terça-feira, 11 de março de 2025

JR Guzzo

 Guzzo é um jornalista extraordinário. E de muita coragem.

O Judiciário Tornou a Corrupção uma Atividade Legal no Brasil
Por J R Guzzo
Gazeta do Povo, 06/03/2025
"Os ministros do STF, do STJ e das demais capitanias que governam o aparelho judiciário do Brasil, mais os crentes na sua natureza divina, não gostam de ouvir isso, mas o fato brutal, claro e acima de qualquer dúvida, é que a Justiça brasileira suprimiu o crime de corrupção do Código Penal em vigor no país. Não foi aprovada ainda nenhuma lei botando isso em letra de forma, mas é o que acontece para efeitos de ordem prática no Brasil que “voltou”. Não se trata de uma análise. Trata-se de uma jurisprudência cada vez mais “robusta”, como é moda dizer hoje, formada pelas sentenças assinadas pelos gatos gordos do sistema.
É duro dizer isso, mas também é a verdade “fática”, aí já se usando o patuá falado pelos ministros: o STF e seus derivados tornaram a corrupção uma atividade legal no Brasil. É claro que o sujeito tem de ser um corrupto rico para se beneficiar de proteção legal quando mete a mão no Erário. Mas como não existe corrupto pobre em lugar nenhum do mundo, pode-se dizer com segurança que as absolvições automáticas dadas pela Justiça brasileira nas ações penais pela prática de corrupção servem para todos os ladrões do Tesouro Nacional.
Não há exceções. Você é um “amigo dos amigos” e prova que roubou, com confissões espontâneas feitas na presença dos seus advogados? Então você já está absolvido, antes mesmo do caso ir a julgamento. Não é a mídia que diz isso, nem os “inimigos” dos nossos tribunais. Quem diz isso, oficialmente, são as sentenças que saem das altas cortes de Justiça deste país – e servem cada vez mais como exemplo para as cortes médias, baixas e assim por diante, até o mais modesto inspetor de quarteirão. É fácil resolver qualquer dúvida a respeito. Você consegue citar o nome de um único corrupto preso neste momento no Brasil, um pelo menos que seja?
Você não consegue, por uma excelente razão: não existe nenhum corrupto preso neste momento no Brasil. Nem o ex-governador Sérgio Cabral, que foi condenado a 400 anos de cadeia por ladroagem confessa, e está tão livre como você – mas com uma fortuna que você, que pagou imposto enquanto ele roubava, jamais terá no seu bolso. Se isso, e todos os casos de ladrões soltos, não é prova material da legalização dos crimes de corrupção decretada pela Justiça brasileira, o que seria?
O STF, STJ etc. etc. etc. estão pedindo que população acredite no seguinte despropósito: o Brasil é o país que tem os políticos e magnatas mais honestos do mundo. Não há ninguém preso por corrupção, certo? Então não há corruptos, pois se houvesse a nossa Justiça com certeza acabaria pegando algum larápio, pelo menos um – não é possível, do ponto de vista racional, que não consiga punir nenhum, nunca, ou que todos os corruptos que lhe são trazidos pela polícia são inocentes, sem exceção.
A teologia política ora em vigor no Brasil estabelece que a prevaricação aberta do STF e seus inferiores no cumprimento da lei penal, com sua recusa sistêmica em punir a corrupção, é uma necessidade vital da sociedade brasileira. O STF e a “justiça”, reza esse credo, salvaram “a democracia” no Brasil. Continuam a salvar todos os dias, com a repressão destemida a “golpistas”, “extremo-direitistas”, bolsonaristas e mais do mesmo. Por conta dessas atividades, o “Judiciário” passou a ter, segundo a doutrina oficial, imunidade diante de qualquer crítica. Não importa se o STF tem razão, ou está grotescamente errado: criticar qualquer ministro é considerado um “ataque” ao sistema de Justiça, para enfraquecer a luta contra “o fascismo” e por aí afora.
Mas será que é preciso engolir – e engolir achando que está ótimo – a cada uma das aberrações que saem da mistura de “tribunais superiores” de Brasília? A resposta, para o regime vigente é: sim, precisa aceitar tudo, porque nenhuma delinquência que os supremos possam fazer está sujeita a qualquer apreciação externa, pois são a guarda da “democracia” e isso tem de estar obviamente acima de detalhes como a corrupção, a abolição dos direitos individuais e o cumprimento do que está escrito na lei.
Na sua última exibição de fogos de artifício para celebrar a roubalheira, o ministro João Noronha, nesta ocasião representando o STJ, decidiu entregar de volta aos desembargadores do Maranhão acusados de venda maciça de sentenças as joias, relógios e carros apreendidos com eles – e sob a suspeita de serem o pagamento que receberam para vender suas decisões. “Não tem mais utilidade para o processo”, decretou Noronha. Não é um ataque ao Judiciário: é o que o ministro fez na frente de todo mundo. Faz parte da jurisprudência, mencionada acima, que não apenas inocenta mecanicamente os ladrões de dinheiro público, como manda devolver a eles aquilo que roubaram – dos R$ 20 bilhões de indenização para a J&F e Odebrecht, aos iates, casas de praia e jatinhos de traficantes de narcóticos.
Para acrescentar mais uma joia à coroa, o ministro Dias Toffoli foi citado de novo como o grande padroeiro da corrupção no Brasil pela Transparência Internacional e a Comissão de Direitos Humanos da OEA. Seu feito principal é o desmonte agressivo de todo o sistema de combate à corrupção que havia no Brasil. É culpa da oposição, da direita ou das “fake news” que a coisa tenha ficado assim? Ou são, entre tantos outros feitos d’armas, suas extraordinárias decisões de anular as confissões de corrupção por parte da J&F e da Odebrecht? Paciência, porque eles estão decididos a tornar tudo ainda pior."

