quinta-feira, 3 de abril de 2025

Fundos de pensão

 Ao menos 5 fundos de pensão de Estados e municípios investiram mais de R$ 1 bi no Banco Master


Por Gabriel Baldocchi e Cristiane Barbieri


São Paulo, 02/04/2025 - Pelo menos cinco fundos de pensão de funcionários públicos de prefeituras e Estados, do chamado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), investiram cerca de R$ 1,1 bilhão em títulos emitidos pelo Banco Master, nas chamadas letras financeiras. O Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, é o maior deles, com R$ 970 milhões investidos, aproximadamente 8% do patrimônio da entidade no fim do ano passado.


A operação com esses títulos é a mesma que foi desaconselhada por técnicos da gestora da Caixa, a Caixa Asset, que pretendia investir R$ 500 milhões no Master. Após o parecer negativo, os técnicos foram destituídos dos cargos e, com a polêmica, o presidente da instituição foi substituído em novembro.


Ao contrário dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), adquiridos em sua maioria para pessoas físicas, as letras financeiras costumam ser compradas por fundos e não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ou seja, num cenário de quebra da instituição financeira, os investidores acabam amargando as perdas.


Segundo o balanço publicado ontem, o Banco Master tinha, ao final do ano passado, R$ 2 bilhões emitidos em letras financeiras e R$ 49 bilhões em depósitos a prazo, em sua maioria os CDBs.


Não há informações precisas sobre quem seria o responsável por honrar esses compromissos na nova configuração do banco, após a aquisição de 58% de seu capital pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada na sexta. Procurado, o Master não se pronunciou até a publicação desta reportagem.


Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente do BRB disse que a compra prevê a separação dos ativos da adquirida: R$ 23 bilhões dos ativos do Master ficarão de fora do negócio.  Já o BTG Pactual, que olhava de perto o Master desde o ano passado, também teria entrado nas negociações após o acordo com o BRB ter sido anunciado. A instituição teria especial interesse nos precatórios do Master.


Auditoria


No fim do ano passado, o Estadão/Broadcast noticiou que técnicos do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCU-RJ) apontaram indícios de irregularidades em aplicações feitas pelo Rioprevidência em títulos do Master. Representação aberta pela Secretaria Geral de Controle Externo (SGE) sustentava que investimentos em letras financeiras do banco foram feitos sem autorização do conselho de administração e a partir de justificativas inconsistentes. A peça apontava desvio de finalidade na aplicação de recursos e trazia um pedido de cautelar para impedir novos investimentos pelo instituto no banco.


O Rioprevidência é o terceiro maior fundo de pensão estatal (RPPS) do País, responsável pela gestão de recursos públicos para o pagamento de aposentadorias e pensões de um universo de 430 mil servidores, entre civis e militares. Os R$ 970 milhões foram investidos em nove operações feitas entre o fim de 2023 e meados do ano passado.


As emissões de letras financeiras ganharam importância para o Banco Master após a implementação de novas regras pelo Banco Central, no fim de 2023, para limitar a dependência de suas captações por CDBs. A instituição atraía investidores com rentabilidade de 140% do CDI, com o argumento de que os aportes eram garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em quatro anos, as emissões de CDBs do Master saltaram de R$ 5 bilhões para os atuais R$ 49 bilhões.


Em dezembro, o Master disse ao Estadão/Broadcast que já havia atendido a mais de 10 fundos de pensão estatais. Classificou os levantamentos dos técnicos do TCU-RJ como "meras conjecturas quanto aos critérios de tomada de decisão do Comitê de Investimentos do Rioprevidência". Disse ainda ser uma "instituição financeira de renome no mercado nacional, que tem demonstrado uma contribuição significativa para o desenvolvimento econômico e social, razão pela qual não há que se falar em qualquer risco de honrar com o pagamento das letras financeiras"


Já a Rioprevidência disse, no processo no TCU, que todos os investimentos "respeitam os princípios de segurança, rentabilidade, solvência, liquidez, motivação, adequação à natureza de suas obrigações e transparência; o arcabouço previdenciário e o Plano Anual de Investimentos, devidamente aprovado pelo Conselho de Administração." Procurados, não se manifestaram.


