quarta-feira, 2 de abril de 2025

BDM Matinal Riscala 0204

 *Rosa Riscala: Chegou o dia*


… O presidente Trump deve anunciar as tarifas recíprocas no evento Make America Wealthy Again, previsto para as 17h (de BSB), informou a Casa Branca. Faltando poucas horas para o show do Liberation Day, ainda não se sabe o que virá. Várias opções estão na mesa, entre as quais, tarifas distintas para cada parceiro comercial dos EUA, uma alíquota universal de 20% a todos os países e uma sobretaxa menos elevada para um subgrupo de países. Sob forte expectativa e apreensão, os mercados se mantêm na defensiva. Na agenda dos indicadores, destaque para mais um dado do emprego americano antes do payroll (6ªF), pesquisa ADP, com a criação de vagas no setor privado em março, e os números da produção industrial no Brasil em fevereiro.


… Ao que tudo indica, o presidente Trump planeja um espetáculo midiático; a porta-voz do governo, Karoline Leavitt, disse no breafing aos jornalistas que o dia 2 de abril será “uma das datas mais marcantes da história moderna”.


… Ela também antecipou que as tarifas recíprocas e sobre automóveis entrarão em vigor amanhã, no dia 3 abril.


… “O presidente já fez a sua cabeça sobre as tarifas, mas está sempre aberto para receber ligações”, disse Leavitt, afirmando que alguns poucos países foram convocados para conversar. Mais um sinal de que haverá (ou já está havendo) negociações.


… Israel, por exemplo, se antecipou, anunciando a eliminação de todas as tarifas sobre importações de bens dos Estados Unidos, nesta 3ªF. A decisão foi comunicada pelo gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.


… Também autoridades do Reino Unido já conversaram com os EUA e o primeiro-ministro Keir Starmer, que tem boa relação com Trump, prometeu uma abordagem “calma e pragmática”, sem “reação precipitada” ao que for anunciado.


… Já o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou que implantará medidas retaliatórias contra os EUA se houver novas sanções e tarifas. Disse que suas ações “terão impacto mínimo para os canadenses e máximo para os americanos”.


… O Swissquote Bank espera hoje um anúncio “exagerado, exaustivo, barulhento e nervoso, para provocar temor e concessões”.


… Para o banco suíço, tarifas mais “razoáveis” do que se teme podem trazer alívio aos mercados. Mas medidas “irracionais”, como as tarifas de 200% ameaçadas contra bebidas alcoólicas europeias, aprofundariam a turbulência global.


… Reportagem do Washington Post relatou no início do dia que assessores de Trump elaboraram uma proposta que impõe tarifas de 20% à maioria das importações. A equipe pretende usar trilhões de dólares em novas receitas para cortar impostos.


… Já no fim da tarde, a Dow Jones apurou que uma nova opção estaria sendo preparada para o presidente na véspera do anúncio: uma tarifa geral sobre um subconjunto de nações que provavelmente não seria tão alta quanto a opção universal de 20%.


… Segundo essas fontes, ainda não está claro qual opção Trump escolherá e pessoas familiarizadas com o planejamento enfatizam que as discussões continuam, apesar de o presidente ter dito na noite de 2ªF que já havia “definido” um plano.


… Não só os países, mas as empresas que podem ser atingidas esperam pelas tarifas e podem reagir.


… Na Bloomberg, a Mercedes-Benz está considerando retirar seus carros mais baratos dos EUA porque as tarifas de automóveis provavelmente tornariam suas vendas inviáveis, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.


… A montadora não tomou uma decisão final e ainda pode mudar de curso dependendo de como as taxas forem implementadas.


O RISCO PARA O BRASIL – Em relatório, o BTG avaliou que o Brasil será afetado se Trump aplicar tarifas generalizadas a setores específicos da economia, mas pode se livrar se a taxação incluir apenas países que têm grandes déficits com os EUA.


… A tarifa média ponderada pelo volume de importações do Brasil é cerca de 5,8%, contra cerca de 1,3% dos EUA. Já em relação às barreiras não tarifárias, o País tem um índice de BNT de 86%, acima dos EUA (77%) e da média internacional (72%).


… Em um cenário de tarifa média similar que o Brasil impõe aos EUA (5,8%), o BTG estima uma perda de cerca de US$ 3 bilhões na balança comercial, podendo ultrapassar US$ 10 bilhões em 2026, no caso de tarifa linear de 25%.


… As barreiras sanitárias e fitossanitárias do Brasil equivalem a tarifas médias de 20% a 40%, dependendo do setor. O risco, diz o BTG, é a imposição de tarifas muito acima da média tarifária brasileira (5,8%) para compensar barreiras regulatórias.


… Se o Brasil for obrigado a reduzir barreiras não tarifárias, setores intensivos em uso de insumos básicos e aqueles relacionados ao vestuário, maquinário e produtos semimanufaturados seriam os mais pressionados e potencialmente prejudicados.


ETANOL NA MIRA – O relatório do USTR sobre barreiras comerciais divulgado nesta semana pelo governo do presidente Trump reforçou a relevância que o etanol tem e terá nas negociações comerciais com o Brasil.


… Embora o relatório repita as reclamações americanas dos últimos anos, o temor agora é de que sirva de pretexto para elevação unilateral de tarifas, disse ao Broadcast o sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados, Welber Barral.


… A tarifa aplicada sobre o etanol norte-americano é a reclamação mais clara dos EUA, da qual o Brasil não deve ter escapatória se quiser negociar com o governo Trump para reverter um eventual um tarifaço agressivo.


… O setor privado espera que o governo brasileiro não suba demasiadamente o tom se o País for atingido diretamente, avaliando que o País precisará ter frieza para reagir, antes analisando os impactos e depois partindo para a negociação com os EUA.


… É consenso que estudar uma alternativa para o pleito antigo dos americanos para a redução do imposto de importação sobre o etanol dos EUA é uma necessidade, se o Brasil quiser permanecer à mesa com os americanos.


… O Brasil cobra 18% sobre o produto americano, enquanto a tarifa cobrada para o etanol brasileiro que entra nos EUA é de 2,5%.


… O relatório do USTR também cita “tarifas relativamente altas do Brasil sobre importações de automóveis, peças automotivas, tecnologia da informação e eletrônicos, produtos químicos, plásticos, máquinas industriais, aço e têxteis e vestuário.


ALCKMIN – O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil deve aguardar o anúncio de Trump sobre o plano tarifário para decidir qual será a linha de ação do governo.


