quinta-feira, 13 de março de 2025

Bankinter Portugal Matinal 1303

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Estupenda a inflação americana de ONTEM: +2,8% vs. +2,9% esperado vs. +3,0% anterior. Mas não tão estupenda e sensata a sua interpretação por um mercado ansioso para receber alguma notícia positiva que o anime a subir. Porque não tão estupenda a interpretação? Simplesmente, porque animou à subida das bolsas… com uma inflação de fevereiro! Mês sem nenhum impacto de impostos alfandegários, porque ainda não estavam aplicados nenhuns em nenhum lado. A primeira ronda sobre o Canadá, México e China entrou em vigor a 4 de março, portanto não se pode tirar conclusões precipitadas de indicadores que não recebem ainda impacto de nada.


Esse é o problema de fundo: que ninguém sabe quase nada sobre esta provável mudança de contexto, mas quase ninguém se atreve a admiti-lo. Nós sim: a verdade é que não se pode tirar conclusões fiáveis com base em informações incompletas e mutáveis, portanto podemos afirmar duas coisas sensatas:


(i)  Quanto mais não seja por uma questão de bom senso, quando os riscos e a incerteza estão a aumentar, é melhor reduzir o risco assumido (primeiro por classe de ativo e depois, se necessário, por exposição ao risco). 


(ii)  Nunca na histórica económica aconteceu que as restrições ao comércio (impostos alfandegários, contingentes, etc.) tenham resultado em mais crescimento e inflação baixa. Pelo contrário: menos PIB, que termina em menos emprego e mais inflação como efeito da 2.ª ronda, porque as empresas transferem os custos dos impostos alfandegários (parcialmente) para os preços finais. E a primeira reação de uma economia ameaçada por este tipo de medidas, antes de serem aplicadas, é perda de confiança, que debilita o Consumo Privado e atrasa as decisões de Investimento (Empresarial e Financeiro; isto é, mercados).


A frase mais perigosa do mercado é: “Mas desta vez é diferente”. Isso é errado. Já conhecemos o padrão. E não é melhor, é pior. Podem reduzir-se os danos se as medidas restritivas ao comércio se diluem, como aconteceu durante a primeira legislatura de Trump desde 2017, quando o mercado começou a avisar, mas persistem em maior ou menor medida. E tinha-se a sensação de que Trump respeitava a mensagem do mercado (leia-se: bolsas) na sua primeira legislatura, mas não parece que assim seja na segunda.


E na frente geoestratégica: a mudança americana obviamente encorajou Putin, que ontem foi com um uniforme militar a Kursk para falar com as suas tropas onde elas parecem estar a recuperar, embora a um custo imenso, uma parte do território ganho pela Ucrânia. Trump afirma agora que Rússia deve unir-se ao cessar-fogo que ele forçou a Ucrânia a aceitar e que até viajará ele mesmo, ou alguém próximo a ele, para a Rússia para tentar convencer que tal aconteça. Mas vai ter uma grande surpresa, porque a Rússia irá brincar com a ambiguidade até ao infinito enquanto ganha tempo para endurecer a suas ações militares perante uma Ucrânia esgotada em meios e apoios. A fragata espanhola da classe F-100 Álvaro de Bazán supervisionou e guardou um submarino russo acompanhado por um rebocador na sua rota pelo Mediterrâneo, presumivelmente para o Egito. E a Polónia decide formar 100.000 voluntários/ano até construir um exército permanente de 0,5M. É evidente que qualquer país fronteiriço com a Rússia deverá tomar medidas unilaterais para se proteger perante o distanciamento americano. Tudo isto não parece indicar uma redução do prémio de risco por geoestratégia, antes pelo contrário, se olharmos para ela com objetividade e frieza.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Cuidado com as ilusões. Provavelmente, realização de lucros (-0,5%?) após as subidas de ontem, que parecem inconsistentes. Estamos em processo de arrefecimento, à espera de algum indicador adiantado que nos permita basear em algo mais do que intuição. Por isso, passa a ser muito importante a Confiança da Universidade de Michigan de amanhã (14 h), que se espera que retroceda até 63,1 desde 64,7 e se sair pior assustará. HOJE temos alguma macro, mas não importante neste contexto: às 10 h, Produção Industrial UE (-0,9% vs. -2%) e 12:30 h EUA Desemprego Semanal (225k vs. 221k). E Bundestag: debate sobre a proposta de maior investimento em defesa e infraestruturas e relaxamento da limitação constitucional para o aumento da dívida pública. Debate, não decisão. Com uma perda incipiente de confiança sobre o Consumo e Investimento que ainda não se pode medir, mas que estará a acontecer, a ameaça de menos PIB e mais inflação pelas restrições ao comércio, a progressiva elevação das yields das obrigações europeias (ITA aproxima-se já de 4%) e um prémio de risco por geoestratégia que permanece intacta, as bolsas não podem reagir a subir, mas de forma errática e/ou mais provavelmente a corrigir os avanços de 2025 no caso europeu.


S&P500 +0,5% Nq-100 +1,1% SOX +2,5% ES-50 +0,9% IBEX -0,6% VIX 24,2 Bund 2,88% T-Note 4,31% Spread 2A-10A USA=+32pb B10A: ESP 3,50% PT 3,37% FRA 3,56% ITA 3,94% Euribor 12m 2,431% (fut.2,413%) USD 1,088 JPY 160,8 Ouro 2.936$ Brent 71,0$ WTI 67,7$ Bitcoin +2,3% (83.455$) Ether +0,7% (1.878$).


FIM

BDM Matinal Riscala 1303

 *O COBERTOR CURTO DO ORÇAMENTO*

*Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


Quinta-feira, 13 de Março de 2025.


… Mais um dado de inflação, hoje do índice de preços ao produtor de fevereiro (PPI), será divulgado nos EUA (9h30), após o CPI abaixo do esperado ainda não mostrar o impacto das tarifas de Trump. A taxação de 25% sobre o aço importado já está em vigor e provocou forte reação da União Europeia. Também houve retaliação do Canadá. O Brasil, igualmente atingido, ainda espera conseguir um acordo. Aqui, a questão fiscal voltou ao radar, com os ajustes do governo para incluir no Orçamento o Vale Gás e o Pé-de-Meia. A decisão de cortar recursos do Bolsa Família surpreendeu positivamente, num primeiro momento, mas analistas consideraram que não será suficiente. Entre os indicadores desta 5ªF, destaque para o volume de serviços, que voltam a recuar em mais um sinal de desaceleração da economia.


