quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Luiz Fernando Rudge

 O MINISTRO SE PRECIPITOU

A LEI 8443, DE JULHO DE 1992, ASSINADA PELO PRESIDENTE Fernando Collor e seu ministro Célio Borges, dá a uma assessoria especial do Poder Legislativo que aprecia e confere contas de entidades da União o pomposo nome de “Tribunal”; não tem salas de audiência, nenhum juiz e nenhum poder de julgar e sentenciar eventuais deslizes nas prestações de contas de todas as entidades que formam o governo federal, ou seja, a União.
Decisões dos ministros desse tribunal precisam levar em conta o passado deles: são todos oriundos do Senado Federal ou da Câmara dos Deputados, e sua nomeação para estes cargos de natureza vitalícia são uma espécie de prêmio, um arranjo político, por bons serviços prestados na atividade parlamentar.
Nenhum deles tem formação técnica para estas inspeções e auditoria nas contas. Três ministros são médicos (um veterinário), três são advogados, um é engenheiro eletricista, outro é administrador, e, fechando a fila, um policial militar. Eles louvam-se nos trabalhos de três auditores – nomeados em 1992, quando o tribunal foi criado – mais um, admitido próximo ao ano 2000.
Quando o tribunal foi instalado em 1992, as salas tinham profusão de máquinas de escrever e calculadoras Facit, porque as contas chegavam em grandes folhas de papel impresso em máquinas de informática, fornecidas pelo SERPRO, que lhes cabia verificar e conciliar. Atualmente os procedimentos foram atualizados, e os dois mil funcionários lotados no tribunal têm muito serviço, como avaliar os supersalários do Poder Judiciário, as caras emendas das duas casas do Congresso, licitações com possibilidade de superfaturamento e, é claro, as despesas de campanha do presidente Lula, disfarçadas de programas de assistência aos desvalidos.
Esta intromissão do ministro Jhonatas de Jesus para, em pleno recesso do tribunal, pretender inspecionar decisões técnicas embasadas em termos precisos, pelas áreas responsáveis do Banco Central, algumas delas de natureza sigilosa, é precipitada, inconveniente e poderá não ter o apoio dos seus colegas de plenário.
Ou tem uma jogada por trás...

Abertura BDM

 *Abertura: Exterior mostra cautela com tensões geopolíticas e Brasil fica em alerta com Master*


São Paulo, 08/01/2026 -


Por Luciana Xavier e Maria Regina Silva*


OVERVIEW. Em véspera de relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, e IPCA, as atenções no mercado nesta quinta-feira ficam nos desdobramentos do caso Master, produção industrial no Brasil, além de balança comercial e pedidos de auxílio desemprego dos EUA. O presidente Lula participa de cerimônia no Palácio do Planalto para relembrar os três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, às 10 horas.


NO EXTERIOR. A manhã é de cautela, com bolsas em baixa no mercado futuro em Nova York e na maioria da Europa em meio a tensões geopolíticas. Após invadir a Venezuela e levar à força para NY o presidente do país, Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça tomar a Groenlândia e intervir na Colômbia. Trump disse que conversou ontem com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e que um encontro deve ocorrer em breve. E a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou que os princípios da União Europeia se aplicam não só ao bloco, mas igualmente à Groenlândia. Ações de defesa, no entanto, sobem nas praças europeias após Trump defender um aumento substancial nos gastos militares dos EUA. Antes de dados dos EUA, indicadores na Europa ficam no radar. As encomendas à indústria da Alemanha aumentaram 5,6% em novembro ante outubro de 2025, surpreendendo analistas, que previam queda de 1,3%. Os contratos futuros de petróleo operam em leve alta, depois de acumularem perdas nas duas sessões anteriores.


