sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Brasília em off

 Brasília em Off: A melhor estratégia monetária para Lula- Bloomberg 6/12


Por Martha Beck


(Bloomberg) -- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu de integrantes do governo antes do anúncio do plano de corte de gastos que os juros teriam que continuar subindo no Brasil. Também ouviu que é importante que o ciclo de alta possa desacelerar no final no primeiro semestre de 2025 de forma que o Banco Central tenha condições de iniciar 2026, ano de eleição presidencial, reduzindo a Selic.


A avaliação desses integrantes é que o melhor cenário seria o BC fazer uma alta forte logo na próxima reunião do Copom, ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária.


Câmbio


A ala política do PT segue pressionando e pedindo uma intervenção para segurar a alta do dólar, que opera na casa de R$ 6 e pressiona a inflação. Isso tem deixado as atenções redobradas para as falas do Banco Central sobre política cambial. 


Até agora, o BC tem feito esforço para deixar claro que quem decide não quer ouvir falar nisso. O diretor de Política Monetária e futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, por exemplo, disse em evento no início da semana que o câmbio flutuante é um pilar da matriz econômica brasileira e que qualquer discussão sobre controle do câmbio deve passar longe da cadeira de quem comanda sua diretoria.


Operação pacote


O governo teve que montar uma verdadeira operação de guerra para preparar o pronunciamento feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para anunciar o plano de corte de gastos. Lula informou na noite de segunda-feira (25) que Haddad faria o anúncio já incluindo nele a promessa de campanha de isentar de Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5.000.


No dia seguinte, às 8:00 da manhã, a equipe presidencial que atuaria na gravação entrou pela garagem do prédio para não chamar a atenção dos jornalistas que ficam de plantão na porta. Para evitar as lentes dos fotógrafos, o gabinete de Haddad, que fica virado para a frente do Ministério, não serviu de locação. A gravação ocorreu na sala do Conselho Monetário Nacional (CMN).


O texto começou a ser escrito pelo publicitário Otávio Antunes, marqueteiro de Haddad, pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, e assessores do ministro. O grupo já estava com o trabalho encaminhado quando recebeu do gabinete do presidente sugestões no texto e o slogan “Brasil forte e justo”. Procurada, a Fazenda não comentou.


--Com a colaboração de Daniel Carvalho.

Matinal ConfianceTec 0612

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

06/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (05)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quinta-feira (05) em alta de 1,40%, a 127.858 pontos. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,60%, a R$ 6,011.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40)


Fechando a semana com os índices futuros de NY próximos da estabilidade, enquanto se aguarda o payroll.


PRINCIPAIS MERCADOS (05h40):


EUA: 🇺🇸


Dow Jones Futuro, -0,04%

S&P 500 Futuro, -0,04%

Nasdaq Futuro, +0,03%


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +1,05%

Nikkei (Japão🇯🇵), -0,77%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,56%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷): -0,56%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), -0,64%


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), -0,04%

DAX (Alemanha🇩🇪), -0,08%

CAC 40 (França🇫🇷), +0,27%

FTSE MIB (Itália🇮🇹), +0,26%

STOXX 600, -0,01%


Commodities:

Petróleo WTI, -0,03%, a US$ 68,28 o barril

Petróleo Brent, -0,07%, a US$ 72,04 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,93%, a 797,50 iuanes (US$ 109,86).



🌎 NO DIA (0612)


Fechando a semana no aguardo do relatório de emprego dos EUA (payroll), a mostrar recuperação, depois dos eventos imprevistos em outubro, como os furacões e a greve da Boeing. Expectativa é de criação de 200 mil vagas, mas isso não deve afetar as apostas de novo corte de 0,25 pp no Fomc do dia 18 (CME em chance de 70%).


No Brasil, a situação começa a se "aprumar", diante da movimentação do Congresso em agilizar o trâmite das medidas fiscais. Mas parece fato que não há conforto no mercado, se prevendo a taxa Selic acima de 14% ao fim do ciclo. No Copom deste mês deve vir alta de 0,75 pp.


No Uruguai, depois de 25 anos de negociações, a expectativa é de um acordo entre Mercosul e Zona do Euro, na criação de um mercado comum de mais de 700 milhões de pessoas, com um PIB somado de US$ 22,3 trilhões.


Por fim, a Zona do Euro veio com PIB crescendo 0,4% no 3ºTri contra o segundo; na comparação anual, alta foi de 0,9% também em consenso.


AGENDA 06/12:


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: Produção industrial - out

07h00. Zona do euro/Eurostat: PIB do 3º tri (preliminar)

08h00. Brasil/FGV: IGP-DI de novembro  

09h00. Brasil/BC: Captação da poupança - novembro

10h30. EUA/Deptº do Trabalho: Payroll de novembro

12h00. EUA/Univ. Michigan: Sentimento do consumidor - dez

15h00. EUA/Baker Hugues: Poços de petróleo em operação

17h00. EUA/Fed: Crédito ao consumidor em outubro


Eventos:

11h15. EUA/Fed: Michelle Bowman discursa

12h30. EUA: Austan Goolsbee (Fed de Chicago) discursa

14h00. EUA: Beth Hammack (Fed de Cleveland) discursa

15h00. EUA: Mary Daly (Fed de San Francisco) discursa

65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira e bons negócios!

BDM Matinal Riscala 0612

 *PAYROLL DEVE CONFIRMAR CORTE DE JURO NOS EUA*

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato**

Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2024.


… O relatório de emprego dos EUA deve mostrar recuperação hoje (10h30), após os resultados fora da curva em outubro, comprometidos pelos furacões e a greve da Boeing. Mas um payroll com a criação de 200 mil vagas (mediana das estimativas) não afetará as apostas de novo corte de 25pb do juro americano no dia 18, projetadas em 70% no CME FedWatch – o que tem ajudado a manter o dólar mais fraco. A acomodação no exterior abriu espaço para uma recuperação do câmbio aqui, junto com a movimentação no Congresso para dar celeridade à votação das medidas fiscais. Pior que o pacote, é o pacote não ser aprovado. Mas tanto é verdade que não há tranquilidade, que a percepção de risco permanece elevada, enquanto uma onda de revisões em alta para a Selic antecede o Copom do dia 11.


… A expectativa de um juro de 15% já não é mais apenas um exagero da curva do DI, mas passou a ser a projeção de grandes instituições, como do Itaú Asset. Foi um susto, que apagou a tentativa dos contratos futuros de devolver um pouco dos prêmios.


… O economista-chefe da Itaú Asset, Thomas Wu, acha que a Selic subirá até 15% e que a inflação alcançará 6% em 2025.


