terça-feira, 6 de maio de 2025

Mercado de Ações

 Ações domésticas ganham força com fim próximo de aperto nos juros / Em meio à guerra tarifária, exposição a papéis ligados a commodities perde relevância e impulsiona rotação de gestoras- Valor 6/5


Por Maria Fernanda Salinet e Bruna Furlani — De São Paulo


Com a queda das commodities e o enfraquecimento do dólar diante do avanço da disputa tarifária global, a expectativa de que o Banco Central (BC) está perto do fim do ciclo de aperto monetário tem impulsionado uma rotação nos portfólios dos gestores brasileiros de ações. Nesse cenário, os papéis voltados ao mercado doméstico ganharam força em abril, enquanto os ligados a matérias-primas sofreram perdas expressivas.


Dados calculados pelo Valor Data apontam que o Ibovespa, que subiu 3,7% no mês passado, teria avançado 9,1% se não fosse o peso expressivo de Vale e Petrobras. Outro termômetro que evidencia o impacto da queda de ações de empresas ligadas a commodities no desempenho da principal referência acionária local é o Ibovespa Equal Weight, índice que atribui o mesmo peso a todas as companhias, que subiu 8,2% em abril.


Um dos motivos para a discrepância nos desempenhos em abril está no fato de que o anúncio das tarifas de Donald Trump elevou rapidamente a volatilidade e trouxe dúvidas sobre os efeitos negativos do “tarifaço” sobre a atividade americana e global, o que afetou diretamente os preços de commodities e levou a realocações nos fluxos de investimento entre ações de diferentes setores e geografias.


Na primeira quinzena do mês passado, por exemplo, os investidores estrangeiros zeraram os aportes no segmento secundário da B3, após uma sequência positiva registrada desde o início do ano. No entanto, a partir do dia 16, a entrada de recursos pela categoria foi retomada e, até 30 de abril, o investidor externo acumulou saldo positivo de R$ 10,5 bilhões no ano.


O principal desdobramento da guerra comercial pode ser traduzido como a descentralização da atividade econômica, que estava focada nos EUA e que agora se espalha globalmente, afirma o superintendente de renda variável da Bradesco Asset, Rodrigo Santoro.


“O cenário acaba revertendo o movimento intenso de concentração no mercado americano”, afirma. “Para o investidor estrangeiro, o câmbio é um fator importante de retorno. Com a perspectiva de um dólar mais fraco e o mercado americano performando pior, você começa a olhar para fora dos EUA.”


Em um cenário com preços de commodities caindo, dólar perdendo força e juro subindo menos, a avaliação das gestoras é que o momento é propício para aumentar o peso do portfólio para um perfil mais cíclico. “Efetivamente, mudamos a carteira para ter uma exposição muito mais doméstica e que se beneficia de um juro menor”, detalha o sócio-fundador e gestor da Norte Asset, Gustavo Salomão.


O gestor da Norte explica que a casa começou a realizar a alteração no portfólio em fevereiro, com objetivo de diminuir posições em ações ligadas a commodities, como de celulose, para elevar a exposição a companhias do setor elétrico e de saneamento, além de companhias com perfil mais de consumo e ligadas ao setor imobiliário.


Com a imposição de uma política tarifária mais dura por Trump, Salomão conta que o movimento de rotação ganhou força no começo de abril. Companhias como Vivara, Sabesp, Lojas Renner, Localiza, Direcional e Cyrela são alguns dos nomes que a casa aumentou posição, além de uma montagem de exposição aos papéis da C&A.


Santoro, da Bradesco Asset, diz que a casa já mantinha uma exposição bastante leve em papéis ligados a matérias-primas, e que aumentou a posição em ações locais com “bons proxies” - ou seja, com alta previsibilidade de resultados. Entre as companhias estão Localiza, C&A, Grupo Mateus, Cury, Sabesp e Energisa. No setor financeiro, Itaú Unibanco e BTG Pactual também se destacam.


O profissional da Bradesco Asset explica que o desempenho pior das commodities no mês passado provocou um movimento importante de fechamento nas curvas de juros, tanto no Brasil como no mercado global. A mudança, diz, deu mais força para a perspectiva do fim do aperto monetário e tornou os papéis ligados à economia brasileira mais atrativos.


Para a Bradesco Asset, o Banco Central deve aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, com uma pausa em junho, deixando os juros elevados por mais tempo. “Subir 50 bps [pontos-base] seria condizente com o discurso do [Gabriel] Galípolo. Ele deve fazer 50 e parar para observar”, completa Santoro.


Já Salomão avalia que a combinação de um câmbio mais apreciado com uma desaceleração da atividade global, provocada pela política tarifária do presidente Donald Trump, darão respaldo para o Banco Central realizar apenas mais uma alta da Selic, de 0,50 ponto percentual, no encontro desta quarta-feira.


Salomão não nega que uma eventual recessão global seria negativa para as ações domésticas, mas avalia que não haverá uma desaceleração muito forte. Para ele, a perda de tração da atividade econômica americana poderá levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a incrementar o ritmo de corte de juros, além do que há chance de que os países consigam chegar a um acordo com os EUA.


Outra casa que realizou mudanças marginais na carteira foi a AZ Quest. O gestor de renda variável da casa, Welliam Wang, diz que adicionou e aumentou posições em ações domésticas, ao mesmo tempo em que preferiu manter a alocação em empresas de concessões públicas e reduzir a exposição a papéis mais ligados a commodities, dado o risco de desaceleração da atividade global.


Na lista de alterações estão o incremento da alocação em papéis como Localiza e Vivara, além de uma montagem de posição em C&A. No caso da locadora, Wang explica que o ambiente de juro mais baixo é positivo para a venda de seminovos.


O gestor da AZ Quest destaca ainda que a Localiza tem conseguido manter a taxa de seminovos em níveis saudáveis, ao privilegiar o repasse de preços, mesmo que isso implique em um recuo do volume.


Embora as ações domésticas tenham liderado as maiores altas do Ibovespa em abril, caso de GPA e de LWSA, que terminaram com ganhos de 37% e de 35%, nessa ordem, a equipe de estratégia de ações para a América Latina do J.P. Morgan, liderada por Emy Shayo Cherman, prevê um potencial de valorização ainda maior para nomes domésticos cíclicos, no geral.


Em relatório, os profissionais do J.P. Morgan afirmam que análises feitas pelo banco mostraram que a maior parte dos papéis mais cíclicos costumam começar a performar acima dos demais cerca de três meses depois que o Banco Central inicia o corte de juros. O estudo, que levou em conta seis ciclos de afrouxamento monetário, trouxe ainda que o desempenho superior de ações domésticas tende a ficar ainda mais claro passados seis meses do começo do período de flexibilização da Selic.