POR AQUI. Os desdobramentos do caso Master e o risco de a crise se espalhar dividem as atenções com a pauta do dia. Ontem as incertezas envolvendo a liquidação do  Master pesaram nas ações do setor financeiro (leia mais abaixo em O que Sabemos). E o INSS colocou sob suspeita 251 mil contratos de crédito consignado do Master. O tom negativo das bolsas no exterior também pode pesar, embora a alta do petróleo seja favorável para as petroleiras. Os ADRs da Petrobrás tinham leve avanço no pré-mercado em NY há pouco, enquanto o EWZ, principal ETF brasileiro negociado por lá, operava estável. O mercado também olha os números da produção industrial, que não devem alterar a perspectiva de Selic estável na reunião do Copom deste mês. Há a expectativa de que o presidente Lula utilize o ato pelo 8 de Janeiro hoje para vetar o projeto de lei que reduz as penas dos condenados pela depredação dos prédios dos Três Poderes.


NA POLÍTICA. Parlamentares do Centrão depositaram quase metade das 232 assinaturas do requerimento de abertura da CPMI do Banco Master. Uma empresa de marketing de Brasília teria sido a responsável por contratar o vereador Rony Gabriel (PL) para atacar o Banco Central e defender o Banco Master. As nomeações de Otto Lobo para presidente e de Igor Muniz para diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foram bem recebidas entre advogados que atuam junto à reguladora. Mas gerou apreensão dentro de algumas alas da autarquia, segundo o Valor Econômico. Antigos votos dele contrariaram recomendações da área técnica. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-TJ), disse que as prioridades em 2026 da base do governo são a manutenção do veto ao projeto de lei da dosimetria - que beneficia os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro; o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública; o projeto de lei antifacção; e a MP do Gás do Povo.


AGENDA.


PRODUÇÃO INDUSTRIAL E BALANÇA DOS EUA NO RADAR - A agenda desta quinta-feira tem como destaques a divulgação do IGP-DI de dezembro (8h), e da produção industrial de novembro (9h). O Tesouro faz leilões de LTN e NTN-F (11h). Nos EUA são esperados balança comercial (10h30), pedidos de auxílio-desemprego (10h30) e estoques no atacado (12h). Na China saem os índices de preços ao consumidor (CPI) d ao produtor (PPI), às 22h30.


O QUE SABEMOS.


SOB PRESSÃO, MINISTRO DO TCU DEVE SUSPENDER INSPEÇÃO NO BC - O ministro-relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve recuar da inspeção in loco no Banco Central. Pelo menos, até o fim do período de recesso da Corte - que só retorna aos trabalhos no próximo dia 16. Em outro movimento, o próprio presidente do TCU, Vital do Rêgo, admitiu à Coluna do Estadão que o tema é delicado e que pretende "ajudar a fazer um meio de campo para não tensionar mais o mercado". "Vou fazer de tudo para termos um resultado final satisfatório", afirmou ele, acrescentando que pretende se encontrar com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.


EM TESE: O recuo temporário pode atenuar a pressão sobre o Banco Central, mas as ações do setor financeiro devem continuar no radar. Ontem registraram perdas na Bolsa. Uma intervenção no Banco Central poderia colocar em risco a credibilidade da autarquia, segundo analistas. Ainda segue no foco a possibilidade de reversão da liquidação do Master, decretada em novembro pelo BC e é investigado pela Polícia Federal, embora especialistas considerem isso difícil. Além disso, continuam incertezas se a crise de liquidez do Master poderá recair sobre o sistema financeiro como um todo, de forma a gerar custos para o consumidor. O economista Roberto Luis Troster prevê que o caso do Banco Master pode se repetir se o País não aprimorar a regulação sobre instituições financeiras. E compara o cenário ao do Banco Santos, que faliu em 2005, após intervenção do BC. Em entrevista à Coluna do Estadão, Troster defende duas mudanças principais para romper esse ciclo. A primeira é a necessidade de analisar um banco não só pelo compliance. A segunda é responsabilizar auditorias e agências de ratings, que por vezes avaliam positivamente bancos sem lastro e não são obrigadas a divulgar conclusões negativas. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acompanha com atenção e preocupação a investigação do TCU.


