sexta-feira, 25 de outubro de 2024

IPCA15 de outubro

 QUALITATIVO PIORA NO IPCA-15, MAS VOLTA DAS CHUVAS PODE TRAZER ALÍVIO PARA O ÍNDICE CHEIO

Por Daniel Tozzi Mendes, Gabriela Jucá e Anna Scabello São Paulo, 24/10/2024 –

 

Houve piora em algumas das principais métricas qualitativas da inflação na leitura de outubro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), avaliam economistas consultados pelo Broadcast, o que tende a referendar a intensificação no ritmo do aperto monetário já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 5 e 6 de novembro. Os serviços subjacentes, métrica acompanhada de perto pelo BC, aceleraram de 0% em setembro para 0,59% em outubro, segundo cálculos do Banco BV. O resultado veio acima do teto das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,58%, enquanto a mediana apontava para uma alta bem mais modesta, de 0,39%. Com o resultado, a abertura acumula agora alta de 5,09% nos últimos 12 meses. O IPCA-15 como um todo passou de 0,13% em setembro para 0,54% em outubro - também acima da mediana do mercado, de 0,51% -, atingindo 4,47% nos últimos 12 meses. Na avaliação do Bradesco, essas surpresas altistas no mês aumentam a preocupação com a inflação no curto prazo. “Os choques recentes no câmbio, energia e alimentação já traziam um viés para cima, porém o comportamento mais pressionado dos núcleos e dos serviços subjacentes trazem riscos adicionais”, escreveu o banco em relatório. A avaliação é corroborada pelo economista da XP Investimentos Alexandre Maluf, que considera que a divulgação de hoje “reforça a tendência de deterioração” da inflação no País. “Não apenas porque as métricas mais relevantes para a condução da política monetária superaram as expectativas, mas também porque os fundamentos (expectativas, dados do mercado de trabalho, demanda doméstica e câmbio) indicam que a inflação não irá convergir sem uma resposta adequada da política monetária”, justifica. A XP estima hoje IPCA de 4,6%, mas a projeção tem viés de alta, segundo Maluf. A estimativa em tempo real (tracking) da corretora já aponta, por exemplo, para inflação de 4,7% ao final do ano. A piora nas métricas qualitativas no IPCA-15 de outubro também foi destacada pelo economista do Santander Brasil Adriano Valladão. Ele cita, além dos serviços subjacentes, a aceleração nos bens industriais (que passaram de 1,3% para 1,6% no acumulado em 12 meses, nos seus cálculos), movimento que pode ser um dos reflexos da recente desvalorização cambial. A estimativa em tempo real (tracking) do Santander Brasil para o IPCA ao final do ano segue em 4,7% - acima do teto da meta de inflação, de 4,5% - mas Valladão destaca que há muita incerteza quanto ao comportamento dos preços à frente, sobretudo pelas contas de energia elétrica. O banco trabalha hoje com um cenário-base de bandeira vermelha 1 na energia em dezembro - hoje está em vermelha 2. Contudo, o início do período de chuvas, que se intensificaram nesta semana, e a perspectiva de continuidade de clima menos seco em novembro podem trazer alívio para os reservatórios e retornar a bandeira da energia para amarela, o que, consequentemente, também moderaria a inflação do ano, segundo o economista. A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Ângelo, concorda que as chuvas das últimas duas semanas são um sinal de alívio para as contas de energia elétrica, podendo moderar a inflação à frente. Isso, porém, não deve ser suficiente para um IPCA abaixo do teto da meta, de 4,5%, no final deste ano, segundo ela. “O IPCA agora tem mais chances de ficar acima do teto, por influência do câmbio, do aumento de repasse dos preços e da atividade aquecida”, afirma a economista, que projeta índice de 4,75% ao final do ano. Para ela, a divulgação de hoje reforçou o diagnóstico de atividade aquecida, com pressões altistas em itens muito ligados à demanda. “[Isso] acaba se traduzindo em reajustes mais rápidos de preços, e vimos isso em algumas partes, como alimentação, com a carne bovina”, frisa. Contato: daniel.mendes@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com; anna.araia@estadao.com

Banqueiro do ano

 Campos Neto ganha pelo 3º ano prêmio de melhor banqueiro central https://www.poder360.com.br/poder-economia/campos-neto-ganha-pelo-3o-ano-premio-de-melhor-banqueiro-central/

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Doando fortunas

 Deus é meu sócio. Se ele quer que eu faça caridade, preciso ganhar dinheiro’, diz Elie Horn


O fundador da Cyrela é o empresário mais ativo no País a estimular a filantropia, mas diz ter dificuldade em convencer seus pares a doar fortunas, como faz; leia entrevista


Entrevista comElie HornFundador da Cyrela


Aos 80 anos, o empresário Elie Horn é um empresário original. Ele é tão conhecido como dono da Cyrela, a maior incorporadora de imóveis de luxo do Brasil, como por sua obsessão pela caridade. Este ano sua empresa deve faturar quase R$ 10 bilhões, vendendo imóveis para ricos pela marca Cyrela, para a classe média pela Living e para a base da pirâmide pela Vivaz.


“Deus é meu sócio”, brinca. “Se ele quer que eu faça caridade, preciso ganhar dinheiro.”


Horn já se comprometeu a doar 60% de sua fortuna bilionária. Sua preocupação em fazer caridade vem de sua profunda religiosidade. E não se limita a doar o próprio dinheiro. Em uma conversa com seu guru religioso, Menachem Mendel Schneerson, Horn ouviu o conselho de que sua missão na vida seria convencer outros empresários a fazer o mesmo. Mas encontra muita dificuldade em convencer os empresários brasileiros. Para Horn, a dificuldade em fazer os empresários brasileiros doar parte de seu patrimônio “é uma questão cultural” ou “egoísmo mesmo”.