BDM Matinal Riscala 1103

 *Rosa Riscala: NY cai na real*


… Os investidores caíram na real, abandonaram o negacionismo com os riscos do governo Trump, pararam de dizer que era só um blefe e passaram a projetar os estragos que as políticas protecionistas poderão causar à economia americana. É grande a expectativa para a abertura em NY, após o risk off desta 2ªF. O medo de uma estagflação levou a uma corrida do dinheiro para ativos seguros, influenciando os mercados domésticos. Quando o presidente dos EUA fala em possível recessão é porque está disposto a bancar a aventura. Trump poderia ter aliviado se quisesse, mas não falou no final do dia, como costuma fazer. Na agenda, o relatório Jolts (11h) mostra a criação de vagas depois do payroll fraco. Aqui, a produção industrial (9h) pode reagir em janeiro, recuperando-se de três meses de queda.


… A mediana das estimativas apurada pelo Broadcast indica um crescimento de 0,4% para a indústria, após recuo de 0,3% em dezembro.


… Os dados de indicadores antecedentes, como o crescimento de 15% na produção de veículos (Anfavea) e o aumento de 3,3% no fluxo de veículos pesados nas estradas pedagiadas (ABCR), corroboram a previsão de alta da produção industrial.


… Outra explicação para a reação é a base de comparação baixa na margem, após as quedas de outubro, novembro e dezembro (-0,6%).


… Um resultado mais fraco, depois de o PIB/4Tri confirmar a desaceleração da atividade, poderia estimular queda dos juros na B3, mas vai ser difícil descolar do estresse em NY. Hoje, como ontem, Donald Trump conduz os mercados globais.


… A carta mensal do fundo Verde alertou para o grau de incerteza do cenário global, que “subiu notadamente em fevereiro, o que levou a gestora a reduzir seu perfil de risco de “maneira significativa”, zerando boa parte de suas ações no mercado local e global.


… Para Stuhlberger, o volume de ruído foi elevado e veio acompanhando de sinais preocupantes, como o desafio de rearranjar o sistema geopolítico e o uso de tarifas para alcançá-lo, que subestima a estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos 40 anos.


… A aproximação dos EUA com a Rússia colocou a Europa em alerta e traz riscos de longo prazo para o continente, segundo avaliação da consultoria Eurasia, que citou a quebra de uma relação de confiança e dependência com os EUA, especialmente na segurança.


… Diz a carta do fundo Verde que, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para o seu governo, como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações, estão “sendo colocadas em xeque”.


… Já em relação ao Brasil, a gestora destaca a antecipação de um trade eleitoral para 2026 só esperado para a segunda metade deste ano, consequência da forte queda de popularidade do presidente Lula e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo.


… A única notícia positiva do dia foi o discurso moderado de Gleisi Hoffmann na posse como ministra da articulação política, quando citou Fernando Haddad e assumiu o compromisso de apoiar sua agenda econômica no Congresso.


… Gleisi chegou a dizer que a agenda de Haddad coloca o País na rota do emprego, crescimento e renda.