PETROBRAS - O Ministério Publico Federal (MPF) do Amapá requisitou esclarecimentos "urgentes" ao Ibama e à Petrobras sobre o vazamento de fluido biodegradável, ocorrido no último fim de semana, durante perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Estado.


EM TESE: As ações da Petrobras devem ficar no foco, em meio a esse imbróglio, podendo operar com volatilidade até que a empresa esclareça os fatos. Os ofícios foram enviados ontem, com prazo de 48 horas para que a autarquia e a empresa se manifestem e encaminhem documentos acerca do assunto. A medida foi adotada no âmbito do inquérito civil instaurado em 2018 para apurar a regularidade do licenciamento ambiental do Ibama relativo ao empreendimento da Petrobras.


OVERNIGHT.


DE SAÍDA DA ONU - A administração Trump se retirará de dezenas de organizações internacionais, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece negociações climáticas internacionais, à medida que os EUA se afastam ainda mais da cooperação global. Ontem, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva suspendendo o apoio dos EUA a 66 organizações, agências e comissões.


EUA X VENEZUELA - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Venezuela comprará apenas produtos feitos em território americano com o dinheiro recebido em acordo para petróleo. As compras incluirão produtos agrícolas e medicamentos americanos, equipamentos médico e para utilização na melhora da rede elétrica e de unidades de energia.


CHEVRON - A produtora de petróleo Chevron está em negociações com o governo dos EUA para expandir uma licença chave para operar na Venezuela, a fim de aumentar as exportações de petróleo bruto para suas próprias refinarias e vender para outros compradores, informa a Reuters.


APPLE - O JPMorgan Chase substituirá o Goldman Sachs como parceira para o negócio de cartões de crédito da Apple, informa a Bloomberg.


MORRE O PRESIDENTE DO GRUPO CORONA - O empresário José Adrián Corona Radillo, presidente do Grupo Corona, foi sequestrado e assassinado, afirmou a imprensa do México. Natural do país, ele comandava a empresa conhecida pela fabricação de tequila e outras bebidas alcoólicas.


ENEL CEARÁ - A Enel Ceará (Coelce) anunciou a distribuição da oferta pública de distribuição de notas comerciais escriturais, todas nominativas e escriturais, com garantia fidejussória, da primeira emissão, em série única, no valor de R$ 1,1 bilhão.


LENOVO - Apesar da desconfiança do mercado sobre uma potencial bolha de inteligência artificial (IA), a multinacional chinesa Lenovo afasta essa hipótese, reforça os investimentos no setor e se diz preparada para lidar com a concorrência acirrada por chips nessa indústria. "Definitivamente, IA não é uma bolha", afirmou o presidente global da companhia, Yuanqing Yang.


DEXCO - O conselho de administração da Dexco aprovou a celebração de Acordo de Acionistas com um investidor institucional que subscreverá 100% das novas ações preferenciais a serem emitidas pela controlada indireta da companhia, a Jatobá Florestal. As ações PN serão integralizadas mediante o aporte de aproximadamente R$ 200 milhões. Já o Acordo de Acionistas estabelecerá regras para o exercício do direito de voto e restrições à transferência de ações da empresa.


E NOS MERCADOS.


JUROS DOS TREASURIES - Os rendimentos dos Treasuries operam próximos da estabilidade, enquanto investidores aguardam dados econômicos dos EUA, incluindo pesquisa semanal sobre pedidos de auxílio-desemprego e atualização da balança comercial. Às 7h13, o juro da T-note de 2 anos caía a 3,455% (de 3,469%), o da T-note de 10 anos exibia 4,155% (de 4,141%) e o do T-bond de 30 anos diminuía a 4,843%, após 4,820% no fim da tarde de ontem em Nova York.


