sexta-feira, 28 de março de 2025

BDM Matinal Riscala 2803

 *Rosa Riscala: PCE nos EUA e emprego no Brasil fecham a semana*


… Após a revisão para cima do PIB/4Tri dos EUA terem sustentado as apostas de dois ou três cortes do juro americano este ano, a expectativa nesta 6ªF é para o PCE de fevereiro, a medida favorita do Fed para a inflação. Também é importante a confiança do consumidor de Michigan, enquanto os mercados antecipam os impactos da guerra comercial deflagrada por Trump com as tarifas de 25% sobre os automóveis importados. As coisas tendem a piorar a partir da próxima semana, quando serão anunciadas as tarifas recíprocas (02/04) e as possíveis retaliações dos líderes mundiais. Aqui, apesar do peso das incertezas externas, o mercado recuperou posições mais contidas nos juros com o IPCA-15 benigno e hoje espera pelo IGP-M e dados do emprego.


… O IGP-M de março (8h) abre o dia, com a mediana das estimativas apontando para deflação de 0,18%, após a alta de 1,03% em fevereiro, refletindo a queda dos preços industriais no atacado. Em 12 meses, o índice deve subir de 8,44% para 8,76%.


… Ao Broadcast, economistas explicam que o IPA industrial será influenciado pelas quedas do petróleo, gás e minério de ferro. Em contrapartida, os preços agropecuários devem mostrar aceleração, com o avanço de grãos, tomates, café, ovos e suínos.


… Nesta 5ªF, o IPCA-15 de março de 25 desacelerou de uma alta de 1,23% em fevereiro para 0,64% em março, abaixo da mediana (0,68%), revelando ainda recuo nas medidas do núcleo da inflação, em particular, de bens industriais.


… Apesar da pressão dos serviços, o IPCA-15 ajudou o mercado a devolver as apostas que começavam a surgir de um aperto ainda mais rigoroso da Selic (75pbs), com a curva de juros voltando a precificar uma alta de 50pbs em maio (leia abaixo).


… O Relatório de Política Monetária também foi bem recebido ao sinalizar a perspectiva de desaceleração da atividade. A previsão do BC é de que o hiato do produto recue de 0,6% no 1Tri para -0,8% no 3Tri, respondendo à política contracionista.


… Essa leitura, confirmada com ênfase por Galípolo na entrevista, foi interpretada como um sinal de que o BC estaria confortável para encerrar o ciclo de aperto em breve, mantendo os juros elevados por mais tempo para levar a inflação à meta.


… Novo levantamento da AE, após o RPM, revelou que a ampla maioria do mercado manteve a expectativa de elevação da Selic a 14,25% em maio e de 15% em junho e julho, o que projeta um ajuste final de 25pbs para o encerramento do ciclo.


… Por outro lado, o relatório falhou em avaliar o impacto das medidas de estímulo ao consumo, fiscais e parafiscais, que tem sido anunciadas em série pelo governo Lula na tentativa de recuperar sua popularidade e salvar a reeleição.


… A cada nova pesquisa que confirma os níveis elevados de reprovação do governo, seguem-se novas iniciativas populistas.


… Questionado sobre essa preocupação do mercado, Galípolo disse que o modelo do BC – que revisou em baixa a projeção para o PIB deste ano, de 2,1% para 1,9% – não considerou a faixa ampliada de isenção do IR nem o crédito consignado privado.


… Apenas o saque-aniversário do FGTS já está nas projeções da autoridade monetária para a inflação e a atividade.


… E quando o problema não vem do Planalto, vem do Congresso, onde os parlamentares tentaram prorrogar por mais um mês o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), com encerramento previsto para esse mês.


… A lei de abril de 2024 prorrogava o benefício fiscal até 2027 ou até que fosse atingido o limite de R$ 15 bilhões em renúncias, o que a Receita apurou que foi. Em entrevista no final do dia, Haddad negou qualquer possibilidade de ampliar o programa.


… O ministro apenas se comprometeu com uma auditoria para verificar se as estimativas da Receita foram confirmadas. Se o valor ficar aquém dos R$ 15 bilhões, o governo poderá verificar uma forma de compensação para chegar a esse patamar.


EMPREGO – Rumores de que o Caged poderá anunciar hoje (14h30) a criação de 400 mil postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro correram o mercado ontem à tarde, contribuindo para reduzir as quedas dos juros futuros.


… A mediana das estimativas indica criação de 225 mil vagas, acelerando o ritmo na comparação com janeiro, que registrou saldo positivo de 137,3 mil vagas. As estimativas para essa leitura variam de 154,9 mil a 330 mil vagas formais criadas.


… A sazonalidade favorável sustenta a expectativa de criação de novos postos de trabalho em fevereiro, segundo economistas.


… Mais cedo (9h), o IBGE deve mostrar leve alta da taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro, a 6,8% (de 6,5% no mês anterior). As projeções variam de 6,6% a 7,0%. E para o fim de 2025, a média é de 7,0%.


O MUNDO VS TRUMP – Líderes mundiais foram uníssonos nas críticas à decisão do presidente dos EUA de colocar tarifas de 25% sobre os carros importados, “uma postura agressiva que antecedeu as tarifas recíprocas da próxima 4ªF”, segundo o BBH.


… O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou que irá retaliar com “medidas de grande impacto”, acrescentando que a relação econômica e militar entre os dois países chegou ao fim. Já levou uma ameaça de Trump.


… Em sua conta na Truth Social, o presidente americano disse que pode impor tarifas de importação ainda maiores para o Canadá e a União Europeia se houver uma colaboração para “prejudicar a economia dos Estados Unidos”.


… O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que a decisão, de impor tarifas sobre carros é errada e o republicano escolheu um caminho que “só produzirá perdedores”. Emmanuel Macron disse que os europeus “responderão com reciprocidade”.


… E até a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, que se dá com Trump, disse dará uma resposta no dia 3 de abril.


