quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Biblioteca dos Saberes

 Fã de Niemeyer, carioca por adoção e nascido em Burkina Faso: conheça Francis Kéré, arquiteto que assina Biblioteca dos Saberes

Ele é o primeiro homem africano a conquistar o Pritzker, principal prêmio da arquitetura mundial. Desde criança sonhava em construir espaços mais funcionais.

Por Cristina Boeckel, g1 Rio - 22/11/2025 


Biblioteca dos Saberes faz parte do projeto Praça Onze Maravilha


O arquiteto Diébédo Francis Kéré, de 60 anos, um dos mais premiados do mundo, é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes, parte da iniciativa da Praça Onze Maravilha. Com uma história em que usa referências locais para melhorar a vida de populações ao redor do mundo, o burkinabè [como o povo de Burkina Faso se refere a si] disse que se considera carioca por adoção.


“Eu tive a mesma conexão em espírito e em ações com o povo do Rio”, disse o arquiteto no lançamento do projeto, na quinta-feira (20).


Kéré é o 1º africano a conquistar o Pritzker, prêmio considerado o “Nobel da Arquitetura”. Nascido em Gando, uma vila de Burkina Faso, Kéré contou que o desejo de ser arquiteto surgiu a partir de um problema na infância: ele sofria com o calor na escola e passou a querer construir lugares melhores para as outras crianças.


“Eu nasci aqui [apontando para a vila onde nasceu em Burkina Faso]. Não tinha muitas oportunidades e tive chance de ter uma educação melhor. Eu fui para a Alemanha e achei que poderia criar algo para meu povo”, contou Kéré.


O pai de Kéré era o chefe da vila onde a família vivia. Ele não sabia escrever, mas queria que o filho mais velho aprendesse.


“Meu pai recebia cartas do governo e não tinha ninguém para ler. Então, em vez de me deixar trabalhando no campo, ele me mandou para a cidade para aprender a ler e escrever”, contou o arquiteto em entrevista ao Fantástico.


Depois, nos anos 1980, ele foi para a Alemanha. Primeiro, fez um curso de carpintaria para, mais tarde, se formar em Arquitetura.


Em 2001, Kéré realizou o sonho de infância. Retornou ao povoado e começou a erguer a escola com a ajuda da comunidade. O projeto conta com materiais da região e usa a iluminação natural.


Da argila ao 'Nobel da Arquitetura': como Francis Keré se tornou o primeiro negro a receber o prêmio Pritzker


O investimento em projetos sustentáveis não ficou restrito a Burkina Faso. Ele assinou projetos semelhantes em vários pontos do mundo, que o levaram ao prêmio Pritzker em 2022.


A honraria, considerada uma das mais importantes do mundo, é destinada aos arquitetos que demonstram em seus trabalhos a união entre talento, visão e comprometimento com o meio onde vivem.


Desde 1979, quando foi criado, 2 arquitetos brasileiros já conquistaram o Pritzker: Oscar Niemeyer, em 1988, e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.


Francis Kéré é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes. — Foto: Reprodução/ TV Globo

Francis Kéré é o autor do projeto da Biblioteca dos Saberes. — Foto: Reprodução/ TV Globo

A arquitetura de Niemeyer, inclusive, é uma das referências de Francis Kéré. Ele destacou que é uma honra ter a chance de assinar o projeto de uma biblioteca próxima a uma das mais famosas obras dele.


“A arquitetura brasileira é inspiradora e eu admiro Niemeyer. E tenho a chance de criar um projeto próximo ao Sambódromo, criado por ele. Para mim, é uma grande honra”, destacou.

Biblioteca.


Com mais de 40 mil m², o edifício da Biblioteca dos Saberes terá pilotis, cobogós, jardins suspensos e uma torre circular aberta à luz natural. O espaço contará com teatro, anfiteatro, cozinhas, salas de estudo, áreas expositivas e acervos voltados à memória, patrimônio e expressões populares.


O espaço será instalado na região onde funciona o Terreirão do Samba, perto do monumento a Zumbi dos Palmares e integrado às iniciativas da região da Pequena África.