… Nesta 4ªF, entre as tarifas de Trump e o novo crédito consignado, o mercado doméstico chegou a se animar com a notícia improvável que o governo estaria cortando R$ 7,7 bilhões do Bolsa Família para fechar o Orçamento de 2025.


… Na verdade, o ajuste foi para incluir o Vale Gás, com custo estimado de R$ 3 bilhões, enquanto o corte do Bolsa Família corresponde àquele pente-fino que o governo realizou no ano passado, dentro do pacote de contenção de despesas.


… O relator, senador Angelo Coronel (PSD), explicou que o corte no Bolsa Família tem o objetivo de fazer um “saneamento” no programa.


… O pacote fiscal divulgado no ano passado previa inicialmente uma redução de R$ 2 bilhões na despesa no programa Bolsa Família para 2025. Esse valor foi, no entanto, majorado em discussões posteriores realizadas no âmbito da JEO.


… Em relação ao Pé-de-Meia, o governo pediu para que os recursos estimados em R$ 10 bilhões sejam suplementados pelo Executivo após a aprovação da LOA. O programa educacional conta hoje com a dotação de apenas R$ 1 bilhão no PLOA original.


… No acerto de contas difícil, o Planejamento pediu que R$ 39,6 bilhões fossem remanejados na peça orçamentária.


… O governo ampliou os gastos com benefícios previdenciários em R$ 8 bilhões no Orçamento/2025, sendo que a nova estimativa reduz a diferença em relação às previsões do mercado, que apontavam uma despesa subestimada em até R$ 20 bilhões.


… Outros gastos foram atendidos, como R$ 3 bilhões na rubrica para projetos de adaptação à mudança do clima, e R$ 678 milhões para o BPC (Benefício de Prestação Continuada), atingido pela contenção de gastos aprovado no ano passado.


… Mais R$ 7 bilhões em ações da Educação também foram remanejados, incluindo R$ 4,8 bilhões para escolas em tempo integral.


… A LOA deve ser votada na Comissão Mista de Orçamento (CMO) na 3ªF e, na 4ªF, no plenário do Congresso.


… Em entrevista exibida ontem à noite pela GloboNews, a ministra Simone Tebet disse que o fato de o Orçamento de 20255 ainda não ter sido aprovado não compromete a busca pela meta do déficit fiscal zero.


REAÇÃO ÀS TARIFAS – A União Europeia anunciou nesta 4ªF medidas de retaliação contra a política tarifária de Trump, no mesmo dia que passou a valer a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos americanos.


… “Como os EUA estão aplicando tarifas no valor de US$ 28 bilhões, estamos respondendo com contramedidas no valor de 26 bilhões de euros (US$ 28 bilhões)”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.


… Em Washington, Trump afirmou que “não está feliz com a postura da União Europeia”, que “com certeza aplicará tarifas para os carros europeus” [no dia 2 de abril], repetindo que a Europa não aceita os carros e os produtos agrícolas americanos.


… “O que for cobrado de nós, cobraremos deles”, disse Trump após as ofensivas retaliatórias.


… Também o Canadá impôs uma tarifa adicional de 25% sobre 29,8 bilhões de dólares canadenses de importações dos EUA já a partir de hoje, afirmando que a retaliação é uma resposta direta às taxas impostas pelo governo Trump sobre o aço e o alumínio.


… A ministra de Assuntos Internacionais do Canadá, Mélanie Joly, disse que o Canadá irá trabalhar com a União Europeia para se defender das tarifas dos EUA, acrescentando que o país lutará para que o governo Trump cumpra os acordos existentes.


… Perguntada pelos jornalistas até que ponto o mercado financeiro teria de piorar para que Trump começasse a rever a guerra tarifária, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente olha para Wall Street e também para o Main Street.


… O maior fator de risco para o Fed – e para a economia como um todo – são as tarifas e as ameaças de Trump de impor mais taxas. Já há um consenso de que essa política é inflacionária e recessiva, o que está colocando os mercados em modo de proteção.


BRASIL PODE RECORRER À OMC – O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, lamentou “profundamente” a decisão dos EUA de sobretaxar o aço e alumínio importados, admitindo que o Brasil poderá recorrer à OMC.


… Alckmin, entretanto, também disse que é a disposição primeira é a de manter e aprofundar o diálogo aberto com os americanos.


… O vice-presidente voltou a lembrar que as indústrias brasileira e americana são complementares na produção do aço, sendo o Brasil o terceiro maior importador do carvão dos EUA, que mantêm um superávit comercial de US$ 7 bilhões (2024), só em bens.


… Alckmin negou que tivesse nova reunião marcada com representantes do governo Trump nesta 6ªF, como disse o ministro Rui Costa.


… Para a Amcham Brasil, a tarifa de 25% impacta diretamente as exportações brasileiras desses setores e tem o potencial de afetar o comércio bilateral em outros segmentos da cadeia do aço e do alumínio.


… No ano passado, o Brasil exportou US$ 5,7 bilhões em aço e ferro para os Estados Unidos e US$ 267 milhões em alumínio, sendo que as importações brasileiras de carvão siderúrgico americano, que podem ser afetadas pela medida, totalizaram US$ 1,4 bilhão.


… Já o Instituto Aço Brasil mantém a expectativa de que o governo brasileiro consiga prosseguir com as negociações para restabelecer as bases do sistema de importação construído no primeiro governo de Donald Trump, em 2018, que vigorou até agora.


CRÉDITO MAIS BARATO – Após a MP do crédito consignado privado, publicada no Diário Oficial da União no final da tarde, os bancos se preparam para oferecer o novo serviço já na próxima semana. Grandes instituições e fintechs já têm até a data: 21 de março.


… A ideia é estimular a troca de linhas de crédito mais caras pela nova operação, que deve ter juros menores que os do crédito pessoal.


… Na primeira etapa, a oferta do produto será exclusivamente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, com uma espécie de “shopping” virtual em que os bancos habilitados oferecerão ao trabalhador opções de consignado privado.


… A partir do dia 25 de abril, a oferta será estendida para os canais próprios das instituições, tanto online quanto físicos e, em 6 de junho, passa a ser permitida a portabilidade, que é a transferência da dívida de uma instituição para a outra.


… O diretor Comercial e de Produtos do banco Pan, Alex Sander Gonçalves, disse à Agência Estado que o produto deve atingir velocidade de cruzeiro ao longo do segundo semestre. Ele prevê que a carteira total pode se aproximar dos R$ 200 bilhões.


… Os bancos gostaram da medida, porque, apesar da margem menor com juros mais baixos, os riscos também são menores.


… Levantamento do BTG indicou que os juros do consignado privado devem ficar em 2,89% ao mês, em média, contra 1,8% no consignado para funcionários públicos e o teto de 1,66% no empréstimo voltado ao público do INSS.


