terça-feira, 4 de novembro de 2025

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Senado vota isenção do IR com medidas de compensação*


Dia tem ainda os balanços do Itaú e da Embraer, além da produção industrial do IBGE


… O BC aproxima-se do ciclo de quedas do juro, mas ainda nesta quarta-feira deve manter a Selic em 15% e evitar qualquer pista no comunicado. Embora tenham crescido as apostas do primeiro corte em janeiro, um sinal agora poderia antecipar o movimento para dezembro. A mensagem conservadora sustenta a atratividade do carry trade e favorece a entrada de dólares, que levou o Ibovespa à marca histórica dos 150 mil. Já as estimativas positivas para os balanços (hoje sai Itaú, após o fechamento) correm por fora para animar os negócios. Embraer e Klabin vêm antes da abertura. Ainda na agenda, tem produção industrial e, no Senado, votação do IR e medidas de compensação fiscal.


IR E COMPENSAÇÃO – O senador Renan Calheiros, relator do projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem recebe até R$ 5 mil por mês, apresentou ontem à noite seu parecer à proposta, fazendo apenas ajustes de redação.


… Dessa forma, ele garante que o texto não seja modificado e evita que tenha que voltar para análise da Câmara dos Deputados.


… No relatório, que será lido nesta terça-feira na CAE do Senado e pode ser votado no mesmo dia, Renan enfatiza que a proposta precisa ser aprovada brevemente para ser sancionada e publicada no Diário Oficial até 31/12, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2026.


… Renan disse que há mudanças de mérito que gostaria de fazer no texto, mas essa não foi sua opção, justamente pela urgência de aprovação.


… Como solução para o impasse com a Fazenda, que não aceitou as críticas à neutralidade fiscal da reforma do IR, o senador defende a aprovação conjunta de um outro projeto de lei de sua autoria para compensar eventual impacto negativo.


… O projeto de Renan aumenta a tributação de bets, bancos e fintechs, com estimativa de arrecadação de R$ 4,98 bilhões em 2026 – valor que equivale aos R$ 4 bilhões calculados pela consultoria do Senado pelo impacto fiscal negativo do projeto do IR.


… No acumulado de três anos, essa arrecadação chegaria a R$ 18,04 bilhões.


… Na prática, o PL com as medidas tributárias retoma alguns pontos polêmicos da MP do IOF, que caducou após não ser apreciada pela Câmara em setembro. O governo prometeu enviar esses pontos polêmicos num projeto de lei à parte, mas não encaminhou a proposta.


… O parecer é do líder do MDB na casa, Eduardo Braga, que manteve a proposta apresentada por Renan, dobrando a tributação de casas de apostas, que passa de 12% para 24%, sendo que o acréscimo será destinado à Seguridade Social, com foco na área da saúde.


… Entre 2026 e 2028, esse valor adicional poderá ser repassado parcial ou integralmente aos Estados e municípios, como forma de compensar perdas de arrecadação com a reforma do IR. Na MP do IOF, o governo havia proposto 18% para as bets.


… O texto também prevê um aumento da CSLL das instituições financeiras, com a alíquota passando de 15% para 20% para bancos e sociedades de crédito, financiamento e investimento, e de 9% para 15% para fintechs, distribuidoras de valores mobiliários e corretoras.


… Nesse caso, trata-se da mesma proposta que o governo fez na MP do IOF.


… O projeto de Renan só não inclui o aumento de 15% para 20% de retenção de IR cobrado sobre o JCP.


… A proposta do Imposto de Renda é a principal aposta eleitoral de Lula para 2026, estendendo a isenção a quem recebe até R$ 5 mil por mês, além de um desconto parcial para salários até R$ 7.350, com imposto mínimo de 10% para rendas a partir de R$ 1,2 milhão por ano.


MAIS UM FURO NA META – A Câmara aprovou, também nesta segunda à noite, o projeto que autoriza o Poder Executivo a descontar despesas com projetos em defesa nacional da meta de resultado primário estabelecida na LDO e do limite de despesas do arcabouço fiscal.


… A proposta, já aprovada no Senado, é de autoria do líder do PL, senador Carlos Portinho (RJ), e na Câmara foi relatada pelo deputado General Eduardo Pazuello (PL). Passou com 360 votos a favor e 23 contrários. O texto vai agora à sanção presidencial.


… De acordo com o texto, o Executivo fica autorizado a descontar essas despesas do cômputo do arcabouço até o limite de R$ 5 bilhões/ano, já iniciando neste ano, quando o valor dos gastos em projetos estratégicos em defesa nacional fora da meta será de até R$ 3 bilhões.


… Durante a votação, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), encaminhou voto favorável ao projeto.


COPOM – Reportagem especial da Agência Estado com economistas do mercado apurou que a maioria espera ajustes nas projeções de inflação no comunicado, com revisões ligeiramente abaixo no horizonte relevante da política monetária, que passa a ser o 2Tri/2027.


… É verdade que na reunião de setembro o Copom manteve a estimativa de alta de 3,4% para a inflação no 1Tri/2027, então horizonte relevante, contrariando a expectativa de boa parte do mercado, que esperava uma revisão baixista.


… Na avaliação da maioria, no entanto, um ajuste no IPCA do 2Tri/2027 seria a única resposta do BC à melhora recente da inflação corrente e das expectativas, seguida por um texto que deve confirmar o juro em “patamar significativamente contracionista por um período prolongado”.


… Desde a última reunião, a mediana do Focus para a inflação de 2025 diminuiu de 4,83% para 4,55%, bem próxima do teto da meta de inflação (4,50%); a estimativa para 2026 caiu de 4,30% para 4,20%; para 2027, de 3,82% para 3,80%; e para 2028, de 3,54% para 3,50%.


… O head de política monetária do Santander, Marco Caruso, não se surpreenderia se o BC nem fizesse o ajuste da inflação, acreditando que o comitê pode preferir “errar pelo lado da cautela” para evitar que uma estimativa menor seja entendida como sinalização de cortes.


… Já a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, cita o impacto da isenção do IR ao cenário como uma pista importante, afirmando que, se não for incorporado agora, a manutenção da projeção de inflação será uma sinalização “especialmente hawk”.


AGENDA – A produção industrial medida pelo IBGE, que sai às 9h, poderá confirmar os sinais de desaceleração gradual da atividade econômica doméstica e elevar as apostas no mercado para um corte da Selic em janeiro.


… A mediana das estimativas no Broadcast aponta queda de 0,4% para o indicador em setembro, revertendo a alta de 0,8% em agosto. O intervalo das projeções para esta leitura varia de um recuo de 0,9% até crescimento de 0,2%.


HADDAD – O ministro da Fazenda participa, às 9h, do Bloomberg Green Summit.


BALANÇOS – O mercado está apostando em lucro recorde para o Itaú hoje (após o fechamento), de R$ 11,842 bilhões no terceiro trimestre. Se confirmado, o número marcará um crescimento de 10,9% na comparação com igual intervalo de 2024.


… A instituição financeira consolidaria, assim, sua posição de banco mais rentável entre os maiores do setor, apesar dos riscos associados ao cenário econômico incerto e a despeito ainda da volatilidade do câmbio doméstico.


… De seu lado, a Embraer (antes da abertura) sentirá na pele o protecionismo de Trump. Analistas preveem um trimestre desafiador, com queda de 0,58% no lucro líquido, para US$ 91 milhões, e recuo de 36,5% no Ebitda ajustado, a US$ 226,6 milhões.


… Já a CSN, após o fechamento, deve ser influenciada positivamente pela CSN Mineração, graças ao preço e volumes do minério. A CSN deve registrar lucro líquido de R$ 90 milhões, revertendo prejuízo de R$ 751 mi de um ano antes.


… A previsão para a receita líquida é de R$ 11 bilhões, alta de quase 2%, e Ebitda ajustado de R$ 3 bilhões (+34%).


… Para a CSN Mineração, as projeções são de lucro líquido de R$ 936 milhões, 109,6% maior do que no mesmo período de 2024; receita líquida de R$ 4,2 bilhões, com alta de 40%; e Ebitda ajustado de 1,7 bilhão, 54% maior.