O anúncio do projeto da biblioteca acontece no ano que o Rio de Janeiro é a Capital Mundial do Livro pela Unesco. A iniciativa tem como objetivo incentivar a leitura.


Kéré esteve pela primeira vez no Rio em maio. Ele percorreu lugares que refletem a cultura do Rio e do Brasil: viu o manto tupinambá, no Museu Nacional de Belas Artes, caminhou pelo jardim de Roberto Burle Marx, conheceu o Edifício Capanema — ícone do modernismo brasileiro —, e esteve na Pedra do Sal com Teresa Cristina e a velha guarda da Portela.


O arquiteto também se encontrou com a escritora Conceição Evaristo, que discursou no lançamento do projeto, na quadra da Estácio de Sá.


“Que venha a biblioteca, onde a movimentação seja humana, abarcando a pluralidade da nossa cidade. Que o morro desça, que a população busque o que lhe pertence como direito cidadão: livros e arte, livros e democracia, livros vivos, livros e humano”, afirmou a escritora.


Projeção de como ficará a Biblioteca dos Saberes — Foto: Divulgação/ Prefeitura do Rio.

SAF Botafogo

 NOTA OFICIAL 


Em resposta às recentes reportagens acerca das medidas judiciais propostas pelas lideranças do Clube Social, a SAF Botafogo vem a público manifestar o seguinte posicionamento:


1. A SAF informa que cumpre integralmente as obrigações estipuladas no acordo firmado por seus acionistas por ocasião da transferência de ações para a Eagle Football e seu acionista majoritário, John Textor.


2. A SAF reitera seus esforços na renegociação e quitação da dívida histórica bilionária do Botafogo de Futebol e Regatas, reconhecida e homologada pelo Poder Judiciário e pelos credores do clube.


3. A SAF Botafogo é pautada por decisões técnicas, com uma gestão qualificada e profissionais de futebol de alto nível, o que permitiu ao clube conquistar a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024, alcançar número recorde de participações consecutivas nessa competição continental e elevar o patamar competitivo do Botafogo, que voltou a sonhar com conquistas relevantes. Ao vencer a melhor equipe do mundo e ser indicado entre os cinco melhores clubes do planeta no Ballon d’Or, o Botafogo deixou de ser o outrora grande, porém esquecido. O Botafogo é hoje um clube sobre o qual o mundo fala — o Glorioso e Mais Tradicional do Brasil. Esse feito foi alcançado em apenas três anos de existência da SAF. Superamos, e muito, todas as expectativas do Clube Social e de nossa torcida.


4. A SAF Botafogo repudia os pedidos apresentados ao Poder Judiciário, baseados em alegações inverídicas, sem amparo jurídico, sem fundamento no contrato de investimento ou no acordo de acionistas, e marcados por evidente desconhecimento do direito empresarial e das normas de processo civil, cujos limites de atuação na instância recursal não foram observados.


5. A SAF Botafogo rejeita as imputações feitas à sua gestão, uma vez que grande parte de nosso trabalho tem sido o de sanar equívocos do passado, ao mesmo tempo em que entregamos conquistas inéditas a um clube com mais de 130 anos de história. Nossa gestão é uma gestão vencedora. Há investimento em profissionais e atletas de excelência. Há compromisso em manter o Botafogo entre os principais clubes do mundo. Transformamos a desesperança de nossos torcedores nas mais altas expectativas de sucesso futuro.


6. Atualmente, o foco da SAF Botafogo é concluir com êxito o ano de 2025 e trabalhar por um glorioso 2026, aguardando, em respeito aos seus torcedores, uma rápida e eficiente resolução entre seus acionistas.


7. Cabe destacar que não há qualquer compromisso estabelecido com um clube britânico envolvendo transferência de jogadores do Botafogo, como circularam especulações nas redes sociais. Os benefícios do modelo multiclubes e o interesse de Textor de expandir a rede já são conhecidos, mas qualquer notícia referente ao tema não procede neste momento.