Apesar da valorização em abril, os ativos domésticos ainda estão baratos, avalia Daniel Delabio, sócio e gestor da Exploritas. Ele conta que reduziu a exposição em ações do setor de consumo após a recente alta, mas que segue posicionado em papéis como CVC, Vamos, Blau e Vivara. O gestor explica que a diminuição em ações apenas coincidiu com um leve aumento em NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação, devido aos altos retornos.

Josue Leonel 0605

 *BC eleva volume de swap, Tesouro oferta pós-fixado: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- Banco Central eleva de 20.000 para 25.000 a

oferta de swaps cambiais para rolagem, em movimento semelhante

ao realizado em fevereiro, quando a autoridade monetária também

ampliou o volume alegando “condições de mercado”. Dólar subiu em

duas das últimas três sessões, embora siga abaixo do patamar de

R$ 5,70. No mercado de juros, taxas podem reagir ao leilão de

títulos pós-fixados, na véspera do Copom, um dia após pressão

atribuída a apostas em alta de 0,50pp da Selic. Em Brasília,

caso INSS segue em foco e Lula se reúne com ministros e

presidente do instituto.

No exterior, futuros das bolsas americanas estendem queda

com alertas de empresas sobre impactos das tarifas, combinados à

visão de falta de maiores progressos em acordos dos EUA com

China e União Europeia. Sentimento negativo com ações é

temperado por altas do petróleo e metais, apesar de dado de

serviços frustrante na China. Rendimento dos treasuries sobe em

dia de leilão do Tesouro americano.

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*T

Às 7:30, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro -0,7%

STOXX 600 -0,6%

FTSE 100 -0,2%

Nikkei 225 +1%

Shanghai SE Comp. +1,1%

MSCI EM -0,1%

Dollar Index +0,1%

Yield 10 anos +0,8bps a 4,3511%

Petróleo WTI +2,6% a US$ 58,62 barril

Futuro do minério em Singapura +1% a US$ 97,5

Bitcoin estável a US$ 94202,25

*T

 

Internacional

Bolsas recuam com balanços e tarifas em foco na véspera do

Fomc

* Futuros de ações dos EUA e bolsas europeias recuam com

resultados corporativos, em meio à incerteza sobre as tarifas do

presidente Donald Trump e na véspera da decisão do Fed

* S&P 500 interrompeu na segunda-feira sua maior sequência de

alta em cerca de 20 anos, na ausência de indicação de um acordo

iminente dos EUA com a China ou a União Europeia

* No final do expediente, a Ford retirou suas projeções

financeiras e afirmou que as tarifas sobre automóveis afetarão

os lucros; Palantir Technologies caiu cerca de 8% no pré-mercado

com resultados abaixo das expectativas

** Empresas na Europa como a Royal Philips e a Vestas Wind

Systems alertaram sobre incerteza alimentada pelas tarifas

* Na Alemanha, Friedrich Merz não obteve a maioria na votação

inicial para confirmá-lo como chanceler

* Em dia de agenda externa esvaziada, Tesouro americano oferta

títulos

* Rendimento dos treasuries de 10 anos e índice dólar têm leves

altas; yuan chinês ganha no retorno da China de feriado

* Petróleo sobe, após menor fechamento em quatro anos, com

medida técnica do mercado sinalizando exagero em queda recente

* Cobre e minério de ferro também se valorizam

* PMI Caixin de serviços piora mais que o esperado na China e

acende alerta sobre desaceleração


Para acompanhar

Leilão de pós-fixados e aumento de swaps na véspera do

Copom

* Tesouro oferta NTN-B e LFT; na semana passada, ofereceu 1,1 mi

NTN-B e 800.000 LFT em leilão e volume maior ajudou a pressionar

juros

** Copom, que inicia hoje reunião de dois dias, deve elevar

Selic a 14,75% com fim do ciclo no radar

* BC eleva oferta em leilão de rolagem de swaps para 25.000

contratos, a partir das 11:30, contra volume de 20.000 swaps até

ontem

** Até o momento, já houve rolagem de 100.000 dos 368.878

contratos com vencimento em 2 de junho; rolagem foi iniciada em

28 de abril, quando o BC afirmou que poderia “alterar o lote

ofertado a cada dia, ou mesmo acatar propostas em montante

inferior à oferta, conforme as condições de demanda pelo

instrumento, sem prejuízo do objetivo de rolagem integral do

vencimento”

* NOTA: BC também elevou rolagem em fevereiro devido a

“condições de mercado”

* PMI serviços de abril sai às 10:00

* Balanços hoje: Blau Farmacêutica, Caixa Seguridade, Carrefour

Brasil, JSL, Odontoprev, Prio, RD Saúde, Vamos, Vibra Energia,

Vulcabras


Outros destaques

Lula com ministros e presidente do INSS

* Lula tem reunião às 15:00 com ministros da Previdência, Wolney

Queiroz, Casa Civil, Rui Costa, Gestão, Esther Dweck, Relações

Institucionais, Gleisi Hoffmann, Controladoria-Geral da União,

Vinicius de Carvalho, além do Adjunto do Advogado-Geral da

União, Junior Divino Fideles, e presidente do INSS, Gilberto

Waller Júnior

** Lula embarca rumo a Rússia nesta terça-feira: CNN Brasil

* Justiça manda INSS devolver descontos indevidos: Valor

* Novo ministro assinou emenda adiando controle de descontos

após pedido de associações: Estado

** Medida de 2021, quando Queiroz era deputado, prorrogou prazo

para revalidação das mensalidades; Queiroz, agora ministro, não

comentou: Estado

* Planalto cobra celeridade para devolução de recursos do INSS:

Globo

* Câmara instala hoje comissão para analisar IR: Globo

* Lula mira conexão com esquerda em reforma ministerial: Folha

* Câmara deve votar urgência de projeto que aumenta número de

deputados: Globo

* Turma do STF julga núcleo da trama golpista: Folha

* Haddad participa em Los Angeles de mesa redonda organizada

pela Amcham Brasil e tem reunião com executivos da Amazon

* Brasil faz esforço para elevar comércio com o Sudeste Asiático


Empresas

Embraer, Azzas, GPA, Tim Brasil, BB Seguridade

* Embraer: Prejuízo líquido ajustado 1T US$73,6 mi

* Azzas 2154 aprova recompra de até 10% das ações em circulação

* GPA: Prejuízo líquido 1T R$169 mi X prejuízo R$660 mi a/a

* Tim Brasil: Lucro líquido normalizado 1T supera estimativas

* BB Seguridade: lucro líq. ajust 1T R$2,00 bi X R$1,84 bi a/a

* Rappi diz que investirá R$ 1,4 bi no Brasil até 2028: CNN

Brasil

* Brava Energia: Produção média abril 81.822 boe/d

* Sabesp aprova segunda tranche de financiamento de até US$ 600

mi

BDM Matinal Riscala 0605

 Demora em acordos comerciais desanima | BDM

www.bomdiamercado.com.br

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*


[06/05/25]


… Novos índices PMI de Serviços da atividade global serão divulgados hoje na Alemanha, Zona do Euro e no Reino Unido, após o dado dos EUA medido pelo ISM ter surpreendido com alta de 50,8 em março para 51,6 em abril, reduzindo ainda mais as expectativas de corte antecipado do juro americano. Na China, o PMI/Caixin de Serviços, divulgado ontem à noite, caiu para 50,7 (51,9 em abril) – em mais uma evidência do impacto das tarifas na economia do país. Na agenda em NY, a balança comercial de março (9h30) desperta interesse pelo desempenho das importações, que derrubaram o PIB/1Tri. Aqui, o PMI da S&P Global (10h) é o único indicador previsto. No calendário de balanços: Embraer (antes da abertura), Prio, Carrefour, Raia Drogasil, Vibra, Odontoprev, Vamos e JSL, depois do fechamento. E, em NY, AMD e Super Micro Computers, à noite.