Contatos: gabriel.baldocchi@estadao.com e cristiane.barbieri@estadao.com



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BDM Matinal Riscala 0304

 *Rosa Riscala: Mercados reagem mal às tarifas de Trump*


… Os futuros das bolsas de NY ontem à noite deram o primeiro sinal de que os mercados não gostaram nem um pouco das tarifas anunciadas por Trump no Liberation Day. As techs eram as ações que mais perdiam no after hours, com os 34% para a China e os 32% para Taiwan. A Apple, que fabrica os iPhones na Ásia, teve um tombo de 6%. Em seguida, os pregões asiáticos refletiam o baque, assim como os negócios na Europa, taxada em 20%. O Brasil ficou entre os menos atingidos, com a tarifa mínima de 10% a todos os parceiros comerciais dos EUA, mas o agronegócio já pressiona o governo para tentar reverter. Hoje, a expectativa é para as reações dos países, em especial, da China e da União Europeia, que podem determinar a proporção da guerra comercial.


… Em entrevista à Fox News, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o governo observará a reação de Pequim, avisando que, “se quiserem retaliar, haverá uma escalada, pois Trump aumentará ainda mais as alíquotas”.


… Na primeira resposta, o Ministério do Comércio da China pediu a “revogação das medidas unilaterais”.


… As tarifas para a China e Taiwan foram consideradas “desconcertantes” pela Werbush, especializada em tecnologia, que alertou para a destruição da demanda e cadeias de suprimentos. “Foi pior do que o pior cenário que poderia vir do tarifaço.”


… Todas as fabricantes de chips têm exposição significativa às cadeias de suprimentos dos asiáticos, como a Nvidia (-4,3%).


… Ainda itens de pequeno valor importados da China e HK, com valor de até US$ 800 e que eram isentos, pagarão 30% do preço.


… A União Europeia deve se manifestar ainda hoje, assim como o Canadá que, embora não tenha sido incluído na lista das tarifas recíprocas, promete “contramedidas” às tarifas para o setor automotivo e o aço.


… Já ontem à noite, a Austrália disse que pedirá aos EUA que isentem o país do plano de Trump. Segundo o primeiro-ministro Anthony Albanese, “as tarifas não têm base lógica; uma tarifa recíproca seria zero e não 10%”.


… No after hours de NY, também as ações de fabricantes de agroquímicos caíram, como a Corteva (-5,5%), com receios de que o plano tarifário do presidente Trump possa causar mais turbulência do que ajudar o setor agrícola.


… O risco é de que as tarifas retaliatórias pressionem as cotações do milho, soja e outras commodities, prejudicando a capacidade dos agricultores americanos de investirem em sementes e pesticidas de alta tecnologia.


… Uma informação que causou alívio foi o esclarecimento da Casa Branca de que as tarifas recíprocas não serão cumulativas com as taxas recentes de 25% anunciadas para o aço, alumínio, carros e autopeças que já estão em vigor.


… Para o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, sem a cumulatividade das tarifas, o Brasil tem “total condições” de manter suas exportações para os EUA. O receio era de uma alíquota que chegasse a 35%.


… O que não está ainda esclarecido é se haverá alguma medida em relação ao etanol brasileiro, que não foi citado.


… Já a alíquota linear de 10%, apesar de mais baixa do que se cogitou, foi criticada pela Frente Parlamentar da Agropecuária. O deputado Pedro Lupion (PP) disse que os países têm realidades diferentes e que o Brasil tem déficit comercial com os EUA.


… Nota conjunta do Itamaraty e do MDIC acusou os Estados Unidos de violarem os compromissos que assumiu perante a OMC, e afirmou que avalia “todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”.


… Pouco depois do anúncio das tarifas, a Câmara aprovou em votação simbólica a Lei da Reciprocidade, que dá base legal para o governo Lula contestar a imposição dessa alíquota. A matéria tinha passado na véspera no Senado.


… Em relatório, a consultoria britânica Capital Economics avaliou que “o golpe das tarifas recíprocas foi maior que o esperado”, com os cálculos apontando para uma tarifa média ponderada por importação de 19,1%.


… A Pantheon concorda que os anúncios de Trump foram muito maiores do que a maioria dos investidores previa e estima que o PCE, medida favorita do Fed para a inflação, pode sofrer um aumento acima de 1%, além da estagnação.


… A consultoria acredita que o Fed reduzirá o juro em 75pbs este ano e mais 75pbs em 2026 para compensar os danos tarifários. De madrugada, os juros dos Treasuries recuavam, enquanto o ouro batia máxima histórica e o petróleo caía (abaixo).


AFUNDOU – Foi muito negativa, a reação dos mercados nas horas seguintes ao anúncio do tarifaço. As variações falam por si.


… A primeira leitura foi a de que as tarifas podem colocar a economia americana em recessão, enquanto os preços sobem. Para alguns analistas, deve ficar mais comum falar de estagflação daqui para frente.


