segunda-feira, 31 de março de 2025

FGC

 Exclusivo: FGC descarta risco sistêmico em caso Master; compra pelo BRB não revolve todos os problemas


O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) estaria preparado em uma remota quebra do Banco Master, e não vê um risco sistêmico caso isso ocorra, disse uma fonte ao Money Times.


Na última sexta-feira, o Banco de Brasília (BRB) comprou participação no Master por cerca de R$ 2 bilhões.


O FGC está no centro das discussões, já que era utilizado como chamariz pelo próprio Master para vender os CDBs turbinados.


Segundo cálculos do Valor Econômico, o passivo do banco, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, é de 50% do total do FGC. Ou seja, em caso de quebra, o Master sugaria metade da liquidez, usada como colchão para evitar calotes em eventuais falências de instituições financeiras.


Atualmente, o patrimônio do FGC supera R$ 120 bilhões.


Para a fonte, porém, há um trabalho intenso para que isso não ocorra, pois uma possível falência poderia provocar um aumento de contribuição dos bancos, que repassaria os custos para os clientes.


O fato é um dos principais pontos de preocupação de banqueiros e agentes do sistema financeiro, que tratam a venda do Master para BRB como uma espécie de socorro, e, por ser banco controlado pelo governo do Distrito Federal, estatal.


Ainda segundo a fonte, todos os agentes, incluindo o Banco Central e o controlador, estão empenhados em encontrar uma solução, que poderia se arrastar por um longo tempo.


O BC, por exemplo, possui 360 dias para analisar a proposta.


Uma proposta de injeção de capital por parte dos bancos, até agora, não chegou à mesa.


Master: Não resolve tudo


Ainda segundo a fonte, a compra do BRB não resolve todos os problemas. A própria estatal diz que a compra deixará de fora cerca de R$ 23 bilhões em passivos do banco.


“Acho difícil que seja a solução. Eu acho até que possa fazer parte de uma solução. Mas, como o próprio fato relevante do banco disse, tem ativos que eles não comprariam, tem partidos que eles não assumiriam”.


Segundo informações, o banco teria sido oferecido para outros entes privados. Porém, os riscos da carteira, formada por precatórios e ações de empresas em situação financeira frágil, impediram uma compra.


Ao contrário de muitos bancos médios, cuja carteira é composta majoritariamente por empréstimos ao varejo e/ou atacado, aproximadamente 34% da carteira do Banco Master são em títulos e créditos a receber, destaca a Nord Research.


E para se financiar, o Master se utilizava, justamente, dos CDBs (títulos de dívida) turbinados, que tinham rendimento de 140% acima do CDI.


Em 2018, o banco possuía um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 30 milhões. Esse valor cresceu para R$ 5 bilhões em 2024, com a meta de alcançar R$ 10 bilhões até 2026.


Procurado, FGC não comentou até o fechamento da matéria.


O que é o FGC e qual a sua importância?


Entidade privada sem fins lucrativos, o FGC protege depositantes e investidores em caso de falência ou intervenção em instituições financeiras no Brasil.


Ele atua garantindo a devolução de valores aplicados em determinados produtos financeiros, dentro de um limite estabelecido, que no caso é de R$ 250 mil por CPF.


O arcabouço foi criado para evitar crises no sistema financeiro, após traumas de bancos que quebram nos 1990 e deixaram inúmeros investidores e clientes na mão.


Além de cobrir prejuízos, o FGC pode atuar para ajudar instituições em dificuldades antes que cheguem à falência, reduzindo impactos econômicos negativos.


As instituições financeiras devem contribuir com 0,0125% (1,25 por mil) sobre o saldo dos depósitos elegíveis à garantia.


Risco político?


No Congresso Nacional, pipocaram propostas que visavam aumentar limite de garantia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa.


A proposta era encabeçada por Ciro Nogueira (PP-PI), com o objetivo de ampliar a proteção aos depositantes e fortalecer a confiança no sistema bancário nacional.


Posteriormente, em novembro de 2024, o deputado Filipe Barros (PL-PR) apresentou o Projeto de Lei 4.395/2024, propondo o mesmo aumento no limite de garantia do FGC


Em resposta, diversas entidades do setor financeiro manifestaram-se contrárias a essas propostas.


De acordo com as associações, iniciativas desse tipo “poderão comprometer a experiência exitosa do FGC no estabelecimento de uma rede de segurança efetiva para os investidores e depositantes mais vulneráveis e o sistema financeiro”.


“Como o limite de garantia ordinária atual, de R$ 250 mil, já cobre mais de 99% do número de contas e de depósitos


https://www.moneytimes.com.br/exclusivo-fgc-descarta-risco-sistemico-em-caso-master-compra-pelo-brb-nao-revolve-todos-os-problemas-rnda/amp/

Lula, Bolso, Putin e Trump

 https://www.estadao.com.br/politica/fabiano-lana/questao-ucraniana-revela-as-semelhancas-cruciais-entre-lula-bolsonaro-putin-e-trump/


*Questão ucraniana revela as semelhanças cruciais entre Lula, Bolsonaro, Putin e Trump*


_Todos esses políticos se opõem a uma ordem liberal que tenha como pilares o multilateralismo, fronteiras abertas e o livre comércio. Querem de volta um mundo baseado em líderes fortes, populistas, com suas áreas de influência_.


Por Fabiano Lana


Do ponto de vista de como deveria se organizar a nova ordem mundial, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o americano Donald Trump e o russo Vladimir Putin possuem muito mais semelhanças do que admitem seus cegos e mesmo ponderados admiradores. Todos esses políticos se opõem a uma ordem liberal que tenha como pilares o multilateralismo, fronteiras abertas e o livre comércio. Querem de volta um mundo baseado em líderes fortes, populistas, com suas áreas de influência.