… A UE prometeu uma resposta “oportuna e robusta” às tarifas, à medida que a China se dispõe a trabalhar para aprofundar uma cooperação econômica com o bloco. A Coreia do Sul fez uma reunião de emergência e prometeu retrucar às tarifas.


… Também o Japão alertou para o “impacto significativo” das medidas, enquanto o Reino Unido pode revisar os subsídios à Tesla para apoiar melhor sua indústria, disse a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves.


… Segundo a Fitch, os primeiros sinais do efeito das tarifas dos Estados Unidos já começam a aparecer no comércio internacional, com as importações americanas aumentando em janeiro, após empresas ampliarem as compras antes das medidas.


… A agência de análise de risco afirma que Brasil e outros países emergentes, entre eles a Índia e a África do Sul, companheiros do País no Brics, correm um grande risco de serem alvos das tarifas recíprocas, previstas para o dia 2 de abril.


… O risco tarifário deixou a Moody’s mais perto de cortar sua classificação AAA do governo dos EUA esta semana, com a empresa de classificação de crédito emitindo novas previsões sobre déficits mais altos e taxas de juros mais altas.


… De acordo com a Capital Economics, há espaço para o aumento da produção de automóveis nos EUA, mas não o suficiente para substituir as importações e os efeitos inflacionários ameaçam compensar quaisquer aspectos positivos à economia.


… Já o Goldman Sachs afirma que a alta da inflação nos EUA será inevitável com a adoção de tarifas a importados. Só os 25% aos carros fabricados no exterior devem elevar o núcleo dos preços em 0,2 ponto porcentual.


… Para o Barclays, a inflação média no país subirá de 2,9% em 2024 para 3,0% neste ano, e reduzir o PIB de 2,8% para 1,5%.


MAIS AGENDA – Além do IGP-M e dos dados de emprego, o Tesouro divulgará (14h30) o Relatório da Dívida Pública em fevereiro. Já o BC divulga (9h) a Pesquisa Firmus, que capta a percepção de empresas não financeiras sobre as variáveis econômicas.


… No final da tarde (17h), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do evento Arko Conference 2025.


… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, profere aula magna na Faculdade Zumbi dos Palmares (19h).


BALANÇOS – Encerrando a semana, Gol divulga resultado do 4Tri, após o fechamento.


NOS EUA – O PCE de fevereiro (9h30) é o principal indicador da agenda internacional, com potencial para alterar aposta nos juros, se surpreender. A previsão para o índice cheio e o núcleo é de 0,3% na margem e 2,5% e 2,6% na base anual.


… Também é importante o índice de sentimento do consumidor de março medido pela Universidade de Michigan (11h), que pode recuar para 57,9, após ter registrado 64,7 em fevereiro. Junto são divulgadas as expectativas de inflação de 1 e de 5 anos.


… Mais dois Fed boys falam hoje: Michael Barr (13h15) e Raphael Bostic (16h30).


… Nesta 5ªF, Tom Barkin disse que a direção da política monetária do Fed está sendo traçada debaixo de uma densa névoa. “Não um tipo de névoa do dia a dia e difícil de prever. É um tipo de névoa visibilidade zero, encoste e ligue os piscas.”


… Se assumirmos uma tarifa eventual de 20% sobre a China e uma tarifa de 25% sobre o México, Canadá e produtos de alumínio e aço, a taxa média de tarifa aumentaria quase quatro vezes mais do que em 2018 nos EUA, disse ele.


… Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que as tarifas do governo Trump aumentarão a inflação nos EUA, mas não está claro quão persistente será essa pressão ascendente. Como Powell, acha que pode ser de curta duração.


EUROPA – O dia começa com o índice GfK de confiança do consumidor de abril na Alemanha e o PIB/4Tri e vendas no varejo no Reino Unido. Na zona do euro saem o índice de confiança do consumidor e índice do sentimento econômico (7h).


DESENCANTOU – Depois de vários testes, o Ibovespa conseguiu romper os 133 mil no fechamento pela primeira vez neste ano. O fluxo gringo, na esteira da rotação global de ativos com as políticas de Trump, tem feito o índice se descolar das baixas em NY.


… Ontem não foi diferente e ainda houve ajuda da baixa dos juros futuros, que passou com louvor pela agenda do dia, incluindo o IPCA-15 abaixo do esperado, com núcleos e serviços em desaceleração, como você leu acima.


… Em alta de 0,47%, o Ibov teve ganho de 0,47%, aos 133.148,75 pontos, e volume financeiro de R$ 20,8 bilhões.


… Além da ajuda de Trump, outro fator importante que tem sustentado fluxo estrangeiro para a B3 neste trimestre é a melhor percepção sobre a economia da China, da qual o mercado brasileiro é visto como ‘proxy’ pela exposição a commodities.


… É certo que a alta do Ibovespa diminuiu ao longo do pregão (na máxima ficou perto dos 134 mil) à medida que os juros também reduziram a queda, em meio a um câmbio mais depreciado e ao rumor de que o Caged deve vir forte, hoje.


… Mas o resultado do dia acabou sendo positivo. Além do IPCA-15 benigno, o leilão de prefixados do Tesouro com o volume bem menor que o normal, o RPM e a entrevista de Galípolo respaldaram o recuo dos juros.


… No fechamento, o Jan/26 caía a 15,100% (de 15,165%), Jan/27 cedia a 15,00% (de 15,145%); Jan/29, a 14,780% (de 14,900%); o Jan/31, a 14,880% (de 14,980%); e o Jan/33, a 14,870% (de 14,950%).


… No câmbio, o dólar até testou uma queda no início do dia, mas sucumbiu à pressão que tomou conta das moedas emergentes em meio à fúria tarifária de Trump. E deve sobrar – mais – para o Brasil.


… Citando fontes da Casa Branca, a Folha informou que Trump pode taxar toda a indústria brasileira no pacote de 2 de abril.


… O dólar à vista subiu 0,36%, a R$ 5,7533, mas ainda recua 2,76% no mês e quase 7% neste ano. A moeda brasileira desvalorizou menos que pares como os pesos mexicano e colombiano por causa da disparada da Selic.


