segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Abertura 0202

 *Abertura: Cautela pressiona bolsas e commodities antes de payroll, ata do Copom e balanços*


Por Silvana Rocha e Luciana Xavier*


OVERVIEW. Fevereiro começa com os mercados atentos a Washington diante das dificuldades para aprovar um pacote de financiamento do governo americano para evitar um shutdown total no país. A agenda internacional traz em destaque na semana os dados de emprego dos EUA em janeiro, em especial o relatório do payroll, e as decisões de juros do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE). No mercado local, as atenções ficam na Ata do Copom, que deve detalhar a manutenção da Selic em 15% e reforçar a sinalização de início dos cortes em março. No campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje da abertura do ano judiciário de 2026, enquanto o Congresso Nacional retoma os trabalhos, com a pauta da Câmara incluindo a votação da MP do programa Gás do Povo. Balanços de big techs, como Alphabet e Amazon, e de bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander devem orientar também as expectativas ao longo da semana.


NO EXTERIOR. Os futuros de ações em Nova York e as commodities, como petróleo, ouro, cobre e produtos industriais recuam, enquanto o dólar sobe ante o iene. Em Nova York, as perdas são lideradas pelo Nasdaq, por dúvidas sobre o boom da Inteligência Artificial, intensificadas pela paralisação do plano da Nvidia de investir até US$ 100 bilhões na OpenAI, além das incertezas políticas para reverter a paralisação parcial do governo americano. O pacote de financiamento do governo Trump foi aprovado pelo Senado, mas ainda depende do aval da Câmara dos Representantes. O presidente da Casa, Mike Johnson, disse que levará alguns dias até que o pacote seja votado, o que pode estender para, pelo menos, uma semana a paralisação. No radar de republicanos e democratas está a contenção das operações contra imigrantes mantidas pela administração de Donald Trump. O movimento contamina as bolsas europeias. Os juros dos Treasuries caem também, diante dos ruídos geopolíticos e a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed, em meio a pressões explícitas da Casa Branca por cortes de juros. A vice-presidente de supervisão do Fed, Michelle Bowman, afirmou que projeta três reduções das taxas neste ano, indicando mercado de trabalho “vulnerável”.


POR AQUI. Após alta de 12,6% em janeiro, o Ibovespa teve o melhor mês desde novembro de 2020, com forte entrada de capital estrangeiro, o que eleva no curto prazo a chance de realização de lucros em meio à cautela externa, embora o rali possa não ter terminado. Empresas brasileiras captaram US$ 4,7 bilhões em bonds no mês (+39% em um ano), e há expectativa de novas emissões em fevereiro e possível operação do Tesouro no 1º trimestre (leia mais abaixo em O Que Sabemos). O EWZ, principal ETF do Brasil em Nova York, caia mais de 1% no pré-mercado mais cedo. A alta do dólar somada à queda das commodities podem provocar ajustes no câmbio, após o dólar cair 4,4% frente ao real em janeiro. O recuo dos retornos dos Treasuries é contraponto nos juros, depois do forte fechamento dos prêmios nos DIs, com a confirmação de Selic menor em março pelo BC. O mercado precifica 68% de chance de corte de 0,50 p.p., apesar do desemprego em mínima histórica (5,1%) e da alta da renda. Com a retomada do Congresso e do Judiciário, pautas legislativas e incertezas eleitorais entram no radar. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu ao presidente Lula a indicação de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, para a diretoria do Banco Central.


NA POLÍTICA. Os empresários Mohamad Hussein Mourad (“Primo”) e Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”), alvos da Operação Carbono Oculto contra o PCC na Faria Lima, negociam delação. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a apuração de possíveis doações do Banco Master a campanhas eleitorais.  Ministros do TCU receberam ao menos R$ 883 mil em reembolsos médicos em 2025 e, além disso, o tribunal mantém assistência médica própria. Deputados e senadores do PL devem tentar  votar antes do carnaval a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados por tentativa de golpe de estado. Troca de governadores para o PSD agrava a crise no União Brasil e pode gerar mais baixas com a janela partidária. O governo Lula planeja obter na visita que o presidente fará a Donald Trump, nos Estados Unidos, uma parceria contra o crime organizado e um acordo político que blinde as eleições presidenciais de ingerência externa.


