segunda-feira, 24 de março de 2025

Amilton Aquino

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 "Vamos traduzir a “reforma do IR” do governo para isentar quem ganha até R$ 5 mil. À primeira vista, pode parecer uma medida justa - cobrar mais de quem ganha mais para aliviar quem ganha menos. Na prática, porém, o governo está reduzindo o percentual de contribuintes dos atuais 20% da população economicamente ativa para algo próximo de 5%, indo na contramão das boas práticas e se distanciando ainda mais de países fiscalmente responsáveis, como a Alemanha, onde 90% da população adulta paga imposto de renda.


Mas isso não é o pior. A medida não atinge nem a elite do funcionalismo público nem os mega bilionários. Vamos começar pelos beneficiados com a isenção. A linha divisória dos R$ 50 mil mensais foi estabelecida pouco acima do teto constitucional dos ministros do STF (R$ 44 mil atualmente), já antecipando uma margem para o próximo aumento. Além disso, a proposta isenta expressamente os penduricalhos que elevam os salários de juízes e procuradores muito além do limite da isenção.


Bom, pelo menos a reforma vai tributar os mega bilionários, certo?


Muito menos do que se espera. A taxação extra incide progressivamente sobre quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano. Passando desse limite, a aliquota é limitada a 10%. Ou seja, o peso da tributação recai sobre uma faixa reduzida de contribuintes. Os mais ricos de fato (os 1%, os bilionários) seguirão fazendo planejamento tributário e espalhando seu patrimônio por diversos países, escapando dessa tributação, que, na prática, recai sobre dividendos, algo que pode esbarrar no lobby que será feito no Congresso.


Portanto, toda essa engenharia tributária atinge justamente a parcela mais produtiva da população, aquela que gera empregos, assume riscos e carrega o país nas costas. Isso pode ter efeitos ainda mais nocivos sobre nosso já baixo nível de investimentos. No mínimo, muitos podem simplesmente desistir do Brasil.


Além disso, o governo está abrindo mão de uma receita certa (provavelmente subestimada em R$ 27 bilhões) para apostar em uma compensação fiscal que pode não se concretizar como esperado, tornando o equilíbrio das contas públicas ainda mais difícil. Apenas mais do mesmo de um governo que se preocupa mais com a próxima eleição que com as próximas gerações."

Isso não é justiça

 https://www.estadao.com.br/opiniao/isso-nao-e-justica/?srsltid=AfmBOormOSjRG8aggyJP7rFavfgZm5yDsfgmYErzZmU9Rff-sk8IkVWp


*Isso não é justiça*


_Moraes condena uma cidadã que nem sequer deveria ter sido julgada pelo STF a 14 anos de prisão por causa de uma pichação com batom, num flagrante exagero que desmoraliza o Judiciário_


Na tarde de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes votou para condenar a sra. Débora Rodrigues dos Santos a 14 anos de prisão. A cabeleireira de Paulínia, cidade do interior de São Paulo, não cometeu um crime de sangue. Tampouco aplicou um grave golpe na praça ou desviou milhões de reais em recursos públicos, como tantos que caminham livremente pelas ruas País afora. Armada com um batom, a ré pichou, na estátua da Justiça em frente à sede da Corte durante os atos golpistas no 8 de Janeiro, os dizeres “Perdeu, mané” – uma referência à infeliz frase dita pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, a um bolsonarista que o admoestou em Nova York, em novembro de 2022. No mundo da justiça e da sensatez, foi este, e apenas este, o seu crime.


Já para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para o ministro Alexandre de Moraes, Débora dos Santos praticou cinco delitos gravíssimos: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; tentativa de golpe de Estado; associação criminosa armada; dano qualificado contra o patrimônio da União; e deterioração de patrimônio público tombado. Nada menos. Como exatamente ela praticou cada um deles tendo se comportado como se comportou naquele dia fatídico, parece não ter importância. Presa preventivamente, por ordem de Moraes, desde 17 de março de 2023, a ré agora está prestes a receber uma pena – caso a decisão do relator seja confirmada por seus pares – que ultrapassa, e muito, as penas a que foram condenados criminosos muito mais perigosos do que ela para a sociedade. Por si só, isso abala ainda mais a já desgastada imagem do STF aos olhos de muitos brasileiros de boa-fé que acompanham, atônitos, a forma como o STF tem conduzido os julgamentos dos atos golpistas.


Não resta a menor dúvida de que, por ter praticado atos tipificados como crimes pela legislação penal em vigor no País, Débora dos Santos deveria mesmo receber uma sanção judicial após o transcurso do devido processo legal – que, a rigor, deveria ter começado no foro indicado, qual seja, a primeira instância, e não a última, o que impede que a uma cidadã sem prerrogativa de foro seja plenamente assegurado o direito ao duplo grau de jurisdição. Mas a qualquer pessoa minimamente sensata, imbuída de boa-fé e, sobretudo, senso de justiça, uma pena tão draconiana como a imposta à ré pelo ministro Alexandre de Moraes não passa nem sequer por razoável, que dirá por justa. Lamentavelmente, e não apenas para o STF, mas para todo o País, senso de justiça é o que faltou ao sr. Moraes no julgamento desse caso.


Não há virtude maior para um juiz do que o senso de justiça. No julgamento de um caso concreto, o magistrado não se limita – ou não deveria se limitar – à aplicação mecânica da lei. Julgar implica um exame profundo das circunstâncias e das consequências da decisão a ser tomada, a culminação de uma exegese equilibrada que não por acaso tem uma balança como símbolo. Ao se debruçar sobre as provas trazidas aos autos e ouvir os argumentos da acusação e da defesa, um juiz há de ter a habilidade de enxergar além da letra da lei. Chega a ser constrangedor para este jornal ter de colocar essas palavras no papel diante de um caso sendo julgado por nada menos do que a mais alta instância judicial do País.


Malgrado não ser, como já foi dito, a sede adequada para o julgamento de Débora dos Santos e tantos outros cidadãos envolvidos no 8 de Janeiro que não têm foro especial por prerrogativa de função, ainda há tempo para que o colegiado do STF corrija a flagrante injustiça do ministro Alexandre de Moraes. Deveria ser ocioso dizer que a aplicação da lei deve ser feita com equilíbrio, razoabilidade e sensatez. Nada disso há no voto condenatório do sr. Moraes.


