão, que decairá por volta de fevereiro/março de 2025. A situação vai melhorar, mas depois de piorar um pouco mais. 

 

Target (EUA) caiu estrondosamente -20% ao admitir que espera uma holiday season fraca e ao comprovar que as vendas reagem bem apenas perante os descontos, realizando um profit warning em plena norma para o 4T: Vendas 0% vs +1,64% esperado e EPS 1,85$/2,45$ vs 2,66$ esperado. Parece algo singular, porque Nova Iorque nem sequer vacilou. Os bons resultados e guidance de WalMart contrariaram-no. 

 

Bowman (Fed), que é bastante hawkish/dura, afirmou que, no contexto atual, o nível neutro de taxas de juros deve estar bastante mais alto do que antes da Covid e que agora poderíamos estar mais perto desse nível do que acreditamos (agora, taxas de juros EUA em 4,50/4,75%), transmitindo uma perspetiva de menos descidas de taxas de juros do que aquilo que se pensa. Isto reforça a nossa recente revisão de taxas de juros da Fed até aprox. 3,50/4,00% em 2025, mas não mais abaixo. 

 

Finalmente, o mais importante. Ontem, às 21:30h, Nvidia publicou resultados que batem expetativas (EPS 0,81$ vs 0,75$ esperado; Margem Bruta 74,6% vs 75,0%) e guias de Vendas 4T um pouco superiores ao esperado (37.500M$ vs 37.220M$)… mas caiu -2,5% em aftermarket, porque o seu guidance de Margem Bruta para o 4T é 73,0% vs 73,5% esperado e o mercado colocou a fasquia tão alta que tudo parece insuficiente para ela. Contudo, nós pensamos que essa deterioração da Margem Bruta responde ao esforço de lançamento do seu novo chip Blackwell, que é razoável, que a procura de Blackwell é espetacular e que supera bastante a capacidade de produção, portanto as margens deverão recuperar de seguida; sendo assim… buy the dip!: é uma oportunidade para comprar Nvidia um pouco mais barata. Em paralelo, Palo Alto (cibersegurança) publicou resultados bons (Receitas +14%; BNA +17%) e guias em alta, mas ajustam-se ao esperado e, por isso, caiu -5% em aftermarket, mas fará um split 2x1 a 13 de dezembro, e pensamos algo parecido a Nvidia, embora a outra escala: comprar na debilidade. 

 

HOJE os futuros vêm mistos, mas os recentes inputs (geoestratégia e empresas) são bastante bons e as yields das obrigações parecem estabilizadas, igual ao USD, portanto provavelmente melhorará ao longo da sessão, com alguma referência macro americana e algumas intervenções de banqueiros centrais que poderão influenciar pouco. É mais provável uma subida modesta de estabilização (+0,2%?). E isso é especialmente bom neste contexto de instabilidade passageira. 

 

S&P500 +0% Nq-100 -0,1% SOX -0,7% ES-50 -0,5% IBEX +0,01% VIX 17,2% Bund 2,35% T-Note 4,40% Spread 2A-10A USA=+9pb B10A: ESP 3,05% PT 2,82% FRA 3,10% ITA 3,58% Euribor 12m 2,448% (fut.2,159%) USD 1,054 JPY 163,5 Ouro 2.661$ Brent 73,1$ WTI 69,0$ Bitcoin +3,1% (97.393$) Ether +1,1% (3.115$). 

 

FIM

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Walter Cestari

 WALTER CESTARI, LENDAS DA BOLSA, RESENHAS DE MERCADO.

Hoje nosso homenageado será o lendario Professor,Operador e folclorico Walter Cestari.

Cestari surgiu antes do boom de 1971,sempre muito elegante,cordial e amigo de todos. Trabalhou por inumeras Corretoras de Valores,pela Calispa,pela Bolsa e teve seu auge como professor e formador de operadores (inclusive eu) juntamente com outro gigante em conhecimento Helio de Paula Leite no antigo CITEC hoje reduzido a uma Ancor fria e vazia na ainda habitavel Libero Badaró (digo habitavel pois foi invadida por pobres moradores de rua).

Cestari tinha como colegas instrutores nada mais do que Helio, Securato (ex Novo Norte),Guilherme (ex Itau e Fundação Cesp), Lorenzi (ex Sudameris) e Cevalli (ex Bco do Paraná). Esse time não tinha pra ninguem.

Walter era um Forrest Gump do mercado, contador de historias ,notava se pelo brilho de seus olhos quando contava aquela da gravata na Bolsa de NY.

Estendeu seu DNA de simpatia, educação, e competencia a seus filhos, além e´logico pelo gosto etilico. Tenho contato distante com o Fabio Cestari que trabalhou no Bco Mercantil do Brasil com o Julio Russo.

Tenho minhas duvidas mas juntamente com Rominho,Cegonha,Raul Forbes , Zé Gordo,Nicolas , Oswaldinho Massito,Henriquinho,Alfredinho  e Toninho Barba, fizeram parte do time dos mais queridos do mercado.

Finalizando, Cestari até onde sei, encerrou sua carreira prestando serviços para a Bolsa juntamente com outra fera Mubarak.

Obrigado Cestari por seus ensinamentos a todos nós operadores de viva voz, seu nome está sim gravado para sempre na galeria dos imortais da Bolsa.


WALTER CESTARI, LENDAS DA BOLSA, RESENHAS DE MERCADO

OESP: A conta da política eleitoreira

 *A conta da política fiscal eleitoreira*


Levantamento da FGV mostra que estratégia de maquiar gastos abusivos nas eleições vinha sendo reduzida após um pico com Dilma Rousseff. Mas, com o lulopetismo de volta, o céu é o limite


EDITORIAL - O Estado de S. Paulo 


https://www.estadao.com.br/opiniao/a-conta-da-politica-fiscal-eleitoreira/


Populistas não seriam populares se não fossem eficazes na arte de vender ilusões. Na economia, ela implica rifar o crescimento sustentável no futuro para fabricar um bem-estar efêmero no presente. A regra número um do manual do demagogo é mascarar a expansão de gastos ao final do seu mandato, obrigando a sociedade a pagar a conta no seguinte. Pesquisadores da FGV Ibre fizeram as contas para mostrar o tamanho dessa fatura.