… Com os mercados fechados, vêm ainda os resultados da C&A, GPA, Iguatemi, Prio e RD Saúde. Antes da abertura, também tem Klabin.


LÁ FORA – Michelle Bowman, que faz parte da ala dovish do Fed, participa de conferência às 8h35. Vale recuperar pela manhã a fala da presidente do BCE, Christine Lagarde, em evento durante a madrugada (4h40) na Bulgária.


… À noite, às 22h45, sai na China a leitura final de outubro do PMI composto medido pelo setor privado.


… Entre os balanços internacionais: Telefónica (Espanha), BP (Reino Unido), AMD, Super Micro Computer e AIG (EUA).


JAPÃO HOJE – O PMI industrial medido pelo setor privado caiu de 48,5 em setembro para 48,2 em outubro. O resultado ficou abaixo da estimativa preliminar de 49,3 e marca a leitura mais baixa desde março de 2024.


… O dado permanece há quatro meses consecutivos em patamar inferior a 50,0, o que indica contração.


FEBRE DE RECORDES – Voando baixo, o Ibovespa cumpriu o script esperado, rompeu os 150 mil pontos pela primeira vez na história, estabeleceu máxima histórica pelo sexto pregão seguido e completou uma sequência de nove altas.


… O clima de otimismo non stop responde, em grande medida, ao apetite dos estrangeiros, que voltam a marcar presença por aqui e, nos últimos pregões, têm impulsionado o volume na bolsa (ontem ficou em R$ 21,3 bilhões).


… “Há uma realocação de investidores globais que deixam de colocar 100% dos ativos nos Estados Unidos e colocam 1%, 2% em outros mercados”, resumiu ao Broadcast a economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo.


… O Brasil parece valer o risco, com a atratividade muito grande do carry trade. No pano de fundo, ainda a temporada dos balanços e os gestos de reconciliação entre Trump e a China ajudam a melhor o ambiente de negócio.


… Em novo recorde duplo, o Ibovespa bateu 150.761,29 pontos no pico intraday e fechou na marca inédita dos 150.454,24 pontos, alta de 0,61%. As blue chips das commodities e os bancos ajudaram a bolsa a cruzar as barreiras.  


… Na véspera de seu balanço, Itaú liderou os ganhos no setor financeiro e subiu 1,67%, para R$ 40,08. Bradesco PN avançou 1,10%, a R$ 18,36; Bradesco ON, +1,36%, a R$ 15,68; Santander, +1,22% (R$ 31,52); e BB, +0,82% (R$ 22,08).


… Petrobras ganhou força, mesmo com a perspectiva de balanço mais fraco na quinta-feira, com queda anual de 30,5% no lucro trimestral, para US$ 4,077 bilhões. O papel PN subiu 1,18%, a R$ 30,10; e ON, +0,89%, a R$ 31,79.


… As ações da companhia contaram ontem com a divulgação de um novo recorde de produção no pré-sal.


… Segundo a ANP, foram 4,143 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em setembro, alta anual de 12,5%. A Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foi responsável por 91,29% do total produzido.


… Ainda ontem, o petróleo em leve alta ajudou a compor o dia favorável à Petrobras. Apesar de a Opep+ ter informado que não vai aumentar a produção no primeiro trimestre de 2026, o Brent subiu só 0,19%, a US$ 64,89.


… O mercado ainda parece preocupado com a oferta saturada durante um período sazonal de menor demanda.


… Vale teve ganho tímido de 0,14% (R$ 65,35), mas foi importante ter resistido à queda firme de 1,82% do minério.


… Marcopolo afundou 8,11% (R$ 7,25), após o BTG ter cortado a recomendação de compra para neutra.


A RODA DO FLUXO – De carona no dinheiro estrangeiro que está voltando a entrar na bolsa, o câmbio conseguiu se desvencilhar ontem da tendência externa e o dólar à vista entrou por aqui em um canal de alívio contra o real.


… Caiu 0,43%, a R$ 5,3574. Lá fora, o índice DXY fechou praticamente estável, em leve alta de 0,07%, a 99,873 pontos. Na contagem regressiva para a reunião do BoE, na quinta-feira, a libra recuou 0,11%, para US$ 1,3138.


… Para o banco MUFG, um corte de juros não pode ser descartado, o que enfraqueceria ainda mais a moeda.


… O euro perdeu 0,12%, a US$ 1,1520, e o iene devolveu 0,13%, negociado a 154,21 por dólar.


… O dia foi dominado pelos comentários dos dirigentes do Fed, que mantêm a decisão de dezembro em aberto.


… Tirando Stephen Miran, que defende abertamente seu estilo superdovish, os demais colegas optaram pela moderação. Austan Goolsbee disse que ainda não tomou uma decisão, mas alertou sobre os níveis da inflação.


… “O limite para cortar os juros é mais alto que nas reuniões anteriores”, avisou o presidente do Fed de Chicago.


… Lisa Cook, que contestou na Justiça a sua demissão por Trump, defendeu a independência do Fed e repetiu o recado de Powell de que a política monetária não está em um trajetória predeterminada. “Cada reunião é ao vivo.”


… Apesar da cautela de parte do Fed e do apagão de indicadores com o shutdown, a aposta principal do mercado continua sendo de corte de 25 pontos do juro em dezembro, com 65,3% de chance, contra 34,7% de manutenção.


… As taxas dos Treasuries subiram ontem, mas o movimento parece ter sido associado mais ao fator técnico do anúncio de refinanciamento de leilões pelo Tesouro norte-americano do que às declarações dos Fed boys.


… O juro da Note-2 anos subiu a 3,598%, de 3,594% no pregão anterior, e o de 10 anos, a 4,103%, de 4,092%. O Tesouro espera tomar US$ 569 bi emprestado do mercado, valor US$ 21 bi menor do que o anunciado em julho.


… A rigor, a curva do DI poderia ter continuado a devolver prêmio com o dólar mais barato por aqui e as boas notícias do Focus. Mas os contratos futuros do juros preferiram operar sintonizados à alta das taxas dos Treasuries.


… No fechamento, o vencimento para Jan/27 avançou a 13,875% (contra 13,849% no pregão anterior); Jan/29, a 13,080% (de 13,075% na sexta-feira); Jan/31, a 13,375% (de 13,360%); e Jan/33, a 13,540% (de 13,525%).


… No boletim Focus, a mediana das estimativas do mercado financeiro para o IPCA de 2027, que está no horizonte relevante da política monetária, diminuiu de 3,82% para 3,80% e, para 2028, recuou de 3,54% para 3,50%.


A BOLHA DA IA? – Em mais uma sessão nas bolsas em Nova York com foco nas techs, a Amazon saltou 4,02% após firmar um acordo de US$ 38 bilhões com a OpenAI para ampliar a capacidade computacional da criadora do ChatGPT.


… Já a Microsoft assinou um contrato de US$ 9,7 bilhões, com validade por cinco anos, para a compra da capacidade de computação em nuvem da empresa australiana de data centers IREN, que também anunciou acordo com a Dell.


… Os investimentos bilionários em inteligência artificial remetem à bolha das empresas pontocom 25 anos atrás.


… Mas a corrida pela IA continua e levou o Nasdaq a avançar 0,46% ontem, aos 23.834,72 pontos. O S&P 500 subiu 0,17%, aos 6.851,97 pontos, mas o Dow Jones caiu 0,48%, aos 47.336,68 pontos, afetado pela UnitedHealth (-2,27%).


COMPANHIAS ABERTAS – COSAN concluiu a precificação de seu follow-on anunciado em setembro, levantando R$ 9 bilhões; oferta a R$ 5 por ação teve desconto de quase 20% em relação ao preço de tela. (fontes do Brazil Journal)


TIM registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, alta anual de 50%; Ebitda somou R$ 3,47 bilhões, crescimento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024.