… Classificou como “importante” o relacionamento com os EUA, “para onde exportamos mais produtos de valor agregado”. Mais uma vez, Alckmin disse que a disposição do Brasil é estar aberto ao diálogo e fortalecer o comércio exterior.


… O vice-presidente louvou a iniciativa do Senado de aprovar o PL da Reciprocidade, mas voltou a destacar que o caminho diante da política tarifária do governo norte-americano é o de buscar negociação e a complementariedade econômica.


… Ao Valor, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, foi na mesma linha, afirmando que o Brasil prefere o caminho da negociação para evitar ser atingido pelo “tarifaço” que o presidente Trump anunciará hoje.


… Segundo ele, caso as conversas fracassem, o governo brasileiro adotará medidas de retaliação, mas sem dar um “tiro no pé”.


… O próprio presidente Lula mudou a conversa nas últimas semanas, poupando as críticas e passando a defender o diálogo.


TARIFAS, JUROS E RECESSÃO – O mercado em NY ampliou as suas apostas de queda dos juros americanos e já espera um corte de 100pbs neste ano, embora a redução de 75pbs ainda seja vista como a mais provável no CME Group, com 33%.


… O temor de uma recessão nos Estados Unidos, como resultado das tarifas de Trump, justificam as novas expectativas (abaixo).


… Para Thomas Barkin (Fed/Richmond), a política comercial da Casa Branca deve apresentar desafios para a inflação e o mercado de trabalho. Segundo ele, o mercado de títulos, cada vez, sinaliza riscos de recessão.


… “Estamos todos na neblina”, disse Barkin, admitindo que as incertezas dificultam a perspectiva da política monetária.


… À noite, Austan Goolsbee (Fed/Chicago) afirmou à Fox News que a confiança está “quase se desintegrando”, que a incerteza está associada ao medo da inflação. “Há temores de que as tarifas aumentem além das importações e afetem outros custos.”


… Para a Capital Economics, a queda no PMI/ISM industrial dos EUA em março, nesta 3ªF, mostra que a estagflação está no ar. A consultoria apontou o salto no índice de preços pagos como uma preocupação com as tarifas.


… Os três principais subíndices do PMI tiveram quedas significativas em março, incluindo produção (48,3) e emprego (44,7).


… Também o ING alertou em nota o risco que as perspectivas de retaliação estrangeira significarão para as cadeias de oferta. O banco observa que, além do PMI/ISM, o relatório de Jolts veio mais fraco que o esperado.


… Já a Pantheon Macro avalia que, apesar do enfraquecimento na demanda por mão de obra, o nível ainda não é consistente com uma recessão. Mas não descarta que um declínio maior “provavelmente” ocorrerá mais adiante.


MAIS AGENDA – A produção industrial (9h), indicador mais importante no Brasil, tem estimativa de um crescimento de 0,20% em fevereiro, após a estabilidade registrada em janeiro, segundo a mediana apurada em pesquisa Broadcast.


… Economistas atribuem a leve expansão a uma correção estatística, que se segue aos recuos dos últimos três meses de 2024.


… Logo cedinho, o IPC-Fipe de março deve avançar a 0,63%, acelerando sobre o resultado de fevereiro (0,51%), com a pressão dos grupos de Alimentação (com alta do tomate, batata, aves e ovos) e Habitação (reajuste de energia elétrica).


… Às 8h, a FGV divulga o IPC-S das Capitais de março; na 3ª quadrissemana, o índice desacelerou em todas as sete cidades.


… Às 14h, saem as vendas de máquinas e equipamentos da Abimaq em fevereiro e, às 14h30, o fluxo cambial semanal.


BC – Faz evento o dia todo para celebrar 60 anos, com as presenças de Gabriel Galípolo, diretores, do presidente Lula (14h30), do ministro Haddad (de volta de Paris) e de ex-presidentes da autarquia, que participam de painéis.


LÁ FORA – Mais um indicador de emprego, com a pesquisa ADP de março (9h15), será divulgado nos Estados Unidos com a criação de vagas no setor privado, com o consenso de +122,5 mil, bem acima dos 77 mil de fevereiro.


… Às 11h, saem os pedidos de encomendas à indústria americana, que podem crescer 0,5% em fevereiro (+1,7% em janeiro).


… Às 11h30, o DoE informa os estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, com previsão de queda de 700 mil barris.


… Às 17h30, a diretora do Fed Adriana Kugler discursa sobre expectativas de inflação e política monetária.


… À noite, Japão (21h30) e China (22h45) divulgam os índices PMI do setor de serviços em março.


TIKTOK – No mesmo dia das tarifas, a CBS informa que Trump considerará uma proposta final para o TikTok nesta 4ªF. O governo finaliza planos para investidores que podem incluir a Blackstone e Oracle, além de uma longa lista de outros investidores.


… Trump estabeleceu um prazo até sábado, 5 de abril, para que a empresa controladora chinesa do TikTok, a ByteDance, venda a sua participação no aplicativo ou, potencialmente, enfrente uma proibição no mercado americano.


CLIMÃO – Na véspera do dia D das tarifas, dados fracos de indústria e emprego nos Estados Unidos reforçaram a percepção dos mercados de que a política comercial de Trump pode prejudicar a economia americana.


… Como tem acontecido nas últimas semanas, o clima de cautela só aumentou entre os investidores.


… Inicialmente, os números derrubaram as bolsas em NY, que, no fim do dia, conseguiram se recuperar diante da leitura de que o Fed poderá ter mais motivos para cortar juro este ano, o que beneficia os ativos de risco.


… Os rendimentos dos Treasuries caíram, com os traders aumentando suas apostas na flexibilização da política monetária.


…  No monitoramento da CME Group, cresceu a expectativa para um corte total de 100 pontos-base em 2025, de 16% para 26%, embora a chance de 75 pontos-base ainda seja majoritária (33,7%).


… Enquanto isso, Ibovespa, real e DIs continuaram a se beneficiar do fluxo estrangeiro, na esteira da rotação global de ativos. Os juros voltaram a se distanciar de 15% e o dólar voltou a valer menos de R$ 5,70.


… O dado mais preocupante nos EUA ontem foi a queda do PMI industrial medido pelo ISM, que passou a mostrar contração do setor, com leitura de 49 em março, de 50,3 em fevereiro e abaixo da projeção, de 49,5.