Em outra iniciativa, também voltada à filantropia, Horn reuniu um grupo de 25 empresários para criar o Think Tank do Bem, voltado a fomentar ideias que promovam o bem na sociedade em diferentes frentes. Alguns nomes que fazem parte do projeto são Fabio Barbosa, CEO da Natura&Co, Ellen Gracie, ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Amanda Klabin, sócia da Klabin Irmãos S/A, Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho de Administração da XP Inc., e Alexandre Cruz, sócio da JiveMauá (leia mais aqui).


Na seguinte entrevista, Horn explica porque levanta a bandeira da caridade e comenta a situação da Cyrela e do mercado imobiliário.




O sr. está criando um Think Tank para tratar de temas do Bem. Por quê?



Para mim, é o seguinte, o bem é algo que dá sentido a tudo que você faz de bom. Enquanto tiver cabeça, saúde e recursos, eu quero fazer o bem até o fim da minha vida, até os últimos dias. Eu não quero parar, porque parar é morrer. Se Deus me deu força para produzir, eu sou covarde de não produzir. Tenho dois prazeres: a leitura e a filantropia.


E qual é o papel da caridade nessa vida com propósito?



Caridade é dividir algo com quem tem menos condição que você. Esse em si é um ato muito importante. Se alguém não tem, e você tem a mais, não dar é muito egoísmo. Mais do que egoísmo. É não tomar conta da sua existência. Na mensagem, no significado que tem a vida. Primeiro, tem de saber, tem de provar que Deus existe. Provando que Deus existe, por que que eu existo? Qual é a minha meta, o que eu tenho de fazer? É uma sequência. Todo mundo tem essa missão.


E o sr. tem tentado convencer mais gente.



Tento. Não consigo, às vezes consigo. Mas tento.


O sr. já doou os seus recursos?



Estou doando. Tem 60% que serão doados. Já foi uma parte. Não tem algemas, 60% do que eu tiver. A doação já começou.


O sr. procura amigos empresários, outras pessoas que também podem doar. Como é que é esse processo?



Primeiro, não pode ter vergonha. Então, isso eu já perdi a vergonha. Em segundo lugar, você tem de falar de tudo isso. Deus, a missão. Então, na hora que eu começo com Deus, a caridade é uma sequência. Consigo alguns frutos, outros não consegui, mas eu continuo. Minha missão é perseverar nesse caminho. Faz trinta ou quarenta anos, eu fui no guru que escreveu o livro que eu dei para vocês (aos repórteres). Ele me falou qual é a minha missão: faça seus pares igual. Então, tenta convencer os empresários.


Olhando de fora, a impressão que se tem é que o empresário brasileiro, tirando o caso do sr., doa muito menos do que o americano.



O Brasil se doa a 0,2%. Os Estados Unidos doam 1,8%.


Por que acontece isso?



Acho que é a cultura anglo-saxônica contra a cultura latina.


O sr. esbarra nesse problema cultural?



Cultural não, é egoísmo sim. Egoísmo. E a pessoa não tem noção de que Deus existe. E se Deus não existe, por que eu vou fazer tudo isso? Não estou dizendo que isso é fundamental, mas é grande parte da quantidade de pessoas que acreditam na eternidade. Se bem que nos EUA tem muita gente agnóstica até que não acredita em Deus e faz o bem. Então, essa regra que eu falei não é geral. Eu, por mim, eu cheguei por Deus. Então isso me deu um alimento para ir nesse caminho. A única coisa boa que eu fiz é isso. O resto é detalhe. Se eu usei camisa azul ou vermelha, isso não vai levar comigo a eternidade. Se eu ajudar alguém a não morrer, isso… vou levar comigo.


E falando do exemplo contrário, estamos comentando aqui que tem a dificuldade de trazer gente para a caridade. Quem que o sr. já conseguiu atrair?



Devo ter trazido mais de 100 empresários (para o movimento Bem Maior, uma organização voltada para filantropia e causas sociais, e para o Think Tank do Bem). Estamos começando ainda. Eu e o Alexandre Cruz (sócio da JiveMauá) escolhemos os temas de filantropia e pobreza. Outros escolheram o tema da saúde. A Ellen Gracie, ex-ministra, escolheu Justiça. O grupo se reúne uma vez por mês.


E ainda dentro do empresariado, o sr. tem outra iniciativa, que é o Giving Pledge (entidade filantrópica em que empresários como Bill Gates e Warren Buffett doam boa parte de suas fortunas) no Brasil. O senhor conseguiu atrair outros empresários?



Tentei. Quase vieram dois, a mulher de um não deixou (rs). O outro que veio foi o David Vélez, do Nubank. Eu não o trouxe, ele veio por conta própria. O Giving Pledge é mundial. Só tem bilionários, nós somos amendoim perto deles. Doaram US$ 90 bilhões, US$ 100 bilhões, US$ 150 bilhões. No Brasil, somos órfãos nesse sentido. Mas o que vale é o princípio. No Brasil, só temos o David Vélez e nós. Tentei mais dois, não consegui, desisti.


O sr. fala que a salvação da sociedade vem dos empresários e não do governo. Por quê?



Os empresários têm liberdade de ação. Eles têm verbas. Não tem algemas. Essa é a condição. Quando o governo é muito mais algemado, por definição, do que um empresário. E isso daria maior significado ao dinheiro deles também.


