quinta-feira, 31 de julho de 2025

JR Guzzo

 Guzzo é o melhor jornalista brasileiro.


A BRIGA DO BOÇAL-RAIZ

J. R. Guzzo, Oeste, 27.07.2025


O presidente da República, sem jamais ter perguntado aos brasileiros, ou sequer a si próprio, se achavam uma boa ideia provocar uma briga no mano a mano com os Estados Unidos, começou seu terceiro mandato com a ideia fixa de se exibir como o grande inimigo mundial da potência econômica, militar e política número 1 do planeta. Teve outras ideias tão fixas e tão estúpidas como essa, mas possivelmente nenhuma delas foi tão irresponsável quanto seu rugido de rato diante dos americanos — nem está prometendo um final tão humilhante.


Como o motorista bêbado que sobe com o carro na calçada, entra na contramão e queima o sinal vermelho, e depois diz que não sabia direito o que estava fazendo, Lula só parou quando bateu de frente com o muro — neste caso, com as realidades da vida como ela é. Até ser obrigado a parar, conseguiu não acertar uma. Insistiu, em primeiro lugar, em entrar na briga sem saber o que queria dela. Jamais teve sequer um arremedo de plano para enfrentar a pauleira — e muito menos para ganhar. Desafiou o Mike Tyson, e só percebeu que era o Tyson quando levou o primeiro gancho no fígado.


Lula não sabe, até agora, o que dizer aos Estados Unidos — certo, temos de fazer uma proposta qualquer, mas qual é mesmo a nossa proposta? Fala, como vem repetindo nos últimos 40 anos, que “tem de negociar”, mas não tem nada para oferecer. Não tem nem mesmo o negociador. A embaixadora do Brasil em Washington é uma nulidade que nem sequer foi recebida quando tentou falar com alguém importante. Descobriu-se, por sinal, que há dois anos e meio nosso governo simplesmente não tem nenhum contato efetivo com o maior país do planeta.


Quer dizer: dois anos e meio de governo Lula-STF levaram o Brasil a estar com o maior cartaz na Tanzânia ou na “Palestina”, por exemplo, e ser um zé-mané na capital do mundo. Como arrumar, agora, alguém que saiba do que está falando para desenrolar a porcaria que Lula arrumou com os Estados Unidos? Também não sabem. Têm falado, acredite se quiser, em Geraldo Alckmin, que não tem condições para negociar um contrato de aluguel em Pindamonhangaba. Será que num país de 200 milhões de habitantes não existe ninguém melhor para esse serviço?


É um passeio ao acaso — uma coisa amadora, subdesenvolvida e desconexa. E se os negociadores americanos, caso Alckmin consiga passar do sub do sub, descobrirem que ele disse que o seu chefe, em cujo nome está negociando, queria ser presidente para voltar “à cena do crime”? Eis aí o exato grau de seriedade do governo Lula nessa história: criou uma briga na qual não tinha nada a ganhar, que não tem nenhuma possibilidade de levar adiante e da qual agora não sabe sair. Está como o pobre orgulhoso que não tem dinheiro para brigar nem na Justiça gratuita, mas “exige” os seus “direitos”. Acaba pedindo acordo.


Lula começou com a sua palhaçada de sempre — a idade, infelizmente, não tem melhorado sua criatividade. A taxação de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos, anunciada por Donald Trump em reação ao linchamento legal do ex-presidente Bolsonaro, foi recebida com furiosos juramentos em favor da “soberania do Brasil”. O tarifaço era “inaceitável” — como se tivesse cacife para aceitar ou não alguma coisa. Disse que o Brasil iria “retaliar”. Garantiu que “não abria mão da reciprocidade”. Exigiu que Trump falasse “manso” com ele.


Lula proclamou mais uma vez sua total “solidariedade” à perseguição do STF a Bolsonaro. Falou em “traição à pátria”. Denunciou de novo o “fascismo” de Trump. “Vou vender os nossos produtos em outros lugares”, ameaçou, como se ele fosse capaz de vender alguma coisa ou houvesse uma lista de clientes à espera das suas ofertas. Fez reuniões. Veio com umas ameaças moles de anular patentes americanas, como um país pirata, ou aumentar a taxação sobre as remessas de lucros das empresas americanas que operam no Brasil. Daí não passou.


Seria a mais notável realização de Lula em seus três governos — fazer empresas americanas saírem do Brasil, em vez de entrarem. É pura e simples criação de problema onde há solução. Operam hoje no Brasil cerca de 4,5 mil empresas americanas, com investimento aproximado de US$ 350 bilhões e empregos para 500 mil brasileiros — em geral, nas faixas mais altas da escala de remuneração. É esse o inimigo a ser hostilizado? Onde Lula vai arrumar investimentos de US$ 350 bi para substituir os americanos? Na Venezuela da Refinaria Abreu e Lima?


Não há nenhum problema no Brasil, de nenhuma natureza, que seja causado pela presença de empresas americanas em nossa economia. É exatamente o contrário — até no PT há gente que entende que é bom haver empresas dos Estados Unidos investindo, criando empregos e pagando impostos no Brasil. O que se ganha então mexendo com isso? É o que um país arruma com brigas em que não deveria se meter: resultados que ninguém queria e nunca foram um objetivo do governo. Lula e Janja querem o fim do capitalismo, é claro. Mas não hoje, certo?


Naturalmente, nada disso foi feito; na verdade, toda a reação do Brasil a Trump, no mundo dos fatos concretos, foi até agora um zero absoluto. Falaram, falaram e falaram, mas fazer alguma coisa, que é bom, nada. Lula diz, como se ele fosse o procurador-geral do Universo, que não aconteceu nada até agora porque ele, Lula, ainda não fez nada. Na hora em que fizer, segundo garante, as coisas passarão a existir. Só a mídia engole isso. Diz que ele joga uma partida de xadrez altamente complexa — tão complexa que ninguém entendeu.


Não há xadrez nenhum; não há nem o dominó da quebrada. O que há mesmo é o boçal-raiz que foi procurar briga na boate, encontrou e agora foge para trás do leão de chácara gritando “me segura, me segura que eu sou capaz de fazer alguma loucura”. Que coisas vão “começar a acontecer”, como diz Lula? Coisas nenhumas. Não há um único e escasso parafuso que o Brasil tenha e de que os Estados Unidos realmente precisem; em compensação, sem os americanos o Brasil está num mato sem cachorro. Lula e a gatarrada gorda de Brasília, na sua ignorância terminal, não têm ideia de quanto os Estados Unidos podem machucar a todos nós.


O único lugar em que Lula está fazendo sucesso é na Globo e no resto da mídia oficial, embora não se saiba ainda por quanto tempo. A visão, ali, é de que nada poderia ter acontecido de tão bom para o governo e o STF quanto as tarifas de 50% impostas por Trump. O Brasil, que vinha detestando Lula, o seu filme-catástrofe e o desvario totalitário do Supremo, passou a amar — o povo brasileiro, pelo veredito da imprensa, obviamente se uniu contra Trump, a “intervenção estrangeira” e a ameaça à soberania nacional. Lula é o favorito para 2026. Bolsonaro, os golpistas e a direita são traidores.


Nem o PT, possivelmente, acredita nessas miragens, mas até agora a mídia é tudo o que Lula conseguiu em sua Terceira Guerra Mundial. Nenhuma democracia se deu até agora o trabalho de ficar a favor do Brasil — não para valer. Não houve uma única manifestação de rua, tipo “fora ianques”, em nenhum lugar do território nacional. Num país em que não controla nem 20% do Congresso, o governo não tem bala para escolher a maior potência mundial como inimiga. Nem o precioso Brics de Lula, salvo a ladroagem sul-africana, se animou a ajudar. Ao contrário, a Rússia disse que não foi ela quem veio com a ideia do fim do dólar. Nem eu, disse a China. Ambas apontaram para Lula.


Também não é do STF que o governo pode esperar ajuda — justo agora, quando mais precisa. Alexandre de Moraes, a quem se deve toda essa situação intragável, faz o oposto do que se espera para quem gostaria de acalmar as coisas. Acalmar como, se ele não perde nenhuma oportunidade de agredir cada vez mais os americanos? Em seu surto de tolerância zero com qualquer risco de pacificação, Moraes acaba de algemar o ex-presidente com uma tornozeleira de criminoso. Bolsonaro está proibido de se mover. Tem de ficar trancado em casa durante a noite. Não pode chegar perto de nenhuma autoridade estrangeira.


Também está proibido de usar as redes sociais, ou mesmo de aparecer nelas. Está proibido de dar entrevistas. O Maníaco do Parque pode dar; ele, não. Está proibido de falar com o próprio filho. Ficamos assim, então. Os Estados Unidos justificam sua punição tarifária ao Brasil com a perseguição judicial a Bolsonaro; aí vem o ministro Moraes e faz questão de dizer: “Vou perseguir mais ainda. Vai encarar?” Com essas, outras e as que ainda virão, Lula fica mais vendido que pastel de feira na hora em que cai no óleo de fritar.


Foi ele quem começou, com suas ideias de liderar o mundo contra os Estados Unidos e, neste ano, contra Donald Trump? Foi. Ele permitiu que navios do governo terrorista do Irã atracassem no Rio de Janeiro. Quer romper com Israel, a quem acusa de “genocídio”. Insulta os americanos. Propõe acabar com o dólar como moeda líder do comércio. É o amigo número 1 de todas as ditaduras. Mas nunca foi levado a sério a ponto de criar uma crise. Alexandre de Moraes, não. Ele deformou o Estado brasileiro a tal ponto que chamou, enfim, a atenção dos Estados Unidos.


O governo está condenado, ou condenou a si próprio, a dar apoio integral a Moraes e ao STF — façam o que fizerem, tem de ficar a favor. Que “negociação”, como Lula diz, pode sair de uma charada dessas? Moraes prende Bolsonaro na hora que quiser; pode prender o Arcanjo Gabriel, se lhe der na telha. Se quiser romper relações com os Estados Unidos, ele faz o governo romper. Se quiser guerra, vai jogar o Brasil na guerra. É o preço que Lula está pagando por ter vendido a alma ao STF.

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: A novela ainda não acabou*


Além da reação do STF, investidor acompanha PCE e balanços de Ambev, Vale, Amazon e Apple


… Teve festa no after market em NY. Depois dos balanços da noite de ontem: o ADR do Bradesco saltou 1,81%, enquanto os papéis da Meta (+11,49%) e Microsoft (+8,28%) precificaram no rali a forte demanda por serviços de IA, contratando gap de otimismo na abertura. Hoje é a vez de Vale, Apple e Amazon, todas depois do fechamento. Ainda na agenda do dia, saem por aqui o resultado primário do setor público consolidado em junho (8h30) e o desemprego da Pnad (9h). Nos EUA, a inflação do PCE de junho, às 9h30, vem no day after de o Fed ter deixado setembro em aberto, enquanto o Copom fez de tudo para o mercado não antecipar um corte da Selic, mencionando de forma explícita o tarifaço. Apesar da lista de exceções ao Brasil, o chumbo trocado entre Trump e o Brasil não termina aqui.


BRUXA À SOLTA – Cumprindo as ameaças, o republicano assinou ordem executiva para implementar tarifa adicional de 40% sobre os produtos importados do Brasil. Somada aos 10% anunciados em abril, a sobretaxa atinge 50%.


… O prazo para o início da aplicação da tarifação extra sobre os produtos brasileiros foi adiado de amanhã para daqui a uma semana, dia 6 de agosto. A melhor notícia foi a lista extensa de produtos que ficarão isentos dessa taxa.


… O governo de Washington resolveu poupar 694 itens, como aeronaves civis e peças (bom para Embraer), minério, petróleo, celulose, suco de laranja, fertilizantes e gases industriais. Café e carne não escaparam (ruim para o agro).


… As exceções livraram quase metade dos principais itens da pauta de exportações do Brasil para os EUA, o que deve reduzir o impacto negativo do tarifaço sobre o crescimento econômico e as previsões do mercado ao PIB doméstico.


… Tudo isso seria um alívio e é mesmo. Mas a confirmação de que Trump continua obcecado em fazer dessa guerra comercial um instrumento de retaliação política assusta e expõe a intenção de esticar a corda sabe-se lá até quando.