FUTUROS DE NY - Os índices futuros das bolsas de Nova York cedem, após o comportamento divergente de Wall Street ontem. Às 7h17, no mercado futuro, o Dow Jones caía 0,33%, o S&P 500 recuava 0,25% e o Nasdaq tinha perda de 0,33%.


EUROPA - As bolsas europeias recuam em sua maioria, mas ações de defesa estendem ganhos recentes após o presidente Donald Trump defender um aumento substancial nos gastos militares dos EUA. Os mercados globais têm focado crescentes tensões geopolíticas nesta semana, após a destituição pelos EUA do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no último sábado, e ameaças de Washington de assumir o controle da Groenlândia. Por lá, investidores avaliam o aumento nas encomendas à indústria da Alemanha e dados da zona do euro. O PPI subiu 0,55 em novembro ante outubro (previsão: 0,2%), a taxa de desemprego do bloco caiu a 6,3% no período (projeção: 6,4%) e o índice de sentimento econômico cedeu a 96,7 em dezembro (previsão: 96,9). Às 7h17, a Bolsa de Londres caía 0,27%, a de Paris cedia 0,21% e a de Frankfurt, -0,14%.


PETRÓLEO - Os contratos futuros de petróleo sobem, depois de acumularem perdas nas duas sessões anteriores, enquanto investidores seguem acompanhando os efeitos do ataque dos EUA à Venezuela. Os EUA intensificaram a campanha contra uma frota clandestina de petroleiros que transporta petróleo venezuelano, com militares abordando à força um navio escoltado pela Marinha russa e apreendendo outro petroleiro próximo ao Caribe. Incertezas sobre as exportações de petróleo da Venezuela podem pressionar a oferta de óleo transportado por via marítima no curto prazo, afirma Ryan McKay, estrategista sênior de commodities da TD Securities, em relatório. Às 7h10, o barril do petróleo WTI para fevereiro subia 0,88% na Nymex, a US$ 56,48, enquanto o do Brent para março avançava 0,85% na ICE, a US$ 60,47.


MOEDAS FORTES - O dólar opera perto da estabilidade ante outras moedas de economias desenvolvidas. Às 7h11, o euro caía a US$ 1,1678 (de US$ 1,1683), a libra recuava a US$ 1,3441 (de US$ 1,3464) e o dólar se enfraquecia a 156,75 ienes, ante 156,79 ienes do fim da tarde de ontem em Nov York. Já o índice DXY do dólar - que acompanha as flutuações da moeda americana em relação a outras seis divisas relevantes - tinha ligeira alta de 0,08%, a 98,76 pontos, após fechar ontem em alta de 0,11%, a 98,684 pontos.


ÁSIA - As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, à medida que o rali de início de ano em Wall Street perdeu força. O índice japonês Nikkei caiu 1,63% em Tóquio, pressionado por ações de tecnologia. O SoftBank, grupo que foca investimentos em tecnologia, tombou 7,59%, enquanto o fabricante de equipamentos para semicondutores Tokyo Electron recuou 4,01%. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve queda de 1,17% em Hong Kong e o Taiex cedeu 0,25% em Taiwan. Contrariando o tom negativo, o sul-coreano Kospi subiu 0,03% em Seul, renovando máxima histórica pelo quinto pregão consecutivo. Na China continental, os mercados ficaram perto da estabilidade, com baixa de 0,07% do Xangai Composto e ganho de 0,17% do menos abrangente Shenzhen Composto. No fim da noite de hoje, estão previstos dados da inflação chinesa referentes a dezembro. Na Oceania, o S&P/ASX 200 da bolsa australiana avançou 0,29% em Sydney.

Crise imobiliária na China Jonas Federighi

 

A crise imobiliária chinesa já não é apenas uma história de “tijolo”: virou um caso macroeconômico clássico de sinais sendo abafados. Quando o Estado passa a retirar do ar contas e conteúdos “negativos”, punir perfis e enquadrar o debate público, o recado para o capital global é simples: o problema está grande o suficiente para que a transparência vire ameaça. Não se trata de comunicação — trata-se de governança do risco.