… A semana começou com a aversão ao risco dominando o ambiente dos negócios em reação à demora nos acordos comerciais que estão sendo negociados pelos EUA com seus parceiros e à falta de progressos nas negociações com China.


… Nesta 2ªF, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reconheceu que Pequim ainda apresenta resistência.


… “Estamos muito próximos de fechar alguns acordos comerciais, alguns talvez ainda nesta semana. Estou confiante de que 17 parceiros comerciais apresentaram propostas comerciais muito boas, excluindo a China”, disse ele em entrevista à CNBC.



… Bessent foi cauteloso sobre a chance de avanços nas conversas com os chineses, admitindo que eles ainda não ofereceram nada de concreto, ao mesmo tempo em que cobrou medidas contra o tráfico de precursores de fentanil. “Isso precisa parar.”


… De seu lado, Trump continua afirmando que a China “quer muito fazer um acordo com os EUA”, enquanto se ocupa das confusões que lançou agora na indústria cinematográfica, anunciando sua intenção de impor tarifa de 100% aos filmes estrangeiros.


… Em sua rede social, o presidente classificou os incentivos para cineastas americanos que produzem seus filmes fora dos EUA como uma “ameaça à segurança nacional”, afirmando que Hollywood está “MORRENDO”. “QUEREMOS FILMES FEITOS NA AMÉRICA!”


… Nas bolsas, as ações da Netflix, Paramount, Warner e outras empresas de entretenimento caíram, acentuando o mal-estar geral, antes que a Casa Branca dissesse que ainda não tem nada certo e Trump se dispusesse a conversar com a indústria do cinema.


… Outra investida veio no final do dia, quando o presidente assinou ordem executiva para reduzir as barreiras à fabricação de produtos farmacêuticos nos EUA. Trump promete anunciar medidas relacionadas ao custo dos medicamentos na próxima semana.


… Por ora, orientou a FDA a melhorar a fiscalização da fonte de ingredientes farmacêuticos ativos por produtores estrangeiros.


… Nos mercados, a forte queda dos preços do petróleo, após a Opep+ decidir aumentar o ritmo de produção em junho, adicionando mais 411 mil barris por dia aos níveis já elevados anunciados para maio, foi o principal driver dos pregões.


… Os contratos futuros da commodity apenas saíram das mínimas em meio a tensões geopolíticas, quando Israel anunciou um plano para capturar toda a Faixa de Gaza, ao mesmo tempo que realizava ataques no Iêmen em retaliação aos Houthis.


… Enquanto o dólar se enfraquecia no exterior, o câmbio dos emergentes se desvalorizou com o tombo do petróleo. Já os juros, na véspera do Copom, ajustaram-se em alta, reagindo aos Treasuries e às notícias de que Lula prepara uma nova medida expansionista.


… Reportagem de O Globo apurou que o presidente negocia com a Caixa e o Banco do Brasil uma linha de crédito para os entregadores de aplicativo, em mais uma investida parafiscal que vai de encontro com o esforço da política monetária do BC (leia abaixo).


FED & COPOM – Os dados recentes da economia americana, com emprego ainda robusto e a atividade se sustentando, não só reduziram as chances de o Fomc sinalizar um corte do juro em junho como também influenciaram as apostas para a Selic.


… A curva de juros, que chegou a projetar a probabilidade de um ajuste de 25pbs no Copom, reforçou a expectativa majoritária de uma alta de 50pbs, com a Selic elevada a 14,75%. A zebra foi deslocada para 75 pontos-base com as tarifas e o cenário fiscal.


… A maioria dos economistas de mercado acredita que o BC não renovará o forward guidance, deixando junho em aberto para ter maior flexibilidade de ação. Uma parcela pequena dos analistas não descarta que o Copom possa indicar o fim do ciclo.


… Mais do que a decisão, o comunicado que acompanhará a reunião será determinante. Se a ideia do Copom for promover um ajuste residual em junho, o texto deverá ressaltar a persistência das pressões inflacionárias e das expectativas.


… O Copom tem mantido o seu balanço de riscos assimétrico, indicando que é mais provável que o IPCA fique acima das projeções. Uma mudança nesse equilíbrio poderia indicar menor disposição de um novo aumento da Selic em junho.


… Já no caso do Fed, é unânime a expectativa de que a taxa de juros permanecerá estável entre 4,25% e 4,50%. A dúvida é o tom que a mensagem adotará, e especialmente, o tom de Jerome Powell na entrevista que se seguirá à reunião.


… A queda de 0,3% no PIB/1Tri fortaleceu o argumento político em favor de um corte mais cedo do que o mercado espera, para julho. Mas outros dados da atividade e, principalmente, o payroll forte afastaram o risco de recessão e da queda antecipada do juro.


… A CEO do Citigroup, Jane Fraser, disse que os sinais econômicos conflitantes, com folhas de pagamento fortes e um fraco sentimento do consumidor, estão tornando o trabalho dos formuladores de políticas do Fed bastante complicado.


… “Está muito difícil para o Fed agora por causa dessa desconexão entre dados concretos e dados intangíveis”, disse ela em uma entrevista à Bloomberg TV, nesta 2ªF, na Conferência Global do Milken Institute em Los Angeles.


… Para Fraser, a análise final da política tarifária do governo Trump será fundamental para determinar a extensão das consequências. “Se for uma tarifa de 10%, será mais fácil de absorver. Se for de 25% ou mais, isso terá ramificações mais relevantes.”


HADDAD – Em painel da conferência anual do Milken Institute, o ministro disse nesta 2ªF que o Brasil vai consolidar uma compreensão de que o potencial de crescimento da economia doméstica não é menor do que 3%.


… “Nós já fizemos o FMI reconhecer que o nosso potencial saiu de 1,5% para 2,5%, e tenho certeza de que, ao final do mandato de Lula, o mundo vai estar convencido de que o Brasil pode crescer a uma taxa mínima de 3%.”


… Haddad citou como exemplo de projeto do governo para consolidar esse entendimento o Plano de Transformação Ecológica, que tem entre suas ações a construção do mercado regulado de carbono, para o qual o Brasil se prepara para uma inserção internacional.


