terça-feira, 8 de abril de 2025

Bastidores do poder

 O Banco que Fez o Mercado Parar: Os Bastidores do Caso Master


7 de Abril, 2025


SÃO PAULO — O caso do Banco Master escancarou um desconforto antigo do sistema financeiro: mesmo uma instituição média, longe dos holofotes e praticamente desconhecida do público, pode se transformar num vetor de risco sistêmico e mobilizar o alto comando do mercado.


Entre 2019 e 2024, o banco multiplicou por quase trinta vezes sua carteira de crédito, passando de R$1,4 bilhão para mais de R$40 bilhões. Sustentado por uma estratégia agressiva de captação via CDBs de alto rendimento e forte exposição a precatórios, que tem baixa liquidez e alto risco fiscal, o Master até opera com lucros, mas sobre uma fundação de ativos ilíquidos e custo de funding elevado.


A combinação despertou a atenção do Banco Central, do FGC e dos principais players do setor. A partir de 2023, cresceu a pressão de reguladores e do mercado por uma solução: ou o banco se capitalizava, ou seria vendido.


A primeira proposta de aquisição supostamente veio do BTG Pactual, uma oferta de R$1, um valor simbólico, mas com disposição de arcar com o risco e explorar os ativos judiciais do banco, especialmente a carteira de precatórios. Mas foi o BRB (Banco Regional de Brasília) quem formalizou a proposta vencedora onde se propôs pagar até R$2 bilhões por 58,6% do Banco Master, em uma operação condicionada à auditoria e ainda sujeita à aprovação do Banco Central.


O Master, até então discreto, virou protagonista de um enredo que envolve reuniões emergenciais com o BC, divergência entre os grandes bancos privados e articulações políticas em torno de uma operação que pode consumir até 40% do caixa do FGC.


Quem é o Banco Master?


O Banco Master não é exatamente novo, mas sua relevância no sistema financeiro é recente. Fundado há mais de cinco décadas como Banco Máxima, a instituição passou por uma reestruturação completa em 2021, quando adotou o novo nome e uma nova estratégia, sob a liderança de Daniel Vorcaro.


A partir daí, o Master passou a operar com foco na captação de varejo, oferecendo CDBs com taxas acima da média de mercado, em alguns casos, bem acima. Em 2024, os ativos totais saltaram de R$36,1 bilhões para mais de R$63 bilhões, um avanço de 74% em doze meses. O lucro líquido acompanhou o ritmo e dobrou no período, de R$532 milhões para R$1,068 bilhão.


Um modelo que parecia funcionar — até parar de funcionar


Todo esse crescimento foi sustentado por uma lógica simples: captar caro e emprestar ainda mais caro. O banco oferecia CDBs com rentabilidades de até 140% do CDI — em um mercado em que bancos grandes remuneravam a 100%, no máximo 110%. Essa diferença de prêmio trouxe uma multidão de investidores pessoa física, principalmente via plataformas digitais, muitos deles atraídos pela chancela do FGC.


Do outro lado do balanço, o banco alocava esses recursos em duas frentes: crédito consignado para servidores públicos, um mercado com margens apertadas, e, principalmente, precatórios. Segundo executivos que acompanharam a operação por dentro, até 2023 quase metade da carteira de crédito do banco estava vinculada a precatórios federais e estaduais, boa parte ainda sem trânsito em julgado ou com pagamento incerto.


Com essa estratégia, o Master conseguiu crescer sem depender de grandes linhas de crédito interbancárias ou funding institucional. Mas criou, em paralelo, uma fragilidade estrutural, os passivos eram curtos, caros e voláteis; os ativos, longos, incertos e ilíquidos.


O lucro anual bilionário de 2024 impressiona, mas o número tem nuances. Parte expressiva do resultado vem da marcação de ativos a valor de face — prática comum, mas que, em casos como os precatórios, pode inflar artificialmente o balanço. O mesmo vale para operações com fundos de direitos creditórios (FIDCs), em que o risco permanece com o originador, mas os ativos são registrados fora do balanço principal.


Quando o risco deixou de ser apenas contábil



Nos bastidores, o Banco Central vinha acompanhando a escalada do risco com crescente preocupação. Ainda em 2023, técnicos da supervisão do BC passaram a monitorar com mais cuidado a liquidez do banco. O FGC, por sua vez, já havia mapeado que uma liquidação forçada do Master exigiria algo entre R$35 bilhões e R$45 bilhões em cobertura — o que drenaria mais de um terço do caixa disponível do fundo, estimado hoje em R$107,8 bilhões.


A gravidade do cenário não era apenas técnica. O perfil dos investidores — em sua maioria clientes de varejo, com tíquetes de até R$250 mil — transformava o caso em uma bomba política. Um calote, ainda que temporário, poderia levar a uma corrida por saques em bancos médios e fintechs, derrubando a confiança no segmento mais frágil do sistema bancário brasileiro.


Diante disso, começou uma corrida contra o tempo para encontrar uma solução de mercado. 


O BTG ofereceu R$ 1?


Segundo diversos jornais, o BTG Pactual teria feito uma oferta simbólica de R$1 pelo controle do banco, assumindo o risco judicial da carteira de precatórios e, com ajuda do FGC, ele estruturaria uma operação de salvamento, evitando a liquidação. Em troca, o BTG passaria a deter um portfólio que, mesmo com risco elevado, poderia render retornos relevantes — estimativas indicam que só a carteira de precatórios do Master, em valor de face, pode ultrapassar os R$20 bilhões.


Alguns relatos de bastidores, mostraram que a proposta pode ter esbarrado em dois fatores: imagem e controle. Vorcaro relutava em aceitar a venda por um valor simbólico, que poderia ser lido como confissão de insolvência. Além disso, o acordo previa ingerência direta do BTG sobre os ativos do banco, o que esvaziaria por completo a gestão atual.


A operação do BRB: política, risco e oportunidade



Paulo Henrique Costa, presidente do BRB

Enquanto o BTG esperava o avanço de negociações com apoio de bancos grandes — já que a proposta previa injeção emergencial de liquidez via FGC — o BRB apareceu com uma proposta alternativa. Oficializada em 28 de março de 2025, a proposta do banco estatal previa o pagamento de até R$2 bilhões por 58,6% do capital do Master, sendo 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais. A operação foi estruturada com prazo de seis anos para pagamento, condicionada a auditoria e excluindo da transação os ativos ilíquidos mais arriscados, como os precatórios e parte dos FIDCs.


No papel, a proposta do BRB era mais robusta. Mas levantou questionamentos imediatos sobre motivação, governança e riscos potenciais. O banco é controlado pelo governo do Distrito Federal e presidido por Paulo Henrique Costa, ex-Banco do Brasil, homem de confiança do governador Ibaneis Rocha (MDB). Segundo fontes de mercado, parte da diretoria técnica do BRB demonstrou resistência à aquisição, mas a decisão avançou com respaldo político direto do Palácio do Buriti.


A proposta prevê o pagamento escalonado de até R$2 bilhões, diluído ao longo de seis anos, e está condicionada a uma auditoria detalhada nos ativos adquiridos. Ficaram de fora da operação os principais elementos de risco do balanço: precatórios em tramitação e fundos de direitos creditórios com baixa liquidez. O BRB também exigiu a separação jurídica das entidades adquiridas — Master, Will Bank e corretora, por exemplo — em estruturas distintas, blindando riscos cruzados.