… O Deutsche Bank projeta agora que o Copom elevará a dose de aperto para 100pb na próxima reunião, podendo manter esse ritmo no caso de o real continuar desvalorizado. O banco estima a Selic em 14,50% no fim do ciclo.


… Outra instituição que revisou sua estimativa nesta 5ªF foi o C6 Bank, elevando a previsão da Selic terminal de 12,50% para 13,75%.


… Imagine como vem o boletim Focus de 2ªF.


… Pesquisa do Broadcast com 65 casas consultadas apurou que 14 já preveem uma alta de 100pbs da Selic na próxima semana, enquanto a maioria (48) espera um ajuste do pace de 50pbs para 75pbs. Apenas três acreditam em alta de meio ponto.


… A estimativa intermediária para a Selic no final de 2025 segue em 13,25%. Para o fim deste ano, variam de 11,5% a 14,5%. Já a mediana para o 2Tri/2026, horizonte relevante da política monetária, segue em 12%, entre 10% e 14,5%.


… Segundo os economistas, a frustração com o pacote fiscal, que levou o dólar ao patamar dos R$ 6, e a resiliência na desancoragem das expectativas de inflação consolidaram a perspectiva de uma elevação no juro mais agressiva por parte do BC.


… Além do Deutsche, também esperam uma alta de 100pbs no Copom da semana que vem o JP Morgan, Montebravo e XP, entre outros.


… A XP Investimentos ainda estima mais um aumento de 100pbs em janeiro, seguido por duas altas de 50pbs em março e maio, levando a Selic para 14,25%. A corretora revisou as estimativas para o IPCA/2025 de 4,7% para 5,2%.


… O economista-chefe, Caio Megale, cita como fatores de pressão a demanda forte, expectativas de inflação e a depreciação do câmbio.


… Nesta 5ªF, depois de uma semana alçado à faixa dos R$ 6, o dólar furou a marca, mas o alívio não durou até o fechamento (abaixo).


RISCO DE DESIDRATAÇÃO – Em meio a cobranças do mercado por um corte de gastos estrutural, que possa garantir a sustentabilidade do arcabouço fiscal, deputados dizem que um endurecimento das propostas não virá do Congresso.


… O governo enviou três propostas do pacote fiscal à Câmara. Dois projetos já tiveram a urgência aprovada, que tratam dos novos gatilhos do arcabouço, ganho do salário mínimo e revisão em programas sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).


… Uma das urgências passou com apenas três votos além do necessário, o que mostra indisposição com as medidas e insatisfação com as novas regras para as emendas parlamentares, definidas pelo ministro Flávio Dino, do STF.


… A mudança no BPC está na PEC, junto com os supersalários do funcionalismo público e repasses para o Fundeb, e sofre resistência.


… Apesar de aprovar a urgência, os parlamentares ainda não se comprometeram em aprovar o conteúdo dos projetos, segundo apurou o Estadão. A reportagem afirma que o pacote até pode ser aprovado este ano, mas corre risco de desidratação.


MAIS PAYROLL – O intervalo das apostas para a criação de vagas em novembro vai de 155 mil a 270 mil. Ou seja, mesmo no piso, o dado será muito superior ao de outubro (+12 mil), distorcido pelos furacões e a greve da Boeing.


… A taxa de desemprego tem previsão de alta de 4,1% para 4,2% e o salário médio por hora deve avançar 0,3% na comparação mensal, prometendo ser um componente bastante observado pelos profissionais de mercado.


… Stephen Stanley (Santander) disse que a melhor forma de analisar os dados será comparar a média de dois meses com o mesmo período de 2023.


… Muita gente estará de olho no impacto da alta dos salários sobre a inflação de serviços norte-americana.


… “A inflação de serviços parece estar se estabilizando num ritmo acima do compatível com a meta de inflação (2%) e pode indicar pressões inflacionárias no mercado de trabalho”, disse Dennis DeBusschere (22V) à Bloomberg.


… Para o BofA, o Fed provavelmente verá qualquer fortalecimento no payroll de novembro como “recompensa” pela fraqueza de outubro. Com um dado anulando o outro, o BC americano ainda deve ter espaço para cortar o juro.


MAIS AGENDA – Ao meio-dia, a Universidade de Michigan traz a leitura preliminar do sentimento do consumidor dos EUA (com previsão de alta para 73,3, de 71,8 em novembro) e as expectativas de inflação para 1 e 5 anos. 


… Vários dirigentes do Fed falam nesta 6ªF: Michelle Bowman (11h15), Austan Goolsbee (12h30), Beth Hammack (14h) e Mary Daly (15h). Prossegue no Uruguai a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.


AQUI – A inflação do IGP-DI (8h) deve ceder a 1,06% em novembro, de 1,54% em outubro, segundo mediana do Broadcast, diante da descompressão dos preços do minério de ferro. As estimativas vão de 0,95% a 1,40%.


… O BC divulga às 9h o saldo da poupança em novembro. Em outubro, houve retirada líquida de R$ 6,256 bilhões.


O TETO É MAIS EM CIMA? – A espiral de pessimismo do mercado com o cenário fiscal, que já leva, como se viu, até grandes bancos a precificarem o choque de 15% na Selic, dá a medida do perigo e revela que a coisa ficou séria.


… Não tem aposta de graça para o Copom da semana que vem entre as opções futuras na B3, com um racha nas estimativas: 51% de probabilidade de um aperto de 75 pontos e chance não desprezível (40%) de 100 pontos.


… Com os traders e também os departamentos econômicos esticando a corda nas estimativas de Selic terminal, a curva do DI esgotou ontem o alívio inicial com o sinal verde da Câmara para o pacote fiscal tramitar mais rápido.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subia para 14,190% (de 14,090% no fechamento anterior); Jan/27, a 14,430% (de 14,315%); Jan/29, a 14,145% (de 14,070%); Jan/31, a 13,950% (13,890%); e Jan/33, 13,740% (13,730%).


… O curioso é que, apesar do super conservadorismo incorporado nas projeções do mercado financeiro para a Selic, este movimento não tem contratado, na mesma medida, uma melhora nas estimativas para a taxa de câmbio.


… O Deutsche Bank, por exemplo, espera dólar a R$ 6,10 no fim deste ano, alegando que o governo falhou em apresentar medidas fiscais críveis e que o BC tem sido incapaz de exercer sua capacidade de apreciar o real.


… Por alguns momentos, ontem, a moeda americana chegou a furar os R$ 6, em devolução técnica de ganhos, tendo batido R$ 5,9608 na mínima. Mas não demorou a desacelerar a queda, para fechar cotado a R$ 6,0097 (-0,63%).


… Em pé de guerra com o mercado (e vice-versa), Lula disse que “algumas pessoas alardearam na imprensa que o Brasil cresceria mais que 1,5%, mas para nossa sorte, a economia crescerá neste ano 3,5% e pode chegar a 4%”.


