segunda-feira, 31 de maio de 2021

MACRO MERCADOS SEMANAL 31/05/21 - AGENDA CHEIA DE INDICADORES DE ATIVIDADE

Este é o último dia útil de maio, segunda-feira, dia 31/05, feriado nos EUA - Memorial Day - e no Reino Unido - Spring Bank Holiday. Aliás, nesta semana são dois dias de feriado, nesta segunda-feira, como citado, e na quinta-feira, com o Corpus Christi no Brasil. Nestes dias de feriado, nos EUA e no Reino Unido, a liquidez tende a ser bem mais baixa, o que se recomenda aos investidores mais cautela, só de olho nos ativos e não operando muito.

Sobre a agenda da semana, há a divulgação de PMIs ao redor do mundo e na sexta-feira o payroll norte-americano de maio, principal indicador de mercado de trabalho. No Brasil, seguem os debates em torno da CPI da Covid e a polarização política nas ruas. 

Saem nesta segunda-feira três indicadores da FGV, que oferecem um bom panorama da economia no primeiro semestre e as expectativas para os próximos meses: o Índice de Confiança Empresarial (ICE) de abril e as Sondagens do Comércio e de Serviços de maio. Ao longo da semana ainda teremos as Sondagens da Construção Civil e da Indústria. 

Segunda-feira é dia também de Indicadores Fiscais Consolidados do Banco Central, quando confirmaremos a boa trajetória do Tesouro em abril, quando a arrecadação federal foi puxada pela economia crescendo mais do que o esperado. Pelo lado das despesas, confirmaremos o impacto do atraso na aprovação do Orçamento da União, o que segurou boa parte das despesas discricionárias e obrigatórias. 

Na terça-feira saem variados indicadores PMI no exterior e no Brasil o PIB do primeiro trimestre, que deve vir melhor do que o esperado, entre estável, ou pequena queda a crescendo até 1%, o que deve ser um sinal para a revisão do PIB no ano, crescente acima de 4%, com algumas instituições enxergando até 5%. 

Já parece haver alguma unanimidade, dada a velocidade da vacinação no Brasil, de que o segundo semestre deve ser de retomada mais consistente da economia, embora não possamos excluir o risco de uma terceira onda, ainda mais com a cepa indiana à espreita e os problemas políticos de sempre. Já são 462 mil mortos, mas vão caindo as mortes diárias.  

Na quarta-feira é divulgado também o indicador de Produção Industrial de abril, pelo IBGE, para que seja possível uma melhor noção desta situação de retomada. Nos EUA sai o Livro Bege, também um panorama bem amplo sobre o ritmo da economia norte-americana. Por lá  o que se tem é a inflação acelerada, na nossa opinião, mais temporária, pela reabertura e os gargalos de produção em alguns setores, como exemplo, os semicondutores para os automóveis, e a uma economia que retomada lentamente em alguns setores, mais intensa em outros.    

Na quinta-feira, feriado no Brasil de Corpus Christi, mais PMI variados em vários países e os indicadores de geração de emprego no setor privado norte-americano, ADP. Esta é também uma monitorização atenta por lá, pois saberemos com mais exatidão o ritmo da geração de empregos e os impactos paraelelos na inflação. Sexta-feira é dia de payroll e taxa de desemprego, ambos de maio, sendo que muitos esperam chegar a um milhão de vagas geradas, bem mais do que a decepção de abril (266 mil). 

No Brasil, estejamos atentos as discussões em torno das reformas e as privatizações no Congresso, assim como a CPI da Covid e a possível extensão do auxílio emergencial. Temos também as escaramuças em torno da crise hídrica e o uso intensivo de termoelétricas e o ciclo de vacinação. 

Por aqui, a CPI da Covid deve mobilizar muita gente com opiniões controversas, a começar pela médica NISE YAMAGUSHI na terça-feira, defensora do tratamento preventivo e da cloroquina. Será uma semana também em que deve repercutir os recursos que muitos governadores devem apresentar contra o convite para depoimentos.  

Na agenda de reformas, avanços são previstos nas discussões no Senado em torno da MP da Eletrobras e sobre as reformas administrativa e tributária. 

No mercado. Na sexta-feria, o Ibovespa fechou em alta de 0,96%, a 125.561 pontos, na semana com perdas de 1,36%, não apagando a alta de 1,75% no mês. Foi a segunda alta mensal consecutiva do índice, que já havia registrado valorização de 6,0% em março. 

