terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Jonas Federighi

 

O artigo sustenta que a democracia liberal voltou a ser atacada por movimentos populistas que exploram frustrações sociais e canalizam ressentimento contra o capitalismo. O autor abre com a tese de Francis Fukuyama (Liberalism and its Discontents): as ameaças ao liberalismo vêm tanto da direita (mais imediata e política) quanto da esquerda (mais cultural e lenta), ambas impulsionadas por descontentamentos com distorções e “excessos” na aplicação de ideias liberais. A mensagem inicial é que o debate não é abstrato: existe uma ofensiva prática contra o capitalismo e suas instituições.

Na sequência, ele afirma que o “neossocialismo” estaria migrando do discurso para a captura institucional, usando como exemplo a eleição de Zohran Mamdani em Nova York como sinal de viabilidade eleitoral de um discurso hostil ao capitalismo no coração do consumo ocidental. A ideia é que, por vias legais e dentro das regras, esse movimento tentaria “dinamitar” por dentro os pilares da livre iniciativa e, com isso, corroer as franquias de liberdade política.

O texto amplia o foco para a geopolítica. Sustenta que a América Latina vive há décadas uma dinâmica de infiltração de agendas estatizantes e governos corruptos, num ambiente em que EUA e, mais recentemente, China competem por influência. Nesse quadro, o autor descreve o governo Trump (com Marco Rubio) como articulador de uma “Doutrina Monroe 2.0”, com três frentes: Canal do Panamá, apoio a Javier Milei e uma campanha na Venezuela associada ao combate ao narcotráfico e suas conexões com o regime — com efeito colateral no Brasil, pela discussão de segurança pública nas eleições de 2026.

A conclusão é um alerta: a maior ameaça ao capitalismo americano seria o “comunismo mercantilista e tecnológico” chinês, agravado por instabilidade russa e tensões no Oriente Médio, deixando o Brasil exposto a choques externos e disputas de influência. O autor fecha com uma aposta: o que restar da democracia dependerá, em grande medida, da confiabilidade do sistema de Justiça — se justo e previsível, há rumo democrático; se capturado e desconfiável, o país entra em “mar vermelho”, com instituições sequestradas por burocracias e interesses que substituem prosperidade por desmando.

Call Matinal 0601

 Call Matinal

06/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

Pensatas: EDITORIAL OESP | O melancólico fim da gestão Haddad – “Haddad não teve a capacidade de ser, no terceiro mandato presidencial de Lula, o que Antonio Palocci foi no primeiro. É certo que Haddad e Palocci são igualmente petistas, mas Palocci, ainda na campanha que Lula venceria, conseguiu convencer o chefe a firmar o compromisso de que preservaria o superávit fiscal – que, junto com o câmbio flutuante e as metas de inflação, compunha o tripé macroeconômico herdado do governo de Fernando Henrique Cardoso”. 

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0501)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de segunda-feira (05), Ibovespa fechou em alta de 0,83%, a 161.869 pts. Já no mercado cambial, o dólar operou em queda de 0,34%, a R$ 5,40.

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PRINCIPAIS MERCADOS

Os futuros dos EUA operam em baixa nesta terça-feira (06), após forte alta na sessão anterior. Na segunda-feira, o Dow Jones registrou novo recorde de fechamento, subindo quase 600 pontos (1,2%), enquanto S&P 500 avançou 0,6% e Nasdaq teve alta de 0,7%. Investidores ignoraram preocupações geopolíticas com a Venezuela e focaram no potencial de crescimento econômico americano.

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,15%

S&P 500 Futuro: -0,11%

Nasdaq Futuro: -0,10%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), +1,50%

Nikkei (Japão): +1,32%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,38%

Nifty 50 (Índia): -0,31%

ASX 200 (Austrália): -0,52%

Europa

 

 

STOXX 600: +0,23%

DAX (Alemanha): -0,10%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,57%

CAC 40 (França): -0,25%

FTSE MIB (Itália): +0,51%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,72%, a US$ 57,90 o barril

Petróleo Brent, -0,63%, a US$ 61,37 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,69%, a 801,00 iuanes (US$ 114,61)

 

NO DIA, 0601

Seguimos monitorando esta transição desastrada de Donald Trump, ao permitir que os grupos ligados ao bolivarianismo se mantenham no poder. Temos argumentado que não adianta fazer uma intervenção “meia boca” na Venezuela, achando que Delcy Rodriguez irá colaborar com os EUA. Não acreditamos nesta ingênua tese. Se houve intervenção à tirania de Maduro, que fosse completa, expurgando membros corruptos do Exercito, do Judiciário, grupos ligados ao bolivarianismo. Só uma cabeça? Não resolve. No Brasil, o celular de Daniel Vorcaro continua como foco de preocupação do “grand monde” de Brasília. Membros do TCU agora querem neutralizar a acertada e técnica intervenção do BCB no Banco Master, até mesmo colocando em questão sua liquidação extrajudicial. São tantos escândalos que, literalmente, os atores do TCU, e de outras instituições, se revelam nesta situação. O fato é que a corrupção está espraiada por todos os cantos de Brasília. Difícil, impossível, negar isso.