8. A SAF Botafogo permanece sempre aberta ao diálogo com um Clube Social unificado, por entender que este é, certamente, o melhor caminho para resolver conflitos e preservar a imagem institucional da marca Botafogo. Campeonatos se ganham com amor, e esperamos um parceiro, no Clube Social, que compartilhe dessa mesma crença.


SAF BOTAFOGO

Conrado Hübner Mendes

 Ministro banqueirófilo pode julgar banqueiro?


Decisão do STF sobre Vorcaro, seja qual for, exalará todos os cheiros da suspeita

Banqueiro acusado de crimes contra o sistema financeiro patrocinou elites políticas, jurídicas e empresariais


Daniel Vorcaro é acusado de crimes contra o sistema financeiro. Teria praticado as mais desvairadas aventuras com dinheiro público e privado, fundos de previdência estatais, recursos de aposentados, falsificado títulos de crédito, negociado CDBs de contos de fadas.


Sob a condescendência do Banco Central, Cade, Fundo Garantidor de Créditos, além de governos municipais e estaduais que bancaram suas promessas, o Banco Master explodiu e acaba de ser liquidado pelo Banco Central. Vorcaro segue em prisão preventiva enquanto advogados trabalham juridicamente e "sócio-politicamente" para tirá-lo de lá.


O banqueiro costumava ressaltar que um de seus lemas nos negócios era escolher bem as pessoas "com quem se conectar nessa jornada". Levou tão a sério sua jornada que passou a patrocinar elites políticas, jurídicas e empresariais, a financiar o respeito e a admiração da Faria Lima e da praça dos Três Poderes.


Em 2022, no Lide Brazil Conference, de Nova York, Vorcaro financiou jantar de gala para ministros Gilmar Mendes, Luis Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e mais dezenas de pessoas. O Banco Master não estava anunciado como patrocinador oficial, mas havia dinheiro de Vorcaro.


Em 2023, no 1º Fórum Esfera Internacional, realizado em Paris, na presença de Barroso e Gilmar, Vorcaro elogiou o STF como "guardião da democracia". Em 2024, no 2º Fórum Esfera Internacional, ali perto em Roma, com Toffoli, Lewandowski, Barroso e Gonet no recinto, Vorcaro palestrou e alertou que o governo precisava resolver o "buraco das contas públicas".


Em 2024, em Londres, por ocasião do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto com patrocínio do Banco Master, Gilmar, Moraes, Toffoli e Lewandowski ofereceram suas próprias ideias a esse fórum de ideias do encontro lobístico.


As rodas de conversa organizadas por empresas como Lide, Voto, Esfera e IDP contam com a presença de um Brasil muito particular, muito pequeno, muito homogêneo, muito rico. Encontros promíscuos temperados por cotas de diversidade nas mesas públicas, sem cotas nos coquetéis privados. Um Brasil que estabelece uma relação abusiva com a lei.


A configuração de conflitos de interesse nesse novo capítulo da batalha jurídica que enreda o Banco Master e seus sócios, se não traz nada de original, pelo menos ajuda a explicar o óbvio com mais riqueza romanesca.


Ministros do STF tornaram impossível a instituição do STF tomar decisão digna de respeito sobre o Banco Master e seus sócios. Se conceder habeas corpus para tirá-los da prisão, desconfiaremos de favor aos amigos ricos. Se negar habeas corpus, desconfiaremos que foi justamente para prevenir a imagem de favor aos amigos.


Teremos toda razão para duvidar de qualquer despacho que beneficie ou não qualquer desses sujeitos e suas empresas. Porque as condições para aplicação imparcial da lei foram suprimidas pelos ministros que frequentam esse interminável happy hour.


A banqueirofilia não é exclusiva à magistocracia. Mas quando entra no sistema de justiça, corrompe as condições pressupostas no respeito que magistrados nos pedem e na autoridade que exercem.


