domingo, 10 de novembro de 2024

Leitura de domingo 1 OESP

 Leitura de Domingo: Não podemos ficar reféns da relação com os EUA, diz Carlos Fávaro


Por Isadora Duarte


Brasília, 06/11/2024 - O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil tem de respeitar a posição mais protecionista do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, mas que não deve ficar refém dessa relação. "Ele fez uma campanha numa plataforma mais protecionista. Queremos ter relações comerciais com toda a América do Sul, com os Estados Unidos, com a Europa, mas também não precisamos ficar reféns dessa situação. O fortalecimento do Brics e o fortalecimento dos países do Sul Global são fundamentais para ampliarmos as nossas negociações", disse Fávaro a jornalistas no Uruguai, onde cumpriu agenda nesta quarta-feira.


O ministro afirmou ter "quase convicção" de que algumas declarações e posições de Trump tendem a ficar restritas ao período eleitoral. "A eleição talvez se exacerbe algumas manifestações, mas a realidade governando é outra. Por isso, eu tenho certeza que os Estados Unidos continuarão tendo um protagonismo importante para o mundo, para a América Latina, para a Ásia e para o Oriente Médio na nova gestão de Donald Trump", observou.


Para Fávaro, uma ampliação das relações diplomáticas e comerciais do Brasil com os países do Sul Global "supera qualquer protecionismo" a ser adotado por outros países. "Neste Sul Global, temos grande densidade populacional com Índia, China, Japão, toda a Ásia, além de todo o Oriente Médio com países com muitos recursos. E temos a América do Sul com grande densidade populacional e países bem estabilizados", ponderou o ministro.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Dominância fiscal

 Dominância fiscal:

Tradução 

É quando vc precisa de juros mais altos p controlar a inflação, mas a dívida pública já chegou num ponto tão alto em relação ao PIB q, para pagá-los, precisa-se de um superavit primario tão alto, q a única maneira de se fazer o ajuste é via inflação. 


É o ponto em q estamos chegando. 


7% de juro real por ano, numa divida q representa 80% do pib. São 8.75% do pib com juros.


E o PT decidindo se o resultado primario desejado é deficit de 0.25% do Pib, ou zerado.


Já se vão 40 anos de redemocratizacao e ainda não aprenderam o básico do básico.

Estabilidade...o mal maior

 Vai🇧🇷



https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/11/estabilidade-de-servidores-no-brasil-chega-a-65-do-total-na-suecia-a-1.shtml

sábado, 9 de novembro de 2024

BCB x pacote fiscal

 Leitura de Sábado: BC joga futuro de juros no pacote do governo e deixa próximo passo em aberto


Por Eduardo Laguna, Renata Pedini, Daniel Tozzi Mendes e Denise Abarca


São Paulo, 6/11/2024 - Diante do ambiente de incertezas tanto domésticas quanto externas, o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou nesta quarta-feira algo que poderia ser entendido, basicamente, como uma cópia do comunicado anterior, não fosse um recado claro sobre o pacote em gestação no governo para fortalecer o arcabouço fiscal, na avaliação de economistas ouvidos pelo Broadcast.


No anúncio de elevação da Selic para 11,25%, o BC cumpriu as expectativas de que não só elevaria o ritmo de alta dos juros de referência para 0,50 ponto porcentual como manteria a posição de aguardar a evolução do cenário para decidir sobre seus próximos passos. Ou seja, segue sem dar guidance.


A novidade veio no recado firme dado ao governo sobre a política fiscal. "O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida, com a apresentação e execução de medidas estruturais para o orçamento fiscal, contribuirá para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária".


Em outras palavras, o BC avisa que o trabalho de levar a inflação para a meta de 3% ficará mais fácil, a um menor custo, se o governo apresentar um pacote com medidas estruturais, que demonstrem a sustentabilidade do arcabouço, e não com ações pontuais de ajuste nas contas públicas.


O primeiro efeito do comunicado foi em geral neutro, sem mudar a situação anterior de divisão entre economistas que aguardam o fim do ciclo já em janeiro e os que apostam num período de aperto mais longo ou em ritmo mais agressivo, com a Selic indo para acima de 13%. Só que mesmo os mais otimistas reconhecem o viés de alta, dado que, mesmo com os juros subindo, as projeções do BC continuam piorando. Frente à reunião de setembro, a expectativa de inflação do Copom subiu mais um pouco: de 3,5% para 3,6% no horizonte relevante da política monetária, atualmente o segundo trimestre de 2026.


Sem trazer surpresas nesta quarta-feira, não será o BC que vai fazer preços no pregão de amanhã, mas sim a reação dos investidores à eleição, rodeada de riscos, de Donald Trump nos Estados Unidos e as notícias sobre o pacote de contenção de despesas.