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se queixa, por exemplo, de despesas contratadas sem fontes de financiamento herdadas de Jair Bolsonaro. De fato, Bolsonaro empregou estratagemas criativos para ocultar impactos fiscais, como quando transferiu dívidas do Tesouro – os precatórios – para administrações futuras ou declarou “estado de emergência” em 2022 para justificar gastos fora do teto. Em tese, ele entregou o governo com um superávit primário de 0,2% do PIB; na prática, como os gastos encobertos foram de 0,9%, legou um déficit de 0,7%.


Este retrato do momento é útil à retórica vitimista lulopetista. Mas a trajetória do filme mostra que o lulopetismo é o grande responsável pela disfuncionalidade fiscal cujo preço se vê, por exemplo, nas cotações do dólar. Bolsonaro só aplicou a cartilha lulopetista, mas com menos denodo.


A contabilidade criativa vinha sendo reduzida nos últimos ciclos eleitorais. O déficit real de 0,7% do PIB, ao final de seu mandato, foi de 1,2% ao final de Dilma 2/Temer e de 3,5% ao final de Dilma 1 (1,8% de déficit primário, mais 1,7% de gastos ocultos). Para piorar, o período pré-eleitoral em Dilma 1 foi marcado por fortes intervenções no câmbio para baixar momentaneamente os preços das importações, o que não aconteceu nem no governo Temer nem no governo Bolsonaro – que, inclusive, inviabilizou a prática ao aprovar a autonomia do Banco Central, que Lula detesta.i


A própria Dilma só agravou a degradação herdada de seu criador. Após a reestruturação fiscal de FHC e um período de estabilidade no início de Lula 1, a situação fiscal se deteriorou continuamente, de um superávit primário de 2,5% em 2005 para um déficit de 1,8% em 2014. Entre 2015 e 2019, o déficit se manteve em 1,5%. Em 2020, houve uma recuperação, e 2021 se encerrou com superávit de 0,6%.


Nos últimos anos houve, como diz Haddad, aumentos de despesas obrigatórias sem fonte de financiamento, como no Bolsa Família, Fundeb ou emendas parlamentares – todos apoiados pelo PT. Ainda assim, o gasto primário do biênio 2021-2022, de 18,1% do PIB, foi inferior aos 19,5% de 2019, pois o salário mínimo e os gastos com saúde e educação eram ajustados pela variação da inflação, portanto, sem aumento real.


Como dizem os pesquisadores da FGV Ibre, o governo Bolsonaro fez uma “escolha” para acomodar a elevação das despesas, e, se o modelo tivesse sido mantido nos quatro anos subsequentes, teria criado um espaço fiscal de 1 ponto porcentual do PIB. Já o governo Lula “não fez escolha nenhuma”. O salário mínimo agora é reajustado pela inflação e pelo crescimento do PIB, enquanto as despesas com saúde e educação voltaram a ser vinculadas às receitas.


A arrecadação aumentou, mas os gastos aumentaram mais e 2023 voltou a registrar um déficit de 1,6%. Para piorar, o governo elevou gastos parafiscais – como bolsas para estudantes ou empréstimos via fundos públicos –, que não passam pelo Orçamento, mas pressionam a dívida.


Quando Bolsonaro aprovou o aumento “temporário” do Bolsa Família em 2022, Lula ironizou: “É como se fosse um sorvete: chupou, acabou; fica com o palito na mão. Temos que dar uma lição para ele”.


A lição seria aprovar, como nas economias desenvolvidas, mecanismos institucionais para garantir a robustez da política econômica no médio prazo, como limites fiscais num horizonte de três a quatro anos para contrabalançar o apetite imediatista dos ciclos eleitorais. É o que se esperaria de um estadista. Mas Lula é um populista, e faz o contrário: produz mais sorvetes, com novos sabores, empurrando para 2027 um ajuste fiscal amargo. A sociedade continuará a pagar a conta dos populistas, se não aprender a lição e puni-los nas urnas.

News 2011

 NEWS - 20.11


Câmara aprova regulamentação de emenda, com brechas para sigilo / Texto vai à sanção presidencial e não há previsão de que Lula vete trechos da proposta- Valor 20/11


Raphael Di Cunto


A Câmara dos Deputados rejeitou a maioria das alterações feitas pelo Senado no projeto de lei que regulamenta o funcionamento das emendas parlamentares ao Orçamento e, com isso, concluiu nesta terça-feira (19) a discussão sobre o texto, aprovado para atender demanda do Supremo Tribunal Federal (STF) por mais transparência e rastreabilidade na elaboração e execução dos recursos.


O texto vai à sanção presidencial. Segundo governistas, não há previsão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vete nenhum trecho da proposta e a sanção deve ocorrer logo, para destravar o pagamento das emendas parlamentares ao Orçamento, que está bloqueado desde agosto pelo ministro Flávio Dino.


O projeto estabelece ritos para elaboração das emendas parlamentares em suas quatro modalidades: individuais; de comissão (que substituíram a emenda de relator, popularmente conhecida como orçamento secreto); e de bancada estadual; além das transferências especiais, batizadas de “emendas Pix”, que são uma modalidade de emenda individual.


O texto, contudo, abre brechas para descumprir a decisão do STF por mais rastreabilidade e transparência sobre os recursos, utilizados por deputados e senadores para direcionar dinheiro para suas bases eleitorais. Entre as brechas está manter sob sigilo os reais autores das emendas de comissão. A forma como esse dinheiro será gasto será encaminhada pelo líder de cada partido as comissões temáticas da Câmara e do Senado e aprovado por elas. O padrinho da verba continuará oculto.


Por outro lado, o texto estabelece regras mais duras para as “emendas Pix”. Terá que ocorrer a apresentação de projeto e identificado de como o dinheiro será gasto, com fiscalização pelo Tribunal de Contas da União (TCU).