Ao fim, o BRB assumiu a parte “bancável” da operação: estrutura tecnológica, canais de distribuição, a carteira de crédito consignado e o relacionamento com o Will Bank — banco digital do grupo com mais de 6 milhões de clientes. Internamente, a aposta é que o braço digital tenha potencial de expansão nacional, com tecnologia madura e presença crescente nas plataformas digitais.


Enquanto isso, R$23 bilhões em ativos de risco seguem sob o guarda-chuva do Master original. Com a separação, a instituição deverá funcionar como uma espécie de “bad bank” informal: sem operação corrente, dedicada exclusivamente à monetização judicial desses ativos ao longo do tempo. 


Nos bastidores, a leitura é de que o governo do Distrito Federal busca posicionar o BRB como protagonista nacional em tecnologia bancária, mesmo que isso signifique correr riscos considerados elevados por instituições privadas.


O Banco Central pode barrar?



Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central

Sim. A autoridade monetária tem poder de veto sobre operações societárias no sistema financeiro nacional. Mais do que isso, pode condicionar a autorização à apresentação de garantias adicionais, reforço de capital ou ajustes na governança.


Fontes próximas à autarquia indicam que há grande desconforto com a exposição pública da operação e com a forma como ela foi conduzida. O temor é de que uma eventual deterioração da carteira do Master — caso ocorra após a venda — recaia sobre o BRB, comprometendo recursos públicos.


Risco sistêmico? Ainda não. Mas o precedente preocupa.


O modelo e o problema


O caso do Banco Master não é isolado. Ele simboliza uma tendência que se espalhou no pós-pandemia: a multiplicação de bancos médios e plataformas de crédito operando no limite da alavancagem, captando recursos com promessas agressivas de retorno, alavancando via FIDCs e ignorando os fundamentos prudenciais tradicionais.


Em tempos de juros altos, esses modelos crescem rápido. Mas, se o funding encolhe ou a inadimplência sobe, o castelo de cartas desaba. Foi assim com outros bancos médios nos anos 90, no pós-Real. A diferença, agora, é que a exposição ocorre via produtos pulverizados — CDBs vendidos a investidores de varejo com a promessa de segurança.


O que está em jogo agora não é só o futuro do Master ou o preço pago pelo BRB. É a reputação do sistema, a confiança nas emissões bancárias e o papel do Banco Central como guardião do risco sistêmico.


A história ainda não acabou. Mas o roteiro, para quem acompanha o mercado de perto, é inquietantemente familiar.



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Bankinter Portugal Matinal 0804

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, a tecnologia conseguiu fechar em positivo e a questão agora é saber se se trata de um descanso no reajuste para um novo contexto mais duro ou, pelo contrário, um pouco melhor. Provavelmente a mudança de Elon Musk, a comentar a “conveniência” de que os EUA cheguem a acordo de impostos alfandegários zero com a UE seja a esperança em que esta subida se apoia, que provavelmente será bastante uma pequena e breve recuperação do preço em queda, porque nada indica que Trump irá retificar de imediato. Musk muda a sua abordagem simplesmente porque o seu papel informal, mas muito influente, de “assessor” de Trump (nem autorizado pelos eleitores nem justificável de uma visão democrática) está a fazer com que ele perca mais dinheiro mais rapidamente do que nunca: Tesla avaliava a 400 $ no fecho de 2024 vs. 233 $ ontem. Quando há um mercado livre de preços, as coisas tornam-se imediatamente claras, porque os debates ideológicos perdem relevância a favor do mais justo e objetivo que existe: a realidade cruel do valor que cria ou destrói. Não há prémios nem castigos, mas causas e consequências. Como a vida. Isso é o que salvará a economia global dos ignorantes, embora não seja de imediato, porque Trump não mudará enquanto não encontrar uma saída digna para o seu orgulho e ego. E isso é difícil de encontrar brevemente. Precisa de alguém para culpar, para que não fique como responsável. Desse ponto de vista, estamos nas melhores mãos: nas de um mercado frio que apenas julga os resultados dos factos.


HOJE não sai nenhuma referência relevante. Em todo o caso, um indicador de frequência semanal que convém prestar atenção porque pode ser considerado adiantado: 12:55 h, Vendas Grandes Retailers EUA, que desacelera desde níveis um pouco superiores a +6% até +4,8% na semana passada, e que poderá começar a desacelerar seriamente de seguida, mas é impossível estimar quanto. Se “falasse” nesse sentido, seria tido em conta para o Consumo Privado americano. Na quinta-feira, sairá a inflação americana de março provavelmente a retroceder até +2,6% desde +2,8%, porque a inflação não receberá nada dos impostos alfandegários até ao seu registo de abril, publicado na segunda semana de maio. É muito provável que volte a aumentar a partir de junho/julho, mas ainda é cedo para que se reflita nos dados. E na sexta-feira, sairá a Confiança da Univ. de Michigan, que é muito importante, porque foi o primeiro indicador adiantado americano que, a 14 de março, mostrou um forte debilitamento (57,9 desde 64,7, mas depois foi revisto em baixa até 57,0) e com aumentos sérios dos seus componentes de expetativas de inflação a 1 ano (+3,9%, revisto depois até +4,1%) e a 5/10 anos (+4,9%, também revisto depois até +5,0%). Na sexta-feira, sairá o seu registo de abril e espera-se 54,5, mas acreditamos que será pior do que isso e com expetativas de inflação ainda piores. 


CONCLUSÃO: Hoje irá subir, mas será uma pequena e breve recuperação do preço em queda. Pelo menos enquanto Trump não se retificar abertamente, algo que consideramos improvável a curto prazo, principalmente depois de ontem ter dado 24 horas à China para retirar os seus impostos alfandegários de represália (34%) ou ser-lhes-ia aplicado outro de 50% (o que lhe vem à cabeça enquanto fala). O mercado colocará as coisas no sítio até ao ponto de fazer Trump corrigir-se, mas isso só acontecerá quando o contexto começar a abandoná-lo por sentir nos seus próprios patrimónios/vidas que acompanhá-lo significa arruinar-se e ser ridículo na área pessoal/social/reputacional, como absolutos ignorantes na área económica. O mau de cometer erros deste tipo no económico é que repará-los não é imediato. O bom é que quando se reverterem, irão surgir excelentes oportunidades para reposicionar-se a preços francamente atrativos. Mas esse momento ainda não chegou. Haverá mais dor antes da situação se reverter. Embora hoje suba um pouco.


S&P500 -0,2% Nq-100 +0,2% SOX +2,7% ES-50 -4,6% IBEX -5,1% VIX 47% Bund 2,63% T-Note 4,17% Spread 2A-10A USA=+44pb B10A: ESP 3,34% PT 3,24% FRA 3,40% ITA 3,86% Euribor 12m 2,210% (fut.1,928%) USD 1,097 JPY 161,9 Ouro 3.039$ Brent 64,8$ WTI 61,34$ Bitcoin +3,5% (79.595$) Ether +2,4% (1.582$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 0804

 *Rosa Riscala: Trump dobra a aposta contra a China*


… Trump deu prazo até hoje, ao meio-dia (13h de Brasília), para a China remover a tarifa de 34% anunciada em retaliação aos 34% que os Estados Unidos decidiram cobrar da importação de todos os produtos chineses. Ou, aplicará uma tarifa adicional de 50%, cumulativa, elevando a taxa para 104%, considerando os 20% do início de março, quando os chineses foram penalizados pelo fluxo de opioides para os americanos. A China antecipou que não fará o Trump quer e o Ministério do Comércio avisou nesta 3ªF que, se o governo americano ampliar a taxação, tomará novas “contramedidas resolutas”. A guerra comercial entre as superpotências só piora. Amanhã (9), entram em vigor as tarifas mais altas para a China, países asiáticos e a UE, que também se prepara para aprovar retaliações conjuntas.


