sexta-feira, 4 de abril de 2025

Sthulberger - protecionismo de Trump beneficia Brasil

 *Stuhlberger: Trump trouxe o maior protecionismo da História — mas o Brasil saiu ‘muito beneficiado’*


_CEO da Verde Asset vê avanço do protecionismo americano como chance para o Brasil ganhar espaço no comércio internacional_


Leia mais: https://bit.ly/3FQOxAm


*Exame INSIGHT. Para quem decide*

S&P coloca em observação

 S&P coloca rating do BRB em observação após compra do Master, com incertezas sobre novo banco


17:58 03/04/2025 


Por Matheus Piovesana


São Paulo, 03/04/2025 - A agência de classificação de risco S&P colocou as notas de crédito (ratings) do Banco de Brasília (BRB) em observação devido ao anúncio da compra de 58% do capital do banco Master. De acordo com a casa, os aspectos da transação e a estrutura de capital do novo conglomerado ainda são incertos, o que torna incerto o impacto que a compra terá para o banco público.


"Precisamos de uma maior clareza na estrutura consolidada do grupo após a aquisição, além de detalhes sobre a reorganização do banco Master, para estimar o impacto sobre a estrutura de capital, a exposição de risco e os perfis de negócio e de financiamento do BRB", afirmam os analistas.


A nota global do BRB na S&P é B, e a local é brA+/brA-1. Estas foram as notas colocadas sob observação nesta quinta-feira, 3. O Master não é avaliado pela S&P.


De acordo com a agência, a aquisição, se concluída, poderia gerar um desvio significativo dos fundamentos de crédito do BRB em relação às expectativas anteriores. As mudanças podem atingir a capitalização do banco e também as exposições de risco. Outro fator potencialmente complexo são os riscos envolvidos na integração dos bancos.


Os analistas lembram que nem todos os ativos do Master entrarão no pacote adquirido pelo BRB, com a exclusão dos precatórios, do banco Voiter, do Banco Master de Investimento e da KOVR Participações, entre outros. "No entanto, a aquisição pode incluir outros ativos cujo perfil de risco ainda é incerto para nós", diz a S&P.


Estes ativos podem incluir fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC), que são R$ 10 bilhões dos ativos totais do Master, e fundos multimercado, que somam R$ 8,1 bilhões.


A S&P lembra que o Master teve um forte crescimento nos últimos anos, baseado em aquisições, compra de ativos de alto risco e a emissão de títulos bancários com alto custo. Já o BRB tem uma vantagem competitiva na base de captação mais barata e mais estável, mas viu seus índices de capital recuarem desde 2022 graças ao rápido crescimento da carteira de crédito.


Contato: matheus.piovesana@broadcast.com.br

Mudanças no FGC

 Fontes: Grandes bancos privados pedem ao BC mudanças nas regras do FGC


17:15 03/04/2025 


Por Matheus Piovesana e Cícero Cotrim


São Paulo e Brasília, 03/04/2025 - Os grandes bancos privados querem apertar as regras de contribuição ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por instituições mais expostas. A proposta foi formulada antes da compra do Banco Master pelo BRB, vista nos bastidores do setor como um resgate da instituição comandada por Daniel Vorcaro pelo banco público de Brasília.


Segundo apurou o Broadcast junto a fontes que falaram reservadamente, os grandes bancos solicitam ao Banco Central que seja reduzido de 75% para 50% o volume de captação garantida pelo FGC que obriga uma instituição a fazer contribuições adicionais ao Fundo.


Além disso, os bancos querem aumentar a alíquota adicional de 0,01% dos depósitos garantidos pelo FGC para 0,10% do total. As informações foram antecipadas pela Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Broadcast.


O FGC recebe contribuições de todas as instituições financeiras, mas os maiores contribuidores são os grandes bancos do País. Nos últimos anos, porém, cresceu o incômodo dessas instituições com o que consideram um uso indevido da chancela do FGC a determinados investimentos.