… Assim como na carta tarifária, o decreto do presidente americano contra o Brasil vinculou as ações da Casa Branca ao julgamento contra Bolsonaro, citando que o País promove “perseguição” e “censura” contra o ex-presidente.


… Moraes foi citado no texto como responsável por “ameaçar, perseguir e intimidar milhares de seus opositores políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, em coordenação com outros membros do STF”.


… Trump cobrou que o governo brasileiro tome ações contra o ministro do Supremo para rever a taxação.


… Horas antes do decreto do tarifaço, Washinton aplicou sanções financeiras a Alexandre de Moraes por meio da Lei Magnitsky, usada contra ditadores e terroristas. Lula chamou reunião de emergência contra os ataques à soberania.


… À noite, em nota, a Presidência da República condenou a “inaceitável” interferência do governo americano na Justiça brasileira, disse estar disposto a negociar só aspectos comerciais e se solidarizou com Alexandre de Moraes.


… Ainda considerou “injustificável” o uso de argumentos políticos para validar as medidas comerciais anunciadas.


… Em recado às big techs, o texto informou que, “no Brasil, a lei é para todos os cidadãos e empresas. Qualquer atividade que afete a população e a democracia está sujeita a normas. Não é diferente para as plataformas digitais.”


… Foi uma resposta ao trecho do decreto de Trump, em que ele exibiu sua insatisfação com política de moderação pelo Brasil de conteúdo, práticas de fiscalização ou algoritmos que, na sua visão, censuraram cidadãos americanos.


… Também a PGR divulgou nota, informando que recebeu com “assombro” a notícia sobre a imposição de sanções.


… Ainda os presidentes da Câmara e do Senado reagiram. Hugo Motta condenou qualquer tipo de sanção por parte de nações estrangeiras e Alcolumbre defendeu a soberania brasileira e o fortalecimento das instituições.


O TROCO – Fontes do Globo informam que os ministros do STF preparam reação para a sessão de reabertura do Judiciário, amanhã, depois das sanções de Trump. A resposta, avaliam, precisa ter um tom institucional.


… A prioridade é reiterar a defesa da independência do Judiciário brasileiro e da soberania nacional.


… Em nota, o Supremo informou que não se desviará do papel de cumprir a Constituição e as leis do País e esclareceu que as sanções econômicas contra Alexandre de Moraes não vão afetar o julgamento da trama golpista.


… Advogados com trânsito na Corte ouvidos pela Coluna do Estadão disseram que a investida de Trump contra Moraes pode acelerar o julgamento de Bolsonaro no STF, com chance de o processo ser concluído no fim de agosto.


… Antes, a expectativa era de que o destino do ex-presidente fosse definido apenas na metade de setembro.


… Em off, ministros do STF disseram ao Valor que a sanção contra Moraes “atende ao comando” das big techs.


… Em junho, o Supremo definiu uma série de regras mais duras, aumentando a chance de punição das plataformas por publicações de usuários exclusão de conteúdos criminosos sem a necessidade de decisão judicial.


BRASIL FOI O PIOR – Trump anunciou que a Coreia do Sul tomou 15% e disse que ainda está negociando com o governo da Índia, após ter anunciado mais cedo que imporiam uma tarifa de 25% sobre produtos importados do país.


… Afirmou ainda que a intenção do Canadá em reconhecer o Estado da Palestina tornará as negociações mais difíceis.


… O presidente norte-americano informou ainda que concluiu um acordo com o Paquistão para trabalhar em parceria com os Estados Unidos no desenvolvimento de suas “enormes reservas de petróleo”.


VALE – Deve divulgar balanço mais fraco no segundo trimestre. Para analistas no Broadcast, o aumento da produção não conseguiu compensar o recuo das vendas e dos preços no período, comprometendo o resultado trimestral.


… O lucro líquido deve ficar em US$ 1,5 bilhão, o que representa redução de 45,3% contra o período de abril a junho de 2024. Já o Ebitda proforma deve totalizar US$ 3,2 bilhões, com retração de 18,6% na mesma base de comparação.


… A média das projeções prevê receita líquida de US$ 8,8 bilhões, recuo de 11,2% comparado a um ano antes.


… Em NY, antes da abertura dos negócios, a Mastercard divulga o seu resultado do segundo trimestre.


AFTER MARKET – Mark Zuckerberg atribuiu, em teleconferência, o forte desempenho da Meta no segundo trimestre à Inteligência Artificial, “que está desbloqueando maior eficiência e ganhos em nosso sistema de anúncios”.


… A dona do Facebook registrou lucro por ação de US$ 7,14 e superou de longe o consenso dos analistas de US$ 5,88. O lucro líquido foi de 18,34 bilhões. A receita de US$ 47,5 bi também veio acima do esperado (US$ 44,8 bi).


… Também a Microsoft trouxe euforia ao pregão estendido, depois de reportar lucro ajustado de US$ 3,65 por ação, melhor do que a estimativa de US$ 3,37, e receita de US$ 76,4 bilhões, maior do que a aposta de US$ 73,9 bilhões.


COPOM DURO NA QUEDA – Sem qualquer concessão para o mercado especular com o início no curto prazo do ciclo de queda da Selic, a mensagem do BC veio tão cautelosa quanto já se imaginava. Ou até ainda mais conservadora.


… O único ponto dovish foi admitir “certa moderação” no ritmo da atividade econômica. De resto, alertou que o mercado de trabalho continua apresentando dinamismo e ignorou a queda nas expectativas de inflação no Focus.


… Além disso, fez menção direta ao tarifaço e descreveu o cenário exterior como “mais adverso e incerto”, para reforçar a necessidade de “particular cautela” e necessidade de juro a 15% por período bastante prolongado.


… A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, definiu o comunicado do Copom como “neutro com viés hawkish”, na tentativa do BC de alertar que a pausa atual nos juros não deve ser interpretada como sinal de alívio.


MAIS AGENDA – Depois de o Copom ter destacado que a política monetária restritiva ainda não foi suficiente para esfriar o mercado de trabalho, a Pnad deve reforçar hoje (9h) que o ritmo da mão de obra continua aquecido.


… Impulsionada pela atividade doméstica ainda forte, a taxa de desemprego no trimestre até junho deve registrar mais uma queda, a terceira consecutiva, para 6% na mediana do Broadcast, contra 6,2% na leitura móvel até maio.


… O intervalo das projeções entre os analistas do mercado financeiro varia de 5,8% a 6,2%.


… Também o fiscal estará no foco. O setor público consolidado deve registrar déficit primário de R$ 41 bilhões em junho, após saldo negativo de R$ 33,74 bi em maio. As estimativas são todas deficitárias, de R$ 46,6 bi a R$ 32,2 bi.


… Alckmin, que liderou a negociação do tarifaço, participa ao vivo do programa da Ana Maria Braga, às 10h35.


DESCONTINGENCIAMENTO – O governo detalhou ontem os valores do relatório bimestral de receitas e despesas.


… Dentro do montante total de R$ 20,7 bilhões descontingenciados pelo governo federal no Orçamento de 2025, foram descongelados R$ 4,7 bilhões em emendas parlamentares e R$ 15,896 bilhões para despesas discricionárias.


… Por outro lado, ainda restam R$ 10,7 bilhões bloqueados para garantir o cumprimento do limite de gastos.


… O governo manteve as medidas de restrição refletidas no faseamento dos limites de empenho dos órgãos, que limitam o empenho em R$ 52,8 bilhões até setembro para garantir o cumprimento da meta fiscal e o arcabouço.


QUANDO SETEMBRO CHEGAR – Sem se dobrar à pressão e à urgência de Trump por corte nos juros, Powell disse que o Fed ainda não decidiu o que fará na próxima reunião, esvaziando o peso do placar rachado de ontem.


… Seguindo à risca o script, Christopher Waller (cotado para a sucessão do comando do Fed) e a ex-falcoa Michelle Bowman optaram por uma redução imediata de 25 pontos-base da taxa básica, mas foram voto vencido.


… Powell esclareceu que o Fed não decide nada com antecedência, que precisa de mais evidências de fraqueza do mercado de trabalho (tem payroll amanhã) e mais clareza do impacto tarifário na inflação para mudar de estratégia.


PCE NO FOCO – Medida inflacionária predileta do Fed, o dado deve acelerar na margem e na base anualizada. A previsão é de 0,2% em junho, contra 0,1% em maio, e de 2,5% na comparação anual, contra 2,3% na leitura anterior.


… Ainda nos EUA, saem o auxílio-desemprego (9h30), que tem previsão de alta de 8 mil pedidos, para 225 mil, e o PMI industrial de julho medido pelo ISM de Chicago (10h45), com expectativa de melhora para 42,5, de 40,4 (junho).


… Os BCs da África do Sul (10h) e da Colômbia (15h) divulgam as suas decisões de monetária.      


CHINA HOJE – O PMI industrial oficial mostrou contração (abaixo de 50) pelo 4º mês seguido. Caiu de 49,7 (junho) para 49,3 (julho), frustrando a previsão de 49,5. O PMI de serviços recuou para 50,1, de 50,5 (aposta era de 50,2).


… Hoje à noite (22h45), o mesmo indicador, mas agora medido pelo setor privado, será divulgado pela S&P Global.


JAPÃO HOJE – Em decisão unânime, o BoJ manteve a taxa básica de juros em 0,5% ao ano pela quarta vez seguida, mas elevou a projeção para a inflação, o que pode reforçar apostas no mercado de aperto monetário em outubro.


… A estimativa para o núcleo do CPI este ano foi elevada de 2,2% para 2,7% e, em 2026, de 1,7% para 1,8%.


SAIU BARATO – Tudo parecia caminhar para um fim trágico, com o tarifaço dos EUA pegando setores importantes da economia brasileira, quando veio a ordem executiva de Trump, com várias exceções à alíquota de 50%.


… Foi a senha para o Ibovespa sair do vermelho e voltar aos 133 mil pontos, puxado pela alta de dois dígitos de Embraer, que liderou os ganhos do dia.


… Nem tudo foram flores, porém. Dólar e juros subiram após o Fed ignorar Donald Trump e manter os juros, e Jerome Powell ainda cutucar a ferida com uma postura ainda mais conservadora.


… O forte desempenho da economia americana no 2Tri também pesou nesses ativos, mas eles fecharam longe das máximas do dia.


… Em alta de 0,95%, o Ibovespa terminou em 133.989,74 pontos, com giro de R$ 22,7 bilhões e apenas 11 papéis, dos 84 do índice, no negativo.


… Com alta de 10,93% (R$ 76,25), Embraer comemorou a decisão dos EUA, seu maior mercado, de livrar aeronaves civis brasileiras e seus componentes da subida de tarifas de importação.


… No Valor, a empresa disse que vai continuar a brigar pela volta da alíquota zero para seus produtos. A companhia continua afetada pela alíquota de 10% em vigor desde 2 de abril.


… Ainda entre as altas, Petrobras ON subiu 1,12% (R$ 35,99) e PN avançou 1,02% (R$ 32,77), mais uma vez seguindo o avanço do Brent/set, de 1,10%, a US$ 72,47 por barril.


… Ameaças de sanções dos EUA à Rússia e o inesperado aumento dos estoques americanos da commodity na semana passada, de 7,7 milhões de barris, valorizaram a commodity.


… Na ponta negativa, Engie liderou com -2,39% (R$ 40,81), seguida de RD Saúde (-2,17%; R$ 13,55) e Bradespar (-1,85%; R$ 15,90).


… Vale teve a quarta maior queda, com -1,79% (R$ 53,84), reagindo à baixa de 0,44% do minério em Dalian.


… Notícia da coluna de Lauro Jardim, em O Globo, ontem, deu conta que os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) iniciaram articulação para alterar o conselho de administração da mineradora.


… O objetivo é tirar Daniel Stieler, presidente do colegiado, e João Fukunaga, presidente da Previ, do conselho.


… Não é a primeira vez que o atual governo busca mudanças na Vale. No ano passado, tentou indicar Guido Mantega para uma vaga no conselho.


… Ainda no Ibovespa, entre os bancos, Bradesco ON subiu 1,43% (R$ 13,46) e PN avançou 1,62% (R$15,66) antes da divulgação do balanço, após o fechamento.