Um tira-teima dessa tese foram os elogios de Lula a Trump, no último fim de semana, sobre a questão ucraniana. “Eu poderia ser radical contra Trump, mas na medida que o Trump toma a decisão de discutir a paz entre Rússia e Ucrânia, que o Biden deveria ter tomado, eu sou obrigado a dizer que o Trump está no caminho certo”, disse Lula, em entrevista coletiva no Vietnã.


Caminho certo para a paz, traduza-se: a Ucrânia, como país invadido, perde uma parte de seu território para os invasores. E, segundo esses neorrussófilos, ainda teve a sorte de não sucumbir completamente. Como justificativa, entre outras, mesmo agredido, o país teria ido longe demais ao pleitear entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), assim como já fizeram países como Polônia, Croácia, Albânia e, mais recentemente, a Suécia.


A Rússia alega estar sendo cercada pelo ocidente num discurso ecoado por autoridades como o vice-presidente americano J. D. Vance e o conselheiro internacional do presidente Lula, Celso Amorim (esses também, irmanados). Mas que tal pensar que seja o contrário? Nos pequenos países bálticos, por exemplo (Estônia, Letônia, Lituânia), a soberania se mantém apenas devido à aliança militar externa. Em todas essas nações há, inclusive, “museus da ocupação” em que se contam os horrores que sofreram na mão dos russos – incluindo o envio dos “inimigos” aos gulags – os campos de concentração soviéticos. Sabem que, se não estiverem com uma proteção externa consistente, não sobrevivem. Mas para invocar uma metáfora que remete ao machismo, a Ucrânia teria “utilizado a saia curta” ao flertar com a OTAN, e por ir isso mereceu ser agredida. Nesse caso, tanto Lula, Bolsonaro, Trump e, por certo, Putin, tendem a concordar.


Mas vamos nos concentrar no Brasil um pouco. Lula quer mesmo a paz? É o seu objetivo final? Se a gente olhar a história pelas lentes de certos pensadores como Friedrich Nietzsche, a resposta é não. O que Lula pretende com seus posicionamentos é obter mais poder, aumentar as credenciais internas e externas, e, no fundo, beneficiar principalmente a si mesmo. “Ao fazer o bem e fazer o mal a outros, exercitamos neles o nosso poder – é tudo o que queremos nesse caso!”, escreveu o pensador alemão, no livro “A Gaia Ciência” (A citação está na página 64 da edição de 2005 da Companhia das Letras). Podemos especular também que, impopular no front interno, Lula tenta novamente se apresentar como poderoso do ponto de vista internacional.


De um lado, além de todo ranço contra a globalização, hoje representada mais pela Europa do que pelos EUA, o petismo/lulismo ainda abriga certa nostalgia dos países totalitários da chamada Cortina de Ferro – oponente da OTAN – então liderada pela União Soviética. A queda do muro de Berlim, em 1989, e a dissolução desse grupo comunista, é um trauma não superado pela nossa esquerda. Não é sem razão que Lula quer ir à Rússia em maio, nas comemorações dos 50 anos do final da Guerra Mundial, mesmo que hoje Putin seja procurado pelo Tribunal Penal Internacional.


Do outro lado do espectro ideológico na nossa polarização tupiniquim, com a eleição de Trump os bolsonaristas de redes passaram imediatamente a apoiar todas as ambições do americano, inclusive sobre como deve ser feita a paz na Ucrânia – com a sessão do território para os russos. Portanto, temos lulistas e bolsonaristas juntos contra os interesses de um país europeu.


Bolsonaro não esconde a posição de submisso a Trump. Tenta espelhar suas ações e ideias. Em suas franjas, o bolsonarismo sonha com uma espécie de retaliação do governo atual dos Estados Unidos contra a inevitável condenação de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal pela malfadada tentativa de golpe de Estado. Aparentemente, essa é uma das missões do filho 03, Eduardo Bolsonaro, no autoexílio americano.


Enfim, Lula, Bolsonaro, Trump e Putin mostram as verdadeiras faces e os verdadeiros inimigos. Todos os que, principalmente nos anos 90, sonharam com uma ordem liberal, multilateral e global. Na época, chegaram até a afirmar que seria o ápice (ou o fim) da história – Período em que os mandatários eram FHC, por aqui, Bill Clinton, nos EUA ou Tony Blair, na Inglaterra. Os tempos mudaram. Hoje os líderes – os países mais e menos poderosos – são, em geral, mais paranóicos e desconfiados uns dos outros. Se irão prosperar em suas convicções, só a história pode nos dizer."

Algoritmo

Quais características um algoritmo precisa ter para se apropriar de vantagens quânticas reais — mesmo sem depender diretamente de hardware quântico:

O algoritmo precisa explorar uma estrutura que seja intrinsecamente difícil de capturar classicamente

A computação quântica se destaca não simplesmente por ser “mais rápida”, mas por explorar estruturas matemáticas que são invisíveis, dispersas ou difusas para algoritmos clássicos.


No caso do algoritmo de Shor, que fatoriza inteiros grandes de forma exponencialmente mais eficiente que qualquer algoritmo clássico conhecido, a chave está na descoberta do período de uma função aritmética. A periodicidade é algo que algoritmos clássicos podem detectar, mas com enorme custo — enquanto a abordagem quântica a extrai de forma natural usando interferência e superposição.


Então, a primeira característica essencial é:


O problema deve ter uma estrutura matemática oculta que pode ser revelada por interferência quântica.


Isso inclui periodicidades, simetrias espectrais, autovalores de operadores, padrões de fase, ou subespaços lineares ocultos.

[31/03, 13:15] +55 11 91289-1333: o algoritmo deve ser sensível à fase, e não apenas à probabilidade

O que distingue algoritmos quânticos de modelos probabilísticos clássicos é o uso de amplitudes complexas, cujas fases interferem umas com as outras. Isso significa que o algoritmo precisa depender da estrutura de fase e do cancelamento construtivo/destrutivo de caminhos computacionais.


