quarta-feira, 23 de outubro de 2024

FMI e Banco Mundial EUA

 PREVISÕES DO FMI PARA O PIB GLOBAL


PREVISÕES DO FMI PARA O PIB GLOBAL

O Fundo Monetário Internacional reduziu sua previsão de crescimento global para o próximo ano e alertou sobre os riscos crescentes, desde o aumento da dívida até as guerras globais e o protecionismo comercial, ao mesmo tempo em que deu crédito aos bancos centrais por controlar a inflação sem levar os países à recessão.

Em termos de perspectiva para o próximo ano, a previsão do FMI para a zona do euro foi rebaixada para 1,2%, 0,3% abaixo do que em julho, devido à fraqueza persistente na manufatura na Alemanha e na Itália. Por outro lado, a previsão dos EUA para 2024 e 2025 foi atualizada para 2,8% e 2,2%, um aumento de 0,2% e 0,3% respectivamente, devido ao consumo mais forte, mas realmente por causa do estímulo infinito do governo Biden na forma de um déficit orçamentário de nível de guerra que agora está em 6% do PIB e que levou a um aumento exponencial na emissão de dívida dos EUA.

Fonte: MERCADO EM PAUTA.

Mercado de olho nas eleições dos EUA

📊 ANÁLISE - Mercados de Olho nas Eleições Americanas


Em uma semana com uma agenda econômica mais leve, os mercados continuam focando suas atenções na eleição americana, que tem movimentado os ativos globais. As pesquisas eleitorais mostram uma tendência de crescimento para o presidente Trump, com os Republicanos também ganhando força, aumentando as chances de vencerem no Senado. Essa combinação de fatores está impulsionando uma série de movimentos no mercado, que continua dando maior peso às eleições dos EUA do que aos dados econômicos tradicionais.

O que vemos atualmente é uma tendência de alta nas taxas de juros de longo prazo, refletindo a expectativa de políticas econômicas mais agressivas caso Trump seja reeleito. Ao mesmo tempo, o dólar segue forte, mantendo sua valorização em relação a outras moedas, e a bolsa americana está bem suportada, com um pano de fundo de crescimento econômico e inflação ligeiramente mais fortes nas últimas semanas.

Essas expectativas elevadas de crescimento e inflação, associadas a uma eventual continuidade das políticas de Trump, têm pressionado especialmente as taxas de juros mais longas nos EUA. Esse movimento reflete uma aposta dos investidores de que a economia americana, sob a liderança de Trump, poderia continuar em um ritmo de expansão, demandando ajustes nos juros futuros para conter possíveis pressões inflacionárias.

No Brasil, o cenário permanece sem grandes novidades ou notícias transformacionais. Os ativos locais seguem basicamente o humor internacional, respondendo a fluxos pontuais que vêm de fora. Com uma agenda econômica menos intensa por aqui, o foco dos investidores continua nos mercados globais, com especial atenção ao cenário americano e seu impacto sobre o Brasil.

Assim, os mercados seguem ajustando suas expectativas para um cenário onde a reeleição de Trump e a vitória dos Republicanos no Senado se tornam cada vez mais prováveis, o que traz impactos diretos tanto para as taxas de juros quanto para o mercado de câmbio e ações. Por enquanto, o panorama internacional é o grande guia para os ativos locais, que devem continuar acompanhando essas movimentações nos próximos dias.

Fonte: @filipevillegas

🏦@alexeconomia

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Call Matinal ConfianceTec 2210

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

22/10/2024 

Julio Hegedus Netto,  economista.


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE

SEGUNDA-FEIRA (21)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa encerrou o pregão na segunda-feira (21) com perdas de 0,11%, a 130.361 pontos. Já o dólar encerrou em queda de 0,14%, a R$ 5,69. Curva de juros fechou mais uma vez pressionada na ponta longa, refletindo preocupação com a questão fiscal. Projeção de taxa Selic já chega ao intervalo de 12,00% 12,50%.


Mercados hoje (22): Bolsas asiáticas fecharam sem direção única, refletindo as incertezas com os EUA; bolsas europeias, assim como os Índices Futuros de NY, em queda.