BB SEGURIDADE registrou lucro gerencial de R$ 2,56 bilhões no terceiro trimestre, alta anual de 13%


COPASA registrou lucro líquido trimestral de R$ 360,8 milhões, queda anual de 2%; Ebitda somou R$ 726,9 milhões, aumento de 0,2% em relação ao mesmo período de 2024.


PAGUE MENOS registrou lucro de R$ 75,8 milhões no terceiro trimestre, alta anual de 85,4%; Ebitda ajustado somou R$ 260,1 milhões, crescimento de 36,4% em relação ao mesmo período de 2024.


ISA Energia iniciou a operação comercial do Projeto Rio Grande com antecipação de cinco meses em relação ao prazo estabelecido pela Aneel…


… Assim, a companhia passou a operar e a ser remunerada pelo lote 7 do leilão de transmissão 01/2020.


XP acertou a aquisição da fatia remanescente da Augme, gestora de crédito da qual a corretora já era sócia minoritária desde o início de 2020.


AGROGALAXY, em recuperação judicial, protocolou pedido de registro de oferta pública de debêntures de reestruturação, sob rito automático, no valor de R$ 916,782 milhões.

José Roberto Mendonça de Barros

 O QUE NOS ESPERA EM 2027? Ótima entrevista do Roberto Mendonça de Barros no Estadão de hoje:


"Quão preocupante é o cenário fiscal brasileiro?


Hoje, há praticamente um consenso de que nós temos um problema significativo de finanças públicas. Isso não era verdade há algum tempo, porque tinha um pedaço dos economistas que não achava isso. Hoje, se olhar pela própria imprensa, é muito impressionante o quão convencidos estão diversos agentes, players e analistas de que nós temos um problema. Tanto é que nem o governo desdiz que tem um problema de finanças públicas. Ele diz que quem fez o problema foi o governo anterior e que eles estão tentando fazer o melhor possível. Ninguém tem coragem de dizer que nós não temos isso. E esse é o primeiro ponto que gostaria de fazer, porque me dá uma certa percepção otimista numa certa medida.


Por quê?


Essa experiência de tantos anos como consultor me fez entender que, no Brasil, os consensos são muito difíceis de serem construídos com esse sistema político muito ruim, que não propicia consensos mínimos em uma sociedade muito diversificada e sofisticada. Em várias áreas, o Brasil só forma consensos quando o problema fica realmente muito grave. E a história está cheia de elementos, a começar pela própria inflação. Teve de haver a hiperinflação para que toda a sociedade dissesse que não tem jogo com a inflação. Nós estamos chegando a um momento em que a ampla maioria dos analistas diz que, com o peso de um grande problema fiscal, não tem jogo de crescimento, tem jogo de andar de lado. E isso é otimista no seguinte sentido: você precisa desse consenso maior para poder afetar a política e a política pública. Eu acho que nós estamos chegando nesse ponto, mas ainda está incompleto.


O que falta para o consenso completo, então?


Esse consenso está mais nos agentes privados de todos os tipos do que nos poderes. Eu acho que ele está mais avançado no Executivo. Mesmo no governo de esquerda, tem muita gente que concorda com a ideia de que não dá para simplesmente arregaçar as contas e nada acontecer. Tem um pouco mais no Executivo e, dependendo de quem for eleito, terá mais ainda. Mas, certamente, nem o Judiciário nem o Legislativo ainda espelham esse consenso. Eles vão ter de ser empurrados para esse consenso. O Judiciário em dois aspectos. Primeiro, no aspecto de que, apesar de estar se desgastando de uma forma gigantesca perante o País, ele insiste em viver numa bolha salarial e remuneratória extraordinária. E o Judiciário ainda tenta defender, com firulas jurídicas, dizendo lá com umas terminologias, que o penduricalho não é salário. Ao lado disso, não em todas, mas em muitas decisões, o Judiciário olha o direito sem olhar quem vai pagar por ele. Há decisões com impactos fiscais que não são pequenos. Nesses anos mais recentes, é justo dizer que, muitas vezes, o Judiciário, especialmente no Supremo, tem olhado isso em alguns casos. Mas o Judiciário, como um todo, em número de decisões judiciais de primeira e segunda instâncias que manda o setor público pagar isso, pagar aquilo, sem a menor consideração sobre qual o sentido disso, é espantoso. Então, seguramente o Judiciário ainda vive num momento em que ele é um ativo contribuidor para a piora da situação fiscal.


E o Legislativo?


O Legislativo, nem se fala. Isso é uma coisa que me incomoda. Toda vez que se fala de ajuste fiscal, a maior parte dos analistas diz: “Olha, isso é um problema do Executivo”. O que é verdade. Certamente é um problema direto do Executivo. A mim incomoda profundamente achar que o Legislativo e o Judiciário não têm grandes ligações com isso ou, se têm, é uma coisa da vida e não há o que fazer. Eu acho que isso é insustentável. No caso do Legislativo, em particular na Câmara dos Deputados, isso está chegando aos limites da paranoia. A gente tem de reconhecer e dizer para os senhores deputados que 95% da sua atenção está nas suas preciosas emendas, nos seus benefícios, nos seus gastos e num particular desejo de atender lobbies e jabutis de todas as naturezas com a maior facilidade. É só olhar o tamanho da influência das bets hoje no Congresso. É uma coisa inacreditável. Eles têm, sim, uma participação decisiva nesse desastre e nessa piora. Mais evidente ainda é votar a despesa que não tem origem na receita.

Na sociedade, eu acho que nós estamos atingindo um certo consenso — e eu falo de imprensa, analistas, empresários e mesmo gente ligada ao movimento trabalhista — de que não dá para continuar dessa forma. Isso impacta os políticos, impacta um pouco o Executivo e vai impactar muito mais quem for eleito. Mas é forçoso reconhecer que ainda há, no Legislativo e no Judiciário, um comportamento que é claramente pró-piora fiscal sistematicamente ou, no mínimo, de se colocarem distantes como se não fosse problema deles. E nós não vamos resolver um ajuste fiscal se não tivermos os três poderes trabalhando, de alguma forma, numa mesma direção. Não é que façam as mesmas coisas e que tenham as mesmas ideias, mas têm de aceitar, pelo menos, o princípio de que não se cria recurso do nada.


Quer dizer, o próximo presidente vai ter de criar um consenso com o Legislativo e Judiciário?


Exatamente. Essa é uma das grandes missões do próximo presidente. Eu acho importante ter essa percepção de que, se ele (Executivo) não é o único responsável, tem um papel especial para ajudar, ao longo do tempo, a desenvolver essas ideias junto ao Congresso. Esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é que nós temos de ter um objetivo de gerar superávits primários consistentes que, primeiro, de alguma forma, sejam críveis. Se não tiver credibilidade, esse jogo não existe. Nós aprendemos isso há muito tempo. E, dois, que sejam persistentes.


Como esse caminho deve ser construído?


É bom ter o primeiro ano com primário, mas ter um bom desempenho no primeiro ano e desandar daí para frente chega no mesmo lugar. Tem, então, de ser consistente e de um tamanho adequado para, pelo menos, estabilizar a dívida. Nós já aprendemos que é de pouca utilidade fazer uma lista de desejos de 100 itens — muita gente já fez isso — do que seria necessário fazer. Uma lista de desejos sem viabilidade política não se materializa e, portanto, não se faz o ajuste fiscal. Não se trata apenas de calcular qual teria de ser o tamanho do ajuste, quais teriam de ser os projetos, mas eles têm de ser ranqueados e elencados numa sequência no tempo que os tornem possíveis politicamente, porque, mesmo um governo comprometido com o ajuste fiscal, não pode qualquer coisa. Ele não tem poder absoluto. Tem o Congresso e o Judiciário. Isso parece uma coisa à toa, mas eu reputo da maior importância."

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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Espero que Brasil tenha presidente reformista em breve, diz Campos Neto

O ex-presidente do Banco Central e chefe global de Políticas Públicas do Nubank, Roberto Campos Neto, disse esperar que “em breve” o Brasil tenha um presidente reformista como foi o ex-chefe do Executivo Michel Temer (MDB). Campos Neto não citou nominalmente a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas defendeu um governo que “tenha coragem de fazer” as mudanças necessárias....