RISCO CALCULADO – Esnobando a cautela da curva do DI com as apostas para lá de conservadoras para a Selic, o Ibovespa e as ações mais sensíveis ao ciclo econômico julgaram que valeria a pena testar uma onda de fôlego.


… Descontando os riscos, quase 90% da carteira de ações da bolsa resolveu subir, incluindo as duas principais blue chips das commodities, com Vale e Petrobras ignorando a queda das cotações do minério de ferro e do petróleo.


… Mais do que os demais ativos domésticos, o Ibovespa decidiu apostar as suas fichas na agilidade do Congresso para aprovar o pacote fiscal e emplacou alta de 1,40%, fechando perto dos 128 mil pontos (127.857,58).


… Um rali do Papai Noel, no entanto, parece improvável na avaliação do Santander, tendo em vista os desafios macroeconômicos atuais, como os riscos de não cumprimento da meta fiscal, combinados às incertezas globais.


… Eletrobras ON (+4,02%; R$ 36,46) liderou as altas no Ibov, após a empresa informar que voltou a se reunir com o governo para chegar a um acordo sobre o direito de voto da União. A ação PNB registrou +3,44% (R$ 40,60).


… Bancos também foram bem: Itaú (+2,14%; R$ 33,38), Santander (+1,78%; R$ 25,75), Bradesco ON (+1,53%; R$ 11,29), Bradesco PN (+1,37%; R$ 12,61) e Banco do Brasil ON (+1,23%; R$ 25,48).


… Petrobras ON subiu 1,49% (R$ 43,00) e o papel PN ganhou 0,99% (R$ 39,64), na contramão da queda de 0,30% do barril do Brent/fev, a US$ 72,09.


… A Opep+ confirmou as expectativas e prorrogou a atual redução da produção de petróleo, de 2,2 milhões de barris por dia, até o fim de março de 2025, o que já estava precificado pelo mercado.


… Vale interrompeu dois pregões de cautela em relação às incertezas sobre pagamento de dividendos extraordinários e teve elevação de 0,82% (R$ 57,80), na máxima do dia, contrariando a queda de 1,17% do minério.


… Multiplan (+3,63%, a R$ 23,70) e Iguatemi (+3,54%, a R$ 19,03) também apareceram na lista das maiores altas. Entre as poucas baixas do pregão, CVC afundou 8,98%, a R$ 2,33, em movimento atribuído a realização de lucros.


… Braskem perdeu 1,11% (R$ 15,21), depois que a empresa anunciou mudanças em sua diretoria.


PÉ NO FREIO – Depois de alcançar recordes sucessivos de fechamento, as bolsas de NY deram uma pausa, em modo cautela antes do payroll.


… O Dow Jones recuou 0,55% (44.765,64 pontos). O S&P 500 caiu 0,19% (6.075,10 pontos) e o Nasdaq perdeu 0,18% (19.700,26 pontos).


… UnitedHealth levou um tombo de 5,1% depois do assassinato do CEO da subsidiária UnitedHealthCare e foi a principal fonte de peso no Dow Jones.


…  Na véspera da divulgação do principal dado do mercado de trabalho dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego subiu (a 224 mil) mais que o esperado (214 mil) e o maior número em seis semanas.


… Apesar do aumento, os pedidos de auxílio-desemprego ainda apoiam a visão de que o mercado de trabalho americano permanece em níveis historicamente fortes.


… A expectativa de um payroll forte elevou levemente o juro curto nos EUA, com a note de 2 anos em 4,138%, de 4,129% na sessão anterior.


… Os longos recuaram. O juro da note de 10 anos cedeu a 4,175% (de 4,177%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,331%, de 4,344%.


… Embora analistas não acreditem que o payroll vá mudar a expectativa de corte de 25pb no juro pelo Fed em dezembro, a inflação de médio prazo preocupa.


… Ontem, a Fitch Ratings avaliou que os riscos de inflação nos EUA estão crescendo com o aumento dos gastos do consumidor, a iminente alta de tarifas e restrições à imigração no futuro governo Trump.


… O BofA tem avaliação similar e considera que a note de 10 anos vai oscilar entre 4% e 4,5% em 2025, sem chance para taxas mais baixas.


… No câmbio, o dólar desvalorizou ante seus principais pares depois de dois dias beirando a estabilidade. O índice DXY teve baixa de 0,57%, a 105,714.


… O euro manteve-se firme (+0,65%, a US$ 1,0587), apesar da destituição do primeiro-ministro da França, Michel Barnier. O presidente Emmanuel Macron disse que continua no cargo até o fim do mandato, em 2027.


… Segundo analistas, a ausência de reação da moeda comum mostra que o mercado não se incomodou com a crise política francesa, ao menos até agora.


… Além disso, a inflação de serviços persistente torna mais provável um corte de 25 pb, em vez de 50pb, na próxima reunião do BCE, o que beneficia o euro.


… O iene subiu 0,28%, a 150,108/US$, depois de o dirigente do BoJ, Toyoaki Nakamura, que geralmente tem postura mais dovish, dizer que não é avesso a um aumento dos juros.


… A libra subiu 0,43%, a US$ 1,2759.


EM TEMPO… ASSAÍ fará a 12ª emissão de debêntures no valor de R$ 800 milhões, com prazo de vencimento de cinco anos.


HAPVIDA celebrou um contrato de locação de imóvel para estruturar o Hospital Ibirapuera. O limite máximo de investimento para a aquisição dos terrenos e custeio das obras é R$ 300 milhões.


CEMIG liquidou os títulos de dívida emitidos no mercado externo (Eurobonds), por parte da Cemig GT. O efeito líquido no caixa da companhia será de R$ 1,866 bilhão.


MRV completou revisão estratégica da subsidiária Resia, nos EUA. O atual CEO da Resia, Ernesto Lopes, deixará o cargo no final de 2024…


… Entre as ações previstas para os próximos anos estão a venda de sete projetos e a desmobilização de mais de 60% do landbank, com expectativa de vendas em torno de US$ 800 milhões até o fim de 2026.


LOG COMMERCIAL PROPERTIES aprovou pagamento de dividendos intermediários, com base na reserva de lucros dos nove primeiros meses do ano, no valor bruto de R$ 150 milhões (R$ 1,71 por ação ordinária). Ex no dia 11.


EQUATORIAL concluiu a venda da SPE 7, negócio anunciado em julho. O equity value da Equatorial SPE 7 é de até R$ 840,6 milhões na data-base de 30 de novembro de 2024, corrigido pelo CDI.


