segunda-feira, 17 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 1703

 *Rosa Riscala: Semana tem Superquarta com Fomc e Copom*


… A semana tem cinco reuniões de política monetária: no Reino Unido, China, Japão, EUA e Brasil. A expectativa é de manutenção do juro por todos os BCs, com exceção do Copom, que deve confirmar o forward guidance e subir a Selic em mais 100pbs, na 4ªF. Já o Fomc tende a repetir que não tem pressa para mexer na sua política, à espera do impacto que as tarifas de Trump podem provocar na inflação e na economia. Aqui, o suspense é pelo comunicado do encontro, que poderá sinalizar um ciclo mais curto de alta, diante da desaceleração da atividade e da acomodação das expectativas inflacionárias, que pararam de piorar (vide Focus hoje, às 8h25). Em Brasília, apesar de desmentida nota que comunicou o adiamento da votação do Orçamento para abril, entraves políticos ainda podem atrasar o cronograma.


… Mais uma dobradinha do Fomc e do Copom acontece nesta semana, na Superquarta, sem grandes expectativas para os resultados. Nos EUA, ninguém espera nada diferente do que a manutenção do juro entre 4,25% e 4,50%. Aqui, a Selic deve subir para 14,25%.


… Nos dois casos, o interesse dos investidores é para os comunicados que acompanham as decisões.


… Tudo indica que o Fed deve manter uma mensagem cautelosa, como já vêm emitindo os seus dirigentes, inclusive Powell, ao destacar a “elevada incerteza” com as políticas tarifárias de Trump. Até aqui, o mercado aposta em três quedas de 25pbs este ano.


… Isso pode mudar a depender das projeções econômicas que acompanham a decisão, com as medianas das estimativas de cada membro do Fed em relação à inflação ao consumidor, mercado de trabalho, PIB e, principalmente, as taxas de juros deste ano até 2027.


… O documento deve esclarecer o quão cauteloso estará o BC dos EUA em relação a cortes, manutenção ou alta de juros no curto prazo, e qual variável do duplo mandato do Fed na política monetária terá maior ênfase: estabilidade de preços ou pleno-emprego.


… No Brasil, o sinal será o primeiro do novo BC liderado por Gabriel Galípolo.


… Desde a posse em 1º de janeiro, o novo Copom, com sete membros indicados por Lula, optou por seguir a estratégia traçada por RCN, confirmando a alta da Selic contratada para janeiro, o que deverá se repetir agora em março. Daí para frente, o caminho está livre.


… Galípolo e seu time têm motivos para relaxar o conservadorismo, considerando os indicadores recentes que atestaram a desaceleração da atividade, já a partir do 4Tri/24. Além disso, o câmbio se apreciou e o mercado parou de botar pilha nas expectativas de inflação.


… Resta saber, quão forte será esse sinal do Copom, que pode dar a medida do tamanho da Selic no final do ciclo.


… Além do Fed e do BC, também o Banco do Japão (BoJ) vai divulgar a sua decisão de política monetária no começo da madrugada de 3ªF para 4ªF, enquanto a decisão do Banco Popular da China sairá na 4ªF à noite e do Banco da Inglaterra (BoE), na 5ªF pela manhã.


… No Japão, o crescimento dos salários e a inflação, que se encaminham para a meta, devem manter o tom duro do BoJ, que ameaça novo aumento do juro. Mas a expectativa do mercado é de que a sinalização seja para uma decisão somente em maio.


… Já no Reino Unido, o nível de preços mais elevado na última leitura deverá manter a taxa de juros em 4,5% ao ano, enquanto na China a manutenção se dará em meio à retomada, mas lenta, da economia do país sob um cenário de deflação de preços.


MAIS CHINA – O Conselho de Estado revelou neste domingo o que chamou de “plano de ação especial” para impulsionar o consumo interno, apresentando medidas que incluem o aumento da renda da população e um esquema de subsídio para cuidados infantis.


… O plano surge para recuperar os níveis de demanda dos chineses, que sofreram vários reveses nos últimos anos, devido à Covid-19 e uma crise imobiliária prolongada, reduzindo a propensão das famílias a gastar e contribuindo para tendências deflacionárias.


… Já na 6ªF, os mercados domésticos reagiram positivamente (leia abaixo) à ordem do governo de Pequim aos bancos para incentivarem o financiamento ao consumidor e o uso de cartões de crédito como parte de uma campanha para fazer com que as pessoas gastem mais.


… Além de expandir o crédito ao consumidor, o governo está gastando dezenas de bilhões de dólares em programas para a troca de carros e eletrodomésticos. A China também promoverá um ajuste do salário-mínimo e promete “medidas múltiplas” para o mercado de ações.


… Nessas investidas, são consideradas as ameaças de Trump de aumentar as tarifas sobre importações de produtos chineses, que podem prejudicar as exportações nos próximos meses, aumentando os riscos para muitas empresas.


AS TARIFAS DE TRUMP – Análise do New York Times, neste domingo, mostra que as retaliações dos países contra as tarifas devem atingir quase 8 milhões de americanos que trabalham em indústrias alvos dos impostos, a maioria, de eleitores de Trump.


… O texto cita a resposta da China, que tem como alvo produtores de milho e fabricantes de automóveis, enquanto o Canadá colocou tarifas sobre indústrias de aves e fabricantes de ar-condicionado e a Europa atingirá siderúrgicas e matadouros americanos.


… Os números, diz o NYT, ressaltam o impacto dramático que uma guerra comercial poderá ter sobre os trabalhadores americanos, fazendo com que a estratégia econômica do presidente Trump acabe se voltando contra ele.


… Também o mercado financeiro está decepcionado com Trump e passa os dias numa corrida para proteger o dinheiro.


… Na NBC, no entanto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que não está preocupado com a recente queda que eliminou trilhões de dólares das bolsas em NY. “Estou no mercado há 35 anos e posso lhe dizer que as correções são saudáveis, são normais.”


… Para Bessent, a longo prazo, com uma boa política fiscal, desregulamentação e segurança energética, “os mercados se sairão muito bem”.


