segunda-feira, 17 de novembro de 2025

ESPECIAL: CAUTELA DO BC PARA REDUZIR SELIC LEVA ECONOMISTAS A VEREM CORTE MAIOR DA TAXA EM 2026

 ESPECIAL: CAUTELA DO BC PARA REDUZIR SELIC LEVA ECONOMISTAS A VEREM CORTE MAIOR DA TAXA EM 2026


Por Arícia Martins São Paulo, 18/11/2025 –


 Se, por um lado, o tom duro mantido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) praticamente enterrou apostas de corte da Selic em dezembro e colocou dúvidas sobre o início do afrouxamento ocorrer em janeiro, de outro, a permanência do juro básico em nível restritivo por mais tempo pode abrir espaço para uma redução um pouco mais expressiva da taxa básica de juros em 2026. Economistas ouvidos pela Broadcast avaliam que, no início do próximo ano, o processo de reancoragem das expectativas inflacionárias deve ganhar tração, o que tende a alinhar a inflação projetada pelo BC à meta no horizonte relevante da política monetária. Com as estimativas do mercado domadas e uma desaceleração econômica mais evidente, o BC poderá reduzir a Selic para abaixo dos 12,25% projetados pelo consenso de mercado para o fim de 2026, seja iniciando o ciclo de cortes em janeiro ou março. Para os especialistas, mesmo se a Selic recuar para perto de 11% a taxa ainda estaria em patamar restritivo para a atividade econômica. A economista-chefe da CM Capital Markets, Carla Argenta, prevê que a Selic estará em 11,5% no fim do próximo ano. Ela afirma que o BC já possui condições técnicas para promover cortes, mas prefere aguardar até que a projeção de inflação no horizonte relevante, atualmente em 3,3%, atinja a meta de 3%. Ela estima que, em março, quando o horizonte se estenderá até o terceiro trimestre de 2027, essa projeção estará entre 3% e 3,1%. "Quando isso acontecer, os elementos que sustentam a Selic em nível tão elevado caem por terra. Há espaço para promover um ritmo de ajuste maior ao longo do tempo", avalia Argenta, mencionando entre os fatores uma queda mais acentuada da inflação corrente, um maior arrefecimento da atividade econômica e do crédito, e um aumento na ociosidade da economia, hoje maior na indústria e ainda pouco clara nos serviços. "Como se esperou muito para iniciar esse corte, as condições macroeconômicas vão permitir que ele ocorra de forma mais rápida, sem colocar em xeque as expectativas que já devem estar bem ancoradas", afirma Argenta, que prevê um corte inicial de 0,5 ponto porcentual na Selic em março. Ela considera que a projeção de uma taxa terminal de 11,5% até 2026 tem viés de baixa. A RB Investimentos acredita ser mais provável que o Copom comece a reduzir a Selic na reunião de março do que na de janeiro, mas projeta que a taxa atingirá 11% até dezembro de 2026. "O corte vai demorar, mas quando começar, vai desencadear uma taxa mais baixa", afirma o estrategista-chefe da RB, Gustavo Cruz. Cruz pondera que o calendário eleitoral pode trazer uma maior volatilidade ao câmbio e complicando o ciclo de afrouxamento. No entanto, tudo o mais constante, mudanças nas expectativas de inflação já poderiam influenciar as projeções da Selic. "Pelas conversas com outros participantes do mercado, parece que o pessoal está aguardando início do ciclo de cortes para reduzir as projeções para o juro." Economista-chefe da Equador Investimentos, Eduardo Velho identifica o comportamento do câmbio como o principal fator que, ao aliviar a inflação, permitiria que a Selic caísse a patamares abaixo do previsto pelo consenso do mercado. No cenário da gestora de recursos, o juro básico será reduzido a 11,25% até o final de 2026, com os cortes começando em janeiro. A projeção tem assimetria para baixo. "O BC poderia começar com um corte de 0,5 ponto, mas tende a ser mais conservador", considerando as últimas declarações mais "hawkish" do presidente Gabriel Galípolo e do Diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, diz Velho. Desde que o dólar permaneça ao redor de R$ 5,30 até dezembro, espera-se que essa estabilidade contribua para uma redução de 0,3 ponto porcentual na previsão de alta do IPCA para 2026 no Focus, atualmente em 4,20%, de 4,27% há um mês. "Se o câmbio ficar nesse patamar, o BC consegue reduzir juros sem pressão dos alimentos e de bens industriais, que têm ajudado muito a inflação", disse. Embora a autoridade monetária tenha alertado para a resiliência do mercado de trabalho e dos serviços em suas comunicações, Velho avalia que é o resultado total da inflação que vai importar para o Copom ter confiança e iniciar o ciclo de queda da Selic. "E a queda do dólar é a grande âncora". Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, projeta uma Selic terminal de 12% para 2026. Ele concorda que a expectativa de inflação do BC deve se aproximar da meta de 3% no primeiro trimestre de 2026, e prevê que o BC reduzirá a Selic em 25 pontos-base em janeiro, seguido por dois cortes de 75 pontos-base. "Haverá um cenário mais claro de desinflação", diz ele, que já chegou a rodar um modelo com Selic em 11,75% ao fim de 2026. "Nosso 'call' oficial é 12%, mas quando a desinflação aparecer, a curva de juros futuros vai responder para baixo no ano que vem". 