AGENDA.


ATA DO COPOM E BALANÇOS NO FOCO - A ata do Copom será divulgada nesta terça-feira e a balança comercial de janeiro, na quinta. O Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio será assinado pelos chefes dos três Poderes na quarta. Na cena corporativa, Santander Brasil e Itaú Unibanco abrem a safra de balanços de bancos do 4º trimestre de 2025 na quarta-feira; e Bradesco e Multiplan, na quinta. Nesta segunda-feira, o  IPC-S de janeiro será divulgado às 8h; o relatório Focus, às 8h25; e o PMI Industrial do Brasil, às 10h. Em Brasília, ocorre no STF a abertura do ano Judiciário às 14h, e o  Congresso Nacional retoma os trabalhos às 15h.


PAYROLL DOS EUA, PMIS E JUROS NA EUROPA - O relatório de emprego (payroll)  dos EUA de janeiro será divulgado na sexta-feira. Hoje, estão programados o PMI industrial americano final de janeiro da S&PGlobal (11h45) e ISM (12h) e evento com o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic (14h30). Na terça, sai o relatório de abertura de vagas Jolts nos EUA de dezembro e os PMIs composto e de serviços da China; na quarta, o relatório ADP sobre criação de empregos no setor privado e PMIs americanos; na quinta, as decisões de juros do BCE, do BoE e do Banxico; e ainda, na sexta-feira, o sentimento do consumidor preliminar de fevereiro e as expectativas de inflação da Universidade de Michigan. Entre os balanços da semana estão o da Walt Disney, hoje; Advanced Micro Devices (AMD), na terça; Alphabet, Santander e UBS, na quarta;  Amazon, Unicredit e Shell, na quinta; e Société Générale, na sexta.


O QUE SABEMOS.


VALE - O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça o bloqueio de R$ 1 bilhão em contas bancárias da Vale em razão do incidente envolvendo a Mina de Fábrica, situada entre as cidades mineiras de Ouro Preto e Congonhas. A ação visa garantir recursos para a reparação integral dos danos e interromper operações que funcionavam em desacordo com a licença ambiental. Além do bloqueio financeiro, a ação pede o bloqueio dos direitos minerários da Mina de Fábrica perante a Agência Nacional de Mineração (ANM). Isso impede que a Vale transfira a titularidade da mina para terceiros sem antes resolver o passivo ambiental. A medida ocorre após o extravasamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos, ocorrido em 25 de janeiro, causando danos ambientais significativos em córregos que alimentam o Rio Maranhão e o Rio Paraopeba.


EM TESE: A notícia deve pesar nas ações da Vale, que acumularam alta de 17,18% em janeiro (ON). Os ADRs da mineradora perdiam perto de 2% no pré-mercado em Nova York às 7h15. A Vale informou que já se manifestou nos autos a respeito do pedido de bloqueio feito pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça devido ao incidente envolvendo a Mina de Fábrica, situada entre as cidades mineiras de Ouro Preto e Congonhas. Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirma que apresentará oportunamente a sua defesa, respeitando o prazo legal.  O governo de Minas Gerais aumentou de R$ 1,7 milhão para R$ 3,3 milhões a multa cobrada à Vale pelo incidente. Segundo a Agência Minas, a atualização do valor ocorreu em razão da reincidência da mineradora em situação semelhante, registrada em 3 de agosto de 2023, em Brumadinho.


CAPTAÇÕES EXTERNAS EM ALTA - As empresas brasileiras fecharam janeiro com captação de US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 24,6 bilhões) no exterior, por meio da emissão de títulos de dívida (bonds), aumento de 39% na comparação com o mesmo mês de 2025. Bradesco, BTG, Azul e Sabesp estão entre os nomes que acessaram o mercado internacional, com forte demanda.  A demanda pelos títulos brasileiros foi forte, ajudada pelo movimento de realocação das carteiras globais para fora dos Estados Unidos, por conta do ambiente de maior incerteza no país e perspectiva de queda de juros pela frente.