… A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs nesta 2ªF taxar uma série de produtos dos EUA, em resposta às medidas adotadas ao aço e alumínio. A comissão elaborou uma lista robusta de contramedidas, buscando equilibrar o fardo entre os países-membros.


… A relação final e os níveis de tarifas serão submetidos a votação e colocados em prática em duas datas: 15 de abril e 15 de maio.


… O comissário de Comércio da UE, Maros Sefcovic, disse que cerca de 380 bilhões de euros em exportações da UE estão sujeitas a tarifas americanas de 20% ou 25%, e algumas chegam a 27,5%, como no caso dos automóveis de passageiros.


… “Isso representa um aumento significativo na arrecadação de tarifas dos EUA sobre produtos europeus, que deve saltar de 7 bilhões de euros para mais de 80 bilhões de euros/ano. A situação comercial com nosso parceiro mais importante está em ponto crítico.”


… Segundo Sefcovic, desde o início a UE buscou negociações com o governo americano, “mas não podemos esperar indefinidamente”.


… Ao lado de Netanyahu, no Salão Oval, Trump disse que a União Europeia sempre tentou prejudicar os Estados Unidos e que a resposta deles agora às tarifas não é suficiente. “A UE terá que comprar energia dos EUA”, disse o presidente.


… Ainda a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se manifestou sobre a resposta de Bruxelas às tarifas dos EUA. “Nós preferíamos negociar, mas retaliações serão usadas, se necessário”, disse, confirmando que a Europa vai buscar novos mercados.


… No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney também defendeu a importância de diversificar as relações comerciais com outros países. “Não podemos controlar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas podemos fazer algo no Canadá.”


… Para a Fitch, as tarifas anunciadas pelos EUA sobre as importações de países europeus, incluindo 20% para a União Europeia e 10% para o Reino Unido, enfraquecerão o crescimento da receita e da lucratividade de muitos setores corporativos no continente.


… Segundo a agência, é provável que os setores químico, automotivo e de tecnologia (hardware) sejam os mais afetados na Europa, com os fabricantes de automóveis europeus enfrentando um risco maior na cadeia de suprimentos.


… Já a China reagiu rapidamente às novas exigências de Trump. “Pressionar ou ameaçar a China não é a maneira correta de se envolver conosco. A China protegerá firmemente seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz da embaixada chinesa, Liu Pengyu.


… Em entrevista, ele acusou os EUA de unilateralismo, protecionismo e intimidação econômica, e pediu às empresas americanas para que “tomem medidas concretas” para resolver a crise das tarifas. Citou nominalmente a Tesla, de Elon Musk.


… Lin disse que colocar a “América em primeiro lugar”, acima das regras internacionais, prejudica a estabilidade da produção global e da cadeia de suprimentos, e impacta seriamente a recuperação econômica mundial.


… Fez mais, em meio à guerra comercial deflagrada por Trump, a embaixada chinesa publicou no X um discurso do ex-presidente Ronald Reagan, de 1987, no qual ele critica ele afirma que as tarifas parecem patrióticas, mas só funcionam por um curto período.


… À época, Reagan, idolatrado pelos republicanos, afirmou que as altas tarifas levam a retaliações e a uma feroz guerra tarifária, que “as pessoas param de comprar, mercados diminuem e colapsam, negócios e indústrias fecham e milhões perdem o emprego”.


… Chegou-se, portanto, à improvável situação em que a China comunista defende o liberalismo e os EUA, o protecionismo.


ALERTAS EM SÉRIE – Vários alertas são continuamente emitidos sobre o poder inflacionário das tarifas. Nesta 2ªF, a diretora do Federal Reserve Adriana Kugler disse que a inflação voltou a ser a prioridade para o Banco Central americano.


…. O CEO da Blackrock, Larry Fink, disse que as tarifas são mais inflacionárias do que o mercado espera e que os EUA, provavelmente, já estão em recessão. Ele não descarta uma nova queda de 20% no S&P 500, que chegou a entrar em bear market durante o pregão.


… O CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, disse que tarifas podem ter consequências negativas duradouras e que vão afetar o crescimento.


… Para o UBS, a inflação induzida por tarifas vai corroer o poder de compra real dos americanos e o impacto na inflação será muito maior do que o registrado em 2018 e 2019. “A inflação vai voltar a subir e atingir seu pico no primeiro semestre de 2026”, prevê.


… Já para o resto do mundo, destaca, essa crise está se tornando mais um choque de crescimento.


… O Goldman Sachs voltou a elevar a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses, de 35% para 45%, com o “aumento agressivo das tarifas”. O JPMorgan já havia colocado essa chance em 60%.


… O Goldman reduziu a previsão de crescimento do PIB americano em 2025 de 1,5% para 1,3% e prevê que o Fed corte os juros três vezes a partir de junho, chegando a 3,5%-3,75% no cenário-base. “Em caso de recessão, os cortes podem atingir 200 pbs no ano.”


… O banco ressalta que o risco desse cenário é “claramente ascendente” e depende das decisões tarifárias desta semana. “Se a maioria das tarifas for implementada, avisam os analistas, mudaremos nossa previsão para recessão.


… Os chefes de alguns dos maiores bancos do mundo, incluindo o Bank of America, Barclays, Citi, HSBC Holdings e JP Morgan, discutiram no domingo sobre o caos nos mercados financeiros e na economia global gerado pelas tarifas impostas pelo presidente Trump.


… Segundo fontes da Sky News, a reunião, por teleconferência, foi convocada pelo Bank Policy Institute, um grupo de políticas públicas.


AGENDA – Duas prévias de inflação de abril serão divulgadas às 8h: o IPC-S (encerrou março em 0,44%) e o IGP-M (0,29% em março).


… Às 8h30 sai o resultado do setor público consolidado de fevereiro, que deve trazer déficit de R$ 26,250 bilhões na mediana de pesquisa Broadcast, após o superávit de R$ 104,0 bilhões em janeiro. Estimativas vão de -R$ 48,3 bilhões a -R$ 9,3 bilhões.


… Às 9h, o IBGE informa os dados regionais da pesquisa industrial de fevereiro e, às 11h, a Anfavea divulga a produção e vendas de veículos em março. Em fevereiro, a produção foi de 217,4 mil veículos (+23,8%) e as vendas, de 185 mil (+8%).


LULA – Participa do Encontro da Indústria de Construção, em SP (9h30) e da abertura da 100ª edição da Enic e da Feira da Construção Civil e Arquitetura (10h). Às 15h, embarca para Honduras, onde participa da cúpula de chefes de Estado latino-americanos e caribenhos.


GALÍPOLO – Participa de reunião da CPI das Bets no Senado, em Brasília, a partir das 11h.


HADDAD – Participa de painel do 11º Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo (17h).


LÁ FORA – A agenda de indicadores é esvaziada; nenhum dado está previsto nos Estados Unidos e na Europa.


… Logo cedo (6h), o vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, faz discurso de encerramento em reunião anual da Associação Bancária da Espanha, e o dirigente do BCE Piero Cipollone participa de audiência sobre euro digital no Parlamento Europeu (11h).