BDM Matinal Riscala 1

 *Rosa Riscala: Payroll e Nvidia movimentam a semana*


Aqui, a agenda da semana do feriado da Consciência Negra tem o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas e, hoje, palestra de Galípolo e IBC-Br de setembro


… Está confirmada para quinta-feira (20) a divulgação do payroll de setembro nos Estados Unidos, quando os mercados fecham no Brasil para o feriado do Dia da Consciência Negra. Outros indicadores atrasados pelo shutdown já têm datas marcadas, como o PCE de outubro e a segunda leitura do PIB/3Tri, que sairão no dia 26, antes da reunião do Fed em dezembro, agora com aposta majoritária em manutenção do juro. Em Wall Street, sob questionamento de bolha das techs, o balanço super esperado da Nvidia sai na quarta-feira. Aqui, a agenda econômica tem como destaques o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas e, hoje, palestra de Galípolo e IBC-Br de setembro.


O QUE VAI ROLAR NA SEMANA – A mediana apurada pelo Broadcast indica queda de 0,10% no IBC-Br de setembro, após alta de 0,40% em agosto. As estimativas variam de recuo de 0,50% a alta de 0,30%. O dado será divulgado hoje, às 9h.


… O desempenho mais fraco da produção industrial (-0,40%) e das vendas no varejo (-0,30%) deve contribuir para o retorno do IBC-Br ao campo negativo, de acordo com a maioria dos economistas, a despeito da expansão do volume de serviços (+0,60%).


… Ainda hoje, há expectativa para o Boletim Focus (8h35), após o IPCA de outubro ter mostrado leitura benigna da inflação, o que levou algumas casas a revisarem em baixa as suas projeções. Atenção também para as estimativas futuras, que tanto preocupam o Copom.


… Às 9h, o mercado acompanhará palestra do presidente do BC, Gabriel Galípolo, no Fórum Internacional de Equidade Racial Empresarial. Mais uma chance de bater na tecla do conservadorismo e da cautela na política monetária (se o tema permitir). 


… O Relatório Bimestral de Receita e Despesas, o último de 2025, precisa ser divulgado até o dia 22/11, que cai no sábado. O Planejamento pode antecipar a data para quarta-feira (19), antes do feriado da Consciência Negra, ou sexta-feira (21).


… O documento traz a projeção para o resultado primário e possível liberação ou congelamento de recursos, de modo a cumprir a meta fiscal.


… Em entrevista à CNN Money, na sexta-feira, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, disse que, além do contingenciamento de despesas, o governo se vale de outros instrumentos para alcançar o centro da meta fiscal, como gestão fiscal e gestão orçamentária.


… Ele negou que, ao contingenciar despesas com base no limite inferior da meta, o governo esteja mirando o piso.


… Tanto Tebet como Haddad já se referiram ao empoçamento de recursos, sobras não executadas do Orçamento, para atingir o centro da meta.


MAIS BC – O sócio e economista-chefe da Genoa Capital, Igor Velecico, é um dos nomes cotados para assumir a diretoria de Política Econômica do Banco Central a partir de 2026, em substituição a Diogo Guillen, cujo mandato se encerra em 31 de dezembro – apuração do Valor.


AGENDA POLÍTICA – A semana no Legislativo deve ser esvaziada pelo feriado de quinta-feira.


… Na Câmara, o presidente Hugo Motta tentará votar a Lei Antifacção amanhã, terça-feira, após o relator, deputado Guilherme Derrite (PP), apresentar a quarta versão do seu parecer em negociações com o Executivo, o Ministério Público e a Polícia Federal.


… Na sexta-feira, o ministro Fernando Haddad criticou a demora na votação do projeto do devedor contumaz, afirmando que se trata de uma questão de segurança pública. O projeto já foi aprovado por unanimidade no Senado e falta apenas a Câmara votar.