… Segundo a Pantheon, o PMI teria caído mais não fosse um aumento de 3,5 pontos no subíndice de estoques, que pode indicar um movimento de antecipação do setor industrial americano ao anúncio das tarifas.


… No mercado de trabalho, o relatório Jolts informou que o número de vagas em aberto nos Estados Unidos somou 7,56 milhões em fevereiro, abaixo das 7,76 milhões em janeiro, e aquém do consenso de 7,63 milhões.


… É quase um milhão de vagas a menos que em fevereiro/24, quando havia 8,445 milhões postos à espera de candidatos.


… Divulgados os dados, o S&P 500 chegou a cair mais de 1%, mas recuperou-se à tarde para fechar com alta de 0,38% (5.633,07).


… Com retomada das techs depois de um recuo forte na véspera, o Nasdaq subiu 0,87% (17.449,89 pontos), enquanto o índice Dow Jones terminou o dia estável (-0,03%), aos 41.989,96 pontos.


… Nos Treasuries, o rendimento note de 2 anos caiu para 3,871% (de 3,886%, na sessão anterior); o da note de 10 anos cedeu a 4,166% (de 4,206%) e o do T-bond de 30 anos recuou a 4,528% (4,575%).


… Na contagem regressiva para o anúncio das tarifas dos EUA, o dólar frente aos pares não saiu do lugar. O índice DXY (+0,05%), aos 104,260 pontos, passou o dia perto da estabilidade, oscilando entre pequenas baixas e altas.


… O euro caiu 0,29%, a US$ 1,0789, e a libra esterlina ficou estável (-0,07%), em US$ 1,2915. O iene subiu 0,20%, a 149,635/US$.


… Por aqui, o dólar à vista fechou em baixa de 0,40%, a R$ 5,6824, acompanhando outras moedas emergentes, beneficiadas pela busca de ativos mais rentáveis pelo investidor estrangeiro.


… Na B3, os juros futuros engataram novo dia de queda, novamente influenciados pelo exterior e turbinados pela queda do dólar ante o real. A forte demanda pelos leilões de LTF e NTN-B, mesmo com risco maior, ajudou a tirar prêmio da curva.


… No fechamento, o juro do Jan/26 caía a 15,005% (de 15,015% na sessão anterior); o Jan/27 cedia a 14,855% (de 14,930%); o Jan/29, a 14,595% (de 14,175%); o Jan/31, a 14,720% (de 14,860%); e o Jan/33, a 14,740% (de 14,870%).


… O Ibovespa terminou a primeira sessão de abril em alta (+0,68%; 131.147,29 pontos), apoiado na valorização de ações ligadas a commodities, mas o índice perdeu força ao longo do dia, quando chegou perto dos 132 mil pontos, na máxima.


… Seguindo a alta de 1,86% no minério de ferro em Dalian, Vale subiu 0,86% (R$ 57,19). A ação também foi influenciada pelo anúncio de acordo da mineradora com a GIP para estabelecer uma joint-venture na Aliança Geração de Energia.


… Petrobras ON registrou +0,51% (R$ 41,03) e PN, +0,38% (R$ 37,30), a despeito da queda de 0,37% no Brent/junho (US$ 74,49).


… Bancos foram em direções distintas. Banco do Brasil (+0,50%; R$ 28,33), Bradesco ON (+0,54%; R$ 11,23) e Itaú Unibanco (+0,03%; R$ 31,40) ficaram no azul. Bradesco PN caiu 0,16%, a R$ 12,46, e Santander cedeu 0,07%, a R$ 26,70.


… Destaques de alta foram Assaí, +5,57% (R$ 7,96); Telefônica, +4,96% (R$ 52,30) e Localiza, +4,50% (R$ 35,10). Na outra ponta ficaram Natura (-7,91%; R$ 9,20), Braskem (-3,45%; R$ 10,62) e Azul (-2,74%; R$ 3,20).


EM TEMPO… BANCO MASTER registrou lucro líquido de R$ 1 bilhão em 2024, ante R$ 532 milhões em 2023; patrimônio líquido encerrou 2024 em R$ 4,7 bilhões, alta de 104%…


… Banco tem R$ 7,6 bilhões para honrar em CDBs com vencimento até junho; até o fim do ano, o Master tem compromissos que somam R$ 12,4 bilhões para honrar em CDBs.


JBS concluiu a aquisição de 50% das ações com direito a voto da Mantiqueira.


PETROBRAS vai se reunir com a categoria dos petroleiros nesta 4ªF para discutir regras de teletrabalho e bônus, segundo a FUP.


BRF. Conselho de Administração aprovou por unanimidade nomeação do advogado Heraldo Geres para o cargo de vice-presidente do Jurídico Brasil, Tributário, Gente e Compliance.


TELEFÔNICA aprovou distribuição de R$ 204 milhões em JCP, R$ 0,1258/ação, com pagamento até 30/4/26; ex em 12/4/25.


GPA recebeu cartas dos acionistas Casino Guichard Perrachon e Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira manifestando apoio ao pedido de convocação de AGE e às propostas do fundo de investimento Saint German, do empresário Nelson Tanure…


… A gestora Trustee DTVM, responsável pelo Saint German, solicitou no último domingo (30) a convocação de AGE para destituir o atual Conselho de Administração e eleger uma nova composição para o órgão.


CASAS BAHIA informou que Michael Klein atingiu posição equivalente a 10,42% em ações de emissão da companhia.


AEGEA cotou bancos para buscar IPO a partir do fim do ano, segundo fontes do Broadcast…


… Empresa buscará levantar ao menos R$ 8 bilhões na oferta; recursos deverão ser usados para fazer frente a investimentos.


NEOENERGIA PERNAMBUCO fará a 16ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, com garantia adicional fidejussória, em série única e no valor de R$ 700 milhões.


UNIDAS anunciou a segunda emissão de notas comerciais escriturais, em série única, no montante de R$ 200 milhões. Serão 200 mil notas comerciais, com valor unitário de R$ 1.000 e vencimento em 28 de março de 2028.

terça-feira, 1 de abril de 2025

As três falhas do BCB

 ANÁLISE: As três falhas do BC no caso do Banco Master


Alex Ribeiro De São Paulo


 


A situação do Banco Master é perfeitamente administrável pelo Banco Central (BC), que tem experiência e ferramentas para lidar com dificuldades de instituições financeiras de médio porte. Mas o episódio expõe falhas nas áreas de regulação, supervisão e resolução.