Voltando ao algoritmo de Shor: após o mapeamento do problema de fatoração para a busca de um período, o algoritmo aplica a transformada de Fourier quântica, que é uma versão unitária e reversível da clássica transformada discreta de Fourier.


O que essa transformada faz, de forma elegante e compacta, é converter padrões de periodicidade que estão codificados nas fases dos vetores quânticos em valores mensuráveis com altíssima eficiência.


Ou seja:


Para ser vantajoso, o algoritmo precisa transformar padrões de fase em informação acessível por medição.


Esse processo só faz sentido se o algoritmo opera no domínio da fase, não apenas da magnitude — algo que muitos algoritmos quânticos simulados (ou inspirados) esquecem.

[31/03, 13:15] +55 11 91289-1333: o algoritmo deve ser reversível e unitário em sua lógica, mesmo que simulado classicamente

Todo algoritmo quântico é modelado como uma sequência de operações unitárias e reversíveis, o que contrasta com muitos algoritmos clássicos destrutivos ou irreversíveis (como ordenações que descartam intermediários).


Mesmo ao emular algoritmos quânticos em computadores clássicos — por exemplo, usando tensores, circuitos parametrizados ou máquinas de Boltzmann quânticas — a lógica reversível e coerente deve ser preservada, pois é essa lógica que permite o acoplamento coerente de caminhos computacionais e a interferência.


Em suma:


Um algoritmo quântico funcional, mesmo simulado, deve preservar reversibilidade, coerência e estrutura linear.

O algoritmo deve permitir interferência coerente entre soluções candidatas

O poder de algoritmos como o de Shor, Grover ou HHL (sistemas lineares), não está apenas na velocidade — está na capacidade de explorar simultaneamente múltiplos caminhos computacionais e deixar que a própria física determine o caminho mais eficiente por interferência.


Se um algoritmo busca soluções isoladamente (como a maioria dos heurísticos clássicos), ele perde o núcleo do “efeito quântico”.


Assim, mesmo quando simulamos ou usamos algoritmos quântico-inspirados (como em otimizações baseadas em annealing ou circuitos variacionais), é essencial preservar a propriedade de que:


As soluções candidatas “conversam” umas com as outras via interferência, ao invés de competir por prioridade.


Esse princípio exige lógica de programação declarativa e funcional, não imperativa e sequencial.

A medição ou colapso da solução deve emergir da estatística de observação, e não de decisão determinística

Na computação clássica, a resposta é construída passo a passo.


Na computação quântica — e em seus análogos simulados — a resposta emerge das estatísticas de observação de um sistema que evoluiu de forma coerente.


Ou seja, o algoritmo deve ser probabilístico ao final, mas não ao longo do processo. O caráter probabilístico vem da medição de um sistema bem estruturado — não de sorteios aleatórios ao longo do caminho.


Essa sutil diferença é crítica:


A incerteza final de um algoritmo quântico não é ruído, mas sinal.


Portanto, um bom algoritmo quântico (ou inspirado) deve focar em estruturar o espaço de probabilidades de saída, não em buscar diretamente a melhor saída.

[31/03, 13:16] +55 11 91289-1333: Aplicando esses princípios hoje, sem hardware quântico

Usando essa ótica, mesmo algoritmos clássicos podem ser redesenhados para se comportar de forma quântica, extraindo vantagens práticas como:


Exploração paralela implícita do espaço de soluções (como em tensor networks);\n- Otimização via modelos inspirados em interferência (como quantum-inspired annealing);\n- Detecção de padrões via métodos de espectro (como Fourier e wavelet transformadas estruturadas);\n- Uso de reversibilidade lógica para economia de memória e reversão de trajetórias computacionais;\n- Representações probabilísticas estruturadas (como samplers baseados em entanglement lógico).

Cesinha Benjamin

Por Cesar Benjamin 

Anotem aí: salvo em situações excepcionais, não acredite em narrativas de torturas feitas em primeira pessoa. 


Quando mais escalafobéticas, mais mentirosas. Elas se tornaram um prato feito para os picaretas e os traidores.


Quem foi torturado não gosta de falar disso. É imensamente doloroso. Nem a minha família conhece detalhes do meu pesado ciclo de interrogatórios. 


Lembro-me de ter falado apenas uma vez desse assunto, sinteticamente, em depoimento à Comissão da Verdade. Era um imperativo moral.


Ultimamente, ouvi um cidadão dizer que “fui torturado diariamente durante seis meses”. Outro, um eterno deputado estadual, garante que “carrego no meu corpo as marcas da tortura”.  Outro(a) foi torturada durante 38 dias, sem nada revelar.


Todos foram delatores, que não receberam nem um beliscão. Não conheceram a tortura, que não se conta em meses nem em semanas e nem mesmo em muitos dias em sequência, mas em horas intercaladas. 


Vomito nesses filhos da puta. É um imenso desrespeito.


As pessoas mais éticas são as mais silenciosas.  As mais estridentes são as mais canalhas. Para elas, a verdade não é um valor.


A esquerda brasileira está repleta de canalhas. Sei do que estou falando.


__________


Em tempo - Conheço bem e respeito a história política, pessoal e intelectual de César Benjamin. Entrou para a guerrilha urbana ainda adolescente. Participou de ações armadas. Foi um dos guerrilheiros mais procurados pelo aparelho de repressão. Preso, foi dos mais torturados. Conheço detalhes de seu interrogatório. Aguentou muitos anos em Bangu. Com a Anistia, reconstruiu a vida como editor. Fundou o PT e depois o PSol, mas rompeu com ambos quando esses partidos desandaram. Respeito Benjamin também por sua coerência e honestidade ideológica.