… Os futuros dos índices das bolsas em NY derreteram, com o Dow em queda de mais de 2%, o S&P 500 em baixa de 3% e o Nasdaq perdendo 3,5%. Os futuros de petróleo caíram em torno de 2,5%. A ordem foi sair do risco.


… A reação negativa provocou uma corrida para o ouro, visto como ativo seguro. A onça-troy quase bateu em US$ 3.200 na madrugada, na máxima de US$ 3.196, maior preço da história.


 … Investidores também foram buscar refúgio dos Treasuries, ainda mais porque a expectativa de um baque na economia eleva as chances de cortes de juro pelo Fed. O retorno da note de 2 anos caiu a 3,75% e, o da note de 10 anos, a 4,05%.


… Por aqui, o mercado de juros ainda estava aberto na B3 quando Trump anunciou a tarifa de 10% sobre importações de produtos do Brasil e a reação foi de ligeira queda nos vencimentos curtos e médios.


… A interpretação inicial é de que, ao receber a alíquota mínima, o Brasil saiu com vantagem comparativa no tarifaço.


… Como a questão é mais complexa, com a economia dos EUA podendo sair chamuscada do episódio e, talvez até a brasileira, a depender do impacto interno e das retaliações, o Ibov futuro caiu (-0,69%) e o dólar para maio subiu (+0,14%).


… Em NY, o EWZ, principal fundo de índice (ETF) do Brasil, fechou em queda de 1,11% no after hours.


… Houve forte baixa também nos principais ADRs de empresas brasileiras. O da Vale recuou 3,37%, o do Itaú Unibanco perdeu 1,63%, o do Bradesco cedeu 1,35% e o da Petrobras caiu 0,97%.


… No Valor, Matias Spektor (FGV) ponderou que, com os EUA mais fechados à China, fabricantes do país e de outros asiáticos, os mais atingidos pelo tarifaço, vão inundar outros mercados e o Brasil deve ser um dos alvos. 


… “A China tem uma capacidade muito importante de pressionar o Brasil”, disse. A reação dos mercados asiáticos na abertura de hoje foi bem ruim. Em Taiwan, uma das mais atingidas pelas tarifas, o feriado deixou os mercados financeiros fechados.


… No fechamento de ontem, o juro do DI para janeiro de 2026 cedeu a 14,980% (de 15,005%); o Jan/27, a 14,795% (de 14,855%); o Jan/29, a 14,575% (de 14,595%); o Jan/31, a 14,750% (de 14,720%); e o Jan/33, a 14,780% (de 14,740%).


… As taxas abriram em queda depois de a produção industrial de fevereiro no Brasil (-0,1%) vir abaixo do esperado (+0,2%), mais um dado a apontar desaceleração na economia. Depois, subiram com os Treasuries, para terminar em baixa após o tarifaço.


… Os dados acima do esperado da pesquisa ADP e das encomendas à indústria tinham dado uma animada no dia.


… O setor privado dos Estados Unidos criou 155 mil empregos em março, acima de 123 mil previstos, e as encomendas à indústria americana cresceram 0,6% em fevereiro ante janeiro, ante expectativa de +0,5%.


… No pregão regular do Ibovespa, o dia foi de muita volatilidade com o mercado à espera das tarifas, com o fechamento do índice estável (+0,03%), a 131.190,34 pontos. Em NY, houve muito sobe e desce, mas as bolsas fecharam no azul.


… O Dow Jones subiu 0,56%, a 42.225,32 pontos; o S&P 500 avançou 0,67% (5.670,97) e o Nasdaq ganhou 0,87% (17.601,05).


… Tesla, que chegou a cair mais de 6% no dia, fechou com alta de 5,4% com rumores de que Elon Musk deixará o governo Trump para se concentrar nas suas empresas. A Casa Branca disse que ele só sairá quando terminar o trabalho no DOGE.


… O dólar fechou em alta ante o real (+0,25%, a R$ 5,6967), mas abaixo da linha de R$ 5,70 – em um movimento de busca de proteção por investidores locais. Em alta contra emergentes, a moeda americana perdeu terreno para o euro e a libra.


… A moeda comum subiu 0,59%, a US$ 1,0853, e a divisa britânica avançou 0,54%, a US$ 1,2985. O iene ganhou 0,61%, a 148,717/US$. Na média contra seis pares, o dólar (DXY) caiu 0,43% e furou os 104 pontos, a 103,807.


