quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Mercado com menor margem

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/mercado-entra-em-2026-com-margem-menor-para-erro.ghtml


*Mercado entra em 2026 com margem menor para erro*


_Cautela impera na Faria Lima desde o início de dezembro, quando Flávio Bolsonaro anunciou sua pré-candidatura à Presidência_


Por Victor Rezende, Valor — São Paulo


Não estava nos planos nem do próprio mercado o bom desempenho que os ativos domésticos exibiram no ano passado. E, pelas pistas dadas nos últimos pregões de 2025, a aposta majoritária parece ser a de continuidade do rali no Brasil. Ao menos no curtíssimo prazo.


A forte valorização nominal da bolsa brasileira e a expressiva queda do dólar frente ao real nem de perto eram eventos esperados. Na virada de 2024 para 2025, o mais otimista dos agentes esperava que o Ibovespa terminasse o ano em 153 mil pontos — um erro de 8 mil pontos em relação ao nível de fechamento. No câmbio, a expectativa mediana do mercado


O consenso formado no fim de 2024 não apenas subestimou o potencial de recuperação dos ativos locais como superestimou a persistência — e agravamento — dos riscos domésticos.


Claro, o cenário externo foi determinante para consolidar um ambiente positivo para os mercados emergentes e isso não estava na conta dos mercados globais como um todo. Mas, para o início deste ano, a aposta parece ser, novamente, na continuidade, ainda que com um grau de cautela adicional nos mercados domésticos diante dos riscos eleitorais, que já começaram a se materializar nos preços dos ativos financeiros.


A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, anunciada subitamente em 5 de dezembro, escancarou o quanto os agentes estão focados neste tema. Mas, embora a eleição já tenha começado a ser precificada, há uma visão de que pode haver espaço neste começo de ano para uma retirada de parte dos prêmios que foram embutidos nos ativos domésticos em dezembro. Isso, claro, apostando na permanência de um ambiente externo mais tranquilo e na ausência de ruídos políticos mais intensos neste começo de ano. Uma corda bamba.


Ainda que o último pregão do ano seja, em geral, marcado por ajustes técnicos de posições devido à formação da Ptax no câmbio e ao vencimento de títulos prefixados na renda fixa, ele pode ter apontado que o mercado está aberto a testar esse cenário mais positivo. Isso porque os ativos domésticos ficaram, de fato, para trás em relação aos pares desde o “Flávio Day”.


“O sentimento continua construtivo. É verdade que dezembro trouxe sua cota de surpresas, mas nenhuma delas foi grande o bastante para descarrilhar o cenário base de um corte de juros iminente”, avalia um trader da tesouraria de um grande banco local.


“A corrida eleitoral de 2026 já está no radar dos investidores, mas chama atenção o quanto as mesas locais são mais pessimistas em relação a um eventual resultado de esquerda do que os estrangeiros. E esse diferencial vai ser importante quando a volatilidade voltar. Mas, por ora, o Brasil segue oferecendo um ‘carry’ atrativo e o pano de fundo global para emergentes permanece benigno”, diz. “É por isso que estou moderadamente otimista para o início de 2026.”

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Deonisio da Silva

 O LUGAR DE MALU GASPAR NO ESCÂNDALO ANUNCIADO 

No mínimo, ela terá um bom livro.


Deonísio Da Silva *


A conhecida jornalista enfrenta hábeis jogadores de xadrez que jogam com as peças brancas. 


Ela joga com as pretas, por consequência. E no xadrez o normal é que vença quem joga com as brancas. A menos que o jogador erre lance decisivo. De todo modo, só saberemos depois do xeque-mate. E ainda faltam alguns lances.


E quem joga com as brancas? Aqueles que empregam a jornalista para fazer bem seu trabalho.


Minha metáfora sobre sua profissão é com o xadrez e não com o futebol porque um de meus ofícios principais é escrever livros. 


E, depois de colunista desde 1975, eventual ou regular, tendo chegado aos dois martelos sem nenhuma interrupção nesses anos todos, posso dizer com honra e sem vanglória, mas também sem medo a maioria das vezes,  e com medo agora: SOU UM EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ. Assim é para quem escreve e assim ensinamos quando me coube integrar a direção do Curso de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade & Propaganda) na Universidade Estácio de Sá.


No futebol, há aliados, adversários,  juiz ladrão etc. E também sorte e azar, como em tudo na vida. No xadrez, não.  É você sozinho (a) contra outro(a) sozinho(a). Quem escreve joga xadrez, não futebol nem outro esporte coletivo. Joga sempre sozinho. Quem lê, também. Quem lê tem encontro privado com quem escreve. Quem escreve pode ter muitos leitores, mas o encontro feito um a um, cada um entendendo a seu modo,  fazendo a SUA leitura. 


 Octavio de Faria assinala numa das mais belas páginas de "Tragédia Burguesa" que,  mesmo no orgasmo, ainda que não dispense companhia para obtê-lo, a pessoa goza na mais absoluta solidão. 


Gostaria que esta mulher, a jornalista Malu Gaspar,  vencesse. Para a mulher,  especialmente no Brasil, tudo é mais difícil do que para nós, homens. 


Está sendo travada somente uma única partida de xadrez no caso Malu Gaspar? Não. Muitas e simultâneas. Pois seus colegas, amigos e patrões, além de seus inimigos,  naturalmente, estão jogando outras e pelo menos em algumas delas a verdade vai ser a primeira vítima,  como em todas as guerras.


Não conheço Malu Gaspar, mas já sou seu leitor e fã. Ela fez com que o Brasil voltasse a ler mais jornal, se bem que não tanto como no tempo em que surgiu o veículo no qual ela agora escreve, que vendia 30 mil exemplares impressos apenas no estado do Rio de Janeiro e a população brasileira total era de apenas 30 milhões de habitantes.