Tem semanas que aparecem nas redes sociais dezenas de relatos escalafobeticos de supostas torturas d'antanho, cada uma mais inverossímil que a outra. Choques elétricos em bebês, crianças em pau de arara, tesouras em bicos de seios, estupros coletivos, tortura por semanas, meses, anos... Alguns dos supostos torturados conheci pessoalmente. Conheço bem os métodos de interrogatório da ditadura militar. Aliás, minhas teses de mestrado e doutorado trataram do tema.


Enfim, muito estranha essa onda de relatos a esta altura da nossa história. O regime militar durou 20 anos, sendo sete sob ditadura explicita. A democracia foi instaurada há 40 anos. A Comissão Nacional da Verdade, que terminou há 12 anos, foi fundo na apuração das violações dos Direitos Humanos... e agora, do nada, as redes sociais são tomadas de relatos de tortura. 


O que está por trás disso? Será que buscam justificar os estupros coletivos que Suas Supremas Sapiências têm perpetrado contra a Carta Magna?


Não sei. Mas sei que esses relatos extemporâneos e inverossímeis estão incomodando um ex guerrilheiro de verdade, que de fato foi estupidamente torturado, mas que não está gostando da banalização desses crimes.

Bankinter Portugal Matinal 3103

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: O inesperado aumento do Deflator PCE Subjacente na sexta-feira (+2,8% vs. +2,7% anterior, revisto em alta desde +2,6% preliminar) acrescentou uma espécie de “choque de realidade” em relação ao que é uma consequência indireta de qualquer guerra comercial: mais inflação. Isto é algo que iremos sofrer com severidades no segundo semestre deste ano e que irá forçar os bancos centrais (na verdade, já o está a fazer) a resistir a continuar a baixar taxas de juros. E, por isso, uma semana que oferecia um saldo quase neutro até quinta-feira, terminou claramente negativa na sexta-feira. Sexta-feira foi, francamente, má no fecho americano, e também por isso a Ásia (Japão, principalmente) com queda forte esta madrugada (-4%) e os futuros sobre bolsas retrocedem apreciavelmente (-0,8%/-1%).


A chave desta semana está na quarta-feira: é o dia que Trump escolheu para especificar os detalhes dos impostos alfandegários que os EUA começarão a aplicar a partir de quinta-feira, 3. O facto de ter denominado a quarta-feira como “Liberation Day” leva a pensar que os detalhes das medidas alfandegárias não irão retirar gravidade ao assunto em relação ao esperado; isto é, que não aplicará isenções relevantes por produtos nem países, por agora. Fará isso depois de ter conseguido o impacto populista suficiente que deseja, visto que, insistimos novamente, a história económica demonstra que todos perdem numa guerra comercial: menos comércio, menos PIB, mais inflação… Isto é, que não podemos esperar algo melhor ou suavizado na quarta-feira. Portanto, se as bolsas se animarem um pouco (improvável) com uma inflação europeia bastante contida entre segunda e terça-feira (repetir em +2,3%), é melhor desconfiar, porque a concretização alfandegária provavelmente será tão má como parece (pelo menos de momento e até conseguir o impacto populista que deseja). 


E, para terminar de fechar o círculo, o Emprego americano de sexta-feira, ao ser registo de março, poderá oferecer os primeiros indícios de debilitamento derivados da incipiente guerra comercial. Porque os primeiros indicadores adiantados americanos publicados nestes dias recebem uma deterioração de confiança que deve estar a afetar já o Consumo Privado e o Investimento. E uma amostra disso é, simplesmente, o retrocesso de quase -5% de Wall St. até agora, este ano. Reduzir riscos é uma grande ideia.


CONCLUSÃO: A semana parece especialmente fraca. Convém não se fiar nas subidas, quando sobe, que não será hoje. Ásia muito fraca esta madrugada, após Nova Iorque semelhante na sexta-feira. Sendo a semana de concretização de impostos alfandegários (quarta-feira) e considerando o fracasso (era previsível, por outro lado) das “negociações” de Trump sobre a Ucrânia, não devemos esperar nada de bom nos próximos dias e implementar a descida de exposição ao risco que temos vindo a insistir desde 24 de março, na publicação da nossa Estratégia de Investimento 2T 2025 (em espanhol; a versão portuguesa será disponibilizada esta semana).


S&P500 -2% Nq-100 -2,6% SOX -3% ES-50 -0,9% IBEX -0,8% VIX 21,7 Bund 2,73% T-Note 4,20% Spread 2A-10A USA=+35pb B10A: ESP 3,36% PT 3,24% FRA 3,43% ITA 3,85% Euribor 12m 2,349% (fut.2,203%) USD 1,084 JPY 161,5 Ouro 3.114$ Brent 73,4$ WTI 69,0$ Bitcoin -3,4% (82.250$) Ether -5,3% (1.810$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 3103

 *Rosa Riscala: Semana das tarifas projeta alta volatilidade*


… A semana reserva índices PMI industrial e de serviços de vários países, mas o dia D é a 4ªF, 2 de abril, quando Trump anunciará as tarifas recíprocas, que ninguém sabe de quanto serão, se pouparão alguns setores ou serão aplicadas de forma generalizada. O ceticismo aumentou com a taxação de 25% sobre automóveis importados e, à medida que o mercado se prepara para as tarifas e, depois, para o payroll e a fala de Powell (6ªF), a expectativa é de muita volatilidade. Os receios de estagflação podem ser ampliados a depender do que virá, inclusive possíveis retaliações dos parceiros comerciais. O cenário de incerteza coloca o mundo de sobreaviso. Na agenda doméstica são destaques a produção industrial de fevereiro e a balança comercial de março.


… O déficit nas transações correntes em fevereiro elevou a expectativa para o resultado das exportações (sai 6ªF). Já os números da produção industrial (na 4ªF) serão importantes para medir a desaceleração da atividade apontada pelo Copom.


… Nos EUA, o relatório do emprego ganha ainda mais relevância após o núcleo do PCE ter vindo acima do previsto (abaixo), junto com a deterioração das expectativas de inflação futura no índice de confiança da Universidade de Michigan.


