O euro já subiu ao redor de 5% em relação ao dólar apenas nos primeiros doze dias de março, mas há muitos analistas apostando que o ganho da moeda do bloco europeu ainda vai longe diante da crise de confiança nos Estados Unidos com a errática política econômica do presidente Donald Trump. No fim da sessão de negócios ontem em Nova York, o euro estava sendo negociado no patamar de US$ 1,09. Mas não são poucos os que projetam agora um euro bem mais forte ante o dólar no fim de 2025. Nas novas projeções de Athanasios Vamvakidis e de Michalis Rousakis, analistas de câmbio do Bank of America (BofA), o euro deve terminar 2025 cotado a US$ 1,15 (em comparação com a estimativa anterior de US$ 1,10). Para o fim de 2026, os analistas do BofA preveem um euro a US$ 1,20 (ante US$ 1,15 anteriormente). Obviamente, as projeções antigas do BofA já estavam no campo mais otimista em relação ao euro, mas agora mais e mais analistas estão migrando para uma visão de um euro fortalecido ao longo deste ano. Isso porque o outro lado da questão é a virada na Alemanha e na União Europeia como um todo para acabar com as restrições fiscais para gastos com defesa e para impulsionar os investimentos em infraestrutura. Com isso, não somente é esperado um dilúvio de emissões de dívida pública na Alemanha para financiar esses gastos, como também uma taxa mais acelerada de crescimento econômico com a injeção desses estímulos. A conclusão de muitos analistas é: adeus ao chamado “excepcionalismo americano”, isto é, a tese de um desempenho superior da economia dos EUA, além dos ativos americanos, sobre outras regiões do mundo, como a zona do euro, a China e o Japão. Nos últimos dias, com a queda nos índices de confiança dos consumidores e nas sondagens de sentimento de empresários, muitos analistas vêm revisando para baixo suas estimativas de crescimento do PIB dos EUA não somente para o primeiro trimestre deste ano, como também para o ano inteiro de 2025, a exemplo do banco Goldman Sachs, que cortou sua projeção do PIB americano na média de 2025 de 2,4% para 1,7%. “A quebra das posições ['trade'] do excepcionalismo dos EUA, num momento em que a Alemanha e a China estão anunciado estímulos, é um catalisador perfeito para moedas subvalorizadas voltarem a ganhar terreno”, argumentam Andrea Cicione e Daniel Von Ahlen. “Moedas cíclicas com um ‘carry’ positivo e bancos centrais com postura ainda ‘hawkish’ terão mais espaço para se apreciarem ante o dólar.” Na opinião dos estrategistas de câmbio do banco Société Générale, o iene japonês e o euro assumiram o bastão de refúgio ao risco em meio ao ambiente de maior nervosismo dos investidores sobre o impacto das medidas de Trump, especialmente na adoção de tarifas de importação, na economia americana, resultando em possível recessão. Segundo os estrategistas do Société Générale, o próximo catalisador para uma valorização do euro ante o dólar será a votação da proposta do novo chanceler alemão Friedrich Merz para afrouxar o chamado “debt brake” e reformar as regras fiscais do país. Essa votação tem o prazo final no dia 25 deste mês. E, se a proposta for aprovada, o euro ganhará novo impulso ante o dólar. Assim, os investidores devem acompanhar com uma lupa as próximas divulgações de indicadores de atividade e sondagens de sentimento empresarial e do consumidor nos EUA. Quaisquer surpresas para baixo, azedando o humor dos investidores, poderão servir de pressão de baixa sobre o dólar e maior suporte ao euro. Por outro lado, surpresas para cima na inflação dos EUA poderão aumentar as apostas de que o Federal Reserve (Fed) não corte tanto os juros neste ano como o precificado atualmente, o que favorece o dólar. Todavia, o cenário atual favorece o euro ante o dólar. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast
Sou Economista com dois mestrados, cursos de especialização e em Doutoramento. Meu objetivo é analisar a economia, no Brasil e no Mundo, tentar opinar sobre os principais debates da atualidade e manter sempre, na minha opinião essencial, a independência. Não pretendo me esconder em nenhum grupo teórico específico. Meu objetivo é discorrer sobre varios temas, buscando sempre ser realista.
quarta-feira, 12 de março de 2025
Bankinter Portugal Matinal 1203
Análise Bankinter Portugal
SESSÃO: Temos algo mau e algo bom. O mau: Trump ameaça subir impostos alfandegários ao Canadá (aço e alumínio) desde 25% até 50% como represália à resposta do Canadá aos impostos alfandegários americanos anteriores. E Europa também aplica represálias. É o tipo de escalada perigosa que empobrece todas as partes e termina por afetar o ciclo económico. Por agora, são ameaças reciprocas e não medidas adotadas, mas, sem dúvida, a ameaça de aprofundar numa espiral de medidas deteriora o sentimento do mercado.
O bom, pelo menos aparentemente e para a sessão de hoje: Ucrânia aceita um cessar-fogo de 30 dias forçado pelos EUA (que, em troca, restaura o fluxo de informação de inteligência) e agora Rússia deve pronunciar-se, talvez ao longo desta semana. Isso deverá reduzir o prémio de risco percebido (já veremos se o real) para a sessão de HOJE, que deverá subir um pouco, embora desconfiadamente, apoiada nisso e após 2 sessões consecutivas em queda significativa (Nova Iorque -0,8% e -2,7%; Europa -1,4% e -1,5%). Mas deveremos interpretá-lo mais como um descanso nas quedas do que uma mudança de sinal significativa. Porque… se a redução do prémio de risco geoestratégico depende da palavra de Putin, o que poderá correr mal? O mais provável é a mudança geoestratégica americana, de branquear, de o encorajar e de avançar militarmente com tudo o que lhe resta, apesar de ao longo deste ano Rússia ter começado a ter défice de armamento e homens: em 2023, perdeu 3000 blindados, 5100 em 2024 e produz 4.300/ano, portanto entra em défice e consumiu já quase todo o stock herdado da URSS. Por isso, a mudança de estratégia americana está a salvar mais a Rússia do que a Ucrânia.
