segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Call Matinal 1901

 Call Matinal

19/01/2026 Julio Hegedus Netto, economista PENSATAS: “O Tarcísio está on. A tradução exata da frase é: se Flávio Bolsonaro for mesmo candidato a presidente da República, ele se contentará com a reeleição; mas não se furtará a continuar conversando sobre a possibilidade para, se for o caso, entrar em campo aos 45 minutos do segundo tempo. De qualquer forma, tudo isso se resolve na primeira semana de abril, o prazo máximo para a desincompatibilização.” MERCADOS EM GERAL FECHAMENTO (1601) MERCADOS E AGENDA No mercado brasileiro de sexta-feira (16), o Ibovespa recuou 0,46%, a 164.799 pts. Já no mercado cambial, o dólar à vista subiu 0,08%, a R$ 5,37. Na agenda, destaque para os PMIs em vários países, o IPCA de dezembro e indicadores de PIB e PCE nos EUA. PRINCIPAIS MERCADOS Os futuros das bolsas de Nova York operam em queda, após Donald Trump, anunciar ontem imposição de tarifas contra países europeus para pressionar um acordo de aquisição da Groenlândia. Em resposta, a União Europeia (UE) já estuda tarifas retaliatórias. Às 20h54 (de Brasília), o futuro do Dow Jones caía 0,63%, o do S&P 500 cedia 0,75% e o do Nasdaq tinha queda de 1,01%. NO DIA, 1901 Continuamos atentos às ameaças tarifárias dos EUA contra a Europa. Trump pode anunciar tarifas adicionais sobre a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido (oito países do bloco), que apoiam a independência da Groenlândia. As taxas de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro e subiriam para 25% em 1º de junho se não houver acordo, segundo Trump. Segundo ele, “a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA, devido à sua localização estratégica e às grandes reservas minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la”. Na agenda da semana, na China tivemos crescimento de 4,5% no PIB/4Tri, vendas no varejo, crescendo 0,9% em dezembro, abaixo da projeção de 1,1%, e produção industrial, subindo 5,2% a superar o consenso de 5%. Nos EUA, temos feriado de Martin Luther King, deixando os mercados fechados hoje em NY. A agenda também tem PIB nos Estados Unidos, PCE e balanços da Intel e Netflix. No exterior ainda temos a reunião do BoJ e o Fórum de Davos, que começa nesta segunda-feira com a presença recorde de chefes de Estado e ausência de Lula. Aqui, agenda fraca de indicadores prevê apenas a arrecadação. 

BDM Matinal Riscala

 Bom Dia Mercado

Segunda Feira, 19 de Janeiro de 2.026.

Trump volta à ameaça tarifária com Europa

 

... Bateria de dados na China abre a semana, com crescimento de 4,5% do PIB/4Tri, enquanto o feriado de Martin Luther King deixa os mercados fechados hoje em NY. A agenda também tem PIB nos Estados Unidos, PCE e balanços da Intel e Netflix. O cenário lá fora será ainda movimentado pela reunião do BoJ e pelo Fórum de Davos, que começa nesta segunda-feira com a presença recorde de chefes de Estado e ausência de Lula. Aqui, agenda fraca de indicadores prevê apenas a arrecadação. Os mercados devem ficar a reboque de um novo surto de volatilidade externa, depois que Trump prometeu impor tarifas para oito países europeus até ter permissão para anexar a Groenlândia.

 DE CHOQUE EM CHOQUE – Os futuros de Nova York abriram sentindo o impacto das ameaças de Trump de baixar tarifas adicionais sobre a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido, que apoiam a independência da Groenlândia.

... As taxas de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro e subiriam para 25% em 1º de junho se não houver acordo, segundo o presidente dos Estados Unidos publicou, no sábado, em sua rede Truth Social, gerando fortes reações.

 ... Enquanto o primeiro-ministro da Irlanda disse que a União Europeia promoverá retaliação se as tarifas se concretizarem, e o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que as “ameaças são inaceitáveis” e que os europeus vão responder de maneira coordenada.

... Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, se manifestou no fim de semana, prometendo que a União Europeia será “muito firme” na defesa do direito internacional dos territórios, em especial de seus membros.

... “Esses países estão jogando um jogo muito perigoso, de alto risco, depois de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas”, escreveu Trump, dizendo que está aberto à negociação com a Dinamarca e/ou qualquer um desses países.

... O presidente Trump tem afirmado repetidamente que a Groenlândia é vital para a segurança dos Estados Unidos devido à sua localização estratégica e às grandes reservas minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la.

 

... No domingo, as oito nações europeias emitiram uma declaração conjunta apoiando a autonomia do território da Dinamarca, após terem enviado pequenos destacamentos militares à Groenlândia e reuniram-se para decidir o que fazer.

 

... Também realizaram uma reunião de emergência para formular uma resposta comum à ameaça de Trump.

 

... No FT, a UE teria discutido a retomada de um plano para impor 93 bilhões de euros em sobretaxas a produtos americanos e estaria cogitando até mesmo implementar sanções econômicas mais severas contra os Estados Unidos.  


OTAN - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou ter conversado com Trump pelo telefone neste domingo sobre a “situação de segurança” na Groenlândia e no Ártico. “Continuaremos trabalhando nisso e espero vê-lo em Davos ainda esta semana”, disse Rutte no X. (AP)

 

A TROCA NO FED – Ainda no sábado, Trump negou ter oferecido ao presidente do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, o cargo de comando do Fed e anunciou sua intenção de processar o banco em breve.

