sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Matinal ConfianceTec 2211

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

22/11/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (21)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na quinta-feira (21) em queda de 0,99%, a 126.922 pontos. Já o dólar encerrou em alta de 0,75%, a R$ 5,811. Continua a "pesar" a escalada da guerra da Ucrânia e o impasse em torno do pacote fiscal.

  

MERCADOS (5h40):


Em NY, os índices futuros operam próximos da estabilidade, mesmo que fechando a semana com ganhos. Mercados na Ásia fecharam "mistos", na Europa operando em alta. Todos atentos aos relatórios dos PMIs.


EUA: 🇺🇸

Dow Jones Futuro, +0,05%

S&P 500 Futuro, -0,02%

Nasdaq Futuro, -0,08%


Ásia-Pacífico: 🇨🇳🇯🇵🇰🇷🇦🇺

Shanghai SE (China), -3,06%

Nikkei (Japão), +0,68%

Hang Seng Index (Hong Kong), -1,89%

Kospi (Coreia do Sul), +0,83%

ASX 200 (Austrália), +0,85%


Europa: 🇪🇺

FTSE 100 (Reino Unido 🇬🇧), +0,67%

DAX (Alemanha 🇩🇪), +0,57%

CAC 40 (França 🇫🇷), +0,50%

FTSE MIB (Itália 🇮🇹), +0,38%

STOXX 600, +0,62%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,64%, a US$ 70,55 o barril

Petróleo Brent, +0,63%, a US$ 74,69 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -1,09%, a 769 iuanes (US$ 106,13)


NO DIA (22/11):


Terminando a semana atentos ao desenrolar da guerra entre Rússia e Ucrânia. Os ataques russos com mísseis intercontinentais, ainda que sem ogivas nucleares, são uma nova etapa deste conflito. Quais os próximos passos?


Diante disso, a aversão ao risco global aumenta e os investidores buscam proteção no dólar e nos Treasuries americanos, além de pressionar o petróleo. 


Soma-se a isso, permanece alguma incerteza sobre como deve ser o governo Trump. 


No cenário doméstico, segue o pacote fiscal sendo "empurrado" com a barriga, o que vem aumentando o desconforto.


 Haddad informou que o anúncio deverá sair até terça-feira (26) e antecipou que o bloqueio no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado hoje, deve ser um pouco superior a R$ 5 bilhões.


Medidas mais comentadas transitam em torno do reajuste do salário mínimo limitado a 2,5% além do IPCA, dentro do espírito do arcabouço, e a idade mínima de aposentadoria dos militares a 55 anos.


Medo maior é o da frustração...


AGENDA 22/11:


Indicadores:

04h00. Alemanha/Destatis: PIB do 3º trimestre

04h00. Reino Unido/ONS: Vendas no varejo de outubro

06h00. Z. do Euro/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar 

06h30. Reino Unido/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar

11h45. EUA/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar

12h00. EUA/Univ. Michigan: Índice de sentimento do consumidor, final de nov.

15h00. EUA/Baker Hughes: Poços de petróleo em operação


Eventos:

05h30. Alemanha: Christine Lagarde (BCE) discursa em Frankfurt.

09h30. Brasil/BCB: Diogo Guillen faz reunião trimestral com economistas grupos 8 e 9.

11h15. Brasil: Coletiva da Petrobras sobre Plano Estratégico

20h15. EUA: Diretora do Fed Michelle Bowman discursa

Brasil: Fazenda divulga relatório bimestral de receitas e despesas.

     

Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Matinal MZ 2211

 🌎🇧🇷🇺🇸 Relatório bimestral e PMIs são destaques do dia


A escalada das tensões na guerra entre Rússia e Ucrânia já leva o investidor global a buscar proteção no dólar e Treasuries americanos, além de pressionar o petróleo, enquanto persistem as incertezas sobre a política do Fed no governo Trump. Nesse contexto, o índice DXY encosta nos 107 pontos, contribuindo para a pressão do câmbio, que voltou a fechar acima de R$ 5,80. Junto com o cenário externo, a demora no pacote fiscal aumenta o desconforto do mercado, que teme por uma decepção. No início da noite, Haddad informou que o anúncio deverá sair até 3ªF e antecipou que o bloqueio no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado hoje, deve ser um pouco superior a R$ 5 bilhões. A boa notícia é que saiu o dividendo extraordinário da Petrobras. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️04h00 – Alemanha/Destatis: PIB do 3º trimestre

▪️04h00 – Reino Unido/ONS: Vendas no varejo de outubro

▪️06h00 – Z. do Euro/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar 

▪️06h30 – Reino Unido/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar

▪️11h45 – EUA/S&P Global: PMIs de novembro - preliminar

▪️12h00 – EUA/Univ. Michigan: Índice de sentimento do consumidor, final de nov

▪️15h00 – EUA/Baker Hughes: Poços de petróleo em operação


Eventos

▪️05h30 – Alemanha: Christine Lagarde (BCE) discursa em Frankfurt

▪️09h30 – Brasil/BC: Diogo Guillen faz reunião trimestral com economistas grupos 8 e 9

▪️11h15 – Brasil: Coletiva da Petrobras sobre Plano Estratégico

▪️20h15 – EUA: Diretora do Fed Michelle Bowman discursa

▪️Brasil: Fazenda divulga relatório bimestral de receitas e despesas


🔎 Veja os principais indicadores às 5h40 (horário de Brasília):