Existe até uma discussão desse governo em particular que fala muito em taxar os mais ricos. Esse é outro caminho para a caridade?



Concordo que, se tiver aumento, que vá totalmente para a caridade, não uma parte. O certo era o dinheiro a mais ajudar as crianças. O (economista) Eduardo Gianetti falou em um evento do Bem Maior: a criança é formada conforme tem vitaminas e alimentação adequada. Se até cinco ou seis anos não forem alimentadas adequadamente, elas terão sequelas a vida inteira. Milhões de pessoas se perderam por nossa culpa. Então, o certo, a primeira coisa é fazer é dar alimentos devidos para as crianças pequenas para que não tenham deficiência mental. Então o resto pode esperar, mas isso não pode esperar.


O que poderia ser feito no Brasil de diferente?



Todos os Estados se reúnem, mandam representante, se vê tudo relacionado à pobreza e isso é mantido na Constituição como imutável, para salvaguardar os direitos das crianças pobres para sempre. Se eu fosse presidente, pegaria pessoas de alta categoria empresarial, e daria para eles, lotearia o Brasil entre 100 empresários. Cada um assume uma tarefa, eles vão se virar. Custo zero. Só que estou falando em teoria. Pega o Roberto Setúbal, uma pessoa eficientíssima. Dá um problema, ele vai resolver, não tem como não resolver. O Brasil está feito.


O sr. já falou com pessoas de governo, prefeitos, presidente?



Falo com quem encontro no caminho. Sou tido como ingênuo. Se ser ingênuo é o preço a pagar, eu pago. Eu falo com quem posso. Gosto de negociar, algum bem eu tiro.


O sr. teve um episódio com o Roberto Setúbal, do Itaú, de um imóvel que ele queria comprar. Como foi isso?



Ele estava procurando um apartamento para morar, há 20 ou 30 anos. Ele me disse: posso pagar X. Eu respondi: posso vender por Y. Então falei: Roberto, você paga o X que você quer pagar e a diferença para o Y vai para uma instituição de caridade que você vai escolher. No dia seguinte fechamos negócio e ele me mandou recibo de três creches que ele escolheu. Isso foi feito uma centena de vezes na Cyrela. Sempre que eu posso, eu faço, mas me chutaram (rs). Não sou mais executivo. Essa ideia é muito boa, muito simples e não custa nada.


Falando da Cyrela, o sr. está afastado do dia a dia da empresa. Como acompanha a situação da companhia?



Acompanho pelos conselhos, acompanho pelo jornal, acompanho via perguntas e balanços.


Como está a empresa e como o sr. vê o futuro da empresa?



A empresa está indo muito bem. Parece (rs). Tem recorde de volume, recorde de lucro. Vamos ver o futuro. Hoje fiz reunião de diretoria e pedi para cada um pensar como vai ser a empresa daqui a cinco anos e dez anos. Isso acaba criando o caminho do futuro. Coisa importantíssima é o cash flow (fluxo de caixa da empresa). Na minha gestão, a gente fazia cash flow de 4 anos. Ou seja, não se vende nada, termina as obras, não constrói nada de novo, paga as dívidas com os bancos e …precisa aguentar essa crise e não morrer. Então, atingimos essa curva duas vezes na vida. No IPO (abertura de capital) e no follow on (emissão de ações subsequente). Ou seja, é quase impossível você chegar lá, mas é uma meta. Mas hoje a Cyrela está tão boa ou melhor do que na minha época em termos de gestão financeira.


E a meta, então, é ter recursos para 4 anos difíceis



Quatro anos impossíveis.


Quando o sr. faz o exercício de cinco ou 10 anos para a frente, o que o sr. imagina?



Eu falei hoje: imagino uma empresa sem dívida, com recursos próprios vendendo a prazo, fazendo o ciclo inteiro sozinho, coisa que ninguém faz.


Pretende abrir novos negócios?



Nós abrimos na pessoa física dois negócios separados. Um deu certo, outro deu errado, fechou. É muito difícil abrir negócios novos, muito difícil.


Uma das empresas foi a fintech Cash Me, que o senhor entrou para ajudar?



Entrei porque estava dando prejuízo. Eu sou da velha escola, não gosto de perder. Mandei parar. A empresa passou a dar lucro todo mês.


E o mercado imobiliário? Estamos vendo empreendimentos cada vez maiores, o mercado está numa fase de expansão.



Está numa fase exuberante, bonita. Para o nosso setor de incorporação é muito bom. Isso ajuda a empresa a ser mais eficiente ainda. Para fazer coisas bonitas, leva tempo. É uma arte.


O senhor está com um projeto muito grande na antiga fábrica da Kibon, no bairro Brooklin, em São Paulo.



Está quase tudo lançado, quase tudo vendido.


Vem outras coisas na mesma linha? O ritmo de lançamento será mantido? Esse é o perfil?



Se Deus quiser, vamos ter muitas novidades. Vai ser mantido o ritmo. É grande o perfil. Vamos lançar ainda 20, 30 projetos (principalmente na Living, marca da Cyrela de médio padrão, e na Vivaz, do segmento popular). A Cyrela vai faturar este ano quase R$ 10 bilhões.


São Paulo tem espaço para tantos projetos?