 

PMI Composto na Europa (Dezembro)

 

▪️ Itália: PMI composto cai para 50,3 pontos após 53,8 no mês anterior; Serviços ficou com 51,5 pontos

 

▪️ França: PMI Composto recua para 50 pontos após 50,4 em novembro, levemente abaixo do consenso; Serviços marca 50,1 pontos

 

▪️ Alemanha: PMI Composto cai para 51,3 pontos, após 52,4, pouco abaixo do consenso de 51,5 pontos; Serviços termina com queda para 52,7 pontos

 

▪️ Zona do Euro: PMI composto cai para 51,5 pontos após 52,8 e consenso de 51,9; Serviços cai para 52,4 de 53,6 pontos

 

▪️ Reino Unido: PMI Composto sobe levemente para 51,4 pontos após 51,2, mas abaixo do consenso de 52,1. Serviços sobe para 51,4 após 51,3 pontos

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

 

 

Terça-feira, 06 de Janeiro 

05:55 - EUR - PMI do Setor de Serviços - Alemanha

05:55 - EUR - PMI Composto - Alemanha

06:00 - BRL - IPC-Fipe

06:00 - EUR - PMI do Setor de Serviços

06:00 - EUR - PMI Composto S&P Global

06:00 - EUR - IPC

06:30 - GBP - PMI Composto

06:30 - GBP - PMI do Setor de Serviços

10:00 - EUR - IPC - Alemanha

10:00 - BRL - PMI de do Setor de Serviços S&P Global

10:00 - BRL - PMI Composto S&P Global

11:45 - USD - PMI do Setor de Serviços

11:45 - USD - PMI Composto S&P Global

18:30 - USD - Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

21:30 - JPY - PMI do Setor de Serviços

21:30 - JPY - Manufacturing & Services PMI

 

 

 

 

 

 

 

Boa terça-feira para todos! Feliz 2026 !

Anderson Nunes

 CONFLITO TCU-BC - MC 06/01/26

Por Anderson Nunes - Analista Político.

A investida do TCU sobre o Banco Central eleva a percepção de risco institucional no Brasil enquanto Trump consolida o controle sobre o petróleo venezuelano.

CRISE DE COMPETÊNCIA NO BRASIL

A decisão do tribunal de inspecionar com urgência a liquidação do Banco Master gera forte reação do setor financeiro por extrapolar limites jurídicos. A medida compromete a previsibilidade regulatória e sinaliza uma interferência perigosa na independência técnica da autoridade monetária nacional.

TRUMP ASSUME AS RÉDEAS DA VENEZUELA

O presidente americano descartou eleições imediatas e colocou o setor de petróleo sob supervisão direta de Washington para favorecer indústrias dos Estados Unidos. O movimento provocou euforia em Wall Street mas acendeu o alerta sobre a oferta global de óleo e possíveis barreiras comerciais ao Brasil.

O JULGAMENTO EM NOVA YORK

Maduro declarou inocência em audiência nos Estados Unidos e se classificou como prisioneiro de guerra do governo norte-americano. Uma eventual delação premiada do ex-líder gera temor entre políticos latino-americanos por ameaçar expor financiamentos ilegais do passado.

REAÇÃO INTERNACIONAL E SOBERANIA

O Brasil criticou a ação militar norte-americana na ONU por considerar que a captura fere a ordem global e a soberania nacional. Os Estados Unidos descartam a ocupação da Venezuela enquanto a China manifesta choque com a operação militar.

CUSTO DE VIDA EM SÃO PAULO

As tarifas de transporte público na capital paulista sobem hoje para R$ 5,30 nos ônibus e R$ 5,40 nos trilhos.

RADAR CORPORATIVO

1. Amazon lançou a versão web do chatbot Alexa+ para competir diretamente com o ChatGPT e o Gemini. A ferramenta está disponível inicialmente para um grupo seleto de usuários em inglês.
2. PicPay protocolou pedido de IPO nos Estados Unidos com expectativa de captar 500 milhões de dólares para expandir suas operações globais.
3. Prio registrou aumento de 12,2% na produção de óleo em dezembro, reforçando a eficiência operacional da companhia no setor de energia.
4. Samsung planeja integrar inteligência artificial em 800 milhões de dispositivos até o final de 2026. A estratégia foca na liderança tecnológica do mercado global de hardware.
5. Localiza aprovou aumento de capital de 2 bilhões de reais mediante bonificação de ações para fortalecer sua estrutura financeira e liquidez.
6. Multiplan vendeu 10% de sua participação no BH Shopping por 285 milhões de reais para otimizar o portfólio de ativos do grupo.
7. Totvs concluiu a aquisição da TBDC por 80 milhões de reais visando ampliar sua oferta de serviços e soluções tecnológicas especializadas.
8. JHSF e Equatorial realizaram ajustes em seus capitais e proventos, refletindo movimentações estratégicas de tesouraria e exercício de opções.
9. Copel atraiu investimento da GQG Partners, que atingiu fatia de 2,37% na empresa e sinaliza o interesse estrangeiro no setor elétrico.

🏦@alexeconomia

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: TCU eleva pressão sobre BC*


A inspeção determinada no BC pelo TCU para investigar o Master levanta questionamentos sobre limites de atuação


… Agenda morna de hoje conta com o PMI composto de dezembro nos Estados Unidos e na Europa, além da balança comercial por aqui (15h), com coletiva de Alckmin na sequência. Depois de uma espécie de rali patriótico das petrolíferas com a operação de Trump na Venezuela, a tendência é de acomodação nos negócios, com a volatilidade absorvida e as chances aparentemente esvaziadas de uma escalada no conflito militar. A crise de Maduro continuará no radar, mas tende a ser operada daqui para frente em stand by. No cenário doméstico, a novela do Master volta com novos capítulos, depois de o ministro Jhonatan de Jesus ter autorizado o TCU a fará inspeções com “máxima urgência” nas dependências do BC para apurar todos os passos dados no âmbito do processo de liquidação do banco.


CADA UM NO SEU QUADRADO – A inspeção determinada pode ocorrer esta semana, segundo fontes do Broadcast, e levanta questionamentos sobre os limites de atuação do TCU, com críticas de que estaria extrapolando competência.


… O TCU quer ter acesso à íntegra do processo, para avaliar se a autarquia se precipitou ao determinar a liquidação.