… Sobre a relação com os Estados Unidos, o ministro disse que o Brasil tem interesse em se aproximar mais do governo Trump, como fez durante a administração de Joe Biden, porque existem complementaridades importantes entre as economias americana e brasileira.


… Haddad disse ainda que o Brasil terá condições de colocar uma agenda mais ambiciosa da causa ambiental na COP30, neste ano.


… Hoje, o ministro Fernando Haddad participa na Califórnia de mesa redonda organizada pela Amcham Brasil com investidores estrangeiros sobre IA, a partir das 13h (hora de Brasília). A volta ao Brasil está prevista para depois de amanhã, 5ªF.


BRASÍLIA – O presidente Lula inicia hoje nova viagem internacional, embarcando para a Rússia e, em seguida, para a China. Em Moscou, ele participa da comemoração pela vitória da URSS sobre a Alemanha nazista e se encontrará com Vladimir Putin.


… Em Pequim, Lula terá encontro com o presidente Xi Jinping. Antes de embarcar, Lula se reúne hoje, às 15h, com ministros para discutir o escândalo do INSS.


FRAUDES NO INSS – A deputada Coronel Fernanda (PL) afirma ter conseguido 182 assinaturas para permitir a abertura da CPI na Câmara.


… No Globo, o presidente do INSS, Wolney Queiroz (PDT), foi um dos cinco deputados autores da emenda aprovada pelo Congresso em 2021 que aumentou de um para três anos o prazo de validação da entidade recebedora dos descontos dos benefícios.


… Em entrevista à Globonews, Gilberto Waller Júnior disse que o presidente Lula pediu agilidade no pagamento às vítimas da fraude.


ISENÇÃO DO IR – Deve ser instalada hoje a Comissão Especial do projeto que isenta do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil/mês, em acordo com a Câmara, após o governo retirar a urgência constitucional da matéria, que venceu no dia 3, e trancaria a pauta.


… A previsão da cúpula da Câmara é de que o projeto seja votado no plenário somente no início do segundo semestre deste ano.


AFTER MARKET – Mais uma montadora a sentir o drama das tarifas de 25% sobre veículos e peças importados, a Ford caiu 2,5% no pregão estendido, após suspender a projeção financeira (guidance) para o ano inteiro.


… A empresa alega incertezas quanto ao impacto da política protecionista de Trump e calcula que pode perder US$ 1,5 bilhão do lucro ajustado antes de impostos por causa da batalha comercial dos EUA contra o mundo.


… A Ford informou lucro líquido de US$ 471 mi no 1Tri, queda acentuada de 64% contra um ano antes. A receita diminuiu de US$ 42,8 bi para US$ 40,7 bi e o lucro ajustado antes de impostos caiu de US$ 2,8 bi para US$ 1 bi.  


… Ainda a Mattel, fabricante da Barbie, retirou o guidance de vendas para o ano, citando os impactos das tarifas sobre os brinquedos importados e a volatilidade macroeconômica dos EUA. O papel caiu 0,56% no after hours.


MAIS AGENDA – A leitura final de abril do PMI/S&P Global composto será divulgada na Alemanha (4h55), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30). Nos EUA, Scott Bessent testemunha perante um painel da Câmara, às 11h.


FERIADO – Mercados permaneceram fechados hoje no Japão, em comemoração ao Dia do Verde, mas à noite (21h30 de Brasília) será divulgado o PMI de Serviços de abril no país, que em março ficou no limite do território de contração, em 50,0.


O COPO MEIO VAZIO – Baixado o entusiasmo com o payroll, que esvaziou o risco de recessão, NY leu ontem os dados mais fortes do setor de serviços pela perspectiva de que as tarifas estão produzindo pressão inflacionária.


… O PMI/ISM (51,6) subiu em abril pelo décimo mês seguido, superou o esperado (50,2) e registrou salto no subíndice de preços. O mesmo indicador medido pela S&P Global (50,8) veio melhor que o consenso de 51,4.


… As evidências de uma economia mais aquecida fortalecem a aposta de que o Fed pode esperar até julho para relaxar a política monetária, contrariando a cobrança urgente de Trump, que quer um corte de juro para ontem.


… A perspectiva de que as taxas ficarão onde estão por mais tempo sustentou os rendimentos dos Treasuries. O yield da Note-2 anos subiu a 3,834%, de 3,826% no pregão anterior, e o de 10 anos foi a 4,336%, de 4,305%.


… Além disso, também continuou repercutindo a falta de progressos comerciais entre Washington e Pequim.


… O S&P 500 interrompeu o rali de nove altas consecutivas e ensaiou correção, recuando 0,64%, a 5.650,38 pontos. O Dow Jones caiu 0,24%, para 41.218,83 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,75%, a 17.844,24 pontos.


… Depois de Trump escolher Hollywood como a nova vítima da guerra comercial, as empresas de streaming acusaram o golpe: Netflix caiu 1,95%; Amazon recuou 1,91%; Apple, -3,15%, Warner, -1,99%; e Paramount, -1,57%.


… Com o anúncio da aposentadoria de Warren Buffett, as ações da Berkshire Hathaway afundaram 5,0%.


… No setor de energia, Chevron (-2,2%) e Exxon Mobil (-2,8%) sentiram a liquidação do petróleo, após a Opep+ ter acelerado o ritmo de produção para junho, agravando a preocupação de muita oferta para pouca demanda.


… No pior momento, o barril do Brent para julho chegou a ser negociado abaixo de US$ 60, despertando especulações de que possa voltar à faixa dos US$ 50. No fechamento, caía 1,73%, negociado a US$ 60,23.


… Dois grandes bancos passaram a projetar petróleo mais barato este ano após a ofensiva da Opep+. Goldman Sachs cortou a estimativa para o Brent de US$ 60 para US$ 56 e o Morgan Stanley, de US$ 62,50 para US$ 57,50.


NO PISO – Três fatores combinados derrubaram as ações preferenciais da Petrobras ao menor valor do ano.


… Além do efeito Opep+, o BofA cortou o preço-alvo dos papéis PN de R$ 48 para R$ 46e a Petrobras anunciou que vai reduzir o preço do diesel nas refinarias em 4,66%, ou R$ 0,16 por litro. É a terceira redução consecutiva.


… A decisão indica uma trajetória de convergência entre os preços domésticos e internacionais, avalia o Goldman Sachs. O diesel vendido pela Petrobras segue cerca de um dígito acima da referência externa.


… Já os preços da gasolina estão 10% mais altos do que no exterior, segundo os analistas do banco.


… Petrobras PN levou um tombo de 3,73%, a R$ 29,66, e ON também foi mal: -2,81%, a R$ 31,77, comprometendo o desempenho do Ibov (-1,22%, aos 133.491,23 pontos), também afetado pelos frigoríficos.