VAIVÉM – Na contagem regressiva para as tarifas de reciprocidade, previstas para o dia 2 de abril, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os EUA podem negociar depois de estabelecer uma nova base com seus principais parceiros comerciais e o Brasil.


… “Vamos impor tarifas recíprocas às que os países impõem a nós”, disse em entrevista à CBS.


… “É global, não é contra o Canadá, não é contra o México, não é contra a UE, é contra todos. E então, a partir dessa nova base de justiça e reciprocidade, nos envolveremos, possivelmente, em negociações bilaterais, em novos acordos comerciais.”


… No caso do aço e do alumínio, as tarifas de 25% que entraram em vigor na semana passada têm impacto direto sobre o Brasil, que é um grande exportador de aço para os Estados Unidos. O governo brasileiro ainda aposta no diálogo e em um entendimento.


… A aplicação de reciprocidade (retaliações) é vista como a última opção, caso a negociação não dê resultados.


CANADÁ – Neste sábado, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, determinou que o Ministério da Defesa revise a compra de aviões militares (caças F-35) dos Estados Unidos para avaliar alternativas “dado o ambiente em mudança”.


… O país assinou um acordo para comprar 88 unidades em 2023, ainda sob o governo do ex-primeiro-ministro Justin Trudeau.


… Também em Portugal, o ministro da Defesa, Nuno Melo, disse que “posições recentes” dos EUA levaram o país a reavaliar a compra das aeronaves F-35, temendo restrições futuras ao uso e manutenção dos caças.


… Já a União Europeia avalia construir uma nova rede de satélites para fornecer inteligência militar e diminuir a dependência dos EUA.


RÚSSIA VS UCRÂNIA – As negociações para um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia também mexem com o mercado, em especial, com o petróleo. Putin dá sinais contraditórios e os investidores estão começando a achar que ele pode estar enrolando Trump.


… O presidente dos EUA e o líder russo devem se falar esta semana, segundo o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, em um novo telefonema para discutir os termos de um acordo de paz exigidos pela Rússia.


… Entre as exigências de Putin, uma delas parece bastante improvável: ele quer que sejam resolvidos “os problemas subjacentes” que deram início à guerra. Ou seja, que a Ucrânia desista da Otan e de sua soberania, reconhecendo que o país é um território da Rússia.


… Neste sábado, o premier do Reino Unido, Keir Starmer – para quem “Putin não leva a paz a sério” – fez uma reunião virtual com 25 líderes dispostos a garantir um acordo “justo e duradouro”, defendendo que as pressões sobre a Rússia sejam mantidas.


… Starmer e o presidente francês, Emmanuel Macron, lideram os esforços por garantias de segurança para Ucrânia desde que Trump abriu negociações diretas com a Rússia. As primeiras conversas, sem a participação dos ucranianos, acenderam o alerta na Europa.


MAIS AGENDA – Além de acompanhar as reuniões dos Bancos Centrais, investidores têm indicadores importantes a serem monitorados.


… Aqui, a semana começa com o IBC-Br de janeiro hoje (9h), que deve crescer 0,30% após cair 0,73% em dezembro, e segue com o IGP-10 amanhã (3ªF), com previsão de desacelerar para 0,56% em março, culminando com a arrecadação de fevereiro (6ªF).


… Brasília também interessa, com as negociações para a votação do Orçamento que ainda não parece estar certa para esta semana.


… O calendário inicial previa a análise pela Comissão Mista do Orçamento nesta 3ªF e no plenário do Congresso, na 4ªF, mas a viagem dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, ao Japão, na comitiva de Lula, deu pretexto para os ruídos.


… Uma nota desmentida depois falava na ausência de Motta e Alcolumbre, mas o presidente só viaja ao Japão no sábado.


… Segundo apurou o Broadcast Político, a série de ajustes feitos pelo governo no texto atingiu duas rubricas que desagradaram a bancada ruralista. O parecer final do relator, senador Angelo Coronel (PSD), que seria apresentado no domingo, ficou para amanhã.


… Outro empecilho que dificulta a votação seria a indefinição sobre os restos a pagar extintos que podem ser resgatados por meio de um projeto de lei complementar aprovado no Senado, mas que está pendente de votação na Câmara.  


… Alguns parlamentares querem que esses recursos constem da LOA, o que demandaria um novo ajuste pela equipe econômica.


… O Planalto trabalha para votar o Orçamento nesta semana, porque tem outra prioridade para encaminhar ao Congresso, o projeto que isenta de Imposto de Renda os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais, ainda sem receita definida.


LULA – A viagem de Lula ao Japão (e, em seguida, ao Vietnã) faz parte de uma estratégia de diplomacia presidencial voltada à inserção na Ásia, onde o governo busca ampliar a relação econômica com parceiros alternativos aos dois maiores: China e Estados Unidos.


… O objetivo é escapar dos conflitos geopolíticos e de efeitos negativos da guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump.


… Em Tóquio, o presidente pretende pressionar pelo início das negociações formais do acordo comercial Japão-Mercosul, que é discutido há anos e nunca foi formalizado. Em 2023, o comércio entre Japão e países do Mercosul foi de US$ 14 bilhões.


… Hoje, Lula participa da posse da nova diretoria da OAB, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (19h), e na 4ªF, ele vai inaugurar a Barragem de Oiticica e assinar a ordem de serviço para construção da Adutora do Agreste Potiguar.


BALANÇOS – A temporada de balanços na B3 tem como destaques nesta semana: Itaúsa e Yduqs (hoje), Taesa e Energisa (amanhã, 3ªF), Hapvida (4ªF), Cemig e Cyrela (5ªF). Nesta 2ªF, também divulgam resultados: Allos, Mahle e Fertilizantes Heringer.


LÁ FORA – Índice Empire State de Atividade Industrial de março e vendas no varejo em fevereiro abrem a agenda da semana nos EUA, os dois às 9h30. Amanhã (3ªF), saem vendas e produção da indústria americana em fevereiro. E, na 4ªF, tem inflação na zona do euro.