… Ainda amanhã, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) deve analisar o projeto que propõe o aumento da tributação sobre bets, de 12% para 24%, e das fintechs, para 15%. O texto é de autoria do senador Renan Calheiros (MDB) e relatado por Eduardo Braga (MDB).


… Na Folha, o Planalto avisou os senadores que Lula vetará a indenização que custaria R$ 7 bilhões à conta de luz – o trecho da MP do setor elétrico que prevê compensação a usinas eólicas e solares por cortes na produção.


TARIFAÇO – O mercado acompanha ainda as negociações do governo brasileiro com Washington após o decreto de Trump, na sexta-feira à noite, retirar a tarifa básica de 10% sobre importações de produtos agropecuários como carne bovina, banana, café e tomate.


… As importações de castanhas-do-pará, caju, coco, laranja e outras frutas tropicais também foram excluídas da alíquota adicional.


… A modificação nas tarifas já está valendo para as operações fechadas desde quinta-feira, 13, mas não é ainda a resposta que o Brasil esperava. O País segue sujeito a uma sobretaxa punitiva de 40% e aguarda a retomada das conversas com representantes da Casa Branca.


… O suco de laranja, consumido no café da manhã dos americanos e que estava fora da tarifa adicional de 40%, ficou totalmente isento. Já para o café brasileiro, que responde por 34% do mercado dos Estados Unidos, a situação piorou.


… Enquanto os produtos dos principais concorrentes, como a Colômbia e o Vietnã, tiveram a sua tarifa zerada, o café brasileiro continua taxado em 40%. “O Brasil continua totalmente fora do jogo”, disse o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, à GloboNews.


… Antes do decreto para o Brasil, pressionado pela inflação, Trump já havia anunciado acordos com Equador, Guatemala, El Salvador e Argentina, destinados a reduzir as tarifas de importação sobre produtos agrícolas produzidos nesses países.


… Na semana passada, após se reunir com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, antecipou que uma resposta à proposta do Brasil seria dada entre sexta-feira e esta semana.


… O governo brasileiro solicitou uma pausa temporária de 90 dias nas tarifas em um acordo provisório antes de iniciar as discussões.


… O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, à frente das negociações com os Estados Unidos, disse que a revisão tarifária é bem-vinda, mas não encerra as negociações em curso sobre a sobretaxa adicional de 40% ainda aplicada a produtos brasileiros.


… Questionado sobre a viagem de uma missão oficial a Washington para aprofundar as tratativas, afirmou que ainda não há data marcada.


TERRAS RARAS – Um acordo sobre terras raras entre Estados Unidos e China deve ser concluído até o Dia de Ação de Graças, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em declarações neste domingo, em entrevista à Fox News.


… Os comentários de Bessent seguem um acordo preliminar anunciado no mês passado, no qual Washington concordou em não impor tarifas de 100% sobre as importações chinesas e Pequim suspenderia as restrições à exportação para minerais de terras raras e ímãs.


AGENDA INTERNACIONAL – Além do payroll de setembro, estão previstos nos Estados Unidos o índice de atividade Empire State, hoje (10h30), a ata do último Fomc, na quarta-feira, e, na sexta-feira, o PMI da S&P Global e o sentimento do consumidor de Michigan.


… Outros indicadores podem continuar com a divulgação suspensa devido a problemas de coleta com o shutdown, como a produção industrial, amanhã; construção de moradias iniciadas, na quarta-feira; e pedidos de auxílio-desemprego, na quinta-feira.


… Investidores acompanham as falas dos Fed boys, com a aposta majoritária já apontando para a manutenção do juro em dezembro (55%). Para hoje estão previstos John Williams (11h), Philip Jefferson (11h30), Neel Kashkari (14h45) e Christopher Waller (17h35).


BALANÇOS – Nvidia sai na quarta, após o fechamento dos mercados, com previsão de lucro/ação de US$ 1,25. O resultado será muito importante em meio às preocupações em torno do setor de tecnologia nos Estados Unidos, em especial no nicho da IA.


… Além do balanço, o guidance a ser apresentado pela empresa determinará a referência para o segmento.


… No after hours de sexta-feira, Alphabet disparou 4,6% no after hours, após ter sido adicionada ao portfólio da Berkshire Hathaway, que reduziu os seus investimentos na Apple.


… Estão previstos ainda no calendário os resultados de duas grandes varejistas americanas: Home Depot amanhã e Walmart na quinta-feira.


ZONA DO EURO – Destaque para o CPI de outubro, na quarta-feira; confiança do consumidor, na quinta-feira; PMI composto da S&P Global, na sexta-feira; e para a participação da presidente do BCE, Christine Lagarde no Congresso Bancário Europeu, na sexta-feira.


