segunda-feira, 4 de novembro de 2024

News 1 0411

 NEWS - 02.11


Criação de subteto para gastos obrigatórios depende de ajustes em programas para ficar de pé / Limite de 2,5% de crescimento para despesas obrigatórias é uma das medidas estudadas pela equipe econômica- O Globo 2/11


Thaís Barcellos


Sem atacar pontos sensíveis, como as regras de concessão dos benefícios sociais e de vinculação ao salário mínimo, o anúncio de um pacote de contenção de gastos poder ajudar, mas não deve assegurar a sustentabilidade do arcabouço fiscal nos próximos anos. A criação de um subteto de crescimento para gastos obrigatórios, por exemplo, só para de pé se for acompanhado de gatilhos que afetem o próprio funcionamento de cada despesa, avaliam economistas consultados pelo GLOBO.


A equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva trabalha em uma proposta “híbrida” para corte de gastos, que inclui tanto medidas pontuais quanto um ajuste estrutural em despesas, e que está dividida em três frentes de atuação, conforme mostrou o GLOBO.


Uma proposta é criar um limite de 2,5% acima da inflação para o crescimento de alguns gastos obrigatórios. A ideia é alinhar essas despesas obrigatórias ao arcabouço fiscal, que prevê um teto de 2,5% acima do IPCA para o crescimento dos gastos em geral por ano.


O que o Executivo ainda está discutindo é se esse será um limite global para despesas obrigatórias ou individual para alguns gastos. Em qualquer cenário, ao atingir esse limite de gastos, seriam acionados “gatilhos” para conter as despesas.


Nos cálculos dos economistas consultados, um pacote "completo" poderia gerar uma economia de até R$ 50 bilhões, considerando alterações pontuais nos programas do governo e a criação de uma regra global que guie a evolução das despesas.


Segundo o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, a ideia de criar um limite para despesas obrigatórias pode ser boa, mas é preciso ver os detalhes. Em sua avaliação, é possível criar uma hierarquia de regras, de modo a manter a forma atual de correção e vinculação dos benefícios, até que o teto seja alcançado.


Um exemplo, segundo ele, seria manter a indexação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo, mas, caso a despesa supere o aumento de 2,5%, então parte dos gastos não poderia ocorrer.


---É uma maneira de reforçar o arcabouço e torná-lo mais perene. Os gatilhos teriam de envolver o próprio funcionamento de cada despesa --- disse o ex-secretário de Fazenda de São Paulo.


No caso do investimento mínimo em saúde, a adoção da mesma regra do arcabouço fiscal poderia reduzir o piso em R$ 24 bilhões em 2025, segundo Salto. Em relação ao Fundeb, a economia poderia ser de cerca de R$ 5,5 bilhões se a complementação da União se mantivesse em 19%, em vez de subir para 21%.


Para o economista Pedro Schneider, do Itaú Unibanco, as mudanças nas regras de gastos específicos são complementares à adoção de uma medida estrutural, como a criação de um subteto de despesas obrigatórias. Sem a alteração nas regras, Schneider avalia que a limitação pode se tornar inócua ou até mesmo criar uma bola de neve, como aconteceu com os precatórios - ordem de pagamentos derivadas de decisões judiciais que não cabem mais recursos.


Ele cita, por exemplo, o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Caso o crescimento supere o limite imposto, uma eventual suspensão de concessões criaria uma fila de espera pelo auxílio, ou seja, um represamento de despesas.


O ideal, segundo ele, seria que a limitação da taxa de crescimento fosse acompanhada de um endurecimento no acesso ao benefício. Uma saída seria estabelecer um orçamento fixo para o programa por ano, como já ocorre com o Bolsa Família.


--- A pessoa recebe BPC sem nunca ter contribuído porque é assistencial. O Bolsa Família também. O número de beneficiários está crescendo a dois dígitos, mas todo mundo que pede e tem direito entra na folha de pagamentos. Um jeito de implementar o teto de 2,5% é tornar o BPC uma despesa obrigatória com controle de fluxo.


Isso poderia render uma economia de R$ 15 bilhões por ano. A combinação nas regras do seguro-desemprego, abono salarial, Fundeb com a limitação de 2,5% poderia levar o governo a poupar R$ 50 bilhões, em seus cálculos. Agora, as medidas individualmente, sem a linha mestra do subteto, devem gerar economia de cerca de R$ 30 bilhões.


Para o economista Ítalo Franca, do Santander Brasil, a criação de um teto para o crescimento dos pisos de saúde ou educação ou mesmo para a variação real do salário mínimo são positivas, mas como efeito maior no médio e longo prazo.


Ele defende que a revisão de parâmetros do seguro-desemprego, do abono, do Fundeb e, principalmente, do BPC teriam um efeito maior no curto prazo, podendo chegar a R$ 40 bilhões. Isso possibilitaria uma melhor gestão orçamentária em 2025, se as novas regras forem aprovadas ainda este ano.


O economista afirma que é necessária abrir um espaço de pelo menos R$ 15 bilhões para ter mais flexibilidade na execução do orçamento do ano que vem.


--- É para criar um espaço para não cortar discricionária de um modo que o governo não deseje no ano que vem e poder acomodar despesas que hoje estão fora, como o auxílio gás, ou para o caso da economia de R$ 25,9 bilhões com o pente-fino não se materializar.


Dados os sinais políticos, o ex-secretário do Tesouro e sócio-fundador da Oriz Partners, Carlos Kawall, avalia que o limite de 2,5% poderia ser adotado para os pisos de saúde e educação, o que é positivo, mas não resolve o crescimento da dívida pública.


Nesta semana, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, negou mudanças no abono salarial, no seguro-desemprego e no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Antes, Lula já tinha vetado mudanças na política de valorização do salário-mínimo.


--- Meramente, compatibilizaria com o arcabouço, dando mais espaço fiscal em 2025 e 2026 --- disse Kawall.


Nesse quesito, o economista chama atenção para as declarações da ministra do Planejamento, Simone Tebet. Ela disse que, do seu ponto de vista, não há pressa em aprovar as medidas, porque a maioria é para 2026.


Para Kawall, a sinalização é de que o objetivo do pacote é dar sobrevida ao arcabouço até 2026, de modo a impedir uma queda muito grande nos gastos discricionários, como de investimentos, em ano eleitoral.


--- No fundo, o que está sendo pensado para compatibilizar o crescimento da despesa obrigatória ao arcabouço é um movimento que está mais voltado ao cálculo eleitoral. Como dar uma segurada na despesa para chegar lá na frente e não estar com água no pescoço --- avalia ele --- É um ajuste estrutural ou eleitoral? --- questiona.


 


Adriana Fernandes -Até onde Haddad segura no gogó o corte de gastos? / Sem alinhamento das medidas, governo esfriou expectativas sobre o anúncio do pacote / Auxiliares do presidente reforçam que Lula não está preocupado com a pressão de prazos dada pelo mercado para o anúncio do pacote. O tempo da política é outro.- Folha SP 2/11


Com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fora de Brasília, na próxima semana, em viagem internacional à Europa, o pacote de ajuste fiscal ganhou um ritmo diferente da pressão que faz o mercado financeiro para o anúncio urgente de medidas de corte de despesas.


Após reunião de integrantes da equipe econômica com o presidente Lula (PT), na noite da última terça-feira, a estratégia do governo foi esfriar a expectativa de um encaminhamento rápido da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que Haddad quer apresentar ao Congresso para conter o avanço das despesas obrigatórias e reduzir as incertezas com o futuro do arcabouço fiscal.


A viagem do ministro Fernando Haddad, num momento de escalada dos juros futuros, do dólar e da alta da tensão em torno do resultado da eleição presidencial nos Estados Unidos, é um sinal contundente de que há um longo caminho a ser percorrido até que as medidas saiam do forno e sejam apresentadas.


Haddad deixa o Brasil, mas os problemas ficam. As incertezas com o impacto das eleições americanas, na próxima terça-feira (5), amplificam os riscos.


A despeito da sinalização dada pelo ministro Rui Costa (Casa Civil) de convergência com Haddad na necessidade do pacote de ajuste fiscal, ficou claro que falta ainda sensibilizar o presidente Lula para a necessidade de medidas mais fortes para mudar a visão dos investidores sobre os riscos envolvendo o crescimento da dívida pública –um problema que não é só brasileiro.


Auxiliares do presidente reforçam que Lula não está preocupado com a pressão de prazos dada pelo mercado para o anúncio do pacote. O tempo da política é outro.


