sexta-feira, 28 de março de 2025

BRB compra Master

 BRB compra o Banco Master

Negociações começaram em meados de 2024

Por Lauro Jardim

28/03/2025 16h29  Atualizado agora


O conselho de administração do BRB, o banco estatal do Distrito Federal, acaba de aprovar por unanimidade a compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro.


Em resumo, o negócio, quem tem a previsão de ser assinado nos próximos dias, é o seguinte: o BRB compra 48% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master, mas somando ordinárias e preferenciais o percentual chega a 60%. O negócio inclui duas também duas operações do Master, o will bank e o Credcesta.


Vorcaro, que hoje preside o Master, irá para o conselho do BRB.


As negociações que agora se concluem começaram em meados do ano passado. Neste meio tempo, Vorcaro negociou também (e até há poucas semanas) a venda do Master com André Esteves, dono do BTG.

Vinland 2803

 🚨 RESUMO DA SEMANA VINLAND 🚨

VINLAND (24 a 28 de março de 2025)

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*1. Governo busca “pouso suave” e mira ajuste suave da economia*

A equipe econômica do governo intensificou a narrativa de que o Brasil está em um processo bem-sucedido de desaceleração da atividade — um “pouso suave” planejado. Segundo interlocutores, o desaquecimento será mais visível a partir do segundo trimestre, com foco em manter os fundamentos ajustados, mesmo que isso implique juros elevados por mais tempo. O novo modelo de crédito consignado CLT, que movimentou muitas simulações em sua primeira semana, foi usado como exemplo de estímulo direcionado e controlado. No plano político, a entrada do governador Tarcísio de Freitas no radar presidencial de 2026 ganhou tração, mesmo diante das resistências do entorno de Bolsonaro.

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*2. Copom sinaliza alta de menor magnitude; dados de inflação e emprego movimentam mercado local*

A ata do Copom reforçou o tom cauteloso observado no comunicado da semana anterior. O comitê expressou preocupação com a inflação, mas evitou sinalizações claras para além da próxima reunião. Em suma, o Copom não trouxe muitas surpresas na sua comunicação, garantiu mais uma alta da taxa Selic, e sugeriu que o debate sobre encerramento do ciclo de aperto monetário já começou. O IPCA-15 abaixo do esperado ajudou a aliviar a curva de juros, mas o forte dado de Caged (432 mil vagas formais criadas em fevereiro, o maior da série) trouxe de volta o debate de atividade economica ainda dinâmica. A curva de juros teve comportamento errático, refletindo a disputa entre dados benignos de inflação e sinais de aquecimento da atividade. O dólar oscilou ao longo da semana, terminando com leve alta diante da aversão global a risco.

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*3. Mercado doméstico sente volatilidade externa e incerteza sobre tarifas dos EUA*

A semana foi marcada por movimentos erráticos no mercado brasileiro. O Ibovespa chegou a subir 1% com alívio na curva de juros, mas devolveu parte dos ganhos diante de ruídos sobre tarifas americanas que poderiam atingir produtos brasileiros em diversos setores. O dado forte de emprego local também pressionou a parte longa da curva. A bolsa encerrou a semana praticamente estável, sustentada por exportadoras como JBS e Vale, que lideraram os ganhos com o apoio da valorização das commodities. Já os setores mais sensíveis a juros e ligados ao consumo seguiram penalizados.

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*4. Fed mantém cautela, tarifas entram em vigor e dados seguem mistos nos EUA*

Nos Estados Unidos, os mercados seguiram pressionados pelas incertezas em torno da política comercial. Na quarta-feira, foi anunciada uma tarifa de 25% sobre veículos e peças importadas, com início em abril. Apesar de dados mistos — inflação acima do esperado, PIB sem surpresas e queda na confiança—, o mercado segue atento à performance da bolsa. A curva de juros americana fechou a semana em queda nos curtos e alta nos longos, refletindo dúvidas sobre a persistência da inflação versus o riscos de desaceleração. As bolsas, após ganhos expressivos no início da semana, devolveram os avanços, encerrando a semana entre inalteradas ou com quedas moderadas.