Devagarinho voltaremos ao passado, uma vez que no Brasil as coisas andam no ritmo do título de um de meus romances  "Avante, soldados: para trás".


A menos que o exemplo de Denise Frossard, dentre outras mulheres corajosas, leve a prender toda a cúpula de malfeitores acostumados a vencer sem glória e sem fé, confiantes no sucesso de trapacear sem ser punido e,  sem misericórdia nenhuma, fazer sofrer a quem deles tenha a coragem de discrepar, ainda que com inocência e ingenuidade. 


Para vencer, talvez seja indispensável que os bons tenham a audácia dos canalhas,  como disse Martin Luther King.


* professor e escritor, colunista da BandNews, Doutor em Letras pela USP. Alguns de seus livros referenciais: "De onde vêm as palavras", "Avante, soldados: para trás" e "Goethe e Barrabás: as más escolhas que fazemos na vida".

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Arnaldo Brandão

 LIVRO: “CRIAÇÃO” DO GORE VIDAL. Nova Fronteira. 1984. 800 páginas.

Quando tinha dado por terminada esta primeira parte da resenha, recebo do meu ex editor (Benício Schimdt), que vive ligadão em tudo o que acontece, uma entrevista do Gore Vidal, feita quando ele esteve no Brasil em 1987. A entrevista saiu num blog da Veja. É razoável, mas de cunho jornalístico. Só pra dar uma cutucada, bem ao modo do Gore, diria que as perguntas arranharam a superfície, embora tragam algumas preciosidades, por exemplo: quem ele admirava como escritor?  Citou o Ítalo Calvino, Burgess (disse que “deu uma mãozinha ao Burgess”). Paul Bowles, Nabokov e Greene. Não saiu do script. Dos brasileiros esquivou-se: disse que “se elogiasse um escritor brasileiro, 50 outros vão me odiar”. Ele entendeu rapidamente como as coisas funcionam por aqui. De crítico, só citou o Harold Bloom (um clássico), que escreveu um livrão chamado “O Cânone Universal”, falando de todos os grandes nomes, sendo que o cânone é certamente Shakespeare e o cânone americano seria o Whitman. Discordo, embora admire o Walt. Tanto o Bloom (crítico) como o Gore Vidal, fazem questão de ignorar os franceses, o Bloom só livra a cara do Proust, ainda bem, senão eu iria soltar os cachorros em cima dos dois. No final do livrão, o Bloom lista mais de 100 possíveis cânones futuros (prefiro bam-bam-bans), o cara é o demônio. Está lá até “A Ponte Sobre o Drina” do Ivo Andríc da Croácia (duvido que alguns dos meus leitores tenha lido). De brasileiros só o Drummond, que ele leu devido a Elizabeth Bishop (também não devem conhecer). Agora chega, vamos sair da superfície e afundar sobre o homem e seu melhor livro. Pois é, todos acham que os gregos eram o máximo, que criaram todo o conhecimento do ocidente e inventaram a democracia, que sabemos como funciona: um bando de espertos no poder, e uma multidão embaixo tentando sobreviver de algum modo, lícito ou não, geralmente não. O Gore Vidal nos diz, através do narrador desta história (Ciro Espitama), que não foi bem assim, que os gregos não eram os bam-bam-bans, não inventaram tanto quanto se fala nas esquinas acadêmicas, gostavam era de guerrear. Outra coisa que ele nos diz, é que não há nada de novo na praça, o mundo continua trágico, como era na época de Ciro, Dario, Xerxes e Artaxerxes. No Brasil, não podemos nos queixar, nunca tivemos uma democracia pra valer, chegamos, no máximo, ao “populismo barato” getulista. No momento, o que temos é o “triunfo da arte de embalsamar”(como disse o próprio Gore Vidal, falando do Reagan, a julgar pelos que gerenciam a economia, a energia, os bancos, a Academia de Letras, religiões,  o Congresso, etc. É claro que ele disso isso nos EUA, eles não tem o hábito de falar mal do país no exterior. Não estranhem o estilo, estou falando a linguagem do Gore, que tinha uma língua ferina e brigou com meio-mundo na área literária e na política. Do Truman Capote disse que “tinha elevado a mentira a condição de arte, uma arte menor”. De Jack Kerouac disse: “isto não é escrever, é datilografar”, no que eu discordo. Teve uma briga com o Norman Mailer que lhe deu uma porrada, provavelmente os dois estavam bêbados. Ele disse certa vez que “o amor não é o meu negócio”, mas se gabava de aos 25 anos já ter tido mil relações com homens... e mulheres. Um exagero? Talvez. Conheci uma mulher(não no sentido bíblico, é claro), que fornicava(parece romance inglês) 5 vezes ao dia, por dinheiro naturalmente. Fazendo as contas: 5X7X4X12= 1680 por ano, agora multipliquem por 100 e vejam se é negócio ou não. Acho que o negócio do Gore não era só fornicar. Acho que o negócio dele era escrever, escreveu 25 romances e incontáveis ensaios, escreveu para o cinema, atuou como ator em pontas no cinema e na TV. Os críticos (quando ainda existiam) diziam que ele não era bom em romances, seu forte seriam os ensaios. Bobagem. Era bom nos dois, cortava dos dois lados. Leiam “Criação” e vejam. Segunde ele, “o grande e indecente mal que está no cerne da nossa cultura é o monoteísmo”. Assino embaixo. Como alguém pode viver debaixo de um deus celeste e ameaçador como esse que temos, que diz poder mandar você pros ares a qualquer momento, sem direito à defesa. Isto sou eu quem está dizendo, não o Gore. Bem, agora não adianta reclamar, vamos ao que interessa. É uma viagem fantástica. A história se passa no século V a.C., século em que viveram Dario e Xerxes e Artaxexes, Reis da Pérsia, Buda, Confúcio, Heródoto, Tucídides, Sócrates, Anaxágoras, e talvez até Sarney. Lembrem-se que Zoroastro(Zaratustra), o herói do Nietzsche(Assim falou Zaratustra), e avô do narrador deste romance, viveu no século VII a.C. Querem mais? Pitágoras nasceu e viveu no século VI a.C.(lembram-se do teorema de Pitágoras a^2+b^2=c^2). Pois é, foram nestes séculos que apareceram as ideias que influenciaram profundamente o mundo moderno. Também foi neste período que o Império Romano do Ocidente começa sua lenta decadência. Alguns podem pensar: e Cristo?  