terça-feira, 30 de setembro de 2025

Marcos Mendes

 Outliers 172: "Governo vai sair alucinadamente atrás de novas receitas”, diz Marcos Mendes, pesquisador do Insper  

 

No episódio 172 do Outliers InfoMoney, Clara Sodré e Fabiano Cintra recebem Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, e um dos criadores da regra do “Teto de Gastos”

 

Especialista em políticas públicas e finanças do setor público, Mendes explica os principais desafios do Brasil quando o assunto é meta fiscal e contas públicas. Ele comenta o peso de supersalários e precatórios, avalia se o governo conseguirá cumprir o arcabouço fiscal e discute se a política econômica do governo Lula tem prioridades claras. O episódio também aborda juros elevados no mundo pós-pandemia, perspectivas para a Selic, as diferenças entre Brasil e Argentina e o impacto do cenário fiscal nas eleições de 2026 - com as projeções de Mendes para o pleito.


https://youtu.be/dDAh5VFmBkU

Kinea aposta em bolsa

 https://braziljournal.com/kinea-aumenta-exposicao-a-brasil-compra-bolsa-e-real/


*Kinea aumenta exposição a Brasil: compra bolsa e real*


Giuliana Napolitano


Depois de anos investindo mais no exterior, a Kinea ampliou a exposição dos seus fundos multimercado a ativos brasileiros. 


Foi o aumento mais relevante desde 2019, e os níveis de alocação no País são os mais altos dos últimos cinco anos. 


Numa carta que será divulgada ao mercado nesta quarta-feira, a gestora informa que seus fundos multimercado estão comprados na Bolsa, comprados em real e aplicados em juros locais, em razão da expectativa de corte da Selic. 


Com isso, cerca de metade do risco desses fundos – que têm um patrimônio aproximado de R$ 25 bilhões, incluindo os de previdência – está concentrada em investimentos no Brasil.


A Kinea vê o mercado local se beneficiando de uma combinação de três fatores: valuations atrativos, “algum crescimento econômico” e um ambiente mais favorável de liquidez, com a queda dos juros


Para a gestora, o PIB – que deve ficar no zero a zero no segundo semestre – tende a crescer em 2026 com a redução dos juros e uma “provável reaceleração fiscal, típica de anos eleitorais”. 


Em relação à Bolsa, a gestora lembra que a relação Preço-Lucro está abaixo da média histórica ao mesmo tempo em que os lucros das empresas abertas vêm aumentando, na média, desde 2024.


Já o real, diz a casa, tem um diferencial de juros superior a 10% em relação ao dólar. “Com juros de 15% ao ano, o dólar precisaria estar acima de R$ 5,8 em 12 meses para um investidor perder dinheiro comprado em moeda local.”


O risco é a eleição de 2026. Na carta, a gestora compara a jornada para voltar a investir no Brasil à Odisseia, de Homero, mas diz acreditar que os fatores positivos do mercado local não são o canto da sereia que quase enganou Ulisses. 


Segundo a Kinea, a análise das eleições presidenciais dos últimos 30 anos sugere que, para ter 50% de chance de ser reeleito, um presidente no cargo deve ter uma avaliação positiva líquida superior a cinco pontos percentuais, o que não é o hoje.


Mesmo considerando que o governo vá usar a máquina para tentar aumentar sua popularidade no ano que vem, “o ponto de partida parece desafiador”.


A possibilidade de um aumento de gastos que rompa de vez com o arcabouço fiscal é o principal risco ao cenário-base da Kinea. 


Mas, na visão da gestora, o medo de que o dólar possa passar dos R$ 6 deve conter um descontrole maior das despesas.


As principais ações brasileiras no portfólio dos fundos multimercado da gestora são BTG Pactual, Embraer, Marcopolo, SmartFit e Vibra, além de Copel, Equatorial, Sabesp e Orizon como nomes para dividendos.


A casa também aumentou os investimentos em ações de outros mercados fora dos EUA, em razão das mudanças na economia americana. Entre os papéis em carteira, estão Airbus, Siemens Energy, Nvidia, TSMC e Xiaomi.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: EUA perto do shutdown*


Aqui, a agenda prevê o resultado primário e a taxa de desemprego da Pnad, enquanto os mercados se preparam para o fechamento de setembro, com Ptax no câmbio e juros sob pressão


… A Casa Branca tem até a meia-noite de hoje para conseguir um acordo sobre o impasse orçamentário no Congresso dos Estados Unidos, ou o governo americano será desligado amanhã. Esse é o estresse do dia, após a falta de consenso na reunião de ontem de Trump com democratas e republicanos. Um shutdown paralisaria diversos serviços públicos, ameaçando inclusive a divulgação do payroll, no final da semana. Nesta terça, o relatório Jolts projeta os primeiros dados do emprego em agosto. Aqui, a agenda prevê o resultado primário e a taxa de desemprego da Pnad, enquanto os mercados se preparam para o fechamento de setembro, com Ptax no câmbio e juros sob pressão.


SHUTDOWN – O risco de paralisação do governo americano foi admitido pelo vice-presidente J.D. Vance, após o encontro malsucedido de Trump com os parlamentares. “Eu acho que caminhamos para um shutdown porque os democratas não querem fazer a coisa certa.”


… É verdade que é uma história que está sempre se repetindo e que muitas vezes é resolvida no último minuto.


… Liderada pelos republicanos, a Câmara aprovou um projeto de lei provisório que estenderia o financiamento até 21 de novembro, mas, para ser aprovado no Senado, o texto precisa do apoio de pelo menos oito democratas, que não aprovam a proposta.


… Suas exigências incluem assistência médica ausentes no projeto dos republicanos, a extensão dos subsídios premium do Affordable Care Act (ACA), que expiram no final do ano, e uma reversão dos cortes no financiamento do Medicaid.


… Os democratas também querem novas restrições à capacidade de o presidente se recusar a gastar verbas aprovadas pelo Congresso.


… Na reunião desta segunda-feira, Trump sinalizou que não está disposto a fazer concessões e ameaçou demitir permanentemente funcionários federais em massa se o governo paralisar. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, falou em “grandes diferenças” entre eles.


O PLANO PARA GAZA – Trump também esteve envolvido nesta segunda-feira com a proposta de cessar-fogo em Gaza que prevê, entre outros pontos, que ele próprio assuma a liderança de um comitê de transição no enclave e que o Hamas seja completamente desarmado.


… O presidente anunciou o plano em uma entrevista coletiva ao lado do premier israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca, dizendo que o acordo de paz está “muito próximo” de ser fechado, se o Hamas concordar com o plano.


… O Hamas ainda não se pronunciou e parece improvável que aceite, mas a proposta coloca o grupo terrorista sob pressão, já que Trump disse que, se não houver concordância, os Estados Unidos darão “total apoio” a Israel para acabar com a ameaça que representa.


… Egito, Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Indonésia e Paquistão receberam com satisfação o plano de paz e, em uma declaração conjunta, “saudaram os esforços sinceros do presidente Trump para acabar com a guerra em Gaza”.


… A reunião entre Trump e Netanyahu acontece após uma semana em que o isolamento internacional de Israel se aprofundou, à medida que o Reino Unido, a França e outros países europeus anunciaram que reconheceriam um Estado palestino, apesar das objeções israelenses.


… Nos mercados, o plano de paz para Gaza teve influência no petróleo, que caiu como fator coadjuvante à perspectiva de maior oferta da Opep, na reunião do próximo domingo. O barril do Brent fechou cotado a US$ 67,09, em queda de 3,07%.


FISCAL NO ALVO – Estadão teve acesso ao relatório do TCU que condenou a prática do governo de mirar o piso da meta e reportagem de Alvaro Gribel revela que R$ 89,9 bilhões em gastos foram excluídos do arcabouço, em seis medidas de exceções em 2024 e 2025.


… Parecer do ministro Benjamin Zymler alerta que isso pode reduzir a credibilidade fiscal e dificultar o processo de estabilização da dívida pública.


… Caso seja mantida a decisão da Corte, pode obrigar o governo a congelar até R$ 34 bilhões a mais em gastos em pleno ano eleitoral. O Executivo ainda pode recorrer, com efeito suspensivo da medida, e ao que tudo indica é o que pretende o ministro Haddad.


… Em evento do Itaú BBA nesta segunda-feira, Haddad disse que a equipe econômica segue comprometida em atingir os resultados fiscais, mas que a interpretação do TCU sobre o centro da meta contraria a determinação dada pelo Congresso Nacional.


… O TCU lembra que o arcabouço fiscal foi instituído para corrigir o que, na visão da equipe econômica, seria um problema de “rigidez” do antigo teto de gastos. A nova regra prometeu flexibilidade para acomodar despesas inesperadas com a criação de um regime de bandas.


… O problema, diz o Tribunal, é que mesmo com essa margem de tolerância, o governo vem excluindo despesas da meta.


… No terceiro relatório bimestral de receitas e despesas, o governo estimou ter R$ 4,7 bilhões de resultado acima do limite da banda fiscal, mas, ainda assim, optou por excluir as medidas de socorro contra o tarifaço em sua integralidade.


… O TCU afirma que isso dificulta a ancoragem das expectativas em relação à dívida pública federal e obriga o governo a pagar juros mais elevados para a rolagem. Na avaliação do Tribunal, a prática de excluir gastos é pior do que seria uma mudança da meta.


TETO DA DÍVIDA – Texto do senador Oriovisto Guimarães (PSDB), que define um limite de 80% do PIB para a dívida consolidada da União, será lido hoje na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, com uma mudança importante.


… O relator retirou as operações compromissadas do BC destinadas à política monetária da base de cálculo do limite da dívida, que poderiam engessar a política monetária, alegando que seus objetivos “são distintos dos objetivos da política fiscal”.


… De acordo com os novos parâmetros, o endividamento da União estaria atualmente em 64,05%, ou seja, abaixo do limite proposto.


ISENÇÃO DE IR – Câmara aguarda pelo projeto que amplia a faixa de isenção para R$ 5 mil mensais articulando movimento para derrubar a taxação da alta renda como forma de compensar a renúncia fiscal. O relator, Arthur Lira, diz que “o debate vai ser animado”.


… A votação está confirmada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, para amanhã, quarta-feira.


… A principal resistência vem dos líderes do PL, Sóstenes Cavalcante, e do Novo, Marcel van Hattem, que já apresentaram destaques para votar em separado os capítulos que tratam da tributação das altas rendas. Não querem nenhuma compensação.


… Já foram apresentadas mais de 50 emendas, muitas da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, que pretende incorporar a vinculação das letras de crédito do agronegócio e do setor imobiliário.


TARCÍSIO – Visitou Bolsonaro, nesta segunda, e saiu de lá dizendo aos jornalistas que é candidato à reeleição em 2026, em São Paulo. “Mas, independentemente do que acontecer”, disse o governador, “vamos estar juntos”.


… Tarcísio relatou o estado de saúde de Bolsonaro: “Está passando por um momento difícil. É muito triste. A gente conversando e ele soluçando o tempo todo”. Pouco depois, Carlos Bolsonaro informou nas redes sociais que o pai estava passando mal.


… Já Flávio Bolsonaro fez elogios a Tarcísio, dizendo que ele “é um dos principais ativos da centro-direita”, sugerindo que as coisas não estão ainda definidas: “Só após esse processo da anistia iremos tratar sobre eleições de 2026. Não tem por que antecipar nome.”


DUROS NA QUEDA – Mensagens conservadoras de Galípolo e Guillen nesta segunda prevaleceram sobre novos ajustes em baixa das expectativas inflacionárias no Boletim Focus e o resultado do Caged, que criou menos vagas que o esperado em agosto.


… Os dois apontaram o “desconforto” do BC com o emprego aquecido e as estimativas desancoradas do IPCA, reforçando as apostas de que a Selic permanecerá elevada por mais tempo. O lado positivo é que essa decisão garante o carry trade e a apreciação do câmbio.


… O real, conduzido pelo Exterior, apresentou o melhor desempenho entre os emergentes latino-americanos, na faixa de R$ 5,30, enquanto o Ibovespa renovou mais um recorde intraday, à espera do fluxo atraído pelo diferencial com as taxas americanas.


… Resta saber se o relatório do payroll voltará a assustar o Fed, que também anda cauteloso com os riscos inflacionários.