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📌 *Resumo Geral:*

A semana foi de transição entre a preocupação com o ritmo da economia e o início de um novo capítulo nas políticas monetárias e comerciais globais. No Brasil, o governo busca vender a tese de um ajuste gradual e coordenado. Lá fora, o Fed mantém cautela, mas o ruído tarifário aumenta. O mercado segue dividido entre os sinais de alívio inflacionário e os riscos vindos do crescimento e da política externa.

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: PRECIFICANDO AS TARIFAS APÓS 2 DE ABRIL


Há um sentimento de confusão no mercado, segundo vários analistas, à medida que se aproxima o dia 2 de abril, data prevista para o início da vigência das tarifas de importação recíprocas dos Estados Unidos. E a pergunta que muitos se fazem agora é: estaria o mercado precificando corretamente o nível de tarifas que, de fato, vai prevalecer a partir de 2 de abril? Onde a régua vai parar? No cenário mais otimista, de praticamente nenhum aumento tarifário? Ou no mais pessimista, de uma guerra comercial global de maiores proporções? Ou ainda, um meio termo? Já estamos chegando ao fim deste mês, e ainda não há consenso sobre o que resultará em termos de elevação das alíquotas dessas tarifas de importação. O presidente americano Donald Trump sugeriu que pode haver flexibilidade na adoção das tarifas recíprocas e espaço para negociação. Assim, o mercado vem operando relativamente no escuro, daí o erro de precificação correta do cenário adiante. Inicialmente, os investidores chegaram a duvidar que Trump levasse a cabo seu planto de imposição de tarifas pesadas, deflagrando uma guerra comercial que poderia resultar em inflação mais alta e recessão nos EUA. Depois, houve uma fase de histeria, quando os anúncios se sucederam. Em seguida, os investidores passaram a ignorar esses anúncios, diante dos recuos de Trump, ora assinando decretos de novas alíquotas, ora anunciando pausas na adoção das tarifas. Na quarta-feira, por exemplo, os mercados acionários recuaram quando Trump assinou o decreto impondo a tarifa de 25% sobre os carros importados pelos EUA, mas, no mercado de câmbio, essa notícia praticamente não causou maior estrago. “Talvez o mercado de câmbio esteja lidando com uma fatiga das tarifas, e - para além do que já foi precificado - a pouca reação [às alíquotas sobre automóveis] pode ter sido um reflexo de Trump ter sugerido que as tarifas recíprocas podem ser bem lenientes”, afirmou o chefe global de estratégia e mercados do banco ING, Chris Turner. Já o economista-sênior de mercados da consultoria Capital Economics, Hubert de Barochez, ponderou que os mercados acionários de vários países com peso importante da indústria automobilística sofreram bastante com o anúncio da quarta-feira por Trump. E que os investidores de bolsas não se mostraram indiferentes, como parecia até há pouco tempo. “A diferença é que as ameaças estão se tornando agora cada vez mais concretas”, disse Barochez. Na opinião dele, os mercados globais de ações vão passar por pressão adicional no curto prazo, “talvez até na próxima semana, quando Trump deve finalmente anunciar as tarifas recíprocas”. Segundo Wei Yao, analista do banco francês Société Générale, disse que, considerando tudo o que Trump e seus assessores já falaram até o momento, esperam-se três inciativas a serem anunciadas no dia 2 de abril. “Duas delas sobre o reequilíbrio do comércio (tarifas recíprocas e específicas de setores) e uma sobre geopolítica (tarifas secundárias para os países que importarem petróleo venezuelano)”, explicou Yao. Ainda segundo Yao, Trump sinalizou o foco sobre tarifas recíprocas para 15% dos países que mantêm um desequilíbrio comercial persistente com os EUA. “Nenhuma lista exata foi divulgada, mas devemos esperar que essa lista irá incluir qualquer país [ou região] com superávit comercial com os EUA, os quais, em ordem decrescente, seriam China, União Europeia, México, Vietnam, Japão, Taiwan, Coreia, Canadá, Índia, Tailândia e Suíça”, afirmou a analista do Société Générale. Em resumo: o mais provável é que o nível tarifário que os EUA imporá aos outros parceiros comerciais a partir de 2 de abril fique entre os cenários pessimista e otimista do mercado nas últimas semanas. Resta saber se a precificação está já ajustada a esse eventual meio termo. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