INTERCEMENT. Juiz da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial da empresa.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Os preços não são medidas de valor

 Os preços não são medidas de valor

Michael Njoku

Com algumas exceções, vários procedimentos epistemológicos na ciência da economia são fortemente influenciados pela força do empirismo ou positivismo lógico. Consequentemente, encontramos cada vez mais a ciência da economia compartimentada em várias escolas metodológicas que, em vários graus, estão interessadas em importar os métodos das ciências naturais em detrimento da tarefa real da economia.

Dentro da economia, existem quadros metodológicos arraigados que favorecem fortemente as medições com o objetivo de fazer as chamadas previsões empíricas "falsificáveis". Esta alteração do positivismo no estudo da ação humana levou a uma tendência generalizada para interpretar erroneamente os preços como medidas de valor, dada a estreita ligação entre os dois. É tarefa deste artigo refutar essa falácia generalizada e restabelecer a clara distinção entre as categorias praxeológicas de "valor" e "preço".

O que torna a medição possível?

A medição pressupõe um padrão imutável sobre o qual se faz o cálculo em relação às entidades em mudança. Nas ciências naturais, existem padrões que são relativamente fixos, e que são subsequentemente empregados como meios de estabelecer magnitudes e vários graus de relações quantitativas entre entidades (por exemplo, espaço, volume, comprimento, largura, tempo, etc.). A condição de fixidez em certos fenómenos naturais torna propício para os físicos e teóricos das várias ciências naturais realizar experiências em escala e fazer previsões testáveis.

No entanto, a situação é diferente no campo da ação humana, objeto das ciências sociais e da economia. Aqui, não estão presentes todas as condições que justificam a medição. Os fenómenos no domínio da ação humana são resultados de uma interação complexa de fatores cujas relações quantitativas específicas não são facilmente acessíveis ao inquiridor. Simplificando, não somos capazes de discernir as relações constantes que tornariam a medição viável no domínio da ação humana. E, mesmo que as relações constantes sejam aparentes sob certas condições, elas são meramente históricas e não teóricas.

Além disso, a ciência da economia não está carente de métodos científicos de medição, mas sim devido à natureza do objeto de seu estudo – a ação humana – é privada de condições sob as quais as técnicas de medição são aplicáveis. Mises observa o seguinte em Human Action:

A impraticabilidade da medição não se deve à falta de métodos técnicos para o estabelecimento da medida. Deve-se à ausência de relações constantes. Se fosse causada apenas por ineficiência técnica, pelo menos uma estimativa aproximada seria possível em alguns casos. A economia não é, como os positivistas ignorantes repetem repetidamente, retrógrada porque não é "quantitativa". Não é quantitativo e não mede porque não há constantes.

O cientista social recorre a outros métodos de estabelecimento do conhecimento para além dos das ciências naturais. Mises, ao destacar os procedimentos epistemológicos das ciências sociais, coloca da  seguinte forma: 

A tarefa das ciências da ação humana é a compreensão do significado e da relevância da ação humana. Aplicam-se para isso dois procedimentos epistemológicos diferentes: conceção e compreensão. A conceção é a ferramenta mental da praxeologia; A compreensão é a ferramenta mental específica da história.

Valor e Preços

O trampolim final do processo de mercado é a avaliação subjetiva do consumidor. Toda ação dentro do contexto do mercado é direcionada para servir à obtenção de fins valorizados – mais particularmente, os mais urgentes nas escalas de valor dos indivíduos.

Ao contrário da errada teoria do valor do trabalho avançada pelos economistas clássicos – que tenta quantificar o valor aludindo à quantidade de trabalho despendido – o valor de um bem não é determinado pela quantidade de trabalho empregado na produção do bem. O valor é antes a estimativa subjetiva da importância que a satisfação de uma necessidade tem para o indivíduo. O valor é uma grandeza qualitativa intensiva, graduada de acordo com uma escala ordinal. Formalmente definido por Carl Menger em seus clássicos Princípios de Economia como "a importância que bens individuais ou quantidades de bens alcançam para nós porque estamos conscientes de ser dependentes do comando deles para a satisfação de nossas necessidades". O valor não está, portanto, aberto às estimativas de um árbitro externo. Isto impede, por conseguinte, qualquer forma de medição objetiva do valor.

Um preço, por outro lado, é um conceito praxeológico derivado da categoria de ação conhecida como troca. Os preços são simplesmente relações de troca – quantidades definidas de uma mercadoria menos valorizada que são abandonadas para obter quantidades definidas de outra mercadoria que é muito mais valorizada.

Com o dinheiro como meio de troca, isso traduz os preços em um número calculável. O homem atuante, tendo tomado conhecimento do papel desempenhado pelos meios de troca na facilitação da satisfação de seus desejos mais urgentes através do comércio, substitui a troca indireta pelo câmbio. Assim, o dinheiro torna-se um meio mais satisfatório para alcançar fins. Os preços monetários são, então, os resultados do aspeto da ação envolvendo um meio de troca comumente usado.

Os preços não são medidas de valor. Esse valor é imputado às unidades de um bem pelo qual são pagos preços não implica que esses preços meçam o valor. A incapacidade de compreender adequadamente essa distinção praxeológica entre as categorias de valor e preços, respectivamente – apesar da estreita ligação entre as duas – levaria à suposição errado de que o valor é medido pelos preços. Os vários preços pagos pelos bens resultam do facto de determinadas quantidades desses bens serem valorizadas em resultado do seu potencial emprego para satisfação das necessidades.

Além disso, os preços têm propriedade informacional na medida em que podem ser usados para capturar ou sinalizar o valor que determinadas quantidades de uma mercadoria possuem para um determinado consumidor – isto é, o grau de importância da satisfação do desejo que depende do emprego do bem – mas não medem esse valor. O facto de os preços sinalizarem valores subjetivos em tempo real de muitos indivíduos não constitui  um valor de medição. A medição é estritamente a determinação de magnitudes em números cardeais. O valor, por outro lado, é classificado e representado em números ordinais.

BTG Pactual 0512

 🌎INTERNACIONAL


Os índices futuros em NY operam de lado, enquanto Bolsas na Europa, principalmente a de Paris, têm viés mais positivo. O dia é de agenda esvaziada de indicadores econômicos, com destaque para os dados de seguro-desemprego nos EUA, que saem hoje, às 10h30, na véspera do payroll. Na França, o parlamento derrubou o primeiro-ministro Michel Barnier. 


O S&P 500 futuro opera estável, o Stoxx Europe sobe 0,3%, o Nikkei fechou em alta de 0,3% e o Shanghai +0,1%. O Bitcoin passou o nível dos US$ 100 mil. 