No caso concreto de Débora dos Santos, o STF deve refletir profundamente sobre a real gravidade de sua conduta, da qual a ré já se desculpou por escrito tanto à Corte como à Nação. A um tempo, o Supremo não só preservará a função social da pena, como evitará uma sobrecarga punitiva que mais parece um recado simbólico do que, de fato, um ato de justiça."

Domingo, 2303

 Leitura de Domingo: Governo consegue maior liberdade para remanejar recursos no Orçamento


15:00 23/03/2025 


Por Giordanna Neves, Gabriel Hirabahasi e Victor Ohana


Brasília, 20/03/2025 - O governo federal obteve uma vitória na tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025 ao garantir a possibilidade de remanejar até 30% dos recursos discricionários - de um montante R$ 100 bilhões, excluindo emendas parlamentares - sem necessidade de negociação com o Legislativo. Inicialmente, os congressistas tentaram reduzir esse porcentual para 20%, mas acabaram cedendo ao Executivo na fase final da negociação.


Além disso, o governo conseguiu manter maior flexibilidade no remanejamento de recursos dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A proposta original previa que até 25% dos recursos do programa poderiam ser realocados livremente pelo Executivo. O relator do Orçamento, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), chegou a propor a redução desse limite para 10%, mas, ao final, manteve o texto inicial.


Na prática, quanto maior a margem de manobra do governo sobre os recursos orçamentários, menor a dependência de negociações com o Congresso, o que reduz o poder de barganha dos parlamentares. A manutenção do percentual de 30% possibilita, por exemplo, que o governo destine recursos ao programa educacional Pé-de-Meia sem precisar, necessariamente, enviar um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN), que exigiria aprovação legislativa. Caso o limite de remanejamento tivesse sido reduzido para 10%, o Executivo não teria espaço suficiente para realocar os recursos e dependeria de aval dos parlamentares.


Por outro lado, o Congresso retirou do texto um dispositivo que permitiria a abertura de crédito suplementar, por ato do Executivo, para a "Integralização de cotas pela União em Fundo Privado com o Objetivo de Custear e Gerir Poupança de Incentivo à Permanência e Conclusão Escolar para Estudantes do Ensino Médio". Com essa exclusão, qualquer liberação de crédito para o Pé-de-Meia precisaria ser autorizada pelo Congresso por meio de um PLN.


O Broadcast apurou, no entanto, que o governo ainda não definiu se apenas o remanejamento livre de recursos seria uma alternativa viável para resolver a pendência do Pé-de-Meia sem a necessidade de enviar um PLN. Isso porque há uma incerteza jurídica sobre se essa solução atenderia à exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o governo encontre uma “solução legislativa” para incluir o programa no Orçamento.


Em decisão de 12 de fevereiro, a Corte de Contas estabeleceu que o governo deve adequar o Pé-de-Meia às regras orçamentárias dentro de 120 dias. Até que o Congresso delibere sobre o tema, o programa poderá continuar sendo executado fora do Orçamento.


Nos bastidores do Legislativo, técnicos reconhecem que o programa pode não ser incluído no Orçamento deste ano. Mesmo que seja incorporado, o valor tende a ser bastante reduzido, já que, até lá, o Pé-de-Meia continuará sendo operado fora do Orçamento, conforme permitido pelo TCU.


A expectativa é de que o governo encaminhe a proposta de ajuste dentro do prazo determinado pelo TCU, mas sem garantia de uma tramitação rápida no Congresso. Enquanto isso, o programa segue sendo executado fora do Orçamento. O PLOA destinou R$ 1 bilhão para o Pé-de-Meia, mas a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira (Conof) da Câmara estima que há cerca de R$ 10 bilhões em recursos do programa que não passaram pela peça orçamentária.

sexta-feira, 21 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 2101

 *Rosa Riscala: Agenda vazia encerra semana dos BCs*


… A Rússia faz a última reunião de política monetária da semana (7h30), que teve direito até mesmo a uma reunião surpresa do BC turco para subir o juro (de 44% para 46%), após a lira atingir baixa recorde em relação ao dólar com a prisão de um rival de Erdogan. Os resultados dos demais BCs repercutiram nesta 5ªF, com investidores em NY desconfiando do otimismo de Powell e, aqui, com um ajuste forte ao Copom, que veio mais hawk do que o precificado pelo mercado. A agenda de hoje é esvaziada, com destaque para a fala do Fed boy John Williams em conferência do Caribe (10h05) e a confiança do consumidor na zona do euro (12h). Os EUA não têm nada previsto, assim como o Brasil. Sem confirmação, a Receita pode divulgar a arrecadação federal de fevereiro, que deve crescer com a atividade.


… Estimativas apuradas em pesquisa Broadcast apontam para um resultado entre R$ 147,202 bilhões a R$ 304,700 bilhões, com mediana de R$ 207,6 bilhões. Se confirmado, o montante representa um aumento de 2,3% sobre os dados de fevereiro/2024.


… A arrecadação ajuda o governo Lula a exibir dados fiscais positivos, que são alegados por Haddad para rebater as críticas do mercado.


… Em entrevista à GloboNews na tarde de ontem, o ministro lembrou que o impulso fiscal em 2023 só ocorreu “porque nós pagamos todo o calote dos precatórios do governo anterior [de Bolsonaro]; foram quase R$ 100 bilhões e isso não aconteceu em 2024”.


… Reforçando que o governo é diligente em relação à questão fiscal, Haddad disse que compreende o mercado, que piorou sua avaliação na pesquisa Quaest desta semana. “Não sou inimigo de ninguém, converso com todo mundo, mas não posso só olhar para o mercado.”


… O ministro defendeu a reforma da renda, que ampliou a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, e disse que enfrentará a taxação dos mais ricos. “Só estamos propondo que um super rico pague uma alíquota média igual a um professor de escola pública.”


… “Nós só estamos pegando dividendos de empresas que não pagam seus impostos corretamente, no patamar previsto na legislação. Se, porventura, o CNPJ já está pagando aquele dividendo, não vai pagar nenhum imposto de renda, vai continuar isento.”