EM TESE: As tensões envolvendo o governo Trump e outros países tendem a alimentar o apetite por emergentes e favorecer o Brasil com mais captações. Um possível nome é o da Usina Coruripe. O Tesouro, apontam as fontes, também tem chance de vir neste primeiro trimestre, seguindo o sucesso de captações soberanas como Chile, México e Equador, que voltou ao mercado internacional após mais de 7 anos. A Sabesp planeja captar ainda pelo menos mais R$ 10 bilhões no mercado de dívida ao longo de 2026.  "Aproveitamos um momento favorável para realizar uma captação bastante relevante", disse à Coluna o diretor financeiro da Sabesp, Daniel Szlak. Ele observa que o fluxo para os emergentes está ligado, em grande parte, à expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos".


OVERNIGHT.


FGC- O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vai continuar com reservas robustas mesmo depois de finalizar os ressarcimentos a investidores do Banco Master e will bank, disse à Broadcast o CEO da instituição, Daniel Lima. A expectativa é que a liquidez do fundo fique próxima de R$ 80 bilhões, o que dá conforto para discutir com calma a recomposição das reservas, segundo o executivo. Lima diz que o FGC não trabalha com um prazo, mas tem a ambição de atender a todos os investidores do Banco Master que já deram entrada nos pedidos de ressarcimento até a semana que vem.


CASO MASTER - Uma comunicação enviada pelo Banco Master ao Banco Central em 7 de novembro de 2024 revela que o banqueiro Daniel Vorcaro se comprometeu a adotar uma série de medidas para melhorar a governança corporativa do Master e a recompor a saúde financeira do banco em um prazo de seis meses, até maio de 2025. O documento mostra que o Master recebeu uma espécie de ultimato da autoridade monetária sob a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, um ano antes de ser liquidado pelo atual presidente Gabriel Galípolo, em novembro de 2025.


REGULAMENTAÇÃO DE PSTIS - O Banco Central apertou as regras para Provedores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs) no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), tornando o credenciamento mais rigoroso. A principal mudança permite ao BC exigir a qualquer momento capital social e patrimônio líquido acima do mínimo de R$ 15 milhões, conforme o volume de operações, número de clientes e perfil de risco do prestador.


INVESTIDOR ESTRANGEIRO - O ingresso do investidor estrangeiro na B3 via ações de bancos impulsionou o desempenho do índice financeiro (IFNC) em janeiro. O indicador avançou 14,87% no primeiro mês do ano e foi o único das referências setoriais a bater o Ibovespa, que saltou 12,56% no período. Por figurarem entre os papéis mais líquidos do mercado, os bancos acabam atraindo a atenção do investidor estrangeiro. Os grandes bancos da B3 tiveram ganhos firmes no mês. A ação ON do Bradesco avançou 17,51% e a PN ganhou 17,28%. As units do BTG Pactual subiram 14,02% e as do Santander ganharam 8,48%. Itaú Unibanco teve alta de 16,04% e Banco do Brasil, de 15,05%.


CAIXA SEGURIDADE  - A Caixa Seguridade aprovou a distribuição de R$ 990 milhões em dividendos intermediários a partir de reservas de lucros constituídas em exercícios anteriores. Será pago R$ 0,33 por ação ON da companhia. O pagamento ocorrerá em 15 de maio, tendo como base a posição acionária de 30 de abril. Os papéis ON da empresa passarão a ser negociados ex-dividendos a partir de 4 de maio.


IRB - Em meio à recuperação operacional e à volta prevista dos dividendos, o IRB encara novos processos arbitrais de investidores. A Itaú Asset, em nome de alguns de seus fundos, associou-se a outros acionistas em processo na Câmara de Arbitragem do Mercado em 26 de janeiro. O escritório Modesto Carvalhosa, Kuyven e Ronco Advogados também ingressou, na B3, com arbitragem representando cerca de 90 fundos que buscam indenização de até R$ 1 bilhão, segundo o Valor Econômico.


CEMIG E AXIA - A diretoria da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) avalia nesta segunda-feira, 02, processos relacionados às outorgas de direito de uso hídrico para as usinas da Cemig e da Axia Energia, antiga Eletrobras. Um dos processos é referente à Usina Hidrelétrica de Três Marias, localizada no rio São Francisco, no município de Três Marias (MG), que pertence à Cemig.