🌏 EUA

* Dow Jones Futuro: +0,05%

* S&P 500 Futuro: -0,02%

* Nasdaq Futuro: -0,08%

🌏 Ásia-Pacífico

* Shanghai SE (China), -3,06%

* Nikkei (Japão): +0,68%

* Hang Seng Index (Hong Kong): -1,89%

* Kospi (Coreia do Sul): +0,83%

* ASX 200 (Austrália): +0,85%

🌍 Europa

* FTSE 100 (Reino Unido): +0,67%

* DAX (Alemanha): +0,57%

* CAC 40 (França): +0,50%

* FTSE MIB (Itália): +0,38%

* STOXX 600: +0,62%

🌍 Commodities

* Petróleo WTI, +0,64%, a US$ 70,55 o barril

* Petróleo Brent, +0,63%, a US$ 74,69 o barril

* Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -1,09%, a 769 iuanes (US$ 106,13)

🪙 Criptos

* Bitcoin, +0,67%, a US$ 98.919,83


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BDM Matinal Riscala 2211

 *BLOQUEIO NO ORÇAMENTO E DIVIDENDOS EXTRAS DA PETROBRAS* 

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


Sexta-feira, 22 de Novembro de 2024


… A escalada das tensões na guerra entre Rússia e Ucrânia já leva o investidor global a buscar proteção no dólar e Treasuries americanos, além de pressionar o petróleo, enquanto persistem as incertezas sobre a política do Fed no governo Trump. Nesse contexto, o índice DXY encosta nos 107 pontos, contribuindo para a pressão do câmbio, que voltou a fechar acima de R$ 5,80. Junto com o cenário externo, a demora no pacote fiscal aumenta o desconforto do mercado, que teme por uma decepção. No início da noite, Haddad informou que o anúncio deverá sair até 3ªF e antecipou que o bloqueio no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado hoje, deve ser um pouco superior a R$ 5 bilhões. A boa notícia é que saiu o dividendo extraordinário da Petrobras.


… Em comunicado à noite, a companhia informou que pagará R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários aos acionistas, o equivalente a R$ 1,55174293/ação ON e PN no dia 23/12 aos investidores da B3. Os detentores de ADRs receberão em 03/01/2025.


… Detentora de 36,6% do capital da Petrobras, a União vai receber R$ 7,32 bilhões, ajudando no ajuste das contas públicas.


… Junto com o anúncio dos dividendos extraordinários, a Petrobras anunciou também o Plano Estratégico para 2050 e o Plano de Negócios para o período 2025-2029, que será detalhado em entrevista coletiva prevista para hoje, às 11h15 (leia mais abaixo).


… Outro destaque desta 6ªF é o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, que deve trazer um novo bloqueio orçamentário.


… Segundo adiantou o ministro da Casa Civil, Rui Costa, mais cedo à GloboNews, esse bloqueio será na casa dos R$ 5 bilhões. À noite, o ministro Fernando Haddad informou que “talvez seja um pouquinho mais do que isso, mas na casa dos R$ 5 bilhões”.


… Com a arrecadação vindo em linha com o esperado, o governo não deve anunciar um novo contingenciamento.


… Haddad disse ainda estar convencido de que o governo cumprirá a meta de resultado primário deste ano, que prevê zerar o déficit com uma banda de tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB. “A receita está correspondendo às nossas expectativas.”


… O ministro também adiantou que a equipe econômica levará ao presidente Lula na 2ªF a minuta das medidas de ajuste fiscal, incluindo o acordo que foi feito com o Ministério da Defesa e que deverá render uma economia anual em torno de R$ 2 bilhões.


… Ele espera que ao fim desta reunião com Lula já possa ser definido o horário do anúncio, que pode ser na própria 2ªF ou na 3ªF.


… “Nós vamos bater com ele [Lula] a redação e ao fim da reunião, marcada para as 10h, nós estaremos prontos para divulgar.”


… O mercado parece estar apostando que o pacote deve mesmo sair com os R$ 70 bilhões ventilados, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, ao Broadcast. Mas, além do valor, os analistas querem ver a estrutura da proposta.


… Na Carta Mensal da Monte Bravo Investimentos, o estrategista-chefe, Alexandre Mathias, também mostra otimismo.


… “Apesar da demora, mantemos a visão de que Lula será pragmático e endossará o ajuste para trazer o déficit primário estrutural para perto de zero em 2026. Ainda não é suficiente para estabilizar a dívida, mas será um avanço relevante com impacto positivo.”


HABEMOS DIVIDENDOS – Sinalizando o ajuste positivo na abertura hoje, o ADR da Petrobras saltou 1,84% em NY.


… A distribuição dos R$ 20 bilhões em dividendos extraordinários anunciada na noite de ontem pela empresa libera parte dos recursos retidos no início do ano e que foram um dos pivôs da demissão de Jean Paul Prates.


… O diretor financeiro, Fernando Melgarejo, já havia antecipado no início do mês que a companhia poderia anunciar dividendos extras após a aprovação do novo plano de negócios, considerando novas diretrizes consolidadas.


… Em paralelo, a Petrobras divulgou oficialmente nesta 5ªF o seu novo plano de investimentos e confirmou as informações que haviam vazado três dias antes, de orçamento total de US$ 111 bilhões para o período de 2025-29.


… Desse volume, a área de Exploração e Produção de petróleo e gás natural segue com a maior fatia do total de investimentos previstos: US$ 77 bilhões, contra os US$ 73 bilhões do plano anterior, aprovado em 2023.