… Haddad também foi questionado sobre a decisão do Copom, que, além de ter voltado a subir a Selic para 14,25%, contratou uma nova alta para maio, embora em dose menor, deixando junho em aberto – o que foi lido como hawk por parte do mercado.


… O ministro elogiou Galípolo e disse que não esperava dele um “cavalo de pau” na gestão da política monetária. “Galípolo é uma pessoa muito séria, não só tecnicamente preparada, mas uma pessoa psicologicamente preparada para o cargo, que sofre muita pressão.”


… Segundo ele, Galípolo tem um compromisso com a coerência das medidas do BC para cumprir seu mandato, trazer a inflação à meta.


… Nesta 5ªF, o Copom surpreendeu muita gente que esperava uma mensagem mais dovish, como precificava a curva de juros, mas o fato de ter mantido o ciclo em aberto justificou um ajuste forte de alta dos prêmios na ponta curta (leia mais abaixo).


MAIS MEIO PONTO – O guidance para o próximo Copom, que contratou um aumento de menor magnitude da Selic em maio, consolidou no mercado a aposta majoritária em uma alta de 50pbs, que levaria a taxa básica para 14,75%, segundo levantamento Broadcast.


… Já a estimativa intermediária para o juro básico ao final de 2025 está mantida em 15%, variando entre 13,25% e 15,50%.


… O tom do comunicado do Copom dividiu interpretações entre os analistas, mas afastou os temores de que o BC poderia encerrar o ciclo de aperto antes do esperado. O que se viu, no entanto, foi a confirmação de que Galípolo não mudou a política monetária.


… Entre os grandes bancos, o Itaú espera mais dois aumentos de 50pbs na taxa Selic, levando o juro a 15,25% ao fim do ciclo.


… Para Silvio Campos Neto (Tendências Consultoria), “o BC não baixou a guarda e sugere que será mais dependente de dados”. Ele prevê mais uma elevação de 50pbs em maio e um último ajuste de 25pbs em junho, com a Selic encerrando a 15%.


… A ata do Copom, na próxima 3ªF, deverá permitir uma calibragem mais fina das apostas, com os detalhes sobre os efeitos defasados da política monetária, citados no comunicado, o grau de incertezas e o cenário traçado para a inflação.


HABEMUS ORÇAMENTO – O Congresso Nacional aprovou, por votação simbólica, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025, em sessão conjunta nesta 5ªF, e o texto segue para a sanção presidencial, depois de meses de atraso.


… O processo de negociação do texto foi afetado por medidas de contenção de gastos aprovadas na reta final de 2024 e, sobretudo, pela suspensão de emendas parlamentares por parte do Supremo Tribunal Federal – posteriormente retomada.


… O PLOA prevê um superávit primário de R$ 15 bilhões neste ano, com pagamentos de precatórios retirados do limite de gastos anual, e alocação de R$ 89,4 bilhões em investimentos neste ano, respeitando o piso de 0,6% do PIB destinados a esse tipo de despesa.


… O relator também aceitou investimentos em educação (R$ 167,1 bilhões) e Saúde (R$ 232,6 bilhões) acima do piso constitucional.


… Foram incluídos, a pedido do governo, R$ 3 bilhões para o Vale-Gás, R$ 8,3 bilhões para despesas previdenciárias e R$ 338,6 milhões para o seguro-desemprego, com redução de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família e de R$ 4,8 bilhões das Escolas em Tempo Integral.


… O Orçamento também fixou em R$ 50 bilhões o montante destinado às emendas parlamentares e prevê R$ 27,9 bilhões para aumento de despesas com pessoal. O governo ainda direcionou mais R$ 18 bilhões do Fundo Social para o Minha Casa, Minha Vida.


… No Estadão, o governo obteve uma vitória no PLOA/2025 ao garantir a possibilidade de remanejar até 30% dos recursos discricionários, de um montante de R$ 100 bilhões, excluindo emendas, sem precisar negociar com o Legislativo.


… Os congressistas tentaram reduzir esse porcentual para 20%, mas acabaram cedendo ao Executivo na fase final da negociação.


… Além disso, o governo conseguiu manter maior flexibilidade no remanejamento das verbas do PAC, poderá realocar livremente até 25% dos recursos do programa. O relator do Orçamento, senador Ângelo Coronel (PSD), queria reduzir esse limite para 10%.


… Isso permitirá, por exemplo, que o governo destine recursos ao Pé-de-Meia sem precisar enviar um PL ao Congresso, embora ainda não esteja definido se apenas o remanejamento livre de recursos será suficiente para resolver a pendência do programa educacional.


… O Pé-de-meia, que tem custo estimado de R$ 10 bilhões, ficou fora do Orçamento, com recursos para apenas um mês (R$ 1 bilhão).


UE ADIA RETALIAÇÕES – A União Europeia decidiu adiar até meados de abril suas possíveis tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos, segundos fontes da Associated Press. O presidente Trump aumentou as tarifas sobre aço e alumínio para 25%.


… “Posso confirmar que decidimos ajustar o cronograma das tarifas”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.


… UE pretendia impor medidas sobre produtos dos EUA no valor de cerca de 26 bilhões de euros (US$ 28 bilhões) em duas fases, nos dias 1º e 13 de abril, sobre aço, alumínio, carne bovina, aves, bourbon, motocicletas, manteiga de amendoim e jeans americanos.


… Trump também planeja impor tarifas “recíprocas”, aumentando as taxas dos EUA para igualar aos impostos que outros países cobram sobre as importações “para fins de justiça”. Espera-se que essas tarifas recíprocas sejam anunciadas em 2 de abril.


EUROPA VS EUA – Líderes europeus se reunirão em Paris, na próxima semana, para discutirem uma série de assuntos relacionados aos Estados Unidos. Além da França, Reino Unido e Alemanha, os países nórdicos estarão representados (Bloomberg).


… No Financial Times, as maiores potências militares da Europa elaboram planos para assumir responsabilidades dos EUA em relação à defesa do continente, incluindo uma proposta para a transferência gerenciada nos próximos cinco a dez anos.


… As discussões são uma tentativa de evitar o caos de uma retirada unilateral dos EUA da Otan, frente às repetidas ameaças de Trump de enfraquecer ou abandonar a aliança transatlântica que protege a Europa há quase oito décadas.