No plano técnico, ontem, nos EUA, saíram JOLTS (empregos disponíveis) bastante bons (7,74M vs. 7,60M esperados vs. 7,51M anterior), mas os resultados de emprego são indicadores atrasados, portanto não podem indicar nada por adiantado, mas “certificam” o que já se sabe que acontece. Os liberais do partido Demokraatit, que defende a secessão de Dinamarca de forma não imediata nem agressiva, ganhou as eleições na Gronelândia, portanto parece que não facilitará a vida a Trump. Os resultados publicados hoje cedo de Inditex, Rheinmetall e Porsche não dececionam, mas tampouco são brilhantes. Às 12:30 h, sairá a inflação americana, espera-se que retroceda 1 décima até +2,9%; e às 13:45 h, Canadá baixará taxas de juros em -25 p.b. até 2,75%. Ambos os desenvolvimentos estão 100% descontados, o que significa que, como a inflação americana não retrocede, então a sessão terá um problema. E isso não é improvável. Depois de isto no dia de hoje, amanhã há o debate interno na Alemanha (Bundestag) sobre o superinvestimento em defesa, infraestruturas e limite da dívida, a toda a pressa antes de que, no dia 25, se constituam as novas câmaras com base nos resultados das eleições (o que suscita uma validade moral que não é negligenciável), e da Confiança da Universidade de Michigan, na sexta-feira, provavelmente já um pouco afetada por um contexto cada vez mais confuso (63,1 vs. 64,7). Este indicador é adiantado e, por isso, deveremos analisá-lo com muito cuidado.
CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: Intenção de subida, mas ontem também e o golpe foi histórico em alguns momentos, até melhorar quando foi anunciado o cessar-fogo aceite por Ucrânia. Iremos às cegas devido à confusão sobre os impostos alfandegários e às represálias associadas, pelo menos até à inflação americana (12 h), que tem o seu risco. Logo, o tom dependerá de como Rússia responder ao cessar-fogo forçado pelos EUA, mas não será algo imediato. Levará o seu tempo e mentirá a todos, portanto resta ver a reação de Trump quando isso acontecer. A realidade tangível é que as yields das obrigações europeias se elevam e isso não é bom, é mau para as bolsas. Cada vez que tenham aspeto de subir, é melhor desconfiar. Agora, quem afirmar que sabe algo fiável, ou mente ou sobrestima-se. Ninguém sabe quase nada. Por isso, insistimos: cuidado.
S&P500 -0,8% Nq-100 -0,3% SOX -0,7% ES-50 -1,4% IBEX -1,6% VIX 26,9 Bund 2,91% T-Note 4,26% Spread 2A-10A
USA=+34pb B10A: ESP 3,52% PT 3,39% FRA 3,59% ITA 3,95% Euribor 12m 2,449% (fut.2,385%) USD 1,090 JPY 161,5 Ouro 2.913$ Brent 69,7$ WTI 66,4$ Bitcoin +1,7% (81.682$) Ether -1,5% (1.865$).
FIM
Vai rolar 1203
Vai rolar: Inflação na mira hoje nos EUA e aqui
[12/03/25] A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo.
Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados.
Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado. (Rosa Riscala)
👉 Confira abaixo a agenda de hoje
Indicadores
▪️ Relatório mensal da Opep
▪️ 08h00 – FGV: Primeira prévia do IGP-M de março
▪️ 09h00 – IBGE: IPCA de fevereiro
▪️ 09h00 – BC: Dados da caderneta de poupança em fevereiro
▪️ 09h30 – EUA: Inflação (CPI) de fevereiro
▪️ 10h45 – Canadá anuncia decisão de política monetária
▪️ 11h30 – EUA: Estoques de petróleo do DoE
▪️ 14h30 – BC: Fluxo cambial semanal
Eventos
▪️ 05h45 – Lagarde (BCE) discursa na Universidade de Frankfurt
▪️ 11h00 – Lula e Haddad participam de cerimônia de lançamento do novo consignado privado
Balanços
▪️ Brasil/Depois do fechamento: Casas Bahia, Cogna, CSN, CSN Mineração, Dexco, SLC Agrícola e Tenda
BDM Matinal Riscala 1203
*Rosa Riscala: Inflação é destaque nos EUA e no Brasil*
… A Casa Branca confirmou que entraram em vigor, à meia-noite de hoje, as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos EUA, tanto para o Canadá, que apenas se livrou de uma sobretaxa de 50%, como para “todos os nossos parceiros comerciais, sem exceções ou isenções”. Inclusive para o Brasil, que não conseguiu um acordo. Trump continua no papel de malvado no mundo. Ontem disse que as tarifas estão tendo “um tremendo impacto”. O presidente não está nem um pouco impressionado pela reação dos mercados. Na agenda em NY, é importante o CPI de fevereiro (9h30), que pode mudar as apostas para os juros americanos. Aqui, o IPCA (9h) deve ter forte aceleração, enquanto o presidente Lula promete um “grande evento em Brasília” para lançar a MP que cria o novo consignado privado.
… A expectativa do governo é colocar no ar a plataforma de oferta do produto dentro de cinco dias após a regulamentação por um comitê formado pelos Ministérios da Fazenda, do Trabalho e da Casa Civil.