… O surto de gripe aviária nos EUA eleva o risco de restrição às exportações do setor. Marfrig caiu 3,84%; BRF, -4,54%; e JBS, -2,79%. Em semana de balanços, Itaú recuou 1,86% (R$ 34,81) e Bradesco PN, -0,97% (R$ 13,29).


… Vale ON (+0,30%, a R$ 52,96) subiu pouco, sem a referência do minério de ferro, com a China em feriado.


… Cogna ON (+8,81%) e Yduqs ON (+2,13%) operaram embaladas pela volta dos rumores de fusão.


… SmartFit (+0,71%) e Direcional (+0,44%) subiram em dia de estreia na carteira teórica do Ibovespa, válida até 31 de agosto. Por outro lado, LWSA e Automob, que deixaram o índice, caíram 2,50% e 3,57%, respectivamente.


… Sendo o Brasil um produtor de commodities, a fraqueza do petróleo não caiu bem para o real, o que levou o dólar a se aproximar da marca de R$ 5,70, cotado no fechamento dos negócios a R$ 5,6899, em alta de 0,62%.


… Lá fora, o índice DXY (-0,20%, para 99,831 pontos) foi abalado pela percepção de que Trump não para de comprar briga. O euro subiu 0,19%, a US$ 1,1320, a libra ganhou 0,24%, a US$ 1,3294, e o iene foi a 143,84/US$.


… Às vésperas do Copom, a curva do DI registrou alta moderada, especialmente no miolo e na ponta longa.


… Os juros futuros pegaram carona no dólar mais caro e na alta dos juros dos Treasuries, e ainda operaram de olho na possível nova cartada populista do governo Lula, que estaria preparando incentivos aos motoboys.


… Seria uma forma de o presidente se aproximar deste público, pensando nos cálculos eleitoreiros para 2026.


… No fechamento, o DI para Jan/26 subia a 14,725% (de 14,675% no pregão anterior); Jan/27, a 14,050% (de 13,955%); Jan/29, a 13,690% (de 13,605%); Jan/31, a 13,870% (de 13,800%); e Jan/33, a 13,890% (de 13,850%).


EM TEMPO… GPA reduziu prejuízo em 77% no 1Tri, para R$ 93 milhões. O Ebitda ajustado cresceu 9,9%, a R$ 409 milhões, e a receita líquida avançou 3,9%, atingindo R$ 4,7 bilhões.


GRUPO MATEUS lucrou R$ 318,6 milhões no 1TRI25, alta de 32,5% s/ 1TRI24. Receita líquida aumentou 12,9%, para R$ 8,3 bi, e Ebitda subiu 27,4%, para R$ 649,9 milhões.


PAGUE MENOS registrou lucro líquido ajustado de R$ 13,1 milhões no 1TRI25, revertendo prejuízo ajustado de R$ 23,1 mi um ano antes. Ebitda ajustado cresceu 55,2% na comparação anual, para R$ 150,3 milhões.


AZZAS. O conselho de administração aprovou um programa de recompra de ações ordinárias, que prevê a aquisição de até 10% das ações ordinárias em circulação de emissão da companhia.


TIM registrou lucro líquido de R$ 798 milhões no 1Tri, alta de 53,6%. O Ebitda normalizado aumentou 6,7% na comparação anual, para R$ 3,084 bilhões, e a receita operacional líquida cresceu 4,9% e totalizou R$ 6,394 bilhões…


… A companhia aprovou pagamento de R$ 300 milhões em JCP, a R$ 0,12 por ação; ex no próximo dia 22.


MOTIVA (ex-CCR) registrou lucro líquido ajustado de R$ 539 milhões no 1Tri, alta de 20,2% contra um ano antes. O Ebitda ajustado cresceu 14%, para R$ 2,3 bilhões, e a receita líquida ajustada atingiu R$ 3,7 bilhões (+7,2%).


AUTOMOTIVO. As vendas de veículos zero quilômetro registraram em abril queda de 5,5% na comparação com abril de 2024.


… Divulgado nesta 2ªF pela Fenabrave, o balanço está em linha com as previsões de desaceleração do setor, embora o volume mensal tenha sido o melhor do ano até agora, com crescimento de 6,7% ante março. Nos quatro primeiros meses de 2025, as vendas cresceram 3,4%.


… A previsão da Fenabrave é de crescimento de 5% das compras de veículos novos no Brasil neste ano, contra uma alta de 14% em 2024. Já a Anfavea, associação das montadoras, prevê crescimento de 6,3% das vendas de veículos neste ano.


SABESP. O conselho de administração autorizou a contratação de até US$ 600 milhões da segunda tranche do contrato de empréstimo de novembro de 2024 junto à International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial.


CEMIG informou que a gestora BlackRock passou a deter 10% das ações preferenciais emitidas pela companhia.


CPFL ENERGIA recebeu carta de renúncia de Karin Regina Luchesi aos cargos de diretora vice-presidente de Operações de mercado e de presidente do conselho de administração da CPFL Geração e CPFL Renováveis.


BANCO MASTER. Na Folha, negociações avançaram e linha de assistência do FGC deve ser aprovada esta semana. O BRB apresentou, na semana passada, nova documentação ao BC para compra de fatia do banco de Daniel Vorcaro…


… A aprovação da linha é considerada a primeira fase antes da análise final pelo BC da operação de compra do Master pelo BRB.


BB SEGURIDADE teve lucro líquido de R$ 1,995 bi no 1TRI25, alta de 8,3% s/ 1TRI24.


MCMV. A Caixa Econômica Federal começou nesta 2ªF a operação do crédito imobiliário da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida…


… A nova faixa é destinada às famílias de classe média, com renda mensal de até R$ 12 mil, tem juro nominal de 10% ao ano e prazo de pagamento de até 420 meses.


AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!


*com a colaboração da equipe do BDM Online


AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Paulo Roberto de Almeida

 A "primeira-ministra" do Brasil – enfim, hoje o Brasil é um país quase parlamentarista, desembarcou em Moscou seis dias antes da visita oficial do "príncipe consorte":

"A primeira-dama Janja Lula da Silva, desembarcou em Moscou, na Rússia, na manhã do último sábado (3) e compartilhou fotos da viagem em suas redes sociais.

Em postagem, Janja mostra fotos dos lugares históricos que visitou, como o Kremlin, complexo histórico que abriga a sede do Executivo local e onde se situa a residência oficial do presidente Vladimir Putin."


Assim, a despeito de todas as inconveniências diplomáticas de o governo Lula apoiar OBJETIVAMENTE o lado do agressor na guerra de Putin contra a Ucrânia, teremos em poucos dias a INDIGNIDADE de ver o chefe de Estado do Brasil e da Diplomacia de um país democrático, supostamente respeitador da Carta da ONU e do Direito Internacional, apertar a mão de um CRIMINOSO DE GUERRA E CONTRA A HUMANIDADE. 