MAIS AGENDA – O diretor do BC Diogo Guillen (Política Econômica) tem reunião trimestral com economistas no Rio de Janeiro. Haddad está em SP, onde se reúne, às 10h, com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.


… Nos EUA, as expectativas de inflação de 1 ano e 5 anos virão embutidas na leitura final do índice de sentimento do consumidor, medido pela Univ. de Michigan (12h). A Baker Hughes solta às 15h os poços de petróleo em operação.    


… A leitura preliminar de novembro do PMI/S&P Global composto sai nos EUA (11h45), zona do euro (6h), Alemanha (5h30) e Reino Unido (6h30). Lagarde fala cedinho (5h30) e Michelle Bowman (Fed) discursa à noite (20h15).


JAPÃO HOJE – O núcleo da inflação ao consumir desacelerou em outubro pelo segundo mês consecutivo, para 2,3%, contra 2,4% em setembro, mas economistas ainda veem um aumento das taxas de juro pelo BoJ na mesa.


… Ainda no Japão, a leitura preliminar de novembro do PMI/S&P Global composto subiu de 49,6 em outubro para 49,8, mas ainda permaneceu abaixo do nível neutro de 50, ou seja, indicando retração da atividade econômica.


… O PMI industrial cedeu de 49,4 para 49,0 em igual período, também em território de contração. Já o PMI do setor de serviços teve alta de 49,7 para 50,2 na mesma base comparação, indicando crescimento gradual do segmento.


O GOVERNO NÃO PODE ERRAR – Parte da escalada do dólar nesta 5ªF, quando voltou a cruzar a barreira de R$ 5,80, foi atribuída à busca por hedge defensivo com o uso de um foguete hipersônico por Moscou contra os ucranianos.


… Mas, em maior medida, a pressão está ligada à esperança frustrada do pacote fiscal, que sempre parece estar para sair e não sai nunca. Quem sabe agora que Haddad deu data, o câmbio consiga embarcar hoje em algum alívio. 


… O governo não pode errar. “Se [o pacote] agradar, podemos ver o dólar voltando para R$ 5,40″, calcula Rodrigo Miotto (da Nippur Finance) ao Broadcast. “Se decepcionar, podemos ver a moeda americana buscar os R$ 6,00.”


… Para o UBS, além da dinâmica fiscal doméstica, o quadro exterior deve continuar precificando riscos. “Achamos que o mercado está superestimando a probabilidade de juros altos prolongados pelo Fed”, acredita o banco.


… “No curto prazo, é um ambiente de dólar forte ainda, o que traz um vento contra o real por um período mais longo”, projeta o UBS, que adverte, porém, que a moeda está subindo demais e pode atrair vendas na metade/2025.


… O dólar subiu ontem em tempo integral, tendo batido R$ 5,8340 no auge do estresse. Até o fechamento, desacelerou para R$ 5,8115 (+0,77%), mas ostenta o terceiro nível nominal mais elevado da história do real.


… O BC informou que o fluxo cambial na semana passada ficou negativo em US$ 1,989 bilhão, resultado de uma fuga de US$ 1,262 bilhão pela conta financeira e saída de US$ 727 milhões pela conta comercial.


… No acumulado do mês, o fluxo está negativo em US$ 1,421 bilhão. No ano, ainda segue positivo em US$ 8,132 bi.


… Fugindo à regra, o dólar caro e o avanço dos juros dos Treasuries não respingaram ontem na curva do DI, porque dizem que os juros futuros já andaram exagerando tanto nos prêmios, que algumas correções se tornam inevitáveis.


… A arrecadação federal de outubro (R$ 247,9 bilhões) no teto das projeções dos economistas ajudou a blindar os contratos do DI de novas altas. Mas os vencimentos se recusaram a cair, optando por resistir perto da estabilidade.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 13,185% (de 13,180% no pregão anterior); Jan/27 pagava  13,345% (de 13,340%); Jan/29, 13,150% (de 13,160%); Jan/31, 12,980% (de 12,990%); e Jan/33, 12,870% (12,860%).


SINAIS DE FADIGA – Longe do rali de quase 2% do petróleo, as ações da Petrobras subiram pouco, à espera dos detalhes de seu plano estratégico; Vale não conseguiu virar para o positivo; e os bancos caíram em bloco.


… A volta do feriado ainda trouxe a escalada nas tensões no conflito entre Ucrânia e Rússia, que provocou uma corrida por ativos seguros, como o dólar, e a indefinição sobre o pacote de gastos.


… Como resultado da falta de ânimo das blue chips das commodities e dos bancos, o Ibovespa não conseguiu faturar a acomodação da curva do DI e recuou 0,99%, sem conseguir defender os 127 mil pontos (126.922,11).


… Puxado pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia, o petróleo Brent/jan saltou 1,95%, a US$ 74,23 por barril, mas Petrobras ON subiu apenas 0,17% (R$ 41,09) e PN, +0,29% (R$ 37,91).


… Vale caiu 0,10% (R$ 57,62), na contramão discreta alta do minério em Dalian, de 0,39%.


… BB liderou as perdas entre os bancos: -2,28%, a R$ 25,26. Itaú caiu 1,73%; R$ 34,01, Bradesco ON cedeu 0,74% (R$ 12,08), PN recuou 0,36% (R$ 13,77) e Santander teve queda de 0,16% (R$ 25,32).


… A maior baixa foi de Lojas Renner, com -5,31%  (R$ 15,68), seguida de Cosan, com -4,64% (R$ 10,49) e Hapvida, com -4,64% (R$ 2,88).