… A dúvida é se Haddad terá a mesma força para enfrentar as investidas populistas de Lula para salvar sua reeleição. Já se nota que o ministro tem defendido as pautas de Lula com mais afinco, evitando temas mais polêmicos como o ajuste fiscal.


… Nesta 2ªF, ele confirmou que o governo deve enviar ainda nesta semana ao Legislativo a MP do novo crédito consignado, que deve ser publicada amanhã, e, logo após, o projeto que estabelece a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.


MAIS AGENDA – Antes da produção industrial, sai o IPC-Fipe da primeira quadrissemana de março. Em fevereiro, fechou em 0,15%.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/3/2031 e de NTN-B para 15/8/2030, 15/8/2035 e 15/5/2060.


GALÍPOLO – Presidente do BC participa de reunião com o Li Qi, Ministro Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, e Huang Siyu, Terceira Secretária da Embaixada da China, na sede do BC, em Brasília (11h), para tratar de assuntos institucionais.


LULA – Volta a MG nesta 3ªF, onde participa de cerimônia de inauguração de investimentos dos setores automotivo e de aço (11h).


NOS EUA – O relatório Jolts, muito olhado pelo Fed, deve mostrar abertura de 7,5 milhões de vagas em janeiro (7,6 milhões/dezembro). É o único indicador previsto para o dia. A expectativa é toda para a inflação do CPI, que sai amanhã, 12.


UCRÂNIA – O alinhamento dos Estados Unidos à Rússia ficou evidente nas negociações para um cessar-fogo na Ucrânia, obrigada a um recuo forçado após o governo Trump suspender toda a ajuda militar ao país.


… Nas conversas de hoje na Arábia Saudita, a Ucrânia proporá o fim dos ataques por mar e ar, além da libertação de prisioneiros, dizendo que está pronta para assinar um acordo com os EUA sobre o acesso aos minerais de terras raras do país.


… Mas, segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que viajou para discutir o fim da guerra com representantes ucranianos, qualquer que seja o acordo de paz, deverá prever que a Ucrânia cederá os territórios ocupados pela Rússia desde 2014.


CHINA – Washington e Pequim iniciaram conversas sobre uma possível “cúpula de aniversário” em junho entre o presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping, em meio à escalada de tarifas e restrições comerciais impostas pelos EUA contra a China.


… Nos bastidores apurados pela agência DJ, Pequim tem intensificado contatos com a Casa Branca e avalia uma oferta inicial, incluindo a compra de mais produtos agrícolas dos EUA, mas ainda não a formalizou.


JAPÃO HOJE – A leitura final do PIB/4Tri avançou 0,6% e superou a previsão de 0,4%. A recuperação contínua sustenta as expectativas de que o BoJ aumentará novamente sua taxa de juros em um futuro próximo.


RISK OFF GLOBAL – Bem diferente do tom do discurso de pouco menos de dois meses atrás, quando prometeu devolver a economia dos EUA aos “anos dourados”, causou espanto a mudança agora da abordagem de Trump.


… Questionado sobre o risco de recessão, o presidente americano afirmou que haverá um “período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande”, sinalizando que está disposto a pagar o preço da guerra tarifária.


… O CPI de fevereiro, amanhã, abrangerá o primeiro mês completo da trajetória da inflação sob a nova gestão em Washington e ganha importância redobrada no contexto do perigo de os EUA caírem em uma estagflação.


… Por enquanto, o consenso é de corte acumulado de 75pb no juro este ano, com início da flexibilização a partir de maio ou junho.


… Para completar o cenário de incertezas, números mais fracos da inflação na China em fevereiro, divulgados no fim de semana, acenderam a luz amarela para a possibilidade de uma desaceleração global mais firme neste ano.


… Com o crescimento econômico em xeque, o “índice do medo” Vix disparou mais de 20% e as bolsas em NY mergulharam feio, com os papéis dos bancos e as ações das Sete Magníficas registrando queda em bloco.


… Tesla despencou 15,4%, apagando tudo o que subiu desde que Elon Musk entrou para o governo Trump. Mas o tombo foi geral: Meta caiu 4,42%, Apple (-4,85%), Alphabet (-4,49%), Microsoft (-3,34%), Amazon (-2,36%) e Nvidia (-5,07%).


… O Nasdaq derreteu 4%, aos 17.468,32 pontos, na pior queda diária desde 2022. O Dow Jones (-2,08%) afundou quase 900 pontos, para 41.911,71 pontos, e o S&P 500 terminou em queda de 2,70%, aos 5.614,56 pontos.