… Em reação, o setor financeiro assinou nota conjunta ontem, defendendo a atuação do BC, reiterando a “plena confiança” nas decisões técnicas e reforçando a importância de preservar a independência da autarquia.


… Entre as 11 entidades signatárias do documento de apoio ao BC, estão representantes de bancos, fintechs e cooperativas de crédito, como a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), a Febraban e a Zetta.


… Auditores do BC observam que a inspeção é incomum e amplia a insegurança jurídica, na medida em que “adentra em matéria de mérito regulatório e de aspecto correicional, atípica de tratamento por órgãos dessa natureza”.


… “Ao tratar o regulador como foco de apurações, cria-se precedente que fragiliza a supervisão bancária, compromete a previsibilidade regulatória e afeta a confiança no sistema financeiro”, diz a associação de auditores.


… Ao Estadão, especialistas e técnicos do próprio TCU defendem que o tribunal não poderia interferir na liquidação determinada pelo Banco Central e muito menos agir para tentar reverter a decisão da autoridade monetária.


… Mesmo o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado, que provocou o Tribunal  a investigar se houve falha ou negligência do BC, lembra da linha divisória de competência que não deve ser cruzada.


… “Não é possível ‘desliquidar’ o Master. Apenas verificar se o Bacen agiu corretamente”, esclareceu.


… Também o coordenador do Observatório do TCU da FGV-SP, André Rosilho, concorda que entrar no mérito da liquidação do banco é um assunto que está fora do horizonte de atuação específica do controle de contas.


… Para o ex-conselheiro do Cade e professor da FGV-SP Cleveland Prates, a ofensiva do ministro do TCU extrapola as competências do tribunal e representa um risco sistêmico para todo o sistema financeiro do País.


… De seu lado, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, disse que “não paira qualquer dúvida” sobre a competência da Corte em fiscalizar o BC, sem prejuízo da autonomia técnica e decisória do Banco Central.


… O temor no mercado é de que o TCU abra brecha para Vorcaro reverter a liquidação ou ser indenizado pelo caso.


REI MORTO, REI POSTO – Em entrevista à NBC News na noite de ontem, Trump descartou eleições na Venezuela durante os próximos 30 dias, alegando que o país precisa antes ser “consertado” durante a transição de poder.


… Ele destacou que um grupo de autoridades americanas, incluindo Rubio e JD Vance, irá supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela e, indagado quem estaria no comando final, respondeu: “Eu”.


… Trump disse que a presidente interina, Delcy Rodríguez, formalmente empossada ontem, está cooperando, depois de os Estados Unidos terem ameaçado com um novo ataque, caso Caracas não aceite as exigências americanas.


… Trump ordena a abertura do mercado de petróleo venezuelano às indústrias americanas, o que fez a festa das petrolíferas ontem em NY, enquanto o barril da commodity subiu com a tensão geopolítica em primeiro plano.


… Mas o temor de oferta global saturada logo deve voltar a influenciar o petróleo, aliviando os preços.


… Para o Brasil, particularmente, especialistas no Valor dizem que o tarifaço é um ponto de alerta na reação à Venezuela. Cálculos do MDIC apontam que 22% dos produtos brasileiros exportados seguem com a cobrança de 50%.


… Na solenidade que o Planalto prepara para quinta-feira em defesa da democracia, três anos após os ataques de 8 de janeiro, o governo pode ampliar a pauta para soberania, após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.


… Ainda no evento, Lula planeja anunciar o veto ao projeto da dosimetria, que reduz a pena de Bolsonaro e outros condenados na trama golpista. Aliados do governo, porém, têm aconselhado o presidente a vetar em outro data.


… Eles temem que, ao oficializar a decisão do veto justamente no 8 de janeiro, Lula provocará ainda mais ruído com o Congresso, acirrando a relação turbulenta. Alcolumbre e Motta ainda não confirmaram presença na cerimônia.


MAIS AGENDA – O aumento das exportações do setor agropecuário e da indústria extrativa deve elevar o superávit da balança comercial brasileira (15h) a US$ 7,1 bi em dezembro, após saldo positivo de US$ 5,842 bi em novembro.


… O intervalo das projeções em pesquisa Broadcast varia de US$ 5,0 bilhões a US$ 8,0 bilhões. Para o acumulado de 2025, a mediana aponta superávit de US$ 65,0 bilhões, abaixo do registrado em 2024 (US$ 74,6 bilhões).


… Os dados serão comentados por Alckmin na abertura da entrevista coletiva, às 15h15.


… À primeira hora do dia (5h), sai a inflação paulistana do IPC-Fipe, que deve acelerar para 0,35% em dezembro, após alta de 0,20% em novembro. O indicador deve encerrar 2025 em 3,87%, abaixo da alta de 4,68% em 2024.


LÁ FORA – A leitura final de dezembro do PMI/S&P Global composto sai hoje na Alemanha (5h55), zona do euro (6h), Reino Unido (6h30) e nos Estados Unidos (11h45). O Fed boy Tom Barkin fala sobre previsões econômicas às 10h.


… O investidor acompanha as novidades da Consumer Electronic Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, em Las Vegas, com expectativa para o lançamento pela Intel do Panther Lake, novo chip de IA para laptops.


SOBROU – A invasão americana repercutiu em Petrobras ON (-1,67%, a R$ 31,76) e PN (-1,66%, a R$ 30,20). Segundo o Painel S/A, da Folha, a Venezuela deverá ser pauta da próxima reunião do Conselho de Administração, no dia 16.


… Nos bastidores da estatal, a preocupação é de que a queda no preço do petróleo e um eventual aumento da competição no futuro com o óleo da Venezuela levem a companhia a ter que revisar seu plano de investimentos.