… Em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo, afirmou que a aceleração do ciclo de aperto monetário a partir de dezembro mudou a relação de carry trade, o que contribuiu para a apreciação do real ao longo deste 1Tri.


… Lá fora, o índice DXY caiu 0,20%, para 104,335 pontos. O rumo incerto da política econômica americana tem feito o dólar oscilar entre altos e baixos, mas para o Bank of America, a tendência da moeda americana é de alta.


… As tarifas generalizadas e as retaliações resultantes podem desencadear um movimento global de aversão ao risco.


… No retrovisor, a atividade nos Estados Unidos vai bem. O PIB/4Tri foi revisado em alta na leitura final, crescendo 2,4% na base anual, acima dos 2,3% esperados pelo mercado, mas desacelerou frente aos 3,1% do 3Tri.


… O euro subiu 0,41%, a US$ 1,0799; a libra avançou 0,51%, a US$ 1,2955; e o iene teve queda de 0,32%, a 151,036/US$.


… Nas bolsas de NY, o dia foi de baixa moderada. O Dow Jones caiu 0,37% a 42.299,39 pontos, S&P 500 recuou 0,33%, a 5.693,23, Nasdaq perdeu 0,53%, a 17.804,04. Destaques negativos, General Motors caiu 3,12% e Ford perdeu 3,88%.


… Por aqui, a possibilidade de abertura do mercado do Japão para a carne brasileira animou as ações de frigoríficos. JBS puxou os ganhos, com +5,83% (R$ 41,95). O papel teve seu preço-alvo elevado pelo Bank of America de R$ 48 para R$ 55.


… Minerva subiu 4,84%, a R$ 6,07. Ainda se destacaram Hapvida (+5,38%), Cogna (+5,15%) e Yduqs (+4,93%).


… As blue chips foram bem. Petrobras ON, +1,02% (R$ 41,48) e Petrobras PN, +0,75% (R$ 37,67), seguindo o Brent/junho, que subiu 0,38%, a US$ 73,34 o barril, com o mercado monitorando sanções dos EUA contra o petróleo do Irã e da Venezuela.


… Vale avançou 0,80% (R$ 58,15), com alta de 1,28% do minério de ferro em Dalian.


… Os principais bancos fecharam mistos. Santander subiu 0,62% (R$ 27,42), e Itaú teve alta de 0,12% (R$ 32,13). Bradesco ON caiu 0,85% (R$ 11,69), Banco do Brasil baixou 0,42% (R$ 28,69) e Bradesco PN perdeu 0,38% (R$ 13,02).


… Marcopolo liderou o ranking negativo (-4,98%, R$ 6,68), seguido da CVC (-2,58%, R$ 2,27) e Vamos (-2,28%, R$ 5,15).


EM TEMPO… O governo Lula indicou Nelson Hubner, Silas Rondeau e Maurício Tolmasquim para o Conselho de Administração da ELETROBRAS e Guido Mantega para o Conselho Fiscal. (fontes do Broadcast)


EQUATORIAL. Conselho de Administração aprovou homologação integral do aumento de capital de R$ 111,1 milhões, mediante a subscrição privada de 4.275.569 ações ON; operação havia sido proposta em reunião do colegiado de 7 de janeiro.


PETROBRAS concluiu obras de modernização do Trem 1 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco; processo de revisão e ampliação (Revamp) recebeu investimento de R$ 93 milhões e expandirá capacidade de 115 mil para 130 mil bpb.


BRASKEM voltou a afirmar por meio de comunicado ao mercado que “não conduz eventuais negociações de compra e venda das ações de sua emissão”, ao responder a questionamento da B3 sobre oscilações atípicas dos papéis.


EVEN registrou lucro líquido consolidado de R$ 13,9 milhões no 4TRI; sem Melnick, lucro ficou em R$ 30,4 milhões, recuo de 22% ante o 4TRI23. Ebitda ficou negativo em R$ 23,2 milhões no 4TRI24 ante dado positivo do 4TRI23.


SER EDUCACIONAL registrou prejuízo de R$ 30,2 milhões no 4TRI, revertendo lucro de R$ 5,7 milhões de um ano antes.


SUZANO confirmou reajustes no preço da celulose a partir de abril.


HYPERA entrou com documento no Cade em que acusa o empresário Carlos Sanchez, da EMS, de “conduta inapropriada” e tentar fazer “uma investida desenfreada” para ter influência na companhia ao comprar ações da farmacêutica no mercado.


TIM distribuirá R$ 2,050 bilhões em dividendos complementares, a R$ 0,282 por ação. Pagamentos serão feitos em três parcelas ainda neste ano: 22 de abril, 23 de julho e 23 de outubro, sem a aplicação de qualquer índice de atualização monetária…


… A tele informou ter aprovado grupamento da totalidade das ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão, na proporção de 100 para 1, e de subsequente desdobramento: uma ação grupada passará a corresponder a 100 ações.


IPO. A brasileira Global Eggs, dona da Granja Faria, decidiu adiar oferta para abertura de capital nos EUA…


… Grupo prefere primeiro se consolidar depois da aquisição da americana Hillandale Farms, por US$ 1,1 bilhão, para já se mostrar aos investidores em um segundo momento como uma empresa verdadeiramente global.

quinta-feira, 27 de março de 2025

Quase ficção

 Quase ficção

Carlos Andreazza


O Estado de S. Paulo.

22 de mar. de 2025


A aprovação – em março de 2025 – da Lei Orçamentária Anual para 2025 antecipa o conjunto bandalheiro em que consistirá o Orçamento do ano eleitoral, aquele que garantirá os dinheiros à (tentativa de) reeleição de todos. Não será apenas Lula o candidato. Há um esquema de poder a ser prorrogado. O Congresso – o orçamento secreto – também pretende se reeleger.


Farão o diabo. Juntos. Como o feito, com (por) Bolsonaro, em 2022. Você pagará. Depois da eleição. Não existe Gás para Todos de graça. E, se o governo quer dobrar a aposta eleitoreira na gastança, o Parlamento dirá – diz – “tudo bem”; desde que tenha o seu incluído na farra. Para rir, tem de fazer rir.


