quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

OESP Diplomacia tupiniquim

 Estadão


Internacional


Guia simples para entender como fica a diplomacia brasileira com Donald Trump na Casa Branca


Relação com bolsonarismo e regimes de esquerda, aversão a clima e multilateralismo e presença da China estão entre fatores que vão influenciar


Por Felipe Frazão


O Estado de S. Paulo, 25/12/2024


 


BRASÍLIA - A vitória de Donald Trump nos Estados Unidos impôs um desafio imediato para a política externa brasileira. Como recalcular objetivos e prioridades diante da mudança de ventos políticos na Casa Branca e o retorno de um ator global incontornável, cujas prioridades divergem frontalmente da pauta de Luiz Inácio Lula da Silva. As expectativas do Palácio do Planalto são negativas.


O primeiro obstáculo será a relação direta entre ambos. Sem contato prévio e com portas fechadas, Lula e Trump terão de criar canais de contato, apesar do histórico recente hostil, marcado por desavenças, provocações e declaração de voto, de ambos os lados, aos respectivos adversários políticos domésticos no Brasil (Jair Bolsonaro) e nos Estados Unidos (Kamala Harris/Joe Biden).


O governo brasileiro tenta estabelecer uma relação pragmática entre Lula e Trump, mesmo ciente que o País não deve ser parte das prioridades do Departamento de Estado. No entanto, os sinais enviados pelo governo de transição vão em sentido contrário, como ameaças de impor tarifas sobre exportações brasileiras e a nomeação de uma equipe mais ideológica na diplomacia americana. Aqui vão alguns pontos-chave que podem nortear os próximos meses.


 


Quem são as figuras-chave na equipe de Trump?


Do lado americano, Donald Trump indicou como futuro secretário de Estado, cargo de chefe da diplomacia, o senador republicano Marco Rubio (Flórida) de origem cubana e que tem um olhar crítico ao governo brasileiro e aos regimes de esquerda latinos. Embora suas raízes e conhecimento da região sejam vistos como algo positivo, as relações políticas de Rubio o aproximam da oposição a Lula e do discurso bolsonarista. Como senador, ele vocalizou preocupação com a liberdade de expressão no País, ao acusar o governo de censura quando o X (antigo Twitter) foi banido pelo Supremo, e reagiu criticamente ao aval de Lula para a passagem de navios de guerra iranianos, no porto do Rio.


O conselheiro de Segurança Nacional será Mike Waltz, deputado republicano da Flórida, veterano de guerra e anti-China. O secretário de Comércio será Howard Lutnick, vindo do mercado financeiro, atual CEO da Cantor Fitzgerald. O presidente vai nomear novamente como assessor para comércio e indústria o antigo aliado Peter Navarro, que passou quatro meses preso por ignorar uma intimação do comitê que investigou a invasão do Capitólio.


É dado como certo que governo Trump vai trocar de pronto o comando da embaixada dos Estados Unidos em Brasília, já que a atual embaixadora, Elizabeth Bagley, enviada por Joe Biden, tem um histórico de serviços prestados e financiamento ao Partido Democrata. No governo passado, Trump enviou a Brasília o diplomata de carreira Todd Chapman.


Trump já anunciou os nomes de alguns futuros embaixadores na América Latina, como México e Colômbia, mas não quem assumirá no Brasil.


 


Quem são as figuras-chave no governo Lula?


Do lado brasileiro, Lula permanece com a equipe diplomática que montou no início do governo: o assessor especial Celso Amorim, ex-chanceler, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.


Em Washington, tem a embaixadora Maria Luiza Viotti, diplomata de carreira com longo histórico de serviço no país e nas Nações Unidas, e que neste ano acompanhou pessoalmente as convenções e centraliza a operação de viabilizar canais com os Republicanos e a nova administração em montagem.


Com Lula avaliando uma virtual reforma ministerial do início do ano que vem, circulam avaliações, entre analistas e diplomatas, se seria ou não conveniente trocar o comando do Itamaraty. Especialmente por alguém político. Republicanos emitiram sinais a interlocutores brasileiros de que não há canais com a dupla atual na chefia da diplomacia: Amorim e Vieira são vistos como mais alinhados ao PT e, sobretudo o primeiro, como um representante do sentimento antiamericano no governo.


Mas a percepção prevalente é que a mudança não ocorrerá. Há quem aposte em empresários e parlamentares para eventual aproximação e ainda no fomento de laços com entes subnacionais, os governadores de Estado norte-americanos.


 


Como serão as relações entre Lula e Trump?


Trump e Lula não possuem relação pessoal prévia. Jamais se falaram, embora tenham se alfinetado em declarações públicas. A ideia de costurar um telefonema entre eles, após a eleição de Trump, ainda não se concretizou. Lula fez um gesto político de abertura quando escreveu rapidamente nas redes sociais seu reconhecimento de vitória e disse que o “mundo precisa de diálogo e trabalho conjunto”.


Antes, ele criticara Trump em diversas ocasiões, relacionando-o a fascistas e extremistas, mas também solidarizara-se com o republicando quando disse que o atentado a tiros contra ele era “inaceitável” e merecia repúdio veemente. Tudo vai depender das posturas de Trump nos primeiros meses no retorno à Casa Branca. E de como o governo vai conter o sentimento hostil de parte da esquerda. A última foi o xingamento da primeira-dama Janja da Silva ao bilionário Elon Musk, indicado para compor o time de Trump. O empresário tem negócios no Brasil no setor de telecomunicações e interesses no setor espacial.


A relação diplomática tende a ser reduzida a algo discreto e marcada por algumas tensões comerciais.


 


Pragmatismo ou ideologia?


Integrantes do governo Lula avaliam que Trump pode agir de forma pragmática em relação ao Brasil, mas não veem sinais positivos no futuro relacionamento entre os presidentes. Lembram que ele foi capaz de visitar Kim Jong-un, na Coreia do Norte, um dos países do “eixo do mal”. E dizem que alguns sinais serão dados quando anunciar sua política em relação ao regime do ditador Nicolás Maduro, da Venezuela.