… Entre as poucas altas da sessão se destacaram Vamos Locação (+5,14%; R$ 6,14), Embraer (+3,32%; R$ 56,25) e BRF (+3,28%; R$ 25,21).


REVIRAVOLTA – Apesar de certa decepção com o balanço da Nvidia e pressões regulatórias sobre a Alphabet, os investidores em NY conseguiram deixaram as techs em segundo plano e abriram espaço para as ações cíclicas.


… O mercado superou a reação inicial negativa com os números da Nvidia, mas a ação da companhia teve um desempenho apagado, com alta de 0,53%.


… Já a Alphabet teve mais uma queda expressiva (-4,56%), em meio à pressão do Departamento de Justiça dos EUA para que venda o navegador Chrome.


… O Nasdaq teve o pior desempenho entre os principais índices de ações em Wall St. Mesmo assim, fechou estável (+0,03%), em 18.972,42 pontos. O Dow Jones subiu 1,06% (43.870,35) e o S&P 500 avançou 0,53% (5.948,71).


… O Índice Russell 2000, de pequenas empresas, possíveis beneficiárias de um impulso à economia dado pelo novo governo Trump, subiu 1,65%.


… Os indicadores do dia reforçaram a leitura de uma economia resiliente, mas não chegaram a mexer com os negócios. As vendas de moradias usadas em outubro subiram 3,4% sobre setembro, acima dos 2,3% esperados.


… Pedidos de auxílio-desemprego caíram 6 mil, a 213 mil na semana passada, menor número desde abril. Esperava-se aumento para 220 mil.


… Mais uma vez, as notícias sobre a escalada da guerra entre Ucrânia e Rússia provocaram volatilidade nas bolsas e reforçaram a tendência de alta do dólar. O DXY subiu 0,27%, a 106,972 pontos.


… A busca por ativos seguros também beneficiou o iene, que subiu 0,54%, a 154,504/US$. O euro caiu 0,55%, a US$ 1,0482, e a libra recuou 0,40%, a US$ 1,2597.


… A falta de pressa do Fed em cortar juro, expressa no discurso de mais um dirigente, contribuiu para elevar os juros dos Treasuries curtos e médios, já pressionados por um leilão de Tips com demanda abaixo da média.


… Austan Goolsbee (Fed/Chicago) disse que os juros devem se aproximar do nível neutro em 2025, mas que isso não precisa ocorrer rapidamente. “Faz sentido reduzir o ritmo de corte de juros conforme nos aproximamos da meta.”


… No fim da tarde em NY, o retorno da note de 2 anos subia a 4,346% (de 4,323% na sessão anterior) e o da note de 10 anos avançava a 4,418% (de 4,405%). Já o do T-bond de 30 anos recuava a 4,602% (de 4,604%).


EM TEMPO… JBS assinou memorando com a Nigéria, prevendo investimento de US$ 2,5 bilhões para a construção de seis fábricas no país…


… O projeto será conduzido em parceria com o governo local, que se comprometeu a criar condições econômicas, sanitárias e regulatórias favoráveis.


CVC aprovou um novo programa de recompra de até 15.767.732 de ações ordinárias, que representam 3% do total de ações em circulação. As aquisições poderão ser feitas entre 01/12/24 e 01/06/26.


COGNA aprovou a 14ª emissão de debêntures simples, no valor total de R$ 500 milhões. Os recursos serão usados para alongamento do passivo financeiro da empresa e reforço de capital de giro.


ELETROBRAS. MME determinou que empresa será responsável pela modelagem de projetos em localidades isoladas do sistema interligado nacional, especificamente para a região Norte…


… Cerca de R$ 372 milhões do fundo Pró-Amazônia Legal serão destinados às iniciativas focadas na redução do custo de geração de energia elétrica.


ENERGISA registrou aumento anual de 7,3% no consumo de energia elétrica em outubro, alcançando 3.858 GWh. As classes que mais contribuíram para o resultado foram a residencial (+10,2%), industrial (+7,8%) e rural (+8,6%).


SANEPAR anunciou plano de investimentos de R$ 11,824 bi para o período de 2025 a 2029. Do total, R$ 6,632 bi serão aplicados em redes de esgoto e R$ 4,534 bi em distribuição de água; R$ 658 mi irão para outros investimentos.


CBA vendeu participação acionária integral de 3,03% na Alunorte (Alumina do Norte) para uma subsidiária integral da Glencore PLC por R$ 236,8 milhões, a serem pagos à vista na conclusão da operação.


TC vendeu a Economatica para a Reag Investimentos. A assinatura do Memorando de Entendimentos prevê a alienação direta da totalidade das cotas societárias da Economatica com um valuation de R$ 60 milhões.

Bankinter Portugal Matinal 2211

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Nova Iorque está há 4 dias a aguentar muito bem; a fechar em positivo por um triz, mas em positivo. As bolsas europeias estão com pior tom, mais erráticas, mas isso é o normal perante o próximo governo de Trump. Por isso, focamos a nossa Estratégia mais do que antes, ainda, para os EUA. As yields das obrigações moveram-se muito pouco nas últimas 24h e o mais destacável é a apreciação do USD até 1,047/€, provavelmente devido ao facto de Barkin (Fed Richmond) ter dito que as empresas estão a transferir os aumentos de custos aos clientes, portanto, embora a inflação continue a cair, há uma maior vulnerabilidade a choques de custos que afetam a inflação, também pelos salários, há 5 anos. 