NA CHINA – PBoC decide na quarta-feira à noite os juros das LPRs de um ano e cinco anos.


JAPÃO HOJE – O PIB real registrou queda anualizada de 1,8% entre julho e setembro, na primeira contração em seis trimestres. O número ficou em linha com a mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro.


ELEIÇÃO NO CHILE –A candidata comunista Jeannette Jara (apoiada pelo presidente Gabriel Boric) e o ultradireitista José Antonio Kast foram os melhores colocados nas urnas e disputarão o segundo turno em 14 de dezembro.


IMPLACÁVEL – Na maior prova de que o Ibovespa ainda não cansou dos recordes, foi por muito pouco (10 pontos) que não superou na sexta-feira o recorde histórico de fechamento que havia batido três dias antes (157.748,60).


… Após um respiro nas duas últimas sessões, o índice à vista voltou a subir (+0,37%), aos 157.738,69 pontos. Superou os 158 mil pontos no pico intraday (158.366,25), comprovando que só volta para trás para pegar impulso.


… Profissional ouvido pelo Broadcast projeta que a bolsa não só vai conseguir reunir fôlego para cruzar a barreira inédita dos 158 mil para um fechamento, como também vai encarar outros paredões e conquistar os 160 mil.


… A onda otimista coincide com o diferencial de juro atrativo, que coloca o Brasil na roda da fortuna do fluxo estrangeiro e incorpora à bolsa volumes financeiros diários mais expressivos. Na sexta-feira, foram R$ 25,6 bilhões.


… Além deste contexto mais amplo, também o petróleo entrou como aliado do Ibovespa no último pregão. Os novos ataques ucranianos a instalações russas desencadearam valorização de 2,19% do barril do Brent, cotado a US$ 64,39.


… No embalo, Petrobras acelerou 0,65%, a R$ 32,70, e ON subiu 0,78%, a R$ 37,93, contribuindo para a bolsa acumular ganho de 2,4% na semana passada, apesar de ter quebrado a sequência de 15 máximas históricas.


… Já Vale operou descolada da leve alta de 0,26% do minério de ferro e caiu 0,61%, a R$ 65,27, diante da projeção adicional de US$ 500 milhões para obrigações ligadas ao rompimento da barragem de Fundão, na cidade de Mariana.


… Mas Vale vem em tendência de alta desde julho: de lá pra cá, acumula rali de quase 30%. Tem muito para queimar.


… As blue chips financeiras fecharam mistas na sexta-feira. BB ainda sente o impacto do balanço e caiu 0,27%. Ainda Bradesco recuou de leve: ON perdeu 0,24%, a R$ 16,61, e PN fechou praticamente estável (-0,05%), a R$ 19,47.


… Na ponta positiva, Itaú subiu 0,40%, para R$ 40,60, e Santander unit ganhou 0,60% e fechou valendo R$ 33,78.


TETO INFORMAL – Enquanto a bolsa flerta com os 158 mil pontos, o dólar briga para se manter abaixo de R$ 5,30 e tem contado com o interesse do capital externo pelo Brasil para não ultrapassar esta linha há quatro pregões.


… O maior apetite por risco nos mercados emergentes garantiu queda semanal de 0,72% à moeda norte-americana, mesmo com o fechamento estável na sexta-feira (-0,02%, a R$ 5,2973), quando oscilou entre dois vetores distintos.


… A força do petróleo favoreceu o real, mas foi contrabalançada pela alta externa do dólar, diante da sensação de que o Fed pode não mexerá no juro em dezembro, com o shutdown comprometendo a visibilidade dos dados.


… Em reunião na sexta-feira com diretores do BC em São Paulo, economistas manifestaram a percepção de que o câmbio tende a se manter comportado e pode garantir IPCA abaixo de 4% no ano que vem, segundo relatos ao Broadcast.


… O BC promove hoje (10h30) um leilão de linha de até US$ 1,25 bilhão para rolagem do vencimento de dezembro.


… Com o dólar de lado, os juros futuros fecharam perto da estabilidade na sexta-feira, mesmo após a Pnad confirmar que o Brasil segue com a menor taxa de desemprego da história (5,6%) no trimestre encerrado em setembro.


… O mercado aquecido da mão de obra joga a favor do conservadorismo do Copom e ajuda a adiar as apostas de corte da Selic, enquanto Galípolo confronta o otimismo do mercado e continua desconfortável com a inflação.


