segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Que faz pensar!

 

Que faz pensar!

"Capital Monetário: Novos Princípios Monetários para uma Sociedade Mais Próspera" por Patrick Bolton e Haizhou Huang.

"Neste livro, os economistas renomados Patrick Bolton e Haizhou Huang oferecem uma perspectiva inovadora, vendo a economia monetária sob a ótica das finanças corporativas. Eles propõem uma teoria rica da oferta de dinheiro, onde o dinheiro pode ser visto como o capital acionário de uma nação, desempenhando um papel semelhante às ações de uma empresa. Esse arcabouço inovador integra os lados real e monetário da economia, com um setor bancário e a dívida em seu núcleo."

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY 0% US tech -1,3% US semis -3,4% UEM +1% España +1,7% VIX 17,4% Bund 2,84% T-Note 4,22% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,21% PT 3,20% FRA 3,43% ITA 3,46% Euribor 12m 2,226% (fut.2,373%) USD 1,185 JPY 183,3 Ouro 4.434$ Brent 65,7$ WTI 61,7$ Bitcoin -7,5% (76.307$) Ether -18,9% (2.218$).


SESSÃO: Dois factores para este brusco arrefecimento do mercado: Warsh e o CEO de Nvidia sobre OpeanAI. A escolha de K. Warsh para substituir Powell está a fazer com que os mercados reajam exageradamente, com sérias realizações de lucros nos ativos que mais subiram recentemente e que, precisamente por isso, passam a ser considerados de risco (ouro, prata, commodities em geral), além de fazer cair os de risco pela sua própria natureza (tech, semis, etc.). Reação exagerada porque pode ser que Warsh seja mais hawkish/duro e menos obediente do que outros (foi bastante hawkish/duro quando foi Conselheiro da Fed entre 2006/11), mas ao candidatar-se para o cargo expressou-se a favor de taxas de juros inferiores, aligeirar a regulação… mas também de reduzir o balanço da Fed (medida hawkish/dura), o que já foi testado, mas não viável na prática, porque afeta demasiado o mercado. É provável que nem toda esta brusca realização de lucros se deva a Warsh, que já veremos o quão obediente é a Trump, mas também ao facto de começarem a surgir vozes um pouco mais prudente sobre os investimentos em IA que podem arrefecer (felizmente) as saídas à bolsa de Anthropic, xAI, OpenAI, etc. O CEO de Nvidia (Huang), por exemplo, insinuou, embora de forma confusa, que o seu investimento em OpenAI poderá ser inferior aos 100.000 M$ acordados em setembro.


Além disso, embora menos importante, o BoJ considera a possibilidade de estar a ficar para trás com a sua taxa diretora perante um possível aumento da inflação, o que significa que admitem que poderão chegar tarde para a combater. Isto é hawkish/duro e implica riscos de erro por parte do BoJ, o que não é nada bom para o mercado e deverá ser bastante apreciatório para o yen, porque aumenta a possibilidade do BoJ terminar por subir até 1,00% vs. 0,75% atual.


O arrefecimento está servido por Warsh, Nvidia/OpenAI e el BoJ. E não tem por que ser mau se corrige excessos ou previne excessos posteriores piores. Esta madrugada, Japão -1,3%, mas Coreia, que é pura tecnologia, -5,3%. Os futuros sobre Wall St. vêm em queda entre -1% e -1,5%, enquanto os europeus ca.-1%. O petróleo -5%, o ouro -7% e a prata -11%, mas parece que as criptos começam a travar as quedas e estas são o ativo mais sensível e especulativo, portanto, poderão indicar que o golpe está quase encaixado, embora provavelmente nem todo o reajuste tenha já acontecido.


CONCLUSÃO: Segunda-feira a encaixar um golpe forte por reajuste repentino, portanto, é provável que a semana se estabilize pouco a pouco, com um saldo negativo, mas a evoluir desde pior para menos maus. As quedas hoje serão -1%/-2% e a chave será observar as commodities. É provável que se trate de um reajuste de velocidade bastante são para o mercado. É atribuída à nomeação de Warsh uma gravidade excessiva.