 

Esta manhã, no Japão, encaixamos uma inflação um pouco superior ao esperado na sua leitura subjacente (Geral +2,3% desde +2,5%, mas Subjacente +2,3% vs. +2,2% esperado vs. +2,4% anterior), o que permite uma ligeira apreciação do yen, porque, em teoria, reforça a expetativa de que o BoJ suba pelo menos +15 p.b. até 0,40%, na sua reunião a 19 de dezembro. E Alemanha revê em baixa o seu PIB 3T em relação à sua leitura preliminar (-0,3% vs. -0,2% preliminar), levando 6 trimestres consecutivos em contração, sem crescer: -0,3%, 0%, -0,2%, -0,2%, -0,7% e -0,3% (2T’23). Por fim, agora, mais Vendas a Retalho no Reino Unido: +2,4% vs. +3,4% esperado e setembro é revisto em baixa até +3,2% desde +3,9% preliminar. É a forma que os britânicos têm de agradecer a Starmer as suas subidas de impostos. 

 

HOJE saem todos os PMIs nas economias desenvolvidas, sendo os Industriais os mais importantes. Geralmente, a repetir na Europa, todos em zona de contração económica: 08:15h FRA (repetir 44,5), 08:30h ALE (repetir 43,0), 09h UE (repetir 46,0), 09:30h R. Unido (50,0 vs. 49,9). Depois, às 14:45h, nos EUA: 48,8 vs. 48,5. E, o mais importante, às 15:45h: Schnabel (a pessoa que mais sabe sobre política monetária no BCE, com sério perfil técnico e nada político) fala sobre política monetária, portanto tudo o que diga sobre inflação/taxas de juros poderá determinar o fecho europeu. Mais cedo ou mais tarde, o BCE deverá admitir que as previsivelmente menores descidas de taxas de juros da Fed o condicionam, de forma que também poderá baixar menos ou, pelo menos, adiantará todas as suas descidas para tentar que lhe dê tempo. Nós estimamos 2,25%(Depósito)/2,40%(Crédito) logo que possível em abril 2025. Previamente, desde as 8h, falam outros do BCE (Lagarde, Nagel, Villeroy e De Guindos), mas não é provável que acrescentem novidades.  

 

Na quarta-feira da próxima semana temos o PIB 3T revisto (preliminar +2,8%) e Deflator do Consumo Privado PCE a aumentar (+2,3% vs. +2,1%; Subjacente +2,8% vs. +2,7%) nos EUA, e na sexta-feira a inflação da UE também a aumentar e bastante (+2,4% vs. +2,0%), além da Black Friday. Esses aumentos de inflação encaixam com as nossas estimativas, mas agradarão pouco ao mercado, portanto cuidado, porque as bolsas e obrigações provavelmente enfraquecerão. Esse aumento de inflação até +2,4% deverá forçar o BCE a refletir seriamente… 

 

Os futuros europeus vêm a subir um pouco (ca.+0,4%), mas os americanos mistos e não têm aspeto de fechar a semana a subir devido à incerteza sobre inflação/taxas de juros, aumento do risco geoestratégico e aumentos de inflação na próxima semana. O natural seria que Wall St. fosse de fim de semana em vez de descarregar posições para reduzir alguma exposição e risco. 

 

S&P500 +0,5% Nq-100 +0,4% SOX +1,6% ES-50 +0,6% IBEX +0,2% VIX 16,9% Bund 2,32% T-Note 4,41% Spread 2A-10A USA=+7pb B10A: ESP 3,04% PT 2,79% FRA 3,10% ITA 3,57% Euribor 12m 2,491% (fut.2,140%) USD 1,047 JPY 162,0 Ouro 2.692$ Brent 74,2$ WTI 70,1$ Bitcoin +1,1% (99.154$) Ether +0,8% (3.375$). 

 

FIM

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Sobre a Rússia

 UM TEXTO SOBRE A RÚSSIA, JÁ COM 20 ANOS


Publiquei este texto, em agosto de 2004, há mais de 20 anos, em "O Mundo em Português", uma publicação do saudoso IEEI (Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais), dirigido por Álvaro Vasconcelos, com quem continuo nos dias de hoje a cooperar no Forum Demos. Não retiro uma linha ao que escrevi, tendo muitas a acrescentar, em especial sobre a Ucrânia, que não estava ainda no radar de prioridades.


É um texto relativamente longo. Se não tiverem paciência, passem à frente. Não levarei a mal...


AS NOVAS FRONTEIRAS DA RÚSSIA


As mudanças políticas que ocorreram na Geórgia no final de 2003 vieram chamar, uma vez mais, a atenção para um mundo muito vasto, constituído pelos Estados que resultaram do desmantelamento da União Soviética. Dos países bálticos à Ásia Central, da Bielorússia ao Cáucaso, os últimos anos converteram a periferia da Rússia numa área política algo heterogénea, onde se cruzam interesses económicos e estratégicos, cuja evolução dá sinais de perturbar frequentemente o poder político em Moscovo.


Terá a Rússia razões fundamentadas para temer um surto induzido de instabilidade nas suas cercanias, com implicações efectivas na sua segurança futura? Ou estará Moscovo a reagir de forma desproporcionada à constatação da dificuldade de controlar os processos políticos gerados à sua volta? E que condições terá para promover uma reacção eficaz, em moldes que preservem a sua imagem e credenciais internacionais como poder democrático?