Haddad precisa de mais prazo. Tempo, sobretudo, para buscar consenso sobre as medidas dentro do governo. Na reunião desta semana, Lula ainda não decidiu todas as iniciativas de ajuste que poderão acompanhar a adoção de um limite global para as despesas obrigatórias, que seguiria o mesmo índice de correção do arcabouço fiscal (expansão de até 2,5% acima da inflação ao ano) com os gatilhos de contenção.


Como mostrou a Folha, as medidas de ajuste em estudo poderiam compor a lista de gatilhos ou ser implementadas de forma avulsa. É possível também combinar ambos os formatos. Os cenários ainda estão em análise. Não há nada fechado.


Sem essas medidas/gatilhos, não há como prometer o cumprimento do limite de despesas obrigatórias. Gasto obrigatório, como o nome diz, é obrigação. Não acaba simplesmente porque se fixou um teto.


A ameaça do ministro Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) de demissão caso alguma decisão sobre temas da sua pasta seja tomada (seguro-desemprego e abono salarial), mostrou as dificuldades e pode abrir uma crise no governo com apoio do PT raiz.


"Se eu for agredido, é possível [pedir demissão]", afirmou Marinho em entrevista coletiva na quarta-feira (30). Foi o mais duro ataque público até agora de um ministro de Lula ao pacote de Haddad.


Há descontentes (silenciosos, por enquanto) em outros ministérios com o risco de serem atingidos pelo pacote. O mais importante neste momento, na avaliação do Palácio do Planalto, é alinhar internamente as medidas.


Não ajuda em nada Lula ter deixado (injustamente) a ministra Simone Tebet (Planejamento) de fora da reunião de convergência em torno das medidas.


A semana terminou com o dólar em R$ 5,86. Até onde Haddad vai segurar o tranco no gogó sem apresentar as medidas?


 


ESTADÃO: DÓLAR TEM MAIOR VALOR SOB LULA COM INCERTEZAS NO BRASIL E EUA- 2/11


Por Alvaro Gribel


O primeiro pregão de novembro foi marcado pela disparada do dólar, que subiu 1,53% e terminou valendo R$ 5,86. É o maior patamar desde 13 de maio de 2020 (R$ 5,90), ou seja, no auge da pandemia de covid-19. No ano, a valorização acumulada já chega a 20,9%. O dia também foi de nova alta dos juros no mercado futuro e de queda da Bolsa.


Dois fatores estão por trás desses números. O primeiro é a falta de notícias concretas sobre o pacote de corte de gastos prometido pelo governo para depois das eleições. A ausência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do País na próxima semana (ele terá reuniões em quatro capitais na Europa) foi lida no mercado como mais atraso no anúncio das medidas. O outro fator tem a ver com os desdobramentos da disputa presidencial nos EUA. A possibilidade de vitória do republicano Donald Trump levanta o temor de juros e dólar fortalecidos por políticas comerciais agressivas e alta do déficit fiscal americano.


O grande problema dessa forte alta do dólar em um curto espaço de tempo é o impacto que isso tem nas expectativas de inflação. Segundo o economista Luis Otávio Leal, da G5 Partners, para cada 10% de alta da moeda americana a estimativa é de que o IPCA aumente cerca de 0,4 ponto porcentual. Isso ajuda a entender por que o Banco Central tem tido dificuldade de "ancorar" as expectativas do mercado, ou seja, fazer com que os economistas projetem a inflação no centro da meta de 3% nos próximos anos.


Como nem toda a alta do dólar estava no radar dos especialistas, a expectativa é de que, mantido o patamar atual, as projeções de inflação voltem a piorar nas próximas semanas. "Considerando que há um ano o dólar estava perto de R$ 4,85, se for para R$ 6,00 será uma valorização de quase 25%, o que poderia impactar o IPCA em até 1 ponto", explicou.


COPOM. Na próxima semana, o BC terá nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para definir a taxa Selic. Ontem, antes mesmo do fechamento do mercado, o Itaú Unibanco divulgou relatório prevendo aceleração no aumento dos juros, que deve subir 0,5 ponto, ante 0,25 de alta na reunião anterior (em setembro). Com isso, a Selic pode chegar a 11,25%, para subir novamente em dezembro e terminar o ano em 11,75%.


O Itaú cita outros fatores que têm pressionado a inflação, como o mercado de trabalho apertado, já que o desemprego está em nível historicamente baixo. Se por um lado há o efeito benéfico sobre o nível de atividade e a renda das famílias, por outro significa menor estoque de mão de obra para trabalhar, com reflexos sobre a inflação de serviços.


"Diante de um cenário ainda desafiador, com taxa de câmbio em nível mais depreciado do que na reunião anterior, mercado de trabalho apertado e núcleos de inflação e expectativas ainda acima da meta, as autoridades devem julgar apropriado este aumento do ritmo, avançando mais rapidamente em território contracionista. Neste contexto, a avaliação de um balanço de riscos assimétrico para cima também deve ser mantida", afirmou o Itaú.


Em relação ao cenário externo, o governo brasileiro não tem nenhum controle, já que uma possível vitória de Donald Trump pode elevar a inflação nos Estados Unidos, o que forçará o Federal Reserve (o banco central dos EUA) a manter os juros mais elevados. Isso tende a fortalecer o dólar globalmente.


Mas os economistas frisam que está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiar as medidas em estudo pela equipe econômica para cortar gastos e, assim, tentar recuperar a confiança sobre a solvência das contas públicas.


 


Com avanço do dólar, economistas já projetam alta nos preços de viagens e alimentos, e efeitos até nas compras de Natal / Indefinição sobre medidas do governo para conter gastos volta a afetar o mercado. Moeda já subiu 20,96%no ano- O Globo 2/11


Isa Morena Vista / Paulo Renato Nepomuceno


A indefinição sobre o corte de gastos e um cenário externo incerto levaram o dólar a fechar ontem com a maior cotação desde 13 de maio de 2020. A moeda avançou 1,53% e atingiu R$ 5,869. É o segundo maior valor nominal da História, o mais alto desde a pandemia e o maior do terceiro mandato de Lula.


O mercado reagiu à notícia de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viajará na próxima semana para a Europa, um sinal de que a decisão sobre o formato final da aguardada proposta de corte de gastos ficará para a segunda semana de novembro. No ano, o dólar já subiu 20,96%.


A alta da moeda americana preocupa por seus efeitos na inflação, no consumo doméstico, no planejamento de empresas e nos juros. Economistas já projetam alta nos preços de viagens e alimentos, podendo afetar até as compras de Natal.


O diretor da Casa Flora Importadora, Adilson Carvalhal Junior, afirma que, caso a moeda siga em patamares altos, o consumidor poderá sentir mudanças nos preços dos alimentos já em dezembro deste ano.


A forte demanda — impulsionada por uma economia aquecida — consumiu boa parte dos estoques de segurança dos varejistas, o que pode acelerar a necessidade de reposição de produtos importados, que serão comercializados com base em um dólar mais caro.


Segundo Aloísio Campelo Júnior, superintendente do FGV/Ibre, três dos alimentos que podem ser mais afetados são típicos do Natal: panetone, bacalhau e vinhos.


Carvalhal Junior pondera , por outro lado, que o varejo costuma relutar para aumentar os preços na época das festas de fim de ano, já que os consumidores esperam ver valores mais baixos neste período:


— Todo mundo quer ser competitivo em preço. É difícil alterar o preço no meio dessa campanha.


Estímulo à exportação


O economista André Braz, coordenador do Índice de Preços do Ibre/FGV, acrescenta que a alta da taxa de câmbio leva produtores brasileiros a se voltarem para a exportação, o que acaba restringindo a oferta de alguns alimentos no mercado nacional:


— Quando a nossa moeda fica muito desvalorizada, é como se o Brasil entrasse em promoção. Os produtos brasileiros estão mais baratos. Então, o volume maior de exportação, com uma oferta que está a um custo mais alto, resulta num aumento de preço aqui.


Apesar do possível aumento nos preços dos alimentos, Campelo Júnior acredita que dificilmente a cotação atual do dólar impactará os preços das compras no fim de ano. Ele avalia que os estoques foram adquiridos com meses de antecedência, já prevendo as compras da Black Friday, no fim de novembro.


Entretanto, o efeito no preço de viagens e passagens aéreas deve ser imediato, afirma Silvio Campos Neto, economista e sócio da Tendências Consultoria. Além do dólar turismo estar mais caro, os pacotes de viagens também podem sofrer reajustes de preços. O aumento no valor do combustível de aviação — que é comercializado em dólar — também pode encarecer passagens aéreas internacionais e nacionais, diz Campelo Júnior, do FGV/Ibre.


A forte valorização do dólar também impacta a indústria. Os produtos manufaturados brasileiros possuem, em média, 22% de insumos importados. No setor de tecnologia, podem chegar a 40%.