… Em meio à cautela, as blue chips do Ibovespa recuaram, na contramão de suas respectivas commodities. Petrobras ON caiu 0,51% (R$ 40,82) e PN, -0,27% (R$ 37,20). Vale caiu 0,45% (R$ 56,93). Já os bancos sustentaram o sinal positivo.


… Santander teve elevação de 1,69%, a R$ 27,15. Bradesco PN avançou 0,24% (R$ 12,47), Banco do Brasil (+0,07%) e Itaú (+0,03%) fecharam estáveis. A exceção foi Bradesco ON, com baixa de 0,36%, a R$ 11,18.


… CSN (-5,71%) liderou as perdas, seguida de Brava Energia (-2,78%), CSM Mineração (-2,45%) e Metalúrgica Gerdau (-1,84%).


… O Grupo Pão de Açúcar disparou 15,84%, com expectativa por mudanças em seu conselho de administração. Magazine Luiza subiu 7,08% (R$ 11,19) e Vamos ganhou 7,00% (R$ 4,74) e também foram destaques.


AGENDA – Indicadores mais fracos no Brasil, nesta 5ªF, com o PMI Composto e de Serviços de março da S&P Global (10h), que em fevereiro registrou 51,2 pontos, e os emplacamentos de veículos da Fenabrave em março (11h).


… O presidente Lula e ministros participam no Palácio do Planalto do evento ‘O Brasil dando a Volta por Cima’, sobre entregas do governo nos dois primeiros anos de mandato (10h).


… No Estadão, a última pesquisa Genial/Quaest, que mostrou mais uma queda vertiginosa na aprovação de Lula, surpreendeu e preocupou o Planalto. Assessores começam a desconfiar que o problema não é só de comunicação.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LTN para 1º/10/25, 1º/4/27, 1º/1/29 e 1º/1/32 e de NTN-F para 1º/1/31 e 1º/1/35.


… Lá fora, divulgam índices PMI Composto e de Serviços a Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido. Ainda na Zona do Euro, sairá hoje (8h30) a ata da última reunião de política monetária.


… Nos EUA, os novos pedidos de auxílio-desemprego têm previsão de manter a média da semana anterior (+224 mil), com o total somando 1,866 milhão. Os dados serão divulgados às 9h30.


… Também às 9h30, sai a balança comercial americana de fevereiro, com previsão de déficit de US$ 121,4 bilhões.


… São importantes o PMI de serviços da S&P Global (10h45) e PMI de serviços do ISM (11h) – ambos de março.


… Dois Fed boys têm falas previstas: Philip Jefferson (13h30) e Lisa Cook (15h30) – os primeiros após o anúncio das tarifas.


EM TEMPO… Para o Santander, EMBRAER é a empresa brasileira mais exposta às tarifas dos EUA; TUPY e WEG são segunda e terceira brasileiras mais expostas, segundo o banco.


EMBRAER entregou 30 aeronaves no 1TRI, alta de 20% em relação ao mesmo trimestre de 2024.


CEMIG. Cemig Distribuição anunciou 13ª emissão de debêntures, no valor de R$ 1,5 bilhão.


CLEARSALE. AGE aprovou cancelamento de listagem na B3.


BTG PACTUAL. Em resposta à CVM, o banco informa que nunca fez proposta para aquisição de ativos ou participação no capital social do Banco Master. Divulgado ontem à noite.

Bankinter Portugal Matinal 0304

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Chegou o “Liberation Day”. Ontem, a recuperação tardia das bolsas europeias, que, mesmo assim, não conseguiram fechar em terreno positivo, e a subida de Wall St. com a esperança de que as medidas finais não fossem tão punitivas foram ingénuas. Trump, às 21 h, com as bolsas fechadas, anunciou impostos alfandegários de 10% praticamente gerais para todos os bens importados para os EUA a partir de 5 de abril, além de ouros superiores a alguns países, como 34% adicional à China (sobre 60% já existente), 24% ao Japão e 20% à Europa a partir de 9 de abril. Canadá e México não receberão impostos alfandegários adicionais aos 25% já anunciados. Ficam isentos, de momento, bens como cobre, farmácia, semis, madeira, ouro, energia e alguns minerais não disponíveis nos EUA. Estes ficam pendentes dos possíveis impostos alfandegários específicos mais adiante. Os impostos alfandegários de 25% já anunciados sobre automóveis e componentes entrarão hoje em vigor. Por último, os envios para os EUA de valor <800 $ deixarão de estar isentos de impostos alfandegários a partir de 2 de maio.