Imóveis são a espinha dorsal do sistema financeiro em quase todo lugar: colateral bancário, base patrimonial das famílias, ativo relevante em seguradoras, fundos e balanços públicos. Logo, quando preços caem e, ao mesmo tempo, a qualidade/abundância de dados diminui, a consequência não é “menos pessimismo”; é mais incerteza, mais prêmio de risco, menos crédito, menos investimento e mais fragilidade sistêmica. Censurar o termômetro não baixa a febre — só faz o mercado descobrir a temperatura pelo pior método possível: tarde e com custo maior (geralmente pago em confiança).

O que essa matéria escancara conversa diretamente com o capítulo 3 das Seis Lições (Mises): intervencionismo não é meio-termo estável. Ele tenta “corrigir” o mercado, mas distorce preços, entope o mecanismo de coordenação e cria efeitos colaterais que exigem novas intervenções — até que o sistema fique viciado em controle para sustentar as distorções anteriores. No caso chinês, a tentativa de administrar expectativas (inclusive no ambiente digital) parece andar junto com a tentativa de administrar preços e ritmo de ajuste. É por isso que a frase “intervencionismo é um câncer” faz sentido aqui: cresce silencioso, espalha distorções e cobra a conta quando já tomou o organismo inteiro.

A conclusão, com visão global, é direta: não é um debate sobre mercado imobiliário; é sobre o que acontece quando o Estado gigante substitui preço, concorrência e informação por comando e controle. O ajuste sempre vem — a diferença é se chega por reprecificação rápida e transparente (dolorosa, porém saneadora) ou por ajuste lento, opaco e politizado (doloroso e corrosivo). Vale abrir discussão séria: quais são os sinais de “ponto de não retorno” quando a política decide que a realidade precisa se adequar à narrativa?

Para aprender economia

 


5 livros para aprender economia e entender o Brasil


Esses cinco livros formam um itinerário perfeito para uma compreensão ampla, rica e crítica da economia brasileira, unindo história, cultura e debates atuais contra dogmas neoliberais.

Comece com Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado, clássico que destrincha ciclos exportadores coloniais e industrialização tardia, explicando o subdesenvolvimento periférico que ainda molda o país. Em seguida, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, conecta cultura patrimonialista — o "homem cordial" — às desigualdades econômicas profundas, mostrando como raízes sociais perpetuam clivagens.

Avance para Economia Brasileira: Uma Introdução Crítica, de Luiz Carlos Bresser-Pereira, que analisa falhas estruturais em políticas monetárias e fiscais, propondo novo-desenvolvimentismo contra rigidez ortodoxa. Brasil em Disputa (Laura Carvalho, 2024) oferece visão afiada das batalhas entre desenvolvimentistas e neoliberais, desafiando narrativas dominantes com dados recentes.

Finalize com O Mito da Austeridade (Antonio Corrêa de Lacerda, org.), que refuta cortes recessivos via multiplicadores keynesianos, defendendo déficits anticíclicos — ideal para debater 2026 sob pressões globais.

Juntos, constroem pensamento crítico para podcasts no "Economista Bruno Mota".

Quais os livros que você indicaria? Fique à vontade ! O espaço é para o debate rico, maduro e saudável! Aprendemos com todas contribuições!

Call Matinal 0801

 Call Matinal

08/01/2026

Julio Hegedus Netto, economista

 

Pensatas:Caso Master. Com certeza, pensando em se blindar, na velha traficância de influência, este Daniel Vorcaro envolveu mta gente do poder, muito político, empresário, ministro do STF, em variados “rega bofes”, surubas diversas, eventos no exterior. E muitos se venderam por isso. Dizem q está tudo na porcaria do celular dele. Ele é o Epstein tupiniquim.”