 

... A declaração foi uma reação à reportagem publicada pelo The Wall Street Journal afirmando que Trump teria sondado Dimon para substituir Jerome Powell na presidência do banco central americano quando seu mandato terminar em maio.

 

... “Essa afirmação é totalmente falsa. Nunca houve tal oferta", escreveu Trump em publicação no Truth Social. O presidente criticou o jornal por não ter buscado confirmação e aproveitou para retomar críticas ao JPMorgan e anunciar uma ação judicial.

 

... “Na verdade, processarei o JPMorgan nas próximas duas semanas por me desbancar indevidamente e inapropriadamente após o protesto de 6 de janeiro”, escreveu, referindo-se ao encerramento de suas contas bancárias após a invasão do Capitólio em 2021.

 

... Ao longo da semana, o próprio Dimon havia descartado publicamente qualquer possibilidade de assumir a presidência do Fed, afirmando ao ser questionado sobre o tema: “Presidente do Fed? Eu diria que absolutamente, positivamente, nenhuma chance, de jeito nenhum.”

 

... Na sexta-feira, a sinalização de que Kevin Hassett não deve assumir o lugar de Powell a partir de maio foi recebida com alguma decepção em Nova York, que passou a apostar em um nome um pouco menos dovish (leia abaixo).

 

EUA X IRÃ – Enquanto Trump baixou o tom sobre o Irã, num aparente recuo das intenções de atacar o país persa, o líder supremo, Ali Khamenei, culpou no sábado o presidente americano por semanas de manifestações contra o regime dos aiatolás.

 

... “Consideramos o presidente dos Estados Unidos um criminoso pelas vítimas, danos e calúnias que ele infligiu à nação iraniana.”

 

... Khamenei afirmou que “milhares de mortes” ocorreram durante os protestos nacionais, que representam a pior onda de agitação no país em anos. Ele acusou os antigos inimigos do Irã, os Estados Unidos e Israel, de organizarem a violência.

 

... Na sexta, em publicação nas redes sociais, Trump agradeceu aos líderes de Teerã, dizendo que haviam cancelado enforcamentos em massa.

 

DAVOS – O Fórum Econômico Mundial nos Alpes suíços começa nesta segunda-feira com a maior quantidade de chefes de Estado da história do evento. São esperados 65 nomes, dos quais a estrela será Donald Trump, que no ano passado participou virtualmente.

 

... Entre outros líderes, estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, da França, Emmanuel Macron e até o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammad Mustafa. Uma das maiores ausências será a do brasileiro Lula.

 

... A presença maior do Brasil vai ficar com a iniciativa privada.

 

... O BTG Pactual, em conjunto com nomes como Vale, Gerdau e Randoncorp, terá, pelo segundo ano consecutivo, a Brazil House, um espaço na principal rua de Davos, a Promenade.

 

... Além dessas empresas, os presidentes do Itaú, Milton Maluhy, e do Bradesco, Marcelo Noronha, estarão presentes. Pelo Nubank, quem vai é o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que é vice-presidente do Conselho da fintech.

 

... Do setor privado mundial, confirmaram presença quase 850 dos principais CEOs e presidentes de empresas e instituições financeiras, incluindo as grandes empresas de tecnologia, como Google, Nvidia, Amazon e Microsoft.

 

... Mais de 60 ministros da Economia e presidentes de bancos centrais, incluindo a do BCE, Christine Lagarde, participarão.

 

MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA – Lula também foi a grande ausência na cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, no sábado, no Paraguai. O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira.

 

... O presidente Santiago Peña afirmou que a falta do presidente brasileiro deixou “um sabor amargo”, mas enfatizou a sua importância para a concretização da parceria entre os blocos. “Esse acordo não estaria sendo firmado se não fosse pelo trabalho e pela dedicação de Lula.”

 

... O governo brasileiro estimou que o acordo terá um efeito positivo de 0,34% sobre o PIB do País, o que representa R$ 37 bilhões. Já o impacto sobre importações (2,46%) e exportações totais (2,65%) representará o equivalente a R$ 42,1 bilhões e R$ 52,1 bilhões, respectivamente.

 

MASTER – Dois meses após o BC determinar a liquidação extrajudicial do banco, começa nesta segunda-feira o pagamento do Fundo Garantidor de Créditos a 150 mil investidores que já finalizaram a solicitação para receber o reembolso de valores depositados.

 

... Segundo o FGC, foram registrados até agora cerca de 369 mil pedidos por meio do aplicativo. Ao todo, 800 mil investidores podem pedir a garantia, em um valor total que soma R$ 40,6 bilhões, o que torna o caso o maior processo de ressarcimento já conduzido.

 

... Pessoas físicas podem solicitar valores de até R$ 250 mil por meio do aplicativo oficial do FGC.

 

NOVA INTERVENÇÃO – O ministro Dias Toffoli (STF) determinou que a Polícia Federal altere o cronograma de tomada de depoimentos dos investigados no caso do Banco Master para concentrar as diligências em apenas dois dias – antes eram seis.

 

... Os depoimentos ocorreriam ao longo da última semana de janeiro e primeira de fevereiro, mas com a intervenção de Toffoli as novas datas não estão ainda definidas. Estão previstos depoimentos de Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa (BRB) e outros investigados.

 

... Toffoli também atendeu a um pedido da PF para prorrogar por mais 60 dias as investigações sobre as fraudes no Master.

 

... A ONG Transparência Internacional Brasil pediu à PGR para que Dias Toffoli seja declarado impedido de relatar e julgar o caso Master, após revelações do Estadão de que uma empresa de seus irmãos recebeu recursos de um dos investigados.