Segundo o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otavio Leal, cenários em que mais instituições do mercado financeiro passem a projetar uma Selic acima de 13% podem ganhar força. Tudo vai depender de quão crível será o pacote de corte de gastos.


Para o gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar, o tom mais "incisivo" do Copom na abordagem sobre a política fiscal aumentou a responsabilidade do governo nas medidas que promete lançar.


Na interpretação da diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, o BC, a exemplo do mercado, espera que o pacote de contenção de gastos seja mais amplo do que desvincular e colocar o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) dentro do piso da educação.


Se houver frustração com o pacote e ambiente internacional adverso, levando o câmbio a uma depreciação adicional, além de maior desancoragem das expectativas, o BC, prevê Solange, vai ter de acelerar o ritmo de altas da Selic.


Economista do BTG Pactual, Alvaro Frasson não descartou uma aceleração no ritmo de alta dos juros, para 0,75 ponto porcentual, na próxima reunião do Copom, marcada para 10 e 11 de dezembro. "Se chegar às vésperas do Copom de dezembro, e o mercado entender que o BC vai piorar a projeção do segundo trimestre de 2026 de novo, o remédio pode ser mais amargo", diz.


Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; renata.pedini@estadao.com; denise.abarca@estadao.com; daniel.mendes@estadao.com


Broadcast+

Alvaro Gribel

 Lula aceitou que medidas fiscais sejam estruturais, mas PT quer que atinjam 'andar de cima’


Por Álvaro Gribel, do Estadão


Brasília, 09/11/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já aceitou e entendeu que as medidas em discussão para cortar gastos são estruturais, e é justamente por isso que o processo vem se prolongando nas últimas duas semanas. Segundo interlocutores a par das negociações, as reuniões comandadas pelo presidente já somam mais de 20 horas de debates, envolvendo ministros, secretários, economistas, dirigentes partidários e até sindicalistas.


Lideranças do PT também já admitem que o cenário para a economia é binário, com um forte impacto no dólar, juros, e crescimento econômico em caso de frustração com o pacote. Mas entendem que é preciso uma saída honrosa para o partido, com medidas que atinjam também o “andar de cima”. Isso facilitará a comunicação das medidas, para que elas não recaiam apenas sobre os mais pobres e não sejam vistas como uma traição por parte do eleitorado petista.


O anúncio ainda pode levar alguns dias, porque dependerá não apenas de Lula, mas de conversas entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco, e da Câmara, Arthur Lira. Essa seria a “fase 2" da elaboração do pacote, que ainda está por vir.


Pessoas a par das negociações dizem que ninguém sabe exatamente o que será decidido pelo presidente da República, mas garantem que ele está bem informado para definir o que sai e o que fica. Se a discussão envolvesse bloqueios e contingenciamentos, por exemplo, o anúncio já teria sido feito. Como são medidas estruturais, que envolvem muitos anos de governo à frente, Lula se sente no direito e dever de ouvir todos os lados para tomar a melhor decisão, a despeito da pressão do mercado financeiro.


O alinhamento entre Fazenda e Casa Civil já foi tornado público por Haddad, depois de quase dois anos de desentendimentos entre os chefes das duas pastas. Isso dá mais segurança a Lula.


O que está em discussão


O seguro-desemprego em alta, mesmo com o mercado de trabalho aquecido, é um argumento que já sensibiliza integrantes do PT. O mesmo ocorre em relação aos aposentados do INSS que recebem o mesmo valor do salário mínimo de quem tem direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas que não contribuiu para a Previdência.


A ideia em estudo pelo secretário Sérgio Firpo, de só conceder o salário mínimo ao BPC para quem fizer algum tipo de contribuição, é bem vista no PT, porque foca na arrecadação, e não na redução de gastos. Não ajuda a conter o aumento de despesas que forçará o teto de 2,5% do arcabouço, mas contribui para diminuir o déficit primário.


Outro ponto visto como crucial na estratégia de comunicação é conseguir explicar que o governo não está “reduzindo gastos sociais”, mas desacelerando o ritmo de alta. Nesse sentido, estabelecer o teto de 2,5% para o salário mínimo é uma medida palatável, porque dá ao partido o argumento de que a valorização está garantida ao trabalhador, mas de forma sustentável nos próximos anos.


