segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

BDM Matinal Riscala 3012

 Dino abre exceções para emendas | BDM

www.bomdiamercado.com.br
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[30/12/24]

… Com queda próxima de 10% no acumulado do ano, o Ibovespa tem hoje o seu último pregão de 2024, enquanto NY ainda opera amanhã, embora em horário reduzido para os Treasuries, na véspera de Ano Novo. Nesta semana entrecortada pela virada para 2025, dados da indústria são destaque da agenda internacional, na China, nos EUA e na Europa. Aqui, apesar de o Tesouro ter adiado a divulgação dos números do Governo Central de novembro para a metade de janeiro, o BC confirmou que informará hoje o resultado consolidado das contas do setor público em novembro, às 8h30. Mais do que na agenda, porém, o foco do mercado continua concentrado na crise das emendas. Neste domingo, o ministro Flávio Dino (STF) liberou parcialmente as verbas, mas atacou a “balbúrdia” no Orçamento.
… Ele manteve suspenso o pagamento das emendas parlamentares, porém abriu exceções para os repasses para a Saúde e emendas de comissão empenhadas até o último dia 23, data em que havia bloqueado as emendas.

… Mesmo com a liberação parcial, o ministro manteve as críticas sobre o tema. “Verifico o ápice de uma balbúrdia quanto ao processo orçamentário”, escreveu, reiterando a “nítida” necessidade de investigação pela PF.
… Dino afirmou que o processo legal orçamentário não comporta a “invenção” de tipos de emenda sem suporte normativo. “Não existem emendas de líderes”, disse, considerado inconstitucional a prática do apadrinhamento.
… Ele rejeitou as alegações enviadas pela Câmara na noite de 6ªF para o empenho de R$ 4,2 bi em emendas, apontando “inconsistência”, “contradição” e “nulidade insanável” no ofício encaminhado pelo Congresso.
… “É inviável sua acolhida. O Poder Executivo fica definitivamente vedado de empenhar o que ali consta.”
… Como o mercado vai repercutir a decisão de Dino, é o que se verá hoje, no pregão esvaziado.
… Se por um lado, o ministro amoleceu nas exceções, por outro, continua em pé de guerra no discurso com o Legislativo, mantendo o impasse e o embate institucional que traz cautela redobrada aos investidores.
… Diante da preocupação do Planalto com a governabilidade no próximo ano, Lula teve na 6ªF um encontro fora da agenda oficial com o futuro presidente da Câmara, Hugo Motta, um dia depois de ter se reunido com Lira.
… Renata Agostini/O Globo informou que o convite de Lula a Motta teve como objetivo deixar claro que não há “jogo combinado” com o STF na polêmica das emendas e que o governo tem interesse numa saída negociada.
… A crise das emendas eleva a incerteza sobre a aprovação do Orçamento/2025, quando o Congresso retornar aos trabalhos, em fevereiro. O relator do texto, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), admite que a situação está “delicada”.
… Após a Câmara reclamar que o foco de Dino no caso das emendas de comissão estava concentrado na Casa, o ministro do STF incluiu também o Senado nos questionamentos sobre a execução de parte dos recursos bloqueados.
… Ele deu prazo de dez dias úteis para os senadores se manifestarem. Os deputados se queixavam que lideranças do Senado também assinaram ofício para pedir liberação das verbas sob suspeita na Corte, mas não foram cobrados.
… Como o fiscal no topo do estresse, a Fazenda negou neste domingo que novas medidas de corte de gasto estejam sendo elaboradas pela equipe econômica. O esclarecimento enviado à imprensa se refere a reportagem de O Globo.
… Segundo a apuração do colunista Lauro Jardim, para tentar aplacar o mau humor dos mercados com o pacote de ajuste fiscal, novas medidas de ajuste estariam aguardando o aval do presidente Lula para divulgação.
… “O Ministério da Fazenda informa que não há novas medidas elaboradas. Logo, nada foi apresentado ao presidente da República. Portanto, não há resposta sendo aguardada”, disse a pasta do ministro Haddad.