CHINA HOJE – Divulgados no final da noite, os dados da produção industrial subiram 5,9% no primeiro bimestre, superando as estimativas de alta de 5,4%. Também as vendas no varejo ficaram acima do esperado (+3,5%), com crescimento de 4% no período.


SEXTA-FEIRA GORDA – O mercado doméstico acordou na 6ªF com a notícia de mais estímulos ao consumo na China, o que aliado à volta do apetite por risco em NY fez o Ibovespa romper os 129 mil pontos na máxima do dia e, o dólar, mergulhar a R$ 5,71, na mínima.


… A China ordenou que bancos e outras instituições financeiras incentivem o crédito ao consumo como parte de uma campanha para fazer com que as pessoas gastem mais e ajudem a reavivar a economia local.


… A ordem animou os mercados de commodities, com alta no minério e no petróleo, e deu força às moedas de fornecedores de matérias-primas, como o real.


… Bolsa e câmbio domésticos ainda continuaram a se beneficiar do fluxo de recursos para os emergentes em meio às incertezas quanto à economia dos EUA, reforçadas pela política comercial de Trump.


… O Ibov fechou em alta de 2,64%, aos 128.957,09 pontos, maior nível do ano, com volume financeiro de R$ 27,2 bilhões. Na semana, avançou 3,14% maior ganho semanal desde agosto de 2024.


… Petrobras ON subiu 3,90% (R$ 38,41) e PN ganhou 3,08% (R$ 35,50), com o Brent/maio 1% mais caro (US$ 70,58/barril) via China e dúvidas sobre a possibilidade de a Rússia aceitar um acordo de paz com a Ucrânia.


… Vale avançou 3,28% (R$ 56,29), na esteira da disparada (+2,32%) do minério na bolsa chinesa de Dalian.


… Bancos também fizeram a festa. Bradesco PN subiu 4,12% (R$ 12,13) e ON, +3,84% (R$ 11,09), seguidos por Santander, +3,55% (R$ 26,24), Itaú, +3,25% (R$ 34,31) e Banco do Brasil, +1,42% (R$ 27,88).


… Automob (+16,67%; R$ 0,28), Magazine Luiza (+13,48%; R$ 9,60) e CSN (+11,82%; R$ 10,22) dispararam.


… Na outra ponta, Natura despencou 29,94%, a R$ 9,50, reagindo aos resultados do 4Tri. Azzas cedeu 10,42%, a R$ 21,50, em meio a uma possível separação de negócios menos de oito meses após a fusão da Arezzo com o Grupo Soma.


… Em NY, o dia foi de recuperação depois das fortes perdas da véspera, com Trump dando uma pausa na escalada retórica, o que permitiu um dia de alívio nos mercados. Sinais de que o Congresso dos EUA vai evitar uma paralisação do governo Trump ajudaram.


… Com forte alta nas ‘sete magníficas’, o Nasdaq saltou 2,61% (17.754,09 pontos), o S&P 500 subiu 2,13% (5.638,94) e o Dow Jones avançou 1,65% (41.488,19). Na semana, contudo, as perdas foram fortes.


… S&P 500 (-2,43%) e Nasdaq (-2,27%) marcaram a quarta semana consecutiva no vermelho. E o Dow Jones (-3,07%) teve o pior desempenho semanal desde março de 2023.


… No câmbio, com a expectativa de medidas na China, o dólar caiu ante as moedas emergentes, mas perdeu para o euro e, na média, ficou no zero a zero.


… O DXY fechou estável (-0,01%), a 103,718 pontos, com a moeda comum em alta de 0,29%, a US$ 1,0885, após o futuro chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, garantir apoio crucial dos Verdes para um aumento maciço nos gastos do país.


… Libra esterlina teve queda de -0,11%, após a produção industrial britânica cair 0,9% em janeiro, de uma expectativa de +0,2%. O iene recuou 0,58%, a 148,631/US$.


… Por aqui, o dólar à vista caiu 0,98%, para R$ 5,7433, melhor desempenho entre moedas emergentes. Na semana, recuou 0,81%.


… Na contramão do bom humor generalizado, os juros futuros subiram com o receio de novo atraso na aprovação do Orçamento 2025.


… Pela manhã, as taxas dos DIs chegaram a cair acompanhando o dólar, e o superávit do setor público consolidado em janeiro (R$ 104,1 bilhões) acima do esperado (R$ 101,8 bilhões) e o varejo restrito (-0,1%) abaixo do esperado (+0,2%) em janeiro.


… No fechamento, o Jan/26 marcava 14,730% (de 14,720% na sessão anterior), o Jan/27 subia a 14,530% (de 14,490%); o Jan/29, a 14,425% (de 14,510%); o Jan/31, a 14,580% (de 14,560%) e o Jan/33, a 14,610% (de 14,580%).


… Nos Treasuries, os rendimentos subiram depois que o projeto que evita o shutdown do governo dos EUA avançou no Senado com a ajuda dos democratas. A busca por segurança se concentrou no ouro, pela primeira vez acima dos US$ 3.000/onça-troy.


… O juro note de 2 anos avançou a 4,023%, o da note de 10 anos subiu para 4,319%, e o do T-bond de 30 anos, a 4,625%.


… Num dia de bom humor nos mercados, ficou em segundo plano a queda de 64,7 em fevereiro para 57,9 em março do índice de sentimento do consumidor dos EUA, elaborado pela Universidade de Michigan. A expectativa era de baixa a 64,0.


… A pesquisa mostrou ainda um salto nas expectativas de inflação em 12 meses (de 4,3% para 4,9%) e cinco anos (de 3,5% para 3,9%).


… A expectativa de uma desaceleração mais forte na economia americana paira sobre o mercado. O JPMorgan revisou de 1,9% para 1,6% o crescimento anualizado no 4Tri25 por causa da política comercial de Trump.


… Em entrevista ao Broadcast, o economista-chefe global do Citi, Nathan Sheets, estimou que uma alta média de 10% nas tarifas a importados poderá desacelerar o PIB dos EUA de uma alta de 2,25% para 1,9% em 2025.