RESUMO DOS MERCADOS (06h40)


S&P 500 Futuro, -0,26%

Dow Jones Futuro, -0,37%

Nasdaq, -0,55%

Londres (FTSE 100), -0,66%

Paris (CAC 10) -0,73%

Frankfurt (DAX), -0,31%

Stoxx600, -0,63%

Shangai, +0,10%

Japão (Nikkei 225), -1,39% 

Coreia do Sul (Kospi), -1,31%

Hang Seng, +0,10%

Austrália (ASX), -1,66%

Taiwan (Taiex), -0,03%

Petróleo Brent, -0,43%, a US$ 73,97

Petróleo WTI, -0,51%, US$ 70,20

Minério de ferro em Dalian, -0,52%, a US$ 106,99.


NO DIA (22)


Em dia de agenda fraca, destaque por aqui para a arrecadação federal, às 10h30. 


Com o evento do FMI e do Banco Mundial, em Washington, vários  diretores do Fed, BoE, BCE, Roberto Campos Neto e Janet Yellen falam. 


Ainda nos EUA, já há uma movimentação, caso uma eventual vitória de Donald Trump nas eleições de novembro.


 Pesquisa recente indicava ele subindo, liderando com 63% contra 37% de Harris, segundo a Polymarket.


No Fed, o que mais se comenta é o gradualismo nos cortes. Próxima reunião do Fomc acontece dia 01/11.


Perspectiva de um novo mandato do candidato republicano puxa os juros dos Treasuries e o dólar, porque o investidor teme por mais déficit e mais inflação.


Na divulgação de balanços corporativos nos EUA, 14% das empresas já divulgaram resultados. 7 de 10 vieram acima do esperado.


AGENDA DO DIA (22)


Indicadores 🌐


10h00: EUA. FMI divulga relatório de Perspectivas Econômicas Globais (WEO)

10h30: Brasil. Receita divulga arrecadação de setembro

China: Investimento estrangeiro direto em setembro


Eventos 🇺🇲

10h25: EUA. Andrew Bailey (BoE) fala em fórum da Bloomberg

11h00: Brasil. Claudemir Malaquias comenta arrecadação

11h00: EUA. Patrick Harker (Fed/Filadélfia) discursa em evento

13h00: EUA. Roberto Campos Neto concede entrevista à CNBC.

16h15: EUA. Campos Neto faz palestra em evento do G20.

16h15: EUA. Christine Lagarde (BCE) fala em painel do G20

17h00: EUA. Campos Neto, Sarah Breeden (BoE) e Agustín Carstens (BIS) falam em painel do G20

17h00: EUA. Janet Yellen (Tesouro) participa de painel do IIF

Cúpula do Brics em Kazan, na Rússia


Balanços

NY/manhã: 3M, General Motors e Verizon


Julio Hegedus Netto, economista da ConfianceTec 

 

Boa terça-feira e bons negócios!


PS. Em breve, um novo Call Matinal.

Matinal Bankinter Portugal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Nas últimas horas, os movimentos mais importantes são do mercado das obrigações. Caem com força, principalmente nos EUA, impulsionando a sua yield acima de 4,2%. Os motivos são claros: uma economia robusta, ligeira vantagem de Trump nas sondagens (mais défice público vs. Harris) e comentários cautelosos de vários membros da Fed (Logan, Kashkari, Schmid, Daly) arrefecem as expetativas de redução das taxas de juros. As bolsas também corrigiram ontem, embora de forma um pouco mais moderada (EUA -0,2% e Europa -0,9%). 

 

Hoje, a atenção está nos resultados empresariais, e de momento o tom é positivo. Após o fecho americano, publicaram SAP e Maersk, ambas a bater estimativas e a elevar guias (sobem >3% em aftermarket). À primeira hora, tivemos Enagás na mesma linha e durante a sessão teremos L’Oreal, GM, Verizon, Lockheed Martin e GE, entre outras. Veremos se são capazes de dar a volta a uma temporada de resultados que, até ao momento, deixa o mercado um pouco frio (nos EUA: +3,2% vs +5,1% estimado). Na frente macro, apenas cabe destacar a revisão de estimativas macro do FMI, provavelmente com tendência em baixa, principalmente na Europa e China. 

 

Em suma, as bolsas poderão tentar subir hoje, impulsionadas por boas notícias na frente empresarial, embora seja necessário que as obrigações travem as suas quedas para dar continuidade à subida. 