HOJE – O consenso para o relatório Jolts (11h) aponta para 7,1 milhões de vagas abertas em agosto, mesma proporção de julho. Amanhã, quarta, será divulgada a pesquisa ADP com o emprego no setor privado. A expectativa para o payroll é de criação de apenas 22 mil.


… Ainda nos Estados Unidos, o PMI medido pelo ISM de Chicago sai às 10h45 e deve melhorar para 44,1 em setembro, contra 41,5 em agosto. Às 11h, a confiança do consumidor medida pelo Conference Board (11h) deve cair para 96,0 em setembro.


… Quatro Fed boys falam: Philip Jefferson (7h), Susan Collins (10h), Austan Goolsbee (14h30) e Lorie Logan (20h10).


… Lagarde (BCE) discursa em conferência na Finlândia, às 9h50. A leitura preliminar de setembro da inflação ao consumidor (CPI) da Alemanha sai às 9h. À tarde (15h), o BC da Colômbia divulga decisão de política monetária.


CHINA – O PMI do setor industrial medido pelo setor privado (S&P Global) subiu de 50,5 em agosto para 51,2 em setembro, acima do esperado (50,3). Foi o segundo mês consecutivo em que ultrapassou a marca dos 50 pontos.


… Por outro lado, o PMI do setor de serviços registrou uma ligeira queda, de 53,0 para 52,9 de um mês para o outro. Apesar do recuo, o indicador mantém-se no território de expansão da atividade econômica, acima de 50.


… Ainda ontem à noite, foram divulgados os dados oficiais. O PMI industrial subiu de 49,4 em agosto para 49,8 em setembro e superou a previsão de 49,6. O PMI de serviços caiu para 50, contra 50,3 no mês anterior.


MAIS AGENDA – Aqui, depois da desaceleração dos números do Caged, a taxa de desemprego medida pelo IBGE no trimestre móvel encerrado em agosto deve ficar estável em 5,6%, interrompendo quatro quedas consecutivas.


… O dado da Pnad sai às 9h e o intervalo das projeções no Broadcast varia de 5,4% a 6%.


… Do lado fiscal, as estimativas para a leitura de agosto do setor público consolidado (8h30) são todas deficitárias e variam de R$ 30,0 bilhões a R$ 13,7 bilhões (mediana de R$ 19,1 bilhões), após saldo negativo de R$ 66,566 bilhões em julho.


… O resultado deve refletir as contas do governo central, apesar de o déficit primário de R$ 15,564 bilhões em agosto ter vindo melhor que o de julho (-R$ 54,124 bilhões) e do que a previsão do mercado, de -R$ 20,2 bilhões.


… Às 14h, o Tesouro divulga o Relatório Mensal da Dívida Pública (RMD) relativo a agosto e publica em seu site um anúncio sobre o Plano Anual de Financiamento (PAF), com revisão dos parâmetros, segundo apurou o Valor.


… Haverá coletiva virtual de imprensa às 15h do Tesouro para comentar o RMD e o PAF.


É O CARRY, STUPID! – Em teoria, o tombo de 3% do petróleo com os esforços para o desfecho dos conflitos em Gaza poderia ter feito um estrago no câmbio. Na prática, porém, o que se viu foi o real entre as moedas top 10 do dia.  


… Em primeiro plano, são as apostas no diferencial dos juros entre o Brasil e os Estados Unidos que continuam bancando o ambiente de alívio para o dólar, que fechou ontem em baixa moderada de 0,30%, cotado a R$ 5,3223.


… Operadores apontaram que o fôlego de queda foi possivelmente limitado pela briga técnica da ptax hoje. Mas a moeda americana chega ao último pregão do mês com queda acumulada de 1,84% e, no ano, cai quase 14%.


… Se o payroll confirmar a fraqueza do mercado de trabalho americano, os investidores devem reforçar as apostas em um novo corte de juros pelo Fed na reunião de outubro, redirecionando o fluxo de capitais aos emergentes.  


… Esta perspectiva de que vem mais uma dose de relaxamento monetário nos Estados Unidos, enquanto aqui o Copom não deve derrubar a Selic em dezembro, foi reforçada ontem por novos recados conservadores do BC.


… Galípolo disse mais uma vez que não dá para “se emocionar” com indicadores econômicos isolados, enquanto Guillen chamava a atenção para as pressões inflacionárias resistentes observadas no setor de serviços.


… Os comentários não deram espaço para o mercado reagir com alívio à nova rodada de ajustes em baixa no boletim Focus para a mediana das expectativas do IPCA deste ano, de 4,83% para 4,81%, e de 2026, de 4,29% para 4,28%.


… Também foi deixada de lado a desaceleração gradual do mercado de trabalho apontada pelos dados do Caged. Foram criadas 147,3 mil vagas de emprego em agosto, abaixo das 182 mil esperadas pelos analistas do mercado.


… Em evento do Itaú BBA, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, disse que a economia precisa confirmar sinais claros de desaceleração e o câmbio precisa ir para a casa de R$ 5,00 para o Copom antecipar um corte do juro.


… O Itaú, no entanto, projeta um câmbio em R$ 5,30 no fim do ano e em R$ 5,50 em 2026. Assim, Mesquita prevê o início da flexibilização da política monetária só em janeiro e não descarta o risco de a Selic cair depois disso.


… De olho na comunicação do BC, que não alivia a barra, os juros futuros engatam alta moderada no meio da tarde.


… O DI para Jan/26 marcou 14,900% (contra 14,899% no ajuste anterior); Jan/27 terminou a 14,065% (de 14,037% no pregão de sexta-feira); Jan/29, a 13,290% (de 13,231%); Jan/31, a 13,485% (13,432%); e Jan/33, 13,580% (13,524%). 


SEMPRE CABE MAIS UM – Pronto para um novo recorde histórico intraday, o Ibovespa chegou a 147.558,22 pontos no pico do dia, animado pela perspectiva de fluxo estrangeiro para a bolsa com o Fed dovish e o Copom hawkish.


… O índice à vista também não fechou longe de sua marca inédita de fechamento: só 155 mil pontos o separaram da máxima de todos os tempos. Subiu 0,61%, aos 146.336,80 pontos, na terceira maior pontuação da história.


… Com ganho acumulado de 3,48% no mês, o Ibovespa caminha para o melhor setembro em seis anos, desde 2019 (+3,57%), segundo o Broadcast, e mantém uma sequência positiva, depois do salto de 6,28% registrado em agosto.


… Foi uma surpresa a bolsa ter dado ontem uma demonstração de força, num dia em que o petróleo afundou e acionou movimento vendedor nas ações da Petrobras: ON recuou 1,89%, para R$ 34,32, e PN caiu 1,36%, a R$ 31,81.


… O contraponto positivo para o Ibovespa veio dos bancos, que avançaram em bloco, e dos papéis da Vale, que desprezaram a queda firme de 1,57% do minério de ferro e registraram valorização de 0,33%, para R$ 57,28.


… No setor financeiro, Bradesco ON subiu 1,26%, a R$ 15,28; Bradesco PN ganhou 1,02%, a R$ 17,84; avançou 0,57%, a R$ 38,89; e Santander unit, +0,38%, para R$ 29,35. Só BB ON fechou praticamente estável (+0,05%), a R$ 22,12.


… Eletrobras PNB liderou os ganhos do dia (+4,30%; R$ 55,56), com o Bradesco BBI reiterando recomendação de compra. O papel da companhia superou pela primeira vez o preço da oferta de privatização, em junho de 2022.


… Na outra ponta, Braskem PNA caiu 5,13% (R$ 6,66) após o corte da nota de crédito pela Fitch e S&P.


… Em NY, apesar do fantasma de um shutdown, as bolsas em NY foram impulsionadas pelo setor de tecnologia.


… Nvidia avançou 2,07%, após acordos com a OpenAI, Alibaba (+4,62%) e Microsoft (+0,61%) reforçarem a demanda por seus chips de inteligência artificial. O Nasdaq registrou valorização de 0,48%, encerrando em 22.591,15 pontos.


… O Dow Jones fechou em leve alta de 0,15%, aos 46.316,07 pontos, e o S&P 500 subiu 0,26%, a 6.661,21 pontos.


TODO ANO É A MESMA COISA – A história do shutdown se repete nos Estados Unidos e despertou ontem algum apelo de proteção pelos Treasuries, derrubando o juro da Note-2 anos a 3,633%, contra 3,644% no pregão anterior.


… A taxa do título de 10 anos recuou para 4,143%, de 4,182%, e a do T-bond de 30 anos caiu a 4,708%, de 4,757%.


… Os rendimentos dos Treasuries também se mantiveram em queda diante da apostas de que o juro do Fed vai cair mais duas vezes este ano. O Fed boy Alberto Musalem afirmou que está aberto a novos cortes, mas pediu cautela.


… “O espaço entre agora e o ponto em que a política poderia se tornar excessivamente acomodatícia é limitado”, disse, defendendo taxas altas o suficiente para continuar a combater a inflação, que segue acima da meta de 2%.


… Convencido de que o Fed pegará leve em outubro e em dezembro, o dólar caiu. No pano de fundo, ainda pesou no câmbio o risco de paralisação do governo. O índice DXY recuou 0,25%, abaixo da linha dos 98,000 pontos (97,906).


… O euro subiu 0,22%, a US$ 1,1730, a libra ganhou 0,24%, a US$ 1,3438, e o iene avançou para 148,63 por dólar.


COMPANHIAS ABERTAS – BRASKEM estaria avaliando uma recuperação extrajudicial entre as possibilidades para renegociar sua dívida e reduzir a alavancagem financeira, segundo apuração do Pipeline/Valor.


MBRF anunciou o pagamento de proventos aos acionistas da BRF e da Marfrig como parte da operação que resultou na criação da nova companhia…


… BRF iniciou ontem a distribuição de um total de R$ 3,3 bilhões, sendo R$ 2,9 bilhões em dividendos (R$ 1,83 por ação) e R$ 400 milhões em JCP (R$ 0,25 bruto por ação)…


… Já os acionistas da Marfrig receberão R$ 2,3 bi em dividendos (R$ 2,81/ação), com os valores creditados hoje.


AMBEV. A XP rebaixou a recomendação para as ações de neutra para venda e cortou o preço-alvo de R$ 13,40 para R$ 10,90, projetando um potencial de desvalorização de 12,1% em relação ao fechamento desta segunda-feira.


REDE D´OR. O conselho de administração aprovou a 37ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, de espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 2,740 bilhões.


BRAVA ENERGIA. Conselho de Administração aprovou o aumento do capital social em R$ 5.824.444,50, mediante a subscrição particular de ações, para atender aos exercícios de opções de compra de papéis…


… Foi autorizada a emissão de 369.806 ações ordinárias ao preço de R$ 15,75 cada; os novos papéis emitidos serão subscritos pelos beneficiários do plano de opções de compra da companhia…


… Com o aumento, o capital social da Brava Energia passará a ser de R$ 11.977.517.089,53, dividido em 464.557.268 ações ordinárias.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Gianni Agnelli - Herança

 *Briga por herança na família Agnelli ganha novo capítulo com suposto testamento*


Advogados de Margherita Agnelli, filha do patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, apresentaram documento com um novo suposto testamento de seu pai; fortuna do clã é estimada em US$ 14,2 bi pelo Bloomberg Billionaires Index


Briga por Briga por herança na família Agnelli ganha novo capítulo com suposto testamento

Advogados de Margherita Agnelli, filha do patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, apresentaram documento com um novo suposto testamento de seu pai; fortuna do clã é estimada em US$ 14,2 bi pelo Bloomberg Billionaires Index


Advogados de Margherita Agnelli, filha do patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, apresentaram documento com um novo suposto testamento de seu pai; fortuna do clã é estimada em US$ 14,2 bi pelo Bloomberg Billionaires Index


Bloomberg — A briga de longa data pela herança do falecido patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, entre seus descendentes ganhou um novo capítulo.


Um novo documento foi apresentado em um tribunal italiano nesta segunda-feira (29), acrescentando uma ruga à disputa entre Margherita Agnelli, filha de Gianni, e seus filhos John, Lapo e Ginevra Elkann pelo controle do império de negócios da família.


Em uma audiência no tribunal de Turim, os advogados de Margherita apresentaram um documento manuscrito que, segundo eles, seria o testamento de Gianni.


