sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

OESP 0612

 Estadão: Candidaturas do País a sede do Pan de 2031 criam embate no COB


São Paulo, 05/12/2024 - A Assembleia Geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai decidir após a segunda quinzena de janeiro a candidatura brasileira a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2031. E vai ter saia-justa. São Paulo já havia se lançado, mas agora tem a concorrência de Rio e Niterói, que oficializaram a intenção nesta semana. As cidades fluminenses contam com um aparato recente, que serviu ao Pan de 2007 e à Olimpíada de 2016. Sete anos antes dos Jogos começarem, a competição entre Rio e São Paulo já começou.


A Panam Sports, entidade principal do esporte nas Américas, estabelece o prazo de 31 de janeiro para a oficialização da candidatura brasileira. Cada país pode apresentar apenas uma candidata. O resultado será divulgado na Assembleia Geral da Panam Sports, durante a realização dos Jogos Pan-Americanos Júnior, em Assunção, no Paraguai, no mês de agosto.


A candidatura é lançada em conjunto com o compromisso assumido por governos federal, estadual e municipal em cumprir todos os requisitos necessários para a realização da competição. A intenção de São Paulo foi oficializada em outubro de 2023, quando a última edição do Pan ainda ocorria em Santiago, no Chile. A Prefeitura reiterou seu objetivo em uma carta durante os Jogos Olímpicos de Paris-2024.


Além da disposição para atender os requisitos exigidos, o município argumenta que já recebeu grandes eventos esportivos, como a abertura da Copa do Mundo de 2014, possui estrutura para sediar o Pan e que contará com modernização para atender toda a população paulista e turistas que acompanharão os Jogos.


Uma força-tarefa foi montada no governo municipal, com participação de representantes de cinco secretarias, além da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam) e a São Paulo Turism (SPTuris).


A coordenação é da Secretaria Municipal de Relações Internacionais (SMRI), que era comandada por Marta Suplicy, no lançamento da candidatura. Porém, ela deixou o governo para disputar a eleição deste ano à Prefeitura como vice de Guilherme Boulos. Ricardo Gomyde assumiu o cargo, com a missão de conduzir os trabalhos para conquistar o Pan.


POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA. No mês de setembro, o presidente do COB, Paulo Wanderley, comentou a até então única candidatura, no COB Expo. “Tenho muita confiança nessa candidatura, por tudo que São Paulo é e por tudo que será no futuro. Os Jogos Pan-Americanos são um evento de excelência e tenho a segurança de que, se aprovado, e vai ser, teremos um evento de da mais alta qualidade por aqui”, declarou.


Mas o mandatário também elogiou as cidades fluminenses, após a oficialização da intenção de sediar os Jogos, na terça-feira. “A candidatura compartilhada é uma tendência do Comitê Olímpico Internacional. É um evento poliesportivo. São mais de 30 campeonatos pan-americanos em uma semana, de todas as modalidades”, disse, em evento no Parque Aquático Maria Lenk, um dos legados do Pan de 2007, que está sob concessão do COB até 2028. O local abriga o principal centro de treinamento de alto rendimento do País.


Enquanto São Paulo mantém o desejo de ser sede, Rio e Niterói se lançam já dispostas a exibir sua competitividade. O principal ponto em que apegam é a estrutura existente por causa do Pan de 2007 e dos Jogos Olímpicos nove anos depois.


“Temos uma vantagem comparativa, que é a de não haver a necessidade de grandes investimentos. Os equipamentos esportivos estão prontos, bem cuidados, funcionais e tenho a certeza de que vamos apresentar uma candidatura com muito legado para as cidades, com muito ganho para a população e, acima de tudo, uma candidatura vencedora”, argumentou o prefeito carioca Eduardo Paes.


A decisão da Assembleia será tomada depois de o novo presidente do COB, Marco La Porta, assumir. Apesar de ele representar oposição a Paulo Wanderley, o clima entre os dois é de cooperação para a transição.


Contribui para uma decisão independente da gestão a heterogeneidade da Assembleia. São 34 presidentes das Confederações Olímpicas de Verão e Inverno filiadas ao COB, dois membros brasileiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) e 19 representantes da Comissão de Atletas (CACOB).


Antes do Pan do Rio, o Brasil havia sediado a competição em 1963, justamente em São Paulo. O País participou de todas as edições dos Jogos Pan-Americanos e teve o seu melhor desempenho em 2019, em Lima, quando terminou na segunda colocação. (Leonardo Catto)


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News 0612

 NEWS - 06.12 >> Valor


Governo fará campanha para divulgar isenção do IR / Gestão Lula tenta reverter imagem de que não tem “marca”- Valor 6/12


Fabio Murakawa


O Palácio do Planalto prepara uma campanha publicitária para defender a reforma na tributação de rendimentos anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que prevê a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil com tributação mínima de 10% para quem recebe mais de R$ 50 mil.


A ideia de fazer a campanha, segundo o Valor apurou, tem origem em pesquisas internas do governo que apontam que a proposta tem alto respaldo até mesmo entre quem classifica a gestão como regular ou ruim e péssimo. Também surge da percepção, inclusive entre aliados, que o Lula 3 é um governo “sem marca” e em meio a críticas de petistas de que o governo está comunicando mal suas ações.


Sob pretexto de defender as medidas, as peças miram associar de maneira mais forte as medidas à gestão Lula, na tentativa de conquistar sobretudo simpatizantes entre a população que recebe entre dois e cinco salários mínimos.


Essa é uma faixa que resiste ao governo petista e é vista como fundamental para que o presidente se reeleja em 2026 sem grandes solavancos. É justamente nesse segmento da população que as pesquisas encomendadas pelo Planalto detectaram a maior aprovação à isenção do Imposto de Renda e à tributação dos que recebem mais.


A ideia é colocar a campanha em TVs, rádios e redes sociais tão logo esteja concluída a votação do pacote de cortes de gastos no Congresso, ainda em dezembro.


O anúncio da isenção do Imposto de Renda foi feito na semana passada de maneira conjunta com o plano de contenção de despesas. O movimento do governo surpreendeu a classe política em Brasília, foi visto com desconfiança pelo mercado e levou à disparada do dólar, que pela primeira vez na história rompeu a barreira dos R$ 6.


A avaliação de analistas é que a medida vai na contramão do ajuste nas contas, já que representa renúncia de receitas. A equipe econômica promete que a reforma será neutra do ponto de vista fiscal e propõe compensar as perdas com aumento da tributação sobre os mais ricos.


Na sexta-feira passada, após a moeda americana disparar, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a proposta do governo “não é pauta para agora” e que só será levada adiante "se houver condições fiscais" para tal.


“A questão de isenção de IR [Imposto de Renda], embora seja um desejo de todos, não é pauta para agora e só poderá acontecer se, e somente se, tivermos condições fiscais para isso. Se não tivermos, não vai acontecer. Mas esta é uma discussão para a frente, que vai depender muito da capacidade do Brasil de crescer e gerar riqueza, sem aumento de impostos”, afirmou Pacheco, na ocasião.


Em meio às resistências em relação à medida, o governo adotou a estratégia de enviar ao Congresso primeiro o pacote de corte de gastos, na esperança de vê-lo aprovado ainda neste ano.


O pacote de contenção de despesas inclui, entre outros pontos, novas regras para o salário mínimo, abono salarial e despesas com militares. A expectativa da equipe econômica é que as alterações garantam uma economia de R$ 71,9 bilhões nos próximos dois anos, valor que chegaria a R$ 327 bilhões no período de 2025 a 2030.