Texto de Conrado Hübner Mendes na Folha de São Paulo

Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e membro do Observatório Pesquisa, Ciência e Liberdade - SBPC

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Call Matinal 2611

 CALL MATINAL 

26/11/2025 

Julio Hegedus Netto, economista


MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO (25/11)

MERCADOS E AGENDA

Nesta terça-feira (25), o Ibovespa fechou em alta de 0,41%, aos 155.814 pontos, refletindo o clima mais positivo nas bolsas globais e maior apetite por risco dos investidores. Já o dólar recuou cerca de 0,35%, encerrando o dia em torno de R$ 5,37–5,38, alinhado à fraqueza da moeda americana no exterior. A curva de juros futuros cedeu levemente na parte média e longa, com o mercado mantendo a leitura de que há espaço para novos cortes de Selic à frente.


PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (26), véspera do feriado de Thanksgiving, impulsionados por dados fracos sobre o consumo nos EUA e a ascensão de um nome favorável a cortes nas taxas de juros como possível presidente do Fed, o que levou os mercados a precificar uma redução quase certa do Fed Funds.


MERCADOS 5H30

EUA

Dow Jones Futuro: +0,26%

S&P 500 Futuro: +0,37%

Nasdaq Futuro: +0,48%

ÁSIA-PACÍFICO

Shanghai SE (China), -0,15%

Nikkei (Japão): +1,85%

Hang Seng Index (Hong Kong): +1,17%

Nifty 50 (Índia): +0,13%

ASX 200 (Austrália): +0,81%

EUROPA

STOXX 600: +0,50%

DAX (Alemanha): +0,45%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,29%

CAC 40 (França): +0,54%

FTSE MIB (Itália): +0,43%

COMMODITIES

Petróleo WTI, -0,29%, a US$ 57,78 o barril

Petróleo Brent, -0,37%, a US$ 62,25 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,19%, a 797 iuanes (US$ 112,50)


NO DIA, 2611

Nos EUA, o PCE e o PIB do terceiro tri acabaram adiados para o dia 23 de dezembro, acendendo um sinal para mais um corte de juro pelo FED. Pesquisas indicam 85% de chances disso acontecer. Na agenda de lá, dia de Livro Bege e pedidos de auxilio desemprego. No Brasil, dia de IPCA15, o que deve reforçar também a tese pelo corte de juro no Copom a partir da reunião de janeiro dez2026. Isso anima as bolsas, em bom ciclo de alta. Só continua complicado o front fiscal, ainda mais depois da aprovação do projeto de aposentadoria especial para os agentes de saúde no Senado, com impacto bilionário de R$ 40 bi em dez anos. Este projeto garante aposentadoria integral e paridade nos reajustes com os funcionários da ativa, além de conceder o benefício aos 52 anos. Agora, segue para a Câmara, com a Previdência calculando R$ 24,72 bilhões no mesmo período e a Confederação Nacional de Municípios, R$ 103 bilhões às prefeituras. Alcolumbre nega que este projeto seja uma “pauta-bomba”, citando o Vale-Gás e o Pé-de-Meia como exemplos de propostas do Executivo. A prova de que o clima está feio no Congresso foi dada por novas iniciativas de Alcolumbre, que se apressou em marcar a sabatina de Jorge Messias para o dia 10 de dezembro, na CCJ e no plenário do Senado.  




Agenda Macroeconômica Brasil 


Segunda-feira, 24 de novembro  Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24%  

Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50  

Relatório Focus do Banco Central  

Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | Exp R$262,1bi  

Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central

Terça-feira, 25 de novembro  Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20%  

Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21%  

Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi  

Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi

Quarta-feira, 26 de novembro  Índice de Confiança da Indústria FGV  

Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10%  

Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi  

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | Exp 4,52%  

Mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | Exp 0,22%  

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi


Quinta-feira, 27 de novembro  Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36%  

IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92%  

Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | Exp R$36,8bi 

Sexta-feira, 28 de novembro  Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi  

Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | Exp R$34,6bi  

Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70%  

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | Exp 90.200

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Call Matinal 2511

 

Call Matinal

25/11/2025

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL

 

FECHAMENTO (24/11)

MERCADOS E AGENDA

Nesta segunda-feira (24), o Ibovespa registrou alta tímida de 0,33%, aos 155.277,56 pontos, com volume financeiro de R$ 27,5 bilhões. Já o dólar, depois de 2% na semana passada, registrou “ajuste técnico” e fechou em leve queda de 0,12%, abaixo de R$ 5,40, a R$ 5,3950. Hoje é dia de votação no Congresso do PL da aposentadoria especial dos agentes de saúde. Rombo previsto no Orçamento deve passar de R$ 21 bi.