O suposto testamento, datado de 20 de janeiro de 1998, dá a participação de 25% de Agnelli na holding da família, a Dicembre, a seu filho Edoardo, como mostra o documento visto pela Bloomberg News. Edoardo morreu dois anos depois.


O novo documento entra em conflito com uma carta de 1996 que atribui a mesma participação ao neto de Gianni John Elkann, filho de Margherita, de acordo com os advogados dela.


Após a morte de Agnelli em 2003, sua viúva Marella Caracciolo baseou-se na carta de 1996 para transferir cerca de 25% da Dicembre para John Elkann, dando-lhe o controle majoritário dos negócios.


Os advogados dos irmãos Elkann disseram que a cópia do suposto testamento de 1998 apresentada por Margherita não tem relação com as sucessões de Gianni Agnelli ou Marella Caracciolo e, portanto, não altera a propriedade da Dicembre. Eles disseram que Edoardo já havia morrido quando o pai faleceu em 2003.


Os advogados de Margherita alegaram que o documento “constitui um elemento adicional capaz de determinar uma revisão radical da estrutura de propriedade da Dicembre e, em um nível moral, representa a prova de que os últimos desejos de Agnelli foram desconsiderados e traídos”.


Margherita passou cerca de duas décadas contestando o testamento de seu pai, alegando que foram feitas provisões apenas para os três filhos de seu primeiro casamento: John, Lapo e Ginevra Elkann. Ela tem outros cinco filhos de seu segundo casamento, com o ex-gerente da Fiat, Serge de Pahlen.


Ela também argumenta há muito tempo que os acordos de herança anteriores foram falhos e que o patrimônio de seu pai foi mal administrado.


Seus filhos, por sua vez, defendem os acordos que deram a John Elkann o controle da Exor, que é o maior acionista da Stellantis (STLA) e controla a Ferrari e o clube futebol Juventus. A Dicembre controla a Giovanni Agnelli, que detém a participação da família na Exor.


O patrimônio líquido do clã é estimado em US$ 14,2 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index.


John Elkann, que é chairman da Stellantis e CEO da Exor, foi escolhido por Gianni Agnelli na década de 1990 para liderar os interesses industriais da família. A Dicembre continua sendo a peça fundamental para garantir o controle da Exor.


Em julho de 2025, John, Lapo e Ginevra Elkann concordaram em pagar cerca de 175 milhões de euros à autoridade fiscal da Itália para encerrar uma investigação sobre supostos impostos de herança não pagos. O acordo foi concluído sem a admissão de qualquer irregularidade.


Advogados de Margherita Agnelli, filha do patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, apresentaram documento com um novo suposto testamento de seu pai; fortuna do clã é estimada em US$ 14,2 bi pelo Bloomberg Billionaires Index


Bloomberg — A briga de longa data pela herança do falecido patriarca da Fiat, Gianni Agnelli, entre seus descendentes ganhou um novo capítulo.


Um novo documento foi apresentado em um tribunal italiano nesta segunda-feira (29), acrescentando uma ruga à disputa entre Margherita Agnelli, filha de Gianni, e seus filhos John, Lapo e Ginevra Elkann pelo controle do império de negócios da família.


Em uma audiência no tribunal de Turim, os advogados de Margherita apresentaram um documento manuscrito que, segundo eles, seria o testamento de Gianni.


O suposto testamento, datado de 20 de janeiro de 1998, dá a participação de 25% de Agnelli na holding da família, a Dicembre, a seu filho Edoardo, como mostra o documento visto pela Bloomberg News. Edoardo morreu dois anos depois.


O novo documento entra em conflito com uma carta de 1996 que atribui a mesma participação ao neto de Gianni John Elkann, filho de Margherita, de acordo com os advogados dela.


Após a morte de Agnelli em 2003, sua viúva Marella Caracciolo baseou-se na carta de 1996 para transferir cerca de 25% da Dicembre para John Elkann, dando-lhe o controle majoritário dos negócios.


Os advogados dos irmãos Elkann disseram que a cópia do suposto testamento de 1998 apresentada por Margherita não tem relação com as sucessões de Gianni Agnelli ou Marella Caracciolo e, portanto, não altera a propriedade da Dicembre. Eles disseram que Edoardo já havia morrido quando o pai faleceu em 2003.


Os advogados de Margherita alegaram que o documento “constitui um elemento adicional capaz de determinar uma revisão radical da estrutura de propriedade da Dicembre e, em um nível moral, representa a prova de que os últimos desejos de Agnelli foram desconsiderados e traídos”.


Margherita passou cerca de duas décadas contestando o testamento de seu pai, alegando que foram feitas provisões apenas para os três filhos de seu primeiro casamento: John, Lapo e Ginevra Elkann. Ela tem outros cinco filhos de seu segundo casamento, com o ex-gerente da Fiat, Serge de Pahlen.


Ela também argumenta há muito tempo que os acordos de herança anteriores foram falhos e que o patrimônio de seu pai foi mal administrado.


Seus filhos, por sua vez, defendem os acordos que deram a John Elkann o controle da Exor, que é o maior acionista da Stellantis (STLA) e controla a Ferrari e o clube futebol Juventus. A Dicembre controla a Giovanni Agnelli, que detém a participação da família na Exor.


O patrimônio líquido do clã é estimado em US$ 14,2 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index.


John Elkann, que é chairman da Stellantis e CEO da Exor, foi escolhido por Gianni Agnelli na década de 1990 para liderar os interesses industriais da família. A Dicembre continua sendo a peça fundamental para garantir o controle da Exor.


Em julho de 2025, John, Lapo e Ginevra Elkann concordaram em pagar cerca de 175 milhões de euros à autoridade fiscal da Itália para encerrar uma investigação sobre supostos impostos de herança não pagos. O acordo foi concluído sem a admissão de qualquer irregularidade.


-- Com a colaboração de Devon Pendleton.



https://www.bloomberglinea.com.br/2025/09/29/briga-por-heranca-na-familia-agnelli-ganha-novo-capitulo-com-suposto-testamento/

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: A sexta-feira optou pelo desenvolvimento bom (estava 50/50 entre plano e subida) grças ao Deflator do Consumo PCE americano ter saído como esperado (+2,7% vs. +2,6% ant.; Subjacente estável em +2,9%) e, após 3 dias consecutivos a enfraquecer, qualquer notícia não negativa era interpretada como positiva. Isso foi assim apesar da geoestratégia oferecer pior aspeto devido à guerra híbrida que a Rússia já iniciou contra a Europa (ataques aéreos e com drones contra a Polónia, Lituânia e Alemanha; mais cortes de cabos submarinos com a cooperação não reconhecida da China…), procurando uma zona cinzenta de enfrentamento, sem chegar à guerra aberta. Embora Trump diga que espera alcançar um acordo de paz para Gaza com Israel, essa frente já afeta pouco o mercado. Um mercado que vive de costas para uma geoestratégia que a qualquer momento pode cair sobre ele, mas que prefere ignorar. 


Ultimamente as bolsas e obrigações evoluem em intervalos muito fechados, sintoma de uma fadida perfeitamente explicável após um verão (na realidade, todo o 2025 até agora) quase exageradamente bom. Esta semana poderá ganhar força pouco a pouco, mas o desenvolvimento final dependerá de como sair o emprego americano (se bom, então mau para o mercado). O risco que pode frustrar essa melhoria progressiva é a possibilidade de que os resultados de emprego/desemprego americano, publicados ao longo da semana (JOLTS ou empregos disponíveis, Inquérito ADP de emprego privado, Criação de Emprego, Taxa de Desemprego) saiam menos débeis do que o esperado ou diretamente bons. 


Recordemos que na semana passada a macro americana surpreendeu positivamente (PIB revisto, Pedidos de Bens Duráveis e até Desemprego Semanal) e este é um antecedente que convém ter em conta, porque agora a macro americana boa é má para o mercado a curto prazo, visto que arrefece as expetativas de taxas de juros inferiores. A economia parece estar melhorar, o que arrefece as expetativas de mais descidas de taxas de juros da Fed e faz com que o mercado consolide em vez de continuar a subir. O protagonismo semanal corresponde ao emprego americano e, se sair melhor (ou menos fraco) do que o esperado, como acontecer na semana passada com o Desemprego Semanal (218k vs. 235k esperados vs. 240,3k anterior), então consolidar seria mais razoável do que subir. 


Na quarta-feira será publicada a inflação europeia provavelmente a subir até +2,2%/+2,3% desde +2,0% e pode ser que isso surpreenda uma parte não maioritária do mercado, adormecendo a esperança de que o BCE aplique uma última descida de taxas de juros antes do fim de 2025. Isso também contribuiria para arrefecer um pouco as bolsas e obrigações. Veremos se assim acontece, embora ao mercado convenha uma fase de descanso, hoje os futuros voltam a vir em positivo (+0,3%/+0,5%)…


ESPANHA. Moody’s e Fitch subiram um escalão, na sexta-feira, os seus respetivos ratings sobre Espanha: Moody’s até A3, perspetiva estável (desde Baa1; perspetiva positiva) e Fitch até A com perspetiva estável (desde A-; positiva).


CONCLUSÃO: Após a subida de sexta-feira, o aspeto é de querer continuar a subir. Hoje não sai nada relevante, portanto, na ausência de notícias relevantes, poderá conseguir. Amanhã veremos, porque começam a sair dados de emprego americanos (JOLTS ou empregos disponíveis), que poderão sair bastante bons e arrefecer o mercado. Mas isso será amanhã. Hoje, inércia um pouco em alta.

NY +0,6% US tech +0,4% US semis +0,3% UEM +1% España +1,3% VIX 15,3% Bund 2,74% T-Note 4,16% Spread 2A-10A USA=+52pb B10A: ESP 3,31% PT 3,17% FRA 3,57% ITA 3,61% Euribor 12m 2,179% (fut.2,308%) USD 1,173 JPY 174,5 Ouro 3.805$ Brent 69,8$ WTI 65,3$ Bitcoin +2,1% (111.705$) Ether +4,2% (4.113$) 


FIM

BDM Matinal Riscala

 BDM - Bom Dia Mercado

29 de setembro de 2025

… Após o PCE de agosto sem surpresas, investidores em Nova York subiram as apostas em novo corte de 25 pbs do juro americano no final de outubro, além de manterem elevadas as chances de outra queda em dezembro. Nesta semana, o payroll de setembro pode ser decisivo para formar unanimidade. Também no Brasil, saem dados do emprego do IBGE e Caged, que seguem fortes e contribuem para a posição de cautela do BC na política monetária. No Congresso, a Câmara deve votar na quarta-feira o projeto de isenção do IR, apesar da chantagem de bolsonaristas pela anistia, enquanto o Planalto ainda aguarda um sinal de Trump para a conversa com Lula.


PAYROLL É DECISIVO – O relatório de emprego de setembro nos Estados Unidos, sexta-feira, é sem dúvida a agenda mais aguardada da semana. A deterioração do mercado de trabalho americano foi o fator que levou o Fed à inflexão da política monetária.


… Nas últimas semanas, no entanto, as falas cautelosas dos Fed boys mais alinhados a Powell, mostrando-se preocupados com a inflação, levaram a um esfriamento das apostas de cortes em série dos juros americanos.


… Na última sexta-feira, o PCE de agosto em linha com o esperado tranquilizou investidores e elevou a expectativa para o payroll. Se os dados vierem fracos, como os mais recentes, os mercados tendem a evoluir para um consenso sobre a queda do juro em outubro.


… Isso significa que o dólar poderá entrar em novo canal de baixa, com valorização do câmbio dos emergentes, em especial, do real, com o carry trade mais atrativo incrementando o fluxo estrangeiro e renovando a força do Ibovespa (leia abaixo).


… Antes do payroll, o relatório Jolts com a oferta de empregos (amanhã, terça-feira) e a pesquisa ADP com os empregos no setor privado (quarta-feira) começam a projetar a situação do mercado de trabalho americano.


… Estados Unidos e Zona do Euro terão ainda índices PMI industrial (quarta-feira) e de serviços (sexta-feira).


… Hoje, atenção para as falas de vários dirigentes do Fed: Christopher Waller (8h30), Beth Hammack (9h), John Williams (14h30), Alberto Musalem (14h30) e Raphael Bostic (19h). Às 11h, saem nos Estados Unidos vendas pendentes de imóveis em setembro.


SHUTDOWN – No cenário de fundo, os investidores em Nova York acompanham as negociações da Casa Branca para evitar uma paralisação do governo dos Estados Unidos. Hoje (15h), Trump terá uma reunião com os principais líderes democratas e republicanos.