EM TEMPO… SABESP E AEGEA avaliam possibilidade de participarem de uma eventual privatização da Copasa (Bloomberg)…


… Companhias mantiveram conversas nos últimos meses, segundo fontes; interesse delas está alinhado com o desejo do governo de MG de ter um acionista estratégico com expertise na área e não apenas um operador financeiro.


PETZ. AGE aprovou combinação de negócios com a Cobasi; processo agora depende da aprovação do Cade.


SLC AGRÍCOLA anunciou a aquisição de 47.822 hectares de terras na Bahia e em Minas Gerais por R$ 913 milhões.


ALLOS aprovou a distribuição de R$ 153 milhões em proventos, o equivalente a R$ 0,1015 por ação. Do montante, R$ 102 milhões serão pagos em JCP em duas parcelas (2/4 e 3/6); e mais R$ 51 milhões serão pagos em dividendos intercalares (extras) em 6/5.  


XP. Divulgou no domingo novo comunicado sobre a GRIZZLY RESEARCH, acusando de “fake news o relatório recheado de informações falsas e distorcidas”, assinado por uma casa de análise “com credibilidade duvidosa e envolvida em polêmicas anteriores”.


BERKSHIRE. A ausência de recompra de ações continua na empresa, desde maio de 2024, no período mais longo de inatividade desde que Warren Buffett obteve autoridade de recompra, quando acredita que o preço está abaixo do valor intrínseco…


… Significa que Buffett não considera as ações baratas; no ano, com +13%, elas superam o índice S&P 500 por ampla margem.

domingo, 16 de março de 2025

Putin manipula Trump

 Os Estados Unidos, através de Trump, são esnobados por Putin. Até onde vai essa farsa?


https://www.estadao.com.br/internacional/lourival-santanna/putin-manipula-trump-para-ganhar-tempo-e-conquistar-posicao-de-vantagem/


"*Putin manipula Trump para ganhar tempo e conquistar posição de vantagem*


_Presidente russo deu resposta ambivalente ao cessar-fogo na Ucrânia proposto pelos Estados Unidos e impôs uma série de condições para fazer acordo_


Por Lourival Sant'Anna 15/03/2025 


Vladimir Putin respondeu ao plano de um mês de cessar-fogo com sua típica ambivalência: rejeitando sem dizer “não”. Putin impôs uma série de condições. Como a principal característica do plano é ser incondicional, isso equivale a rejeição. O ditador russo quer manter a aproximação com os Estados Unidos, ganhar tempo e conquistar posição de ainda mais vantagem do que Donald Trump já lhe proporcionou.


“Concordamos com as propostas de cessar hostilidades”, disse Putin. “Essa cessação deve ser de tal sorte que conduza a uma paz de longo prazo e elimine as causas originárias desta crise.” Ele listou essas supostas causas no dia da invasão, há três anos, quando contestou a existência da Ucrânia como Estado soberano e a expansão da Otan no Leste Europeu a partir de 1997.


Putin também perguntou se a Ucrânia continuaria recebendo armas e se tropas estrangeiras monitorariam o cessar-fogo. É interessante porque ele recebe armas do Irã e da Coreia do Norte, além de milhares de soldados norte-coreanos. E porque a Otan existe para evitar invasões russas, a exemplo da Geórgia em 2008 e da Ucrânia em 2014 e 2022, que ocorreram precisamente porque elas não integram a aliança.



O ditador continua achando que a Rússia tem mais direitos do que os seus vizinhos, por seu poder militar e nuclear. Trump reforça essa convicção. O presidente americano insiste que o problema é a resistência da Ucrânia, o país invadido, em ceder seus territórios, quando deveria fazê-lo, por ser mais fraca: “Você não tem as cartas”, disse Trump a Volodimir Zelenski, naquela chocante reunião na Casa Branca.


O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou na Arábia Saudita, antes do encontro com os representantes ucranianos: “Os russos não podem conquistar toda a Ucrânia, e obviamente será muito difícil para a Ucrânia em qualquer período de tempo razoável forçar os russos de volta para onde estavam em 2014″.


Parece uma afirmação realista e equilibrada, mas na verdade ela embute a aceitação da violação da soberania. Isso se torna ainda mais grave quando dito pela maior potência militar do mundo. Só os ucranianos, donos da terra, podem propor concessões.


Para facilitar a aceitação dos termos impostos por Putin, Trump substituiu, como seu enviado à Rússia, o general Keith Kellogg, que conhece o assunto, por Steve Witkoff, empresário do ramo imobiliário que nada sabe a respeito. Witkoff chegou a Moscou na quinta-feira cedo e Putin o manteve esperando o dia inteiro, recebeu-o no fim da noite e disse que precisava falar com Trump. Ele está saboreando o cortejo e manipulando o presidente americano.

Fernando Schuller

 Já perdi a conta de quantos artigos já escrevi sobre o tema da "pobreza x desigualdade", e de como a relação entre estas duas variáveis é inversa, não positiva. Mas nunca com a maestria de um Fernando Schuler, claro. Boa leitura!


O Que Realmente Importa

Fernando Schuler (Veja, 15/03/25)


"“A desigualdade mata”, leio em um desses artigos de “combate”, que fazem a festa do ativismo político, baseado em um “relatório” sobre a desigualdade global. Dados impressionistas sobre disparidades econômicas, imagens dos bilionários da lista da Forbes e a sugestão de que é “deles” a culpa pelas nossas desgraças. Tudo se passa como se houvesse um estoque fixo de riqueza no planeta. Algo como bolinhas de gude em um pote. Se alguma criança pega bolinhas demais, sobram menos para os amiguinhos. A retórica é perfeitamente falsa. Sergey Brin, do Google, ficou rico não porque capturou algum dinheiro dos demais, agarrado ao Estado, mas porque as pessoas, por seu próprio juízo, melhoram a vida usando seus buscadores de informação. Vale o mesmo para os compradores de livros na Amazon (eu, por exemplo), os usuários do WhatsApp, de Zuckerberg, os agricultores que usam a Starlink, de Elon Musk. Do outro lado do mundo, 200 000 pessoas são internadas, todos os anos, no Brasil, por falta de saneamento básico. E isso não porque o saneamento funciona bem em Maringá ou Uberlândia. Ou porque Bill Gates tem uma mansão com 24 banheiros. O sofrimento não deriva da diferença entre quem vive sob más condições e quem tem um bom serviço, mas dos erros de políticas públicas. Do atraso do modelo estatal e da falta de investimento ao longo dos anos. É disso que seria vital tratar, se houvesse uma preocupação real com a vida dessas pessoas.