Por isso mesmo renovo aqui minha nota já circulada anteriormente: 


A inaceitável viagem de Lula a Moscou, a convite de Putin


Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre a projetada viagem de Lula a Moscou em 9 de maio de 2025


O Presidente Lula aceitou, desde o primeiro minuto, o convite do presidente russo Vladimir Putin para participar em Moscou, no próximo dia 9 de maio das comemorações pelos 80 anos da vitória da antiga União Soviética na chamada “Grande Guerra Patriótica” – nome dado por Stalin – contra as forças da Alemanha nazista, no dia seguinte à assinatura da rendição da Wehrmacht em Berlim (as forças ocidentais o fizeram na cidade francesa de Reims, no mesmo dia 8 de maio). 

Tanto a comemoração quanto a sinalização desse dia como marcando o final da Segunda Guerra Mundial no teatro europeu passam por cima de um outro fato histórico muito significativo. A guerra deslanchada por Hitler em setembro de 1939, ao invadir a Polônia, não teria sido possível sem a assinatura prévia, em Moscou, no dia 26 de agosto daquele ano, do Pacto Ribbentrop-Molotov, de não agressão entre a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista, sem o qual Hitler não teria iniciado a sua guerra de agressão. Relembre-se ainda que, um protocolo secreto anexo ao Pacto, dividia a Polônia entre os dois poderes totalitários, tendo a URSS invadido a Polônia pela sua fronteira oriental poucas semanas depois. 

Durante dois anos, de setembro de 1939 a junho de 1941, a União Soviética forneceu à Alemanha nazista alimentos, minerais, combustíveis e equipamentos, os quais foram usados por Hitler para subjugar as democracias da Europa ocidental, em novas guerras de agressão devastadoras. A União Soviética já abastecia amplamente a Alemanha da República de Weimar desde os anos 1920, dois países à margem dos sistemas de segurança da Liga das Nações, e continuou o fazendo sob a Alemanha dominada por Hitler, mesmo quando a doutrina oficial da nação comunista era a luta antifascista. A cooperação mútua, bem mais proveitosa à Alemanha nazista do que à URSS, teria continuado, se Hitler não tivesse traído o Pacto de Não Agressão e lançasse a Operação Barbarossa, em junho de 1941. 

A “pátria do socialismo” não teria sobrevivido aos terríveis ataques da Wehrmacht se não fosse pela maciça ajuda das duas grandes democracias unidas nas Nações Aliadas, Estados Unidos e Reino Unido, que vieram em socorro da URSS nos momentos de maior perigo e durante toda a contraofensiva a partir de 1943. Em outros termos, não se pode esquecer que foram as democracias ocidentais que permitiram à União Soviética fazer frente ao poderio da Alemanha nazista em sua “Grande Guerra Patriótica”.

Registre-se que a doutrina jurídica da diplomacia brasileira, mesmo durante a vigência do Estado Novo, de notórias simpatias pelos fascismos europeus (até pelo menos 1942), repudiou a invasão armada da Alemanha nazista contra a Polônia em 1939, e instruiu seu ministro (embaixador) na legação em Varsóvia a seguir o governo polonês no exílio. Da mesma forma, o Estado Novo, e depois a República de 1946, nunca aceitou a usurpação territorial soviética contra os três estados bálticos, Estônia, Lituânia e Letônia (com os quais mantínhamos relações diplomáticas desde 1921), e continuou não aceitando a usurpação de suas soberanias até 1961, quando o Presidente Jânio Quadros restabelece relações diplomáticas com a URSS. 

O Brasil votou na ONU contra a usurpação territorial do Kuwait, invadido pelo ditador Saddam Hussein em 1990, e sua diplomacia sempre acatou os princípios fundamentais do Direito Internacional durante toda a vigência do sistema da ONU desde 1945. O primeiro distanciamento dessa doutrina jurídica da diplomacia brasileira ocorreu sob o governo Dilma Rousseff, quando forças não identificadas, mas distintamente russas, invadiram e anexaram ilegalmente a península ucraniana da Crimeia, em fevereiro de 2014; vários países membros, de acordo a dispositivos da Carta da ONU, condenaram a usurpação russa do território de um país soberano, mas o governo Dilma Rousseff mostrou-se totalmente indiferente ao assunto. Até o governo Donald Trump, no seu primeiro mandato, repudiou a invasão e confirmou, pela voz do seu Secretário de Estado, que os Estados Unidos não reconheciam a Crimeia como sendo pertencente à Federação Russa.

Em 2022, pouco antes da invasão da Ucrânia por tropas das Forças Armadas da Rússia, o Presidente Jair Bolsonaro, contra as recomendações do Itamaraty, efetuou uma visita a Putin, durante a qual se declarou “solidário” ao país, tendo ao mesmo tempo mantido e aumentado as importações brasileiras de fertilizantes e de combustíveis russos, a despeito de depois condenar, mas apenas formalmente, a guerra de agressão iniciada em 24 de fevereiro daquele ano, por meio do acatamento a uma resolução da Assembleia Geral, na qual não discriminava o país agressor e apenas recomendava uma solução pacífico ao conflito “entre as partes”, como se elas fossem equivalentes. O governo Lula agravou o desrespeito pelo Brasil das normas mais elementares do Direito Internacional, e da própria Carta da ONU, e não vir em socorro a parte agredida, tendo, ao contrário, elevado extraordinariamente as importações brasileiras de fornecimentos russos, demonstrando objetivamente o seu apoio ao agressor. 

Durante os três anos de guerra, o governo Lula não demonstrou qualquer solidariedade à parte agredida, tendo acatado diversas das teses russas sobre as origens do conflito e possíveis soluções propostas a um cessar fogo, todas elas contrariando disposições da Carta da ONU e diferentes instrumentos do direito internacional humanitário. Ao contrário, tendo já sido expedido mandado de busca e apreensão contra o presidente Vladimir Putin, pelo Tribunal Penal Internacional, do qual o Brasil é membro fundador, o presidente Lula manifestou abertamente sua contrariedade pelo fato de não poder acolher o presidente russo na reunião de cúpula do G20 realizada no Brasil em novembro de 2024, tendo mesmo efetuado tentativas de acolhê-lo no Brasil sem ter de acatar as obrigações estabelecidas no Estatuto de Roma.

Uma eventual viagem do presidente a Lula a Moscou, num dos momentos mais cruéis da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, confirmaria, para vergonha da doutrina jurídica da diplomacia brasileira, um apoio confirmadamente objetivo à potência agressora, contrariando até mesmo as cláusulas de relações internacionais constantes do artigo 4º da Constituição brasileira de 1988.


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4904, 24 abril 2025, 3 p.

Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/04/a-inaceitavel-viagem-de-lula-moscou.html).