… O prazo previsto para evitar um shutdown do governo norte-americano encerra-se amanhã, dia 30.


ISRAEL – Trump também receberá na Casa Branca, nesta segunda-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, confiante de que estão nos “estágios finais” as negociações para acabar com a guerra entre Israel e Gaza, como disse ao site Axios.


… O presidente afirmou ainda que Netanyahu está de acordo com seu plano. “O mundo árabe quer paz, Israel quer paz e Bibi quer paz”, concluiu ele, poucos dias depois de o premiê israelense ter dito na ONU que seu governo precisava “terminar o trabalho” contra o Hamas.


… A condição de Israel para a paz seria a desmilitarização de Gaza. O Hamas já rejeitou publicamente a exigência.


GOLDEN WEEK – Na China, os mercados param a partir de quarta-feira, dia 1º, para o feriado prolongado de uma semana.


… No final da noite de hoje, Pequim divulgará os índices PMI industrial e de serviços referentes a setembro.


A CARTA NA MANGA – O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que desde o início lidera as negociações sobre as tarifas dos Estados Unidos ao Brasil, admitiu que a Casa Branca ainda não entrou em contato com autoridades brasileiras.


… Em entrevista ao apresentador Datena/Rede TV, Alckmin disse que a sinalização do presidente Trump foi um passo importante. “Agora, temos que dar os outros passos para reduzir a alíquota e para retirar mais produtos dessa alíquota de 50%.”


… Sobre a data para a reunião entre Lula e Trump, Alckmin falou que isso é questão de dias. “Ainda não está marcado, mas estamos otimistas. Há um espaço enorme para avançar em questões não tarifárias, como minerais estratégicos e data centers”, disse o vice.


… No mesmo programa, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, confirmou que o Brasil está aberto a negociar sobre terras raras, assim como Haddad, em entrevista ao Podcast 3 Irmãos: “Os minerais críticos e as terras raras podem ser bases de parcerias.”


… O ministro defendeu o desenvolvimento da cadeia industrial desses setores no Brasil, lembrando que o MME tem batido na tecla de que a simples extração e exportação de minerais não é o objetivo. “A ideia é atrair investimentos sustentáveis para o setor mineral.”


… Há grande expectativa do governo Lula para que seja marcada uma data do encontro com Trump, após o presidente americano ter declarado a intenção de conversar nesta semana, dizendo que havia rolado uma “química” entre eles, no breve encontro nos bastidores da ONU.


… Segundo apurou O Globo, interlocutores do governo acreditam que o encontro pode ocorrer em Roma ou Kuala Lumpur, já que a agenda de Lula prevê eventos na Itália, no dia 13, e na Malásia, no dia 23, e a expectativa é de que Trump também esteja nesses locais.


… A hipótese de o presidente voltar aos Estados Unidos, se for convidado para a Casa Branca ou Mar-a-Lago, não está descartada.


… Neste sábado, em entrevista a uma emissora de TV dos Estados Unidos, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, parece ter confirmado a intenção de negociar, ao afirmar que “é preciso consertar o Brasil para que o país deixe de prejudicar os americanos”.


… Veja o contexto da declaração: “Temos um punhado de países para consertar, entre eles, Suíça e Brasil. Eles têm um problema. Índia também. São países que precisam reagir corretamente aos Estados Unidos. Abrir seus mercados, parar de tomar ações que nos prejudiquem.”


… Parte do governo, porém, mantém um otimismo realista, lembrando que Trump tem uma atitude “errática” e sempre pode mudar de opinião.


MAIS AGENDA – Assim como nos Estados Unidos, também aqui o mercado de trabalho será destaque, com acompanhamento dos juros.


… Os números de agosto do Caged, hoje às 14h30, devem continuar crescendo, mas, segundo o ministro Luiz Marinho, em ritmo abaixo de julho (129,7 mil vagas). Já o mercado espera um resultado maior, com a criação de 182 mil vagas – em pesquisa Broadcast.


… Amanhã (terça-feira), sai a taxa de desemprego na Pnad Contínua, que atingiu a mínima histórica de 5,6% no trimestre até julho.


… Ainda nesta segunda-feira, o IGP-M de setembro (8h) deve desacelerar para 0,32% (mediana), após alta de 0,36% em agosto, refletindo o retorno dos preços industriais ao terreno negativo. As projeções são todas de alta, de +0,20% a +0,47%.


… Às 8h35, sai a pesquisa Focus, com a atualização das projeções do mercado sobre inflação, PIB, Selic e câmbio, e, às 9h, o BC divulga o resultado da pesquisa Firmus do terceiro trimestre, com as projeções e perspectivas de empresas não-financeiras.


… O lançamento oficial da pesquisa Firmus será às 10h na sede do BC em São Paulo, com abertura do presidente Gabriel Galípolo e a participação do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, que falará sobre a pesquisa e perspectivas econômicas (10h20).


… Ainda nesta segunda-feira, o BC publicará as estatísticas de crédito do mês de agosto (8h30), com entrevista coletiva às 10h30.


CONTAS PÚBLICAS – Já o Tesouro divulgará hoje (17h) as contas do Governo Central de agosto, que devem registrar déficit de R$ 20,25 bilhões (mediana), com a perda de força da arrecadação e o avanço das despesas discricionárias no segundo semestre.


… O resultado consolidado de agosto será divulgado amanhã (terça-feira).


… Finalmente na sexta-feira, encerrando a agenda cheia da semana, sai a produção industrial de agosto no Brasil.


ITAÚ MACRO VISION – O presidente do Banco Central participará hoje de um painel sobre política monetária no evento do Itaú, às 11h. Também Fernando Haddad comparece ao Itaú Macro Vision 2025, mais cedo, às 9h. Ambos com transmissão pelo Youtube.


STF – O ministro Edson Fachin assume nesta segunda-feira a presidência do Supremo Tribunal Federal pelo próximo biênio, em substituição a Luís Roberto Barroso. O vice-presidente da Corte será Alexandre de Moraes. A cerimônia está prevista para começar às 16h.


… A posse de Fachin terá a presença do presidente Lula e de várias autoridades dos Três Poderes.


NO CONGRESSO – Destaque da semana é a votação do projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, que o presidente da Câmara, Hugo Motta, garantiu pautar na quarta-feira (1º de outubro).


… O relator do texto, deputado Arthur Lira (PP), disse que ainda poderá haver reunião de líderes antes da votação para discutir ajustes finais ao texto. Lira tem avisado que o debate será “difícil”, pois não há unanimidade em torno das medidas de compensação.


… Já o projeto da anistia a condenados por tentativa de golpe e pelos atos do 8 de janeiro perdeu força, mas ainda promete barulho.


TARCÍSIO – O governador deve visitar hoje o ex-presidente Jair Bolsonaro em sua casa em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. No encontro, Tarcísio de Freitas deve definir se será ou não candidato à presidente em 2026, ou se disputará a reeleição em São Paulo.


REVIRAVOLTA – A aposta em mais dois cortes do juro americano este ano, que começava a sair de cena, voltou a ganhar terreno na sexta-feira, com o ajuste na precificação despertado pelo PCE e por comentários dos Fed boys.


… Diante da inclinação dovish, por aqui, o dólar à vista parou de subir depois de dois pregões, caiu 0,49%, cotado a R$ 5,3360. Devolveu parte da alta recente e limitou a valorização acumulada na semana passada a 0,32%.


… O fôlego da queda na última sessão foi insuficiente para a moeda furar novamente a marca de R$ 5,30, como visto três dias antes, quando voltou para R$ 5,2791. Seja como for, só de o real ter se apreciado já foi importante.


… Agora é acionar a contagem regressiva para o payroll, que pode dar o start para o câmbio testar novos patamares, porque um aumento no diferencial dos juros do Brasil e dos Estados Unidos deve continuar fazendo toda a diferença.


… Na sexta-feira, o dólar seguiu à risca a tendência externa. Lá fora, o índice DXY caiu 0,41%, aos 98,152 pontos.


… A retomada da chance de cortes em série do juro pelo Fed roubou as forças do dólar contra seus principais rivais: euro, que subiu 0,35%, a US$ 1,1705; a libra esterlina, que avançou 0,48%, a US$ 1,3407; e o iene (149,51/US$).


… A convicção do mercado sobre uma redução acumulada de 50 pontos-base do juro pelo Fed ainda estava abalada pela leitura final do PIB forte do segundo trimestre nos Estados Unidos e pelos discursos cautelosos de Powell & cia.


… Mas a aposta foi recuperada, de 60,5% para 65,0% na ferramenta do CME, pela inflação americana sem sustos.


… Índice de preços olhado mais de perto pelo Fed, o PCE veio em linha com o esperado, tanto no índice cheio, que registrou alta anualizada de 2,7% em agosto, quanto no núcleo, que subiu 2,9%. Na margem, o PCE avançou 0,2%.


… Outro indicador também favoreceu a recuperação da aposta de que o juro vai cair em outubro e dezembro:


… O sentimento do consumidor americano, medido pela Universidade de Michigan, recuou de 58,2 em agosto para 55,1 em setembro e decepcionou a previsão dos analistas do mercado financeiro, de que cairia menos, para 55,9.


… Além disso, dois Fed boys contrariam a cautela recente manifestada por Powell e outros colegas sobre o futuro da política monetária. Tom Barkin apoiou uma “tesourada” para manter o mercado de trabalho americano saudável.


… De seu lado, fazendo jus à sua fama dovish, Michelle Bowman voltou a alertar que um ajuste nos juros pode ter que ser feito em um ritmo mais rápido e em grau maior nas próximas reuniões, se a fraqueza do emprego persistir.


… No trecho mais sensível dos Treasuries às decisões de política monetária, a taxa da Note de 2 anos caiu para 3,644%, contra 3,660% na véspera. Mas a queda foi pequena, sinalizando que o mercado ainda não está tão seguro.


… Os yields do contratos mais longos subiram: 10 anos, a 4,182%, de 4,171%; e 30 anos, 4,757%, de 4,747%.


XEROX – Aqui, a curva do DI operou rigorosamente igual aos Treasuries, com os contratos mais longos em alta

e os curtos em baixa (por causa do efeito do PCE e dos comentários dos Fed boys no alívio do câmbio).


… Fiel à comunicação conservadora exibida pelo Copom, Guillen disse em evento que o mercado de trabalho segue “resiliente e dinâmico” e que o BC continua desconfortável com as expectativas inflacionárias desancoradas.


… O discurso sem novidades reforça a expectativa de que a Selic permaneça em 15% por período prolongado.  


… Relatos ao Broadcast de economistas que participaram na sexta-feira de reuniões com diretores do BC indicam desconforto do mercado com a inflação, sobretudo de serviços, e expectativa de desaceleração do PIB no 3Tri.


… A avaliação é de que o BC só deve começar a cortar o juro no primeiro ou até segundo trimestre do ano que vem.


… Na reta final do pregão da curva do DI, a Aneel informou ter decidido implementar a bandeira tarifária vermelha patamar 1 para as contas de energia em outubro, uma redução contra a vermelha patamar 2 vigente em setembro


… Para Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos, considerando o peso do item energia elétrica sobre o IPCA, a novidade da Aneel é deflacionária sobre o índice de outubro, reestimado de +0,42% para +0,24%.


… Também a Quantitas reduziu a sua projeção para a inflação oficial no período, de 0,29% para 0,22%.


… No fechamento, o DI para Jan/26 marcava 14,895% (contra 14,898% no ajuste anterior); Jan/27, 14,015% (de 14,067% na véspera); Jan/29, 13,225% (de 13,257%); Jan/31, 13,435% (de 13,425%); e Jan/33, 13,540% (13,505%). 


CABO DE GUERRA – Sob duas forças opostas – blue chips das commodities em queda e bancos em alta – o Ibovespa fechou praticamente no zero a zero, em leve alta de 0,10%, aos 145.446,66 pontos, com giro abaixo de R$ 16 bi.


… A bolsa vive uma acomodação, depois de tantos recordes seguidos recentes para marcas inéditas.


… No último pregão, a baixa acentuada de 1,74% do minério de ferro chinês levou o papel da Vale a cair forte (-1,92%) e abaixo de R$ 58,00, cotado a R$ 57,09, amargando a terceira pior queda do ranking do Ibovespa.