… Haddad está empenhado nessa pauta, que colocará mais dinheiro nas mãos do consumidor, e estará presente à cerimônia (11h), no Palácio do Planalto. Mais cedo (9h30), ele receberá o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Pollo de Mello Lopes.
… Ainda nesta semana, o ministro confirmou que a Medida Provisória seria enviada nos próximos dias ao Congresso, seguida pelo projeto de lei que ampla a isenção do Imposto de Renda para a faixa de quem ganha até R$ 5 mil mensais.
… De outros temas, como o ajuste do Orçamento para incluir os recursos dos programas Pé de Meia e do Vale-Gás, não se têm notícia.
… O relator do Orçamento/2025, Angelo Coronel (PSD), disse ontem que ainda aguarda uma resposta do governo sobre o remanejamento na peça orçamentária. O Pé de Meia terá um custo de R$ 12 bilhões e o Vale-Gás, de R$ 3,5 bilhões.
… O auxílio para a compra de gás, que Lula quer dar para 22 milhões de famílias, tem previsto apenas R$ 600 milhões no Orçamento.
… O TCU decidiu, em fevereiro, liberar R$ 6 bilhões do Pé de Meia que haviam sido bloqueados, mas deu 120 dias para o governo incluir as despesas no Orçamento. “O governo precisa dizer onde deverá ser cortado para atender aos programas sociais”, disse o relator.
… Outra pendência do Orçamento envolve a inclusão de recursos marcados como “restos a pagar” – principalmente das obras iniciadas e paralisadas, que não têm até agora um valor definido, porque são referentes a vários exercícios.
… Angelo Coronel se reunirá hoje no final da tarde com a ministra Gleisi Hoffman (Relações Institucionais) para tratar desses ajustes, além das emendas parlamentares – pivô do imbróglio com o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
… Espera-se a votação do texto na 3ªF, 18, na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e na quarta, 19, no Congresso.
IPCA – Após uma alta pequena de 0,16% em janeiro, a inflação de fevereiro deve acelerar para 1,32%, na mediana de pesquisa Broadcast, com o índice em 12 meses rompendo os 5%. As projeções para esta leitura variam de 1,23% a 1,46%.
… A devolução do bônus de Itaipu na tarifa de energia elétrica deve contribuir para a aceleração do IPCA em fevereiro, somada à pressão altista dos alimentos e ao aumento do ICMS sobre combustíveis, de acordo com economistas do mercado.
… Embora a perspectiva seja de desaceleração para Alimentação e bebidas (0,96% em janeiro) e Transportes (1,30%), esses grupos devem se manter pressionados com o aumento no preço dos ovos e do café, e a alta prevista para a gasolina.
… Os dados abertos, no entanto, podem ser positivos.
… A média dos núcleos do IPCA deverá repetir a mesma variação de janeiro (0,61% na mediana), com desaceleração para os preços livres (0,75% para 0,71%), alimentação no domicílio (1,07% a 0,85%), serviços (0,78% a 0,75%) e serviços subjacentes (0,86% a 0,64%).
… Há, por outro lado, expectativa de aceleração nos preços administrados (-1,52% para 3,09%) e bens industriais (0,45% para 0,54%).
… Nesta 3ªF, a produção industrial abaixo do esperado (ficou estável em janeiro, quando o consenso era de +0,40%) reforçou a avaliação de que a economia entrou em desaceleração, o que apoiou a queda dos juros e a precificação de uma Selic de 15% (leia abaixo).
CRISE DOS ALIMENTOS – Na Folha, o governo quer comprar alimento com valor até 30% acima do preço mínimo como forma de aumentar os estoques estratégicos pela Conab, controlar a especulação e baixar a inflação.
… É mais um capítulo da ofensiva de Lula para reverter o cenário político e recuperar a sua popularidade.
CPI – Nos EUA, o índice de inflação ao consumidor, que será divulgado meia hora depois, deve desacelerar ante janeiro, com o CPI cheio registrando 0,3% em fevereiro (de 0,5%) e 2,9% na base anual (de 3% no mês anterior).
… Mais olhado pelo Fed, o núcleo tem previsão de desaceleração mais leve, para 0,3% (de 0,4%) e 3,2% na base anual (de 3,3%).
… Se não houver surpresas, os números podem confirmar as expectativas majoritárias de uma redução total de 75pbs do juro neste ano, com o primeiro corte ocorrendo em maio ou junho. Já se o resultado vier mais alto, pode garantir estresse para os negócios.
… O atual sentimento de aversão ao risco antecipa um impacto das tarifas de Trump para a inflação dos EUA, ao mesmo tempo que essa perspectiva projeta o risco de uma recessão, com os consumidores e empresas na defensiva.
… Nesta 3ªF, apenas um dia depois de admitir uma possível recessão no período de “transição”, o presidente Trump disse ontem que está “muito otimista” com as perspectivas para a economia americana e previu que ela “vai bombar”.
… Segundo a Reuters, mais de 100 CEOs de grandes empresas dos EUA, como a Apple, o JPMorgan e Walmart, teriam enquadrado Trump durante reunião do Business Roundtable para convencê-lo a abandonar o seu plano de tarifas.
… Foi nesse encontro também que Trump elogiou Elon Musk e disse que sua meta é economizar US$ 1 trilhão com gastos do governo.
MAIS AGENDA – Antes do IPCA, sai a primeira prévia da inflação de março medida pelo IGP-M (8h). O BC divulga os dados da caderneta de poupança de fevereiro (9h), além do resultado semanal do fluxo cambial (14h30).