TAV: Rio SP

 Exclusivo: trem-bala Rio-SP terá passagem a R$ 500, viagem de 105 minutos e investimento de R$ 60 bi


CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, detalhou o ambicioso projeto que tem previsão de iniciar a operação em 2032


Imagine viajar da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo em 105 minutos, em um trem-bala que se desloca a 320 km/h, a um custo de R$ 500 pela passagem. Transformar esse sonho antigo do brasileiro em realidade é tarefa do CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), ele foi diretor da Agência Nacional da Transporte Terrestre (ANTT) e presidente Empresa de Planejamento e Logística (EPL).


Em entrevista exclusiva à EXAME, ele contou os detalhes do ambicioso projeto que tem orçamento estimado em R$ 60 bilhões para construir a infraestrutura necessária ao longo de um traçado de 417 quilômetros e que pretende começar a operação em 2032. A TAV Brasil é a empresa autorizada pelo governo a construir e explorar o projeto pelo período de 99 anos.


A possibilidade de construção do trem de alta velocidade exclusivamente pelo setor privado passou a existir em 2021, com a aprovação pelo Congresso do marco legal ferroviário, que estabeleceu o modelo de autorização.


A legislação permitiu a TAV Brasil celebrar, em 2023, um contrato com o governo para construir e explorar o serviço por 99 anos. Neste modelo não é necessário a licitação de um projeto. Todo esse processo é conduzido pelo operador privado que recebeu a autorização.


Por duas vezes, durante a gestão de Dilma Rousseff, o governo tentou, sem sucesso, licitar o projeto. Na primeira tentativa, o Executivo contrataria uma empresa ou consórcio para construir e operar o trem-bala e, como contrapartida, o projeto seria financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, o leilão não recebeu propostas efetivas.


Sem sucesso no primeiro modelo, o governo definiu que construiria a infraestrutura e contrataria um operador, que pagaria para explorar o serviço. Mais uma vez, o projeto não saiu do papel.


Quatro estações entre Rio e São Paulo


O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo prevê a construção de quatro estações ao longo do trajeto de 417 quilômetros, afirmou Figueiredo. Além das estações entre Rio e São Paulo, haverá uma parada em Volta Renda (RJ) e outra em São José dos Campos (SP).


Os pontos exatos dependem da aprovação das prefeituras. No caso de Rio e São Paulo, a ideia é que sejam construídas na região central ou aproveitem estruturas já existentes para contribuir no processo de revitalização dessas áreas.


Segundo o CEO TAV Brasil, uma viagem entre todo trajeto tem custo estimado em R$ 500. Quem fizer uma o trajeto de ida e volta entre Rio e São Paulo deve gastar R$ 1.000. Já um deslocamento para Volta Redonda ou para São José dos Campos será a metade do preço: R$ 250 por trecho e R$ 500 ida e volta.


Com 38 milhões de habitantes, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e mais de 40 destinos turísticos, os dois estados têm potencial de alavancar o crescimento com a execução do projeto. Nas contas TAV Brasil, o trem de alta velocidade tem potencial de adicionar R$ 168 bilhões ao PIB, criar 130 mil empregos diretos e indiretos, além de garantir R$ 46 bilhões em impostos até 2055.


Exploração imobiliária


Diante do custo de R$ 60 bilhões em investimentos para construção das linhas, terminais, compra de trens e sistemas operacionais, o projeto traz uma inovação em relação aos anteriores: a possibilidade de exploração imobiliária nas proximidades das estações. Com isso, o empreendimento passa a gerar receita adicional, com potencial estimado em R$ 27,3 bilhões.