Maio foi marcado pela recuperação econômica dos EUA em meio à vacinação em massa da população e estímulos governamentais. Por aqui, a pauta dominante foi a sanção do Orçamento de 2021, com o veto do governo a R$ 19,8 bilhões em emendas e despesas discricionárias, além de um bloqueio de mais R$ 9 bilhões que podem ser desbloqueados até o fim do ano. 

Já o dólar recuou na sexta-feira 0,77%, a R$ 5,2148, terceira queda na semana, no menor patamar desde janeiro frente ao real, com os mercados ainda embalados por um maior otimismo visto recentemente com a economia brasileira. 

No mercado de moedas virtuais, o bitcoin segue perdendo fôlego, ampliando o declínio em maio para cerca de 40%, com a repressão crescente na China e as preocupações ambientais. Segundo observadores, "o bitcoin está atualmente em um 'modo de espera', negociando na faixa de US$ 34.000 a US$ 40.000". A moeda acumula queda próxima a 40% no mês, o que, se mantido, será seu pior desempenho mensal em vários anos. 

sábado, 29 de maio de 2021

Tirando um elefante ou bode da sala

Um dos principais compromissos deste governo, e de qualquer outro que vier, será conduzir com urgência e agilidade a chamada "agenda de reformas estruturais".

Agenda que, aliás, vem se mantendo como promessa há muitos anos, mas pouco avançando. 

Lendo o último livro do economista Gustavo Franco, "Lições Amargas", este tema ganha uma atualidade impressionante e até, constrangedora.

Segundo ele, "não é de hoje que temos uma obsessão nacional por não balançar o barco". 

As reformas, quando aprovadas, vem pela metade, não mexendo com certos interesses enraizados do nosso "capitalismo de Estado". Estamos muito longe de uma economia de mercado, mais parecendo uma hanchmen`s  economie, uma "economia de capangas", "encroada" em muito corporativismo e reações contra a necssidade de mudanças inadiáveis. Como diria Câmara Cascudo, "somos o País que não tem problemas, apenas soluções adiadas".

Contra as reformas, "nunca estamos "prontos", ou os mais prejudicados por elas sempre se julgarem injustiçados, pleitearem um adiamento, para o governo seguinte, ou, idealmente, para a próxima geração. É sempre a mesma conversa, o mesmo papo, como se o tema fosse "inconstitucional" e as "boquinhas" pudessem sempre durar mais umas décadas".

Num balanço mais recente, talvez desde o Plano Real, a partir de 1994 algum avanço até houve neste ciclo de poder do presidente FHC, mas, estranhamente, no ciclo seguinte, do petismo acabou abandonado, com poucos avanços concretos. A

lgum até houve, no breve interregno do govern tampão de Michel Temer, com a reforma trabalhista discutida e avançando, mesmo que pouco. Na verdade, nestes últimos 30 anos tivemos reformas num "gradualismo excessivo e movimentos pequenos, tardios e insuficientes".

Vivemos nos últimos anos "vôos de galinha", crescimentos curtos, seguidos de mergulhos recessivos,  e "décadas perdidas". E agora? Como achá-las? 

Segundo o economista Adolfo Salshsida, "o Brasil está cansado de vôos de galinha no crescimento econômico. Não adianta crescer muito num ano e depois cair no outro. Exatamente por isso temos insistido tanto na continuidade de nossa política econômica: consolidação fiscal e reformas econômicas para o aumento de produtividade. Pilares sólidos do crescimento econômico de longo prazo."

Não tem jeito. Este é o diagnóstico, embora os heterodoxos, no esforço de se diferenciar, cismem em se mostrar "donos da história", e falem em "desenvolvimentismo", em projeto de desenvolvimento. 

Agora, com o governo Jair Bolsonaro, as reformas voltaram a ser discutidas, retomadas, mas muito pelo entusiasmo do ministro Paulo Guedes do que pela vontade do presidente.

A reforma da Previdência já foi aprovada, à "meia bomba", sem algumas medidas essenciais, uma transição excessiva. 

Na verdade, falta uma reforma dolorosa e necessária aos militares, a definição de uma aposentadoria única, nos dois dois regimes, servidores e trabalhadores privados, assim como do legislativo e do judiciário. Para os militares, aliás, foi criado uma reforma à parte, algo meio estranho, mostrando que Bolsonaro tem algum "compromisso" com certas categoria profissional.

Na verdade, é a reforma possível diante das circunstâncias políticas do momento.