… No mesmo dia do payroll, Powell pode ajustar o seu discurso otimista sobre o caráter “transitório” da inflação, sobretudo de for confirmada uma tarifa mais agressiva, que pode se transformar em uma guerra comercial de maiores proporções.


… Muita gente ainda acredita que Trump vai flexibilizar, ou abrir negociações após dar o susto inicial, mas a verdade verdadeira é que está todo mundo no escuro, sem coragem para apostar contra as ameaças do imprevisível presidente.


… Trump passou a maior parte da semana passada minimizando as expectativas para seu plano de tarifas recíprocas, dizendo que seria “mais gentil” do que suas promessas iniciais de igualar as tarifas dos EUA com as cobradas por outras nações.


… No vaivém das declarações diárias, chegou a dizer que consideraria isentar algumas nações de tarifas completamente.


… Mas nos últimos dias Trump teria pressionado sua equipe a ser mais agressiva, segundo fontes da agência Dow Jones, pedindo planos que aplicariam taxas mais altas para um conjunto mais amplo de nações.


… Assessores teriam proposto tarifas globais de até 20% que atingiriam praticamente todos os parceiros comerciais dos EUA.


… A tarifa linear é uma ideia que vem da campanha eleitoral de Trump, aparentemente substituída por tarifas recíprocas, ou seja, “o que eles [outras nações] cobram de nós, nós cobramos deles”, como o presidente cansou de dizer.


… Esse plano recíproco ainda está na mesa, disse um funcionário do governo da Casa Branca, acrescentando que Donald Trump está inclinado a tarifar todas as nações com as quais os EUA têm um déficit comercial.


… A perspectiva de uma escalada radical na guerra comercial global nos próximos dias quase dobrou a probabilidade de recessão na economia dos Estados Unidos nos próximos 12 meses para cerca de 35%, de acordo com o Goldman Sachs.


… Em nota, o banco diz que atualizou sua estimativa de recessão em função do crescimento mais baixo, da forte deterioração na confiança das famílias e da disposição da Casa Branca para aceitar a fraqueza econômica na busca de suas políticas.


… Analistas do Goldman esperam que Trump anuncie tarifas recíprocas de, em média, 15% para todos os parceiros comerciais.


… O banco elevou a perspectiva para o PCE, a medida preferida de inflação do Fed. A sua projeção para o índice agora é de 3,5% para o final do ano, enquanto a previsão para o PIB americano caiu para 1,0%.


… Os seus analistas preveem ainda três cortes consecutivos de juros este ano – em julho, setembro e novembro.


… Também para o ING, a combinação de inflação alta e consumo em desaceleração nos EUA tende a se intensificar com medidas agressivas de Trump. Diz o banco que os temores de estagflação estão aumentando e devem limitar a capacidade do Fed.


… Fed boys se mantêm favoráveis à condução da política monetária atual, projetando dois cortes de 25pbs na taxa de juros neste ano, mas já começam a aparecer projeções mais duras, como de Raphael Bostic. Ele esperava dois cortes e agora espera um.


… Nesta semana, além de Powell, falam os Fed boys Tom Barkin (amanhã), Adriana Kugler (4ªF), Philip Jefferson e Lisa Cook (5ªF), Michael Barr e Christopher Waller (6ªF). Pelo BCE, fala Christine Lagarde, amanhã (3ªF).


RETALIAÇÕES – O chanceler alemão, Olaf Scholz, disse neste domingo que a Europa quer cooperar com os EUA, mas que a União Europeia está pronta para responder em conjunto caso Washington não deixe outra escolha.


… Scholz falou na abertura da feira comercial industrial de Hannover, na Alemanha.


PESQUISA – Pesquisa realizada pelo YouGov, em parceria com a CBS News, aponta que 72% dos americanos esperam aumento de preços no curto prazo devido às tarifas de Trump e 47% veem impacto inflacionário no longo prazo.


… As expectativas de impacto das políticas econômicas do governo pioraram em relação ao levantamento realizado em janeiro.


… De acordo com a pesquisa, 42% dos entrevistados avaliam que as medidas da administração Trump estão piorando a sua vida financeira, contra 28%. Atualmente, 60% dos americanos se dizem insatisfeitos com a economia dos EUA.


ENTREVISTA – Ainda assim, Trump admite que quer um terceiro mandato. Voltou a comentar sobre essa possibilidade, em 2030, em entrevista à NBC News, no sábado, afirmando que “não está brincando” e que “há métodos para fazer isso”.


… Outra declaração foi sobre Groenlândia, quando não descartou o uso de força militar para anexar o território.


HADDAD – Ao Financial Times, o ministro disse que o Brasil está bem posicionado para enfrentar uma guerra comercial por ser um dos principais exportadores de commodities e com forte vínculo com os três blocos econômicos do mundo.


LULA – Já o presidente afirmou no sábado, em Hanói, que tentará negociar ao máximo com os EUA antes de adotar o que chamou de reciprocidade tarifária ou recorrer à OMC como resposta a aumentos da taxação americana a produtos brasileiros.


… Durante fala à imprensa, Lula reforçou que, além do mercado de carnes, foi discutida em sua viagem ao Vietnã a necessidade de a Embraer vender cerca de 50 aviões ao país, como um ponto de partida para o acesso ao mercado da Asean.


MASTER & BRB – Banqueiros da Faria Lima ouvidos pelo Broadcast veem com ceticismo a possibilidade de o Banco Central avalizar a aquisição de uma fatia no Master pelo banco público do Distrito Federal, o BRB.


… “Qualquer um que sabe ler balanço de banco entende que não deveria aprovar”, disse uma das fontes.


… Um acordo de aquisição de 58% do capital total do Master pelo BRB, estimado em R$ 2 bilhões, foi anunciado na 6ªF. O Banco Central informou que fará análise técnica da operação para autorizá-la (ou não), após receber pedido do Master.