ANEEL - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a bandeira tarifária verde para o mês de fevereiro, mesmo patamar vigente em janeiro. As condições favoráveis à geração de energia no País permitiram que os consumidores não tenham o valor adicional nas faturas no próximo mês, ainda dentro do período chuvoso. O anúncio vem conforme a previsão para os primeiros meses do ano.


COMBUSTÍVEIS  - Os combustíveis encerraram janeiro em alta, segundo o Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com destaque para a gasolina, que registrou alta média de 1,7% contra dezembro de 2025, com preço médio de R$ 6,33 o litro. O gás de cozinha também apresentou alta, de 0,4% entre dezembro e janeiro, com preço médio de R$ 110,16 por botijão de 13 quilos. Já o diesel S-10, menos poluente e mais vendido, subiu 0,6%, com preço médio de R$ 6,11 o litro.


FED/MIRAN - O diretor do Federal Reserve (Fed) Stephen Miran disse nesta sexta-feira que acredita que o novo presidente escolhido para a instituição, Kevin Warsh, será capaz de persuadir os membros do BC americano com suas opiniões, ao ser perguntado sobre uma nova direção para o Fed. "Warsh vai fazer um trabalho incrível; ele já esteve no Fed, tem respeito e credibilidade", disse Miran em entrevista à Bloomberg TV.


MATSUMOTO NO BLS - O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que nomeou Brett Matsumoto como o próximo Comissário do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês). Brett foi economista de pesquisa para o BLS, e agora está servindo como economista sênior no Conselho de Assessores Econômicos de Trump, como fez em seu primeiro mandato na Casa Branca.


REINO UNIDO - O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu na sexta-feira sua tentativa de impulsionar oportunidades de negócios para empresas do Reino Unido com a China, horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar uma possível oposição a qualquer acordo entre Pequim e Londres.


ALEMANHA - As vendas no varejo da Alemanha subiram 0,1% em dezembro ante novembro de 2025, abaixo da previsão de 0,5%. Na comparação anual, as vendas no setor varejista alemão tiveram expansão de 1,5% em dezembro, em termos reais.


ZONA DO EURO - O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da zona do euro acelerou para 49,5 em janeiro, segundo pesquisa final divulgada hoje pela S&P Global em parceria com o Hamburg Commercial Bank. O resultado mostrou uma aceleração ante resultado preliminar, que havia apontado 49,4 e ficou acima da previsão da FactSet, que era de 49,3.


PMI CHINÊS - O índice de gerentes de compras (PMI) industrial oficial da China caiu para 49,3 em janeiro frente aos 50,1 obtidos em dezembro, abaixo da previsão de 50,1 dos economistas e reverteu o aumento observado um mês antes, quando acima dos 50 que separa contração de expansão, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, pela sigla em inglês) do país.


E NOS MERCADOS.


FUTUROS DE NY - Os índices futuros das Bolsas de Nova York têm forte queda nesta segunda-feira, em meio a apreensões sobre o boom da inteligência artificial e liquidação em commodities. Na sexta-feira, o The Wall Street Journal informou que o plano da Nvidia de investir até US$ 100 bilhões na OpenAI, para ajudar a treinar e executar seus modelos mais recentes de inteligência artificial, foi paralisado após integrantes da fabricante de chips expressarem dúvidas sobre o acordo. Às 7h19, no mercado futuro, o Dow Jones cedia 0,27%, o S&P 500 recuava 0,61% e o Nasdaq perdia 0,86%.


BOLSAS EUROPEIAS - As bolsas europeias operam perto da estabilidade, após caírem mais cedo influenciadas pelo tombo dos índices futuros de Nova York. A continuidade das vendas em commodities segue no radar. Às 7h17, a Bolsa de Londres subia 0,03%, a de Frankfurt subia 0,22% e Paris estava em +0,04%.


TREASURIES - Os juros dos Treasuries operam em queda, ainda assimilando a nomeação do ex-diretor do Fed Kevin Warsh para a presidência do banco central dos Estados Unidos. No fim de semana, o presidente Donald Trump afirmou que processaria Warsh se ele não baixasse as taxas de juros, reforçando a percepção de pressões políticas sobre o Fed. Apreensões sobre investimentos em inteligência artificial, tensões geopolíticas e forte liquidação de commodities também seguem no radar, além do foco sobre recursos para manter a máquina pública em funcionamento. Às 7h17, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,518% (de US$ 3,529% na sexta-feira), o rendimento da T-note de 10 anos recuava a 4,217% (de US$ 4,249%) e o T-bond de 30 anos cedia a 4,850% (de US$ 4,885%).