Devemos também salientar que a criação do regime de capitalização, pelo ministro Paulo Guedes, meio que inviabilizada aos que preferiam manter o regime de participação. O problema é que este não observa a mudança da pirâmide etária do País, com o envelhecimento da população, pelo aumento da expectativa, assim como pelas transformações no mercado de trabalho, com a "pejotização" e a informalidade ganhando espaço. Isso porque é altamente custoso contratar um trabalhador pela CLT, sendo que um trabalhador que ganha passe a ganhar R$ 100, para o empregador o custo se elevar a R$ 210.

Sobre as outras reformas na pauta do Congresso agora, a tributária e a administrativa, em intensas discussões.

A reforma tributária deve ser "fatiada", com a integração dos tributos federais e a posterior adesão opcional dos estados. 

Na primeira etapa, tem-se o esforço de tentar transformar o PIS Cofins na Contribuição sobre Bens e Serviços, CBS, uma simplificação marginal. Citemos também a hipótese de alteração nas alíquotas para diferentes (ou novas) faixas de renda no IR para pessoa física e jurídica. 

A ideia da criação de um imposto único, o IVA, também deve ser saudada, assim como a fusão de diferentes impostos, como o IPI e o ICMS, neste caso, em discussão uma "reforma do consumo". 

Não podemos esquecer também uma possível taxação sobre ganhos de capital e sobre dividendos. A recriação de uma contribuição sobre movimentações financeiras parece não ter tanta força. Outro tema, mais deixado de lado, é o da criação de impostos sobre grandes fortunas.

Na verdade, Guedes tem até uma agenda positiva na cabeça. Defende o aumento da competitividade internacional do país, pela diminuição do "custo Brasil", redução gradual do IPI e incentivo a uma economia “verde e digital”, duas de caráter mais concreto, no curto e médio prazos.

Defende que o "auxílio emergencial" seja renovado até o ano que vem, caso a situação da pandemia se mantenha grave - e provavelmente estará - ao fim da “edição" atual, em 31 de julho.

O tal "passaporte tributário", que eliminaria impostos de pequenas empresas afetadas pela pandemia, tem grandes chances de se concretizar, mas o formato efetivo ainda está longe de ser definido e viabilizado politicamente.

O fato é que apenas unificar o PIS/Cofins não é reforma tributária. Não resolve os nossos problemas e aumenta a carga para todos. Precisamos de uma reforma ampla que inclua ICMS e ISS, nossos tributos mais problemáticos e injustos. Vamos falar do bode ou elefante na sala?

A reforma administrativa terá como "cavalos de batalha" vencer as resistências e corporativismos dos servidores públicos, das várias categorias protegidas por sindicatos muito aguerridos. Esta aliás é uma discussão. 

Os servidores públicos, em especial, os federais, possuem quem os represente, são combativos e defendem com eficiência seus interesses. Sabem o que querem. Já os trabalhadores do setor privado possuem representatividade pulverizada, não possuem sindicatos aguerridos e tudo perdem.

O economista Marcos Lisboa é taxativo ao defender um "Estado que trabalhe para o cidadão", um servidor público, que sirva ao cidadão e não se sirva dele. 

Defende um aparelho do Estado mais profissional, com a boa definição nas métricas de avaliação. Defende também o fim da estabilidade e a criação de um período probatório para a efetivação dos servidores.

Temos um longo caminho pela frente. O que nos parece que as reformas a saírem agora, devem ser meia bomba mesmo, as possíveis diante do tal ambiente político. Sempre este discurso. 

Mais uma vez, parafraseando Gustavo Franco, usando o Teorema de Lampedusa, conclui-se, 

"para que tudo fique muito parecido com o que sempre foi, não mudamos mesmo nada de fundamental, mas ficamos cultivando o "mito" das reformas, gastando energias políticas e sociais, trabalhando penas para os consensos fáceis."

quinta-feira, 27 de maio de 2021

DADOS FISCAIS DO TESOURO DE ABRIL

O superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) de abril registrou R$ 16,5 bilhões, contra déficit de R$ 93,0 bilhões no mesmo abril do ano passado. No ano acumulou superávit de R$ 41,0 bilhões - melhor resultado para os quatro primeiros meses do ano desde 2015 - contra déficit de R$ 95,8 bilhões no mesmo período de 2020 (diferença de R$ 136,8 bi).

Tal resultado foi possível, devido ao aumento da arrecadação federal de abril, (+58,8% pelas receitas líquidas frente a abril de 2020) e o "represamento das despesas obrigatórias", em função da demora na aprovação do orçamento.