🇧🇷 Daniel Domingues:
… Ainda neste domingo, dois dias após oficializar um fundo de R$ 6,5 bilhões para a reconstrução do Rio Grande do Sul, o governo editou duas medidas provisórias com crédito extraordinário de R$ 525,71 milhões para o Estado.
… As despesas que serão executadas ficarão fora do limite de gastos estabelecido pelo novo arcabouço fiscal e também da meta fiscal, já que se trata de uma calamidade pública, depois das enchentes do primeiro semestre.
MAIS AGENDA – A mediana do mercado em pesquisa Broadcast indica déficit primário de R$ 6,855 bilhões nas contas do setor público consolidado de novembro (8h30), revertendo o saldo positivo de R$ 36,883 bi em outubro.
… As estimativas para esta leitura, todas de déficit, variam de R$ 11,70 bilhões a R$ 4,40 bilhões.
… O BC manteve a divulgação do dado, apesar do atraso do Tesouro no resultado das contas do Governo Central, que estava inicialmente previsto para a última 6ªF, mas foi adiado em cerca de duas semanas, para 15 de janeiro.

… O adiamento ocorre devido à mobilização dos auditores fiscais da Receita, em greve por tempo indeterminado.
… Ainda hoje, como de hábito, sai o boletim Focus (8h25), que vem repetidamente exibindo acentuada piora na percepção dos economistas e analistas de mercado sobre a inflação, o câmbio e as projeções para a Selic.
… Na 6ªF, apesar de o IPCA-15 de dezembro ter perdido ritmo (abaixo), a inflação de serviços acelerou, reforçando a tendência de o Copom levar adiante o plano de subir a Selic em 1 ponto em cada uma das duas próximas reuniões.
… Confirmando as projeções do RTI de melhora nas condições climáticas, ainda na 6ªF, a Aneel anunciou a bandeira tarifária verde para janeiro. Dessa forma, não haverá custo adicional na conta de luz no primeiro mês de 2025.

LÁ FORA – A semana mais curta começa com indicadores de atividade econômica. Nos EUA, saem hoje o PMI medido pelo ISM/Chicago em dezembro (11h45) e as vendas pendentes de imóveis em novembro, ao meio-dia.
… O PMI/ISM industrial sai na 6ªF. Este mesmo dado, calculado pela S&P Global, será informado na 5ªF na zona do euro, Alemanha e Reino Unido. Hoje à noite (22h30), a China solta o PMI oficial de industrial e serviços (dezembro).
… A leitura final do PMI da indústria chinesa medido pelo setor privado será informada na 4ªF à noite.
PANELA DE PRESSÃO – Num mercado já conturbado pela crise das emendas e o risco fiscal, uma cesta de dados de inflação e emprego mostrou na 6ªF que o Copom deve, no mínimo, manter o plano de voo na política monetária.
… A perspectiva de Selic alta adicionou mais uma rodada de pressão aos juros futuros e aos dólar.
… O IPCA-15 de dezembro subiu 0,34%, abaixo do 0,45% esperado e do 0,62% em dezembro, mas com leitura qualitativa ruim: serviços e núcleos pressionados.
… Alexandre Maluf (XP) chamou atenção para duas métricas observadas pelo BC que pioraram de forma expressiva. A média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada dos serviços subjacentes saltou de 5% para 8,1%.
… No mesmo critério, o subgrupo dos serviços intensivos em mão de obra acelerou de 4,7% para 5,9%.
… Já o IGP-M, principal indicador da inflação no atacado, desacelerou para 0,94% de dezembro, de 1,30% em novembro. Mas “mostra que muita inflação deve chegar ao varejo ainda”, avaliou Nicolas Borsoi (Nova Futura).
… O indicador ficou abaixo da mediana das estimativas, de 1,07%, e encerrou 2024 com alta de 6,54%.
… Enquanto isso, o mercado de trabalho apertado adiciona pressão sobre a inflação de serviços. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego no trimestre até novembro caiu a 6,1%, a menor da série iniciada em 2012.
… No Caged, o saldo de emprego formal cedeu a 106.625 postos, abaixo dos 125 mil esperados. Ainda assim, mostrou um mercado forte, indicando uma geração de 1,8 milhão de empregos neste ano.
… Ainda sem trégua no noticiário sobre as emendas, os juros curtos voltaram a incorporar prêmio de risco.