— Uma volatilidade do câmbio é prejudicial. O mercado produtivo prefere estabilidade ao longo do tempo para poder ancorar suas decisões por meses e anos — diz Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI), acrescentando que a incerteza leva empresas a adiar planos de investimentos em máquinas e equipamentos.


Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, afirma que as incertezas sobre o resultado da eleição nos Estados Unidos, com uma possível vitória do republicano Donald Trump, são responsáveis por uma parcela do avanço do dólar.


Mas o economista afirma que as dúvidas sobre condução da política fiscal pelo governo Lula e o desequilíbrio das contas públicas são o principal fator da disparada do dólar.


Ajuste necessário


O ex-ministro diz que a resistência do entorno do presidente atrasa o ajuste e aumenta os problemas da equipe econômica comandada pelo ministro Fernando Haddad. Maílson afirma que medidas estruturais de ajuste no Orçamento são fundamentais para minimizar a atual gravidade da situação fiscal. Mas, opina, é pouco provável que as medidas que serão anunciadas sejam capazes de reverter o pessimismo no mercado.


 


Dólar alto e oferta menor farão preços dos alimentos subirem mais de 7% em 2025 / Itens como café, frango, ovos e óleo de soja devem ter reajustes entre 4,5% e 11%. Preço das carnes deve subir até 16,1%. Se confirmado, será o maior aumento em cinco anos- O Globo 2/11


Carolina Nalin


Apesar da previsão de safra recorde de grãos e de um clima favorável em 2025, economistas estimam que preços de alimentos importantes da cesta de consumo das famílias deverão aumentar no próximo ano. A combinação de dólar mais alto e oferta restrita de alguns produtos aponta para reajustes entre 4,5% e 11% em itens como café, frango, ovos e óleo de soja.


Analistas já veem a inflação de alimentos em até 7,4% em 2025. O aumento supera a inflação geral projetada para o ano que vem, que está em torno de 4%, conforme o Boletim Focus, que reúne as estimativas do mercado. No ano, a moeda americana já subiu 19,2% e chegou R$ 5,869 ontem, o maior patamar do governo Lula.


Só o preço das carnes deve subir até 16,1% em 2025. Se confirmado, será o maior aumento em cinco anos: em 2020, foi de 17,97%. Após um alívio em 2023, o custo da proteína vem subindo este ano, motivado por uma redução na oferta de gado no campo, alta da demanda interna e da exportação elevada.


Alexandre Maluf, economista da XP, espera reajuste de 7,4% para alimentação no domicílio em 2025, em parte puxado pelas carnes. Ele conta que o mercado financeiro tem sido surpreendido com a alta recente da arroba do boi, cujo repasse para o consumidor tem sido mais rápido do que o esperado.


Maluf projeta um aumento de pelo menos 12,5% da carne bovina este ano e avanço de 16,8% no ano que vem. A carne suína e o frango, por sua vez, devem ficar 13% e 11% mais caros no próximo ano, respectivamente.


— É uma pressão forte no setor de proteínas. Esse ciclo (de alta das carnes) deve se estender até 2026. O cenário global está ainda pior, com restrições de oferta nos Estados Unidos.


Alta de carnes


A arroba do boi gordo alcançou R$ 300 no dia 16 de outubro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP. Esse patamar não era atingido há 20 meses. Segundo boletim do Cepea, os novos preços indicam uma inversão de tendência e refletem principalmente a baixa oferta de animais para abate.


Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea, acrescenta que os preços das carnes já vêm subindo pela conjuntura desfavorável no campo. Historicamente, a falta de chuvas entre maio e setembro reduz a quantidade de pasto disponível para o gado. Neste ano, porém, o cenário foi agravado pelas queimadas:


— Falta gado pesado pronto para o abate. Isso tem impacto diretamente nos preços da carne e do leite. A perspectiva para o ano que vem realmente é ter preços mais elevados.


Outro fator que contribui para a redução da oferta de carne é o aumento da demanda externa, impulsionado principalmente por China e novos mercados, que provoca o desvio da produção para as exportações, cita José Carlos Hausknecht, sócio-diretor da MB Agro.


O especialista explica ainda que o ciclo da pecuária deve se reverter em 2025, com uma diminuição no abate de fêmeas, à medida que os preços elevados incentivam os pecuaristas a retê-las para a produção de bezerros. Esse movimento ocorrerá após um intenso abate nos últimos dois anos.


— O preço da arroba do boi pode subir entre 10% e 20% em 2025, a depender do nível de retenção de fêmeas no ano que vem. A expectativa é que os preços de carnes realmente fiquem pressionados, e isso acaba afetando outras proteínas.


Fábio Romão, economista da LCA Consultores, tem projeção mais conservadora para a inflação de alimentos em 2025: alta de 3,7%. Ainda assim, cita que parte dessa alta virá dos preços das carnes, que devem subir em média 6,3% no período:


— A alta da carne provoca o efeito de substituição — diz ele, que espera que frango e ovos fiquem 4,5% mais caros no ano que vem.


Café sobe até 32%


Andrea Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, prevê aumento de 5,5% na alimentação no domicílio. Ela alerta que a continuidade do patamar elevado do dólar adiciona mais riscos inflacionários à estimativa. A carne bovina deve subir 10% em 2025, seguido das altas de 6,2% da carne suína e 5,3% do frango.


Outro produto destacado pelos economistas é o café. A seca e as altas temperaturas têm prejudicado a produção do grão, e a previsão também é de safra reduzida no ano que vem. Tudo isso num cenário de diminuição da oferta do grão em outros países, o que piora a situação.


Andréa estima que o preço do café suba ao consumidor 22,5% este ano e 7% no próximo, por causa de “safras com desempenho ruim”, diz ela.


Já nas contas de Romão, da LCA, o café deve fechar o ano com alta acumulada de 32% e ter novo aumento de 11% em 2025. Segundo ele, o resultado é reflexo das queimadas e de um ciclo de baixa produtividade nas lavouras.


Um agravante no cenário de alimentos é o dólar. Segundo Andréa, da Warren, o câmbio mais alto, entre R$ 5,40 e R$ 5,55, afeta os preços no varejo, a exemplo dos produtos panificados já que boa parte do trigo é importado, diz ela. E a tendência é que novas altas sejam repassadas conforme o dólar aumenta.


— O câmbio atrapalha muito. E o que favorece o repasse cambial é a atividade resiliente, com mercado de trabalho forte e aumento da renda. Tudo isso cria um efeito psicológico: as empresas mal perceberam que o câmbio se estabilizou em um patamar elevado e já repassam esse custo.


Frutas mais caras


O óleo de soja também deve ficar mais caro ano que vem, cita o economista da XP, que espera alta de 8%. Maluf avalia que a previsão de safra recorde de soja pode ajudar a segurar um pouco o preço do produto, mas parte desse alívio deverá ser compensado pela depreciação cambial e pela demanda por biodiesel após a aprovação do projeto de lei “Combustível do Futuro”.


— Embora tenhamos uma boa produção de grãos, o efeito da variação de preço não será muito significativo devido ao cenário já negativo — explica Maluf.


Já Andrea, da Warren, tem na conta um recuo de 2,8% sobre o óleo de soja no ano que vem, diante da safra 12,7% maior prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2024/2025, mas alerta que o item é especialmente vulnerável às oscilações do dólar.


As frutas são outro foco de pressão. Segundo Romão, da LCA, a alta deverá ser de 10,1% em 2025, taxa alta para o grupo de produtos que já subiu 15,9% este ano. O aumento será puxado principalmente pela laranja, diz o economista. A doença greening, que afeta plantas cítricas, atrapalhou a produção e a precificação de produtores, além de dificultar a recuperação dos pomares prevista para 2025.


Em compensação, arroz, feijão e alguns alimentos in natura devem ficar mais baratos, já que não há previsão de fenômenos climáticos como El Niño e La Niña, que afetaram fortemente a produção agrícola este ano.


Romão projeta uma deflação em cereais e leguminosas (que inclui arroz e feijão), com redução de até 5,6%. Tubérculos e raízes (que inclui batata e cenoura), também podem ficar mais baratos, com queda de 2,7%, enquanto os preços de hortaliças e verduras devem recuar 0,4%.


— Falar de normalidade hoje em dia é complicado. (...) Mas, sem esses efeitos climáticos que alteram muito o volume e a distribuição das chuvas, aumenta a chance da agricultura ter boas safras. Pode ser que tenhamos uma inflação de alimentos dentro da meta. E isso,para as famílias de baixa renda que gastam mais com alimentos, é como se conseguíssemos preservar o poder de compra delas — pondera André Braz, coordenador da área de preços ao consumidor do Ibre/FGV.