FIM

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Ricardo Gallo

 *A maior crise institucional desde 1964*


*Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso, ser o cabeça central* 


Ricardo Gallo* - 22/1/2026


(*Partner at Ethica Services with expertise in finance and asset management)


January 22, 2026


Pessoal, estou no mercado financeiro há 40 anos e nunca vi uma rede tão complexa de negócios ilícitos montada com tanta perfeição. Para aqueles que não estão no mercado ou que não conhecem as dificuldades em se montar um esquema desses, do ponto de vista logístico, legal e financeiro, posso afirmar que todos estes tentáculos estão necessariamente ligados a uma cabeça central, um órgão central de coordenação disso tudo. Não achem que estas coisas se montam no mercado mediante uma engenharia financeira simples ou na base do oportunismo. Ela demanda enorme coordenação e planejamento. E profissionalismo. Não creio que o Sr. Daniel Vorcaro tenha competência para coordenar isso. Ele pode ser somente uma peça de uma máquina muito mais complexa.


*Vimos nos últimos anos uma rede de ações criminosas no INSS, postos de gasolina, "lavanderias financeiras", bettings irregulares, influencers corruptos, operações de bitcoin com intuito de lavagem, e agora isso. Tudo parece conectado. Tudo passando pelo Master, cujo nome não deve ser coincidência. Facções criminosas perderam o pudor e se comportam como grupos guerrilheiros. Violência urbana em níveis incompatíveis com a dinâmica exuberante do mercado de trabalho. Há algo horroroso em curso e não podemos ficar como sapos na água fervendo. Parados, esperando nosso final.*


Tentáculos agora atingem funções críticas do estado, como Congresso, Judiciário e Executivo. *Não tenho a menor dúvida de que há um corpo central coordenando estas ações. Sem um chefe golpista, mas com um grupo que coordena todas estas ações com o objetivo de controlar as atividades do Estado. Não podemos, desta forma, nos perder nos detalhes, não ficar observando apenas as árvores, mas sim a floresta. Podemos estar assistindo a uma tentativa de "golpe de estado silencioso", em que grupos criminosos pretendem se apossar do Estado.*


*A venezuelização do Brasil não virá de crises fiscais ou de um "golpe comunista". Mas pode vir sim através do aparelhamento do estado por milícias ou narcotráfico. Acredito que estamos sob ataque, e que desta vez o crime está indo atrás dos agentes públicos de forma muito coordenada e sofisticada, na tentativa de cooptá-los ou silenciá-los através da força ou corrupção "pequena".*


A dimensão espacial deste caso transcende o ocorrido no Petrolão, que foi coordenado por um grupo de políticos para levantar dinheiro para se financiar. Era algo bem focado. Envolvia poucas grandes empresas e simples propina. Uma ação entre "amigos" com baixo risco institucional. Algo imoral, mas relativamente simples e, até mesmo, corriqueiro. *Hoje é completamente diferente e muito mais complexo de se combater.*


O risco institucional neste momento é o maior desde o Golpe de 64. Muito maior do que vivemos no final de 2022 com o golpe dos três patetas, que foi grave, mas com zero competência em sua organização. Desta vez é um trabalho coordenado, feito com extrema abrangência e enorme complexidade. Tenho muita experiência no setor, mas, honestamente, *a engenharia financeira envolvida supera tudo que já vi ou pude imaginar. Não podemos acreditar que tais ações sejam apenas oportunistas, coincidências ou frutos do acaso. Às vezes, as teorias de conspiração são reais, pois conspirações existem. Acredito que alguns setores do estado, patriotas, estão percebendo isso e sendo atacados. Outros viraram reféns. Nesta história só falta sangue. Assassinatos de testemunhas ou de informantes.* 


Nossos reais inimigos não são a direita ou a esquerda. Mas esses criminosos golpistas sem ideologia ou escrúpulos. *Essa é a maior ameaça à democracia dos últimos 60 anos.* Os agentes públicos, a meu ver, são meros peões. E a imprensa e a sociedade precisam olhar isso desta forma. Não podemos ficar apenas na atitude " são todos uns ladrões" ou no " tudo é culpa do Bolsonaro ou do Lula". Tampouco "ministro fulano é bandido". A passividade da sociedade neste momento pode ser fatal. A nossa máfia finalmente apareceu. E ela quer controlar os governantes e o Estado. Como nos filmes de Al Capone. Mas em escala nacional, não somente municipal. Aí a democracia liberal acaba e viramos um failed state. O Sr. Trump está errado nos métodos, mas pode estar certo no diagnóstico. 