… Galípolo e os diretores do BC entram a partir de hoje no período de silêncio do Copom, que semana que vem subirá o juro em mais 1pp, a 14,25%. A expectativa é se o comunicado confirmará um ciclo de alta mais curto.
BALANÇOS – Após o fechamento, saem CSN, CSN Mineração, Casas Bahia, Cogna, Dexco, SLC Agrícola e Tenda.
LÁ FORA – Lagarde (BCE) abre o dia (5h45) com um discurso na Universidade de Frankfurt. O petróleo confere o relatório mensal da Opep (sem horário confirmado) e os estoques do DoE (11h30). Canadá decide juro às 10h45.
… Ontem à noite, Câmara dos EUA aprovou, por margem apertada (217 votos a 213) a proposta para evitar um shutdown no sábado e financiar o governo até setembro. O placar prepara o caminho para o embate no Senado.
BIPOLAR – Decretado o fim da lua de mel do mercado com Trump, as bolsas em NY estenderam as perdas, mesmo no day after de um sell off, com os sinais trocados do republicano, que arma uma confusão por dia.
… Horas após ter dito que dobraria as tarifas sobre o aço e alumínio do Canadá para 50%, ele indicou que desistiria da ideia, o que se confirmou oficialmente mais tarde, condenando os negócios a picos de volatilidade.
… Trump continua um trem desgovernado, tratorando os investidores na obsessão pela guerra comercial.
… Também está difícil de arrancar dele uma perspectiva confiável sobre a economia dos EUA no futuro próximo. Como se viu, menos de 48h depois de não ter descartado uma recessão, disse que o país “vai bombar”.
… O mercado tolera muita coisa, mas não está gostando nada de operar sobre esta total imprevisibilidade. As fortes oscilações ontem em Wall St estão aí para provar que tem muita gente perdida em combate e no escuro.
… Em NY, a bolsas começaram o dia ampliando o tombo da véspera, depois ensaiaram uma recuperação com o cessar-fogo temporário na Ucrânia, mas pioraram de novo na reta final com o fantasma da recessão rondando.
… A Delta (-7,25%) reforçou este medo ao cortar pela metade suas previsões de resultados para o 1Tri. O Nasdaq virou para queda nos minutos finais: 0,18%, a 17.436,10 pontos, depois de ter derretido 4% na véspera.
… O Dow Jones, que havia afundado quase 900 pontos no pregão anterior, caiu mais 1,14%, a 41.433,48 pontos. Também o S&P 500 aprofundou as perdas e terminou a sessão desta 3ªF em queda de 0,76%, a 5.572,07 pontos.
… Preocupado com as idas e vindas do tarifaço, o Ibovespa fechou em baixa de 0,81%, aos 123.507,35 pontos, com giro de R$ 19,3 bilhões. Entre as ações de blue chips, Vale ON (+0,83%, a R$ 54,44) conseguiu se recuperar.
… Mas Petrobras e os grandes bancos seguiram no vermelho. Itaú PN perdeu 0,88%, a R$ 32,60; Bradesco PN caiu 0,61%, a R$ 11,45; Bradesco ON, -1,04%, a R$ 10,51; BB ON, -0,89%; e Santander unit, -2,11%.
… Petrobras PN registrou desvalorização de 1,50%, a R$ 34,10, e o papel ON recuou 2,06%, a R$ 36,58, descolados do petróleo, que subiu, mas teve a alta limitada pela expectativa de acordo de paz na Ucrânia.
… Zelensky concordou em aceitar a proposta do governo de Washington por um cessar-fogo imediato de 30 dias, dependendo agora apenas de a Rússia concordar com os termos do acordo intermediado pelos EUA.
… A Ucrânia também aceitou concluir o acordo sobre minerais raros com os EUA o mais rápido possível.
… O barril do Brent para maio exibiu ganhos moderados, de 0,40%, cotado a US$ 69,56 na ICE londrina.
… A esperança de paz na Ucrânia reduziu o apelo defensivo pelos Treasuries, sustentando os juros. A taxa da Note de 2 anos avançou para 3,937%, contra 3,896% na véspera, e a de 10 anos subiu para 4,276%, de 4,221%.
… Mas aqui a curva do DI devolveu prêmio com os sinais renovados de esfriamento da atividade doméstica (a produção industrial não cresceu pelo terceiro mês consecutivo), o que pode impor teto de 15% à Selic.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 caía para 14,720% (de 14,780% no pregão anterior); Jan/27, a 14,535% (14,675%); Jan/29, a 14,480% (14,635%); Jan/31, a 14,590% (14,760%); e Jan/33, a 14,600% (14,750%).
… O alívio no câmbio contribuiu para desarmar a percepção de risco nos juros futuros. O cessar-fogo à vista e o sinal de Trump de que voltaria atrás na tarifa dobrada sobre aço e alumínio do Canadá esvaziaram a pressão.
… No desmonte de posições defensivas, o índice DXY caiu 0,58%, aos 103,456 pontos. Entre as moedas fortes, o iene (147,82/US$) realizou lucro. Já o euro (+0,78%; US$ 1,0931) e a libra (+0,56%; US$ 1,2960) subiram.
… Aqui, o real se recuperou, com o dólar à vista em baixa de 0,69%, negociado a R$ 5,8117.
… A equipe econômica da XP traça três cenários para o câmbio: no melhor, o dólar cairia a R$ 5,40, se Trump pegar mais leve, o Fed cortar o juro e o governo Lula promover uma nova rodada de medidas de ajuste fiscal.
… O cenário base, porém, é de dólar a R$ 5,90, diante da perspectiva de menor crescimento econômico com a guerra comercial, maior aversão ao risco e postura mais rígida do Fed, sem nenhuma flexibilização monetária.