… Santander, que divulgou números trimestrais pela manhã, subiu 0,87%, a R$ 26,60. Itaú avançou 0,87% (R$ 31,25) e Banco do Brasil foi na contramão com queda de 0,25% (R$ 19,90).


HAJA PACIÊNCIA – Real e juros até tentaram seguir o caminho do Ibov, mas o peso de NY foi mais forte.


… Com rendimentos dos Treasuries e dólar reagindo aos bons dados da economia dos EUA e à postura agressiva de Powell, não teve jeito de os similares domésticos saírem ganhando.


… A primeira leitura do PIB americano do segundo trimestre veio bem acima (3%) do esperado (2,3%) e os dados da ADP de emprego no setor privado também surpreenderam com 104 mil contratações, ante 64 mil esperadas.


… À tarde, mais bomba. Powell baixou a bola de quem esperava algum sinal de corte de juro em setembro.


… Mais uma vez, disse que é preciso paciência diante de um mercado de trabalho ainda forte, uma inflação acima da meta e os impactos ainda incertos da política tarifária de Trump nos preços ao consumidor.


… De certa forma, ele minimizou os dois votos dissidentes no Fomc, de Michelle Bowman e Christopher Waller, ao adotar postura mais conservadora. Foi a primeira vez desde 1993 que uma reunião do Fed teve dois votos contrários.


… Os ativos reagiram especialmente quando Powell disse ser cedo para dizer que há chance de cortar juro em setembro, observando que a política monetária está só “moderadamente restritiva”, sem prejudicar a economia.


… Powell reiterou várias vezes que o Fed depende de dados e que, até setembro, muita água vai rolar, já que ainda serão divulgados dois payroll e dois PCE (um deles hoje), números fundamentais para a decisão sobre os juros.


… Depois da coletiva de imprensa, a ferramenta do CME Group indicava 55,0% de chance de a taxa básica permanecer inalterada em setembro, enquanto a aposta por redução de 25 pontos-base no período era de 45,0%.


… Antes das falas do presidente do Fed, o risco de o juro seguir no nível atual era de 34,9%, enquanto a aposta de redução de 25 pb era de 63,7%.


… “Powell reiterou a postura de esperar para ver do Fed”, disse Priya Misra, do JPMorgan Investment Management, à BBG. Ele “minimizou as dissidências (de Waller e Bowman) e afirmou que o debate na reunião do Fed foi robusto”.


… Já perto de voltar aos 100 pontos, o índice DXY disparou 0,94%, a 99,815 pontos. O euro caiu a US$ 1,1427, a libra recuou a US$ 1,3247 e o dólar subiu a 149,40 ienes.


… Por aqui, depois de bater nos R$ 5,63 – logo após Trump anunciar a sanção contra Alexandre de Moraes – o dólar arrefeceu com a notícia das exceções ao tarifaço, mas ainda fechou com alta de 0,35%, a R$ 5,5892.


… No Broadcast, o economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, disse que o maior fator para a alta do dólar ante o real no fim do pregão foi o “efeito Powell”, enfatizando que como o DXY está “subindo muito”.


… Os DIs foram pelo mesmo caminho. Acompanharam os Treasuries depois dados do PIB, da ADP e da postura hawkish de Powell.


… Os vencimentos curtos seguiram estáveis, na expectativa de que a decisão do Copom não traria novidades, reafirmando a manutenção da Selic em 15% por “longo período”, o que de fato aconteceu.


…  No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcava 14,915% (de 14,913% no ajuste anterior); Jan/27 subiu a 14,225% (de 14,151%); Jan/29, a 13,415% (de 13,368%); Jan/31, 13,640% (13,611%); e Jan/33, 13,760% (13,734%). 


… Em NY, o juro da T-Note de 2 anos foi a 3,949%, de 3,875% na sessão anterior, e o da T-Note de 10 anos avançou a 4,373%, de 4,326%. O do T-Bond de 30 anos foi a 4,899%, de 4,860%.


… Nas bolsas, o índice Dow Jones caiu 0,38%, aos 44.461,28 pontos. O S&P 500 recuou 0,12%, aos 6.362,92 pontos. O Nasdaq subiu 0,15%, aos 21.129,67 pontos.


… Apple (-1,04%), Amazon (-0,33%) e Mastercard (-0,72%), que divulgam balanços hoje, ficaram no vermelho.


COMPANHIAS ABERTAS NO FOCO… BRADESCO teve lucro líquido recorrente de R$ 6,067 bilhões no segundo trimestre, alta de 28,6% na comparação anual e dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro…


… Receita total atingiu R$ 34 bilhões, aumento de 15,1%, e carteira de crédito expandida cresceu 11,7%, para R$ 1,018 trilhão.


TIM registrou lucro líquido normalizado de R$ 976 milhões no 2º trimestre, alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024; Ebitda normalizado somou R$ 3,35 bilhões, crescimento de 6,3% na comparação anual…


… Conselho de Administração elegeu Vicente de Moraes Ferreira como diretor de relações com investidores, em substituição a Alberto Mario Griselli, que ocupava o cargo interinamente; Ferreira tomará posse amanhã.


ECORODOVIAS registrou lucro líquido de R$ 203,9 milhões no 2º trimestre, queda de 23,9% na comparação anual; Ebitda somou R$ 1,33 bilhão, avanço de 19,9% em relação ao mesmo período de 2024…


… Empresa aprovou a distribuição de R$ 214,7 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,3086 por ação, com pagamento a partir de 29/8; ex em 5/8.


MOTIVA aprovou a distribuição de dividendos intermediários no valor total de R$ 360,5 milhões, o equivalente a R$ 0,1793 por ação, com pagamento em 15/8; ex em 6/8.


HAPVIDA anunciou seu plano de expansão no Rio de Janeiro, que envolve um investimento de R$ 380 milhões na construção de um hospital de alta complexidade, além de unidades de pronto atendimento e clínicas. (Brazil Journal)

quarta-feira, 30 de julho de 2025

OESP

 Opinião do jornal O Estado de São Paulo


"Eduardo Bolsonaro tem de ser cassado

Por atuar deliberadamente para prejudicar o Brasil, o deputado não pode continuar como parlamentar. Que a Câmara não repita com ele o erro que cometeu há 25 anos, ao deixar impune o pai dele

30/07/2025 | 03h00

Diante das barbaridades protagonizadas pelo então deputado federal Jair Bolsonaro, este jornal pediu a sua cassação em janeiro de 2000, classificando-o pelo que ele era – um dejeto da democracia, alguém desqualificado que se servia das mesmas liberdades democráticas que sempre desejou eliminar. Passados pouco mais de 25 anos, é preciso dizer o mesmo sobre seu filho Eduardo Bolsonaro. Por atuar deliberada e sistematicamente para prejudicar o Brasil, em nome dos interesses particulares de sua família, Eduardo Bolsonaro precisa ter cassado seu mandato de deputado federal. Trata-se da única reação cabível por parte de uma democracia digna do nome.


Eduardo já fez de tudo, mas não há afronta à democracia que não possa ser superada por outra maior. Não lhe pareceu suficiente, por exemplo, regozijar-se do lobby que fez junto ao governo dos EUA como forma de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a desistir dos processos contra seu pai, tornando-se responsável, em grande medida, pelo tarifaço convertido em chantagem explícita do presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil e a favor de Jair Bolsonaro. Também não lhe bastou arvorar-se em negociador diplomático e pedir sanções contra autoridades brasileiras, entre as quais os presidentes da Câmara e do Senado, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente Lula da Silva. Era preciso, como fez o pai durante as décadas que passou no Congresso, enxovalhar a instituição parlamentar que ele mesmo integra: nesta semana, o deputado admitiu na caradura que está sabotando o esforço da comitiva de senadores brasileiros que viajou aos EUA para tentar abrir algum canal de diálogo com o Congresso e o governo americanos a fim de evitar as tarifas impostas por Trump.


Dias antes, reclamou dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do Paraná, Ratinho Junior (PSD), por se pronunciarem sobre o tarifaço sem mencionar o que realmente importa para os Bolsonaros – a liberdade de Jair Bolsonaro. Ainda acusou Tarcísio de tê-lo desrespeitado por dialogar com empresários paulistas e com o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, para discutir a crise. Segundo a cartilha bolsonarista, qualquer ação que se afaste da defesa direta da impunidade para o ex-presidente e outros golpistas equivale a uma declaração de guerra.


A lista de suas imposturas também envolveu uma live nas redes sociais, na qual o irascível “Zero Três” não só manteve o diapasão alto nos ataques ao STF como recorreu a uma intimidação de fazer corar vítimas de gângsteres, milicianos e contraventores do gênero. Ao mencionar a Polícia Federal e citar o delegado responsável pelos principais inquéritos contra Bolsonaro, subiu alguns graus do “jus sperniandi” de quem se enxerga um injustiçado para fazer ameaça explícita: “Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não”, avisou. “Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor (que investigou Bolsonaro em diversos inquéritos) se ele conhece a gente”. Um assombro.


Com o prazo expirado da licença que o deputado tirou para sabotar o Brasil em solo americano, e sem planos imediatos de retornar ao País, esperava-se que ele renunciasse ao mandato que os paulistas infelizmente lhe deram. Nos últimos dias, difundiu-se na imprensa a possibilidade de a Câmara adotar o mesmo artifício usado no caso do deputado Chiquinho Brazão, réu pelo assassinato da vereadora carioca Marielle Franco: deixar que as faltas às sessões cumprissem a função da perda do mandato. Será um erro gravíssimo. A fim de cuidar da própria imagem, não bastará ao Legislativo federal recorrer a essa solução. Afinal, Eduardo Bolsonaro passou dos limites e merece não a inércia corporativista da Casa, mas uma punição dura, real e imediata.


Há 25 anos, quando poupou o então deputado Jair Bolsonaro, a Câmara escolheu desmoralizar-se. Que não repita esse erro agora com Eduardo Bolsonaro."

Josué Leonel

 *Copom e Fed pré-tarifas testam alívio na curva: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Copom deve manter a Selic em 15% e mercado

buscará em eventuais citações do efeito das tarifas americanas

sinais que apontem a continuidade do aperto ou sinalizem o

início futuro dos cortes. Evidências preliminares de alguma

abertura para negociações entre Brasil e EUA, além da leitura de

alguns analistas de que as taxações podem reduzir a atividade e

a inflação, trouxeram alívio à curva longa de juros nas últimas

sessões e as precificações de taxas caíram para 2026. Presidente

Lula, no entanto, diz ao NYT que ninguém do governo dos EUA

“quer conversar” com o Brasil e não há “motivo para ter medo” de

criticar Trump.

Mercado também reagirá à decisão do Fed, que deve manter

sua taxa, com investidor atento à coletiva de Jerome Powell e

eventuais dissidências no comitê. Agenda nos EUA ainda pode

gerar volatilidade com PIB, ADP e balanços. Minério cai com

China. No Brasil, saem IGP-M e resultado do governo central. No

corporativo, Petrobras eleva produção com Búzios. Bradesco, pós-

fechamento, tem expectativa de balanço sólido. Santander cai na

Espanha com despesa no Brasil.