… Apesar dos impactos da crise venezuelana sentidos pelos papéis da Petrobras, o Ibovespa seguiu os índices em Nova York e subiu 0,83%, para 161.869,76 pontos, com bom volume de negócios, de R$ 22,5 bilhões.


… Vale ON (+1,02%, a R$ 73,12) e os grandes bancos garantiram o sinal positivo. Bradesco PN disparou 4,23% (R$ 18,97), seguido por Itaú PN (+1,46%, a R$ 39,72); BB ON (+0,92%, a R$ 21,88) e Santander Unit (+1,04%, a R$ 33,94).


… O setor de construção concentrou os maiores ganhos do índice com MRV ON (+6,09%, a R$ 8,19), seguida de Cyrela ON (+5,47%, a R$ 25,27) e Direcional ON (+5,14%; R$ 14,33).


… Brava ON (-5,76%, a R$ 15,71) também operou descolada da alta do petróleo e figurou entre as maiores baixas do dia, junto com as varejistas de roupas C&A ON (-15,71%, a R$ 10,46) e Lojas Renner ON (-2,99%, a R$ 12,98).


… O dólar teve um pico de alta pela manhã, quando testou os R$ 5,45, mas logo o apetite por risco nos mercados globais falou mais alto, com a moeda registrando o 3º dia seguido de baixa (-0,37%), a R$ 5,4055.


… Lá fora, o índice DXY recuou 0,16%, para 98,271 pontos. O euro subiu 0,07%, a US$ 1,1727. A libra ganhou 0,62%, para US$ 1,3544. E o dólar se enfraqueceu também frente ao iene (-0,30%, a 156,38 ienes/US$).


… O movimento nos juros futuros foi similar ao do câmbio, com as taxas em alta moderada pela manhã e zerando os prêmios à tarde, em uma sessão de agenda esvaziada, com investidores à espera do IPCA fechado de 2025, na 6ªF.


… O primeiro boletim Focus de 2026 mostrou poucas variações em relação à semana passada. A projeção do IPCA/25 caiu de 4,32% para 4,31%, enquanto o IPCA/26 subiu de 4,05% para 4,06%.


… No fechamento, o DI para janeiro de 207 marcava 13,700% (de 13,699% no ajuste anterior); Jan/29 a 13,015% (13,053%); Jan/31 a 13,335% (13,322%); e Jan/33 a 13,485% (13,435%).


LEVOU O TIRO – O petróleo sentiu os efeitos da ofensiva americana à Venezuela, embora analistas sejam unânimes em apontar que a tendência da commodity é de baixa a longo prazo.


… Investidores também repercutiram a decisão de domingo da Opep+, de manter o atual ritmo de produção durante 1º trimestre, na tentativa de conter o excesso na oferta global.


… O WTI avançou 1,74% na Nymex, para US$ 58,32 o barril. E o Brent para março subiu 1,66% na ICE, a US$ 61,76 o barril.


… A Capital Economics acredita que as implicações econômicas e financeiras do ataque a Caracas, no curto prazo, são mínimas.


… Apesar do desejo de Trump de que as petroleiras americanas invistam na Venezuela, o preço baixo do petróleo e a incerteza política podem frustrar os esforços de explorar o potencial energético do país, avalia a consultoria.


QUEM VAI FATURAR – Wall Street deixou as implicações geopolíticas da atitude de Trump em segundo plano e tratou de olhar o ataque à Venezuela como uma oportunidade de negócios para as empresas americanas.


… O Dow Jones subiu 1,23% (48.977,18 pontos); o S&P 500 ganhou 0,64% (6.902,05) e o Nasdaq registrou alta de 0,69% (23.395,82).


… Nesse cenário, as companhias ligadas à infraestrutura e extração de petróleo seriam as grandes beneficiadas. Não à toa, Halliburton disparou 7,84%, junto com Chevron (+5,10%), que já tem autorização para operar no país.


… Segundo a Bloomberg, o Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, planeja conversar nesta semana com executivos da indústria sobre a revitalização do setor na Venezuela.


… O setor de defesa também brilhou, de olho na possibilidade de novas ofensivas de Trump: Lockheed Martin avançou 2,92%, Northrop Grumman teve alta de 4,38% e Leidos Holdings disparou 6,55%.


… Os grandes bancos americanos também fizeram bonito: Citi (+3,88%); Goldman Sachs (+3,73%); Morgan Stanley (+2,55%); e Bank of America (+1,68%).


… Na agenda de indicadores do dia, o PMI industrial medido pelo ISM caiu pelo terceiro mês seguido, para 47,9 pontos em dezembro, de 48,2 em novembro, menor nível desde outubro de 2024. A previsão era de alta para 48,3.


CIAS ABERTAS NO AFTER – PICPAY informou que protocolou pedido para oferta pública inicial (IPO) de suas ações ordinárias Classe A junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC)…


… Número de ações a serem oferecidas e a faixa de preço da oferta ainda não foram definidos; oferta está sujeita às condições de mercado, bem como à conclusão do processo de análise da SEC…


… Circularam informações de fontes na imprensa de que a operação pode levantar US$ 500 milhões.


PRIO produziu uma média de 155,8 mil barris de óleo equivalente por dia no mês de dezembro; total ficou 12,2% acima da média de produção no mês de novembro, segundo dados preliminares.


