domingo, 1 de fevereiro de 2026

Política externa do PT

 *Leitura de Sábado: governo pede à China medidas compensatórias à salvaguarda à carne bovina*


Por Isadora Duarte


Brasília, 28/01/2026 - O governo brasileiro pediu à China medidas compensatórias para minimizar o impacto decorrente da salvaguarda à carne bovina, relataram fontes ao Broadcast Agro. O pacote de medidas inclui desde reconhecimentos sanitários a aberturas comerciais de mercado e segue o previsto no acordo de salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O pedido caminha em paralelo às demandas inicialmente apresentadas pelo governo às autoridades chinesas relacionadas a ajustes operacionais e flexibilizações na cota alocada ao Brasil.


As medidas compensatórias pleiteadas pelo Brasil são o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após o País ter obtido o status sanitário pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA); o reconhecimento do Brasil como país de risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como "mal da vaca louca"; o aceite da regionalização para gripe aviária; e abertura do mercado chinês para miúdos bovinos, carne bovina com osso, miúdos suínos e miúdos de aves do Brasil - estes não estão contemplados na salvaguarda, e portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira.  As medidas serão avaliadas pelo governo da China. Não há prazo para a resposta pelo lado chinês, ponderam as fontes ouvidas.


O pedido do governo ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano.


O documento com as medidas foi preparado pelo Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério das Relações Exteriores e formalizado hoje. Os pleitos foram citados pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, durante telefonema com o vice-presidente da China, Han Zheng, nesta quarta-feira, apurou a reportagem. Em nota, o Palácio do Planalto informou que a ligação em torno de 30 minutos tinha ocorrido, citou a abordagem do tema da salvaguarda, mas não detalhou os pedidos feitos pelo lado brasileiro.


A intenção do governo é utilizar as medidas compensatórias para aliviar o impacto do que deixará de ser exportado pela indústria de carne bovina, estimado pela indústria em US$ 3 bilhões, considerando as 600 mil toneladas e o valor médio da proteína vermelha pago pela China em 2025. Esse pacote de medidas compensatórias, afirmam fontes, tende a não suprir todo o montante, já que a proteína vermelha comercializada no mercado chinês, geralmente corte do dianteiro, tem maior agregado que miúdos, por exemplo. "O grande desejo era manter a normalidade no mercado, mas são medidas paliativas que podem ser importantes, mas distante do comércio crescente observado até então", observou um executivo da indústria.


A concessão de medidas compensatórias pelo país que aplica salvaguardas está prevista no acordo de salvaguardas balizado pela OMC, que abre precedente para ações em igual valor ao estimado no impacto no comércio. Ainda antes de a salvaguarda ser oficializada pela China, o governo brasileiro havia sinalizado às autoridades chinesas a intenção de avançar em um pacote compensatório, o que enfrentou resistência inicial do lado chinês. Entretanto, após uma reunião das áreas técnicas bilaterais há duas semanas, o governo chinês acenou que estaria aberto a estudar contrapartidas e a receber os pleitos brasileiros, segundo relatos. "Isso mostra que há grande espaço para negociação com temas de comércio relevantes e antigos do Brasil, como as aberturas de mercado para miúdos"


O tema está "na mesa" de discussões, bem como os pedidos específicos direcionados ao cumprimento da cota brasileira. Há duas demandas principais relacionadas à cota: a redistribuição para o Brasil no último trimestre de volumes de cotas que não forem cumpridas pelos demais exportadores e a não contabilização de cargas em alto-mar, em trânsito ou em desembaraço alfandegário no país asiático na cota alocada ao Brasil (estimadas em 250 mil toneladas), além do debate sobre a administração compartilhada da cota entre governo brasileiro e governo chinês. Essas propostas que já haviam sido apresentadas pela área técnica do governo brasileiro às autoridades chinesas foram reforçadas no diálogo de alto nível feito hoje por Alckmin. "Não são questões excludentes. O interesse do País é pelas medidas compensatórias e pelos pontos relacionados à cota. São várias as opções na mesa", afirma uma fonte. Ainda não houve resposta positiva ou negativa da área técnica chinesa sobre os pleitos brasileiros.