… Às 15h, a presidente do Fed/São Francisco, Mary Day, participa de evento institucional.


TRUMP VS IRÃ – Questionado sobre o Irã na entrevista desta 2ªF, Trump disse que “estamos em conversas diretas [com eles]” e que terá um grande encontro no próximo sábado, sem dar detalhes.


… Após o anúncio de Trump, porém, o Irã rejeitou qualquer negociação direta com os Estados Unidos e afirmou que o diálogo no sábado será realizado com a mediação de Omã, em negociação indireta, como postou no X o chanceler iraniano, Abbas Araqchi.


ÁSIA HOJE – Após o tombo de 8% na véspera, a Bolsa de Tóquio abriu em alta forte nesta 3ªF, repercutindo os sinais da negociação que foi iniciada com os EUA. O primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, conversou com Trump e enviará um representante a Washington.


… Na China, o Xangai subia com a notícia de que as estatais chinesas decidiram aumentar a recompra de ações para estimular o mercado.


É GUERRA – O dólar voltou para perto dos R$ 6 em um dia de estresse generalizado nos mercados, que se intensificou depois que Trump ameaçou subir a tarifa contra produtos da China em 50% adicionais, caso Pequim não retire retaliação de 34%.


… O Ibovespa (-1,31%; 125.588,09) caiu mais que seus pares em NY, com um giro impressionante de R$ 43,7 bilhões, indicando que a debandada da bolsa brasileira foi forte. Resta saber se a saída foi de dinheiro gringo.


… O dado mais recente da B3 mostra que os investidores estrangeiros retiraram R$ 590,338 milhões da bolsa no dia 3/4, 5ªF. Depois da festa em março, em abril o fluxo está negativo em R$ 1,642 bilhão. No ano, o saldo de k externo ainda está positivo em R$ 9 bilhões.


… Em mais um dia de aversão global ao risco, o dólar, que é visto como ativo de segurança, subiu 1,30%, a R$ 5,9106, depois de ter batido em R$ 5,93 na máxima do dia. Apenas em abril, o dólar já sobe 3,6%, o dá uma ideia do estresse local com a guerra tarifária.


… Contra seis moedas fortes, o índice DXY que mede a força do dólar, avançou 0,23%, a 103,256 pontos. O euro caiu 0,21%, a US$ 1,0939, e a libra esterlina cedeu 1,19%, a US$ 1,2737. O iene japonês recuou 0,49%, a 147,728/US$.


… Além de derrubar os mercados, a possibilidade cada vez menor de acordo com os EUA aumentou especulações entre os investidores de que a China pode recorrer à desvalorização agressiva do yuan para tornar suas exportações mais competitivas.


… Num breve momento de alívio, os mercados globais chegaram a interromper as quedas depois de a CNBC informar que Trump estaria considerando adiar as tarifas em 90 dias. Minutos depois, a Casa Branca negou a notícia, o que fez os ativos voltarem a cair.


… Fake news ou não, o fato é que ao menos em NY o recuo passou a ser bem menos agressivo depois do rumor. O índice Nasdaq fechou com alta leve de 0,10%, a 15.603,26 pontos. O S&P 500 perdeu 0,23% (5.062,25) e o Dow Jones cedeu 0,91% (37.965,60).


… Apesar de certa trégua ontem em NY, a grande incerteza ainda deve pesar sobre os mercados.


… Depois da forte queda nas sessões anteriores, os rendimentos dos Treasuries subiram, em especial depois que Adriana Kugler, do Fed, afirmou que, dos impactos das tarifas, a alta da inflação é uma questão mais urgente que o crescimento econômico.


… O retorno da note de 2 anos avançou a 3,788% (de 3,653%) e o da note de 10 anos, a 4,217% (de 4,006%), enquanto o retorno do título de 30 anos foi a 4,642% (de 4,420%). Esse ajuste influenciou marginalmente a curva de juros na B3.


… Por aqui, as taxas subiram, mas de forma moderada, diante da possibilidade de queda nos preços dos combustíveis após o tombo dos preços do petróleo, o que a ação da Petrobras não gostou, mas poderia dar um alívio na inflação (abaixo).


… No Boletim Focus, ontem, a expectativa do IPCA 12 meses à frente, que ganhou importância com a meta contínua de inflação, caiu pela oitava semana seguida, agora de 5,15% para 5,07%. Também não foram alteradas as medianas para 2025 (5,65%) e 2026 (4,50%).


… A mediana das estimativas de Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% e, para 2026, em 12,5%.


… No evento do BC que premiou os Top 5 do Focus ontem, economistas disseram ver a política monetária restritiva por um longo período, embora as opiniões estejam divididas quanto ao grau de aumento da taxa Selic no ciclo atual.


… As expectativas de inflação muito acima da meta de 3% e o gasto fiscal devem impedir uma queda de juro tão cedo, disseram.


… No mesmo evento, o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, disse que o cenário atual é muito incerto, mas que algo essencial não mudou: o Copom segue desconfortável com a desancoragem das expectativas, que são muito relevantes para o sistema de metas.


… Hoje, Guillen, junto com os diretores Nilton Davi e Paulo Pichetti, fazem reuniões trimestrais com economistas do mercado.


… No fechamento, o juro do DI Jan/26 marcou 14,700% (de 14,665% na sessão anterior); o Jan/27 subiu a 14,215% (de 14,190%); o Jan/29, a 14,165% (de 14,030%); o Jan/31, a 14,480% (de 14,350%); e o Jan/33, a 14,590% (de 14,450%).


… No Ibovespa, Petrobras ON (-5,57%; R$ 35,63) e PN (-3,97%; R$ 33,18) ficaram entre as maiores quedas, com a notícia de que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estaria pressionando a estatal para reduzir o preço dos combustíveis, segundo a CNN.


… Essa discussão sobre a redução dos preços é alimentada pela contínua queda da cotação do Brent, que ontem ampliou suas perdas de quase 10% da semana passada, recuando mais 2,08%, a US$ 64,21 o barril, na Ice londrina.


… Na volta do feriado na China, o minério de ferro despencou 3,29% em Dalian, para abaixo de US$ 100 a tonelada (US$ 98,86), puxando um recuo de 1,2%, na cotação da Vale, para R$ 52,09 – o que também ajudou a queda do Ibovespa. 


… Entre os bancos, só Itaú subiu (+0,19%), Bradesco PN (-1,67%) e ON (-1,25%); BB (-1,07%) e Santander (-0,45%) caíram.


… Natura (+2,84%), IRB (+2,66%) e BTG (+1,91%) lideraram as altas. Na outra ponta, Magazine Luiza (-6,37%) e Lojas Renner (-4,19%).


EM TEMPO… Após extensas negociações com a Boeing, a GOL concluiu acordo que destrava US$ 235 milhões a credores quirografários.


MERCADO LIVRE anunciou investimentos de R$ 34 bilhões (US$ 6,3 bilhões) no Brasil em 2025; cifra é 48% superior ao recorde do ano anterior, de R$ 23 bilhões, e em dólar, a soma avançou 32%, numa expansão que já tem ocorrido todos os anos.


PETRORECÔNCAVO teve produção de 27,7 mil boed em março, alta de 1,56% em relação a fevereiro, segundo dados operacionais.


ITAÚSA. BlackRock passou a deter 361.197.627 de ações PN de emissão da companhia, representando 5,075% do total.


BANCO DO BRASIL convocou assembleias gerais ordinária e extraordinária para 30/4; serão eleitos os membros do Conselho de Administração, com a troca de cinco dos oito membros, inclusive o presidente do colegiado.