E Maomé? Respondo: este livro não trata de recém-nascidos. Não se preocupem, a ideia de um deus único já estava lá com Zoroastro, a complexidade do mundo oriental já estava lá com Confúcio e Buda. Bem, Sócrates já estava lá. Se Sócrates estava, Platão também estava, se Platão estava, Demócrito também estava e é quem anota a história descrita pelo narrador chamado Ciro Espitama, que nestas alturas da vida estava quase cego. Demócrito foi um filósofo grego que sacou a ideia de átomo, dizem que inventou a palavra. Demócrito já sabia que o universo era infinito e que toda a matéria era formada por átomos e como funcionava a coisa toda. Neste velho mundo, a única coisa nova somos nós mesmos, como disse o Gorvaidal, referindo-se ao fato de que Babilônia e os indianos mantinham ligações bem antes de Dario. Demócrito aprendeu muito com o Leucipo de Mileto, Eu acho que o Gorvaidal se baseou nele para criar o personagem Espitama. Nesta época, Demócrito era muito jovem, queria saber tudo da Pérsia e ao mesmo tempo dizia ao Espitama como funcionava a Grécia, na visão dele. Os diálogos entre Espitama e Demócrito, que o acompanhou até o fim da vida, são música de Strauss aos ouvidos de qualquer leitor (lembrem-se de 2001 do Kubrick), sobretudo porque Demócrito, embora jovem, percebia onde Espitama queria chegar, mas só ele, Demócrito, tinha a explicação final anos depois, não é impressionante? Espitama era um Meda (nasceu na Média, povo muito antigo), neto de Zoroastro, e que sabia tudo e mais alguma coisa, e por isso mesmo, era cético, como o Gore Vidal, que assim como o Guimarães Rosa, viveu várias vidas. Uma vida só não daria pra o homem saber tantas coisas e botá-las no papel, sem computador, mas como dizem que o cérebro é igual ao cosmos, infinito. Deixa eu fazer dois pequenos comentários: O primeiro é que o cara pra ler e entender a história é preciso ter estudado o mínimo de História Geral, não digo na Academia, digo ter lido alguma coisa sobre gregos e persas e um pouco do Egito antigo, da China e da Índia. Esqueçam os filmes de Roliude. Esqueçam o Google e esqueçam a Academia. O segundo, é sobre quem mandava no mundo na época e onde se passa a história. Quem mandava mais eram os persas, cujo domínio ia do Rio Nilo ao Indo, ou seja, incluía o Egito, a Grécia e o Norte da Índia, as fronteiras persas chegavam perto dos domínios de Roma. Roma do Ocidente, apesar de decadente era a outra grande potência. Bem, havia a China(Catai), que não era uma nação organizada e havia a Índia e seus eternos elefantes, sempre um mistério (que o Espitama vai desvendar também). Com um império deste tamanho, é natural que os persas vivessem em guerra constante. Então, os persas merecem respeito, se não, os israelenses já teriam bombardeado as usinas nucleares deles. Ou alguém duvida de que eles vão fazer a “bomba”. Tem gente que confunde os iranianos (persas) com os árabes. Nada-a-ver. Podem até rezar nas Mesquitas, mas isso é outra história. Não é por nada que o pessoal do Itamarati, que conhece história, fica quieto quando aquele baixinho de nome bíblico, que não manda nada, diz umas bobagens. Eles sabem que tem coisas maiores em jogo, e essa coisa é o petróleo, mas há também “os persas”, a última barreira obstinadamente resistente aos donos do mundo atual. É óbvio que o livro do Gore Vidal sugere certa correlação entre o Império Persa e o Império Americano. Alguns ingênuos pensam que o correlato seria o Império Romano, daí ficam fazendo umas previsões bobas sobre a queda do Império Americano. Me dá até vontade de rir: KKKKKK, parece a risada de minha mãe. Nada-a-ver, os romanos não viviam guerreando, preferiam a política ou cobrar uma taxa pela proteção, como os bandidos dos morros do Rio e da periferia de Brasília, os do centro da cidade cobram comissão. O Império americano tem tudo a ver com o Império Persa, inclusive o tamanho e o fato de exercerem o poder pela força mesmo (econômica ou armada), embora também cobrassem taxas de proteção. Os americanos sabem dessas coisas há muito tempo, daí gastaram o que gastaram pra ocupar o Iraque e garantir que os persas ficassem sob controle. Também descobriram que o Sadam estava namorando os persas por debaixo das persianas, aí resolveram detonar o Iraque. Todo o jogo atual é perpassado (palavrinha pedante) por esse jogo antigo, muito antigo, com a entrada recente em cena dos descendentes dos filhos do Maomé (sunitas, xiitas, alauítas), ou seja, quem decide é sempre a “cultura” e a religião(e eventualmente a Bomba), desde... desde sempre. Afinal a última grande guerra começou como? A obsessão de Hitler contra os judeus. Ou alguém pensa que o ódio europeu aos imigrantes é devido à cor deles, ou que nos EUA a religião não manda, ou que no Brasil estamos imunes a questão religiosa, ou vocês não sabem por que estamos na merda? Somos filhos de Espanha e Portugal que foram pro brejo no século XVI e por consequência toda a América Latrina. Acabamos nascendo na “Contra-Reforma”, com os jesuítas pregando a pobreza absoluta. Toda nossa desgraça, segundo o mexicano Octavio Paz (o melhor poeta que já tivemos e que publicou, na revista dele, o primeiro livro do João Almino), tudo começou dessa maneira. Bastou Lutero, um Papa teimoso, um Rei da Inglaterra mulherengo e irresponsável (aquele que mandou decapitar a Ana Bolena). Bem, há sempre uma cabeça pensante por trás, no caso, o Cromwell, que aproveitou a deixa e fechou todas as abadias da Inglaterra. Depois, já no reinado de Elizabeth, houve a derrota da Espanha e se quiserem saber mais leiam os livros de história, saberão a gênese de nossa indigência até hoje.Tem gente que pensa que os gringos são os donos do mundo atual porque as calçadas são limpas, e o asfalto é liso, ou porque eles são imperialistas, e outras besteiras. Não é isso, é porque lá floresce um cara como o Gore Vidal e o Norman Mailer, que no Brasil estariam fodidos, encalacrados numa salinha de uma USP ou UnB da vida, onde nem