LOCALIZA anunciou o aumento de capital social no valor de R$ 2,065 bilhões, por meio da capitalização de parte da reserva de lucros estatutária, conforme aprovado em assembleia realizada em 29 de dezembro…


… Com a operação, o capital social da companhia passou de R$ 17,9 bilhões para R$ 19,97 bilhões…


… Foram emitidas 41,6 milhões de ações preferenciais, que serão distribuídas aos acionistas como bonificação, na proporção de 0,03846 ação PN para cada ação ordinária…


… Data de corte para ter direito à bonificação foi 29/12; frações poderão ser ajustadas até 5/2 e, após este prazo, serão agrupadas e vendidas em leilão na B3, com valores repassados proporcionalmente a acionistas…


… Adicionalmente, a companhia informou que a Capital Research Global Investors (CRGI) passou a administrar participação equivalente a 3.658.438 de ações preferenciais da Localiza…


… Isto representa 8,79% do total de papéis preferenciais de emissão da companhia; CRGI informou ainda que administra também um total de 95.151.584 de ações ordinárias, representando 8,79% do total.


MULTIPLAN assinou memorando de entendimentos (MOU) para a venda de 10% de participação no BH Shopping ao preço de R$ 285 milhões.


JHSF anunciou o aumento de capital social de R$ 13,1 milhões, decorrente do exercício de opções de compra de ações previsto no plano de opção da companhia…


… Com a operação, capital social passará de R$ 1,88 bilhão para R$ 1,89 bilhão, mediante a emissão de 2.433.352 de ações ordinárias…


… Preços de emissão variaram entre R$ 4,32 e R$ 7,68 por ação, conforme os diferentes programas do plano.


EQUATORIAL anunciou ajuste no valor por ação referente à distribuição de JCP, com base no lucro líquido apurado até 30 de setembro de 2025…


… Montante total de R$ 167,7 milhões permanece inalterado, mas valor unitário passará de R$ 0,13328049985 para R$ 0,13329262950, em razão do aumento do número de ações em tesouraria.


COPEL. GQG Partners atingiu participação de 2,37% do total de papéis de emissão, passando a deter 70.577.424 de ações ordinárias; conforme dados mais recentes, gestora não detinha participação relevante anterior na empresa.


TOTVS informou que a sua subsidiária Soluções em Software e Serviços TTS concluiu a aquisição da totalidade do capital social da TBDC pelo valor total de R$ 80 milhões.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Jonas Frederighi

 Desde já, o meu candidato. Não tem outro melhor. 



O depoimento de Tarcísio ao Estadão captura bem o constrangimento histórico: um país do tamanho do Brasil, com fronteira, comércio e influência regional, terminou assistindo de camarote à implosão do regime venezuelano — e, pior, com o Executivo brasileiro reagindo tardiamente, sem liderança e em rota de colisão com o sentimento predominante na região. Na leitura dele, a queda de Maduro encerra “um ciclo ruim” e reabre uma janela de reconstrução institucional; o Brasil, em vez de conduzir uma transição negociada, teria escolhido a omissão e a camaradagem política com o chavismo, pagando o preço de virar coadjuvante.


O raciocínio central é forte porque conecta três camadas: (1) a Venezuela como caso-limite de deterioração institucional e empobrecimento, (2) o impacto regional de um regime acusado de simbiose com o crime (narcotráfico como “chaga” geopolítica) e (3) o custo estratégico da inércia brasileira. Essa crítica ecoa uma expectativa clássica de potência regional: quando o vácuo é deixado, alguém ocupa — e, aí, a forma tende a ser mais traumática do que o conteúdo. O ponto mais duro é o rótulo de “irrelevância”: a tese é que a ausência de protagonismo não foi neutra; foi uma escolha que empurrou os acontecimentos para fora do controle regional.

Na conclusão, vale amarrar o que o debate costuma varrer para debaixo do tapete: a convergência político-ideológica que marcou ciclos de proximidade Brasília–Caracas e o “ecossistema” de relações que orbitou esse eixo. Houve, sim, políticas de aproximação, financiamento e obras que viraram símbolos — como o financiamento do BNDES para projetos do metrô de Caracas, relatado na imprensa à época , além do histórico contencioso em torno da refinaria Abreu e Lima/PDVSA . Houve também o elemento eleitoral-comunicacional: delações e reportagens apontaram pagamentos ilegais ligados à campanha de Chávez em 2012 envolvendo publicitários brasileiros, com Maduro citado como operador de entregas em dinheiro . Esse pano de fundo explica por que a narrativa de “surpresa” não convence: muita coisa foi documentada, debatida e — em vários casos — judicializada.

Em 2022, o TSE determinou remoções de conteúdos considerados ofensivos ou desinformativos contra Lula (com multas que chegaram a R$ 100 mil ao dia em casos específicos) ; e há decisões que, explicitamente, tratam como falsos áudios e postagens que falavam em “acordos” com Maduro e outros líderes regionais . Defensores enxergam proteção da integridade eleitoral; críticos veem um filtro que, na prática, estreitou associações políticas que hoje aparecem de novo no centro do debate. O chamado final, então, é simples e difícil de rebater: transparência total sobre a relação Brasil–chavismo (contratos, financiamentos, interlocuções), auditoria séria do que foi feito em nome de “integração regional” e coragem institucional para encarar o óbvio — ditaduras não caem sozinhas, e democracias não se preservam no piloto automático.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Venezuela abre semana do payroll*


Ainda na sexta-feira, sai o IPCA de dezembro


… O petróleo operava estável no fim da noite deste domingo, depois da captura relâmpago do presidente venezuelano, Nicolas Maduro. Apesar da turbulência geopolítica, a Opep+ confirmou ontem a aposta de não mexer na produção. Os mercados globais abrem sob a cautela da ofensiva de Trump, mas alguns profissionais de mercado não descartam impacto moderadamente positivo nos negócios domésticos. A operação militar agita o início da semana importante em indicadores, com destaque na agenda para o payroll e o IPCA de dezembro na sexta-feira. O Conselho de Segurança da ONU convocou reunião de emergência para hoje (12h), que terá participação do Brasil.