… O encontro também discutirá a situação da Ucrânia e as exigências da Rússia no processo de paz.


… Também na próxima semana, autoridades de Israel e EUA se reunião na Casa Branca para discutir questões estratégicas sobre o Irã.


… Nesta 5ªF, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, disse que o país responderá a carta do presidente Trump nos próximos dias. Segundo ele, a carta contém mais ameaças do que supostos benefícios.


AFTER HOURS – Ação da Nike caiu 5,13% em NY após a empresa revelar que espera quedas maiores das vendas com as promoções para limpar o estoque e a ação da FedEx perdeu 5,60% com lucros do 3Tri fiscal um pouco abaixo das expectativas dos analistas.


LAMBANÇA – Um discurso do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, na TV americana, estimulando os investidores a comprar ações da Tesla, na noite de 4ªF, está repercutindo como um conflito de interesses públicos e privados sem precedentes.


… No canal Fox News, Lutnick disse que Elon Musk era “a melhor pessoa em quem apostar” que ele já conheceu.


A POEIRA BAIXOU – O day after do Copom trouxe um ajuste forte nos juros futuros, contribuindo para o Ibovespa quebrar a sequência de seis altas consecutivas e voltar para baixo dos 132 mil pontos (131.954,90), em baixa 0,42%, nesta 5ªF.


… Também o dólar voltou a subir ante o real em meio a uma alta global da moeda, depois de sete sessões no vermelho.


… Se aqui o mercado absorveu a sinalização do BC de que a Selic seguirá em alta, ainda que menor, em NY o que pegou foi a reavaliação dos investidores sobre a comunicação do Fed, após a reunião que manteve os juros.


… Era para o Fed ser hawk e o Copom dove. E acabou que o Fed foi dove e o Copom, hawk.


… Para economistas do Barclays, Powell adotou um tom “excessivamente confiante” com relação à transitoriedade do impacto das tarifas nos preços, o que traz o risco de o Fed ser pego de surpresa, como ocorreu na pandemia da Covid.


… O risco de retração na economia americana, que o Fed reconhece, mas ainda não coloca na conta, também voltou a pesar.


… Assim, as bolsas em Wall Street devolveram parte do rali da véspera. O S&P 500 caiu 0,22% (5.662,92 pontos), o Nasdaq perdeu 0,33% (17.691,63 pontos) e o Dow Jones fechou praticamente estável (-0,03%), em 41.953,32 pontos.


… Certa cautela foi observada antes do “triple witching” hoje, o vencimento de opções vinculadas a ações, índices e fundos.


… O dado de auxílio-desemprego de 223 mil pedidos, abaixo dos 225 mil esperados, e ainda a alta de 4,2% nas vendas de moradias usadas em fevereiro, contra previsão de -3,2%, mostraram a resiliência da economia dos EUA, mas serviram apenas como pano de fundo.


… Tanto que os juros dos Treasuries ficaram perto da estabilidade. O rendimento da note de 2 anos recuou para 3,960% (de 3,984% na sessão anterior), o da note de 10 anos, a 4,235% (de 4,233%) e do título de 30 anos, a 4,555% (de 4,550%).


… Nos DIs, além do ajuste ao Copom, a grande oferta de títulos prefixados do Tesouro – 10 milhões de NTN-Fs e com risco maior para o mercado – adicionou pressão às taxas, em especial as médias e longas, que nos últimos dias vinham queimando prêmios.


…  No fim dos negócios, o Jan/26 subia 14,865% (de 14,720% na sessão anterior); o Jan/27, a 14,695% (de 14,400%); o Jan/29, a 14,440% (de 14,110%); o Jan/31, a 14,590% (de 14,280%); e o Jan/33, a 14,610% (de 14,620%).


… Já o dólar engatou uma valorização global, que reverberou por aqui. No Broadcast, Adauto Lima (da Western Asset) observou que uma “degringolada” da economia dos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar, por causa da aversão ao risco.


… O DXY subiu 0,41%, a 103,851 pontos, com destaque para a queda de 0,40% do euro, a US$ 1,0855. A libra chegou a ganhar fôlego depois de o BoE manter os juros em 4,50%, mas no fim cedeu 0,22%, a US$ 1,2965. O iene subiu 0,15%, a 148,775/US$.


… Com espaço para correção ante o real, o dólar à vista subiu 0,49%, a R$ 5,6758. A moeda ainda acumula baixa de 4,1% em março.


… No Ibovespa, o destaque foram os frigoríficos, que andaram na contramão do índice com altas expressivas lideradas pelo Minerva (+8,41%; R$ 6,06). A empresa teve prejuízo líquido no 4Tri, mas o crescimento da receita no período agradou.


… As tratativas para a listagem da JBS (+4,27%, R$ 40,80) na bolsa de NY também seguem animando os papéis do setor. Ainda a Marfrig subiu 6,70% (R$ 17,05) e a BRF, +1,33% (R$ 19,82).


… Petrobras virou o sinal para o positivo à tarde, em linha com o Brent. Petrobras ON, +0,46% (R$ 39,70) e PN, +0,22% (R$ 36,24). O barril subiu 1,72% na ICE londrina, a US$ 72, com sanções dos EUA ao petróleo do Irã e novos ataques de Israel à Faixa de Gaza.


… Vale cedeu 0,31%, a R$ 57,24, em linha com a queda do minério de ferro (-0,46%) em Dalian.


… Bancos recuaram: Santander (-1,59%; R$ 26,54), Bradesco ON (-1,50%; R$ 11,18) e PN (-0,48%; R$ 12,35), Itaú (-0,93%; R$ 32,08), Banco do Brasil (-0,49%; R$ 28,25). Embraer (-6,72%, R$ 73,96), Petz (-4,54%, R$ 4,42) e LWSA (-3,99%, R$ 2,65) lideraram as perdas.


EM TEMPO… BRAVA ENERGIA registrou prejuízo pró-forma de R$ 1 bilhão no 4TR24 e reverteu lucro do 4TRI23; Ebitda somou R$ 505 milhões, queda de 41% na comparação anual.