 

S&P500 -0,2%. Nq-100 +0,2% SOX +0,1% ES-50 -0,9% IBEX -0,7% VIX 18,0% Bund 2,28% T-Note 4,19% Spread 2A-10A USA=+6pb B10A: ESP 3,00% PT 2,73% FRA 3,04% ITA 3,51% Euribor 12m 2,63% USD 1,082 JPY 163,1 Ouro 2.720$ Brent 74,1$ WTI 70,3$ Bitcoin -1,0% (67.726$) Ether +1,2% (2.675$). 

 

FIM

BDM Matinal, 221024 Riscala

 *Terça-feira, 22 de Outubro de 2024.*


*INVESTIDOR EM NY JÁ SE MOVIMENTA PARA VITÓRIA DE TRUMP*

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*



… Agenda esvaziada nesta 3ªF prevê apenas a arrecadação de setembro, que a Receita divulga às 10h30. Lá fora, os mercados em NY já se movimentam para uma eventual vitória de Trump, que continua subindo nas pesquisas e lidera nas plataformas de apostas, com 63% contra 37% de Harris na Polymarket. Coincidindo com as falas mais conservadoras dos Fed boys, que confirmam o gradualismo nos cortes, a perspectiva de um novo mandato do republicano puxa os juros dos Treasuries e o dólar, porque o investidor teme por mais déficit e por mais inflação com ele. Mas, na B3, os exageros são tão exagerados, que a curva do DI não reagiu, embora a pesquisa Focus tenha confirmado nova deterioração das expectativas inflacionárias, que está na base de nova onda de revisões das estimativas da Selic e IPCA.


… O Bradesco começou a semana elevando a sua previsão da inflação deste ano de 4,4% para 4,5% e a estimativa da Selic de 11,25% para 11,75%. Já para 2025, reduziu a projeção de inflação de 3,9% para 3,8%, mas aumentou a Selic de 10,50% para 10,75%.


… Também o Rabobank elevou, ontem, suas estimativas para o IPCA de 2024, de 4,3% para 4,5%, citando os impactos da seca na conta de energia elétrica e nos preços da carne bovina, e a projeção para a Selic terminal de 12% em janeiro para 12,5% em março/25.


… A LCA foi na mesma direção, subindo a expectativa do IPCA de 4,4% para 4,5%, com viés de alta, sobretudo pela bandeira tarifária na conta de energia e a possibilidade de um câmbio ainda mais pressionado. Ontem o dólar bateu na máxima R$ 5,73.


… Na Focus, a mediana do IPCA para 2024 chegou ao teto da meta de 4,50%, ante 4,39% na semana passada, e a de 2025 subiu de 3,96% para 3,99%. A projeção suavizada de 12 meses foi de 3,96% para 4,01%. A curva não ajustou porque está no limite (leia abaixo).


… Ainda pela manhã, Campos Neto citou, em evento da 20-20 Investment Association, em SP, as preocupações com a desancoragem das expectativas e de métricas como as inflações implícitas, reforçando que a autarquia vai perseguir a meta de inflação.


… RCN disse que as medidas para equalizar as contas públicas são importantes para a política monetária, uma vez que a falta de confiança na política fiscal dificulta o processo de convergência. “Para que possa haver juros mais baixos é preciso um choque fiscal positivo.”


… Na reunião com o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, os economistas de São Paulo reforçaram sua preocupação com a política fiscal, afirmando que nem o cumprimento da meta primária deste ano garantirá credibilidade ao arcabouço.


… De acordo com relatos apurados pelo Broadcast com os participantes, a avaliação de consenso é de que cada notícia positiva no front fiscal vem acompanhada de outra notícia ruim, o que limita a credibilidade da política fiscal.


… Em geral, a leitura é de que a expansão de estímulos parafiscais pode minar ganhos relativos ao cumprimento da meta fiscal.


… Nos dois encontros, eles concordaram que será necessário a Selic subir até um nível entre 12,0% e 12,50% neste ciclo de aperto, e com algum viés de alta ou de manutenção dos juros em nível restritivo por mais tempo.


… Em relação à inflação, parte dos economistas trabalha com um cenário de descumprimento do teto da meta do IPCA para este ano, de 4,50%. Para o ano que vem, os economistas estimaram uma inflação entre 4,0% e 4,50%.


… Sobre o cenário externo, concordam que há uma sinalização pior para países emergentes em caso de vitória do ex-presidente Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, em meio à tendência de desaceleração da economia chinesa.