A conversa entre Alckmin e o vice-presidente chinês foi considerada "ótima" por interlocutores do Executivo, que ressaltam o bom momento na relação entre os países. Outro tema tratado foi a transparência no cumprimento das cotas com acompanhamento mensal dos volumes, conforme os interlocutores. Embora o telefonema não tenha sido conclusivo, conforme o esperado, a China não sinalizou contrariedade ou negativas aos pleitos apresentados pelo Brasil, o que já foi considerado um "avanço" nos bastidores do governo. A expectativa do governo é de uma resposta pelo lado chinês em breve, com possibilidade de anúncios concretos no primeiro semestre deste ano no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que será no Brasil. Há uma tradição diplomática chinesa em fazer "entregas e anúncios" bilaterais no âmbito da Cosban.


A estratégia do governo brasileiro, dizem as fontes, é manter as conversas bilaterais com a China e a aposta em discussões de "alto nível" e em uma decisão política, como mostrou o Broadcast Agro. Caso as tratativas não prosperem, há possibilidade "em última instância" de envolvimento pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em diálogo direto com o presidente Xi Jinping, como já ocorreu em outros episódios. "As conversas continuam e os níveis hierárquicos vão aumentando, conforme o necessário", disse uma fonte.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Desafios do PT do Nordeste

*Pesquisas e desavenças indicam cenário mais desafiador da Era Lula para o PT no Nordeste*


Por Bianca Gomes, do Estadão


São Paulo, 31/01/2026 - O PT chega a 2026 enfrentando dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um “bastião da esquerda”. Pesquisas recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques seguem marcados por indefinições, disputas internas e negociações abertas.


Em boa parte da região, a estratégia do partido depende do envolvimento direto do presidente Lula (PT), tanto para bater o martelo sobre alianças quanto para servir como cabo eleitoral de candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, caso do Rio Grande do Norte, por exemplo.


Em termos de candidaturas majoritárias aos Executivos estaduais, a esquerda corre o risco de perder uma parcela significativa do poder territorial acumulado nas últimas décadas.


Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, indica que, mantido o cenário apontado pelas sondagens mais recentes, a esquerda pode registrar, em 2026, seu pior desempenho nas eleições para governador no Nordeste desde a chegada de Lula ao Planalto, em 2002.


Siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil, lideram as intenções de voto na maior parte dos Estados - ainda que, em muitos deles, integrem alianças com partidos da esquerda.


Medeiros afirma que, embora a região Nordeste continue sendo estratégica para Lula, já não funciona como um reduto automático.


“O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, diz Medeiros, citando a perda de capilaridade territorial do campo nos últimos pleitos. “Em 2018, partidos do campo progressista governavam estados que concentravam cerca de 90% do eleitorado nordestino. Esse percentual caiu para 74% em 2022 e agora pode recuar para algo próximo de 23%.”


Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, adota um tom menos pessimista. Para ele, embora o PT corra riscos, a força da máquina federal - e também da máquina estadual, nos casos em que governadores petistas disputam a reeleição - e o voto casado com Lula tendem a reverter o cenário desfavorável das pesquisas.


“O PT corre alguns riscos no Nordeste, como no Maranhão e no Ceará, este último onde há um fato novo, que é Ciro Gomes. Também há desafios, sobretudo diante do movimento que o PSD fez ao lançar três pré-candidatos à Presidência, embora exista certa flexibilidade nos Estados”, avalia o especialista. “O mais importante para o partido é manter uma votação expressiva a Lula na região e garantir palanques fortes, mesmo que ele não saia com cabeça de chapa”, completa.


Broadcast+

A guerra q todos anunciam

 *A guerra que todos anunciam — e ninguém assume*


*Daniel Benjamin Barenbein*

_Jornalista | Analista político | Defensor de Israel_


Mais uma noite. Mais uma madrugada. Mais um domingo de expectativa, ansiedade e confusão — ou talvez tudo isso ao mesmo tempo.


Durante toda a semana, construiu-se a sensação de que o ataque ao Irã era iminente. Datas foram cravadas. O dia 31 de janeiro virou fetiche. Apostadores no Polymarket colocaram milhões de dólares na mesa. Houve quem dissesse que, se o ataque não ocorresse naquela madrugada, mais de 125 milhões seriam simplesmente perdidos. Outros juravam que aconteceria no fim de semana, talvez no domingo pela manhã.