… No fechamento, o contrato de juro para janeiro de 2027 marcava 13,625% (contra 13,644% na sessão anterior); Jan/29 pagava taxa de 12,835% (contra 12,815%); Jan/31, a 13,175% (de 13,165%); e Jan/33, a 13,385% (13,386%).


SUBIU NO TELHADO – Enquanto o governo americano tenta normalizar o atraso na agenda dos indicadores, grande parte dos Fed boys continua não dando margem para o mercado especular com corte do juro em dezembro.


… No intervalo de uma semana, as apostas em uma redução da taxa básica afundaram de 67% para 45,9% e perderam o favoritismo: a precificação principal agora é de que o Fed não vai mexer na política monetária (54,1%).


… O BofA faz parte desta corrente que já não acredita mais em uma inclinação dovish neste final do ano.


… Dois Fed boys endossaram na sexta-feira a perspectiva de manutenção. “É difícil apoiar um corte”, disse Lorie Logan, antes de ver evidências convincentes de queda da inflação ou piora do mercado de trabalho americano.


… Para Jeffrey Schmid, “não há espaço para complacência em relação às expectativas de inflação”.


… Respeitando o tom cauteloso dos comentários, as taxas dos Treasuries subiram. O retorno da Note de 2 anos avançou para 3,610%, contra 3,593% na véspera, e o rendimento do título de 10 anos foi a 4,147%, de 4,118%.


… No câmbio, o índice DXY subiu 0,14%, a 99,299 pontos, derrubando o euro para US$ 1,1622 (-0,14%). A libra esterlina (-0,06%, a US$ 1,3164) monitorou relatos no FT de que o Reino Unido desistiu de elevar alíquotas do IR.


… Se for isso mesmo, a decisão tende a levantar dúvidas sobre a credibilidade fiscal antes do Orçamento, no dia 26.


… A chance real de não ter corte do juro pelo Fed em dezembro desanimou o Dow Jones, que caiu 0,65%, a 47.147,48 pontos. O S&P 500 fechou estável (-0,05%; 6.734,11 pontos). Já o Nasdaq subiu 0,13%, a 22.900,59 pontos.


… Nvidia saltou 1,77% com expectativas positivas para o balanço desta semana e a reação do setor de tecnologia, que continua atraindo investimentos pesados, mesmo diante da incerteza sobre a existência de uma bolha no segmento.


… Oracle registrou valorização de 2,43% e Tesla (+0,59%), Microsoft (+1,37%) e IBM (+0,27%) também subiram.


COMPANHIAS ABERTAS – LOJAS MARISA reverteu prejuízo e lucrou R$ 5,8 milhões no terceiro trimestre; Ebitda ficou em R$ 101,9 milhões, alta anual de 190,6%.


MULTIPLAN assinou memorando de entendimentos para venda de 20% de participação do ParkShopping São Caetano por R$ 237 milhões.


HAPVIDA recomprou 20 milhões de ações ordinárias e acionista controlador (PPAR Pinheiro Participações e Investimentos), em conjunto com pessoas físicas integrantes do bloco de controle, passou a deter 41,43% do capital.


COSAN registrou prejuízo líquido de R$ 1,18 bilhão no terceiro trimestre, revertendo lucro de R$ 292,9 milhões apresentado um ano antes. Ebitda somou R$ 7,44 bilhões, queda de 11% na comparação anual.


RAÍZEN registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/26, contra resultado negativo de R$ 158,3 milhões no mesmo período da safra anterior…


… Ebitda ajustado somou R$ 3,3 bilhões, queda de 12,8% na comparação anual.


RUMO registrou lucro líquido de R$ 416 milhões no terceiro trimestre, queda anual de 39,2%; Ebitda somou R$ 2 bilhões, recuo de 5,2% em relação ao mesmo período de 2024.


GRUPO TOKY. O conselho de administração aprovou um aumento do capital social da companhia de R$ 25,4 milhões.


TERRA SANTA reverteu lucro e reportou um prejuízo líquido de R$ 18,3 milhões no terceiro trimestre de 2025. A receita líquida, no entanto, apresentou desempenho positivo, atingindo R$ 22,1 milhões no período…


… O Ebitda ajustado manteve trajetória de alta, alcançando R$ 12,6 milhões no trimestre, um aumento de 23,4%.


AGROGALAXY, em recuperação judicial, teve prejuízo líquido ajustado de R$ 611,8 milhões no terceiro trimestre, queda anual de 61,2%. Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 134,4 milhões no intervalo, melhora de 89,1%.