•  S&P 500 Futuro estável

•  STOXX 600 +0,3%

•  FTSE 100 estável

•  Nikkei 225 +0,3%

•  Shanghai SE Comp. +0,1%

•  MSCI EM estável

•  Dollar Index -0,1%

•  Yield 10 anos +2,7bps a 4,2071%

•  Petróleo WTI +0,3% a US$ 68,77 barril

•  Futuro do minério em Singapura -1,6% a US$ 103,7

•  Bitcoin +4,9% a US$ 102665,19


Com a queda de Barnier, o presidente francês Emmanuel Macron indicará um novo primeiro-ministro, que precisa aprovar o orçamento de 2025. Na Zona do Euro, as vendas no varejo caíram 0,5% em outubro na comparação mensal. 


O petróleo tem leve alta, com o WTI a US$ 68,8 o barril e o brent a US$ 72,4 barril, em dia de reunião da Opep, no qual a expectativa é de novo adiamento de medidas para retomar a oferta de petróleo. O futuro do minério de ferro cai 1,6% em Singapura, a US$ 103,7 a tonelada, com piora das vendas da construtora chinesa Country Garden, o que sinaliza que a continua a crise imobiliária do país. 


O Bitcoin atingiu o patamar dos US$ 100 mil, ainda impulsionado pela expectativa de que o governo de Donald Trump será mais favorável ao mercado de criptoativos. Agora pela manhã, a alta era de 4,9%, a US$ 102,7 mil. Trump nomeou Paul Atkins, um defensor do mercado cripto, para a presidência da SEC, a CVM americana. 


🇧🇷BRASIL


O dia é de agenda mais tranquila de indicadores econômicos, com destaque apenas para a balança comercial de novembro, que será divulgada às 15h e deve mostrar superávit de US$ 7,3 bilhões, segundo projeção do BTG Pactual. O Tesouro faz leilão de LTNs e NTN -Fs. 

  

Em Brasília, a Câmara aprovou os requerimentos de urgência para os dois projetos de lei do ajuste fiscal. Assim, os textos poderão ser votados direto no plenário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ontem que as medidas de ajuste fiscal que ficaram de fora do pacote não estão descartadas.


O presidente Lula participa hoje, às 9h30, de inauguração de fábrica da Suzano e depois embarca para o Uruguai, onde ocorrerá a reunião da cúpula do Mercosul. Há expectativa de que seja anunciada durante a cúpula o acordo do Mercosul com a União Europeia. 


O dólar recuou 0,1% ontem, a R$ 6,048, e o Ibovespa caiu 0,04%, aos 126.087 pontos. 


🏢EMPRESAS


A Petrobras confirmou que o presidente do conselho de administração, Pietro Mendes, foi indicado para a diretoria da ANP, mas que permanecerá no cargo até a eventual nomeação na ANP. A Braskem reestruturou a diretoria, com manutenção de 4 dos 12 executivos atuais. O tribunal de falências nos EUA aprovou compra dos ativos da Avon fora do país pela Natura no processo de recuperação judicial. 


A Suzano pagará R$ 2,5 bilhões em juros sobre capital próprio. A BRF pagará R$ 200 milhões em juros sobre capital próprio (R$ 0,123 por ação). A Fitch rebaixou o rating da Aeris para “BBB(bra)”. A Santos Brasil teve alta de 20,5% na movimentação de contêineres em novembro, em base anual. 



 BTG Pactual

Matinal Josué Leonel

 Plano avança na Câmara; Tesouro, Petrobras no foco: Mercado Hoje

2024-12-05 10:29:01.25 GMT



Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Câmara aprovaurgência para duas propostas do

pacote fiscal, o que pode amenizar os receios sobre obstáculos

ao plano que ajudaram a pressionar os ativos brasileiros na

sessão anterior. Resistências a cortes de gastos, contudo,

persistem entre militares, dizem fontes. Juros futuros podem

ganhar alívio com avanço do pacote, mas enfrentam fator de

pressão com leilão do Tesouro. A menos de uma semana do Copom,

mercado precifica alta de 1pp da Selic. No corporativo,

Petrobras confirma indicação de chairman para ANP e Suzano

aprova R$ 2,5 bi em JCP.

No exterior, bolsa francesa sobe apesar da crise política

no país, enquanto bitcoin supera US$ 100.000 com nomeação de

defensor das criptos para dirigir SEC. Rendimento dos treasuries

sobe, mas índice dólar recua, com mercado à espera de dado de

seguro-desemprego na véspera do payroll nos EUA. Petróleo tem

variação discreta antes de Opep+ e minério de ferro cai com

persistência dos problemas imobiliários da China. 

*T

Às 7:28, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro estável

STOXX 600 +0,3%

FTSE 100 estável

Nikkei 225 +0,3%

Shanghai SE Comp. +0,1%

MSCI EM estável

Dollar Index -0,1%

Yield 10 anos +2,7bps a 4,2071%

Petróleo WTI +0,3% a US$ 68,77 barril

Futuro do minério em Singapura -1,6% a US$ 103,7

Bitcoin +4,9% a US$ 102665,19

*T

Internacional

Ativos franceses resistem à crise política; bitcoin supera

US$ 100.000

* Bolsa sobe em Paris e supera desempenho do índice europeu

Stoxx 600, enquanto o spread dos rendimentos entre a França e a

Alemanha permanece estável depois da queda do governo de Michel

Barnier na quarta-feira

* Presidente Emmanuel Macron agora precisa indicar outro

primeiro-ministro, que precisa aprovar orçamento para 2025 em

parlamento dividido

* Futuros de Nova York oscilam pouco após o S&P 500 avançar

ontem para seu 56º recorde de fechamento de 2024, com fala do

presidente do Fed, Jerome Powell, de que economia dos EUA está

em “forma notavelmente boa”

* Atenção se volta para números de pedidos de auxílio-desemprego

dos EUA, antes do payroll amanhã

* Rendimento dos treasuries sobe e índice dólar recua, com

maioria das moedas emergentes em alta

* Bitcoin estendeu ganho de quarta-feira e superou os US$

100.000 pela primeira vez, depois que o presidente eleito Donald

Trump escolheu um defensor das criptomoedas para comandar a SEC

* Petróleo tem leve alta, depois de cair perto de 2% na véspera,

antes de reunião da Opep+ nesta quinta-feira, que deve ver o

cartel adiar novamente uma medida para reativar a produção em um

mercado já bem abastecido

* Minério de ferro recua e interrompe recuperação de quatro dias

devido à piora da queda nas vendas da construtora chinesa

Country Garden, indicando que a crise imobiliária do país está

longe de acabar


Para acompanhar

Tesouro em meio a aposta em 1pp; balança comercial

* Tesouro oferta LTN e NTN-F

* Juros futuros de curto e médio prazo subiram ontem com aposta

em alta de 1pp da Selic, enquanto dólar fechou de lado, depois

de se afastar das mínimas simultaneamente à piora no Ibovespa

com notícia do Globo de que governo irá trocar presidente do

conselho da Petrobras

* Deutsche Bank vê Brasil mais arriscado e cita pessimismo com

real

* Balança comercial, que será divulgada às 15:00, deve registrar

superávit de US$ 7,5 bilhões em novembro

* BC oferta 15.000 contratos de swap cambial para rolagem

* Equatorial, Fleury, Klabin, Santos Brasil e Stone participam

de conferência do JPMorgan

* Embraer participa de conferência do Goldman Sachs

* Indústria eletroeletrônica anuncia investimentos de R$ 5 bi

até 2027: Agência Brasil


Outros destaques

Câmara aprova regime de urgência, militares resistem;