Na campanha publicitária, o Planalto também deve incluir peças para enfatizar a defesa da escola em tempo integral. A proposta encontra grande respaldo entre o eleitorado crítico ao governo, como o público evangélico. Portanto, faz parte da estratégia de ampliar o grupo de apoiadores da gestão petista.


O governo já vinha detectando essa tendência há meses. Não por acaso, a proposta de emenda à Constituição (PEC) do corte de gastos, encaminhada ao Congresso na segunda-feira, possibilita em um de seus artigos até 20% dos recursos da União no Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) sejam usados por Estados e municípios para o programa Escola em Tempo Integral.


Segundo o governo, 1 milhão de vagas nesse tipo de escola foram criadas em 2024. O dispositivo visa acelerar a abertura de novas vagas. E a campanha, por sua vez, tentará reforçar que essa é uma marca do governo Lula.


A percepção no Planalto é que, quando o governo tem mais nitidez programática das suas próprias ações, consegue angariar apoio além da própria base política. E que pautas como combate a privilégios e à desigualdade encontram respaldo entre a população.


No caso da isenção do imposto de renda, a medida tem apoio até mesmo entre quem classifica o governo como ruim e péssimo. Esse segmento rechaça a tributação dos mais ricos, segundo captaram as pesquisas encomendadas pelo Planalto. Mas o governo mira os que o classificam como regular.


Com o país polarizado, a popularidade de Lula segue estagnada, de acordo com as pesquisas. O último Datafolha, divulgado em outubro, aponta que 36% dos brasileiros aprovam a gestão do presidente (ótimo/bom), ante 32% que o desaprovam (ruim/péssimo) e 29% que consideram o governo regular.


 


Centrão cobra de Lula fim do ‘governo de amigos’ / Em fevereiro, presidente terá de recompor o ministério para formar um time totalmente alinhado ao seu projeto de reeleição- Valor 6/12


Andrea Jubé


O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Hermes Lima, morto em 1978, e citado nesta coluna na semana passada, dizia que política “é uma atividade para pecador, e pecar é uma das atividades mais fascinantes, contraditórias e perturbadoras que o ser humano pode exercer”.


Aposentado compulsoriamente pela ditadura militar em 1968, pelo AI-5, Lima transitou antes pela política. Foi deputado federal, ministro do Trabalho e chanceler do governo João Goulart. Em uma entrevista de 1977, declarou que o cargo de ministro foi “extraordinário”, mas não tinha a “excitação e os imprevistos” que a vida de deputado proporcionava.


Em observação mais recente, a propósito do impeachment da presidente Dilma Rousseff, um senador - que vem a ser um dos oráculos do Congresso - disse à titular desta coluna, em confidência, que o problema da petista foi não pecar. “O erro da Dilma foi querer rezar terço em casa de meretrício”, traduziu.


Na vida, pecamos por excesso, omissão, e segundo a doutrina católica, pela gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça ou soberba. Na política, até mesmo o líder mais experiente, da estatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pecará se não honrar a palavra acordada ou por omissão, se perder o “timing” de um movimento estratégico, como a dança das cadeiras no primeiro escalão.


Pois Lula, em plena metade de seu terceiro mandato, acha-se sob pressão de lideranças do Centrão, esse grupo de partidos hegemônicos no Parlamento, para encerrar o ciclo do que vêm chamando de “governo de amigos”, e fazer um freio de arrumação voltado aos últimos dois anos de gestão e à largada na campanha à reeleição.


Desde o primeiro ano, Lula tem sido criticado pelos aliados do Centrão por se fechar em copas com petistas no Palácio do Planalto. E nem sempre foi esse o modelo. Nos governos Lula 1 e 2, ministros de outros partidos tinham assento no palácio. José Múcio Monteiro (hoje titular da Defesa) e Walfrido dos Mares Guia, ambos do PTB na ocasião, alternaram-se no Ministério da coordenação política, bem como Aldo Rebelo, então no PCdoB.


Mas a opção de Lula, segundo auxiliares de seu entorno mais próximo, tem uma explicação cristalina como a água. O presidente ainda guarda frescos em sua memória os 580 dias em que esteve preso nas instalações da Polícia Federal em Curitiba, e tem anotados no caderninho os nomes dos aliados que jamais saíram de seu lado, bem como os daqueles que se afastaram nos tempos das vacas magras.


Por esse critério, quem ocupa cadeiras no Planalto são alguns dos aliados que demonstraram fidelidade canina a Lula nos piores momentos, e se engajaram no “Lula, livre”. Lá estão Rui Costa (Casa Civil), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Paulo Pimenta (Comunicação Social) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral). Fernando Haddad foi cotado para a Casa Civil, mas escolheu a Fazenda.


Porém, com o tensionamento da conjuntura política, em que o governo precisa que os partidos de Centro aprovem, a toque de caixa, as medidas de contenção de gastos - num cenário de aceleração da inflação e escalada do dólar - aumentou a pressão sobre Lula para que ele faça a reforma ministerial. E na esteira das mudanças, nomeie um quadro do Centrão para uma cadeira no Planalto.


Até auxiliares petistas admitem que, em fevereiro, após a posse dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Lula terá de recompor o ministério para formar um time totalmente alinhado ao seu projeto de reeleição, ou de continuidade do PT no governo.


Um ministro não petista observou à coluna que Lula deveria nomear um quadro do Centrão para fazer a interlocução com o Congresso no lugar de Padilha, e repetir um modelo que funcionou no passado. O ideal, diz a fonte, seria um deputado, porque a Casa a ser presidida por Hugo Motta (Republicanos-PB), faz um jogo “mais duro”.


Porém, o que vem circulando na bolsa de apostas é o nome do titular de Minas e Energia e ex-senador, Alexandre Silveira (PSD-MG), para a cadeira de Padilha. A se confirmar a troca na articulação política, as fontes ouvidas pela coluna dizem que Padilha reassumiria as rédeas do Ministério da Saúde. A conferir.


Importante rememorar que Lula não funciona sob pressão. Ao contrário, se lhe apertam de um lado, ele dá meia volta e reage do outro. Basta lembrar que ele foi diuturnamente cobrado a editar medidas de contenção de gastos por mais de dois meses, pelos agentes econômicos. O pacote foi anunciado somente quando Lula autorizou, e com o acréscimo da reforma do Imposto de Renda, o que tumultuou a resposta às medidas.


Lula observará, todavia, que os recados de insatisfação estão saindo aos gritos, até pelo represamento das emendas parlamentares. “Hoje o governo não tem voto nem sequer para aprovar as urgências dos projetos de lei”, avisou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em evento do portal “Jota”. A aflição refletiu-se no placar de votação. O governo aprovou o regime de urgência dos projetos de lei ordinária e de lei complementar referentes ao pacote fiscal no sufoco. O projeto de lei complementar passou com vantagem de apenas 3 votos, e houve 98 votos contrários. No outro PL, foram 156 manifestações contrárias. Lula terá de agir e não pecar por omissão. Depois, não adiantará ajoelhar e rezar.


Andrea Jubé é repórter de Política em Brasília. Escreve às sextas-feiras


 


Acordo entre Eletrobras e União vai mudar conselho / Negociação passa por ampliar o número de vagas no colegiado de 9 para 11, com o governo ficando com três cadeiras- Valor 6/12


Fábio Couto


As negociações arbitrais em curso entre o governo e a Eletrobras abrem espaço para que a União passe a contar com três representantes no conselho de administração da companhia. Hoje, o Estado brasileiro tem um assento e passaria a contar com mais dois no colegiado, apurou o Valor. A mudança, se confirmada, passa por ampliar o número de vagas no conselho da Eletrobras de 9 para 11. Desse total, três ficariam com a União.