Os deputados reverteram quase todas as mudanças feitas pelo Senado. A principal é que 50% das emendas de comissão, previstas em R$ 11,5 bilhões por ano, serão destinadas para a área da saúde. Essa foi uma demanda do governo para ajudar a atingir o piso de gastos mínimos com saúde e evitar que fosse necessário cortar de outras áreas.


Além disso, os deputados limitaram as emendas de bancada estadual a 11 por unidade da Federação. Os senadores tinham elevado a 13. O acordo com o Supremo, no entanto, previa apenas quatro emendas por Estado para dificultar a divisão da verba entre os parlamentares. Embora vede a individualização, o texto mantém essa brecha, com a previsão de que cada emenda ainda poderá ser dividida em 10 ações.


Outro trecho rejeitado é de que as emendas Pix serão direcionadas para qualquer obra inacabada. Prevaleceu a posição dos deputados de que cada parlamentar terá que direcionar recursos da emenda Pix para obras ainda não concluídas de sua autoria. Havia temor de que o texto mais amplo obrigasse os congressistas a aportar recursos para obras do governo federal.


O governo também tenta costurar um acordo para permitir o bloqueio das emendas parlamentares (o que ocorre quando há crescimento das despesas acima do projetado). Hoje é autorizado o contingenciamento (corte de gastos quando há queda nas receitas). A previsão de bloqueio constava do projeto de lei, mas foi rejeitada por Câmara e Senado. A nova tentativa do governo é enviar um projeto de lei complementar próprio, com a permissão de bloqueio de até 15% do valor das emendas parlamentares ao Orçamento. Esse corte seria proporcional ao que o Executivo bloquear de suas próprias despesas discricionárias.


O deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ) afirmou que o projeto não resolve o problema da transparência. “O volume de recursos hoje, que está sendo definido por cada deputado e cada senador, está errado, é imoral”, criticou. Já o autor do projeto, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) defendeu que o texto traz avanços. “O que teve de cidade, de Estado, recebendo dinheiro e o povo não viu o benefício. A partir de agora haverá obra estruturante”, disse.


 


Governo e Defesa acertam cortes em previdência dos militares / Entre as quatro propostas que devem integrar pacote de redução de gastos, está o estabelecimento de idade mínima de 55 anos para ter direito à ‘reserva remunerada’- Estadão 20/11


ELIANE CANTANHÊDE


A área técnica do Ministério da Defesa fechou acordo com a equipe econômica para cortar gastos na previdência dos militares das Três Forças. Entre as medidas acordadas, está a criação de idade mínima de 55 anos para reserva remunerada, com período de transição. Hoje, o critério para aposentadoria é pelo tempo de serviço – pelo menos 35 anos.


As medidas vão integrar o pacote de corte de gastos que o Ministério da Fazenda prepara para tentar reconquistar a confiança nas contas públicas e dar uma sobrevida ao novo arcabouço fiscal, de modo a controlar a trajetória da dívida pública. A expectativa é de que esse pacote seja anunciado ainda nesta semana pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a inclusão do Ministério da Defesa no pacote, tendo se reunido na semana passada com o chefe da pasta, José Múcio Monteiro, para tratar do assunto. A articulação do governo foi motivo de críticas no setor. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente e general da reserva do Exército, chegou a escrever no X que o governo tentava apresentar o sistema dos militares “como vilão” do déficit da Previdência.


O acordo foi fechado no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Contragolpe, com a prisão de oficiais de alta patente suspeitos de planejar um golpe de Estado no País e os assassinatos do presidente Lula, do vicepresidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).


MEDIDAS. A criação de uma idade mínima para a reserva remunerada é uma das medidas. Será estabelecida de forma progressiva, com regra de transição. Hoje, não há uma idade mínima, mas um tempo mínimo de serviço de 35 anos.


Ficou definido também o fim da morte ficta, ou “morte fictícia” – quando militares mesmo expulsos das Forças por crimes ou mau comportamento conseguem garantir às suas famílias o direito a receber pensão. Agora, a família do militar passará a ter direito a auxílio-reclusão, tal como previsto na Lei 8.112/90 para os servidores públicos.


Reportagem do Estadão publicada em setembro do ano passado mostrou que a Marinha e a Aeronáutica pagam pensão para 493 parentes de militares “mortos fictícios”. Os beneficiários incluem parentes de condenados por crimes como homicídio, ocultação de cadáver, abuso sexual e estelionato.


A reforma também vai mexer em pensões. Uma vez que tenha sido concedida para os beneficiários da 1.ª ordem (cônjuge ou companheiro e filhos), não será mais permitida a concessão sucessiva de pensão para os beneficiários das 2.ª e 3.ª ordens (pais e o irmão dependentes do militar).


Finalmente, houve acordo para fixar em 3,5% da remuneração a contribuição do militar das Três Forças para o Fundo de Saúde, até janeiro de 2026.


TCU. Como mostrou o Estadão, os militares pesam, individualmente, 17 vezes mais no déficit da Previdência do que os aposentados do Regime Geral do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Conforme os números mais recentes levantados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), o déficit per capita do INSS foi de R$ 9,4 mil no ano passado; já o dos servidores civis foi de R$ 69 mil, enquanto o dos militares atingiu o montante de R$ 159 mil.


Os apontamentos do TCU serviram como base para assessores de Lula começarem a defender mudanças na área. A medida também ajudaria Lula a “vender” o pacote, que passaria a conter reduções em uma categoria considerada privilegiada, e não apenas cortes em áreas sociais.


“Considerando a profundidade das alterações nos regimes previdenciários, promovidas nas últimas duas décadas, verifica-se que os militares das Forças Armadas foram os que preservaram as maiores vantagens”, afirmou o ministro Walton Alencar Rodrigues, durante a análise das contas presidenciais, em junho. •


ESTADÃO: CÂMARA APROVA PROJETO QUE CRIA MERCADO REGULADO DE CARBONO- 20/11


Por Victor Ohana e Iander Porcella

A Câmara dos Deputados aprovou hoje projeto que cria um mercado regulado de carbono no Brasil, com o objetivo de estabelecer limites para a emissão de gases de efeito estufa. O texto, que havia voltado para nova votação dos deputados após análise do Senado, vai agora a sanção presidencial.