… Já o Ibov driblou o estresse de Wall St e limitou as perdas a 0,41%, aos 124.519,38 pontos, com volume financeiro de R$ 20,2 bilhões. Magalu (+4,96%) liderou o ranking de altas, com a unificação das áreas de Plataforma e Negócios.


… Vale (ON, -1,62%, a R$ 53,99) sentiu a inflação fraca na China, potencial sintoma de desaquecimento. Petrobras ficou no campo negativo, mas mais perto da estabilidade: ON, -0,19% (R$ 37,35); e PN, -0,03% (R$ 34,62).


… A estatal resistiu bem à queda de 1,5% do petróleo Brent (US$ 69,28), que sentiu a recessão de Trump.


… Entre os bancos, só Itaú (+0,89%, a R$ 32,89) ignorou a onda de cautela. Bradesco PN registrou desvalorização de 1,45%, a R$ 11,52; Bradesco ON, -1,12%, a R$ 10,62; BB, -0,32% (R$ 27,97); e Santander, -1,43% (R$ 25,57).


… O câmbio foi o mercado que mais refletiu a aversão a risco. A busca defensiva levou o dólar à vista a fechar na faixa de R$ 5,85, em alta de 1,07%, a R$ 5,8521, carregando junto os juros futuros.


… Jan/26 subiu a 14,780% (de 14,740% na sessão anterior); Jan/27, a 14,675% (14,570%); Jan/29, 14,635% (14,535%); Jan/31, 14,760% (14,650%); e Jan/33, 14,750% (14,620%).


… Lá fora, o índice DXY cruzou a linha dos 104 pontos na máxima do dia, mas desacelerou. No fechamento, exibia leve alta de 0,15%, a 103,997 pontos. O euro ficou estável (+0,01%), a US$ 1,0827, e a libra caiu 0,33%, a US$ 1,2874.


… O iene (147,41/US$), que já vem faturando nos últimos tempos a perspectiva de um BoJ hawkish, ganhou ainda espaço contra a moeda americana, diante dos temores renovados de uma recessão abater a economia dos EUA.


… Antecipando os riscos do protecionismo de Trump, investidores correram para os Treasuries, derrubando os rendimentos: o yield da Note-2 anos caiu a 3,896%, contra 3,997% na sessão anterior, e o de 10 anos foi a 4,221%, de 4,315%.


EM TEMPO… COSAN reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 9,297 bilhões no 4Tri/24. Ebitda consolidado abandonou resultado positivo e ficou negativo em R$ 1,6 bilhão. Receita líquida somou R$ 11,768 bilhões (+24% em um ano).


REDE D’OR registrou lucro líquido de R$ 879,5 milhões no 4Tri, alta de 31,6% na comparação com igual intervalo de 2023. Já o lucro líquido ajustado totalizou R$ 932 milhões, avanço de 29,3% na mesma comparação…


… Ebitda foi de R$ 1,9 bilhão (+34,4% na comparação anual) e o Ebitda ajustado foi de R$ 2,3 bilhões (+30,6%), enquanto a receita líquida foi de R$ 13,057 bilhões (+9,4% sobre o reportado no mesmo período de 2023).


PAGUE MENOS. Lucro líquido totalizou R$ 77,1 milhões no 4Tri, avanço de 22,8% em relação ao mesmo período de 2023, em função da combinação de crescimento de vendas, incremento da rentabilidade operacional e redução do resultado financeiro…


… O Ebitda foi de R$ 164 milhões (+31,6% ante um ano antes) e a receita líquida, de R$ 3,3 bilhões (+16,9%).


DIRECIONAL. Apresentou lucro líquido de R$ 181 milhões no 4Tri, montante 82% maior do que no mesmo período de 2023 e no maior lucro trimestral da história da incorporadora. No critério operacional, o lucro líquido ficou em R$ 165,5 milhões (+69,4%)…


… O Ebitda ajustado somou R$ 249 milhões (+64% na mesma base de comparação anual) e receita operacional líquida somou R$ 924,2 milhões, crescimento de 45,6% e também recorde para um trimestre da companhia.


PRIO. Produção total de petróleo atingiu 108.560 barris de boepd em fevereiro, ante 114.454 mil em janeiro, uma queda de 5,14% na comparação mês contra mês. A venda de óleo total caiu de 3.608.396 bbl em janeiro para 3.402.076 em fevereiro (-5,71%).