MOEDAS FORTES - O dólar misto e passou a cair ante o euro e a libra em meio ao debate sobre diversificação, após a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve. Discursos anteriores de Warsh sugerem apoio à redução do balanço patrimonial do Fed nos próximos anos, enquanto uma inflação persistente poderia levar a uma política menos expansionista. A forte liquidação em commodities também pesa sobre moedas emergentes, favorecendo o dólar. Às 7h15, o dólar subia a 154,80 ienes (de 154,66 ienes na sexta-feira), enquanto o euro subia a US$ 1,1867 (de US$ 1,1863) e a libra subia a US$ 1,3713 (de US$ 1,3692). O índice DXY subia 0,17%, a 97,154 pontos.


PETRÓLEO - O petróleo opera em forte queda nesta segunda-feira, em um ambiente de aversão ao risco global. O movimento ocorre mesmo após a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) concordar em manter a produção inalterada em março. Às 7h15, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para março caía 4,63%, a US$ 62,19 o barril, enquanto o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuava 4,30%, a US$ 66,34 o barril.


BOLSAS DA ÁSIA - As bolsas da Ásia fecharam em queda nesta segunda-feira, ecoando o tombo das commodities e desmonte de operações de proteção para uma indicação para o Federal Reserve que pudesse corroer ainda mais a credibilidade de ativos americanos, o que não se materializou. Na sessão, o Kospi derreteu, o que gerou breve interrupção dos negócios na bolsa. Ações ligadas a commodities despencaram na região após tombo do ouro, cobre e outros metais na sexta-feira. Em Seul, o Kospi fechou em baixa de 5,3%. Em Tóquio, o índice japonês Nikkei fechou em baixa de 1,3%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 2,2%. O Xangai Composto fechou em queda de 2,5%, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 2,5%. Divulgado no fim de semana, o índice de gerentes de compras (PMI) industrial oficial da China caiu em janeiro. Para o Barclays, a contração do PMI oficial da China sugere que as recentes medidas antecipadas de Pequim podem ser insuficientes ou precisar de mais tempo para apoiar significativamente o sentimento e o crescimento, afirmam economistas do banco. O Taiex, de Taiwan, recuou 1,4%. Na Oceania, a bolsa australiana caiu e o índice S&P/ASX perdeu 1,02%.

Call Matinal 0202

 Call Matinal

02/02/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (3001)

MERCADOS

No mercado brasileiro de sexta-feira (30), o Ibovespa fechou em ajuste, recuando 0,97%, em 181.363 pontos. Giro financeiro chegou a R$ 33,6 bi. Em janeiro, operou em boa alta, +12,56%, maior valorização desde 2006. Já no mercado cambial, o dólar subiu 1,04% e fechou a R$ 5,2476, embora ainda tenha terminado o mês de janeiro com queda acumulada de 4,4%, a mais intensa desde junho do ano passado, diante da rotação de carteiras para os mercados emergentes. No futuro, o Ibovespa para fevereiro cai 0,86%, para 182.720 pontos; dólar para março sobe 1,21%, a R$ 5,2905. Nos EUA, no fim de semana, Trump afirmou que processaria Warsh se ele não baixasse as taxas de juros, evidenciando que as pressões da Casa Branca se manterão intensas. Índice DXY: +0,20%

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Semana abre com agenda cheia nos EUA e no Brasil. Por aqui, atenção para a ata do Copom na terça-feira, quando saberemos os próximos passos do BCB nos próximos meses. Nos EUA, os índices futuros operam em baixa nesta segunda-feira (02), pressionados pela queda acentuada nos preços do ouro e da prata, a ampliar a fuga de ativos de maior risco. O movimento sinaliza uma crescente instabilidade após um longo ciclo de alta dos metais e sucessivas máximas históricas nas bolsas, impulsionadas por bilhões de dólares em investimentos em inteligência artificial.