Ainda agora li uma teoria estranhíssima sobre o tema. O “limitarismo”, da filósofa holandesa Ingrid Robeyns. A teoria diz que é preciso pôr um teto na riqueza que cada um pode ter. Nossa cantora Anitta já havia sugerido algo assim. E arriscado até um valor: 1 bilhão de dólares. À época, me perguntei o que a pessoa deveria fazer quando sua grana chegasse a esse patamar. Doar o dinheiro e ir morar na Praia da Pipa? Continuar trabalhando por esporte? Por que os incentivos de mercado deveriam valer até o ponto “X”, para logo depois serem jogados pela janela? Seus argumentos me soaram frágeis. Um deles diz que “ninguém precisa de tanto dinheiro assim”. Sob certo aspecto, é verdade. Musk costuma dormir num colchão em suas empresas. Alguns vivem melhor, é verdade. O ponto é que grandes empreendedores usam seu capital para investir, criar negócios, fazer filantropia (sugiro pesquisar The Giving Pledge). Não porque “precisam”, em algum sentido popularesco. Outro argumento diz que muitos ricos são perigosos porque podem usar o dinheiro para lobby político. É verdade. Mas isso depende de muito dinheiro? Os maiores lobbies no Congresso vêm das altas carreiras do setor público, contra o teto salarial; dos militares, contra reformar sua previdência; da Zona Franca de Manaus, para manter os incentivos; dos sindicatos e agregados da educação estatal, mantendo o monopólio. É sobre isso que deveríamos perguntar: a riqueza foi ganha em um ambiente aberto, no mercado, ou via pressão, no mundo político?


Para ter uma boa pista sobre como a economia está longe de ser um jogo de soma zero, vale observar o que se passou com os dois maiores casos de redução da pobreza nos últimos quarenta anos: China e Índia. A China reduziu a pobreza extrema virtualmente a zero, depois que se livrou do maoismo e fez sua guinada para o mercado. A Índia foi de metade da população na extrema pobreza, no início dos anos 90, para menos de 1%, por agora. E aqui vem o detalhe: foram os dois países com maior crescimento de bilionários nesse mesmo período. Enquanto a miséria despencava, os bilionários chineses foram de nenhum a 408; os indianos, de 3 para 209, no ano passado. Não passa de um mito a ideia de que exista alguma contradição entre a geração de riqueza, de um lado, e a redução da pobreza, de outro. Ao contrário: são dois lados do mesmíssimo fenômeno de abertura e dinamização da economia.


O filósofo austríaco Helmut Schoeck escreveu um livro provocativo, ainda nos anos 60 (e hoje um tanto esquecido), tentando entender (entre muitas coisas) de onde vem o “ódio aos mais ricos”. O título da obra: A Inveja: uma Teoria da Sociedade. Ele vê a inveja tanto como uma força positiva como negativa em nossa vida. O lado positivo surge quando ela é “domesticada”, no mercado. Do sujeito que diz: “Vou mostrar a eles do que sou capaz”, e age dentro da regra, trabalhando duro. Quando mal direcionada, é força destruidora. Se torna Salieri, o bom músico, ainda que não genial, e sua relação tóxica com Mozart. Ou quem sabe um bocado de gente gastando energia em odiar empreendedores globais, em vez de se preocupar com o que realmente pode fazer a diferença na vida dos mais pobres.


A melhor resposta a esse dilema foi dada por um tranquilo professor de Harvard, John Rawls. Sua tese: em vez de combater a desigualdade, por si só, por que não fazer com que ela funcione em benefício dos que estão na pior? Ele nos pede para imaginar a seguinte situação: estamos reunidos para escolher as regras de justiça na sociedade. Temos muitas opções. Renda mínima? Mais ou menos desigualdade? Limitarismo? Livre mercado? Detalhe: ninguém sabe o lugar que vai ocupar nesta mesma sociedade. O que cada um escolheria: a sociedade “A”, mais igualitária, mas onde os mais pobres, vamos supor, ganham em média 1 000 reais? Ou a sociedade “B”, mais desigual (vamos imaginar: com Musk e Bezos na vizinhança), mas onde os mais pobres têm uma condição duas vezes melhor? Ou quem sabe: viver na China mais pobre e igual, por volta de 1980? Ou na China fortemente desigual, mas virtualmente sem pobreza, em 2025? Resumo da ópera: apenas a inveja, ou ao menos seu lado sombrio, identificado por Schoeck, faria com que as pessoas escolhessem a sociedade “A”. Uma escolha coletivamente irracional. O ponto não é que não seja natural ambicionar a posição dos outros. O ponto é que usar esse sentimento como parâmetro para as escolhas sociais fará com que todos se tornem perdedores. Algo como: “Eu aceito perder, desde que os outros percam mais do que eu”. O que nunca fez nem fará o menor sentido.


O melhor é mudar o foco. Em vez de gastarmos tempo e energia esbravejando com os resultados de Larry Page, no Google, ou de Larry Ellison, na Oracle, deveríamos nos preocupar com o que realmente importa. Se o ponto é universalizar o saneamento, por exemplo, por que não dar segurança para atrair investimento e fazer uma boa modelagem, com metas e bons contratos? Coisas que já se faz em muitos lugares, que avançaram com uma boa política, como o marco do saneamento. E que rigorosamente nada têm a ver com o valor das ações da Tesla ou da Amazon. É previsível que coisas como segurança jurídica, incentivos e investimento não sejam propriamente excitantes. São temas “a favor”, e não “contra”. Não polarizam, não geram likes e são impróprios para a guerra política, como é o tema da “desigualdade”. E quem sabe exatamente aí resida o problema sobre o qual valeria pensar."