Em suma, confirma um dos piores cenários e receberá resposta de muitos países que já estão a estudar medidas recíprocas e que fazem dizer ao Secretário de Estado, Scott Bessent, que, então, aí começaria a “guerra comercial”… isto é, a intensidade pode escalar. 


As bolsas asiáticas caem no geral e os futuros, tanto europeus como americanos, em quedas fortes (-2%/-3%). As consequências serão significativas em termos de menor crescimento global e maior inflação, especialmente nos EUA. Ontem, a National Retail Federation, que prevê um irrealista aumento das vendas a retalho em 2025 de +2,7%/+3,7% (vs. +3,6% em 2024 e média dos 10 anos pré-pandemia), declarava que mais de 50% das empresas inquiridas antecipa que transferirá pelo menos 2/3 do impacto em custos devido aos impostos alfandegários para os preços. Preços que já são muito elevados após a crise da pandemia e que continuam a aumentar a ritmos de +2,8% (IPC de fevereiro). Os indicadores adiantados de confiança e as previsões das empresas de consumo, tanto discricional como básico, que mostraram uma deterioração significativa recente refletir-se-ão numa moderação do consumo.


Hoje a sessão foca-se em digerir e esperar as respostas dos diferentes países. É publicada a Balança Comercial de fevereiro (13:30 h), que ganha interesse neste contexto. O Défice Comercial manter-se-á próximo de máximos históricos (-131.400M $) e levará a uma contribuição negativa do Setor Exterior no PIB do 1T 2025. A incerteza sobre o impacto definitivo dos impostos alfandegários provocou um forte aumento das Importações (+23% em janeiro), que não se viu igualado pelas Exportações (+4%). Esta evolução poderá entender-se como um ajuste pontual que daria lugar a uma normalização posterior. Contudo, múltiplos indicadores adiantados e intermedios (Confiança do Consumidor, Indicador Adiantado, Empire Manufacturing, Philly, ISM Industrial…) mostram uma mudança para pior nas suas últimas leituras e levam a antecipar um debilitamento do Consumo e do Investimento nos próximos meses. Por isso, será também importante o ISM de Serviços de março (15 h). Estima-se que se moderará (até 52,9 desde 53,5) enquanto a componente de preços acelera (63,0 desde 62,6). Com isso, as nossas estimativas apontam que o PIB americano do 1T 2025 irá contrair-se -1,8% enquanto a inflação se manterá perto de +3,0%.


Salvo retificação, a guerra comercial está servida e o mercado ficará abalado durante um tempo. Hoje as bolsas cairão enquanto as obrigações ganham atrativos como ativo-refúgio, e o dólar deprecia-se. 


S&P500 +0,7% Nq-100 +0,75% SOX +0,9% ES-50 -0,3% IBEX +0,4% VIX 21,5 Bund 2,72% T-Note 4,04% Spread 2A-10A USA=+26pb B10A: ESP 3,34% PT 3,22% FRA 3,42% ITA 3,81% Euribor 12m 2,33% (fut. 2,15%) USD 1,095 JPY 161,05 Ouro 3.129$ Brent 73,1$ WTI 69,9$ Bitcoin -2,6% (83.424$) Ether -2,98% (1.825$).


FIM

Bco Master 2

 Os números do balanço do Master que assustaram o setor financeiro


Documento mostra que o banco não tem disponibilidade de caixa para honrar todos os compromissos assumidos até o final de 2025


Por 


Malu Gaspar


02/04/2025 12h07  Atualizado agora


 

O banco Master, que está negociando a venda de parte de sua operação para o BRB, divulgou nesta terça-feira (1) suas demonstrações financeiras de 2024 com um lucro de R$ 1 bilhão, bem maior do que os R$ 523 milhões de 2023. De acordo com o banco, o patrimônio líquido também aumentou, de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Mas o balanço também traz um dado preocupante: a menos que receba uma injeção de capital, o banco só tem condições de pagar metade das obrigações que assumiu com os compradores de CDBs e CDIs até o final de 2025.


Os dados estão nas páginas 50 e 58 do documento. A tabela que discrimina quanto o banco tem que pagar e em qual período mostra que R$ 7,6 bilhões em CDBs e CDI – títulos oferecidos aos investidores com a promessa de rendimentos bem acima do mercado – vencem até junho deste ano. Mas o banco só dispõe de R$ 8 bilhões até o final de 2024, quando o total de compromissos já assumidos com os investidores chega a 16 bilhões. Ou seja, a conta não fecha.