 


ESTADÃO: MESMO COM ALTA, MERCADO NÃO VÊ INTERVENÇÃO DO BC- 2/11


Por Célia Froufe e Cícero Cotrim


Com a falta de novas medidas no campo fiscal, o mercado vem, semana após semana, elevando suas projeções para as taxas de juros e de câmbio. Mesmo assim, a leitura é de que o Banco Central não dá sinais de que atuará para conter a piora dos ativos. Por ora, tem seguido a cartilha de que intervenções para segurar as cotações do dólar devem ser raras e ocorrer apenas em momentos de disfuncionalidade ou volatilidade excessiva.


O Estadão/Broadcast apurou que, entre os dealers que atuam na compra e venda de moeda estrangeira, não há pedidos diretos para a entrada de recursos do Banco Central. No total, 16 bancos têm contato permanente com o BC, segundo uma lista publicada no site da autarquia. Eles costumam indicar quando há necessidade de leilões por questões técnicas. Uma "prova" de que há liquidez suficiente para os negócios, de acordo com um estrategista de mercado que trabalha para uma dessas instituições, é que o fluxo cambial estava positivo em US$ 244 milhões até o fim da semana passada.


Outros operadores ouvidos sob a condição de anonimato concordam que não faria sentido uma intervenção do BC no mercado de câmbio. Argumentam que a depreciação do real tem sido puxada pelo risco fiscal, e não por um episódio de falta de liquidez. Socorrer o real agora seria até contraproducente no que diz respeito ao sinal para a necessidade de ajustes nas contas públicas, complementam esses operadores.


O motivo para a ausência de atuação vem sendo abordado pelos porta-vozes da autoridade monetária com alguma regularidade nos últimos tempos. "Deixamos a política cambial para absorver choques externos, e temos escolhido intervir no mercado muito raramente, apenas em momentos em que há disfuncionalidade ou volatilidade excessiva", chegou a afirmar o diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, há uma semana, em uma reunião da XP com investidores, em Washington.


Uma semana antes, o diretor de Política Monetária e futuro presidente da instituição, Gabriel Galípolo, já havia afirmado que o BC estará pronto para agir quando houver necessidade, mas que, até aquele momento, não havia "nenhuma mudança do ponto de vista de institucionalidade do consumo desses dados e da lógica de atuação".


Nesse último ciclo de comunicação, os diretores vêm repetindo que o risco fiscal adicionou prêmios às expectativas e aos preços de ativos e que, sem um choque positivo nas contas públicas, não será possível diminuir a Selic. Em evento recente, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, reforçou que a instituição não trabalha com uma "meta" para a taxa de câmbio, mesmo que ela tenha efeito sobre a inflação.


 


José Márcio Camargo Opinião - Metáfora do sapo na água fervente explica sinais ruins da economia brasileira / Declarações de que governo estaria preparando medidas para controlar déficit primário têm sido recebidas com desconforto- Estadão 2/11


O comportamento dos preços dos ativos financeiros na economia brasileira é preocupante. As taxas de juros dos títulos longos se aproximam dos 13% ao ano em todos os vencimentos; os títulos indexados à inflação estão pagando IPCA + 6,5% ao ano; o dólar voltou a furar o nível de R$ 5,80 (apesar do superávit da balança comercial próximo a US$ 90 bilhões, reservas internacionais de US$ 300 bilhões e diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos de sete pontos de porcentagem); e o Ibovespa tem tido grande dificuldade para ultrapassar os 130 mil pontos.


As projeções para a inflação da pesquisa Focus para 2024 sinalizam o rompimento do teto do intervalo de metas, e as expectativas para todos os anos no cenário de referência da política monetária (2025, 2026 e 2027) continuam acima das respectivas metas, o que forçou o Banco Central a retomar o processo de aumento da taxa básica de juros (Selic).


A tentativa do ministro Fernando Haddad de reonerar a folha de pagamentos de 17 setores de atividade e das prefeituras das cidades pequenas e médias e acabar com o programa de apoio ao setor de serviços (Perse) gerou forte reação do Congresso e tornou impossível a continuidade da política de aumentar impostos para financiar aumentos de gastos já contratados pelo governo com a aprovação da PEC da Transição no fim de 2022.


Com isto se criou um impasse: os gastos já foram contratados, mas os aumentos de impostos necessários para financiar esses gastos não foram aprovados. Para driblar este impasse, o governo passou a utilizar créditos extraordinários fora do Orçamento para cumprir as metas de superávit primário.


A utilização de créditos extraordinários, que já atingiu R$ 55,4 bilhões em 2024, tornou o cumprimento da meta de superávit primário irrelevante como um sinalizador da busca de equilíbrio fiscal e deslocou a atenção dos investidores para a relação dívida/PIB que já se aproxima do nível de 80%.


Publicidade


As declarações de que o governo estaria preparando medidas para controlar o déficit primário têm sido recebidas com desconforto pelos investidores, mostrando a total perda de credibilidade da equipe econômica.


Nas reuniões paralelas às do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Washington na última semana, os investidores questionaram diretores e o presidente do Banco Central do Brasil quanto à possibilidade de que o País esteja entrando em um regime de dominância fiscal, no qual a política monetária se torna incapaz de controlar a taxa de inflação. A água está fervendo.


 


Pé-de-meia 'licenciatura': governo prevê bolsa acima de R$ 500 para incentivar estudantes a se tornarem professores / O programa dará incentivo financeiro para estimular estudantes a fazerem cursos de licenciatura no ensino superior.- Globo g1 2/11


Por Lígia Vieira, g1 — Fortaleza


Uma versão do programa Pé-de-meia voltado para universitários matriculados em cursos de licenciatura deverá ser anunciado em novembro, informou o ministro da Educação, Camilo Santana, em uma coletiva à imprensa nesta sexta-feira (1º) ao final do Encontro Global da Educação realizado em Fortaleza.


O objetivo é atrair e incentivar os estudantes a se tornarem professores. A ideia está no mesmo horizonte de outra proposta de escopo mais amplo, que prevê a criação de um programa de incentivo financeiro no ensino superior (sem restrição de curso), que teria os cotistas e beneficiários do CadÚnico como parte grupo de estudantes atendidos.


Agora, Camilo Santana afirma que há projeto para uma versão focada nos futuros professores. O que se sabe até agora é que:


O valor da bolsa será maior que R$ 500;

A nota do Enem será usada para ingressar no programa;

O estudante terá uma poupança.

Segundo Santana, a intenção do Ministério da Educação é que o programa tenha início no próximo ano.


"A gente já quer que o aluno no Enem, ele já saiba que ele vai receber uma bolsa se ele escolher a licenciatura [...] A gente quer que os bons alunos possam fazer a licenciatura. Está faltando professor de matemática, de física, de química, de biologia", explicou.


Seleção unificada para professores


Além do Pé-de-meia licenciatura, Camilo Santana informou que outros anúncios devem ser feitos pelo Ministério da Educação neste mês voltados para professores.


Uma das propostas em avaliação pelo MEC é usar Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) como uma seleção de forma unificada para professores de escolas públicas em todo o país.


A prova é aplicada pelo Inep e neste ano começou a ser realizada anualmente nos cursos de licenciatura.


 


Congresso prevê 'impossibilidade técnica' para prestar informações de emendas represadas / STF espera informações detalhadas de verba indicada pelos parlamentares; projeto que será votado não resolve fatura ‘do passado’- O Globo 1/11


Camila Turtelli / Mariana Muniz


Parlamentares envolvidos na negociação preveem, em caráter reservado, "impossibilidade técnica" para cumprir as exigências do Supremo Tribunal Federal (STF) e prestar informações sobre emendas já indicadas e represadas por decisão da Corte. Para liberar esses recursos, o STF quer receber antes dados detalhados de transparência e rastreabilidade desse tipo de recurso.


No acordo firmado entre os Três Poderes, o Legislativo precisa resolver duas pendências importantes:


Uma delas é justamente o Congresso informar dados sobre recursos já indicados.

Outra é a aprovação de um projeto com novas regras de transparência e rastreabilidade, que valerá para indicações a partir de 2025. Para isso, Câmara e Senado devem votar na próxima semana o texto apresentado pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), aliado do ministro do STF, Flávio Dino.

Para as emendas que já foram indicadas, as equipes técnicas da Câmara, do Senado e do Executivo devem anexar ao processo do STF dados complementares sobre os recursos. Dino, relator do caso, entende que essa regra deveria estar sendo cumprida desde a decisão da ministra Rosa Weber, quando da extinção do “orçamento secreto”.


Isso significa que deveria chegar ao STF, por exemplo, detalhamentos de execução de obras e para onde foram enviadas “emendas pix” repassadas a municípios no início deste ano, quando foi empenhado um recorde de R$ 7,6 bilhões .