Mas um dos temas centrais da arbitragem saiu da pauta da conciliação. Trata-se do aumento do poder de voto do governo na empresa, limitado a 10% das ações. A limitação foi fixada pela lei 14.182/2021, que estabeleceu as diretrizes para a privatização da Eletrobras, como forma de evitar ingerências políticas na empresa. Todo acionista com mais de 10% do capital só pode votar em assembleia até esse limite de ações.


O avanço e o rumo das negociações foram bem recebidos pelo mercado. Ontem, as ações ordinárias da Eletrobras fecharam o pregão na B3 com alta de 4,02%, a R$ 36,46, enquanto as preferenciais encerraram os negócios com alta de 3,44%, a R$ 40,60.


O governo possui cerca de 45% do capital da Eletrobras, mas nas votações é como se tivesse apenas 10%. A medida sempre foi criticada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como a própria desestatização da companhia. As negociações arbitrais fazem parte de decisão do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.385.


Nesta quinta-feira (5), a Eletrobras divulgou fato relevante segundo o qual representantes da empresa, da Advocacia-Geral da União (AGU), da Casa Civil e do Ministério de Minas e Energia (MME), reuniram-se na véspera (4) na Câmara de Mediação e de Conciliação da Administração Federal (CCAF) para buscar um acordo que viabilize maior participação do governo nas decisões da empresa. Procurados, MME e Eletrobras disseram que não iriam comentar o tema.


Em relatórios, o Citi e a Ativa Investimentos disseram que a negociação arbitral parece estar mais próxima do fim do que se esperava. “O que não sabemos, entretanto, é se um acordo será alcançado até 17 de dezembro ou se as negociações precisarão de mais tempo para serem resolvidas”, disse o Citi.


Itaú BBA e Goldman Sachs consideraram positiva a exclusão da proposta de pagamento antecipado pela Eletrobras de cerca de R$ 25 bilhões em recursos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo que subsidia iniciativas no setor elétrico e que tem sido usado para amortizar eventuais impactos nas contas de luz. Para o Itaú BBA, a retirada da CDE da pauta pode abrir espaço para pagamento de dividendos mais altos ou liquidação de dívidas mais caras antes do prazo. O Goldman Sachs avalia que o pagamento antecipado poderia causar “saída significativa de caixa”, elevando a alavancagem.


As discussões também incluem a saída da Eletrobras do capital da Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ). No fato relevante de ontem, a Eletrobras afirma que as negociações tratam da “coordenação de um eventual processo de desinvestimento da Eletrobras (...) por meio da busca de um novo acionista [na Eletronuclear]”. As garantias prestadas pela Eletrobras aos financiamentos contratados pela Eletronuclear seriam mantidas, afirma a empresa. Os financiamentos junto à Caixa e ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somam cerca de R$ 7 bilhões.


Até 2022, a Eletronuclear era controlada pela Eletrobras, mas, com a desestatização da empresa, de energia as usinas nucleares passaram para o controle da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), criada especialmente para esse fim. A Eletrobras manteve participação de 33% na Eletronuclear.


Um dos pontos do acordo passa por aportes da ex-estatal no projeto de Angra 3. A decisão sobre a retomada das obras da usina depende de aprovação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a um custo de R$ 23 bilhões. Um encontro do CNPE que iria deliberar sobre o assunto nesta quarta-feira (4) não foi realizado e a perspectiva agora é que o tema seja tratado em reunião extraordinária, na terça-feira (10).


O Valor apurou que a Eletrobras quer ser desobrigada de aportar cerca de R$ 5 bilhões na retomada de Angra 3. O investimento teria sido acordado no processo de privatização da companhia. Fontes disseram que a empresa chegou a manifestar, em negociações anteriores à arbitragem, o desejo de ter de volta R$ 3 bilhões em aportes de capital feitos na Eletronuclear em 2022. Interlocutores próximos da Eletrobras negaram que o pedido tenha sido feito. O governo, segundo as fontes, não teria concordado com o pedido da Eletrobras, o que não travou o andamento da arbitragem. “A Eletrobras está fazendo de tudo para sair [da Eletronuclear]”, disse uma das fontes. (Colaborou Bianca Ribeiro, de São Paulo)


 


Futuro comando da ANP irá enfrentar novas demandas / Escolhido para o cargo de diretor-geral assume no fim do mês e terá entre as atribuições regulamentar o programa Combustível do Futuro- Valor 6/12


Fábio Couto


A escolha do próximo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), processo em torno ao qual o governo se movimenta, ganha ainda mais relevância diante de novas atribuições que o órgão regulador terá com a implementação do programa Combustível do Futuro, novo marco legal dos biocombustíveis, avaliam especialistas ouvidos pelo Valor.


O tema é considerado essencial no governo, que vê na produção de biocombustíveis um caminho para aumentar a relevância do Brasil na transição energética. O nome mais cotado para conduzir a ANP é o de Pietro Mendes, presidente do conselho de administração da Petrobras, mas correm por fora Allan Kardec Dualibe, presidente da Gasmar, e Daniel Maia, diretor da agência.


A expectativa do governo é que o Combustível do Futuro destrave investimentos que totalizam R$ 260 bilhões em vários segmentos. Os projetos devem evitar a emissão de 705 milhões de toneladas de CO2 até 2037, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME). Diante desse cenário, a ANP enfrenta uma crise financeira sem precedentes enquanto espera a definição dos titulares de duas vagas em aberto, entre as quais a da diretoria-geral.


A ANP terá como principal desafio reforçar estruturas e aumentar receitas para cumprir com obrigações previstas pelo novo marco legal dos combustíveis renováveis. Também caberá à agência regulamentar aspectos determinados em lei. O Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) estabelece a adição obrigatória de percentuais de etanol na gasolina e de biodiesel ao óleo diesel e cria programas para novos combustíveis renováveis, como biometano e diesel verde (ver quadro acima).


A ANP também integra políticas públicas de mobilidade, como a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), o Programa de Mobilidade Verde (Mover) e o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos (Proconve).


A nova lei incumbe à ANP o papel de regular as atividades de produção de combustíveis sintéticos e de captura e armazenamento geológico de carbono (CCUS, na sigla em inglês). Terá ainda que monitorar e fiscalizar o cumprimento dos mandatos para etanol e biodiesel, além de definir percentuais de adição de diesel verde ao óleo diesel, entre outras atribuições.


Fernando Xavier, sócio da área de infraestrutura e energia do Machado Meyer Advogados, destaca três temas que merecem atenção especial nos processos de regulamentação pela ANP: os combustíveis sintéticos, o CCUS, e o biometano. No caso dos combustíveis sintéticos, Xavier diz que bastaria à ANP revisitar norma editada em 2016 sobre o tema para a construção de um novo mercado, sem a necessidade de edição de uma resolução específica. Quanto ao CCUS, o especialista ressalta a familiaridade da ANP com o tema, ao passo que no biometano, a agência precisará definir uma metodologia adequada para o cálculo e verificação da redução de emissões de gases de efeito estufa.


Paula Susanna Amaral Mello, sócia da área ambiental do Pinheiro Neto, diz que a agência tem profissionais qualificados e a perspectiva é que seja realizado um trabalho de regulamentação de qualidade. “É uma agência que não pode ficar parada porque tem assuntos relevantes para a pauta nacional e para a projeção internacional do país.”. O cenário é desafiador, acrescenta o sócio da área de petróleo e gás do Pinheiro Neto Advogados Raphael Moraes Paciello diante da necessidade de aumento de equipe para atender às novas demandas regulatórias na velocidade esperada pelo mercado.


A desestruturação das agências reguladoras ocorreu gradativamente ao longo dos anos e esse aumento de atribuições vai exigir reforço financeiro e de pessoal, dizem fontes. Um entrave é a busca do governo por corte de gastos.