Um conselheiro direto de Lula confidencia, porém, que não dá para esperar que o futuro embaixador de Trump repita o ex-embaixador Todd Chapman e ofereça churrasco e recepções para Bolsonaro e seus filhos na residência oficial em Brasília.


O comportamento de Trump em relação à oposição no Brasil é um fator preocupante, porque ele é visto como referência e como líder capaz de energizar a oposição a Lula, sobretudo na direita radical.


Parlamentares da extrema direita viajaram aos EUA e contam com suporte da bancada republicana para demandar pressão total e agora represálias de Trump contra o governo Lula e autoridades brasileiras, sobretudo o Supremo Tribunal Federal, por causa de investigações sobre golpe e desinformação. Esse relacionamento próximo entre figuras do trumpismo e do bolsonarismo é a principal diferença no cenário quando o Planalto tenta traçar um paralelo com a relação entre Lula e o também republicano ex-presidente George W. Bush, que foi bastante fluída. Na ocasião, porém, não havia uma oposição mais estridente organizada no Brasil que cultivasse laços com Bush.


Em 2026, a eleição presidencial no Brasil e o relacionamento de Trump com a oposição pode ser um fator definidor do futuro, caso Lula ou um apadrinhado petista vençam.


 


Fator Milei e a direita regional


Observadores externos também avaliam que o relacionamento de Trump com presidentes de direita pode eclipsar o protagonismo de Lula. Os planos de campanha republicanos e do entorno de Trump, como o “Projeto 2025″, pregavam a articulação de uma coalização conservadora na América Latina. A lista seria encabeçada pelo libertário Javier Milei, da Argentina, mas também teria no mesmo campo o caso de Nayib Bukele, de El Salvador.


Há sinais de que os republicanos vão priorizar de início uma parceria ideológica com Milei, na América do Sul. A ideia de que, a partir de Buenos Aires, outras capitais latino-americanas, possa fortalecer um campo contra governos de esquerda, que se aliam a atores extra regionais hostis como China, Rússia e Irã.


Rival político direto e rompido com Lula, Milei tem feito uma série de gestos de aproximação com Trump, viajou ao encontro dele nos Estados Unidos e trabalhou com uma agenda conservadora e contrária aos interesses políticos do Brasil no G-20, no Mercosul e na OEA.


Choque no Clima e Multilateralismo


Trump tem dois mantras de campanha que ajudam a resumir seu perfil negacionista climático e isolacionista - Drill, baby, Drill e o America First. Ele promete aprofundar a exploração de combustíveis fósseis e colocar o que considera interesses dos EUA sempre em primeiro lugar.


As posturas de Trump tendem a prejudicar os esforços do Brasil para alavancar compromissos mais ambiciosos da comunidade internacional contra a mudança climática, a proteção ambiental e a discussão sobre quem paga a conta. A eleição dele e as nomeações em andamento foram um baque e motivaram previsões catastróficas entre negociadores climáticos à frente dos preparativos para a COP-30, em Belém. A cúpula climática das Nações Unidas será o ponto alto da inserção internacional do Brasil.


Não há qualquer garantia de que Trump cumprirá a promessa de Biden de enviar US$ 500 milhões para o Fundo Amazônia.


No passado, Trump rompeu com o Acordo de Paris, principal tratado climático mundial para conter a emissões de gases estufa, deixou a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Unesco, bloqueou o funcionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC), ameaçou abandonar e cortar verbas da aliança militar Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e suspender financiamento às Nações Unidas. O assunto causa temor, já que os EUA são os principais contribuintes das agências multilaterais.


Embora tenha se engajado em Cúpulas do G-20 e do G-7, Trump faz campanha aberta com o fortalecimento do Brics.


 


Interesse em minerais críticos e invesimentos


Um ponto de interseção de interesses levantado por membros do governo brasileiro é a parceria em energia, para exploração de minerais críticos, como lítio, terras raras, níquel, cobalto, grafite e nióbio.


Esses minerais são essenciais para produção de baterias de carros elétricos, turbinas eólicas e painéis solares, também no foco de interesse direto tecnológico da China.


Os governos retomaram, em setembro, o Diálogo Estratégico Brasil-EUA sobre Minerais Críticos, em nível técnico e diplomático, com objetivo de “construir cadeias de suprimento seguras e sustentáveis”.


O Brasil deseja ver não só a extração, mas o processamento industrial dos minerais no País, enquanto os americanos preferem realizar lá.


Os Estados Unidos são o maior investidor externo no Brasil e o segundo maior parceiro comercial. No ano passado, o estoque de investimentos vindo dos EUA alcançou US$ 357,8 bilhões, segundo dados do Banco Central. Isso representa 34% do total investido no País.


Neste ano, o fluxo de investimentos vindos dos EUA para o Brasil chegou a US$ 4,94 bilhões. E, na via contrária, os investimentos com origem brasileira nos Estados Unidos foram de US$ 2,37 bilhões, o que também coloca o país como principal destino, com 36% do total.


Já a corrente de comércio bilateral foi de US$ 74,8 bilhões, com déficit de US$ 1 bilhão para o Brasil, em 2023. Apesar disso, a pauta bilateral é extensa. Há cooperação em diversos setores, do alto fluxo bilateral no turismo às parcerias entre as Forças Armadas, intercâmbio acadêmico amplo e influência cultural extensa. Apesar disso, a pauta bilateral é extensa.


 


Qual o risco de Trump impor tarifas sobre o Brasil?


O governo Lula acompanha com atenção o que considera, até agora, “bravatas” de Trump no campo comercial. Em duas manifestações após eleito, Trump ameaçou um tarifaço que poderia recair sobre produtos brasileiros exportados para os EUA.