Eu fiz essa pergunta hoje. Quantos prédios tem na Marginal Tietê? 1, 2, 10, 20, 50? A impressão que todo mundo tem é que ainda vai faltar. Hoje você compra um apartamento com prestação menor que o aluguel. Paga R$ 1,5 mil por mês de prestação na Caixa. R$ 1,5 mil é o aluguel de um apartamento pequeno na periferia. Então, melhor comprar, ficar dono, e não pagar o aluguel. Então, aí tem milhões de pessoas que procuram. O fato é que tudo se vende como água. Nos estratos mais populares, vendemos mais rápido.


A que se deve isso, financiamento do governo, Minha Casa, Minha Vida?


Quem é nosso sócio?


O governo?


Não. Outro sócio.


O cliente?


Outro sócio.


O banco?


Outro sócio (rs).

Conhecendo o perfil do senhor, talvez uma resposta religiosa.


Deus. Se ele quer que eu faça caridade, preciso de dinheiro para pagar.


E como o sr. vê a tendência de preços, com tanta procura pelos imóveis? Os preços vão inflacionar?


Se você comparar o Brasil com o mundo lá fora, aqui ainda é muito mais barato. Lá fora, é muito mais caro. O método de construção pronto no Brasil é o mais barato do mundo, eu acho.


A Cyrela já chegou a se expandir para outras praças, mas hoje está concentrada em São Paulo…


A Cyrela se disseminou e voltou à origem. Sobrou o Rio, Porto Alegre e só.


E não pensa em diversificar? O País hoje tem outros polos de desenvolvimento, como o Centro-Oeste.


O nosso negócio é muito artesanal. Não dá pra fazer coisa bonita em lugares distantes.


E o que o senhor pensa do fenômeno de Camboriú?


Tem loucos, tem inteligentes, sábios e burros. Se alguém compra, por que não? Alguém compra, se comprar tudo bem. Não pode fazer para não vender.


Se tem gente querendo comprar, está valendo, é isso? Porque não parece muito lógico prédios tão altos no litoral.


Não tem graça, mas isso é outro assunto.


https://www.estadao.com.br/economia/negocios/elie-horn-filantropia-doacoes-entrevista/

Morning Call 241024 ConfianceTec

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

24/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE

QUARTA-FEIRA (23)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quarta-feira (23) com perdas de 0,55%, a 129.233 pontos. Volume negociado chegou a R$ 17,5 bi. Já o dólar encerrou em queda de 0,08%, a R$ 5,6928. Curva de juros segue pressionada na ponta longa. Saldo Cambial registrou saídas de US$ 634 milhões na semana passada, totalizando US$ 1,916 bi em outubro e US$ 8,67 bi no ano.


Mercados hoje (22): Bolsas asiáticas fecharam, majoritariamente, em queda; bolsas europeias em alta e  Índices Futuros de NY, próximos da estabilidade. Lembrando que tivemos um movimento forte de vendas no dia 23.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, +0,09%

Dow Jones Futuro, -0,01%

Nasdaq, +0,02%

Londres (FTSE 100), +0,86%

Paris (CAC 10) +0,81%

Frankfurt (DAX), +0,83%

Stoxx600, +0,68%

Shangai, -0,62%

Japão (Nikkei 225), -0,16% 

Coreia do Sul (Kospi), -0,72%

Hang Seng, -1,30%

Austrália (ASX), -0,12%

Petróleo Brent, +1,49%, a US$ 71,45

Petróleo WTI, +1,60%, US$ 71,90

Minério de ferro em Dalian, -0,26%, a US$ 106,14.


NO DIA (23)


Amanhecemos nesta quinta-feira repercutindo a perda de dinamismo do PMI S&P do Japão. 


Aguardemos agora estes mesmos indicadores dos EUA, Zona do Euro, Alemanha e Reino Unido hoje.


No Brasil, hoje é dia de IPCA-15 de outubro. Previsão é de 0,5%, com pressão dos alimentos e da tarifa de energia elétrica. Tendência já aponta o IPCA acima de 4,5% neste ano.


Soma-se a isso, um cenário fiscal bem preocupante e taxas futuras do DI apontando para cima. Problema maior é a falta de credibilidade da PF do governo.


 Segundo o FMI, a dívida pública do governo Lula deve crescer 10 pp até 2026. Previsão é de 87,6% do PIB neste ano, 92,0% em 2025 e 94,7% em 2026.


AGENDA DO DIA (24):


Indicadores:


Japão. PMI S&P Global.


9h15. Brasil. IPCA-15 de outubro (expectativa de 0,51%, contra 0,13%).

9h30. EUA. Auxílio-desemprego  (expectativa de + 214 mil).

10h45. EUA, Zona do Euro, Alemanha e Reino Unido. PMI S&P Global.

11h00. EUA. Venda de casas novas set (exp. +0,3%).

Atividade do Fed Chicago de set.


Eventos 🌐


Guillen em evento nos EUA.


RCN e Haddad em encontros com o G-20.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa quinta-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Matinal mercado

 *Bom dia ☕️*


*🌎Os índices futuros dos EUA operam sem direção única nesta quinta-feira (24)*,após a Tesla apresentar seu maior lucro trimestral em mais de um ano, fazendo com que as ações subissem 9% no after market.


A quarta-feira foi marcada por um dia de fortes vendas nos principais índices de Wall Street. O Nasdaq liderou as perdas, caindo 1,6%, seguido pelo Dow Jones (-0,96%) e S&P 500 (-0,92%). Essa foi a terceira sessão consecutiva de declínio para o Dow e o S&P 500.