Estas, em termos reais, recuaram 34,4% contra abril do ano passado e 12,2% no ano, contra o mesmo período do ano passado. Isso deve dar ao governo um maior "espaço de manobra" para elevar pesadamente os gastos sociais ainda em 2021 - ampliando-os em 2022 -, como parte de movimento pela reeleição do presidente Bolsonaro.

Além disso, esta melhora fiscal teve grande ajuda da inflação e também do PIB. O PIB, pelo crescimento maior que o esperado, em torno de 4% a 5%, e a inflação, por tornar possível manobrar pelo teto dos gastos, permitindo o aumeno destes, já que a inflação será maior neste ano. 

Por outro lado, uma terceira onda da pandemia pode colocar esta recuperação fiscal em risco. Estejamos atentos. 



quarta-feira, 26 de maio de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 26/05/21 - CPI, REFORMAS E POLÍTICA MONETÁRIA

Terça-feira teve a CPI da Covid como destaque, mas também a aprovação na CCJ da reforma administrativa, assim como o IPCA-15 no piso das projeções. Por aqui, nada muda no transcurso da política monetária, nos EUA, seguem os debates em torno do início do processo de tapering pelos diretores do Fed, com muitos já considerando discutir o tema nas próximas reuniões do FOMC.

Esta parece ser a opinião, por exemplo, do vice-presidente do Fed, Richard Clarida, sinalizando que “pode haver em algum momento” o início deste debate. A inflação segue no radar, sendo divulgado o PCE de abril, e seus correlatos, nesta sexta-feira. Os indicadores norte-americanos, no entanto, ainda não são definitivos sobre se a economia roda em ritmo acima do esperado (ou não). Isso não se observa pela confiança dos consumidores, que entre abril e maio recuaram de 117,5 a 117,2, pelo Conference Board, enquanto que as vendas de imóveis novos recuaram 5,9% em abril contra março. Este último indicador se justifica pela alta da inflação recente, mostrando que os preços dos imóveis seguem em forte elevação, inibindo as compras. Neste contexto, ontem foi dia de correção nas bolsas de valores em NY. Fecharam em queda, com o DJ recuando 0,24%, a 34.312 pontos, S&P -0,21%, a 4188, e a Nasdaq -0,03%, a 13.657. O indicador de dólar, o DXY recuou 0,23%, a 89,639 pontos e no mercado de juro, nos rendimentos dos treasuries, os T 2Y foram a 0,141%, os T 10Y a 1,55% e os t 30Y 2,25%.

Isso nos leva a concluir que o Fed segue atento, reconhecendo os efeitos transitórios na alta dos preços, mas não descartando o início do ciclo de desmonte da política acomodatícia em breve. Muitos falam no final deste ano, com 2023 sendo o start para a elevação do juro. Outros acham que pode acontecer antes.

Tudo isso se reflete no comportamento do dólar, em queda contra as principais moedas, fortalecendo o real, mesmo que na margem, e retirando um pouco a pressão sobre a inflação doméstica.

O IPCA15 de maio ficou no piso das projeções de mercado, 0,44%, contra 0,6% em maio, mas acumula 7,27% em 12 meses, bem acima do teto da meta de inflação deste ano (5,25%). Ao fim deste ano deve ficar em torno de 5,3%, impactado pelos preços administrados, previstos em 8,4% neste ano, destacando os reajustes de energia elétrica em “bandeira vermelha”. Em maio subiu 2,31%, elevando o grupo habitação a subir 0,79%, contra 0,45% no mês anterior. Não esqueçamos também do gás de cozinha, em mais um mês de reajuste. Para os próximos meses novas altas da energia elétrica são previstas, assim como na tarifa de transporte público. Isso nos leva a crer que o grande vilão da inflação neste ano serão os preços administrados.

Isso abre espaço para um ciclo mais intenso de ajustes da taxa de juros, embora em normalização parcial e em menor tempo. A Selic deve ir a 5,5% ao fim deste ano, sendo previsto mais um ajuste de 0,75 ponto percentual no Copom de junho. Em agosto teremos outro. Resta saber em que intensidade. Tudo dependerá dos indicadores (data depend).

Sobre a CPI da Covid, ontem foi a fez da Dra Mayra Pinheiro, que negou a obsessão pela cloroquina, mas defendeu seu tratamento preventivo, sem maiores efeitos colaterais. Chamou atenção, no entanto, sua preocupação em blindar o presidente Bolsonaro, nas não deixando de criticá-lo por defender o tripé, uso de máscara, de uso gel e o isolamento social, ou até confinamento.