Segundo parlamentares a par do assunto, o Congresso deve ter dificuldade em viabilizar o repasse dessas informações. Por outro lado, esse grupo acredita que a aprovação do projeto pode ser um sinal de “boa fé”, que poderá abrir novas frentes de negociação com STF para que as emendas sejam desbloqueadas ainda neste mês.


O projeto de Rubens está na pauta da Câmara na segunda-feira e estabelece limites para as emendas parlamentares e tenta resolver o impasse. O texto foi elaborado em conjunto por Câmara, Senado, Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU) e STF.


A proposta estabelece prioridade de repasse para obras estruturantes, coloca o limite de emendas de bancada em oito indicações e estabelece limite de crescimento das emendas parlamentares com base nos projetos de lei orçamentária anual.


Segundo pessoas a par da discussão, o texto recebeu o aval de Dino antes de ser protocolado.


De acordo com o texto, para o exercício de 2025, o limite será fixado no montante já previsto na Constituição (atrelado à receita corrente líquida), mais R$ 11,5 bilhões para emendas de comissão. Já para 2026, a correção deverá seguir a regra do arcabouço fiscal, que é a inflação mais uma variação que pode chegar a 2,5%.


As novas regras propostas pelo texto foram recebidas de forma positiva pelo Palácio do Planalto, com o argumento de que trazem mais clareza sobre o que haverá de recursos disponíveis para o ano que vem e como poderá ser usado.


Articuladores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que, com a agenda econômica ousada proposta pelo governo e que precisa da aprovação do Congresso, condicionar as votações ao pagamento de emendas vinha gerando desgastes, como pagamento de emendas em valores que só vinham crescendo.


Hoje, o Congresso tem R$ 49,2 bilhões do Orçamento para ser distribuído a critério de deputados e senadores, dividido em três modalidades principais: individual, de comissão e de bancada estadual. Há cerca de R$ 17,5 bilhões bloqueados pela decisão do ministro.


TCU vê risco de aumento de custos nas obras da refinaria Abreu e Lima / Relatório inicial identifica fragilidades e ‘risco potencial’ em licitações. Petrobras diz que colabora para melhorar processos- O Globo 2/11


Bruno Rosa


Um dos principais projetos de refino desde a volta de Lula ao poder, a ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Em processo relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, no âmbito da primeira etapa do Relatório de Acompanhamento da ampliação da unidade, foram identificadas fragilidades no processo de licitação, com risco de aumento do valor dos contratos.


O projeto de retomada da Rnest conta com um investimento total de cerca de R$ 10,9 bilhões (US$ 1,9 bilhão), segundo dados do TCU. No caso da primeira unidade (chamada de Trem 1), que já está em operação desde 2014, o plano envolve modernização para aumentar a capacidade de produção em 15 mil barris por dia e a construção de uma unidade de abatimento de emissões atmosféricas (SNOx).


Além disso, está prevista a conclusão da segunda unidade (Trem 2), que terá capacidade de 130 mil barris por dia.


Em abril de 2023, a estatal iniciou a licitação para as obras envolvendo a primeira unidade da Rnest. Em agosto do ano passado, foi a vez do início do processo para o Trem 2. No entanto, o TCU apontou problemas nos dois processos. É de praxe o tribunal analisar todas as licitações e contratos firmados pela Petrobras, uma estatal.


No caso da primeira unidade da Rnest, cujo contrato já está em execução, o TCU aponta risco de aumento de preços. Segundo o tribunal, a conclusão do escopo (espécie de detalhamento) do SNOx estava prevista para este mês e a da ampliação do Trem 1 para abril do ano que vem.


Risco potencial


Ainda na fase de execução do contrato, o TCU identificou “o risco potencial” do uso de ferramentas classificadas como “excepcionais”, como aditivos on demand. Para o tribunal de contas, são “instrumentos que guardam o risco potencial de aumentar muito o valor dos contratos desse projeto e ameaçar sua rentabilidade, cujo uso deve ser acompanhado”.


Os aditivos são usados em contratos para lidar com questões não previstas que aparecem durante as obras. No entanto, segundo uma fonte, esse mecanismo também foi amplamente usado como instrumento para elevar o valor de investimentos em casos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato. Por isso, a manifestação do TCU, lembrou essa fonte.


O parecer do ministro inclui também a segunda unidade da Rnest. Segundo o TCU, “foram identificados riscos nas licitações, especialmente na do Trem 2, em que se constatou ausência de competitividade efetiva no processo licitatório”.


As propostas foram significativamente maiores que o orçamento de referência da Petrobras, inviabilizando, segundo o TCU, a contratação e colocando em risco a viabilidade econômica do projeto.


Antes de a Petrobras suspender a licitação da segunda unidade de refino, devido aos preços, o TCU alertou que a estatal tentou negociar descontos com as empresas mais bem colocadas.


“A estatal procedeu a revisões em seus orçamentos referenciais mesmo após a abertura das propostas e em magnitude que já chega a até 28% em alguns casos, o que pode se caracterizar como irregularidade”, afirmou o órgão.


O TCU também identificou “fragilidades, com aspectos de subjetividade e de falta de clareza em relação às fontes de informação utilizadas” pela estatal para o projeto.


No parecer, o ministro Jhonatan de Jesus destaca o uso de um relatório da Petrobras que se baseia “no uso excessivo da experiência” da estatal em projetos anteriores, com índices de produtividade definidos há mais de 30 anos. Alerta ainda que não foram adotadas referências mais amplas e atualizadas no segmento de refino.


Em reuniões entre TCU e Petrobras durante o processo, o tribunal solicitou que a estatal garanta a regularidade e economicidade dos contratos administrativos com prevenção e correção de irregularidades.


Além disso, o TCU quer que a estatal aumente a transparência e melhore os processos de trabalho. Solicitou ainda aprimoramento em metodologias de estimativa de custos e maior controle por parte dos gestores da área de refino e engenharia da estatal. Após essa fase, o TCU vai apresentar uma decisão final sobre o caso.


Procurada, a Petrobras informou que o TCU tem acompanhado o projeto, incluindo aspectos de governança e contratação, “com inequívoca colaboração por parte da Petrobras, que respondeu a todas as solicitações do referido órgão”.


Petrobras diz colaborar


A estatal reiterou que a licitação para a retomada da construção do Trem 2 da Rnest foi encerrada em função da não convergência das propostas ao orçamento.


“A Petrobras reafirma seu compromisso com a transparência e a conformidade, além de valorizar a atuação do TCU, que contribui para a melhoria contínua de nossos processos”, disse a estatal.


A Refinaria Abreu e Lima foi um dos projetos alvo de corrupção em gestões petistas, segundo a Lava-Jato. O próprio TCU já apontou superfaturamento de pelo menos R$ 2,1 bilhões nas obras da unidade. A refinaria foi concebida ainda na primeira gestão do presidente Lula e contava originalmente com a participação da venezuelana PDVSA, que anos mais tarde desistiu do projeto.


Na gestão de Jair Bolsonaro, a estatal decidiu colocar a Rnest à venda junto com outras sete refinarias, que, juntas, somavam metade da capacidade de refino do Brasil. No entanto, não houve interessados, especialmente porque a unidade localizada em Ipojuca estava incompleta.


Em janeiro deste ano, Lula participou de um evento na Rnest para celebrar a retomada da unidade. Na ocasião, a Petrobras informou que a refinaria estará pronta em 2028 e deve gerar 30 mil empregos diretos e indiretos, com a ampliação da capacidade de refino de 100 mil para 260 mil barris por dia.


 


CEO da Caixa Asset acusado de abuso de poder é demitido por conselho / Pablo Sarmento foi destituído do cargo após acusações em torno do seu papel na negociação da compra de R$ 500 milhões em letras do Banco Master, que foi barrada por área técnica- O Globo 2/11


Rafael Moraes Moura / Malu Gaspar


Alvo de uma série de denúncias de abuso de poder, “comportamento não condizente com o ambiente de trabalho” e “desleixo, preguiça, falta de atenção, falta de zelo, negligência e descaso”, que estavam sendo apuradas pela corregedoria interna, o CEO da Caixa Asset, Pablo Sarmento, foi destituído do cargo.


Em comunicado ao mercado divulgado nesta sexta-feira (1), a Caixa Asset informou " à sociedade brasileira, aos seus clientes e empregados, e ao mercado em geral que o Conselho de Administração destituiu ad nutum o senhor Pablo Costa Sarmento do cargo de diretor-presidente desta instituição".


Segundo a Caixa Asset, enquanto ocorre a seleção do novo dirigente, o diretor de distribuição e produto, Heitor Souza Cunha, responderá interinamente pela presidência. A Caixa Asset é uma divisão do banco estatal criada em 2021 durante a gestão de Pedro Guimarães e sob o governo Jair Bolsonaro.