Chegamos ao domingo. Dia 1º de fevereiro.

E, até agora, nada.


O que houve, na verdade, foi uma *construção de narrativa.* Um crescendo calculado: o tom subiu em Washington, subiu em Teerã, enquanto mais tropas americanas chegavam à região. Porta-aviões, baterias, sistemas antiaéreos. Tudo apontava para o “agora vai”.


Mas o “agora” nunca chega.


E aqui vale abrir um parêntese quase obrigatório, porque há algo de profundamente surreal nessa cobertura toda. Toda hora surgem “vazamentos” dizendo que os _Estados Unidos ainda não definiram o dia e a hora exata do ataque._ Como se guerra fosse reunião de condomínio. Como se alguém fosse ligar para Teerã e avisar:

“Olha, só para você se organizar: liga os radares, prepara as baterias antiaéreas, compra pipoca e pizza porque amanhã, às 3h17, começa.”


A exigência por data e hora exatas não é ingenuidade. É incompreensão básica do que é um conflito militar — ou má-fé travestida de análise.


Mas há algo muito mais grave nisso tudo.


Essa espera não é neutra.

Ela *custa vidas.*


Pode-se até argumentar que Donald Trump está fazendo terrorismo psicológico com o regime iraniano. Ou que está apenas ganhando tempo para se preparar melhor. Seja qual for a explicação, o fato é simples: *quem menos sofre com essa indefinição é o regime iraniano.* Eles têm serviços de inteligência, espionagem, leitura estratégica. Sabem muito mais do que aparentam.


Quem sofre são os outros.


Sofrem os israelenses, vivendo numa sociedade inteira suspensa entre o “vai” e o “não vai”. E sofrem, sobretudo, os iranianos comuns — aqueles que foram às ruas acreditando que o mundo os apoiaria.


E aqui entra um ponto moral impossível de ignorar.


Hoje já se fala em mais de *86 mil mortos* na repressão aos protestos no Irã. Não toda, *mas uma parcela dessa tragédia recai, sim, sobre os ombros de Donald Trump.*


Primeiro, porque no final da chamada “guerra dos 12 dias”, Trump ordenou que aviões israelenses retornassem quando Israel estava prestes a eliminar Ali Khamenei. O próprio Trump assumiu publicamente que salvou a vida do líder supremo iraniano — mais de uma vez. Muitas mortes posteriores simplesmente *não teriam acontecido* se aquela decisão tivesse sido diferente.


Segundo, porque Trump *convocou* a população iraniana. Incentivou protestos, falou em apoio, sinalizou que a ajuda estava a caminho. E ela não veio. Convocar pessoas a se exporem diante de um regime brutal, sem estar pronto para agir, não é estratégia: é irresponsabilidade.


Como disse Amir Tsarfati — e com razão — não há problema algum em os Estados Unidos se prepararem com calma, reforçarem tropas, fazerem tudo de forma profissional. Se for para derrubar o regime iraniano de maneira decisiva, melhor que seja bem feito.

O erro foi *convocar antes de estar pronto.* Isso custou sangue.


Do ponto de vista israelense, a situação é igualmente clara — e igualmente insuportável.


A esmagadora maioria da sociedade israelense está pronta para pagar o preço da guerra. Não por entusiasmo bélico, mas por exaustão histórica. Sabemos que, se o regime iraniano não cair agora, no seu momento de maior fraqueza, talvez nunca caia. O que nos espera, então, são apenas rounds intermináveis de conflito.


E há algo que poucos entendem:

é mais fácil lidar com o evento — alarmes, bunkers, custos reais — do que com essa agonia psicológica permanente do “é hoje ou não é?”. A espera prolongada corrói mais do que o impacto.


Voltemos a Trump.

Aqui entra um elemento decisivo: *o narcisismo.*


Dito sem histeria e sem demonização. Trump foi, sem dúvida, o melhor presidente americano para Israel. Fez movimentos históricos, corajosos, corretos. Mas ele é, sim, um narcisista — e isso não é um insulto, é uma constatação.