Rodolfo Saboia, diretor-geral da ANP e que deixa a autarquia no dia 22 de dezembro com o fim do mandato, disse que as atribuições atuais da agência já demandavam esforços elevados, o que se agrava com as novas demandas estabelecidas pelo Combustível do Futuro. Para ele, não basta apenas incluir novas funções no escopo da agência e esperar que “por pensamento mágico” toda a regulação fique pronta. O orçamento da ANP em 2013 era de R$ 397 milhões, enquanto em 2024 é de R$ 134,6 milhões, corte de 66% no período ante inflação acumulada de 86% no período. Além disso, a ANP tem déficit de 130 funcionários efetivos. O último concurso público da agência foi realizado em 2015, para profissionais de nível técnico.


“O desafio será imenso. Convivemos com grandes dificuldades por conta de nossa agenda regulatória, antes das novas atribuições. Vejo com preocupação incluir temas importantes como a transição energética num cenário de grandes restrições”, disse Saboia.


Governo amplia benefício de depreciação, mas valor para 2025 deve permanecer igual / Manutenção do R$ 1,7 bilhão disponível reduz total que cada segmento poderá utilizar- Valor 6/12


Estevão Taiar / Lu Aiko Otta


O governo federal deve ampliar o número de setores da indústria que terão direito ao instrumento de depreciação acelerada no ano que vem, apurou o Valor. Já o montante de R$ 1,7 bilhão disponível do benefício para 2025 pode continuar o mesmo. Nesse caso, um número maior de setores teria direito à quantia, diminuindo o total disponível para cada um.


Lançada neste ano pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a depreciação superacelerada é um incentivo fiscal que permite a indústrias deduzir mais rapidamente, da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), investimentos realizados em máquinas e equipamentos. A dedução pode ser realizada em até dois anos, em vez e ocorrer ao longo da vida útil do ativo. A medida tem impacto no fluxo de caixa das empresas.


O programa prevê R$ 3,4 bilhões de incentivos divididos igualmente entre 2024 e 2025. Neste ano, o R$ 1,7 bilhão vem sendo dividido por 23 setores, sendo que nenhum deles pode receber mais do que R$ 204 milhões. Para o ano que vem, a ideia é que pelo menos outros três setores façam parte do programa: fertilizantes; veículos automotores, reboques e carrocerias que não façam parte do Mobilidade Verde e Inovação (Mover); transportes terrestres. A tendência é que o decreto ampliando o número de setores seja publicado ainda neste ano, com vigência para 2025.


Além da expansão dos setores, o governo ainda tenta aumentar o volume de recursos para o ano que vem. O aumento depende, no entanto, de o governo encontrar uma forma de compensar em termos fiscais o benefício, a fim de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Uma possibilidade é a implantação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Verde, que faz parte do Mover e cujo decreto é aguardado desde meados deste ano pelo setor automotivo. A regulamentação desse tributo, porém, ainda está em discussão no Ministério da Fazenda. A ideia é harmonizar sua aplicação com o Imposto Seletivo, criado na reforma tributária, cujas regras ainda estão em discussão no Congresso Nacional.


Em mais de uma ocasião, o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, afirmou que a depreciação superacelerada é o instrumento mais importante da Nova Indústria Brasil (NIB) - conjunto de propostas apresentadas no início do ano pelo governo federal para o setor fabril.


O Mdic calcula que a depreciação superacelerada diminui, em média, em 4,5% os custos de desembolsos realizados por empresas em máquinas e equipamentos, o que aumentaria a produtividade da economia como um todo. Já o Bradesco BBI, em estudo divulgado no começo do ano, calcula que os R$ 3,4 bilhões em incentivos poderão aumentar os investimentos da indústria em R$ 20 bilhões além do que já era previsto.


 


 


 


Bancos vão ao STF para questionar competência da Previdência em definir teto de juros do consignado / Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a ABBC argumenta que a fixação de limites às taxas de juros é uma prerrogativa do Conselho Monetário Nacional (CMN)- Valor 6/12


Mariana Ribeiro


A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a competência do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), vinculados ao Ministério da Previdência, para fixar o teto de juros praticados nas operações de crédito consignado do INSS.


Para a associação representativa de bancos, “essa interpretação é equivocada e inconstitucional”, pois arroga para as entidades uma responsabilidade típica de órgãos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), a ABBC argumenta que a fixação de limites às taxas de juros é uma prerrogativa do Conselho Monetário Nacional (CMN).


A contestação vem em um momento em que diversos bancos estão deixando de operar com crédito consignado do INSS devido ao atual patamar do teto de juros da modalidade. Desde junho, o limite está em 1,66% ao mês para operações com desconto em folha. Uma nova reunião do CNPS está marcada para acontecer em 10 de dezembro.


A ABBC diz que, até maio de 2006, não havia um teto para o consignado INSS, e que, desde então, o instituto vem atribuindo a si próprio, de forma indevida, essa tarefa.


“O INSS, nos sucessivos atos normativos que fixaram limites aos juros do consignado, faz remissão ao art. 6º, VI, da Lei 10.820/03, que, apesar de garantir ao órgão a competência e a legitimidade para disciplinar regras gerais de operação dos descontos nos benefícios dos aposentados, não lhe autoriza a determinar limites de juros”, diz a entidade.


A associação afirma ainda que não se opõe à fixação de teto, mas defende que essa responsabilidade seja atribuída ao CMN, “órgão que reúne a necessária competência técnica para avaliar e decidir sobre o assunto”.


Impactos econômicos


De acordo com a ABBC, o atual limite de juros impacta a viabilidade da linha de crédito. A entidade mostra que, em 2024, houve forte elevação do DI de 2 anos, custo base de captação para os associados da entidade que operam o crédito consignado INSS, saindo de 9,6% ao ano em janeiro para 14% ao ano em novembro. O teto, no entanto, passou por seguidas quedas.


“Apesar dos reiterados apontamentos da ABBC em grupos de trabalho e reuniões do CNPS, verificamos forte resistência do conselho em rever a atual metodologia, que indevidamente utiliza a variação da Selic como base para a revisão do teto de juros, indicador que, conforme demonstrado, não reflete as variações do custo de captação de longo prazo”, afirma a entidade.


A ABBC acrescenta que, quando há redução da Selic, o CNPS “rapidamente diminui o teto dos juros”, mas, quando há aumento, “não ocorre o correspondente e indispensável aumento do teto”.


De acordo com dados da entidade, em março do ano passado, quando diversos bancos suspenderam a oferta da modalidade, o spread das operações estava em 0,73% e, atualmente, está em 0,61%.


Crédito privado avança e amplia peso do mercado de capitais no financiamento à infraestrutura / De janeiro a setembro, o BNDES desembolsou R$ 30,7 bi; debêntures incentivadas somaram R$ 96,1 bi- Valor 6/12


Liane Thedim


O crescimento expressivo do crédito privado neste ano aumentou o peso do mercado de capitais no financiamento à infraestrutura. De janeiro a setembro, o BNDES desembolsou R$ 30,7 bilhões em empréstimos ao setor, enquanto as emissões de debêntures incentivadas, que têm isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, alcançaram valor 213% maior, de R$ 96,1 bilhões, um recorde histórico e 41,7% superior ao registrado em todo o ano passado.


Estudo da Vinci Partners mostra que, de 2019 a 2023, o banco financiou mais do que o mercado de capitais em 2020 e 2022. Nos anos em que as captações via debêntures ficaram acima dos desembolsos do BNDES, a diferença máxima havia sido de 77%. “O Brasil ganhou três BNDES neste ano”, compara Aymar Almeida, sócio e gestor dos fundos de infraestrutura da Kinea Investimentos.