Leitura de Domingo: Fed corta juros EUA durante shutdown, mas não garante nova queda em dezembro

 [12:05, 02/11/2025] +55 61 8313-6671: O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) voltou a cortar os juros em plena paralisação da máquina pública americana, como já se esperava, mas não garantiu que voltará a usar a tesoura em dezembro. O sinal fez Wall Street recalibrar os cenários para as taxas, mas casas como Morgan Sta…

[12:24, 02/11/2025] +55 61 8313-6671: A TIM se tornou a primeira operadora do Brasil a ativar o 5G em 1,000 cidades, alcançando esse marco com a inclusão de Paracatu (MG), município conhecido pela mineração e agropecuária. A operadora já cobre todos os bairros das 27 capitais e cerca de 75% da população urbana, com mais de 40% do tráfego móvel nas capitais passando pela rede 5G. A TIM também antecipou em quase dois anos as metas da Anatel para cidades com mais de 100 mil habitantes, refletindo uma estratégia eficiente de investimentos: o custo por gigabyte no 5G é um terço do registrado no 4G, com maior capacidade, menor consumo de energia e melhor aproveitamento da rede.


Seguindo da evolução de rede, estamos concluindo o maior projeto de modernização de rede móvel já realizado pela companhia — e um dos mais ambiciosos do setor de telecomunicações no Brasil. Com a substituição tecnológica de 3 mil sites em 64 cidades da região metropolitana de São Paulo (DDD 11), o projeto ampliou em 40% a capacidade da rede e reduziu em 15% o consumo energético. O impacto é direto para cerca de 10 milhões de clientes, que já percebem melhorias significativas na experiência de uso.


A iniciativa envolveu a atualização completa da infraestrutura de rede, com equipamentos de última geração e arquitetura preparada para suportar o crescimento exponencial do tráfego de dados e a evolução para serviços digitais mais avançados, como o 5G standalone e aplicações de Internet das Coisas (IoT).


Liderança técnica e percepção de qualidade


Recentemente, a Opensginal, empresa independente de análise de redes móveis, reforça que os investimentos da TIM em São Paulo têm refletido diretamente nos indicadores de qualidade. O levantamento revela que a TIM liderou em três categorias relacionadas à rede 5G;


Qualidade consistente;

Experiência de confiabilidade;

 Experiência de velocidade de download com 368,3 Mbps.

Esses resultados evidenciam não apenas avanços significativos em nossa infraestrutura, mas também a eficiência da TIM na gestão da rede e na entrega de serviços, reforçando o compromisso da companhia em proporcionar conectividade superior e experiência diferenciada para seus clientes.

Warren Buffet

 Aos 95 anos, Warren Buffett deixa Berkshire Hathaway em ótima forma para seu sucessor


Empresa do megainvestidor reporta resultados robustos do terceiro trimestre, com suas enormes reservas de caixa em níveis recordes


Por Dow Jones — Nova York 


A Berkshire Hathaway divulgou no sábado resultados robustos do terceiro trimestre e suas enormes reservas de caixa atingiram níveis recordes. Isso dará a Greg Abel, o executivo da Berkshire que sucederá Warren Buffett, de 95 anos, como diretor-presidente no final do ano, uma base robusta para iniciar seu mandato como líder do maior conglomerado do mundo, com valor de mercado de US$ 1 trilhão. 


O lucro operacional da Berkshire após impostos subiu 33% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, para US$ 13,5 bilhões, e as reservas de caixa e equivalentes atingiram US$ 381 bilhões no final do trimestre, ante US$ 344 bilhões no trimestre encerrado em 30 de junho. 


Esses números, no entanto, não foram tão impressionantes quanto pareciam. Excluindo as oscilações de lucro relacionadas à variação cambial, os lucros operacionais da Berkshire aumentaram 17% em relação ao ano anterior, para US$ 13,2 bilhões, enquanto os lucros por ação superaram a estimativa consensual em cerca de 7%. Também houve um problema quanto ao momento da compra de mais de US$ 20 bilhões em Treasuries. Ajustando para esse fator, o caixa ficou em torno de US$ 359 bilhões, dando a Abel ampla margem para investimentos e potenciais aquisições. 


“Os resultados em geral foram bons e o setor de seguros teve um desempenho forte” , diz Jim Shanahan, analista da Edward Jones. 


Os investidores podem ficar desapontados com o fato de a Berkshire não ter recomprado nenhuma ação no terceiro trimestre, dando continuidade a uma tendência que vem desde maio de 2024. Aparentemente, Buffett não considera as ações suficientemente baratas para comprar, apesar de uma queda de mais de 10% no preço das ações desde que atingiram o pico pouco antes da assembleia anual em 3 de maio, quando Buffett anunciou que deixaria o cargo de diretor-presidente no final do ano, permanecendo como presidente do conselho. 


A seca de recompras de ações da Berkshire continuou em outubro, com a empresa não recomprando nenhuma ação de 30 de setembro até 20 de outubro, data do relatório com os resultados do terceiro trimestre, segundo estimativas com base nas informações sobre o número de ações no relatório da Berkshire. O total de ações da Berkshire é de cerca de 1,438 milhão de ações Classe A, com as ações classe B convertidas em uma quantidade equivalente de ações classe A. 


Desde a reunião de 3 de maio, as ações ficaram mais de 30 pontos percentuais abaixo do S&P 500, um dos piores períodos durante os 60 anos de mandato de Buffett como diretor-presidente. 


As ações classe A da Berkshire fecharam a sexta-feira a US$ 715.740 e as ações classe B a US$ 477,54, ambas com alta de 5% no ano e cerca de 13 pontos percentuais abaixo do índice S&P 500. As ações da Berkshire agora são negociadas a um múltiplo mais razoável de 1,5 vezes o valor contábil, abaixo dos 1,8 vezes atingidos na alta de maio. 


Os lucros de subscrição de seguros foram expressivos no terceiro trimestre, beneficiando-se das margens excepcionais da seguradora de automóveis Geico e da ausência de grandes furacões nos Estados Unidos durante o período. Os lucros do negócio ferroviário da Berkshire, a BNSF, aumentaram 5% em relação ao ano anterior. 


No lado negativo, a receita de investimentos caiu 13% devido à redução das taxas de juros de curto prazo, e os lucros da Berkshire Hathaway Energy (BHE), a grande empresa de serviços públicos, recuaram 9%. 


A BHE se beneficiou significativamente dos créditos fiscais federais para energia eólica e possui um dos maiores portfólios de energia eólica do país. No entanto, a lei “One Big Beautiful Bill”, aprovada no início deste ano, restringe esses créditos, o que pode afetar negativamente os resultados, afirmou a empresa. 


“Atualmente, estamos avaliando as potenciais implicações da lei nos resultados financeiros e nos investimentos de capital da BHE relacionados a projetos de energia renovável, armazenamento e tecnologia neutra, incluindo o impacto potencial na economia e viabilidade de tais projetos”, disse a Berkshire em seu relatório divulgado no sábado. 


Houve alguma fragilidade nos negócios de consumo da Berkshire; a Pilot, operadora de postos de parada para caminhões, teve um prejuízo inesperado de US$ 17 milhões no terceiro trimestre, contra um lucro de US$ 217 milhões no mesmo período do ano anterior. A Berkshire pagou cerca de US$ 13 bilhões por esse negócio. 


Também houve alguns indícios de que a Berkshire reduziu sua participação nas ações da Apple no terceiro trimestre. A estimativa é de que a Berkshire possa ter vendido cerca de 30 milhões de ações no período, reduzindo sua participação para 250 milhões de ações, que valeriam US$ 67 bilhões. A Berkshire divulgará sua participação na Apple e o restante das participações em seu portfólio de ações de aproximadamente US$ 300 bilhões em meados de novembro. 