Fernando Schüler é cientista político e professor do Insper


sábado, 15 de março de 2025

América em declínio

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 Deve ser duro a um jornalista consagrado, reputado e respeitado como o americano imigrado Fareed Zakaria, icone da abertura fenomenal dos EUA ao mundo, ter de escrever um artigo sobre o declínio do país que julgava ser a garantia de um mundo mais civilizado do que o das ditaduras e ter de afirmar wue não se trata de um declínio natural, esperado, inevitável, mas sim derivado de uma retração maldosa, ou desejada por um desequilibrado que assumiu a presidência. Tudo leva a crer que Trump está a serviço não da Rússia exatamente, mas de Putin pessoalmente, o genio do mal que tem um projeto de afundamento do mundo democrático.


Trump está fazendo tudo aquilo que os promotores das ditaduras personalísticas sempre desejarem obter: espaço livre e até colaboração voluntária para tornar o mundo o reduto da opressão que mentes doentias, narcisistas e megalomaníacas nunca tinham conseguido fazer, justamente pela presença de uma nação forte, comprometida com o bem comum e a dedesa de princípios e valores civilizatórios e humanistas. Esse mundo agora acabou, pelo menos enquanto Putin estiver na presidência dos EUA, e o temor é que ele tente, e consiga, mais um mandato, que será utilizado para completar a sua obra nefasta a serviço de uma cópia de Hitler no século XXI. 

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*AMERICANOS PAGARÃO POR ATAQUE À ORDEM GLOBAL* 


 _Trump vem desfazendo o sistema internacional; posição privilegiada americana também declinará._ 


Fareed Zakaria - Washington Post / O Estado de S. Paulo - 15.03.2025


"Cingapura joga suas cartas geopolíticas com cuidado, ao tentar manter boas relações com os EUA em uma região dominada pela China. Então, vale a pena prestar atenção quando seu ministro da Defesa diz que a imagem de Washington “mudou de libertador para grande desestabilizador, para um senhorio buscando aluguéis”. Seu premiê, Lee Hsien Loong, resumiu o desafio que o mundo enfrenta: “Os EUA não estão mais dispostos a garantir a ordem global”.


Em poucas semanas, o governo Trump pôs em prática uma revolução na política externa americana, abandonando um antigo aliado democrático, a Ucrânia, cuja segurança os EUA prometeram defender desde a assinatura do Memorando de Budapeste, há 30 anos. Agora, Trump pede uma parte da riqueza mineral da Ucrânia, que seu governo descreve como “retribuição”, em troca de apoio.


Enquanto isso, Washington declarou uma guerra comercial contra seus vizinhos e parceiros de negócios mais próximos, Canadá e México, e exigiu que a Dinamarca venda a Groenlândia e o Panamá entregue o Canal do Panamá. Os EUA se movimentaram para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o país ajudou a fundar, tentaram encerrar a maioria de seus programas de ajuda externa, revertendo uma tradição de generosidade que remonta à 1.ª Guerra, e suas tarifas são violações claras das regras comerciais que Washington criou e defendeu por décadas.


DESCONFIANÇAS. Essas reviravoltas estão sendo notadas e resultarão em uma revolução na política externa em todo o mundo. Friedrich Merz, homem que provavelmente será o próximo chanceler da Alemanha, disse recentemente: “Nunca pensei que teria de dizer algo assim. Mas, depois das declarações de Donald Trump, está claro que os americanos – pelo menos esta parte dos americanos, este governo – são indiferentes em relação ao destino da Europa”.


A Alemanha estava no centro do sistema de segurança que os EUA construíram após a 2.ª Guerra. Para esse país começar a tremer, é porque a mudança é sísmica. Merz até aventou a ideia de a França e o Reino Unido estenderem seu guarda-chuva nuclear sobre a Alemanha, porque não está mais convencido de que os americanos defenderiam o país. Essa promessa dos EUA era a essência da Otan, mas ninguém na Europa está certo de que Trump a honrará.


Os habitantes de Taiwan assistiram nervosamente Trump voltar as costas à Ucrânia. Em vez de oferecer apoio contra as intenções predatórias do vizinho intimidador de Taiwan,


Trump repreendeu o governo taiwanês por não gastar o suficiente em sua própria defesa. Muitos na ilha agora temem que Trump possa fazer um acordo com Pequim que os deixe abandonados da mesma forma que a Ucrânia.


REAÇÃO. Todos esses movimentos dos EUA surtirão um efeito: começarão a engendrar um novo mundo multipolar. Inevitavelmente, grandes países, como Alemanha e Japão, cuidarão de sua própria segurança. Isso pode significar que, para o Japão, assim como para a Coreia do Sul, armas nucleares se tornarão uma opção atraente – uma apólice de seguro contra agressões.


Sob o guarda-chuva de segurança dos EUA, o mundo testemunhou uma proliferação nuclear notavelmente baixa. Isso pode mudar drasticamente. Cada país ponderará a respeito de maneiras de se livrar da dependência dos EUA.


À medida que buscarem independência em relação aos americanos, os países também poderão procurar alternativas ao domínio do dólar. Os europeus, que são na realidade os únicos capazes de montar uma alternativa, podem começar a emitir títulos da União Europeia, que seriam os concorrentes mais eficazes dos títulos do Tesouro dos EUA.


O “privilégio exorbitante” de os EUA serem donos da moeda em que as reservas mundiais estão depositadas – o que lhes permitiu acumular déficits enormes a baixo custo – pode se desgastar mais rapidamente do que poderíamos imaginar.


Todas essas mudanças são um presente para a Rússia e a China, cujo objetivo tem sido enfraquecer o poder e a presença dos EUA no mundo. Conforme um analista russo afirmou recentemente sobre a política de Trump para a Ucrânia: é como se fosse Natal, Chanuká, Páscoa e o aniversário de Putin – tudo no mesmo dia.


Para quem acha que já passou da hora de mudarmos um sistema internacional tão dependente dos EUA, você já pesou os custos e os benefícios? Os EUA passaram oito décadas construindo um sistema internacional com regras, normas e valores que produziram o período de paz e prosperidade global mais longo na história da humanidade.