BDM Matinal Riscala 0505

 _Caros amigos, bom dia!_

_Iniciamos as transmissões do BDM Online com o BDM Morning Call, que traz as expectativas da pré-abertura._


*BDM Morning Call: Petróleo afunda em semana do Fed e Copom*


[05/05/25] A possibilidade de um acordo entre EUA e China e a decisão da Opep+ de aumentar a produção em 411 mil bpd, que afunda os preços do petróleo, trazem alívio ao cenário global de fundo na semana em que o Fomc e o Copom decidem sobre juros. Em NY, é unânime a expectativa de manutenção das taxas dos Fed Funds entre 4,25% e 4,5%, nesta superquarta, transferindo o suspense para a entrevista de Powell. Aqui, o BC volta a subir a Selic, em ajuste de menor magnitude já contratado. A dose do aumento não é consenso, embora a maioria acredite em meio ponto, com a taxa básica elevada a 14,75%. Outra dúvida é se o Copom vai sinalizar, ou não, o encerramento do ciclo de aperto. Na B3, ganha ritmo a temporada de balanços do 1Tri, com destaque esta semana para Itaú, Bradesco e Ambev. *(Rosa Riscala)*


_Leia o BDM Morning Call na íntegra acessando o link_

www.bomdiamercado.com.br

sábado, 3 de maio de 2025

Formalização

 Fala galera, bom tarde!

Criei um Substack ontem e resolvi postar um texto introdutório que pode servir de ajuda para muita gente que encontra barreiras na linguagem mais formalizada da economia. Nele passo pelos três tipos principais de provas com alguns exemplos e referências no final.

Caso vocês queiram me dar um _feedback_, ficaria muito feliz. Espero que seja de utilidade para quem estiver com alguma dificuldade em matérias que envolvam formalização.


https://substack.com/@beniciomotta/note/p-162764525

Adriana Cotias

 Com revolução na distribuição, brasileiro muda forma de investir


Estabilização monetária, avanço regulatório e plataformas digitais democratizam acesso a produtos financeiros mais sofisticados


Por Adriana Cotias — De São Paulo 30/04/2025 05h06 Atualizado há 2 dias



Há 25 anos, os fundos de investimentos reuniam menos de R$ 300 bilhões, concentrados nos grandes bancos, a poupança acumulava pouco mais de R$ 100 bilhões e ainda não existia o sistema de compra e venda de títulos públicos pela internet, o Tesouro Direto, nem a miríade de papéis de crédito com benefício fiscal para a pessoa física. Hoje, as cifras impressionam. Os fundos têm R$ 9,4 trilhões; a poupança, R$ 1 trilhão; o Tesouro Direto, R$ 164 bilhões e os títulos de crédito privado incentivados, R$ 1,2 trilhão.


Na antiga BM&FBovespa, o número de pessoas físicas que negociava ações nos primórdios do “home broker” era inferior a 100 mil. Agora, a companhia que resultou das fusões das duas bolsas mais a Cetip, o balcão de negociação de títulos privados, se chama B3 e reúne mais de 6 milhões de CPFs.


Se lá atrás os bancos dominavam sozinhos o bolso do brasileiro com perfil poupador, progressivamente novos atores passaram a dividir esse palco. Surgiram as plataformas de investimentos e os agentes autônomos como concorrentes para os bancos e os gerentes. Após 2010 esse cenário começou a ganhar corpo para efetivamente se expandir da metade da década passada em diante.


 

Com a concorrência, ganhou o investidor que passou a poder acessar fundos e produtos antes só disponíveis para a altíssima renda e viu os custos de entrada caírem também. Além disso, os próprios bancos passaram a contar com a chamada “arquitetura aberta”, ou seja, oferecer produtos de terceiros independentes em suas prateleiras.


A desmutualização das bolsas, cujas participações eram das corretoras, foi o primeiro caminho para a disrupção da distribuição e que possibilitou o surgimento das plataformas de investimentos digitais de varejo, como a XP, outras mais institucionais, diz Gilson Finkelsztain, presidente da B3. Esse processo, vale lembrar, veio na esteira de um boom de novas empresas chegando à bolsa em meados dos anos 2000. Com o Brasil em ascensão entre os investidores, foram cinco anos consecutivos de alta da bolsa, entre 2003 e 2007, o que levou os brasileiros a também se animar a investir em ações.


Do lado da bolsa houve o preparo da infraestrutura para aguentar crises, o pregão viva-voz foi encerrado em 2005 e os investimentos em tecnologia, amplificados para suportar volumes crescentes de negociação.


As discussões sobre níveis de transparência corporativa foram institucionalizadas e o investidor passou a ter acesso a uma nova linhagem de produtos, continua o executivo da B3. Ele cita a criação do Tesouro Direto, que nos primeiros dez anos cresceu timidamente; não competia com a poupança, mas hoje é o lugar de reserva das novas gerações. Com a fusão da BM&F e da Bovespa e a aquisição da Cetip, a bolsa deixa de ser um lugar cativo da renda variável para abarcar instrumentos híbridos e de renda fixa.


“Estruturalmente, o Brasil continua sendo o país da renda fixa. A classe tem protagonismo porque a economia roda com taxas de juros reais mais elevadas do que a média do mundo desenvolvido”, diz Finkelsztain. Ele vê espaço, contudo, para ações, fundos imobiliários, de índice (ETF) e recibos de ações estrangeiras (BDR) ganharem participação no patrimônio da pessoa física. Só em fundos imobiliários são 2,3 milhões de CPFs.


No home broker, se no passado, o acesso partia de R$ 5 mil a R$ 10 mil, hoje a média inicial é de R$ 200. Até em contratos derivativos o brasileiro se versou, com os míni contratos de dólar e de Ibovespa representando de 30% a 40% das transações na B3, em linha com as bolsas de mercados mais desenvolvidos


Desde o advento da internet, começou a se esboçar a ideia dos “supermercados” de investimentos, na virada do século, mas eles demoraram a decolar. Carlos Constantini, membro do comitê executivo e diretor responsável pela divisão de gestão de riqueza e serviços do Itaú Unibanco, lembra que o próprio Unibanco, antes da fusão com o Itaú, tentou criar um, com a aquisição do Investshop do antigo banco Bozano, Simonsen. Havia fundos com aplicação mínima de R$ 50 e outras “coisas revolucionárias para a época”, lembra Constantini, que começou a carreira como analista de ações na instituição.


Com a semente original plantada com o controle da inflação no Brasil, os avanços da tecnologia e a modernização do ambiente regulatório, o mercado de investimentos pôde florescer, diz o executivo. Ele lista a criação do Tesouro Direto, as melhorias na governança corporativa com o Novo Mercado e a habilitação de classes como fundos imobiliários, de previdência e dos títulos isentos como marcos dessa construção gradual.


Conforme enumera Constantini, de 1996 a 2003, foram quatro IPOs na bolsa, saltando para mais de uma centena entre 2003 e 2011. Em 2007, no famoso ano das aberturas de capital, foram 64 ofertas. O número de investidores pessoas físicas na bolsa cresceu progressivamente, e o brasileiro ganhou alternativas.