A Câmara rejeitou uma das mudanças feitas pelo Senado, ao retomar a obrigatoriedade para que seguradoras, sociedades de capitalização e resseguradores locais invistam, no mínimo, 1% por ano dos recursos de suas reservas técnicas e de provisões em ativos ambientais. Os senadores haviam retirado essa obrigatoriedade e apenas autorizado a aplicação de até 0,5% dessas verbas.


O texto prevê a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Por meio desse sistema, as empresas vão poder compensar a emissão de gases poluentes comprando créditos de carbono ligados a iniciativas ambientais. Um ato do Executivo poderá estabelecer regras de funcionamento dos órgãos que compõem a governança do SBCE, que será composto pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, por seu órgão gestor e pelo Comitê Técnico Consultivo Permanente.


Na regulamentação, deverá ser definido um teto para a emissão de gás carbônico em determinadas atividades produtivas. Para que uma empresa ultrapasse esse montante máximo, precisará comprar cotas de outra que não tenha usado todo o seu limite, no chamado comércio de permissões de emissões. Dessa forma, nunca haverá aumento efetivo da emissão de carbono.


Quando uma empresa tiver limite disponível para a liberação de gases poluentes, poderá transformar esse direito em um crédito de carbono - ativo que será negociado e poderá ser comprado por outra companhia que já atingiu o teto e precise de mais cotas. Essas operações serão tributadas, o que resultará em arrecadação de impostos.


O sistema divide esse mercado entre dois setores, o regulado e o voluntário - o agronegócio está no segundo. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) comemorou a votação. “Contemplar os produtores como responsáveis por essas vendas é trazer justiça e garantia do direito de propriedade”, disse o presidente da bancada do agro, Pedro Lupion (PP-PR).


Câmara aprova PL que usa fundo de microempresas também para o Pé-de-Meia / Projeto sofreu resistência e volta ao Senado, que terá a palavra final sobre texto- Folha SP 19/11


Fábio Pupo


A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19) o projeto de lei que faz com que um fundo público usado para financiar empresas durante a pandemia de Covid-19 seja usado tanto no crédito a companhias como no Pé-de-Meia, programa para estudantes do ensino médio criado pelo governo Lula (PT).


O Congresso já havia alterado a legislação anteriormente buscando a continuidade do programa de suporte às empresas, o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Mas as leis mantiveram a previsão de que o FGO (Fundo Garantidor de Operações) –criado em 2009 e amplamente usado durante a crise do coronavírus– teria repasses à iniciativa encerrados em janeiro de 2025.


O texto dos parlamentares prevê que o FGO vai poder continuar repassando ao menos 50% dos recursos ao programa, mas também determina que parte vai abastecer o Pé-de-Meia. A previsão é de R$ 4 bilhões repassados à iniciativa voltada aos estudantes.


O projeto original, de autoria do senador Esperidão Amim (PP-SC), determinava apenas a revogação de trechos na legislação que previam o encerramento dos repasses do fundo ao programa. Mas, durante a tramitação, o Senado passou a prever a destinação ao Pé-de-Meia.


O modo de financiamento do programa de ensino tem sido criticado por especialistas em contas públicas por ficar isento do limite de despesas do arcabouço fiscal criado pelo governo, já que é operado em um fundo privado fora do Orçamento. Outras iniciativas semelhantes têm sido elaboradas pelo governo.


O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que o projeto de lei é um absurdo. "Ele está na verdade regularizando, legislando sobre fundos, utilizando o nome do Pronampe –que é importante para muitas empresas, inclusive–, desfigurando o projeto original do senador Espiridião Amin, que tornava o Pronampe permanente, para dizer agora que R$ 4 bilhões de outros fundos podem ser usados fora do arcabouço para o Pronampe", disse.


O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que os governistas só queriam um pouco mais de recursos ao Pé-de-Meia. "É um programa vitorioso. Talvez tenha sido a maior contribuição que nós do governo demos ao país [...]. Não acredito como alguém tem a coragem de apresentar um destaque para retirar esses R$ 4 bilhões do Pé-de-Meia", afirmou.


O projeto precisa retornar ao Senado Federal.


Expectativa de alta de 0,75 ponto na Selic ganha força / Desancoragem das projeções de inflação pode levar a nova aceleração do ritmo de aperto do Copom em dezembro- Valor 20/11


Gabriel Caldeira


Depois de pausar o ciclo de corte de juros no primeiro semestre, voltar elevar a Selic em setembro e aumentar o ritmo do aperto monetário neste mês, o Banco Central (BC) pode ter que realizar uma nova mudança na condução da política monetária. Tem ganhado força no mercado a visão de que será necessário acelerar o passo para uma alta de 0,75 ponto percentual da taxa básica na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro.


Economistas de mercado veem condições para uma alta de juros mais célere diante da desancoragem acentuada das expectativas de inflação no horizonte da autoridade monetária. Eles avaliam que as medidas de ajuste fiscal do governo podem aliviar a pressão sobre o Copom e evitar essa nova aceleração do aumento da Selic. Porém, argumentam que o quadro econômico já é suficiente para justificar uma alta de 0,75 ponto percentual, após o aumento de 0,5 ponto feito no início deste mês, que levou a taxa a 11,25% ao ano.


As projeções de inflação do mercado têm aumentado constantemente nos últimos meses. O relatório Focus já acumula sete divulgações seguidas em que a mediana das expectativas para o IPCA em 2024 sobe. As projeções para o IPCA de 2025 foram elevadas nos últimos cinco relatórios.


A deterioração na inflação esperada levou o mercado a aumentar também as suas previsões para a taxa Selic, com a mediana do Focus atualmente apontando para uma taxa de juros de 12% ao fim do ano que vem, acima dos 11,5% previstos anteriormente.