A embocadura do troço – do pacto pela irresponsabilidade – foi exibida na última quinta. A começar pela forma. Esquema Lira de atropelamento da atividade legislativa. Ninguém leu o texto. São mais de mil páginas. Relatório apresentado no mesmo dia em que seria votado na comissão e no plenário.


O Parlamento aprovou o bicho sem a menor ideia do que chancelava – o que lhe confirma o caráter ficcional. Quase ficcional; porque o Congresso sabia absolutamente o que aprovava – na matéria que lhe interessava. A ficção é para você, mortal. Para eles, concretude – trator e pavimentação. O que lhes interessava: a garantia dos bilhões para emendas parlamentares, fixada a porção que, via emendas de comissão, bancará a versão 3.0 do orçamento secreto.


Serão R$ 50 bilhões para emendas parlamentares, dos quais R$ 11,5 bilhões às de comissão. Assegurado esse espaço, o restante consistiria em erguer peça orçamentária farsante – que, conforme as práticas do governo gastador-inflacionário, superestima receitas e subestima despesas. O Pé-de


Meia, por exemplo, vai pendurado quase todo para fora: a custar mais de R$ 10 bilhões, tem previsto só R$ 1 bilhão.


O relator, Ângelo Coronel, cumprindo o papel de ser mais otimista até do que a HP de Haddad, estima superávit de R$ 15 bilhões. O cronista ora obrigado a registrar que o STF autorizou que o pagamento de precatórios não forme sob o teto de gastos. Contará para o endividamento. Para meta fiscal, somente em 2027 – depois do ano eleitoral. Coincidência; porque o Supremo não faz esse tipo de cálculo.


A turma – Planalto e donos do Congresso – acertou tudo por cima. Gleisi Hoffmann assinou a promissória. Compromisso de pagamento de emendas de comissão ainda de 2024; mais um extra para cada um dos 594 deputados e senadores. Quase R$ 7 bilhões ao todo.


Não lhes faltarão recursos. Tudo assentado para 26. Davi Alcolumbre estava todo pimpão. Teve efeito haver colocado a faca no pescoço do governo – atrasando a existência do Orçamento – pela solução das emendas parlamentares. Afinaramse. O ano começou. Em certo sentido, também acabou. •

Bankinter Portugal Matinal 2703

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: As bolsas caíram ontem (Europa -1,2% e EUA -1,1%), lideradas por tecnologia e principalmente por semicondutores (-3,3%) após a publicação de um relatório a avisar que Microsoft poderia estar a cancelar projetos de centros de dados nos EUA e na Europa perante o excesso de oferta para Inteligência Artificial. Pelo contrário, o setor defesa destacou-se positivamente, com subidas de +0,8% na Europa, após o governo do Reino Unido anunciar um aumento da despesa em defesa.


Sem dúvida que hoje o mais importante são os novos impostos alfandegários anunciados por Trump. Serão de 25% a automóveis não fabricados nos EUA, a partir de 2 de abril, e não se mostra aberto a negociações. Aumenta, portanto, a preocupação em relação a uma possível guerra comercial, que pode travar o ciclo económico global. Penalizará provavelmente as bolsas, sem que as restantes referências possam alterar o tom.


Também teremos: (i) Cimeira em Paris, na qual os principais líderes europeus se reunirão com Zelensky, para transmitir-lhe o seu apoio militar e financeiro a Ucrânia, para a negociação de um possível acordo de paz com a Rússia. Contudo, não esperamos grandes novidades; (ii) Dado final do PIB dos EUA do 4T, que se espera que confirme +2,3% preliminar (t/t anualizado) vs. +3,1% anterior macro. Continuam a ser dados atrasados e que, portanto, acrescem pouca visibilidade; (iii) Reunião do Norges Bank, que se espera que mantenha taxas de juros sem alterações, em 4,50%, à espera de conhecer o impacto dos impostos alfandegários sobre o crescimento e inflação.


Em suma, hoje as bolsas deverão cair perante o aumento das tensões comerciais e a falta de visibilidade sobre as suas possíveis consequências. Insistimos: a única forma de reagir perante tanta incerteza é reduzir a exposição ao risco.


S&P500 -1,1% Nq-100 -1,8% SOX -3,3% ES-50 -1,2% IBEX -0,4% VIX 18,3% Bund 2,79% T-Note 4,35% Spread 2A-10A USA=+35pb B10A: ESP 3,41% PT 3,29% FRA 3,49% ITA 3,90% Euribor 12m 2,35% (fut.12m 2,26%) USD 1,075 JPY 161,9 Ouro 3.020$ Brent 74,0$ WTI 69,9$ Bitcoin -1% (87.274$) Ether -3% (2.011$)


FIM

BDM Matinal Riscala 2703

 *Rosa Riscala: Juros têm agenda forte com RPM, IPCA-15 e Galípolo*


… Dia cheio hoje, a começar pelas novidades sobre tarifas anunciadas por Trump no fim da tarde, além da leitura final do PIB/4Tri nos EUA e depoimentos de vários dirigentes do BCE, inclusive uma mensagem de Lagarde. Aqui, com o mercado reforçando as expectativas de uma Selic mais elevada, diante de riscos inflacionários com as medidas do governo Lula para injetar mais dinheiro no consumo, a agenda é muito importante para os juros. Logo cedo (8h), o BC divulga o Relatório de Política Monetária, que substitui o antigo RTI, com comentários de Galípolo e Diogo Guillen. Às 9h, o IPCA-15 de março deve desacelerar e o resultado do Governo Central deve registrar déficit de R$ 30,9 bilhões, após o saldo positivo de R$ 84,8 bilhões em janeiro.


… Segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, a sazonalidade negativa da arrecadação deverá contribuir para o déficit primário em fevereiro. Enquanto as despesas se mantiveram relativamente estáveis, as receitas caíram em torno de 45%.


… Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a estabilidade nas despesas na base anual se deve ao pagamento dos precatórios em 2024, que impulsionou o déficit. “Sem os precatórios, o déficit seria próximo de R$ 60 bilhões”, diz ele.


… Já para o IPCA-15, a mediana das estimativas aponta para alta de 0,68% em março, o que representa uma boa desaceleração na comparação com fevereiro (1,23%). As projeções vão de 0,35% (piso) a 0,84% (teto).


… Para a inflação em 12 meses, a mediana indica aceleração de 4,96% para 5,30%.


… A saída do efeito rebote do bônus de Itaipu na tarifa de energia e a dissipação dos reajustes das mensalidade escolares explicam a desaceleração do IPCA-15 em março, que deve ter ainda um alívio nos serviços de condomínio e aluguel.


… Mas, apesar da projeção mais baixa para a inflação do mês, a expectativa é de composição qualitativa negativa. Heliezer Jacob, do C6 Bank, espera aceleração no grupo Alimentação e bebidas (0,61% para 1,20%), com os aumentos do café e de ovos.


… O mercado prevê ainda desaceleração da média dos núcleos do IPCA-15, de 0,61% para 0,54% (mediana), com recuo dos preços administrados (2,98% para 0,60%), bens industriais (0,57% para 0,42%) e serviços (0,68% para 0,63%).


… Preços livres (0,64% a 0,72%), alimentação no domicílio (0,63% a 1,35%), serviços subjacentes (0,63% a 0,73%) devem acelerar.


… Junto com o IPCA-15, a atenção do mercado estará na entrevista de Gabriel Galípolo e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen (11h), para comentarem o Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).


… O foco estará nas projeções do Banco Central para a inflação além do horizonte relevante de política monetária, que termina no 3Tri de 2026, mas que deve se deslocar gradualmente para o 4Tri do ano que vem.


… São dois interesses mais específicos, disse Luciano Telo (UBS Global) à AE: as simulações de inflação com o câmbio em um nível mais apreciado (R$ 5,70) e os efeitos do crédito e do gasto fiscal maior na atividade econômica.


… Segundo ele, esses dados podem projetar o tempo em que a política monetária precisará ficar mais restritiva.


… Após a mensagem hawkish do Copom, a curva de juros começa a considerar que o Banco Central poderá ser mais “rigoroso” na política monetária para compensar a pressão inflacionária e o estímulo econômico vindo de medidas do governo.


… Se o Copom pesou demais a mão no texto da ata, Galípolo terá hoje a oportunidade de corrigir as expectativas.


… Nesta 4ªF, cresceram as apostas em um aumento de 75pbs da Selic em maio, contra o consenso de um ajuste de 50pbs no day after da reunião da semana passada. Também já aparecem as chances de altas em junho e julho (leia abaixo).


EUA TAXAM CARROS IMPORTADOS – O presidente Trump assinou ordem executiva colocando tarifas de 25% sobre importações de todos os automóveis não fabricados no país. As tarifas entram em vigor no dia 2 de abril e serão permanentes.


… Trump disse que espera gerar uma receita de US$ 100 bilhões com as tarifas dos carros importados e que as montadoras com

fábricas nos Estados Unidos ficarão “eletrizadas” com as taxas sobre os carros importados.


… Em reação imediata, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, convocou reunião do seu gabinete para discutir as “diversas opções retaliatórias” para defender os interesses dos trabalhadores, das companhias e do país.


… Carney disse que não teve acesso à ordem executiva e acusou Trump de não respeitar o acordo EUA-México-Canadá.


… O primeiro-ministro da província canadense de Ontário, Doug Ford, disse que apoiará as tarifas retaliatórias do governo federal em resposta aos EUA e que as tarifas de 25% vão aumentar os custos para as famílias americanas trabalhadoras.


… “Falei com o premier Carney. Concordamos que o Canadá precisa permanecer firme, forte e unido. Nunca recuaremos.”


… Na mesma entrevista na Casa Branca, Trump disse que as tarifas recíprocas, previstas para 2 abril, serão “bastante lenientes”. “Em muitos casos, serão menores do que as tarifas que os parceiros comerciais vêm nos cobrando há décadas.”


… Mas, contrariando declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, o presidente disse que as tarifas recíprocas terão como alvo “todos os países”, e não apenas 15% das nações que poderiam ter prioridade na ação de 2 de abril.


… Também sinalizou uma possível redução nas tarifas impostas à China se houver um acordo sobre o TikTok. “Parece algo que eu faria”, disse, em resposta a uma pergunta sobre essa possibilidade durante a entrevista.


… Biden estabeleceu um prazo para a venda da plataforma. Trump estendeu esse prazo e sugeriu que poderia fazê-lo novamente.


… Nessa 4ªF, as preocupações com as tarifas dos EUA impuseram cautela nos mercados em NY. As bolsas caíram e o dólar engatou alta firme, na expectativa do anúncio das tarifas para os carros importados (leia abaixo).


MENOS – A Capital Economics calcula que a imposição de tarifas de 25% sobre todos os carros não fabricados em solo americano pode render um pouco menos que US$ 50 bilhões, ou seja, a metade do que Trump disse que renderia.


… As importações de veículos acabados para transporte totalizaram US$ 217 bilhões em 2024 – 6,6% do total das importações de bens pelos EUA. “Não achamos que as peças, que representam US$ 88 bilhões adicionais, serão afetadas”, disse a consultoria.


… Do total dessas importações, 23% vieram do México, 21% da União Europeia, sendo que metade disso, da Alemanha. Outros 18% vieram do Japão, 17% da Coreia e 13% do Canadá. Apenas 2% foram comprados da China.


… “Não há como saber se Trump estaria disposto a reverter essas tarifas se outros países oferecerem concessões. Também não está claro ainda se essas tarifas serão cumulativas com as tarifas recíprocas específicas a países na próxima semana.”


… Para a Capital Economics, no longo prazo, a medida pode impulsionar o investimento e a produção interna nos EUA; no curto prazo, no entanto, será inflacionário e pode tornar os veículos novos algo como “um item de luxo”.