 

... De acordo com a reportagem, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o dono dos fundos de investimento que compraram uma fatia da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.

 

MAIS AGENDA – A arrecadação federal de 2025 é o único indicador doméstico previsto para esta semana, na quinta-feira (22), mesmo dia em que o CMN realiza reunião.

 

... Lá fora, os dados divulgados pela China repercutem nos pregões de hoje: a expansão de 4,5% do PIB/4Tri veio em linha com o esperado, a produção industrial em dezembro cresceu 5,2% (consenso de 5,0%) e as vendas no varejo subiram 0,9% (previsão de 1,1%).

 

... A economia da China atingiu a meta de crescimento (5%) estabelecida pelo governo para 2025, apesar da guerra tarifária com os Estados Unidos. O PIB do gigante asiático se expandiu no mesmo ritmo registrado em 2024.


... Hoje, no final da noite, o PBoC chinês decide sobre as taxas de referência de longo prazo (LPRs) de um ano e cinco anos.

 

... Ainda no domingo, as eleições presidenciais em Portugal marcaram nova guinada da Europa à extrema-direita.

 

... Surpreendeu o forte desempenho do ultradireitista André Ventura (23%), que disputará o segundo turno, marcado para daqui a três semanas, com o socialista António José Seguro, que lidera a disputa, com 31% dos votos.

 

... Nos Estados Unidos, o PIB/3Tri sai na quinta-feira junto com o PCE de novembro. Na sexta, saem as preliminares de janeiro dos índices PMI e a leitura final de janeiro do sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com expectativas de inflação.

 

... Também a Zona do Euro, Alemanha e Reino Unido divulgam índices PMI na sexta-feira. Outros destaques do bloco são a ata da última reunião do BCE (quinta-feira) e a inflação do CPI nesta segunda-feira (7h).

 

... A reunião de política monetária do BoJ será na virada da quinta para sexta-feira.

 

BALANÇOS – Prossegue a temporada de balanços em Nova York, com 3M e Netflix amanhã (terça), United Airlines (quarta), GE Aerospace, Procter & Gamble, Alcoa e Intel (quinta-feira) e First Citizens BancShares (na sexta-feira).

 

O CALL DA SELIC – Feitas as ressalvas de que o IBC-Br pode ter sido bombado pela Black Friday, o dado mais forte do que o esperado, só um dia depois da surpresa positiva com as vendas no varejo, deslocou as apostas do Copom.

 

... O “PIB do BC” registrou crescimento de 0,68% em novembro na série com ajuste sazonal, quase o dobro da mediana das estimativas do mercado (+0,35%), e reverteu a queda de outubro, revisada de 0,10% para 0,25%.

 

... O Itaú acredita que o dado encerra a leva de indicadores mais fortes incentivados pelo aumento do consumo na Black Friday e que os números de dezembro podem devolver a força das leituras observadas em novembro.

 

... Seja como for, após o IBC-Br, a mediana para o crescimento do PIB no quarto trimestre de 2025 subiu de estabilidade (0%) para alta de 0,1%, de acordo com pesquisa-relâmpago conduzida pelo Projeções Broadcast.

 

... O IBC-Br aquecido entrou para a coletânea de dados que sugerem atividade econômica ainda em ritmo forte e demonstram como a política monetária restritiva (maior nível em duas décadas) está demorando para frear o fôlego.

 

... A eficácia do conservadorismo do Copom também tem tido dificuldade para alcançar e moderar o emprego.

 

... Na curva a termo, a aposta unânime de corte da Selic em março foi colocada em xeque (70% para queda do juro contra 30% de manutenção), com migração das expectativas de relaxamento do juro para os meses seguintes.

 

... Abril desponta agora como o mês com precificação cheia de um corte (64% para 50 pontos-base e 36% para 25pb). A possibilidade de uma flexibilização na reunião do Copom da semana que vem sai cada vez mais de cena (só 19%).

 

... Relatos de fontes ao Valor indicam que, na reunião trimestral com os diretores do BC realizada na última sexta-feira, economistas manifestaram preocupação com espaço menor para redução da Selic ao longo deste ano.


... Ainda que o consenso aponte para uma taxa ao redor de 12% no fim de 2026, os últimos dados de atividade e do mercado de trabalho têm feito o mercado questionar a possibilidade de um ciclo dessa magnitude.

 

... Segundo um dos participantes dos encontros, ainda fatores como a volatilidade cambial por conta das eleições e o cenário geopolítico “não deixam o ambiente muito seguro para uma desinflação suave ao longo do tempo”.

 

... Posto em dúvida o corte da Selic em março, os juros futuros embutiram prêmio no último pregão.

 

... No fechamento, o contrato do DI para janeiro de 2027 marcou 13,805% (de 13,748% no ajuste anterior); Jan/29 avançou para 13,195% (contra 13,076% na véspera); Jan/31, a 13,495% (13,371%); e Jan/33, a 13,660% (13,546%).

 

... Do ponto de vista do carry trade, quanto mais a taxa Selic demorar para cair, tanto melhor para o real.

 

VIDA QUE SEGUE – A percepção favorável aqui sobre o impacto no câmbio do diferencial dos juros não foi abalada na sexta-feira nem mesmo pela sinalização de Trump de que Kevin Hassett não deve assumir o comando do Fed.

 

... O dólar comercial fechou praticamente estável (+0,08%), respeitando os R$ 5,40 por mais um dia (R$ 5,3726).