 

 

PRINCIPAIS MERCADOS

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta terça-feira (25), após tentativa de consistente recuperação, impulsionada pelas techs, em meio ao crescente otimismo de que o Fed possa anunciar um corte nas taxas de juros em dez25 (dia 10).

 

 

MERCADOS 5h30

EUA

 

 

Dow Jones Futuro: -0,06%

S&P 500 Futuro: -0,06%

Nasdaq Futuro: -0,14%

Ásia-Pacífico

 

 

Shanghai SE (China), +0,87%

Nikkei (Japão): +0,07%

Hang Seng Index (Hong Kong): +0,69%

Nifty 50 (Índia): +0,17%

ASX 200 (Austrália): +0,14%

Europa

 

 

STOXX 600: +0,25%

DAX (Alemanha): +0,17%

FTSE 100 (Reino Unido): +0,23%

CAC 40 (França): +0,32%

FTSE MIB (Itália): +0,21%

Commodities

 

 

Petróleo WTI, -0,56%, a US$ 58,51 o barril

Petróleo Brent, -0,62%, a US$ 62,98 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, +0,51%, a 794 iuanes (US$ 111,78)

 

NO DIA, 2511

No radar dos mercados, é crescente a possibilidade de corte de juro em 0,25 pp pelo Fed em dez (dia 10). Na bolsa de apostas, já são 70% a 80% de probabilidade, o que impulsionou os mercados nesta segunda. Mary Daly e Christopher Waller, ambos do board do Fed, acreditam nisso. Em paralelo, uma tênue esperança de  plano de paz para a Ucrânia na quinta-feira, embala os mercados na Europa. Lembremos que esta foi a data que Trump marcou como limite. Na agenda do dia, nos EUA temos PPI, vendas no varejo, ADP semanal e confiança do consumidor do Conference Board. O PCE de setembro, previsto para amanhã, foi adiado para dia 5/12, a tempo da reunião do Fed (10), e a divulgação do PIB/3Tri, postergada para 23/12. No Brasil, saem os dados do setor externo de outubro, enquanto o mercado monitora Gabriel Galípolo em audiência pública no Senado (10h), em ambiente de alta tensão política, diante da votação de uma pauta de bomba fiscal nesta terça-feira (aposentadorias especiais dos agentes de saúde).

 

 

 

 

Agenda Macroeconômica Brasil

 

Segunda-feira, 24 de novembro 

 Índice de Preços ao Consumidor - IPC-S FGV: Consenso 0,24% 

Índice de Confiança do Consumidor FGV: Consenso 88,50 

Relatório Focus do Banco Central 

Arrecadação Tributária Federal: sem consenso | Anterior R$216,7bi | Exp R$262,1bi 

Eventos/Debates Diretores e Presidente do Banco Central

 

 

Terça-feira, 25 de novembro 

Índice de Preços ao Consumidor - FIPE (Semanal): Consenso 0,20% 

Índice Nacional de Custo da Construção - FGV: Consenso 0,31% | Anterior 0,21% 

Balança de Conta Corrente: Consenso -US$4.600mi | Anterior -US$9.774mi 

Investimento Estrangeiro Direto: Consenso US$6.000mi | Anterior US$10.671mi

 

 

Quarta-feira, 26 de novembro 

Índice de Confiança da Indústria FGV 

Empréstimos Totais em Aberto - variação mensal: Consenso 1,10% 

Total de Empréstimos em Aberto: Consenso R$6.844bi 

Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - 12 meses: Consenso 4,49% | Anterior 4,94% | Exp 4,52% 

Mensal: Consenso 0,18% | Anterior 0,18% | Exp 0,22% 

Dívida Federal Total: Consenso R$8.122bi

 

Quinta-feira, 27 de novembro 

Índice Geral de Preços - Mercado (IGPM) FGV - mensal: Consenso 0,28% | Anterior -0,36% 