… O DI para Jan26 até subiu menos que os demais, ainda assim, avançou a 15,435%, de 15,37% na sessão anterior.
… O Jan/27 foi a 15,855% (de 15,637% na véspera), Jan/29 a 15,625% (de 15,274%); o Jan/31, a 15,370% (de 15,100%); e Jan/33, a 15,110% (de 14,850%).
… Num dia de queda geral das moedas emergentes em meio a dados fracos da indústria chinesa, o real não ficou atrás, influenciado ainda pelas remessas ao exterior de lucros e dividendos e a briga da ptax.
… No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,22%, a R$ 6,1931. Na semana, subiu 1,99%.
FIRME NA QUEDA – Com o clima abatido pela disputa entre STF e Congresso e pela escalada sem freios dos juros, o Ibovespa fechou em baixa de 0,67%, aos 120.269,31 pontos. Na semana, perdeu 1,50%.
… E num 2024 praticamente perdido, faltando apenas um dia de negócios, a queda acumulada chegou a 10,3%.
… Sem ajuda do minério, Vale caiu 0,49% (R$ 54,74), acumulando perda de 23% do ano até agora.
… Mas Petrobras, nem com o benefício da alta do barril conseguiu firmar alta. ON baixou 1,12% (R$ 38,84) e PN cedeu 0,31% (R$ 35,66). O Brent/fev subiu 1,24%, a US$ 74,17, diante da forte queda nos estoques dos EUA.
… Os bancos recuaram, realizando lucro sobre a = véspera. Itaú registrou -1,00%, a R$ 30,78, na mínima; Bradesco PN, -0,77%, a R$ 11,55; Bradesco ON, -0,75%, a R$ 10,65; Santander, -0,59%, a R$ 23,63, e BB, -0,37% (R$ 24,11).
…. Cíclicas foram mal. Vamos teve baixa de 7,17%, a R$ 4,66, e foi acompanhada por Carrefour (-4,62%; R$ 5,37) e LWSA (-3,30%; R$ 3,22).
… Brava Energia foi a maior alta do dia (+10,64%; R$ 22,57), embalada pela autorização da ANP para a retomada da produção no campo de Papa-Terra. Petz teve elevação de 3,75% (R$ 4,15) e Automob subiu 2,94% (R$ 0,35).
SELL OFF DE ANO NOVO – Numa 6ªF sem indicadores e catalisador específico para os negócios, as bolsas de NY entraram em modo de realização de lucro capitaneada pelas Sete Magníficas. Todas caíram.
… O baixo volume de negócios, típico da época do ano, exagerou o movimento dos índices que, no entanto, fecharam a semana do feriado do Natal com saldo positivo, muito por causa da forte performance de 3ªF passada.
… O Dow Jones fechou com queda de 0,77%, aos 42.992,21 pontos. O Nasdaq perdeu 1,49% (19.722,03), o S&P 500 terminou em baixa de 1,11% (5.970,84). Na semana, os índices subiram 0,35%, 0,78% e 0,67%, respectivamente.
… “Houve bastante realização em todos os setores”, disse Michael Reynolds (Glenmede). “Estamos há mais de dois anos em alta bastante forte. Então, não surpreende ver um reequilíbrio de portfólios antes do ano novo”.
… Nvidia caiu 2,03%, com notícias de que seus chips foram usados por startup chinesa para treinar um modelo de IA de ponta. Tesla recuou 4,95%; Apple, -1,30%; Alphabet, -1,45%; Amazon, -1,44%; Meta, -0,59%; e Microsoft, -1,72%.
… As ações também têm sido pressionadas pela alta contínua dos juros dos Treasuries ao longo das últimas semanas, em meio à expectativa de políticas inflacionárias na gestão Trump 2.
…  Não foi diferente na 6ªF. Depois de atingir o maior nível em sete meses na véspera, o retorno da note de 10 anos avançou a 4,627% (de 4,5777%).
… O juro da note de 2 anos subiu a 4,3262% (de 4,3231%) e o do T-bond de 30 anos, a 4,8145% (de 4,7644%).
… Sem fôlego, o índice dólar (DXY) caiu 0,12%, a 108,129 pontos. A libra esterlina avançou 0,40%, a US$ 1,2578. O euro ficou estável em US$ 1,0428 (+0,07%), assim como o iene (+0,06%), a 157,855/US$.
EM TEMPO… A presidente da PETROBRAS, Magda Chambriard, afirmou neste domingo em entrevista ao Canal Livre, na Band News, que a sua relação com Lula “é muito boa” e que ele “quer saber tudo o que se passa na companhia”…
… Segundo Magda, a empresa continua tendo lucro depois de “abrasileirar” os preços dos combustíveis. Ela lembrou  que o diesel já está há um ano e meio sem reajuste e que a gasolina está há meses sem mudança…