ENEVA registrou prejuízo líquido de R$ 962,6 milhões no 4TRI24, mais de 3X maior ante o 4TRI23; Ebitda ajustado somou R$ 1,242 bilhão, alta de 20% na comparação anual.


CYRELA registrou lucro líquido de R$ 497 milhões no 4TRI, alta de 100% na comparação anual; receita líquida somou R$ R$ 2,5 bilhões, crescimento de 47% em relação ao mesmo trimestre de 2023.


HYPERA registrou lucro das operações continuadas de R$ 79,5 milhões no 4TRI, queda de 74,2% na comparação anual; Ebitda das operações continuadas somou R$ 136,9 milhões, recuo de 76,4% em relação ao mesmo período de 2023…


… Empresa aprovou a distribuição de R$ 184,7 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,2925 por ação ON, com pagamento até o final do exercício social de 2026, em data a ser definida pela companhia; ex em 28/3.


MOVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 72,7 milhões no 4TRI24 e reverte prejuízo do 4TRI23; Ebitda somou R$ 1,2 bilhão, crescimento de 40,1% na comparação anual.


PETZ registrou prejuízo de R$ 43 milhões no 4Tri e reverte lucro de um ano antes. Ebitda toalizou R$ 13,9 milhões no período, queda anual de 71,4%. Receita líquida cresceu 7,1%, a R$ 878 milhões.


ESPAÇOLASER registrou lucro líquido de R$ 9,6 milhões no 4TRI, revertendo prejuízo de R$ 7,4 milhões no mesmo intervalo de 2023; Ebitda somou R$ 48,1 milhões, avanço de 9,6% na comparação anual.


BRADESCO aprovou a distribuição de JCP intermediários no valor total bruto de R$ 2,3 bilhões, o equivalente a R$ 0,2071 por ação ON e R$ 0,2278 por ação PN, com pagamento até 31/11; ex em 1º/4.


BRADESPAR. Conselho de Administração propôs a distribuição de R$ 350 milhões em dividendos complementares, o equivalente a R$ 0,8361 por ação ON e R$ 0,9197 por ação PN, com pagamento em 15/5 e ex em 28/4…


… Pagamento será discutido e votado nas Assembleias Gerais a serem realizadas em 24/4.


CEMIG aprovou a distribuição de R$ 541 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1891 por ação, com pagamento em duas parcelas (até 30/6/26 e até 30/12/26); ex em 26/3/25…


… Conselho de Administração aprovou a deslistagem das ações PN da companhia no Mercado de Valores Latino-americanos (Latibex), segmento da Bolsa de Madri (Espanha).


LOJAS RENNER aprovou a distribuição de R$ 189,5 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1877 por ação, com pagamento em 9/4; ex em 26/3.


NATURA&CO propôs incorporação da companhia em sua subsidiária integral, a Natura Cosméticos, com o objetivo de ter estrutura mais eficiente e destravar valor; CEO Fábio Barbosa deixou cargo e será presidente do Conselho da Natura Cosméticos…


… Grupo continua explorando alternativas para a Avon, incluindo potencial venda.


AZZAS aprovou a 1ª emissão de debêntures, no valor de R$ 600 milhões.


RD SAÚDE fará 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões.


DIRECIONAL informou a cisão total do fundo Filadelphia, que detém parte do grupo; com isso, seu patrimônio será vertido para duas empresas, na proporção de 50% para a PHPH e 50% para a Share, que passarão a deter 12,8% das ações cada uma…


… PHPH deterá 22.249.723 ações e Share, 22.249.722 ações.


TIM concluiu encerramento da parceria com C6.


PAPER EXCELLENCE. TJ-SP anulou decisão de primeira instância que havia decidido manter a sentença arbitral favorável à empresa na disputa pelo controle da Eldorado, da J&F, entendendo que a sentença foi “descabida”, já que o próprio tribunal suspendeu o processo.

Bankinter Portugal Matinal 2101

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado arrefeceu substancialmente após esse efeito ilusório em alta posterior à reunião da Fed e intervenção de Powell, na quarta-feira à noite. A Fed reviu em baixa as suas estimativas de PIB e em alta as de inflação, mas Powell afirmou que não há que se preocupar com o ciclo, porque não está em risco. Fracos dados objetivos face a um otimismo tranquilizador objetivo. Entende-se que é regular. E o BCE quantifica o impacto dos impostos alfandegários americanos em +0,5% inflação e -0,5% PIB, a olho nu, presume-se. Qualquer estimativa quantificada é sempre melhor do que nenhuma estimativa. Insistimos que todas as partes perdem numa guerra alfandegária; em que a ideia de que uma guerra comercial é de soma zero está errada.


HOJE o mercado continuará frio. Temos Freaky Friday (concentração de atividade a partir das 11/12 h, Fedex transmite guias fracas (-6% aftermarket), Nike margens questionáveis (-5% aftermarket), embora Micron bem (+1% aftermarket), inflação japonesa superior ao esperado (+3,7% vs. +3,5% esperado vs. +4% anterior), a previsível aprovação no Bundesrat dos 500.000M€ em infraestruturas e flexibilização do “limite de dívida” (já aprovado no Bundestag) e a Confiança do Consumidor UE (15h), que se espera -13,0 (é um índice e não uma taxa de variação) vs. -13,6, o que parece demasiado bom com a deterioração dos indicadores de sentimento que já acontece. São muitas referências pequenas e nenhuma potente, portanto o mercado deixar-se-á levar pela inércia em baixas das últimas horas.


A atenção estará em 3 referências importantes da próxima semana: na segunda-feira, PMIs em todo o mundo (que deverão começar a debilitar-se porque são de março); na terça-feira, Confiança do Consumidor americano (também deverá debilitar-se porque é de março: 94,0 esperado vs. 98,3); na sexta-feira, Deflator do Consumo PCE americano (que é de fevereiro e espera-se que repita em +2,5%, MAS a Subjacente a aumentar 1 décima até +2,7%). Portanto, teremos referências fracas sobre confiança/sentimento/ciclo e um indicador americano tendencial de preços a aumentar um pouco. Isso não agradará.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Sessão fraca com volume concentrado a partir das 11/12 h, provavelmente com bolsas a retrocederem um pouco (-0,2%?), mas deixando a sensação de arrefecimento. Talvez a yield das obrigações europeias a reduzirem-se um pouco, mas muito pouco, como efeito contrário inercial. Sem vontade, nem direção realmente definida, embora mais provavelmente em baixa.