IGPM FGV - 12 meses: Consenso -0,09% | Anterior 0,92% 

Índice de Confiança do Comércio e Serviços FGV

Resultado Orçamentário do Governo Central: Consenso R$37,4bi | Anterior -R$14,5bi | Exp R$36,8bi

 

 

Sexta-feira, 28 de novembro 

Saldo Orçamentário Nominal: Consenso -R$57,4bi | BTG -R$102,2bi 

Saldo Primário do Setor Público: Consenso R$33,4bi | Anterior -R$17,5bi | Exp R$34,6bi 

Taxa de Desemprego Nacional: Consenso 5,60% | Anterior 5,60% | BTG 5,70% 

Criação Formal de Empregos: Consenso 107.500 | Anterior 213.002 | Exp 90.200

 

 

 

 

 

Boa terça-feira a todos!

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Ontem, segundo dia de subidas consecutivas, mas com bastante força. Principalmente tecnologia, porque está diretamente vinculada às expetativas sobre taxas de juros. Daly (Fed São Franscisco) afirmou que irá apoiar outra descida de taxas de juros a 10 de dezembro, porque acredita que o emprego se deteriora. Waller (Conselho da Fed) apoiou a descida sob argumento idêntico. Portanto, atualmente, o consenso oscilante estima ca. 70% de probabilidade da Fed baixar taxas de juros em dezembro e esse foi ontem o principal fator impulsionador do mercado, junto com a ingénua expetativa de um plano de paz para a Ucrânia na quinta-feira, que é a data que Trump marcou como limite unilateralmente. O ceticismo sobre a IA parece desvanecer-se, de momento.


A volatilidade continua a baixar (VIX ca.20%), as criptos recuperam algo (perceção de que os riscos se movem em baixa), as obrigações compradas em geral, com yield em descida (T-Note apenas 4,04%) e o USD estável e bastante fortalecido a curto prazo, perto de 1,15/€.


Hoje saem 3 dados macro americanos: 13:30 h Vendas a Retalho (+0,4% vs. +0,6%), 13:30 h Preços Industriais (repetir +2,6%) e 15 h Confiança do Consumidor (93,3 vs. 94,6). Mas apenas este último é recente (novembro), sendo os 2 primeiros um pouco desfasados (setembro). Por isso, será o importante. Se retroceder, como parece, reforçaria a expetativa de que a Fed corte novamente as taxas de juros a 10 de dezembro e isso apoiaria um pouco umas bolsas cujos futuros vêm hoje a cortar um pouco (-0,1%/-0,2%), como é natural depois de 2 sessões francamente boas. Amanhã sairão outras 2 referências relevantes (Pedidos Duráveis EUA +0,5% vs. +2,9% e apresentação de Orçamentos 2026 no Reino Unido), para permanecer encerrado em Nova Iorque na quinta-feira (Ação de Graças) e aberto a meia sessão na sexta-feira (Black Friday).


CONCLUSÃO: Acreditamos que irá ser cumprido o padrão que estimávamos ontem para esta semana: arranque com subida para arrefecer de seguida. Poderíamos pensar em bolsas ca.-0,2% como aproximação para hoje, com obrigações compradas (yield um pouco mais em baixa; T-Note perto de 4,00% e Bund 2,65%) e perceção mais complacente sobre os riscos. Sobre a IA e a Ucrânia, principalmente. Começará a dar-se 2025 como terminado em termos práticos. Mas as subidas destes 2 últimos dias vêm muito estimulados pela expetativa de outro corte por parte da Fed, portanto convém ter cuidado porque essa expetativa é muito errática. Além disso, se baixar em dezembro, esse movimento pode ser realizado à custa de menos cortes em 2026 (2 em vez de 3, por exemplo), porque a NABE (National Association for Business Economics) estima um desemprego em 4,5% estável em 2026, sem deterioração. A partir de hoje, a semana tenderá a decair e será aborrecida… a não ser que acontecer com a Ucrânia, se acontecer.