Luciana Aparecida da Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do BNDES, diz que a instituição participou, entre janeiro e outubro, de ofertas de debêntures incentivadas no valor de R$ 15 bilhões, subscrevendo R$ 11 bilhões desse total. “Houve operações em que demos garantia firme, mas a demanda foi tanta que acabamos ficando de fora, o que não é ruim, porque o BNDES pode alocar em outra operação que não atrairia demanda de mercado.”


Dados do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb-Fipe) mostram que o BNDES respondia por 17,5% da dívida financeira total das empresas do país em 2016, fatia que neste ano caiu para 6,6%. “Lá atrás o BNDES era competidor do mercado de capitais e hoje é um atestado de qualidade, ou seja, uma mudança para melhor que veio para ficar”, avalia Carlos Antonio Rocca, coordenador da instituição. Segundo ele, o país caminha para uma melhor composição do sistema financeiro, com crédito bancário focado em prazos curtos, mercado de capitais, no médio e longo, e bancos de desenvolvimento, em médio e longo prazos para pequenas e médias empresas e projetos que não se traduzam em rentabilidade privada, assim como inovação.

Brasília em off

 Brasília em Off: A melhor estratégia monetária para Lula- Bloomberg 6/12


Por Martha Beck


(Bloomberg) -- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de integrantes do governo antes do anúncio do plano de corte de gastos que os juros teriam que continuar subindo no Brasil. Também ouviu que é importante que o ciclo de alta possa desacelerar no final no primeiro semestre de 2025 de forma que o Banco Central tenha condições de iniciar 2026, ano de eleição presidencial, reduzindo a Selic.


A avaliação desses integrantes é que o melhor cenário seria o BC fazer uma alta forte logo na próxima reunião do Copom, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.


Câmbio


A ala política do PT segue pressionando e pedindo uma intervenção para segurar a alta do dólar, que opera na casa de R$ 6 e pressiona a inflação. Isso tem deixado as atenções redobradas para as falas do Banco Central sobre política cambial. 


Até agora, o BC tem feito esforço para deixar claro que quem decide não quer ouvir falar nisso. O diretor de Política Monetária e futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, por exemplo, disse em evento no início da semana que o câmbio flutuante é um pilar da matriz econômica brasileira e que qualquer discussão sobre controle do câmbio deve passar longe da cadeira de quem comanda sua diretoria.


Operação pacote


O governo teve que montar uma verdadeira operação de guerra para preparar o pronunciamento feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para anunciar o plano de corte de gastos. Lula informou na noite de segunda-feira (25) que Haddad faria o anúncio já incluindo nele a promessa de campanha de isentar de Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5.000.


No dia seguinte, às 8:00 da manhã, a equipe presidencial que atuaria na gravação entrou pela garagem do prédio para não chamar a atenção dos jornalistas que ficam de plantão na porta. Para evitar as lentes dos fotógrafos, o gabinete de Haddad, que fica virado para a frente do Ministério, não serviu de locação. A gravação ocorreu na sala do Conselho Monetário Nacional (CMN).


O texto começou a ser escrito pelo publicitário Otávio Antunes, marqueteiro de Haddad, pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, e assessores do ministro. O grupo já estava com o trabalho encaminhado quando recebeu do gabinete do presidente sugestões no texto e o slogan “Brasil forte e justo”. Procurada, a Fazenda não comentou.


--Com a colaboração de Daniel Carvalho.

Matinal ConfianceTec 0612

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

06/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (05)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quinta-feira (05) em alta de 1,40%, a 127.858 pontos. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,60%, a R$ 6,011.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40)


Fechando a semana com os índices futuros de NY próximos da estabilidade, enquanto se aguarda o payroll.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40):


EUA: 🇺🇸


Dow Jones Futuro, -0,04%

S&P 500 Futuro, -0,04%

Nasdaq Futuro, +0,03%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +1,05%

Nikkei (Japão🇯🇵), -0,77%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,56%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷): -0,56%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,64%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,04%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,08%

CAC 40 (França🇫🇷), +0,27%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,26%

STOXX 600, -0,01%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,03%, a US$ 68,28 o barril

Petróleo Brent, -0,07%, a US$ 72,04 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,93%, a 797,50 iuanes (US$ 109,86).



🌎 NO DIA (0612)


Fechando a semana no aguardo do relatório de emprego dos EUA (payroll), a mostrar recuperação, depois dos eventos imprevistos em outubro, como os furacões e a greve da Boeing. Expectativa é de criação de 200 mil vagas, mas isso não deve afetar as apostas de novo corte de 0,25 pp no Fomc do dia 18 (CME em chance de 70%).


No Brasil, a situação começa a se "aprumar", diante da movimentação do Congresso em agilizar o trâmite das medidas fiscais. Mas parece fato que não há conforto no mercado, se prevendo a taxa Selic acima de 14% ao fim do ciclo. No Copom deste mês deve vir alta de 0,75 pp.


No Uruguai, depois de 25 anos de negociações, a expectativa é de um acordo entre Mercosul e Zona do Euro, na criação de um mercado comum de mais de 700 milhões de pessoas, com um PIB somado de US$ 22,3 trilhões.


Por fim, a Zona do Euro veio com PIB crescendo 0,4% no 3ºTri contra o segundo; na comparação anual, alta foi de 0,9% também em consenso.


AGENDA 06/12:


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: Produção industrial - out

07h00. Zona do euro/Eurostat: PIB do 3º tri (preliminar)

08h00. Brasil/FGV: IGP-DI de novembro  

09h00. Brasil/BC: Captação da poupança - novembro

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Payroll de novembro

12h00. EUA/Univ. Michigan: Sentimento do consumidor - dez

15h00. EUA/Baker Hugues: Poços de petróleo em operação

17h00. EUA/Fed: Crédito ao consumidor em outubro


Eventos:

11h15. EUA/Fed: Michelle Bowman discursa

12h30. EUA: Austan Goolsbee (Fed de Chicago) discursa

14h00. EUA: Beth Hammack (Fed de Cleveland) discursa

15h00. EUA: Mary Daly (Fed de San Francisco) discursa

65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira e bons negócios!

BDM Matinal Riscala 0612

 *PAYROLL DEVE CONFIRMAR CORTE DE JURO NOS EUA*

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato**

Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2024.


… O relatório de emprego dos EUA deve mostrar recuperação hoje (10h30), após os resultados fora da curva em outubro, comprometidos pelos furacões e a greve da Boeing. Mas um payroll com a criação de 200 mil vagas (mediana das estimativas) não afetará as apostas de novo corte de 25pb do juro americano no dia 18, projetadas em 70% no CME FedWatch – o que tem ajudado a manter o dólar mais fraco. A acomodação no exterior abriu espaço para uma recuperação do câmbio aqui, junto com a movimentação no Congresso para dar celeridade à votação das medidas fiscais. Pior que o pacote, é o pacote não ser aprovado. Mas tanto é verdade que não há tranquilidade, que a percepção de risco permanece elevada, enquanto uma onda de revisões em alta para a Selic antecede o Copom do dia 11.


… A expectativa de um juro de 15% já não é mais apenas um exagero da curva do DI, mas passou a ser a projeção de grandes instituições, como do Itaú Asset. Foi um susto, que apagou a tentativa dos contratos futuros de devolver um pouco dos prêmios.


… O economista-chefe da Itaú Asset, Thomas Wu, acha que a Selic subirá até 15% e que a inflação alcançará 6% em 2025.


… O Deutsche Bank projeta agora que o Copom elevará a dose de aperto para 100pb na próxima reunião, podendo manter esse ritmo no caso de o real continuar desvalorizado. O banco estima a Selic em 14,50% no fim do ciclo.