TRUMP TRADE – Segundo o Commerzbank, há um sentimento crescente de que Donald Trump pode ser eleito presidente nos EUA e os traders já começam a migrar para investimentos que seriam favorecidos em caso de vitória do ex-presidente.


… O banco alemão aposta em um crescimento mais robusto da economia americana no curto prazo, com alta de tarifas sobre os produtos estrangeiros e um impulsionamento da inflação americana, resultando em taxas de juros mais elevadas.


… Nesta 2ªF, o mercado aumentou as apostas em um corte acumulado mais brando pelo Fed até o final deste ano. A probabilidade de um ajuste total de apenas 25pbs até dezembro subiu de 21,8% na 6ªF para 31,4% no final da tarde, segundo o CME FedWatch.


… A aposta em uma queda de 50pbs até o fim do ano, no entanto, segue majoritária, embora tenha recuado de 76,8% para 65,3%.


… Ainda segundo o BNP Paribas, o resultado da eleição nos EUA determinará a perspectiva de curto prazo do dólar. Uma onda vermelha, na qual Trump se torna presidente e os republicanos controlam o Congresso, seria o resultado mais positivo para o dólar.


MAIS AGENDA – Campos Neto dá entrevista à CNBC (13h) e faz palestra às 16h15, enquanto Galípolo, que também está em Washington, terá audiências com o FMI e Haddad deve se reunir às 17h com a Fitch.


… Em Brasília, Lira e Pacheco devem se reunir com o relator do Orçamento, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), para discutir acordo sobre emendas. A temporada dos balanços começa com Neoenergia, após o fechamento.


… Para a arrecadação federal, a mediana em pesquisa Broadcast aponta R$ 201,50 bilhões em setembro, praticamente igual a agosto (R$ 201,622 bi). O intervalo das apostas vai de R$ 194,72 bilhões a R$ 217,0 bilhões.


LÁ FORA – Lagarde (BCE, 16h15), Andrew Bailey (BoE, 10h25) e Patrick Harker (Fed, 11h) falam. Às 17h, Yellen participa de painel. GM, 3M e Verizon soltam balanço antes da abertura. Na Rússia, começa a cúpula do Brics.


PASSOU DO PONTO – Depois de terem encostado em 13% na semana passada, os juros futuros entenderam que a ousadia já foi tão longe, que a única saída seria chamar um movimento técnico de correção de excessos.


… Ou seja, a correção das taxas nesta 2ªF esteve bem longe de representar um alívio, foi falta de opção. Vai ser difícil relaxar antes do pacote de corte de gastos prometido pelo governo para depois do 2º turno das eleições.


… No fechamento, o DI para Janeiro de 2026 marcou 12,665% (de 12,705% no fechamento de 6ªF); Jan/27 caiu a 12,835% (12,900%); Jan/29, a 12,880% (12,915%); Jan/31, a 12,860% (12,870%); e Jan/33 a 12,780% (12,790%).


… No Focus, a projeção da Selic para o ano que vem subiu de 11,00% para 11,25%, sinalizando que a régua está cada vez mais alta para um corte do juro, sob o efeito combinado de inflação, atividade e fiscal expansionista. 


… Para 2024, a mediana para a Selic se manteve em 11,75%, precificando duas doses de +0,5pp (nov e dez). 


… Canal de transmissão inflacionária, o câmbio começa a causar maior desconforto no mercado, que elevou no Focus a previsão do dólar no fim do ano de R$ 5,40 para R$ 5,42. Ontem, a moeda encontrou teto em R$ 5,70.


… Tão comprado quando as taxas do DI, o dólar chegou a esticar até perto de R$ 5,74 na máxima intraday (R$ 5,7351), mas a este nível precipitou ordens de vendas e fechou em leve baixa de 0,15%, cotado a R$ 5,6904.


… Como se vê, o câmbio já andou estressando tanto, que uma correção estratégica se tornou inevitável.


CONTRA A MARÉ – Sem conseguirem surfar na onda positiva do minério de ferro e do petróleo, que subiram em torno de 1,5%, os papéis da Vale e da Petrobras operaram no negativo e inibiram as chances do Ibovespa.