os banheiros funcionam, sofrendo a inveja generalizada e o boicote do Ptismo ou do PSdebismo ou de comunistas ou de alguns fascistas. Ele nunca foi a favor de qualquer governo, nem ele, nem o Mailer. Este então, era contra tudo, nunca precisou se filiar a partido político, nem assinar manifestos, e no entanto produziu talvez o melhor livro da segunda metade do século XX, cuja resenha vocês verão nos Torpedos ou no Facebook. Bem, chega de imprecações, coisa muito comum entre as mulheres gregas (devem ter visto Zorba, o grego), vamos ao livro. Começa com uma nota do autor, resumindo, a nota diz: cuidado, é um mundo grandioso, uma historia grandiosa. Nesta nota, ele fala da infelicidade do Afeganistão e do Irã, evidente que ele pensava no passado glorioso destes países, e sua miséria atual. É um livro de memórias, que tem um pé na história americana, uma obsessão do autor. No primeiro capítulo, o narrador (Ciro Espitama) já está velho e quase cego, é embaixador da Pérsia na Grécia, então é uma história que vai sendo contada sem excessiva preocupação cronológica.  E começa com o Espitama comentando uma palestra do Heródoto, nesta época ela ainda não era o “pai da história”, mas era um dos grandes (Heródoto é o autor do livro que ficava no bolso do protagonista do filme “O Paciente Inglês”. Heródoto é o poeta dos ventos, adoro Heródoto). Na palestra, ele fala das “Guerras Persas’ e Ciro Espitama (não confundir com Ciro, Rei dos Persas) discorda de Heródoto, que tinha uma visão helênica do mundo, enquanto Espitama era um admirador dos persas, e de certo modo, não gostava dos gregos. São nove capítulos e 800 páginas, é como uma corrida de maratona, não adianta sair disparado, então vamos com calma. No primeiro capítulo, o Gorvaidal(permitam que o chame assim, depois explico porquê), trabalha com a ironia, para descrever os filósofos, reis e o próprio Heródoto, nota-se que seu texto faz alusões camufladas à política americana, que sempre foi sua obsessão. Então, neste início, o texto admite várias leituras indiretas, mas é um texto extremamente detalhista, de quem estudou minunciosamente a vida na Grécia e na Pérsia, os hábitos, a geografia e até certas expressões. Ou seja, um livro de quem sabe tudo. Além disso, o autor, embora jovem ainda para um escritor (tinha cerca de 50 anos, antes disso, só Jorge Amado escrevia bem), mostra uma percepção aguçada da velhice de um intelectual (Espitama), provavelmente devido ao pai ou ao ambiente onde circulava. Se lerem “Criação”, o que eu duvido muito, vão notar que o autor tenta desmistificar a visão que temos dos gregos, como os fundadores da civilização ocidental. A rigor, não há “civilização ocidental”, o que há são culturas e/ou religiões e conquistadores, de algum modo, o Samuel Huntington tem metade da razão. O mundo antigo oriental se relacionava com o que chamam de “ocidental”, destas relações consensuais ou não, nasciam novas sociedades, num processo cheio de idas e vindas. Quem inventou esta divisão Ocidental/Oriental foram os vendedores de armas que pagam a ‘historiadores” e estrategistas militares americanos e russos e agora aos que opõem a China aos EUA, quando na verdade o comércio entre eles é intenso, e mais de 150 mil chineses estão estudando nos EUA. Nestas alturas, já estão dividindo o pastel de queijo e nós aqui pensando bobagens, achando que vamos comer um restinho. No segundo capítulo, o narrador ainda é uma criança e vivia na Pérsia, na corte de Dario, então ele fala de Zoroastro, que era seu avô, o capítulo começa com uma frase significativa: “No começo era o fogo”. Foi aí que Deus (Sábio Senhor) apareceu pra Zoroastro. Para o ritual, todos tomavam uma bebida, o “haoma sagrado”, uma planta parecida com o Ruibarbo, que os deixava numa espécie de transe (pensem no chá Ayahuasca, maconha não, provoca outras coisas), “eu não estava inteiramente dentro nem fora do meu corpo, diz Espitama’”. Foi durante este ritual que o menino (Espitama) se lembra de como os “bárbaros” assassinaram Zoroastro. Botei “bárbaros” entre aspas, porque, como vocês sabem, nunca existiram “bárbaros”, bárbaros são os outros. A cena é sugestiva do estilo do Gorvaidal, é irônica, de quem não acreditava em nada, nem no haoma, nem no “fogo sagrado”, nem em Zoroastro (inventou o monoteísmo), só na morte. É o meu caso. Neste segundo ”livro”, prefiro “capítulo”, o Gorvaidal dá um show sobre de sexo, entre outros detalhes, que fico sem saber se ele inventava muita coisa ou não. Provável que não. Lá pras tantas ele fala de Babilônia, aí eu não resisto e penso nos tais “jardins suspensos”, que jamais poderei imaginar, o fato é que esse nome “Babilônia” me deixa excitado, não consigo dormir direito. No livro 3, cujo título é “As Guerras Gregas”, o narrador(Ciro Espitama), está com 20 anos e é nomeado por Dario, sátrapa de Susa, uma cidade importante do Império. Aí vem uma descrição cinematográfica e pormenorizada de Dario e do lugar onde pretendia não ser achado, uma espécie de pavilhão de caça, embora todas as 300 mulheres do harém dele, e centenas de eunucos, soubessem do seu paradeiro. Um pouquinho antes disso, podemos notar um pouco da genialidade do Gorvaidal, quando Dario diz: “vamos pegar a estrada pra Pasárgada”. Pensei: desta vez finalmente vou entender o que o nosso grande poeta queria dizer com o poema “Vou embora pra Pasárgada”. Nada, Dario não vai pra Pasárgada naquele dia e me deixa com água na boca. E porque não foi? Porque os gregos eram o “problema”. Nos próximos capítulos vocês vão saber por que os gregos eram, e continuam sendo, “o problema”. O título do Livro 3 é “Começam as Guerras Gregas”, mas nele começa também a busca do Espitama pelo sentido da palavra “Criação”(que dá título ao livro), é uma busca darwiniana e porque não, newtoniana e por que não, einsteiniana, porque “criação”, neste caso, inclui a criação do mundo e quem vai acabar explicando qual o problema central da