MAIS AGENDA – A mediana das estimativas apurada em pesquisa Broadcast indica queda de 0,10% para o volume de serviços prestados em janeiro, na margem, após queda de 0,50% em dezembro. As estimativas variam de retração de 1,0% a expansão de 1,6%.


… Confirmadas as projeções, será a terceira variação negativa consecutiva. Os dados serão divulgados às 9h pelo IBGE.


… Um pouco antes, às 8h30, o BC divulgará a nota de crédito e política monetária de janeiro.


… Haddad faz hoje (11h) a primeira reunião com Gleisi desde que ela assumiu a SRI.


… Entre os balanços, depois do fechamento, saem Magalu, Natura, LWSA, Prio, Eletrobras, Eztec e Vittia.


LÁ FORA – A inflação ao produtor (PPI) dos EUA deve desacelerar para 0,3% em fevereiro, contra 0,4% em janeiro. Na base anualizada, a previsão para o indicador cheio é de queda para 3,3%, de 3,5% no mês anterior.


… Já o núcleo deve permanecer em 0,30% na margem, mas perder ritmo no intervalo anual, de 3,6% para 3,5%.


… Também às 9h30, sai o auxílio-desemprego, que tem estimativa de alta de 5 mil pedidos, para 226 mil.


… O dia tem ainda produção industrial de janeiro na zona do euro (7h) e relatório de petróleo da AIE (6h).


… O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, vai se reunir o primeiro-ministro da província canadense de Ontário, Doug Ford, e diz que pretende “baixar a temperatura”, mas antecipou taxação sobre o cobre.


AFTER HOURS – Concorrente da Nvidia, a Intel disparou 10,42% no pregão estendido, depois da escolha do conselheiro da empresa Lip-Bu Tan como novo CEO, em meio aos desafios do avanço da inteligência artificial.


PRIMEIRA BAIXA – Depois de Michael Barr ter renunciado no início deste ano ao cargo de vice-presidente de supervisão do Fed, para evitar bater de frente com Trump, a Bloomberg informou que a dirigente Michelle Bowman deve assumir.


RÚSSIA – O representante do governo americano Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, viajará no fim de semana para Moscou, onde espera fechar o acordo de um cessar-fogo temporário (30 dias) com a Ucrânia.


… Após ter pressionado Zelensky para aceitar a proposta, o desafio de Trump é conseguir o apoio de Putin.


… Nesta 4ªF, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que é importante não “adiantar” a questão da resposta ao cessar-fogo e que Moscou está aguardando “informações detalhadas” dos EUA antes de tomar uma posição.


NÃO EXISTE MATEMÁGICA – O vazamento no meio da tarde da informação de que o governo Lula faria o corte de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família causou otimismo imediato, logo esgotado pelo choque de realidade.


… Olhando mais a fundo, o investidor descobriu sobre o aumento de R$ 8 bilhões nos gastos com Previdência, que vai zerar o alívio na redução das despesas com o programa social. Além disso, o Pé-de-Meia não foi incluído.


… Na primeira reação, o DI emplacou queda firme e o dólar furou R$ 5,80 com a inclinação à responsabilidade fiscal, mas não demorou para cair a ficha no mercado doméstico de que o ajuste é pouco ou nada convincente.


… Os juros futuros curtos reduziram a intensidade de queda e foram se proteger na estabilidade, enquanto os longos registraram alta moderada, em linha com as taxas dos Treasuries, que monitoram a guerra comercial.


… No fechamento, o DI para Jan/26 marcava 14,700% (contra 14,720% no pregão anterior); Jan/27, 14,565% (de 14,535%); Jan/29, 14,545% (de 14,480%); Jan/31, 14,710% (de 14,590%); e Jan/33, 14,720% (de 14,600%).


… No noticiário da inflação, o IPCA de fevereiro (+1,31%) veio dentro do script (mediana de 1,32%), mas o núcleo dos serviços acelerou (0,78% para 0,82%), elevando a expectativa sobre o comunicado do Copom na semana que vem.


… Nos EUA, o CPI de fevereiro (+0,2%) veio pouco abaixo do esperado (+0,3%), ainda sem grandes sinais de influência da disputa tarifária deflagrada por Trump. Mas analistas não se iludem: o impacto virá em breve.


… Assim, o espaço para o Fed realizar três cortes no juro este ano, de 25pb cada, poderá ser colocado à prova, até porque, entre o fantasma da recessão e a briga contra a inflação, o BC americano já escolheu o seu lado.


… Amplificando os riscos inflacionários da escalada protecionista, o juro da Note de 2 anos avançou para 3,999%, contra 3,937% no dia anterior, e o rendimento do título de 10 anos subiu para 4,316%, de 4,276%.


… Na mesma onda, no câmbio, o índice DXY registrou alta de 0,28%, para 103,575 pontos, derrubando o euro para US$ 1,0899 (-0,18%), embora a moeda comum ainda esteja 1,5% valorizada contra a divisa americana.


… O iene caiu a 148,36/US$ e a libra exibiu instabilidade, mas acabou fechando em alta de 0,17%, a US$ 1,2973.


… Aqui, durou pouco a percepção de menor risco fiscal no Orçamento, levando o dólar à vista a abandonar a mínima de R$ 5,7857, recobrar uma dose de cautela e fechar praticamente estável (-0,05%), cotado a R$ 5,8088.


… O início da taxação generalizada dos EUA para o aço e alumínio, com o Brasil incluído na lista, derrubou Vale (ON, -1,25%, a R$ 53,76). Mas o Ibov escapou em alta de 0,29%, a 123.866,39 pontos, com giro de R$ 18,1 bilhões.


… Petrobras e os bancos evitaram a terceira queda seguida da bolsa. No setor financeiro, só BB caiu (-0,41%, a R$ 27,05). Itaú PN subiu 0,31%, a R$ 32,70; Bradesco ON, +0,48% (R$ 10,56); e Bradesco PN estável, a R$ 11,45.


… Petrobras se segurou (ON, +0,36%, a R$ 36,71; e PN, estável, a R$ 34,10), embora sem o mesmo fôlego do petróleo. O Brent/maio ganhou 2%, a US$ 70,95, respondendo à forte queda dos estoques de gasolina nos EUA.


… Em Wall Street, só o Nasdaq se destacou: +1,22% (17.648,45 pontos), com o rali da Tesla (+7,60%). Já o S&P 500 limitou a alta a 0,49% (5.599,30 pontos) e o Dow Jones caiu 0,20% (41.350,93 pontos), de olho em Trump.


