quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

BDM Matinal Riscala 2612

 Emendas reabrem crise

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[26/12/24]


… Impulsionado pela esperança de estímulo fiscal adicional na China, o minério de ferro registrava alta firme, de 1%, no final da noite de ontem. A volta do Natal tem agenda fraca hoje e promete liquidez ainda mais esvaziada, o que pode distorcer as cotações dos ativos. Com o dólar de novo perto de R$ 6,20, o BC já deixou programado para esta manhã (9h15) um leilão à vista de até US$ 3 bilhões, dando continuidade às intervenções recordes no câmbio, diante das saídas históricas de fluxo. A pressão da moeda americana tem respondido à sazonalidade das remessas de final de ano ao exterior e aos ruídos fiscais. A aprovação do pacote de cortes de gastos no Congresso envolveu a liberação das emendas, que voltam a estar no centro da polêmica da autonomia dos Poderes e ameaçam a governabilidade.


… A curta trégua nos negócios com a tentativa de reconciliação de Lula com a Faria Lima já voltou a ser abalada na última 2ªF pela decisão do ministro Dino (STF) de suspender novamente o pagamento de emendas parlamentares.


… Os ativos domésticos estressaram (abaixo), com escalada do dólar e DI, diante da percepção de que o governo enfrentará um ambiente político tenso na volta do recesso, em fevereiro, quando tem que aprovar o Orçamento.


… A PF abriu inquérito na 3ªF para apurar supostas irregularidades na liberação de R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares de comissão que estavam previstas para serem pagas aos congressistas até o fim do ano.


… Dino suspendeu o repasse, alegando que os verdadeiros padrinhos das indicações para emendas foram ocultados, contrariando decisões anteriores do STF, que condicionaram o envio das emendas a requisitos de transparência.


… A investigação da PF atende a uma ordem de Dino, que foi acionado pelos partidos Novo e PSOL contra o arranjo.


… A estratégia de apadrinhamento por meio dos líderes das bancadas, no mecanismo que continua escondendo os parlamentares por trás das indicações, foi vista como um drible de Lira às regras de transparência e rastreabilidade.


… Antes da suspensão por Dino, no período que coincidiu com a votação do pacote fiscal no Congresso, o governo Lula liberou quase R$ 730 milhões em emendas de comissão, segundo apuração de bastidores da revista piauí.


… Novos documentos mostram que o dinheiro começou a ser liberado com respaldo formal do Palácio do Planalto.


… O novo bloqueio ressuscita o fogo cruzado entre os Poderes, no desgaste que já provoca reação do Parlamento.


… Surpreso com a determinação do STF, o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento/25, afirma que a ação afeta a relação entre os Poderes e pode atrasar a votação da peça para o fim de fevereiro o início de março.


… O temor é de que o atraso no Orçamento seja apenas a ponta do iceberg. Nos últimos dias, a cúpula do Congresso já vinha advertindo que tinha uma “carta na manga” caso houvesse um novo ataque à liberação de emendas.


… O aumento da insatisfação dos deputados e senadores pode impulsionar a PEC de autoria de Altineu Côrtes (PL) que, na prática, torna todas as emendas impositivas (de pagamento obrigatório) e enterra a governabilidade de Lula.


… A proposta tem 152 assinaturas, contra as 171 necessárias para que a PEC seja protocolada. A nova decisão de Dino eleva a pressão para o sucessor de Lira no comando da Câmara, Hugo Motta, dar andamento à proposta.


… Parlamentares reclamam do tempo da ação de Dino, que ocorreu após o governo já ter aprovado o pacote fiscal.


… A tensão ocupa o mercado. “Lula perderá o Congresso. Liberaram o dinheiro, votaram o que ele pediu e travaram o dinheiro. Lula vai sofrer as consequências, já que Dino é nome dele no STF”, resumiu profissional ao Broadcast.


… Diante dos riscos de fragilização do governo, a Advocacia-Geral da União está em contato com os ministérios para avaliar quais os próximos passos a serem tomados quanto à destinação das emendas parlamentares.


… Durante o pronunciamento de Natal em rede nacional de rádio e TV, adiantado para a noite de 2ªF, Lula voltou a defender o respeito e a harmonia entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, diante do impasse das emendas.


… O presidente ainda exaltou a economia doméstica forte, mas admitiu que o País tem “enormes desafios” à frente.