 

... Favorito até então nos sites de apostas para suceder Powell, o assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett pode continuar em seu posto, mudando o jogo de forças no BC americano para um eventual perfil menos dovish.

 

... A novidade de que Hassett pode ficar fora do páreo pega o mercado no debate acalorado sobre a independência do Fed, depois do episódio em que Powell denunciou em vídeo a intimidação e pressão de Trump por corte no juro.

 

... Dificilmente Trump se sentirá constrangido a tentar impor, através de sua escolha do próximo presidente do Fed, alguém com viés alinhado à sua defesa por uma política monetária bem mais relaxada do que a postura atual.

 

... Mas a percepção agora no mercado é de que o nome a ser escolhido para ocupar a cadeira de Powell a partir de maio será alguém dovish, mas não tão dovish quanto os investidores cogitam que Hassett poderia ser no cargo.

 

... A chance de Kevin Warsh ser o escolhido saltou para 56%, bem à frente de Christopher Waller (15,8%). Ainda Powell pode ficar tentado a permanecer no conselho do Fed após maio para proteger a independência do BC.

 

... A mudança no quadro de apostas para o comando do Fed puxou os juros dos Treasuries. A taxa da Note de 2 anos subiu para 3,596% (contra 3,566% no pregão anterior) e o rendimento do bônus de 10 anos foi a 4,226% (de 4,169%).

 

... Mas o efeito no câmbio foi praticamente nulo. O índice DXY fechou estável (+0,07%), aos 99,392 pontos, com o euro (-0,09%, a US$ 1,1603) e a libra (+0,02%, a US$ 1,3383) oscilando muito pouco. O maior destaque foi o iene.

 

... Às vésperas do BoJ, a moeda japonesa subiu a 158,08/US$, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmar que o governo está pronto para tomar "medidas decisivas" para conter a queda persistente da divisa.

 

... Mas o economista Robin Brooks, do Brookings Institute, acredita que uma intervenção terá efeito limitado, enquanto o BoJ continuar em “enorme negação” e seguir comprando títulos do governo japonês (JGBs).

 

... As bolsas em Nova York perderam fôlego com o “efeito Hassett”. O Dow Jones caiu 0,17%, aos 49.359,33 pontos, e o S&P 500 (-0,06%, aos 6.940,01 pontos) e o Nasdaq (-0,06%, aos 23.515,39 pontos) fecharam no zero a zero.

 

... Entre os discursos do dia dos integrantes do Fed, Michelle Bowman recomendou a retomada dos cortes no juro, em meio aos riscos do mercado de trabalho e diante dos “progressos consideráveis” ​​na redução da inflação.

 

PARADA ESTRATÉGICA – A bola levantada de que o Copom pode levar mais tempo para cortar os juros atuou no pano de fundo para o Ibovespa interromper dois pregões consecutivos de recordes e perder os 165 mil pontos.

 

... Mas, em dia de exercício de opções, também o ajuste técnico pode ter influenciado para que o índice à vista da bolsa doméstica fechasse em baixa de 0,46%, aos 164.799,98 pontos, com volume forte, de R$ 34,1 bilhões.

 

... O principal efeito negativo veio dos bancos, com destaque para BTG Pactual (-1,23%; R$ 54,40), Itaú (-0,83%; R$ 39,61) e BB (-0,42%; R$ 21,37). Já Bradesco ON subiu 0,56%, a R$ 16,20, e PN fechou estável (+0,05%, a R$ 18,91).

 

... Vale ficou estável (+0,04%; máxima de R$ 78,88), descolada da queda de 0,49% do minério.

 

... As perdas na bolsa foram contrabalançadas por Petrobras (PN +0,79%, a R$ 32,04; e ON +0,27%, a R$ 33,98), que seguiu o petróleo e repercutiu positivamente a prévia do relatório de produção, divulgado na noite de quinta-feira.

 

... A companhia encerrou 2025 com produção acima das metas estabelecidas em seu plano de negócios.

 

... Lá fora, depois dos tombos recentes, o petróleo Brent para março corrigiu, fechou em alta de 0,58%, a US$ 64,13.

 

... Apesar dos sinais de arrefecimento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, com a diminuição dos protestos e cancelamento de execuções de manifestantes, o Pentágono mobilizou dois grupos de porta-aviões ao Oriente Médio.

 

... Neste domingo, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, disse que qualquer ataque contra o Líder Supremo Ali Khamenei, governante de fato do Irã, seria uma declaração de guerra, após Trump defender um novo líder.

 

CIAS ABERTAS NO AFTER – PETRORECÔNCAVO informou que a gestora Cobas elevou a participação na empresa de 5,22% para 10,09%, passando a deter 29.633.700 de ações ordinárias.

 

CPFL ENERGIA. Debenturistas da 13ª emissão de debêntures da CPFL Geração aprovaram, por unanimidade, o cancelamento do registro da companhia como emissor de valores mobiliários na categoria B junto à CVM...

 

... Decisão foi confirmada também em assembleia geral extraordinária da empresa.

 

INTER recebeu autorização do Escritório de Regulação Financeira da Flórida e do Fed para estabelecer uma agência internacional na Flórida. 

 

COGNA comunicou o encerramento do programa de recompra aprovado em 20 de janeiro de 2025 após adquirir o total de 24.895.100 de papéis ordinários negociados na B3.

 

EZTEC terminou o quarto trimestre com R$ 783 milhões em valor geral de venda (VGV) potencial em lançamentos, que foram três no período, segundo prévia operacional; montante é 198,9% maior que no mesmo período de 2024.