… Petrobras foi na contramão do petróleo e também recuou: ON, -0,63%, a R$ 34,98; e PN, -0,34%, a R$ 32,25. Lá fora, o contrato do Brent para dezembro fechou em alta de 0,93%, a US$ 69,22. Na semana passada, saltou 5%.


… Circulou a notícia de que o governo da Rússia planeja proibir temporariamente as exportações de diesel por revendedores, enquanto a Otan sinaliza estar pronta a abater jatos que violarem o espaço aéreo do grupo.


… Contrabalançando as quedas do Ibovespa, os bancos subiram em bloco, com destaque para Santander (+2,31%, máxima de R$ 29,24). Itaú subiu 0,49% (R$ 38,67); Bradesco PN (+0,51%; R$ 17,66); e BB (+1,47%; R$ 22,11).


… Os papéis PNA da Braskem lideraram com folga o ranking de perdas do Ibovespa, despencando 14,81%, para R$ 7,02, após o anúncio pela companhia da contratação de assessores financeiros para uma reestruturação.


… Em Nova York, depois de uma sequência de baixas, as bolsas terminaram a sessão com alta moderada, garantida pelo PCE em linha com o consenso, que renovou a expectativa de mais dois cortes de juros pelo Fed ainda este ano.


… O Dow Jones subiu 0,65%, a 46.247,29 pontos; o S&P 500 avançou 0,59%, a 6.643,70 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,44%, aos 22.484,07 pontos. No acumulado da semana, porém, os índices recuaram (-0,15%; -0,31%; e -0,65%).


COMPANHIAS ABERTAS – KLABIN informou que recebeu R$ 600 milhões com o fechamento de operação para exploração de atividade imobiliária no Paraná e Santa Catarina, aporte realizado pelo investidor institucional envolvido no negócio…


… O investidor seria o Itaú Unibanco, segundo apuração de O Globo.


NUBANK anunciou a contração de Michael Rihani para liderar sua área de criptoativos; o executivo já passou por empresas como Coinbase, Apple, Cash App e Tesla.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Sobre o Brasil...

 *Secretário de Comércio dos EUA diz que é preciso 'consertar' o Brasil para alinhar-se aos EUA*


Declaração foi dada em entrevista à NewsNation, na qual o secretário incluiu o país entre os que adotam políticas consideradas desfavoráveis a Washington


“Temos um monte de países para consertar, como Suíça e Brasil. Eles têm um problema. Índia. Esses são países que precisam reagir corretamente aos Estados Unidos. Abrir seus mercados, parar de tomar ações que prejudiquem os Estados Unidos, e é por isso que estamos em desvantagem com eles”, disse Lutnick durante a entrevista.


Confira o trecho da entrevista:


O Brasil já havia sido incluído em agosto no tarifaço de 50% aplicada pelos Estados Unidos a diversos produtos, e foi a única nação citada pelo secretário que não integra a nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente Donald Trump. A partir de 1º de outubro, tarifas que variam de 25% a 100% vão atingir setores como medicamentos, caminhões pesados, móveis e utensílios domésticos, afetando países como Irlanda, Suíça, Austrália, Coreia do Sul, Reino Unido, Índia, México, Alemanha, China e Japão.


Segundo Trump, o aumento nas tarifas tem como objetivo proteger a indústria local e reduzir a entrada de produtos estrangeiros, medida que ele também relaciona à segurança nacional. Na entrevista, Lutnick reforçou que o déficit comercial é um dos principais problemas enfrentados pelos EUA, citando o caso da Suíça: “Um país pequeno como a Suíça tem um déficit comercial de US$ 40 bilhões com os EUA. Porque dizem: ‘Bem, é um pequeno país rico’. Sabe por que eles são um pequeno país rico? Porque nos vendem US$ 40 bilhões a mais em produtos”.


As tensões comerciais se somam às divergências políticas entre os dois governos. Na última terça-feira (23), durante a Assembleia Geral da ONU, os presidentes Lula e Donald Trump se encontraram e afirmaram que devem retomar as conversas nesta semana para discutir políticas comerciais bilaterais. A relação entre Brasil e EUA se enfraqueceu em julho, quando Trump anunciou a sobretaxa contra produtos brasileiros. Além disso, o presidente americano tem feito críticas recorrentes ao processo judicial contra o ex-presidente Bolsonaro.


https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/09/28/secretario-de-comercio-dos-eua-diz-que-e-preciso-consertar-o-brasil-para-alinhar-se-aos-eua.ghtml

domingo, 28 de setembro de 2025

Leitura de domingo

 Leitura de Domingo: Marcas chinesas já são mais de 10% dos carros vendidos no Brasil


Por Eduardo Laguna


São Paulo, 22/09/2025 - As montadoras chinesas tiveram um desembarque avassalador no Brasil. Menos de quatro anos depois de BYD e GWM começarem a vender seus primeiros modelos no País, as marcas chinesas, na soma de todas, já respondem por mais de 10% dos carros de passeio comprados pelos brasileiros. Hoje, é mais fácil encontrar uma concessionária de carros chineses do que de marcas como Toyota, Renault, Hyundai e Honda, estabelecidas com fábricas e operações comerciais há décadas no Brasil.


Mapeamento da Neocom, empresa especializada em análises do mercado automotivo, mostra que BYD, GWM, Omoda & Jaecoo (O&J) e GAC têm, juntas, 347 pontos de venda, entre concessionárias completas e showrooms. Mesmo tendo sido construído basicamente com importações de carros, o número só fica atrás das redes de revendas das três maiores montadoras do País: Stellantis (mais de mil); General Motors (565); e Volkswagen (443).


Até aqui, os chineses nadaram de braçada na introdução dos carros híbridos e elétricos no mercado brasileiro. O apetite deles é grande, como mostram as metas anunciadas. Enquanto a BYD mira uma posição entre as cinco maiores marcas do País - hoje, está no sétimo lugar em automóveis -, a GWM fala em chegar futuramente a um volume entre 250 mil e 300 mil veículos no Brasil, embora sua fábrica em Iracemápolis, no interior paulista, arranque com capacidade de produção de 50 mil carros por ano.


Essa ambição será desafiada, no entanto, por lançamentos programados pelas montadoras tradicionais, incluindo a chegada dos automóveis híbridos das três do pelotão de frente: Stellantis, GM e Volks. Ou seja, mais concorrentes para disputar o mercado de novas tecnologias que, embora em expansão, tem limitações de crescimento. Uma pesquisa da Webmotors mostra que praticamente metade dos consumidores vê a insuficiência de pontos de recarga e a sensação de dificuldade na revenda como obstáculos à compra de carros elétricos e híbridos plug-in, aqueles cuja bateria é carregada na tomada.


Nos últimos três anos, enquanto enfrentavam barreiras tarifárias nos Estados Unidos e na Europa, as marcas chinesas multiplicaram por sete suas vendas no Brasil. Nas previsões da Bright Consulting, devem fechar 2025 acima de 260 mil unidades, o equivalente a 10% do mercado, quando se consideram tanto os carros de passeio quanto os utilitários leves, como picapes.


Após pressão das montadoras tradicionais, representadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o imposto sobre as importações de carros híbridos e elétricos vem subindo gradualmente desde o ano passado, com retorno à alíquota máxima (35%) marcado para julho do ano que vem, o que atinge sobretudo os veículos da China.


Montadoras com fábricas no Brasil, como a BYD, que está prestes a começar a produzir em Camaçari (BA), e a GWM, que já tem fábrica funcionando no interior de São Paulo, têm à disposição cotas que somam US$ 463 milhões para trazer automóveis desmontados sem imposto de importação. Fora das cotas, poderão contar até o fim do ano que vem com imposto de importação mais baixo - 14%, contra alíquotas sobre carros totalmente montados que, a depender da tecnologia, variam hoje entre 25% e 30%. Mas a partir de janeiro de 2027, todos, inclusive os carros que terão montagem final no Brasil, terão que pagar imposto de importação de 35%.


Diante de tributos mais altos nas importações e com novos concorrentes pela frente, a desaceleração no crescimento dos carros chineses está sendo projetada por algumas consultorias. Entre elas, a Bright Consulting vê a participação de mercado deles estacionar em 13% a partir de 2027.


Segundo Alexandre Ayres, CEO da Neocom, a cidade de São Paulo, onde está o maior mercado do País, já emite sinais de que as marcas chinesas não encontrarão a mesma facilidade para seguir crescendo de forma exponencial. Na capital paulista, quase metade da expansão das vendas de carros eletrificados de janeiro a julho foi explicada pelo Fastback, um híbrido da Fiat. "A Fiat foi a marca que mais cresceu nesse segmento, o que evidencia o desafio que as montadoras chinesas enfrentarão à medida que as marcas tradicionais de grande volume lançarem seus produtos elétricos e híbridos", comenta Ayres.


Contato: eduardo.laguna@estadao.com


Broadcast+

Adhemar Bahadian

 Segue meu artigo de amanhã no JB digital. Voce poderá encontra-lo tambem no substack. 


Ressonâncias e Dissonâncias.

 Adhemar Bahadian

            As ressonâncias dos pronunciamentos dos chefes de Estado nas Nações Unidas não cessam de provocar considerações de imenso interesse no Mundo. As dissonâncias também.

           Se a cada dia que passa o discurso do Presidente do Brasil recebe unânimes aplausos e leitura atenta pela imprensa internacional, onde sistematicamente é classificado como um ponto de virada no clima angustiante dos últimos meses, os discursos do Presidente Trump e do chefe de governo de Israel, em contrapartida, são objeto de perplexidade um e de constrangimento o outro.

          O discurso de Trump talvez se notabilize sobretudo pelas críticas profundas à própria ONU, desfigurando seu papel no pós-guerra e os ideais dos próprios representantes dos Estados Unidos que se notabilizaram pela sempre unânime defesa da paz inscrita na Carta de São Francisco.

           Um discurso entre arrogante e inepto a tornar transparente que a política externa dos Estados Unidos da América tem muito ou quase nada a dizer, senão a ilusória pretensão de seu Presidente de receber obrigatoriamente o prêmio Nobel da Paz, sabe-se lá por quê.

              Já o discurso do chefe de governo de Israel, pronunciado diante de um plenário esvaziado pelo que talvez seja o maior gesto de repúdio, expresso  na  saída deliberada  de grande parte dos representantes governamentais  antes de o orador tomar a palavra, nada mais foi do que uma clara e desafiadora manifestação contra  o triste cenário de morticínio na faixa de Gaza.

              As conclusões  são óbvias. Tanto o MAGA de Trump quanto a hostilidade à criação de um Estado Palestino receberam  reprovação da comunidade internacional representada por seus mais altos dirigentes.

          O MAGA, em sua expressão internacional, se revela um Consenso de Washington elevado a décima casa da barbaridade geopolítica. A tentativa de destruição da ONU, tão clara e cínica, terá espantado os mais céticos diante do multilateralismo surgido pós-segunda guerra. 

          Trump simplesmente associa o crescimento dos Estados Unidos à eliminação de todos os mecanismos e regras em defesa do comércio internacional e os substitui por um jogo de cartas marcadas em que todos os baralhos são devidamente embaralhados com mão de ferro.

           MAGA é o novo nome do neocolonialismo mais retrógrado, mais agressivo e mais indiferente ao destino do planeta, às mudanças climáticas e sobretudo ao aumento óbvio dos desajustes sociais e econômicos a que estamos a assistir.

            Há porém uma outra face nesta cenografia. Por mais que se queira camuflar, a reação de repúdio internacional, densa e quase unânime, parece romper finalmente o sombrio nevoeiro de impasses sucessivos.

         O próprio Trump dá sinais, esperto que é, de que o desgaste de sua popularidade, inclusive internamente, o obriga a docemente mudar o andar da carruagem.

           Há indicações claras de que  a repercussão do discurso de Lula abre a porta de um debate ansiado faz  tempo por vozes frequentes nas Nações Unidas e fora dela. Ou se reforma e se recompõe a Carta das Nações Unidas, inclusive com a reforma de seu Conselho de Segurança, ou a remilitarização crescente  dos Estados tenderá ,mais cedo ou mais tarde, a provocar a multiplicação de conflitos regionais, o desarranjo do sistema  de finanças e comércio internacionais. 