Conselheiros de Lula, no entanto, desconfiam que o republicano não vá de fato executar a medida. Observadores apontam uma série de condicionantes, como setores e países alcançados, que precisariam de avaliação criteriosa, em vez de uma imposição unilateral.


Primeiro, Trump foi às redes sociais - um comportamento reiterado - para contestar a desdolarização planejada pelo Brics. “Exigimos que esses países se comprometam a não criar uma nova moeda do Brics nem apoiar qualquer outra moeda que substitua o poderoso dólar americano, caso contrário, eles sofrerão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia norte-americana”, escreveu o presidente eleito.


A ideia de fomentar alternativas ao dólar ganhou espaço no Brics a partir das sanções contra a Rússia pela guerra na Ucrânia. Mas foi alavancada politicamente por Lula no ano passado. De complexa e longa execução, o desenvolvimento de uma divisa para transações comerciais tem grande interesse do maior rival dos EUA, a China, e de países igualmente hostis aos EUA que estão sancionados, como a Rússia, o Irã e até Cuba.


Semanas depois, Trump citou nominalmente o Brasil como um dos países emergentes que impunham muitas tarifas alfandegárias aos produtos americanos e exigiu reciprocidade. “Nós vamos tratar as pessoas de forma muito justa, mas a palavra ‘recíproco’ é importante. A Índia cobra muito, o Brasil cobra muito. Se eles querem nos cobrar, tudo bem, mas vamos cobrar a mesma coisa”, afirmou.


Em 2019, durante o governo do “aliado” Bolsonaro, Trump chegou a anunciar pelo Twitter (atual X) a imposição imediata de tarifas sobre o aço e alumínio brasileiros, por causa da desvalorização do real frente ao dólar. Os EUA são o maior mercado do aço brasileiro exportado. O republicano abriu uma crise que demandou esforço diplomático até do então presidente para demovê-lo. A promessa nunca se cumpriu.


Em setembro, empresas dos EUA solicitaram a cobrança de tarifas como medida antidumping contra o aço do Brasil e outros nove países.


 


Imigração. Brasileiros estão na mira de deportação?


Trump promete linha dura contra imigrantes, um tema central de sua plataforma política. Ameaça apertar os controles e promover deportação em massa de imigrantes ilegais assim que assumir. Historicamente a população brasileira não é o foco das autoridades americanas. No entanto, dados do Pew Research Center mostram uma quantidade crescente de imigrantes irregulares, de nacionalidade brasileira, vivendo nos EUA: 230 mil, em 2022.


A comunidade brasileira nos Estados Unidos é a maior do mundo, com 2,085 milhões de pessoas, conforme levantamento do Itamaraty, referente a 2023. Em diferentes governos, o Brasil tem recebido voos de deportação praticamente semanais. As operações aéreas são conduzidas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA, o US Immigration and Customs Enforcement - daí o apelido ICE flights, que se destinam principalmente ao Aeroporto de Confins, em Minas Gerais. Essa prática deve continuar.


Dados da autoridade de fronteira compilados pelo Estadão mostram que, desde 2018, os EUA removeram por esses voos de deportação 11.851 brasileiros. Ainda o ICE promoveu voos para remover dos EUA 1.779 brasileiros expulsos dentro da política Título 42, regra aplicada inicialmente por Trump para remover automaticamente imigrantes sem documentação que tentassem entrar no país, durante da pandemia da covid-19.


Segundo a Fox Business, o ICE tem ordem de deportação contra 38.677 brasileiros, num universo de 1,4 milhão de ilegais que ainda permanecem nos Estados Unidos, aguardando remoção.


 


Relação com a China


O Brasil tem buscado manter uma navegação autônoma, não alinhada a nenhum dos polos de poder na disputa entre China e Estados Unidos, na perspectiva de explorar oportunidades no relacionamento com as duas maiores economias do planeta. Apesar disso, não há equidistância. O governo petista não esconde a simpatia por Xi Jinping e a antipatia por Trump ou ainda ecos de antiamericanismo, na esquerda, mesmo durante o governo Joe Biden. Ficou evidente nas primeiras missões internacionais de Lula o quão mais robusta foi a visita de Estado a Pequim do que a Washington, quando figuras do governo falavam na relação preferencial com os chineses para os projetos de reindustrialização brasileira e busca de tecnologia. E mais recentemente na deferência da visita de Estado de Xi Jinping a Brasília.


A diplomacia brasileira costuma atuar para frear gestos que podem ser vistos como um alinhamento com Pequim.


Embora não tenha sido determinado pelo fator Trump, o Brasil elaborou um plano de participação alternativo e deixou de aderir integralmente à nova Rota da Seda, como é chamada a Iniciativa Cinturão e Rota (Belt And Road Initiative), o principal mecanismo de inserção bilateral de Pequim no mundo e sua ponta de lança para a América Latina. Mais de 150 países fazem parte do acordo, que mobilizou US$ 2 trilhões em contratos para a construção de portos, rodovias e ferrovias.


A expectativa de analistas é que Trump possa se voltar um pouco mais a questões latino-americanas e ao Brasil, para não deixar terreno aberto para a China. O maior país latino-americano é um ator crucial para a China expandir sua influência econômica e geopolítica na América Latina. A relação com o Brasil vem sendo ampliada e aprofundada em setores estratégicos, como energia, defesa, telecomunicações, entre outros. A China é o maior parceiro comercial do Brasil, há quinze anos, e um dos principais investidores externo. Em 2023, a corrente de comércio atingiu recorde de US$ 157,5 bilhões, com exportações totalizando US$ 104,3 bilhões e superávit brasileiro de US$ 51,1 bilhões.


Já os investimentos chineses no Brasil atingiram US$ 73,3 bilhões, entre 2007 e 2023. O setor de eletricidade recebeu 45% do valor total, seguido por petróleo, com 30%, conforme estudo anual do Conselho Empresarial Brasil China.