Nesta quarta-feira não teremos depoimentos e o relator, o presidente e os membros discutirão a convocação dos governadores e prefeitos, sendo possível a convocação de governadores mais alinhados com o Planalto, como Claudio Castro do Rio de Janeiro, ainda mais depois da mobilização de motos no fim de semana. Outro governador esperado será o do Amazonas. Será decidido se será reconvocado o ex-ministro da Saúde Pazuello, prestes a uma reserva compulsória pelo Exército.

Enquanto isso, na CCJ da Câmara, ontem, por 39 votos a 26, foi aprovada a primeira fase da reforma administrativa. O próximo passo é a Comissão Especial, onde o trabalho será melhorar a proposta. Ou seja, sua admissibilidade foi aprovada, agora indo para CE e sabermos se a proposta não fere cláusulas pétreas da Constituição. A previsão é que o texto seja enviado para o Senado no segundo semestre. De acordo com Lira, a proposta manterá todos os direitos e garantias dos atuais servidores. Eventuais mudanças serão válidas apenas e tão somente para os servidores admitidos após a reforma.

Sobre a reforma tributária, os debates transitam pelas possíveis etapas de um fatiamento, incluindo mudanças no imposto de renda de pessoas físicas (aumento da faixa de isenção) e jurídicas, IPIs seletivos, passaporte tributário, além da tributação sobre consumo, a "reforma do consumo".

Outro tema em discussão é a extensão do auxílio emergencial, enquanto um programa de renda mínima — ou "renda cidadã" — mais amplo do que o Bolsa Família. Este projeto pode acabar servindo muito mais como “escudo” contra temores de “intervencionismo" (como os gerados pela saída do presidente da Previ) e de aumentos de gastos visando agenda social e eleitoral do que como reforma de largo escopo na máquina pública.

A recuperação econômica, ainda que sem reformas mais amplas, parece cada vez mais ser a principal aposta do Planalto e do ministério da Economia, Paulo Guedes, bem como do Centrão, para que o governo retome a popularidade e mantenha a confiança do mercado.

Neste, ontem foi dia de realização. O Ibovespa não teve fôlego para superar o recorde de fechamento de 125.076 pontos. Recuou 0,84%, a 122.987 pontos, com giro financeiro de R$ 28,1 bilhões. Na semana, o ganho é de 0,32%, no mês de 3,44% e no ano 3,34%. Já o dólar fechou o dia em alta de 0,23%, a R$ 5,3371. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu cinco pontos-base a 5,00%, o DI para janeiro de 2023 teve queda de nove pontos-base a 6,71%, o DI para janeiro e 2025 recuou 10 pontos-base a 8,16% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação negativa de oito pontos-base a 8,76%.

Na agenda do dia, estejamos atentos aos Dados do Setor Externo de abril (Bacen), com foco na curva dos investimentos estrangeiros.

terça-feira, 25 de maio de 2021

MACRO MERCADOS DIÁRIO 25/05/21 - RETOMADA DA CPI E AGENDA DE REFORMAS

Depois de uma segunda-feira em que as ações de varejo virtual foram destaque, olhemos nesta terça, com atenção redobrada, para o reinício dos trabalhos na CPI da Covid e nas comissões do Congresso, para tratarmos do andamento das reformas.

O clima não parece nada amistoso para o governo, já que o presidente não consegue "sobreviver" sem confrontação. Na verdade, pegou muito mal sua postura na "carreata das motos" no domingo passado no Rio de Janeiro. Reuniu milhões de pessoas pelas ruas do Rio, numa movimentação totalmente temerária, diante dos riscos de contaminação. E o pior com a participação do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Muitos acham que será inevitável mais uma acareação com o ex-ministro na CPI da Covid.

Sobre esta, será destaque neste dia a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitão Cloroquina”. Ela prestará seu depoimento num ambiente tenso e com o presidente da Comissão, senador Omar Aziz, bem incisivo diante do governo. Todos se mostram muito desconfortáveis com a postura "palanqueira" do presidente. Não há como contemporizar uma postura destas. Jair Bolsonaro já não governar, faz campanha para 2022.

No Exército, a repercussão do evento de domingo foi a pior possível, com muitos do Alto Comando recomendando alguma punição ao general Eduardo Pazuello. Acham, por exemplo, que ele deve ir para a reserva. O vice presidente general Hamilton Mourão, inclusive, se posicionou contrário à postura "política de Pazuello.