       O movimento de reforma não será tão rápido quanto deveria. Há velhas e enrustidas ideologias que ainda se supõem verdades absolutas. Mas, como no caso do MAGA, os retrocessos evidentes se mostram insustentáveis e certamente serão prejudiciais a Estados e Mega-empresas.

        No centro do debate, os exageros e aspirações indevidas das big-tecs e a lambança da liberdade de expressão, hoje tão empobrecida nos Estados Unidos, onde até comédia dá cadeia.

           Mas é exatamente aí que vejo sucessivas correntes marinhas, sucessivas grutas povoadas de moreias. A questão da chamada liberdade de expressão é o novo nome da Torre de Babel. 

         Os Estados Unidos de Trump, embora a relativize internamente, parece opor-se a regulamentações nacionais como já vimos frequentemente. E, como se sabe, os Estados Unidos são mestres em não-aceitar jurisdições internacionais e apregoam a soberania da lei americana erga-omnes.

            Nas conversações Trump-Lula, convém recordar, agendas pre’-acordadas nem sempre são respeitadas na Casa Branca. Temo que o tema seja temível para gregos e troianos. 

             A soberania aí pode ser desacatada com argumentos jurídicos "pret-à-porter". Terreno movediço, onde ressonâncias e dissonâncias tendem a se confundir.

Fernando Costa

 Bem, como eu já disse varias vezes anteriormente, uma coisa sao os isentoes críticarem com razao Bolsonaro por ter ajudado a sepultar a lava jato e a CPI da toga para salvar seu filho Flavio, OUTRA COISA COMPLETAMENTE DIFERENTE EH SE UTILIZAR DESSA DIMENSAO PARA JUSTIFICAREM E PASSAREM PANO PARA A PERSEGUICAO DO STF CONTRA UM ESPECTRO POLÍTICO. Coisas diferentes. 


E até parece que os tucanos sao purinhos né, com inumeras denúncias que FHC gastou capital político não para continuar a aprovar reformas estruturais difícilimas, mas para aprovar uma reeleicao que permitisse que continuasse no poder. Ainda relembro que os puristas tucanos produziram o Aecio dos áudios vazados nada republicanos e do Alckmin, que voltou a cena do crime.


Em suma, os tucanos não tem estatura moral para criticarem Bolsonaro, muito menos para realizarem uma analise desse nivel completamente DESPROPORCIONAL, de LEGITIMAREM o assalto à constituição, ao estado de direito e a democracia ocorrido no pais nos últimos 6 anos pelo STF em nome de equívocos que um político realizou, mas que também cometeram. Os tucanos tem também as maos sujas de sangue, quando ultrapassaram as criticas pontuais para legitimarem ESSA FARSA INTELECTUAL que um golpe foi tentado no pais. 


Em tempo, QUEM NÃO ESTA PERMITINDO O SURGIMENTO DE UMA OUTRA DIREITA ???? Somente esse argumento falacioso demonstra como os tucanos sempre compram sem questionar as narrativas da mídia, assim como na infaltilizacao que fomos sancionados porque um deputado persuadiu um pais e nao porque esse pais concluiu o ÓBVIO que não existe democracia com lawfare, com uma juristocracia perseguindo correntes políticas. Aqui também o culpado eh um deputado, NÃO EH QUE GRANDE PARTE DO POVO BRASILEIRO POSSUI UM DISCERNIMENTO E LIBERDADE de entender que outros COMO OS TUCANOS, que sempre minimizam e passam pano para uma elite que busca impor sua HEGEMONIA cultural goela abaixo da população, não defendem com vigor mudanca estrutural de pautas que uma elite não aceita. NAO, SEGUNDO OS ILUMINADOS TUCANOS, repetindo o desrespeitoso talking point da esquerda DE TRATAR UM SEGMENTO ENORME DAPOPULAÇÃO COMO GADO, COMO MASSA DE MANOBRA POR NÃO CONCORDAREM, o problema não está neles (até na falta de autocritica das razoes porque o PSDB nao se elege nem para sindico de predio sao iguais aos petistas), O PROBLEMA EH QUE ESSE GRANDE SEGMENTO da população que depois da redemocratização votou em diferentes espectros políticos virou EXTREMA DIREITA da noite para o dia, somente por divergir. E ESSES SAO OS DEMOCRATAS ISENTOES !

Pensatas jurídicas

1. Dizem q o Lula pediu penico de encontrar com Donald Trump, diante das evidências de perder a narrativa vitimista de sempre, decorrente do autoritário tarifaço. Além disso, é nesse papo furado q ele vem recuperando popularidade. O q ele vai dizer agora? Reflitam.

2. Critica corrente é q muitos recorrem ao achismo. Não possuem argumentos técnicos. Tecnicismo, às vezes, tem o objetivo de encobrir a real. O Direito se arvora muito desta ferramenta para soltar bandidos. Sempre acha "brechas" na lei, no Código Penal, me permitam, no escambau. Assim como este "STF" aparelhado encontrou brechas na lei, na sua tecnicidade, para soltar o sapo e quadrilha, os advogados da turba da "tentativa de golpe" estão achando variadas brechas para soltar os caras. Está adiantando algo? Não. Pq o STF, cinicamente, vem se movendo ao sabor dos ventos. Se movimentando de acordo aos q estão no poder. Isso é justiça? Reflitam

3. O "Prerrogativa", grupo da OAB q sustenta o Lula no poder, só ganhou evidência, nas suas variadas bancas de advocacia, pq vive da procrastinação, do "trânsito em julgado", do empurrar com a barriga, da chicanagem. O q, muitas vezes, sustenta estes advogados de porta de cadeia, q soltam quem paga mais a partir deste tecnicismo? O FALACIOSO E CANALHA argumento de q deve-se esgotar todos os recursos para prender alguém. Vcs sabiam q 30% das receitas destes escritórios advém destes esquemas de chicanagem? Sim, pq se o processo fica dançando para as várias instâncias de apelação, os escritórios recebem mais em custas judiciais.

4. Existe crime perfeito? Não, não existe. O bom advogado sempre conseguirá pegar o pilantra, assim esperamos, mas o fato é q o q rola é uma tremenda assimetria de oportunidades e possibilidades, isso não se tem dúvida. É o gato atrás do rato. Um dia a casa cai, ou não!

5. Antônio Pallocci fez uma delação premiada demolidora contra o Lula. Demolidora. Só q o sapo, o PT, foram lá, cooptaram o STF e destruíram esta prova. Anularam a delação. Por isso, eu pouco debato hje em dia e sempre digo: É para quem pode e paga mais.

6. Aliás, a prisão em Segunda Instância, batalha do Sérgio Moro por criar os "atalhos" para prender gente da laia do Lula, seria a pedra de cal contra esta gente. O STF, diligentemente, pq muitos lá precisam sustentar seu rico patrimônio, foi lá e a enterrou. É muita lavanderia (ou branqueamento de capital) em Portugal, né não?

7. E finalmente, o Eduardo Tagliaferro está dando trabalho, mas já viram pq zero de repercussão? O cara conhece as vísceras do STF. Por que não consegue avançar nas suas denúncias? 

Ganha uma "jabuticaba" quem souber responder...Boa semana a todos.

Novas Concessões

 *Leitura de Sábado: Onda de novas concessões acirra disputa por mão de obra no setor rodoviário*


Por Elisa Calmon e Luiz Araújo


São Paulo e Brasília, 23/09/2025 - A "onda" de novas concessões rodoviárias no Brasil, com o maior número de leilões em 17 anos, esbarra em um gargalo de mão de obra especializada. O avanço acelerado de projetos, somado à redução no ritmo de formação de profissionais, tem levado concessionárias a adotar diferentes estratégias. As iniciativas incluem investimentos em tecnologia, assim como programas de capacitação e retenção.


Entre 2015 e 2018, auge das ações da Operação Lava Jato e da crise fiscal, o País realizou apenas dois leilões de rodovias federais. De 2019 a 2022, não passaram de sete. Entre 2023 e 2025, o número saltou para 16, enquanto a meta do governo federal é entregar 35 concessões até o final do atual mandato. Em 2024, foram sete, maior marca em 17 anos. Os números não incluem os projetos estaduais, que também têm ganhado tração.


Para o CEO da MoveInfra, Ronei Glanzmann, a aceleração reflete um amadurecimento dos aspectos jurídicos e econômicos no setor de concessões. No entanto, o especialista identifica uma "dor de crescimento", com o descasamento entre a demanda e oferta de profissionais.


"Temos financiamento disponível, bons contratos e leilões competitivos, um atrás do outro, mas está na hora de executar os projetos e há um gargalo de mão de obra", afirma Glanzmann, representante da entidade que reúne os seis principais grupos de infraestrutura do País.


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um déficit de 75 mil engenheiros no Brasil. O País forma cerca de 40 mil profissionais da área anualmente, enquanto outros integrantes do Brics, como Rússia e China, contabilizam mais de 450 mil graduandos, de acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).


O fechamento e reestruturação de grandes empresas de construção após a Lava Jato e o maior apelo de outros setores ajudam a explicar o menor interesse pela área de engenharia, segundo o diretor executivo de Pessoas e Organização da Arteris, Roberto Paolini. "As novas gerações migraram muito para serviços, tecnologia e inteligência artificial, que se tornaram mais atrativas. No entanto, ainda precisamos muito dos engenheiros 'hard', aqueles que projetam, constroem e executam", afirma.


Enquanto isso, a pouca mão de obra disponível é disputada por outros setores, como o da construção civil, também fomentado por políticas públicas. A lista de desafios inclui ainda a alta complexidade da carreira de engenharia e baixo salário inicial na comparação com outros segmentos, avalia o sócio do escritório Bocater Advogados, Thiago Araújo. "O cenário só poderá ser modificado a partir da atualização dos cursos e uma melhoria nas projeções do mercado de trabalho", comenta.


Estratégias


A regionalidade é uma das estratégias da EcoRodovias para atrair e reter talentos, segundo o diretor de engenharia do grupo, Filippo Chiariello. "Contratar pessoas em faculdades próximas ao local que irão atuar gera mais fidelidade, porque cria um senso de pertencimento. Funciona melhor do que trazer alguém de um grande centro e levá-la para o interior, por exemplo", explica.


O foco na qualidade do ambiente de trabalho é outra iniciativa adotada pela EcoRodovias. "Salário e benefícios são importantes, mas o clima pesa muito", afirma Chiariello. O executivo cita ainda a tecnologia como aliada. "Equipamentos mais autossuficientes reduzem a necessidade de mão de obra altamente especializada, enquanto a engenharia digital oferece ferramentas que ampliam a base de profissionais capazes de atuar", explica.


A inovação também é utilizada pela Motiva (ex-CCR) para reduzir a mão de obra nos canteiros e melhorar as condições de trabalho, segundo  a diretora de Pessoas da companhia, Danila Cardoso. A executiva destaca que a empresa contratou quase 500 engenheiros entre janeiro de 2024 e julho deste ano, enquanto cerca de 80 vagas seguem abertas para serem preenchidas até dezembro.


De olho nessa demanda, a Motiva fomenta parcerias com universidades. "Além de atrair jovens, buscamos profissionais experientes e criamos programas de mentoria. Também estamos em conversas com a PUC-Rio para montar nossa própria escola de engenharia, focando no 'upskilling' [aprimoramento] de funcionários", relata Danila.


A Arteris, por sua vez, aponta foco em capacitação e clima organizacional para reter talentos. Paolini ressalta que a empresa busca absorver profissionais após grandes entregas, conciliando ciclos de investimento e de pessoal. "Temos feito programas de desenvolvimento para lideranças e áreas técnicas em parceria com instituições como Fundação Dom Cabral e Fundação Getúlio Vargas", diz o executivo.


Diante do descompasso entre formação e demanda, a Arteris criou programas próprios de capacitação para fidelizar engenheiros e reduzir o "canibalismo" entre concorrentes. Paolini alerta, no entanto, que a escassez eleva salários e pode levar a promoções aceleradas de profissionais ainda juniores, o que "compromete a qualidade da execução".


Contatos: elisa.ferreira@estadao.com; luiz.araujo@estadao.com


Broadcast+

Ativos digitais

 *Leitura de Sábado: Após anos de experimentações, ativos digitais encontram casos de uso real*


Por Aramis Merki II


São Paulo, 26/09/2025 - Stablecoins são criptoativos lastreados em moedas soberanas na proporção de um para um. Funcionam como representações digitais de uma determinada divisa na tecnologia blockchain. Elas têm o potencial de ser um ponto de virada para o mundo dos ativos digitais: ultrapassam o caráter especulativo e há casos de uso tanto para investimento quanto para transações financeiras.