Buffett e seus gestores de investimento, Todd Combs e Ted Weschler, continuaram encontrando poucas oportunidades de compra no mercado de ações no terceiro trimestre. As vendas líquidas de ações — ou seja, vendas menos compras — foram de cerca de US$ 6 bilhões no trimestre e US$ 10 bilhões no ano. Houve apenas US$ 6,4 bilhões em compras no último trimestre. 


“É decepcionante que Buffett continue à margem. Ele perdeu a alta do mercado de ações enquanto acumulava dinheiro”, diz Shanahan. A Berkshire, no entanto, concordou em pagar quase US$ 10 bilhões pelo negócio químico da Occidental Petroleum em outubro, em um acordo que parece bastante atraente. 


E com relação às ações da Berkshire? Shanahan está otimista, tendo elevado a recomendação das ações de neutra para compra em setembro e as incluído na lista Focus da Edward Jones. As ações caíram nos últimos seis meses, à medida que o prêmio Buffett se deteriorou — e à medida que os investidores se preocupam com a queda na lucratividade do setor de seguros, bem como na receita de investimentos em 2026. 


Uma questão fundamental será Abel, suas habilidades de liderança e o quão bem ele conseguirá ocupar o lugar de Buffett. Shanahan está otimista. “Há uma boa chance de Abel demonstrar força como operador”, diz Shanahan. “Eu também gosto das características defensivas das ações.” 

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal 


SESSÃO: Esta semana pode voltar a ser moderadamente em alta, como a anterior: alguma macro americana benigna, muitos resultados e 4 bancos centrais a repetirem taxas de juros. A escassa macro americana que será publicada (hoje, ISM Industrial; na quarta-feira, Inquérito ADP de Emprego Privado; na sexta-feira, Confiança da Univ. Michigan) poderá ser um pouco melhor do que o esperado. Pensamos que as empresas de semis que publicam (ON Semi, AMD y ARM) não irão dececionar e que os 4 bancos centrais que se reúnem repetirão taxas de juros sem acrescentar ruído nem tensão.


Esta manhã temos diferenças interna na Fed sobre taxas de juros e o petróleo sobe um pouco, porque a OPEP+ aumentará produção mais devagar em 2026.


Bessent (Tesouro EUA) volta ao ataque: afirma que taxas de juros demasiado elevadas poderão ter provocado uma recessão imobiliária que já teria começado. Fed: Waller pronuncia-se a favor de outra descida de taxas de juros em dezembro, mas Logan e Schmid afirmam que o emprego não o necessita, Hammack que a atual política monetária é “apenas” restritiva e Bostic que defendeu baixar taxas de juros, mas com as suas reservas. Uma grande confusão de opiniões. O mais provável é que a Fed não volte a baixar taxas de juros na reunião seguinte de 10 de dezembro.


O petróleo aumenta quase +1%, porque a OPEP+ acordou aumentar produção apenas +137.000b/d a partir de dezembro e deixa em suspenso aumentos seguintes para 1T'26.


O mercado está um pouco inquieto pelos novos máximos. Principalmente em tecnologia. Particularmente em IA. É normal. Convém dizer algo sobre isto. O ceticismo afeta principalmente OpenAI, que não avalia ainda e cuja suposta avaliação para uma futura OPV parece ser revista continuamente em alta (pelo menos de forma não oficial), mas não tanto a empresas avaliadas consolidadas (Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia…) que geram recorrentemente lucros gigantescos (Meta ca.90.000M$, Nvidia ca.110.000M$, Microsoft ca.120.000M$...) e que têm caixa líquida positiva. Esta combinação reduz a probabilidade de cometer erros graves de sobreavaliação visto que, em paralelo, a contínua expansão dos seus lucros (lucros reais hoje, não uma esperança futura como acontecia na bolha da Internet de 2000) reduz os multiplicadores aos quais avaliam (PER, etc) simplesmente a deixar passar o tempo. Portanto, se existir algum excesso no mercado, defendemos que este seria mais de velocidade, mas não devido a erros de avaliação. 


Pode acontecer um reajuste de preços, claro, mas terminaria por se resolver com o passar do tempo… de forma que causaria uma dor passageira, mas não responderia a erros de base que forçassem uma mudança relevante numa estratégia de investimento de médio e longo prazo não especulativa. Pelo menos não na nossa, que gira em torno de Tecnologia de elevada capitalização, Semis, Cibersegurança, Defesa, Infraestrutura e Bancos (ainda um pouco mais de tempo), principalmente. E, enquanto acontece ou não esse hipotético reajuste de preços, impossível de antecipar em relação ao timing, esta semana as bolsas provavelmente avançarão um pouco mais.


NY +0,3% US tech +0,5% US semis +0,2% UEM -0,7% España -0,1% VIX 17,4% Bund 2,63% T-Note 4,08% Spread 2A-10A USA=+50pb B10A: ESP 3,14% PT 2,99% FRA 3,41% ITA 3,38% Euribor 12m 2,196% (fut.2,230%) USD 1,154 JPY 177,9 Ouro 4.017$ Brent 65,2$ WTI 61,4$ Bitcoin -1,9% (107.573$) Ether -3,1% (3.719$)


CONCLUSÃO: Embora insistimos que gostaríamos que o mercado descansasse e desse 2025 por terminado, é improvável que isto se cumpra. Mas é verdade que hesita e que avança mais lentamente a partir de agora. Esperemos que isso aconteça. Os futuros vêm a subir um pouco e as obrigações corrigiram milimetricamente nos últimos dias, o que é são. É provável que o ISM Industrial americano, que sai hoje às 15 h, bata expetativas (49,2 desde 49,1), porque o PMI saiu bom na semana passada, portanto isso poderá apoiar uma sessão um pouco em alta, apesar dos recentes novos máximos. Há um pouco de tensão pelos preços, mas não argumentos sólidos que apoiam uma mudança para pior. 


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Bom Dia Mercado*


Segunda Feira, 03 de Novembro de 2.025.


… A Opep+ voltou a aumentar a produção de petróleo em reunião neste domingo, mas congelou a oferta no 1Tri/2026, enquanto a indústria na China perde força em outubro, mas ainda está em expansão. Vários índices PMI medem a atividade global esta semana, inclusive nos Estados Unidos (hoje), onde o shutdown suspende a divulgação do payroll. O fim do horário de verão no hemisfério Norte muda o pregão na B3, que vai até 17h55. Na agenda do Brasil, destaque para o Copom, que deve manter a Selic na quarta, e mais balanços do 3Tri, incluindo Itaú e Petrobras. Também esta semana, o governo espera retomar as negociações sobre o tarifaço, enquanto a COP30, em Belém do Pará, movimenta o noticiário.


PETRÓLEO… – O barril do Brent subia 0,73% (US$ 65,24) na abertura dos negócios eletrônicos, após a Opep+ anunciar neste domingo sua decisão de manter o aumento da produção em dezembro, em 137 mil bpd, mas congelar a oferta no primeiro trimestre de 2026.


… O cartel anunciou em comunicado que não aumentará a produção em janeiro, fevereiro e março do próximo ano.


… Novas sanções ocidentais contra a Rússia trazem mais desafios, uma vez que Moscou deve ter dificuldades para aumentar a produção desde que os Estados Unidos e o Reino Unido impuseram sanções sobre a Rosneft e a Lukoil.


… Os preços de petróleo caíram ao menor patamar em cinco meses em 20 de outubro, para US$ 60 o barril, mas desde então se recuperaram diante das sanções à Rússia e o otimismo com as conversas entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais.


… Para Jorge Leon, economista da empresa de pesquisa Rystad Energy, as “sanções sobre os produtores russos injetaram uma nova dose de incerteza sobre as previsões de oferta, e o grupo sabe que uma superprodução agora pode ter efeitos colaterais no futuro”.


… E CHINA – Ainda no domingo à noite, Pequim anunciou queda do PMI industrial para 50,6 em outubro, abaixo da máxima de seis meses de 51,2 registrada em setembro e da estimativa de consenso do mercado de 50,9. Mas ainda em território de expansão.


… A desaceleração ocorreu em meio ao crescimento mais fraco tanto nos novos pedidos quanto na produção.