Suas alianças são os maiores multiplicadores de força para sua influência no mundo. Os EUA têm sido os maiores beneficiários desse sistema, mesmo agora, décadas depois, ainda definindo agendas e dominando o mundo economicamente, tecnologicamente e militarmente.


À medida que essa ordem se desfaz, a posição privilegiada dos EUA também declinará, criando um mundo mais perigoso e empobrecido – e os EUA mais isolados, desconfiados e inseguros. O mundo pós-americano está agora à vista de todos. •


Fareed Zakaria - Colunista do Washington Post 


Tradução Guilherme Russ


Terceira Guerra Mundial

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" *A Terceira Guerra Mundial começou faz tempo


Por Leonardo Coutinho


06/03/2025


Por muito tempo, a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial foi tratada como mera abstração geopolítica ou roteiro para filmes apocalípticos. Contudo, a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, revelou ao mundo que tal ameaça estava mais próxima e mais real do que jamais esteve desde o fim da Guerra Fria. Para muitos, ela ainda é uma ameaça - uma ameaça crescente.


Mas a Terceira Guerra Mundial já começou. E começou faz tempo. Não no sentido clássico de batalhas travadas em múltiplos continentes, mas como um conflito híbrido que envolve ameaças nucleares, guerras por procuração e uma complexa teia de alianças e antagonismos. Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para evitar uma catástrofe de proporções inimagináveis.


Durante décadas, o ocidente viveu na ilusão reconfortante de que o colapso da União Soviética havia enterrado de vez a ameaça nuclear. A própria Ucrânia, recém-separada da URSS, concordou em desmontar seu arsenal nuclear, acreditando no “fim da história”. Tudo parecia concorrer para o desenvolvimento e a prosperidade.


Mas Vladimir Putin, movido por uma visão revisionista da história e pelo desejo de restaurar a influência perdida por Moscou, recolocou as armas nucleares no tabuleiro global e passou a ameaçar explicitamente seu uso, caso interesses russos fossem diretamente ameaçados.


Desde o início da agressão contra a Ucrânia, o ditador russo vem recorrendo repetidamente a uma retórica nuclear, lembrando ao ocidente a existência e disponibilidade das ogivas nucleares russas. Suas ameaças parecem ter um propósito duplo: intimidar e dividir a aliança ocidental, explorando o medo da destruição em massa como ferramenta diplomática, enquanto simultaneamente mantém aberta uma porta perigosa, que, uma vez atravessada, não teria retorno.


No entanto, nas últimas semanas, em meio às mudanças na postura dos Estados Unidos em relação à Ucrânia, o tema nuclear e o temor de uma guerra de proporções globais ganharam novas tintas. O presidente Donald Trump acusa o ucraniano Volodymyr Zelenski de estar “jogando com uma Terceira Guerra Mundial”.


Não dá para saber se Trump trata como uma “ameaça” de guerra global ou se ele afirma que a guerra já está instalada, considerando que há tempos o conflito ultrapassou as fronteiras ucranianas. A participação de Irã, Coreia do Norte e Belarus, com fornecimento de armas e munições a Moscou, transformou um conflito regional em algo muito próximo a uma guerra por procuração global. 


Neste contexto explosivo, no rastro do abandono dos Estados Unidos ao esforço ocidental que vinha dando suporte aos ucranianos, a declaração do presidente francês Emmanuel Macron de que a França estaria disposta a utilizar seu arsenal nuclear para defender seus aliados, caso a existência destes fosse ameaçada, aumentou severamente a têmpera do conflito.


Macron reforçou que a linha vermelha para um conflito nuclear está cada vez mais próxima e menos teórica. Este pronunciamento, apesar de estratégico na lógica de dissuasão, adiciona combustível a um fogo já perigoso e instável, mostrando ao Kremlin que o Ocidente não está apenas atento, mas também pronto para subir a aposta se necessário.


A combinação desses elementos é alarmante. As primeiras ameaças nucleares partiram do próprio Putin, mas hoje já ecoam nas palavras de líderes ocidentais.


Não há dúvidas de que estamos diante da mais grave crise nuclear desde a crise dos mísseis de Cuba, em 1962


Contudo, desta vez, o cenário é mais complexo e menos previsível, com múltiplos atores envolvidos, cada um com objetivos distintos e, muitas vezes, contraditórios.


A guerra na Ucrânia tem várias outras frentes que complementam os conflitos pela nova repartição da influência no mundo. As tensões da China com seus vizinhos pelo controle territorial e dos oceanos, as reivindicações por Taiwan e “compra” da África são partes da mesma reorganização do mundo. O terrorismo bandoleiro dos huthis e o terror do Hamas que deu origem a uma guerra no Oriente Médio não podem ser tratados de fora do mesmo quadro.


Nicolás Maduro ameaçando de tempos em tempos uma guerra com a Guiana, e a presença cada vez mais frequente de navios de guerra da Rússia em Cuba e Venezuela, relembram que uma guerra no Caribe não será apenas entre os caribenhos.


O risco real de um conflito global em larga escala nunca foi tão alto desde o auge da Guerra Fria. Embora ainda haja espaço para a diplomacia, a margem de erro é perigosamente reduzida. Qualquer equívoco, qualquer ação mal calculada, pode empurrar o mundo para um abismo irreversível.


Diante disso, é fundamental que as democracias ocidentais compreendam rapidamente a extensão do perigo atual. O conflito na Ucrânia não é apenas uma guerra localizada, mas uma batalha decisiva pelo futuro da ordem internacional e pela estabilidade global. Negligenciar isso, subestimando as intenções e capacidade de Putin ou ignorando a fragilidade atual das alianças ocidentais, pode ser um erro de consequências devastadoras.


Se ainda não está claro para todos, é preciso dizer sem rodeios: a Terceira Guerra Mundial, infelizmente, já começou. Resta saber se ainda há tempo de interrompê-la antes que ela se torne absolutamente incontornável.