EM TEMPO… Ibama deu três meses, até 11/6, para PETROBRAS concluir limpeza do casco do navio-sonda escolhido para eventual exploração de reserva de petróleo na Foz do Amazonas…


… O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, disse que a autorização para a limpeza de corais do casco da embarcação não é um primeiro passo para que o órgão libere a exploração de petróleo na Margem Equatorial.


B3 obteve vitória no Carf sobre ágio na incorporação da Bovespa. Foi cancelado definitivamente o auto de infração da Receita que questionou a amortização do ágio nos exercícios de 2014, 2015 e 2016.


CSN teve prejuízo líquido de R$ 85 milhões no 4Tri de 2024, revertendo o lucro líquido de R$ 851 milhões no mesmo período de 2023. A receita líquida aumentou 0,2% no período, de R$ 12,005 bilhões para R$ 12,026 bi…


… O Ebitda ajustado ficou em R$ 3,335 bilhões nos últimos três meses do ano passado, queda de 8%.


CASAS BAHIA reduziu prejuízo em 54,8% no 4Tri24 contra um ano antes, para R$ 452 milhões. O Ebitda ajustado somou R$ 640 milhões, salto de 300% na base anualizada. A receita líquida foi de R$ 7,9 bilhões (+7,6%).


COGNA reverteu prejuízo do 4Tri23  e teve lucro líquido de R$ 925,8 milhões no 4Tri24. O Ebitda subiu 87,7%, para R$ 1,003 bilhão, e a receita líquida cresceu 13,2%, para R$ 2,160 bilhão.


TENDA reverteu prejuízo e teve lucro líquido consolidado de R$ 21,3 milhões no 4Tri. O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 130,7 milhões, salto de 147% contra um ano antes…


… A receita líquida consolidada alcançou R$ 850,6 milhões, avanço anual de 12,7%.


DEXCO registrou lucro líquido de R$ 22,365 milhões no 4Tri24, queda de 88,6% contra um ano antes. O Ebitda ajustado somou R$ 371,737 milhões, recuo de 8,1%. A receita líquida totalizou R$ 2,064 bilhões, alta de 5,9%…


… O conselho aprovou o pagamento de R$ 6 mi em dividendos, o equivalente a R$ 0,007 por ação; ex dia 18.


SLC AGRÍCOLA reduziu prejuízo em 66,4% no 4Tri24, a R$ 51,35 mi. Ebitda ajustado caiu 9,2%, a R$ 611,156 mi.


COSAN aprovou a 12ª emissão de debêntures, no valor de R$ 2,5 bilhões.


RAÍZEN anunciou que pagará R$ 103,487 milhões em dividendos aos seus acionistas no próximo dia 28. Com isso, a Cosan, que detém 44% de participação, receberá R$ 45,6 milhões de sua controlada, informa o Valor.


CCR. O tráfego total de veículos nas concessões rodoviárias cresceu 0,5% em fevereiro contra mesmo mês/24.


COPASA. O conselho de administração aprovou o início da contratação de operação de mercado de capitais da 20ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de até R$ 900 milhões.


AEGEA. O conselho de administração aprovou a 21ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, para distribuição pública, em série única, no valor de R$ 720 milhões.


ENERGISA MATO GROSSO fará 23ª emissão de debêntures, no valor de R$ 800 milhões.


ENERGISA PARAÍBA fará 16ª emissão de debêntures, no valor de até R$ 200 milhões.


RIO TINTO. JPMorgan Chase adquiriu participação de 5,36% na mineradora australiana, segundo a Reuters. O banco de investimentos se torna o segundo maior acionista, depois do Vanguard Group, que tem 6,02%.

quarta-feira, 12 de março de 2025

Fabio Alves

 O euro já subiu ao redor de 5% em relação ao dólar apenas nos primeiros doze dias de março, mas há muitos analistas apostando que o ganho da moeda do bloco europeu ainda vai longe diante da crise de confiança nos Estados Unidos com a errática política econômica do presidente Donald Trump. No fim da sessão de negócios ontem em Nova York, o euro estava sendo negociado no patamar de US$ 1,09. Mas não são poucos os que projetam agora um euro bem mais forte ante o dólar no fim de 2025. Nas novas projeções de Athanasios Vamvakidis e de Michalis Rousakis, analistas de câmbio do Bank of America (BofA), o euro deve terminar 2025 cotado a US$ 1,15 (em comparação com a estimativa anterior de US$ 1,10). Para o fim de 2026, os analistas do BofA preveem um euro a US$ 1,20 (ante US$ 1,15 anteriormente). Obviamente, as projeções antigas do BofA já estavam no campo mais otimista em relação ao euro, mas agora mais e mais analistas estão migrando para uma visão de um euro fortalecido ao longo deste ano. Isso porque o outro lado da questão é a virada na Alemanha e na União Europeia como um todo para acabar com as restrições fiscais para gastos com defesa e para impulsionar os investimentos em infraestrutura. Com isso, não somente é esperado um dilúvio de emissões de dívida pública na Alemanha para financiar esses gastos, como também uma taxa mais acelerada de crescimento econômico com a injeção desses estímulos. A conclusão de muitos analistas é: adeus ao chamado “excepcionalismo americano”, isto é, a tese de um desempenho superior da economia dos EUA, além dos ativos americanos, sobre outras regiões do mundo, como a zona do euro, a China e o Japão. Nos últimos dias, com a queda nos índices de confiança dos consumidores e nas sondagens de sentimento de empresários, muitos analistas vêm revisando para baixo suas estimativas de crescimento do PIB dos EUA não somente para o primeiro trimestre deste ano, como também para o ano inteiro de 2025, a exemplo do banco Goldman Sachs, que cortou sua projeção do PIB americano na média de 2025 de 2,4% para 1,7%. “A quebra das posições ['trade'] do excepcionalismo dos EUA, num momento em que a Alemanha e a China estão anunciado estímulos, é um catalisador perfeito para moedas subvalorizadas voltarem a ganhar terreno”, argumentam Andrea Cicione e Daniel Von Ahlen. “Moedas cíclicas com um ‘carry’ positivo e bancos centrais com postura ainda ‘hawkish’ terão mais espaço para se apreciarem ante o dólar.” Na opinião dos estrategistas de câmbio do banco Société Générale, o iene japonês e o euro assumiram o bastão de refúgio ao risco em meio ao ambiente de maior nervosismo dos investidores sobre o impacto das medidas de Trump, especialmente na adoção de tarifas de importação, na economia americana, resultando em possível recessão. Segundo os estrategistas do Société Générale, o próximo catalisador para uma valorização do euro ante o dólar será a votação da proposta do novo chanceler alemão Friedrich Merz para afrouxar o chamado “debt brake” e reformar as regras fiscais do país. Essa votação tem o prazo final no dia 25 deste mês. E, se a proposta for aprovada, o euro ganhará novo impulso ante o dólar. Assim, os investidores devem acompanhar com uma lupa as próximas divulgações de indicadores de atividade e sondagens de sentimento empresarial e do consumidor nos EUA. Quaisquer surpresas para baixo, azedando o humor dos investidores, poderão servir de pressão de baixa sobre o dólar e maior suporte ao euro. Por outro lado, surpresas para cima na inflação dos EUA poderão aumentar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) não corte tanto os juros neste ano como o precificado atualmente, o que favorece o dólar. Todavia, o cenário atual favorece o euro ante o dólar. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