… O banco tem fragilidades na estrutura operacional e financeira, com carteira de crédito baseada em precatórios e empréstimos para empresas sem liquidez e um funding dependente de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).


… O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirma que o novo conglomerado não vai precisar de capitalizações, além das que já estão sendo analisadas pelo BC, uma de R$ 2 bilhões para o Master e outra de R$ 750 milhões para o BRB.


… Outro banqueiro consultado diz que o Willbank, fintech adquirida pelo Master em 2024, também apresenta problemas. Com o foco em clientes de baixa renda, o Will tem inadimplência bem acima da média do mercado, mesmo entre bancos digitais.


… Em dezembro de 2023, antes de acertar a venda ao Master, a fintech contratou captações a prazo junto ao banco.


MAIS AGENDA – Além da produção industrial de fevereiro e da balança comercial de março, os indicadores domésticos preveem nesta semana o PMI industrial da S&P Global (3ªF), IPC-Fipe de março (4ªF), PMI de serviços (5ªF) e o IGP-DI de março (6ªF).


… Daqui a pouco (8h25), a pesquisa Focus conferem as projeções do mercado sobre inflação, Selic, PIB e câmbio.


… Nos EUA, a agenda é intensa, com vários dados do emprego antes do payroll, com o relatório Jolts (3ªF) e a pesquisa ADP (4ªF), além dos índices de atividade de março, sendo os principais: PMI/S&P Global e PMI/ISM (3ªF) e ISM/Serviços (5ªF).


… Também na zona do euro, os índices de atividade medem a economia do bloco, com o PMI industrial (3ªF) e serviços (5ªF).


… Na China, o PMI industrial subiu a 50,5 em março (previsão de 50,3). Hoje à noite sai o PMI/Caixin e, na 4ªF, serviços.


… Na madrugada de amanhã (3ªF), o BC da Austrália anuncia decisão de política monetária.


IRÃ VS EUA – O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, rejeitou neste domingo negociações diretas com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, oferecendo a primeira resposta de Teerã a uma carta que Trump enviou ao país.


… Pezeshkian disse que a resposta do Irã deixou aberta a possibilidade de negociações indiretas com Washington, mas observou que tais conversas não fizeram nenhum progresso desde que Trump retirou os EUA do acordo nuclear de Teerã em 2018.


… Respondendo a Pezeshkian, o Departamento de Estado dos EUA disse que “se Irã não quiser um acordo, o presidente Trump vai buscar outras opções, o que será muito ruim para o Irã”. Na entrevista à NBC News, Trump também falou sobre isso.


… “Haverá um bombardeio e será um bombardeio como jamais visto antes por eles.”


INFLAÇÃO LÁ E CÁ – Wall Street, que vive há semanas com o vaivém tarifário de Trump e a grande incerteza que isso causa, teve um forte baque na 6ªF com a pesquisa mensal da Universidade de Michigan, depois de um núcleo de PCE salgado.


… Não só a confiança do consumidor despencou, como o americano médio tem a pior percepção da inflação de longo prazo em 32 anos, o que já se reflete na disposição de compra de bens e serviços.


… O mau humor aumentou depois de Trump dizer que “certamente” seguirá com a implementação das tarifas sobre o Canadá.


… Nessa expectativa, as techs derreteram, com Amazon, Meta e Alphabet recuando mais de 4% e levando o Nasdaq a perder 2,70% (17.322,99 pontos). O Dow caiu1,69% (41.583,90 pontos) e o S&P 500, -1,97% (5.580,94).


… O núcleo do PCE – indicador de inflação favorito do Fed – subiu a 2,8% em fevereiro, de 2,7% em janeiro, na base anual, acima das expectativas. Os gastos com consumo tiveram alta de 0,4%, menos que o 0,5% esperado.


… Já a Universidade de Michigan mostrou que o sentimento do consumidor caiu de 64,7 em fevereiro para 57,0 em março. As expectativas de inflação deram um salto: para um ano, de 4,3% para 5,0%, e para cinco anos, de 3,5% para 4,1%.


… A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, reagiu aos dados dizendo que o cenário mais provável é de volta da inflação com as tarifas, embora ainda preveja dois cortes de juros neste ano.


… O CIBC disse que a inflação PCE forte vai “testar os nervos” do Fed e manterá os juros altos por mais tempo.


… O temor que as tarifas acabem provocando necessidade de maior emissão de papéis, além da demanda por ativos seguros, fez os rendimentos caírem. O yield da note de 2 anos cedeu a 3,911% (de 3,994%) e o da note de 10 anos a 4,259% (de 4,362%).


… Os receios de estagflação estão por trás da queda do dólar, afirmaram analistas do Deutsche Bank. Já para o banco holandês ING, a alta contínua do ouro seria o indicativo de certa “perda de confiança” na moeda americana.


… O índice DXY recuou 0,28%, a 104,044 pontos. O iene serviu como o porto seguro da vez e subiu 0,78% 149,860/US$. O euro teve ganho de 0,27%, a US$ 1,0828. A libra esterlina ficou estável (-0,07%), em US$ 1,2945.


… Por aqui, as preocupações com a inflação também pegaram. O Caged de fevereiro confirmou os rumores da véspera e veio com saldo de 431.995 empregos criados, maior número da série, confirmando o mercado de trabalho muito forte.


… O Caged, disse o Bradesco, “indica um crescimento robusto da atividade econômica no primeiro trimestre do ano”. Para o banco, isso deve implicar uma taxa Selic ainda bem restritiva para colocar a inflação na meta.


… Os juros futuros deram um salto com o dado do emprego, mas desaceleraram depois, já que um dia antes tinham repercutido o rumor, que virou fato. A curva voltou a apontar alta de 75pb na reunião do Copom em maio.