Para analistas do setor financeiro consultados pela equipe da coluna, esse descasamento é o que justifica a busca do Master por um comprador que injete mais dinheiro e assuma os passivos da instituição.


O diagnóstico é ainda mais alarmante porque até o final de março (90 dias a contar do final de 2024) o total a ser pago seria de R$ 5,9 bilhões. Ou seja, a esta altura, todos os títulos e valores mobiliários do Master já devem ter sido queimados para pagar apenas pelos CDBs e CDIs do banco, sem contar todas as outras obrigações.


Ainda que os dados não estivessem públicos antes do anúncio da negociação com o BRB, os agentes de mercado perceberam essa dificuldade de pagar os compromissos – daí a boataria em torno dos problemas de liquidez do Master.


De acordo com o balanço, o Master captou R$ 48 bilhões vendendo títulos de renda fixa aos investidores, com rendimento de até 140% do CDI, que é a taxa de referência do setor bancário. É uma taxa muito acima da média oferecida pelos grandes bancos, que sempre chamou a atenção da concorrência. Foi oferecendo esses altos retornos e pagando comissões generosas aos vendedores, o Master cresceu de forma exponencial nos últimos anos.


O alerta foi se tornando mais evidente à medida que ficava claro que, sozinho, o banco de Daniel Vorcaro emitiu pouco menos da metade dos R$ 107,8 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), um fundo formado com dinheiro do sistema financeiro, tem para socorrer clientes de bancos que quebram. Nesse caso, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil reais por investidor.


Numa hipotética situação de quebra do Master, o FGC teria que queimar metade de sua liquidez para cobrir os prejuízos dos clientes.


Outro dado que reforça a preocupação em torno dos problemas de liquidez do Master é que nos últimos dias já passaram a ser oferecidos no mercado CDBs com rendimento de 160% do CDI – o que demonstra que o apetite dos investidores está rareando e que o banco está precisando oferecer mais para poder captar dinheiro no mercado.


A coluna questionou o Master sobre os dados apresentados no balanço e como a instituição pretende cobrir essa diferença, mas ainda não recebeu resposta. O espaço está aberto para manifestação.


O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse ao blog neste domingo que a operação de compra do banco Master prevê que a instituição assuma o pagamento de apenas uma parte dos CDBs já distribuídos pelo banco paulista ao mercado.


De acordo com Costa, o BRB vai assumir R$ 29 bilhões em papeis de renda fixa já vendidos pelo Master. São os CDBs emitidos pelo Will Bank e pelo Master em si, que entram no negócio anunciado na última sexta-feira (28).


Segundo o CEO, os títulos de renda fixa emitidos pelo Voiter e pelo Banco Master de Investimentos, duas subsidiárias que não serão adquiridas pelo BRB, ficam de fora da transação. No total, esses papéis que não entram na carteira do banco estatal de Brasília após a compra somam R$ 23 bilhões de reais.


Esse passivo continuará na carteira do Master, e pelo que se vê do balanço, tem grandes chances de acabar sendo coberto pelo FGC no futuro.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Banco Master

 OPINIÃO: Banco Master, “grande demais para quebrar”?


Entenda os riscos para o investidor de CDBs e para o Fundo Garantidor de Crédito após a proposta do BRB que mexeu com o mercado financeiro


Quem assistiu ao filme “Too Big to Fail” (“Grande demais para quebrar”, no Brasil) sobre a crise de 2008 deve ter associado na hora o título à compra do Banco Master pelo BRB (BSLI4), que vem junto com um leve frio na barriga – veja aqui o que se sabe sobre o caso.


Em 2008, quando tivemos a maior crise financeira desde 1929, a saída para a insolvência do sistema financeiro, como visto no filme, ocorreu por fusão, compras e vendas de bancos entre si. A ideia naquele momento era que um salvaria o outro e o governo pagaria parte da conta, já que dos males o menor seria uma quebra controlada do que falências de surpresa.


Nos últimos meses, muito se falou a respeito do Banco Master e a mágica que ele teria que fazer para remunerar os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que eram vendidos a taxas que remuneravam o investidor muito acima da concorrência.


Basicamente, se você é um banco e vende um CDB seu, você está pegando dinheiro emprestado dos investidores para investir ou rentabilizar esse recurso acima da taxa que está pagando, certo? Logo, se você pega dinheiro emprestado a 15%, 16% ao ano, você teria que investir, e muito bem, para remunerar acima disso. E aqui que mora a grande dúvida do mercado: Como o banco Master consegue pagar tão bem para pegar dinheiro emprestado e ainda fazer esse dinheiro render?