O homem que diz ter “inventado” o Iron Dome.

Que aceita para si um Nobel entregue a uma opositora venezuelana.

Que cria estruturas paralelas à ONU e se coloca como figura central.

Que fala em ter feito a paz no Oriente Médio “depois de 3 mil anos”.


Esse narcisismo tem dois lados.


O lado bom é que ele *empurra a História.* É o mesmo traço que o faz querer destruir o programa nuclear iraniano e sair como o homem que fez isso. É o mesmo impulso que o leva a reagir quando é afrontado publicamente — como foi por Maduro, como está sendo agora pelo Irã.


Mas há o lado destrutivo.

O mesmo narcisismo que o fez interromper operações por querer controlar o desfecho, o timing e o crédito político. A guerra termina quando ele decide que terminou. Mesmo que ainda não devesse.


Ainda assim, por esse mesmo traço psicológico, é difícil imaginar Trump recuando silenciosamente depois de ser desafiado repetidas vezes por Teerã. A dúvida real não é *se* haverá ataque, mas *quando* e com *qual escopo.*


E do lado iraniano, o comportamento é quase suicida.


O regime está no ponto mais fraco desde a revolução de 1979: crise hídrica, colapso elétrico, protestos internos, proxies destruídos. Ainda assim, provoca. Ironiza. Ameaça. Posta imagens chamando Trump de “cão que ladra, mas não morde”. Sugere novos atentados. Parece pedir a guerra.


Por quê?


Talvez para desviar a atenção da população.

Talvez para buscar uma guerra regional e se salvar no caos.

Talvez para forçar uma narrativa de vítima.

Ou talvez porque regimes em colapso tomam decisões irracionais.


As informações mais recentes só aumentam a névoa. Avaliações em Israel indicam que, se for um ataque limitado, os EUA já estariam prontos hoje. Se for uma operação ampla para derrubar o regime, ainda levaria de duas semanas a dois meses. Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior israelense esteve secretamente nos Estados Unidos coordenando cenários com os americanos.


Vai acontecer? Não vai? Agora? Depois?

A única certeza é a confusão.


E essa confusão não é abstrata. Ela tem custo humano, psicológico e político.


Guerras não são apenas bombas.

São decisões.

E decisões adiadas também matam.




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Delaçoes botam fogo no Congresso

 *‘BETO LOUCO’ E ‘PRIMO’ NEGOCIAM DELAÇÃO E AMEAÇAM ‘DERRUBAR METADE DO CONGRESSO’*


Por Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento, do Estadão


 São Paulo, 31/01/2026 - Os empresários Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’ - os alvos mais importantes da Operação Carbono Oculto, que pegou o ‘andar de cima’ do PCC na Faria Lima - negociam acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo. As conversas são entabuladas com promotores que combatem o crime organizado.


 O Estadão apurou junto a emissários de ‘Beto’ e ‘Primo’ - ambos estão foragidos - que eles teriam informações explosivas, suficientes para ‘derrubar metade do Congresso’. “É coisa de mais de meio bilhão de reais em propinas a parlamentares e autoridades.”


Provas? Alegam ter em mãos uma coleção de mensagens de WhatsApp que indicam encontros pessoais ou com ‘laranjas’ para entrega de propinas, pagas em troca de ‘alívio’ para o setor de combustíveis, explorado por eles via uma colossal rede de postos do crime organizado.


“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, declarou, em nota, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, chefe do MP paulista. “Nosso objetivo é impessoal.”


Segundo o procurador, ‘qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis’.


A negociação de um eventual acordo não está sob alçada da Procuradoria-Geral, mas ainda em avaliação dos promotores da Carbono Oculto, deflagrada na manhã de 28 de agosto do ano passado.


 A Carbono é apontada como a maior ofensiva já realizada para deter a infiltração do crime organizado na economia formal. A ação atingiu o setor de combustíveis e também fintechs e fundos sediados na Avenida Faria Lima, na capital paulista.


 A estimativa é que braços do PCC tenham movimentado R$ 52 bilhões no período investigado, blindando os recursos por meio de 40 fundos de investimentos.De acordo com os investigadores, a BK Bank registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. Eles estimam que um volume de 80% desse montante no período apurado tenha relação com o PCC.