… Os veículos usados também podem ter o valor elevado, já que os consumidores podem optar por mantê-los por mais tempo.


UCRÂNIA VS RÚSSIA – O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o acordo de cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia ainda é “preliminar” e que os EUA ainda devem avaliar as condições impostas por Moscou.


… “O que temos é uma definição sobre o cessar-fogo energético e um princípio de definição para o cessar-fogo no Mar Negro. Os russos detalharam várias condições que querem ver atendidas e vamos avaliar e apresentar ao presidente Trump.”


… Na França, ao lado de Volodymyr Zelensky, o presidente Emmanuel Macron afirmou que uma força armada unificada da Europa teria a capacidade de “reagir e responder” a um possível ataque russo iniciado pelo exército de Putin.


… O líder francês também anunciou um novo pacote de ajuda militar à Ucrânia no valor de 2 bilhões de euros.


MAIS AGENDA – Além do Relatório de Política Monetária (RPM), IPCA-15, contas do Governo Central e da entrevista de Galípolo e Guillen, o dia ainda prevê a Confiança da Indústria em março da FGV (8h). Em fevereiro, atingiu 98,3 pontos.


… Às 11h, o Tesouro faz leilão de LTN para 1º/4/2026, 1º/4/2027, 1º/1/2029 e 1º/1/2032 e de NTN-F para 1º/1/2031 e 1º/1/2035.


… Conselho Monetário Nacional (CMN) terá reunião às 15h, com Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.


BALANÇOS – Even, JHSF e Light divulgam resultados do 4Tri nesta 5ªF. Fazem teleconferências: a Americanas, CVC, Equatorial Energia e Oi. Confira os balanços de ontem à noite dessas companhias no Em tempo…


LÁ FORA – A leitura final do PIB/4Tri de 2024 dos EUA (9h30) tem previsão de um crescimento de 2,4% ante o 3Tri (+3,1%). Junto com o dado, sai o PCE acumulado no trimestre, que no 3Tri ficou em 1,5% (índice cheio).


… Amanhã (6ªF) sai a inflação do PCE mensal de fevereiro, o indicador mais aguardado da semana nos Estados Unidos.


… Ainda às 9h30, saem os pedidos de auxílio-desemprego americano na semana até 22 de março, com previsão de 226 mil. Já às 11h, as vendas pendentes de imóveis de fevereiro devem subir 1,5% na margem, após recuo de 4,6% em janeiro.


… Na zona do euro, reúne-se a cúpula europeia do IIF 2025, com falas de vários dirigentes do BCE: Valdis Dombrovskis e Villeroy de Galhau (ambos às 6h45), Luis De Guindos (10h00) e José Escrivá (13h45).


… No Reino Unido, a dirigente do BCE discursa na Bayes Business Scholl.


… Às 15h05, a presidente do BCE, Christine Lagarde, transmite mensagem gravada para evento do Banco Central do Chile.


… Às 16h, o Banxico – Banco Central do México – anuncia decisão de política monetária.


… E, finalmente, às 17h30, Fed boy Tom Barkin (Richmond) discursa na Universidade Whashington and Lee.


SÓ PIORA – Conforme os dias passam e os investidores digerem a ata do Copom, aumenta a percepção de que o colegiado vai ter que apertar o cerco nos juros (ainda mais do que já sinalizou).


… Em meio a medidas do governo para estimular a economia, como o consignado privado, que mostra demanda muito forte, o mercado passou a precificar alta de 75pb na Selic em maio, com aumento nas apostas de mais aperto em junho e julho.


… Há um mês, a curva de juros apontava alta de 50pb em maio. Agora, indica 64pb, com 56% de chances de um aperto de 75pb.


… Para junho, a precificação saiu de 25pb para 36pb e, para julho, de zero para 21pb. O mercado se pega com a observação da ata do Copom que estará atento a “novidades expansionistas” do ponto de vista fiscal e de crédito.


… Não bastasse o cenário interno adverso, a política tarifária de Trump pode pressionar a inflação dos EUA e, por tabela, o Fed a manter os juros elevados. A expectativa pelas tarifas sobre carros elevou o dólar e os juros, lá fora e aqui.


… Na B3, os longos se aproximaram ainda mais dos 15%, nível que o DI curto já alcançou desde o comunicado do Copom.


… No fechamento, o Jan/26 subiu a 15,165% (de 15,115%); o Jan/27, a 15,145% (de 15,055%); o Jan/29, a 14,900% (de 14,795%); o Jan/31, a 14,980% (de 14,860%); e o Jan/33, a 14,950% (de 14,850%).


… Conturbado, o ambiente externo pesou no dólar à vista, que devolveu parte da queda da véspera ao subir 0,41%, a R$ 5,7328.


… Num misto de pressão da guerra comercial e a surpresa positiva nas encomendas de bens duráveis dos EUA (+0,9% em fevereiro ante janeiro, da expectativa de -1%), o índice DXY subiu 0,35%, para 104,547 pontos.


… A libra recuou 0,44%, a US$ 1,2889, com o CPI do Reino Unido em fevereiro (2,8%) abaixo do esperado (3%). Já o euro cedeu 0,40%, a US$ 1,0755 na altura do fechamento em NY, enquanto o iene caiu 0,45%, a 150,547/US$.


… Nos Treasuries, o rendimento da note de 2 anos foi a 4,018% (de 4,026%) e o da note de 10 anos, a 4,3519% (de 4,3162%).


… Ontem, o presidente do Fed de St. Louis foi outro dirigente do BC americano a dizer que só espera inflação na meta de 2% em 2027 e ainda colocou em dúvida a afirmação de Jerome Powell de que os efeitos das tarifas seriam transitórios.


… “As expectativas de inflação de curto prazo aumentaram tendo como foco as tarifas. Com uma inflação acima de 2% e a economia em pleno emprego, os riscos [de os efeitos serem permanentes] são maiores”, disse.


… Se os mercados doméstico e externo de juros e dólar andaram colados ontem, o Ibovespa foi na contramão das bolsas em NY.