Segundo Caio Megale, economista-chefe da XP, a desancoragem das expectativas inflacionárias em relação à meta de 3% tende a aumentar o “orçamento” total do aperto da Selic e criar senso de urgência entre os membros do Copom, o que conversa com um ritmo mais forte para o aperto monetário. “Se faz sentido um ciclo [de alta de juros] maior, faz sentido acelerar o ritmo”, diz. Para ele, o ambiente de piora das expectativas pode fazer com que o Copom perca o controle da discussão do mercado, e “uma ação um pouco mais forte” seria apropriada para dar senso de urgência.


Embora enxergue como possível que o Copom eleve a Selic em 0,75 ponto percentual já em dezembro, o economista-chefe da XP por ora mantém em seu cenário-base a manutenção do ritmo de 0,5 ponto, com uma taxa de 13,25% ao fim do ciclo. De acordo com ele, caso o pacote de ajuste fiscal do governo traga medidas de caráter mais estrutural, a tendência é o BC manter o passo de 0,5 ponto por reunião. Caso as propostas decepcionem e o colegiado opte por uma aceleração do ritmo para 0,75 ponto no mês que vem, Megale afirma que deve revisar a sua projeção de Selic para, pelo menos, 13,75% ao ano.


Embora reconheça que as medidas fiscais podem trazer algum alívio ao BC, Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, avalia que seria um erro o Copom não acelerar novamente o aperto monetário com base nos cortes de gastos que o governo deve apresentar.


“Achamos que deveria acelerar o ritmo por conta do quadro atual. O BC não pode depender do fiscal; se tiver uma entrega boa, ótimo, aí ajusta para frente”, argumenta Leal, que espera uma Selic de 13,5% ao fim do ciclo. Por ora, “é difícil ver o ‘copo meio cheio’ da inflação no curto prazo” diante da depreciação recente do câmbio doméstico e a deterioração das expectativas, ressalta.


O economista-chefe da ARX ressalta que há riscos sobre a política fiscal mesmo se o plano do governo agradar os agentes financeiros. “Não dá para contar que vai ter de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões de economia” diante de um processo de tramitação no Congresso que pode desidratar o pacote, diz.


Além disso, o próprio governo ainda não entregou todo o pente-fino dos gastos com programas sociais, prometido em julho passado e que totalizaria R$ 25,9 bilhões em cortes. “Já estamos conversando há um tempo sobre medidas pelo lado das despesas. O governo não tem lastro pra ter o benefício da dúvida do mercado”, afirma o economista.


Já Megale não vê chance de que o BC aumente os juros a um patamar menor do que os 13,25% projetados pela XP para o ano que vem, mesmo se o pacote fiscal surpreender positivamente. “O pacote está sendo calibrado para que as despesas continuem crescendo em 2,5% ao ano e não mais que isso. Com a dívida elevada como está, [o fiscal] ainda é expansionista”, diz.


Outra instituição financeira que passou a projetar uma Selic acima de 13% no ano que vem foi o Itaú Unibanco. O time de pesquisa macroeconômica do banco, liderado pelo economista-chefe Mario Mesquita, atualizou as expectativas e agora espera aceleração do passo a 0,75 ponto em dezembro e uma taxa no de 13,5% no fim do ciclo, em 2025, ante 12% na projeção anterior.


“Com câmbio mais depreciado, atividade ainda resiliente, expectativas desancoradas (por um período prolongado) e riscos crescentes, o Banco Central precisará recalcular o grau de aperto monetário e avançar ainda mais, e com maior celeridade, em território contracionista”, diz Mesquita em relatório publicado nesta semana.


Ele, contudo, vê chance de uma política monetária menos agressiva dependendo de como vier o ajuste fiscal pretendido pelo governo. “Caso ocorra uma redução significativa do prêmio de risco com o anúncio de um corte de gastos mais ambicioso que sinalize um compromisso maior com o ajuste fiscal, o ciclo de juros pode ser menor e, os cortes, eventualmente retomados no segundo semestre de 2025 ou início de 2026”, afirma.


Já os economistas Rafael Cardoso e Julio Cesar Barros, do banco Daycoval, não esperam que o corte de gastos seja suficiente para “interromper o processo de desancoragem das expectativas de inflação”. Portanto, eles acreditam que o Copom vai acelerar o ritmo de alta da Selic no mês que vem e aumentá-la para 13,25%, com duas altas de 0,75 ponto percentual e uma última de 0,5 ponto, conforme apontam em relatório.


Para Megale, da XP, não só o pacote fiscal deve ser observado pelo Copom para definir qual será a decisão na reunião de dezembro, como também a dinâmica do crédito, que “tem dado sinais de desaceleração” em conjunto com um aumento da inadimplência. Até que esses dois fatores estejam claros, os diretores do BC continuaram sem indicar um ritmo para o ciclo de aperto, diz.


“O [presidente do BC] Roberto Campos Neto já teve oportunidade de falar que não concorda com o que está precificado na curva de juros, e não falou nada disso. Também é um sinal de que a alta de 0,75 está em aberto”, avalia o economista-chefe da XP.


Além dos desafios domésticos, o cenário externo piorou para as economias emergentes com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a perspectiva de um juro mais elevado do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Ainda que o BC diga que não há “relação mecânica” entre os juros básicos americanos e brasileiros, “é difícil ignorar” os movimentos do Fed nos Estados Unidos, pontua Leal de Barros, da ARX.


“A eleição de Trump deixa o juro terminal mais alto por conta do prêmio de risco maior e as políticas mais inflacionárias. E isso pressiona o nosso juro. Não tem relação [mecânica] só até a primeira página”.


 


Alimentação sobe 2% e tem maior alta desde maio de 2022 em SP / Carnes e produtos do café da manhã têm as maiores pressões na taxa de inflação- Folha SP 20/11


O café da manhã ficou mais caro para os consumidores, o que levou a taxa de inflação dos alimentos para o maior patamar desde maio de 2022. A pressão veio também das refeições, devido à puxada de preços das carnes e dos produtos "in natura", principalmente das verduras.


Os preços médios dos alimentos subiram 2% na segunda quadrissemana deste mês. O período compreende a média dos últimos 30 dias (terminados de 15 de novembro), em relação aos 30 imediatamente anteriores.