*Acorda, Brasil. A guerra civil começou.* Sem guerrilhas abertas, mas com tecnologia, inteligência, estratégia e coordenação. Ou os candidatos à presidência nas eleições deste ano encaram nas campanhas essa guerra e mobilizam a sociedade civil, ou seremos engolidos pelo polvo criminoso que está nos esmagando. Seja quem for o novo presidente. É preciso muita coragem para comprar esta briga. E a imprensa é nossa maior arma neste momento. Mas as ruas ainda estão livres. E nós devemos ajudar. Manifestar democraticamente e de forma ordeira e pacífica nossa indignação.


https://www.linkedin.com/pulse/maior-crise-institucional-desde-1964-ricardo-gallo-nofrf/

Política externa do PT

 *Leitura de Sábado: governo pede à China medidas compensatórias à salvaguarda à carne bovina*


Por Isadora Duarte


Brasília, 28/01/2026 - O governo brasileiro pediu à China medidas compensatórias para minimizar o impacto decorrente da salvaguarda à carne bovina, relataram fontes ao Broadcast Agro. O pacote de medidas inclui desde reconhecimentos sanitários a aberturas comerciais de mercado e segue o previsto no acordo de salvaguardas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O pedido caminha em paralelo às demandas inicialmente apresentadas pelo governo às autoridades chinesas relacionadas a ajustes operacionais e flexibilizações na cota alocada ao Brasil.


As medidas compensatórias pleiteadas pelo Brasil são o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação, após o País ter obtido o status sanitário pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA); o reconhecimento do Brasil como país de risco insignificante para encefalopatia espongiforme bovina (EEB), doença popularmente conhecida como "mal da vaca louca"; o aceite da regionalização para gripe aviária; e abertura do mercado chinês para miúdos bovinos, carne bovina com osso, miúdos suínos e miúdos de aves do Brasil - estes não estão contemplados na salvaguarda, e portanto, não seriam contabilizados na cota brasileira.  As medidas serão avaliadas pelo governo da China. Não há prazo para a resposta pelo lado chinês, ponderam as fontes ouvidas.


O pedido do governo ocorre após a China anunciar que vai impor cotas específicas por país para importação de carne bovina com a aplicação de uma tarifa adicional de 55% para volumes que excederem a quantidade. A decisão foi comunicada pelo Ministério do Comércio (Mofcom) do país em 31 de dezembro e está em vigor desde o dia 1º. As medidas serão implementadas por três anos até 31 de dezembro de 2028 e atingem os principais exportadores da carne bovina. O Brasil, principal fornecedor da proteína vermelha ao mercado chinês, terá uma cota de exportação de 1,106 milhão de toneladas sem tarifas adicionais neste ano, cerca de 600 mil toneladas menos que as 1,7 milhão de toneladas de carne bovina exportadas para a China no último ano.


O documento com as medidas foi preparado pelo Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e pelo Ministério das Relações Exteriores e formalizado hoje. Os pleitos foram citados pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, durante telefonema com o vice-presidente da China, Han Zheng, nesta quarta-feira, apurou a reportagem. Em nota, o Palácio do Planalto informou que a ligação em torno de 30 minutos tinha ocorrido, citou a abordagem do tema da salvaguarda, mas não detalhou os pedidos feitos pelo lado brasileiro.


A intenção do governo é utilizar as medidas compensatórias para aliviar o impacto do que deixará de ser exportado pela indústria de carne bovina, estimado pela indústria em US$ 3 bilhões, considerando as 600 mil toneladas e o valor médio da proteína vermelha pago pela China em 2025. Esse pacote de medidas compensatórias, afirmam fontes, tende a não suprir todo o montante, já que a proteína vermelha comercializada no mercado chinês, geralmente corte do dianteiro, tem maior agregado que miúdos, por exemplo. "O grande desejo era manter a normalidade no mercado, mas são medidas paliativas que podem ser importantes, mas distante do comércio crescente observado até então", observou um executivo da indústria.