CRIAÇÃO? Só saberão no final desta resenha. Se lessem mais sobre ciência a estas alturas já saberiam. É um momento crucial da história, então vale recapitular, voltar ao final do Capítulo 2. Dario era o “Grande Rei”, que herdou a coroa de Ciro, o título se deve ao fato de existirem muitos reis, a maioria irmãos de Dario. Recomecemos com as preparações para o casamento de Dario com uma de suas sobrinhas de 11 anos, foi quando Espitama pode ver o “Grande Rei”. A impressão que tenho é que Espitama era veado, mas não era um eunuco, depois explico as diferenças. “...semanas a fio o harém viveu um grande alvoroço, as damas não falavam de outra coisa que não fosse o casamento de Dario e sua sobrinha de onze anos. Discussões infindáveis(para mim) entediantes ocuparam as três casas do harém”. Como sei que a maioria dos meus leitores estão interessados em saber como era o harém, assim como Demócrito que era grego, e na Grécia vocês sabem, não havia essas coisas, vou resumir com as palavras do Espitama: “a terceira casa é ocupada pela rainha ou pela rainha-mãe, ela é mais importante que a rainha consorte. A casa seguinte é para as mulheres que o Grande Rei já conheceu(leiam com o sentido bíblico da coisa, assim como eu conheci a Cardinale). A primeira casa guarda as virgens, novas aquisições, ainda aprendendo música, dança e conversação”. Se eu ficar falando do harém, essa resenha leva 50 páginas. No dia do casamento houve uma parada militar e depois uma reunião dos seis homens mais importantes do Império, que estavam ali de olho na sucessão de Dario, imaginando que a menina de 11 anos, com quem ele se casou, ia “matá-lo” rapidamente. Leiam o que o Gore Vidal diz pela boca do Espitama e apreciem a fina ironia do escritor sobre a reunião dos seis: “Dos seis eu estava particularmente interessado em Gobrias, um homem alto,...de cabelos e barbas anteriormente tingidas de vermelho-sangue. Laís(mãe do Espitama) me contou mais tarde que o cabeleireiro tinha cometido o engano fatal de usar uma tintura errada (fatal para o cabeleireiro): ele foi morto. ...Desde esse dia, em parte devido a esta primeira impressão, nunca consegui levar Gobrias a sério, como todo mundo fazia naquela época”. Durante a festa de casamento, Dario entra triunfalmente, então o irmão mais velho de Dario, declamou: “Rei da Pérsia, o seguinte, Rei da Média, o próximo, Rei de Babel, ” então, do outro lado da sala, ouviu-se: Faraó do Egito! Seguido pelo nome egípcio de Dario. Como Cambises (conquistador do Egito) antes dele, Dario pretendia ser a encarnação terrestre do Deus egípcio Rá, e portanto, legítimo Rei-deus do Egito”. Os imperadores persas, assim como alguns político de hoje e poderosos de sempre, se veem como deuses, tanto que evitam serem vistos pelos mortais comuns, até o Espitama confessa que só olhava Dario com o rabo-de-olho, para que ele não notasse. E agora, vejam só, estão todos debaixo de sete palmos e na horizontal como na canção do Billy Blanco.  O começo das tais “Guerras Gregas” foi devido a ambição por uma ilha grega chamada Samos, onde nasceu Pitágoras, aí o Gorvaidal faz uma longa digressão sobre as ideias de Pitágoras com detalhes que vocês não imaginam. Mas nada disso me interessa agora, porque o Espitama descreve a seguir, como era Babilõnia. Segundo ele,  Babilõnia era mais impressionante que bela. Há então uma caminhada para uma espécie de templo onde todas as jovens eram obrigadas a serem prostitutas, por um dia, Nesta caminhada, fui dormir com  Babilônia na cabeça. Toda vez que isso acontece acordo de “pau duro”. Amanhã talvez recomece. Talvez não.Naquela época, assim como hoje, os preparativos para uma guerra levavam anos. Lembrem-se dos portugueses, que primeiro plantaram as árvores que iriam fornecer a madeira para a construção das caravelas do descobrimento. O fato é que Dario estava com dificuldades para manter a guerra com os gregos, precisava de dinheiro pra guerra e pra manter a fronteira, e precisava de um bom negociador para tirar dinheiro dos indianos, e como era um conquistador nato, queria anexar a Índia ao Império Persa, estava de olho nas minas de ferro dos indianos. Dario queria que Espitama fosse à Índia como uma espécie de embaixador e espião, a rigor, todos os embaixadores são espiões. Fiquem sabendo que fazem relatórios mensais para seus países de origem. Pois é, a cena em que Dario conversa com Espitama sobre sua missão a Índia é de quem escrevia de modo cinematográfico, tipo Guimarães Rosa e não Machado. É coisa pra se ver, e não ler. Os diálogos são extremamente irônicos, e certamente tem a ver com a política americana e com a capacidade de Gorvaidal de elaborar diálogos. O Mapa está em cima da mesa, Dario chama um assessor que tinha feito o mapa. “Cilace, o que deu pra você conhecer da Índia? O rio Senhor(Indo), a cidade de Taxila”. Dario: “é minha, não é?” “Sim, é sua vigésima satrapia...o Rei paga-lhe tributo, Senhor.” Ou seja, o Império era grande demais, Dario nem sabia até onde ia seus domínios. Nestas alturas vamos para o Livro IV, que sem dúvida é o mais interessante, porque Espitama passa anos e anos na Índia e descreve tudo com olhos de Marco Polo e cabeça do Gorvaidal. Só a viagem levava 13 meses, parece até minhas viagens de Belém pros cafundós do Rio Negro, que levavam 6 meses, conforme o tempo, isto em 1960, e que aparece no meu romance “A PÉROLA DA AMAZÔNIA, que vai ser reeditado pelo Benício, ou pelo Holanda, ou pela Companhia das Letras, quem chegar primeiro leva. Ah, já ia me esquecendo do por que chamo o Gore de “Gorvaidal”. Meu ex-sogro e “Patrono do Torpedos”, só lia em inglês. Havia uns almoços longos aos domingos, coisa de 4 a 5 horas, então ele despejava em cima de mim toda a sua erudição, notava que ele falava pra mim. Um dia mencionou “Gorvaidal” e falou e falou. Fiquei meses tentando saber de quem se tratava, e não queria perguntar. Era o Gore Vidal em inglês. TALVEZ  CONTINUE.