… Na primeira hora de negócios, o índice à vista até chegou a operar no azul com as commodities, mas logo perdeu fôlego. Fechou em leve baixa de 0,11%, aos 130.361,56 pontos, com giro fraco de R$ 18,2 bilhões.


… Vale (ON, -0,36%, a R$ 60,33) refletiu a cautela dos investidores quanto à proposta de acordo relativo ao desastre de Mariana (MG), vista como “positivo” pelo Itaú BBA, mas com ressalvas pelo Goldman Sachs.


… A ação da mineradora ignorou o ânimo do minério (+1,45%, em Dalian) com a decisão da China de reduzir as taxas de juros.


… O PBoC já fez sete cortes nos juros desde julho e a Capital Economics ainda espera uma diminuição de 40 pb nas taxas de referência em 2025.


… Para o Goldman Sachs, há espaço para maior flexibilização monetária no país ainda este ano, como um corte de 50 pb no compulsório bancário.


… Descolada do Brent (+1,68%; US$ 74,29/barril), Petrobras ON caiu 1,83% (R$ 39,63) e PN, 1,57% (R$ 36,25), ambas entre as maiores perdas da sessão.


… Bancos também ficaram no vermelho: Bradesco ON (-0,22%; R$ 13,31), Bradesco PN (-0,26%; R$ 15,28), Banco do Brasil (-0,26%; R$ 26,62), Itaú (-0,51%; R$ 35,10) e Santander (-0,52%; R$ 28,49).


… Hapvida liderou as perdas, com -2,93%, a R$ 3,65. Na ponta oposta, Embraer avançou 4,17% (R$ 49,98), após divulgar que a carteira de pedidos do 3Tri atingiu o nível mais alto em nove anos.


… Vamos Locação (+4,13%; R$ 6,05) e Magazine Luiza (+2,87%; R$ 9,67) completaram as primeiras posições positivas.


… Depois de ceder por boa parte do pregão, diante da descontinuidade do guidance de 2024, o papel da Hypera subiu 1,91% (R$ 26,16) com a notícia da proposta de fusão feita pela EMS.


“ONDA VERMELHA” – Embora as pesquisas de intenções de voto à Casa Branca ainda não cravem um vencedor, o mercado já cogita mais fortemente as chances de Trump e de domínio dos republicanos na Câmara e Senado.


… Se for este mesmo o desfecho da corrida presidencial, a percepção entre os analistas é de que o déficit fiscal dos EUA deve se acentuar, o que poderia levar o Fed a ser mais cauteloso nos cortes de juros no próximo ano.


… Sob o efeito ´Trump trade’, os juros dos Treasuries dispararam junto com o dólar e incentivaram queda nas bolsas.


… Depois de os principais índices de ações em NY terem fechado seis semanas de ganhos consecutivos na 6ªF, investidores partiram para a realização de lucros, também se preparando para uma semana pesada em balanços.


… 114 das 500 companhias do S&P 500 vão divulgar resultados nos próximos dias. Entre elas, pesos-pesados como Tesla, Coca-Cola e Texas Instruments.


… Analistas observam que os índices estão próximos a níveis de sobrecompra, o que os deixam mais vulneráveis a tomada de lucros.


… O S&P 500 (-0,18%, a 5.852,98 pontos) não tem duas sessões consecutivas de queda há mais de 30 sessões, desempenho que é um dos melhores desde 1928, de acordo com a Bloomberg, que cita dados do Sentiment Trader.


… Ontem, 10 dos 11 setores do índice ficaram no vermelho. A exceção foi tecnologia. O Dow Jones caiu 0,80% (42.931,60) e o Nasdaq subiu 0,27% (18.540,01).


… Boeing, que divulga balanço amanhã, avançou 3,11% após chegar a um acordo com o sindicato de trabalhadores, que pode marcar o fim da greve que afetou a produção da companhia. 


… Sem indicadores no dia, os juros dos Treasuries deram um salto, influenciados por uma combinação de resiliência da economia americana, chance de gradualismo nos próximos passos do Fed e a eleição nos EUA.


… Em discursos ontem, dirigentes do Fed soaram bastante cautelosos. A presidente da distrital de Dallas, Lorie Logan, afirmou que os riscos de aumento da inflação são “reais”, diante de uma economia forte e saudável.


… Neel Kashkari (Minneapolis) defendeu cortes de juros moderados nos próximos meses, também citando a economia resiliente.