A concessão de medidas compensatórias pelo país que aplica salvaguardas está prevista no acordo de salvaguardas balizado pela OMC, que abre precedente para ações em igual valor ao estimado no impacto no comércio. Ainda antes de a salvaguarda ser oficializada pela China, o governo brasileiro havia sinalizado às autoridades chinesas a intenção de avançar em um pacote compensatório, o que enfrentou resistência inicial do lado chinês. Entretanto, após uma reunião das áreas técnicas bilaterais há duas semanas, o governo chinês acenou que estaria aberto a estudar contrapartidas e a receber os pleitos brasileiros, segundo relatos. "Isso mostra que há grande espaço para negociação com temas de comércio relevantes e antigos do Brasil, como as aberturas de mercado para miúdos"


O tema está "na mesa" de discussões, bem como os pedidos específicos direcionados ao cumprimento da cota brasileira. Há duas demandas principais relacionadas à cota: a redistribuição para o Brasil no último trimestre de volumes de cotas que não forem cumpridas pelos demais exportadores e a não contabilização de cargas em alto-mar, em trânsito ou em desembaraço alfandegário no país asiático na cota alocada ao Brasil (estimadas em 250 mil toneladas), além do debate sobre a administração compartilhada da cota entre governo brasileiro e governo chinês. Essas propostas que já haviam sido apresentadas pela área técnica do governo brasileiro às autoridades chinesas foram reforçadas no diálogo de alto nível feito hoje por Alckmin. "Não são questões excludentes. O interesse do País é pelas medidas compensatórias e pelos pontos relacionados à cota. São várias as opções na mesa", afirma uma fonte. Ainda não houve resposta positiva ou negativa da área técnica chinesa sobre os pleitos brasileiros.


A conversa entre Alckmin e o vice-presidente chinês foi considerada "ótima" por interlocutores do Executivo, que ressaltam o bom momento na relação entre os países. Outro tema tratado foi a transparência no cumprimento das cotas com acompanhamento mensal dos volumes, conforme os interlocutores. Embora o telefonema não tenha sido conclusivo, conforme o esperado, a China não sinalizou contrariedade ou negativas aos pleitos apresentados pelo Brasil, o que já foi considerado um "avanço" nos bastidores do governo. A expectativa do governo é de uma resposta pelo lado chinês em breve, com possibilidade de anúncios concretos no primeiro semestre deste ano no âmbito da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), que será no Brasil. Há uma tradição diplomática chinesa em fazer "entregas e anúncios" bilaterais no âmbito da Cosban.


A estratégia do governo brasileiro, dizem as fontes, é manter as conversas bilaterais com a China e a aposta em discussões de "alto nível" e em uma decisão política, como mostrou o Broadcast Agro. Caso as tratativas não prosperem, há possibilidade "em última instância" de envolvimento pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em diálogo direto com o presidente Xi Jinping, como já ocorreu em outros episódios. "As conversas continuam e os níveis hierárquicos vão aumentando, conforme o necessário", disse uma fonte.


Contato: isadora.duarte@estadao.com


Broadcast+

Desafios do PT do Nordeste

*Pesquisas e desavenças indicam cenário mais desafiador da Era Lula para o PT no Nordeste*


Por Bianca Gomes, do Estadão


São Paulo, 31/01/2026 - O PT chega a 2026 enfrentando dificuldade em parte do Nordeste, considerado historicamente um “bastião da esquerda”. Pesquisas recentes indicam vantagem da oposição em Estados-chave como Bahia, Maranhão e Ceará, enquanto, em outros, os palanques seguem marcados por indefinições, disputas internas e negociações abertas.


Em boa parte da região, a estratégia do partido depende do envolvimento direto do presidente Lula (PT), tanto para bater o martelo sobre alianças quanto para servir como cabo eleitoral de candidaturas que hoje aparecem atrás nas pesquisas, caso do Rio Grande do Norte, por exemplo.


Em termos de candidaturas majoritárias aos Executivos estaduais, a esquerda corre o risco de perder uma parcela significativa do poder territorial acumulado nas últimas décadas.


Levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB, indica que, mantido o cenário apontado pelas sondagens mais recentes, a esquerda pode registrar, em 2026, seu pior desempenho nas eleições para governador no Nordeste desde a chegada de Lula ao Planalto, em 2002.


Siglas de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil, lideram as intenções de voto na maior parte dos Estados - ainda que, em muitos deles, integrem alianças com partidos da esquerda.


Medeiros afirma que, embora a região Nordeste continue sendo estratégica para Lula, já não funciona como um reduto automático.


“O voto nordestino tornou-se mais volátil, urbano e pragmático, sensível a temas como custo de vida, segurança pública e qualidade dos serviços públicos”, diz Medeiros, citando a perda de capilaridade territorial do campo nos últimos pleitos. “Em 2018, partidos do campo progressista governavam estados que concentravam cerca de 90% do eleitorado nordestino. Esse percentual caiu para 74% em 2022 e agora pode recuar para algo próximo de 23%.”


Vitor Sandes, cientista político e professor da Universidade Federal do Piauí, adota um tom menos pessimista. Para ele, embora o PT corra riscos, a força da máquina federal - e também da máquina estadual, nos casos em que governadores petistas disputam a reeleição - e o voto casado com Lula tendem a reverter o cenário desfavorável das pesquisas.


“O PT corre alguns riscos no Nordeste, como no Maranhão e no Ceará, este último onde há um fato novo, que é Ciro Gomes. Também há desafios, sobretudo diante do movimento que o PSD fez ao lançar três pré-candidatos à Presidência, embora exista certa flexibilidade nos Estados”, avalia o especialista. “O mais importante para o partido é manter uma votação expressiva a Lula na região e garantir palanques fortes, mesmo que ele não saia com cabeça de chapa”, completa.


Broadcast+

A guerra q todos anunciam

 *A guerra que todos anunciam — e ninguém assume*


*Daniel Benjamin Barenbein*

_Jornalista | Analista político | Defensor de Israel_


Mais uma noite. Mais uma madrugada. Mais um domingo de expectativa, ansiedade e confusão — ou talvez tudo isso ao mesmo tempo.


Durante toda a semana, construiu-se a sensação de que o ataque ao Irã era iminente. Datas foram cravadas. O dia 31 de janeiro virou fetiche. Apostadores no Polymarket colocaram milhões de dólares na mesa. Houve quem dissesse que, se o ataque não ocorresse naquela madrugada, mais de 125 milhões seriam simplesmente perdidos. Outros juravam que aconteceria no fim de semana, talvez no domingo pela manhã.


Chegamos ao domingo. Dia 1º de fevereiro.

E, até agora, nada.


O que houve, na verdade, foi uma *construção de narrativa.* Um crescendo calculado: o tom subiu em Washington, subiu em Teerã, enquanto mais tropas americanas chegavam à região. Porta-aviões, baterias, sistemas antiaéreos. Tudo apontava para o “agora vai”.


Mas o “agora” nunca chega.


E aqui vale abrir um parêntese quase obrigatório, porque há algo de profundamente surreal nessa cobertura toda. Toda hora surgem “vazamentos” dizendo que os _Estados Unidos ainda não definiram o dia e a hora exata do ataque._ Como se guerra fosse reunião de condomínio. Como se alguém fosse ligar para Teerã e avisar:

“Olha, só para você se organizar: liga os radares, prepara as baterias antiaéreas, compra pipoca e pizza porque amanhã, às 3h17, começa.”


A exigência por data e hora exatas não é ingenuidade. É incompreensão básica do que é um conflito militar — ou má-fé travestida de análise.


Mas há algo muito mais grave nisso tudo.


Essa espera não é neutra.

Ela *custa vidas.*


Pode-se até argumentar que Donald Trump está fazendo terrorismo psicológico com o regime iraniano. Ou que está apenas ganhando tempo para se preparar melhor. Seja qual for a explicação, o fato é simples: *quem menos sofre com essa indefinição é o regime iraniano.* Eles têm serviços de inteligência, espionagem, leitura estratégica. Sabem muito mais do que aparentam.