A vizinhança imediata


O processo que levou Moscovo, no auge da implosão da URSS, a ter de conceder plena soberania a vários dos seus Estados integrantes, pondo fim a uma União que havia sido preservada em torno de um modelo político em colapso, acabou por dar origem a realidades nacionais diversas, mas, em grande parte, assentes em regimes de matriz algo autoritária, embora com fórmulas constitucionais teoricamente democráticas. Com excepção dos Estados bálticos, na maioria desses países sobreviveu uma cultura política que, curiosamente, passou a ter mais a ver com a herança dos tempos soviéticos do que com a situação entretanto instalada na própria Rússia contemporânea.


Aos primeiros tempos dessa fragmentação sucederam-se tentativas de retomada centrípeta de alguma coordenação de políticas, de que a CEI (Comunidade dos Estados Independentes) foi o exemplo mais patente. Mas a desconfiança histórica e os ciclos de instabilidade nos diversos Estados afectaram sempre os fundamentos de tais estruturas de cooperação intergovernamental, a que a crise económica quase generalizada afectou a eficácia funcional. Além disso, alguma flutuação na afirmação externa das novas lideranças russas, fruto de razões internas e da evolução da conjuntura internacional, deu origem a etapas também diversas no seu relacionamento com o near abroad, não obstante a permanência de algumas constantes.


Esta nova realidade circundante trouxe a Moscovo, talvez mais do que a nostalgia de um poder perdido, a necessidade de convivência com a proliferação de entidades políticas autónomas, com dinâmicas próprias, quase sempre marcadas pelo sinal de uma potencial instabilidade política, fruto das suas crises de legitimidade. Aquela que sempre foi a matriz da preocupação histórica de Moscovo – a segurança no seu cenário estratégico de proximidade – converteu-se numa crescente obsessão, em particular para um poder militar que cedo entendeu que tinha de se contentar com um futuro sofrível de afirmação tecnológica, com tudo o que isso implica em termos operacionais, além do mais num quadro constrangente de colocação de forças convencionais. A falta de meios económicos para apoiar qualquer actividade significativa sustentada fora da sua área geográfica continua hoje a limitar a possibilidade da Rússia servir como polo de atracção para os seus vizinhos, com excepção dos casos em que algum recurso a Moscovo se mostra como escapatória para afrontar crises internas ou a proteger tais regimes no quadro de pressões internacionais. Em qualquer dos casos, as limitações com que a Rússia se defronta são óbvias: a sua credibilidade internacional não lhe permite arriscar ultrapassar, sem custos sérios, a red line da ingerência interna e, por outro lado, algum nacionalismo estruturante da identidade dos Estados que se destacaram da URSS constitui-se quase sempre como uma limitação a uma excessiva promiscuidade política com Moscovo. Se a nostalgia da “doutrina Brejnev” subsiste ainda na mentalidade de alguns, o realismo político deve já ter interiorizado a noção de que as aventuras têm um preço internacional muito elevado.


Um caso interessante continua a ser a relação de Moscovo com os países da Ásia Central, onde o padrão autocrático assume modelos diversos, que nalguns casos reproduzem mimeticamente a liturgia soviética. Face às singularidades destes regimes, a Rússia assume uma atitude de compreensão, alegando o respectivo estádio de transição e procurando demonstrar, contra o seu próprio exemplo, que não é prudente queimar etapas, apenas para impor um modelo democrático. Tem vindo a ser interessante observar o modo como a Rússia procura explorar alguma “solidão” internacional de alguns desses Estados, estendendo-lhes sempre a mão política, num esforço que deve ser também lido como de recuperação de alguma influência. Uma influência que tem como limite as próprias condições económicas da Rússia, que lhe não permitem assumir-se como sólida alternativa no plano da ajuda internacional.


O fim da buffer zone


O precipitar dos antigos países socialistas do Centro e Leste do continente para os braços da União Europeia não foi uma surpresa para a Rússia. A Europa comunitária garantia um modelo de estabilização democrática e uma promessa de ajuda ao desenvolvimento económico-social que ia na linha óbvia do projecto das classes políticas emergentes naqueles Estados, quase sempre tributária de uma cultura marcada por forte desconfiança face a Moscovo. A adesão representava, além disso, uma rede subliminar de segurança. Com efeito, esses países entenderam que a simples entrada no clube dos potenciais candidatos à adesão os punha praticamente ao abrigo de uma qualquer, embora improvável, atitude adversa por parte da Rússia, situação bem patente no caso dos três Estados bálticos. Moscovo cedo entendeu que tal movimento era inevitável, tendo talvez contado, erradamente, com a ausência de vontade e de capacidade da União Europeia em avançar com determinação para um processo de tal amplitude.


Com reticências iniciais, em especial ligadas à crescente vocação para uma política de segurança colectiva da União Europeia e à sensível questão báltica, Moscovo conformou-se assim com o alargamento, embora preserve ainda claras reservas à sua extensão sem limites, como haverá oportunidades para confirmar no futuro. Além disso, não deixa de recear, não sem alguma razão, que a estabilidade da relação criada com Bruxelas venha ser posta em causa por eventuais tensões induzidas na PESC pelos novos aderentes, muitas vezes com evidente apetência para explorarem traumas ou contenciosos históricos, ou ainda pendentes, com Moscovo – dado que a nova Rússia continua a ser vista por muitos como um mero sucedâneo da URSS. Neste caso, apenas pode confiar em que a densidade dos interesses da União Europeia sobre si projectados, económicos e de outra natureza, venham a ser um factor de peso para limitar tal deriva.