BDM Matinal Riscala

 _Caros amigos, bom dia!_

_Iniciamos as transmissões do BDM Online com o BDM Morning Call, que traz as expectativas da pré-abertura._


*BDM Morning Call: Payroll e Nvidia movimentam a semana*


[17/11/25] Está confirmada para quinta-feira (20) a divulgação do payroll de setembro nos Estados Unidos, quando os mercados fecham no Brasil para o feriado do Dia da Consciência Negra. Outros indicadores atrasados pelo shutdown já têm datas marcadas, como o PCE de outubro e a segunda leitura do PIB/3Tri, que sairão no dia 26, antes da reunião do Fed em dezembro, agora com aposta majoritária em manutenção do juro. Em Wall Street, sob questionamento de bolha das techs, o balanço super esperado da Nvidia sai na quarta-feira. Aqui, a agenda econômica tem como destaques o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas e, hoje, palestra de Galípolo e IBC-Br de setembro. (*Rosa Riscala*)


_Leia o BDM Morning Call na íntegra acessando o link_

www.bomdiamercado.com.br

Call Matinal 1711

 Call Matinal

17/11/2025

Julio Hegedus Netto, economista

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (14/11)

MERCADOS E AGENDA

Índice da bolsa paulistana voltou a subir (+0,37%), aos 157.738,69 pontos, com giro de R$ 25,6 bilhões. O maior apetite por risco nos mercados emergentes garantiu queda semanal de 0,72% da moeda norte-americana, mesmo com o fechamento estável na sexta-feira (-0,02%, a R$ 5,2973), quando oscilou entre dois vetores distintos. Na agenda da semana, payroll na quinta-feira e ata do Fomc, além da atividade do Fed de NY, no BRASIL, em agenda fraca, o IBC Br.


PRINCIPAIS MERCADOS

A sessão desta segunda-feira (17) em alta no pré-mercado de NY, em uma semana marcada pela divulgação dos resultados da Nvidia, referência em inteligência artificial, na quarta-feira, e payroll de setembro na quinta-feira.


MERCADOS 5h30

EUA

Dow Jones Futuro: +0,23%

S&P 500 Futuro: +0,62%

Nasdaq Futuro: +0,97%

Ásia-Pacífico

Shanghai SE (China), -0,46%

Nikkei (Japão): -0,10%

Hang Seng Index (Hong Kong): -0,71%

Nifty 50 (Índia): +0,34%

ASX 200 (Austrália): +0,02%

Europa

STOXX 600: +0,09%

DAX (Alemanha): +0,15%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,08%

CAC 40 (França): -0,07%

FTSE MIB (Itália): +0,16%

Commodities

Petróleo WTI, -0,77%, a US$ 59,63 o barril

Petróleo Brent, -0,70%, a US$ 63,94 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +1,81%, a 788,50 iuanes (US$ 111,06)


NO DIA, 1711

Está confirmada para quinta-feira (20) a divulgação do payroll de setembro nos Estados Unidos, quando os mercados fecham no Brasil para o feriado do “Dia da Consciência Negra”. Outros indicadores atrasados pelo shutdown já têm datas marcadas, PCE de outubro e a segunda leitura do PIB/3Tri, no dia 26, antes da reunião do Fed em dezembro, agora com aposta majoritária em manutenção do juro. Nos EUA, ainda temos a ata do Fomc. Aqui, a agenda econômica tem como destaques o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas e, hoje, palestra de Galípolo e o IBC-Br de setembro.



Agenda Macroeconômica Brasil – Destaque para PAYROLL americano de setembro na quinta-feira (20).


Segunda-feira, 17 de novembro 

Japão: Produção industrial e PIB preliminar (3º tri)

Europa: Suíça e Itália – CPI (out); Itália – PIB preliminar

Brasil: FGV IPC-S (semanal), Relatório Focus, IBC-Br (set), Balança comercial (semanal).

EUA: Índice Empire State (Fed NY)


Terça-feira, 18 de novembro 

EUA: Produção industrial (out), Índice NAHB (nov), API semanal

Quarta-feira, 19 de novembro 

Europa: CPI do Reino Unido e da Zona do Euro

EUA: Licenças de construção (set), DoE semanal, Ata do FOMC

Brasil: Fluxo Cambial (semanal)

China: PBoC – LPRs (1 ano e 5 anos – nov)


Quinta-feira, 20 de novembro 

Feriado nacional: Brasil

Europa: Confiança do consumidor – Turquia e Zona do Euro

EUA: Fed Filadélfia (atividade industrial – nov), Vendas de Casas Usadas (out)

Japão: PMI composto preliminar (nov)

Sexta-feira, 21 de novembro 

Europa: Reino Unido – Vendas no varejo (out); França, Alemanha, Reino Unido e Zona do Euro – PMI composto preliminar (nov)

EUA: PMI industrial, PMI de serviços e PMI composto (nov, preliminar); Sentimento da Universidade de Michigan (nov, final)

Brasil: B3 – Vencimento de opções sobre ações (nov)

Boa segunda-feira a todos!