Na regulação financeira, o Banco Central deixou esticar a corda num sistema de captação que cria os incentivos errados, permitindo o chamado risco moral - ou seja, que alguns ganhem uma renda extra às custas dos riscos assumidos por outros.


Nesse caso, os depositantes compravam, nas plataformas de investimento, CDBs — não só do Master, não há nenhum privilégio aqui — recebendo bem mais do que o CDI sem se preocupar com os riscos que o banco está assumindo com a aplicação desses recursos, porque essas captações são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).


Quem paga a conta é o sistema bancário como um todo, principalmente as grandes instituições de varejo, que fazem o grosso das contribuições ao FGC. Implicitamente, há a garantia também do Banco Central, que criou o FGC na crise bancária do Plano Real. Na origem, o BC encheu o pote por meio da liberação de compulsórios, a título de antecipação de contribuição — e fica essa lembrança em todos, por mais que o FGC tenha uma administração privada.


Quem descreve a situação de risco moral é o próprio Banco Central, na exposição de motivos da Resolução no 5.114, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que procurou limitar, ao longo dos anos, o uso desse expediente pelas instituições financeiras.


Essa foi uma segunda tentativa do Banco Central de limitar a regra, e está sendo aplicada de forma paulatina. Uma anterior, feita em 2019, exigia depósitos de recursos para ampliar os custos dessas captações, e acabou não surtindo os efeitos desejados. Ou seja: há seis anos, pelo menos, os incentivos errados preocupavam a autoridade monetária.


O sistema de garantia do seguro depósito, que apoia os bancos menores, não é de todo ruim, porque permite o fortalecimento de concorrentes num mercado altamente concentrado. O abuso da fórmula, junto com outras regras que criam uma assimetria nas exigências regulatórias, é que dá problema. O BC percebeu, neste caso, mas foi muito lento para corrigir.


Isso nos leva à segunda falha do Banco Central: sua supervisão deveria ter identificado e agido antes que o problema se tornasse mais volumoso.


Não há sistema imune a dificuldades de instituições financeiras, e nenhum banco central é capaz de identificar todos os problemas. Mas esse episódio, de certa forma, expõe os problemas causados pelo desmonte da estrutura do Banco Central, com a aposentadoria e saída de funcionários, o que reduziu o quadro de pessoal da fiscalização.


Boa parte dessas dificuldades pode ser suprida com o uso de tecnologia para monitorar as instituições financeiras à distância. Mas não há sistema de supervisão que funcione sem botinas suficientes no campo de batalha.


Uma terceira questão está na resolução do problema, uma vez identificado. O Banco Master precisava de um comprador ou de um parceiro com fôlego para ajudá-lo a atravessar um momento difícil, criado pelo aperto da Selic. Nessas situações, o problema também é do regulador bancário.


Muito tem se falado que cabe à autoridade monetária aprovar ou não a operação agora que foi fechada, mas essa discussão evidentemente está incompleta. A obrigação do Banco Central é acompanhar e avaliar previamente toda a negociação, e só permitir o anúncio da solução se a equação estiver completamente fechada.


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, acaba de chegar ao cargo, e o problema está nas mãos dele - como Arminio Fraga, há mais de duas décadas, teve que lidar com o Marka e o FonteCindam, que vinham da gestão anterior.


Mas as reuniões de Galípolo com dirigentes do Banco Master e com compradores — BRB — ou potenciais compradores deixam a instituição financeira exposta. Nessas ocasiões, o regulador tem que se antecipar, ser discreto e ágil.


São varias falhas, mas, felizmente, nenhuma é fatal, porque não apareceu nenhuma evidência de risco sistêmico e, nessas situações, o Banco Central tem toda a expertise, poderes e ferramentas para atuar. Mas será preciso ter os mecanismos de contingência para problemas de maior dimensão que eventualmente venham a acontecer .


Uma das questões é calibrar regras que procuram ampliar a concorrência à custa de eventuais arbitragens regulatórias. Outra é fortalecer a estrutura financeira e de pessoal do Banco Central com a aprovação da sua autonomia administrativa. Um terceiro é criar um sistema de resolução de crises bancárias que dê conta de problemas realmente grandes — há um projeto em tramitação no Congresso, mas alguns críticos acham que algumas modificações podem atrapalhar, em vez de ajudar.

Morgan Stanley

 🇧🇷  *Coluna do Broad: Reunião do Morgan Stanley com empresas brasileiras em NY atrai 40% mais investidores*


*A reunião anual do Morgan Stanley com empresas da América Latina em Nova York, que ocorrerá nos dias 2 e 3 de abril, receberá 200 investidores internacionais*, 40% a mais do que no ano passado. Das cerca de 50 companhias de capital aberto participantes, a maioria é brasileira. O restante divide-se entre México, Argentina, Colômbia, Peru e Chile.


Além de fundos e gestoras especificamente da costa Leste dos EUA, estarão lá fundos de pensão e soberanos de outros países, como canadenses e árabes. _“O cheque ainda não foi escrito, mas a turma está olhando para se antecipar a uma mudança de cenário”_, afirma Eduardo Mendez, diretor gerente do Morgan Stanley no Brasil. Para ele, o principal motivo no maior número de inscritos é que o “Brasil está barato em termos históricos”.


Segundo Mendez, o que falta para o maior apetite de alocação no Brasil por parte dos investidores é maior visibilidade com respeito aos riscos ligados à política monetária e fiscal do País. Com a percepção de que o fim do ciclo da alta de juros se aproxima, um dos obstáculos será removido do caminho. Do lado fiscal, porém, há menos visibilidade, mas os grandes gestores globais têm a obrigação de tentar entender o momento e as perspectivas das empresas.

FGC e risco sistêmico

 https://www.moneytimes.com.br/exclusivo-fgc-descarta-risco-sistemico-em-caso-master-compra-pelo-brb-nao-revolve-todos-os-problemas-rnda/

BDM Matinal Riscala 0103

 *Rosa Riscala: EUA citam barreiras comerciais do Brasil*


… A agenda dos indicadores traz hoje os índices PMI industrial na zona do euro, Alemanha, Reino Unido e nos EUA, onde também será divulgado o relatório Jolts com a abertura de vagas de emprego em fevereiro. A zona do euro tem, ainda, dados de inflação e um discurso de Lagarde (BCE). A contagem regressiva para o anúncio das tarifas de Trump amanhã (4ªF) mantém a apreensão global e os mercados no modo aversão ao risco, com receio de uma guerra comercial de maiores proporções. Depois de dizer que “todos os países” serão atingidos, Trump prometeu ser “mais gentil e mais leniente”, afirmando que é uma “pessoa flexível”. No final do dia, um relatório do USTR acusou o Brasil e mais 58 países de imporem numerosas barreiras contra produtos americanos.