 

 

MERCADOS 5h30

 

 

Índices

Comentários

EUA

Dow Jones Futuro: -0,53%

S&P 500 Futuro: -0,75%

Nasdaq Futuro: -1,03%

Mercado opera em queda, reavaliando o momento e recalibrandpó as expectativas para a política monetária diante da possibilidade de um Fed comandado por Kevin Warsh (já indicado por Trump).

Ásia-Pacífico

 

 

 

* Shanghai SE (China), +2,48%

* Nikkei (Japão): -1,25%

* Hang Seng Index (Hong Kong): -2,23%

* Nifty 50 (Índia): +0,53%

* ASX 200 (Austrália): -1,02%

Na China, PMIs de janeiro mostraram deterioração da atividade, enquanto índice dólar devolve alta e yields dos treasuries recuam em meio ao ambiente de cautela.

Europa

 

 

 

* STOXX 600: -0,46%

* DAX (Alemanha): -0,40%

* FTSE 100 (Reino Unido): -0,41%

* CAC 40 (França): -0,35%

* FTSE MIB (Itália): -0,31%

Bolsas da Europa tem perdas. FTSE 100 abre em baixa, libra esterlina estável; ações de mineração e defesa caem. Na Europa, BCE e Banco da Inglaterra decidem sobre juros esta semana, com expectativa de manutenção nas taxas para ambos os bancos centrais.

Commodities

 

 

 

Petróleo WTI, -4,37%, a US$ 62,36 o barril

Petróleo Brent, -4,21%, a US$ 66,40 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -1,26%, a 783 iuanes (US$ 112,63)

 Minério de ferro em queda e cotações de petróleo desabando.

 

 

NO DIA,0202

Semana abre com agenda cheia nos EUA e no Brasil. Por aqui, atenção para a ata do Copom na terça-feira, quando saberemos os próximos passos do BCB. Nos EUA, destaque para os dados de mercado de trabalho. Temos a indicação de Kevin Warsh para comandar o Fed o que deve motivar ajustes nas expectativas de política monetária, enquanto se divulgam ISM e PMI hoje, abrindo semana com payroll. Na Europa, BCE e Banco da Inglaterra decidem sobre juros esta semana, com expectativa de manutenção nas taxas para ambos os bancos centrais. Em Washington, investidores aguardam a votação do pacote de financiamento na Câmara dos Representantes, que encerrará o shutdown parcial. Em Brasília, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal retomam os trabalhos na volta do recesso com o escândalo das fraudes no Banco Master no foco. No mercado de commodities, o ouro caiu mais de 10% na semana passada, despencando para menos de US$ 5.000 a onça, superando as maiores quedas intradiárias observadas durante a crise financeira global de 2008 e o maior declínio diário desde o início da década de 1980. Já a prata despencou mais de 26%, uma queda recorde em um único dia, à medida que a onda de vendas se espalhou pelos mercados de metais em geral, com o cobre caindo 3,4% em Londres.

 

                    Agenda macro 02 a 06 de fevereiro

 

 

Segunda-feira, 02 de Fevereiro 

08h00– FGV: IPC-S de janeiro

08h25– BC: Relatório Focus

10h00– Brasil: PMI/S&P Global da Indústria Janeiro

11h45– EUA: PMI/S&P Global industrial (final) de janeiro

12h00– EUA: PMI/ISM industrial de janeiro

 

 

 

Boa segunda-feira para todos! Feliz 2026 !

Dan Kawa

 *Dan Kawa: A Queda dos Metais Preciosos (Prata, Ouro) e seus desdobramentos*


Na sexta-feira, a Prata e outros metais preciosos apresentaram quedas expressivas. O preço da prata despencou cerca de 20% no dia (vide gráico), com alguns futuros apresentando quedas maiores de 30%. Trata-se da segunda maior queda percentual diária já registrada,  ou a pior desde 1980.


*Alguns motivos foram apresentados para essa queda:*


*Realização de lucros após rali extremo*- Após alta histórica (200–300% em algumas janelas), investidores, especialmente alavancados, correram para embolsar ganhos.


*Indicação de Kevin Warsh ao Fed*-Leitura de Fed mais hawkish fortaleceu o dólar e pressionou metais preciosos.


*Efeito cascata nos metais*-Ouro caiu ~11% (maior queda desde 2016), com platina e outros metais acompanhando a venda generalizada.