… As commodities deram um gás nas ações de maior peso no índice, que subiu 0,34%, aos 132.519,63 pontos, maior fechamento do ano. O volume financeiro foi de R$ 20,9 bilhões. Poderia ter sido melhor não fosse o mau humor externo.


… O Ibovespa quase bateu nos 133 mil pontos na máxima do dia.


… Petrobras ON subiu 1,06% (R$ 41,06) e PN avançou 0,94% (R$ 37,39), acompanhando a alta de 0,93% no Brent/junho (US$ 73,06 o barril), depois de uma queda inesperada (-3,3 milhões de barris) nos estoques dos EUA na semana passada.


… Vale subiu 0,61% (R$ 57,69), com a alta de 0,19% no minério de ferro em Dalian.


… Os bancos foram bem: BB: +1,19%, a R$ 28,81; Bradesco ON, +1,73%, a R$ 11,79, e PN, +1,63%, a R$ 13,07; e Santander, +0,66%, a R$ 27,25. Itaú Unibanco foi exceção no setor, com queda de 1,08%, a R$ 32,09.


… Com rumores de que cinco bancos credores da Novonor estariam negociando com a Petrobras um novo acordo de acionistas (a estatal negou), Braskem liderou as altas no Ibovespa, disparando 9,68%, a R$ 11,78.


… Brava Energia (+6,63%; R$ 23,33) e Vamos (+6,25%; R$ 5,27) foram outros destaques.


…  Na ponta oposta, Automob recuou 7,41% (R$ 0,25).


… Frigoríficos corrigiram ganhos recentes. Minerva cedeu 3,18% (R$ 5,79); JBS, -2,70% (R$ 39,64) e Marfrig, -1,48% (R$ 17,31).


… Em NY, a notícia de que Trump anunciaria tarifas sobre a importação de veículos, azedou o clima nas bolsas.


… Montadoras, incluindo a Tesla (-5,58%), de Elon Musk, General Motors (-3,12%) e Stellantis (-3%) sentiram o baque, já que a medida pode implicar aumento de custos – não ficou claro se a medida inclui autopeças.


… “Os mercados detestam a incerteza tarifária, especialmente quando se trata de automóveis. Eles são o marco zero do impacto econômico negativo das tarifas”, disse Jamie Cox (Harris Financial Group).


… Em tempos incertos, as techs sofrem mais e assim o Nasdaq puxou as perdas, com queda de 2,04% a 17.899,01 pontos. O Dow Jones caiu 0,31% (42.454,79 pontos) e o S&P 500 recuou 1,12% (5.712,20 pontos).


EM TEMPO… OI registrou prejuízo líquido de R$ 2,9 bilhões no 4TRI24, perda seis vezes maior do que no 4TRI23; Ebitda ficou negativo em R$ 641 milhões ante resultado negativo de R$ 72 milhões de um ano antes.


AMERICANAS registrou prejuízo líquido de R$ 586 milhões no 4TRI24, ante lucro de R$ 2,56 bilhões no 4TRI23; Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 58 milhões, ante R$ 1,44 bilhão negativo de um ano antes.


SIMPAR registrou lucro líquido ajustado de R$ 82 milhões no 4TRI, revertendo prejuízo de R$ 215 milhões de um ano antes; o Ebitda somou R$ 2,67 bilhões, avanço de 32% na comparação anual.


CVC registrou lucro líquido ajustado de R$ 8,5 milhões no 4TRI24, revertendo prejuízo do 4TRI23; Ebitda ajustado somou R$ 108,1 milhões, alta de 25,1% na comparação anual.


METALÚRGICA GERDAU. BlackRock reduziu participação acionária de 5,10% para 4,75%, passando a deter 30.179.236 de PN.


VIVARA. Gestora Absolute reduziu participação acionária de 5,53% para 4,02%, passando a deter 9.495.264 de ON.


MRV. Conselho de Administração aprovou emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) no total de R$ 222,8 milhões.


MULTIPLAN aprovou a distribuição de R$ 110 milhões em JCP, R$ 0,2251/ação, com pagamento até 31/3/26; ex em 1º/4/25.


ELETROMÍDIA. CVM autorizou pedido de OPA unificada para fechar o capital da companhia…


… O pedido da Globo Comunicação e Participações tem três finalidades: adquirir o controle da empresa, cancelamento de registro de companhia aberta e saída do segmento de listagem Novo Mercado da B3.


AUREN PARTICIPAÇÕES fará a segunda emissão de debêntures simples no valor de R$ 2 bilhões, com prazo de dez anos.

Relatório do BCB

 ANÁLISE: Relatório do BC mostra aumento do custo para baixar a inflação


Alex Ribeiro De Brasília


 


O Relatório de Política Monetária, divulgado nesta manhã pelo Banco Central, mostra o aumento do custo para baixar a inflação para a meta, em um ambiente de deterioração contínua das expectativas de inflação, surpresas recentes nos reajustes de preços e falta de confiança dos mercados na política fiscal do governo Lula.


De um lado, o documento - que antes se chamava Relatório de Inflação - rebaixa a perspectiva de crescimento da economia para 2025 de 2,1% para 1,9%. De outro, passa a contar com uma inflarão mais alta, estimada em 5,1% em 2025 (era 4,5%) e 3,7% em 2026 (era 3,6%).


Outra forma de medir a taxa de sacrifício é pela evolução do chamado hiato do produto, que é uma medida técnica que mostra quanto a economia está operando acima da capacidade agora (pressionando a inflação) e quanto ficará abaixo da capacidade no futuro (ajudando a reduzi-la).


Pelos cálculos do BC, a economia estava 0,8% acima da sua capacidade no fim de 2024. Já começa a esfriar um pouco no primeiro trimestre deste ano, com um superaquecimento de 0,6% - o que significa que pressiona a inflação, mas um pouco menos.


No terceiro trimestre de 2026, a economia estará operando 0,8% abaixo da sua capacidade, o que significa que máquinas e trabalhadores estarão ociosos, o que reduziria a pressão para reajustes de preços e salários.