… Sobre o Brasil, o documento afirma que impõe tarifas relativamente altas sobre as importações de uma ampla gama de setores, incluindo automóveis, peças automotivas, TI, eletrônicos, produtos químicos, plásticos, maquinário, aço, têxteis e vestuário.


… Para o USTR, a falta de previsibilidade das alíquotas brasileiras traz dificuldade aos exportadores dos EUA na projeção de custos para fazerem negócios no Brasil, que apresenta restrições e exige que os contratos contenham requisitos de compensação.


… Na véspera do Dia da Libertação dos Estados Unidos, o relatório da USTR é um indicativo que o País também será atingido.


… Com relação à UE, o documento diz que os bens e serviços produzidos pelos americanos enfrentam barreiras persistentes para entrar nos países do bloco europeu, criticado por não manter uma única administração alfandegária.


… Diz o USTR que, embora as tarifas sejam geralmente baixas para produtos não agrícolas, algumas são altas, como os 26% para peixes e frutos do mar, 22% para caminhões, 14% para bicicletas, 10% para veículos e 6,5% para fertilizantes e plásticos.


… Sobre o Canadá, que faz parte do Acordo Estados Unidos-México-Canadá, o órgão afirma que os EUA continuam preocupados com possíveis ações canadenses que limitariam ainda mais as exportações de laticínios.


… O USTR também cita as barreiras de acesso que dificultam as exportações de vinho, cerveja e destilados americanos.


… Houve também uma queixa em relação à energia, acusando o mercado de Alberta de fornecer pontos de acesso separados e desiguais para os produtores de Montana e de propor taxas adicionais e outras restrições à energia importada.


… A Representação de Comércio americana ainda mencionou a China, citando o Acordo da Fase Um, assinado em janeiro/2020, afirmando que o país ficou muito aquém nos seus compromissos de compra de bens e serviços dos EUA.


… Este acordo prevê melhorar o acesso dos EUA ao mercado chinês nos setores da agricultura e dos serviços financeiros, além de abster-se de práticas problemáticas relacionadas à propriedade intelectual (PI) e transferência de tecnologia.


… Já no domingo, na entrevista à CBS News, Trump havia reclamado da “difícil relação comercial” com os países da Ásia, dizendo que os EUA tratarão os seus parceiros de maneira “muito mais generosa” [do que são tratados].


… Foi nessa entrevista que ele admitiu que “todos os países” serão atingidos pelas tarifas recíprocas, sugerindo que a negociação poderá vir depois dessa primeira medida. “Começaremos com todos os países, vamos ver o que acontece.”


… Trump parece convencido de que “vários países eliminarão tarifas contra nós”, mas, nesta 2ªF, a China, o Japão e Coreia do Sul concordaram em responder conjuntamente às tarifas dos Estados Unidos, informou a agência Reuters.


… A resposta dos parceiros comerciais é um ponto de grande preocupação nesse jogo do presidente dos EUA. O receio é de que retaliações, e não negociações, possam ser o estopim de um movimento de alto impacto para o crescimento global.


… Nos EUA, os temores de uma desaceleração do PIB, que já está nas projeções do mercado, se somam aos riscos inflacionários, na conjunção perversa de estagflação – o que seria um enorme desafio para a política do Fed.


… Se o cenário mais pessimista se confirmar, o Fed talvez tenha de escolher se prioriza a desaceleração da economia, ou recessão, cortando os juros, ou se mantém o aperto monetário para evitar que a inflação se desvie da convergência para a meta.


… Até aqui, o mercado aposta na redução das taxas, assim como a maioria dos Fed boys.


… Nesta 2ªF, John Williams (Fed/NY) disse esperar que a economia dos EUA continue crescendo este ano, em ritmo mais lento do que em 2024. “Não vou prever chances de uma recessão”, mas admitiu que as incertezas sobre as tarifas são elevadas.


… Já o presidente Thomas Barkin (Fed/Richmond) afirmou que não vê um “cenário de estagflação, no momento”.


… Em Wall Street, as incertezas são maiores e continuam a determinar uma corrida para ativos seguros, como o ouro, que renovou máxima história, enquanto o dólar avança ante pares e os juros dos Treasuries cedem na busca por qualidade (abaixo).


REUNIÃO DO BC – As incertezas sobre o cenário externo dominou a reunião entre economistas e diretores do Banco Central nesta 2ªF. Participantes relataram ao Broadcast que o debate das tarifas americanas tomou a maior parte do tempo.


… O único consenso é que a incerteza aumentou e que ainda não é possível cravar qual será o efeito do tarifaço.


… Em linhas gerais, a avaliação dos analistas é de que a mudança na política comercial dos EUA vai levar a uma desaceleração da economia do país e, consequentemente, a um cenário de juros mais baixos.


… Teoricamente, isso seria positivo para o real, mas a aversão ao risco pode enfraquecer o câmbio e pressionar o IPCA.


… Sobre o cenário doméstico, a maioria dos analistas concluiu que o crescimento da economia deve ser maior do que se esperava este ano, devido a medidas como o novo consignado privado.


… Esse quadro acaba implicando em uma inflação alta por mais tempo, exigindo que o BC mantenha os juros em nível restritivo.


… A maioria das projeções para o crescimento do PIB de 2025 ficou entre 1,8% e 2,3%, enquanto as estimativas para a inflação estiveram entre 5% e 6%. Para a Selic, os economistas esperam um nível de 15,0% a 15,5% no fim do ciclo.


DIOGO GUILLEN – Em palestra ontem à noite na Faculdade ESEG, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, previu que o debate sobre incerteza no cenário econômico não se resolverá com o chamado “Liberation Day” nos Estados Unidos.


… “No dia seguinte, vai ter alguma discussão sobre tarifas que não foram implementadas, mas que ainda podem vir, ou qual serão as respostas dos países, algum escalonamento, se houver uma negociação. A incerteza deve se manter.”


… Em relação à política monetária, Guillen disse que, primeiro, será preciso saber como o Fed vai reagir e, segundo, como isso vai ter impacto no Brasil. “É um cenário de incerteza. Há um crescimento global menor e o que vai acontecer com o dólar.”