WELCOME TO THE JUNGLE – Na reação ao interesse estratégico norte-americano, que prevaleceu sobre a soberania venezuelana, Lula foi confrontado a responder à ação, mas fez uma ginástica para evitar atrito direto com Trump.


… Em publicação no X, não citou nominalmente o presidente dos Estados Unidos, mas condenou os atos.


… Disse que “ultrapassam uma linha inaceitável, numa afronta gravíssima à soberania e precedente extremamente perigoso a toda a comunidade internacional”, mas disse que o Brasil “segue à disposição para promover o diálogo”.


… O governo Lula, que não chancelou as eleições que mantiveram Maduro no poder, vem tentando se colocar como interlocutor entre a Venezuela e os Estados Unidos, até agora sem respaldo, porém, de nenhuma das partes.


… No domingo, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram um comunicado conjunto, manifestando “profunda preocupação” com as ações que ameaçam a estabilidade da América Latina.


… Em ano eleitoral, o que se vê é Lula tentando modular o tom nesta crise internacional, já antecipando que a pauta da derrubada do regime de Maduro pelos americanos deverá ser amplamente explorada pela oposição em Brasília.


… Politicamente, a direita e o Centrão vão colar a imagem de Lula à ditadura venezuelana, acirrando a polarização.


… Em relação aos reflexos da crise sobre os mercados globais, analistas preveem, no máximo, volatilidade momentânea sobre o petróleo, já que hoje a Venezuela produz apenas 1% de toda a commodity global.


… A importância econômica do país diminuiu significativamente nos últimos 50 anos, considerando que, na década de 1970, a produção correspondia a 8% da oferta global, com 3,5 milhões de bpd contra 1 milhão atualmente.


… Apesar de estar em guerra declarada com o narcotráfico, Trump admitiu após a captura de Maduro o interesse no petróleo e disse que o governo de transição será bancado pelas exploração das maiores reservas do mundo.


CAIU DE MADURO – Sem dar mais detalhes e nem prazos, Trump disse que as forças de segurança dos Estados Unidos vão permanecer na Venezuela “até uma transição segura, adequada e criteriosa”, e alertou a vice de Maduro.


… Disse para a revista The Atlantic que Delcy Rodríguez pode pagar um preço maior do que o líder deposto “se não fizer o que é certo”, horas depois de ela ter dito que a Venezuela defenderia os seus recursos naturais.


… A bordo do Air Force One, na noite deste domingo, Trump disse que os EUA “estão no comando” da Venezuela.


… O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, enfatizou que o governo de Washington manterá o bloqueio sobre as exportações de petróleo venezuelano com o objetivo de “enquadrar” a vice de Maduro.


… As Forças Armadas da Venezuela reconheceram a posse de Delcy como presidente interina do país.


… Já a oposição venezuelana afirma que o presidente de direito é o exilado Edmundo González Urrutia. Trump afastou a chance de a líder da oposição e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, assumir o cargo.


… A deposição de Maduro levanta a lebre sobre até onde Trump está disposto a ir na política externa. “O que aconteceu na Venezuela poderá acontecer com outros que não sejam justos com seu povo”, disse o republicano.


… Potencial próxima da lista, a Colômbia foi classificada de “vizinho doente que gosta de vender cocaína aos Estados Unidos”. No aviso em dois, Trump disse de que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “não ficará muito tempo”.


… Também paira um alerta sobre uma possível intervenção no Irã para tirar à força o líder supremo Ali Khamenei.


… Aliada do regime de Maduro e importante compradora de petróleo da Venezuela (80% do volume produzido por lá), a China pediu a libertação imediata do líder venezuelano, levado para um centro de detenção federal em NY.


… Apesar de Pequim condenar a ação, Trump disse que a Venezuela não atrapalha o “bom relacionamento” com Xi.


EFEITO CARACAS – O mercado acredita que o ataque à Venezuela deve ter impacto neutro a positivo por aqui.


… Para o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, a operação reforça a percepção de que a América Latina caminha para “liberdade econômica e desenvolvimento através do setor privado, e não do estatismo ou do populismo”.


… Otimista, ele disse ao Broadcast que a prisão de Maduro tende a destravar fluxos de capital de médio e longo prazo, com expectativa é de que a entrada de dólares derrube os juros locais e sustente o Ibovespa.


… Na avaliação do economista-chefe da Equador Investimentos, Eduardo Velho, dificilmente haverá escalada no conflito e a operação militar encerra as incertezas sobre quando os Estados Unidos iriam atacar a Venezuela.


MAIS AGENDA – Ponto alto da semana, o payroll de dezembro, atrasado pelo shutdown, sai na sexta-feira e, antes dele, a situação do emprego será conferida na quarta-feira pelo relatório Jolts e pesquisa ADP do setor privado.


… A aposta principal e ampla do mercado é de que o Fed não mexerá no juro agora em janeiro. No sábado, a dirigente Anna Paulson sugeriu cortes mais adiante e disse estar “cautelosamente otimista” com o alívio da inflação.


… Hoje, ao meio-dia, sai nos Estados Unidos o PMI industrial de dezembro medido pelo ISM.


BIG TECHS – Entram no radar dos investidores hoje os discursos dos CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da AMD, Lisa Su, em evento em Las Vegas, que podem direcionar as expectativas do mercado financeiro para o setor de chips.


ZONA DO EURO – Tem inflação do CPI de dezembro na quarta-feira e o índice de preços ao produtor (PPI) no dia seguinte. Amanhã, o PMI composto é destaque no bloco europeu, na Alemanha e no Reino Unido.


UCRÂNIA X RÚSSIA – Ao longo da semana, estão marcadas conversas em Paris para discutir um plano de paz e garantias de segurança. As negociações contarão com a presença de Zelensky e de lideranças europeias.