S&P500 -0,2% Nq-100 -0,3% SOX -0,7% ES-50 -1% IBEX -0,8% VIX 19,8 Bund 2,78% T-Note 4,25% Spread 2A-10A USA=+28pb B10A: ESP 3,42% PT 3,30% FRA 3,49% ITA 3,85% Euribor 12m 2,348% (fut.2,379%) USD 1,083 JPY 162,0 Ouro 3.030$ Brent 72,1$ WTI 68,2$ Bitcoin -1,9% (84.208$) Ether -1,8% (1.973$).


FIM

quinta-feira, 20 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 2003

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem à noite, Wall St. encaixou demasiado bem as conclusões da reunião da Fed (repetiu em 4,25/4,50%, como mais do que esperado), tendo em conta que reviu o PIB em baixa (significativamente para 2025: desde +2,1% até +1,7%) e inflação (PCE) em alta (também apreciavelmente em 2025: +2,7% desde +2,5%, com Subjacente até +2,8% desde +2,5%). Por isso, a subida de Nova Iorque de ontem à noite parece um pouco ingénua e explica-se, talvez, pela confirmação de que aplicará mais 2 descidas de taxas de juros este ano (até 3,75/40%), e outras 2 em 2026, e mais uma em 2027, para terminar em 3,00/3,25%. Parece que Nova Iorque está contente enquanto as taxas de juros baixam como esperado, ignorando os restantes fatores: menos crescimento e mais inflação, advertindo a Fed no seu comunicado não só da incerteza sobre a economia a aumentar, mas também fazendo desaparecer a afirmação que incluíam até agora sobre os riscos de inflação e emprego estarem (isto é, estavam) equilibrados. O fundo que transmitiram ontem à noite parece, objetivamente analisado, claramente menos bom do que a subida de Nova Iorque expressa. É como afirmaram: “Bem, sabemos cada vez menos sobre o que acontece, provavelmente cresceremos menos e suportaremos mais inflação, mas o impacto dos impostos alfandegários será transitório e a nossa visão a longo prazo não muda, portanto continuaremos a baixar taxas de juros”. Não parece que isso justifique uma subida alegre de Wall St., mas foi o que aconteceu. 


HOJE é o dia dos indicadores de sentimento mais importantes da semana, que são os que temos de vigiar agora. Temos de os ouvir, porque entramos numa fase delicada devido à aplicação de impostos alfandegários e mudança americana face à Ucrânia. Parece que se deteriorarão, como o fez significativamente a Confiança da Universidade Michigan, na sexta-feira (57,9 desde 64,7 vs. 63,0 esperado, com sérios aumentos nas expetativas de inflação), e o Empire Manufactturing, na segunda-feira (nada menos que -20,0 desde +5,7, esperando-se -1,5). Às 12:30 h, teremos o Philly (8,5 esperado desde 18,1) e às 14 h o Leading Indicator (-0,2% desde -0,3%). Se saírem como parecem, encadearíamos 4 indicadores de sentimento em sério retrocesso desde sexta-feira, e isso seria mau. Porque estes tipos de indicadores são chamados de adiantados precisamente porque adiantam o que veremos depois nos intermédios e atrasados. E é estranho que Powell (Fed) lhes retirasse importância ontem.


HOJE também temos taxas de juros: às 08:30 h, Suíça baixará -25 p.b., até 0,25%, e às 12 h, o BoE repetirá em 4,50% depois de ter baixado -25 p.b. a 6 de fevereiro, já que a sua inflação aumentou em janeiro até +3% desde +2,5% (Subjacente em +3,7%) e a de fevereiro sairá a 26 de março, sem que haja estimativa fiável por agora. Veremos se diz algo sobre a inflação. E com isto teremos acabado o realmente importante desta semana, porque amanhã teremos referências de 2.ª linha que provavelmente não moverão o mercado.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: A subida de Nova Iorque é difícil de justificar objetivamente. Os futuros europeus vêm a retroceder um pouco (-0,2%/-0,3%), mas os americanos a subir (+0,4%). As yields das obrigações reduziram-se um pouco ultimamente e isso também é pró-bolsas. Esta divergência entre o que começam a expressar os indicadores de sentimento/adiantados, tornando-se piores, e as subidas das bolsas não nos deixam nada tranquilos. Mas parece que as bolsas aguentarão durante o resto da semana, portanto, provavelmente, esta será a primeira vez que Nova Iorque subirá depois de 4 semanas consecutivas a retroceder e bastante: -2,3%; -3,1%; -1%; -1,7% (Europa um pouco melhor, mas não demasiado: -1,2%; +0,1%; -0,2%; -0,3%). Em qualquer caso, quando não se compreende algo, é melhor se afastar um pouco.


S&P500 +1,1% Nq-100 +1,3% SOX +1% ES-50 +0,4% IBEX +0,4% VIX 19,9 Bund 2,77% T-Note 4,24% Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,39% PT 3,26% FRA 3,46% ITA 3,84% Euribor 12m 2,406% (fut.2,375%) USD 1,090 JPY 161,6 Ouro 3.049$ Brent 71,2$ WTI 67,6$ Bitcoin +0,5% (85.777$) Ether -1,2% (2.012$).


FIM

BDM Matinal Riscala 2003

 *Rosa Riscala: BC ajusta guidance e desacelera alta da Selic*


… O PBoC da China manteve as taxas das LPRs de 1 ano em 3,1% e de 5 anos em 3,6%, no final da noite, horas após o Fed afirmar que as tarifas de Trump devem atrasar o processo de desinflação nos EUA e causar crescimento menor. As incertezas justificaram a decisão de deixar o juro americano estável, entre 4,25% e 4,50%. Mas a mensagem do Fomc foi menos hawk do que os investidores temiam e Powell ajudou a sustentar uma boa reação dos mercados, dizendo que a alta dos preços deve ser “transitória”. Hoje, é a vez do BoE decidir a taxa do juro inglês (9h), que deve ser mantida em 4,5%. Aqui, o Copom confirmou o aumento de 100pbs da Selic, para 14,25%, e ajustou o forward guidance para uma alta de menor magnitude na reunião de maio, sinalizando que o fim do ciclo de aperto do juro está próximo.