… Guillen confirmou que a defasagem temporal da política monetária na economia justifica o guidance de alta menor da Selic em maio, mas alertou que o ciclo de aperto permanecerá em meio à resiliência na inflação e ao dinamismo da economia.


… “Acho que o ciclo deve continuar, porque você tem um cenário adverso de inflação, com expectativas desancoradas, resiliência de crescimento, mercado de trabalho, tudo isso leva a um cenário adverso e exige a continuidade do ciclo.”


BRB & MASTER – Após se reunir nesta 2ªF com o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, Galípolo terá hoje (11h) um encontro com o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, logo após a sessão solene de 60 anos do BC na Câmara (9h).


… Paulo Henrique Costa avaliou como positiva a reunião com Galípolo, informando que “o processo de aquisição do Master pelo BRB começa a ser avaliado pelo BC de maneira oficial”. O BRB anunciou a operação, no valor de R$ 2 bilhões, na 6ªF.


… O banco público, controlado pelo Governo do DF, vai comprar 49% das ações ON do Master e 100% das ações PN.


… Além do presidente do BRB, Galípolo se encontrou ontem com o chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, que poderá entrar junto na compra de fatias do Banco Master, segundo reportagem do Estadão (na manchete de hoje).


… Quem acompanha de perto o desenho do negócio diz que carteira de precatórios (dívidas judiciais do governo) do Master ainda pode interessar ao BTG Pactual, pois esse era o interesse central de Esteves ao analisar as contas do Master.


… O BTG é um banco que atua fortemente nesse segmento.


… O Master detinha R$ 6,93 bilhões de precatórios federais, R$ 94,5 milhões de estaduais e R$ 58 milhões de municipais em junho do ano passado. O balanço do ano de 2024 fechado ainda não foi divulgado.


… O retorno do BTG para a mesa de negociação não afetaria a compra já anunciada pelo BRB. A saída pode ser costurada em uma negociação paralela, que seria analisada de forma conjunta pelo Banco Central mas em processos distintos.


… A esperança dos agentes que participam do desenho do negócio é que BRB e BTG consumam a maior parte das obrigações do Master e deixem uma porção menor na operação remanescente do banco, que apresenta maior risco.


… Dessa maneira, uma eventual intervenção do Banco Central ou dos bancos privados, via Fundo Garantidor de Crédito (FGC), custaria menos, diminuindo o risco para o sistema financeiro como um todo.


… O processo tem até 360 dias para ser analisado, mas a expectativa é que a operação seja concluída em até seis meses.


MAIS AGENDA – Além do presidente Gabriel Galípolo, todos os diretores do Banco Central participam hoje da sessão solene na Câmara dos Deputados em homenagem aos 60 anos do Banco Central, a partir das 9h.


… Entre os indicadores, a FGV divulga o IPC-S de março (8h), com a mediana das estimativas desacelerando a 0,54% (1,18% em fevereiro), e a S&P Global informa o PMI industrial de março, que registrou 53,0 no mês de fevereiro.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LFT para 1º/3/2028 e 1º/6/2031 e de NTN-B para 15/8/2028, 15/8/2032 e 15/5/2045.


… Na Europa, o dia começa com o PMI industrial de março no Reino Unido, na Alemanha e na zona do euro, que também divulga os dados preliminares da inflação de março e a taxa de desemprego de fevereiro.


… Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa em evento na Alemanha às 9h30.


… Nos EUA, o PMI industrial da S&P Global (10h45) pode recuar para 49,8 em março (de 52,7 em fevereiro) e o PMI industrial/ISM (11h) tem previsão de queda para 50,3 (em fevereiro).


… Também às 11h, sai o Relatório Jolts, com a abertura de vagas de emprego em fevereiro; previsão: 7,625 milhões.


CHINA HOJE – PMI industrial medido pela S&P Global/Caixin subiu para 51,2 em março, acima da expectativa de 50,8.


… Ainda na Ásia, o PMI industrial do Japão caiu de 49,0 em fevereiro para 48,8 em março.


… Também nesta 3ªF, o relatório Tankan informou que as empresas japonesas aumentaram suas previsões de inflação para um ano, três anos e cinco anos, apoiando os argumentos a favor de mais aumentos de taxas por parte do BoJ.


O RISCO TRUMP – A 2ªF fechou um trimestre que em 2024 parecia improvável.


… O ano começou bem, com Wall Street gostando do fato de o novo presidente dos EUA ter prometido políticas mais amigáveis às corporações. Em fevereiro, as bolsas bateram recordes.


… Mas o otimismo acabou em março com a retórica explosiva de Donald Trump contra parceiros comerciais e geopolíticos históricos e uma política tarifária, a ser anunciada amanhã, que ninguém sabe onde vai dar.


… Nesse intervalo, parte dos investidores passou a conviver com o medo de estagflação na maior economia do mundo, ou mesmo um cenário de recessão.


… Em NY, as bolsas derreteram no trimestre, abaladas principalmente pela baixa do mês passado. Em março, o Nasdaq perdeu 8,21%, o S&P 500 caiu 5,75% e o Dow Jones, -4,20%. De janeiro a março, caíram 10,42%, 4,59% e 1,28%, respectivamente.


… A média dos preços das ações das “sete magníficas”, as darlings do mercado até há pouco tempo, caiu 16% no trimestre, segundo cálculo da Bloomberg. Entre os piores desempenhos, Tesla cedeu 36%, Nvidia despencou 20%.


… “Foi um trimestre difícil para os investidores. Nem sabemos quais serão as tarifas finais”, disse Megan Horneman (Verdance Capital Advisors). “As chances de uma recessão aumentaram e os consumidores estão preocupados com os preços mais altos.”


… Ontem, depois de uma sessão de muita volatilidade na antevéspera do dia D das tarifas, o Nasdaq caiu 0,14%, para 17.299,29 pontos, O S&P 500 ganhou 0,55% (5.611,85) e o Dow Jones avançou 1% (42.001,75).


… Na fuga do risco, o yield da note de 2 anos caiu a 3,911% (de 3,914%), o da note de 10 anos, a 4,219% (de 4,235%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,591% (de 4,624%). O índice DXY subiu 0,16%, a 104,21 pontos. Mas no mês (-3%) perdeu terreno.


… O euro ficou estável (-0,07%) em US$ 1,0820; o iene também (-0,04%), a 149,923/US$; e a libra cedeu 0,16%, a US$ 1,2924.


… Enquanto isso, o mercado brasileiro, que terminou 2024 no susto, com dólar acima de R$ 6, juros em disparada e bolsa em queda, foi o ganhador improvável dos últimos três meses. 