… A presidente da Petrobras ainda defendeu mais uma vez a exploração na Margem Equatorial brasileira e se disse otimista em conseguir a licença ambiental do Ibama para perfurar o poço FZA-M-59.
BB. A S&P Global manteve o rating de crédito do banco em “BB”, em perspectiva estável na escala global. Em âmbito nacional, o banco também tem perspectiva estável, classificado como “brAAA”.
SÃO MARTINHO. No encerramento da moagem da safra 2024/25, companhia processou 21,79 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,7% inferior ao guidance divulgado em novembro…
… Entretanto, a empresa destacou avanços no mix de produção voltado para o açúcar, aproveitando condições de mercado mais favoráveis.
OI celebrou, junto à IHS Brasil, contrato de Cessão de Infraestruturas para venda e transferência de unidade produtiva isolada (UPI), composta por 100% das ações de emissão da SPE Imóveis e Torres Selecionados.
VITTIA FERTILIZANTES aprovou a distribuição de R$ 2,451 milhões em JCP, a R$ 0,016 por ação. Ex em 06/01/25.
BOEING. Duas aeronaves da fabricante estiveram envolvidas em acidentes em menos de 24 horas neste fim de semana…
… Além da queda de uma avião na Coreia do Sul, com 179 mortos, um Boeing 737-800, da KLM, teve que fazer um pouso de emergência no aeroporto de Sandefjord (Noruega), após sofrer uma falha hidráulica…
… As ações da Boeing acumulam queda de 31% neste ano. Em janeiro, um tampão de porta de emergência explodiu em um jato 737 MAX 9. Esse acidente foi relacionado à baixa qualidade de fabricação.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

domingo, 29 de dezembro de 2024

Mais Guzzo

 Grande Guzzo!


“O ano de 2024 se encerra com o Brasil atolado na pior situação que viveu, em matéria de respeito às liberdades individuais e aos direitos humanos, desde o fundo do poço da ditadura militar. O ano de 2024 começou mal; está acabando ainda pior, pois nada do que podia melhorar na “democracia” no Brasil melhorou, e quase tudo que podia afundar mais afundou. O resumo da ópera, para quem não tem paciência com palavrório de analista político, é o seguinte: o saldo de 2024 é que o Brasil não tem mais uma Constituição, nem aquela marca barbante que vem caindo pelas tabelas desde 1988. Em lugar de Constituição, tem um inquérito policial.


É essa a nossa lei máxima há quase seis anos, desde que foi imposta aos brasileiros pelo STF: o inquérito sem data para acabar, sem limites para o que pode fazer e sem esperanças para as suas vítimas (pois não há ninguém acima para o cidadão recorrer), que o ministro Alexandre de Moraes comanda para reprimir a oposição ao regime Lula-Supremo. Nenhuma lei brasileira tem mais força que esse procedimento de delegacia de polícia. 


Nada do que Moraes ou seus agentes decidem ali pode ser contestado por ninguém. Nenhuma autoridade pública do Brasil manda mais do que ele. Nenhum cidadão ou seus advogados podem exigir que os direitos constitucionais a que fazem jus sejam respeitados por Moraes e por sua Polícia Federal.


Essa lei suprema, que jamais foi discutida, votada ou aprovada por Congresso Nacional algum, acaba de ser “prorrogada” por mais “seis meses” – ou seja, até anúncio oficial em contrário, está aí para sempre. O presidente do Supremo, molemente, murmurou tempos atrás que o inquérito iria ser encerrado este ano. Não foi. No Brasil, o ano de 2024 já acabou e Moraes não tomou conhecimento do que o presidente do STF disse. Na verdade, na única vez que falou de datas para o encerramento do inquérito, ele disse o seguinte: “Acaba quando acabar”. Não voltou mais ao assunto.