Isso pode não valer muito, pois, praticamente, inexiste qualquer relação de proximidade com o presidente, algo apenas protocolar, mas não podemos deixar de considerar o vice-presidente, muitas vezes, um contraponto importante ao populismo do "capitão".

Na verdade, o presidente alimenta, cada vez mais, este clima de confrontação e rebeldia, não sabendo se isso terá algum efeito favorável lá na frente, com as eleições.

Pelas pesquisas mais recentes, algumas mais críveis do que outras, pouco deve ter, já que a perda de popularidade do presidente parece fato.

Em pesquisa da semana, do Instituto Ideia, na Exame Pesquisa, sobre a popularidade e as reformas, temos o seguinte:

# sobre a avaliação do presidente, 50% o julgam entre péssimo e ruim, 24% ótimo e bom e 22% regular. Nestes 50%, 63% dos que ganham mais de cinco salários acham o presidente ruim e péssimo;

# na aprovação ou reprovação, 48% reprovam, 26% aprovam e 22% não aprovam nem desaprovam. Destes que aprovam, 38% são evangélicos e 19% católicos.

Falando das reformas:

Sobre a reforma tributária:

# 25% acham que se aprovada irá aumentar os impostos sobre os cidadãos, 25% o contrário e 20% acham que não será aprovada e nada deve mudar.

# sobre a criação de um imposto sobre transações financeiras, 58% são contrários, 10% a favor e 19% neutros.

# se a reforma reduzisse a carga de impostos, 56% poupariam e investiriam no futuro e os outros gastariam.

Sobre a reforma administrativa:

# na avaliação de desempenho de um ano antes de contratar, 49% se mostram à favor, 26% contra.

# estas medidas só devem ser aplicadas aos futuros servidores. Muitos discordam achndo que deve se estender a todos, 41%. Outros, só depois da mudança da regra (21%).

No posicionamento sobre as privatizações, do Correio 45% são favoráveis, 35% contra; da Eletrobras, 36% contra e a favor.

Nas reformas observa-se o esforço das pessoas em economizar recursos, daí quererem pagar menos impostos. Nas privatizações, uma tomada de consciência começa a haver de que as empresas públicas, muitas vezes, acabam "aparelhadas pelos conchavos políticos", se tornando objetos de corrupção. Daí a aceitação pelas privatizações.

Falando da pandemia, 29% acham que vai melhorar, 24% que vai piorar e 18% igual até o final do ano. 21% acham que só melhora em 2022. Já as vacinações seguem abaixo do esperado (69%) ou atrasada (75%).

Em simulações feitas nestas pesquisas, sobre as eleições, Lula da Silva teria mais chance de vitória em primeiro turno, ou mesmo numa ida ao segundo.

Por outro lado, as movimentações do presidente, nas suas várias incursões pelo País, inaugurando obras, em carreatas, palanques, mostram que ainda existe alguma popularidade, apoio entre 20% e 30%. Isso é sempre considerado como um dificultador, por exemplo, para o início de um processo de impeachment. O risco maior é de ruptura política, pelo apoio ao presidente nas ruas, embora as pesquisas não mostrem isso.

Sobre a agenda econômica desta semana, estejamos atentos aos movimentos do presidente do Congresso, Arthur Lira, e do ministro Guedes sobre a agenda de reformas.

Na pauta do Congresso, temos as reformas administrativa e tributária (fatiada e com menos prioridade), a valorização dos marcos setoriais, as medidas microeconômicas e o processo de privatização da Eletrobras (MP em discussão no Senado).

Estejamos também atentos às escaramuças do Planalto, pois boatos na segunda-feira indicavam que o auxílio emergencial pode ser extendido até o ano que vem.

Soma-se a isso, o presidente investe para fortalecer sua imagem junto às Forças Armadas - e na pauta de segurança como um todo -; buscando desqualificar o dissensso criado quando mudou os comandos da área e o ministro da Defesa. Quando fala em "meu Exercito" tenta reforçar esta narrativa.

Neste sentido, o clima de beligerância, criado pelo presidente, pode ter apoio do alto Comando do Exercito, ou não. Aguardemos os próximos capítulos.

Nesta terça-feira sai o IPCA 15 de maio (IBGE). A tendência é de alguma desaceleração, a 0,4%, mas ainda em patamar alto e bem acima da meta.