… Com o mercado já fechado, Jeffrey Schmid (Kansas City) disse que uma abordagem “cautelosa e gradual” na política monetária é a mais adequada. Já Mary Daly disse não haver razão para suspender os cortes nas taxas.


… No fim do pregão em NY, o juro da note de 2 anos avançava a 4,026% (de 3,956%) e o da note de 10 anos subia a 4,189% (de 4,077%). O do T-bond de 30 anos projetava 4,498% (de 4,397%).


… O índice dólar (DXY) chegou a superar os 104 pontos pela 1ª vez desde agosto, mas ainda fechou um pouco abaixo, em 103,982 pontos (+0,47%).


… Com vários dirigentes do BCE defendendo corte de juros no dia (Gediminas Simkus, Martin Kazaks e Peter Kazimir) o euro recuou 0,46%, a US$ 1,0817.


… Em relatório, a Fitch disse que espera aceleração dos cortes pelo BCE, com recuo de 25pb em dezembro e mais quatro na mesma magnitude (março, junho, setembro e dezembro). A taxa terminal, prevê, vai chegar a 2% ao ano.


… A libra caiu 0,44%, a US$ 1,2985, e o iene recuou 0,80%, a 150,742/US$.


EM TEMPO… PETROBRAS divulga relatório trimestral de produção e vendas no próximo dia 28 e solta balanço em 7/11.


B3 anunciou a 9ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$ 1,7 bilhão.


… A companhia revisou a projeção do nível de endividamento para 2024, de 2 vezes para 2,3 vezes a relação de dívida bruta/Ebitda recorrente dos últimos 12 meses.


TELEFÔNICA. Participação minoritária adquirida pela Vivo Ventures na AGL Holding, controladora da Agrolend, equivale a 0,9% do capital social total da empresa…


… Negócio de US$ 1,55 milhão, anunciado na semana passada, será pago em 20 dias úteis a partir da assinatura dos documentos definitivos.


LOCALIZA fará resgate antecipado facultativo das debêntures da 2ª série da 13ª emissão, da 1ª e 2ª séries da 24ª emissão, da 28ª emissão e da 32ª emissão.


RUMO. Rafael Bergman renunciou ao cargo de VP financeiro e de RI. Guilherme Lelis Bernardo Machado assumirá.


COSAN anunciou nova diretoria executiva, que assumirá a partir de 1º/11. Marcelo Eduardo Martins assume como diretor-presidente e Nelson Gomes será diretor-presidente da Raízen.


… Ricardo Mussa será diretor-presidente da Cosan Investimentos.


SMARTFIT fará a 11ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única e no valor total de R$ 300 milhões.


… O prazo de vencimento será de cinco anos, vencendo em 30 de outubro de 2029.


CRÉDITO IMOBILIÁRIO. Bancos começaram a elevar juro na modalidade e apertar condições de financiamento. Itaú elevou a taxa média de 10,49% para 10,79%. Bradesco, Santander, e BRB também consideram reajustes. (Broadcast)

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Lula ignora a classe média

 [21/10, 16:36] José Augusto Lambert: https://www.estadao.com.br/opiniao/lula-ignora-a-classe-media/


*Lula ignora a classe média*


_No mundo binário do presidente, a classe média tradicional não passa de uma burguesia ignorante, o avesso do Estado que ele e o PT representam. E, assim, nada têm a lhe oferecer_


Quem não se deixa enganar facilmente pelos alquimistas do Palácio do Planalto e do PT sabe que há praticamente dois universos na cabeça do presidente Lula da Silva: os pobres e miseráveis, de um lado, e os ricos e bilionários, de outro. No mundo binário do presidente, que costuma dividir o mundo entre o Bem e o Mal, os pobres foram anexados à classe média, e os ricos costumam fazer parte das maquinações conspiratórias para apear a esquerda do poder. Com efeito, o lulopetismo é incapaz de enxergar as aspirações, necessidades e demandas mais atualizadas da classe média – não aquela que, nos primeiros mandatos petistas, se convencionou chamar de “nova classe média”, a classe C impulsionada pelos programas de transferência de renda. A classe média de que se trata aqui é a tradicional, mais afortunada, mais próxima dos padrões internacionais que habitam o imaginário de muitos, e hoje mais empobrecida, endividada e carente de políticas públicas que a ajudem a se recuperar dos danos deixados por longos períodos de crescimento econômico pífio ou recessão.