O inquérito ilegal que governa o Brasil de 2024, como o AI-5 governava a ditadura dos militares, se move no escuro. Nada é feito em público e à luz do sol, como a lei exige – tudo se faz em “segredo de Justiça”, sem que os indiciados saibam do que estão sendo acusados, sem que os advogados possam ler o que a polícia não quer que leiam e sem que o Congresso Nacional tenha qualquer possibilidade de fiscalizar nada. Nesse inquérito há o flagrante perpétuo, a prisão preventiva por tempo indeterminado e o julgamento por lotes, como se faz em leilão de gado. O cidadão pode ser punido por falar o que ainda não falou. Podem bloquear sua conta no banco, proibir você de falar no WhatsApp e confiscar seu passaporte.


O inquérito de Alexandre de Moraes, enfim, pode tudo – se pode condenar pessoas a 17 anos de cadeia sob a acusação de tomar parte num “golpe armado” onde as armas mais perigosas eram estilingues e bolas de gude, é óbvio que não há limite para nada. É óbvio, também, que nem o ministro, nem seus colegas e nem qualquer força que os apoie têm o mais remoto interesse em defender democracia nenhuma. O que querem é chegar ao fim de 2025 numa ditadura mais avançada do que a que construíram até agora.”

JR Guzzo

 DEPRAVAÇÃO LEGAL

Por J.R. Guzzo

28/12/2024 

“O Brasil fecha 2024 vivendo o que possivelmente tem sido o mais vicioso período de supressão de seus direitos civis já registrado desde o AI-5 da ditadura militar. É, também, o mais longo e mais neurótico rompimento da vida política, moral e cultural do País com a realidade elementar. Há quase seis anos o Brasil não tem uma Constituição. Em vez disso, tem um inquérito policial como a sua lei máxima – e contra o qual não é possível recorrer a nada e a ninguém, nunca. Chamam isso de democracia.


O pedaço de papel com que os generais impuseram a sua ditadura ao País dizia, basicamente, que nenhum ato do governo estava mais sujeito à apreciação de ninguém, a começar pela justiça. O AI-5 de hoje estabelece que nenhum ato do STF, e sobretudo do ministro Alexandre de Moraes, está sujeito a qualquer tipo de controle, de contestação ou de reforma. Tanto faz se esses atos violam a legislação brasileira em vigor: é o STF quem resolve o que a lei está dizendo, mesmo quando diz o contrário.


A Constituição hoje em vigor do Brasil é o inquérito policial 4781 do STF – uma depravação legal criada no dia 14 de março de 2019 pelo ministro Dias Toffoli, para ocultar a publicação de suspeitas de corrupção a seu próprio respeito, e entregue desde então à execução do ministro Moraes. O STF não é uma delegacia de polícia; por lei, não pode abrir investigação nenhuma. A partir daí, só ficou pior. O inquérito tornou-se perpétuo – acaba, aliás, de ser prorrogado por mais seis meses. Não tem objetivo determinado; investiga tudo. É tocado em sigilo. Não respeita o direito de defesa, nem o Código Penal.


Em nenhum minuto, desde que foi aberto, o inquérito 4.781 teve alguma coisa a ver com a defesa da democracia. Começou como uma gambiarra para censurar a revista Crusoé, proibida de publicar as denúncias contra Toffoli. Passou a reprimir fake news, “desinformação”, atos antidemocráticos, as vacinas de Bolsonaro, conversas de WhatsApp, discursos na Câmara, a condenação ilegal de um deputado, o batom na estátua (“substância inflamável”), o Golpe dos Estilingues e tudo o que existe sob o sol. Hoje é o principal instrumento de trabalho da ditadura do Judiciário no Brasil.


Não há, nunca houve e não haverá nenhuma boa intenção no inquérito de Moraes e Toffoli. O que há é um espetacular exercício de hipocrisia por parte da esquerda, das elites intelectuais e das gangues políticas que mandam no Congresso Nacional para ocultar um câncer em metástase. É o regime de exceção que está sendo criado clandestinamente no Brasil, com juras diárias à “defesa da democracia”, em público – e com a armação de uma tirania na vida real.”