Executivos do setor afirmam nos bastidores que a garantia do FGC tem sido utilizada para tornar mais atrativos ao pequeno investidor papéis de bancos nos quais ele provavelmente não teria uma conta corrente, devido ao baixo conhecimento sobre a instituição.


A demanda de contribuição adicional por parte dos bancos menores é antiga, mas os grandes bancos formularam as novas propostas em fevereiro deste ano. O tema ainda não é de conhecimento amplo no setor, e instituições de pequeno e médio portes ainda não tiveram acesso à proposta completa.


Um executivo de um banco que não faz parte do grupo que formulou a proposta considera que seria prejudicial à competitividade do setor. Na visão dele, dada ao Broadcast reservadamente, um aperto como o demandado pelos bancos restringiria a competitividade das plataformas digitais, que também emitem papéis como os certificados de depósito bancário (CDB), e dependem mais deles para obter depósitos que os grandes bancos.


Outro executivo comentou, também sob a condição de reserva, que mesmo entre os médios e pequenos bancos não há consenso entre as mudanças no FGC.

JP Morgan

 JPMorgan aumenta risco de recessão global e dos EUA de 40% para 60% após tarifas


Sydney, 03/04/2025 - Os riscos de uma recessão nas economias global e dos EUA subiu de 40% para 60% com o anúncio esta semana do novo e abrangente regime tarifário de Donald Trump, de acordo com o JPMorgan.


“As políticas disruptivas dos EUA foram reconhecidas como o maior risco para as perspectivas globais durante todo o ano”, disse Bruce Kasman, economista-chefe e chefe de pesquisa econômica global do JPMorgan.


“As últimas notícias reforçam nossos temores, pois a política comercial americana se tornou decisivamente menos favorável às empresas do que havíamos previsto”, acrescentou.


A perspectiva do banco para 2025 reconheceu que o governo Trump agiria agressivamente em várias frentes, mas incorporou seu compromisso subjacente de apoiar os negócios e a vida da expansão econômica, disse Kasman. A questão é que “a combinação de políticas dos EUA parece estar se afastando ainda mais do apoio à expansão atual”, afirmou ele.


O efeito direto seria o maior aumento de impostos sobre as famílias e empresas do país desde 1968, que precedeu a recessão de 1969-70, segundo Kasman.


“Consideramos a implementação total das políticas anunciadas como um choque macroeconômico substancial não incorporado atualmente em nossas previsões... essas políticas, se mantidas, provavelmente levariam a economia dos EUA e possivelmente a economia global à recessão este ano”. Fonte: Dow Jones Newswires.



Broadcast+

Bankinter Portugal Matinal 0403

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, a reação do mercado aos anúncios dos impostos alfandegários de Trump no “Liberation Day” foi de fortes quedas. A bolsa europeia retrocedeu -3,59% enquanto a americana -4,84% (e o índice tecnológico -5,41%). O mercado antecipa uma mudança para pior no ciclo, com menos crescimento e mais inflação, que inevitavelmente se traduz numa deterioração das previsões de lucros empresariais. Apenas os setores menos sensíveis ao ciclo/defensivos como as utilities (+1,7%), telecomunicações (+0,5%) e consumo básico (+0,1%) europeus evitaram as quedas. A renda fixa atuou como ativo-refúgio e vimos a yield do T-Note a fechar em 4,0% e o Bund alemão em 2,65%.


No plano macro, embora mais para segundo plano, hoje teremos Emprego americano de março. Espera-se uma Criação de Emprego de 140.000 (face a 151.000 anterior), com a Taxa de Desemprego e os Salários a repetirem em 4,1% e +4,0%, respetivamente. Além disso, esta tarde, às 16:25 h, Powell falará sobre perspetivas económicas. Num contexto de mercado como este, as declarações do Presidente da Fed têm especial relevância. 