Bankinter Portugal Matinal 1203

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Temos algo mau e algo bom. O mau: Trump ameaça subir impostos alfandegários ao Canadá (aço e alumínio) desde 25% até 50% como represália à resposta do Canadá aos impostos alfandegários americanos anteriores. E Europa também aplica represálias. É o tipo de escalada perigosa que empobrece todas as partes e termina por afetar o ciclo económico. Por agora, são ameaças reciprocas e não medidas adotadas, mas, sem dúvida, a ameaça de aprofundar numa espiral de medidas deteriora o sentimento do mercado.


O bom, pelo menos aparentemente e para a sessão de hoje: Ucrânia aceita um cessar-fogo de 30 dias forçado pelos EUA (que, em troca, restaura o fluxo de informação de inteligência) e agora Rússia deve pronunciar-se, talvez ao longo desta semana. Isso deverá reduzir o prémio de risco percebido (já veremos se o real) para a sessão de HOJE, que deverá subir um pouco, embora desconfiadamente, apoiada nisso e após 2 sessões consecutivas em queda significativa (Nova Iorque -0,8% e -2,7%; Europa -1,4% e -1,5%). Mas deveremos interpretá-lo mais como um descanso nas quedas do que uma mudança de sinal significativa. Porque… se a redução do prémio de risco geoestratégico depende da palavra de Putin, o que poderá correr mal? O mais provável é a mudança geoestratégica americana, de branquear, de o encorajar e de avançar militarmente com tudo o que lhe resta, apesar de ao longo deste ano Rússia ter começado a ter défice de armamento e homens: em 2023, perdeu 3000 blindados, 5100 em 2024 e produz 4.300/ano, portanto entra em défice e consumiu já quase todo o stock herdado da URSS. Por isso, a mudança de estratégia americana está a salvar mais a Rússia do que a Ucrânia.


No plano técnico, ontem, nos EUA, saíram JOLTS (empregos disponíveis) bastante bons (7,74M vs. 7,60M esperados vs. 7,51M anterior), mas os resultados de emprego são indicadores atrasados, portanto não podem indicar nada por adiantado, mas “certificam” o que já se sabe que acontece. Os liberais do partido Demokraatit, que defende a secessão de Dinamarca de forma não imediata nem agressiva, ganhou as eleições na Gronelândia, portanto parece que não facilitará a vida a Trump. Os resultados publicados hoje cedo de Inditex, Rheinmetall e Porsche não dececionam, mas tampouco são brilhantes. Às 12:30 h, sairá a inflação americana, espera-se que retroceda 1 décima até +2,9%; e às 13:45 h, Canadá baixará taxas de juros em -25 p.b. até 2,75%. Ambos os desenvolvimentos estão 100% descontados, o que significa que, como a inflação americana não retrocede, então a sessão terá um problema. E isso não é improvável. Depois de isto no dia de hoje, amanhã há o debate interno na Alemanha (Bundestag) sobre o superinvestimento em defesa, infraestruturas e limite da dívida, a toda a pressa antes de que, no dia 25, se constituam as novas câmaras com base nos resultados das eleições (o que suscita uma validade moral que não é negligenciável), e da Confiança da Universidade de Michigan, na sexta-feira, provavelmente já um pouco afetada por um contexto cada vez mais confuso (63,1 vs. 64,7). Este indicador é adiantado e, por isso, deveremos analisá-lo com muito cuidado.


CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Intenção de subida, mas ontem também e o golpe foi histórico em alguns momentos, até melhorar quando foi anunciado o cessar-fogo aceite por Ucrânia. Iremos às cegas devido à confusão sobre os impostos alfandegários e às represálias associadas, pelo menos até à inflação americana (12 h), que tem o seu risco. Logo, o tom dependerá de como Rússia responder ao cessar-fogo forçado pelos EUA, mas não será algo imediato. Levará o seu tempo e mentirá a todos, portanto resta ver a reação de Trump quando isso acontecer. A realidade tangível é que as yields das obrigações europeias se elevam e isso não é bom, é mau para as bolsas. Cada vez que tenham aspeto de subir, é melhor desconfiar. Agora, quem afirmar que sabe algo fiável, ou mente ou sobrestima-se. Ninguém sabe quase nada. Por isso, insistimos: cuidado.


S&P500 -0,8% Nq-100 -0,3% SOX -0,7% ES-50 -1,4% IBEX -1,6% VIX 26,9 Bund 2,91% T-Note 4,26% Spread 2A-10A

USA=+34pb B10A: ESP 3,52% PT 3,39% FRA 3,59% ITA 3,95% Euribor 12m 2,449% (fut.2,385%) USD 1,090 JPY 161,5 Ouro 2.913$ Brent 69,7$ WTI 66,4$ Bitcoin +1,7% (81.682$) Ether -1,5% (1.865$).


FIM

Vai rolar 1203

 Vai rolar: Inflação na mira hoje nos EUA e aqui

[12/03/25] A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo.


Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados.


Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado. (Rosa Riscala)


👉 Confira abaixo a agenda de hoje


Indicadores

▪️ Relatório mensal da Opep

▪️ 08h00 – FGV: Primeira prévia do IGP-M de março

▪️ 09h00 – IBGE: IPCA de fevereiro

▪️ 09h00 – BC: Dados da caderneta de poupança em fevereiro

▪️ 09h30 – EUA: Inflação (CPI) de fevereiro

▪️ 10h45 – Canadá anuncia decisão de política monetária

▪️ 11h30 – EUA: Estoques de petróleo do DoE

▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal

Eventos

▪️ 05h45 – Lagarde (BCE) discursa na Universidade de Frankfurt

▪️ 11h00 – Lula e Haddad participam de cerimônia de lançamento do novo consignado privado

Balanços

▪️ Brasil/Depois do fechamento: Casas Bahia, Cogna, CSN, CSN Mineração, Dexco, SLC Agrícola e Tenda

BDM Matinal Riscala 1203

 *Rosa Riscala: Inflação é destaque nos EUA e no Brasil*


… A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo. Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados. Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado.