Essa ociosidade na economia deveria, em tese, ajudar a levar mais rapidamente a inflação, que nos 12 meses até fevereiro ficou em 4,72%, para a meta, definida em 3%. O prazo que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cumprir para isso é setembro de 2026, mas, para esse horizonte, as projeções do BC indicam um percentual de 3,9%, superando o objetivo.


A piora no cenário desde a última edição do Relatório de Inflação, de dezembro, chama a atenção porque, desde então, o Copom promoveu um choque de juros, elevando a Selic para os atuais 14,25% ao ano, com indicações de que seguirá com um aperto adicional.


O relatório destaca que, na contramão, pesaram principalmente três fatores. Um deles é a piora nas expectativas de inflação, que passaram de 4% para 4,48% para 2026. Além disso, a inflação ficou 0,32 ponto percentual mais alta do que o esperado no trimestre encerrado em fevereiro, o que aumenta a inércia para os meses seguintes.


Completa o quadro uma inflação de curto prazo pressionada, refletindo ainda a economia que opera acima da capacidade no primeiro trimestre, o repasse da alta do dólar para os preços e a contaminação da alta dos alimentos para outros preços na economia. Como a inflação fica mais alta em 2025, há mais inércia para 2026.


Com todas essas forças jogando contra, a redução da inflação para a meta depende de uma sobrecarga maior na atividade econômica. A revisão da previsão de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%, significa que, na visão do BC, seu cenário básico está caminhando na direção esperada. A economia vai esfriar um pouco, depois de crescer 3,4% em 2024.


No relatório de hoje, o Copom também mostra que essa desaceleração da atividade é mais favorável a uma queda da inflação, quando são considerados os componentes do PIB. Aqueles setores mais cíclicos, mais ligados à dinâmica da inflação, estão recuando mais do que o esperado.


A previsão do Banco Central para o crescimento da indústria baixou de 2,4% para 2,2%, com uma revisão mais forte para a indústria de transformação, de 3% para 1,5%. A previsão para os serviços caiu de 1,9% para 1,5%. O consumo baixou de 2,4% para 1,5% e os investimentos, de 2,9% para 2%.


O cenário central do Copom, portanto, parece caminhar para a desaceleração necessária da economia para baixar a inflação, mas os riscos em torno desse cenário estão um pouco mais exacerbados. Na sua ata desta semana, o Copom reconheceu que a desaceleração está ocorrendo, mas colocou em dúvida os números do passado (que podem sofrer revisões estatísticas), do presente (que dão sinais mistos) e do futuro (com um maior dinamismo do setor agrícola neste começo de ano).


Curiosamente, no relatório de hoje, o Banco Central publica um box que deveria dar mais confiança na desaceleração. Os técnicos do BC recalcularam o PIB usando um método alternativo de dessazonalização.


Os especialistas do mercado esperam um forte crescimento do PIB no primeiro trimestre, de 1,9%. Essa estimativa considera o método de dessazonalização do IBGE, que ajusta os dados com base no PIB como um todo. Esse método tende a amplificar o impacto da agricultura, que deve ter uma safra recorde neste início de ano.


No entanto, se for utilizada a dessazonalização pelo método indireto, aplicada a cada componente do PIB separadamente, a alta no primeiro trimestre cai para 1%. Se o PIB for calculado excluindo a agricultura, o avanço é de apenas 0,3% (caso se utilize o método de dessazonalização do IBGE sem a agricultura, o crescimento fica em 1%).


São indicadores que deveriam oferecer mais segurança ao Copom. No entanto, o comitê parece cauteloso em reconhecer de forma prematura que a economia está desacelerando. Uma das preocupações que estão contaminando os mercados é a expansão do crédito consignado ao setor privado, que, pelas primeiras consultas, parece que vai se acelerar de forma mais rápida do que o previsto. O Banco Central, no relatório de hoje, baixou sua estimativa para a ampliarão do crédito, de 9,6% para 7,7%. Ou seja, no cenário central, parece mais confiante de que o aperto monetário vai se transmitir pelo crédito. Mas, na ata do Copom, os membros do comitê discutiram a importância de o aperto monetário se transmitir pelo crédito de forma desobstruída.


27/03/2025 10:06:38

Contração fiscal

 *Contração fiscal no primeiro bimestre foi relevante, diz Ceron*


O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, referiu-se à iniciativa do governo de ser mais contracionista como forma de colaborar com a política monetária. Segundo ele, a contração fiscal no período teve superávit acumulado bem superior ao do ano passado e despesa em decréscimo. Ceron disse que há um fator muito relevante que é a questão do precatório, intencional justamente para não adicionar um estímulo fiscal. Os precatórios, disse ele, serão pagos mais à frente. Ceron reafirmou que a harmonização da política fiscal com a monetária é relevante neste momento diante da necessidade de ancorar as expectativas e a convergência da inflação à meta.

Zelensky x Putin

 *Ucrânia/Zelensky: Putin vai morrer em breve*


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse em uma entrevista na TV que o líder russo, Vladimir Putin, de 72 anos, “vai morrer em breve”. Ele não deu mais detalhes sobre a afirmação, mas ela foi feita no momento que tabloides sensacionalistas do Reino Unido, como *The Sun*, têm feito seguidas especulações sobre problemas de saúde do presidente da Rússia. A declaração de Zelensky foi feita quando ele estava em Paris, onde pediu aos aliados europeus que não suspendessem as sanções à Rússia. “Uma das coisas que ele mais teme é perder o poder”, afirmou Zelensky. “Isso depende da estabilidade da sociedade, mas também da idade dele. Ele vai morrer logo, isso é fato. Tudo vai acabar então”, comentou Zelensky durante a entrevista, segundo a *CNN* americana. A declaração se deu depois de uma reunião de Zelensky com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, na qual o ucraniano disse que esperava que os EUA tivessem poder suficiente para pressionar a Rússia a um cessar-fogo incondicional.

Simon Schwartzman