O tamanho do impacto do Banco Master no sistema financeiro


A preocupação tem número, mais ou menos R$ 40 bilhões em depósitos a prazo. Para o leitor ter uma noção, esse número é dez vezes maior do que a fraude descoberta no Banco Panamericano, pouco tempo depois de eu entrar no mercado financeiro – e acho que uma das primeiras crises que vi junto do Banco Cruzeiro do Sul. Não preciso levantar mais argumentos sobre porque todos estão preocupados, certo?


O problema não se limita a um rombo entre investidores de títulos do Banco Master, mas diz respeito também ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se você tem assessor ou gerente de investimentos já deve ter escutado várias vezes sobre quão seguro e avançado é nosso sistema bancário – e sempre com destaque para o FGC, o fundo “protetor”.


Para relembrar rapidamente, o FGC é uma instituição privada, formada por bancos tradicionais que destinam parte do resultado para a criação de uma reserva que reembolsa investidores em caso de quebras de instituições financeiras. Assim, todos se sentem mais seguros e isso ajuda a evitar corrida de saques e até um efeito dominó, já que todo sistema está interligado.


Hoje, o FGC reembolsa o investidor em até R$ 250 mil por CPF por instituição (ou grupo) financeiro. Então, em parte, aparentemente está tudo certo para quem tem até este teto investido (considerando rendimentos) em CDBs do Banco Master. O grande problema, então, é exatamente o FGC!


Para o investidor, o risco é dele mesmo. Quem investe em CDBs tem que saber que está investindo na instituição financeira que, como todas no mercado, podem eventualmente quebrar. O FGC dá segurança adicional e “reembolso” em caso de falência. Quem passa dos R$ 250 mil sabe (ou deveria saber) do risco que está correndo, sempre.


Risco FGC e o sistema bancário


O FGC foi constituído em 1995 e desde então vem crescendo seu balanço com aportes muito maiores do que as quebras que vimos ao longo dos anos. Atualmente, o fundo tem mais ou menos R$ 107 bilhões em caixa. Muito dinheiro certo? Não!


Volte alguns parágrafos ou me responda: você lembra o tamanho da carteira de crédito do Banco Master? Eu te respondo, cerca de R$ 40 bilhões, quase 50% do valor total do Fundo Garantidor de Crédito.


Entendeu agora o tamanho do problema?


É por isso que nas últimas semanas foi especulado que o Banco Master teria tentado fazer algum tipo de negociação com outros bancos privados e ninguém quis assumir a carteira até que na semana passada o BRB – Banco do Distrito Federal, público – fez uma proposta para a compra que deixou todo mundo sem entender a verdade intenção por trás da oferta no Banco Master.


O que o investidor deve fazer agora?


Vamos voltar um pouco ao “sistema bancário exemplar”. De fato, o Brasil – leia-se Banco Central (BC) –, tem normas e controles muito avançados do nosso sistema financeiro, mas, por algum motivo, o Banco Master acelerou tanto nos últimos dois anos que a maioria preferiu fechar os olhos. Nos resultados divulgados, aparentemente tudo certo, mas tudo que sobe demais…


A verdade é que o Banco Master ficou tão grande que é melhor uma venda para uma instituição pública que pode aguentar o tranco do que uma quebra não planejada que poderia levar a consequências desastrosas para o mercado, investidores e também para o FGC, que teria que arcar com boa parte do prejuízo.


Na minha opinião, ser tão grande e alavancado é algo positivo nesse momento já que não interessa para ninguém, concorrente ou não, deixar o banco quebrar. Além disso, provavelmente quem se dará bem nessa história é o investidor que tem títulos do banco.


Quem paga a conta se algo der errado? O FGC, bancos privados e todos nós, contribuintes, caso o BRB de fato compre o Banco Master.



https://einvestidor.estadao.com.br/colunas/vitor-miziara/banco-master-cdb-risco-grande-demais-pra-quebrar/

Pois...

 Já comentei sobre isso diversas vezes. 


Não sou, nem nunca fui bolsonarista. Não votei nele em 2018, nem em 2022. Mas sei q se não fosse o capitão, e o Sérgio Moro, na Lava Jato, talvez estes vagabundos propineiros fossem eleitos em 2018. 


Sei também que o PT é uma "erva daninha" na sociedade brasileira, um câncer,  uma praga... 


Partido de vagabundos, propineiros, corruptos e preguiçosos. 


E o voto ao Bolso foi muito mais anti-PT do que a ele diretamente.