*📊 Veja  o desempenho dos mercados futuros :*


*🇺🇸EUA*


• Dow Jones Futuro: -0,01%

• S&P 500 Futuro: +0,09%

• Nasdaq Futuro: +0,02%


🌏 Ásia-Pacífico


• Shanghai SE (China), -0,68%

• Nikkei (Japão): +0,10%

• Hang Seng Index (Hong Kong): -1,30%

• Kospi (Coreia do Sul): -0,72%

• ASX 200 (Austrália): -0,12%


🌍 Europa


• FTSE 100 (Reino Unido): +0,86%

• DAX (Alemanha): +0,83%

• CAC 40 (França): +0,81%

• FTSE MIB (Itália): +0,87%

• STOXX 600: +0,68%


🌍 Commodities


• 🛢️Petróleo WTI, +1,60%, a US$ 71,90 o barril

• 🛢️Petróleo Brent, +1,49%, a US$ 1,45 o barril

• 🧲Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,26%, a 755,00 iuanes (US$ 106,14)


🪙Bitcoin


• Bitcoin, +1,13%, a US$ 66.988,22


*📚MZ Investimentos*

*🗞️Jornal do Investidor*

Bankinter Portugal 2410

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO de realizações de lucros nas principais bolsas europeias e americanas (S&P500 -0,9% e EuroStoxx50 -0,34%). O Ibex foi uma das poucas exceções (+0,27%) graças aos bons resultados de Iberdrola (ontem) e Enagás (terça-feira). Nos EUA, pesaram os resultados piores do que o esperado de Boeing (cujos trabalhadores também rejeitaram o acordo para terminar a greve) e Starbucks, assim como as notícias do surto de E. coli do McDonald's nos EUA. 

 

O Banco do Canadá cumpriu as expetativas e baixou taxas de juros em -50 p.b. (para 3,75%). É a quarta descida consecutiva. O Livro Bege da Fed mostrava uma ligeira desaceleração e menores tensões no mercado laboral. 

 

HOJE o fundamental está nos PMIs (preliminares de outubro) e resultados empresariais. O mercado amanhece animado pelos resultados de TESLA (+12% em aftermarket), que surpreendeu positivamente em margens e guias para 2025, e LAM Research (+5,6% em aftermarket). A temporada vai ganhando tração e melhora o aumento médio de EPS em S&P (para +4,1% desde +3,6% ontem). Além disso, na Europa, antes da abertura, publicaram Danone, Unilever e Hermés e também superaram expetativas; igual a BESI, embora as suas guiais fossem um pouco fracas. A nota negativa foi Kering: continua sem visibilidade, com vendas -16% (vs -11% esperado).   

 

No lado macro, destacam-se os PMIs preliminares de outubro. A atenção está na evolução Industrial na Europa, que se manterá em zona de contração (UE Industrial 45,1 esperado vs 45,0, Composto 49,7 vs 49,6 ant. e Serviços 51,5 esp,. vs 51,4). Nos EUA, o PMI Composto mantém-se em zona de expansão (53,8 esp. vs 54 ant.), enquanto se espera 47,5 vs 47,3 ant. no Industrial. 

 

Em suma, esperamos uma ligeira subida nas bolsas, após três sessões de descidas nos principais mercados americanos e europeus. Na ausência de grandes surpresas nos PMIs, os resultados empresariais devem animar o mercado, após os resultados de Tesla e LAM, de madrugada, e a maioria dos europeus. Em qualquer caso, nos próximos dias continuarão a pesar os riscos geopolíticos abertos e a proximidade das eleições americanas (5 de novembro). 

 

S&P500 -0,9% Nq100 -1,6% ES-50 -0,3% VIX 19,24% +1,04pb. Bund 2,32%. T-Note 4,24%. Spread 2A-10A USA=+17,5pb B10A: ESP 3,03%; ITA 3,55%. Euribor 12m 2,674% (fut.12m 2,1%). USD 1,079. JPY 164,7. Ouro 2.731,8$. Brent 75,2$. WTI 71,1$. Bitcoin 1,1% (67.334$). Ether 1,7% (2.555$). 

 

FIM

BDM Matinal 241024

 Quinta-feira, 24 de Outubro de 2024



IPCA-15 E BALANÇO DE VALE SÃO DESTAQUES NA AGENDA 

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*



… Cada dia mais, os investidores em NY seguem reagindo às chances de uma vitória de Trump, e o que isso poderá significar em termos de política monetária nos EUA. A eleição americana indefinida puxa os juros e o dólar, enquanto Wall Street opera ao sabor dos balanços. Tesla disparou 12% no after hours, com lucro inesperado no 3Tri. Aqui, tem Vale após o fechamento, mas o assunto do mercado é um só, o cenário fiscal. Nesta 4ªF, o FMI botou lenha na fogueira ao prever um salto de mais de 10pp da dívida pública em proporção ao PIB, durante o governo Lula. Em Washington, Haddad disse que não acredita que a “profecia” irá se realizar. Na agenda dos indicadores, o IPCA-15 de outubro (9h) deve acelerar para 0,51%, na mediana do Broadcast, em meio à onda de revisões para a inflação do ano.


… Após ter registrado 0,13% em setembro, a inflação deve acelerar também em 12 meses, de 4,12% para 4,43%, com a alta nas tarifas de energia elétrica e nos preços dos alimentos (sobretudo de carne), em consequência dos efeitos da estiagem no País.


… O dado de hoje deve reforçar o risco de descumprimento da meta de inflação (4,50% no limite da banda).


… O mercado também prevê aceleração da média dos núcleos do IPCA-15, de 0,17% para 0,34% (mediana).


… As medianas indicam altas em todas as aberturas: preços livres (de 0,12% para 0,36%), administrados (0,16% para 0,88%), alimentação no domicílio (-0,01% para 0,75%), bens industriais (0,13% para 0,24%) e serviços (0,17% para 0,28%).