… A expectativa do governo é colocar no ar a plataforma de oferta do produto dentro de cinco dias após a regulamentação por um comitê formado pelos Ministérios da Fazenda, do Trabalho e da Casa Civil.


… Haddad está empenhado nessa pauta, que colocará mais dinheiro nas mãos do consumidor, e estará presente à cerimônia (11h), no Palácio do Planalto. Mais cedo (9h30), ele receberá o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Pollo de Mello Lopes.


… Ainda nesta semana, o ministro confirmou que a Medida Provisória seria enviada nos próximos dias ao Congresso, seguida pelo projeto de lei que ampla a isenção do Imposto de Renda para a faixa de quem ganha até R$ 5 mil mensais.


… De outros temas, como o ajuste do Orçamento para incluir os recursos dos programas Pé de Meia e do Vale-Gás, não se têm notícia.


… O relator do Orçamento/2025, Angelo Coronel (PSD), disse ontem que ainda aguarda uma resposta do governo sobre o remanejamento na peça orçamentária. O Pé de Meia terá um custo de R$ 12 bilhões e o Vale-Gás, de R$ 3,5 bilhões.


… O auxílio para a compra de gás, que Lula quer dar para 22 milhões de famílias, tem previsto apenas R$ 600 milhões no Orçamento.


… O TCU decidiu, em fevereiro, liberar R$ 6 bilhões do Pé de Meia que haviam sido bloqueados, mas deu 120 dias para o governo incluir as despesas no Orçamento. “O governo precisa dizer onde deverá ser cortado para atender aos programas sociais”, disse o relator.


… Outra pendência do Orçamento envolve a inclusão de recursos marcados como “restos a pagar” – principalmente das obras iniciadas e paralisadas, que não têm até agora um valor definido, porque são referentes a vários exercícios.


… Angelo Coronel se reunirá hoje no final da tarde com a ministra Gleisi Hoffman (Relações Institucionais) para tratar desses ajustes, além das emendas parlamentares – pivô do imbróglio com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.


… Espera-se a votação do texto na 3ªF, 18, na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e na quarta, 19, no Congresso.


IPCA – Após uma alta pequena de 0,16% em janeiro, a inflação de fevereiro deve acelerar para 1,32%, na mediana de pesquisa Broadcast, com o índice em 12 meses rompendo os 5%. As projeções para esta leitura variam de 1,23% a 1,46%.


… A devolução do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica deve contribuir para a aceleração do IPCA em fevereiro, somada à pressão altista dos alimentos e ao aumento do ICMS sobre combustíveis, de acordo com economistas do mercado.


… Embora a perspectiva seja de desaceleração para Alimentação e bebidas (0,96% em janeiro) e Transportes (1,30%), esses grupos devem se manter pressionados com o aumento no preço dos ovos e do café, e a alta prevista para a gasolina.


… Os dados abertos, no entanto, podem ser positivos.


… A média dos núcleos do IPCA deverá repetir a mesma variação de janeiro (0,61% na mediana), com desaceleração para os preços livres (0,75% para 0,71%), alimentação no domicílio (1,07% a 0,85%), serviços (0,78% a 0,75%) e serviços subjacentes (0,86% a 0,64%).


… Há, por outro lado, expectativa de aceleração nos preços administrados (-1,52% para 3,09%) e bens industriais (0,45% para 0,54%).


… Nesta 3ªF, a produção industrial abaixo do esperado (ficou estável em janeiro, quando o consenso era de +0,40%) reforçou a avaliação de que a economia entrou em desaceleração, o que apoiou a queda dos juros e a precificação de uma Selic de 15% (leia abaixo).


CRISE DOS ALIMENTOS – Na Folha, o governo quer comprar alimento com valor até 30% acima do preço mínimo como forma de aumentar os estoques estratégicos pela Conab, controlar a especulação e baixar a inflação.


… É mais um capítulo da ofensiva de Lula para reverter o cenário político e recuperar a sua popularidade.


CPI – Nos EUA, o índice de inflação ao consumidor, que será divulgado meia hora depois, deve desacelerar ante janeiro, com o CPI cheio registrando 0,3% em fevereiro (de 0,5%) e 2,9% na base anual (de 3% no mês anterior).


… Mais olhado pelo Fed, o núcleo tem previsão de desaceleração mais leve, para 0,3% (de 0,4%) e 3,2% na base anual (de 3,3%).


… Se não houver surpresas, os números podem confirmar as expectativas majoritárias de uma redução total de 75pbs do juro neste ano, com o primeiro corte ocorrendo em maio ou junho. Já se o resultado vier mais alto, pode garantir estresse para os negócios.


… O atual sentimento de aversão ao risco antecipa um impacto das tarifas de Trump para a inflação dos EUA, ao mesmo tempo que essa perspectiva projeta o risco de uma recessão, com os consumidores e empresas na defensiva.


… Nesta 3ªF, apenas um dia depois de admitir uma possível recessão no período de “transição”, o presidente Trump disse ontem que está “muito otimista” com as perspectivas para a economia americana e previu que ela “vai bombar”.


… Segundo a Reuters, mais de 100 CEOs de grandes empresas dos EUA, como a Apple, o JPMorgan e Walmart, teriam enquadrado Trump durante reunião do Business Roundtable para convencê-lo a abandonar o seu plano de tarifas.


… Foi nesse encontro também que Trump elogiou Elon Musk e disse que sua meta é economizar US$ 1 trilhão com gastos do governo.


MAIS AGENDA – Antes do IPCA, sai a primeira prévia da inflação de março medida pelo IGP-M (8h). O BC divulga os dados da caderneta de poupança de fevereiro (9h), além do resultado semanal do fluxo cambial (14h30).   


… Galípolo e os diretores do BC entram a partir de hoje no período de silêncio do Copom, que semana que vem subirá o juro em mais 1pp, a 14,25%. A expectativa é se o comunicado confirmará um ciclo de alta mais curto.


BALANÇOS – Após o fechamento, saem CSN, CSN Mineração, Casas Bahia, Cogna, Dexco, SLC Agrícola e Tenda.


LÁ FORA – Lagarde (BCE) abre o dia (5h45) com um discurso na Universidade de Frankfurt. O petróleo confere o relatório mensal da Opep (sem horário confirmado) e os estoques do DoE (11h30). Canadá decide juro às 10h45.


… Ontem à noite, Câmara dos EUA aprovou, por margem apertada (217 votos a 213) a proposta para evitar um shutdown no sábado e financiar o governo até setembro. O placar prepara o caminho para o embate no Senado.