… Outra instituição que revisou sua estimativa nesta 5ªF foi o C6 Bank, elevando a previsão da Selic terminal de 12,50% para 13,75%.


… Imagine como vem o boletim Focus de 2ªF.


… Pesquisa do Broadcast com 65 casas consultadas apurou que 14 já preveem uma alta de 100pbs da Selic na próxima semana, enquanto a maioria (48) espera um ajuste do pace de 50pbs para 75pbs. Apenas três acreditam em alta de meio ponto.


… A estimativa intermediária para a Selic no final de 2025 segue em 13,25%. Para o fim deste ano, variam de 11,5% a 14,5%. Já a mediana para o 2Tri/2026, horizonte relevante da política monetária, segue em 12%, entre 10% e 14,5%.


… Segundo os economistas, a frustração com o pacote fiscal, que levou o dólar ao patamar dos R$ 6, e a resiliência na desancoragem das expectativas de inflação consolidaram a perspectiva de uma elevação no juro mais agressiva por parte do BC.


… Além do Deutsche, também esperam uma alta de 100pbs no Copom da semana que vem o JP Morgan, Montebravo e XP, entre outros.


… A XP Investimentos ainda estima mais um aumento de 100pbs em janeiro, seguido por duas altas de 50pbs em março e maio, levando a Selic para 14,25%. A corretora revisou as estimativas para o IPCA/2025 de 4,7% para 5,2%.


… O economista-chefe, Caio Megale, cita como fatores de pressão a demanda forte, expectativas de inflação e a depreciação do câmbio.


… Nesta 5ªF, depois de uma semana alçado à faixa dos R$ 6, o dólar furou a marca, mas o alívio não durou até o fechamento (abaixo).


RISCO DE DESIDRATAÇÃO – Em meio a cobranças do mercado por um corte de gastos estrutural, que possa garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal, deputados dizem que um endurecimento das propostas não virá do Congresso.


… O governo enviou três propostas do pacote fiscal à Câmara. Dois projetos já tiveram a urgência aprovada, que tratam dos novos gatilhos do arcabouço, ganho do salário mínimo e revisão em programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).


… Uma das urgências passou com apenas três votos além do necessário, o que mostra indisposição com as medidas e insatisfação com as novas regras para as emendas parlamentares, definidas pelo ministro Flávio Dino, do STF.


… A mudança no BPC está na PEC, junto com os supersalários do funcionalismo público e repasses para o Fundeb, e sofre resistência.


… Apesar de aprovar a urgência, os parlamentares ainda não se comprometeram em aprovar o conteúdo dos projetos, segundo apurou o Estadão. A reportagem afirma que o pacote até pode ser aprovado este ano, mas corre risco de desidratação.


MAIS PAYROLL – O intervalo das apostas para a criação de vagas em novembro vai de 155 mil a 270 mil. Ou seja, mesmo no piso, o dado será muito superior ao de outubro (+12 mil), distorcido pelos furacões e a greve da Boeing.


… A taxa de desemprego tem previsão de alta de 4,1% para 4,2% e o salário médio por hora deve avançar 0,3% na comparação mensal, prometendo ser um componente bastante observado pelos profissionais de mercado.


… Stephen Stanley (Santander) disse que a melhor forma de analisar os dados será comparar a média de dois meses com o mesmo período de 2023.


… Muita gente estará de olho no impacto da alta dos salários sobre a inflação de serviços norte-americana.


… “A inflação de serviços parece estar se estabilizando num ritmo acima do compatível com a meta de inflação (2%) e pode indicar pressões inflacionárias no mercado de trabalho”, disse Dennis DeBusschere (22V) à Bloomberg.


… Para o BofA, o Fed provavelmente verá qualquer fortalecimento no payroll de novembro como “recompensa” pela fraqueza de outubro. Com um dado anulando o outro, o BC americano ainda deve ter espaço para cortar o juro.


MAIS AGENDA – Ao meio-dia, a Universidade de Michigan traz a leitura preliminar do sentimento do consumidor dos EUA (com previsão de alta para 73,3, de 71,8 em novembro) e as expectativas de inflação para 1 e 5 anos. 


… Vários dirigentes do Fed falam nesta 6ªF: Michelle Bowman (11h15), Austan Goolsbee (12h30), Beth Hammack (14h) e Mary Daly (15h). Prossegue no Uruguai a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


AQUI – A inflação do IGP-DI (8h) deve ceder a 1,06% em novembro, de 1,54% em outubro, segundo mediana do Broadcast, diante da descompressão dos preços do minério de ferro. As estimativas vão de 0,95% a 1,40%.


… O BC divulga às 9h o saldo da poupança em novembro. Em outubro, houve retirada líquida de R$ 6,256 bilhões.


O TETO É MAIS EM CIMA? – A espiral de pessimismo do mercado com o cenário fiscal, que já leva, como se viu, até grandes bancos a precificarem o choque de 15% na Selic, dá a medida do perigo e revela que a coisa ficou séria.


… Não tem aposta de graça para o Copom da semana que vem entre as opções futuras na B3, com um racha nas estimativas: 51% de probabilidade de um aperto de 75 pontos e chance não desprezível (40%) de 100 pontos.


… Com os traders e também os departamentos econômicos esticando a corda nas estimativas de Selic terminal, a curva do DI esgotou ontem o alívio inicial com o sinal verde da Câmara para o pacote fiscal tramitar mais rápido.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subia para 14,190% (de 14,090% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,430% (de 14,315%); Jan/29, a 14,145% (de 14,070%); Jan/31, a 13,950% (13,890%); e Jan/33, 13,740% (13,730%).


… O curioso é que, apesar do super conservadorismo incorporado nas projeções do mercado financeiro para a Selic, este movimento não tem contratado, na mesma medida, uma melhora nas estimativas para a taxa de câmbio.


… O Deutsche Bank, por exemplo, espera dólar a R$ 6,10 no fim deste ano, alegando que o governo falhou em apresentar medidas fiscais críveis e que o BC tem sido incapaz de exercer sua capacidade de apreciar o real.


… Por alguns momentos, ontem, a moeda americana chegou a furar os R$ 6, em devolução técnica de ganhos, tendo batido R$ 5,9608 na mínima. Mas não demorou a desacelerar a queda, para fechar cotado a R$ 6,0097 (-0,63%).


… Em pé de guerra com o mercado (e vice-versa), Lula disse que “algumas pessoas alardearam na imprensa que o Brasil cresceria mais que 1,5%, mas para nossa sorte, a economia crescerá neste ano 3,5% e pode chegar a 4%”.


RISCO CALCULADO – Esnobando a cautela da curva do DI com as apostas para lá de conservadoras para a Selic, o Ibovespa e as ações mais sensíveis ao ciclo econômico julgaram que valeria a pena testar uma onda de fôlego.


… Descontando os riscos, quase 90% da carteira de ações da bolsa resolveu subir, incluindo as duas principais blue chips das commodities, com Vale e Petrobras ignorando a queda das cotações do minério de ferro e do petróleo.


… Mais do que os demais ativos domésticos, o Ibovespa decidiu apostar as suas fichas na agilidade do Congresso para aprovar o pacote fiscal e emplacou alta de 1,40%, fechando perto dos 128 mil pontos (127.857,58).


… Um rali do Papai Noel, no entanto, parece improvável na avaliação do Santander, tendo em vista os desafios macroeconômicos atuais, como os riscos de não cumprimento da meta fiscal, combinados às incertezas globais.


… Eletrobras ON (+4,02%; R$ 36,46) liderou as altas no Ibov, após a empresa informar que voltou a se reunir com o governo para chegar a um acordo sobre o direito de voto da União. A ação PNB registrou +3,44% (R$ 40,60).