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*T

Às 7:32, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro +0,1%

STOXX 600 +0,1%

FTSE 100 -0,2%

Nikkei 225 estável

Shanghai SE Comp. +0,2%

MSCI EM estável

Dollar Index estável

Yield 10 anos estável a 4,3243%

Petróleo WTI -1% a US$ 68,55 barril

Futuro do minério em Singapura -0,8% a US$ 101,95

Bitcoin +0,7% a US$ 118307,5

*T

 

Internacional

Mercados mistos antes de decisão do Fed e balanços; minério

cai

* Bolsas operam sem direção clara e rendimentos dos treasuries

têm oscilação modesta antes da decisão do Fed, enquanto

investidores avaliam balanços

* Índice europeu Stoxx 600 opera de lado com resultados abaixo

do esperado do HSBC e acima do previsto do UBS; americanas Meta

e Microsoft divulgam balanços

* Dólar cai contra a maioria dos pares do G-10

* Fed deve anunciar às 15:00 manutenção de sua taxa entre 4,25%

e 4,50% pela quinta reunião consecutiva; presidente Jerome

Powell, que tem sofrido pressão de Trump para cortar o juro, dá

coletiva a seguir

** Dissidências de uma ou mais autoridades podem enviar a

mensagem de que alguns membros do comitê preferem reduzir juros

mais cedo

* Mais cedo, dados do PIB e ADP mostram pulso da economia

americana, a dois dias do payroll e também do fim do prazo de

negociação das tarifas

* Minério de ferro e cobre recuam por frustração dos

investidores com uma reunião na China, em que autoridades

prometeram implementar políticas para apoiar a economia, de

acordo com a agência oficial de notícias Xinhua, mas sem

detalhes sobre medidas em larga escala

* Petróleo tem baixa, mas sustenta maior parte dos fortes ganhos

da véspera depois que Trump reiterou a possibilidade de impor

penalidades adicionais à Rússia


Para acompanhar

Copom pré-tarifas em meio à queda do DI longo; IGP-M,

primário

* Copom deve manter a Selic em 15% e sinalizar que a política

continuará restritiva, mas pode suavizar a mensagem, segundo a

Bloomberg Economics

* Visão mais branda do cenário de tarifas e perspectiva de

trégua comercial entre EUA e China ajudou os ativos brasileiros

nesta terça-feira

** Curva do DI ampliou a aposta em Selic final mais baixa; taxa

precificada para julho de 2026 caiu de 13,9% em 18 de julho,

menos de duas semanas atrás, para 13,6% ontem

** Também cresceu a chance de um corte da Selic no 1º tri de

2026: curva aponta redução de 12,1 pontos em janeiro e 20,7

pontos em março

* FGV divulga às 8:00 IGP-M de julho, estimativa -0,86%

* Tesouro divulga às 14:30 resultado primário do governo central

de junho, estimativa -R$ 41,1 bi

* BC divulga fluxo cambial semanal às 14:30

* Balanços hoje: Bradesco, Tim Brasil, EcoRodovias, Isa Energia

* Prévia: Bradesco deve reportar mais um trimestre “sólido”

* Prévia: Tim Brasil deve ter 2T ‘estável’ com alta no pós-pago


Outros destaques

Lula fala ao NYT; Brasil tenta negociar tarifas

* Brasil não prefere EUA como parceiro comercial à China, disse

o Lula em entrevista ao New York Times

** Brasil tem relação comercial “extraordinária” com China,

afirmou

** Não há “motivo para ter medo” de criticar Trump; Brasil não

negociará com os EUA “como se fosse um país pequeno contra um

país grande”, diz Lula

** Ninguém do governo dos EUA “quer conversar” com o Brasil

sobre comércio, segundo ele

* Líder do governo no Senado, Jaques Wagner descarta conversa

entre Lula e Trump até 1º de agosto: Estado

* Governo espera manifestação do representante dos EUA para

avançar em negociação: Globo

* Alckmin diz que Brasil negocia redução tarifas para todos

setores e que plano de contingência só será apresentado se

taxação americana for aplicada

* Lula tem às 15:00 reunião com CEO Global da Airbus

Helicopters, Bruno Even, e às 16:00 participa da sanção de

projeto de lei


Empresas

Petrobras, Santander, Suzano, Ambipar

* Petrobras: Produçãoóleo e gás 2T 2.909 mil boe/dia; +7,8% a/a

** Produção aumentou após a rápida expansão do campo offshore de

Búzios

* Santander Brasil: Lucro líquido gerencial 2T de R$ 3,66 bi

frustra estimativas

** Santander cai na Espanha, com lucro recorde no segundo

trimestre ofuscado por uma despesa inesperada de US$ 540 milhões

em suas operações brasileiras para refletir “as expectativas de

um ambiente econômico mais complexo”

* Suzano avalia acelerar expansão nos EUA devido às tarifas:

Valor

* CVM decide contra necessidade de OPA por ações da Ambipar

BDM Matinal Riscala

 A esperança é a última que morre

 Resumir

30 de julho de 2025

Superquarta tem Copom, Fed, PIB e relatório de emprego nos EUA, além dos balanços da Meta, Microsoft, Santander e Bradesco


A esperança é a última que morre

… Superquarta agitada tem muito mais do que as reuniões do Copom (18h30) e do Fed (15h), em que os juros devem se manter estáveis. Em coletiva (15h30), Powell não se dobrará às pressões por corte antecipado, preferindo esperar pelos impactos da negociação final das tarifas. Dois indicadores importantes saem nos Estados Unidos antes da decisão de política monetária: relatório de emprego da ADP (9h15) e o PIB do segundo trimestre (9h30). Após o fechamento, Meta e Microsoft soltam balanços. Aqui, Santander vem antes da abertura e Bradesco, à noite. Na agenda dos indicadores domésticos, o déficit do Governo Central em junho (14h30) é destaque. O protagonismo do dia continua com o tarifaço. O mercado começa a apostar em um desfecho mais positivo, sem ruptura total.


… Oficialmente, não há nenhuma garantia ou segurança de que o pior será evitado. Mas o investidor vai costurando informações daqui e dali para comprar a percepção de que algum progresso vai sair, faltando dois dias para os 50%.


… Sem mencionar o Brasil, o secretário do Comércio americano, Howard Lutnick, reconheceu ontem que os Estados Unidos podem voltar atrás e isentar alguns produtos que não são cultivados por lá, como café, cacau e manga.


… A possibilidade de que estes itens entrem com tarifa zero coincide com o bastidor apurado pela Folha de que os alimentos possam ter tratamento diferenciado, na solução negociada para evitar que a inflação americana escale.


… Fontes do Broadcast que acompanham as tratativas confirmam que o governo brasileiro avalia pedir a exclusão dos alimentos do tarifaço, mas que a prioridade, no momento, ainda é tentar adiar ou reverter a taxação de 50%.


… Alckmin negou, por meio de sua assessoria, que o foco seja tentar poupar alguns setores específicos e a Embraer dos sobretaxas. O esforço continua concentrado, segundo ele, em derrubar ou atrasar o prazo da alíquota dos 50%.


… Setores de aço e alumínio esperam ficar de fora do tarifaço, porque já pagam sobretaxa de 50% e, se alíquotas somadas chegarem a 100%, o porcentual poderia inviabilizar por completo a venda dos produtos aos americanos.


… O mercado financeiro também resolveu ler com alívio (mais abaixo) os comentários de Haddad de que os canais de diálogo com o governo de Washington “estão sendo desobstruídos, vagarosamente, mas estão”.


… Em entrevista à CNN Brasil, o ministro admitiu quetodo o mundo está “pisando em ovos” para saber o que o governo Trump quer, mas que há condições para não tornar a próxima sexta-feira (1º de agosto) um “dia fatídico”.


… Haddad negou que o governo tenha demorado para negociar e disse que conversava com o secretário do Tesouro americano desde maio, mas depois o diálogo foi interrompido para a negociação se concentrar na Casa Branca.


… O ministro assegurou que Lula está aberto a dialogar e a telefonar para Trump, desde que seguido um protocolo para evitar o “papelão” passado por Zelensky no Salão Oval em fevereiro, quando foi humilhado pelo republicano.


… “Você não vai querer que o presidente Lula se comporte como o Bolsonaro se comportava, abanando o rabo e falando ‘I love you’, batendo continência”, completou. Integrantes do governo temem um tratamento desrespeitoso.


… O Globo informou, citando auxiliares do Palácio do Planalto, que Lula só tomaria a iniciativa de um telefonema depois de esgotadas todas as possibilidades de negociação, como último recurso para acabar com a crise.


… Em Washington, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, descartou uma conversa de Lula e Trump até o prazo fatal de sexta-feira. “O encontro de dois presidentes da República não se prepara da noite para o dia.”


SEM RETALIAÇÃO – Apesar do gelo de Trump, o investidor recebeu com alívio a informação de Haddad de que uma retaliação não é cogitada no plano de contingência desenhado para socorrer as empresas afetadas pelo tarifaço.


… “Esse tipo de coisa na mesma moeda não está na ordem de considerações, porque estamos pensando no povo brasileiro”, disse. “Não podemos cometer o erro simétrico de encarecer aquilo que melhora a produtividade.”


… Dourando a pílula, o ministro afirmou que o tarifaço pode ter efeito desinflacionário ao Brasil, porque aumentará a oferta de produtos em território nacional, devendo causar uma surpresa positiva em relação aos alimentos.


… Haddad não quis revelar antecipadamente as medidas que fazem parte do plano de contingência. Também Simone Tebet não entrou em detalhes. Só disse à Globonews que o plano é “muito menos fiscal do que se espera”.


… Por conta própria, enquanto o governo federal não lança o plano de contingência, os Estados mais impactados pelo tarifaço começaram a anunciar medidas de concessão de crédito às empresas para evitar demissões.


… Tarcísio lançou uma linha de crédito de R$ 200 milhões com juros subsidiados para exportadores paulistas.


… No Paraná, o governador Ratinho Júnior (PSD) anunciou um pacote que inclui a liberação de créditos do ICMS para que as empresas vendam esses valores no mercado ou usem como aval para novos empréstimos.


… No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite anunciou programa de crédito de R$ 100 milhões por meio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul para socorrer exportadores gaúchos que vendem aos Estados Unidos.


… O Ceará estuda liberar créditos do ICMS para exportadores. O Rio, segundo Estado que mais exporta aos americanos (especialmente petróleo, ferro e aço) criou um grupo de trabalho para avaliar os impactos da taxação.


ALCKMIN E AS BIG TECHS – Citadas na carta de Trump do anúncio das tarifas de 50% para produtos brasileiros, as gigantes de tecnologia Meta, Google, Amazon, Visa e Expedia se reuniram ontem, pela segunda vez, com o vice.


… Alckmin disse o governo montou uma mesa de trabalho para debater, além de regulamentação, inovação tecnológica, segurança jurídica e oportunidade econômica. “Vamos aprender e não devemos ter muita pressa.”


LEILÕES CAMBIAIS – A Febraban informou que não recebeu demandas de seus associados sobre eventual necessidade de leilões de câmbio, seja à vista ou de linha, e que os mercados seguem funcionando normalmente.


… A nota da entidade veio em resposta à apuração do Broadcast de que, com o câmbio próximo de R$ 5,60, bancos estariam pedindo leilões de dólar à vista para aliviar o impacto sobre os exportadores do tarifaço de Trump.


CHINA PODE GANHAR TRÊS MESES – O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu que acrescentar mais 90 dias à trégua tarifária com Pequim é uma opção, que será levada a Trump hoje para ele dar a palavra final.


… O prazo vence daqui a duas semanas, no dia 12 de agosto, mas tudo aponta para uma extensão a Pequim.


RACHA NO FED – Não será nenhuma surpresa se o placar vier com dois votos a favor de um corte no juro, porque Christopher Waller e Michelle Bowman vêm indicando que não querem esperar até setembro para relaxar a taxa.


… Mas é bastante garantida a aposta de que os falcões vão vencer essa, mantendo os juros no atual nível, entre 4,25% e 4,50%, pela quarta vez consecutiva, ainda que Powell possa abrir alguma porta dovish para setembro.


… Devido a um problema pessoal, o Fed informou que a dirigente Adriana Kugler não participará da reunião do Fomc desta quarta-feira, que contará então com a participação de apenas 11 integrantes, contra os 12 votos habituais.


… Powell vem dizendo que espera ver um efeito mais significativo das tarifas às importações sobre a inflação a partir dos dados de junho, que serão divulgados entre julho e agosto. O mercado de trabalho também segue no radar.


… O payroll de sexta-feira tem potencial de continuar calibrando as apostas sobre o timing do ciclo de cortes.


… Hoje, às 9h15, o relatório da ADP sobre a criação de empregos no setor privado deve apontar a abertura de 113 mil postos de trabalho em julho, revertendo o fechamento de 33 mil vagas observado no mês de junho.


MAIS AGENDA – Diante das incertezas sobre os reflexos da política tarifária, as expectativas para o PIB dos Estados Unidos no segundo trimestre estão espalhadas, de 0,8% a 3,8%. A mediana no Broadcast aponta para 2,3%.


… Se confirmado, o dado, que sai às 9h30, deve reverter a retração de 0,5% observada no trimestre anterior.