Tensões geopolíticas

 *Panorama Geopolítico – Tensões Globais em Escalada*


• *EUA e Federal Reserve:* O secretário do Tesouro, *Scott Bessent*, minimizou temores sobre *interferência política* no *Fed*, defendeu maior *supervisão* sobre o banco central e disse que investigações contra *Jerome Powell* não devem afetar os *mercados*. Também demonstrou confiança de que a *Suprema Corte* manterá as *tarifas* impostas pelo governo.


• *Groenlândia no centro do conflito EUA–Europa:* *Donald Trump* condicionou a retirada de *tarifas* à aceitação europeia da *compra da Groenlândia*. O governo americano argumenta *segurança nacional*, presença da *China e Rússia* no *Ártico* e projetos *militares estratégicos*.


• *Reação da União Europeia:* A *UE* rejeitou qualquer negociação sobre *soberania*, convocou *reuniões emergenciais*, ameaçou *retaliações de até 93 bilhões de euros* e reforçou apoio total à *Dinamarca* e à *Groenlândia*. Líderes europeus classificaram a postura dos EUA como *chantagem*.


• *Risco à OTAN e relações transatlânticas:* Autoridades europeias alertam que as *tarifas* e ameaças dos EUA enfraquecem a *OTAN*, beneficiam *Rússia e China* e podem gerar uma *crise histórica* nas relações entre *aliados*.


• *América Latina – Venezuela:* O presidente *Lula* criticou duramente a *ação militar dos EUA na Venezuela*, afirmou que a região não será *subserviente*, defendeu o *direito internacional*, a *ONU* e soluções *políticas internas*, alertando para riscos à *estabilidade global*.


• *Irã em convulsão:* Protestos no *Irã* já deixaram *vários milhares de mortos*, segundo o próprio regime. O líder supremo *Ali Khamenei* acusou os EUA de *incitar a revolta*, enquanto *Trump* pediu uma *nova liderança* no país. O governo iraniano afirmou que qualquer ataque direto seria *guerra total*.


👉 *Resumo geral:* O cenário global mostra *escalada de tensões*, uso crescente de *tarifas como instrumento político*, conflitos sobre *soberania territorial*, desgaste de *alianças históricas* e aumento do *risco geopolítico* em várias regiões do mundo.


RT NEWS

domingo, 18 de janeiro de 2026

Eleições e crédito privado

 Leitura de Domingo: antecipação das eleições deve deixar mercado de crédito privado menor em 2026


Por Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior


São Paulo, 13/01/2026 - As empresas devem captar menos recursos no mercado de dívida local neste ano, uma vez que já anteciparam necessidades e rolaram dívidas em 2025 para escapar da volatilidade das eleições em outubro. Esse movimento acabou surpreendendo banqueiros e gestores, que esperavam um volume até 30% menor de captações no ano passado, em razão do montante recorde levantado em 2024, mas que não se concretizou.


Até novembro, as empresas levantaram R$ 717,2 bilhões no mercado de capitais, com emissão de debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), certificados de recebíveis imobiliário (CRI), notas comerciais e fundo de direitos creditórios (FIDC). O montante foi recorde para o período e 4,5% acima de 2024. Considerando que desse total R$ 15 bilhões são em ações, a grande maioria foi em renda fixa, securitização e instrumentos híbridos. As ofertas de debêntures somaram R$ 433 bilhões nesse período, também um recorde.


Nesse movimento, o custo de captação das companhias de primeira linha caiu fortemente e o incentivo para as ofertas de papéis cresceu, compensando a elevação da taxa Selic, que chegou aos 15%. A queda no custo de captação foi mais acentuada  entre os títulos incentivados, onde o prêmio para colocar uma nova oferta no mercado chegou a ficar negativo.


Em 2026, entretanto, a história tende a ser outra, em meio a um debate eleitoral novamente polarizado, potencialmente ainda mais acalorado do que o habitual e com os partidos de direita ainda buscando alinhamento e o tema da busca do equilíbrio fiscal no fio da navalha. "Não importa quem será o vencedor da corrida eleitoral, mas como ela vai acontecer e arrisco dizer que a volatilidade será maior em 2026 do que foi em 2025", diz o sócio da JGP, Alexandre Muller.


Para o diretor de renda fixa e produtos estruturados do Itaú BBA, Felipe Wilberg, existe a percepção de que as ofertas tendem a encolher já que em 2025, o número de liability managment (gestão de compromissos financeiros) cresceu muito, como normalmente acontece quando as condições de mercado ficam extremamente favoráveis. "Vai continuar tendo mercado, tem demanda e as companhias estão em boa qualidade de crédito, mas não há grande necessidade de investimento ou de troca de dívidas", afirma.


A visão do responsável por renda fixa do Bradesco BBI, Felipe Thut, também é de uma provável redução dos volumes em 2026 de novas emissões no mercado de crédito privado, também como consequência das antecipações de captações. "Difícil fazer projeção, mas uma queda de entre 10% e 20% parece razoável de se esperar", afirma.


Mas Thut defende que tal redução pode ser eventualmente contrabalançada pela decisão de algumas empresas de usarem esse mercado para captar recursos e distribuir dividendos do ano que vem frente a mudanças nas regras de tributação. Ele lembra ainda que há uma agenda relevante de compromissos relacionados a investimentos nos segmentos de saneamento e rodovias que podem contribuir para amortecer a queda prevista nas emissões deste mercado.