… Na rotação global de ativos forçada pelas incertezas nos EUA, investidores viram aqui uma oportunidade de ganhar dinheiro. A entrada de capital gringo derrubou o dólar, queimou prêmios nos juros futuros e disparou o Ibovespa.


… A última sessão do trimestre foi bem negativa em meio à aversão global ao risco, registrada ontem. O Ibov caiu 1,25%, aos 130.259,54 pontos, com volume financeiro de R$ 20,3 bilhões.


… Mas, no trimestre, o índice ganhou 8,29%, puxado pelo resultado de março, quando subiu 6,08%.


… E embora os sinais de que a economia siga em ritmo robusto tenham levantado o temor de uma Selic mais alta por mais tempo, o ranking das vencedoras do trimestre são quase todas ações cíclicas.


… Cogna (+91,7%), Magazine Luiza (+56,1%), CVC (+53,6%), Cyrela (+41%), Assaí (+35,8%), Yduqs (+34,9%) e Carrefour (+33,5%).


… O real foi outro ganhador do período, com ajuda da alta dos 300 pontos-base de alta da Selic desde dezembro passado. No mês, o dólar caiu 3,57%, no ano acumulou baixa de 7,68%. Ontem ainda teve a disputa da Ptax.


… Já em queda firme desde o início do dia, o dólar desceu até R$ 5,7016, acompanhando a virada das bolsas em Nova York para o campo positivo. Fechou em baixa de 0,98%, a R$ 5,7053, na contramão do exterior.


… O discurso do diretor de Política Monetária, Nilton David, garantindo que o BC vai buscar a meta de 3% na inflação, ajudou.


… O alívio no câmbio contribuiu para uma queima nos prêmios dos juros futuros, que também seguiram os Treasuries. Na B3, o Jan/26 caiu a 15,015% (de 15,115% no fechamento anterior) e o Jan/27 cedeu a 14,930% (de 15,060%).


… O Jan/29 foi a 14,715% (de 14,820%), o Jan/31 desceu a 14,860% 9de 14,940%) e o Jan/33, a 14,870% (de 14,940%).


… Na forte queda do Ibovespa ontem, pesou o recuo de 1,49%, a R$ 56,79, de Vale, afetada pelo minério em Dalian (-1,47%).


… Já a Petrobras operou na contramão da alta do petróleo. A ação ON caiu 0,61% (R$ 40,82) e a PN, -0,72% (R$ 37,16), enquanto na ICE o Brent/junho subiu 2,76%, a US$ 74,77/barril, após Trump ameaçar tarifas sobre compradores de óleo russo.


… À noite disse que não é seu desejo tarifar o petróleo russo, e que só adotaria a medida se “houvesse necessidade”.


… As ações dos bancos também caíram, com destaque para Bradesco ON, -2,32% (R$ 11,35), na mínima. Banco do Brasil registrou queda de 1,57% (R$ 28,19), Santander, -1,51% (R$ 26,720), Bradesco PN, -1,32% (R$ 12,67) e Itaú, -0,88% (R$ 31,41).


… Entre as poucas altas da sessão, Grupo Pão de Açúcar saltou 13,60%, a R$ 3,09, após pedido de convocação de assembleia para mudança do conselho da companhia. CVC (-6,19%), Vamos (-6,00%) e Marcopolo (-5,26%) lideraram as perdas.


… Fora do Ibovespa, BRB PN disparou 90,34% e BRB ON, +83,44% (R$ 13,74), após anunciar a compra do Banco Master.


EM TEMPO… Justiça mandou a VALE manter pagamento integral a atingidos de Brumadinho…


… Mineradora celebrou acordo com a Global Infrastructure Partners para joint-venture na Aliança Energia; companhia receberá US$ 1 bilhão em dinheiro e deterá participação de 30% na joint-venture; GIP terá 70%.


PETROBRAS, por meio do seu Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes), firmou acordo de cinco anos renováveis por igual período com o Instituto Francês do Petróleo e Energias Renováveis (Ifpen)…


… Acordo será para pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados a projetos de transição energética e descarbonização.


LOJAS MARISA registrou lucro líquido de R$ 5,8 milhões no 4TRI e reverteu prejuízo visto um ano antes; Ebitda somou R$ 120,2 milhões no trimestre e reverteu resultado negativo do mesmo período de 2023.


QUALICORP aprovou a distribuição de R$ 1,56 milhão em dividendos: R$ 0,0055/ação, com pagamento até 31/12; ex em 30/6.


RD SAÚDE aprovou a distribuição de R$ 118,1 milhões em JCP: R$ 0,0689/ON, com pagamento até 1º/12; ex em 4/4.


RAÍZEN. Norges Bank atingiu participação acionária de 5,012% na empresa, passando a deter 68.110.514 de ações PN.


LIGHT. Tempo Capital Gestão de Recursos passou a deter 2.520.441 de ações da empresa, 5,56% do capital social da companhia.


MINERVA. Conselho aprovou proposta de aquisição da Fortunceres e do Frigorífico Patagônia, que será levada a assembleia de acionistas; negócio seria no âmbito de aquisição de ativos da Marfrig.

Banco Master 2

 Josias: Compra do Banco Master é negócio malcheiroso sob qualquer ângulo


31/03/2025 13h56


A compra do Banco Master, anunciada na semana passada pelo banco estatal BRB (Banco de Brasília), é tido como negócio malcheiroso e há risco de não acabar bem, avaliou o colunista Josias de Souza durante o UOL News, do Canal UOL.


Esse negócio que resultou na compra de um pedaço do Banco Master pelo BRB é malcheiroso sob qualquer ângulo que se observe. Há risco de esse negócio não acabar bem.” Josias de Souza, colunista do UOL


Na sexta-feira (28), o BRB anunciou a compra de 58% do Banco Master, em negócio estimado em R$ 2 bilhões. A operação agora precisa passar pela aprovação do BC (Banco Central).


O Banco Master ficou por oferecer um título de CDB extremamente agressivo, um dos maiores rendimentos do setor, e por patrocinar —juntamente com outras empresas com ações em tramitação nos tribunais superiores— eventos jurídicos sobre o Brasil no exterior. No palco desses eventos, estavam ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de autoridades do governo Lula.