Paulo Guedes

 https://youtu.be/7dDGy5YHbYc?t=1550

sábado, 28 de dezembro de 2024

JR Guzzo

 Por J.R. Guzzo

28/12/2024 


“O Brasil fecha 2024 vivendo o que possivelmente tem sido o mais vicioso período de supressão de seus direitos civis já registrado desde o AI-5 da ditadura militar. É, também, o mais longo e mais neurótico rompimento da vida política, moral e cultural do País com a realidade elementar. Há quase seis anos o Brasil não tem uma Constituição. Em vez disso, tem um inquérito policial como a sua lei máxima – e contra o qual não é possível recorrer a nada e a ninguém, nunca. Chamam isso de democracia.


O pedaço de papel com que os generais impuseram a sua ditadura ao País dizia, basicamente, que nenhum ato do governo estava mais sujeito à apreciação de ninguém, a começar pela justiça. O AI-5 de hoje estabelece que nenhum ato do STF, e sobretudo do ministro Alexandre de Moraes, está sujeito a qualquer tipo de controle, de contestação ou de reforma. Tanto faz se esses atos violam a legislação brasileira em vigor: é o STF quem resolve o que a lei está dizendo, mesmo quando diz o contrário.


A Constituição hoje em vigor do Brasil é o inquérito policial 4781 do STF – uma depravação legal criada no dia 14 de março de 2019 pelo ministro Dias Toffoli, para ocultar a publicação de suspeitas de corrupção a seu próprio respeito, e entregue desde então à execução do ministro Moraes. O STF não é uma delegacia de polícia; por lei, não pode abrir investigação nenhuma. A partir daí, só ficou pior. O inquérito tornou-se perpétuo – acaba, aliás, de ser prorrogado por mais seis meses. Não tem objetivo determinado; investiga tudo. É tocado em sigilo. Não respeita o direito defesa, nem o Código Penal.


Em nenhum minuto, desde que foi aberto, o inquérito 4.781 teve alguma coisa a ver com a defesa da democracia. Começou como uma gambiarra para censurar a revista Crusoé, proibida de publicar as denúncias contra Toffoli. Passou a reprimir fake news, “desinformação”, atos antidemocráticos, as vacinas de Bolsonaro, conversas de WhatsApp, discursos na Câmara, a condenação ilegal de um deputado, o batom na estátua (“substância inflamável”), o Golpe dos Estilingues e tudo o que existe sob o sol. Hoje é o principal instrumento de trabalho da ditadura do Judiciário no Brasil.


Não há, nunca houve e não haverá nenhuma boa intenção no inquérito de Moraes e Toffoli. O que há é um espetacular exercício de hipocrisia por parte da esquerda, das elites intelectuais e das gangues políticas que mandam no Congresso Nacional para ocultar um câncer em metástase. É o regime de exceção que está sendo criado clandestinamente no Brasil, com juras diárias à “defesa da democracia”, em público – e com a armação de uma tirania na vida real.”


https://www.estadao.com.br/politica/j-r-guzzo/pais-vive-sob-a-ditadura-do-inquerito-de-moraes-sem-data-para-acabar/

Amilton Aquino 2812

 Preparem-se: 2025 será um ano decisivo na geopolítica. Vamos começar pelo melhor dos cenários: o congelamento das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Embora, no curto prazo, esse seja o desfecho mais desejável, no longo prazo pode representar a perda de grandes oportunidades para uma resolução mais eficaz desses conflitos.  


No caso do conflito árabe-israelense, encerrar a guerra agora, no momento em que os israelenses estão desmantelando os proxies do Irã que os circundam, pode dar a chance de os grupos terroristas recuperarem o fôlego para novas investidas. Já na Ucrânia, um fim da guerra com a cessão de 25% do território para a Rússia, como propõe Trump, pode ser um estímulo para Putin continuar com seus planos expansionistas.  


No cenário intermediário, o mais provável, veremos mais do mesmo: Israel continua enfraquecendo os proxies do Irã e tentando derrubar o regime dos aiatolás nos bastidores (como na Síria), o que enfraquece também a Rússia, principal aliada do maior financiador do terrorismo mundial e fornecedor de drones. Na Ucrânia, diante do apoio limitado do Ocidente, Zelensky faz o que pode: vende caro cada pedaço de território, elimina mais de mil soldados russos por dia e atinge refinarias e bases militares russas.  