PETRORECONCAVO. Produção média no mês de fevereiro foi de 27,3 mil boepd, um crescimento de 1,9% na margem, refletindo o avanço no programa de perfurações iniciado no final de 2024 e a estabilização de poços recém perfurados no Ativo Bahia


EQUATORIAL. O conselho de administração aprovou o aumento do capital social em R$ 5.597.124,09, elevando o capital social total para R$ 12.506.904.753,23. Foram emitidas 313.549/ON, ao preço de R$ 17,85.


EQUATORIAL ENERGIA. O conselho de administração aprovou a realização da sétima emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 1,5 bilhão….


… Serão emitidos 1,5 milhão de títulos com valor unitário de R$ 1.000,00 e prazo de cinco anos, vencendo em 15 de março de 2030.


HYPERA. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, informou que a Votorantim passou a deter 69.811.900 ações ordinárias da companhia, que representam cerca de 11,00% do capital social da empresa.


B3. Fechou parceria estratégica com o SGX Group para o lançamento de contratos futuros de Real no mercado asiático. Segundo a bolsa, a expectativa é que o produto, que depende da aprovação dos reguladores locais, seja disponibilizado ainda neste ano.


GRUPO J. SAFRA anunciou a aquisição de 70% do capital da fintech dinamarquesa Saxo Bank. O valor da transação não foi revelado.


DELTA AIR LINES. Ações desabaram 11,15% no after hours, após reduzir projeção de lucro e receita para o 1Tri (de 7% a 9% para 3% a 4%), citando a recente queda da confiança do consumidor e das empresas em meio ao “aumento da incerteza macroeconômica”…


… A previsão de lucros ajustados foi para US$ 0,30 a US$ 0,50 por ação, contra previsão anterior de US$ 0,70 a US$ 1 por ação.


ORACLE. Ações caíram no after hours (-3,22%) após divulgar lucro líquido para os três meses encerrados em 28 de fevereiro de US$ 2,94 bilhões, ou US$ 1,02 por ação, em comparação com US$ 2,4 bilhões, ou US$ 0,85 por ação, no mesmo período do ano anterior.

Bankinter Portugal Matinal 1103

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, clássico movimento de mercado deteriorado, com agressiva venda de bolsas e compra um pouco menos agressiva de obrigações… que não pode ser tão agressiva como a das bolsas porque o futuro aumento de dívida desincentiva o investimento em obrigações, embora, em sentido contrário, o receio de um final abrupto do ciclo económico expansivo global (nada improvável) que afetará os EPSs (lucros empresariais) faça com que se procure refúgio nas obrigações. Em suma, como temos vindo a defender desde inícios de 2025, uma guerra alfandegária junto com défices fiscais e dívida pública superiores (nos EUA devido a descidas de taxas de juros sem demasiados cortes de despesas; na Europa devido a maior despesa em defesa e a irresponsabilidade secular na despesa) não pode resultar em bolsas em alta, porque, nesse contexto, todas as partes perdem, embora uma menos (EUA) do que outras (Europa, China) devido aos seus diferentes níveis de abertura ao exterior (25% vs. 98%, 36%). 


Trump argumenta que, numa segunda fase, isto será reparado graças às descidas de impostos (trará mais défice fiscal, se as despesas públicas não forem seriamente reduzidas) e desregulação (mais riscos futuros abertos, se se excede), mas engana-se. Nessa altura, o ciclo económico já terá sido abalado (menos crescimento e mais inflação) e reverter a situação será complicado. Agora está a tempo de retificar, não depois. Mas o populismo sabe pouco ou nada de economia. E pior ainda quando se alinha moralmente com as autocracias imorais. Não houve nenhum momento na história em que o protecionismo (impostos alfandegários, contingentes) tenha enriquecido o mundo, mas tornou-o mais pobre e fechado em si mesmo. Nisso resultou a Primeira Guerra Mundial. Agora seria diferente? A única forma de minimizar danos é diluir dissimuladamente os impostos alfandegários e voltar a apoiar a Ucrânia até ao final da sua luta pela liberdade…de toda a Europa, onde os EUA têm o seu principal cliente comercial, com 21% das suas exportações e 20% das suas importações. O principal, que parece ter esquecido.