ECONOMIA E MODELOS TEÓRICOS: O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO, MAS É ESSENCIAL

 




Introdução
A realidade econômica é um caos de variáveis: bilhões de pessoas tomando decisões simultâneas sob influências políticas, biológicas e sociais. Tentar entender tudo de uma vez é impossível. É aqui que entram os Modelos Teóricos. Um modelo é uma simplificação deliberada da realidade que foca no que realmente importa para responder a uma pergunta específica. Como um mapa, ele ignora detalhes inúteis (como cada árvore da rua) para mostrar o que é vital (o caminho para o destino).

Profundidade Conceitual Simples
Segundo Vasconcelos e Garcia, a construção de modelos baseia-se em abstração e lógica. Para que um modelo funcione, ele utiliza dois componentes fundamentais:

Hipóteses Simplificadoras: Para isolar o efeito de uma variável, o economista utiliza a cláusula Ceteris Paribus (do latim, "tudo o mais constante"). Por exemplo, ao estudar o efeito do preço sobre a demanda, assumimos que a renda e o gosto dos consumidores não mudaram naquele instante.
Racionalidade (Homo Economicus): A maioria dos modelos clássicos assume que os agentes são racionais e buscam maximizar sua utilidade ou lucro. Embora a Economia Comportamental hoje questione isso, essa hipótese é um "ponto de partida" necessário para criar modelos previsíveis.

A Validade de um Modelo
Um modelo não é julgado por ser "realista" — pois nenhum é —, mas por sua capacidade de previsão e explicação. Se um modelo de oferta e demanda prevê corretamente que o preço do café subirá após uma geada, ele é útil, mesmo que ignore as emoções individuais dos produtores de café.

Impacto no Dia a Dia
O pensamento modelado é a base da inteligência de negócios moderna:

Business Plans e Projeções: Todo plano de negócios é um modelo teórico. Você assume hipóteses sobre o mercado, custos e conversão para prever o futuro. O sucesso depende da qualidade das suas premissas.
Simulações de Cenários: Gestores utilizam modelos para responder perguntas "e se?" (What-if analysis). Se o câmbio subir 10%, o que acontece com a margem? O modelo permite testar o impacto sem precisar que a crise ocorra de fato.
Evitando a Paralisia por Análise: Modelos ajudam a filtrar o ruído informativo. Em um mar de dados (Big Data), o modelo teórico diz quais KPIs (indicadores) são a causa e quais são apenas consequência.

Conclusão
Dominar Modelos Teóricos é o que confere precisão e honestidade intelectual ao debate. Sem modelos, somos apenas observadores de eventos aleatórios; com modelos, tornamo-nos analistas capazes de identificar padrões e tendências. O perigo não está em usar modelos simplificados, mas em esquecer que eles são simplificações. O bom estrategista sabe quando seguir o mapa e quando olhar pela janela.

Reflexão Pro Seu Dia
No seu planejamento atual, qual é a hipótese principal (o seu Ceteris Paribus) que, se mudar, invalidaria todo o seu modelo de negócio para o próximo ano?

REFERÊNCIAS:
Autor: Fernando Alencar é estudante de Economia na Universidade Federal de Santa Catarina, com formação em Geopolítica Interdisciplinar pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Seu grande sonho é democratizar o entendimento da economia e proporcionar um conhecimento econômico acessível, evidenciando as conexões entre a economia e diversas outras áreas profissionais.

Livro: VASCONCELOS, Marco Antonio Sandoval de; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos de economia. 6. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019.