O Banco Master estava operando em situação em que o mercado financeiro olhava de esguelha, em uma situação que inspira todas as suspeitas do mundo. O dono do banco [Daniel Vorcaro] é um operador muito agressivo e, ao mesmo tempo, exibicionista.” Josias de Souza, colunista do UOL


O banqueiro no qual Josias se refere se chama Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master: diferentemente da maioria dos banqueiros, que preferem manter a discrição sobre seus investimentos e a sua vida pessoal, Vorcaro não tem problemas com a exposição pública.


O banqueiro já afirmou ter comprado o hotel Fasano Itaim como pessoa física, é sócio do Clube Atlético Mineiro e fez uma festa de debutante estimada em R$ 15 milhões para sua filha, que viralizou nas redes sociais.


Ele adotou uma estratégia agressiva para obter recursos. E utilizou para isso o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), fundo que é abastecido por todos os bancos. O Banco Central alterou regras, não caminhava as regras, ao perceber que a regra não caminhava bem. ”


O Banco Master teve que se capitalizar, alterou regras [...] e o Banco Central acendeu ali algumas luzes no painel de controle.”


Aí vem um banco público, que é o BRB, que é um banco que pertence ao governo de Brasília, e compra um pedaço desse banco, que tem como acionista majoritário o dono do Master. ”


Então, joga R$ 2 bilhões de dinheiro público, em uma operação na qual o mercado considera temerário e que o Banco Central já olhava como precaução. Aí fica a dúvida: como um banco chega a esse ponto e o Banco Central não interveio? Agora cabe o Banco Central testar a rigidez, porque dinheiro público entrou numa operação privada.” Josias de Souza, colunista do UOL


https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/03/31/banco-master-brb-banco-central-compra-aquisicao-suspeitas-criticas-mercado.htm

segunda-feira, 31 de março de 2025

FGC

 Exclusivo: FGC descarta risco sistêmico em caso Master; compra pelo BRB não revolve todos os problemas


O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estaria preparado em uma remota quebra do Banco Master, e não vê um risco sistêmico caso isso ocorra, disse uma fonte ao Money Times.


Na última sexta-feira, o Banco de Brasília (BRB) comprou participação no Master por cerca de R$ 2 bilhões.


O FGC está no centro das discussões, já que era utilizado como chamariz pelo próprio Master para vender os CDBs turbinados.


Segundo cálculos do Valor Econômico, o passivo do banco, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, é de 50% do total do FGC. Ou seja, em caso de quebra, o Master sugaria metade da liquidez, usada como colchão para evitar calotes em eventuais falências de instituições financeiras.


Atualmente, o patrimônio do FGC supera R$ 120 bilhões.


Para a fonte, porém, há um trabalho intenso para que isso não ocorra, pois uma possível falência poderia provocar um aumento de contribuição dos bancos, que repassaria os custos para os clientes.


O fato é um dos principais pontos de preocupação de banqueiros e agentes do sistema financeiro, que tratam a venda do Master para BRB como uma espécie de socorro, e, por ser banco controlado pelo governo do Distrito Federal, estatal.


Ainda segundo a fonte, todos os agentes, incluindo o Banco Central e o controlador, estão empenhados em encontrar uma solução, que poderia se arrastar por um longo tempo.


O BC, por exemplo, possui 360 dias para analisar a proposta.


Uma proposta de injeção de capital por parte dos bancos, até agora, não chegou à mesa.


Master: Não resolve tudo


Ainda segundo a fonte, a compra do BRB não resolve todos os problemas. A própria estatal diz que a compra deixará de fora cerca de R$ 23 bilhões em passivos do banco.


“Acho difícil que seja a solução. Eu acho até que possa fazer parte de uma solução. Mas, como o próprio fato relevante do banco disse, tem ativos que eles não comprariam, tem partidos que eles não assumiriam”.


Segundo informações, o banco teria sido oferecido para outros entes privados. Porém, os riscos da carteira, formada por precatórios e ações de empresas em situação financeira frágil, impediram uma compra.


Ao contrário de muitos bancos médios, cuja carteira é composta majoritariamente por empréstimos ao varejo e/ou atacado, aproximadamente 34% da carteira do Banco Master são em títulos e créditos a receber, destaca a Nord Research.


E para se financiar, o Master se utilizava, justamente, dos CDBs (títulos de dívida) turbinados, que tinham rendimento de 140% acima do CDI.


Em 2018, o banco possuía um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 30 milhões. Esse valor cresceu para R$ 5 bilhões em 2024, com a meta de alcançar R$ 10 bilhões até 2026.


Procurado, FGC não comentou até o fechamento da matéria.


O que é o FGC e qual a sua importância?


Entidade privada sem fins lucrativos, o FGC protege depositantes e investidores em caso de falência ou intervenção em instituições financeiras no Brasil.


Ele atua garantindo a devolução de valores aplicados em determinados produtos financeiros, dentro de um limite estabelecido, que no caso é de R$ 250 mil por CPF.


O arcabouço foi criado para evitar crises no sistema financeiro, após traumas de bancos que quebram nos 1990 e deixaram inúmeros investidores e clientes na mão.


Além de cobrir prejuízos, o FGC pode atuar para ajudar instituições em dificuldades antes que cheguem à falência, reduzindo impactos econômicos negativos.


As instituições financeiras devem contribuir com 0,0125% (1,25 por mil) sobre o saldo dos depósitos elegíveis à garantia.


Risco político?


No Congresso Nacional, pipocaram propostas que visavam aumentar limite de garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa.


A proposta era encabeçada por Ciro Nogueira (PP-PI), com o objetivo de ampliar a proteção aos depositantes e fortalecer a confiança no sistema bancário nacional.


Posteriormente, em novembro de 2024, o deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o Projeto de Lei 4.395/2024, propondo o mesmo aumento no limite de garantia do FGC


Em resposta, diversas entidades do setor financeiro manifestaram-se contrárias a essas propostas.


De acordo com as associações, iniciativas desse tipo “poderão comprometer a experiência exitosa do FGC no estabelecimento de uma rede de segurança efetiva para os investidores e depositantes mais vulneráveis e o sistema financeiro”.


“Como o limite de garantia ordinária atual, de R$ 250 mil, já cobre mais de 99% do número de contas e de depósitos


https://www.moneytimes.com.br/exclusivo-fgc-descarta-risco-sistemico-em-caso-master-compra-pelo-brb-nao-revolve-todos-os-problemas-rnda/amp/

Ouro se valorizando

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/ouro-pode-valer-40-vezes-mais-se-dolar-perder-status-de-moeda-de-reserva-global.ghtm...