No pior cenário, as guerras se intensificam, envolvendo diretamente outros países, incluindo a Coreia do Norte, já presente no campo de batalha com pesadas baixas. Embora este seja o desfecho menos provável, ele não deve ser descartado, considerando que Reino Unido e França têm acenado com a possibilidade de enviar tropas para “treinar” os ucranianos. Paradoxalmente, o cenário mais perigoso é também o mais coerente, dadas as circunstâncias criadas pelo bloco autoritário.  


Em todos os cenários, a grande incógnita é Trump, cuja postura isolacionista reconfigura todo o jogo geopolítico. Na Europa, os países já começam a se movimentar para garantir o apoio à Ucrânia, caso os EUA decidam reduzir sua ajuda. Para Israel, a situação melhora com Trump, embora ele já pressione por um acordo de paz.  


Mesmo antes de assumir, Trump já causa barulho ao alfinetar seus vizinhos Canadá, México, Panamá e até a Groenlândia, sob domínio da Dinamarca.  


No caso do Canadá, além de criticar o baixo investimento proporcional ao PIB na OTAN, Trump ameaça sobretaxar produtos canadenses e cobra uma postura mais firme no controle das fronteiras, que têm sido usadas como rota de entrada de imigrantes nos EUA.  


Em relação ao México, além da questão migratória, Trump ameaça intervir militarmente para combater os cartéis de drogas, que agora operam com opióides oriundos da China.  


Quanto ao Panamá, Trump mencionou recentemente a possibilidade de recorrer a uma cláusula que prevê o uso da força no tratado que cedeu o controle do canal ao país na década de 1970. A crescente influência chinesa no Panamá incomoda os EUA, já que o país foi o primeiro do continente a aderir ao projeto chinês da Nova Rota da Seda, lhes concedendo o controle de dois portos estratégicos. Ou seja, os EUA, que gastaram bilhões de dólares e perderam 38 mil vidas na construção do canal, hoje pagam as mesmas taxas que a China, que amplia sua presença na infraestrutura panamenha. Sim, isso tem cheiro de confusão. 


No caso da Groenlândia, Trump tensiona ainda mais as relações com a Europa ao propor a compra da ilha à Dinamarca. Embora não sugira uma invasão, como Putin, a ideia contraria o consenso de que o Ocidente havia encerrado sua fase expansionista. Na prática, Trump ajuda a “normalizar” a Nova Ordem Mundial que o bloco autoritário, liderado pelos BRICS, tenta estabelecer.  


Entre a retórica e a realidade há uma longa distância. No entanto, é clara a direção isolacionista de Trump em um mundo onde as democracias liberais, especialmente as europeias, dependem muito mais dos EUA do que os EUA dependem do resto do mundo.  


Assim, é inevitável uma nova corrida armamentista. O Japão está se rearmando, pois não se sente mais seguro sob o escudo norte-americano. O mesmo acontece com a Coreia do Sul, que já considera produzir suas próprias armas nucleares, assim como a Ucrânia, incomodada com a ajuda a conta-gotas do Ocidente e o descumprimento do acordo do início dos anos 90 que lhe concedia proteção da Otan em relação à Rússia em troca da entrega do seu arsenal nuclear. Nesse novo cenário, até países pacíficos e neutros como Finlândia, Suécia e Suíça não só abandonaram a neutralidade como estão se armando e se preparando para uma nova grande guerra.  


A favor de Trump está sua experiência em negociações. Contra ele, pesa sua retórica belicista, que tanto pode inflamar ainda mais os ânimos quanto abrir brechas no Ocidente para o bloco autoritário expandir sua influência, como já ocorre na Venezuela e, potencialmente, no Panamá. No melhor dos cenários, sua posição mais firme que a de Biden, pode dissuadir um pouco o bloco autoritário. Torçamos.