FIM

Carlos Alberto Sardemberg

 !Caso Master deixa lições

Empresas e instituições financeiras públicas são geridas conforme múltiplos interesses políticos

24/11/2025 00h06  

Carlos Alberto Sardenberg


Está no documento da Polícia Federal que levou à liquidação do Banco Master: as letras financeiras (LFs) dessa instituição “não eram atrativas a investidores privados”. O Master oferecia aos compradores dessas letras uma rentabilidade de encher os olhos: 130% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). E qualquer pessoa mais ou menos informada sobre o mercado financeiro sabe como é difícil bater o CDI. Por que então esse tipo de papel era rejeitado por investidores privados? Três motivos: o prazo excessivo, dez anos; a falta de credibilidade do emissor; e a falta de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


Fazia anos que, no mercado financeiro, se sabia da insustentabilidade das operações do Master. Havia pelo menos um caso exemplar, tornado público pela colunista Malu Gaspar, em seu blog no GLOBO, em 12/7/24. O blog contava que a Caixa havia desistido de aplicar R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. Dizia:


— Em parecer sigiloso de 19 páginas obtido pela equipe da coluna, a área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos do banco estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”.


A Caixa, seu dono — o governo federal — e os clientes se livraram de um mau negócio, mas os técnicos que desaconselharam a operação pagaram um preço: perderam seus cargos, segundo informava Malu Gaspar. A direção da Caixa, controlada pelo Centrão, pretendia mesmo comprar as tais letras. É o que se deduz do afastamento dos gerentes que condenaram a operação. De todo modo, fica aí demonstrado que as LFs do Master não deveriam ser “atrativas” nem para o investidor público.


Entretanto, entre 2023 e 2024, o Master conseguiu colocar LFs no valor de R$ 2,3 bilhões. Desse total, três fundos previdenciários estaduais e 15 municipais compraram R$ 1,87 bilhão, ou 81% do total. O Rioprevidência, fundo de 230 mil servidores civis e militares, foi o maior comprador: R$ 970 milhões, ou 42% dessa carteira do Master.


O segundo nessa lista é o Amapá Previdência (Amprev), que alocou R$ 400 milhões. Esse fundo, como quase tudo no Amapá, está sob o guarda-chuva do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Houve protestos de conselheiros do Amprev, ignorados pelo presidente do fundo, Jocildo Lemos, indicado por Alcolumbre.


A direção do BRB, o banco estatal do governo do Distrito Federal, sabia de tudo quando se meteu em negócios com o Master. Operações sobre as quais a Polícia Federal aponta suspeitas de fraudes estimadas em espantosos R$ 12,2 bilhões.


Como investimentos rejeitados pelo investidor privado tornaram-se tão atraentes para o investidor público? É porque, nesse caso, trata-se de outro tipo de negócio, com outro tipo de rendimento, em benefício de políticos. Negócio sem risco — pelo menos até o momento em que aparece a Polícia Federal. Está aí, aliás, o motivo que leva muitos parlamentares a tentar reduzir a capacidade de ação dessa PF, que tem estado muito ocupada.


Parte do setor privado também não sai sem manchas dessa história do Master. Plataformas de investimentos distribuíram durante anos os CDBs do Master, anunciando os fabulosos rendimentos de até 140% do CDI. Não corriam risco algum. Essas plataformas não adquiriam os papéis, apenas faziam a corretagem, pela qual ganhavam gordas comissões.


Esses CDBs até o valor de R$ 250 mil serão resgatados pelo Fundo Garantidor de Créditos, formado basicamente com dinheiro dos maiores bancos. O cliente final desse produto não perderá, mas fica a mancha para parte do mercado — oferecer papéis podres, jogando o risco para o FGC. Esse FGC não foi criado para facilitar lucros com papéis podres, mas para garantir a estabilidade do setor financeiro.


A principal lição do episódio está aqui: empresas e instituições financeiras públicas são geridas conforme múltiplos interesses políticos, muito distantes do interesse público. Não é de hoje, mas parece que agora perderam qualquer pudor. E medo. Pegaram até dinheiro dos aposentados do INSS.

Simon Schwartzman