Mercosul

* Câmara aprovou regime de urgência para duas propostas que

fazem parte do pacote fiscal, segundo Agência Câmara

** Um dos projetos autoriza governo a limitar o uso de crédito

tributários em caso de déficit fiscal e o outro ajusta as

despesas relacionadas ao salário mínimo aos limites do arcabouço

* Lira entra em campo e articula pelo governo: Poder360

* Já a proposta de reforma da previdência dos militares enfrenta

impasse, diante da oposição de parte das forças armadas, segundo

fontes

** Fazenda e comandantes militares estão tentando encontrar

maneira de retomar negociações

** Líder do governo na Câmara disse que resolverá questão das

emendas

* Fazenda rejeita contraproposta levada por militares: Uol

* Judiciário fala de aposentadoria em massa depois de fazer

críticas à PEC: Folha

* CCJ da Câmara aprova PEC do BNDES em derrota para o Planalto:

Poder360

* Câmara aprova regras para portabilidade salarial e pensão

vitalícia às pessoas com deficiência por vírus Zika: Agência

Câmara

* Lula vai à inauguração de fábrica da Suzano às 9:30 e depois

parte para Montevidéu, onde participa de cúpula do Mercosul

* Mercosul se reúne sob expectativa de acordo com UE: Folha


Empresas

Petrobras, Suzano, BRF, Braskem, Minerva

* Petrobras confirma indicação do presidente do Conselho de

Administração, Pietro Mendes, à diretoria da ANP

* Suzano aprova pagamento de R$ 2,5 bi em JCP

* BRF aprova R$ 200 mi em JCP complementar

* Braskem indica Jens como CFO e reformula diretoria

* Planta da Minerva é habilitada a exportar para EUA

BDM Matinal Riscala 0512

 Rosa Riscala: Fiscal começa a vencer resistências no Congresso


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato


… Com a economia da China patinando no consumo das commodities, a expectativa é de que a Opep+ decida hoje adiar os cortes de produção de petróleo pelo menos até março. Aqui, em dia de agenda esvaziada, Brasília começa a desarmar a pressão nos negócios, com o desafio de derrubar o dólar abaixo de R$ 6 e aliviar as apostas para a Selic na curva do DI, que ainda rodam em torno de 15%. Na corrida do governo contra o tempo, a Câmara aprovou ontem à noite os primeiros requerimentos de urgência para dois dos projetos do pacote fiscal, embora ainda não haja garantia de que tudo será aprovado até o fim do ano, como deseja a equipe econômica. Mas é importante que o “trator” de Lira esteja funcionando a favor do governo, com a promessa de agilizar a tramitação dos cortes de gastos.


… Um apelo do governo e do presidente da Câmara, ontem, foi importante para destravar os primeiros passos das matérias de contenção de gastos, apesar da insatisfação dos deputados com as exigências do STF às emendas.


… A Câmara aprovou, por margem estreita na noite desta 4ªF, a urgência do projeto de lei com gatilhos para o arcabouço fiscal e bloqueio para emendas e do texto que limita o crescimento real do salário mínimo a 2,5% ao ano.


… Com isso, as propostas poderão ser votadas diretamente no plenário. Mas o placar apertado nas votações da urgência acende o sinal de alerta e revela que o governo vai ter que usar de habilidade política para negociar.


… O requerimento de urgência para o projeto de lei complementar (PLP) que traz novos gatilhos do arcabouço fiscal foi aprovado por 260 votos a favor e 98 contra, ou seja, por apenas três votos a mais do que o necessário (257).


… A urgência do texto do salário mínimo também passou apertada, por só dez votos acima do mínimo exigido.


… Segundo líderes ouvidos nos bastidores pela reportagem da Folha, contribuíram para a aprovação os acenos do governo, como o encaminhamento da liberação de emendas e articulação para reverter a decisão do STF.


… Mesmo assim, um influente aliado de Lira disse que não foi firmado compromisso sobre a aprovação do conteúdo das matérias, que ainda deve sofrer intenso debate e modificações, sem certeza de aprovação até o recesso.


… O presidente da Câmara reconheceu que, neste momento, o governo federal ainda não tem todos os votos necessários para aprovar o pacote de contenção de gastos, mas “que o Congresso não vai faltar”.


… Ele também animou os mercados domésticos (abaixo), ao sinalizar que pode agilizar a votação do pacote fiscal. Lira informou não ter dúvidas de que as medidas de corte de gastos serão votadas “se não essa semana, na outra”.


… O ganho dos dividendos entra agora na mira da Fazenda, segundo informação antecipada pelo jornal O Globo.


… Hoje, a distribuição de lucros e dividendos é isenta, mas o governo quer tributar na fonte estes rendimentos, com a criação de um imposto mínimo para os contribuintes com renda mensal acima de R$ 50 mil por mês.


… A alíquota da tributação deve ser de 7,5%, embora o martelo ainda não esteja batido, podendo chegar a 10%. A medida deve ser discutida no Congresso no ano que vem e, se aprovada, passaria a valer em 2026.


TRIBUTÁRIA – O relator do texto no Senado, Eduardo Braga, marcou para a manhã da próxima 2ªF a divulgação do relatório da reforma. No fim da tarde do mesmo dia, o texto será lido na CCJ, que votará o parecer na 4ªF.


… Se houver tempo, a votação no plenário pode ser iniciada logo depois. Caso contrário, ficará para o dia seguinte.


O NOVO BC – A CAE do Senado deve sabatinar os três indicados de Lula à diretoria do BC na próxima 3ªF. Os nomes devem ser votados no mesmo dia pelo plenário da Casa. Se aprovados, assumirão os cargos no início de 2025.


AGENDA FRACA – Único destaque aqui é a balança comercial de novembro (15h), que deve registrar superávit de US$ 7,8 bilhões, após saldo de US$ 4,34 bilhões em outubro.