Quem sofre são os outros.


Sofrem os israelenses, vivendo numa sociedade inteira suspensa entre o “vai” e o “não vai”. E sofrem, sobretudo, os iranianos comuns — aqueles que foram às ruas acreditando que o mundo os apoiaria.


E aqui entra um ponto moral impossível de ignorar.


Hoje já se fala em mais de *86 mil mortos* na repressão aos protestos no Irã. Não toda, *mas uma parcela dessa tragédia recai, sim, sobre os ombros de Donald Trump.*


Primeiro, porque no final da chamada “guerra dos 12 dias”, Trump ordenou que aviões israelenses retornassem quando Israel estava prestes a eliminar Ali Khamenei. O próprio Trump assumiu publicamente que salvou a vida do líder supremo iraniano — mais de uma vez. Muitas mortes posteriores simplesmente *não teriam acontecido* se aquela decisão tivesse sido diferente.


Segundo, porque Trump *convocou* a população iraniana. Incentivou protestos, falou em apoio, sinalizou que a ajuda estava a caminho. E ela não veio. Convocar pessoas a se exporem diante de um regime brutal, sem estar pronto para agir, não é estratégia: é irresponsabilidade.


Como disse Amir Tsarfati — e com razão — não há problema algum em os Estados Unidos se prepararem com calma, reforçarem tropas, fazerem tudo de forma profissional. Se for para derrubar o regime iraniano de maneira decisiva, melhor que seja bem feito.

O erro foi *convocar antes de estar pronto.* Isso custou sangue.


Do ponto de vista israelense, a situação é igualmente clara — e igualmente insuportável.


A esmagadora maioria da sociedade israelense está pronta para pagar o preço da guerra. Não por entusiasmo bélico, mas por exaustão histórica. Sabemos que, se o regime iraniano não cair agora, no seu momento de maior fraqueza, talvez nunca caia. O que nos espera, então, são apenas rounds intermináveis de conflito.


E há algo que poucos entendem:

é mais fácil lidar com o evento — alarmes, bunkers, custos reais — do que com essa agonia psicológica permanente do “é hoje ou não é?”. A espera prolongada corrói mais do que o impacto.


Voltemos a Trump.

Aqui entra um elemento decisivo: *o narcisismo.*


Dito sem histeria e sem demonização. Trump foi, sem dúvida, o melhor presidente americano para Israel. Fez movimentos históricos, corajosos, corretos. Mas ele é, sim, um narcisista — e isso não é um insulto, é uma constatação.


O homem que diz ter “inventado” o Iron Dome.

Que aceita para si um Nobel entregue a uma opositora venezuelana.

Que cria estruturas paralelas à ONU e se coloca como figura central.

Que fala em ter feito a paz no Oriente Médio “depois de 3 mil anos”.


Esse narcisismo tem dois lados.


O lado bom é que ele *empurra a História.* É o mesmo traço que o faz querer destruir o programa nuclear iraniano e sair como o homem que fez isso. É o mesmo impulso que o leva a reagir quando é afrontado publicamente — como foi por Maduro, como está sendo agora pelo Irã.


Mas há o lado destrutivo.

O mesmo narcisismo que o fez interromper operações por querer controlar o desfecho, o timing e o crédito político. A guerra termina quando ele decide que terminou. Mesmo que ainda não devesse.


Ainda assim, por esse mesmo traço psicológico, é difícil imaginar Trump recuando silenciosamente depois de ser desafiado repetidas vezes por Teerã. A dúvida real não é *se* haverá ataque, mas *quando* e com *qual escopo.*


E do lado iraniano, o comportamento é quase suicida.


O regime está no ponto mais fraco desde a revolução de 1979: crise hídrica, colapso elétrico, protestos internos, proxies destruídos. Ainda assim, provoca. Ironiza. Ameaça. Posta imagens chamando Trump de “cão que ladra, mas não morde”. Sugere novos atentados. Parece pedir a guerra.


Por quê?


Talvez para desviar a atenção da população.

Talvez para buscar uma guerra regional e se salvar no caos.

Talvez para forçar uma narrativa de vítima.

Ou talvez porque regimes em colapso tomam decisões irracionais.