 Na ocasião, o BK Bank informou que foi surpreendido com a operação e que ‘conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance’.


Entre as empresas citadas na investigação está a Reag Investimentos, que administrava o fundo de investimentos Location no primeiro semestre de 2020.


 O único cotista do fundo era Renato Steinle de Camargo.


 Segundo as investigações, Renato era ‘testa de ferro’ dos empresários Mohamad Hussein Mourad ‘Primo’ e Roberto Augusto Leme da Silva ‘Beto Louco’, supostamente ligados ao PCC.


‘Impacientes’


O Estadão apurou que ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ estão ‘impacientes’. O acordo seria importante para eles tentarem se livrar de eventuais condenações por fraudes, sonegação, crimes tributários e organização criminosa. Mas suspeitam que autoridades de outras instâncias, especialmente em Brasília, não querem ouvir suas revelações.


“Já foram oferecidos anexos com relatos detalhados, mas até agora sentaram em cima em Brasília”, diz um interlocutor dos empresários foragidos. “É inacreditável, depois de tudo o que o País passou na Lava Jato, a operação que pôs abaixo um esquema fenomenal de corrupção e cartel na Petrobrás, e nada mudou. O que mudou foram os players, a corrupção mudou de mãos, não é mais dos empreiteiros, agora é de quem pegar.”


O Estadão pediu manifestação do advogado que representa ‘Beto Louco’ e ‘Primo’. Ele não quis falar sobre a negociação com a Promotoria de São Paulo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Reconstrução do Botafogo

 Foram anos de reconstrução...lindos...mesmo com todos os problemas.

Um progresso nítido em tudo.

Primeiro ano de SAF: 

Segunda janela...Botafogo tinha acabado de voltar da segunda divisão e quase se classifica para a Libertadores, deixando escapar a vaga na última rodada. Mas foi surpreendente que já foi pra competição internacional.

Segundo ano de SAF: 

Estrutura melhorando. Técnico de ponta. Neste período surgiu e começou a se consolidar o CT Lournier.

Os avanços foram notáveis. O scout operou muito bem e vários bons jogadores foram contratados. 

Quase foi campeão. E se classificou para a Libertadores. Liderou boa parte do campeonato, com uma margem de gordura sensacional, mas acabou se perdendo na segunda fase. Uma nota de corte marcante foram derrotas de 4x3 em virada para o Palmeiras e o Grêmio.

A SAF já era uma realidade. 

Terceiro ano de SAF: 

Campeão Brasileiro e da Libertadores da América.

As dívidas estavam equacionadas e com as negociações caíram pela metade praticamente. 

Desde o primeiro ano todos os salários de jogadores e de funcionários estavam em dia. Também o pagamento das dívidas históricas de acordo com a lei da SAF e também com o que foi homologado na justiça.

Esse é o verdadeiro termômetro da administração do clube. Até agora essa parte está em dia. 

Quarto ano de SAF: 

Como em todos os anos anteriores praticamente não teve pré-temporada. Uma bagunça de técnicos amadores, interinos e meia boca...e a cereja no bolo...um técnico que não só não ganhou nada como profissional como não tinha nenhuma experiência profissional como técnico de algum time grande. O elenco é muito forte. 

Ficou meio desequilibrado com as contratações...que foram caríssimas e que tiveram pouco resultado. E foi uma bagunça que afeta o elenco atual porque um técnico participava de planejamento de contratações, mas o outro tinha outro esquema de jogo...ou seja...jogadores contatados não funcionavam com os técnicos que vieram depois...afetando o elenco atual.

Participou do Mundial de Clubes da FIFA e obteve a vitória mais importante dos clubes brasileiros que jogaram a competição vencendo o PSG no tempo normal. Quinto no da SAF: Começa com transfer ban histórico. Alguns sinais já tinham sido dados. Quando houve o primeiro transfer ban em Março do ano anterior e que foi resolvido praticamente no dia seguinte. Também houve queixas de empresários ao longo do tempo.