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (0701)

MERCADOS E AGENDA

No mercado brasileiro de quarta-feira (07), o Ibovespa fechou em queda de 1,03%, a 161.975 pts, com giro de R$ 24,5 bilhões, destaque negativo para os bancos.. Já no mercado cambial, o dólar à vista fechou em alta de 0,12%, a R$ 5,38.

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PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta quinta-feira (08), com todas as atenções voltadas para o relatório de empregos (payroll) dos EUA, que será divulgado na sexta-feira, depois que a série de dados do mercado de trabalho de quarta-feira pouco alterou as expectativas em relação às taxas de juros do Fed.

 

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,21%

S&P 500 Futuro: -0,15%

Nasdaq Futuro: -0,26%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), -0,07%

Nikkei (Japão): -1,63%

Hang Seng Index (Hong Kong): -1,17%

Nifty 50 (Índia): -0,86%

ASX 200 (Austrália): +0,29%

Europa

 

 

STOXX 600: -0,10%

DAX (Alemanha): +0,27%

FTSE 100 (Reino Unido): -0,17%

CAC 40 (França): -0,13%

FTSE MIB (Itália): +0,07%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, +0,27%, a US$ 56,15 o barril

Petróleo Brent, +0,28%, a US$ 60,13 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, -0,37%, a 813 iuanes (US$ 116,19)

 

NO DIA, 0801

Em destaque hoje a decisão de Lula de vetar o PL da dosimetria, o que deve ser rejeitado pelo Congresso. Em paralelo, temos uma agenda pesada na sexta-feira, com payroll e IPCA, hoje saindo o auxílio-desemprego nos EUA e a produção industrial do IBGE em novembro, ainda fraca. Em paralelo, o mercado segue monitorando o desenrolar do caso Master, que coloca o BCB e o TCU em rota de colisão, deixando os investidores ressabiados. Muitos investidores internacionais e bancos globais têm procurado interlocutores no Brasil, com medo de que a ingerência do TCU ameace a independência do BCB. O maior risco é de que o ambiente de dúvidas e desconfianças possa culminar na fuga do capital externo. Pelo último informe da B3, os estrangeiros retiraram R$ 212,4 milhões na última segunda-feira (05), com saldo negativo de R$ 1,1 bilhão acumulado em 2026. Por outro lado, chama atenção o nível do debate, com este Jhonathan de Jesus (com h mesmo) agindo como bedel de escola de freiras, querendo interferir em tema fora da sua alçada. Depois de tantas interferências do Alexandre de Moraes, tudo se torna previsível. No embate, ele, sózinho, em decisão monocrática, bate de frente com uma das últimas reservas morais deste país, o BCB com autonomia operacional. Nada poderia ser pior…

Agenda Macroeconômica Brasil

 

 

 

 

Quinta-feira, 08 de Janeiro 

04h00 – Alemanha/Destatis: encomendas à indústria de novembro

07h00 – Zona do euro/Eurostat: Taxa de desemprego de novembro

07h00 – Zona do euro/Comissão Europeia: Índice de sentimento econômico de dezembro

07h00 – Zona do euro/Eurostat: PPI de novembro

08h00 – FGV: IPC-S da 1ª quadrissemana de janeiro

08h00 – FGV: IGP-DI de dezembro

09h00 – IBGE: Pesquisa Industrial Mensal de novembro

10h30 – EUA/Deptº do Comércio: balança comercial de outubro

10h30 – EUA/Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego da semana até 3/1

12h00 – EUA/Deptº do Comércio: Estoques no Atacado de outubro

22h30 – China/NBS: CPI e PPI de dezembro

Planalto realiza solenidade que marca três anos do ataques golpistas de 8 de janeiro

 

 

 

 

Boa quinta-feira para todos! Feliz 2026 !