O Boston Consulting Group (BCG) aponta que estes ativos podem revolucionar a forma de pagamentos, ainda que apenas 1% do total de movimentações de moedas digitais estáveis seja para este fim. "Depois de ano de experimentação, o dinheiro digital está se movendo para um novo estágio de adoção", destaca o BCG em relatório.


Globalmente, o volume de transações com stablecoins está em seus recordes. Em agosto, o montante transacionado alcançou US$ 1,9 trilhão, de acordo com o consolidador de dados The Block. O valor superou o do mês anterior, que já havia sido o maior registrado até então. Os dados são apenas da blockchain ethereum.


Diante do universo cripto, as stablecoins representam apenas 7% da capitalização total. Individualmente, a USDT, stablecoin de dólar da Tether, é a quarta maior moeda digital, com capitalização de mercado de cerca de US$ 173 bilhões. A primeira e mais popular criptomoeda, o bitcoin, totaliza US$ 2,23 trilhões, seguida de longe por ethereum (US$ 500 bilhões).


O mercado aponta que a legislação dos Estados Unidos que estabelece parâmetros para o setor, chamada de Genius Act, é o que tem impulsionado o crescimento. A lei passou a valer em 19 de julho deste ano, em um aceno da administração de Donald Trump aos ativos digitais.


A regulação americana inclui exigências para que a reserva que embasa as moedas seja feita em títulos do Tesouro dos EUA. Isto é visto, inclusive, como uma forma de impulsionar de forma perene a demanda pelos "Treasuries". Além disso, é uma avenida para que o dólar reforce a sua posição de reserva de valor global.


"A adoção global de stablecoins lastreadas em dólar está estendendo a influência monetária americana além das fronteiras tradicionais, refletindo e consolidando o papel descomunal do dólar americano nos mercados globais", aponta a Chainalysis, empresa de análises do setor cripto, em relatório.


O bom momento do setor pode ser medido pelo sucesso das ações da Circle, empresa que emite a stablecoin USDC e foi listada na Nasdaq em junho deste ano. A ação chegou a acumular alta de 675% em relação ao preço da oferta pública (IPO, na sigla em inglês) no primeiro mês em negociação. Houve uma correção substancial após o frisson, mas o papel tem negociado a cerca de US$ 130, bem acima do que foi precificado na estreia, US$ 31.


Já a Tether, emissora da USDT, não tem capital aberto. Mas o CEO, Paolo Ardoino, informou nesta semana que a empresa busca investidores. Segundo informações da Bloomberg, o plano é captar de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões em troca de uma fatia de 3% da companhia. Isto significa que a Tether pode ser avaliada entre US$ 500 bilhões e US$ 666 bilhões.


Adesão local


O presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, já afirmou que as stablecoins vão transformar o mercado. Ele pontuou, no entanto, que a falta de regulamentação no Brasil é um fator limitante. O banco tem a sua BTG Dol desde abril de 2023. A infraestrutura, a custódia e a arquitetura do lastro em dólar estão sob a responsabilidade do próprio banco.


Neste mês, o tradicional Safra iniciou a sua incursão neste mundo. Lançou o Safra Dólar, estruturada em uma rede blockchain privada com apoio da empresa de tokenização Hamsa.


A principal stablecoin brasileira é a BRZ, lastreada no real. É emitida pela Transfero desde 2019. Em dados da Receita Federal, as operações com o ativo totalizam mais de R$ 1,9 bilhão entre janeiro e maio deste ano. No mês de maio, a BRZ foi a sexta cripto em volume de negociação em reais. Ficou atrás das stablecoins de dólar USDT e USDC, conforme a tabela abaixo.



Fonte: Receita Federal


Segundo levantamento da Iporanga Ventures, as moedas digitais vinculadas ao real movimentaram mais de R$ 5 bilhões em 2024. A principal diferença é que a stablecoin de dólar atrai interessados na moeda americana como uma reserva de valor. No caso da moeda digital de real, a finalidade é sobretudo transacional: pagamentos internacionais são um dos casos de uso mais frequentes.


O ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto, atualmente vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank, aponta que as stablecoins de dólar têm ganhado espaço justamente em economias emergentes. "É uma forma que as pessoas encontraram para ter uma conta em dólar", disse ele em evento sobre ativos digitais esta semana.


Divisas de países em que os juros são altos não são atrativas para que as stablecoins sejam usadas como reserva de valor, aponta Campos Neto. Afinal, nestes cenários, é mais vantajoso ter renda fixa.


Contato: merki@broadcast.com.br


*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast


Broadcast+

Semanal

 *O mito de Sísifo da Desinflação*


A semana foi marcada por aumento da incerteza em relação ao ciclo de cortes do FED por conta da alta atividade econômica nos dados do segundo trimestre, o que trouxe maior cautela aos investidores globais. A revisão do PIB americano do segundo trimestre, elevou o crescimento para 3,8% (de 3,3%), e levando o mercado a reduzir a probabilidade de dois cortes adicionais de juros neste ano. A amplitude das revisões recentes dos dados também reacendeu, entre economistas, o debate sobre a confiabilidade das estatísticas e das metodologias utilizadas.


Nesse contexto, dirigentes do Banco Central Americano ajustaram o tom dos discursos, reforçando a parcimônia na condução da política monetária e enfatizando o risco de cortes prematuros para a sustentabilidade do processo desinflacionário. Entre os membros mais conservadores, a avaliação é de que a inflação segue estacionada acima da meta, sem tendência clara de convergência, o que recomenda cautela adicional.


No front político, Donald Trump retomou a agenda tarifária, decretando novas taxações — destaque para a alíquota de 100% sobre medicamentos importados por empresas sem fábricas nos EUA. O ponto sensível é a importância do segmento farmacêutico na pauta de exportações da Europa para os EUA (tema que já aparecia como exigência de alíquota máxima pelo Reino Unido em conversas comerciais). Caso o embate se intensifique, é plausível esperar retrocesso nas negociações em curso.


Os mercados refletiram essa combinação: o S&P 500 caiu 0,3% e o Russell 2000, 0,7%; Nasdaq recuou 0,5% e o Dow Jones, 0,2%. O principal destaque foi a curva de juros: todas as maturidades subiram — o título de 2 anos avançou 1,9% (para 3,6%) e o de 10 anos, 1,0% (para 4,2%). Os Treasuries longos tiveram leve queda de 0,1%. O dólar se valorizou 0,6% no mundo — um movimento que merece atenção, dado o posicionamento consensual vendido na moeda entre investidores globais.


Em outras praças, houve retração moderada: Nikkei (-0,3%), emergentes (-0,6%), enquanto o DAX subiu 0,4%. A China sentiu a nova rodada de taxações: ações tradicionais caíram -0,2% e de tecnologia -1,6%. Ouro e petróleo tiveram altas expressivas, de 2,2% e 5,8%, respectivamente.


*O teatro do poder: Ato II em Brasília*


Localmente, dois eventos políticos dominaram as discussões. Primeiro, o encontro entre Lula e Trump em evento da ONU: o presidente americano elogiou o brasileiro e sinalizou abertura ao diálogo para eventual acordo comercial. Segundo, a alta da aprovação de Lula, que atingiu o maior patamar do ano, em pesquisa divulgada esta semana.


Nesse ambiente, o governador Tarcísio de Freitas — preferido por parte relevante do mercado — reforçou que não deve disputar a Presidência em 2026, priorizando a reeleição em São Paulo. O discurso ganhou firmeza após seguidos ataques de Eduardo Bolsonaro e veio acompanhado de acenos a Ratinho Jr. como possível nome da direita.


Esses movimentos dificultam a tese de renovação política em 2026. Vale notar que Lula e Trump devem se reunir novamente na próxima semana; se houver avanço nas negociações, a popularidade do presidente brasileiro pode subir ainda mais. Em nossa avaliação, o mercado precifica como altamente provável a renovação política; caso esse cenário se torne incerto, há espaço para abertura de prêmios de risco locais.


Os preços refletiram esse quadro: o Ibovespa caiu 0,3%, enquanto o dólar subiu 0,4%. Na curva, os títulos públicos com vencimento em 2030 avançaram nas duas pontas: prefixado (+0,8%, para 13,3%) e indexado ao IPCA (+0,8%, para IPCA+7,8%).


Qualquer necessidade estou à disposição.

Um abraço, Breno - Rubik Capital.

Mercados

 https://www.poder360.com.br/poder-economia/bb-seguridade-e-maior-pagadora-de-dividendos-em-2025/


*BB Seguridade é maior pagadora de dividendos em 2025*


_Até agosto, a companhia tomou o posto que era da Petrobras em 2024; petroleira caiu para 8º lugar, com queda de 61% no pagamento de proventos_


Em um ano marcado por euforia e novas máximas históricas para o Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores), uma mudança significativa agitou o mercado de proventos: a Petrobras deixou a liderança na lista das maiores pagadoras de dividendos, cedendo o posto para a BB Seguridade, que agora lidera tanto no Ibovespa quanto no Idiv (Índice de Dividendos). 


A Petrobras viu seus pagamentos de proventos encolherem 61% até agosto de 2025, uma diferença de R$ 60 bilhões em relação ao mesmo período de 2024, quando pagou R$ 103 bilhões. Com os R$ 40 bilhões distribuídos em 2025, ainda é a maior pagadora de dividendos em volume.


*IMAGEM 1*



Ficar de fora do top 10 no levantamento da Comdinheiro/Nelogica é resultado do recorte temporal, afirmou Gustavo Gukovas, diretor de Operações da Comdinheiro/Nelogica: “Se o recorte do levantamento fosse os últimos 12 meses, a PETR4 [papéis preferenciais] teria ficado em 2º e PETR3 [ordinários] em 4º no ranking”. 


*NOVA LÍDER* 


A nova líder BB Seguridade assumiu o topo e se destacou pelo aumento de 60% no valor pago por ação. A empresa consolidou sua posição como uma das mais rentáveis para os acionistas focados em renda passiva, liderando tanto a lista de empresas do Ibovespa quanto a do Idiv....


*IMAGEM 2*


Diferença entre os 2 índices: 


Ibovespa – é o principal termômetro do mercado de ações brasileiro, composto pelas empresas com maior volume de negociação e valor de mercado na B3. Representa a liquidez e a força das maiores companhias; 


IDIV –  é um índice setorial que agrupa as empresas conhecidas por serem boas e consistentes pagadoras de dividendos. Nem toda empresa do Ibovespa está no IDIV, e vice-versa. 


A liderança da BB Seguridade em ambos os universos demonstra uma rara combinação de alta liquidez e forte retorno em proventos. Outras companhias como Itaúsa (ITSA4) e ISA CTEEP (TRPL4) também voltaram a ganhar destaque em 2025. 


Apesar dos resultados expressivos, o cenário exige cautela. “Não podemos afirmar que esse excelente resultado dos primeiros oito meses irá se manter até o final do ano, tendo em vista as incertezas geopolíticas e econômicas que pairam no momento”, afirmou Wendell Finotti, CEO da Meu Dividendo. 


“A Selic nos patamares atuais desestimula os investimentos por parte das empresas, o que pode significar represamento de caixa no 1º momento, mas, no longo prazo, significa que as companhias poderão ter crescimento menor do que o esperado no futuro.” 


Para quem analisa as oportunidades, Gukovas afirma que é importante entender a métrica do Dividend Yield. “Quando uma empresa apresenta DY alto, ou ela paga muito em proventos, ou ela está sendo negociada a preços mais baixos, ou ambos. Então, o investidor deve ter cautela e considerar outros indicadores”, diz....



*RECORDES* 


Enquanto o ranking de dividendos se reconfigura, o mercado de ações vive um momento de forte otimismo. O Ibovespa bateu recorde nesta semana e fechou em 146.491,75 pontos.


A euforia não se restringiu ao Ibovespa. O IDIV, índice de dividendos, também alcançou sua máxima histórica, chegando a 10.395,26 pontos. No acumulado do ano, o Ibovespa lidera com uma alta de 21,08%, enquanto o IDIV avança 18,97%. 