… Ainda entre os indicadores americanos, serão divulgadas as vendas pendentes de imóveis, às 11h00, com previsão de queda de 1,6%, além dos estoques de petróleo do DoE, às 11h30, com recuo de 1,6 milhão de barris.


… Também é dia de PIB na zona do euro (6h), França (2h30), Alemanha e Itália (5h) e Portugal (5h30). O Canadá divulga decisão monetária às 10h45 e deve manter o juro em 2,75%, enquanto as incertezas comerciais persistem.


… À noite (22h30), a China divulga o PMI do setor industrial e de serviços em julho.


AQUI – No Broadcast, o mercado projeta um déficit primário de R$ 41,100 bilhões (mediana) em junho para as contas do Governo Central em junho, às 14h30. As projeções, todas negativas, variam de R$ 48,600 bi a R$ 18,098 bi.


… Haddad disse ontem que a equipe econômica não tem “nenhuma expectativa” de mudar nem de descumprir a meta fiscal de 2025 e 2026, uma vez que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) já foi encaminhada ao Congresso.


… Às 8h, o IGP-M de julho deve recuar 0,88%, queda menos intensa do que a de 1,67% observada em junho. Todas as projeções são de deflação, de 1,19% a 0,66%. O BC divulga o fluxo cambial semanal às 14h30.


BALANÇOS – Abrindo a safra dos bancos, o Santander deve apresentar lucro líquido de R$ 3,757 bilhões no segundo trimestre, segundo o Broadcast, com alta de 12,7% na base anualizada e queda de 2,7% contra o primeiro trimestre.


… Essa redução na margem deve ser explicada pela pisada no freio da instituição financeira na concessão de crédito, diante da Selic de 15%, que cria um ambiente mais desafiador para as pessoas físicas e para as empresas.


… Já os resultados do Bradesco, depois do fechamento, devem melhorar, com expectativa de lucro líquido de R$ 5,976 bilhões, uma alta de 26,7% na comparação anual e de 1,9% contra os três primeiros meses do ano.


COPOM COPIA E COLA – Ninguém espera nada diferente do que Selic estável em 15% e o BC deve manter o tom do comunicado para não dar margem de dúvida sobre a intenção de manter o juro por período “bastante prolongado”.


… Se o Copom vai incorporar as tarifas de 50% ao balanço de riscos é o suspense. O BofA tem dúvidas sobre a abordagem do tarifaço. Se considerar o câmbio, o risco é de alta. Se considerar a atividade global, é de baixa.


… Até que as coisas se definam melhor na disputa protecionista, a palavra de ordem ainda é cautela, evitando qualquer sinalização diferente de que o conservadorismo será mantido até o primeiro trimestre do ano que vem.


… Do último Copom para cá, a boa notícia é que as expectativas de inflação caíram, com a mediana para o IPCA de 2026 abaixo do teto da meta no boletim Focus, em 4,44%. Já o mercado de trabalho continua aquecido.


… Resistente à política monetária, a taxa de desemprego se mantém nos menores níveis da série histórica.


SINAIS DE FUMAÇA – As indicações de que pode haver algum tipo de diálogo entre o Brasil e os Estados Unidos sobre o tarifaço deram fôlego aos ativos domésticos, numa recuperação parcial do pessimismo da 2ªF.


… Ainda que não existam atos concretos que levem a um acordo para barrar a tarifa de 50%, o combo de declarações de Haddad, Alckmin e de Howard Lutnick provocou alguma descompressão.


… O mercado andava precisando desse alívio. Desde o anúncio de Donald Trump, em 9 de julho, os estrangeiros retiraram quase R$ 7 bilhões de recursos da B3.


… Após três dias de perdas consecutivas, o Ibovespa subiu 0,45%, aos 132.726 pontos. Na máxima do dia, rompeu os 133 mil pontos (133.346), mas perdeu força ao fim do pregão. O giro, abaixo da média, ficou em R$ 16,3 bilhões.


… Embraer subiu 3,76%, a R$ 68,74, voltando a rondar os R$ 70 após sete pregões, na esperança de ser poupada do tarifaço. Foi a maior alta do índice. Mas ainda está longe dos R$ 83 de antes do anúncio da tarifa de 50%.


… A própria companhia tem se engajado com autoridades na tentativa de restaurar a alíquota zero de importação. O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, está nos EUA para comandar as negociações muito de perto.


… Petrobras (ON +1,63%, a R$ 35,59; PN +1,31%, a R$ 32,44) aproveitou o salto de 3,52% no Brent/set, a US$ 72,51 por barril, depois que Donald Trump deu 10 dias para a Rússia acabar com a guerra da Ucrânia.


… Na mesma onda, Brava Energia subiu 2,74% (R$ 19,88) e Petrorecôncavo avançou 1,73% (R$ 13,56).


… Vale ficou no lado negativo (-0,62%; R$ 54,82), na contramão do minério de ferro em Dalian, que subiu 0,63%.


… Magazine Luiza liderou as perdas com -2,79% (R$ 6,98), seguida de Pão de Açúcar (-1,99%; R$ 3,45) e Raízen (-1,39%; R$ 1,42).


… Entre os bancos, Bradesco caiu 0,19% na véspera do balanço, a R$ 15,41 no papel PN. Itaú PN subiu 0,58% (R$ 34,67), a unit do Santander teve alta de 0,11%, a R$ 26,37, e Banco do Brasil ficou estável (+0,05%), em R$ 19,95.


… A expectativa em torno das negociações Brasil-EUA queimou prêmios nos juros, o que ajudou a sustentar a alta das ações.


… O alívio no câmbio e o recuo nos rendimentos dos Treasuries depois do relatório Jolts (abaixo) contribuíram para DIs mais leves.


… O DI para Jan/26 caiu a 14,910% (de 14,927% no ajuste anterior); Jan/27, a 14,155% (de 14,215%); Jan/29, a 13,380% (13,531%); Jan/31, mínima de 13,600% (contra 13,785% na véspera); e Jan/33, 13,720% (13,902%).


… O dólar à vista fechou em baixa de 0,36%, a R$ 5,5695, depois de testar novamente os R$ 5,60, nível que tem se provado resistente, diante do carry trade atrativo com a Selic a 15% ao ano, que não deve sair daí tão cedo.


… O rali do petróleo, além de um leilão de linha pelo BC, também ajudaram na desvalorização do dólar por aqui, na contramão do que ocorreu no exterior.


… A moeda brasileira teve a segunda melhor performance entre as principais divisas emergentes e de exportadores de commodities.


RECUO ESTRATÉGICO – Depois de recordes sucessivos, as bolsas de Nova York deram um tempo, com investidores buscando a cautela antes da entrevista de Jerome Powell hoje à tarde.


… O dia ruim em Wall Street respondeu a balanços decepcionantes e ao relatório Jolts, que mostrou queda um pouco maior que a esperada no número de vagas de trabalho em aberto nos EUA.


… O relatório Jolts mostrou 7,4 milhões de vagas em aberto nos EUA em junho, menos que as 7,7 milhões em maio, mas na análise da Bloomberg, o número se manteve num nível que indica demanda estável por trabalhadores.


… O Jolts ajudou a reduzir os juros dos Treasuries, mas isso não animou as bolsas.


… Pressionado pelos recuos de UnitedHealth (-7,46%), Boeing (-4,37%) e Merck (-1,70%), que divulgaram balanços ruins, o Dow Jones caiu 0,46%, aos 44.632,99 pontos.


… Outro tombo foi de Whirlpool, que despencou 13,43%, após cortar a projeção de lucro e de dividendos para 2025.


… Quebrando uma sequência de seis altas consecutivas, o S&P 500 perdeu 0,30%, aos 6.370,89 pontos; e o Nasdaq cedeu 0,38%, aos 21.098,29 pontos.


… “O mercado teve um bom desempenho e agora está em modo de digestão. Alguns indicadores técnicos sugerem que uma retração pode estar a caminho”, disse Jay Woods, da Freedom Capital Markets, à CNBC.


… “Esta é uma pausa, período para focar em nomes individuais impulsionados pelos lucros, enquanto o mercado observa a evolução da narrativa do Fed. Espero alguma clareza após a coletiva de imprensa de Powell”, disse Woods.


… Nos Treasuries, o juro da T-Note de 2 anos recuou a 3,879%, de 3,920% na sessão anterior, e o da T-Note de 10 anos caiu a 4,324%, de 4,417%. O do T-Bond de 30 anos recuou a 4,860%, de 4,962%


… As negociações comerciais entre EUA e China, que entraram no segundo dia, não tiveram muito peso no mercado, que esta semana está mais interessado no Fed, no PIB, payroll e lucros das magníficas.


… “Os investidores agora estão mais focados em dados concretos para validar as perspectivas econômicas e políticas, em vez de interpretar acordos comerciais de forma exagerada”, disse à Bloomberg Dilin Wu, da Pepperstone Group.


… No câmbio, o índice DXY subiu 0,25%, a 98,886 pontos, mas numa perspectiva mais ampla operou de forma divergente ante moedas fortes e emergentes.


… De um lado, ainda foi sustentado pelo acordo com a UE, que beneficia os EUA. De outro, caiu ante divisas de países exportadores.


… No fim dos negócios em Nova York, o euro caía a US$ 1,1556 e a libra seguia estável em US$ 1,3357. Já o iene tinha leve alta a 148,46/US$.


GAZA – Netanyahu acusou o premiê britânico, Keir Starmer, de recompensar o “terrorismo monstruoso” do Hamas e “punir vítimas”, ao anunciar que o Reino Unido tem planos de reconhecer o Estado Palestino antes de setembro.


… Semana passada, o governo Macron já havia anunciado a mesma decisão, provocando a ira de Israel.


COMPANHIAS ABERTAS NO FOCO – PETROBRAS informou produção média de 2,879 milhões de barris diários de óleo equivalente (boed) no segundo trimestre, alta de 8,1% em um ano…


… Já o volume de vendas de derivados no mercado interno subiu 0,8% na mesma base comparativa, para 1,714 milhão de barris por dia (Mbpd). Os dados não empolgaram o investidor no after market em NY…


… O ADR equivalente ao papel ON fechou em queda de 0,31% e o PN subiu só 0,12%.


MOTIVA (ex-CCR) registrou lucro líquido de R$ 897 milhões no 2TRI, salto de 234,9% na comparação anual; Ebitda somou R$ 2,1 bilhões, aumento de 24,5% em relação ao mesmo período de 2024.


BB superou marca de R$ 6 bilhões de contratações do novo consignado privado. Desde o lançamento, em março, já foram realizadas cerca de 600 mil operações, com valor médio de R$ 10,1 mil por empréstimo. (Valor)


AMBIPAR. Colegiado da CVM decidiu que não estão configurados os requisitos necessários para a imposição da obrigação de realização de oferta pública de aquisição (OPA) por aumento de participação na companhia.


SIMPAR. Subsidiária Ciclus Rio, que atua com tratamento de resíduos, recebeu primeiro desembolso do BNDES referente ao financiamento do Fundo Clima, no valor de R$ 50 milhões.


CARNE. Setor no Brasil perderá até US$ 1 bi neste ano se houver tarifa de 50% dos EUA, segundo Abiec; expectativa era de exportação de 400 mil toneladas de carne para os EUA em 2025, mas número poderá ficar abaixo (Exame)…


… No ano passado, foram enviadas 220 mil toneladas da proteína brasileira para os EUA.