… Bancos também foram bem: Itaú (+2,14%; R$ 33,38), Santander (+1,78%; R$ 25,75), Bradesco ON (+1,53%; R$ 11,29), Bradesco PN (+1,37%; R$ 12,61) e Banco do Brasil ON (+1,23%; R$ 25,48).


… Petrobras ON subiu 1,49% (R$ 43,00) e o papel PN ganhou 0,99% (R$ 39,64), na contramão da queda de 0,30% do barril do Brent/fev, a US$ 72,09.


… A Opep+ confirmou as expectativas e prorrogou a atual redução da produção de petróleo, de 2,2 milhões de barris por dia, até o fim de março de 2025, o que já estava precificado pelo mercado.


… Vale interrompeu dois pregões de cautela em relação às incertezas sobre pagamento de dividendos extraordinários e teve elevação de 0,82% (R$ 57,80), na máxima do dia, contrariando a queda de 1,17% do minério.


… Multiplan (+3,63%, a R$ 23,70) e Iguatemi (+3,54%, a R$ 19,03) também apareceram na lista das maiores altas. Entre as poucas baixas do pregão, CVC afundou 8,98%, a R$ 2,33, em movimento atribuído a realização de lucros.


… Braskem perdeu 1,11% (R$ 15,21), depois que a empresa anunciou mudanças em sua diretoria.


PÉ NO FREIO – Depois de alcançar recordes sucessivos de fechamento, as bolsas de NY deram uma pausa, em modo cautela antes do payroll.


… O Dow Jones recuou 0,55% (44.765,64 pontos). O S&P 500 caiu 0,19% (6.075,10 pontos) e o Nasdaq perdeu 0,18% (19.700,26 pontos).


… UnitedHealth levou um tombo de 5,1% depois do assassinato do CEO da subsidiária UnitedHealthCare e foi a principal fonte de peso no Dow Jones.


…  Na véspera da divulgação do principal dado do mercado de trabalho dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu (a 224 mil) mais que o esperado (214 mil) e o maior número em seis semanas.


… Apesar do aumento, os pedidos de auxílio-desemprego ainda apoiam a visão de que o mercado de trabalho americano permanece em níveis historicamente fortes.


… A expectativa de um payroll forte elevou levemente o juro curto nos EUA, com a note de 2 anos em 4,138%, de 4,129% na sessão anterior.


… Os longos recuaram. O juro da note de 10 anos cedeu a 4,175% (de 4,177%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,331%, de 4,344%.


… Embora analistas não acreditem que o payroll vá mudar a expectativa de corte de 25pb no juro pelo Fed em dezembro, a inflação de médio prazo preocupa.


… Ontem, a Fitch Ratings avaliou que os riscos de inflação nos EUA estão crescendo com o aumento dos gastos do consumidor, a iminente alta de tarifas e restrições à imigração no futuro governo Trump.


… O BofA tem avaliação similar e considera que a note de 10 anos vai oscilar entre 4% e 4,5% em 2025, sem chance para taxas mais baixas.


… No câmbio, o dólar desvalorizou ante seus principais pares depois de dois dias beirando a estabilidade. O índice DXY teve baixa de 0,57%, a 105,714.


… O euro manteve-se firme (+0,65%, a US$ 1,0587), apesar da destituição do primeiro-ministro da França, Michel Barnier. O presidente Emmanuel Macron disse que continua no cargo até o fim do mandato, em 2027.


… Segundo analistas, a ausência de reação da moeda comum mostra que o mercado não se incomodou com a crise política francesa, ao menos até agora.


… Além disso, a inflação de serviços persistente torna mais provável um corte de 25 pb, em vez de 50pb, na próxima reunião do BCE, o que beneficia o euro.


… O iene subiu 0,28%, a 150,108/US$, depois de o dirigente do BoJ, Toyoaki Nakamura, que geralmente tem postura mais dovish, dizer que não é avesso a um aumento dos juros.


… A libra subiu 0,43%, a US$ 1,2759.


EM TEMPO… ASSAÍ fará a 12ª emissão de debêntures no valor de R$ 800 milhões, com prazo de vencimento de cinco anos.


HAPVIDA celebrou um contrato de locação de imóvel para estruturar o Hospital Ibirapuera. O limite máximo de investimento para a aquisição dos terrenos e custeio das obras é R$ 300 milhões.


CEMIG liquidou os títulos de dívida emitidos no mercado externo (Eurobonds), por parte da Cemig GT. O efeito líquido no caixa da companhia será de R$ 1,866 bilhão.


MRV completou revisão estratégica da subsidiária Resia, nos EUA. O atual CEO da Resia, Ernesto Lopes, deixará o cargo no final de 2024…


… Entre as ações previstas para os próximos anos estão a venda de sete projetos e a desmobilização de mais de 60% do landbank, com expectativa de vendas em torno de US$ 800 milhões até o fim de 2026.


LOG COMMERCIAL PROPERTIES aprovou pagamento de dividendos intermediários, com base na reserva de lucros dos nove primeiros meses do ano, no valor bruto de R$ 150 milhões (R$ 1,71 por ação ordinária). Ex no dia 11.


EQUATORIAL concluiu a venda da SPE 7, negócio anunciado em julho. O equity value da Equatorial SPE 7 é de até R$ 840,6 milhões na data-base de 30 de novembro de 2024, corrigido pelo CDI.


INTERCEMENT. Juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da empresa.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Os preços não são medidas de valor

 Os preços não são medidas de valor

Michael Njoku

Com algumas exceções, vários procedimentos epistemológicos na ciência da economia são fortemente influenciados pela força do empirismo ou positivismo lógico. Consequentemente, encontramos cada vez mais a ciência da economia compartimentada em várias escolas metodológicas que, em vários graus, estão interessadas em importar os métodos das ciências naturais em detrimento da tarefa real da economia.

Dentro da economia, existem quadros metodológicos arraigados que favorecem fortemente as medições com o objetivo de fazer as chamadas previsões empíricas "falsificáveis". Esta alteração do positivismo no estudo da ação humana levou a uma tendência generalizada para interpretar erroneamente os preços como medidas de valor, dada a estreita ligação entre os dois. É tarefa deste artigo refutar essa falácia generalizada e restabelecer a clara distinção entre as categorias praxeológicas de "valor" e "preço".

O que torna a medição possível?

A medição pressupõe um padrão imutável sobre o qual se faz o cálculo em relação às entidades em mudança. Nas ciências naturais, existem padrões que são relativamente fixos, e que são subsequentemente empregados como meios de estabelecer magnitudes e vários graus de relações quantitativas entre entidades (por exemplo, espaço, volume, comprimento, largura, tempo, etc.). A condição de fixidez em certos fenómenos naturais torna propício para os físicos e teóricos das várias ciências naturais realizar experiências em escala e fazer previsões testáveis.

No entanto, a situação é diferente no campo da ação humana, objeto das ciências sociais e da economia. Aqui, não estão presentes todas as condições que justificam a medição. Os fenómenos no domínio da ação humana são resultados de uma interação complexa de fatores cujas relações quantitativas específicas não são facilmente acessíveis ao inquiridor. Simplificando, não somos capazes de discernir as relações constantes que tornariam a medição viável no domínio da ação humana. E, mesmo que as relações constantes sejam aparentes sob certas condições, elas são meramente históricas e não teóricas.