A Lei de Ferrovias permite que terrenos junto às estações sejam desapropriados para criar uma área estendida em que é possível construir empreendimentos imobiliários próximos a ferrovias, como shoppings, centros empresariais e hotéis.


Segundo a TAV, ainda é possível adquirir terrenos privados para desenvolvimento imobiliário ou para evitar altos custos de desapropriação. Por exemplo, negociar com proprietários, áreas para aproveitar o crescimento da operação ferroviária. O mesmo se aplica a outras estações e imóveis estratégicos na faixa de domínio, se vantajoso.


Um caso de sucesso dessa inovação ocorreu na Coreia do Sul, na estação entre as cidades de

Cheonan e Asan, que fica a 100 quilômetros da capital Seoul. A estação foi inaugurada em 2003 e por meio dos empreendimentos imobiliários foi possível criar uma cidade que hoje tem 600 mil habitantes.




Chineses, espanhóis e fundos árabes no páreo


Após garantir a autorização do governo para o projeto, a empresa agora trabalha, segundo Figueiredo, para finalizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para, posteriormente, pleitear licenças prévias, entre elas a ambiental, para iniciar a obra.


Em paralelo, o executivo tem negociado com empresas chinesas, espanhóis e fundos árabes para viabilizar os R$ 60 bilhões em investimentos necessários para obra, compra dos trens e sistemas de operação. Os nomes das companhias não podem ser revelados, diante dos acordos de confidencialidade estabelecidos entre as partes.


“Estamos em conversas com os espanhóis, que construíram muitas linhas de trens da alta velocidade. Também estamos conversando com empresas chinesas, que oferecem um pacote completo de equipamentos, construção e sistemas de operação. Ainda há conversas com fundos árabes. No fim, podemos fechar com um dos três ou ter uma estrutura combinada entre os três”, disse.


Atualmente, segundo Figueiredo, os chineses estão na vanguarda da tecnologia. O primeiro trem de alta velocidade foi inaugurado no Japão, em 1964, com ligação entre a capital Tokio e Osaka. Na Europa, a primeira linha em começou operar na França, entre Paris e Lyon, em 1981.


Os chineses inauguraram a primeira linha em 2008, entre as cidades de Pequim e Tianjing. De lá para cá, a China construiu 40 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros existentes no mundo.


“Em todas as conversas, os possíveis parceiros apontam a necessidade de apoio local do governo brasileiro. É importante que o governo diga que o projeto é prioritário ou entre no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso traz agilidade para os processos de licenciamento, desapropriação e financiamento”, disse.


Segundo Figueiredo, esse pedido formal já foi feito ao Ministério dos Transportes. A pasta avalia o pleito. Pelo cronograma da empresa, o processo de conclusão dos estudos técnicos ocorrerá até o fim de 2026. O planejamento prevê o início das operações em 2032 para, enfim, o sonho do trem-bala se tornar realidade.


https://exame.com/brasil/infraestrutura/exclusivo-trem-bala-rio-sp-tera-passagem-a-r-500-viagem-de-105-minutos-e-investimento-de-r-60-bi/

Tarcísio no game

 Entrada de Tarcísio na disputa pelo Planalto é cenário que se consolida a cada dia, diz vice em SP / Vice-governador de São Paulo acredita que apesar do posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, conjuntura política acabará colocando o atual chefe do Executivo paulista na corrida presidencial de 2026- Estadão 28/3


Por Geovani Bucci (Broadcast) e Daniel Galvão


A entrada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 é um cenário que “cada dia mais se consolida”, na opinião de Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo. Apesar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistir que será candidato, mesmo inelegível, e o próprio governador negar publicamente a intenção de disputar a presidência da República na próxima eleição, Ramuth aposta que a conjuntura política acabará colocando seu companheiro de Palácio dos Bandeirantes na disputa presidencial. É a primeira vez que um integrante da cúpula do governo estadual destaca abertamente a hipótese.