Falando dos mercados, o Ibovespa registrou +1,17%, a 124.031 pontos com volume financeiro negociado de R$ 28,7 bilhões. Foi o maior patamar de fechamento desde o dia 08/01, quando encerrou cotado em 125.076 pontos. Já o dólar comercial caiu 0,53% a R$ 5,32 na venda seguindo o desempenho da moeda no mundo todo. O dólar futuro com vencimento em junho registrou perdas de 0,72% a R$ 5,325 no after-market.

O S&P 500 fechou em alta de 0,99%, aos 4.197 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 1,41%, aos 13.661 pontos. Este índice iniciou a semana em alta com os diretores do Fed reiterando as expectativas de alta para a inflação de curto prazo, devido à reabertura da economia. Mesmo assim, reforçam estes choques como transitórios. Lembremos também que a redução do pacote de infraestrutura de mais de US$ 2,2 trilhões para US$ 1,7 trilhões, reduz o receio de uma inflação mais forte.

sábado, 22 de maio de 2021

Lula ou Bolsonaro? Nenhum dos dois !

Nos Manuais de Ciência Política definimos "populismo" da seguinte forma.

É o sistema de "simpatia pelo povo"; é a doutrina, ou prática política, que procura obter vantagens com o apelo a reivindicações ou preconceitos amplamente disseminados entre a população, geralmente fazendo a distinção entre dois grupos antagónicos: um, virtuoso e maioritário – o povo – que exalta e diz defender; outro, minoritário e apontado como fonte dos problemas gerais, que pretende combater; doutrina ou regime, geralmente de carácter "paternalista", assentado na ideia de que a liderança política deve ser exercida em estreita ligação com o povo, sem a intermediação de partidos; corrente artística que escolhe como temática os costumes ou o modo de vida popular.

Incrível como esta simbiose perversa do "populismo", entre governante e povo, se instalou de vez no Brasil e não parece ter hora para sair.

A disputa da eleição de 2022 nos coloca nesta "vala comum". Dois candidatos populistas que pouco pretendem alterar a estrutura sócio-econômica do País, mas sim conquistar o poder e viver de dar "agrados" aos mais pobres, para assim se perpetuar no poder.

De um lado, Lula da Silva, e o seu "lulo-petismo", fenômeno político, que se manteve por 15 anos no Palácio do Planalto e pouco alterou esta estrutura sócio econômica. Se manteve no poder, através do clientelismo de um sistema de peleguismo e "intenso patrulhamento ideológico". 

Do outro, um capitão insubordinado, expulso do Exercito, que conseguiu ser eleito por, fatores fortuitos (uma "facada") , mas, também, por se opôr ao sistema de poder anterior. Sua grande bandeira de luta foi o "anti-Lulismo". Foi isso que o elegeu, agora será o anti-bolsonarismo a lhe ameaçar o poder.

Dois populistas demagogos e pouco preocupados em mudar a fundo a sociedade brasileira. São projetos de poder, o poder pelo porder, e não programas de governo consistentes e transformadores. O que lhes permeia é a conquista do poder.

Não dá para haver comparações. Lula e Bolsonaro são personagens da mesma estirpe, do mesmo  pedigree. São POPULISTAS com sede ou tara pelo poder.

Perderemos mais uma década de populismo e vamos ficando para trás na corrida global.

Já são quantos anos?

Creio q desde 2001 estamos "patinando", encalacrados nestes esquemas perversos de governança.

Não consiguimos ver muitas qualidades no lulo-petismo, nem no bolso-petismo.

Lula se elegeu em 2001 e a primeira decisão foi criar o tal "voto de cabestro", com o tal FOME ZERO, nada mais do q dar "esmola" para o povão e gerar uma "sensação" de bem estar e prosperidade momentânea.

Não considero isso uma política consistente de transferência de renda, política social, ou algo que os "intelectuais" brasileiros tanto se preocuparam em "rotular". Para pegar 100 reais e dar aos pobres, basta apenas uma boa política de capilaridade, de transferência...

Apenas isso.

Política social mesmo é promover as REFORMAS ESTRUTURAIS, acabar com a fábrica de desigualdades que é a nossa estrutura previdenciária, em que só os servidores públicos (no geral) se beneficiam. Temos que falar em REFORMA TRIBUTÁRIA, para acabar com este cipoal de impostos que não fazem políticas distributivas e só desorganizam as estruturas produtivas.