Para a sessão de hoje, teremos um mercado que ficou bastante abalado. O ciclo global piora (menor crescimento, maior inflação) e tudo isto se traduzirá inevitavelmente em indicadores macros que irão progressivamente refletindo este novo cenário. Além disso, há que considerar que o próximo passo será a previsível reação dos países afetados (já ontem tivemos declarações neste sentido de China, França e da UE). Com tudo isto, a sensação de incerteza não só não se relaxa como se intensifica a curto prazo e, portanto, os retrocessos provavelmente continuarão durante um tempo.


S&P500 -4,8% Nq-100 -5,4% SOX -9,9% ES-50 -3,6% IBEX -1,2% VIX 30,2 Bund 2,65% T-Note 4,04% Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,30% PT 3,19% FRA 3,37% ITA 3,77% Euribor 12m 2,33% (fut. 2,02%) USD 1,107 JPY 161,46 Ouro 3.106$ Brent 69,6$ WTI 66,4$ Bitcoin -3,9% (83.168$) Ether -4,4% (1.803$).


FIM

BDM Matinal Riscala 0403

 *Rosa Riscala: Payroll e Powell movimentam os mercados*


… Mais um dia agitado para os mercados globais, com o payroll nos EUA, falas de dois Fed boys, inclusive de Powell. Uma agenda importante neste momento em que investidores aumentam as apostas em cortes mais profundos do juro americano, após as tarifas de Trump. Sobre o impacto do Liberation Day, que afundou Wall Street, as praças asiáticas e europeias, esperam-se, ainda, as reações dos países mais atingidos, que podem agravar a guerra comercial. Aqui, os ativos surfaram na sensação de que toda essa crise poderá ser positiva para o Brasil, uma leitura que sustentou o Ibov e derreteu o dólar e os juros futuros. Como destaque entre os indicadores domésticos, a expectativa é para a balança comercial de março, que será divulgada às 15h.


… Na semana passada, a queda das exportações acendeu o alerta e justificou o déficit das transações correntes. A previsão para o fechamento do mês é de um superávit de US$ 7,2 bilhões, na mediana das estimativas de pesquisa Broadcast.


… Para o payroll (9h30), o consenso dos analistas é de abertura de 137 mil novas vagas em março, desacelerando em relação aos 151 mil de fevereiro, com a taxa de desemprego estável em 4,1%, assim como o ganho médio por hora mensal, em 0,3%.


… Powell fala às 12h25 e se espera dele um discurso mais cauteloso do que o otimismo na entrevista do Fomc, quando defendeu a tese de que a inflação causada pelas políticas comerciais de Trump teria caráter “transitório”.


… Nas primeiras manifestações de dirigentes do Fed após o anúncio das tarifas, nesta 5ªF, a diretora Lisa Cook admitiu o alto nível de incertezas, afirmando que seria prudente manter os juros inalterados, e foi além com uma visão diferente do mercado.


… Enquanto o CME Group elevou as expectativas de um corte de 100pbs do juro este ano, Cook disse que os aumentos de preços relacionados a tarifas podem argumentar pela manutenção de uma postura restritiva por mais tempo.


… Mas, antecipando uma situação que o Fed poderá enfrentar mais à frente, ressalvou que tais aumentos também podem reduzir a renda pessoal e levar a menores gastos do consumidor. Neste caso, o socorro seria ao risco de uma recessão.


… Segundo Lisa Cook, “em meio à crescente incerteza e riscos para os dois lados do nosso mandato duplo [inflação e crescimento], eu acredito que é apropriado manter o juro, enquanto monitoramos os desdobramentos que podem mudar o cenário”.


… Mais cedo, o vice do Fed, Philip Jefferson, afirmou que “não há pressa para fazer mais ajustes na taxa de juros” e que a atual política está bem posicionada para lidar com os riscos e incertezas ao buscar ambos os lados do seu mandato duplo.


… Para hoje estão previstas as falas do vice-presidente de supervisão, Michael Barr (13h), e de Christopher Waller (13h45).


PESSIMISMO GERAL – Ninguém, à exceção de Trump e de sua equipe de governo, viu algo de positivo nas tarifas recíprocas, mas o estrago que poderão fazer na economia mundial e a desordem nas relações comerciais foi uma unanimidade.