… Na pior hipótese, calcula a XP, a moeda americana escalaria até R$ 6,45, no caso de o protecionismo pegar tão pesado nos EUA e pressionar a inflação a tal ponto, que levantaria a lebre de uma alta do juro pelo Fed.
… Este quadro de maior pessimismo também embutiria uma deterioração da situação fiscal no Brasil.
EM TEMPO… AZZAS 2154 registrou lucro de R$ 168,9 milhões no 4Tri, queda de 35,8% em um ano. O Ebitda recorrente totalizou R$ 519,2 milhões, alta de 4,1%, e a receita líquida avançou 13,4%, a R$ 3,403 bi.
CURY apresentou lucro líquido de R$ 165,8 milhões no 4Tri de 2024, alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2023. Já no acumulado do ano inteiro de 2024, o lucro líquido alcançou R$ 649,8 milhões, avanço de 34,9% perante 2023…
… O Ebitda ajustado somou R$ 238,5 milhões no 4Tri (+23,9%) e a receita líquida foi de R$ 1,035 bilhão no trimestre (+27,5%)…
… A Cury está planejando mais um ano de crescimento pela frente, como resultado da demanda aquecida de compradores de imóveis dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e das mudanças nos planos diretores de São Paulo e do Rio de Janeiro.
BANRISUL. Aprovou o pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$ 90 milhões, sendo que o valor bruto unitário por tipo e classe de ação será de R$ 0,22006263 por ação ON, R$ 0,22006263 por ação PNA e R$ 0,22006263 por ação PNB…
… Ações passam a ser negociadas “ex-direito” a partir do dia 17. O pagamento ocorrerá em 26 de março.
RAÍZEN. Dívida atingiu seu pior patamar desde que a empresa abriu capital, em 2021, aponta levantamento da Elos Ayta (Folha)…
… A dívida bruta atingiu no 4Tri R$ 64,7 bilhões e a dívida líquida, R$ 54,8 bilhões.
GERDAU. Confirmou, por meio de nota, a intenção de adquirir o centro de serviços pertencente à Kloeckner Metals, em Araucária (PR).
CEMIG. Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que o governo anterior cometeu um erro ao privatizar a Eletrobras e que, portanto, o mesmo erro não poderia ser feito com a Cemig. Em fala na presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema…
… Silveira deu a entender que a Cemig poderia ser usada como ativo para mitigar a dívida do Estado com a União, e não ser privatizada.
PETROBRAS. STJ decidiu nesta 3ªF dar parcial provimento a um recurso da empresa, que quer seguir com uma ação de improbidade administrativa para que as construtoras envolvidas com a Lava-Jato indenizem a petroleira por danos morais.
MARFRIG. Conselho de administração anunciou que fará a 19ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em até cinco séries, para colocação privada, da companhia, no valor de R$ 1,875 bilhão.
PAGUE MENOS. Concluído o ciclo de integração com a Extrafarma, a empresa planeja este ano pisar no acelerador das inaugurações, seguir com o plano de conversão da bandeira e focar na redução da alavancagem (Broadcast).
HYPERA. Um novo acordo de acionistas envolvendo Votorantim, o sócio fundador da Hypera, José Alves de Queiroz Filho, e o fundo Maiorem, que representa investidores mexicanos, deve ser anunciado antes da assembleia de acionistas em abril.
CASAS BAHIA. A ação disparou misteriosamente nos últimos dias, sem qualquer notícia relevante, boato ou alguma especulação sobre seu balanço do 4Tri, alguma expectativa de forte crescimento do faturamento neste ano, ou mesmo de venda da companhia…
… Questionada pela CVM, a Casas Bahia informou desconhecer qualquer razão para a alta das ações. Hoje, os papéis ON fecharam em alta de 10,87%, a R$ 5,20, acumulando o incrível ganho de 95,8% em apenas 5 pregões de março…
… Analistas atribuíram a disparada a um “short squeeze”, uma vez que 25% do seu “free float” está em posições vendidas.
… Porém, à noite surgiu um comunicado bastante revelador: Rafael Ferri acumulou fatia equivalente a 5,11% do capital das Casas Bahia, seja diretamente na pessoa física, ou por meio de empresas controladas por ele ou com derivativos.
… Quem está há menos de 15 anos no mercado talvez não conheça Ferri. Mas basta “dar um Google” e procurar por “bolha do alicate”.
AMERICANAS. Deu início ao procedimento arbitral para condenação dos ex-diretores Miguel Gomes Pereira Sarmiento Gutierrez, Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles…
… Segundo comunicado, a Americanas “buscará ser integralmente ressarcida dos danos materiais e imateriais sofridos em decorrência dos atos ilícitos praticados, e que serão ainda detalhadamente apresentados durante a tramitação do procedimento”.
terça-feira, 11 de março de 2025
Fundo Verde
Fundo Verde reduz riscos de maneira 'significativa' e zera parte das alocações em bolsas
Por Bruna Camargo
São Paulo, 10/03/2025 - O fundo Verde, da gestora que tem como sócio-fundador Luis Stuhlberger, fez algumas movimentações durante o mês de fevereiro para diminuir seu perfil de risco “de maneira significativa”. Uma das medidas foi a zeragem de boa parte de suas alocações líquidas em ações, tanto no mercado local quanto global, segundo a carta mensal da Verde, divulgada há pouco.
“O grau de incerteza sobre o cenário global subiu notadamente ao longo do mês de fevereiro. Temos comentado sobre a questão ruído versus sinal desde a eleição do presidente [americano Donald] Trump, mas neste mês o volume de ruído foi elevado de maneira significativa, e veio acompanhado de sinais preocupantes. O desafio de rearranjar o sistema geopolítico global não é tarefa simples, e o uso de medidas tarifárias para alcançá-lo subestima uma série de complexidades da estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos quarenta anos”, avalia a equipe de gestão da Verde.