BIPOLAR – Decretado o fim da lua de mel do mercado com Trump, as bolsas em NY estenderam as perdas, mesmo no day after de um sell off, com os sinais trocados do republicano, que arma uma confusão por dia.


… Horas após ter dito que dobraria as tarifas sobre o aço e alumínio do Canadá para 50%, ele indicou que desistiria da ideia, o que se confirmou oficialmente mais tarde, condenando os negócios a picos de volatilidade.


… Trump continua um trem desgovernado, tratorando os investidores na obsessão pela guerra comercial.


… Também está difícil de arrancar dele uma perspectiva confiável sobre a economia dos EUA no futuro próximo. Como se viu, menos de 48h depois de não ter descartado uma recessão, disse que o país “vai bombar”.


… O mercado tolera muita coisa, mas não está gostando nada de operar sobre esta total imprevisibilidade. As fortes oscilações ontem em Wall St estão aí para provar que tem muita gente perdida em combate e no escuro.


… Em NY, a bolsas começaram o dia ampliando o tombo da véspera, depois ensaiaram uma recuperação com o cessar-fogo temporário na Ucrânia, mas pioraram de novo na reta final com o fantasma da recessão rondando.


… A Delta (-7,25%) reforçou este medo ao cortar pela metade suas previsões de resultados para o 1Tri. O Nasdaq virou para queda nos minutos finais: 0,18%, a 17.436,10 pontos, depois de ter derretido 4% na véspera.


… O Dow Jones, que havia afundado quase 900 pontos no pregão anterior, caiu mais 1,14%, a 41.433,48 pontos. Também o S&P 500 aprofundou as perdas e terminou a sessão desta 3ªF em queda de 0,76%, a 5.572,07 pontos.


… Preocupado com as idas e vindas do tarifaço, o Ibovespa fechou em baixa de 0,81%, aos 123.507,35 pontos, com giro de R$ 19,3 bilhões. Entre as ações de blue chips, Vale ON (+0,83%, a R$ 54,44) conseguiu se recuperar.


… Mas Petrobras e os grandes bancos seguiram no vermelho. Itaú PN perdeu 0,88%, a R$ 32,60; Bradesco PN caiu 0,61%, a R$ 11,45; Bradesco ON, -1,04%, a R$ 10,51; BB ON, -0,89%; e Santander unit, -2,11%.


… Petrobras PN registrou desvalorização de 1,50%, a R$ 34,10, e o papel ON recuou 2,06%, a R$ 36,58, descolados do petróleo, que subiu, mas teve a alta limitada pela expectativa de acordo de paz na Ucrânia.


… Zelensky concordou em aceitar a proposta do governo de Washington por um cessar-fogo imediato de 30 dias, dependendo agora apenas de a Rússia concordar com os termos do acordo intermediado pelos EUA.  


… A Ucrânia também aceitou concluir o acordo sobre minerais raros com os EUA o mais rápido possível.


… O barril do Brent para maio exibiu ganhos moderados, de 0,40%, cotado a US$ 69,56 na ICE londrina.


… A esperança de paz na Ucrânia reduziu o apelo defensivo pelos Treasuries, sustentando os juros. A taxa da Note de 2 anos avançou para 3,937%, contra 3,896% na véspera, e a de 10 anos subiu para 4,276%, de 4,221%.


… Mas aqui a curva do DI devolveu prêmio com os sinais renovados de esfriamento da atividade doméstica (a produção industrial não cresceu pelo terceiro mês consecutivo), o que pode impor teto de 15% à Selic.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 caía para 14,720% (de 14,780% no pregão anterior); Jan/27, a 14,535% (14,675%); Jan/29, a 14,480% (14,635%); Jan/31, a 14,590% (14,760%); e Jan/33, a 14,600% (14,750%).


… O alívio no câmbio contribuiu para desarmar a percepção de risco nos juros futuros. O cessar-fogo à vista e o sinal de Trump de que voltaria atrás na tarifa dobrada sobre aço e alumínio do Canadá esvaziaram a pressão.


… No desmonte de posições defensivas, o índice DXY caiu 0,58%, aos 103,456 pontos. Entre as moedas fortes, o iene (147,82/US$) realizou lucro. Já o euro (+0,78%; US$ 1,0931) e a libra (+0,56%; US$ 1,2960) subiram.


… Aqui, o real se recuperou, com o dólar à vista em baixa de 0,69%, negociado a R$ 5,8117.


… A equipe econômica da XP traça três cenários para o câmbio: no melhor, o dólar cairia a R$ 5,40, se Trump pegar mais leve, o Fed cortar o juro e o governo Lula promover uma nova rodada de medidas de ajuste fiscal.


… O cenário base, porém, é de dólar a R$ 5,90, diante da perspectiva de menor crescimento econômico com a guerra comercial, maior aversão ao risco e postura mais rígida do Fed, sem nenhuma flexibilização monetária.


… Na pior hipótese, calcula a XP, a moeda americana escalaria até R$ 6,45, no caso de o protecionismo pegar tão pesado nos EUA e pressionar a inflação a tal ponto, que levantaria a lebre de uma alta do juro pelo Fed.


… Este quadro de maior pessimismo também embutiria uma deterioração da situação fiscal no Brasil.


EM TEMPO… AZZAS 2154 registrou lucro de R$ 168,9 milhões no 4Tri, queda de 35,8% em um ano. O Ebitda recorrente totalizou R$ 519,2 milhões, alta de 4,1%, e a receita líquida avançou 13,4%, a R$ 3,403 bi.


CURY apresentou lucro líquido de R$ 165,8 milhões no 4Tri de 2024, alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2023. Já no acumulado do ano inteiro de 2024, o lucro líquido alcançou R$ 649,8 milhões, avanço de 34,9% perante 2023…


… O Ebitda ajustado somou R$ 238,5 milhões no 4Tri (+23,9%) e a receita líquida foi de R$ 1,035 bilhão no trimestre (+27,5%)…


… A Cury está planejando mais um ano de crescimento pela frente, como resultado da demanda aquecida de compradores de imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e das mudanças nos planos diretores de São Paulo e do Rio de Janeiro.


BANRISUL. Aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$ 90 milhões, sendo que o valor bruto unitário por tipo e classe de ação será de R$ 0,22006263 por ação ON, R$ 0,22006263 por ação PNA e R$ 0,22006263 por ação PNB…


… Ações passam a ser negociadas “ex-direito” a partir do dia 17. O pagamento ocorrerá em 26 de março.