“Isso tudo significa a profissionalização do mercado de investimentos”, afirma o executivo do Itaú. “Em qualquer recorte que fizer, a gente vai encontrar a evolução em paralelo ao amadurecimento do ambiente regulatório no Brasil, a autorregulação fazendo o ‘catch up’, dando o caldo, as condições, seja para a pessoa física, seja para o institucional, um puxando o outro, e favorecendo o mercado de investimentos.”


Ele acrescenta que, no caminho para uma oferta de produtos de terceiros mais ampla, o exercício do dever fiduciário segue como pedra fundamental, mas que o Itaú aprendeu a não eliminar as opções de escolha do cliente.


“O banco tinha uma arquitetura aberta que passava por um filtro de curadoria rígida e percebeu ao longo do tempo que dava para ser menos rígido, desde que trouxesse os riscos às claras.”


Foi com essa capacidade de juntar times e culturas e se reinventar que o Itaú conseguiu manter participação de mercado relevante, com quase 30% no segmento de private banking, de grandes fortunas, sem incluir as operações “offshore”, e de 20% no varejo. No fim de 2024, contabilizava R$ 3,3 trilhões em ativos sob custódia.


Enquanto não havia a estabilização monetária, o investidor só jogava na defesa, ganhava dinheiro no “overnight”, diz o ex-secretário especial do Tesouro e do Orçamento Bruno Funchal, hoje executivo-chefe (CEO) da Bradesco Asset Management. Foi a combinação de avanços estruturais com ciclos de crescimento favoráveis que permitiu que o Brasil chegasse a cifras trilionárias nos mais diversos produtos.


Ele cita a redução de subsídios dos bancos públicos e o fim da TJLP como um divisor de águas que permitiu que o mercado de capitais prosperasse, carregando junto o de investimentos. As emissões de dívida corporativa decolaram e até o mercado secundário de crédito ganhou profundidade.


De 2000 a 2010, anos de crescimento da economia, começou a haver uma lógica para a indústria de gestão de recursos de terceiros. A regulamentação da CVM para os fundos abertos condominiais data de 2004, mas como os juros seguiram altos, eram os produtos de renda fixa, de menor risco, que povoaram o mercado no início, lembra Funchal.


Foi a partir da segunda metade da década que começou a haver alguma diversificação, com fundos multimercados e de ações e o número de assets se multiplicando. No ciclo de crescimento seguinte, entre 2010 e 2015, o acesso foi amplificado para além dos bancos. “Houve a universalização para produtos muito diferentes e a indústria de fundos foi protagonista. Chegam as plataformas e há um rearranjo estrutural do mercado.”


Entre as plataformas, a primeira a conseguir efetivamente quebrar a barreira da distribuição foi a XP Investimentos, fundada por Guilherme Benchimol. Montada primeiro num escritório em Porto Alegre (RS), a XP Inc. é uma empresa listada na bolsa americana Nasdaq desde o fim de 2019 e reúne hoje cerca de R$ 1,25 trilhão em ativos de clientes na sua custódia. Pelos dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ao fim de 2024, o total investido pela pessoa física era de quase R$ 7,3 trilhões. “Quando comecei, em 2001, era muito inconsequente e ignorante. O Brasil tinha umas 20 mil, 30 mil pessoas que investiam na bolsa. A XP começou num momento em que não havia a figura do agente autônomo, não existia um mercado de capitais ativo e a concentração bancária de investimentos era 99,5%, com os juros na faixa dos 20% [ao ano]”, diz Benchimol. “Nos últimos 24, 25 anos, teve mais momentos instáveis do que de euforia”, lembra, com os anos de bonança coincindindo com “governos mais austeros”, com a inflação sob controle, o câmbio relativamente estável e um ambiente pró-tomada de risco, refletindo a confiança dos investidores. Ele diz que até 2010 “ era uma corretora de renda variável filhote do ‘bull market’ [mercado comprador] daquele período, entre 2003 e 2007”. Depois começou uma consolidação mais consistente


A trajetória da XP atraiu o interesse de vários escritórios de assessoria que também se transformaram em negócios bilionários, conectados à plataforma, e depois a outras que decidiram usar o canal externo de distribuição, como BTG Pactual, Genial e Safra.


Uma questão que sempre assombra o mercado de investimentos neste 25 anos é a do juro alto. Desde a estabilização monetária do Plano Real, em 1994, o país convive com juros nominais médios de 12,5% e reais na casa dos 6,5%. “Isso traz uma questão cultural que na minha opinião é transformadora no mau sentido; a sociedade fica ‘preguiçosa’, acostumada a investir o dinheiro com muita liquidez sem correr risco”, diz Benchimol. “No Brasil, o investimento mais conservador do mundo, um CDB ou um título público, foi sempre espetacular. Isso mata o nosso futuro. Por que vai investir em ações, alongar por 10, 20 anos, empreender, se pode ganhar inflação mais 6,5% ao ano sem fazer nada?”


Os bancos, por seu lado, também abriram as suas plataformas para produtos de terceiros. Outros movimentos de consolidação enfileirados pelo Itaú - Banco Francês e Brasileiro, BankBoston e as operações de varejo do Citi no Brasil - já tinham como alvo o público de alta renda, com perfil investidor. A aquisição da americana Avenue Secuirities, fundada pelo brasileiro Roberto Lee, é mais um capítulo dessa história, diz Constatini, do Itaú


A grande revolução ainda não terminou, diz Carlos André, presidente da Anbima. Ele afirma que está em curso o processo de “empoderamento” do investidor, com a abordagem de produtos dando lugar à centralidade do cliente na relação. “O que se viu nos últimos 25 anos, seja a maior democratização do mercado de investimentos, seja o surgimento de novos players e modelos de negócios com as plataformas de distribuição e reinvenção de parte dos bancos em como servir os clientes, na prática, tudo isso gira em torno dessa constatação”, afirma André. “Os agentes tiveram que repensar e montar negócios a partir das necessidades do cliente e não o contrário, como o mercado financeiro foi construído 10, 15 anos atrás.” A tecnologia acelerou tudo.


Pelo lado dos bancos, houve a percepção da importância de diversificar fontes de receita que não consomem capital, diferentemente do crédito. É saudável arrecadar tarifas e outras comissões, diz. Ao mesmo tempo, quando o investidor tem seus recursos com determinada instituição, ele é mais fiel. Os próximos 25 anos começam novamente sob a égide do juro alto e de grandes mudanças tecnológicas, com a Inteligência Artificial (IA). Mas o investidor parte de um ponto muito diferente, com mais opções



https://valor.globo.com/google/amp/25-anos/noticia/2025/04/30/com-revolucao-na-distribuicao-brasileiro-muda-forma-de-investir.ghtml

Leitura de sábado

 *Leitura de Sábado: Privatizações e gestões pró-mercado impulsionam estatais estaduais em 2025* Por Camila Vech São Paulo, 07/01/2026 - O a...