Thut diz que as eleições têm o potencial habitual de trazer volatilidade e levar a uma concentração das ofertas no primeiro semestre, entretanto, como muitas operações já foram antecipadas, o pleito terá outro tipo de influência. "A pergunta que os empresários farão será se vou ou não tomar recursos para novos investimentos", disse.


Muller, da JGP, considera que se houver precificação de mudança na política fiscal uma janela para ofertas subsequentes em bolsa pode se abrir e melhorar o desempenho dos títulos de dívida de empresas fora da categoria grau de investimento. Mas, de modo geral, ele defende que os investidores vão buscar papéis de empresas e ativos para se proteger. Nesse sentido, Muller diz que papéis pós-fixados e de infraestrutura, que têm vencimentos mais longos,

Acordo Mercosul UE

 *Mercosul–União Europeia: redesenho da inserção do Brasil na economia global*


_O maior valor da assinatura do tratado Mercosul-União Europeia está em seu potencial de catalisar reformas no País_


Por *Marcos Troyjo*


17 de janeiro de 2026


A assinatura do Acordo Mercosul–União Europeia, após 26 anos de negociações intermitentes, deve ser analisada menos como um desfecho diplomático e mais como um ponto de inflexão estratégico. Ao longo dessas mais de duas décadas, acompanhei de perto diferentes fases do processo, dialogando com negociadores europeus e sul-americanos sob contextos políticos variados. Tornou-se claro, desde cedo, que este nunca foi apenas um acordo comercial. Sempre foi, sobretudo, uma discussão sobre o lugar do Brasil na economia global.


O momento não é coincidência. O acordo chega em um momento de profunda reestruturação inflexão na ordem econômica e geopolítica global — e é exatamente isso que lhe dá relevância. O comércio internacional não é mais apenas um instrumento de eficiência econômica. Tornou-se um vetor de segurança, poder e posicionamento estratégico. O mundo que habitamos hoje é marcado por fragmentação, rivalidade tecnológica e crescente tensão geopolítica. Nesse contexto, um acordo que conecta Mercosul e a União Europeia cria um dos maiores e relativamente desimpedidos espaços econômicos do planeta, abrangendo mais de 750 milhões de pessoas.


Escala, previsibilidade e integração produtiva tornaram-se ativos escassos — e este acordo entrega os três. Por isso, o acordo Mercosul–UE não deve ser visto apenas como um exercício de corte tarifário ou um conjunto de cotas. É, na verdade, um projeto de arquitetura econômica. Ao estabelecer regras, disciplinas e mecanismos de resolução de disputas compartilhados, cria-se previsibilidade — possivelmente a moeda mais valiosa na volátil economia global de hoje. A previsibilidade é decisiva para decisões de investimento de longo prazo. O comércio gera fluxos. O investimento gera transformação estrutural. O impacto mais consequente desse acordo, portanto, estará não apenas na redução das tarifas, mas nos incentivos que ele cria para investimentos, integração da cadeia de valor e modernização do ambiente de negócios.


Estive diretamente envolvido nas negociações quando o acordo foi tecnicamente concluído em 2019. Na época, esperava-se que a ratificação viesse rapidamente. Isso não aconteceu. Mudanças políticas na Argentina, uma fase mais protecionista em partes da América do Sul, resistência interna dentro da Europa e, logo depois, a pandemia de Covid-19 contribuíram para atrasos. Mas a variável decisiva tem sido a geopolítica.


Desde 2019, a intensificação da rivalidade EUA-China transformou fundamentalmente as cadeias de suprimentos globais. Mais recentemente, o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA — com uma agenda explícita orientada por tarifas — acelerou a tomada de decisões estratégicas na Europa. O que antes era desejável tornou-se necessário. Negociadores europeus há muito expressaram preocupação em serem reféns de decisões unilaterais de uma única potência. A resposta foi clara: aprofundar acordos robustos e baseados em regras entre as regiões. O acordo com o Mercosul foi transferido da gaveta para a mesa porque se tornou um imperativo estratégico.


Não há vácuos na geopolítica. Se o Mercosul não conseguir se integrar aos mercados premium por meio de acordos abrangentes, outros ocuparão esse espaço — muitas vezes em termos menos favoráveis em áreas como propriedade intelectual, disciplina regulatória e concorrência. O risco de inação era o isolamento gradual do Mercosul das cadeias globais de maior valor agregado. Esse acordo mitiga esse risco e reposiciona a região em um nível mais sofisticado de inserção econômica internacional.


Dito isso, o texto final não é idêntico à versão acordada em 2019. A reabertura das negociações resultou em reveses significativos. A extinção gradual das tarifas no setor automotivo foi estendida para até 25 anos, diluindo os ganhos de eficiência. O capítulo de compras governamentais perdeu ambição, apesar do potencial de aumentar a transparência, reduzir custos e aumentar a concorrência. Essas concessões tornam o acordo menos ambicioso do que poderia ter sido. Mesmo assim, os ganhos econômicos continuam significativos. O acordo representa um avanço estrutural para a economia do Brasil, especialmente para consumidores, exportadores e para a modernização produtiva de longo prazo do País. Também é provável que isso gere um viés positivo nos fluxos de investimento estrangeiro direto europeu para o Mercosul.


Na agricultura, apesar da ambição limitada das cotas de carne, o acordo proporciona uma abertura substancial de mercado. A UE reduzirá tarifas para zero em aproximadamente 80% das linhas tarifárias agrícolas brasileiras ao longo de até dez anos. Isso não é pouca coisa em um dos mercados agrícolas mais protegidos do mundo. Para o agronegócio brasileiro, isso significa maior previsibilidade, acesso mais amplo e melhores condições de planejamento de longo prazo.