A essa classe média, governos lulopetistas só parecem destinar medidas populistas, como a recente proposta de ampliar a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil ou a fartura de linhas de crédito, como no segundo mandato de Lula. Já que dinheiro é algo escasso no Brasil, sobra muito pouco para o aceno a essa classe média. E o mais grave: há dificuldade histórica da esquerda brasileira de lidar com ela. Faixas de renda costumam separar as classes sociais do País, mas há também elementos subjetivos que a classificam. Em outras palavras, classe média é um estado de espírito, um jeito de ser, agir e enxergar o mundo. Uma vocação natural para querer fazer mais com as próprias mãos e dar asas ao desejo natural de “subir na vida”. Isso requer mais dinheiro, sem dúvida fundamental, mas também um Estado que interfira menos em suas vidas – mais liberdade, menos burocracia, melhores condições para empreender e crescer. Por fim, o melhor uso dos recursos públicos, isto é, um uso racional, eficiente e equilibrado, capaz de manter as coisas em ordem e oferecer bons serviços públicos.


Tudo isso representa o oposto do modelo de Estado personificado por Lula da Silva. Antes fosse uma sutil dificuldade de compreender a classe média e buscar soluções compatíveis com seus anseios. Como se trata do lulopetismo, o problema é mais profundo: constatam-se não só desconhecimento e desatualização (há morubixabas petistas, mal saídos da Revolução Industrial e do virtuoso mundo do sindicalismo do século 20, que ainda dividem o País entre burguesia e proletariado), mas a própria negação violenta da legitimidade da classe média. Recorde-se a célebre aula da filósofa Marilena Chauí, que num debate sobre os dez anos de governo lulopetista admitiu, com desabrida sinceridade: “Eu odeio a classe média. (...) A classe média é o atraso de vida. (...) É uma abominação política, porque é fascista, uma abominação ética, porque é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque é ignorante”. Trata-se, como se sabe, de uma das principais intelectuais ligadas ao PT.


Os anos se passaram, e o PT e a esquerda não aprenderam, como demonstram as eleições municipais de 2024. Seguem difundindo a ideia de ricos contra pobres, nada realista diante das mudanças das últimas décadas, e ignorando as diferentes camadas de classes médias – dos seus estratos mais populares até os, vá lá, mais “burgueses”. Nuances que se espalham pelas cidades cada vez mais adensadas do interior e cada vez mais múltiplas em metrópoles como São Paulo. O complexo de superioridade ainda prevalece ao olhar para uma classe média que deseja virar “burguesia”, para um segmento evangélico com desejo de prosperidade e mesmo para os mais pobres que passaram a votar na direita – aqueles que o sociólogo Jessé Souza, outro porta-voz da esquerda, chama esnobemente de “idiotas” e “imbecis”. E assim, sem entender o mundo ao redor e restringindo-se ao universo paralelo dos preconceitos e estereótipos, Lula e o PT ignoram uma parcela significativa do Brasil que não tem “consciência de classe” nem quer ter."

[21/10, 16:38] José Augusto Lambert: P.S.: O tal Jesse de Souza, acreditem se quiser, foi presidente do IPEA durante o malfadado mandato de Dilma, a inesquecível.

Muito bom artigo

 https://x.com/mauad_joao/status/1847989753821499603?t=ufmqTEw3e9ZV_FECK4djyA&s=19


Algumas verdades fundamentais foram ditas pelo cientista político Paulo Kramer, nesta entrevista para a Revista Oeste. 👇


"O Poder Judiciário te6thm assumido o protagonismo na política brasileira no século 21. O senhor poderia falar sobre como a Suprema Corte chegou a ter esse poder?


O que acontece hoje tem a ver com aquilo que considero uma revolta de certos setores da elite contra a vontade popular. Atualmente, há uma judicialização da política e a politização da Justiça. Quer dizer, setores de classe média alta, os mais escolarizados, ficam horrorizados com as escolhas que o grande público faz. Para eles, isso contraria os valores estéticos, intelectuais, políticos e sociais. Um exemplo disso foi a escolha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele, como tal, usava chinelos Rider, era cafona, um sujeito desabrido e franco. Ora, numa democracia, como no voto, não é o pequeno grupo que decide, e sim a grande maioria. Então, esse pequeno grupo resolve dar o golpe do Judiciário. Portanto, aquilo que não se consegue ganhar no mano a mano da urna, ganha-se com decisões judiciais. É isso que está acontecendo.