MINERVA. Conselho de Administração aprovou proposta de aumento de capital no valor de até R$ 2 bilhões, com subscrição particular de até 386.847.196 de novas ações ON, pelo preço de emissão de R$ 5,17 por ação…


… Proposta será deliberada em AGE a ser realizada, em primeira convocação, no dia 29/4.


METALÚRGICA GERDAU encerrou programa com aquisição de 6 milhões de ações PN, ao preço médio de R$ 9,36 por ação.


NIPPON & US STEEL. Trump ordenou uma nova análise de segurança nacional do plano da Nippon Steel de adquirir a US Steel, oferecendo uma nova vida para o negócio de US$ 14 bilhões que foi bloqueado pelo ex-presidente Joe Biden…


… A revisão dá ao governo flexibilidade para elaborar um acordo que poderia permitir que as empresas concluíssem o negócio.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Banho de sangue 2

 Stock markets today


🇭🇰 Hong Kong: -13.6%

🇹🇼 Taiwan: -9.6%

🇯🇵 Japan: -9.5%

🇮🇹 Italy: -8.4%

🇸🇬 Singapore: -8%

🇸🇪 Sweden: -7%

🇨🇳 China: -7%

🇨🇭 Switzerland: -7%

🇩🇪 Germany: -6.8%

🇪🇸 Spain: -6.4%

🇳🇱 Netherlands: -6.2%

🇦🇺 Australia: -6.2%

🇫🇷 France: -6.1%

🇬🇧 UK: -5.2%

🇲🇾 Malaysia: -4.5%

🇵🇭 Philippines: -4.3%

🇮🇳 India: -4.1%

🇷🇺 Russia: -3.8%

🇸🇦 Saudi: -3.3%

🇹🇷 Turkey: -2.8%

Banho de sangue...

 🔎 Veja os principais indicadores às 5h35 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: -3,17%

* S&P 500 Futuro: -3,30%

* Nasdaq Futuro: -3,65%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), -7,34%

* Nikkei (Japão): -7,83%

* Hang Seng Index (Hong Kong): -13,22%

* Kospi (Coreia do Sul): -5,57%

* ASX 200 (Austrália): -4,23%

🌍 Europa

* STOXX 600: -5,45%

* DAX (Alemanha): -5,95%

* FTSE 100 (Reino Unido): -4,86%

* CAC 40 (França): -5,38%

* FTSE MIB (Itália): -5,80%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, -3,57%, a US$ 59,78 o barril

* Petróleo Brent, -3,42%, a US$ 63,34 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -3,29%, a 720,00 iuanes (US$ 98,88)

🪙 Criptos

* Bitcoin, -3,74%, a US$ 76.480,97

BDM Matinal Riscala 0704

 Mercados estendem perdas | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[07/04/25]


… O início dos pregões asiáticos foi dramático, com o índice futuro da bolsa de Tóquio acionando o circuit braker, enquanto os futuros de NY ampliavam as perdas do tarifaço de Trump, revidado pela China nas mesmas proporções. A guerra comercial entre Estados Unidos e a China colocou os mercados no modo pânico, por elevar o risco de recessão global. Donald Trump passou o fim de semana na Flórida jogando golfe e, enquanto milhares de americanos foram às ruas para protestar contra seu governo, ele postou em sua rede social: “Nós vamos ganhar, aguardem firmes, não será fácil, mas o resultado final será histórico.” Ninguém sabe o que esperar dessa semana.


… No sábado, entraram em vigor as tarifas de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos para mais de 180 países. Já as tarifas mais altas, como os 34% para a China e os 20% para países da União Europeia, começam a ser cobradas a partir de 4ªF.


… Pequim marcou para o dia seguinte, 5ªF (11), a data para iniciar as suas tarifas para os produtos americanos que entram no país.


… Além disso, Xi Jinping estabeleceu controles de exportação a sete categorias de itens relacionados a terras raras e incluiu 11 empresas americanas à “lista de entidades não confiáveis”. A China também recorreu à OMC contra as tarifas dos Estados Unidos.


… Na viagem de volta para Washington, ontem à noite, Donald Trump disse aos repórteres no Air Force One que não quebrou o mercado de propósito, mas que, “às vezes, você tem que tomar remédios para consertar alguma coisa [déficits comerciais]”.


… O presidente disse ainda que passou o fim de semana conversando com líderes de tecnologia, incluindo “quatro ou cinco dos maiores”, que falou com muitos líderes europeus e asiáticos, e que eles “estão morrendo de vontade de fazer um acordo”.


… Sem dar detalhes, Trump afirmou que ligou também para a China para resolver os déficits comerciais. A China é a segunda maior fonte de importações dos EUA, depois do México, e o terceiro maior mercado de exportação dos EUA, depois do Canadá e do México.


… Funcionários do alto escalão do governo dos EUA disseram neste domingo que mais de 50 países alvos das novas tarifas já entraram em contato com a Casa Branca para iniciar negociações sobre os impostos de importação abrangentes.


… O principal conselheiro econômico de Trump, Kevin Hassett, reconheceu, no entanto, que outros países estão “zangados e retaliando”.


… As novas tarifas estão atingindo adversários e aliados americanos, incluindo Israel, que está enfrentando uma tarifa de 17%. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deve visitar a Casa Branca nesta 2ªF para conversar sobre tarifas e a Faixa de Gaza.


… Outro aliado americano, o Vietnã, grande centro de fabricação de roupas, também entrou em contato e, segundo Trump, disse que está disposto a reduzir suas tarifas a zero se conseguir fazer um acordo com os Estados Unidos.


… Na Europa, a premiê italiana Giorgia Meloni, disse que discordava da ação de Trump, mas que estava “pronta para implantar todas as ferramentas necessárias para apoiar nossos negócios”. Mas são aguardadas ainda as contramedidas dos países da União Europeia.


BCE – Dirigente do Banco Central Europeu, Isabel Schnabel afirmou que o Liberation Day de Trump pode marcar o fim do livre comércio mundial. “Vivemos um Liberation Day que não foi libertador, mas que parece marcar o fim do livre comércio global.”


… Schnabel avaliou que o momento é “perfeito” para fortalecer o papel internacional do euro, afirmando que a moeda é a segunda maior do mundo. “Precisamos atrair os investidores que agora estão procurando alternativas aos investimentos em dólares.”


VAI TUDO SUBIR – As tarifas sobre os principais produtores de moda e muitos materiais usados para fabricar calçados e roupas chocaram os varejistas e as marcas dos Estados Unidos. Espera-se uma enxurrada de aumentos de preços de vestuário.


… Cerca de 97% das roupas e calçados comprados nos EUA são importados, predominantemente da Ásia. Walmart, Gap, Lululemon e Nike são algumas das empresas que têm a maior parte de suas roupas e calçados fabricados em países asiáticos.


…Trabalhar com fábricas estrangeiras manteve os custos de mão de obra baixos para as empresas americanas do setor de moda, mas nem elas nem seus fornecedores estrangeiros provavelmente absorverão novos custos tão altos.


… Para todos os produtos chineses, as tarifas serão de pelo menos 54%. Vietnã, 46%; Camboja, 49%; Bangladesh, 37%; Indonésia, 32%.


… A Índia, a Indonésia, o Paquistão e o Sri Lanka também foram atingidos por altas tarifas e, portanto, não são alternativas imediatas de fornecimento. Se as tarifas persistirem, elas fatalmente chegarão ao consumidor.