PEGADINHA – Durante o feriado de Natal nos mercados globais, quem pesquisou a cotação do dólar contra o real no Google se deparou com um novo valor nominal recorde da moeda norte-americana, de R$ 6,38…


… O valor é R$ 0,20 superior ao registrado no último fechamento oficial (2ªF), de R$ 6,1855. Esta não é a primeira vez que as cotações do câmbio vistas no buscador divergem das cotações de corretoras e do próprio BC.


… No começo de novembro, um dia depois da eleição presidencial norte-americana, que confirmou a vitória de Trump, o Google informou que o dólar havia rompido R$ 6, quando esta marca ainda não havia sido cruzada.


… A plataforma de busca informa que os dados exibidos na busca vêm de provedores globais terceirizados. A AGU informou que avalia tomar medidas em relação ao Google por exibir valores superiores à cotação do dólar.


AGENDA – Em meio à onda de fuga de dólares do Brasil (abaixo), o BC divulga hoje (14h30) os dados semanais do fluxo cambial. No mesmo horário, o Tesouro informa o relatório de novembro da dívida pública federal.


… O documento será comentado em entrevista coletiva virtual, às 15h, por Roberto Lobarinhas.


LÁ FORA – O BC da Turquia divulga decisão de política monetária às 8h. Nos EUA, saem os pedidos de auxílio-desemprego (10h30) e os estoques semanais de petróleo medidos pelo DoE, às 13h.


REBOTE – Após sessões em baixa, o dólar voltou a disparar na 2ªF, ao 2º maior valor nominal de fechamento da história: R$ 6,1851 (+1,86%). Na última sessão antes do Natal, o real cravou a pior performance entre os emergentes.


… A desidratação do pacote fiscal, calculada pelo mercado em até R$ 20 bi sobre projeções que já eram menores que os R$ 70 bi do governo, a nova crise com o STF e a saída de recursos para remessas de fim de ano estressaram.


… O dólar forte lá fora – o DXY subiu 0,38%, aos 108,037 pontos, na 2ªF, e o fato de o BC não ter atuado no mercado ajudaram a formar o bloco de pressão sobre a moeda.


… Só este mês, o BC já injetou US$ 27,760 bilhões no mercado, a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante. Apenas as vendas em leilões à vista, iniciadas em 12 de dezembro, foram de US$ 16,76 bilhões.


… Enquanto isso, a fuga de dólares do Brasil também bate recordes. Entre os dias 2 e 19 de dezembro, saíram US$ 14,699 bilhões, o maior volume para o período na série histórica do BC, iniciada em 2008.


… Na esteira do dólar e quadro fiscal, os DIs seguiram a escalada rumos aos 16%. Também reagiram à nova piora nas projeções de juros, IPCA e câmbio do Focus. No exterior, o avanço dos juros dos Treasuries injetou mais pressão.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 subiu a 15,220% (de 14,945% no fechamento anterior); Jan/27, a 15,470% (de 15,105%); Jan/29, a 15,050% (14,680%); Jan/31, a 14,710% (14,350%); e Jan/33, a 14,460% (14,130%).


SEM CHANDON – As blue chips ligadas às commodities até colaboraram, mas com apenas 13 das 87 ações do Ibovespa em alta, não houve o que comemorar na bolsa na antevéspera de Natal.


… Em dia de fuga do risco nos ativos domésticos, o índice à vista voltou a perder os 121 mil pontos, em baixa de 1,09% (120.766,57) com volume financeiro de apenas R$ 20,2 bilhões.


… Bancos registraram perdas robustas: Santander, -3,09% (R$ 23,54); Itaú, -1,94% (R$ 30,89); Bradesco PN, -1,79% (R$ 11,55); Bradesco ON, -1,58% (R$ 10,61); e Banco do Brasil, -0,66% (R$ 23,92).


… As maiores perdas do Ibovespa foram de Automob (-19,05%; R$ 0,34), estendendo a baixa do pregão anterior (-10,64%), Azul (-9,34%; R$ 3,30) e Brava Energia (-7,67%; R$ 19,13).


… Figurando entre as poucas altas, Vale ganhou 0,42% (R$ 54,85), em linha com o minério de ferro (+0,84%).


… Petrobras ON subiu 0,76% (R$ 40,02), na máxima do dia, e o papel PN ficou estável (+0,03%), em R$ 36,86, apesar da baixa de 0,42% no Brent/fev na 2ªF.