Mas as objecções essenciais da Rússia quanto ao posicionamento internacional desses países situavam-se noutra dimensão: o alargamento da NATO. Não obstante a Aliança Atlântica ter entretanto elaborado um apreciável quadro formal de cooperação com a Rússia, tendente a gerar confiança e a atenuar tensões, a entrada na NATO de um número significativo de países da Europa Central e Oriental é vista como uma dulcificada “provocação”, que coloca as fronteiras da organização a escassas centenas de quilómetros de Moscovo. A alegada mudança de natureza da organização é um argumento interessante mas demasiado sofisticado para uma cultura político-militar pouco dada a nuances de conjuntura. A circunstância do Ocidente continuar a ligar a ratificação do Tratado CFE Adaptado (que regula a dimensão e colocação das forças convencionais na Europa), bem como a adesão a este Tratado dos países bálticos, à observância pela Rússia dos “Compromissos” firmados em 1999, na cimeira da OSCE em Istambul (retirada de forças e material da Moldova e Geórgia), contribui para potenciar os receios de Moscovo. As fundadas esperanças colocadas pelos EUA no papel da “nova Europa” são um factor acrescido nesta perturbação instalada.


Um alibi de oportunidade


As ondas de choque do 11 de Setembro transportaram a Rússia para uma nova realidade, feita de oportunidades acompanhadas de receios. Por um lado, o seu alinhamento na luta anti-terrorista lançada pelos EUA, com o consequente fechar de olhos circunstancial às suas práticas de imposição político-militar na Chechénia, deram a Moscovo um ensejo para fazer, sem grandes sobressaltos internacionais, aquilo que em circunstâncias normais teria gerado, no mínimo, clamores de condenação. Se a movimentação do nacionalismo checheno não tivesse enveredado pelo desespero como arma política, talvez Moscovo tivesse mesmo conseguido uma solução, neste tempo que lhe foi concedido pela realpolitik.


Mas a queda das Twin Towers trouxe também uma nova – e, aos olhos russos, preocupante – situação na sua fronteira sul. Com a bênção internacional e com um alibi irrecusável, os EUA avançaram pelas Ásias Meridional e Central com uma displicência que a Rússia não pôde disputar, por se tratar do combate a um inimigo que Moscovo definira como comum. Mas entre o Afeganistão e o Iraque alguma água passou sob a ponte. Embora os EUA mantenham a Rússia como parceiro formal de um diálogo ao mais alto nível, vão apresentando como factos consumados aquilo que Moscovo apreciaria fosse produto de uma regulação negociada.


A actividade dos EUA no Cáucaso era, de há muito, um dado adquirido nos equilíbrios da região. Com um pouco discreto apoio à liderança familiar do Azerbaijão e um compromisso com a política de equilíbrio de sobrevivência de Chevardnadze, Washington tinha já conseguido assegurar, sem preocupações de maior, a sustentação do seu projecto petro-político na região. O pouco discreto apoio de Washington à eclosão vitoriosa da nova liderança geórgia obrigou Moscovo a mostrar as últimas cartas de desagrado: reforço da determinação secessionista da Abcásia e da Ossétia do Sul, com a Ajária como jogada intermédia, e uma inesperada recusa, na reunião ministerial da OSCE, em Dezembro de 2003, em Maastricht, de renovar, embora em moldes que o Ocidente queria novos, os “Compromissos” que havia feito em Istanbul. Recorde-se que parte desses mesmos compromissos se prendem precisamente com a manutenção de três bases russas na Geórgia, contra vontade do governo local.


Mas os restantes compromissos, desta vez relativos à Moldova, originaram também uma outra crise. Quase em simultâneo com o eclodir da revolta geórgia, a Rússia apresenta um hábil plano federal para a Moldova, assente no reconhecimento explícito da autonomia da Transnístria, a região secessionista em que Moscovo mantém tropas e material, que se comprometeu, em 1999, respectivamente a retirar e a destruir. A principal “habilidade” deste plano, rejeitado pelo governo moldavo sob o que a Rússia considera ter sido uma pressão ocidental, previa a continuação por um longo tempo das tropas russas, que mudariam o seu estatuto para “forças de manutenção de paz”, desta vez legitimadas pela comunidade internacional. O fracasso desta iniciativa constituiu um golpe humilhante para Vladimir Putin.


Os próximos anos dar-nos-ão resposta a questões que só agora têm condições para ser postas, até porque os respectivos termos de referência estão em constante mudança. Os EUA começam a dar mostras de não ter pejo em forçar alguma tensão com Moscovo, sempre que tal seja compatível com um universo de cumplicidade objectiva de onde continuam a retirar evidentes vantagens. Por outro lado, a renovada legitimidade interna do Presidente Putin permite-lhe, quando oportuno, afirmar agendas de prestígio nacionalista, com o tema da segurança a servir de alavanca instrumental. Estaremos a caminho de um novo, embora diferente, modelo de Guerra Fria?