… Aumentos de preços estão previstos também para os calçados, já que 99% dos pares vendidos nos EUA são importados.


… Há cálculos de que as botas de trabalho fabricadas na China, que atualmente são vendidas no varejo por US$ 77, subiriam para US$ 115, enquanto os clientes pagariam US$ 220 por tênis de corrida fabricado no Vietnã, que atualmente custa US$ 155.


… No sábado, o governo de Taiwan anunciou um plano para oferecer às empresas e indústrias locais cerca de US$ 2,7 bilhões como apoio para mitigar o impacto das novas tarifas de 32% dos EUA, com isenção apenas para os semicondutores.


JAGUAR LAND ROVER – Também no sábado, a fabricante britânica de carros anunciou que está suspendendo as exportações para os EUA, após a tarifa de 25% sobre veículos importados que será adotada pelo governo de Donald Trump.


… Os veículos são o principal bem exportado pelo Reino Unido aos EUA, com embarques de US$ 10,7 bilhões em 12 meses até setembro.


ROUBINI – O presidente Trump vai recuar, ao menos de forma parcial, reduzindo suas tarifas pela metade, segundo a avaliação feita por Nouriel Roubini, durante encontro de economistas e líderes empresariais na Itália no fim de semana.


… O economista – que ficou famoso por prever a crise mundial de 2028 deflagrada pelo Lehman Brothers – estima que se houver recessão nos EUA o plano do republicano de Fazer a América Grande de Novo “para sempre será destruído”.


… “O custo político de manter seu plano de tarifas é tão alto que é evidente que ele mudará de abordagem em algum momento.”


BRASIL – No Estadão, apesar do alívio com a tarifa de “apenas” 10%, as previsões de ganhos e perdas ainda trazem muitas incertezas e o cenário não deve ser visto como exclusivamente benéfico para o Brasil, como foi a leitura inicial.


… “Começamos a vivenciar uma das maiores fricções, se não for a maior, do comércio global desde o acordo de tarifas de 1947. Todas as relações de comércio estão sendo reavaliadas a partir daqui”, afirma o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato.


… Para ele, as tarifas vão produzir uma desaceleração da economia global, com fluxos de capitais mais retraídos.


… Do ponto de vista da balança comercial, os maiores impactos, se não forem estabelecidas exceções para certos produtos e para o Brasil, estarão nos setores que vendem mais para os EUA, casos de petróleo, café, papel e celulose, aço e ferro e aeronaves.


… Mas dentro desse grupo há expectativas diferentes, alerta o especialista em comércio internacional, Rodrigo Pupo, do MPA Trade Law.


… Por exemplo, entre as commodities agrícolas brasileiras mais vendidas para os EUA, estão o café e o suco de laranja. O café não tem produção nos EUA, já o suco de laranja enfrenta competição local, que vai ser beneficiada por não pagar a tarifa.


… Outro efeito que deve advir da nova configuração depende da reação dos países mais afetados pela nova configuração comercial.


… A União Europeia, a China e nações do Sudeste Asiático estão entre as mais taxadas e podem redirecionar parte da produção que iria para os EUA para países da América Latina, em especial, para um grande mercado como o Brasil.


… Para Renê Medrado (Pinheiro Neto Advogados), o tarifaço pode representar oportunidade ao agronegócio brasileiro, mas ameaça à indústria. “O Brasil é um forte candidato para receber essas exportações que não terão mais os EUA como destino.”


… Por outro lado, commodities agrícolas têm potencial para fazer o caminho inverso. Com a resposta da China de restringir a importação de produtos agrícolas norte-americanos, o Brasil pode ocupar mais espaços nas vendas para o mercado asiático.


QUE IDEIA… – No Globo, enquanto Alckmin se esforça para não entrar em confronto com Trump, surgem aliados de Lula que já falam em antagonizar com o presidente dos Estados Unidos para recuperar a popularidade perdida.


SEM ANISTIA – Mais da metade dos brasileiros (56%) é contra a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, aponta pesquisa da Genial/Quaest divulgada neste domingo. Os favoráveis à soltura totalizam 34%.


… Entre quem votou no presidente Lula no segundo turno de 2022, 77% consideram que os envolvidos nas manifestações devem seguir presos. Já os que votaram em Jair Bolsonaro e são contrários a uma anistia totalizam 32%.


… Em outro recorte da mesma pesquisa, 67% dos eleitores estão frustrados com o governo Lula: 36% muito e 31% pouco.


… Os piores índices estão no Sul (76%) e Sudeste (73%), mas no Nordeste, forte reduto do PT, esse desgosto já atinge 55%.


… No domingo, o ato convocado por Bolsonaro na avenida Paulista reuniu quatro governadores: Tarcísio (SP), Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr (PR). Monitor da USP estimou a presença de 45 mil pessoas. A PM não divulgou contagem de público.


DATAFOLHA – Outra pesquisa no fim de semana mostrou que o presidente Lula venceria em um eventual segundo turno disputado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por 48% a 39%. Outros 13% votariam em branco, nulo ou em nenhum dos dois.


… Na mesma pesquisa, o Datafolha simulou uma disputa de segundo turno entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, hoje inelegível após condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral. Haddad sairia na frente com 45%, contra 41% de Bolsonaro.


… Haddad também lideraria com 43% se o pleito fosse com Tarcísio (37%).


BANCO MASTER – Na reunião do BC com banqueiros no sábado, São Paulo, uma das hipóteses discutidas foi o BTG assumir uma segunda fatia do Master, de olho nos precatórios, dívidas da União, Estados e municípios que precisam ser pagas por determinação judicial.


… O BTG atua no segmento de crédito de difícil recuperação e, entre os direitos creditórios que estão na carteira do Master e interessam ao banco, está o resultado de uma ação já julgada no TRF-1 e que aguarda a ordem de pagamento de R$ 14 bilhões pela União.


… Em uma das hipóteses de compra de André Esteves, o BTG avança sozinho sobre os ativos do Master, incorporando, além da carteira de precatórios, também a operação de crédito consignado no Credcesta (linha para servidores públicos), segundo o Estadão.


… Esteves articula apoio dos três maiores bancos privados do País – Itaú, Bradesco e Santander – para viabilizar uma solução envolvendo o Banco Master. A proposta prevê o uso de uma linha emergencial do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


… O instrumento daria ao comprador do Master o fôlego necessário para que a instituição honrasse suas obrigações de curto prazo.


… Apesar da proposta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada no dia 28 de março, o Banco Central ainda discute com os bancos soluções para evitar que o Master termine em uma eventual liquidação.


AGENDA DA SEMANA – Os indicadores mais importantes no Brasil ficam para 6ªF, 12, com o IPCA de março e o IBC-Br de fevereiro, que medem a inflação e a atividade e podem ajustar as expectativas para os juros. Na 4ªF, saem vendas no varejo e fluxo cambial.


… Hoje, a Focus (8h25) atualiza as projeções da inflação, Selic, câmbio e PIB, e amanhã, 3ªF, dados do setor público consolidado.


… Nos EUA, a agenda ganha ritmo na 4ªF, com a ata do último Fomc; na 5ªF sai a inflação do consumidor de março (CPI) e, na 6ªF, o PPI, o índice ao produtor, além da confiança do consumidor de Michigan com as expectativas de inflação para um ano e cinco anos.