… Suzano avançou 2,72%, a R$ 61,24, com a notícia de aumento do preço da celulose para Ásia, América do Norte e Europa, a partir de 1º de janeiro.


JINGLE BELL ROCK – Responsáveis por boa parte da disparada das bolsas em NY este ano, as techs atacaram novamente e marcaram o início do ‘Santa Claus rally’ em Wall Street, na 3ªF.


… A efeméride marca as cinco últimas sessões do ano e as duas primeiras de janeiro, quando os principais índices costumam ter desempenho positivo. Desde 1950, o S&P 500 subiu 1,3% no período, em média (LPL Research).


… Numa sessão 3h mais curta e com baixo volume de negócios por causa da véspera de Natal, o Nasdaq liderou os ganhos: +0,98%, a 19.764,89 pontos. O Dow Jones subiu 0,16% (42.906,95) e o S&P 500 ganhou 0,73% (5.974,07).


… Todas as sete magníficas subiram, lideradas por Tesla, que disparou 7,36%, seguida por Amazon (+1,77%), Meta (+1,32%), Apple (+1,15%), Microsoft (+0,94%), Alphabet (+0,81%) e Nvidia (+0,39%).


… Broadcom (+3,15%), Arm Holdings (+3,9%) e AMD (+1,36%) foram bem depois de o governo Biden lançar mais uma investigação sobre chips fabricados na China.


… O avanço das ações de tecnologia mostra que nem um Fed mais conservador reduziu o ímpeto do setor, força que deve continuar em 2025, segundo Charlie Ripley (Allianz Investment Management), na Reuters.


… Bancos subiram após entidades representativas do setor processarem o Fed pelos testes de estresse anuais. O argumento é que falta transparência às avaliações, que “produzem exigências de capital inexplicáveis”.


… Morgan Stanley e o Citigroup avançaram 2,10% e 1,76%, respectivamente. O Goldman Sachs ganhou 2,10% e o JPMorgan, 1,64%


… Após o fechamento, o Fed anunciou que avalia “significativas mudanças nos testes de estresse” para aperfeiçoar sua transparência e reduzir a volatilidade das exigências de capital.


… Com a liquidez reduzida, o juro da note de 2 anos ficou estável em 4,340%, enquanto o da T-note-10 anos caiu a 4,584% (de 4,587% no pregão anterior) e o do T-bond de 30 anos cedeu a 4,760% (contra 4,775%).


… No câmbio, o índice dólar (DXY) subiu 0,20%, a 108,257 pontos. O euro recuou 0,17%, a US$ 1,0392. A libra ficou estável (-0,02%) em US$ 1,2535, assim como o iene (-0,02%), a 157,163/US$.


… A despeito do câmbio, o petróleo Brent para fevereiro fechou com alta de 1,31%, a US$ 73,58 o barril, na ICE, sem um catalisador específico para o ganho do dia.


EM TEMPO… Moody´s reiterou a nota de crédito nacional da PETROBRAS em AAA.br, com a perspectiva estável.


PETROBRAS GLOBAL FINANCE B.V. (PGF) enviou notificações com anúncio de preços do resgate antecipado aos investidores dos títulos 5,299% Global Notes com vencimento em 2025, totalizando US$ 606,7 mi…


… Liquidação financeira do resgate ocorrerá em 27 de janeiro de 2025…


B3 aprovou a distribuição de R$ 337,150 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0538 por ação, com pagamento em 8/1; ex a partir de 2/1.


ASSAÍ. Sharp Capital Gestora de Recursos atingiu o montante de 60.398.489 de ações ON, correspondentes a 4,47% dos papéis do tipo emitidos pela companhia.


C&A aprovou a distribuição de JCP no valor líquido de R$ 89,25 milhões, correspondendo a R$ 0,2929 por ação ordinária. Ex em 02/01/2025.


MULTIPLAN aprovou a distribuição de R$ 200 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,4092 por ação, com pagamento até 30 de dezembro de 2025; ex a partir de 2 de janeiro.


SUZANO aprovou a distribuição de R$ 657,3 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,8993 por ação ON e R$ 0,9893 por ação PN, com pagamento em 14/1/25; ex desde 4/10/24.


PORTO aprovou JCP de R$ 269,67 milhões ao 4Tri24. O valor bruto corresponde a R$ 0,4207 por ação, descontadas aquelas que estão na tesouraria da empresa. As ações passam a ser negociadas ex-JCP a partir de 2 de janeiro.