Procurado pelo blog, Sarmento não respondeu às ligações.


Conforme revelou o blog, foram feitas 30 denúncias sobre a Caixa Asset no período em que o braço de gestão de ativos do banco estatal articulava a compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master. As acusações foram apresentadas no canal interno da Caixa, geralmente de forma anônima, para preservar os funcionários denunciantes.


 


Boa parte das denúncias envolve diretamente Sarmento por conta de sua atuação na negociação com o Master. Dentro da Caixa, o número de denúncias envolvendo os mesmos fatos é considerado alto e incomum.


Fontes ouvidas pelo blog informaram que o conselho de administração se antecipou à conclusão dos trabalhos da Corregedoria, onde a situação de Sarmento era considerada grave.


Gerentes perderam cargo após barrarem operação ‘arriscada’ e ‘atípica’


A área de renda fixa da Caixa Asset desaconselhou enfaticamente a compra dos títulos do Master em um parecer sigiloso de 19 páginas revelado pelo blog. A operação foi considerada “atípica” e “arriscada” não só em razão do valor, considerado alto demais, mas também por causa do rating do banco, considerado de médio risco.


Dois gerentes que se opuseram à operação de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master acabaram destituídos do cargo, em um movimento que foi interpretado nos bastidores como retaliação e tentativa de eliminar as resistências internas ao negócio, que acabou não sendo concluído.


Perderam os cargos os gerentes Daniel Cunha Gracio, de renda fixa, que assina o parecer, e Maurício Vendruscolo, de renda variável, que também avalizou o documento.


As letras financeiras emitidas pelo Banco Master que a Caixa considerava comprar previam uma rentabilidade de 130% do CDI ao ano no prazo de 10 anos.


Mas, no documento sigiloso encaminhado ao comitê de investimentos, os gerentes observaram que a Caixa Asset nunca aplicou um volume sequer próximo de R$ 500 milhões durante um prazo tão longo em instituições de perfil arriscado como o Master, que tem um rating interno de BB+, considerado de médio risco. No geral, esse tipo de aporte só é feito em instituições renomadas no mercado, como os principais bancos públicos e privados.


O parecer também destaca que o modelo de negócios do Master engloba uma “operação complexa de investimentos em companhias” com empresas em recuperação judicial ou com alto grau de endividamento.


Além disso, o documento menciona uma “pesquisa reputacional” da área responsável pela governança e compliance da Caixa Asset que identificou processos contra executivos do banco na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por manipulação de preços, irregularidades em distribuição de produtos de investimento no mercado, além de envolvimento em “diversos crimes financeiros”.


Depois disso, o jornal Folha de S. Paulo mostrou que a área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou “falha nas diligências” do banco ao avaliar a compra dos papéis do Master. Os técnicos também consideraram que “não é possível descartar a hipótese de represália” da cúpula da Caixa Asset para destituir os gerentes. O parecer do TCU já está nas mãos da Corregedoria da Caixa e deve subsidiar as investigações contra Sarmento.


“Bom negócio”


Quando o parecer veio à tona, o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, chamou de “bom negócio” a operação de R$ 500 milhões em títulos negociados com a divisão da Caixa Econômica de gestão de ativos, vetada por um parecer técnico da estatal.


“Ficamos surpresos com essa questão do relatório. Até onde a gente entende, e pelas conversas que temos com a Caixa e a Caixa Asset, eles têm uma opinião diferente do que está no parecer. A opinião do relatório não é a opinião efetiva da Caixa sobre o banco Master”, afirmou Vorcaro à época.

Próximos passos do BCB

 BC deve ser vago sobre os seus passos futuros- Valor 4/11


Alex Ribeiro


A aposta dominante do mercado financeiro para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desta semana é uma alta de 0,5 ponto percentual nos juros básicos da economia, para 11,25% ao ano. A dúvida: será sinalizada alguma coisa para os passos futuros e, mais importante, sobre o tamanho do ciclo de aperto?


O mercado não ficará completamente no escuro. O Copom sempre dá alguma indicação, às vezes mais forte e às vezes mais fraca, por meio de suas projeções de inflação. Elas passam uma ideia se a trajetória de juros esperada pelo mercado é suficiente ou não.


Por esse parâmetro, em setembro a situação já não era boa. O BC precisava levar a taxa Selic para mais de 13% ao ano. Ou subir menos que isso, mas adiar o ciclo de baixa, que o mercado então esperava para meados de 2025. Hoje, a situação parece um pouco pior.


Esse tipo de indicação nunca é um gabarito, menos ainda na situação atual. Nas últimas semanas, o Banco Central se esforçou para tirar um pouco do peso das projeções de inflação como um sinalizador de juros. Seu diretor de política econômica, Diogo Guillen, disse que desaprova a relação mecânica entre projeções e orçamento de alta de juros.


Provavelmente, o Copom apresentará de novo uma sinalização vaga sobre os seus passos futuros. As duas principais incertezas que exigem cautela não devem se resolver até quarta-feira, quando sai a decisão.


Uma delas é o cenário externo. A eleição americana será amanhã, mas a apuração pode levar dias, até uma semana. O temor dos mercados é a vitória do ex-presidente Donald Trump, com suas propostas inflacionárias.


A outra incerteza é a nossa política fiscal. Pela frequência que os membros do Copom falaram sobre o assunto, é a mais importante delas.


De um lado, tem o efeito na demanda agregada. O comitê inclui, nas suas contas, uma redução do impulso fiscal neste segundo semestre. Mas há dúvidas se ela vai, de fato, acontecer. E também se ela será suficiente e duradoura para garantir a desaceleração gradual da economia.


Em um evento em Washington, o diretor de assuntos internacionais do BC, Paulo Picchetti, transmitiu uma visão do lado mais esperançoso. Ele vê os primeiros sinais de desaquecimento da economia, em dados como vendas no varejo e serviços. Isso tende a desacelerar a inflação e, ao longo do tempo, retomar a convergência das expectativas de inflação para a meta.


Guillen, em reunião com investidores em Washington, mostrou-se mais cético. Para ele, a desaceleração fiscal seria mais estatística, devido a uma concentração de gastos no primeiro semestre, incluindo pagamentos de precatórios, antecipação do 13º do funcionalismo. Não seria necessariamente uma mudança de instância na política fiscal.


O futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, deu uma no cravo e outra na ferradura. Num evento em São Paulo, disse que o impulso pode se desacelerar, mas citou preocupações do mercado sobre a composição dos gastos, com transferências de recursos à população com maior propensão a consumir.


Mas, talvez, o aspecto crucial para o BC definir o tamanho do aperto monetário necessário sejam as iniciativas do governo para mudar estruturalmente o gasto e, dessa forma, garantir a viabilidade do arcabouço fiscal. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi o primeiro a chamar a atenção para isso, quando disse que é necessário um “choque fiscal”.


Também em Washington, o diretor de organização do sistema financeiro do BC, Renato Gomes, disse que essas medidas estruturais são fundamentais para reancorar as expectativas de inflação.


Nesse caso, o orçamento de aperto monetário seria outro. Expectativas de inflação na meta facilitam a queda da inflação e, mais do que isso, reforçam a credibilidade e a eficácia da política monetária.


Coube a Picchetti, indicado pelo governo Lula, dizer em Washington o que significaria o abandono do arcabouço fiscal. Haveria um impacto nas expectativas de inflação e no dólar, que piorariam o cenário inflacionário, exigindo mais juro do que o indicado nas projeções atuais. Mas não terminaria aí: o Copom teria que rever os parâmetros de seus modelos de projeção, que hoje não estão calibrados para uma situação mais extrema de descontrole fiscal, ou mudança de regime econômico. Nesse caso, a dosagem da Selic teria que ser bem maior.


Alguns participantes do mercado perguntaram aos dirigentes do BC por que, desde já, não dar um choque de juros para conquistar a credibilidade de vez. As opções do Copom da B3 deram na semana passada cerca de 50% de chances de um uma alta de um ponto percentual na Selic em janeiro.


A teoria e prática de política monetária, porém, dizem que os BCs só deve se mover mais rápido quando têm certeza sobre a dosagem total de juro. Na dúvida, vão mais devagar, acumulando informações ao longo do caminho. Mas, ao fim, a trajetória de juros é a necessária para fazer o serviço de controlar a inflação.


Em tempo: desta vez, não houve ruído nas falas dos membros do Copom a investidores na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, ao contrário das duas edições anteriores. Ajudou Campos Neto ter exigido dos organizadores a transmissão ao público.