MINERAÇÃO. Fusões e aquisições do setor no Brasil dobraram no primeiro semestre, segundo a KPMG; movimento foi puxado por interesse de grupos estrangeiros. (Reuters)

terça-feira, 29 de julho de 2025

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: AS TENTAÇÕES AO COPOM


Faz muito tempo que uma reunião do Copom não acontece em meio a uma irrefutável queda tanto nas expectativas inflacionárias dos analistas, quanto na inflação implícita nas taxas dos títulos públicos, mostrando um progresso efetivo da política monetária restritiva que levou os juros a 15%. Mas a melhora ainda é incipiente, e o perigo é de o Banco Central baixar a guarda e afrouxar a sinalização dos seus próximos passos. Esta é a primeira reunião que o Copom deverá deixar a taxa Selic parada após ter indicado, em junho, que pretende mantê-la inalterada por “período bastante prolongado”. Assim, a atenção recairá sobre o comunicado que acompanhará o anúncio da decisão amanhã. O desafio do Copom é dissuadir o mercado de apostar num eventual início de um ciclo de corte de juros antes do desejável, o que colocaria a perder todo o esforço do BC em levar as expectativas inflacionárias em direção à meta de 3%. Como, porém, não evitar uma sinalização mais suave no comunicado sem reconhecer o progresso na queda das projeções de inflação e no câmbio sob controle, apesar dos ruídos nos ambientes doméstico e externo? Finalmente, a estimativa para o IPCA de 2026 cedeu abaixo do teto da meta, de 4,50%, caindo para 4,44%. Já as projeções para 2025, que no pior momento do ano chegaram a bater em 5,68%, agora apontam para uma inflação de 5,09%. Na sua última reunião, em junho, o Copom trabalhou com uma cotação do dólar a R$ 5,60. De lá para cá, o presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa de importação de 50% para os produtos brasileiros, causando barulho político e apreensão entre os empresários. Mesmo assim, o dólar ainda se encontra ao redor de R$ 5,60. Aliás, essa é uma grande incerteza para o Copom, uma vez que a sua decisão antecederá o prazo dado por Trump para a sobretaxa de 50% entrar em vigor, a partir de 1º de agosto. Supondo que não se chegue a um acordo, o impacto sobre a economia brasileira deve ser setorial, afetando produtores agrícolas e de metais, além de empresas como a Embraer. Logo, seria razoável imaginar que a economia brasileira desaceleraria um pouco mais do que num cenário sem tarifa de importação, pois as exportações representam parcela pequena do PIB. Se o câmbio seguir comportado, o impacto sobre a inflação também seria comedido. Qualitativamente, na fotografia de hoje, o balanço de riscos do Copom não se alteraria muito em razão da tarifa de importação. Assim, é preciso que o recado do BC seja crível: a pausa do aperto monetário vale até o fim do ano, pelo menos.

Mais imbróglio Master

 *Proposta de intervenção no Master racha diretoria do Banco Central*


Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, não só é contra a operação – como informou neste domingo o colunista Lauro Jardim – como vem defendendo uma intervenção no Master, em razão de irregularidades constatadas pelo grupo de trabalho interno que escrutina os termos do negócio e a saúde financeira dos dois bancos.


De acordo com fontes a par das discussões internas, já existe inclusive uma minuta do ato de intervenção pronta.


Gomes conta com o apoio do diretor de regulação, Gilneu Vivan, mas está em rota de colisão com Aílton Aquino, diretor de Fiscalização. As três diretorias são diretamente relacionadas ao caso. Gabriel Galípolo, presidente do BC, tem tentado se equilibrar entre as pressões e evitar a intervenção.


Entre as irregularidades constatadas pela verificação interna da autarquia estão uma compra de carteira de créditos do Master pelo BRB no fim de 2024. Além do valor, próximo dos R$ 12 bilhões, há suspeita de que os créditos não tenham lastro.


Procurado, o BC informou por meio de sua assessoria que não vai comentar o assunto. O Master também preferiu não se pronunciar sobre o caso.


Seu controlador, Daniel Vorcaro, está em férias na França, em Saint-Tropez.


Hecatombe no mundo político



Uma intervenção no Master a esta altura do campeonato provocaria uma espécie de hecatombe no mundo político. Desde que o negócio foi anunciado, senadores e deputados já conseguiram abortar uma CPI para investigar o negócio, articulando a retirada de assinaturas do pedido de abertura da comissão.


Políticos de diversos partidos também integram um forte lobby nos bastidores do Congresso e do Executivo pela aprovação da compra do Master pelo BRB, o banco estatal do Distrito Federal.


Em março, o banco de Brasília se propôs a pagar R$ 2 bilhões por 58% do Master e ainda deixar o controle na mão dos atuais donos. Na prática, a operação representa um salvamento, já que o Master enfrenta problemas de liquidez.


O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou que a operação de compra prevê que a instituição assuma o pagamento de apenas uma parte dos CDBs já distribuídos pelo banco paulista ao mercado.


Os CDBs do Master são vendidos a investidores com a promessa de um rendimento acima do padrão do mercado e o pagamento de comissões também mais altas do que a média aos agentes vendedores – o que suscitou uma série de dúvidas acerca da capacidade da instituição de honrar seus compromissos.


O banco também já arrecadou R$ 1,867 bilhão com a venda de letras financeiras a fundos de previdência estaduais e municipais. Os papéis prometem rendimento bem acima do CDI e foram recusados pela área técnica da Caixa por serem considerados “arriscados demais” pela estatal em meados do ano passado.


Além disso, o banco também é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura a suspeita de fraude em precatórios pelos controladores da instituição para inflar artificialmente o valor dos ativos no balanço do banco.


Os precatórios e seu valor são um dos pontos mais polêmicos na discussão em torno da saúde financeira do Master, porque eles representam parte significativa dos ativos. No mercado, esses papeis vêm sendo tratados como a “parte podre” do banco.


Esse item foi classificado pela firma de auditoria KPMG como um “principal assunto de auditoria”, ou seja, um assunto que suscitou análise mais detalhada e exigiu uma observação à parte justamente por causa da dificuldade em calcular o valor dos papéis.


De acordo com especialistas ouvidos pela equipe da coluna, aumentar o valor dos ativos é importante para que o banco mantenha o indicador mínimo de solidez financeira exigido pelo Banco Central para autorizar uma instituição financeira a continuar operando – o índice de Basileia. É esse índice que mostra se um banco tem condições de absorver eventuais perdas e proteger seus clientes.


Todos esses itens vêm sendo analisados ao longo dos últimos meses pelo BC. Os detalhes das apurações ainda não vieram à tona, mas pelo tamanho da cizânia já é possível afirmar que nenhuma decisão será tomada sem trauma.


https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2025/07/proposta-de-intervencao-no-master-racha-diretoria-do-banco-central.ghtml

O império do dólar

 As moedas nacionais sem lastro em coisa alguma é uma realidade muito recente. Data de 1971, quando o governo Nixon decidiu romper a paridade do dólar com o ouro, de US$ 35/onça. Estava, assim, desfeito o acordo monetário de Bretton Woods, que, em 1944, havia determinado essa paridade e as cotações fixas das diversas moedas europeias em relação ao dólar. Esse arranjo foi feito porque o diagnóstico, na época, era que desvalorizações competitivas haviam sido um dos fatores que levaram à instabilidade política e à eclosão da guerra.


A não ser para países absolutamente fechados econômica e financeiramente, o câmbio fixo exige ajustes da economia que podem ser inviáveis politicamente. A Grécia é o exemplo clássico de país que optou pelo câmbio fixo (o Euro) e precisou fazer ajustes que lhe custaram 25% do PIB, enquanto a Argentina (e o Brasil em menor escala) foram exemplos de países que preferiram largar o câmbio fixo para não enfrentar os ajustes necessários em suas economias.


Nesse sistema de moedas fiduciárias sem lastro, o que vale é a confiança. O dólar conquistou o seu lugar como moeda internacional porque seu emissor, os Estados Unidos, são confiáveis. Há instituições que funcionam, principalmente um Banco Central independente. Isso garante, dentro do possível, que a inflação relativa a outros países não vai comer o valor da moeda.


Confiança, portanto, é o nome do jogo. Sem o dólar ou outra moeda com governança confiável, os países precisariam confiar uns nos outros para as suas transações comerciais e financeiras. Por exemplo, em 2024, o Brasil teve superávit de US$ 44 bilhões com a China. Isso significa que teríamos esse montante de yuans nas reservas brasileiras se o BC brasileiro não exigisse que os exportadores brasileiros trouxessem dólares para trocar por reais. Isso significaria algo como 13% das nossas reservas internacionais. Em cerca de 8 anos aceitando yuans, 100% das nossas reservas seriam na moeda chinesa. Hoje esse montante é de cerca de 4%.


Por que o BC não faz isso? Porque o yuan não é uma moeda conversível, ou seja, não é aceita universalmente. Se fizesse isso, a credibilidade das reservas como um seguro não existiria mais, e o câmbio do real para o dólar estaria na lua.


O dólar, portanto, tem esse papel por ser conversível, e é conversível por ter uma governança confiável. Mas não só. Além disso, é emitido por um país cuja economia é suficientemente grande para servir de lastro. A ideia de que a moeda fiduciária não tem lastro algum é falsa. O lastro das moedas nacionais é a sua própria economia. A base monetária precisa acompanhar o crescimento do PIB, e a governança confiável serve para garantir isso. O Euro assumiu um firma segundo lugar como moeda de reserva internacional, roubando espaço do dólar, porque, além de ter uma governança confiável, representa uma economia suficientemente grande para servir de lastro.


Chegamos agora ao governo Trump. Suas ações minam os pilares da confiança nas instituições americanas. A sua imprevisibilidade de regras no comércio internacional, os seus ataques ao Fed, a aprovação de uma legislação que aumentará ainda mais o déficit, são características de países pouco confiáveis.


Mas o dólar não perderá a sua hegemonia da noite para o dia. Primeiro, porque sua economia ainda é a maior e mais dinâmica do mundo, é difícil encontrar um lastro dessa natureza. Segundo, porque não há substitutos à altura: o Euro é uma experiência multinacional muito recente, e que ainda precisa ser provada pelo tempo, e o yuan é emitido por um país que controla o fluxo de capitais discricionariamente. E, finalmente, porque, no fundo, os agentes econômicos ainda acreditam nas instituições americanas, vendo o trumpismo como um soluço que passa. Tendo dito isso, Trump age no sentido de enfraquecer o dólar, não fortalecê-lo.


Para quem quiser aprofundar, dedico o primeiro capítulo do meu livro Descomplicando o Economês à natureza da moeda fiduciária e o capítulo 6 às crises cambiais. Disponível na Amazon.

Bankinter Portugal Matinal

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: Ontem, sessão de mais a menos que acabou com a Europa em negativo (-0,3%) e Nova Iorque plana. Tudo isso numa sessão onde o acordo alcançado no domingo entre os EUA e a Europa foi o protagonista. Os EUA irão impor impostos alfandegários de 15% às importações de produtos europeus (incluindo automóveis, anteriormente com 27,5%). A realidade é que o pacto é claramente beneficioso para os EUA, o que finalmente acabou por prejudicar as bolsas na Europa e o euro, que cedeu -1,3% (1,159 €/$), recebendo perspetivas de crescimento mais erráticas.


Para hoje, os resultados empresariais voltam a ter a atenção. Ontem, no fecho, Acciona, Acciona Energía e ESSILORLUXOTTICA (ADR +1%) bateram expetativas. À primeira hora, Unicaja surpreende positivamente e sobe as guias 2025 e Endesa em linha. Além disso, hoje será a ver de P&G (antes da abertura; 1,422 $; +1,6%), UPS (11:00 h; 1,563 $; -13%), STARBUCKS (após o fecho; 0,646 $; -30,4%), VISA (após o fecho; 2,847 $; +18%), KERING (após o fecho; 3,262 €; -55%) e L´ORÉAL (após o fecho; 6,916 €; +1,4%), entre outros. 


No plano macro, o mais destacável será a Confiança do Consumidor de julho nos EUA (15 h; 96,0 esp. vs. 93,0 ant.) que não acreditamos que tenha força para direcionar o mercado. Hoje será uma sessão de transição, quiçá de ligeiras subidas (+0,2%?) e à espera de referências importantes da semana. Quarta-feira temos PIBs 2T na Europa (+1,2% esp. vs. +1,5% ant.) e nos EUA (+2,4% vs. -0,5%) além da reunião de taxas de juros da Fed (manter em 4,25%/4,50%). Na quinta-feira, reunião do BoJ (manter taxas de juros em 0,50%), Deflator PCE dos EUA a aumentar (+2,5% vs. +2,3%) e resultados de Meta, Apple e Amazon. Na sexta-feira, Criação de Emprego Não Agrícola nos EUA (115k vs. 147k). Veremos…


S&P500 +0,02% Nq100 +0,36% SOX +1,62% ES-50 -0,27% VIX 15,03% +0,1pb. Bund 2,69%. T-Note 4,41%. Spread 2A-10A USA=+49,2pb B10A: ESP 3,27% ITA 3,53%. Euribor 12m 2,13% (fut.12m 2,11%). USD 1,159. JPY 172,2. Ouro 3.315$. Brent 70,4$. WTI 67$. Bitcoin +0,8% (118.069$). Ether +2,8% (3.790$).