RAÍZEN. Dívida atingiu seu pior patamar desde que a empresa abriu capital, em 2021, aponta levantamento da Elos Ayta (Folha)…


… A dívida bruta atingiu no 4Tri R$ 64,7 bilhões e a dívida líquida, R$ 54,8 bilhões.


GERDAU. Confirmou, por meio de nota, a intenção de adquirir o centro de serviços pertencente à Kloeckner Metals, em Araucária (PR).


CEMIG. Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o governo anterior cometeu um erro ao privatizar a Eletrobras e que, portanto, o mesmo erro não poderia ser feito com a Cemig. Em fala na presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema…


… Silveira deu a entender que a Cemig poderia ser usada como ativo para mitigar a dívida do Estado com a União, e não ser privatizada.


PETROBRAS. STJ decidiu nesta 3ªF dar parcial provimento a um recurso da empresa, que quer seguir com uma ação de improbidade administrativa para que as construtoras envolvidas com a Lava-Jato indenizem a petroleira por danos morais.


MARFRIG. Conselho de administração anunciou que fará a 19ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em até cinco séries, para colocação privada, da companhia, no valor de R$ 1,875 bilhão.


PAGUE MENOS. Concluído o ciclo de integração com a Extrafarma, a empresa planeja este ano pisar no acelerador das inaugurações, seguir com o plano de conversão da bandeira e focar na redução da alavancagem (Broadcast).


HYPERA. Um novo acordo de acionistas envolvendo Votorantim, o sócio fundador da Hypera, José Alves de Queiroz Filho, e o fundo Maiorem, que representa investidores mexicanos, deve ser anunciado antes da assembleia de acionistas em abril.


CASAS BAHIA. A ação disparou misteriosamente nos últimos dias, sem qualquer notícia relevante, boato ou alguma especulação sobre seu balanço do 4Tri, alguma expectativa de forte crescimento do faturamento neste ano, ou mesmo de venda da companhia…


… Questionada pela CVM, a Casas Bahia informou desconhecer qualquer razão para a alta das ações. Hoje, os papéis ON fecharam em alta de 10,87%, a R$ 5,20, acumulando o incrível ganho de 95,8% em apenas 5 pregões de março…


… Analistas atribuíram a disparada a um “short squeeze”, uma vez que 25% do seu “free float” está em posições vendidas.


… Porém, à noite surgiu um comunicado bastante revelador: Rafael Ferri acumulou fatia equivalente a 5,11% do capital das Casas Bahia, seja diretamente na pessoa física, ou por meio de empresas controladas por ele ou com derivativos.


… Quem está há menos de 15 anos no mercado talvez não conheça Ferri. Mas basta “dar um Google” e procurar por “bolha do alicate”.


AMERICANAS. Deu início ao procedimento arbitral para condenação dos ex-diretores Miguel Gomes Pereira Sarmiento Gutierrez, Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles…


… Segundo comunicado, a Americanas “buscará ser integralmente ressarcida dos danos materiais e imateriais sofridos em decorrência dos atos ilícitos praticados, e que serão ainda detalhadamente apresentados durante a tramitação do procedimento”.

terça-feira, 11 de março de 2025

Fundo Verde

 Fundo Verde reduz riscos de maneira 'significativa' e zera parte das alocações em bolsas


Por Bruna Camargo


São Paulo, 10/03/2025 - O fundo Verde, da gestora que tem como sócio-fundador Luis Stuhlberger, fez algumas movimentações durante o mês de fevereiro para diminuir seu perfil de risco “de maneira significativa”. Uma das medidas foi a zeragem de boa parte de suas alocações líquidas em ações, tanto no mercado local quanto global, segundo a carta mensal da Verde, divulgada há pouco.


“O grau de incerteza sobre o cenário global subiu notadamente ao longo do mês de fevereiro. Temos comentado sobre a questão ruído versus sinal desde a eleição do presidente [americano Donald] Trump, mas neste mês o volume de ruído foi elevado de maneira significativa, e veio acompanhado de sinais preocupantes. O desafio de rearranjar o sistema geopolítico global não é tarefa simples, e o uso de medidas tarifárias para alcançá-lo subestima uma série de complexidades da estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos quarenta anos”, avalia a equipe de gestão da Verde.


Segundo a carta da gestora, o grau de incerteza em relação à economia americana tem subido, acompanhado de “uma curiosa narrativa do governo de ser necessário um período de ‘desintoxicação’ dos agentes econômicos”. “Os mercados têm lido essa narrativa como um perigoso convite a uma recessão, e não por acaso vimos taxas de juros cadentes ao longo do mês, combinadas com quedas dos principais índices de ações”, descreve.


Além disso, a Verde observa que, após uma série de declarações sinalizando o abandono do apoio americano à Ucrânia, os países europeus “finalmente perceberam a necessidade de iniciar um pacote importante de gastos de defesa”, o que levou o dólar a um enfraquecimento nas últimas semanas. Para a gestora, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para seu governo - como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações -  estão “sendo colocadas em xeque”. “Essa incerteza nos fez reduzir de maneira significativa os riscos do fundo”, diz a carta.


Eleições em pauta no Brasil


Já em relação ao Brasil, a Verde afirma que o País “continua sua deriva entre a influência dos mercados globais (que tem sido positiva, dada a fraqueza do dólar e rotação de fluxos para outros mercados que não os Estados Unidos) e os fundamentos locais”. Outro ponto destacado na carta como “grande novidade do mês” foi o enfraquecimento das métricas de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como uma antecipação da discussão eleitoral de 2026.


“Há algum tempo temos convicção que um trade eleitoral aconteceria no Brasil, seguindo a praxe dos últimos ciclos. No entanto, conforme o exemplo de outros mercados, esperávamos nos posicionar para tal movimento na segunda metade deste ano. A piora sensível dos indicadores do presidente, e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo, vide a recente reforma ministerial, antecipam as discussões. Ainda assim, com um custo de oportunidade tão alto, temos que ser cuidadosos em não nos posicionar cedo demais”, destaca a Verde.


Segundo a carta mensal, por ora a gestora tem se posicionado “de maneira cautelosa com viés negativo, mas atentos aos sinais e em busca de preços atrativos para mirar um horizonte mais longo”.


Resultado em fevereiro


Em fevereiro, o Verde FIC FIM apresentou alta de 0,55%, abaixo do indicador de referência, o CDI, que teve alta de 0,99%. No ano até agora, o fundo acumula valorização de 2,20%. O resultado do mês passado se deu pelos ganhos na estratégia de crédito e trading. Já as perdas vieram de cripto, inflação americana e bolsa global.


Contato: bruna.camargo@estadao.com


Broadcast+

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...