AMIL e DASA. Superintendência-Geral do Cade aprovou combinação de ativos. Com isso, 25 hospitais, 6 clínicas oncológicas e 6 clínicas médicas passarão a ser controlados pela Ímpar Serviços Hospitalares, joint venture de gestão.


RD SAÚDE. Schroder Investment Management Brasil aumentou a sua participação acionária na companhia, passando a deter 86.469.464 de ações ON, 5,033% do total.


HYPERA aprovou a distribuição de R$ 106.995.435,16 em JCP, o equivalente a R$ 0,1691 por ação ON; somado a isso, foi aprovada a declaração de R$ 76.999.257,64 em dividendos, a R$ 0,1217 por ação ON; ex a partir de 30/12…


… O pagamento será realizado até o final do exercício social de 2025, em data a ser definida pela companhia.


FLEURY. Fundos geridos pela Guepardo Investimentos passaram a deter em conjunto 27.518.800 de ações ON, representando 5,03% do total de papéis do tipo emitidos pela companhia.


EMS projeta faturar US$ 4 bilhões daqui oito anos, a partir da comercialização de moléculas de liraglutida, princípio ativo é similar ao de medicamentos como Ozempic. A comercialização foi aprovada pela Anvisa.


LATAM. Ricardo Bottas, ex-CEO da Amil e da SulAmérica, será o novo diretor financeiro da empresa. Ele deve assumir o posto em janeiro, após a aprovação dos trâmites de imigração pelas autoridades do Chile, onde a aérea é sediada.


ENEVA assinou contrato de financiamento junto ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB), no valor de R$ 660 milhões, ao custo de IPCA + 3,4187% ao ano, com prazo de vigência de 15 anos…


… A contratação vai financiar a unidade de liquefação em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão.


EDP aprovou pagamento de JCP de R$ 123,5 milhões, os quais serão imputados ao dividendo obrigatório a ser distribuído pela companhia…


… Terão direito ao recebimento do valor todos os detentores de ações na data-base de 23 de dezembro de 2024.


ENERGISA e Energisa Transmissão de Energia, sua controlada direta, informaram que energizaram todas as funções de transmissão que compõem o contrato de concessão da Energisa Amapá Transmissora de Energia SA (EAP)…


… A obra foi concluída 33 meses após a assinatura do contrato de concessão, com antecipação de nove meses frente a data regulatória prevista; foram investidos nesse empreendimento aproximadamente R$ 155 milhões.


GRUPO MATEUS. BTG reiterou recomendação de compra para ação da empresa, após anúncio da finalização do termo para compra da rede de supermercados Novo Atacarejo na 6ªF (20), com preço-alvo de R$ 11.


CAIXA SEGURIDADE. A Caixa fechou na 2ªF o sindicato de bancos que coordenará a oferta pública subsequente (follow on) da Caixa Seguridade, prevista para o ano que vem, segundo fontes do Broadcast…


… Farão parte do sindicato Itaú BBA, UBS BB, BTG Pactual, Bank of America e a própria Caixa, que tem buscado fortalecer a atuação no mercado de capitais.


AGIBANK recebeu aporte de R$ 400 milhões de um fundo de private equity de Daniel Goldberg, da Lumina Capital. Com o aporte, a instituição foi avaliada em R$ 9,3 bilhões.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

Fernando Dantas 2612

 Fernando Dantas: Brasil ainda está antecipando política monetária das grandes economias?


Quando o Banco Central (BC) elevou a Selic de 2% para 2,75% em março de 2021, a autoridade monetária brasileira pulou na frente em termos globais na decisão de iniciar um ciclo de aperto monetário para conter o surto inflacionário da Covid. O Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) só começou a elevar os Fed Funds, taxa básica norte-americana, um ano depois, em março de 2022.


O BC brasileiro fez sua primeira redução de juros em setembro de 2023, e o Fed, em setembro de 2024. Agora, o Brasil retomou a elevação da Selic em setembro de 2024, mas a expectativa não é a de que o Fed venha a elevar a sua taxa básica no horizonte principal das projeções de mercado. A visão de muitos é que o Brasil errou a mão na política econômica, com excesso de estímulo fiscal durante a pandemia e depois, e criou para si mesmo um novo soluço inflacionário, a ser combatido com mais um ciclo de alta da taxa de juros.