*Fatores técnicos*-Alavancagem elevada, pânico em posições compradas, algoritmos e liquidações forçadas amplificaram o movimento.


- A verdade é que movimentos dessa natureza raramente decorrem de um único vetor. Em geral, são resultado de uma combinação de fatores, muitas vezes de difícil identificação e explicação.


- No caso da prata, após uma alta parabólica nos últimos meses e já exibindo características típicas de dinâmica de bolha, algum grau de correção era esperado e, inclusive, natural e saudável. O ponto que efetivamente merece atenção é a velocidade e a magnitude desse movimento.


Vivemos em um ambiente no qual a alavancagem aumentou de forma significativa nos últimos anos, com a crescente dominância de players como fundos quantitativos e fundos multi-estratégia, muitas vezes operando com níveis de alavancagem que podem ser considerados excessivos.


Embora o mercado de metais preciosos seja relativamente pequeno em relação ao mercado financeiro como um todo, seus efeitos de segunda ordem podem ser relevantes. O foco, portanto, deve estar em avaliar se haverá contágio para outros segmentos, potencialmente levando a processos de desalavancagem em diferentes classes de ativos.


Neste sábado, estamos observando forte pressão no mercado de Crypto, o que é um sinal adicional de cautela ao cenário.


Caso esse cenário se materialize, poderemos observar movimentos mais amplos de aversão a risco que, em média, tendem a provocar um aperto das condições financeiras, com impactos negativos sobre o crescimento, menor pressão inflacionária e, eventualmente, cortes de juros.


Ainda é cedo para tirar essa conclusão, mas é fundamental acompanhar atentamente os desdobramentos


https://x.com/DanKawa2/status/2017735088105005532

Que sirva de lição

 


 Ser amiguinho de todos não significa q todos gostem da pessoa. Tem gente q tem mto esta preocupação. Agradar. Não é suficiente. Que sirva de lição. 

Malu Gaspar

 🇧🇷  *Malu Gaspar: CPI do INSS volta do recesso com futuro em xeque e Lulinha na mira- Globo*

A CPI do INSS retoma suas atividades no dia 5 de fevereiro sob forte incerteza. A oposição trabalha para prorrogar os trabalhos por mais dois meses a partir do fim de março, com o objetivo central de investigar o possível envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A Polícia Federal apura se o filho do presidente atuaria como "sócio oculto" de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que é tido como o operador do esquema de descontos indevidos em aposentadorias. O elo entre eles seria a empresária Roberta Luchsinger, amiga da família de Lulinha e destinatária de repasses financeiros suspeitos.

Os Obstáculos para a Prorrogação

Apesar da pressão, a continuidade da comissão enfrenta barreiras políticas e logísticas significativas. Como a CPI é mista, a decisão final sobre a extensão cabe a Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, que sinaliza resistência à ideia. O Palácio do Planalto também atua para encerrar o colegiado, temendo que ele se transforme em um palanque eleitoral às vésperas da sucessão presidencial. Além disso, o próprio calendário eleitoral pesa contra, já que parlamentares preferem focar em suas bases nos estados a partir de agora.

*Personagens Centrais e seus Papéis*

Diversas figuras políticas e empresariais estão no centro dos conflitos desta comissão. Fábio Luís Lula da Silva é investigado por um suposto vínculo indireto com as fraudes, enquanto Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, é apontado como o pivô central do esquema.


No campo político, Davi Alcolumbre atua para conter o avanço das investigações que podem atingir aliados, como o senador Weverton Rocha, apontado pela PF como sustentáculo político do grupo. Já na condução da CPI, o relator Alfredo Gaspar e o presidente Carlos Viana buscam a quebra de sigilos e novas convocações para manter o fôlego das apurações.


*A Tese da Polícia Federal*


A investigação da Polícia Federal baseia-se em diálogos interceptados onde Roberta Luchsinger faz menção a Fábio e em comprovantes de repasses de 300 mil milhares realizados por sócios do esquema. Em uma das conversas, o operador orienta o pagamento de valores mencionando que o destino seria "o filho do rapaz". A corporação, no entanto, ressalta que até o momento não há evidências de envolvimento direto do filho do presidente nas condutas fraudulentas, mas sim a possibilidade de uma sociedade oculta intermediada.