… No fechamento, o Jan/26 subiu a 15,115% (de 15,100%); o Jan/27, a 15,060% (de 15,000%); o Jan/29, a 14,820% (de 14,780%); o Jan/31, a 14,940% (de 14,880%); e o Jan/33, a 14,940% (de 14,870%).


… A Pnad Contínua do trimestre até fevereiro, divulgada na mesma 6ªF, veio dentro do esperado, confirmando a força do mercado de trabalho, com taxa de desemprego de 6,8%, 1 ponto percentual abaixo do mesmo período em 2024.


… Com o cenário externo avesso ao risco, o real perdeu terreno para o dólar. Mas após o Caged indicar chance de Selic mais alta por mais tempo, beneficiando o carry trade, o dólar fechou longe da máxima do dia, com alta de 0,15%, a R$ 5,7618.


… Na semana, subiu 0,77%. Em março, ainda acumula queda de 2,61%.


… O Ibovespa não resistiu à pressão de lá e de cá e perdeu os 133 mil pontos, fechando com queda de 0,94%, aos 131.902,18 pontos e volume financeiro fraco, de R$ 18,2 bilhões. Na semana, a queda foi de 0,33%.


… Em linha com suas respectivas commodities, Vale caiu 1,01% (R$ 57,56), fechando na mínima, com o minério de ferro em Dalian em baixa de 0,19%. Petrobras ON perdeu 0,99% (R$ 41,07) e PN cedeu 0,64% (R$ 37,43).


… Na linha de fuga do risco, o Brent/junho recuou 0,79% (US$ 72,76), na ICE, mas fechou a 3ª semana de alta (+1,4%).


… Bancos também ficaram no vermelho: Itaú (-1,37%; R$ 31,69), Santander (-1,06%; R$ 27,13), Bradesco PN (-1,38%; R$ 12,84), Bradesco ON (-0,60%; R$ 11,62) e Banco do Brasil (-0,17%; R$ 28,64).


… Cogna (+3,92%) liderou o ranking positivo, seguido por Minerva (+2,31%), Hypera (+1,43%) e Marfrig (+R$ 18,06). As maiores perdas do dia foram de Vamos (-9,32%), Grupo Pão de Açúcar (-4,90%) e Usiminas (-3,87%).


EM TEMPO… JBS anunciou investimento de US$ 100 milhões para a construção de duas fábricas no Vietnã, para expandir presença na região e fortalecer a posição no mercado global…


… As plantas serão responsáveis pela produção de carne bovina, suína e aves, e utilizarão matérias-primas importadas do Brasil.


PETROBRAS. Conselho nomeou Aloisio Macário em substituição a Marcelo Gasparino no colegiado.


BB desembolsou mais de R$ 600 milhões em operações do novo consignado privado, chamado “Crédito do Trabalhador”, desde que o programa entrou em vigor, no dia 21. Foram contratadas operações em mais de 3 mil municípios.


GRUPO PÃO DE AÇÚCAR. Conselho de Administração aprovou termos da incorporação da GPA Malls pela companhia; operação será submetida a assembleia geral do GPA para aprovação…


… A gestora Trustee DTVM, responsável pelo fundo Saint German, que detém mais de 3% do capital da companhia, solicitou a convocação de uma AGE para destituir o atual conselho de administração e eleger uma nova composição para o órgão.


BRF lançou oferta para captação de até R$ 1,25 bilhão por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio, em quatro séries.


QUALICORP. Acionistas aprovaram novo Plano de Incentivo de Longo Prazo da companhia; plano prevê a concessão de ações restritas e/ou opções de compra de ações para as pessoas elegíveis, conforme as regras estabelecidas.


CPFL ENERGIA protocolou na Aneel pedido de renovação por 30 anos de três concessões de distribuição de energia (RGE Sul Distribuidora de Energia Elétrica, CPFL Paulista e CPFL Piratininga); concessões vencem entre 2027 e 2028.


EQUATORIAL apresentou proposta para pagamento de proventos totais no montante bruto de R$ 556,6 milhões correspondente ao exercício de 2024, sendo R$ 210,9 milhões em JCP e R$ 345,6 milhões em dividendo mínimo obrigatório…


… A assembleia está marcada para o dia 30 de abril. A administração propõe ainda que o saldo remanescente ao lucro líquido apurado no ano passado, no valor de R$ 2,003 bilhões, seja destinado à reserva para investimento e expansão…


… Empresa protocolou junto à Aneel requerimento para prorrogação por 30 anos dos contratos de concessão de distribuição de energia que detém no Pará e no Maranhão. Concessão no PA termina em 2028 e no Maranhão, em 2030.


ONCOCLÍNICAS aprovou recompra de até 52 milhões de ações ordinárias de emissão da companhia, que correspondem a 8,78% do total em circulação. O programa poderá ser realizado dentro do prazo de até 18 meses.


ELETROBRAS confirma que José João Abdalla Filho, conhecido por Juca Abdalla, é candidato ao conselho de administração e pediu dispensa das regras de elegibilidade para disputar vaga no colegiado. Ele já integra o conselho da Petrobras.


CASAS BAHIA propôs aos acionistas a inclusão de uma cláusula de “poison pill” em seu estatuto social, para proteger a empresa de tentativas hostis de tomada de controle…


… A proposta será votada em assembleia geral ordinária e extraordinária (AGOE), marcada para o dia 30 de abril…


… Pela proposta, o estatuto da empresa passaria a prever que acionistas que cheguem a 20% ou mais do capital da varejista sejam obrigados a comprar todos os demais papéis através de uma oferta pública de aquisição (OPA).

domingo, 30 de março de 2025

Banco Master

 BANCO MASTER – O MALABARISMO FINANCEIRO, OU COMO FAZER UM AGIOTA CORAR


Se Ivan Sant’Anna encontrasse Fernando Blanco no balcão de um boteco de mercado financeiro, saía esse texto. Sarcástico. Incisivo. E, claro, com aquele tom de “eu avisei” que só quem sobreviveu a crises sabe usar.