 


Venezuela, Cuba e Nicarágua


Aqui reside um dos grandes sinais observados pelo governo Lula para entender a política externa do governo Trump 2.0: a postura com os governos ditatoriais de esquerda da América Latina.


Até agora, o Planalto vê indícios de muita agressividade por parte da Casa Branca com o que foi batizado no governo passado de Trump como a “troika da tirania” - expressão cunhada pelo ex-conselheiro da Casa Branca para Segurança Nacional, John Bolton, para se referir a Venezuela, Cuba e Nicarágua. Lula, por sua vez, tem laços históricos de proximidade com todos os regimes. Mas colheu dissabores recentes com dois - exceto Cuba, que Lula visitou no ano passado e não teve embates.


O petista congelou relações com Daniel Ortega, após expulsão mútua de embaixadores, e agora promete manter “frieza” com Maduro - sem falar diretamente com ele, embora descarte romper diplomaticamente.


A chave é a Venezuela e o interesse na exploração do petróleo por companhias norte americanas, o combate ao crime organizado, com narcotráfico e imigração ilegal, e a reimposição das sanções contra o regime, rejeitadas pelo Brasil.


Nas palavras de um assessor presidencial, Trump vê a política externa como “grande balcão de negócios” e não se pode descartar uma acomodação por causa do interesse em petróleo e na política de deportação de imigrantes. Se no passado Trump tentou atrair o governo Jair Bolsonaro a apoiar um golpe contra Maduro, agora já sabe que qualquer ameaça de intervenção aramada será prontamente rechaçada, pelas relações políticas entre Lula e o chavismo - a despeito de não reconhecê-lo como legalmente reeleito. Conselheiros do petista afirma que não convém ao Brasil qualquer instabilidade nas suas fronteiras diretas.


 


Instituições regionais - eleição da OEA


Ronda a diplomacia brasileira e o Palácio do Planalto o temor de que Trump possa voltar a “instrumentalizar” organismos regionais, quebrando acordos, para colocar pressão sobre governos e regimes de esquerda da região e articular uma coalização da direita e da extrema-direita regional. O foco de tensão imediato é o comando da Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja liderança vem sendo contestada nos últimos anos por governos como Bolívia, Venezuela e Nicarágua, entre outros. Mesmo o governo Lula já expressou, reiteradas vezes, a perda de credibilidade da OEA na região, por causa de seu papel na crise na Bolívia, em 2019.


No ano que vem, será eleito o novo secretário-geral em substituição ao uruguaio Luis Almagro. Há dois candidatos em campanha: o chanceler do Paraguai, Ruben Ramírez Lezcano, que vem fazendo acenos a Trump com gestos em favor de Israel e no enfrentamento com a China (Assunção reconhece Taiwan e não Pequim); e o chanceler do Suriname, Albert Ramdin, apoiado pela Comunidade do Caribe, a Caricom.


O ex-presidente colombiano Iván Duque poderia se apresentar, assim como a ex-embaixadora equatoriana Ivonne Baki. Ambos são simpáticos a Trump. Lula ainda não tomou lado.


No passado, Trump atropelou costuras como a da eleição para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), enterrando articulações do Brasil para emplacar seu ex-assessor de segurança nacional e militante anti-Cuba Mauricio Claver-Carone. Trump interferiu no BID, rompeu a tradição diplomática de equilíbrio no comando de instituições financeiras multilaterais: no caso do BID, a sede fica em Washington e a presidência sempre era exercida pelo indicado de algum país latino-americano.

Call Matinal ConfianceTec 2612

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

26/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE SEGUNDA-FEIRA (23)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na segunda-feira (23), fechou em forte queda de 1,09%, a 120.766 pontos. Volume negociado ficou em R$ 20,2 bi. Já o dólar à vista avançou 1,86% a R$ 6,1851.


PRINCIPAIS MERCADOS, 05h40


EUA🇺🇸

Dow Jones Futuro, nd

S&P 500 Futuro, nd

Nasdaq Futuro, nd


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +0,14%

Nikkei (Japão🇯🇵), +1,12%

Hang Seng Index (Hong Kong), Feriado 

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -0,44%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), nd


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), nd

DAX (Alemanha🇩🇪), nd

CAC 40 (França🇫🇷), nd

FTSE MIB (Itália🇮🇹),  nd

STOXX 600🇪🇺, nd


🌍 Commodities:

Petróleo WTI, +0,65%, a US$ 69,91 o barril (atrasado)

Petróleo Brent, +0,55%, a US$ 73,34 o barril (atrasado)

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, em queda de 0,06%, a 776,50 iuanes.


NO DIA, 26/12


Quinta-feira de agenda esvaziada e baixa liquidez nos mercados. 

Ontem, o dólar disparou, pelo Google, chegando a R$ 6,70, o que assustou a todos.


Cotação correta, no entanto, estaria em torno de R$ 6,20, o  que deve mobilizar o BCB para mais um leilão à vista de até US$ 3 bilhões hoje de manhã, dando continuidade às intervenções recordes. Em tese, a justificativa para este overshoot cambial é a sazonalidade das remessas de final de ano ao exterior e os ruídos fiscais. Neste front, problema agora é a liberação das emendas.


AGENDA, 26/12


Indicadores:

08h00. Brasil🇧🇷/FGV: IPC-S Capitais 3ª quadrissemana - dezembro

08h00 – Brasil🇧🇷/FGV: Sondagem da Indústria - dez

10h30. EUA🇺🇸/Dept. Trabalho: Pedidos de auxílio-desemprego

13h00 – EUA🇺🇸/DoE: Estoques de petróleo

14h30 – Brasil🇧🇷/Tesouro: Relatório mensal da dívida pública - nov

14h30 – Brasil🇧🇷/BC: Fluxo cambial semanal

20h00. Japão🇯🇵: Produção industrial e vendas no varejo - nov

23h00. China/NBS: Lucro industrial em novembro


Eventos

08h00. Turquia🇹🇷: BC divulga decisão sobre juros

09h15. Brasil🇧🇷: BC faz leilão à vista de US$ 3 bilhões 

15h00. Brasil🇧🇷: Tesouro concede coletiva sobre dívida pública.