… Ainda assim, os novos pedidos, impulsionados por uma demanda interna mais forte e promoções de vendas, registraram o quinto aumento mensal consecutivo. Enquanto isso, as vendas externas caíram no ritmo mais acelerado desde maio, refletindo a incerteza comercial.


… Vários índices PMI industrial e de serviços serão divulgados durante a semana, na Europa e nos Estados Unidos, onde são esperados para hoje as leituras finais do PMI da S&P (11h45) e do ISM (12h), que deve melhorar sobre setembro (49,1), mas ainda abaixo de 50 (49,6).


… Vários índices PMI industrial e de serviços serão divulgados durante a semana, na Europa e nos Estados Unidos, onde são esperados para hoje as leituras finais do PMI da S&P (11h45) e do ISM (12h), que deve melhorar sobre setembro (49,1), mas ainda abaixo de 50 (49,6).


… Mais cedo, saem os índices industriais da S&P Global/HCOB da Alemanha (5h55), Zona do Euro (6h) e do Reino Unido (6h30). O PMI industrial global será divulgado às 13h. À noite, saem os dados do Japão, que manteve os mercados fechados hoje no feriado do Dia da Cultura.


… Além do payroll (sexta), o apagão dos dados do shutdown nos Estados Unidos, que já se estende por mais de um mês, suspende a divulgação do relatório Jolts (amanhã), mas mantém a pesquisa ADP, com empregos no setor privado em outubro (na quarta-feira).


… Vários Fed boys têm falas previstas para esta semana, já hoje com Mary Daly (14h) e Lisa Cook (16h), importantes depois que Powell endureceu a mensagem no último Fomc e ressaltou que o Comitê está dividido sobre os próximos passos da política monetária.


… BC da Austrália (amanhã), BoE do Reino Unido e Banxico do México (quinta-feira) também decidem sobre taxas de juros.


… Na sexta-feira, encerrando a semana, o dia começa com os números da balança comercial da China em outubro e, nos Estados Unidos, sai a preliminar de novembro do sentimento do consumidor de Michigan, com as expectativas inflacionárias.


HORÁRIO DE VERÃO – Estados Unidos e Canadá atrasaram os relógios em uma hora neste domingo, com cidades como Nova York, Washington, Boston, Filadélfia e Miami ficando duas horas atrás do horário de Brasília.


… A Bolsa de Nova York passa a operar das 11h30 às 18h (de Brasília).


… No viva-voz da Nymex, os contratos futuros de petróleo passam a ser negociados entre 11h e 16h30 (de Brasília) e, na Comex, os contratos futuros de cobre passam a ser negociados das 10h10 às 15h e os de ouro das 10h20 às 15h30 (de Brasília).


… Na CBOE, o período regular de negociação dos contratos do índice de volatilidade VIX passa a ser das 11h30 às 18h15 (de Brasília).


… A B3 vai ampliar o horário de funcionamento para acompanhar o fim do horário de verão em Nova York, com o mercado à vista e fracionário iniciando às 10h e encerrando às 17h55. No mercado a termo, as negociações ocorrerão das 10h às 18h25.


… O mercado de opções funcionará das 10h05 às 17h55, e no mercado futuro de câmbio, o pregão funcionará das 9h às 18h30.


BALANÇOS DA SEMANA – Ritmo intenso de resultados corporativos na B3, com a divulgação de 43 balanços nesta semana.


… Destaque para Itaú e Klabin, amanhã (terça-feira), Eletrobras (quarta), Suzano, Lojas Renner e Magazine Luiza na quinta, além de Petrobras.


… Hoje, saem TIM e BB Seguridade (após o fechamento). Em Nova York, tem AMD e AIG amanhã.


COPOM – A reunião do Comitê de Política Monetária na quarta-feira é o principal destaque da agenda, com a unanimidade das expectativas apontando para a manutenção da taxa Selic em 15%. A atenção estará voltada para algum sinal de flexibilização.


… A recente melhora nas expectativas de inflação e os primeiros sinais de desaceleração da atividade, no entanto, não devem ser suficientes para que o Banco Central altere sua mensagem conservadora e autorize apostas na antecipação do ciclo de cortes do juro.


… Na hipótese mais otimista, as projeções do mercado apontam para o começo do afrouxamento monetário em janeiro, sendo que os mais conservadores só esperam uma ação do Copom em março. Por isso, o tom do comunicado será importante.


… De acordo com pesquisa do Valor com 120 instituições financeiras, as casas que esperavam o primeiro corte em março cresceram de 26% no levantamento de setembro para 40% nesta sondagem, após a comunicação mais hawkish do BC.


… Para os economistas do Itaú, o Copom até deve mencionar em seu comunicado alguma melhora na inflação corrente, mas sem dar sinal sobre o patamar da Selic, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante de política monetária.


… O Itaú estima que o Copom “não mudará a sua sinalização de manutenção de juros no nível de 15% ao ano por período bastante prolongado, diante da desancoragem das expectativas, da resiliência do mercado de trabalho e das projeções de inflação acima da meta”.


… Para o economista-chefe do banco, Mario Mesquita, a melhora de expectativas, mesmo que expressiva, ainda deixa as projeções de mercado consistentemente acima da meta, além de o desemprego ter estabilizado nas mínimas históricas.


… Também o economista Marco Caruso, diretor de política monetária do Santander, espera um comunicado praticamente inalterado, com o BC mantendo o trecho no qual indica o “período bastante prolongado” para a manutenção da Selic nos atuais 15%.


… Em relatório, ele diz que “embora as condições macroeconômicas tenham melhorado ligeiramente, as expectativas de inflação continuam altas, e uma postura rígida continua a sustentar a credibilidade do BC em um ambiente ainda livre de pressão por cortes”.


BANDEIRA DA ANEEL – O anúncio da bandeira vermelha patamar 1 para novembro, mesma classificação de outubro, levou a uma onda de revisões em alta no mercado para o IPCA deste mês, mas não abalou as estimativas para o ano.


… A perspectiva de que a Aneel acione a bandeira amarela em dezembro alivia as projeções de inflação mais à frente.


… O BMG não descarta alteração até para bandeira verde em dezembro e, por enquanto, mantém a estimativa para o último mês do ano em 0,55%, apesar de ter elevado de novembro de 0,15% para 0,25% e mantido em 4,6% no ano.


… A Quantitas elevou a previsão para o IPCA de novembro de 0,28% para 0,32%, mas reduziu a aposta para dezembro de 0,49% para 0,45% e manteve a projeção para o índice oficial fechado de 2025 em 4,58%.


… A projeção da Warren subiu de 0,06% a 0,21% em novembro, mas caiu de 0,47% a 0,31% em dezembro. No ano, segue em 4,3%. A Terra ajustou de 0,27% para 0,42% (novembro), de 0,72% para 0,57% (dezembro) e manteve em 4,8% (ano).


MAIS AGENDA – Hoje, o IPC-S (8h) deve registrar uma boa desaceleração, de 0,65% em setembro para 0,13% em outubro, com o alívio da tarifa de energia elétrica. A alta em 12 meses deve desacelerar de 3,78% em setembro para 3,62% em outubro.


… Às 8h25, mais uma edição da pesquisa Focus monitora as estimativas para o IPCA, que, na semana anterior, caíram de 4,97% para 4,92% em 2025 e de 3,96% para 3,89% em 2026. Para 2027, a estimativa subiu de 3,84% para 3,85% e, para 2028, avançou de 3,60% para 3,70%.


… Ainda nesta segunda-feira, o BC fará entrevista coletiva (10h) sobre novas regras de movimentação de contas de clientes e de capital mínimo de instituições reguladas aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pela diretoria da autoridade monetária.


… Outros destaques da agenda dos indicadores são a produção industrial de setembro, amanhã, que deve recuar de 0,80% em agosto para 0,40%, a balança comercial de outubro (quinta-feira) e o IGP-DI de outubro (sexta-feira).


AGENDA FISCAL – A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado marcou para amanhã (terça-feira) a votação do projeto que aumenta a faixa de isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil/mensais.