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Paulo Cursino

 Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O país faz fronteira com a gente, já recebemos milhares de refugiados relatando os horrores da ditadura de Nicolas Maduro, com milhares de perseguidos políticos, com uma eleição fraudada diante dos olhos do mundo, o que mais precisaria acontecer na Venezuela para que tomássemos uma atitude e ajudássemos nossos irmãos latinos?

Bem, precisávamos de um presidente de verdade, de um democrata, de um estadista, de um homem. Tudo que Lula não é, nunca foi, e nunca será. Além de fingir não reconhecer a eleição fraudada – pois tudo que Lula fez depois demonstrou o contrário, que ele reconheceu o roubo, afinal é um especialista nisso – deu as costas para o assunto e fez ainda pior: recebeu o narcoditador com honras, em tapete vermelho, tecendo elogios, fazendo piadinhas, em nosso solo pátrio, manchando ainda mais a imagem do Brasil para o mundo. A atitude de Lula com Maduro nunca mudou mesmo com o ditador apertando ainda mais o pescoço dos venezuelanos. Lula sempre manteve o compadrio do banditismo, a da vagabundagem ideológica, a da subserviência com tudo que há de errado sempre.
No ano passado, Maria Corina Machado foi recebida com honras em Oslo para receber seu prêmio Nobel da Paz, pela luta contra a ditadura de Maduro. Em seu discurso, ela defendeu a liberdade não apenas para o seu país, mas para toda a América Latina. Alguém viu Lula parabenizando ou citando Maria Corina? Pelo contrário, Lula a IRONIZOU depois da campanha fraudada por Maduro. Com um parceiro desses, a Venezuela realmente estava lascada, não tinha mesmo com quem contar. E agora estão chiando com a ajuda de Trump? Com o perdão do termo: vão à merda.
Vamos deixar bem claro para quem ainda insiste em ver ideologia em tudo e da forma errada: Trump não é um autocrata, ele foi eleito recebendo o cargo de outro presidente. Maduro não é uma vítima, é um narcoditador sanguinário e fraudador de eleições. Lula não é um democrata e nem um bom político, não passa de um bandidinho esperto e mequetrefe capaz de vender a própria mãe para permanecer no poder e sempre se colocou do lado errado da história. Lamento se você um dia já votou no cara. Tenho orgulho máximo de NUNCA ter acreditado em Lula.
E se você ainda reluta para entender e aceitar tudo isso, é porque frequentou faculdades de humanas demais e acreditou demais na Rede Globo e na Folha de São Paulo. Abra a cabeça, o mundo está mudando, não fique para trás. Aceite e assuma as coisas como elas são. Quem vive de narrativa é autor de novela.

Trump implodiu plano de Lula

 Batista, Vorcaro e o petróleo: Trump implodiu o plano de Lula para 2026


Por Paula Sousa


Se você achava que o Brasil era o país da criatividade, precisa ver como o pessoal do "amor" se superou. Eles conseguiram transformar a ditadura vizinha em um cofre particular, mas esqueceram de combinar com o "xerife" lá no Norte.


Eu juro que tentei focar nos escândalos nacionais, mas os irmãos Batista e o senhor Daniel Vorcaro simplesmente não colaboram. Quando a gente acha que vai focar aqui, as notícias nos puxam para Caracas. E não sou eu quem está inventando: as colunas de Lauro Jardim de hoje escancaram o tamanho da "coincidência".


A dança dos bilhões: O ano mágico de 2024


Imagine que você é um empresário de sucesso. Onde investiria seu suado dinheirinho? Se você for do "círculo íntimo", corre para a Venezuela. Foi exatamente o que fizeram Joesley Batista e Daniel Vorcaro em 2024. A matéria do jornalista Lauro Jardim desta segunda-feira: "Joesley Batista e seus poços de petróleo na Venezuela: sob segredo" , revela que a J&F já é dona de poços por lá. E o Vorcaro? Outra nota de Jardim, "Vorcaro e o petróleo na Venezuela" , confirma que o ex-banqueiro tornou-se sócio de poços onde já foram investidos 150 milhões de dólares.