… Questionado por um jornalista sobre a ação na Venezuela, o presidente ucraniano disse que, “se é possível lidar assim com ditadores, então os EUA sabem o que fazer a seguir”, sugerindo uma possível intervenção na Rússia.


OPEP+ – Seguindo à risca o entendimento de novembro, quando os membros concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março, o cartel e seus aliados confirmaram a pausa neste domingo.


… A decisão ocorre após os preços do petróleo terem caído quase 20% no ano passado, a maior queda anual desde 2020, em meio a preocupações crescentes com o excesso de oferta. A Opep+ volta a se reunir dia 1 de fevereiro.


CHINA HOJE – A atividade do setor de serviços cresceu no ritmo mais lento em seis meses em dezembro. O PMI/S&P Global caiu para 52,0, de 52,1 no mês anterior, menor valor desde junho, mas ainda em território de expansão.


… Na noite de quinta-feira (22h30), o foco de interesse se volta para a inflação chinesa (CPI e PPI) de dezembro.


JAPÃO HOJE – O PMI industrial medido pelo setor privado avançou de 48,7 pontos em novembro para 50 pontos em dezembro. O resultado encerrou um período de cinco meses de contração da atividade econômica no país.


AQUI – Interessam o IPCA de dezembro, na sexta-feira, e a produção industrial de novembro, na quinta-feira, enquanto o emprego forte pressiona a inflação de serviços e consolida as apostas de corte da Selic só em março.


… Hoje, sai o IPC-S de dezembro, às 8h, que deve desacelerar para 0,22%, após alta de 0,28% em novembro. Os recuos esperados para alimentos e passagens aéreas devem aliviar os preços. As projeções vão de 0,21% a 0,30%.


… Ainda segundo pesquisa Broadcast, a mediana das estimativas do mercado indica para esta segunda-feira, às 15h, um superávit comercial de US$ 7,1 bilhões em dezembro, após saldo positivo de US$ 5,842 bilhões em novembro.


… As previsões para esta leitura da balança comercial variam de US$ 5,0 bilhões a US$ 8,0 bilhões.


… Na quinta-feira, Lula realiza evento no Palácio do Planalto para lembrar os ataques golpistas de três anos atrás.


SEM PRESSÃO – Depois do tombo de 1,43% na última sessão de 2025, o dólar continuou ladeira abaixo no primeiro dia de negócios de 2026, e fechou em baixa de 1,16%, a R$ 5,4256. No acumulado da semana, recuou 1,91%.


… O movimento nesses dois dias foi visto por operadores como um ajuste técnico, com o câmbio se acomodando ao novo cenário eleitoral e agora livre da pressão sazonal de remessas de lucros para o exterior.


… Afinal, boa parte da alta de 2,89% da moeda em dezembro foi provocada pelo “Flávio Day” e seus desdobramentos, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência sendo ratificada por seu pai.


… O alívio no câmbio também reflete o quadro de carry trade favorável por mais tempo. Os dados resilientes de emprego divulgados no apagar das luzes de 2025 enterraram as apostas de início de corte da Selic em janeiro.


… A queda expressiva do dólar determinou o comportamento dos juros futuros, em uma sessão de liquidez reduzida, sem novidades no noticiário político e sem indicadores econômicos relevantes.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,700%, na mínima do dia (de 13,803% no ajuste anterior); Jan/29, 13,060% (de 13,192%); Jan/31, 13,330% (de 13,472%); e Jan/33, 13,455% (de 13,589%).


FILÉ MAL-PASSADO – As ações de frigoríficos pesaram sobre o Ibovespa no primeiro pregão do ano. O mercado não digeriu bem a decisão do governo chinês de estipular cotas de importação de carne bovina de vários países.


… No caso do Brasil, principal fornecedor da China, a cota será de 1,106 milhão de toneladas neste ano. É 26% menor que o montante exportado do Brasil em apenas 11 meses de 2025 (1,499 milhão de toneladas).


… O Ibovespa fechou em baixa de 0,36%, aos 160.538,69 pontos, com giro expressivo para essa época do ano, de R$ 24 bilhões. Na semana, o índice fechou estável (+0,05%).


… Minerva ON (-6,77%, a R$ 5,37) foi a maior queda do índice, enquanto MBRF ON (-1,70%, a R$ 19,64) reduziu as perdas perto do fechamento, mas ainda ficou no vermelho. Em NY, a ação da JBS caiu 1,66% (US$ 14,18).


… A lista de maiores baixas trouxe ainda Cyrela ON (-3,77%, a R$ 23,96), que anunciou novas ações PN conversíveis e resgatáveis, além de um aumento de capital de R$ 2,5 bilhões; e Direcional ON (-3,47%, a R$ 13,63).


… Entre as blue chips de commodities, Petrobras ON (-0,83%, a R$ 32,30) e PN (-0,36%, a R$ 30,71) seguiram o sinal negativo do petróleo. Vale ON (+0,58%, a R$ 72,38) oscilou bastante, mas terminou no positivo.


… As ações de grandes bancos fecharam majoritariamente em baixa: Itaú PN (-0,15%, a R$ 39,15); BB ON (-1,09%, a R$ 21,68); e Santander Unit (-0,97%, a R$ 33,73). Já Bradesco PN subiu 0,16% (R$ 18,22).


… Na lista de maiores altas do índice figuraram GPA ON (+4,21%, a R$ 3,96); SLC Agrícola ON (+3,67%, a R$ 14,79) e CVC ON (+1,85%, a R$ 2,20).


SEGUROU A ONDA – As bolsas americanas não definiram tendência na primeira sessão de 2026, com investidores cautelosos, à espera do nome do substituto de Jerome Powell e de novos dados da economia.