… Também consta da pauta o PL que eleva a tributação das bets e as alíquotas da CSLL para fintechs e bancos.


… O relator do projeto do IR, Renan Calheiros (MDB), pretende manter em seu relatório a essência do texto aprovado na Câmara, com pequenas mudanças de redação que não obrigarão a matéria a voltar para nova apreciação dos deputados.


… Para aumentar a arrecadação, Renan apresentou o PL que eleva para 15% a CSLL para seguradoras, instituições de pagamento (como fintechs), corretoras de mobiliários e outras entidades financeiras específicas. Os bancos passarão a ter tributação de 20%.


… A tributação das bets aumenta de 12% para 24%, sendo que parte dos 12% adicionais será repassada para Estados e municípios, entre 2026 e 2028, de modo a compensar perdas que terão com as mudanças do imposto de renda.


… O PL da arrecadação prevê ainda um programa para que pessoas que ganham até R$ 7.350 possam renegociar dívidas com a Receita Federal.


SEGURANÇA NA PAUTA – Após a megaoperação do governo do Rio nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada, a Câmara dos Deputados intensifica a pauta dedicada a projetos sobre segurança pública. O governo também reage.


… Na semana passada, o presidente Lula enviou o PL Antifacção, que endurece as penas e amplia os instrumentos de combate às organizações criminosas. A proposta soma-se à PEC da Segurança Pública, que foi enviada ao Congresso em abril, mas enfrenta resistências.


… A aprovação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teve um aumento expressivo de 10 pontos percentuais após a megaoperação policial realizada na última terça-feira, considerada a mais letal da história do País ao deixar 121 mortos.


… O episódio está sendo usado politicamente pela direita como uma oportunidade de recuperar o discurso diante da recente escalada de Lula nas pesquisas eleitorais. Na Quaest, porém, a aprovação do presidente não sofreu alteração.


… No Senado, deve ser instalada a CPI do crime organizado e a Comissão de Segurança votará a convocação do ministro Ricardo Lewandowski.


COP30 – A Cúpula de Líderes reúne-se em Belém do Pará na quinta-feira (6) e sexta-feira (7), com a presença do presidente Lula, ministros de Estado, além de vários representantes mundiais, entre os quais, o presidente da França, Emmanuel Macron.


… Desde a quarta-feira, Lula deve ter reuniões bilaterais com autoridades de outros países que vão participar da COP30.


O TARIFAÇO – O mercado monitora ainda as movimentações para o próximo encontro do Brasil com os Estados Unidos para discutir tarifas.


… No Estadão, uma das reuniões de negociação poderá ocorrer nesta semana, em Washington, quando o governo Lula poderá propor um acordo comercial mais abrangente e horizontal ou a discussão por setores econômicos, com concessões pontuais e reduções de tarifa.


… Uma das propostas é sugerir o objetivo de elevar o comércio bilateral para US$ 200 bilhões até 2030 e sinalizar compras na área de Defesa.


… O presidente Lula e sua equipe pediram, sem sucesso, que Trump aceitasse uma trégua e suspendesse a taxação inicialmente para que os dois governos negociassem. O americano não cedeu ao que foi chamado de um pedido de “boa vontade”.


… Após o encontro com Trump na Malásia, Lula disse que enviaria aos Estados Unidos as três autoridades políticas mais envolvidas: o vice-presidente Geraldo Alckmin (ministro do MDIC) e os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Itamaraty).


… No Valor, o governo Lula considera que a bola está com os Estados Unidos e prevê nova reunião sobre tarifaço em 15 dias.


… A avaliação dos negociadores brasileiros é que Trump deve tentar barganhar em torno do tarifaço e ampliar seu discurso de vitória, o que não é um problema para o Brasil, desde que o discurso não implique em qualquer sinal de rendição.


… Nesta semana, a Suprema Corte dos Estados Unidos ouvirá o recurso de Trump contra decisões de tribunais de instâncias inferiores de que o uso de tarifas sob o pretexto de “emergência internacional” pelo presidente americano usurpa a autoridade do Congresso.


JANEIRO NO PÁREO – Último canal a reagir à potência da política monetária, o mercado de trabalho doméstico segue aquecido, como confirmou a Pnad na sexta-feira. Nem por isso inviabiliza um corte da Selic no início de 2026.


… A taxa de desemprego medida pela pesquisa do IBGE ficou em 5,6% no trimestre móvel terminado em setembro, resultado idêntico ao período dos três meses terminados em agosto e ainda na mínima histórica do levantamento.


… O indicador, porém, veio marginalmente acima da mediana do mercado, de 5,5%, indicando que, embora o mercado de trabalho continue exibindo bastante resistência, pode estar dando os primeiros sinais de desaceleração.


… A perda de fôlego gradual do emprego já havia sido apontada por economistas semana passada também para o Caged nos cálculos com ajuste sazonal, na média trimestral dos postos criados e ainda no acumulado em 12 meses.


… Embora acomodado no high, o mercado da mão de obra pode estar batendo agora em seu limite das forças e não parece abalar a visão no mercado financeiro de desaquecimento da atividade econômica neste segundo semestre.


… Se for isso mesmo e o emprego não pregar, daqui para frente, mais surpresas de alta, pode entrar como argumento contra a necessidade de o Copom estender o seu discurso de conservadorismo para o ano que vem.


… Em paralelo, a melhora das expectativas de inflação para os horizontes mais longos e relevantes para a política monetária (2027 e 2028), além do alívio na inflação corrente e na atividade, testam o coração de pedra do BC.


… Alvo de grande suspense, o comunicado do Copom da quarta vem para calibrar as chances de o ciclo de relaxamento monetário da taxa Selic ser antecipado de março para janeiro, depois de juro a 15% por tanto tempo.


… Não é muito fácil de imaginar que o BC amoleça tanto a sua comunicação a ponto de entregar todo o jogo agora. Mas o DI devolveu prêmio na sexta, movida pela esperança de que o Copom libere as apostas de corte em janeiro.


… Só o Jan/26 (14,894%) ficou perto do ajuste de 14,895%. Já o Jan/27 caiu a 13,845% (de 13,926% na véspera); Jan/29 recuou a 13,075% (de 13,205%); Jan/31 cedeu a 13,360% (de 13,480%); e Jan/33, a 13,525% (de 13,631%).


… Os contratos futuros de juros também se aproveitaram do câmbio comportado para desarmar pressão de risco.


… Em dia de briga entre comprados e vendidos pela formação da ptax de outubro e em meio a relatos de fluxo de recursos externos à bolsa brasileira, o dólar terminou a sessão praticamente estável (-0,02%), cotado a R$ 5,3803.


… A moeda americana chegou ao último pregão de outubro com alta acumulada de 1,08% no mês, revertendo parcialmente o recuo de 1,83% em setembro. Mas no ano ainda registra perdas de 12,94% em relação ao real.


… Outubro foi um mês mais complicado, marcado por um pico no sentimento de aversão ao risco, devido ao aumento das tensões entre China e EUA, o que levou os estrangeiros a elevarem as apostas contra o real.


… Segundo reportagem do Valor, apesar de o diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos manter a nossa moeda atrativa, a posição líquida dos gringos a favor do dólar cresceu em torno de US$ 13 bilhões no mês passado.


… Estável na sexta-feira, o dólar resistiu à alta da moeda em escala global, desencadeada pela cautela do Fed.


O COLETIVO DO FED – Powell não está sozinho quando avisa que uma nova redução do juro em dezembro é incerta.


… Quatro dirigentes do Fed foram nesta mesma linha durante participação em eventos públicos na sexta-feira.


… “Não fiquem à frente de nós”, recomendou Raphael Bostic às apostas mais dovish no mercado. Ele ainda disse que ficou satisfeito com o comentário do presidente do Fed de que um corte do juro em dezembro não está garantido.


… O colega Jeffrey Schmid, que já foi dissidente na última reunião, quando votou por estabilidade, alertou que a economia mostra um impulso contínuo, que a inflação continua muito alta e que um corte pode trazer perigo.