… Se confirmada a mediana, o superávit da balança será 11% menor que o saldo de outubro de 2023, de US$ 8,79 bilhões, por causa do aumento das importações.


LÁ FORA – NY confere mais dados de mercado de trabalho hoje, com os pedidos semanais de auxílio-desemprego (10h30). A expectativa é de alta de 2 mil, para 215 mil pedidos.


… No mesmo horário, sai a balança comercial dos EUA em outubro, que deve registrar déficit de US$ 74,8 bilhões, ante resultado negativo de US$ 84,4 bilhões em setembro.


NÃO LARGA O OSSO – Foi tão insignificante a queda acumulada pelo dólar nos últimos dois pregões (não chegou a 0,35%), que parece ser mais certo dizer que nem caiu, só parou de subir. Segue firme, forte e invicto acima de R$ 6. 


… A vantagem é que a moeda americana já está tão cara, que deve precipitar uma correção inevitável.


… Ouvido pelo Broadcast, o head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, acredita que a taxa de câmbio já embute todo o pessimismo do investidor com a situação fiscal e pode experimentar recuo gradual até o fim do ano.


… “Se não aparecer nenhuma novidade ruim, a tendência é o dólar ir escorregando aos poucos para R$ 5,90”.


… Com o dólar estável no exterior (abaixo), o mercado se fiou na boa vontade de Lira em acelerar a tramitação dos projetos que tratam do corte de gastos, apesar da insatisfação dos parlamentares com a questão das emendas.


… Contra o real, a moeda americana fechou em leve baixa de 0,18%, cotado a R$ 6,0477.


… O recado de Lira também ajudou a suavizar os juros futuros a partir dos vencimentos médios. A curva ainda teve ajuda dos retornos dos Treasuries, que recuaram com dados da ADP e PMI mais fracos nos EUA.


… Na contramão, os vencimentos curtos voltaram a subir, na expectativa de que o Copom aumente a dose de alta da Selic na próxima semana.


… O DI jan/26 subiu a 14,090% (de 13,995% no fechamento anterior); e o jan/27 a 14,315% (14,260%). Já o Jan/29 caiu a 14,070% (de 14,105%); Jan/31, a 13,890% (de 13,920%); e Jan/33, a 13,730% (de 13,770%).


… Um tranco de +100pb na Selic na próxima semana não é o ideal, na visão de Fernanda Guardado, ex-diretora do BC e hoje chefe de pesquisa para AL no BNP Paribas.


… Para ela, o BC vai precisar de munição para enfrentar meses de más notícias à frente, mas dobrar o ritmo de alta da Selic, de 50pb para 100pb, geraria muita volatilidade na economia.


… “Muita gente diz para [o BC] dar [uma alta] mais forte agora e começar a cortar logo depois. Isso não faz sentido. É difícil para as empresas se programarem nesse tipo de ambiente”, disse.


… Já na XP, o economista-chefe, Caio Megale, vê espaço para duas altas de 100pb e outras duas de 50pb, com a Selic terminal em 14,25% em maio de 2025. A taxa cairia a 13,25% no fim do ano, de 12,25% estimados antes.


… As novas projeções acompanham um aumento na previsão da XP para o IPCA 2024, de 4,9% para 5%. Para 2025, a expectativa é de 5,2% e para 2026, de 4,5%. O PIB deste ano foi revisado de 3,1% para 3,5%.


… Para o câmbio, a expectativa para o final de 2024 passou de R$ 5,70 para R$ 6,00. Para 2025 e 2026, as projeções são de R$ 5,85 e R$ 6,00 respectivamente.


… Já o Citi vê o Copom subindo o juro em 75pb na próxima 4ªF e acredita que o BC vai elevar a projeção do IPCA no horizonte relevante (2Tri26) de 3,6% para 3,8%.


SEIS POR MEIA DÚVIDA – Foi negativa para a Petrobras a repercussão à matéria do Globo de que o governo planeja transferir o presidente de conselho da estatal, Pietro Mendes (ligado ao ministro Alexandre Silveira), para a ANP.


… Depois do fechamento dos negócios, a Petrobras confirmou que Mendes foi indicado pelo MME para ocupar uma diretoria da ANP, mas que, durante o processo de análise, ainda segue como presidente do conselho da companhia.


… A mudança abre espaço para o economista Bruno Moretti, ligado ao ministro Rui Costa, assumir a cadeira do CA.


… O investidor, que já viu muitas vezes o filme de ingerência política, sempre costuma reagir mal em um primeiro momento, como aconteceu ontem, quando derrubou Petrobras ON (-0,96%, a R$ 42,37) e PN (-0,63%, a R$ 39,25).


… A troca não altera, porém, o jogo de forças dentro do colegiado da empresa, com seis dos 11 conselheiros diretamente indicados pelo governo. “Significa mudar para manter como está”, resumiu uma fonte ao Broadcast.


… “Silveira e Costa são a mesma pessoa dentro da Petrobras”, disse outro interlocutor. O mais importante para o investidor é que a mudança não tenha impacto no pagamento de dividendos e nas condições de geração de caixa.


… “A Petrobras tem passado por diversas mudanças internas, que não alteraram os principais pilares: manutenção da política de preços, investimentos e boa distribuição de dividendos”, aponta o analista João Daronco (da Suno).


… Se tudo continuar na mesma, como tudo indica que continuará, a cautela do investidor não deve perdurar.


… A queda de Petrobras ontem neutralizou os ganhos do Ibovespa, que fechou estável (-0,04%), aos 126.087,02 pontos), com giro de R$ 22 bilhões. Vale (ON, -1,95%, a R$ 57,33) também anulou as forças da bolsa.


… Descolada a alta do minério (+0,43%), a companhia ainda reflete os desafios apresentados no Investor Day. Existe a percepção entre parte do mercado de chances mais reduzidas de a Vale distribuir dividendos extraordinários.


… Apesar da falta de apetite pelas blue chips das commodities, os bancos compensaram. Bradesco ON (+1,28%; R$ 11,12), PN (+1,14%; R$ 12,44), BB (+1,21%; R$ 25,17), Itaú (+0,62%; R$ 32,68) e Santander (+0,04%; R$ 25,30).


… O maior ganho da sessão foi de BRF, com +5,58%, a R$ 27,80, beneficiada pela queda no preço do milho e pelo dólar valorizado. Em seguida na lista, LWSA avançou 4,58% (R$ 3,65) e Rumo subiu 2,77% (R$ 19,28).


… As piores perdas do dia ficaram com Azzas (-4,49%; R$ 35,09), MRV (-4,19%; R$ 5,03) e Hapvida (-3,32%; R$ 2,62).