Essa cultura de decisões autoritárias sempre existiu no Brasil?


Sempre existiu. Como digo, no Brasil, em virtude do patrimonialismo, há essa tendência de confundir o público com o privado. Sempre houve essa mania de os ocupantes de posições de autoridade se sentirem maiores e mais importantes do que os cargos que ocupam. Não há aquele respeito republicano — aquele culto pela majestade do cargo. O ocupante deveria ser menor do que o cargo. No Brasil, no entanto, o que predomina são valores contrários a isso. Aqui, a autoridade é mais importante do que o cargo. Manda e desmanda, faz e acontece. O resultado disso, como você mesmo lembrou, é essa profusão de decisões monocráticas, que colocam em risco a segurança jurídica. Porque é um país que vive pendurado em liminares monocráticas. Quando isso ocorre, entende-se que os direitos fundamentais estão em perigo, correm risco. É necessário o respeito às regras da Constituição e das leis. Se não, meu amigo, é aquela história: “Cada cabeça é uma sentença”.


Parece que está impregnado na mentalidade do brasileiro a figura de um salvador da pátria, de um poder moderador. Por que há esse desejo?


Ansiamos sempre por um poder moderador, porque a nossa prática é de exercer o poder imoderadamente. A pessoa se acha maior do que o cargo que ocupa. Confunde o público com o privado. Com o tempo, o acúmulo de todos esses abusos leva a opinião pública a aclamar por alguém que põe fim a tantos desmandos. Então, espera-se aquele recurso que, no teatro da antiguidade, se chamava de deus ex-máquina. Um elemento externo às regras do jogo, aos sistemas. Porque, veja, na Constituição Política do Império do Brasil, que vigorou de 1824 a 1889, existia a figura do quarto poder, o Poder Moderador, que era privativo do monarca. O Imperador, nesse sentido, era irresponsável, no sentido de que não precisava responder a ninguém. E para que existia esse Poder Moderador? Justamente para azeitar as relações entre as engrenagens dos Três Poderes, principalmente Executivo e Legislativo. Ora, com a República, isso mudou. O Poder Moderador passou a não existir.


O senhor diz que o Brasil está vivendo um “golpe em câmera lenta”. Poderia falar sobre isso?


Começa quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de condenado em três instâncias, é descondenado e volta a concorrer às eleições. Por quê? Porque Bolsonaro, para aquela elite formada por jornalistas e líderes de opinião, contrariava até os valores estéticos. Então, na visão daquela elite, ele representava uma ameaça à democracia. Na verdade, representava uma ameaça aos privilégios dessas pessoas. Durante o processo eleitoral de 2022, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, quase que numa razão de dez contra um, desfavoreceram Bolsonaro e favorecem o outro. Bom, aí se dá o famoso 8 de janeiro. Nunca vi um golpe ser dado com bíblias e rosários. Conhecemos golpe com arma, metralhadora, tanque, foguete, essas coisas. Essas pessoas foram presas, cometidas a uma série de atentados contra o devido processo legal. Não houve individualização de penas. Ora, o próprio Andrei Vyshinsky, temido promotor de Joseph Stálin nos processos de Moscou dos anos 1930, tinha o pudor, o escrúpulo de individualizar as penas, as responsabilidades de cada acusado. Aqui, no Brasil, não é assim. O ministro funciona ao mesmo tempo como parte interessada, investigador, promotor, juiz e, finalmente, carcereiro.


Como podemos modificar essa politização do Judiciário no país?


Acho que são duas providências fundamentais. Parece fácil, mas isso depende muito da mobilização da sociedade e da manutenção de um clima mínimo de liberdade. Também são necessárias duas coisas. Primeiro, precisa do Senado, que é a Casa responsável por julgar o impeachment de um ministro do Judiciário, fazer valer a sua prerrogativa e votar o processo. Agora, isso também depende de um outro requisito mais básico, que é uma mudança dos regimentos internos da Câmara Legislativa e do Senado Federal, para que os dois presidentes dessas Casas não possam mais contrariar a vontade da maioria dos seus pares."

Ailton Braga

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