… Algumas projeções, como a do JP Morgan, são assustadoras; o banco elevou o risco de recessão global para 60% em 2026.


… Para o Citi, foi muito pior do que o esperado, com impacto “desproporcional” sobre a Ásia e os países que compõem a rede de produção liderada pela China, numa ação que visa fechar rotas alternativas de exportação chinesa.


… Wells Fargo diz que as políticas de Trump vão acelerar a divisão do mundo em dois blocos: um liderado pelos EUA e outro pela China. E aponta para um possível cenário onde a Europa se tornaria um terceiro polo econômico.


… Os analistas do banco acreditam que a incerteza tarifária deve persistir por um período prolongado. “Mesmo com as possíveis concessões, as tensões comerciais continuarão moldando a economia global nos próximos anos.”


… Já o Goldman Sachs estima que as tarifas recíprocas devem tirar 1,7 pp, somada a alíquota de 20% aplicada em fevereiro.


… O tarifaço foi equiparado aos níveis da Grande Depressão pelo economista-chefe global da Coface, Jean-Christophe Caffet, que definiu a política de Trump como “completamente autodestrutiva”. “Vai gerar inflação, com risco de estagflação nos EUA”.


… Para a Fitch, a taxa tarifária americana foi elevada a nível visto pela última vez em 1909, para 25%, e transformará a economia global. A agência vê riscos “significativos” de recessão nos EUA, revisando a expectativa do PIB para menos de 1,7%.


… As estimativas iniciais da OMC sugerem que as medidas de Trump podem reduzir o comércio global em até 1% em 2025, e vê o risco de uma “guerra tarifária” de maiores proporções, com medidas retaliatórias que agravariam a queda.


… Para o FMI, as tarifas representam claramente um risco significativo para as perspectivas globais num momento de crescimento lento. A diretora-gerente, Kristalina Georgieva, apelou para que EUA e parceiros resolvam as tensões comerciais.


… Na América Latina, o México, altamente integrado à economia dos Estados Unidos, será um dos países mais impactados, com o PIB saindo de 1,5% em 2024 para 0,2% em 2025, na avaliação da CEO da Coface, Marcele Lemos.


… A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que buscará diversificar o comércio do país com a União Europeia.


… Já o Brasil deve ser pouco atingido, segundo opinião consensual dos analistas, e isso virou uma festa no mercado (abaixo).


LULA – Em manifestação discreta e calculada, evitando o confronto, o presidente disse que o governo vai tomar “todas as medidas cabíveis” para defender o Brasil, as empresas e os trabalhadores da alíquota de 10% nas exportações brasileiras.


… Segundo ele, a atuação terá como referência a Lei da Reciprocidade aprovada pelo Congresso e as diretrizes da OMC.


AS RESPOSTAS – A única retaliação concreta, nesta 5ªF, foi do Canadá, quando o primeiro-ministro, Mark Carney, anunciou tarifa de 25% sobre todos os veículos importados dos Estados Unidos que não estejam dentro do acordo USMCA.


… Carney classificou as medidas como ilegais e esclareceu que as novas tarifas canadenses não afetarão importações do México.


… Trump e seus asseclas já vinham ameaçando que os EUA podem aumentar as tarifas aos países que partirem para a retaliação.


… Mark Carney afirmou que o Canadá está reforçando laços com outros parceiros comerciais e disse que tinha falado com Claudia Sheinbaum (México), Olaf Scholz (Alemanha), Ursula Von der Leyen (UE), Keir Starmer (Reino Unido) e Macron (França).


… Outra iniciativa veio do presidente da Espanha, Pedro Sánchez, que anunciou um pacote de ajuda de 14,1 bilhões de euros às empresas para enfrentarem os impactos internos das tarifas de 20% sobre produtos da União Europeia.