… Nas primeiras interpretações do mercado, a Selic deverá subir 50pbs no Copom do mês que vem, para 14,75%, e alguns economistas já preveem que pode ser o último aumento. Outros acreditam em mais 50 pbs ou 25pbs em junho, que ficou em aberto.


… O comunicado manteve o tradicional “firme compromisso de convergência da inflação à meta” como condicionante para o tamanho do orçamento total, mas, desde já, uma Selic de 15% deve convergir para o consenso, em consonância com a mediana das estimativas.


… O texto justificou bem o aumento de 100pbs da Selic, mas limitou os motivos da desaceleração no ritmo das altas a uma “incipiente” moderação da atividade e aos efeitos defasados da política monetária, com o juro no maior patamar desde o governo Dilma.


… O esfriamento da atividade, comprovado pelos indicadores do 4Tri, não mereceu ainda estar no balanço de riscos como fator baixista, mas a aposta é de que já está sendo considerado pelo Copom, assim como é pelo mercado financeiro.


… Foi estranho o BC não comentar sobre a recente apreciação do real, com o fechamento do dólar a R$ 5,64 nesta 4ªF, mas o câmbio já pode ter influenciado sua projeção menor da inflação para o horizonte relevante (3Tri/2026), de 4,0% para 3,9%.


… Só o ambiente externo desafiador, em função da política comercial nos Estados Unidos e de seus efeitos, como não poderia deixar de ser, consta como fator baixista, à medida que pode gerar uma onda de recessão global e atingir os emergentes.


… Em suma, o Copom avalia que o cenário atual é marcado por desancoragem adicional das expectativas de inflação, projeções elevadas de inflação, resiliência na atividade e pressões no mercado de trabalho, exigindo uma política monetária mais contracionista.


… Não é exatamente um cenário benigno, mas o fato de estar desenhado na primeira reunião independente de Gabriel Galípolo – após o forward guidance de RCN – deve reforçar a confiança que o mercado está depositando na sua gestão frente ao Banco Central.


… Em NY, o Fed menos hawkish que o esperado, ampliou os ganhos das bolsas e do dólar, enquanto os juros dos Treasuries acentuaram as quedas com a redução do ritmo de resgate de títulos do Tesouro, de US$ 25 bilhões para US$ 5 bilhões em abril.


… Segundo Powell, foi um bom momento para desacelerar a redução do balanço patrimonial, em meio às elevadas incertezas que surgem com as tarifas comerciais do governo Trump. “É difícil saber onde isso vai levar”, disse o presidente do Fed na entrevista.


… Ele admitiu que, com as tarifas, o progresso na queda da inflação será mais demorado, mas considerou difícil, ou mesmo um “desafio”, provar que a inflação vem das tarifas, ou quanto da inflação vem das tarifas. “Saberemos isso [só] daqui a alguns meses.”


… Powell reconheceu que as leituras fortes da inflação de bens surpreendeu, causando elevação nas expectativas de curto prazo. No entanto, disse que as expectativas no longo prazo estão mais ancoradas, o que sugere que a inflação pode ser “transitória”.


… Repetiu que o Fed não precisa ter pressa para reduzir os juros, que está em boa situação para esperar e ter mais clareza do cenário.


… O ajuste no balanço patrimonial do Fed e o gráfico de pontos com as projeções dos dirigentes reduziram de três para dois o número de cortes de juro este ano. No CME, um ajuste de 50pbs é levemente majoritário, com 32%, contra 28% que ainda esperam 75pbs.


… As projeções trimestrais do Fed mostraram aumento da mediana para o núcleo do PCE de 2,5% para 2,8% no 4Tri deste ano, enquanto a mediana das estimativas dos dirigentes apontou para queda da projeção para o PIB de 2,1% para 1,7% no final de 2025.


… Questionado sobre a possibilidade de uma recessão nos EUA, Powell disse que “sempre existe”, e que “aumentaram um pouco, mas em níveis relativamente moderados”. O presidente do Fed disse que é importante “separar os sinais dos barulhos [ruídos]”.


ENFIM, O ORÇAMENTO – O senador Angelo Coronel (PSD), relator do Orçamento de 2025, confirmou a leitura de seu parecer, hoje cedo, na Comissão Mista de Orçamento. O texto será votado em seguida na CMO e pode ir ao plenário à tarde.


… Uma sessão conjunta do Congresso Nacional foi convocada às 15 horas.


… Coronel disse que a demora na votação da LOA, que deveria ter sido apreciada no ano passado, acabou sendo positiva para o governo. “Deu tempo para modificar várias rubricas, até ontem (3ªF) estavam chegando ofícios pedindo modificações.”


… O fato é que o Orçamento destravou após a aprovação da nova resolução sobre a distribuição das emendas parlamentares e do projeto de lei que revalida recursos orçamentários desde 2019, resgatando verbas do orçamento secreto.


MAIS AGENDA – Segunda prévia do IGP-M de março (8h) é o único indicador doméstico previsto para hoje.


… Como destaque, o ministro Fernando Haddad concede duas entrevistas nesta 5ªF: 1) ao programa Bom Dia Ministro, da EBC (8h), e ao vivo para a GloboNews, direto de Brasília (16h30). Ontem à noite, Haddad disse que só comentará o Copom após a Ata.


… Na zona do euro, Christine Lagarde (BCE) discursa no Parlamento Europeu à primeira hora do dia.


… No Reino Unido, a decisão de política monetária do BoE será divulgada às 9h (de Brasília).


… Assim como outros BCs, inclusive o Fed, o presidente do BoE, Andrew Bailey, já defendeu uma abordagem mais “gradual e cautelosa” da política monetária, mencionando as tarifas de Trump, que prejudicam o crescimento e afetam os cortes dos juros.


… Além do BoE, também o BC da África do Sul anuncia decisão para o juro hoje (10h).


… Nos Estados Unidos, saem pedidos de auxílio-desemprego e o índice de atividade industrial do Fed/Filadélfia de março (ambos às 9h30) e vendas de moradias usadas em fevereiro (11h).


… No Japão, o feriado do Equinócio da Primavera fechou os mercados hoje.