HOJE, clássica subida contrainercial da qual não se deve fiar, porque pode ser uma pequena recuperação se algumas das medidas tomadas não forem revertidas ou diluídas. Impostos alfandegários, principalmente. O melhor seria que Trump não começasse com os impostos alfandegários contra a Europa. Se ele se mantivesse em silêncio, assustado com as consequências do que fez até agora, seria o suficiente para o mercado melhorar. Mas não nos parece, porque Hassett (principal assessor económico de Trump) retirou importância aos receios de recessão, argumentando que o 2T será melhor devido às descidas de impostos. Sim, claro… Com isso, o comercio mundial irá recuperar, com toda a certeza.  


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Subida nada fiável. Às 14 h, sairão os JOLTS ou empregos disponíveis; esperam-se 7,63M desde 7,60M e há que analisar com cuidado, porque poderão, hipoteticamente, começar a expressar um pouco de dano no emprego americano, embora sinceramente seja cedo para isso, porque o emprego é um indicador atrasado. Portanto, iremos às cegas até à inflação americana de amanhã, que poderá suavizar-se um pouco (ou não e ser um susto, o que não seria estranho; +2,9% esperado desde +3,0%). Se sair como esperado, o mercado tranquilizar-se-á um pouco. Mas se dececiona, então prolongar-se-ia a preocupação sobre um ciclo económico debilitado, acompanhado de inflação pegajosa e o reajuste das bolsas continuaria. Wall St com -4,5% em 2025 e o razoável seria que a bolsa europeia retificasse os seus +10% atual até, por exemplo, 0% e a partir daí reiniciar, recuperando ou não, eu função da correção das medidas que os EUA adotaram até agora, tanto no plano económico como geoestratégico. Porque se não o fizer, teremos que começar a refletir sobre quais são os níveis de exposição adequados num contexto diferente, decisão de índole estratégica e não tática…


S&P500 -2,7% Nq-100 -3,8% SOX -4,9% ES-50 -1,5% IBEX -1,3% VIX 27,9 Bund 2,81% T-Note 4,19% Spread 2A-10A USA=+31pb B10A: ESP 3,46% PT 3,35% FRA 3,52%

ITA 3,90% Euribor 12m 2,461% (fut.2,392%) USD 1,087 JPY 160,0 Ouro 2.914$ Brent 69,4$ WTI 66,1$ Bitcoin -2,3% (80.278$) Ether -8,4% (1.893$).


FIM

Fritura do Haddad

 Em meio à ‘fritura’, Haddad é cortejado pelo mercado Faria Lima sinaliza portas abertas para receber o ministro caso ele decida sair do governo


Por Neuza Sanches SEGUIR 10 mar 2025, 08h00


 


Fernando Haddad: Faria Lima já dá como certa a saída do ministro da Fazenda ainda este ano (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Fernando Haddad, ministro da Fazenda do governo Lula, já tem opções de trabalho caso decida deixar o cargo. O mercado financeiro, especialmente a Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, estaria disposto a recebê-lo com propostas concretas – uma de um grande banco de varejo e outra para ser sócio de uma fintech. Essa abertura reflete a relação pragmática que Haddad construiu com o setor ao longo desses dois anos à frente da pasta, mas também evidencia os crescentes rumores de que sua “fritura” por colegas do próprio governo é vista como sem volta. O desgaste do ministro se intensificou nos últimos meses. Ele foi vencido, por exemplo, na discussão que misturou o pacote de corte de gastos com o anúncio de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil – promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A falta de clareza sobre a compensação fiscal acabou gerando críticas entre especialistas, e isso foi parar no colo do ministro. Além disso, mudanças mal comunicadas no sistema Pix levaram o governo a recuar após queda significativa no volume de transações, o que expôs falhas na articulação entre o Ministério da Fazenda e outros setores do governo. Outro ponto de pressão é a inflação dos alimentos, que continua afetando duramente os consumidores. Produtos básicos como carne, café e açúcar registraram aumentos expressivos, e levaram o governo a anunciar na semana passada uma série de medidas. A principal delas é a redução a zero do Imposto de Importação sobre vários alimentos. Coube ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin, fazer o anúncio. Haddad não estava presente. A insatisfação popular com esses aumentos se soma às críticas de aliados políticos e à promoção recente de Gleisi Hoffmann ao cargo de ministra das Relações Institucionais, movimento interpretado como tentativa de fortalecer a articulação política diante das dificuldades econômicas. Não é segredo para ninguém que Gleisi é inimiga das propostas de controle fiscal defendidas pela equipe econômica. Com o menor patamar de popularidade de seus três governos e de olho na campanha à reeleição de 2026, Lula indicou que suas preocupações passam longe das prioridades da Fazenda. Na Faria Lima, a saída de Haddad é vista como inevitável. Apesar das críticas públicas ao governo, o mercado tem demonstrado apreço por sua abordagem fiscalista e pela interlocução direta com investidores. Essa relação pragmática pode facilitar sua transição para o setor privado caso decida abandonar o cargo. Recentemente, Haddad reconheceu publicamente a preocupação do mercado com os gastos públicos e afirmou que medidas mais duras seriam necessárias para conter o aumento da dívida pública. Uma eventual saída de Fernando Haddad seria um duro golpe para o governo Lula, que insiste na narrativa de que “gasto é investimento”. Sem um ajuste fiscal consistente, a economia brasileira corre o risco de permanecer presa ao ciclo de crescimento instável conhecido como “voo de galinha”. A falta de um plano claro para equilibrar as contas públicas coloca em xeque as perspectivas de desenvolvimento sustentável e reforça as incertezas sobre o futuro econômico do País.