“O cenário político acaba nos empurrando para caminhos que nem esperávamos ou para os quais não estávamos nos preparando. Isso pode acontecer”, afirmou Ramuth durante entrevista exclusiva ao programa ‘Papo com Editor’, do Estadão/Broadcast.


Ramuth, que assumiria o governo do Estado em abril do ano que vem caso Tarcísio se afastasse para disputar o Planalto, reconhece que hoje, mesmo inelegível, a candidatura do ex-presidente Bolsonaro está posta. Mas a situação do ex-presidente pode se agravar ao longo dos próximos meses, à medida em que o Supremo Tribunal Federal (STF) começar a julgar os envolvidos com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Nesta quarta-feira, 26, Bolsonaro foi transformado em réu junto com 7 aliados.


Como mostrou o Estadão, partidos do Centrão têm pressionado Bolsonaro por uma definição e colocam um prazo para que o ex-presidente abra caminho para outro nome: o final deste ano. Bolsonaro, contudo, insiste que se manterá na disputa e registrará a candidatura mesmo estando inelegível. Uma pesquisa feita com manifestantes bolsonaristas em Copacabana, no dia 16, mostrou que a maioria prefere Tarcísio como nome da direita.


Apesar de Tarcísio defender abertamente a sua candidatura à reeleição em São Paulo, Ramuth diz que a política, “muitas vezes, não segue exatamente os nossos desejos”. Para ele, a conjuntura pode fazer com que o governador se torne candidato ao Planalto nas eleições de 2026, mesmo que não haja a intenção do republicano de concorrer de fato.


O vice-governador reconhece que Tarcísio é alinhado com Bolsonaro, mas defende opiniões diferentes do ex-presidente quando julga necessário. O vice-governador cita como exemplo as recentes declarações de Tarcísio sobre as urnas eletrônicas. O governador elogiou o sistema usado no Brasil e disse que elas são “referência” mundo afora, o que contrariou muitos bolsonaristas. “Assim como eu, que fui eleito três vezes por meio das urnas eletrônicas, ele confia nesse sistema”, afirmou o vice.


Ramuth disse também estar “calmo” e “alegre” por pleitearem seu lugar como candidato a vice-governador de São Paulo, numa eventual substituição na chapa da reeleição. Atualmente, há dois nomes que gostariam de concorrer ao lado de Tarcísio nas próximas eleições: o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o presidente nacional do próprio partido de Ramuth (e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado), Gilberto Kassab.


“É claro que existe um cenário natural que é manter a chapa já existente, mas é natural também que outras forças políticas queiram se apresentar neste momento”, disse. “Tenho certeza que todos os nomes citados podem contribuir num futuro governo.”


Vice não defende saída do PSD do governo Lula


Apesar de ser vice de Tarcísio, possível candidato à Presidência em 2026, Felício Ramuth afirmou não ser a favor de uma eventual saída de seu partido do governo federal.


Hoje o PSD tem três ministérios: Minas e Energia, Pesca e Aquicultura e Agricultura. Contudo, seu presidente, Gilberto Kassab, é secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio.


Ramuth destacou que há uma diferença de posicionamento entre os quadros políticos do partido marcado pela regionalidade e que o PSD é de “centro”. Enquanto a legenda possui nomes mais alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, onde o petismo possui mais força, os partidários de Sudeste e Sul são mais contemplados pela centro-direita e direita.


“Quando o próprio Kassab permanece em São Paulo, à frente de uma secretaria, isso deixa claro que o PSD paulista está mais alinhado à centro-direita”, disse o vice-governador. “Já os que apoiaram a eleição do presidente Lula ocupam hoje cargos nos ministérios – e isso é legítimo, não me causa estranheza.”


Em relação ao presidente nacional de seu partido, Ramuth avaliou que Kassab não quis chamar recentemente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “fraco” propriamente, e, sim, que ele é um “ministro enfraquecido”, que não possui respaldo suficiente de Lula para fazer o embate dentro do PT de modo a buscar eficiência no uso de recursos públicos. “Ele expressou algo que, na verdade, se escuta nos corredores de Brasília”, afirmou.