… Mais do que a inflação corrente, no entanto, a deterioração das expectativas – associada às desconfianças com o quadro fiscal – é o que preocupa o Banco Central e mantém a curva de juros na rotina do estresse.


… Em meio a esses temores, o FMI traçou um cenário sombrio para as contas públicas no Brasil. Estima que a dívida como proporção do PIB avance para 87,6% este ano, passe para 92% em 2025 e chegue a 94,7% em 2026.


… “Eu não acredito nessa trajetória. Do mesmo jeito que eles [FMI] revisaram a projeção para o PIB [do Brasil], que estava errada, nós temos que cuidar para que essas profecias não se realizem”, disse Fernando Haddad a jornalistas, em Washington.


… O ministro reconheceu que há desafios em relação ao quadro fiscal, mas que a “situação não é tão negativa como estão pintando”.


… Para ele, os investidores estrangeiros são mais otimistas com o Brasil porque avaliam os indicadores com “mais frieza”.


… Haddad reforçou o comprometimento fiscal do presidente Lula, dizendo que “o governo está focado em controlar e monitorar de perto o crescimento dos gastos públicos, garantindo que ele permaneça sustentável e alinhado com o arcabouço fiscal”.


… Mais uma vez, o ministro não quis antecipar detalhes sobre a agenda de revisão de gastos, dizendo que quando voltar ao Brasil terá várias reuniões com o presidente Lula e que ele decidirá a respeito. “Ele é presidente e vai saber decidir.”


… No fim da tarde, uma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República desmentiu notícia sobre resistências dentro do governo às medidas de corte de gastos que envolvem alterações em regras de benefícios sociais.


… A Secom tratou como informações falsas as notícias divulgadas pela imprensa a respeito de estudos sobre mudanças na multa do FGTS em caso de demissão sem justa causa e no pagamento do seguro-desemprego.


… A alteração nas regras do seguro-desemprego é uma das principais apostas na lista de Haddad e Simone Tebet para cortar gastos.


WASHINGTON – Guillen fala em dois eventos: do Citi, às 9h, e do JPMorgan, às 11h. Campos Neto e Haddad participam, às 14h, da conferência de imprensa do G20. Gabriel Galípolo já está de volta ao Brasil.


… Existe a expectativa de que ele leve a Lula nos próximos dias a lista de indicados às vagas abertas no BC.


… Secretária da CGU, Izabela Correa é o nome mais forte para ocupar a Diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta a partir do ano que vem, de acordo com fontes consultadas pelo Broadcast.


… Para o posto de Galípolo (Diretoria de Política Monetária), circula o nome de Gilneu Vivan, número 2 da área.


… Fala-se também de candidatas como a chefe da Unidade de Sustentabilidade e Investidores de Portfólio Internacional, Isabela Damaso (irmã de Otávio Damaso), e Juliana Mozachi-Sandri (hoje na Supervisão de Conduta).


ANDRÉ ESTEVES – À Bloomberg, o executivo do BTG Pactual disse que o pessimismo do mercado, com o real depreciado mesmo em meio à Selic em alta, embute as dúvidas sobre a sustentabilidade da trajetória fiscal.


… “Temos um passado de falta de disciplina fiscal”, observou, apesar de ter elogiado o trabalho de convencimento de Haddad junto a Lula sobre a importância de ferramentas de estabilidade às contas públicas.


… Ele também enalteceu o esforço do BC para conter a expectativa de inflação “levemente à frente da meta”.


EMENDAS – Após reunião dos Três Poderes, ficou acertado que as novas regras para dar mais transparência e rastreabilidade no repasse das verbas parlamentares ao Orçamento da União devem ser finalizadas até hoje.


… Pacheco afirmou que tanto a Câmara quanto o Senado pretendem votar o texto já na semana que vem.


… A partir da aprovação pelas duas Casas, ele acredita que o pagamento das emendas parlamentares, que está bloqueada desde agosto pelo ministro Flávio Dino, do Supremo, será retomado imediatamente.


LÁ FORA – Nos EUA, Beth Hammack (Fed/Cleveland) fala às 10h45. O auxílio-desemprego (9h30) tem previsão de 241 mil pedidos e as vendas de moradias novas (11h) devem registrar alta de 0,3% em setembro.


… Saem ainda a atividade nacional do Fed/Chicago (9h30) e a leitura preliminar de outubro do PMI/S&P Global composto (10h45), que também será divulgada na Alemanha (4h30), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30).


AFTER HOURS – Tesla fez uma festa (+12,08%) com a alta anualizada de 17% no lucro líquido do 3Tri (US$ 2,167 bilhões) e no ganho diluído por ação (US$ 0,62), que superou a projeção de US$ 0,59 dos analistas.


… Já IBM (-2,49%) operou frustrada pela receita de US$ 15 bi, um pouco abaixo das expectativas (US$ 15,1 bi).


ELEIÇÃO AMERICANA – Disputada voto a voto, a corrida para a Casa Branca está apertada em dois estados cruciais (Michigan e Wisconsin), de acordo com a nova pesquisa da Quinnipiac University, divulgada ontem.


… Kamala lidera por 49% a 46% entre os eleitores em Michigan. Na sondagem anterior, ele estava à frente por 50% a 47%. Em Wisconsin, os dois estão empatados com 48% (antes, o republicano vencia por 48% a 46%).