Mas o economista Samuel Pessôa (Julius Baer Family Office e IBRE-FGV) vê como provável que a nova guinada de política monetária no Brasil a partir de setembro possa, sim, ser de novo um movimento que antecipa o que pode ocorrer em outras partes do mundo. Uma ressalva importante é que Pessôa não considera que o Fed vá elevar as taxas de juros, mas sim que o ciclo de queda atual possa ser menor do que se supõe, com uma taxa terminal ainda bastante elevada para os padrões recentes (antes da alta inicial para combater a inflação da pandemia).


No Brasil, diz o economista, um erro de avaliação fundamental foi sobre a temperatura da economia em 2024. Em dezembro de 2023, Pessôa previu que a economia ia crescer 1,5% este ano, e que a inflação seria de 4%. Hoje, ele diz, caminha-se para crescimento de 3,5% e a inflação deve ficar por volta de 5%. O aquecimento do mercado de trabalho também surpreendeu, com a taxa de desemprego caindo para pouco mais de 6%, possivelmente um recorde de baixa desde pelo menos 2000.


Pessôa traça um paralelo com os Estados Unidos, onde também a atividade econômica vem surpreendendo constantemente, com previsão de crescimento anualizado no último trimestre de 3%, e uma expansão do PIB no ano ligeiramente abaixo desse nível. A surpresa de crescimento nos Estados Unidos, em relação às previsões um ano antes, está em torno de 1,2 ponto porcentual (pp), enquanto a do Brasil é de aproximadamente 2pp, nota o economista. Já a inflação americana também está um pouco mais elevada que as projeções, mas o destaque são indicadores como serviços, cujo “supernúcleo”, que exclui aluguéis, tem flutuado em torno de 4,4%.


Recentemente, empurrado por declarações de Jerome Powell, chairman do Fed, e de outros diretores, o mercado reprecificou o ciclo de queda à frente, no sentido de reduzi-lo.


“A impressão é de que os Fed Funds [hoje na faixa 4,25-4,50%] vão ser cortados mais uma ou duas vezes, talvez nem duas, e acho que tem chance de a taxa básica se estabilizar por um ou dois anos em torno de 4%”, diz Pessôa.


O economista também vê possibilidade de surpresas em termos de encurtamento do ciclo de afrouxamento monetário na Europa, em que as taxas de desemprego estão em níveis históricos de baixa. Já o baixo nível de utilização da capacidade na indústria na Europa, que muitos interpretam como ociosidade conjuntural, corresponde, na visão do analista da JBFO e do IBRE, a uma mudança estrutural, ligada à desindustrialização na esteira da competição com a China. Pessôa acrescenta que a inflação de serviços na Europa também se estabilizou em nível muito acima da meta de inflação de 2%.


“Considero que podemos ter taxas terminais desse ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos e na Europa bem mais baixas do que se supunha, mas essa percepção deve ficar clara dentro de uns seis meses, no caso americano, e dentro de um ano, no caso europeu”, prevê o economista.


Se isso for verdade, ele diz, é mais uma má notícia para o Brasil, porque o juro alto no resto do mundo pressiona os juros domésticos ainda mais para cima.


Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras.


O colunista entra de folga de final de ano e volta a escrever neste espaço em 3 de janeiro de 2025.


Broadcast+

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Neofeed

 Fundos multimercados batem recordes de resgastes e seguem, em sua maioria, com rentabilidade abaixo do CDI, deixando à mostra a crise existencial desse setor nos últimos anos. O que esperar de 2025?


Leia mais: https://lnkd.in/dqt4WpiA

Será?

 


Marcos Troyjo

 𝐃𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐚𝐬 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 𝐠𝐞𝐫𝐚çõ𝐞𝐬

𝐈𝐦𝐩𝐨𝐫𝐭â𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐟𝐚𝐦í𝐥𝐢𝐚

𝐌é𝐫𝐢𝐭𝐨, 𝐬𝐨𝐥𝐢𝐝𝐚𝐫𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 & 𝐩𝐫𝐚𝐠𝐦𝐚𝐭𝐢𝐬𝐦𝐨

Te𝐜𝐧𝐨𝐥𝐨𝐠𝐢𝐚 & 𝐡𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐚𝐬


Estes são alguns temas da conversa com Marcos Troyjo
no Podcast SustenTalks, ancorado pela Professora Natascha Schmitt
(LLM University of California, Berkeley - School of Law).