Segundo a carta da gestora, o grau de incerteza em relação à economia americana tem subido, acompanhado de “uma curiosa narrativa do governo de ser necessário um período de ‘desintoxicação’ dos agentes econômicos”. “Os mercados têm lido essa narrativa como um perigoso convite a uma recessão, e não por acaso vimos taxas de juros cadentes ao longo do mês, combinadas com quedas dos principais índices de ações”, descreve.
Além disso, a Verde observa que, após uma série de declarações sinalizando o abandono do apoio americano à Ucrânia, os países europeus “finalmente perceberam a necessidade de iniciar um pacote importante de gastos de defesa”, o que levou o dólar a um enfraquecimento nas últimas semanas. Para a gestora, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para seu governo - como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações - estão “sendo colocadas em xeque”. “Essa incerteza nos fez reduzir de maneira significativa os riscos do fundo”, diz a carta.
Eleições em pauta no Brasil
Já em relação ao Brasil, a Verde afirma que o País “continua sua deriva entre a influência dos mercados globais (que tem sido positiva, dada a fraqueza do dólar e rotação de fluxos para outros mercados que não os Estados Unidos) e os fundamentos locais”. Outro ponto destacado na carta como “grande novidade do mês” foi o enfraquecimento das métricas de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como uma antecipação da discussão eleitoral de 2026.
“Há algum tempo temos convicção que um trade eleitoral aconteceria no Brasil, seguindo a praxe dos últimos ciclos. No entanto, conforme o exemplo de outros mercados, esperávamos nos posicionar para tal movimento na segunda metade deste ano. A piora sensível dos indicadores do presidente, e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo, vide a recente reforma ministerial, antecipam as discussões. Ainda assim, com um custo de oportunidade tão alto, temos que ser cuidadosos em não nos posicionar cedo demais”, destaca a Verde.
Segundo a carta mensal, por ora a gestora tem se posicionado “de maneira cautelosa com viés negativo, mas atentos aos sinais e em busca de preços atrativos para mirar um horizonte mais longo”.
Resultado em fevereiro
Em fevereiro, o Verde FIC FIM apresentou alta de 0,55%, abaixo do indicador de referência, o CDI, que teve alta de 0,99%. No ano até agora, o fundo acumula valorização de 2,20%. O resultado do mês passado se deu pelos ganhos na estratégia de crédito e trading. Já as perdas vieram de cripto, inflação americana e bolsa global.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
Broadcast+
JR Guzzo
Guzzo é um jornalista extraordinário. E de muita coragem.
BDM Matinal Riscala 1103
*Rosa Riscala: NY cai na real*
… Os investidores caíram na real, abandonaram o negacionismo com os riscos do governo Trump, pararam de dizer que era só um blefe e passaram a projetar os estragos que as políticas protecionistas poderão causar à economia americana. É grande a expectativa para a abertura em NY, após o risk off desta 2ªF. O medo de uma estagflação levou a uma corrida do dinheiro para ativos seguros, influenciando os mercados domésticos. Quando o presidente dos EUA fala em possível recessão é porque está disposto a bancar a aventura. Trump poderia ter aliviado se quisesse, mas não falou no final do dia, como costuma fazer. Na agenda, o relatório Jolts (11h) mostra a criação de vagas depois do payroll fraco. Aqui, a produção industrial (9h) pode reagir em janeiro, recuperando-se de três meses de queda.
… A mediana das estimativas apurada pelo Broadcast indica um crescimento de 0,4% para a indústria, após recuo de 0,3% em dezembro.
… Os dados de indicadores antecedentes, como o crescimento de 15% na produção de veículos (Anfavea) e o aumento de 3,3% no fluxo de veículos pesados nas estradas pedagiadas (ABCR), corroboram a previsão de alta da produção industrial.
… Outra explicação para a reação é a base de comparação baixa na margem, após as quedas de outubro, novembro e dezembro (-0,6%).
… Um resultado mais fraco, depois de o PIB/4Tri confirmar a desaceleração da atividade, poderia estimular queda dos juros na B3, mas vai ser difícil descolar do estresse em NY. Hoje, como ontem, Donald Trump conduz os mercados globais.
… A carta mensal do fundo Verde alertou para o grau de incerteza do cenário global, que “subiu notadamente em fevereiro, o que levou a gestora a reduzir seu perfil de risco de “maneira significativa”, zerando boa parte de suas ações no mercado local e global.
… Para Stuhlberger, o volume de ruído foi elevado e veio acompanhando de sinais preocupantes, como o desafio de rearranjar o sistema geopolítico e o uso de tarifas para alcançá-lo, que subestima a estrutura das cadeias de suprimento forjadas nos últimos 40 anos.
… A aproximação dos EUA com a Rússia colocou a Europa em alerta e traz riscos de longo prazo para o continente, segundo avaliação da consultoria Eurasia, que citou a quebra de uma relação de confiança e dependência com os EUA, especialmente na segurança.
… Diz a carta do fundo Verde que, com um mês e meio de governo Trump, todas as posições consensuais do mercado para o seu governo, como comprada (que aposta na alta) em dólar e ações, estão “sendo colocadas em xeque”.
… Já em relação ao Brasil, a gestora destaca a antecipação de um trade eleitoral para 2026 só esperado para a segunda metade deste ano, consequência da forte queda de popularidade do presidente Lula e sua aparente incapacidade de mudar a trajetória do governo.