FED BOYS – Oito dirigentes do Fed têm falas previstas para esta semana, a começar por Adriana Kugler hoje (11h30). Amanhã (3ªF), Mary Daly. Na 4ªF, Thomas Barkin. Na 5ªF, Lorie Logan, Michelle Bowman, Austan Goolsbee e Patrick Harker. E na 6ªF, John Williams.


BALANÇOS EM NY – JP Morgan, Wells Fargo e Morgan Stanley divulgam resultados na 6ªF, dia 11.


… Na Europa, a semana começa com produção industrial e balança comercial na Alemanha nesta madrugada e vendas no varejo na zona do euro (6h). Na 5ªF, saem o PIB, a produção industrial e a balança do Reino Unido, e a inflação na Alemanha.


CHINA – O CPI e o PPI serão divulgados pelo governo de Pequim no final da noite de 4ªF (22h30, hora de Brasília).


JAPÃO HOJE – A Bolsa de Tóquio interrompeu brevemente a negociação de futuros de ações na abertura desta 2ªF, acionando o circuit braker após uma queda acentuada nos ativos desencadeada pelas tarifas de importação impostas pelo governo dos EUA.


… O circuit breaker paralisa automaticamente as transações por 10 minutos quando o índice futuro está próximo de cair ou subir 8%.


… Em tom conciliador, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, disse que está analisando as barreiras não tarifárias citadas por Trump, mas que o Japão não fez nada injusto com seu parceiro comercial para que suas exportações sejam taxadas em 24%.


… Ishiba expressou a vontade de visitar os EUA em breve para discutir a política tarifária e voltou a pedir a revisão da medida.


FAIXA DE GAZA – O presidente da França, Emmanuel Macron, se reunirá nesta 2ªF com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e o rei Abdullah II da Jordânia, para uma cúpula trilateral no Cairo sobre a situação em Gaza.


MODO PÂNICO ATIVADO – Se na 5ªF, investidores queimaram US$ 2,5 trilhões em valor de mercado das empresas do S&P 500, na 6ªF essa perda subiu a US$ 5,4 trilhões, segundo a Bloomberg. Nas contas do WSJ, a derrocada foi maior: US$ 6,6 trilhões.


… Só as sete magníficas teriam perdido US$ 1,6 trilhão.


… As bolsas reagiram, nos EUA e em todo o mundo, à retaliação anunciada pela China, com tarifa de 34% sobre produtos americanos.


… O Ibovespa, que na véspera tinha conseguido se manter no zero a zero, se juntou ao medo global de recessão e caiu quase 3%.


… O sentimento piorou depois da fala de Jerome Powell. O presidente do Fed disse que as tarifas anunciadas por Trump foram muito maiores que o esperado e que, apesar de haver muita incerteza, os impactos incluem inflação mais alta e crescimento mais lento.


… No fim do dia, o índice de volatilidade VIX fechou com alta de 50,9% (45,31 pontos), nível extremo e só visto em dias de pânico.


… Segundo Powell, as tarifas “podem ter um impacto persistente sobre a inflação”. Mensagem diferente da transmitida na entrevista do Fomc de março, quando ele foi criticado pelo otimismo, prevendo que o impacto seria “transitório”.


… Grandes bancos nos Estados Unidos já começaram a rever suas projeções para preços e atividade.


… JPMorgan cortou a estimativa para o PIB deste ano de +1,3% para -0,3%. O Citi agora espera +0,1%, de +0,6% antes. O JPMorgan ainda vê o PCE em alta de 4,4% e, o Citi, em 3,5% (não mais 2,6%). O desemprego, diz o Morgan, vai aumentar a 5,3% neste ano.


… Não adiantou o payroll vir muito melhor que o esperado. Powell disse que o dado representa “uma economia forte”, mas é passado. Os EUA criaram 228 mil empregos em março, acima do consenso de 140 mil vagas. Mas o medo da recessão falou mais alto.


… Em NY, o S&P 500 caiu 5,97%, para o menor nível em 11 meses, aos 5.074,13 pontos. Das 500 ações, apenas 14 terminaram no azul. E o Nasdaq recuou 5,82% (15.587,79), entrando em bear market, com queda de mais de 20% desde seu recorde em dezembro de 2024.


… Apple (-7%), Nvidia (-7%) e Tesla (-10%) afundaram o índice, as três têm grande exposição à China e estão entre as mais atingidas.


… Outro dado que dá uma ideia do derretimento das techs, o ETF de semicondutores SOXX caiu 16% na semana, o pior desempenho desde setembro de 2001, no estouro da bolha das ponto com, quando o recuo foi de 25%.


… Afetado principalmente por Boeing (-9%) e Caterpillar (-6%), ambos grandes exportadores para a China, o Dow caiu 5,5% (38.313,94).


… Na semana, o S&P 500 perdeu 9,08%, o Nasdaq, -10,02%, e o Dow Jones, -7,86%.


… Na corrida por segurança, o juro das notes de 10 anos voltou a furar 4% no momento de maior nervosismo, mas ainda fechou a 4,015% (de 4,029%); o da note de 2 anos recuou a 3,675% (de 3,692%), e o do T-bond de 30 anos, a 4,298% (de 4,755%).


… O temor de que a guerra comercial acabe numa recessão global empurrou o dólar para cima e, aqui, depois de marcar o menor nível em seis meses na sessão anterior, a moeda disparou 3,68%, a R$ 5,8350. Na semana, subiu 1,27%.


… O índice DXY subiu 0,93%, a 103,023 pontos. O euro caiu 0,52% (US$ 1,0962); a libra, -1,47% (US$ 1,2891). O iene, -0,73% (147,01/US$).


… Esse avanço do dólar sobre outras moedas fortes contribuiu para o derretimento das commodities: o cobre caiu mais de 8%, o ouro cedeu 2,76% e o petróleo chegou ao menor preço desde abril de 2021, fechando em baixa de 6,5%.


… Na B3, os juros futuros superaram a pressão inflacionária do câmbio e estenderam as fortes perdas da sessão anterior, mas com uma queda mais moderada, sob o peso da expectativa de desaceleração global e ciclo de aperto mais curto da Selic.


… O DI para janeiro de 2026 caiu a 14,665% (de 14,740%); o Jan/27, a 14.190% (de 14,375%); o Jan/29, a 14,030% (de 14,130%); o Jan/31, a 14,350% (de 14,370%); e o Jan/33, a 14,450% (de 14,470%).


… No Ibovespa, que caiu 2,96%, aos 127.256,00 pontos, o recuo das ações foi generalizado. Apenas três subiram. O giro ficou bem acima da média diária, com R$ 31,6 bilhões, dando mais peso ao recuo do dia.


… Destaque positivo, Carrefour disparou 10,77% (R$ 8,23), depois que a varejista elevou de R$ 7,70 para R$ 8,50 o valor do resgate de ação para fechamento de capital. Minerva ganhou 0,15% (R$ 6,47) e Klabin subiu 0,05% (R$ 18,55).


… O resto foi ladeira abaixo. Na esteira da queda de 6,5% do Brent/junho para o menor preço desde abril de 2021 (US$ 65,58 o barril), Petrobras ON teve baixa de 4,19% (R$ 37,73) e Petrobras PN, queda de 4,03% (R$ 34,55).


… Brava Energia recuou 12,92% (R$ 18,34), PetroRecôncavo caiu 8,60%, a R$ 14,35, e Prio cedeu 7,96%, a R$ 33,90.