JR Guzzo

 Moraes e PF não demonstraram que conversas e desejos formam um plano coerente e real de golpe

Por J.R. Guzzo 20/11/2024 | 17h41


"Uma das novidades da vida cotidiana no Brasil de hoje é o dever quase-legal de acreditar num absurdo por dia. São coisas que dizem com a cara, a formalidade e a segurança de um texto do Diário Oficial, e que não fazem nenhum nexo por qualquer tipo de raciocínio lógico – mas nas quais o cidadão é obrigado a acreditar, sem perguntar nada, sob pena de incidir nos delitos de “fascismo”, “nazismo”, “ato contra a democracia”, “extrema direita”, “golpismo” e “negacionismo”


É a criminalização do ato de pensar – por decisão do STF, da Polícia Federal e da porção da mídia que reproduz mecanicamente o que ambos lhes entregam para publicar. Você tem que acreditar, por exemplo, que um tubo de batom é “substância inflamável”; Alexandre de Moraes escreveu isso. Houve uma tentativa de golpe armado, com estilingues e bolas de gude, em 8 de janeiro de 2023. O mesmo ministro diz que foi agredido no aeroporto de Roma, mas o STF mantém em sigilo há mais de um ano as imagens gravadas do episódio.


Esse “crê ou morre”, como no Islã, é do tipo pega geral. Em política é obrigatório dizer que o presidente Lula não perdeu nada nas eleições municipais de 2024 – o PT ficou com menos de 5% das prefeituras e o candidato de Lula foi incinerado em São Paulo, mas isso é porque ele “se preservou”. Em economia está decidido que um crescimento de 3% ao ano, igual ao do último ano do governo anterior, é “robusto”. Em conduta, a mulher do presidente dirige palavras de baixo calão a Elon Musk, mas é ele quem propaga o “discurso do ódio”.


A conferência do G-20 ora encerrada no Rio de Janeiro, e que deveria ser a obra prima da política externa de Lula, acabou com um dos comunicados mais indigentes na história do grupo – uma sopa de palavras tão aguada, e tão inútil, que ninguém achou motivo para vetar nada no texto. Mas a alternativa era não sair nem isso, o que parece ter deixado o Itamaraty em princípio de pânico. Como, no fim, arrumou-se alguma coisa para colocar no papel, a verdade oficial é que a diplomacia brasileira deu um show.


*A última obrigação expedida pelo ministro Moraes e a PF estabelece que se leve a sério uma “Operação Punhal Verde-Amarelo” – um segundo golpe de Estado de Jair Bolsonaro contra Lula, ou a continuação do primeiro, que já está sendo investigado há quase dois anos, por outros meios. Não parece claro se é uma coisa ou outra, mas a principal novidade é que Lula, nesta versão, seria envenenado. Moraes, que antes seria executado na estrada que vai de Brasília a Goiânia, continua da lista de assassinatos dos golpistas. Iam matar, também, Geraldo Alckmin – coisa que jamais passou pela cabeça de ninguém até hoje.*


No golpe como ele era até agora, segundo Moraes e a polícia, a prova mãe era a “delação premiada” do coronel Cid e as suas “minutas do golpe”. A delação, aparentemente, não está valendo mais; nem o ministro e nem a PF estão satisfeitos com ela. As “minutas” não serviriam como prova nem num júri de centro acadêmico. Se o ministro Toffoli decidiu que confissões voluntárias de corrupção ativa são “imprestáveis”, por que as minutas do coronel seriam prestáveis? As provas da polícia, agora, são “conversas entre militares”.


*O que a PF mostrou para os jornalistas até agora é uma maçaroca de diálogos idiotas e de orações sem verbo, sujeito, predicado, começo, fim e, sobretudo, sem pé nem cabeça – algo no nível do “quem tomar vacina pode virar jacaré” e outros grandes momentos do governo Bolsonaro.* Como iriam envenenar Lula? Com formicida? Não está claro quantos militares tomariam parte no golpe. “Já temos uns vinte”, diz um dos denunciados pela PF. E os outros 220.000 homens que estão no efetivo do Exército? A verba total para financiar o golpe era de R$ 100.000, diz a polícia.


Nem o ministro Moraes e nem a PF demonstraram que essas conversas e desejos formam um plano coerente de golpe, e menos ainda de tentativa real de golpe. Talvez sejam o que se chamam de “atos preparatórios” do desejo de cometer um crime, se ficar provado que conseguiriam mesmo preparar alguma coisa. Mas “atos preparatórios”, na lei brasileira, não são nada. Não foi demonstrada, menos ainda, qual poderia ter sido a participação do maior suspeito da PF e de Moraes nesse golpe – Bolsonaro.


Não há nenhuma declaração gravada de algo que ele tenha dito, ou algum papel assinado, ou uma mensagem de WhatsApp. Tudo o que existe, segundo a PF, é gente falando a respeito de Bolsonaro – e principalmente a respeito do que ele não disse. Mais do que qualquer outra coisa, talvez, você está intimado a considerar que o ex-presidente é o grande culpado por trás disso tudo, só que não está preso. Se o ministro e a polícia estão certos de que o responsável é Bolsonaro, ou gatos gordos como o general Braga, por que eles estão soltos?


A incompetência das investigações chega ao ponto de trabalharem num caso durante dois anos e não levantarem prova alguma que fique de pé? Não há nada, pelo menos, que o STF tenha considerado suficiente até agora para prender Bolsonaro. Caso contrário, é óbvio que ele estaria na cadeia, não é mesmo? São dúvidas formalmente proibidas para o cidadão brasileiro. A democracia recivilizada do Brasil estabeleceu que é ilegal perguntar."

Brasil na ONU

 *Brasil na ONU: Abstenção em Votação Contra o Irã por repressão a mulheres Reflete Alinhamento Ideológico e Ambiguidade Diplomática*


https://www.contrafatos.com.br/brasil-na-onu-abstencao-em-votacao-contra-o-ira-por-repressao-a-mulheres-reflete-alinhamento-ideologico-e-ambiguidade-diplomatica/


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Ailton Braga

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