 Mas claramente não eram calotes...apenas eles recebem depois de todo mundo. Se isso está em contrato ou não...irritou esses malandros...que estavam recebendo. Mas os processos de cobranças de treinadores portugueses já deveria ser um sinal.

Ou seja, quando o dinheiro do Botafogo sai do país não há controle. Não só pelo "caixa único". Pelo que ficamos sabendo em 2026, todos os parcelamentos estão com algum tipo de atraso. E o mais chocante: Textor não pagou nenhuma parcela do caso Almada e ainda vendeu o jogador antes de começar a pagar!

Esse negócio de caixa único tá pior do que esquema de pirâmide.

Veja. O Lyon usa a essa história a seu favor. O dinheiro do Botafogo(que teria tido receita histórica de mais de 1,5bi) salvou o clube europeu do rebaixamento. Apesar dessa nota dessa Kang se vangloriando de estar salvando o clube, isso não seria possível sem dinheiro de títulos, premiações e negociações de jogadores do Botafogo.

Vejam o que eles fizeram. "Ah...o dinheiro veio da Eagle e não do Botafogo. Não devemos nada". Mas botaram no balanço que o Botafogo deve a eles. Ou seja, se é dívida veio do caixa único...se é crédito foi direto para o Botafogo.

O Botafogo foi assaltado por estrangeiros. Simples assim. Resumindo:enquanto o Botafogo estava organizado internamente...no Brasil,com a melhor equipe de scouting do Brasil e provavelmente das Américas,com trabalho sério das comissões técnicas,uma boa estrutura de CT,Nilton Santos é outro,está em outro nível,o gramado de alto nível certificado pela FIFA,área molhada no Estádio,área molhada no CT,centro de saúde e performance...pagando dívidas.Enfim,a estrutura não tá devendo para nenhum clube grande...o dinheiro estava indo para fora do país e sumindo. Só completando sobre 2025 e 2026.

2025 - Mesmo com esse caos de treinadores praticamente amadores e gastança ineficiente nas contratações terminou na parte de cima da tabela. E venceu o PSG. Por pura força do elenco.

2026 - Quando eu me refiro ao que se descobriu e sobre especificamente atrasos nos parcelamentos...eu me refiro às negociações com clubes estrangeiros e treinadores. Mas lamentavelmente o Textor está permitindo a Eagle sufocar o clube. Porque o Botafogo não está recebendo aportes(não empréstimos!) para deixar tudo OK.

Com isso descobrimos atrasos inaceitáveis de FGTS e direitos de imagem.

Aliás, atrasos que eram o suficiente para os jogadores saírem de graça se entrassem na justiça.

Álvaro Gribel

 COMENTÁRIO: DEFESA DE VORCARO EXPLORA DOIS CAMINHOS PARA TENTAR REVERTER PROCESSO NO CASO MASTER

Por Alvaro Gribel, do Estadão


 Brasília, 30/01/2026 - O defesa do banqueiro Daniel Vorcaro explora dois caminhos para tentar reverter na Justiça o processo contra ele envolvendo o Banco Master.


 De um lado, tumultua o caso perante a opinião pública, envolvendo políticos, autoridades e, especialmente, o Banco Central, para causar a impressão de que todos os personagens cometeram deslizes na história. Quanto maior a confusão, melhor para Vorcaro.


 Por outro, vai usar as diligências feitas pelo Tribunal de Conta da União (TCU) e as provas que não serão arquivadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), para encontrar qualquer tipo de brecha que possa ser usada tecnicamente contra o Banco Central.


 Toffoli, é sempre bom lembrar, convocou o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, para depor, como se fosse um investigado do caso, e só na última hora voltou atrás na convocação para que ele passasse por uma acareação com Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.


 Pessoas que acompanham o caso de perto também acham que não é mera coincidência que, nos dias seguintes em que Vorcaro foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenham vazado para a imprensa informações de que banqueiro esteve com o presidente Lula no Palácio do Planalto e que o ex-ministro Guido Mantega recebeu recursos do banco, assim como o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.


 Outros casos que chamaram a atenção desses interlocutores são um suposto envio de mensagem pelo diretor do banco Central Ailton de Aquino sugerindo a compra pelo BRB de carteiras fraudadas pelo Master e a ida de Alexandre de Moraes à mansão de Vorcaro para "fumar charuto". A visão é de que há as digitais da defesa do banqueiro por trás do vazamento dessas e outras "informações".