FIM

BDM Matinal Riscala

 *Rosa Riscala: Nada ainda*


Jaques Wagner tomou a iniciativa de ligar ontem para Bush com o pedido especial para ele fazer o meio de campo


… Na véspera do Copom e do Fed, o relatório de emprego Jolts de junho agita as expectativas para o payroll de sexta-feira e, aqui, não há agenda relevante de indicadores. O BC faz leilão de linha, às 10h30, de até US$ 1 bilhão para rolagem do vencimento de agosto e Haddad concede entrevista ao vivo à CNN Brasil, às 15h,em que será questionado sobre as negociações tarifárias com os EUA. Faltando apenas quatro dias para o prazo fatal de Trump contra o Brasil se esgotar, o ministro da Fazenda disse que o Brasil não vai deixar a mesa de negociação em nenhum momento e que Alckmin está em contato permanente e à disposição das autoridades americanas para conversar.


… No Uol, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que está em Washington com a comitiva de senadores brasileiros, tomou a iniciativa de ligar ontem para Bush com o pedido especial para ele fazer o meio de campo.


… Jaques Wagner admite ser difícil que o governo Trump resolva adiar o prazo para a taxação de 50% sobre o Brasil, mas os parlamentares continuam tentando mexer os pauzinhos para abrir às pressas algum canal de diálogo.


… Os senadores brasileiros pediram ontem que a Câmara de Comércio norte-americana faça a intermediação de um encontro ou de um telefonema entre os presidentes Lula e Trump o mais rapidamente possível.


… O governo brasileiro avisou a Casa Branca que o chanceler Mauro Vieira, que cumpre agendas na ONU, em Nova York, pode viajar a Washington, nos próximos dias, se for recebido por um interlocutor do presidente americano.


… Mas a chance de um encontro ainda parece remota. O Brasil, seguramente, não está na lista de prioridades de Trump. O relógio continua correndo sem avanços concretos e nenhuma agenda marcada com o republicano.  


… Em tom de deboche, o deputado Eduardo Bolsonaro desqualificou o esforço da comitiva brasileira. “Se seguirem assim, em frequentes agendas nos EUA, talvez, daqui a alguns anos, tenham de fato um acesso substancial por lá.”


… Ele disse que trabalhará para atrapalhar o processo e para que os senadores não encontrem diálogo com nenhum representante de alto escalão da Casa Branca, enquanto o problema político dentro do Judiciário não for resolvido.


…“Se o Brasil der um primeiro passo e se mostrar disposto a resolver, o Trump abre a mesa de negociação.”


… O senador Carlos Viana, do Podemos, relatou que Jaques Wagner afirmou no encontro ontem com empresários americanos que Lula está disposto a conversar com Trump, mas que o principal entrave é a questão do Brics.


… “O principal problema não está sendo a questão política de anistia”, disse. Na última cúpula do Brics, realizada no Rio no início do mês, Lula defendeu que os países busquem uma alternativa ao dólar para o comércio internacional.


… Sobre os minerais raros brasileiros, Viana disse que todo investimento americano é “muito bem-vindo” no País, mas tem que ser feito dentro de uma “negociação que não seja de ameaças e que seja de igual para igual”.


… Durante cerimônia de inauguração ontem de uma usina a gás natural em São João da Barra, no Rio de Janeiro, Lula disse que “o minério é nosso”. “Se o mineral já é crítico, vou pegar para mim, por que vou deixar para outro pegar?”


TAXA DIFERENCIADA AO AGRO – A Folha informa que o USTR, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, tenta evitar uma escalada da inflação americana e quer negociar tarifas diversificadas aos alimentos.


… Foi elaborada uma lista de produtos que o país não consegue produzir localmente e que pesam nos preços, como café, frutas tropicais, frutos do mar, suco e óleo de palma. Se vingar, a negociação será uma boa notícia para o Brasil.


… Além da tentativa de poupar os alimentos, o Brasil também trabalha para a exclusão da Embraer do tarifaço.


“RESTO DO MUNDO” – Sem citar o Brasil, Trump afirmou que os Estados Unidos vão estabelecer uma tarifa-base de 15% a 20% aos países que não fecharem acordos comerciais separados até sexta-feira. “Só quero ser legal”, disse.


… Ele não especificou, porém, se todos os países que falharem nas negociações estarão dentro desse patamar, o que daria alguma esperança de o Brasil ser poupado dos 50%, neste momento em que tem sido um caso excepcional.


… Segundo análise de conjuntura política da Eurasia aos clientes do Broadcast, enquanto outros países conseguem negociar saídas diplomáticas, um acordo comercial bilateral com o Brasil segue altamente improvável no curto prazo.


… As duas principais demandas de Trump – o fim do processo contra Bolsonaro e a regulação de mídias sociais – são inegociáveis para o governo brasileiro, já que estão sob controle do Judiciário, limitando as chances de concessão.


… Em meio à escalada de atritos entre o STF e o governo norte-americano, o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, defendeu ontem a decisão de regular as big techs, durante discurso em evento em Brasília.


… A regulação foi “equilibrada, moderna e não prejudica o modelo de negócios das plataformas digitais”, disse.


ISOLADO DO MUNDO – O Broadcast apurou que a comitiva de senadores em Washington recebeu com cautela o anúncio do domingo sobre o acordo entre Trump e a União Europeia para baixar as tarifas de 30% para 15%.


… A avaliação é de que vai todo mundo se acertando, enquanto o Brasil fica para trás. Em alerta sobre o tarifaço, integrante do governo Lula devem se reunir com representantes do Comitê Europeu entre hoje e amanhã.


… O governo da China criticou ontem a tarifa de 50% imposta por Trump ao Brasil e reiterou a disposição em aprofundar os laços com o País em áreas estratégicas, com potencial de cooperação em setores como o aeroespacial.


… Os chineses se disseram dispostos a trabalhar com o Brasil, com as nações da América Latina, o Caribe e demais membros dos Brics para defender o sistema multilateral de comércio, com a OMC no centro do processo.  


CHINA ESTÁ COM MAIS SORTE – Enquanto o Brasil continua na geladeira, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou que uma extensão de 90 dias da trégua comercial com os chineses é um resultado provável.


… A declaração foi dada em entrevista à Fox News, enquanto as negociações entre os dois países se desenrolam em Estocolmo. O acordo entre Washington e Pequim está programado oficialmente para expirar no dia 12 de agosto.


PLANO DE CONTINGÊNCIA – Haddad afirmou que o pacote para socorrer os setores mais afetados pelo tarifaço foi apresentado a Lula, mas que ele ainda não mexerá nisso, já que a ordem continua sendo negociar com os EUA.


… O Estadão já havia antecipado que Lula vai esperar até o Dia D da imposição das tarifas (sexta-feira) para decidir sobre as medidas de socorro às empresas e eventual retaliação, com o fim de patentes de medicamentos no radar.


MERCADO QUER DÓLAR – Enquanto o Brasil não sensibiliza Trump, a Folha apurou que os bancos pediram ao BC uma rodada de leilões de reservas internacionais para evitar uma crise de inadimplência de exportadores.


… A intenção é permitir que, com maior acesso a dólares, as instituições financeiras criem um colchão de liquidez, que permita dar mais prazos ou até renegociar o pagamento de operações de crédito, os chamados ACC.


… Consultado, o Banco Central não quis comentar. Interlocutores da Fazenda demonstraram preocupação.


CANADÁ – O primeiro-ministro Mark Carney considera improvável fechar um acordo comercial com os EUA sem a imposição de nenhuma tarifa. Segundo ele, as negociações estão em fase intensa e estão sendo difíceis


… Ele reiterou o desejo de chegar a termos “bons e justos” e disse que os EUA precisam da energia do país.


FURIOSO – Nitidamente mais favorável comercialmente aos americanos do que aos europeus, o acordo fechado com a UE foi alvo de queixas do primeiro-ministro francês, François Bayrou, para quem o bloco se resignou à submissão.


… O premiê da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou recebeu “sem nenhum entusiasmo” o acordo tarifário e citou o Mercosul ao defender que os europeus precisam agir em conjunto e devem diversificar suas relações comerciais.


MAIS AGENDA – Nos EUA, o relatório de empregos Jolts sai às 11h e deve apontar a abertura de 7,425 milhões vagas de trabalho em junho. No mesmo horário, sai a confiança do consumidor medida pelo Conference Board.


… Antes (9h30), sai a balança comercial de junho. À noite (19h), o BC do Chile divulga decisão de política monetária.


BALANÇOS – A Boeing e o Barclays soltam os seus resultados trimestrais antes da abertura. Já a Visa revela os números à noite. Aqui, após o fechamento do mercado, a Motiva (ex-CCR) e a TIM Brasil divulgam os seus balanços.


TIC-TAC – A quatro dias do tarifaço, real e Ibovespa levaram mais um tombo com a ausência de sinais de que haverá qualquer tipo de negociação sobre a taxa de 50% que os EUA vão cobrar dos produtos brasileiros.


… O acordo entre os EUA e a UE fechado deu um pequeno fôlego à bolsa brasileira bem no início do pregão, mas foi só. Nem na Europa o trato levantou os índices de ações, até porque foi considerado mais vantajoso aos americanos.


… Em queda pela terceira sessão e com apenas 11 das 84 ações em alta, o Ibovespa chegou a perder os 132 mil pontos na mínima do dia, mas recuperou o nível, embora ainda tenha caído forte: 1,04%, a 132.129, pontos.


… É o menor patamar desde 22 de abril, quando fechou em 130,4 mil pontos. Mais uma vez, o giro foi fraco, de apenas R$ 17,5 bilhões, expressão da cautela dos gringos.  


… Com queda de 4,84% até agora em julho, o índice caminha para o pior desempenho mensal desde agosto de 2023, quando havia cedido 5,09%. No ano, ainda sobe 9,85%.


… Muito relevantes no Ibov, Vale e bancos puxaram as perdas. A mineradora seguiu o rastro da forte queda do minério de ferro (-1,75%) em Dalian, a quarta baixa consecutiva, e cedeu 0,97%, a R$ 55,16.


… A companhia, que divulga balanço na 5ªF, ainda acumula alta de 4% no mês e no ano. A Genial Investimentos projeta lucro líquido de US$ 1,5 bilhão, alta de 9,2% ante o trimestre anterior, mas queda de 45% em 12 meses.


… Mesmo com o sinal negativo do minério, a casa considera a ação da Vale uma pechincha.


… Fluxo de saída de investidor estrangeiro derrubou papéis das instituições financeiras. O setor também foi pressionado por dados fracos de concessão de crédito divulgados pelo BC e pelo tarifaço.


… Itaú (-2,10%; R$ 34,47) e Banco do Brasil (-1,48%; R$ 19,94) lideraram as perdas no setor.


… Nem Petrobras se salvou, apesar do salto de 2,33% do petróleo Brent, a US$ 70,04, puxado pelo acordo EUA-UE e ameaças de sanções à Rússia por Trump, que reduziu a 12 dias o prazo para Putin combinar a trégua com a Ucrânia.


TEM QUE RESPEITAR – Do lado da oferta, a reunião da Opep+ terminou com cobrança para que os países do cartel cumpram integralmente os cortes de produção.


… Quem não atingiu o nível exigido vai ter que apresentar planos de compensação até 18 de agosto. A próxima reunião de monitoramento do grupo será em 1º de outubro.


… No Ibov, o papel ON da petroleira estatal caiu 0,06% (R$ 35,02) e o PN subiu 0,13% (R$ 32,02). Ontem, a Petrobras informou vai reduzir em 14%, em média, os preços do gás natural para as distribuidoras a partir de 1º de agosto.


… Vivara, com -5,23% (R$ 23,93), CSN (-4,42%; R$ 8,00) e Magazine Luiza (-4,27%; R$ 7,18), influenciada por manutenção de “venda” pelo Citi, lideraram as perdas do índice.