segunda-feira, 10 de março de 2025

Resumo

 🏦 *MERCADOS INSTÁVEIS*


Os mercados globais continuam instáveis com o protecionismo de Trump, que ameaça tarifar em 250% os laticínios canadenses. Nos EUA, há receios de recessão, enquanto o Brasil tenta evitar tarifas sobre o aço. A inflação nos EUA e no Brasil segue no radar, testando o rumo da Selic. Lula busca recuperar apoio popular e nomeia Gleisi Hoffmann para articulação política, indicando afastamento do Centrão. No evento do MST, cogitou medidas contra a inflação dos alimentos, gerando temores de intervenção no mercado. A popularidade do presidente cai, e pesquisas indicam empate com Tarcísio em 2026. O governo prepara MPs para crédito consignado e FGTS, injetando recursos na economia. Há ainda discussões sobre redução de tarifas de energia e combustíveis. Haddad atribui dificuldades fiscais à pressão política de grupos empresariais.


*INDICADORES* - O IBGE divulgará indicadores econômicos ao longo da semana, incluindo o IPCA de fevereiro (4ªF), produção industrial (3ªF), volume de serviços (5ªF) e vendas no varejo (6ªF). A produção industrial deve crescer 0,4% em janeiro, após três meses de queda. A Fazenda projeta um PIB de 2,3% em 2024, mas economistas preveem 2,01%. O PIB do 4º trimestre desacelerou para 0,2%, abaixo da expectativa de 0,4%, com destaque para a queda de 1% no consumo das famílias. A possível redução da Selic animou o mercado. Simone Tebet aposta no agro como impulsionador da economia, mas o efeito deve ser limitado ao 1º trimestre. Além do IPCA, a semana trará outros índices de inflação e dados fiscais.


*DOMÉSTICO* - O Ibovespa fechou em alta de 1,36%, aos 125.034 pontos, impulsionado pela valorização das commodities e pelo PIB do 4º trimestre abaixo do esperado, que reduz a pressão por alta da Selic. Vale, Petrobras e bancos puxaram os ganhos, com destaque para Brava (+10,82%) e Magazine Luiza (+10,55%). A curva de juros precificou taxas abaixo de 15%. O PIB cresceu 0,2% no 4º tri, levando a revisões para baixo nas projeções de crescimento para 2025, com Goldman Sachs prevendo 1,7%. O déficit comercial de US$ 323,7 milhões foi atribuído à compra de uma plataforma de petróleo. O dólar subiu para R$ 5,79 (+0,53%). Investidores seguem cautelosos com possíveis medidas populistas do governo, temendo impacto fiscal.


*RECEIOS* - Os dados fracos do payroll nos EUA (+155 mil empregos em fevereiro) aumentaram temores de recessão, levando o JP Morgan a elevar essa chance para 40% e o Goldman Sachs para 20%. Wall Street reagiu positivamente após declarações de Powell, que afirmou que a economia está "em bom lugar" e que o Fed não tem pressa para mudar os juros. O mercado segue dividido entre cortes em maio ou junho. Nos Treasuries, os rendimentos subiram, enquanto o dólar reduziu perdas. O petróleo avançou após a Rússia se mostrar disposta a negociar um cessar-fogo na Ucrânia.

Amilton Aquino

 Hoje vou falar de polarização, intolerância e fanatismo, um problema mundial que conecta temas aparentemente distintos, como as próximas eleições no Brasil, Trump e o Oriente Médio.