Nesta onda de otimismo, 17 ações individuais também atingiram suas cotações mais altas da história, com destaque para o setor de incorporação, que viu 4 de suas empresas baterem recordes. Companhias como Moura Dubeux (MDNE3), Lavvi (LAVV3) e Planoeplano (PLPL3) registram valorizações superiores a 100% em 2025....



*IMAGEM 3*


Segundo Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta, a euforia com a pontuação esconde fragilidades importantes, principalmente a desconexão entre a alta dos preços e o baixo volume de negócios, o que lança dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento. 


Para o especialista, o investidor não deve se guiar apenas pelo número estampado na tela. Ele afirmou que, ao se avaliar o Ibovespa sob outras métricas, a percepção de “topo histórico” é relativizada.


“Quando dolarizado, por exemplo, o índice brasileiro ainda está mais de 60% abaixo de seu pico de 2008, em grande parte devido à desvalorização do real frente à moeda americana. Essa perspectiva torna a bolsa brasileira atrativa para o capital estrangeiro, que enxerga um significativo potencial de valorização”, disse.


Da mesma forma, quando os valores são ajustados pela inflação (IPCA), o índice ainda se encontra cerca de 30% aquém de sua máxima em termos de poder de compra real. “Ambas as análises mostram que ainda existe, estruturalmente, espaço para crescer”, afirmou Rivero.


A alta recente vem acompanhada de uma forte queda no volume financeiro negociado na B3. “Uma alta com baixo volume significa que poucos players estão impulsionando o mercado, o que não demonstra uma convicção generalizada”, alerta Rivero. Para ele, a situação é análoga a uma decisão importante ser tomada com pouquíssimos participantes, o que fragiliza sua legitimidade.


Rivero nota que o recuo na distribuição de dividendos por grandes companhias, como Petrobras e Banco do Brasil, mostra a necessidade de prudência....

Bolivar Lamounier

 Bolívar Lamounier

"Entrevista - Estadão - Política

"Bolívar Lamounier vê julgamento do golpe como divisor de águas e Congresso como ‘decepção completa’

Em entrevista ao Estadão, sociólogo e cientista político fala de entraves ao crescimento do País e critica Lula e Bolsonaro"


Por Zeca Ferreira

20/09/2025 | 15h45


BOLIVAR LAMOUNIER

Entrevista com Bolívar Lamounier

Cientista político, sócio-diretor da Augurium Consultoria e membro das Academias Paulista de Letras e Brasileira de Ciências

"A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de oficiais-generais por tentativa de golpe de Estado marca um divisor de águas na história do País, avalia o sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier. Para ele, o julgamento da Ação Penal 2668 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deixa claro que crimes contra a ordem democrática não serão mais tolerados.


“É óbvio que houve uma tentativa de golpe de Estado. Portanto, a pena é prisão, não há conversa”, afirma o sócio-diretor da Augurium Consultoria, que considera obscena a articulação em curso na Câmara para aprovar um projeto de lei que conceda anistia aos condenados pela trama golpista. “Este Congresso é uma decepção completa.”


Doutor em Ciência Política pela Universidade da Califórnia (EUA), Lamounier prepara um curso em que revisita clássicos da área para discutir os desafios da política global. Segundo ele, não será um debate conjuntural, mas uma investigação sobre novos arranjos políticos num momento em que até mesmo o sistema político dos Estados Unidos é posto à prova. Já foram gravadas cerca de 15 aulas, e a previsão é dobrar esse número.


Em sua avaliação, o País atravessa uma entressafra política, marcada por uma geração de baixa qualidade. A aprovação da PEC da Blindagem, que busca dificultar a abertura de processos judiciais contra políticos, só reforça o diagnóstico. Para Lamounier, a proposta é inconstitucional e acrescenta um novo capítulo ao conflito entre os Poderes.


Ele acredita, no entanto, que as eleições do próximo ano abrirão a possibilidade de renovação do Congresso, com a escolha de uma nova safra de bons políticos. “Por sorte, tudo indica que Bolsonaro já está fora do jogo, nunca deveria ter entrado, mas já está fora. Lula, acho que também sairá”, afirma, sustentando que a saída dos dois abrirá caminho para uma nova fase.


Entrevista com o sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier em sua residência no bairro de Higienópolis.

O cientista político recebeu a reportagem do Estadão nesta sexta-feira, 19, em seu apartamento, em São Paulo. A entrevista durou pouco mais de uma hora. Confira os principais trechos a seguir:


Como o sr. avalia a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e também de oficiais-generais pelo Supremo Tribunal Federal?

É óbvio que houve uma tentativa de golpe de Estado. Portanto, a pena é prisão, não há conversa. As pessoas dizem: “não, mas não pode, cabe anistia”. Como é que cabe anistia? Um país tem uma Constituição. A Constituição representa o Estado. Se as pessoas entram violentamente no Palácio Presidencial, chegam a chutar a porta do gabinete do presidente... Se isso não é golpe de Estado, não sei o que é golpe de Estado.


O que muda no Brasil após esse julgamento?

É um divisor de águas. É um marco novo. Creio que não haverá outra situação como essa de militares cometerem um crime evidente, uma tentativa de golpe violento. No dia 8 (de janeiro) não houve um passeio na Esplanada dos Ministérios, houve um quebra-quebra. Entraram no Palácio, chutaram portas e quebraram obras de arte, inclusive. Se isso ocorrer outra vez, eles serão novamente presos, julgados e provavelmente condenados.


Algumas pessoas dizem que estamos vivendo uma situação anômala. Os Três Poderes não se entendem e se xingam mutuamente. Vamos raciocinar. Um país que precisaria crescer 4% ao ano não consegue ultrapassar 2,5%. Com o PIB per capita crescendo 2,5%, levaremos 28 anos para dobrar um PIB que já é medíocre. Ou seja, é claro que o País está tenso, irritado, agonizando. Eu diria até apavorado, vendo a pobreza crescer rapidamente. Não há como resolver essa situação porque se inventou uma teoria econômica segundo a qual o crescimento depende do Estado monopolizar setores vitais. Ontem mesmo (18 de setembro), o Lula falou que país nenhum pode abrir mão do petróleo, que é preciso monopolizar o petróleo. Mas (defendo que) se pode perfeitamente privatizar a Petrobras. Por que não?


Quais fatores impedem o crescimento do País?

Desde o início do ano discutimos apenas como fechar a arrecadação com o gasto, como empatar um lado com o outro, mas não como crescer. Não estamos discutindo crescimento, apenas equilíbrio orçamentário. E mesmo assim não equilibramos: entramos com déficit para o ano que vem. Ou seja, o primeiro elemento é econômico.


O segundo elemento, e aqui concordo com os críticos, é que o elenco está muito abaixo do enredo. Temos uma crise grave, um problema sério a resolver, mas, infelizmente, alguns ministros do Supremo e a quase totalidade do Congresso Nacional deixam a desejar.


Durante a Constituinte, era fácil nomear 20 de alta qualidade, de A a Z, no espectro ideológico. De Roberto Campos a Mário Covas, tínhamos gente de peso, com carreira política. Hoje é difícil indicar cinco. Não temos. Por várias razões que não posso explorar, estamos numa entressafra política, uma geração de má qualidade. Isso não há dúvida.


Como resolver isso? As eleições de 2026 são um caminho?

A eleição do ano que vem é absolutamente crucial para o Brasil. Por sorte, tudo indica que Bolsonaro já está fora do jogo, nunca deveria ter entrado, mas já está fora. Lula, acho que também sairá. Mesmo quando (Donald) Trump levantou a bola para ele posar de estadista, Lula não conquistou prestígio popular como tentou. Continuou na mesma: quarenta e tantos por cento de apoio, alta desaprovação e já com 79 anos. Não é mais aquele Lula esperto que um dia ia à Fiesp e no outro falava para operários na carroceria de um caminhão. Ele não é mais aquele Lula. Se for reeleito, será outro desastre, pois teremos um governo inerte, inepto, incapaz de realizar qualquer coisa.


Essa eleição histórica deve ser usada para renovar profundamente o Congresso. Precisamos escolher um presidente competente, um pouco mais à esquerda ou à direita, mas que seja capaz, que entenda o que é o Estado – que o Estado não é propriedade privada.


O sr. vê bons nomes para disputar a Presidência em 2026?

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, eu conheci superficialmente e tive muito boa impressão. Antigamente ele era muito violento, mas precisamos lembrar que, naquela época, o MST estava invadindo fazendas. Então havia um embate, e o Caiado liderava o lado dos produtores rurais contra o MST. Quando aquilo acabou, quem é o novo Caiado? Ele foi um bom deputado, presidiu a Comissão de Saúde. Há ainda o Romeu Zema, de Minas. Mas ainda temos um ano pela frente.


Outros governadores aparecem bem posicionados nas pesquisas, como Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Ratinho Júnior, do Paraná. O que o sr. acha deles?

Não os conheço muito, vou ser franco. Sei um pouco sobre a biografia política deles e que têm um prestígio considerável. O do Rio Grande do Sul (Eduardo Leite) também.


Como o sr. avalia o PL da Anistia que está sendo discutido no Congresso?

Deste Congresso, do Centrão, dos bolsonaristas, não há como esperar outra coisa. A palavra cabível é obscenidade. Ele (Bolsonaro) acabou de ser condenado à prisão e está preso, por enquanto, domiciliarmente. Eventualmente será preso e deve ser preso porque comandou uma tentativa de golpe de Estado. Isso já foi julgado. Ou seja, este Congresso é uma decepção completa. Isso é apenas mais um exemplo. Sempre ouvi dizer que a democracia precisa de partidos políticos confiáveis, responsáveis, organizados. O Centrão é o quê? Um partido? Não. É algo amorfo, um bando de gente espalhada, tentando arranjar emprego para parentes ou tirar proveito do erário. É isso que temos hoje. Precisamos urgentemente renovar este Congresso.


Nesta semana, a Câmara aprovou a PEC da Blindagem. Qual recado essa decisão passa à população?

Desde logo, é inconstitucional. Onde já se viu? O deputado ou senador é eleito com o voto do povo e permanece enquanto cumprir sua função parlamentar. A ideia de blindar significa permanecer lá em qualquer hipótese. Torna-se o quê? Um senhor feudal? Dono do cargo? Comprar cargos públicos era comum na Europa até o século 18. Com a democracia constitucional, ficou entendido que o sujeito é eleito, exerce quatro ou seis anos de mandato e, se se reeleger, tudo bem; se não, volta para casa, cria galinha, faz qualquer outra coisa. Mas não tem direito de ficar lá a vida inteira. A PEC da Blindagem é um contrassenso, uma contradição em termos. Para mim, não faz sentido algum.


O sr. vê a Câmara tentando dar uma resposta ao Supremo diante de investigações contra deputados?

É claro. Isso é mais um capítulo da briga entre os Poderes. E essa disputa é fruto de um país aflito, temeroso, tenso, com raiva do que é público. E como chegamos aqui? Porque o crescimento econômico parou, desmoralizou o Congresso e entramos num círculo vicioso. Quanto mais desmoralizado o Congresso, menos pessoas qualificadas querem ir para lá. Isso é evidente. Há séculos, eu mesmo me candidatei a deputado federal. É a primeira vez que conto isso em público, porque tenho vergonha. Quando disse a amigos que seria candidato, o primeiro respondeu: “Você também vai entrar naquilo?”.


Quando o sr. falou do Centrão, comentou sobre a importância dos partidos políticos para um país. Qual é o papel deles nessa crise? Há solução para a questão partidária?

O Brasil, acho eu, nunca teve partidos dignos do nome. Não temos. E não sei se teremos. Talvez já tenhamos passado do ponto. Os partidos que existem são oligárquicos. Quem quiser se candidatar precisa “beijar a mão” do chefe, seja ele quem for.


Considerando que ainda estamos em ambiente de polarização, o sr. enxerga algum caminho para superar essa disputa entre Bolsonaro e Lula?

Para mim, o caminho já está dado. Bolsonaro politicamente acabou. Seu futuro, se nossas instituições tiverem o mínimo de seriedade, será cumprir pena de prisão – não sei por quantos anos. Do outro lado, Lula, como já disse, também não tem mais condições de se eleger. Com a saída dos dois, algo que considero quase certo, pequena dúvida apenas sobre Lula, o caminho estará aberto. Esses nomes já mencionados, como Caiado e Zema, entre outros, formam um centro diversificado, mas honesto, competente, com visão racional do futuro do país e das reformas indispensáveis que precisamos realizar."

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