JAPÃO HOJE – A atividade registrou contração em outubro, segundo a leitura preliminar da S&P Global. O PMI industrial recuou de 49,7 em setembro para 49,5 e o dado de serviços cedeu de 53,1 para 49,3, abaixo de 50.


… Com isso, o PMI composto teve retração expressiva, de 52,0 para 49,4 no período.


PIOR QUE ESTÁ, FICA – Quando se imaginava que a curva do DI já estava com o fôlego esgotado e sem espaço para avançar mais, lá veio mais uma rodada de estresse para provar que o que está ruim sempre pode piorar.


… Pelo menos quatro motivos foram apontados ontem como estopins para a pressão renovada: incerteza fiscal (reforçada pelo FMI e resistência no governo a corte de gastos), conservadorismo de Pichetti e RCN, e Trump. 


… O diretor do BC Paulo Picchetti afirmou que há “razões claras” para começar um ciclo de alta dos juros. Na mesma linha, Campos Neto reforçou a mensagem de que o Copom deve apertar o passo em novembro.


… “É importante convencer o mercado de que vamos fazer o que for preciso para inflação convergir para meta.”


… No pior momento do dia, o contrato de juro para Jan29 testou os 13% e fechou muito perto desta marca, a 12,975% (contra 12,855% na véspera). De ponta a ponta, os vencimentos retomaram os exageros pessimistas.


… Jan/26 marcou 12,765% (de 12,690%); Jan/27, 12,960% (de 12,850%); Jan/31, 12,930% (12,810%); e Jan/33, 12,850% (12,740%). O mercado não se dobra à garantia do BC de que vai ancoragem a expectativa inflacionária.


… Em mais uma revisão para cima, a Warren Investimentos elevou ontem a previsão para o IPCA deste ano de 4,60% para 4,75%, motivada pelos preços mais elevados do que o esperado das carnes e da gasolina.


… Na edição desta semana do levantamento Focus, a mediana das estimativas para a inflação passou a rodar no teto da meta (4,5%), enquanto o ritmo de aquecimento econômico continua surpreendendo os economistas.


… Apesar do impulso da atividade, a XP Investimentos confia que a velocidade do PIB vai ter uma desaceleração importante no ano que vem, de 1,3 ponto porcentual, para 1,8%, contra a expansão de 3,1% prevista para 2024.


… Os mesmos fatores que puxaram nesta 4ªF o DI teriam tudo para puxar também o dólar. Mas um fluxo pontual de entrada de capital externo aliviou à tarde o viés de alta observado durante boa parte da sessão.


… Com uma força anulando a outra, o dólar travou em R$ 5,6928 (-0,08%) no fechamento. Continua flertando com R$ 5,70, porque a agenda de Trump é inflacionária e, aqui, o risco fiscal inibe qualquer queda maior.


… O BC informou ontem que o fluxo cambial na semana passada foi negativo em US$ 634 milhões. No acumulado de outubro, está positivo em US$ 1,916 bilhão. No ano, segue no azul, em US$ 8,679 bilhões.


EFEITO COLATERAL – Sem ter para onde correr, porque os DIs voltaram a embutir prêmio de risco e as commodities precipitaram uma onda de vendas lá fora, o Ibovespa completou uma sequência de cinco quedas.


… Fechou em baixa de 0,55%, aos 129.233,11 pontos, com volume financeiro magro, de apenas R$ 17,5 bilhões.


… A partir de hoje, com a Vale abrindo a safra de balanços importantes, a bolsa ganha este gatilho extra de volatilidade. Se der tudo errado, pode furar o suporte de 128.400 pontos, segundo análise gráfica do Itaú BBA.


… Já em caso de recuperação, o primeiro sinal de melhora seria romper a resistência em 132.300 pontos.


… Ontem, boa parte das piores baixas do Ibov foi de papéis sensíveis aos juros futuros: LWSA registrou queda de 2,95% (R$ 4,26), Azul perdeu 2,66% (R$ 5,48), Vivara recuou 2,55% (R$ 24,88) e RD Saúde caiu 2,41% (R$ 24,65).


… Também as blue chips das commodities não foram poupadas, diante da queda do minério (-1,91%) e do petróleo Brent (-1,42%), após o mercado se surpreender com o salto nos estoques semanais da commodity nos EUA.


… Petrobras ON caiu 1,42% (R$ 38,88) e PN cedeu 1,25% (R$ 35,66). Vale recuou 1,75% (R$ 59,35), entre as maiores perdas do Ibovespa. Hypera desvalorizou 3,98% (R$ 26,99), realizando lucro sobre altas recentes.


… Bancos ficaram sem direção única. Bradesco ON registrou -0,30%, a R$ 13,20, e PN, -0,40%, a R$ 15,12. No lado positivo, ficaram Banco do Brasil (+0,11%; R$ 26,33), Itaú (+0,63%; R$ 35,38) e Santander (+1,24%; R$ 28,54).


… IRB saltou 12,29% (R$ 47,71) após apresentar resultados fortes no mês de agosto. Ainda se destacaram entre as altas Carrefour (+5,24%; R$ 7,43), Cogna (+4,41%; R$ 1,42) e Yduqs (+4,05%; R$ 10,79).


COM O PÉ ATRÁS – Conforme a eleição americana se aproxima e as pesquisas indicam possibilidade de vitória, ainda que apertada, de Donald Trump, o mercado fica menos confortável com a perspectiva de um Fed mais conservador.


… Assim, o “Trump trade” ganha força com o investidor embutindo a insegurança nos ativos, saindo das ações e entrando no dólar, enquanto os juros dos Treasuries não param de subir.