 Para a indústria, o design é equilibrado. Uma grande parcela das exportações industriais brasileiras verá as tarifas eliminadas no curto prazo, aumentando a competitividade externa. Ao mesmo tempo, as próprias reduções tarifárias do Brasil seguirão um longo e generoso cronograma de transição, permitindo que as empresas tenham tempo para se adaptar, investir e aumentar a produtividade. Evitar choques abruptos é essencial para que a liberalização comercial se traduza em ganhos sustentáveis. Um dos elementos menos discutidos — porém mais estratégicos — do acordo está em suas regras de origem. As regras flexíveis negociadas em 2019 têm o potencial de aumentar significativamente a competitividade da indústria brasileira, que continua entre as mais protegidas do mundo. 

Ao permitir maior uso de insumos de múltiplas origens sem perda de acesso preferencial, essas regras facilitam a integração nas cadeias de valor europeias, atraem investimentos e apoiam a produção de bens de maior valor agregado. Padrões ambientais são frequentemente citados como uma possível barreira na Europa. Eles podem realmente ser — mas também podem se tornar uma vantagem competitiva. 


O Brasil, por exemplo, é uma potência ambiental e agroindustrial. Em muitos aspectos, é um grande exportador de sustentabilidade. O que tem faltado não é desempenho, mas comunicação. À medida que o acordo entra em vigor, o Brasil deve intensificar seu engajamento com parceiros europeus para transmitir suas credenciais ambientais. Em áreas como agricultura sustentável, biocombustíveis, hidrogênio verde, energia renovável e minerais críticos, o Brasil está bem posicionado para sair mais forte.


Persistem preocupações de que a indústria brasileira possa enfrentar dificuldades com a concorrência europeia. A competição exerce pressão. A proteção permanente anestesia. O acordo prevê longas transições e liberalização gradual. Mais importante ainda, cria condições para que o capital europeu invista no Brasil e produza para os mercados globais a partir do solo brasileiro. O verdadeiro ganho não está em uma disputa de soma zero entre importações e produtores nacionais, mas sim na integração produtiva, tecnológica e financeira.


 A oposição francesa ao acordo chamou atenção, mas está em grande parte enraizada na política interna. A agricultura europeia — especialmente na França — é altamente especializada, e a concorrência direta com o Mercosul é limitada. Enquanto isso, empresas industriais francesas, bancos, empresas de energia e consultorias receberam bem o acordo. A oposição é mais simbólica do que estrutural.


Isso me leva ao que chamo de "ESG 2.0". Hoje, ESG significa Economia, Segurança e Geopolítica. Um acordo que expande mercados e investimentos, reduz vulnerabilidades no fornecimento de alimentos e energia e fortalece alianças baseadas em regras está praticando o novo ESG. O acordo Mercosul–UE é um dos poucos no mundo que aborda as três dimensões simultaneamente. Funciona como uma forma de seguro contra a incerteza sistêmica.


No entanto, acordos comerciais não geram benefícios por si só. Os países precisam se adaptar a eles. A preparação do setor produtivo brasileiro continua desigual. A mobilização do setor privado — especialmente organizações que apoiam pequenas e médias empresas — será decisiva. Sem ela, o país corre o risco de ver a oportunidade passar. Em última análise, o maior valor do acordo está em seu potencial de catalisar a reforma interna. Maior exposição à concorrência internacional intensifica a pressão por reforma tributária, previsibilidade fiscal, melhoria da logística, certeza regulatória e inovação.


 O acordo abre portas, mas não substitui as reformas. O acordo comercial mais importante que o Brasil precisa assinar é consigo mesmo. Se o Brasil fizer sua parte, o resultado será uma economia mais produtiva, integrada e resiliente. Se não o fizer, o país apenas terá assinado um bom acordo, sem colher seus benefícios.


Acordos comerciais não são panaceias. Eles amplificam a reforma — não a substituem. Em uma frase, o acordo Mercosul–UE é o projeto mais ambicioso de integração competitiva do Brasil em uma geração — e uma aposta rara em cooperação, comércio e investimento em um mundo cada vez mais fragmentado.


_Marcos Troyjo é Distinguished Fellow no Insead Hoffmann Institute. Como Secretário Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Brasil, foi negociador do Acordo Mercosul-UE. Ex-Presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Troyjo é economista, sociólogo e diplomata._



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Leitura de domingo - bolsa em rally silencioso

 Leitura de Domingo: Bolsa tem rali silencioso e há espaço para mais, diz Zanlorenzi, do BTG


Por Vinicius Novais


São Paulo, 12/01/2026 - O salto de mais de 30% do Ibovespa em 2025 foi "um dos ralis mais silenciosos" já vistos, avalia o chefe da mesa de ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, à Broadcast. A alta, explica, foi ancorada quase exclusivamente no investidor estrangeiro, graças a dois freios para o dinheiro local: Selic a 15% - "um prêmio alto para ficar parado" - e volatilidade elevada. "Sobrou basicamente o estrangeiro, que capturou a oportunidade do rali", resume. O movimento teve como destaque o desempenho de empresas ligadas à economia doméstica. Cogna, outras educacionais, Movida e Ecorodovias ganharam com a perspectiva de um ciclo longo de afrouxamento monetário. O BTG projeta Selic perto de 12% no fim de 2026 e cortes possivelmente maiores que os 300 pontos-base hoje precificados, o que ainda pode destravar valor em small caps. Para 2026, a eleição presidencial é o principal vetor de volatilidade, embora a Bolsa siga "barata" e siga atraindo fluxo externo. Leia a entrevista abaixo:


 


Broadcast: Vimos um rali na Bolsa em 2025, com o Ibovespa subindo mais de 30% no período. Como o senhor viu esse movimento?