… “As tarifas não são recíprocas. Ninguém sairá beneficiado. Por isso, pedimos mais uma vez que ele reconsidere. Nossa mão está estendida. Mas não ficaremos de braços cruzados. A UE reagirá com proporcionalidade, unidade e firmeza”, disse Sánchez.


… O governo do Japão também promete medidas de apoio às empresas e o primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, questionou se as tarifas são “precisas” e “consistentes” com os acordos da OMC, pedindo que os EUA revisem as medidas.


… Já o presidente da França, Emmanuel Macron, foi mais duro na retórica, dizendo que as tarifas são “brutais e infundadas”, que são um “choque para o comércio internacional” e defendeu “retaliações massivas” contra os EUA.


… Macron alertou que, com as tarifas, a economia e os consumidores dos EUA “ficarão mais pobres e fracos” e destacou que as novas taxas de Trump podem “levar os países da Ásia a aumentarem suas exportações para a Europa”.


… Por fim, o governo do Reino Unido, agraciado com a tarifa mínima de 10%, disse que conversará com as empresas britânicas antes de definir sua resposta às medidas impostas pelos Estados Unidos.


ISENÇÃO DO IR – Warren Investimentos avalia que a proposta do PP com mudanças na compensação da nova faixa de isenção do IR aumenta o risco de não neutralidade fiscal da medida enviada pelo governo ao Congresso.


… Segundo seus economistas, a emenda do senador Ciro Nogueira tende a piorar a compensação defendida pelo Executivo. Além disso, atribui à União a obrigação de repassar recursos adicionais a Estados e municípios.


… A principal alteração no texto do PP está na elevação, de R$ 50 mil para R$ 150 mil/mês, do valor sobre o qual será cobrada a alíquota progressiva, com a tributação iniciando em 4% e chegando a 15% nos rendimentos superiores a R$ 1 bilhão/ano.


… A complementação para cobrir o custo da isenção a salários de até R$ 5 mil viria da redução linear de benefícios tributários.


PRECATÓRIOS – O debate prioritário do governo no segundo semestre será encontrar uma solução para o impasse fiscal em torno dos precatórios, segundo um interlocutor da equipe econômica ouvido pelo Broadcast.


… A partir de 2027, esses recursos deverão ser integralmente contabilizados dentro das regras fiscais e, por isso, a Fazenda quer equacionar o assunto neste ano e enviar o PLDO e o PLOA de 2027 com essas novas diretrizes.


MAIS AGENDA – Além da balança comercial à tarde, está prevista pela manhã (8h) a divulgação do IGP-DI de março, que deverá trazer deflação de 0,52%, segundo a mediana do Broadcast, após o resultado de 1% em fevereiro.


LEILÃO CANCELADO – MME deve anunciar hoje o cancelamento do leilão de reserva de capacidade previsto para dia 27 de junho, apurou o Broadcast. A motivação central é a “guerra judicial” entre grupos econômicos, segundo fontes do governo.


HADDAD – Ministro terá uma reunião nesta 6ªF (11h), em São Paulo, com o presidente da CVM, João Pedro Nascimento. Às 15h, encontra-se com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Josué Gomes.


NOS EUA – Como você viu acima, tem payroll (9h30), Powell (12h25), Michael Barr (13h) e Christopher Waller (13h45).


… Nada previsto na Zona do Euro. Na Ásia, um feriado deixou os mercados fechados na China Continental, Hong Kong e Taiwan.


UNIÃO EUROPEIA & JAPÃO – Reúnem-se hoje em Bruxelas (9h45, Brasília) para discutir o fortalecimento das relações bilaterais nas áreas de segurança e defesa, além de desafios globais como a guerra na Ucrânia e a situação no Oriente Médio.


DEBANDADA – US$ 2,5 trilhões. É o que a queda dos preços das ações em NY tirou do valor das empresas, no tarifaço de Trump.


… Tudo despencou – fabricantes de tênis e vestuário, bancos, techs, varejistas – depois que Trump lançou tarifas pesadas sobre países que são fornecedores cruciais para o mercado americano, como Taiwan, Vietnã e Indonésia.