As informações mais recentes só aumentam a névoa. Avaliações em Israel indicam que, se for um ataque limitado, os EUA já estariam prontos hoje. Se for uma operação ampla para derrubar o regime, ainda levaria de duas semanas a dois meses. Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior israelense esteve secretamente nos Estados Unidos coordenando cenários com os americanos.


Vai acontecer? Não vai? Agora? Depois?

A única certeza é a confusão.


E essa confusão não é abstrata. Ela tem custo humano, psicológico e político.


Guerras não são apenas bombas.

São decisões.

E decisões adiadas também matam.




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Delaçoes botam fogo no Congresso

 *‘BETO LOUCO’ E ‘PRIMO’ NEGOCIAM DELAÇÃO E AMEAÇAM ‘DERRUBAR METADE DO CONGRESSO’*


Por Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento, do Estadão


 São Paulo, 31/01/2026 - Os empresários Mohamad Hussein Mourad, o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’ - os alvos mais importantes da Operação Carbono Oculto, que pegou o ‘andar de cima’ do PCC na Faria Lima - negociam acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo. As conversas são entabuladas com promotores que combatem o crime organizado.


 O Estadão apurou junto a emissários de ‘Beto’ e ‘Primo’ - ambos estão foragidos - que eles teriam informações explosivas, suficientes para ‘derrubar metade do Congresso’. “É coisa de mais de meio bilhão de reais em propinas a parlamentares e autoridades.”


Provas? Alegam ter em mãos uma coleção de mensagens de WhatsApp que indicam encontros pessoais ou com ‘laranjas’ para entrega de propinas, pagas em troca de ‘alívio’ para o setor de combustíveis, explorado por eles via uma colossal rede de postos do crime organizado.


“Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos”, declarou, em nota, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, chefe do MP paulista. “Nosso objetivo é impessoal.”


Segundo o procurador, ‘qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis’.


A negociação de um eventual acordo não está sob alçada da Procuradoria-Geral, mas ainda em avaliação dos promotores da Carbono Oculto, deflagrada na manhã de 28 de agosto do ano passado.


 A Carbono é apontada como a maior ofensiva já realizada para deter a infiltração do crime organizado na economia formal. A ação atingiu o setor de combustíveis e também fintechs e fundos sediados na Avenida Faria Lima, na capital paulista.


 A estimativa é que braços do PCC tenham movimentado R$ 52 bilhões no período investigado, blindando os recursos por meio de 40 fundos de investimentos.De acordo com os investigadores, a BK Bank registrou R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. Eles estimam que um volume de 80% desse montante no período apurado tenha relação com o PCC.


 Na ocasião, o BK Bank informou que foi surpreendido com a operação e que ‘conduz todas as suas atividades com total transparência, observando rigorosos padrões de compliance’.


Entre as empresas citadas na investigação está a Reag Investimentos, que administrava o fundo de investimentos Location no primeiro semestre de 2020.


 O único cotista do fundo era Renato Steinle de Camargo.


 Segundo as investigações, Renato era ‘testa de ferro’ dos empresários Mohamad Hussein Mourad ‘Primo’ e Roberto Augusto Leme da Silva ‘Beto Louco’, supostamente ligados ao PCC.


‘Impacientes’


O Estadão apurou que ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ estão ‘impacientes’. O acordo seria importante para eles tentarem se livrar de eventuais condenações por fraudes, sonegação, crimes tributários e organização criminosa. Mas suspeitam que autoridades de outras instâncias, especialmente em Brasília, não querem ouvir suas revelações.


“Já foram oferecidos anexos com relatos detalhados, mas até agora sentaram em cima em Brasília”, diz um interlocutor dos empresários foragidos. “É inacreditável, depois de tudo o que o País passou na Lava Jato, a operação que pôs abaixo um esquema fenomenal de corrupção e cartel na Petrobrás, e nada mudou. O que mudou foram os players, a corrupção mudou de mãos, não é mais dos empreiteiros, agora é de quem pegar.”


O Estadão pediu manifestação do advogado que representa ‘Beto Louco’ e ‘Primo’. Ele não quis falar sobre a negociação com a Promotoria de São Paulo.

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...