Esse patamar de taxa não era registrado desde a segunda quadrissemana de maio de 2022, período de pico da inflação, conforme dados divulgados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) nesta terça-feira (19).


Vários produtos que estavam com uma reversão de preços, após alta acentuada alta nos anos anteriores, voltaram a subir. O café tem uma das principais elevações. Apenas nos últimos 30 dias, ficou 3,7% mais caro, acumulando 25% no ano.


Pãozinho e açúcar, produtos que também vinham com queda de preços, voltaram a ficar mais caros nesta quadrissemana. O leite, após acumular elevação de 25% no ano, tem estabilidade no varejo.


A captação de leite melhorou no campo, mas os preços sobem devido à intensa procura do produto pelas indústrias de processamento. Os derivados lácteos, como manteiga e iogurte, também pesam mais.


Um dos pesos importantes no bolso do consumidor continuam sendo as carnes. A bovina, com o aumento da arroba do boi gordo no campo, subiu 9,4% apenas nos últimos 30 dias nos supermercados.


Os cortes com preços menores tiveram reajustes acima da média, como ocorreu com patinho, acém e músculo, que ficaram pelo menos 11% mais caros. No embalo da carne bovina, a de frango subiu 3,3%, e a suína, 6% no período.


O aumento do preço da soja puxa também o do óleo nos supermercados. Apenas nos últimos 30 dias, a correção foi de 10,3% para o produto, segundo a Fipe. A demanda deste óleo cresceu com o aumento da mistura de biodiesel ao diesel.


Arroz e feijão ficaram fora das pressões no índice inflacionário. O cereal está com preços estáveis, mesmo neste período de entressafra, enquanto a leguminosa, com boa oferta, caiu 0,4% nos últimos 30 dias.


Juro alto faz empresas retirarem R$ 232 bilhões do caixa para aplicações / Levantamento de consultoria sinaliza que algumas companhias abertas ganham mais no mercado financeiro do que com o próprio negócio- Painel S>A- Folha SP 20/11


São Paulo


Com a alta dos juros, empresas da Bolsa passaram a destinar mais recursos de seu caixa para aplicações financeiras. Esse movimento, que foi crescendo lentamente desde março de 2021, quando a Selic começou a subir até atingir dois dígitos, ganhou mais fôlego com o novo ciclo de alta da taxa básica.


Nesse período, as companhias abertas aplicaram R$ 83 bilhões a mais no mercado, atingindo o patamar de R$ 232,4 bilhões no fim de setembro —uma alta de 55% em relação a março de 2021, quando o saldo em aplicações era de R$ 149,3 bilhões.


O levantamento foi feito pela Elos Ayta, consultoria especializada em dados de mercado financeiro, e não considera a Petrobras, que, pelo tamanho, distorce o levantamento.


Segundo Einar Rivero, sócio da consultoria, os números indicam que há companhias ganhando mais no mercado do que com seu próprio negócio.


"Se as empresas conseguiram investir os seus recursos na renda fixa, em alguns casos podem ter lucrado mais com juros do que com a operação", disse Rivero.


Na indústria, algumas companhias com caixa superior a R$ 10 bilhões despenderam mais de 60% do seu caixa com o mercado financeiro.


Foi o caso da Marfrig e do frigorífico Minerva, e da companhia de papel e celulose Suzano, que utilizaram em setembro 75,86%, 66,89% e 66,04% do caixa para esse fim, respectivamente.


Com Stéfanie Rigamonti


Custos e benefícios da reforma tributária / Primeiro boleto da reforma tributária já vai chegar no ano que vem / No ano que vem, a União terá de aportar cerca de R$ 9 bilhões no Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, criado para viabilizar o fim da “guerra fiscal”. -  Valor 20/11


Lu Aiko Otta


Os efeitos mais visíveis da reforma tributária sobre a economia brasileira ainda vão demorar a aparecer, mas o primeiro boleto já chegou. No ano que vem, a União terá de aportar cerca de R$ 9 bilhões no Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, criado para viabilizar o fim da “guerra fiscal”. Será o primeiro pagamento para um conjunto de quatro novos fundos, numa conta que ultrapassará a marca de R$ 1 trilhão nos próximos 20 anos. É muito? Pode não ser, se forem levados em consideração os ganhos esperados na arrecadação a partir das mudanças.


Os R$ 9 bilhões deveriam estar previstos no Orçamento de 2025, que está em análise no Congresso. Mas não estão. Além disso, os projetos de lei que vão regular o funcionamento dos fundos ainda nem foram enviados ao Legislativo.


Será preciso cortar despesas para viabilizar esse pagamento, caso o gasto seja considerado primário. Mas, segundo se comenta nos bastidores, existe a possibilidade de ser financeiro.


O elevado custo fiscal dos fundos é um aspecto da reforma tributária que tem recebido pouca atenção, na visão do ex-secretário da Receita Federal José Tostes Neto. Ele cita estudo elaborado por Cristiane Schmidt, ex-secretária de Fazenda de Goiás que atuou como consultora do Banco Mundial, segundo o qual o custo estimado é de R$ 1,057 trilhão até 2046.


“Não há espaço fiscal para a União assumir esse compromisso tão alto, tão significativo, nesse curto espaço de tempo”, avalia Tostes. Em tese, o custo vai se estender pela eternidade. “E a mudança de governo às vezes muda as políticas, as prioridades, a forma de ver as coisas”, pontua.


A criação dos quatro fundos foi uma contrapartida cobrada pelo Congresso para aprovar a reforma. São eles: o de compensação de benefícios fiscais, o de desenvolvimento regional, o de diversificação econômica da Amazônia e o de desenvolvimento da Amazônia Ocidental e Amapá.


Esses se somarão aos fundos constitucionais de Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que já existem hoje e que custarão R$ 64 bilhões este ano. Tostes, que foi secretário de Fazenda do Pará, questiona se, em vez de criar novos fundos, não seria melhor fazer funcionar os que já existem.