 Também existe a desconfiança de que influenciadores foram pagos para sair em defesa do Banco Master nas redes sociais e para realizar ataques contra o Banco Central e autoridades que contrariaram interesses de Vorcaro. A PF identificou ataques orquestrados no final do ano passado, com muitos influenciadores que não têm qualquer relação com o sistema financeiro.


 O objetivo, em primeiro lugar, seria afastar a possibilidade de ser preso novamente. Em segundo, não ter os seus bens bloqueados. Assim, mesmo que não volte a ter o banco operando novamente, hipótese praticamente impossível do ponto de vista prático, ele seguiria livre para usufruir de sua fortuna.


 A lógica do banqueiro para tentar sair livre é: se todo mundo é culpado, ninguém é culpado no final.

Call Matinal 3001

Call Matinal

30/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (2901)

MERCADOS E AGENDA

Sextou! No mercado brasileiro de quinta-feira (29), o Ibovespa fechou em ajuste, recuando 0,84%, em 183.133 pontos. Já no mercado cambial, o dólar caiu 0,22% e encerrou o dia cotado a R$ 5,194.

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros de Nova York operam em baixa nesta sexta-feira (30), com investidores adotando uma postura de aversão ao risco após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que já decidiu quem indicará para liderar o Fed.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,79%

S&P 500 Futuro: -0,87%

Nasdaq Futuro: -1,11%

Trump afirmou na noite de quinta-feira que anunciaria na manhã desta sexta sua escolha para substituir o presidente do Fed, Jerome Powell. Pode ser Kevin Warsh, ex-governador do Fed.

Ásia-Pacífico

 

 

 

Shanghai SE (China), -0,96%

Nikkei (Japão): -0,10%

Hang Seng Index (Hong Kong): -2,08%

Nifty 50 (Índia): -0,38%

ASX 200 (Austrália): -0,65%

 

Europa

 

 

 

STOXX 600: +0,33%

DAX (Alemanha): +0,69%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,06%

CAC 40 (França): +0,34%

FTSE MIB (Itália): +0,63%

 

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -1,77%, a US$ 64,26 o barril

Petróleo Brent, -1,43%, a US$ 69,70 o barril

Ouro: US$ 5.030,66, -6,37%

Prata: US$ 100,26, -13,32%

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,06%, a 791,50 iuanes (US$ 113,91)

 Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 0,27%, a US$ 5.354,80 por onça-troy, pela 8ª sessão seguida, em dia marcado por volatilidade e tensões.

 

 

NO DIA, 3001

Fechamos a semana com Donald Trump protagonizando os principais eventos. Disse que deve anunciar o novo presidente do Fed nesta sexta-feira. Também conseguiu um acordo provisório com os democratas para evitar novo shutdown a partir deste sábado, ameaçou tarifas a países que venderem petróleo à Cuba e para os aviões vendidos pelo Canadá aos Estados Unidos. Sobre o risco de um ataque ao Irã, não há novidades. Nos bastidores, o nome de Kevin Warsh disparou nas plataformas de previsões do mercado como novo presidente do Fed. Com 88% das apostas no Polymarket e 83% na Kalshi, Warsh tomou o lugar do diretor de Investimentos da BlackRock, Rick Rieder, que se mantinha como favorito nos últimos dias, mas agora soma apenas entre 10% e 12%. Na agenda do dia, após o Caged fraco fortalecer a aposta de corte inicial de 0,50pp da Selic, destaque hoje para a Pnad Contínua. Na China, segue a redução das participações em títulos do Tesouro dos EUA, agora no nível mais baixo dos últimos 18 anos, de US$ 680 mil milhões, ao mesmo tempo que acumula reservas de ouro recorde, oficialmente registadas em 2.306 toneladas. Dizem que a verdadeira acumulação de ouro da China é potencialmente dez vezes maior do que a reportada, indicando uma redução estratégica do risco em preparação para potenciais mudanças geopolíticas.

 

Boa sexta-feira para todos! Feliz 2026 ! 

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...