Leitura de domingo

 *Leitura de Domingo: Suíça anuncia acordo que limita tarifa dos EUA a 15%*


Por Pedro Lima


São Paulo, 14/11/2025 - Os Estados Unidos reduzirão a tarifa recíproca aplicada contra a Suíça para 15%, de 39% anteriormente, no âmbito de um memorando de entendimento não vinculativo, informou o governo suíço em comunicado nesta quinta-feira. O documento destaca ainda que empresas suíças planejam fazer investimentos diretos nos EUA no montante de US$ 200 bilhões até o final de 2028, incluindo iniciativas voltadas à educação profissional.


Segundo o comunicado, o entendimento baseia-se no mandato de negociação adotado em 28 de maio e na oferta aprovada pelo Conselho Federal em 4 de agosto, "visando reduzir o déficit bilateral no comércio de bens com os EUA". A declaração de intenções foi acertada "após discussões intensivas", diz o texto.


Em contrapartida à redução das tarifas americanas, a Suíça afirma que também reduzirá alíquotas de importação sobre diversos produtos dos EUA. Isso inclui todos os produtos industriais, peixes e frutos do mar, além de itens agrícolas considerados não sensíveis. Para atender outros interesses de exportação dos EUA, o país concederá cotas tarifárias isentas: 500 toneladas para carne bovina, 1.000 toneladas para carne de bisão e 1.500 toneladas para carne de aves. A implementação será coordenada com Washington para garantir cortes simultâneos.


A Suíça ressalta que o anúncio da redução tarifária ajudará a "estabilizar as relações comerciais bilaterais". Embora as tarifas totais sigam mais altas do que antes das sobretaxas impostas em abril, o governo afirma que a medida "deve ter um impacto positivo na economia suíça".


Contato: pedro.lima@estadao.com


Broadcast+

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Diário de um economista de mercado

 Diário de um economista de mercado

30 anos de mercado - algumas lições

São quase 30 anos de mercado, entre idas e vindas. Destes anos todos, importante colher alguns ensinamentos, absorvidos ao longo desta caminhada. 

1. Corretoras de valores não sobrevivem se não tiverem um "backup" de uma instituição financeira, um banco, ou recursos da matriz, se forem estrangeiras. Eu digo que monta-se uma mega estrutura cara, para gerar um caixa irrisório, vendendo produtos financeiros variados e pouco críveis. A conta não fecha;

2. Empresa de Consultoria economico-financeira não se sustenta se não tiver uma estrutura flexível. Tudo bem. Deve-se dar aos servidores de baixo, na parte administrativa, o salário fixo pela CLT, mas aos analistas, é importante flexibilidade e arrojo, sendo "pejota" e tendo participação nos resultados (ser sócio). 

3. Uma empresa não pode acumular dívida trabalhista, nem fiscal. Se esta estiver se acumulando, é essencial um alarme e um "freio de arrumação", antes que seja tarde. Empresa média quebra por estas razões. 

4. O mercado sofreu um "downsizing" violento nos últimos anos, se concentrando em umas poucas corretoras, grande maioria, vinculadas a bancos ou na mão de gringos. 

5. As duas principais "corretoras bancos" possuem um predicado que foi ter colocado muito dinheiro em escritórios de agentes autônomos (AAI), meio caminho para ganhar em escala e capilaridade. Dificilmente, hoje existe concorrência fora destas duas. Para reforçar, as corretoras de bancos ainda herdam os clientes destes. As independentes estão enrascadas. 

6. Isso resulta numa explosão destes escritórios de AAI e de gestoras. O problema é que estas se diferenciam pela gestão de fundos macro e multimercados. Mas como "sobreviver" à ambientes distópicos como o atual, com fraca governança e muitos conluios, muito improviso? A possibilidade de errar a mão, na gestão dos fundos, é muito grande.

Simon Shwartzman

 

O legado de Ruth Cardoso

Simon Schwartzman
Pesquisador Associado at Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças

(Publicado em O Estado de São Paulo, 14 de novembro de 2025)

O livro Comunidade Solidária: memória e legado – homenagem a Ruth Cardoso, publicado pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, é importante não só pela homenagem e registro que fica, como também por chamar a atenção para um momento importante  de inflexão na história das políticas sociais brasileiras. Professora de antropologia da Universidade de São Paulo desde a década de 50, casada com seu colega Fernando Henrique, Ruth se vê, em 1995, alçada subitamente à situação de “primeira-dama”, cujo lado cerimonial procurava evitar, sem com isto deixar de estar ao lado do marido e buscar um lugar próprio de atuação conforme suas próprias ideias.