*Texto com IA*


Matéria completa: https://tinyurl.com/26amdqou

Que faz pensar!

 

Que faz pensar!

"Capital Monetário: Novos Princípios Monetários para uma Sociedade Mais Próspera" por Patrick Bolton e Haizhou Huang.

"Neste livro, os economistas renomados Patrick Bolton e Haizhou Huang oferecem uma perspectiva inovadora, vendo a economia monetária sob a ótica das finanças corporativas. Eles propõem uma teoria rica da oferta de dinheiro, onde o dinheiro pode ser visto como o capital acionário de uma nação, desempenhando um papel semelhante às ações de uma empresa. Esse arcabouço inovador integra os lados real e monetário da economia, com um setor bancário e a dívida em seu núcleo."

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY 0% US tech -1,3% US semis -3,4% UEM +1% España +1,7% VIX 17,4% Bund 2,84% T-Note 4,22% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,21% PT 3,20% FRA 3,43% ITA 3,46% Euribor 12m 2,226% (fut.2,373%) USD 1,185 JPY 183,3 Ouro 4.434$ Brent 65,7$ WTI 61,7$ Bitcoin -7,5% (76.307$) Ether -18,9% (2.218$).


SESSÃO: Dois factores para este brusco arrefecimento do mercado: Warsh e o CEO de Nvidia sobre OpeanAI. A escolha de K. Warsh para substituir Powell está a fazer com que os mercados reajam exageradamente, com sérias realizações de lucros nos ativos que mais subiram recentemente e que, precisamente por isso, passam a ser considerados de risco (ouro, prata, commodities em geral), além de fazer cair os de risco pela sua própria natureza (tech, semis, etc.). Reação exagerada porque pode ser que Warsh seja mais hawkish/duro e menos obediente do que outros (foi bastante hawkish/duro quando foi Conselheiro da Fed entre 2006/11), mas ao candidatar-se para o cargo expressou-se a favor de taxas de juros inferiores, aligeirar a regulação… mas também de reduzir o balanço da Fed (medida hawkish/dura), o que já foi testado, mas não viável na prática, porque afeta demasiado o mercado. É provável que nem toda esta brusca realização de lucros se deva a Warsh, que já veremos o quão obediente é a Trump, mas também ao facto de começarem a surgir vozes um pouco mais prudente sobre os investimentos em IA que podem arrefecer (felizmente) as saídas à bolsa de Anthropic, xAI, OpenAI, etc. O CEO de Nvidia (Huang), por exemplo, insinuou, embora de forma confusa, que o seu investimento em OpenAI poderá ser inferior aos 100.000 M$ acordados em setembro.


Além disso, embora menos importante, o BoJ considera a possibilidade de estar a ficar para trás com a sua taxa diretora perante um possível aumento da inflação, o que significa que admitem que poderão chegar tarde para a combater. Isto é hawkish/duro e implica riscos de erro por parte do BoJ, o que não é nada bom para o mercado e deverá ser bastante apreciatório para o yen, porque aumenta a possibilidade do BoJ terminar por subir até 1,00% vs. 0,75% atual.


O arrefecimento está servido por Warsh, Nvidia/OpenAI e el BoJ. E não tem por que ser mau se corrige excessos ou previne excessos posteriores piores. Esta madrugada, Japão -1,3%, mas Coreia, que é pura tecnologia, -5,3%. Os futuros sobre Wall St. vêm em queda entre -1% e -1,5%, enquanto os europeus ca.-1%. O petróleo -5%, o ouro -7% e a prata -11%, mas parece que as criptos começam a travar as quedas e estas são o ativo mais sensível e especulativo, portanto, poderão indicar que o golpe está quase encaixado, embora provavelmente nem todo o reajuste tenha já acontecido.


CONCLUSÃO: Segunda-feira a encaixar um golpe forte por reajuste repentino, portanto, é provável que a semana se estabilize pouco a pouco, com um saldo negativo, mas a evoluir desde pior para menos maus. As quedas hoje serão -1%/-2% e a chave será observar as commodities. É provável que se trate de um reajuste de velocidade bastante são para o mercado. É atribuída à nomeação de Warsh uma gravidade excessiva.


FIM

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...