Autora do cálculo que apontou para o custo trilionário da reforma tributária, Schmidt lembra que originalmente os fundos estavam dirigidos para infraestrutura e tecnologia, como é feito na União Europeia. No entanto, o texto foi modificado de forma que os governadores terão plena liberdade para alocar o dinheiro.


O impacto fiscal dos fundos é o principal ponto de crítica da especialista, porque os valores são elevados e não está claro de onde virão os recursos. É um problema, principalmente levando em conta o cenário difícil para as contas do governo federal.


Ainda assim, ela considera que a reforma tributária é positiva. A criação dos fundos, na sua visão, foi uma medida correta dentro do processo de negociação no Congresso. Porém, é preciso encontrar fontes de financiamento. Por exemplo, os fundos constitucionais existentes.


A conta dos fundos assusta, mas é preciso compará-la com os benefícios decorrentes da reforma, diz Bráulio Borges, pesquisador do FGV Ibre e economista sênior da LCA Consultores. Ele estimou o custo dos fundos, com pressupostos diferentes dos utilizados por Schmidt, e chegou a um total de R$ 1,49 trilhão no período de 2025 a 2050.


Do outro lado da moeda, Borges calculou quanto a União arrecadará a mais no período. Para tanto, considerou a média apontada em dez diferentes estudos sobre o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro como consequência da reforma: 10,7%.


Considerando que a receita líquida da União permanecerá em 18,5% do PIB, o ganho de arrecadação no período chegaria a R$ 6,1 trilhões.


A conclusão é que, apesar do custo elevado dos fundos, a reforma tributária será vantajosa para o país. “O custo-benefício é claramente positivo”, afirma. Os ganhos são 4,1 vezes maiores do que o custo dos fundos.


Dado que a reforma entrará em operação aos poucos, no começo do processo a União terá mais gastos do que ganhos. No período de 2025 a 2030, a diferença será de R$ 48,1 bilhões, uma média de R$ 9,6 bilhões por ano. A partir de 2030, a relação se inverte, com a balança pendendo para o lado da União em R$ 9,1 bilhões. Em 2050, as receitas estarão R$ 506,7 bilhões maiores, para gastos de R$ 84,8 bilhões.


Borges vê outras vantagens na reforma. Por exemplo: o uso dos recursos dos fundos terá de estar nos orçamentos dos Estados e municípios. É uma forma mais transparente do que a atual, baseada na concessão de benefícios tributários.


Além disso, o Fundo de Desenvolvimento Regional beneficiará todas as unidades da Federação, e não apenas o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste, como hoje. Há áreas no Sul e no Sudeste que precisam de apoio para seu desenvolvimento, aponta.


Os fundos da reforma tributária custarão caro ao contribuinte brasileiro. Sua regulamentação será uma boa oportunidade para estabelecer regras que garantam boa alocação dos recursos e transparência na aplicação.


Lu Aiko Otta é repórter especial em Brasília. Escreve às quartas-feiras.


 


COLUNA DO BROADCAST: BANCOS ESTUDAM SAÍDA DA BRASKEM POR MEIO DE CAPITALIZAÇÃO E NOVO SÓCIO- Broadcast 19/11


Por Cynthia Decloedt


São Paulo, 19/11/2024 - Os bancos detentores das ações da Braskem estudam uma alternativa para dar saída nos papéis que têm na petroquímica e foram dados como garantia pela Novonor em empréstimos tomados pelo grupo no passado. A ideia é conduzir um processo de capitalização privado junto a um investidor financeiro, por meio do qual a fatia de controle da Novonor na Braskem seja diluída e as dívidas existentes dos bancos equacionadas. A dívida total com Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES supera R$ 15 bilhões.


A Coluna apurou que é uma estrutura que está sendo gestada e não há definição sobre seu formato, mas a proposta foi aceita pelos bancos, pela Novonor e pela Petrobras, que no passado já rejeitou a presença de um investidor financeiro.


Pela proposta, a Novonor ficaria ainda com uma fatia minoritária de participação na Braskem, necessária para seguir honrando os compromissos financeiros do processo de recuperação judicial, por meio de dividendos. Esse porcentual ainda está sendo discutido. Nas negociações que vinham acontecendo para a venda para a petroquímica de Abu Dabi Adnoc, a Novonor ficariam com 4% de participação.


Esta nova alternativa não anula os esforços que são feitos para a venda por meio de uma operação de fusão e aquisição (M&A), que está sendo trabalhada pelo Morgan Stanley e pelo BTG Pactual, separadamente.


Segue, portanto, no páreo a Petrochemical Industries Company (PIC), do Kuwait, que segue fazendo diligências na companhia. A própria Petrobras, que tem ações da petroquímica não descartou oficialmente seu interesse em ficar com a companhia.


As tentativas de venda da fatia da Novonor vêm de 2019 e, além dos bancos que desejam receber seus créditos, a própria empresa quer sair da recuperação judicial e virar a página. O grupo Odebrecht esteve no centro da operação Lava Jato, em 2015, que investigou um esquema de propinas junto às maiores construtoras do País.


A Novonor detém o controle da Braskem, com uma participação de 50,1% das ações ordinárias e 38,3% do capital total. Ao seu lado está a Petrobras, com uma fatia de 47% das ordinárias e 36,1% do total. A Novonor negocia sua fatia como parte do plano de recuperação judicial, que já dura 4 anos.


Procurados, os bancos, a Novonor e a Petrobras não comentaram.


 


Renan Filho recebe chairman da Vale e propõe resgate de até R$ 15 bi de ferrovias / Interação também serviu para o governo sondar o interesse em outros projetos ferroviários considerados estratégicos; reunião não contou com a presença do presidente da Vale, Gustavo Pimenta- Valor 20/11


 


Rafael Bitencourt


O ministro dos Transportes, Renan Filho, reuniu-se com executivos da Vale, na tentativa de avançar com o acordo de repactuação de valores dos contratos renovados das ferrovias Carajás e Vitória-Minas (EFC e EFVM). O encontro, nesta terça-feira (19), que durou mais de duas horas, incluiu Daniel André Stieler, presidente do conselho de administração da mineradora.