Economistas q constroem modelos. mas não entendem a economia

 



As universidades estão formando economistas que conseguem construir modelos complexos, mas não compreendem adequadamente a economia.


Um relatório recente da Rethinking Economics descobriu que os currículos de economia em 16 das principais universidades do Reino Unido priorizam ensinar os alunos a "pensar como economistas" em vez de ajudá-los a entender como a economia realmente funciona.

As descobertas são impressionantes:

• A crise climática e as questões socioecológicas estão amplamente ausentes dos currículos econômicos. 75% das universidades não ensinam economia ecológica; Em vez disso, quando questões de sustentabilidade ecológica são ensinadas, o dano ambiental é considerado algo que precisa ser precificado nos mecanismos de mercado.

• A educação em economia não aborda desequilíbrios históricos e contemporâneos de poder. 55% das universidades não oferecem ensino significativo sobre questões de escravidão histórica, colonialismo ou neocolonialismo. História e ética estão ausentes dessas discussões.

• A economia neoclássica dominante domina as teorias econômicas ensinadas. Dos 480 módulos teóricos considerados, 88,3% incluíam o pensamento econômico neoclássico mainstream com foco em indivíduos racionais e interessados em si mesmos. Eles são quase totalmente ensinados por meio de habilidades técnicas quantitativas.

• A economia é ensinada isoladamente de outras ciências sociais. A disciplina da economia deve estar inserida nas ciências sociais, e os estudantes devem ser incentivados a aprender em outras disciplinas como política, sociologia, geografia e história, mas, na maior parte, permanece isolada.

É justo dizer que os diplomas em economia, em sua maioria, se tornaram exercícios de formalismo matemático — distanciando-se cada vez mais dos problemas econômicos do mundo real e de outras ciências sociais, que normalmente consideram inferiores.

Como Ha-Joon Chang escreveu recentemente em um artigo de opinião no FT: "A economia hoje se assemelha à teologia católica da Europa medieval: uma doutrina rígida guardada por um sacerdócio moderno que afirma possuir a única verdade. Dissidentes são evitados. Os não economistas são orientados a 'pensar como economistas' ou a não pensar de jeito nenhum."

Meu ensaio mais popular de 2025 examinou a crescente crítica à economia convencional. Link nas respostas.

Fabio Gallo

 Fábio Gallo, no Estadão do sábado, 27/12/2025, sobre a curiosa polêmica que capturou as discussões sobre o futuro do país.


••••••••••


Enquanto a Síria é eleita o país do ano, nós ficamos presos à polêmica das sandálias Havaianas. A revista britânica The Economist elegeu o país do Oriente Médio como o que mais evoluiu em 2025, o que mais avançou em termos políticos, sociais e econômicos. A publicação não elegeu o “país mais rico” ou o “mais poderoso”, mas aquele que mais evoluiu com mudanças profundas em várias dimensões da vida nacional.


Nos âmbitos político e social, a queda do regime de Bashar al-Assad e o fim de mais de 13 anos de guerra civil foram pontos de inflexão dramáticos na história recente da Síria. Outro aspecto foi o retorno de três milhões de refugiados e a normalização da vida após o fim do conflito e o início da transição política. Com a queda do regime, houve afrouxamento de sanções ocidentais, o que permitiu sinais de recuperação econômica - mesmo que ainda frágil.


O artigo também menciona a Argentina como um dos países que mais avançaram em 2025 por razões econômicas - com inflação em forte queda, redução da pobreza e reformas difíceis de implementar.


Caso aplicássemos o mesmo racional da revista, como seria descrita a evolução do Brasil em 2025? O País mostrou resiliência institucional, afinal mantivemos a democracia estável, instituições funcionando, a despeito dos arranhões do Supremo Tribunal Federal (STF) com alguns de seus ministros entrando em terreno para lá de pantanoso. Além disso, avançamos na reforma tributária e na transição energética.


O Brasil permanece uma democracia tumultuada, mas resiliente - e isso, em 2025, não foi trivial. Tivemos melhorias social e econômica moderadas, com inflação mais baixa, mercado de trabalho forte, investimentos na economia verde, mas ainda lidamos de forma temerária com a questão fiscal.


A COP-30 e acordos com a UE e China mostram um país que está aprendendo a usar seu peso - e suas florestas - como instrumentos de diplomacia. Mas, paradoxalmente, o País continua emocionalmente instável. Permanece marcado pela desconfiança estrutural, pela insegurança, pela crônica desigualdade e por um debate público inflamável.


Nenhum exemplo ilustra melhor essa contradição do que a polêmica das Havaianas. Uma campanha publicitária espirituosa protagonizada por Fernanda Torres desencadeou uma tempestade ideológica. Num país que aspira maior protagonismo global, a interpretação de um gesto metafórico virou debate nacional. A controvérsia, pequena, revela falha maior: a incapacidade de construir consenso mesmo em torno de expressões culturais simples.


O Brasil melhora - mas segue brigando com o próprio reflexo. Enquanto precisamos discutir produtividade, educação e crescimento, o pé que se usa para começar o ano vira questão nacional.

Josué Leonel

 *Dólar tem Ptax em meio a saídas; emprego e fiscal: Mercado Hoje*


Por Josue Leonel

(Bloomberg) -- O mercado local encerra o ano com foco no

câmbio, em sessão que define a Ptax de fechamento de dezembro em

meio às remessas de fim de ano, que mantêm o dólar pressionado.

Moeda subiu ontem ao nível R$ 5,57, em um ambiente de liquidez

reduzida, embora deva encerrar o ano com a maior queda desde

2016 - diante do corte dos juros do Fed e carry vantajoso.

Ibovespa também ruma ao melhor ano desde 2016. Agenda doméstica

traz dados que podem influenciar a leitura sobre atividade e

juros, com destaque para taxa de desemprego de novembro e o

Caged, além do resultado primário do setor público, após déficit

do governo central maior que o esperado.