… O Dow Jones começou o ano em alta de 0,66% (48.382,39 pontos); o S&P 500 subiu 0,19% (6.858,47), enquanto o Nasdaq ficou de lado (-0,03%, 23.235,63 pts). Na semana, os índices caíram 0,67%, 1,03% e 1,51%, respectivamente.


… Entre os destaques negativos do dia, Tesla caiu 2,59% após perder a liderança mundial nas vendas de veículos elétricos para a chinesa BYD. A companhia de Elon Musk entregou menos carros do que o esperado no 4TRI25.


… Já Intel (+6,72%) ficou entre as maiores altas, embalada pela expectativa do lançamento do novo chip “Panther Lake”. Outras fabricantes de chips pegaram carona na rival: Micron (+10,5%) e AMD (+4,35%).


… Tirando Nvidia (+1,26%) e Alphabet (+0,69%), o primeiro pregão de 2026 foi ruim para as sete magníficas. Além da Tesla, caíram Microsoft (-2,21%), Amazon (-1,87%), Meta (-1,47%) e Apple (-0,31%).


… No câmbio, o dólar subiu frente aos pares (DXY, +0,15%, aos 98,472 pontos) diante da expectativa de manutenção dos juros pelo Fed em janeiro, com o euro em baixa de 0,26% (US$ 1,1717) e a libra em -0,12% (US$ 1,3451).


DE LADO – O petróleo fechou em leve baixa na 6ªF, em sessão de poucos negócios, com o investidor monitorando as tensões geopolíticas (horas antes do ataque-surpresa à Venezuela) e em compasso de espera pela reunião da Opep+.


… O Brent para março recuou 0,16% na ICE, para US$ 60,75 o barril. Na semana, ganhou 0,26%.


CIAS ABERTAS NO AFTER – As ações da União Pet, resultante da fusão da PETZ e Cobasi, começarão a ser negociadas na B3 nesta segunda-feira (5), sob o código AUAU3.


TIM anunciou a retificação do valor bruto por ação a ser pago como JCP até 30 de junho deste ano, de R$ 0,1755 por ação para R$ 0,1757; montante total de R$ 420 milhões permanece inalterado.


CNS. Transnordestina Logística (TLSA), empresa do grupo, nomeou Ismael Trinks como diretor-presidente, diretor de administração e finanças e diretor de RI, em substituição a Tufi Daher Filho, que ocupava os cargos anteriormente…

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


NY +0,2% US tech -0,2% US semis +4% UEM +1% España +1,1% VIX 14,5% Bund 2,90% T-Note 4,18% Spread 2A-10A USA=+71pb B10A: ESP 3,34% PT 3,20% FRA 3,62% ITA 3,57% Euribor 12m 2,245% (fut.2,462%) USD 1,169 JPY 183,6 Ouro 4.420$ Brent 60,4$ WTI 56,9$ Bitcoin +3,9% (92.427$) Ether +4,2% (3.156$).


SESSÃO: A atividade regressa, acompanhada da abundante macro provavelmente positiva e petróleo mais barato da Venezuela. Provável subida mais energética do que os futuros indicam à primeira hora (+0,5% Europa e +0,2% Wall St.). Poderíamos pensar em, no mínimo, +1%, e a tecnologia mais, tanto pelo FOMO como pela mudança na Venezuela tornar o petróleo mais barato (menos custos, menos inflação) e permite pensar em investimentos para reconstruir a sua economia.


Wall St. +16% em 2025, +23% em 2024 e +24% em 2023… e essa inércia favorece uma abertura em alta em 2026, pelo menos enquanto não surgem ameaças imediatas. As 3 principais chaves são a IA, as descidas de taxas de juros da Fed e lucros empresariais expansivos de duplo dígito baixo, em termos gerais. As notícias sobre a IA continuam a empurrar o mercado a curto prazo (semis +4% na sexta-feira), embora possa chegar a tornar-se um presente envenenado à medida que o ano avança, se alguma das empresas especializadas no seu desenvolvimento saírem à bolsa com avaliações ambiciosas. Mas isso ainda não aconteceu e sobram meses de tranquilidade relativa até então. De momento, na sexta-feira (2), Biren, designer de chips para IA, saiu à bolsa em HK a duplicar o seu preço de OPV (42,9HK $ vs. 19,60HK $ de saída).


A frente macro reativa-se esta semana, com inflação europeia e emprego americano com eixos principais, embora acompanhados de outros indicadores não tão influentes, mas também influentes: Sentimento Investidor na Europa, enquanto nos EUA teremos ISM Industrial, Custos Laborais, Produtividade e Ganhos Pessoais. De que forma esta macro abundante influenciará? Provavelmente em positivo, porque a inflação europeia irá retroceder (+2,0% vs. +2,1%), embora não seja fácil interpretar o emprego americano devido à rutura tenológica que a IA provoca (adiam-se contratações até comprovação dos ganhos de produtividade) e as distorções na receção de dados durante e depois do encerramento do governo. Mas o mercado irá conceder à Fed o benefício da dúvida, mantendo a sua fé em mais descidas de taxas de juros. E a mudança na Venezuela irá tornar o petróleo mais barato, o que reduzirá as escassas tensões inflacionistas e permite pensar numa reconstrução económica que deverá ajudar um pouco o tom do mercado.


CONCLUSÃO: O FOMO (Fear Of Missing Out) continuará a dominar visto que ninguém quer arriscar-se a ficar de fora, porque perder um hipotético arranque de ano em alta pode significar ficar numa posição delicada para o resto do ano, talvez difícil de recuperar. Se subir hoje, pode ser +1%/+2%, e a mudança na Venezuela contribuirá para essa subida, apesar das incertezas em relação aos detalhes.


FIM

Simon Schwartzman