… Em entrevista à CNBC, Tim Adams, do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), disse que “sem dúvida” as propostas de Trump, como a imposição de tarifas de importação e corte de impostos, são inflacionárias.


… “Seria uma quebra no progresso feito na redução dos preços”, disse o chefe do IIF.


… Para o banco BMO, a combinação da vitória de Kamala ou Trump com um Congresso dividido poderia deixar os investidores focados no aumento do déficit dos EUA, o que seria um “mau presságio” para ações e títulos.


… Ontem, em meio a reavaliação da perspectiva para os juros, o retorno da note de 10 anos subiu a 4,25% na máxima do dia, maior nível desde 26 de julho. Fechou perto disso, em 4,237% (de 4,210% no dia anterior).


… O rendimento da note de 2 anos, mais vulnerável ao rumo da política monetária, avançou a 4,076% (de 4,034%).


… Sensíveis aos juros, as sete magníficas caíram: Nvidia (-2,81%), Apple (-2,16%), Meta (-3,15%), Amazon (-2,63%), Alphabet (-1,40%), Microsoft (-0,68%). Tesla recuou 1,98% antes da divulgação do balanço, depois do fechamento.


… O grupo dragou o Nasdaq (-1,60%; 18.276,65 pontos) e pesou sobre o S&P 500 (-0,92%; 5.797,40). O Dow Jones caiu 0,96% (42.514,96). Os dois últimos recuaram pela 3ª sessão consecutiva.


… Sinal do nervosismo do dia, o VIX (“índice do medo”) subiu mais de 10%, a 20,19 pontos, durante a sessão.


… Apesar do mau desempenho dos últimos dias, Daniel Skelly (Morgan Stanley Wealth Management), avaliou, na Bloomberg, que o cenário à frente é positivo.


… “É possível um aumento de volatilidade, à medida que nos aprofundamos na temporada de balanços e nos aproximamos da eleição de novembro, mas a perspectiva de longo prazo do mercado permanece sólida”, disse.


… Entre as empresas que divulgaram balanços, AT& T (+4,60%) e Starbucks (+0,86%) agradaram, enquanto Coca (-2,07%) decepcionou. McDonald´s continuou em forte queda (-5,12%) por causa dos casos de E.coli nos EUA.


… No câmbio, o índice dólar continuou sua escalada: +0,30%, a 104,386 pontos. Além do “Trump trade”, teve ajuda de discursos dovish de autoridades do BCE e do BoJ.


… Durante a sessão, o iene bateu no menor nível em três meses (153,07/US$), revivendo as preocupações de uma intervenção pelo BC japonês. A moeda caiu 1,08% e fechou em 152,699/US$.


… Kazuo Ueda avaliou que está demorando para que o Japão chegue a uma inflação de 2% de forma sustentável, o que torna difícil definir um tamanho para aumento de juros.


… “Quando há muita incerteza, geralmente é melhor proceder de forma cautelosa e gradual”, disse.


… Entre os dirigentes do BCE, Fábio Panetta acredita que a economia da zona do euro está enfraquecendo e que a meta de inflação de 2% deve ser atingida “muito antes do fim de 2025”, o que demanda mais corte de juros.


… Apuração da Reuters apontou que o BCE iniciou discussões sobre a possibilidade de reduzir as taxas de juros para abaixo do nível neutro, em meio ao enfraquecimento da economia e à desaceleração da inflação.


… O euro caiu 0,11%, a US$ 1,0788, e a libra esterlina cedeu 0,39%, para US$ 1,2932.


EM TEMPO… BRASKEM registrou alta anualizada de 31% nas vendas do 3Tri24, segundo relatório preliminar…


… Vendas cresceram 14% sobre o 2Tri24. Exportações dos principais químicos caíram 47% na base anual e cederam 34% ante o 2Tri24.


LOJAS RENNER. Conselho de administração aprovou aumento do capital social da companhia no valor de R$ 518,6 milhões, com bonificações de ações; com isso, capital social passou a ser de R$ 9,5 bilhões.


GOL. Abra, controladora da empresa e da Avianca, fechou acordo de US$ 1,25 bi em transação de refinanciamento abrangentes, incluindo nova linha de crédito liderada pela gestora Castlelake…


… Em comunicado, a Abra explicou que uma subsidiária integral da empresa, a Abra Global Finance, fez uma colocação privada de US$ 510 milhões de notas seniores garantidas com vencimento em 2029…


… Empresa também celebrou contrato liderado pela Castlelake, prevendo uma linha de crédito, garantida por cinco anos, de US$ 740 milhões; as notas e a linha de crédito são garantidas pela empresa e algumas de suas subsidiárias.


SANTOS BRASIL aprovou a distribuição de R$ 126,7 milhões em dividendos intermediários (R$ 0,1466/ação) e R$ 36,8 milhões em JCP (R$ 0,0362/ação), com pagamento em 13/11; ex em 29/10.


RAÍZEN. Norges Bank passou a deter 5,09% do total de ações PN da companhia, o equivalente a 69.162.400 papéis do tipo.


TIM. Fitch confirmou rating AAA (bra) para a empresa, com perspectiva estável.


DEXCO. Raul Guaragna assumirá a presidência da companhia em abril de 2025 no lugar de Antonio de Oliveira.


CAIXA SEGURIDADE informou que valor de potencial follow-on dependerá do preço da ação na ocasião da oferta…


… Considerando o atual porcentual de ações em circulação, de 17,25%, o follow-on contemplaria 2,75% das ações, com base no patamar atual de cotação das ações da companhia.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...