No exterior, os mercados operam sem direção definida na

reta final do ano, em meio à baixa liquidez, enquanto as bolsas

globais caminham para o terceiro ano consecutivo de alta.

Investidores aguardam a ata do Fomc e ADP. No noticiário

corporativo, Azul divulga Ebitda ajustado de R$ 621,8 milhões em

novembro. Em Brasília, PF colhe depoimentos relacionados ao caso

Master e Jair Bolsonaro está estável após novo procedimento.

Inscreva-se na newsletter - Cinco assuntos quentes para o

Brasil hoje - e receba o conteúdo diariamente no seu email:

clique aqui. 

*T

Às 7:33, este era o desempenho dos principais índices:

S&P 500 Futuro estável

STOXX 600 +0,4%

FTSE 100 +0,4%

Nikkei 225 -0,4%

Shanghai SE Comp. estável

MSCI EM +0,1%

Dollar Index -0,1%

Yield 10 anos +0,6bps a 4,116%

Petróleo WTI +0,2% a US$ 58,2 barril

Futuro do minério em Singapura -0,1% a US$ 105,7

Bitcoin +0,8% a US$ 87880,94

*T

Internacional

Mercados globais operam sem direção no fim do ano

* Bolsas internacionais seguem sem tendência definida na reta

final de 2025, em ambiente de baixa liquidez e ausência de

drivers relevantes

* Ainda assim, bolsas globais caminham para o terceiro ano

consecutivo de alta

** MSCI World acumula valorização próxima de 21% em 2025, no

melhor desempenho desde 2019

* No câmbio, o yuan onshore se fortaleceu abaixo do nível de 7

por dólar pela primeira vez desde 2023, enquanto o dólar opera

em leve queda frente a uma cesta de moedas

* Agenda do dia tem como principal destaque a divulgação da ata

da reunião do Fomc de dezembro, às 16:00, após o Fed realizar o

terceiro corte consecutivo de juros e sinalizar apenas uma

redução adicional em 2026

* Entre os dados previstos estão indicador de emprego privado

ADP e o PMI Chicago; China divulga PMIs à noite

* Nos mercados de commodities, prata e ouro ensaiam recuperação

após a forte correção recente, enquanto o cobre segue em alta e

caminha para a mais longa sequência de ganhos desde 2017,

sustentado pelo dólar mais fraco e preocupações com oferta

* Petróleo se mantêm em leve alta, com o mercado equilibrando

tensões geopolíticas envolvendo Venezuela, Rússia e Irã contra

preocupações com excesso de oferta global


Para acompanhar

Ptax no câmbio em meio à pressão por remessas; emprego e

fiscal

* Mercado de câmbio define hoje a Ptax o encerramento de

dezembro

* Ativos começaram ontem a última semana do ano pressionados,

com dólar e juros futuros em alta e Ibovespa em queda, em sessão

de liquidez tipicamente limitada

** Moeda fechou no nível dos R$ 5,57 em meio a remessas de

lucros, que levam o casado de dólar a ficar negativo pela

primeira vez em mais de um ano, o que sugere aumento da demanda

pela moeda no mercado à vista

*** Juros futuros curtos subiram e acompanham pressão no câmbio,

enquanto taxas mais longas operam estáveis

*** Ibovespa caiu em linha com bolsas em NY, mas ruma ao melhor

desempenho anual desde 2016; da mesma forma, dólar caminha para

maior maior baixa anual desde 2016

* IBGE divulga às 9:00 taxa de desemprego nacional de novembro,

estimativa 5,4%, anterior 5,4%

* Governo divulga Caged às 14:00; estimativa de criação de

76.650 empregos em novembro, anterior 85.147

* BC divulga às 8:30 resultado primário do setor público

consolidado de novembro; estimativa -R$ 14,3 bi, anterior +R$

32,4 bi

** Déficit primário do governo central divulgado ontem ficou em

R$ 20,2 bilhões, ante estimativa de resultado negativo de R$

13,2 bilhões em novembro

* Tesouro Nacional divulga às 14:30 o relatório mensal da dívida

de novembro

* Está previsto o vencimento de R$ 176,385 bilhões em LTNs em 1

de janeiro

* Mandatos dos diretores do Banco Central de Política Econômica,

Diogo Guillen, e de Organização do Sistema Financeiro e de

Resolução, Renato Gomes, terminam no fim do ano


Outros destaques

PF colhe depoimentos no caso Master; Bolsonaro estável

* A partir das 14:00, Polícia Federal colhe os depoimentos do

presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, do ex-presidente do

BRB Paulo Henrique Costa e do diretor do Banco Central (BC),

Ailton de Aquino

* Após a coleta dos depoimentos, se a PF entender necessário

procederá fazer a acareação

* Tudo será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do

ministro do STF, Dias Toffoli, e por um membro do Ministério

Público

* Jair Bolsonaro está em condição estável após um procedimento

para bloquear o nervo frênico e controlar uma crise de soluços,

disseram seus médicos a repórteres nesta segunda-feira.

** Bolsonaro ficará em observação por 48 horas e deverá

permanecer no hospital até quinta-feira, disseram os médicos

** Ele deverá ser submetido a uma endoscopia na terça ou quarta-

feira


Empresas

Azul, Localiza

* Azul diz que Ebitda ajustado de novembro foi de R$ 621,8 mi

* Localiza aprova criação de ações preferenciais e bonificação

* Blau aprova aumento de capital com bonificação ações de R$ 400

mi

* Moura Dubeux aprova dividendo de R$ 351,7 mi

Mercado com menor margem

 https://valor.globo.com/financas/intraday/post/2026/01/mercado-entra-em-2026-com-margem-menor-para-erro.ghtml *Mercado entra em 2026 com ma...