… Termômetro do choque no mercado, o Vix, também conhecido por índice do medo, disparou 39,56%, a 30,02 pontos. Níveis acima de 30 são associados a maior incerteza, risco e medo dos investidores.


… Nas primeiras análises sobre o impacto da reorganização do comércio global sob Trump, o denominador comum é que as tarifas vão provocar mais inflação, menos consumo e baixo crescimento nos EUA. A economia mundial deve ser afetada.


… Wall Street viu uma debandada. O Nasdaq caiu 5,97% (16.550,61 pontos), levado pelas sete magníficas: Apple (-9,25%), Amazon (-8,98%), Meta (-8,96%), Nvidia (-7,81%), Tesla (-5,47%), Alphabet (-4,02%) e Microsoft (-2,36%).


… O setor de tecnologia, dependente de mão de obra e insumos asiáticos, tendem a ser um dos principais perdedores.


… O S&P 500 caiu 4,84% (5.396,54), maior baixa desde junho de 2020, no meio da pandemia, e entrou novamente em correção técnica. Nike derreteu 14%. Pelo mundo, foi uma derrota generalizada das bolsas, das asiáticas às europeias.


… À Barron’s, Rich Ross, chefe de análise técnica da Evercore ISI, afirmou que o fechamento do S&P 500 abaixo de 5.500 pontos abre portas para 5.150 e níveis abaixo disso. O mercado, disse, passou de uma “uma correção para uma situação de crise”.


… O Dow Jones recuou 3,98% (40.544,64 pontos).


… Na fuga dos ativos de risco, investidores correram para os Treasuries. O retorno da note de 2 anos desceu a 3,702%, de 3,863% na sessão anterior. O da note de 10 anos recuou a 4,043% (de 4,127%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,481% (de 4,627%).


… Essa queima de prêmios nos títulos americanos também seguiu a lógica de que um menor crescimento nos Estados Unidos vai abrir espaço para cortes mais profundos de juros pelo Fed.


… Mas o cenário é tão incerto que, enquanto o Morgan Stanley acha que o Fed não cortará o juro este ano, por causa da inflação, estrategistas do Citi veem cinco cortes, totalizando 125pbs em 2025, por causa da economia.


… No Brasil, as taxas dos DIs derreteram, com alguns vértices queimando até 50pbs. De um lado, seguiram os Treasuries, de outro captaram o sentimento de que uma eventual queda de juros nos EUA abriria espaço para o fim do ciclo de aperto por aqui.


… Dólar e petróleo em baixas fortes, sinalizando alívio para a inflação, também pesaram e a precificação da curva a termo passou a mostrar aumento das apostas num ciclo mais brando da Selic e antecipação do início dos cortes.


… Segundo cálculos do Banco BMG, a curva mostra uma Selic terminal em 15,10% e, para o fim do ano, 14,95%. Também aponta probabilidade, ainda que residual, de corte em novembro.


… No fechamento após os ajustes na B3, o DI para Jan/26 caiu a 14,740% (de 15,01%); o Jan/27, a 14,375% (de 14,850%); o Jan/29, a 14,130% (de 14,610%) e o Jan/31, a 14,370% (de 14,775%).


… Embora momentos extremos de aversão ao risco costumem valorizar o dólar não foi o que se viu aqui e no mundo.


… O real foi destaque entre divisas de exportações de commodities com a moeda americana furando o piso de R$ 5,60 na mínima do dia (R$ 5,5934%), para fechar com queda de 1,20%, a R$ 5,6281.


… O índice DXY chegou a recuar 2,5%, mas chegou ao fim do dia com queda menor, ainda expressiva, de 1,67%, a 102,072 pontos.


… O euro subiu 1,53% (US$ 1,1019) e a libra, +0,75% (US$ 1,3083). O iene, ativo de segurança, subiu 1,9% (145,941/US$).


… No meio de tudo, o Ibovespa foi um capítulo à parte. Com o Brasil menos taxa do que outros parceiros comerciais importantes dos Estados Unidos, o índice passou ileso pelo banho de sangue visto nas bolsas globais.