BALANÇOS – Automob, Brava Energia, Cemig, Cyrela, Eneva, Hapvida, Hypera, Light, Movida e Petz divulgam resultados nesta 5ªF, 20.


DON´T WORRY, BE HAPPY – Os abalados mercados de ações em NY deram um suspiro de alívio com um Fed menos hawkish do que o esperado e voltaram para o lado comprador.


… A falta de pressa do BC americano em ajustar a política monetária para qualquer lado e os dois cortes de juros ainda na mesa – mesmo com as tarifas de Trump – levaram as bolsas à melhor sessão pós-Fed desde julho passado.


… O Nasdaq avançou 1,41%, aos 17.750,79 pontos, o Dow Jones subiu 0,93% (41.965,74), o S&P 500 avançou 1,08% (5.675,34).


… Estimulado pelo bom humor lá fora e antes do Copom, o Ibovespa anotou a sexta alta consecutiva, acima dos 132 mil pontos (132.508,45) pela primeira vez desde outubro, com ganho de 0,79%. O giro foi de R$ 25,6 bilhões.


… Graças ao desempenho em março (+7,9%), a bolsa acumula alta de 10,16% no ano e está perto de zerar as perdas de 2024 (10,36%).


… Em mais um dia de queda, o dólar descolou do exterior e furou os R$ 5,65, fechando em R$ 5,6480, em baixa de 0,42%, a sétima seguida.


… Powell ajudou o câmbio doméstico e o desmonte de posições defensivas gringas prosseguiu antes de a Selic subir mais 100pb e tornar o carry trade mais atrativo. Destaque ainda para os dois leilões de linha do BC, num total de US$ 2 bilhões, com venda total dos lotes.


… Lá fora, o dólar subiu ante o euro (-0,43%; US$ 1,0899), ficou estável (-0,03%) ante a libra (US$ 1,2994) e caiu ante o iene (+0,33%, 148,796). Na média, o DXY subiu 0,18%, a 103,428 pontos.


… Na mesma toada dos últimos dias, as taxas dos DIs médios e longos caíram, desta vez com ajuda dos Treasuries, enquanto o Jan26 ficou praticamente parado (14,720%, de 14,725% na sessão anterior) à espera do Copom.


… No fechamento, o Jan/27 caiu a 14,400% (de 14,420%), o Jan/29 cedeu a 14,110% (de 14,195%), o Jan/31, a 14,280% (de 14,380%) e o Jan/33, a 14,320% (de 14,410%). O ajuste de hoje ao Copom não deve ser relevante.


… Os juros dos Treasuries inverteram o sinal e passaram a cair depois do Fed e de Powell. O menor ritmo na redução do balanço do BC dos EUA também foi lido como um sinal dovish, levando o retorno da note de 2 anos para abaixo de 4%, em 3,977% (de 4,038%).


… O rendimento da note de 10 anos recuou a 4,246% (de 4,2860%) e o do T-bond de 30 anos caiu a 4,555% (de 4,584%).


… A baixa nos juros domésticos beneficiou ações cíclicas no Ibovespa, como LWSA, +6,15% (R$ 2,76); Vamos, +5,39% (R$ 4,30), Magazine Luiza, +3,98% (R$ 10,43%).


… Petrobras ON subiu 0,48% (R$ 39,52) e PN ficou estável (-0,08%; R$ 36,16), em dia de alta moderada do Brent/maio: 0,31%, a US$ 70,78 por barril, com o impasse na guerra da Ucrânia e tensões no Oriente Médio (Iêmen).


… Vale recuou 0,17% (R$ 57,42), seguindo o minério de ferro em Dalian (-2,12%). Entre os bancos, BB cedeu 0,39%, na mínima a R$ 28,39. Os demais subiram: Bradesco ON (+1,16%; R$ 11,35) e PN (+0,89%; R$ 12,41), Santander (+1,01%; R$ 26,97) e Itaú (+0,25%; R$ 32,38).


… Destaque do dia, Vivara saltou 7,57% (R$ 19,18), após o balanço positivo do 4Tri24.


EM TEMPO… PETROBRAS venceu leilão da PPSA para 2 cargas de 500 mil barris de Itapu; cargas arrematadas pela estatal têm previsão de carregamento até julho de 2025.


MINERVA registrou prejuízo líquido de R$1,567 bilhões no 4TRI24 e reverte lucro do 4TRI23; Ebitda somou R4 944 milhões, alta de 55,8% na comparação anual…


… Companhia concluiu recompra e cancelamento de uma parcela das notas sênior (bonds); valor médio ficou em US$ 87, com desconto de 13% sobre o valor de face, e um valor total que supera os US$ 69 mil.


HAPVIDA registrou lucro líquido ajustado de R$ 514,7 milhões no 4TRI, avanço de 98,8% na comparação anual; Ebitda ajustado somou R$ 1,062 bilhão, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2023.


GUARARAPES registrou lucro líquido de R$ 249,9 milhões no 4TRI, alta de 8,8% na comparação anual; Ebitda somou R$ 565,6 milhões, crescimento de 45% ante mesmo período de 2023.


WILSON SONS registrou lucro líquido de R$ 121,6 milhões no 4TRI, alta anual de 7,2%; Ebitda somou R$ 373,8 milhões, avanço de 41% em relação ao mesmo período de 2023.


POSITIVO registrou lucro líquido de R$ 14 milhões no 4TRI, queda de 92,7% na comparação anual; Ebitda somou R$ 100 milhões, recuo de 61,8% em relação ao mesmo período de 2023.


PETRORECONCAVO teve lucro líquido de R$ 32,4 milhões no 4TRI, queda de 83% ante igual período de 2023. O Ebitda foi de R$ 402,9 milhões, alta anual de 63%, e a receita líquida foi de R$ 843,3 milhões, aumento de 22% em relação ao mesmo intervalo de 2023.


CAIXA SEGURIDADE captou R$ 1,2 bilhão em oferta de ações a R$ 14,75 cada. (fontes do Broadcast)


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR contratou empréstimo de 75 milhões de euros (R$ 479 milhões) junto ao banco holandês Rabobank para refinanciamento das dívidas com vencimento no curto prazo.

Simon Schwartzman