Infelizmente, nem mesmo o pacífico Brasil não está imune a este complicado contexto geopolítico. Além de se aliar ao bloco autoritário, o Brasil experimenta em suas fronteiras com a Venezuela uma tensão crescente, já com tropas em prontidão de ambos os lados. Pouco provável, mas algo a se acompanhar. 


No contexto econômico, o mundo segue uma trilha perigosa de endividamento, fruto de políticas keynesianas que, embora mais palatáveis para políticos, acabam jogando a conta para as futuras gerações. Até mesmo a China, que até pouco tempo ameaçava destronar os EUA como maior economia mundial até 2030, enfrenta um momento delicado, com níveis de endividamento tão altos que economistas começam a questionar se o país não está entrando em um processo de “japanização”, semelhante à estagnação vivida pelo Japão desde os anos 1990.  


E, nesse contexto de Estados gigantes e endividados, surge uma grata surpresa na Argentina. Em menos de um ano, Javier Milei, o primeiro libertário a chegar ao governo de um país, reverteu os principais indicadores macroeconômicos que levavam a Argentina ao colapso, reduzindo até mesmo a pobreza, que agora está em um patamar inferior ao que ele herdou.  


Enquanto a Argentina atrai os holofotes como solução, o Brasil segue ladeira abaixo, acumulando notícias negativas tanto na política externa quanto no cenário doméstico, com uma clara deterioração institucional e macroeconômica.  Apertem os cintos, 2025 não será fácil, infelizmente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Call Matinal ConfianceTec 2712

 CALL MATINAL CONFIANCE TEC

27/12/2024 

Julio Hegedus Netto, economista

 

MERCADOS EM GERAL


FECHAMENTO DE QUINTA-FEIRA (26)

MERCADO BRASILEIRO


O Ibovespa, na quinta-feira (26), fechou em alta de 0,26%, a 121.077 pontos. Volume negociado foi baixo, em R$ 15,8 bi. Em dezembro queda é  de 3,65%, no ano, quase 10%. Já o dólar à vista acomodou em queda de 0,09%, a R$ 6,1794.


PRINCIPAIS MERCADOS, 05h40


EUA🇺🇸

Dow Jones Futuro, nd

S&P 500 Futuro, nd

Nasdaq Futuro, nd


Ásia-Pacífico:

Shanghai SE (China🇨🇳), +0,06%

Nikkei (Japão🇯🇵), +1,18%

Hang Seng Index (Hong Kong), -1,02%

Kospi (Coreia do Sul🇰🇷), -1,02%

ASX 200 (Austrália🇦🇺), nd


Europa:

FTSE 100 (Reino Unido🇬🇧), +0,03%

DAX (Alemanha🇩🇪), +0,41%

CAC 40 (França🇫🇷), +0,64%

STOXX 600🇪🇺, +0,47%


Commodities:

Petróleo WTI, +0,47%, a US$ 69,95 o barril

Petróleo Brent, +0,34%, a US$ 73,51 o barril

Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, em queda de 2,63%, a US$ 104,50.


NO DIA, 27/12


Agenda mais concentrada no Brasil, com IPCA15, dados do mercado de trabalho, como a PNAD (desemprego) e o Caged, e o IGP-M de dezembro.


Além destes indicadores, monitoremos as crises em Brasília. Em rápido pronunciamento, convocado à imprensa na noite de ontem, após ter se reunido com Lula e líderes partidários, Lira comentou a polêmica das emendas.


“Fizemos tudo obedecendo leis e critérios acordados entre o governo e o Judiciário”, disse. O presidente da Câmara afirmou que vai peticionar o Supremo nesta sexta-feira para tentar desbloquear os recursos das emendas.


AGENDA, 27/12


Indicadores:

08h00. Brasil/FGV: IGP-M de dezembro

08h30. Brasil/BC: Nota de crédito – novembro

09h00. Brasil/IBGE: IPCA-15 de dezembro

09h00. Brasil/IBGE: Pnad Contínua – trimestre até novembro

10h00. Brasil/MTE: Caged de novembro

13h00. EUA/DoE: Estoques semanais de petróleo

15h00. EUA/Baker Hughes: Poços e plataformas em operação

                                                

Julio Hegedus Netto, economistah da ConfianceTec 

 

Boa sexta-feira, bons negócios e boas Festas e feliz 2025!🥳👏🎄

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