… A única notícia positiva do dia foi o discurso moderado de Gleisi Hoffmann na posse como ministra da articulação política, quando citou Fernando Haddad e assumiu o compromisso de apoiar sua agenda econômica no Congresso.
… Gleisi chegou a dizer que a agenda de Haddad coloca o País na rota do emprego, crescimento e renda.
… A dúvida é se Haddad terá a mesma força para enfrentar as investidas populistas de Lula para salvar sua reeleição. Já se nota que o ministro tem defendido as pautas de Lula com mais afinco, evitando temas mais polêmicos como o ajuste fiscal.
… Nesta 2ªF, ele confirmou que o governo deve enviar ainda nesta semana ao Legislativo a MP do novo crédito consignado, que deve ser publicada amanhã, e, logo após, o projeto que estabelece a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
MAIS AGENDA – Antes da produção industrial, sai o IPC-Fipe da primeira quadrissemana de março. Em fevereiro, fechou em 0,15%.
… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/3/2031 e de NTN-B para 15/8/2030, 15/8/2035 e 15/5/2060.
GALÍPOLO – Presidente do BC participa de reunião com o Li Qi, Ministro Conselheiro da Embaixada da China no Brasil, e Huang Siyu, Terceira Secretária da Embaixada da China, na sede do BC, em Brasília (11h), para tratar de assuntos institucionais.
LULA – Volta a MG nesta 3ªF, onde participa de cerimônia de inauguração de investimentos dos setores automotivo e de aço (11h).
NOS EUA – O relatório Jolts, muito olhado pelo Fed, deve mostrar abertura de 7,5 milhões de vagas em janeiro (7,6 milhões/dezembro). É o único indicador previsto para o dia. A expectativa é toda para a inflação do CPI, que sai amanhã, 12.
UCRÂNIA – O alinhamento dos Estados Unidos à Rússia ficou evidente nas negociações para um cessar-fogo na Ucrânia, obrigada a um recuo forçado após o governo Trump suspender toda a ajuda militar ao país.
… Nas conversas de hoje na Arábia Saudita, a Ucrânia proporá o fim dos ataques por mar e ar, além da libertação de prisioneiros, dizendo que está pronta para assinar um acordo com os EUA sobre o acesso aos minerais de terras raras do país.
… Mas, segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que viajou para discutir o fim da guerra com representantes ucranianos, qualquer que seja o acordo de paz, deverá prever que a Ucrânia cederá os territórios ocupados pela Rússia desde 2014.
CHINA – Washington e Pequim iniciaram conversas sobre uma possível “cúpula de aniversário” em junho entre o presidente Trump e o líder chinês Xi Jinping, em meio à escalada de tarifas e restrições comerciais impostas pelos EUA contra a China.
… Nos bastidores apurados pela agência DJ, Pequim tem intensificado contatos com a Casa Branca e avalia uma oferta inicial, incluindo a compra de mais produtos agrícolas dos EUA, mas ainda não a formalizou.
JAPÃO HOJE – A leitura final do PIB/4Tri avançou 0,6% e superou a previsão de 0,4%. A recuperação contínua sustenta as expectativas de que o BoJ aumentará novamente sua taxa de juros em um futuro próximo.
RISK OFF GLOBAL – Bem diferente do tom do discurso de pouco menos de dois meses atrás, quando prometeu devolver a economia dos EUA aos “anos dourados”, causou espanto a mudança agora da abordagem de Trump.
… Questionado sobre o risco de recessão, o presidente americano afirmou que haverá um “período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande”, sinalizando que está disposto a pagar o preço da guerra tarifária.
… O CPI de fevereiro, amanhã, abrangerá o primeiro mês completo da trajetória da inflação sob a nova gestão em Washington e ganha importância redobrada no contexto do perigo de os EUA caírem em uma estagflação.
… Por enquanto, o consenso é de corte acumulado de 75pb no juro este ano, com início da flexibilização a partir de maio ou junho.
… Para completar o cenário de incertezas, números mais fracos da inflação na China em fevereiro, divulgados no fim de semana, acenderam a luz amarela para a possibilidade de uma desaceleração global mais firme neste ano.
… Com o crescimento econômico em xeque, o “índice do medo” Vix disparou mais de 20% e as bolsas em NY mergulharam feio, com os papéis dos bancos e as ações das Sete Magníficas registrando queda em bloco.
… Tesla despencou 15,4%, apagando tudo o que subiu desde que Elon Musk entrou para o governo Trump. Mas o tombo foi geral: Meta caiu 4,42%, Apple (-4,85%), Alphabet (-4,49%), Microsoft (-3,34%), Amazon (-2,36%) e Nvidia (-5,07%).
… O Nasdaq derreteu 4%, aos 17.468,32 pontos, na pior queda diária desde 2022. O Dow Jones (-2,08%) afundou quase 900 pontos, para 41.911,71 pontos, e o S&P 500 terminou em queda de 2,70%, aos 5.614,56 pontos.
… Já o Ibov driblou o estresse de Wall St e limitou as perdas a 0,41%, aos 124.519,38 pontos, com volume financeiro de R$ 20,2 bilhões. Magalu (+4,96%) liderou o ranking de altas, com a unificação das áreas de Plataforma e Negócios.
… Vale (ON, -1,62%, a R$ 53,99) sentiu a inflação fraca na China, potencial sintoma de desaquecimento. Petrobras ficou no campo negativo, mas mais perto da estabilidade: ON, -0,19% (R$ 37,35); e PN, -0,03% (R$ 34,62).
… A estatal resistiu bem à queda de 1,5% do petróleo Brent (US$ 69,28), que sentiu a recessão de Trump.