Alex Ribeiro é repórter especial e escreve quinzenalmente

Matinal MZ 0411

 *Bom dia ☕️*


*🌎Os índices futuros de Nova York operam sem direção definida nesta segunda-feira (4)*, enquanto investidores se preparam para o resultado da eleição presidencial dos EUA, que ocorrerá na terça-feira e poderá desempenhar um papel fundamental na performance das ações até o fim do ano.


Além das eleições, Wall Street se prepara para a próxima decisão do Federal Reserve (Fed) sobre as taxas de juros. A expectativa é que o Fed reduza os juros em 25 pontos-base na quinta-feira.


*📊Veja o desempenho dos mercados futuros:*


*🇺🇸EUA*


* Dow Jones Futuro: -0,06%

* S&P 500 Futuro: +0,15%

* Nasdaq Futuro: +0,13%


🌏 Ásia-Pacífico


* Shanghai SE (China), +1,17%

* Nikkei (Japão): fechado por feriado

* Hang Seng Index (Hong Kong): +0,30%

* Kospi (Coreia do Sul): +1,83%

* ASX 200 (Austrália): +0,56%


🌍 Europa


* FTSE 100 (Reino Unido): +0,47%

* DAX (Alemanha): -0,03%

* CAC 40 (França): +0,09%

* FTSE MIB (Itália): -0,01%

* STOXX 600: +0,08%


🌍 Commodities


* 🛢️Petróleo WTI, +2,12%, a US$ 70,96 o barril

* 🛢️Petróleo Brent, +1,98%, a US$ 74,54 o barril

* 🧲Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,91%, a 779,00 iuanes (US$ 109,74)


🪙Bitcoin


* Bitcoin, -0,44%, a US$ 68.466,00


*📚MZ Investimentos*

*🗞️Jornal do Investidor*

Matinal Bankinter Portugal 0411

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Após uma semana passada fraca (ca.-1,3% tanto S&P500 como ES-50), esta semana temos referências fortes: eleições americanas amanhã e reduções de taxas de juros nos EUA (Fed) e Reino Unido (BoE). Para ganhar perspetiva: a semana passada foi a segunda consecutiva de retrocesso, mas após 6 consecutivas de subidas; pelo menos no S&P500, que é o que realmente conta. Isso é coerente com a melhoria dos resultados 3T publicados (S&P500): +7,8% vs +5,1% esperado. O regresso dos últimos dias é relevante. 

 

As novidades desde sexta-feira são: (i) uma no cal e outra na ferradura em tecnologia: na quinta-feira à noite, Intel publicou resultados mistos, mas melhorou o guidance e subiu +7,8%, enquanto Apple teve bons resultados, mas resultados maus nas vendas na China que resultaram em uma queda de -1,3%. (i) China inicia uma agressiva inspeção fiscal geral para tratar de aumentar a cobrança de receitas, porque as suas receitas fiscais 9 meses -2,2% e as vendas apenas por parte do governo -25%, medida que será contraproducente e que indica que a situação das contas públicas se agrava seriamente. (iii) As sondagens estão a favor de Trump (47,0% Trump vs 47,9% Harris, mas estima-se ca.2,5% de voto oculto pró-Trump), embora o estado mais importante dos 7 swing states parece que será Pensilvânia (47,9% Trump vs 47,7% Harris), que é o que mais votos eleitorais acresce (20) desses 7 Estados. (iv) Petróleo ca.+2% devido ao facto da OPEP atrasar em um mês o seu aumento previsto de produção para dezembro (do corte de 5,9M b/d que aplica voluntariamente agora). Isso quer dizer que a procura final não poderá encaixar nenhum aumento de produção sem sofrimento do preço, o que é bom para o ciclo económico global. 

 

HOJE os futuros vêm com uma tímida intenção de recuperar (+0,1%/+0,3%), mas o mais provável é que tenhamos uma sessão de transição um pouco errática e a movimentar-se num intervalo estreitíssimo (algo positivo, talvez) à espera de ver qual aspeto terá o desenvolvimento eleitoral americano, sobre o qual provavelmente não saberemos nada fiável até uns dias depois (talvez muitos) devido à contagem manual aceite pelo Tribunal Supremo em um ou outro Estado, como é o caso de Michigan (16 votos eleitorais). Portanto, não nos moveremos por impulsos e rumores sobre as eleições, mas por realidades. 

 

 

Em paralelo, ao longo da semana haverá reunião de 6 bancos centrais, dos quais 3 baixarão taxas de juros, mas as 3 descidas já estão descontadas e, por isso, não influenciarão. As 3 descidas serão no mesmo dia, na quinta-feira: Fed -25pb, até 4,50/4,75%; BoE (Reino Unido) -25pb, até 4,75%; Riksbank (Suécia) -50pb, até 2,75%. Brasil subirá na quarta-feira: +25pb, até 11,25%, porque sente-se obrigado a proteger o Real da sua forte depreciação (desde 4,8/$ até 5,9/$ em 2024), enquanto Austrália irá repetir amanhã em 4,35% assim como a Noruega, na quinta-feira, em 4,50%, passando desapercebidos. 

 

CONCLUSÃO PRÁTICA: Sessão e semana erráticas em intervalos muito estreitos, mas que provavelmente resultarão numa subida de Nova Iorque, assim que for conhecido o vencedor das eleições americanas, mesmo que seja apenas o mais provável e não o mais certo/definitivo. Subida que será mais sólida caso Trump seja o vencedor, que é o mais provável (especulação própria com base nos resultados). Mas subida apenas pela libertação da incerteza. Ficar de fora continua a ser mais arriscado do que estar dentro, embora seja apenas pelo processo de descidas de taxas de juros e melhoria de EPSs (lucros). Isto é, o FOMO (Fear Of Missing Out) funcionará. 

 

S&P500 +0,4% Nq-100 +0,7% SOX +1,1% ES-50 +1% IBEX +1,5% VIX 21,9% Bund 2,41% T-Note 4,30% Spread 2A-10A USA=+15pb B10A: ESP 3,12% PT 2,85% FRA 3,17% ITA 3,68% Euribor 12m 2,547% (fut.12m 2,281%) USD 1,085 JPY 165,7 Ouro 2.741$ Brent 74,4$ WTI 70,8$ Bitcoin -0,3% (69.017$) Ether -1,8% (2.475$). 

 

FIM

domingo, 3 de novembro de 2024

Haddad não viaja

 Haddad no Brasil tende a aliviar abertura do mercado, mas cobrança por medidas seguirá firme


Por Bruna Camargo e Maria Regina Silva


São Paulo, 03/11/2024 - A decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de cancelar a viagem que faria à Europa ao longo desta semana é bem vista por especialistas consultados pelo Broadcast, que esperam uma reação positiva dos mercados amanhã. Segundo nota divulgada pela Fazenda nesta manhã, o ministro permanecerá em Brasília para tratar de "temas domésticos" a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa agora é de que haja um anúncio de medidas fiscais em breve.

O cancelamento da viagem foi uma surpresa "bem" positiva, segundo Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. Ao mesmo tempo, indica que o governo se sensibilizou, dado o recente estresse dos mercados financeiros no Brasil em meio ao anúncio da ida do ministro ao continente europeu. "O dólar superou R$ 5,80 e os juros explodiram. O cancelamento mostra que o governo se sensibilizou, indica um senso de urgência", afirma Takeo.


Por conta da indefinição com o fiscal, na sexta-feira, dia 1º, o dólar à vista fechou no segundo maior nível da história, a R$ 5,8694, em alta de 1,53%, com avanço forte dos juros futuros. O Ibovespa recuou 1,23%, aos 128.120,75 pontos, o menor nível de fechamento desde 7 de agosto, então aos 127,5 mil pontos.


"De forma geral é uma sinalização positiva para o mercado e para o Brasil. Visto que a situação está mais delicada, ver o governo focado em trazer uma resposta concreta e rápida é importante", concorda o economista da Manchester Investimentos, Thiago Lourenço. "Essa sinalização de Lula pedindo para o Haddad ficar vem num bom momento. O mercado precisa ter a presença dele aqui voltada para controlar os gastos", diz Gustavo Riess, sócio e assessor da Ável Investimentos.


Para Gabriel De Biase Berenguer, presidente executivo (CEO) da RJ+ Asset, o governo priorizou os desafios econômicos internos e evitou um possível estresse adicional aos mercados. Ele diz que a reação dos mercados na abertura de amanhã pode ser favorável, mas as ações concretas dos próximos dias seguem no radar. "Se efetivamente essa postergação da viagem se dá para ter algum anúncio em relação ao fiscal, isso é bastante positivo", reforça Rodrigo Moliterno, head de Renda Variável da Veedha Investimentos.