Além disso, a ciência da economia não está carente de métodos científicos de medição, mas sim devido à natureza do objeto de seu estudo – a ação humana – é privada de condições sob as quais as técnicas de medição são aplicáveis. Mises observa o seguinte em Human Action:

A impraticabilidade da medição não se deve à falta de métodos técnicos para o estabelecimento da medida. Deve-se à ausência de relações constantes. Se fosse causada apenas por ineficiência técnica, pelo menos uma estimativa aproximada seria possível em alguns casos. A economia não é, como os positivistas ignorantes repetem repetidamente, retrógrada porque não é "quantitativa". Não é quantitativo e não mede porque não há constantes.

O cientista social recorre a outros métodos de estabelecimento do conhecimento para além dos das ciências naturais. Mises, ao destacar os procedimentos epistemológicos das ciências sociais, coloca da  seguinte forma: 

A tarefa das ciências da ação humana é a compreensão do significado e da relevância da ação humana. Aplicam-se para isso dois procedimentos epistemológicos diferentes: conceção e compreensão. A conceção é a ferramenta mental da praxeologia; A compreensão é a ferramenta mental específica da história.

Valor e Preços

O trampolim final do processo de mercado é a avaliação subjetiva do consumidor. Toda ação dentro do contexto do mercado é direcionada para servir à obtenção de fins valorizados – mais particularmente, os mais urgentes nas escalas de valor dos indivíduos.

Ao contrário da errada teoria do valor do trabalho avançada pelos economistas clássicos – que tenta quantificar o valor aludindo à quantidade de trabalho despendido – o valor de um bem não é determinado pela quantidade de trabalho empregado na produção do bem. O valor é antes a estimativa subjetiva da importância que a satisfação de uma necessidade tem para o indivíduo. O valor é uma grandeza qualitativa intensiva, graduada de acordo com uma escala ordinal. Formalmente definido por Carl Menger em seus clássicos Princípios de Economia como "a importância que bens individuais ou quantidades de bens alcançam para nós porque estamos conscientes de ser dependentes do comando deles para a satisfação de nossas necessidades". O valor não está, portanto, aberto às estimativas de um árbitro externo. Isto impede, por conseguinte, qualquer forma de medição objetiva do valor.

Um preço, por outro lado, é um conceito praxeológico derivado da categoria de ação conhecida como troca. Os preços são simplesmente relações de troca – quantidades definidas de uma mercadoria menos valorizada que são abandonadas para obter quantidades definidas de outra mercadoria que é muito mais valorizada.

Com o dinheiro como meio de troca, isso traduz os preços em um número calculável. O homem atuante, tendo tomado conhecimento do papel desempenhado pelos meios de troca na facilitação da satisfação de seus desejos mais urgentes através do comércio, substitui a troca indireta pelo câmbio. Assim, o dinheiro torna-se um meio mais satisfatório para alcançar fins. Os preços monetários são, então, os resultados do aspeto da ação envolvendo um meio de troca comumente usado.

Os preços não são medidas de valor. Esse valor é imputado às unidades de um bem pelo qual são pagos preços não implica que esses preços meçam o valor. A incapacidade de compreender adequadamente essa distinção praxeológica entre as categorias de valor e preços, respectivamente – apesar da estreita ligação entre as duas – levaria à suposição errado de que o valor é medido pelos preços. Os vários preços pagos pelos bens resultam do facto de determinadas quantidades desses bens serem valorizadas em resultado do seu potencial emprego para satisfação das necessidades.

Além disso, os preços têm propriedade informacional na medida em que podem ser usados para capturar ou sinalizar o valor que determinadas quantidades de uma mercadoria possuem para um determinado consumidor – isto é, o grau de importância da satisfação do desejo que depende do emprego do bem – mas não medem esse valor. O facto de os preços sinalizarem valores subjetivos em tempo real de muitos indivíduos não constitui  um valor de medição. A medição é estritamente a determinação de magnitudes em números cardeais. O valor, por outro lado, é classificado e representado em números ordinais.

BTG Pactual 0512

 🌎INTERNACIONAL


Os índices futuros em NY operam de lado, enquanto Bolsas na Europa, principalmente a de Paris, têm viés mais positivo. O dia é de agenda esvaziada de indicadores econômicos, com destaque para os dados de seguro-desemprego nos EUA, que saem hoje, às 10h30, na véspera do payroll. Na França, o parlamento derrubou o primeiro-ministro Michel Barnier. 


O S&P 500 futuro opera estável, o Stoxx Europe sobe 0,3%, o Nikkei fechou em alta de 0,3% e o Shanghai +0,1%. O Bitcoin passou o nível dos US$ 100 mil. 


•  S&P 500 Futuro estável

•  STOXX 600 +0,3%

•  FTSE 100 estável

•  Nikkei 225 +0,3%

•  Shanghai SE Comp. +0,1%

•  MSCI EM estável

•  Dollar Index -0,1%

•  Yield 10 anos +2,7bps a 4,2071%

•  Petróleo WTI +0,3% a US$ 68,77 barril

•  Futuro do minério em Singapura -1,6% a US$ 103,7

•  Bitcoin +4,9% a US$ 102665,19


Com a queda de Barnier, o presidente francês Emmanuel Macron indicará um novo primeiro-ministro, que precisa aprovar o orçamento de 2025. Na Zona do Euro, as vendas no varejo caíram 0,5% em outubro na comparação mensal. 


O petróleo tem leve alta, com o WTI a US$ 68,8 o barril e o brent a US$ 72,4 barril, em dia de reunião da Opep, no qual a expectativa é de novo adiamento de medidas para retomar a oferta de petróleo. O futuro do minério de ferro cai 1,6% em Singapura, a US$ 103,7 a tonelada, com piora das vendas da construtora chinesa Country Garden, o que sinaliza que a continua a crise imobiliária do país. 


O Bitcoin atingiu o patamar dos US$ 100 mil, ainda impulsionado pela expectativa de que o governo de Donald Trump será mais favorável ao mercado de criptoativos. Agora pela manhã, a alta era de 4,9%, a US$ 102,7 mil. Trump nomeou Paul Atkins, um defensor do mercado cripto, para a presidência da SEC, a CVM americana. 


🇧🇷BRASIL


O dia é de agenda mais tranquila de indicadores econômicos, com destaque apenas para a balança comercial de novembro, que será divulgada às 15h e deve mostrar superávit de US$ 7,3 bilhões, segundo projeção do BTG Pactual. O Tesouro faz leilão de LTNs e NTN -Fs. 

  

Em Brasília, a Câmara aprovou os requerimentos de urgência para os dois projetos de lei do ajuste fiscal. Assim, os textos poderão ser votados direto no plenário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ontem que as medidas de ajuste fiscal que ficaram de fora do pacote não estão descartadas.


O presidente Lula participa hoje, às 9h30, de inauguração de fábrica da Suzano e depois embarca para o Uruguai, onde ocorrerá a reunião da cúpula do Mercosul. Há expectativa de que seja anunciada durante a cúpula o acordo do Mercosul com a União Europeia. 


O dólar recuou 0,1% ontem, a R$ 6,048, e o Ibovespa caiu 0,04%, aos 126.087 pontos. 


🏢EMPRESAS


A Petrobras confirmou que o presidente do conselho de administração, Pietro Mendes, foi indicado para a diretoria da ANP, mas que permanecerá no cargo até a eventual nomeação na ANP. A Braskem reestruturou a diretoria, com manutenção de 4 dos 12 executivos atuais. O tribunal de falências nos EUA aprovou compra dos ativos da Avon fora do país pela Natura no processo de recuperação judicial. 


A Suzano pagará R$ 2,5 bilhões em juros sobre capital próprio. A BRF pagará R$ 200 milhões em juros sobre capital próprio (R$ 0,123 por ação). A Fitch rebaixou o rating da Aeris para “BBB(bra)”. A Santos Brasil teve alta de 20,5% na movimentação de contêineres em novembro, em base anual. 



 BTG Pactual

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...