Nesse sentido, Ramuth disse que falta a Lula uma conexão com a sociedade, fator que o petista teria “perdido”. Segundo o vice-governador, projetos como a tentativa de regulamentar o trabalho dos motoristas e entregadores por aplicativo do início do ano passado representam distanciamento e “falta de sensibilidade política”.


“Acho que o presidente Lula está preso ao passado, sem um olhar para o futuro. E isso se reflete em várias decisões do governo”, explicou Ramuth. “Soma-se a isso a prática recorrente de gastar mais do que se deve. E, aliás, com a eleição se aproximando, essa tendência só piora. Já vemos que há alguns planos sendo preparados para manter essa gastança.”

Elio Gaspari

 Elio Gaspari é considerado comunista por esses golpistas saudosista de 64. 


Elio Gaspari escreveu: 


"Débora virou um símbolo espinhoso – Elio Gaspari


Cena 1, janeiro de 1970: Os juízes da 1ª Auditoria do Exército leem a sentença que condena a oito anos de prisão os oito principais autores do sequestro do embaixador Charles Elbrick, ocorrido em setembro do ano anterior.


(A ditadura vivia um pico da sua fase repressiva. Carlos Marighella, patrono involuntário do sequestro, e Virgílio Gomes da Silva, participante da ação, haviam sido assassinados.)


Cena 2, março de 2025: O ministro Alexandre de Moraes condena a 14 anos de prisão a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023, ela escreveu com batom “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Moraes foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino. 


Débora, mãe de dois filhos menores, está presa desde março de 2023. Ela escreveu uma carta ao ministro Moraes desculpando-se, mas ele acabou dando-lhe 14 anos. Como o ministro Luiz Fux pediu vista, o julgamento não terminou.


Os 14 anos de Débora seguem uma tendência do STF, que vem impondo punições leoninas à infantaria golpista do 8 de Janeiro. O tribunal já condenou 371 pessoas a penas que somam 3,3 mil anos de cadeia, e 71 cumpriam penas em janeiro passado. Seguindo essa métrica, os militares que comprovadamente atuaram na armação de um golpe deveriam receber penas seculares.


O repórter Merval Pereira já mostrou que diversos juristas apontam que os réus têm sido condenados duas vezes pelo mesmo crime: quatro anos por atentar contra o Estado Democrático de Direito, mais cinco por tentar um golpe.


Estão em curso conversas que poderão desembocar na redução das penas. Tudo bem, mas um Judiciário-ventoinha não contribui para o bom andamento dos trabalhos. O país já teve de conviver com a construção e o desmanche da Operação Lava-Jato. Na ascensão, o juiz Sergio Moro e os procuradores tudo podiam. No declínio, nada fizeram de certo. O mané perdeu, e nesse caso ele era o cidadão que acreditava no surto de moralidade em relação ao andar de cima.


Os novos manés esperam que a Justiça cobre um preço aos que tramaram o golpe de Estado de 2022/23 e, pelo andar da carruagem, as coisas não vão bem. As sentenças impostas à infantaria vândala do 8 de Janeiro levam água para aqueles que propagam o delírio de que o Brasil vive uma ditadura. Débora Rodrigues dos Santos, com seu batom, torna-se um símbolo espinhoso. Basta imaginar que o jovem que pichou “Abaixo a ditadura” no Theatro Municipal do Rio em 1968 tivesse sido condenado a pena semelhante.


Com a autoridade que a defesa da democracia lhes concede, os ministros do Supremo podem muito, mas devem cuidar do respeito ao bom senso. Se a senhora do batom merece 14 anos, resta saber quantos merecerá o redator do plano Punhal Verde e Amarelo, impresso no Palácio do Planalto.


O Ministério Público tem a simpatia de boa parte da população, mas acusação não é prova.


As mil páginas do relatório da Polícia Federal e as 272 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral são contundentes em alguns aspectos e débeis em outros. Havia um golpe em curso, e caberá aos juízes, depois de ouvir a defesa de cada acusado, decidir até onde e como a trama prosperou."