Jerson Zanlorenzi: Esse rali da Bolsa talvez tenha sido um dos mais silenciosos. Poucos investidores conseguiram capturar todo esse movimento. Isso aconteceu porque o nível de volatilidade estava muito elevado. As informações disponíveis, tanto no cenário internacional quanto no local, eram repletas de incertezas. Isso levou os investidores a não prestar muita atenção na Bolsa, que estava realmente de graça e podia ser uma grande oportunidade no começo do ano. E a segunda razão é a Selic de 15%. É um prêmio alto para o investidor 'não fazer nada'. Se estou recebendo 15% ao ano, muitas vezes isento nas aplicações, por que se arriscar em ações? Isso tirou o investidor pessoa física da Bolsa. Houve, nos últimos dois anos, R$ 500 bilhões de resgates dos fundos multimercados e de ações, afastando também o investidor profissional. Ficamos basicamente apenas com o investidor estrangeiro, que foi quem conseguiu absorver esse movimento. Por isso, a alta foi silenciosa, ancorada quase exclusivamente no investidor estrangeiro, que capturou o rali.


Broadcast: A Cogna e outras empresas de educação lideraram as altas do Ibovespa no ano. Como o senhor vê esse movimento?


Zanlorenzi: Foi uma alta muito expressiva de todo o setor. É importante olhar um pouco do passado. Esse setor foi massacrado nos últimos dois anos. A Cogna, que hoje ronda os R$ 3, já chegou a valer cerca de R$ 6. Já houve uma depreciação de preço muito grande que, obviamente, os investidores em algum momento entenderam que já havia sido suficiente. Além disso, houve também um movimento para small caps no Brasil, com o fortalecimento da perspectiva de queda de juros. As empresas ligadas à economia local foram bem neste ano. Normalmente, se a Bolsa vai bem, Petrobras e Vale são destaque, mas em 2025 não foi assim. O setor de educação, Movida, Ecorodovias e supermercados surfaram na perspectiva de queda de juros.


Broadcast: Quando esse movimento de corte de juros se iniciar, essas ações devem subir mais ou os investidores olharão para outros setores?


Zanlorenzi: Esse movimento ainda vai continuar, porque vemos que o Brasil deve entregar um ciclo de corte longo. Na nossa perspectiva, os juros devem se aproximar de 12% ao fim de 2026. E, quando olhamos historicamente, o mercado até subestima os cortes: quando precifica 300 pontos-base, corta 450. Um corte maior poderia movimentar bastante e destravar valor para as empresas, que também vão reduzir drasticamente o custo da dívida. Então, foi sim um bom ano para empresas locais, mas ainda há espaço para precificar essa grande melhora do custo de dívida aqui no Brasil que pode vir.


Broadcast: Olhando para a ponta negativa, não há um padrão setorial. Acredita que as empresas foram mais penalizadas por questões internas de cada um. 

Fernando Schuller, por Jonas Federighi

 

Fernando Schüler parte de um caso aparentemente “periférico” — a suposta censura de um trecho de Platão em uma universidade no Texas — para discutir um fenômeno maior: a tentação recorrente de “barrar a ideologia” por decreto. Os destaques são claros: anacronismo (julgar o passado com moral do presente), o erro de impor pauta em sala de aula, e o erro simétrico (e ainda pior) de amputar clássicos para evitar debate. No fim, a tese é que a guerra cultural vira um pêndulo: quando um lado cancela, o outro quer revidar com proibição. O autor reconhece que os texanos acertam ao criticar doutrinação — impor ideologia em sala de aula é um desvio do papel universitário. Só que cortar Platão para “proteger” alunos é um contrassenso: universidade sem choque de ideias vira curso preparatório para unanimidades. A crítica se estende ao padrão recente atribuído à esquerda identitária, com exemplos de revisões e cancelamentos (de Twain a Lobato, passando por J.K. Rowling), onde o medo de ofender vira régua para reescrever cultura e estreitar a conversa pública. O ponto central, porém, é o aviso aos conservadores que agora querem “dar o troco” usando o Estado: proibir ideologia na marra não funciona. Um governo até pode fechar escritórios, cortar verbas, impor regras administrativas — mas não consegue fiscalizar toda aula, todo livro, toda conversa de corredor (e tentar fazê-lo seria “o próprio inferno”). A modernidade, lembra ele, nasce de uma intuição moral decisiva: força não deve comandar consciência. Trocar livre investigação por coerção é trocar universidade por cartilha — com carimbo oficial. A saída proposta é menos confortável e mais adulta: livre pensamento + responsabilidade ética. Ativistas tendem a ser mais organizados (ocupam espaços, andam em bando, cancelam com eficiência); por isso, a defesa da liberdade exige esforço, coragem e compromisso com o debate honesto. O convite final é simples e exigente: parar de procurar “atalhos proibidores” e reconstruir ambientes em que discordar não seja pecado — porque, quando a civilização começa a pedir “safe space” para Platão, a folha de parreira vira uniforme.

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado* Terça Feira, 20 de Janeiro de 2.026. *Trump em três frentes de barulho* … Os futuros de NY caíam forte na volta do feriad...