                                                

Julio Hegedus Netto, economistah da ConfianceTec 

 

Boa quinta-feira, bons negócios e boas Festas!🥳👏🎄

Prensa

 📰  *Manchetes de 5ªF, 26/12/2024* 

 

▪️ *VALOR*: Leilões de saneamento em 2025 vão gerar R$ 69 bi em investimentos    


▪️ *GLOBO*: Governadores ameaçam ir ao STF contra decreto de atuação policial


▪️ *FOLHA*: Partos de adolescentes caem pela metade em uma década no Brasil  


▪️ *ESTADÃO*: Estados mais carentes de recursos podem ficar em R$ 2 bi do Fundeb

Bankinter Portugal Matinal 2612

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem não houve mercados (Natal) e hoje não há bolsa na Europa mas há nos EUA. Terça-feira foi um dia de sessão intermédia porque era véspera de Natal. As bolsas na Europa fecharam às 13h, nos EUA às 12h e o mercado obrigacionista esteve fechado na Europa. As bolsas deram-nos uma pequena recuperação natalícia (bolsa europeia +0,1%, bolsa americana +1,1% e tecnologia americana +1,4%). Não há grandes referências a destacar e esperamos um dia sem relevância e com quase nenhuma atividade.


Reiteramos que devemos ser cautelosos e esperar menos nos próximos trimestres, até que o ajustamento de preços esteja completo e a inflação/taxas clarifiquem para onde se direcionam. O cenário natural será os mercados acionistas recuarem um pouco durante algum tempo, as obrigações continuarem a subir suavemente as suas yields, o USD continuar a valorizar-se (algures em 2025 veremos paridade com o euro), euro e iene fracos, petróleo bastante barato e criptos em típica subida de risco.


Terça-feira: S&P500 +1,1% Nq-100 +1,4% SOX +1,1% ES-50 +0,1% IBEX +0,3% VIX 14,27. Ouro $ 2,617 Brent $ 73.6 WTI $ 70.1 Bitcoin + 4.8% ($ 98,323) Ether + 2.0% ($ 3,488) Euribor 12m 2.471% USD 1.040 JPY 163.4 T-Note 4.59% Spread 2A-10A USA = + 25bp


Segunda-feira: Bund 2.33% B10A: ESP 3.02% PT 2.81% FRA 3.15% ITA 3.50% FIN: ESP 3.02% PT 2.81% FRA 3.15% ITA 3.50% 


FIM

BDM Matinal Riscala 2612

 Emendas reabrem crise

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[26/12/24]


… Impulsionado pela esperança de estímulo fiscal adicional na China, o minério de ferro registrava alta firme, de 1%, no final da noite de ontem. A volta do Natal tem agenda fraca hoje e promete liquidez ainda mais esvaziada, o que pode distorcer as cotações dos ativos. Com o dólar de novo perto de R$ 6,20, o BC já deixou programado para esta manhã (9h15) um leilão à vista de até US$ 3 bilhões, dando continuidade às intervenções recordes no câmbio, diante das saídas históricas de fluxo. A pressão da moeda americana tem respondido à sazonalidade das remessas de final de ano ao exterior e aos ruídos fiscais. A aprovação do pacote de cortes de gastos no Congresso envolveu a liberação das emendas, que voltam a estar no centro da polêmica da autonomia dos Poderes e ameaçam a governabilidade.


… A curta trégua nos negócios com a tentativa de reconciliação de Lula com a Faria Lima já voltou a ser abalada na última 2ªF pela decisão do ministro Dino (STF) de suspender novamente o pagamento de emendas parlamentares.


… Os ativos domésticos estressaram (abaixo), com escalada do dólar e DI, diante da percepção de que o governo enfrentará um ambiente político tenso na volta do recesso, em fevereiro, quando tem que aprovar o Orçamento.


… A PF abriu inquérito na 3ªF para apurar supostas irregularidades na liberação de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares de comissão que estavam previstas para serem pagas aos congressistas até o fim do ano.


… Dino suspendeu o repasse, alegando que os verdadeiros padrinhos das indicações para emendas foram ocultados, contrariando decisões anteriores do STF, que condicionaram o envio das emendas a requisitos de transparência.


… A investigação da PF atende a uma ordem de Dino, que foi acionado pelos partidos Novo e PSOL contra o arranjo.


… A estratégia de apadrinhamento por meio dos líderes das bancadas, no mecanismo que continua escondendo os parlamentares por trás das indicações, foi vista como um drible de Lira às regras de transparência e rastreabilidade.


… Antes da suspensão por Dino, no período que coincidiu com a votação do pacote fiscal no Congresso, o governo Lula liberou quase R$ 730 milhões em emendas de comissão, segundo apuração de bastidores da revista piauí.


… Novos documentos mostram que o dinheiro começou a ser liberado com respaldo formal do Palácio do Planalto.


… O novo bloqueio ressuscita o fogo cruzado entre os Poderes, no desgaste que já provoca reação do Parlamento.


… Surpreso com a determinação do STF, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento/25, afirma que a ação afeta a relação entre os Poderes e pode atrasar a votação da peça para o fim de fevereiro o início de março.


… O temor é de que o atraso no Orçamento seja apenas a ponta do iceberg. Nos últimos dias, a cúpula do Congresso já vinha advertindo que tinha uma “carta na manga” caso houvesse um novo ataque à liberação de emendas.


… O aumento da insatisfação dos deputados e senadores pode impulsionar a PEC de autoria de Altineu Côrtes (PL) que, na prática, torna todas as emendas impositivas (de pagamento obrigatório) e enterra a governabilidade de Lula.