O Valor apurou que a interação com o comando da mineradora também serviu para o governo sondar o interesse em outros projetos ferroviários considerados estratégicos para o executivo. A reunião no gabinete do ministro Renan Filho não contou com a presença do presidente da Vale, Gustavo Pimenta, que há poucos meses assumiu o comando da empresa.


A negociação para revisar valores das outorgas das ferrovias já teve momentos de maior hostilidade. Renan Filho ameaçou levar o caso à Justiça com o intuito de responsabilizar os executivos e agentes públicos que assinaram a renovação em condições que, segundo ele, seriam desfavoráveis à União.


No atual estágio das tratativas, o ministro dos Transportes tenta assegurar um aporte de R$ 15 bilhões da mineradora. Esse valor, no entanto, ainda não está fechado e pode ter o seu repasse diluído ao longo dos próximos anos. Embora elevada, a fatura cobrada da Vale já foi reduzida em quase à metade dos R$ 27 bilhões colocados pelo governo no início do mandato.


Integrantes do Ministério dos Transportes têm recebido cobranças da equipe econômica para acelerar o fechamento das negociações e garantir arrecadação prevista aos cofres da União. Assessores do ministro Renan Filho garantem que as regras criadas para o setor vinculam esse dinheiro a futuros investimentos em ferrovias.


O encontro também foi acompanhado pelos diretores de negócios, Fábio Ferraz, e de assuntos regulatórios, Marcelo Sampaio — este último foi secretário-executivo do então Ministério da Infraestrutura e comandou o órgão no fim do governo passado, após a saída de Tarcísio de Freitas.


Da parte do governo, a ida dos executivos da mineradora foi acompanhada pelos secretários-executivos da Fazenda, Dario Durigan, e dos Transportes, George Santoro.


Também foi levado à mesa de conversas com os executivos da Vale o Trecho 1 da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol 1), ligação entre Ilhéus e Caetité, na Bahia. Nos últimos meses, a Vale precisou responder sobre eventual movimentação para adquirir a Bahia Mineração S.A (Bamin), mineradora que detém o contrato de subconcessão da Fiol 1 e enfrenta dificuldades financeiras. Rumores davam conta de que o governo vinha pressionando a Vale para assumir o negócio da concorrente.


Desde que chegou ao ministério, Renan Filho insiste na estratégia de levantar recursos para expandir a malha ferroviária do país com a revisão dos valores de outorga definidos na renovação de contratos no setor, firmados durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além das duas ferrovias da Vale, o governo negocia a elevação dos valores de outorgas dos grupos Rumo (Malha Oeste) e MRS Logística (Malha Sudeste).


Nas contas do governo, seria possível garantir R$ 30 bilhões para financiar a expansão da rede ferroviária nacional. Ultimamente, o Ministério dos Transportes trabalha com um número mais conservador, de R$ 20 bilhões.


Procurada, a Vale informou que "está em discussões avançadas com o Ministério dos Transportes sobre as condições gerais para a otimização dos planos de investimentos dos Contratos de Concessão da EFC e da EFVM, que hoje são regularmente executados pela empresa nos termos estabelecidos e divulgados ao mercado em dezembro de 2020.”


Questionada sobre eventuais tratativas com a Vale, a Bamin informou que "não comenta especulação de mercado".

Bankinter Portugal Matinal 2011

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem Rússia recebeu a atenção. Respondeu ao recente ataque ucraniano assinando um decreto que lhe permitirá usar armas atómicas em resposta a ataques no seu território, por parte de um Estado não nuclear, mas com o apoio de uma potência nuclear. Escalada de tensão que nos faz insistir na nossa recomendação de compra no setor defesa e que provocou quedas na bolsa na Europa, e compra de obrigações e ouro, principalmente. Os EUA, por sua vez, voltaram a subir pela segunda sessão consecutiva, animados pelos bons resultados de WalMart (+3%) e com os semis novamente em alta (+0,6%). 

 

Para a sessão de hoje, o importante chegará com o mercado já fechado. Às 21h, teremos os resultados de Nvidia (EPS 0,742$; +85% a/a) e em segundo planos, os de Palo Alto (1,48$; +7%). É fundamental para tomar o pulso à tecnologia. Um cenário de inflação e taxas de juros mais elevadas prejudica diretamente o setor, por isso é importante que Nvidia bata expetativas e transmita guias generosas. Desta vez, a chave para interpretar os resultados será o ritmo de vendas do seu chip de última geração Blackwell, sobre o qual não há estimativas exatas, porque oscilam entre 5bn$ e 13bn$. Não será de interpretação imediata.  

 

No resto do dia, apenas destacar: (i) o forte aumento do IPC do Reino Unido (+2,3% desde +1,7% anterior, com a subjacente a surpreender em alta: 3,3% desde 3,2% ant.), que descarta a a opção de uma descida de taxas de juros na próxima reunião, a 19 de dezembro, como já estimávamos. (ii) Sem mudanças nas taxas de juros na China; (iii) Os Salários Negociados BCE (10h) poderão refletir moderação, como aconteceu nos registos anteriores: (+3,6% no 2T vs. +4,7% no 1T). Se assim for, favorece a possibilidade de que o BCE baixe taxas de juros na sua reunião de 12 de dezembro.  

 

Em suma, esperamos uma sessão lateral ou ligeiramente em baixa, desde que a geopolítica o permita. Convém ter paciência esta semana. E atenção a Nvidia após o fecho. 

 

S&P500 +0,4% Nq-100 +0,7% SOX +0,6% ES-50 -0,8% IBEX -0,7% VIX 16,4% Bund 2,34% T-Note 4,40% Spread 2A-10A USA=+12pb B10A: ESP 3,04% PT 2,78% FRA 3,08% ITA 3,55% Euribor 12m 2,45% (fut.12m 2,193%) USD 1,060 JPY 163,9 Ouro 2.632$ Brent 73,3$ WTI 69,5$ Bitcoin +1,0% (92.243$) Ether -1,7% (3.096$). 

 

FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...