SO FAR, SO GOOD – Dados que mostram a economia dos EUA resiliente, mas num ritmo menor, reforçaram ontem a percepção de que o Fed ainda vai voltar a cortar o juro em dezembro, nem que seja pela última vez neste ciclo.


… Às vésperas do payroll, o setor privado dos EUA criou 146 mil empregos em novembro, abaixo da previsão de 165 mil. Ainda o número de outubro foi revisado bem para baixo, de 233 mil para 184 mil vagas.


… Outro indicador econômico exibiu enfraquecimento. O PMI do setor de serviços medido pelo ISM caiu de 56,0 em outubro para 52,1 em novembro, bem abaixo da expectativa de 55,6.


… Depois dos dados, as apostas em corte de 25pb nos juros pelo Fed este mês avançaram de 72,9% para 75,7%.


… O mercado não migrou para a precificação de juro estável em dezembro, apesar dos comentários otimistas de Powell. Para ele, a economia está mais forte do que parecia em setembro, quando o Fed começou a baixar os juros.


… Segundo Powell, o BC pode se dar ao luxo de ser cauteloso ao reduzir as taxas para um nível neutro.


… “Powell estava muito otimista com a economia e disse que estamos fazendo progresso na inflação. São boas notícias para as ações em geral”, comentou Peter Cardillo (Spartan Capital Securities) na Reuters.


… Outros dirigentes do Fed seguiram a cartilha da cautela em seus pronunciamentos.


… Alberto Musalem disse ver novos cortes de juros como necessários, mas que as incertezas podem interferir no processo. “O caminho para o juro neutro pode ser acelerado, pausado ou desacelerado, a depender do ambiente.”


… Thomas Barkin (Richmond) disse estar encorajado pela desaceleração dos preços, mas que a inflação segue acima da meta.


… Enquanto isso, o Livro Bege indicou que a atividade econômica aumentou na maioria dos distritos do Fed.


… As bolsas de NY emplacaram mais um recorde de fechamento. Os bons balanços de Salesforce (+11%) e Marvell Technology (+23,2%), ambos no embalo da IA, deram gás ao segmento tech, que liderou os ganhos.


… O Nasdaq saltou 1,30%, aos 19.735,12 pontos, e o S&P 500 ganhou 0,60% (6.086,47 pontos). Pela primeira vez acima dos 45 mil pontos, o Dow Jones subiu 0,69% (45.014,04 pontos).


… Os juros dos Treasuries reagiram aos dados mais amenos da economia americana e à indicação de Paul Atkins para a SEC. O retorno da note de 2 anos caiu a 4,127%, de 4,178% na sessão anterior.


… O da note de 10 anos recuou a 4,187% (de 4,224%) e o do T-bond de 30 anos foi a 4,353% (de 4,407%).


… Mais uma vez, o índice dólar (DXY) fechou perto da estabilidade (-0,04%), em 106,321 pontos.


… O euro ficou praticamente no zero a zero (+0,06%), a US$ 1,0518, segurando a pressão da crise política na França, onde o Parlamento derrubou o primeiro-ministro, Michel Barnier.


 … No início da sessão, o euro chegou a cair com o fraco PMI de serviços da zoa do euro em novembro, o menor em dez meses, a 49,5 (de 51,6 em outubro). O PPI caiu 3,2% na comparação anual, de -3% esperados.


… Em discurso ontem, Christine Lagarde (BCE) afirmou que “a batalha contra a inflação está perto de ser vencida”, embora tenha evitado se comprometer com qualquer trajetória para os juros.


… A libra esterlina subiu 0,24%, a US$ 1,2704, a despeito de Andrew Bailey (BoE) ter dito ao FT que espera quatro cortes de juros no ano que vem, se a economia evoluir conforme esperado. O iene recuou 0,61%, a 150,528/US$.


… Mesmo sem pressão do dólar e na véspera da reunião da Opep+, que pode estender os cortes de produção até o 1Tri25, a cotação do petróleo Brent/fev caiu forte (-1,81%), a US$ 72,31 o barril, na ICE.


EM TEMPO… BRF distribuirá JCP no valor total de R$ 200 milhões, o que corresponde a R$ 0,123 bruto por ação, com pagamento em 30 de dezembro deste ano. Ex em 17/12.


MINERVA informou que a unidade de Rolim de Moura (RO) foi habilitada para exportar carne bovina in natura aos EUA. A empresa passa a ter 14 plantas no Brasil habilitadas ao mercado americano.


BRASKEM. Novo CEO, Roberto Prisco Paraiso Ramos, veterano da Novonor, deu início à reformulação da diretoria executiva. Felipe Montoro Jens substituirá Pedro Freitas na diretoria financeira e de RI…


… Stefan Lepecki entrará no lugar de Edison Terra Filho, responsável pela Unidade Olefinas & Poliolefinas América do Sul, e de Marcelo de Oliveira Cerqueira, responsável por Manufatura Brasil e Operações Industriais Globais…


… A petroquímica reduziu o número de vice-presidências ou diretorias de 12 para 9 na nova estrutura de comando e informou que apenas quatro executivos do quadro atual seguirão na companhia.


NATURA & CO. Tribunal que supervisiona o processo de Chapter 11 da Avon Products Inc (IPA) aprovou o acordo de transação global com o comitê de devedores quirografários da Avon…


… Também foi aprovada a venda das operações da Avon fora dos EUA para a Natura por meio de uma oferta de crédito no valor de US$ 125 milhões.


SUZANO pagará R$ 2,5 bilhões em JCP, a R$ 2,017 por ação; ex em 17/12. Pagamento será em 10 de janeiro de 2025.


LOCALIZA aprova a 40ª emissão de debêntures simples, no valor de R$ 600 milhões, com vencimento em 10 de dezembro de 2030.


SANTOS BRASIL. O número de contêineres movimentados cresceu 20,5% em novembro de 2024 ante mesmo mês de 2023, para 125.730 unidades. Nos 11 primeiros meses do ano, houve avanço de 23,6%.


HBR REALTY- empresa de propriedades comerciais da família Borenstein, dona da incorporadora Helbor – colocou em andamento um plano de venda de ativos com potencial para movimentar R$ 1,3 bilhão, segundo o Broadcast…


… Pela estimativa de mercado, o valor é mais que o triplo do seu valor de mercado na bolsa (R$ 390 mi). O dinheiro será usado como combustível para novos projetos de prédios corporativos, shopping e centros de conveniência.


NEOENERGIA PERNAMBUCO fará a 15ª emissão de debêntures simples, no valor total de R$ 700 milhões, com prazo de seis anos a contar da data da emissão.


EQUATORIAL GOIÁSfará o resgate antecipado facultativo das debêntures da segunda emissão, no valor total aproximado de R$ 836,8 milhões, em10 de dezembro deste ano.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...