Temos q falar, enfim, de uma PROFUNDA reforma do Estado, tentando blindá-lo contra a CORRUPÇÃO e colocar o servidor público no seu devido lugar, a cumprir seu papel,
SERVIR AO PÚBLICO, SER UM EMPREGADO DOS PAGADORES DE IMPOSTO. E NÃO SE SERVIR DELES.

Bolsonaro escorrega pela mesma retórica. Um negacionismo perverso, obscurantista, que não reconhece a ciência, os progressos obtidos, sempre apegado à teorias conspiratórias amalucadas.

Sua postura na pandemia foi criminosa. Minimizou a pandemia e fez de tudo para sabotar o isolamento social e as medidas de prevenção; acreditou na "imunidade do rebanho" e, por isso, não quis comprar vacinas e pregou o uso da cloroquina como prevenção; quis testar a “teoria” da imunidade em Manaus e deu errado. 

Enfim, negou a vacinação e lutou por um placebo, um remédio contra malária e lupus. Sua postura, mais matou do que salvou vidas. 

Foi nesta toada, nesta visão fanática e distorcida, com pitadas de "teologia salvacionista", que chegamos agora a esta encruzilhada, Lula ou Bolsonaro?

Um usurpou a democracia, agindo como Hugo Chavez, "comprando" os poderes da República. Daó o Mensalão, na qual o PT oferecia mesadas para se manter numa boa com o Legislativo e também o meio empresarial. Outro não sabe bem o que é democracia, se serve dela, mas não tem muita simpatia ou cultura pela diversidade. É por natureza, um autoritário. 

Nesta encruzilhada para 2022 poucos enxergam UMA saída. Claro que nenhum dos dois servem para serem presidentes do Brasil. Seus legados estão postos. Um criou o mais sistema de corrupção da hisstória moderna, outro, no seu negacionismo, não combateu a pandemia e muito contribuiu para as mortes que estamos acumulando até o momento (446 mil). 

Muito longe disso. Temos uma memória bem clara do desastre que foi Lula no poder, nos seus Mensalões, Lava Jatos, seus esquemas de corrupção ativa, em conluio com empreiteiras e outros.  

Não dá também para apoiar um presidente, caótico nos seus dois anos e meio no poder. Bolsonaro foi isso...um desastre nestes dois anos e meio.

Vamos conversando.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

@empiricus & @BTGPDigital , uma tacada de mestre? Por DAN KAWA

Tenho acompanhado bastante a movimentação do mercado de capitais no Brasil e toda essa tese de “financial deepening” que vem ocorrendo no país.

Ontem, o mercado recebeu a notícia de que o BTG Pactual estaria comprando a “holding” Universa, que é composta pela Empiricus (casa independente de análise), Vitreo (gestora) e mais alguns ativos de comunicação.

Segundo fontes, o valor seria de exorbitantes R$ 2 bilhões !

Do lado da Universa, Felipe Miranda e seus sócios estão há anos desenvolvendo um trabalho espetacular focado no varejo. Se uniu aos competentíssimos sócios da Vitreo, levando acesso de suas recomendações para fundos de investimento de nichos.

Reza a lenda que a Empiricus tem 400 mil assinantes.

Em um mundo em transformação, em um mercado intensivo em tecnologia e em capital, faz muito sentido à Universa diversificar seus negócios e se juntar a um parceiro mais completo, com capital e com tecnologia.

A história me lembra muito Steve Jobs com a Pixar. Após alguns anos de sucessos sucessivos em seus lançamentos, a empresa ainda era muito dependente de seus próximos filmes. Um simples erro, poderia levar a empresa ao fracasso, a despeito dos acertos passado.

Então, Jobs pensou: “Porque não diversificar meu negócio, me unindo a Disney e ficando com parte de um negócio mais diversificado em termos de receita?”.

O resto é história. Hoje a viúva de Jobs é uma das mulheres mais ricas do mundo, e não devido a Apple, mas sim devido a suas ações da Disney.

Do lado do BTG Pactual, onde suas ações são precificadas a múltiplas vezes o seu patrimônio, onde o mercado paga caro por AuC, por número de clientes e por abertura de contas, adicionar o acesso a 400 mil contas leva o Banco a pular diversas etapas em sua incursão no varejo.

De forma mais clara, o BTG pode pagar com ações ou emitir ações e pagar com dinheiro, em uma ação que opera em seus picos históricos. Além disso, ainda consegue saciar a demanda dos investidores por investimentos e crescimento.

É ou não é uma tacada de mestre?

Dan H. Kawa



Simon Schwartzman