SustenTalks
𝘚𝘶𝘴𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢𝘣𝘪𝘭𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦, 𝘋𝘦𝘴𝘦𝘯𝘷𝘰𝘭𝘷𝘪𝘮𝘦𝘯𝘵𝘰 & 𝘌𝘤𝘰𝘯𝘰𝘮𝘪𝘢
Convidado: Marcos Troyjo

🎥 Assista à íntegra da entrevista: https://lnkd.in/dy_jAp4Y

Boas festas aos amigos!

 


Bankinter Portugal 2412

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O mercado continua suportando tudo. A recuperação de NY ontem foi tão agradável quanto inexplicável. Não tanto o S&P500 (+0,7%), mas principalmente as empresas de tecnologia: SOX +3,1%, com Broadcom +5,5%, TSMC +5,1%, Nvidia +3,7%, Intel +3,5%... Enfim, parecem excessos de final de ano. Mas tomara que estejamos errados e que haja algo (bom) que não estejamos vendo. A única coisa que poderia explicar essa sobrereação é que agora, quanto pior for a macroeconomia americana, melhor. Porque isso forçaria o Fed a reduzir ainda mais as taxas de juros. E ontem NY estava caindo até que, às 13h30, saíram os dados de Pedidos de Bens Duráveis, aparentemente maus (-1,1% vs -0,3%; mas +0,7% excluindo aviação e defesa, o melhor registro desde junho, então não tão maus se analisados além da superfície) e, às 15h, a Confiança do Consumidor recuando (104,7 vs 113,2 esperado vs +112,8 anterior). Ambos os dados foram interpretados como negativos (o que não é correto em relação ao primeiro), e Wall Street começou a subir com força, com um entusiasmo difícil de justificar. A única coisa identificável que pode explicar isso é que Michael Barr, Vice-Presidente de Regulação do Fed (membro permanente do FOMC ou comitê de política monetária), contratou advogados para defendê-lo porque, segundo rumores, Trump quer demiti-lo para garantir que as cargas regulatórias para o setor financeiro sejam aliviadas. Mas os bancos americanos não recuperaram especialmente ontem (+0,8%), então essa alta não deveria ser por isso.


HOJE é véspera de Natal e não há nada relevante programado. Amanhã é Natal, portanto os mercados estarão fechados. Depois de amanhã, quinta-feira, a Europa estará fechada, mas NY estará aberto. E na sexta-feira, 27, será um dia normal, mas com tanta ressaca dos feriados que a atividade será mínima.


Quando a atividade diminui e, sem causas objetivas, o mercado recupera, convém ter cuidado especial. As yields das obrigações subiram (T-Note 4,60%, Bund 2,33%...), o que deveria prejudicar as valorizações e as bolsas. Se elas reagem de forma contrária, subindo, pode ser por dois motivos: (i) algo importante passou despercebido. Pode ser, mas esperamos que não. (ii) A visceralidade está a sobrepor-se à racionalidade, e nesse caso é melhor desconfiar das altas. Até onde conseguimos ver, nossa opção é a (ii). Mas talvez HOJE haja outra pequena subida, inercialmente.


Reiteramos que não há nada grave a acontecer, mas devemos ser um pouco mais prudentes e esperar menos dos próximos trimestres, até que o ajuste de preços se complete e a inflação/taxas se tornem mais claras em relação ao seu rumo. O natural será que as bolsas recuem um pouco durante algum tempo (sem dramas, reajustando-se), que as obrigações continuem a subir suavemente as suas yields, que o dólar continue valorizado (em algum momento de 2025 veremos a paridade com o euro), euro e iene fracos, petróleo relativamente barato e criptomoedas em uma realização de lucros típica de ativos de risco em alta.


Desde o Bankinter, desejamos uma excelente véspera de Natal e um feliz Natal!


S&P500 +0,7% Nq-100 +1% SOX +3,1% ES-50 -0,2% IBEX -0,3% VIX 16,8% Bund 2,33% T-Note 4,59% Spread 2A-10A EUA=+25pb B10A: ESP 3,02% PT 2,81% FRA 3,15% ITA 3,50% Euribor 12m 2,461% (fut.2,105%) USD 1,040 JPY 163,4 Ouro 2.619$ Brent 73,0$ WTI 69,5$ Bitcoin -0,8% (94.054$) Ether +3,8% (3.402$).


FIM

Simon Schwartzman