… Entre os bancos, só Itaú (+0,89%, a R$ 32,89) ignorou a onda de cautela. Bradesco PN registrou desvalorização de 1,45%, a R$ 11,52; Bradesco ON, -1,12%, a R$ 10,62; BB, -0,32% (R$ 27,97); e Santander, -1,43% (R$ 25,57).
… O câmbio foi o mercado que mais refletiu a aversão a risco. A busca defensiva levou o dólar à vista a fechar na faixa de R$ 5,85, em alta de 1,07%, a R$ 5,8521, carregando junto os juros futuros.
… Jan/26 subiu a 14,780% (de 14,740% na sessão anterior); Jan/27, a 14,675% (14,570%); Jan/29, 14,635% (14,535%); Jan/31, 14,760% (14,650%); e Jan/33, 14,750% (14,620%).
… Lá fora, o índice DXY cruzou a linha dos 104 pontos na máxima do dia, mas desacelerou. No fechamento, exibia leve alta de 0,15%, a 103,997 pontos. O euro ficou estável (+0,01%), a US$ 1,0827, e a libra caiu 0,33%, a US$ 1,2874.
… O iene (147,41/US$), que já vem faturando nos últimos tempos a perspectiva de um BoJ hawkish, ganhou ainda espaço contra a moeda americana, diante dos temores renovados de uma recessão abater a economia dos EUA.
… Antecipando os riscos do protecionismo de Trump, investidores correram para os Treasuries, derrubando os rendimentos: o yield da Note-2 anos caiu a 3,896%, contra 3,997% na sessão anterior, e o de 10 anos foi a 4,221%, de 4,315%.
EM TEMPO… COSAN reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 9,297 bilhões no 4Tri/24. Ebitda consolidado abandonou resultado positivo e ficou negativo em R$ 1,6 bilhão. Receita líquida somou R$ 11,768 bilhões (+24% em um ano).
REDE D’OR registrou lucro líquido de R$ 879,5 milhões no 4Tri, alta de 31,6% na comparação com igual intervalo de 2023. Já o lucro líquido ajustado totalizou R$ 932 milhões, avanço de 29,3% na mesma comparação…
… Ebitda foi de R$ 1,9 bilhão (+34,4% na comparação anual) e o Ebitda ajustado foi de R$ 2,3 bilhões (+30,6%), enquanto a receita líquida foi de R$ 13,057 bilhões (+9,4% sobre o reportado no mesmo período de 2023).
PAGUE MENOS. Lucro líquido totalizou R$ 77,1 milhões no 4Tri, avanço de 22,8% em relação ao mesmo período de 2023, em função da combinação de crescimento de vendas, incremento da rentabilidade operacional e redução do resultado financeiro…
… O Ebitda foi de R$ 164 milhões (+31,6% ante um ano antes) e a receita líquida, de R$ 3,3 bilhões (+16,9%).
DIRECIONAL. Apresentou lucro líquido de R$ 181 milhões no 4Tri, montante 82% maior do que no mesmo período de 2023 e no maior lucro trimestral da história da incorporadora. No critério operacional, o lucro líquido ficou em R$ 165,5 milhões (+69,4%)…
… O Ebitda ajustado somou R$ 249 milhões (+64% na mesma base de comparação anual) e receita operacional líquida somou R$ 924,2 milhões, crescimento de 45,6% e também recorde para um trimestre da companhia.
PRIO. Produção total de petróleo atingiu 108.560 barris de boepd em fevereiro, ante 114.454 mil em janeiro, uma queda de 5,14% na comparação mês contra mês. A venda de óleo total caiu de 3.608.396 bbl em janeiro para 3.402.076 em fevereiro (-5,71%).
PETRORECONCAVO. Produção média no mês de fevereiro foi de 27,3 mil boepd, um crescimento de 1,9% na margem, refletindo o avanço no programa de perfurações iniciado no final de 2024 e a estabilização de poços recém perfurados no Ativo Bahia
EQUATORIAL. O conselho de administração aprovou o aumento do capital social em R$ 5.597.124,09, elevando o capital social total para R$ 12.506.904.753,23. Foram emitidas 313.549/ON, ao preço de R$ 17,85.
EQUATORIAL ENERGIA. O conselho de administração aprovou a realização da sétima emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor de R$ 1,5 bilhão….
… Serão emitidos 1,5 milhão de títulos com valor unitário de R$ 1.000,00 e prazo de cinco anos, vencendo em 15 de março de 2030.
HYPERA. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, informou que a Votorantim passou a deter 69.811.900 ações ordinárias da companhia, que representam cerca de 11,00% do capital social da empresa.
B3. Fechou parceria estratégica com o SGX Group para o lançamento de contratos futuros de Real no mercado asiático. Segundo a bolsa, a expectativa é que o produto, que depende da aprovação dos reguladores locais, seja disponibilizado ainda neste ano.
GRUPO J. SAFRA anunciou a aquisição de 70% do capital da fintech dinamarquesa Saxo Bank. O valor da transação não foi revelado.
DELTA AIR LINES. Ações desabaram 11,15% no after hours, após reduzir projeção de lucro e receita para o 1Tri (de 7% a 9% para 3% a 4%), citando a recente queda da confiança do consumidor e das empresas em meio ao “aumento da incerteza macroeconômica”…
… A previsão de lucros ajustados foi para US$ 0,30 a US$ 0,50 por ação, contra previsão anterior de US$ 0,70 a US$ 1 por ação.
ORACLE. Ações caíram no after hours (-3,22%) após divulgar lucro líquido para os três meses encerrados em 28 de fevereiro de US$ 2,94 bilhões, ou US$ 1,02 por ação, em comparação com US$ 2,4 bilhões, ou US$ 0,85 por ação, no mesmo período do ano anterior.
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