O Globo e  Folha de São Paulo , 26/03/25

Bankinter Portugal Matinal 2803

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM foi um dia de fortes retrocessos dos automóveis (VW -1,5%, BMW -2,6%...) devido ao imposto alfandegário de 25% de Trump, aparentemente sem exceções… embora depois comprovaremos se as fará para os seus próprios fabricantes. Esta madrugada na Ásia: Toyota -4,5%, Honda -4,9%, Nissan -3,9%, Mazda -4,2%... Em paralelo, o golpe às companhias áreas já começou, visto que as viagens são a primeira coisa a deteriorar-se quando as coisas dão para o torto: IAG -1,4%, Lufthansa -1,3%, Airfrance KLM -4,3%... Tecnologia também fraca, com redução de posições, como é natural, para reduzir riscos. E isso é mesmo o que estamos a recomendar fazer, embora evitando reagir exageradamente.


Futuros fracos, tanto nos EUA como na Europa: ca.-0,1%/-0,2%. Às 12:30h sairá o Deflator do Consumo (PCE) americano, provavelmente a repetir em +2,5% porque é de fevereiro e isso significa que ainda não receberá tensões inflacionistas renovadas pelos impostos alfandegários, mas, ainda assim, a sua Subjacente parece que aumentará 1 décima até +2,7%, arrefecendo (ainda mais) as expetativas de que a Fed volte a baixar taxas de juros de seguida (nós estimamos que não o fará até setembro, se o fizer) e, por extensão, um pouco as bolsas também. Embora já estejam frias. Depois de subir na sexta-feira (21), segunda-feira (24) e terça-feira (25), Nova Iorque retrocedeu ontem e antes de ontem consecutivamente… logo que os vislumbres de uma realidade incerta regressaram com a aplicação de impostos alfandegários e a desilusão (não poderia ser de outra forma, já o tínhamos dito) face a essa espécie de cessar-fogo confuso no Mar Negro e instalações energéticas que a Rússia só cumpriria se lhe servissem a cabeça de Ucrânia numa bandeja. Ontem à noite, reforçou isto ao reclamar uma “administração provisória” para a Ucrânia.

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: O mercado continua a arrefecer. Hoje um pouco mais com os retrocessos dos automóveis na Ásia e provavelmente também com o aumento do Deflator PCE americano (12:30 h). Recordemos que, na segunda-feira, saiu um PMI Industrial americano a retroceder bruscamente até a zona de contração económica (49,8 desde 52,7), e na terça-feira uma Confiança do Consumidor americano mais abalada do que o esperado: 92,9 desde 100,1 (94,0 esperado). São 2 indícios que confirmam a incipiente debilidade do ciclo americano sobre a qual temos vindo a avisar. E na Europa não será diferente, embora os primeiros indicadores o mostrem mais tarde, como sempre. Tal como na geoestratégia, as coisas não só não melhoram, como pioram depois do empenhamento pessoal de Trump de conseguir um cessar-fogo a qualquer custo (inclusive à custa de falta de honra) que só conseguirá dar poder à Rússia enquanto trai os seus aliados (Europa). O prémio de risco deverá, inclusive, aumentar progressivamente. Isso fará com que sexta-feira seja em baixa, de forma que os saldos semanais das bolsas certamente serão negativos esta semana, provavelmente Europa pior do que Wall St. O ouro continuará a subir à medida que as expetativas de inflação voltem a ser revistas em alta como consequência dos impostos alfandegários, já que é um ativo usado como cobertura de inflação.


S&P500 -0,3% Nq-100 -0,6% SOX -2,1% ES-50 -0,6% IBEX -0,1% VIX 19,1 Bund 2,72% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,34% PT 3,23% FRA 3,42% ITA 3,83% Euribor 12m 2,349% (fut.2,199%) USD 1,073 JPY 161,4 Ouro 3.079$ Brent 73,0$ WTI 69,6$ Bitcoin -2,4% (85.222$) Ether -4,9% (1.908$). 


FIM

Simon Schwartzman