… A proposta tem 152 assinaturas, contra as 171 necessárias para que a PEC seja protocolada. A nova decisão de Dino eleva a pressão para o sucessor de Lira no comando da Câmara, Hugo Motta, dar andamento à proposta.


… Parlamentares reclamam do tempo da ação de Dino, que ocorreu após o governo já ter aprovado o pacote fiscal.


… A tensão ocupa o mercado. “Lula perderá o Congresso. Liberaram o dinheiro, votaram o que ele pediu e travaram o dinheiro. Lula vai sofrer as consequências, já que Dino é nome dele no STF”, resumiu profissional ao Broadcast.


… Diante dos riscos de fragilização do governo, a Advocacia-Geral da União está em contato com os ministérios para avaliar quais os próximos passos a serem tomados quanto à destinação das emendas parlamentares.


… Durante o pronunciamento de Natal em rede nacional de rádio e TV, adiantado para a noite de 2ªF, Lula voltou a defender o respeito e a harmonia entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, diante do impasse das emendas.


… O presidente ainda exaltou a economia doméstica forte, mas admitiu que o País tem “enormes desafios” à frente.


PEGADINHA – Durante o feriado de Natal nos mercados globais, quem pesquisou a cotação do dólar contra o real no Google se deparou com um novo valor nominal recorde da moeda norte-americana, de R$ 6,38…


… O valor é R$ 0,20 superior ao registrado no último fechamento oficial (2ªF), de R$ 6,1855. Esta não é a primeira vez que as cotações do câmbio vistas no buscador divergem das cotações de corretoras e do próprio BC.


… No começo de novembro, um dia depois da eleição presidencial norte-americana, que confirmou a vitória de Trump, o Google informou que o dólar havia rompido R$ 6, quando esta marca ainda não havia sido cruzada.


… A plataforma de busca informa que os dados exibidos na busca vêm de provedores globais terceirizados. A AGU informou que avalia tomar medidas em relação ao Google por exibir valores superiores à cotação do dólar.


AGENDA – Em meio à onda de fuga de dólares do Brasil (abaixo), o BC divulga hoje (14h30) os dados semanais do fluxo cambial. No mesmo horário, o Tesouro informa o relatório de novembro da dívida pública federal.


… O documento será comentado em entrevista coletiva virtual, às 15h, por Roberto Lobarinhas.


LÁ FORA – O BC da Turquia divulga decisão de política monetária às 8h. Nos EUA, saem os pedidos de auxílio-desemprego (10h30) e os estoques semanais de petróleo medidos pelo DoE, às 13h.


REBOTE – Após sessões em baixa, o dólar voltou a disparar na 2ªF, ao 2º maior valor nominal de fechamento da história: R$ 6,1851 (+1,86%). Na última sessão antes do Natal, o real cravou a pior performance entre os emergentes.


… A desidratação do pacote fiscal, calculada pelo mercado em até R$ 20 bi sobre projeções que já eram menores que os R$ 70 bi do governo, a nova crise com o STF e a saída de recursos para remessas de fim de ano estressaram.


… O dólar forte lá fora – o DXY subiu 0,38%, aos 108,037 pontos, na 2ªF, e o fato de o BC não ter atuado no mercado ajudaram a formar o bloco de pressão sobre a moeda.


… Só este mês, o BC já injetou US$ 27,760 bilhões no mercado, a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante. Apenas as vendas em leilões à vista, iniciadas em 12 de dezembro, foram de US$ 16,76 bilhões.


… Enquanto isso, a fuga de dólares do Brasil também bate recordes. Entre os dias 2 e 19 de dezembro, saíram US$ 14,699 bilhões, o maior volume para o período na série histórica do BC, iniciada em 2008.


… Na esteira do dólar e quadro fiscal, os DIs seguiram a escalada rumos aos 16%. Também reagiram à nova piora nas projeções de juros, IPCA e câmbio do Focus. No exterior, o avanço dos juros dos Treasuries injetou mais pressão.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subiu a 15,220% (de 14,945% no fechamento anterior); Jan/27, a 15,470% (de 15,105%); Jan/29, a 15,050% (14,680%); Jan/31, a 14,710% (14,350%); e Jan/33, a 14,460% (14,130%).


SEM CHANDON – As blue chips ligadas às commodities até colaboraram, mas com apenas 13 das 87 ações do Ibovespa em alta, não houve o que comemorar na bolsa na antevéspera de Natal.


… Em dia de fuga do risco nos ativos domésticos, o índice à vista voltou a perder os 121 mil pontos, em baixa de 1,09% (120.766,57) com volume financeiro de apenas R$ 20,2 bilhões.


… Bancos registraram perdas robustas: Santander, -3,09% (R$ 23,54); Itaú, -1,94% (R$ 30,89); Bradesco PN, -1,79% (R$ 11,55); Bradesco ON, -1,58% (R$ 10,61); e Banco do Brasil, -0,66% (R$ 23,92).


… As maiores perdas do Ibovespa foram de Automob (-19,05%; R$ 0,34), estendendo a baixa do pregão anterior (-10,64%), Azul (-9,34%; R$ 3,30) e Brava Energia (-7,67%; R$ 19,13).


… Figurando entre as poucas altas, Vale ganhou 0,42% (R$ 54,85), em linha com o minério de ferro (+0,84%).


… Petrobras ON subiu 0,76% (R$ 40,02), na máxima do dia, e o papel PN ficou estável (+0,03%), em R$ 36,86, apesar da baixa de 0,42% no Brent/fev na 2ªF.


… Suzano avançou 2,72%, a R$ 61,24, com a notícia de aumento do preço da celulose para Ásia, América do Norte e Europa, a partir de 1º de janeiro.


JINGLE BELL ROCK – Responsáveis por boa parte da disparada das bolsas em NY este ano, as techs atacaram novamente e marcaram o início do ‘Santa Claus rally’ em Wall Street, na 3ªF.