Na mesma linha, Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, afirma que o cancelamento da viagem em si não deve trazer grande alívio. "[O mercado] quer resoluções práticas e concretas, anúncios, não mais promessas. Isso controlaria a parte de especulação que estamos tendo, as pressões em cima do câmbio e da inflação", afirma. "Só remarcar [a viagem] não muda nada, dado a calamidade que está", observa Gabriel Meira, especialista e sócio da Valor Investimentos. E, para Gustavo Jesus, sócio da RGW Investimentos, "cada vez que o governo adia a questão, menos paciência o mercado tem".


Mas a expectativa de Takeo, da Potenza, é de que a abertura dos ativos brasileiros amanhã seja atenuada, pois o governo pode anunciar o pacote de corte de despesas nos próximos dias, em vez de fazer isso apenas na semana seguinte. Ele pondera, no entanto, que os ativos ainda podem não devolver todo o prêmio de risco, uma vez que os investidores e os agentes querem algo concreto.


De acordo com o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, com o cancelamento da viagem, o governo anunciará alguma medida fiscal para reduzir as despesas da máquina pública. E, segundo o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess, esse anúncio pode vir logo, talvez até o dia 8 ou 9. O estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, por sua vez, vê chance de algo sair já amanhã. "Imagine a pressão que não ficou em cima do Haddad, que teve de cancelar a viagem. Provavelmente terá de fazer algum anúncio nesta segunda-feira", estima. Mas, se o anúncio não agradar, Laatus decreta: "É dólar a R$ 6,00".


O economista-sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, afirma que só mesmo um anúncio de medidas que levem à percepção de responsabilidade fiscal mudará a dinâmica dos ativos brasileiros. "Se houver, é o que realmente vai mudar, mesmo que de forma tardia", afirma.


Contato: bruna.camargo@estadao.com; reginam.silva@estadao.com


Broadcast+

Morre lentamente

 *A Morte Devagar*


Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias. Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar. 


*Martha Medeiros*


A crônica foi publicada no Jornal Zero Hora em 1.11.2000.

sábado, 2 de novembro de 2024

Semanal

 🚨 RESUMÃO DA SEMANA VINLAND 🚨 


(28 de outubro a 1 de novembro de 2024)


1. O dólar voltou a fechar em alta nesta sexta-feira (1°), desta vez no segundo maior valor nominal da história (descontada a inflação): R$ 5,8698. No dia 13 de maio de 2020, a moeda americana chegou aos R$ 5,9007, seu recorde. Em meio às turbulências econômicas no Brasil e no mundo, o dólar acumula alta de 20% em 2024. (veja mais abaixo). Na mesma toada, os juros futuros subiram. Um título do Tesouro Nacional atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) e com vencimento em 2035 oferece um ganho real superior a 6,7%. Em janeiro, o retorno desse papel era de 5,37%. Na prática, é um sinal do aumento da desconfiança com o rumo das contas públicas do Brasil. Ou seja, os investidores estão exigindo um ganho maior para financiar um governo cujo endividamento só tende a aumentar.. Nesta semana, investidores esperavam definição do governo federal sobre o corte de gastos previsto para este fim de ano, o que não aconteceu. A equipe econômica busca cumprir a meta de déficit zero para as contas públicas em 2024.  O mercado financeiro espera que esse pacote indique cortes entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões nos gastos públicos.  O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta semana entender a "inquietação" do mercado, e que vai apresentar cortes. Mas disse também que não há data para a divulgação dos planos, e que a decisão depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A condução da política fiscal também liga um alerta, porque ela está em oposição ao aumento de juros promovido pelo Banco Central (BC). É como se o governo estivesse colocando o pé no acelerador ao mesmo tempo que a autoridade monetária tenta pisar no freio, com o objetivo de levar a inflação à meta de 3%. (O GLobo, 1 de novembro de 2024)


2. A taxa de desemprego no País recuou de 6,9%, no segundo trimestre, para 6,4% no terceiro trimestre, o segundo melhor resultado em toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A única taxa mais baixa que a atual foi a do quarto trimestre de 2013 (6,3%). A expectativa é de que o mercado de trabalho siga aquecido. No terceiro trimestre, houve contingente recorde de trabalhadores ocupados tanto no setor privado quanto no setor público. Já são 103,029 milhões de brasileiros em atividade, o que significa uma abertura de 1,199 milhão de novas vagas no mercado de trabalho em apenas um trimestre. Já a população desocupada diminuiu em 541 mil pessoas em um trimestre, para 7,001 milhões de desempregados – menor contingente desde janeiro de 2015. (Estado de São Paulo, 1 de novembro de 2024)


3. Mesmo sem definição ainda sobre o desenho final do pacote de corte de gastos, já há divergências no governo. Ontem, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que “não há discussão” sobre redução de despesas em rubricas vinculadas à sua pasta, como abono salarial e seguro-desemprego. “Se nunca discutiu comigo, essas medidas não existem. Se eu sou responsável pelo tema trabalho e emprego, esse debate não existe, a não ser que o governo me demita”, disse o ministro. Segundo Marinho, mudanças sem consultá-lo seriam consideradas uma “agressão”. “Uma decisão sem minha participação, em um tema meu, é uma agressão. E não me consta que nenhum ministro de Estado tenha discutido esse assunto (de corte de gastos).” Uma das propostas vem de uma combinação entre o governo e a cúpula do Congresso para destinar metade das emendas de comissão para a Saúde. Esses recursos somam R$ 15,5 bilhões em 2024, mas o governo quer limitá-los a R$ 11,5 bilhões em 2025, com ajuste apenas pela inflação nos próximos anos. Se isso ocorrer, o valor seria usado para cumprir o piso da Saúde. Outra proposta em estudo é aumentar a parcela do Fundeb que serve para cumprir o piso da Educação. Hoje, apenas 30% do fundo entra nessa conta. Conforme o Estadão mostrou, a medida pode abrir um espaço fiscal de R$ 33 bilhões em três anos. Quanto maior for a porcentagem, maior o impacto. (Estado de São Paulo, 31 de outubro de 2024)


4. A possibilidade de vitória de Trump nas eleições norte-americanas tem gerado preocupação no Palácio do Planalto.  Pesquisas mais recentes de intenção de voto nos Estados Unidos apontam uma disputa acirrada, com possibilidade de vitória do candidato republicano – o que tem deixado o núcleo duro do governo Lula pessimista.  A preocupação no Planalto tem duas perspectivas: a política e a econômica.  No campo da política, o receio brasileiro é de que a vitória de Trump gere um efeito dominó em vários países, em especial nos latino-americanos, a exemplo do Brasil. A outra preocupação é com a economia brasileira. O Palácio do Planalto projeta que, com a vitória do republicano, a tendência nos Estados Unidos é de valorização da moeda. E o reflexo do dólar valorizado é a pressão inflacionária no Brasil. A ultima pesquisa Nate Silver indica Trump com 53,4% e Kamala com 46,2%. (Estado de São Paulo, 1 de novembro de 2024)


5. O mercado de crédito privado está iniciando um ciclo de correção — com algumas emissões não conseguindo levantar o volume desejado e outras tendo que ser postergadas por falta de demanda. Essa correção incipiente vem depois do mercado de crédito privado ter passado por uma compressão de spreads espetacular, principalmente nos últimos seis meses. “Teve uma operação da TIM que saiu a CDI + 2,5%. Hoje, o papel negocia a CDI + 0,75%. O que aconteceu é que os spreads foram fechando, mas agora fecharam demais,” disse um banker. Agora, com as operações vindo a mercado com taxas historicamente baixas, os fundos de crédito não estão mais absorvendo a oferta. A situação cria um dilema para os gestores. Os fundos — que receberam uma enxurrada de recursos recentemente por conta da alta dos juros — até poderiam guardar o dinheiro em caixa, mas isso pioraria ainda mais seu retorno, já que este capital estaria rodando a CDI. Outra alternativa, que algumas gestoras têm adotado, é fechar os fundos para novas captações — uma decisão que nunca é fácil. “Chegamos num ponto de inflexão. Não dá para ir mais baixo do que isso. Não vai ser uma correção brutal: os spreads não vão ter que subir 50 basis points, mas pelo menos uns 10 a 20 bps,” disse o banker. (Brazil Journal, 31 de outubro de 2024)


6. A Bolsa de Valores registrou essa semana uma queda de 1,36% fechando aos 128.120 pontos. Já o dólar fechou em alta de 2,98% cotado a R$ 5,87/usd. No ano, a bolsa brasileira cai 4,5% e o dólar sobe 20,9%. Nos EUA, o S&P sobe 19,8% e o Nasdaq sobe 20,8% no ano. (Fonte: Bloomberg)


Bom final de Semana!


Felipe Arslan, comercial da Vinland Capital

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...