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sexta-feira, 14 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 1403

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Trump ameaça com imposto alfandegário de 200% (ameaçar não é aplicar) e Pernod Ricard caiu -4% (LVMH aguentou bem: -1,1%). Esse é o problema: a imprevisibilidade das reações de um presidente americano que acredita firmemente na ameaça como forma de relação e o melhor caminho para alcançar objetivos que engrandeçam o seu ego. A confusão no comércio é absoluta (e, por extensão, sobre o PIB, a inflação… o ciclo económico em geral), mas não é menor na sua estratégia de bazar. A sua proposta de cessar-fogo na Ucrânia baseada na ameaça dos próprios aliados e não ao inimigo inevitavelmente fracassará, porque dá confiança à Rússia. Trump pensa que pode negociar com o espírito herdeiro do KGB como se estivesse a regatear algo em Coney Island, mas engana-se. E o pior é que provavelmente não terá um plano B, porque o seu ego é tão grande que está convencido que não pode falhar. O resultado da primeira ronda é que Rússia diz aceitar o cessar-fogo “incondicionalmente” para continuar a frase impondo condições prévias inaceitáveis (reter o território invadido, que a Ucrânia nunca entre na OTAN, etc.), o que é absolutamente previsível. 


O resultado é que, quando as bolsas caem novamente como ONTEM, as yields das obrigações quase não se reduzem e isso é um mau sinal de mercado. O contexto continua a complicar-se e, por isso, as bolsas combinam subidas e retrocessos erraticamente e/ou segundo a última notícia comercial (Trump) ou sobre estímulos fiscais (Alemanha)… os quais são sempre interpretados desde o lado da Oferta (mais despesa pública = mais dívida = mais impostos) e nunca do lado da Procura (descidas de impostos = mais Consumo e Investimento, reajuste de Despesa Pública), o que não é necessariamente bom. Insistimos que os riscos se movem em alta, as expetativas de crescimento económico em baixa, com um pouco mais de inflação na 2.ª ronda (não agora, mas acontecerá inevitavelmente com impostos alfandegários superiores), e as estimativas de EPS (lucros empresariais) são revistas em baixa. É óbvio que isso não é bom para as bolsas, é mau, e logo veremos como afeta as obrigações, mas de momento é mau para as obrigações europeias, enquanto continua um prémio de risco por geoestratégia elevado e a dívida pública aumenta ainda mais rápido. Porque, embora determinadas despesas (Defesa) hipoteticamente não sejam contabilizadas para os limites do Défice Fiscal, há que as pagar de igual forma. 


A realidade é que ninguém sabe quase nada fiável agora mesmo, quase ninguém se atreve a admiti-lo. Insistimos que não se pode tirar conclusões fiáveis com base em informações incompletas, entre outras coisas, porque ainda é cedo para que os indicadores económicos mostrem algo diferente, nem sequer os adiantados… o primeiro dos quais corresponde a março (qualquer registo de março tornou-se especialmente importante, porque fevereiro ainda terá pouco impacto negativo no sentimento) sai hoje (14 h): Confiança Univ. Michigan, que se espera que retroceda até 63,0 desde 64,7… embora já esteja um pouco descontado, porque já retrocedeu em fevereiro (64,7) e janeiro (71,7) desde o seu máximo recente em dezembro (74,0). O risco de que hoje saia inferior ao esperado (63,0) é elevado, e isso poderá começar a despertar o mercado em relação ao dano que está a acontecer sobre o sentimento (isto é, bolsas, Consumo Privado, Investimento Empresarial, etc.). O próximo indicador adiantado de primeira ordem será o Leading americano de quinta-feira da próxima semana (Q20), que será de fevereiro e, por isso, não se espera especialmente mau (-0,1% vs. -0,3%). Estes são os 2 indicadores mais importantes a monitorizar nos próximos dias. Estes e as reuniões do BoJ e Fed a 19 de fevereiro, e do BoJ no dia 20 de fevereiro, todas na próxima semana.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: HOJE os futuros sobem um pouco (+0,2%/+0,5%), mas é uma simples contrarreação positiva às quedas de ontem. Nada de fundo muda. O mercado está abalado, de momento. A Confiança Univ. Michigan (14 h) decidirá os fechos nesta sexta-feira de uma semana em baixa (Wall St. ca.-6% e Europa ca.-2,5%), que no caso americano será a 4.ª consecutiva em negativo. E Wall St. marca a tendência global, não o esqueçamos. O risco de que a sessão de hoje se torne negativa durante a tarde não é desprezível. 


S&P500 -1,4% Nq-100 -1,9% SOX -0,6% ES-50 -0,6% IBEX +0,1% VIX 24,7 Bund 2,85% T-Note 4,29% Spread 2A-10A USA=+32pb B10A: ESP 3,49% PT 3,36% FRA 3,55% ITA 3,94% Euribor 12m 2,451% (fut.2,355%) USD 1,084 JPY 161,2 Ouro 2.986$ Brent 70,5$ WTI 67,2$ Bitcoin -1,8% (81.973$) Ether +0,9% (1.895$).


FIM

Vivara

 CEO da Vivara é investigado por possível ‘insider trading’




O CEO da Vivara, Icaro Borrello, virou réu em processo sancionador recentemente aberto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar possível prática de “insider trading” primário, a negociação de papéis com base em informações privilegiadas obtidas na qualidade de administrador de uma companhia.

Não estão claras quais acusações pesam contra Borrello, nem quais valores mobiliários foram negociados com base em suposto “insider trading”, pois os detalhes do processo da CVM — que regula o mercado de capitais — ainda não são públicos.

Processos sancionadores são aqueles com acusação formulada pela CVM e que vão a julgamento. 

Borrello chegou à Vivara no começo do ano passado, vindo da consultoria Alvarez & Marsal. Ele iniciou como diretor de desenvolvimento de negócios e foi logo promovido a diretor operacional. No fim de 2024, o executivo se tornou CEO, após meses turbulentos no comando da rede de lojas de joias.

A coluna entrou em contato com a Vivara no começo da tarde desta quinta-feira, mas a companhia ainda não respondeu.


https://oglobo.globo.com/blogs/capital/post/2025/03/ceo-da-vivara-e-investigado-por-possivel-insider-trading.ghtml

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...