… A efeméride marca as cinco últimas sessões do ano e as duas primeiras de janeiro, quando os principais índices costumam ter desempenho positivo. Desde 1950, o S&P 500 subiu 1,3% no período, em média (LPL Research).


… Numa sessão 3h mais curta e com baixo volume de negócios por causa da véspera de Natal, o Nasdaq liderou os ganhos: +0,98%, a 19.764,89 pontos. O Dow Jones subiu 0,16% (42.906,95) e o S&P 500 ganhou 0,73% (5.974,07).


… Todas as sete magníficas subiram, lideradas por Tesla, que disparou 7,36%, seguida por Amazon (+1,77%), Meta (+1,32%), Apple (+1,15%), Microsoft (+0,94%), Alphabet (+0,81%) e Nvidia (+0,39%).


… Broadcom (+3,15%), Arm Holdings (+3,9%) e AMD (+1,36%) foram bem depois de o governo Biden lançar mais uma investigação sobre chips fabricados na China.


… O avanço das ações de tecnologia mostra que nem um Fed mais conservador reduziu o ímpeto do setor, força que deve continuar em 2025, segundo Charlie Ripley (Allianz Investment Management), na Reuters.


… Bancos subiram após entidades representativas do setor processarem o Fed pelos testes de estresse anuais. O argumento é que falta transparência às avaliações, que “produzem exigências de capital inexplicáveis”.


… Morgan Stanley e o Citigroup avançaram 2,10% e 1,76%, respectivamente. O Goldman Sachs ganhou 2,10% e o JPMorgan, 1,64%


… Após o fechamento, o Fed anunciou que avalia “significativas mudanças nos testes de estresse” para aperfeiçoar sua transparência e reduzir a volatilidade das exigências de capital.


… Com a liquidez reduzida, o juro da note de 2 anos ficou estável em 4,340%, enquanto o da T-note-10 anos caiu a 4,584% (de 4,587% no pregão anterior) e o do T-bond de 30 anos cedeu a 4,760% (contra 4,775%).


… No câmbio, o índice dólar (DXY) subiu 0,20%, a 108,257 pontos. O euro recuou 0,17%, a US$ 1,0392. A libra ficou estável (-0,02%) em US$ 1,2535, assim como o iene (-0,02%), a 157,163/US$.


… A despeito do câmbio, o petróleo Brent para fevereiro fechou com alta de 1,31%, a US$ 73,58 o barril, na ICE, sem um catalisador específico para o ganho do dia.


EM TEMPO… Moody´s reiterou a nota de crédito nacional da PETROBRAS em AAA.br, com a perspectiva estável.


PETROBRAS GLOBAL FINANCE B.V. (PGF) enviou notificações com anúncio de preços do resgate antecipado aos investidores dos títulos 5,299% Global Notes com vencimento em 2025, totalizando US$ 606,7 mi…


… Liquidação financeira do resgate ocorrerá em 27 de janeiro de 2025…


B3 aprovou a distribuição de R$ 337,150 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0538 por ação, com pagamento em 8/1; ex a partir de 2/1.


ASSAÍ. Sharp Capital Gestora de Recursos atingiu o montante de 60.398.489 de ações ON, correspondentes a 4,47% dos papéis do tipo emitidos pela companhia.


C&A aprovou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 89,25 milhões, correspondendo a R$ 0,2929 por ação ordinária. Ex em 02/01/2025.


MULTIPLAN aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,4092 por ação, com pagamento até 30 de dezembro de 2025; ex a partir de 2 de janeiro.


SUZANO aprovou a distribuição de R$ 657,3 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,8993 por ação ON e R$ 0,9893 por ação PN, com pagamento em 14/1/25; ex desde 4/10/24.


PORTO aprovou JCP de R$ 269,67 milhões ao 4Tri24. O valor bruto corresponde a R$ 0,4207 por ação, descontadas aquelas que estão na tesouraria da empresa. As ações passam a ser negociadas ex-JCP a partir de 2 de janeiro.


AMIL e DASA. Superintendência-Geral do Cade aprovou combinação de ativos. Com isso, 25 hospitais, 6 clínicas oncológicas e 6 clínicas médicas passarão a ser controlados pela Ímpar Serviços Hospitalares, joint venture de gestão.


RD SAÚDE. Schroder Investment Management Brasil aumentou a sua participação acionária na companhia, passando a deter 86.469.464 de ações ON, 5,033% do total.


HYPERA aprovou a distribuição de R$ 106.995.435,16 em JCP, o equivalente a R$ 0,1691 por ação ON; somado a isso, foi aprovada a declaração de R$ 76.999.257,64 em dividendos, a R$ 0,1217 por ação ON; ex a partir de 30/12…


… O pagamento será realizado até o final do exercício social de 2025, em data a ser definida pela companhia.


FLEURY. Fundos geridos pela Guepardo Investimentos passaram a deter em conjunto 27.518.800 de ações ON, representando 5,03% do total de papéis do tipo emitidos pela companhia.


EMS projeta faturar US$ 4 bilhões daqui oito anos, a partir da comercialização de moléculas de liraglutida, princípio ativo é similar ao de medicamentos como Ozempic. A comercialização foi aprovada pela Anvisa.


LATAM. Ricardo Bottas, ex-CEO da Amil e da SulAmérica, será o novo diretor financeiro da empresa. Ele deve assumir o posto em janeiro, após a aprovação dos trâmites de imigração pelas autoridades do Chile, onde a aérea é sediada.


ENEVA assinou contrato de financiamento junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no valor de R$ 660 milhões, ao custo de IPCA + 3,4187% ao ano, com prazo de vigência de 15 anos…


… A contratação vai financiar a unidade de liquefação em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão.


EDP aprovou pagamento de JCP de R$ 123,5 milhões, os quais serão imputados ao dividendo obrigatório a ser distribuído pela companhia…


… Terão direito ao recebimento do valor todos os detentores de ações na data-base de 23 de dezembro de 2024.