… Até chegou a avançar ao longo do pregão, mas sem a ajuda de Vale e Petrobras acabou fechando estável (-0,04%), na marca dos 131.140,65 pontos. Ainda ficou no lucro. O giro foi forte, de R$ 28 bilhões.


… Com o Brent para junho em baixa de 6,42% (US$ 70,14 o barril) as ações de petrolíferas ficaram entre as maiores perdas.


… No setor, Petrobras ON (-3,53%; R$ 39,38) e PN (-3,23%; R$ 36,00) foram as que menos caíram. Brava Energia recuou 7,18% (R$ 21,06), Prio cedeu 6,95% (R$ 36,83) e Petrorecôncavo caiu 5,54% (R$ 15,70).


… Vale baixou 3,62% (R$ 54,87), apesar da queda até que discreta (-0,32%) do minério de ferro em Dalian.


… Bancos contrabalançaram as perdas. Bradesco PN (+1,92%; R$ 12,71) e ON (+1,88%; R$ 11,39), Itaú (+1,78%; R$ 31,97), Santander (+1,40%; R$ 27,53) e Banco do Brasil (+0,56%; R$ 28,51).


… Auren, com +7,58% (R$ 7,95), Magazine Luiza, +5,45% (R$ 11,80) e Iguatemi, +5,12% (R$ 19,52) lideraram as altas.


EM TEMPO… PETROBRAS informou que, no processo de licenciamento do bloco FZA-M-59 em águas profundas do Amapá, ainda há uma solicitação do Ibama por “informações detalhadas” sobre o Plano de Proteção à Fauna…


… O Ibama também questiona sobre a nova base de recuperação de animais em Oiapoque, naquele Estado.


PRIO. Produção total de petróleo atingiu 104,79 mil boepd em março, queda de 3,47% sobre fevereiro, com dados preliminares…


… Produção média de petróleo atingiu 108,1 mil boepd no 1TRI25, alta de 22,3% na base anual.


CARREFOUR elevou de R$ 7,70 para R$ 8,50 o valor do resgate de ação para fechamento de capital.


AGROGALAXY. Acionistas aprovaram grupamento de ações, na proporção de 15 para 1…


… Grupamento não altera o capital social da companhia, que permanecerá em cerca de R$ 1 bilhão, mas reduz número de ações em circulação de 254,5 milhões para 16,97 milhões.


RAÍZEN. Baillie Gifford Overseas Limited reduziu participação acionária na empresa para 9,91%, com 134.674.091 de papéis.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Benito Salomão




Longa matéria no Valor sobre a expansão do custo real de rolagem da dívida pública. Economistas de mercado alegam incertezas sobre a condução fiscal, penso que estão parcialmente certos, sempre que a política econômica é subordinada a decisões políticas, há incertezas associadas.


No entanto, há também uma melhora do resultado primário que não está sendo considerada na ponta longa de juros, isto é, na precificação do risco fiscal. Portanto, continuo acreditando que o problema fiscal está sobredimensionado no Brasil, repercutindo em preços financeiros.

Se um país rola sua dívida pública a um custo real de 8% ao ano, se as emissões a este custo começam a transbordar para prazos mais longos, não há superávit primário que estabilize a dinâmica do endividamento.

Uma ressalva! Não é culpa do mercado que o custo de rolagem tem alcançado níveis tão alarmantes. O governo tem grande culpa, já que seus membros dão contínuas declarações flertando com políticas econômicas de má qualidade, apesar dos esforços fiscais feitos pela ala econômica.

Também não há regra fiscal que estabilize a relação dívida/PIB neste contexto. O NAF não será capaz, mas também o Teto de Gastos e o Regime de Superávits Primários não conseguiriam.

Leitura de domingo 2

 *Leitura de Domingo: momento para discutir nova reforma da previdência é 2027, dizem especialistas* Por Anna Scabello, Gabriela Jucá e Fern...