Broadcast+

Fundos da Anbima: seguem os resgates

 Fundos têm resgate de R$ 9,1 bi em outubro, diz Anbima 


Os fundos de investimentos fecharam outubro com um resgate líquido de R$ 9,151 bilhões, o segundo mês de saídas líquidas, informou hoje a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a Anbima. Com esse resultado, os fundos acumulam no ano captação líquida de R$ 245,3 bilhões. Os resgates foram liderados novamente pelos fundos multimercados, que perderam R$ 39,2 bilhões em outubro, o 14° mês seguido de saídas líquidas. No ano, os multimercados acumulam saída de R$ 235,6 bilhões. Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, esse movimento negativo dos multimercados se deve especialmente a uma performance aquém do esperado em termos de rentabilidade juntamente com uma aversão a risco bastante elevada. Ele lembra que as mudanças tributárias no ano passado mexeram com os fundos fechados, que passaram a ser tributados pelo come-cotas, duas vezes por ano. A maior parte desses fundos exclusivos era de multimercados pois esse tipo de carteira dava mais liberdade para o gestor. “Houve muita transformação de multimercados exclusivos em fundos de ações, renda fixa, Fidcs, ou seja, os investidores otimizaram a estrutura que tinham nos multimercados para separar o que era renda variável, ações e outras estratégias”, explicou, ao comentar os dados do terceiro trimestre do setor de fundos. Os fundos de ações também tiveram saídas líquidas em outubro, de R$ 449 milhões, reduzindo o saldo de aplicações líquidas no ano para R$ 379 milhões. Foi o quarto mês seguido de resgates em fundos de ações. Já os fundos de renda fixa captaram R$ 10,0 bilhões em outubro, acumulando captação líquida de R$ 312,4 bilhões no ano. A expectativa é de que ainda ocorram aumentos dos juros até o fim do ano e os fundos de renda fixa devem continuar atrativos e atraindo recursos, afirma Rudge. “Mas existem algumas medidas que podem fazer com que o investidor ganhe um pouco mais de confiança e queira ou se sinta mais confortável em aumentar o risco, como o pacote do governo de contenção de gastos”, acrescenta. Para ele, apesar de um nível de juro alto com expectativa de subir mais, a melhora do ambiente fiscal poderia trazer demanda maior para ativos mais arriscados porque preços desses ativos têm um potencial interessante. Sobre os Fiagros, Rudge nota que houve notícias ruins de empresas passando dificuldades no setor, mas segundo ele, não é uma coisa generalizado e nem com grande impacto relevante nessa categoria de fundos. “Um ou outro fundo tem exposição mais relevante a uma empresa, mas isso acaba fazendo parte do investimento, todo crédito privado tem risco de a coisa não ir na direção esperada”, diz. Rudge comentou também sobre as mudanças nas regras do setor de fundos, que agora permitem que um mesmo fundo tenha mais de uma categoria de cotas, o que elimina a necessidade de criar outro fundo para oferecer o mesmo tipo de aplicação para um público diferente com taxa de administração maior ou menor. “Isso traz um ganho operacional e economia de custos que deve beneficiar cotistas”, afirma Rudge. Segundo a Anbima, 27% do total de 31 mil fundos de investimentos já estão adaptados, e o restante deve ajustar seus modelos até o fim do prazo, que é em junho de 2025. A maioria dos que se adaptaram, 65%, declararam ter responsabilidade limitada, ou seja, caso o fundo tenha prejuízo, o investidor perde no máximo o que aplicou, e não precisa cobrir outras perdas do fundo. “Isso é melhor para o investidor”, explica Rudge. Outra característica dos fundos que já fizeram a mudança é que um porcentual grande, 48% são fundos exclusivos, que são mais fáceis para fazer a adaptação, já que tem apenas um ou alguns cotistas.

Semanal MZ

 📊 Resumo da Semana 


A vitória de Donald Trump foi o grande evento desta semana. O mercado americano respirou aliviado, não apenas pelo fato de o republicano ser contra a taxação de fortunas e empresas, mas pelo fato de o resultado da eleição presidencial ter saído rapidamente e com uma margem expressiva de delegados em relação a Kamala Harris, eliminando um fator de incerteza que poderia se arrastar por semanas. Se Wall Street comemorou, a China, Europa e mercados emergentes já começaram a sentir os impactos da escolha de Trump, com forte desvalorização de suas moedas diante da expectativa de um governo mais protecionista. Ainda nos EUA, o Fed seguiu o roteiro e cortou os juros em 25 pb, mas deixou em aberto quais serão os próximos passos da política monetária. Por aqui, o Copom também não trouxe surpresas, mas elevou o tom em relação ao risco fiscal. E mais uma semana termina sem qualquer sinal do pacote de cortes de gastos. 

Bom fim de semana! (Téo Takar)


🗞 Jornal do Investidor 

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Ailton Braga

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