Ruth e Fernando Henrique Cardoso vinham ambos de uma tradição de compromisso com as questões sociais, mas por caminhos distintos. Aluno de Florestan Fernandes e Roger Bastide, a tese de doutorado de Fernando Henrique foi sobre o negro na sociedade escravocrata do Rio Grande do Sul, em que combinava o olhar antropológico sobre a população escravizada com a interpretação crítica marxista do capitalismo.  Seu envolvimento com as questões sociais leva à perseguição pelo governo militar, e, no final dos anos 60, no exílio, se torna célebre com o livro sobre Dependência e Desenvolvimento na América Latina, em que interpreta os problemas de pobreza e subdesenvolvimento como consequências das assimetrias do sistema capitalista internacional. No final dos anos 70 começa sua carreira política em defesa da democracia, tornando-se, depois, o Presidente do Plano Real, responsável pelo fim da inflação e modernização da economia.

É um governo social-democrata com resultados significativos na área social, como a universalização da educação básica, liderada por Paulo Renato de Souza, e a consolidação do sistema de único de saúde, sob José Serra, além de dar início às políticas de bolsa escola e colocar na agenda  pública os temas da desigualdade racial e dos direitos humanos. Mas a agenda econômica tem prioridade, e lhe falta uma política de inclusão mais ampla, voltada para o atendimento aos milhões que se aglomeravam nas grandes cidades ou buscavam sair da situação de pobreza e estagnação do campo. As políticas assistenciais que havia até então  eram, ou o sistema sindical e previdenciário criado por Getúlio Vargas, que beneficiava uma pequena parcela da população urbana e era controlado pelos  “pelegos” profissionais, ou as redes de caridade e assistência social administradas pela Igreja Católica e líderes místicos como a Legião da Boa Vontade. O que colocar em seu lugar?

Ruth Cardoso tem uma resposta, que vem dos estudos antropológicos da vida quotidiana dos imigrantes que chegam às grandes cidades, dela e de colegas e contemporâneas como Eunice Durham, Maria Sylvia de Carvalho Franco e outras, quase todas,  significativamente, mulheres. Longe do Estado e das redes assistenciais, as estudam como as populações mais pobres se organizam, estruturam suas comunidades, mandam seus filhos para as escolas, e se apoiam mutuamente participar de forma ativa e produtiva das oportunidades que eram criadas pela economia que se modernizava. Havia no país uma cultura de raiz e uma população ativa que precisava somente apoio e estímulo para tomar seu destino nas próprias mãos – a comunidade solidária, estimulando o voluntariado e criando condições para a mobilização e organização das populações locais. É a isto que Ruth se dedica, fora da estrutura do Estado mas se valendo dos recursos que conseguia mobilizar pelo lugar especial que ocupava.

Não foram somente as antropólogas que viram isto.  O viram também a parte da Igreja Católica das comunidades eclesiais  de base e as inúmeras seitas protestantes que se espalhavam pelo país. Viu também o Partido dos Trabalhadores, que se transforma, de um movimento sindicalista independente que havia surgido por oposição ao clientelismo varguista, em um grande partido que se junta aos movimentos comunitários e chega ao governo com uma plataforma difusa de defesa dos pobres, que aos poucos se consolida em uma política assistencialista que não para de crescer, tomando para si e ampliando o poder e os vícios do antigo trabalhismo.

Entre bolsas, aposentadorias e pensões, milhões passam a depender de subsídios do governo, que se estendem também para o funcionalismo público, as classes médias, os partidos políticos e grandes grupos de interesse. O suficiente para ganhar eleições, mas não para manter a economia crescendo, investir em políticas públicas de qualidade, reduzir efetivamente a desigualdade e incorporar setores inteiros da população que continuam à margem, atraídos pelas religiões evangélicas e envolvidos na malha da economia clandestina das grandes periferias urbanas.

Hoje, com cerca de metade  da população e da economia dependentes do governo e mais recursos comprometidos com estes gastos do que a capacidade da economia brasileira de produzi-los, parece certo que este modelo de estado protetor e clientelista está chegando a seu limite. Em seu lugar não virá, certamente, o estado mínimo do liberalismo extremo, mas uma nova configuração em que os valores das políticas públicas de qualidade, da solidariedade e da autonomia da sociedade sejam novamente valorizados, como queria Ruth Cardoso.

Ailton Braga

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