ENERGISA e Energisa Transmissão de Energia, sua controlada direta, informaram que energizaram todas as funções de transmissão que compõem o contrato de concessão da Energisa Amapá Transmissora de Energia SA (EAP)…


… A obra foi concluída 33 meses após a assinatura do contrato de concessão, com antecipação de nove meses frente a data regulatória prevista; foram investidos nesse empreendimento aproximadamente R$ 155 milhões.


GRUPO MATEUS. BTG reiterou recomendação de compra para ação da empresa, após anúncio da finalização do termo para compra da rede de supermercados Novo Atacarejo na 6ªF (20), com preço-alvo de R$ 11.


CAIXA SEGURIDADE. A Caixa fechou na 2ªF o sindicato de bancos que coordenará a oferta pública subsequente (follow on) da Caixa Seguridade, prevista para o ano que vem, segundo fontes do Broadcast…


… Farão parte do sindicato Itaú BBA, UBS BB, BTG Pactual, Bank of America e a própria Caixa, que tem buscado fortalecer a atuação no mercado de capitais.


AGIBANK recebeu aporte de R$ 400 milhões de um fundo de private equity de Daniel Goldberg, da Lumina Capital. Com o aporte, a instituição foi avaliada em R$ 9,3 bilhões.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Fernando Dantas 2612

 Fernando Dantas: Brasil ainda está antecipando política monetária das grandes economias?


Quando o Banco Central (BC) elevou a Selic de 2% para 2,75% em março de 2021, a autoridade monetária brasileira pulou na frente em termos globais na decisão de iniciar um ciclo de aperto monetário para conter o surto inflacionário da Covid. O Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) só começou a elevar os Fed Funds, taxa básica norte-americana, um ano depois, em março de 2022.


O BC brasileiro fez sua primeira redução de juros em setembro de 2023, e o Fed, em setembro de 2024. Agora, o Brasil retomou a elevação da Selic em setembro de 2024, mas a expectativa não é a de que o Fed venha a elevar a sua taxa básica no horizonte principal das projeções de mercado. A visão de muitos é que o Brasil errou a mão na política econômica, com excesso de estímulo fiscal durante a pandemia e depois, e criou para si mesmo um novo soluço inflacionário, a ser combatido com mais um ciclo de alta da taxa de juros.


Mas o economista Samuel Pessôa (Julius Baer Family Office e IBRE-FGV) vê como provável que a nova guinada de política monetária no Brasil a partir de setembro possa, sim, ser de novo um movimento que antecipa o que pode ocorrer em outras partes do mundo. Uma ressalva importante é que Pessôa não considera que o Fed vá elevar as taxas de juros, mas sim que o ciclo de queda atual possa ser menor do que se supõe, com uma taxa terminal ainda bastante elevada para os padrões recentes (antes da alta inicial para combater a inflação da pandemia).


No Brasil, diz o economista, um erro de avaliação fundamental foi sobre a temperatura da economia em 2024. Em dezembro de 2023, Pessôa previu que a economia ia crescer 1,5% este ano, e que a inflação seria de 4%. Hoje, ele diz, caminha-se para crescimento de 3,5% e a inflação deve ficar por volta de 5%. O aquecimento do mercado de trabalho também surpreendeu, com a taxa de desemprego caindo para pouco mais de 6%, possivelmente um recorde de baixa desde pelo menos 2000.


Pessôa traça um paralelo com os Estados Unidos, onde também a atividade econômica vem surpreendendo constantemente, com previsão de crescimento anualizado no último trimestre de 3%, e uma expansão do PIB no ano ligeiramente abaixo desse nível. A surpresa de crescimento nos Estados Unidos, em relação às previsões um ano antes, está em torno de 1,2 ponto porcentual (pp), enquanto a do Brasil é de aproximadamente 2pp, nota o economista. Já a inflação americana também está um pouco mais elevada que as projeções, mas o destaque são indicadores como serviços, cujo “supernúcleo”, que exclui aluguéis, tem flutuado em torno de 4,4%.


Recentemente, empurrado por declarações de Jerome Powell, chairman do Fed, e de outros diretores, o mercado reprecificou o ciclo de queda à frente, no sentido de reduzi-lo.


“A impressão é de que os Fed Funds [hoje na faixa 4,25-4,50%] vão ser cortados mais uma ou duas vezes, talvez nem duas, e acho que tem chance de a taxa básica se estabilizar por um ou dois anos em torno de 4%”, diz Pessôa.


O economista também vê possibilidade de surpresas em termos de encurtamento do ciclo de afrouxamento monetário na Europa, em que as taxas de desemprego estão em níveis históricos de baixa. Já o baixo nível de utilização da capacidade na indústria na Europa, que muitos interpretam como ociosidade conjuntural, corresponde, na visão do analista da JBFO e do IBRE, a uma mudança estrutural, ligada à desindustrialização na esteira da competição com a China. Pessôa acrescenta que a inflação de serviços na Europa também se estabilizou em nível muito acima da meta de inflação de 2%.


“Considero que podemos ter taxas terminais desse ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos e na Europa bem mais baixas do que se supunha, mas essa percepção deve ficar clara dentro de uns seis meses, no caso americano, e dentro de um ano, no caso europeu”, prevê o economista.


Se isso for verdade, ele diz, é mais uma má notícia para o Brasil, porque o juro alto no resto do mundo pressiona os juros domésticos ainda mais para cima.


Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras.


O colunista entra de folga de final de ano e volta a escrever neste espaço em 3 de janeiro de 2025.


Broadcast+

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Neofeed

 Fundos multimercados batem recordes de resgastes e seguem, em sua maioria, com rentabilidade abaixo do CDI, deixando à mostra a crise existencial desse setor nos últimos anos. O que esperar de 2025?


Leia mais: https://lnkd.in/dqt4WpiA

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...