Começo pelo Brasil. É verdade que a revista Veja já não tem grande relevância no debate nacional, mas sua última capa, “O plano T”, que traz o governador Tarcísio de Freitas como aposta do mainstream político e econômico para 2026, aponta na direção certa. Já afirmei aqui, e reafirmo, que ele é nossa melhor opção atualmente. É competente, técnico, tem uma boa percepção dos problemas nacionais e, principalmente, tem traquejo político para transitar da direita bolsonarista menos radical à esquerda que sabe fazer contas - pré-requisito essencial para reduzir a odiosa polarização iniciada por Lula e agravada por Bolsonaro.


O mercado já precificou que Lula vai continuar empurrando com a barriga o ajuste fiscal para 2027, agravando as contas públicas. Ao mesmo tempo, isso aumenta a possibilidade de derrota petista em 2026, o que já começa a refletir nos preços da bolsa, compensando, em parte, a piora no curto e médio prazo.


Enfim, um pouco de “previsibilidade” em meio ao turbilhão que o mundo vive. O problema é viabilizar a candidatura de Tarcísio, já que ele precisará do aval de Bolsonaro para não ser transformado em um novo Judas pelos bolsonaristas. Muitos deles preferem a continuidade do inferno de um presidente “antissistema” paralisado, brigando com todos ao mesmo tempo, a um candidato que saiba dialogar com o tal “sistema” e seja capaz de tocar as reformas urgentes que o país precisa. Vai entender...


Na Síria, um verdadeiro genocídio ocorre há três dias, com mais de mil mortos entre as minorias alauíta e cristã. As imagens são terríveis: pilhas de cadáveres de todas as idades, vítimas da intolerância dos novos governantes, os “moderados” que tomaram o poder recentemente.


Na fronteira com Israel, outra minoria, a drusa, tenta se unir ao Estado judeu para escapar da intolerância islâmica. Para Israel, essa aliança seria positiva, pois aumentaria a zona de buffer que o separa da Síria. O problema é que, se o país comprar essa briga, sua imagem na comunidade internacional se deteriorará ainda mais. Afinal, genocídios reais praticados por muçulmanos contra minorias raramente rendem mais do que notas de rodapé na imprensa. Já qualquer ação israelense, mesmo em legítima defesa, é rapidamente rotulada como genocídio. Melhor deixá-los à própria sorte, infelizmente.


Na Ucrânia, a guerra segue agora com os russos livres para atacar civis indiscriminadamente, pois Trump não apenas suspendeu o envio de munição e foguetes de defesa dos Patriots, como também cortou o acesso dos ucranianos a imagens de satélites de uma empresa norte-americana, cujos serviços foram pagos por Kiev.


Nas redes sociais, seres repugnantes comemoram e culpam a resistência ucraniana por seus próprios males…


O mundo está mesmo muito doente.

Vai rolar 1003

 Vai rolar: Semana começa com expectativas de inflação nos EUA

[10/03/25] Os mercados globais seguem sob a montanha-russa do protecionismo de Trump, que ameaça impor tarifa de 250% (isso mesmo, 250%) sobre os produtos lácteos do Canadá, que também levou um tarifaço da China no fim de semana. O presidente americano também não descarta uma recessão nos EUA.


Aqui, o governo tenta evitar a taxação sobre o aço, prevista para vigorar nesta 4ªF (12). O cessar-fogo na Ucrânia continua em pauta. Zelensky reúne-se hoje com representantes dos EUA na Arábia Saudita e Putin diz que aceita conversar, mas quer um acordo de paz “definitivo”.


Na agenda dos indicadores, inflação nos EUA e no Brasil (IPCA), além de dados da indústria, comércio e serviços, que testam as chances de um ciclo mais curto de alta da Selic, após a desaceleração do PIB, enquanto Lula apela ao populismo para turbinar a economia e salvar a reeleição em 2026. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ 04h00 – Alemanha: Produção industrial de janeiro

▪️ 08h00 – FGV: IGP-DI de fevereiro

▪️ 08h00 – FGV: Primeira prévia de março do IPC-S

▪️ 08h25 – BC: Pesquisa semanal Focus

▪️ 12h00 – EUA/Fed de NY: Expectativas de inflação de fevereiro

▪️ 15h00 – Brasil: Balança comercial semanal

Eventos

▪️ 12h35 – Fed boy Alberto Musalem discursa

▪️ 15h00 – Lula dá posse a Gleisi na SRI

Simon Schwartzman