O mais engraçado é o mistério. O Itamaraty colocou sigilo de 5 anos nos telegramas diplomáticos sobre os negócios da J&F na Venezuela. Ué? Se é tudo legítimo, por que esconder? Lula não havia prometido em 2022 que acabaria com os sigilos?


Banco Master: O Novo Queridinho do Planalto


Precisamos falar sobre como o Banco Master, de Vorcaro, se tornou o fenômeno da natureza no governo Lula 3. De um banco discreto, ele saltou para o centro do tabuleiro. O Master se especializou em comprar precatórios — aquelas dívidas que o governo "coincidentemente" decidiu pagar com uma urgência nunca antes vista.


A tese de Lauro Jardim é que o Master não é apenas um banco; é a engrenagem que lubrifica o fluxo entre o orçamento público brasileiro e as "investidas" na Venezuela. O banco cresce, o governo paga precatórios, e o dinheiro flui para os poços venezuelanos. Uma simbiose perfeita.


A evolução da espécie (dos esquemas)


Lula é um visionário. No Lula 1, tivemos o Mensalão (amador). No Lula 2, o Petrolão (estatais). Agora, no Lula 3, atingiram o ápice: o Esquema Transnacional. Por que roubar aqui, onde a justiça bisbilhota, se você pode mandar o dinheiro para a Venezuela via "investimento em petróleo"?


O plano era genial: manda os dólares para o Maduro e o ditador camarada guarda tudo. Quando chegar 2026, esse dinheiro volta "limpinho" para financiar campanhas. A Venezuela não era um país; era o "Banco Central do Foro de São Paulo".


O petróleo que ninguém quer (e o Trump levou)


Mas tem um detalhe técnico: o petróleo da Venezuela é uma porcaria. É extra pesado, viscoso e cheio de metais. Custa entre 70 dólares por barril para extrair. Com o preço de mercado caindo, esse negócio não dá lucro comercial! Então, por que Joesley e Vorcaro colocariam milhões lá? Se não é pelo lucro, é pelo esquema. Ninguém investe 150 milhões de dólares em asfalto líquido se não houver um objetivo político por trás.


O pesadelo americano de Joesley Batista


Aqui o bicho pega para o Joesley. Ao investir em poços que podem ter sido confiscados de empresas americanas no passado, ele entrou em um campo minado. A justiça americana, sob Trump, vê isso como financiamento de ditadura. Se ficar provado que ele usou o sistema financeiro para sustentar o esquema Maduro-Lula, Joesley pode ver seus ativos congelados e encarar o FBI. Por isso a pressa dele em ir a Caracas tentar convencer Maduro a renunciar; foi tentativa de apagar o rastro antes que o xerife chegasse.


A "implosão" do plano de 2026


A prisão de Maduro explodiu o cofre. A análise da CNN também desta segunda-feira fala sobre a "Crise na Venezuela implode plano de Lula para largada de 2026" acerta em cheio: o problema não é só a imagem de "amigo de ditador", é que o fluxo financeiro secou. Sem o dinheiro guardado em Caracas, Lula perde o poder de "incentivo" junto ao Congresso.


A agenda de "entregas" para a eleição travou porque o dinheiro está bloqueado pelo fator Trump. Imagine o Maduro fazendo uma delação premiada em New York... se ele contar como o dinheiro do petróleo financiava o projeto de poder do PT, não haverá sigilo de 100 anos que salve o Planalto.


Enquanto a maioria dos brasileiros se preocupa com o fim do relacionamento de subcelebridades do Instagram, a elite do "capitalismo de compadrio" joga xadrez com o nosso futuro. Defendem a Amazônia aqui, mas investem em óleo sujo em ditadura vizinha. A soberania que defendem nunca foi do povo venezuelano; era a soberania do esquema. Agora, o vidro da redoma quebrou.


(Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 6/1/2026)

Ouro se valorizando

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