… Vale desvalorizou 3,99%, a R$ 52,68. Dalian, na China, esteve fechada por um feriado local, mas em Singapura o minério perdeu 2,35%.


… Bancos também tiveram quedas expressivas no pregão de 6ªF. Santander registrou -3,31% (R$ 26,62); Itaú, -2,60% (R$ 31,14), Bradesco ON, -1,93% (R$ 11,17) e PN, -1,10% (R$ 12,57); Banco do Brasil, -1,86% (R$ 27,98).


EM TEMPO… VALE divulgará relatório de produção e vendas do 1TRI em 15/4 e balanço em 24/4.


PETROBRAS recebeu a licença da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do AP para operar a Unidade de Atendimento e Reabilitação de Fauna localizada no município de Oiapoque. Falta aprovação do Ibama…


… A unidade no Amapá é uma exigência do Ibama para liberar a busca de petróleo no litoral do estado, no bloco FZA-M-59.


BTG PACTUAL negou due diligence nos ativos do Master e reiterou que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do banco…


… Comunicado veio em resposta à notícia que circulou na imprensa dando conta de que o BTG teria desistido de comprar o Master após descobrir 80% de “precatórios podres”.


BRB. Fitch colocou em observação ratings B- de emissor em default de longo prazo em moedas estrangeira e local e o rating nacional BBB+(bra) de longo prazo do banco.


MASTER. Fitch colocou observação ratings B+ de emissor em default de longo prazo em moedas estrangeira e local e a nota A-(bra) para o racional de longo prazo do banco.


OI eleva em 42% a previsão de remuneração para o conselho e diretoria no triênio de 2025 a 2027…


… A previsão é destinar até R$ 199 milhões para o pagamento do conselho de administração, da diretoria estatutária e do conselho fiscal, de R$ 139,7 milhões em valores nominais nos anos de 2022 a 2024.


EQUATORIAL ENERGIA vendeu a totalidade das ações de emissão da Equatorial Transmissão S.A para a Verene Energia S.A (companhia de portfólio da canadense CDPQ), conforme fato relevante enviado à CVM…


… De acordo com o documento, o enterprise value da operação é de até R$ 9,395 bilhões.


PRIO corrigiu dados do 1Tri; produção média foi de 109,29 mil boed entre janeiro e março e não de 108,09 mil, como foi antes divulgado…


… A Prio informou que o Goldman Sachs detém 5% em posição de derivativos da companhia. Segundo os investidores, as movimentações não objetivam alterar a composição do controle ou a estrutura administrativa da Prio.


AMBIPAR. CVM estendeu prazo para pedido de OPA para até 7/5.


AMAZON. Dará início, nesta semana, à implantação em grande escala da sua constelação de satélites, a ser usada para serviço de internet rápida e com baixa latência em qualquer lugar do planta – modelo de operação semelhante ao da Starlink, de Musk…


… O lançamento dos satélites está programado para quarta-feira, 9 de abril, informou a Amazon.


TESLA BULL. Um dos analistas mais otimistas da Tesla em Wall Street, Daniel Ives, da Wedbush Securities, cortou a sua meta de preço para as ações da companhia em 43%, citando uma “crise de marca” criada pelo CEO, Elon Musk, e pelas tarifas do presidente Trump.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online


AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Bankinter Portugal Matinal 0704

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Chegados a este ponto, a chave agora é aceitar e interiorizar que o contexto se deteriorou brusca e repentinamente, portanto a prioridade é proteger. Não é o momento para debater sobre a probabilidade de uma retificação das medidas alfandegárias que hipoteticamente permitira que as bolsas subissem. Como ninguém pode adivinhar, esperamos para comprovar quais eram as medidas que Trump adotaria, visto que havia probabilidade de estarmos enganados e que ficasse em mensagens histriónicas, mas com uma materialização diluída, como aconteceu no seu primeiro mandato. Porque não analisamos nenhum processo sério de reflexão, mas sofremos as consequências de decisões pessoais que são resultado de um profundo desconhecimento dos fundamentos económicos mais básicos. Mas não foi assim.


Desde há semanas, temos vindo a insistir em 2 ideias: (i) uma guerra comercial não é um processo de soma zero; todas as partes perdem em maior ou menor medida. E se a mesma avançar, como o fez, o ciclo económico poderá tornar-se contrativo. (ii) Reduzir riscos é uma grande ideia, tal como temos vindo a insistir (ainda mais). Embora já o tenhamos executado (reduzimos exposição ao risco em -10% linear a todos os perfis de clientes a 24 de março), esse foi um movimento de prevenção perante o que considerávamos provável que acontecesse, como efetivamente aconteceu na quinta-feira passada: imposição de medidas alfandegárias que colocam em risco o atual ciclo económico expansivo. Por isso, aplicamos a partir de hoje uma redução de exposição ao risco de certa profundidade: desde o intervalo Defensivo 20%/Agressivo 70% até 0%/40%, visto que acreditamos que o dano desta guerra alfandegária será semiestrutural ou estrutural, já impossível de reverter/reparar a curto prazo (isto é, em menos de, digamos, 3 meses).


Em relação à semana, o mais relevante será o Índice de Confiança de Michigan de sexta-feira, que foi o primeiro indicador adiantado americano a alertar, a 14 de março, de que algo sério estava a mudar ao retroceder desde 64,7 até 57,9… revisto até 57,0 uns dias depois e que se espera que retroceda até 54,0 no seu registo de abril de sexta-feira. E veremos como saem os seus componentes de inflação, agora em +4,9% a 1 ano e +3,9% a 5/10 anos… De forma complementar, hoje sairá o Sentix da UE (Confiança do Investidor) provavelmente a retroceder bastante, enquanto na quinta-feira teremos uma inflação americana de março que poderá suavizar-se um pouco (+2,6% vs. +2,8%), e que será quase ignorada porque as repercussões sobre a inflação tardarão, pelo menos, 2 meses a chegar.


Em suma: (i) o essencial: reduzir exposição ao risco. (ii) O acessório imediato: a Confiança da Universidade do Michigan, na sexta-feira.


Em situações como esta, “preocupar-se” deve levar a “ocupar-se” e reagir. Perante a pergunta “Não terão terminado as quedas depois dos retrocessos tão severos desde quinta-feira?” A resposta é NÃO. Insistimos, é semiestrutural e pode chegar a ser estrutural se Trump não retificar rapidamente. Mas é improvável que o faça, a não ser que veja o enorme dano que causa à riqueza (património/poupanças) dos seus próprios votantes. E o mercado irá demonstrá-lo. Esta madrugada, Nikkei -7%, HK -12% e os futuros com quedas de -3%/-4%, com o petróleo -10 $ em 2 dias perante a possibilidade de um ciclo económico contrativo, obrigações extracompradas (yield T-Note < 4%) e volatilidade disparada (VIX 45%). A objetividade (e crueldade) de um mercado livre é a melhor medicina para quem impõe medidas guiadas pela sua própria ignorância.


S&P500 -6% Nq-100 -6,1% SOX -7,6% ES-50 -4,6% IBEX -5,8% VIX 45,3 Bund 2,59% T-Note 3,92% Spread 2A-10A USA=+41pb B10A: ESP 3,27% PT 3,15% FRA 3,33% ITA 3,76% Euribor 12m 2,235% (fut.2,058%) USD 1,099 JPY 160,5 Ouro 3.039$ Brent 63,9$ WTI 60,4$ Bitcoin -2,4% (76.924$) Ether -1,9% (1.544$). 


FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...