Como a sociedade, realmente, se cansou deste bando de mamateiros, sem um projeto consistente de Brasil, a popularidade do Lula só cai.


Só me deixa muito triste parte da intelectualidade, em especial, nas universidades públicas, continuar a apoiar esta esquerda fajuta e vagabunda. Isso demonstra como estamos mal cercados, pessimamente orientados pelos formadores de opinião.


Nas minhas andanças em Portugal, notei como o modelo de lá é mais assertivo e organizado. Lá, na Nova, na de Lisboa, na de Évora, eu só vi os scholar produzindo ciência, zero de inútil militância política e ideológica.


Vamos observando.

Bankinter Portugal Matinal 0204

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, Nova Iorque conseguiu subir (+0,4%) apesar dos resultados macros publicados nos EUA, enquanto a Europa teve um tom mais positivo (+1,4%) depois de conhecer um IPC (março) cuja Taxa Subjacente desacelerou mais do que o esperado. Nos EUA, publicação de um ISM Industrial que voltou à zona de contração (<50 pontos): 49,0 vs. 49,5 esp. e 50,3 ant. e com a componente de Preços Pagos a aumentar até 69,4 (vs 62,4 ant.). A leitura dos resultados mostra que o impacto da guerra comercial não é neutro, que se começa a transferir para a economia real e convida a pensar num cenário com mais inflação e menos crescimento. Em linha com este argumento, as Vagas de Emprego Disponíveis (JOLTS) caíram até 7,57M e o rácio Vagas/Desempregados situa-se em 1,07x. Tudo isso favoreceu que as yields das obrigações caíssem: -5 p.b. (4,16%).


Na Europa, a inflação de março não surpreendeu e situou-se em +2,2% (vs. +2,3% anterior), embora com a Subjacente a desacelerar mais do que o esperado até +2,4% (vs. +2,5% esp. e +2,6% ant.), servindo de impulso para as bolsas europeias. Contudo, este registo de inflação não recebe, de momento, o impacto da guerra comercial e a probabilidade de que esta aumente na segunda metade do ano é elevada. Por isso mesmo, o mais razoável seria que o BCE aprovasse fazer uma pausa na sua próxima reunião (17 de abril) e baixasse apenas mais uma vez, provavelmente em junho (-25 p.b. até 2,25%), para evitar ter de subir as taxas de juros novamente, reconhecendo um erro que lhe retiraria muita credibilidade. Hoje teremos intervenção de Schnabel (11:30 h), Holzman (14:00 h), Lane (15:05 h) e Lagarde (16:00 h), veremos se se pronunciam a respeito…


Para a sessão de hoje, Trump anunciará/definirá os impostos alfandegários que os EUA aplicarão ao resto do mundo naquilo que denominou “Liberation Day” (21:00 h). Ontem, o Washington Post anunciava que as medidas poderão afetar praticamente todos os bens importados e que estes seriam objeto de impostos alfandegários de 20%. Contudo, isto são rumores/conjeturas, embora tudo aponte que não aplicará isenções, o que não ajudará as bolsas na sessão. Os restantes resultados ficarão para segundo plano: Inquérito Emprego Privado ADP (13:15 h) (105k esp. vs. 77k ant.). Neste contexto, insistimos que os riscos se movem em alta e que o mais razoável é adotar uma posição mais conservadora, em linha com a descida de exposição aplicada na nossa Estratégia Trimestral 2T 2025 (em espanhol; brevemente em português). 


Em suma, hoje o tom do mercado dependerá das medidas alfandegárias anunciadas por Trump: a que produtos, qual percentagem, durante quanto tempo? A incerteza a respeito é total, mas o impacto será previsivelmente negativo para as bolsas (como bem apontam os futuros: Europa e Nova Iorque -0,2%), ainda mais ao ter em conta a inexplicável subida de ontem em Nova Iorque… 


S&P500 +0,4% Nq-100 +0,8% SOX +0,3% ES-50 +1,4% IBEX +1,2% VIX 21,8 Bund 2,68% T-Note 4,16% Spread 2A-10A USA=+29pb B10A: ESP 3,31% PT 3,20% FRA 3,40% ITA 3,79% Euribor 12m 2,28% (fut. 2,18%) USD 1,079 JPY 161,5 Ouro 3.111$ Brent 74,5$ WTI 71,1$ Bitcoin +3,4% (85.240$) Ether +5,1% (1.913$).


FIM

Ouro se valorizando

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/ouro-pode-valer-40-vezes-mais-se-dolar-perder-status-de-moeda-de-reserva-global.ghtm...