… Na outra ponta, São Martinho liderou com +3,56% (R$ 18,35), tendo aprovado JCP no valor bruto de R$ 150 milhões. Yduqs apareceu a seguir (+2,26%; R$ 12,67), acompanhada de Ultrapar (+2,18%; R$ 16,90).


… Em NY, as bolsas fecharam sem direção única, com analistas também observando que Wall Street já tinha absorvido o impacto de um eventual acordo entre EUA e UE.


… S&P 500 fechou estável (+0,02%), em 6.389,80 pontos, e o Nasdaq subiu 0,33%, aos 21.178,58, ambos renovando seus níveis recordes de fechamento, com vêm fazendo nas últimas sessões.


… Na contramão, o Dow Jones teve queda de 0,14%, aos 44.837,56 pontos. Com a semana pesada de indicadores à frente mais a reunião do Fed, investidores têm preferido a cautela.


… Além disso, mais de 150 empresas do S&P 500 divulgam seus resultados trimestrais nos próximos dias, incluindo as “magníficas” Meta Platforms e Microsoft, na 4ªF, e Amazon e Apple, na 5ªF.


… Toda atenção vai para os comentários dessas empresas sobre os gastos com IA, para determinar se os grandes investimentos este ano são justificados.


BOMBA-RELÓGIO – Se o acordo EUA-UE passou quase em brancas nuvens pelas bolsas, no câmbio foi diferente. O dólar teve alta generalizada pelo mundo e, por aqui, chegou a testar novamente os R$ 5,60 na máxima do dia.


… No fechamento, a alta desacelerou a 0,50%, a R$ 5,5899, maior patamar desde 4 de junho (R$ 5,6455).


… O diferencial dos juros ainda serve de escudo contra cotações mais altas do dólar no mercado doméstico, mas a ausência de um acordo com os EUA até 6ªF pode furar essa bolha.


… Ao Valor, o diretor de tesouraria da Travelex Bank, Marcos Weigt, afirmou que, nesse caso, o prêmio de risco pode levar o dólar a R$ 5,70 ou R$ 5,75.


… Tem ainda a disputa técnica em torno da Ptax do fim de julho, na quinta, que pode aumentar a volatilidade.


…  Lá fora, os bons balanços das empresas americanas e os acordos comerciais fechados pelos EUA com outras grandes economias, como UE e Japão, podem colocar em xeque a perspectiva de um dólar mais fraco.


… Isso poderia causar depreciação adicional ao real.


… Ontem, o índice DXY disparou 1,01%, aos 98,634 pontos, diante de um cenário em que os acordos privilegiam os EUA, que seguem com a economia resiliente às tarifas.


… O euro caiu a US$ 1,1593 e a libra cedeu US$ 1,3355. O dólar subiu a 148,55 ienes.


… No meio de tanto estresse nos ativos domésticos, os juros destoaram. As taxas fecharam o dia com viés de baixa, diante da leitura de que o tarifaço pode ter efeito desinflacionário no médio prazo.


… A isso se somou uma nova queda nas expectativas de inflação do Focus para 2025 e 2026, a 5,09% e 4,44%, de 5,10% e 4,45%, respectivamente, do levantamento anterior.


… Como o Copom vai incorporar as tarifas de 50% ao balanço de riscos é algo a que o mercado vai ficar atento, segundo o Bank of America (BofA). Há apostas para os dois lados.


… Se considerar o câmbio, o risco é de alta. Se considerar a atividade global, é de baixa.


… No fechamento, o DI para janeiro de 2026 marcou 14,930% (de 14,929% no ajuste anterior); Jan/27, 14,215% (de 14,230%); Jan/29, 13,535% (de 13,538%); Jan/31, 13,780% (de 13,796%); e Jan/33, 13,900% (de 13,919%).


… Em NY, os bem-sucedidos leilões de T-notes de 2 e 5 anos aliviaram a parte curta da curva. O juro da note de 2 anos recuou a 3,934%, de 3,940% na sessão anterior, enquanto o da T-Note de 10 anos subiu a 4,416%, de 4,392%.


… O anúncio de que o Tesouro dos EUA elevou a estimativa de empréstimos para o terceiro trimestre de 2025 para US$ 1,007 trilhão, citando menor saldo de caixa inicial e fluxos líquidos mais baixos não mexeu com os Treasuries.


… Para o quarto trimestre, o Tesouro prevê captação de US$ 590 bilhões.


COMPANHIAS ABERTAS NO FOCO – TELEFÔNICA registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre, alta de 10% na comparação anual; Ebitda somou R$ 5,9 bilhões, avanço de 8,8% em relação ao mesmo período de 2024.


GRUPO LATAM reportou lucro líquido de US$ 242 milhões no segundo trimestre, alta de 66% em relação a igual intervalo de 2024.


DASA. Conselho de Administração aprovou a aquisição dos 20% remanescentes do Centro de Pesquisa Clínicas (CPclin); assim, a empresa passou a deter a totalidade da instituição; valor da transação não foi revelado.


VERDE ASSET MANAGEMENT. A Vinci Compass negocia a aquisição da gestora, segundo o Brazil Journal…


… Um dos arranjos possíveis é que Luis Stuhlberger e a Lumina, que detém 25% da Verde, continuem como sócios na joint venture por pelo menos cinco anos.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Bolsas de NY superam os indices Buffet

 https://einvestidor.estadao.com.br/mercado/acoes-eua-disparam-sinais-alerta-acumulam/


*Ações dos EUA ultrapassam indicador favorito de Buffett, mas sinais de alerta se acumulam*


_Apesar de os índices globais estarem próximos das máximas históricas, Goldman Sachs relatou um alto nível de atividade especulativa_


Por Jim Edwards, , da Fortune


As ações dos EUA dispararam, com a capitalização de mercado do Wilshire 5000 atingindo uma nova máxima histórica de 212% do PIB, um dos principais níveis de alerta de Warren Buffett. Apesar de os índices globais estarem próximos das máximas históricas, estamos vendo leves quedas nesta segunda (com baixas do Dow Jones e leves altas da Nasdaq e S&P 500. Além disso, o Goldman Sachs relatou um alto nível de atividade especulativa.


O mercado acionário dos EUA acabou de ultrapassar o indicador econômico favorito de Warren Buffett, a relação entre a capitalização de mercado das ações e o Produto Interno Bruto (PIB), atingindo uma nova máxima histórica. A avaliação do Wilshire 5000 — que atingiu um recorde em 23 de julho — está agora em algum ponto acima de 212% do PIB dos EUA, como mostra o “Indicador de Buffett”.


Talvez essa seja uma das razões pelas quais as ações estão sendo vendidas globalmente. Embora a maioria dos índices na Ásia e na Europa permaneçam próximos de suas máximas históricas, há vendas generalizadas, porém leves, em todos eles.


*O indicador de euforia do Goldman está alto*


Há outro sinal de que os mercados podem estar perto do topo: o Goldman Sachs lançou um novo “Indicador de Negociação Especulativa” que mede a euforia avaliando volumes de negociação em “ações não lucrativas, penny stocks e ações com múltiplos EV/vendas elevados” — o tipo de operação que só parece boa quando o mercado está subindo irracionalmente. Infelizmente, “as ações mais negociadas incluem a maioria das Sete Magníficas, juntamente com empresas envolvidas em ativos digitais e computação quântica, entre outras”, disseram Ben Snider e sua equipe aos clientes.


“O indicador agora está em seu nível mais alto já registrado fora de 1998–2001 e 2020–2021, embora permaneça bem abaixo dos picos alcançados nesses episódios”, disseram eles. Então ninguém sabe para onde os americanos vão hoje.


*O Fed pode adiar*


Ninguém espera que o Fed reduza as taxas de juros na próxima quarta-feira (30), apesar da contínua pressão do presidente Trump sobre o presidente Jerome Powell. (O vídeo do confronto entre os dois, no qual Trump humilha Powell e Powell corrige uma afirmação falsa de Trump, é constrangedor e imperdível.)


Então os investidores estão focados em setembro, outubro e dezembro. Sessenta por cento dos especuladores no mercado futuro de fundos do Fed atualmente acham que Powell reduzirá as taxas de juros em 0,25% para o nível de 4% em setembro — um movimento que injetaria dinheiro barato nas ações.


O problema para Trump é que, para realizar esse corte, a inflação precisa permanecer baixa e o mercado de trabalho não pode se fortalecer. Atualmente, a inflação está subindo, e o mercado de trabalho é robusto, mas não perfeito. Essa combinação pode empurrar um corte de juros para outubro ou dezembro — o que explicaria por que os investidores estão realizando lucros hoje em vez de permanecerem no mercado.


“O mercado de trabalho continua resiliente, apesar das preocupações com uma desaceleração da economia, enquanto as autoridades permanecem nervosas com o efeito dos aumentos de preços induzidos por tarifas na inflação. Não vemos corte de juros neste mês, mas espera-se que o Fed comece a preparar o terreno para um movimento, provavelmente em dezembro”, disseram James Knightley e Chris Turner, do ING, em uma nota nesta manhã. “Enquanto o cenário do emprego se mantiver, uma inflação mais firme pode muito bem atrasar o reinício do ciclo de afrouxamento do Fed.”


As tarifas de Trump estão começando a contribuir para a inflação, disse Paul Donovan, do UBS, aos clientes. “Os consumidores na Europa, Reino Unido, México e Canadá estão pagando entre 0,3% e 1,9% menos pelos eletrodomésticos que compram do que em março deste ano. O consumidor dos EUA, por outro lado, está pagando (em média) 3,6% a mais por seus eletrodomésticos do que antes dos impostos comerciais de Trump”, disse ele em um e-mail.


*O impulso do capex está chegando*


E então, de acordo com Nancy Lazar, da Piper Sandler, e seus colegas, há uma arma secreta escondida dentro da “One Big Beautiful Bill” de Trump que poderia superalimentar o crescimento do PIB (e, portanto, por implicação, impedir o Fed de cortar): o capex.


Uma disposição dentro da OBBB reduz pela metade a alíquota efetiva do imposto corporativo e incentiva os investimentos em capital pelas empresas. “O impacto do capex no PIB é três vezes maior do que o da habitação. Choques positivos no capex adicionam mais de 1% ao PIB. E cada emprego relacionado à produção de bens cria mais seis — o multiplicador. Nossa previsão preliminar (muito preliminar) para o PIB real de 2026 é de cerca de 3%”, disseram eles aos clientes.


Com crescimento robusto e inflação tarifária ainda muito presentes, talvez os investidores em ações estejam percebendo que Powell vai manter sua posição e adiar ainda mais os cortes de juros do que o mercado futuro atualmente prevê.

Fundo Verde

 🇧🇷  *Verde/Stuhlberger: ganho popularidade de Lula é ‘voo de galinha’*


Por Barbara Nascimento, Giovanna Bellotti Azevedo e Gabriel Diniz Tavares


(Bloomberg) -- O ganho de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com tarifas de Donald Trump é um “voo de galinha” que será revertido à medida que os efeitos das taxas acontecem, disse o fundador da Verde Asset Management, Luis Stuhlberger.


_“Com o passar do tempo, a culpa disso, ainda que não seja tão grande, vai ter repercussão. As empresas quebram, vão ter que demitir, calote em banco, greve no agro, de caminhoneiro, tudo cai no colo do governo”_, disse durante a Expert XP


Ele recomendou investimentos via opções


_“Pela volatilidade atual, o prêmio que tem em Brasil se comprar opção de EWZ, dólar/real, compensa. O upside de mudança de governo é muito grande”_, disse


No mesmo painel, João Landau, da Vista Capital, disse ter _“convicção”_ de uma virada à direita nas eleições, citando a força da direita nas eleições municipais e a presença em redes sociais


Felipe Guerra, sócio da Legacy Capital, disse estar _“bem otimista com potencial outcome da eleição”_


_“Caso haja reeleicão, mercado subestima o que pode acontecer com ativos”_


Gestora _“aguarda com cautela”_ o desenrolar das tarifas


Tarifas teriam um pouco de efeito no PIB e um pouco na inflação, disse


Com atividade pra baixo e inflação desacelerando, há risco de BC cortar _“talvez no fim do ano”_

Call Matinal 0801

  Call Matinal 08/01/2026 Julio Hegedus Netto, economista   Pensatas: “ Caso Master. Com certeza, pensando em se blindar, na velha ...