… “Não acho que uma redução de 25 pontos nos juros fará muito para resolver as tensões no mercado de trabalho. No entanto, um corte pode ter efeitos mais duradouros na inflação se o compromisso com a meta for questionado.”


… Seguindo o mesmo raciocínio, Lorie Logan, que é suplente nas reuniões deste ano, ressaltou que teria preferido manter os juros inalterados na reunião de outubro e ponderou que acha difícil realizar outra redução em dezembro.


… “A inflação continua muito alta e parece provável que exceda a meta de 2% por muito mais tempo”, disse a dirigente de Dallas, citando que a perspectiva econômica atual não justifica flexibilizações na política monetária.


… Beth Hammack concorda que a economia está perdendo mais do lado da inflação do que do emprego, endossa o discurso de Powell de que a política monetária não está em curso predeterminado e que tem tempo até dezembro.


… Na outra ponta, Christopher Waller, que está louco para ser escolhido por Trump como sucessor no comando do Fed, defende mais um corte em dezembro e diz que a “névoa de dados [com o shutdown] não nos diz para parar”.


… Stephen Miran também não nega sua fama dovish e disse, em uma entrevista ao New York Times publicada no sábado, que o Fed corre o risco de induzir a economia a uma recessão se não reduzir rapidamente as taxas de juros.


… Pegando carona, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reiterou seu apelo para o Fed acelerar os cortes nas taxas e acusou o BC comandado por Powell de já ter mergulhado alguns setores da economia em um processo recessivo.


SEM TRAVESSURAS – Avaliando que o melhor era absorver o recado de que pode vir uma pausa no juro americano em dezembro, ao invés de sair medindo forças com o Fed, o índice DXY rondou a linha dos 100 pontos na sexta-feira.


… Subiu 0,27%, a 99,804 pontos, atingindo o nível mais elevado em três meses. No mês, acumulou ganhos de 2,07%. O euro caiu a US$ 1,1530, a libra esterlina registrou queda para US$ 1,3142 e só o iene subiu, a 154,12 por dólar.


… Com parte do Fed colocando à prova a flexibilização de sua política, a taxa da Note-2 anos teve oscilação marginal, a 3,594% (de 3,608%). Mas estrategistas do Barclays recomendam posição comprada nos bônus deste vencimento.


… A instituição financeira avalia que, embora o BC americano queira preservar a sua flexibilidade, os indicadores recentes de inflação e emprego ainda sugerem espaço para nova queda dos rendimentos no curto prazo.


… O yield da Note de 10 anos se manteve acima de 4%, a 4,092%, contra 4,086% no pregão anterior.


… As bolsas de NY terminaram a sessão no campo positivo, embora os discursos cautelosos dos quatro Fed boys possa ter limitado o apetite. O Dow Jones fechou praticamente estável, em leve alta de 0,09%, aos 47.562,87 pontos.


… O S&P 500 ganhou 0,26%, aos 6.840,20 pontos, e o Nasdaq só avançou mais firmemente (+0,61%, aos 23.724,96 pontos), porque a Amazon saltou 9,58%, na repercussão animada ao balanço trimestral acima do esperado.


DOCES – O Ibovespa ganhou para a sua coleção mais um recorde duplo e está agora a um pulo dos 150 mil pontos.


… Já são oito pregões subindo direto e cinco consecutivos batendo marcas históricas, tendo como gatilho a diplomacia de Trump com a China, que leva o investidor a voltar a olhar o Brasil com mais carinho e interesse.


… Outubro terminou para a bolsa com chave de ouro, no patamar inédito dos 149.540,43 pontos, em alta de 0,51%, depois de ter acelerado durante o pregão até os 149.635,90 pontos no pico intraday de todos os tempos.


… O índice à vista acumulou ganho de 2,26% no mês e agora registra valorização de 24,32% no ano.


… Entre as blue chips, a Vale roubou a cena (+2,27%; R$ 65,26) após o balanço, tendo ainda no radar um possível pagamento de dividendos extraordinários, admitido pelo vice-presidente executivo de Finanças e RI, Marcelo Bacci.


… Segundo anotou o Broadcast, a mineradora está prestes a romper, nos próximos pregões, os R$ 300 bilhões em valor de mercado, cifra que não atinge desde março do ano passado. Até sexta-feira, valia R$ 296,2 bilhões.


… Próximo da fila dos balanços (amanhã), Itaú PN avançou 0,38%, para R$ 39,44. Bradesco PN registrou valorização de 0,33% (R$ 18,16); Bradesco ON subiu 0,26%, a R$ 15,47; Santander, +1,73% (R$ 31,14); e BB, +1,25% (R$ 21,90).


… Petrobras, também às vésperas do balanço (quinta), contrariou o petróleo e caiu 0,47% tanto no papel PN, a R$ 29,75, quanto no ON, a R$ 31,51. Pesou o anúncio da queda de 1,7% no preço do gás natural, em vigor desde sábado.


… Com a reunião da Opep+ no radar e a perspectiva de que o aumento na produção viria moderado (como veio mesmo), o contrato do Brent para dezembro fechou praticamente estável (+0,10%), a US$ 65,07 por barril na ICE.


COMPANHIAS ABERTAS – PETROBRAS anunciou o aumento do preço do querosene de aviação (QAV) em R$ 0,05 por litro, ou 1,4%, em vigor desde sábado.


BRASKEM. Um grupo de bancos formado por Crédit Agricole, ING Groep, Sumitomo Mitsui Banking Corporation e BNP Paribas contratou a FTI Consulting como assessora financeira para negociar a dívida com a empresa.


BANCO DO BRASIL comunicou a renúncia de João Fruet, diretor de corporate e banco de investimento; ele será substituído por Julio César Vezzaro, que era diretor de corporate bank…


… No lugar de Vezzaro, foi indicado José Salvador Constantino Zarcos Filho.


BB SEGURIDADE informou que João Vagner de Moura Silva, diretor de finanças do BB, foi nomeado vice-presidente do Conselho de Administração, para completar o mandato 2025-2027, em posição que estava vaga até então.


BRADESPAR. Diretoria decidiu submeter ao Conselho de Administração a proposta para pagamento de JCP no montante de R$ 310 milhões, o equivalente a R$ 0,7405 por ação ordinária e R$ 0,8146 por ação preferencial…


… Proposta será deliberada em reunião do colegiado no próximo dia 12; se aprovado, provento será pago em 24/11.


AZUL fechou acordo global com comitê de credores para plano de reorganização no Chapter 11.


QUALICORP anunciou, por meio de fato relevante, o fechamento da transação para a venda de 100% do capital social da Gama Saúde para o empresário Fernando Vieira, controlador da holding ESB Corp, por R$ 163,912 milhões…


… O negócio, anunciado em agosto e aprovado pela ANS em outubro, conclui o processo de alienação da subsidiária.


PORTO SEGURO informou que controlada Porto Serviço aprovou a incorporação das empresas CDF Assistência e Suporte Digital e Porto Assistência Participações. Com isso, o capital social passa a ser de R$ 1,02 bilhão.


EQUATORIAL distribuirá R$ 1,819 bi em JCP, a R$ 1,45 por ação; ex na próxima quinta-feira…


… A empresa concluiu a venda de sua operação de transmissão para a Verene Energia, empresa controlada pela Caisse de Dépôt et Placement du Québec. O valor pago pelo ativo foi atualizado para R$ 5,389 bi, de R$ 5,188 bi.


RAÍZEN ENERGIA aprovou, em Assembleia Geral Extraordinária realizada no sábado, uma ampla reorganização societária que integra o processo de simplificação e consolidação das suas operações no setor de bioenergia.


NEOENERGIA comunicou que recebeu correspondência da Previ informando que vendeu a totalidade das ações ordinárias que detinha na companhia por meio do Plano de Benefícios 1 para a Iberdrola Energia.


ENERGISA. Consumo consolidado de energia elétrica nas áreas de concessão da empresa alcançou 10.515,7 gigawatts-hora (GWh) no 3TRI, alta anual de 2%, segundo prévia operacional.

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...