O malabarismo verbal continua. E eu me desmancho de rir.


Não é piada. É o Brasil. O país onde banqueiro malandro é promovido a herói e banco podre vira ativo estratégico.


Vamos aos fatos: o Banco Master, um nome que até outro dia era sinônimo de CDB com juro de agiota, virou sócio de um banco estatal. E não qualquer banco: o BRB, o querido do governo do Distrito Federal, aquele que tem funding tão barato que faz chover depósito com um telefonema — ou talvez por telepatia. Pois bem, o BRB resolveu comprar um banco que ninguém queria nem de graça.


E por quê?


Porque o Master estava encalhado. Podre. Saturado de ativos que fariam o Credit Suisse parecer conservador. Alguém precisava salvá-lo. E ninguém no mercado privado — repito, ninguém — quis encostar no defunto.


Você, que tem um pouco de memória, deve lembrar: o Master cresceu mais do que criança de novela da Globo. Em três anos, multiplicou por dez o patrimônio. Como? Com uma receita digna de Las Vegas: captar bilhões via CDBs a 140% do CDI (sim, você leu certo) e despejar o dinheiro em precatórios, empresas em recuperação judicial e outras aventuras que fariam um hedge fund offshore tremer na base.


A carteira do Master era tão tóxica que virou piada nos bastidores. 34% da carteira composta de precatórios. Isso mesmo: promessas de pagamento do Estado, aquelas que demoram anos pra sair e que viram fumaça com um decreto. E o resto? Empresas quebradas, financiadas via fundos ligados a Nelson Tanure, o Midas invertido do capitalismo brasileiro. Acredite: o Master emprestou para nomes como Restoque, BeFly, Ambipar, Veste, Metalfrio e Biomm — e virou até sócio de alguns. Sim, sócio. Porque emprestar não era arriscado o suficiente.


Mas calma, tem mais.


O banco tentou captar no exterior: US$ 500 milhões em bonds. Ninguém quis. Foi atrás de fundos de pensão dos municípios e estados — os RPPS, essa beleza de governança duvidosa — e arrancou R$ 800 milhões dos cofres que pagam aposentadoria de servidor público. Quando isso começou a secar, os próprios sócios colocaram R$ 1,6 bilhão no caixa. Desespero tem nome e sobrenome.


E agora… o BRB aparece como salvador.


A transação? R$ 3,5 bilhões por uma participação que exclui os ativos podres. Precatórios? Fora. Fundos problemáticos? Fora. Empresas quebradas? Também não entram no pacote. O BRB está comprando o que sobrou, o que ainda respira — e dando ao dono do Master, Daniel Vorcaro, a cadeira de chairman do conselho. Isso mesmo: o banco estatal comprou e entregou a chave do carro para o antigo motorista do veículo que bateu.


A justificativa oficial? Ah, essa é de chorar de rir.


Segundo o CEO do BRB, o negócio vai “melhorar o retorno sobre o patrimônio” e “resolver o problema de funding do Master”. Ah, vá! Como diria o Robin do seriado dos anos 60: “Macacos me mordam, Batman!”


Você já viu banco comprar outro porque o outro tem muito título público? Porque o outro está entupido de ativos exóticos que nenhum gestor de risco em sã consciência aceitaria colocar no portfólio?


Não, meu amigo. Banco compra banco pra acessar clientes, sinergia, distribuição, crédito limpo. Aqui, o BRB está comprando a parte que sobrou de um Frankenstein financeiro. E deixando o contribuinte com a conta, o risco e o circo armado.


Ah, mas o BC está atento. Mandou os “cabeças brancas” — os veteranos de guerras bancárias, que viram o fim de Bamerindus, Nacional, Cruzeiro do Sul — para analisar o que pode dar errado. Spoiler: muita coisa. Estão aplicando teste de estresse nos precatórios (que não fazem mais parte da compra, veja o nível da confiança), nos fundos de empresas zumbi e nas mágicas contábeis que tornaram o Master rentável. Rentável como? Pagando 140% do CDI com papel de liquidez zero?


E o mercado? O mercado gargalha.


Porque se o BTG Pactual não quis. Se o Itaú e o Bradesco nem olharam. Se o Safra passou longe. E se ninguém na Faria Lima topou esse casamento… o que o BRB viu ali? Retorno para o acionista? Não. Viu um resgate político-financeiro patrocinado pelo contribuinte.


A real motivação — jamais dita em público — é simples: salvar o banqueiro. E, talvez, salvar também quem estava exposto demais ao Master para deixá-lo afundar.


Por fim, eu deixo a pergunta que não quer calar: se o Master, com todos os seus problemas, foi avaliado em R$ 3,5 bilhões, quanto valem os ativos de verdade dos bancos sérios? Porque, se o mercado embarcar nesse valuation, é hora de rever tudo. Ou rir. Ou chorar.


*O Master é exótico, mas o Brasil é surreal.*



 “A diferença entre Wall Street e Brasília é que, lá, os banqueiros têm medo da lei. Aqui, a lei tem medo dos banqueiros.” (Anonimo)

sexta-feira, 28 de março de 2025

Fim da Hedging Griffos

 *Chega ao fim a lendária corretora Hedging-Griffo, que deu origem ao fundo Verde*

Banco Central permite a troca de nome da corretora Credit Suisse Hedging-Griffo para UBS Brasil

Com a compra global do Credit Suisse pelo UBS, as estruturas do novo grupo no Brasil também estão mudando. O Banco Central já deu autorização para o negócio e hoje permitiu a troca de nome da corretora Credit Suisse Hedging-Griffo para UBS Brasil. Assim, chega ao fim uma das mais lendárias corretoras de valores da história do mercado brasileiro.


A história da Hedging-Griffo começa em 1929, quando David Stuhlberger chega ao Brasil, saindo da Polônia em função da perseguição aos judeus. Ele se formou na Escola Politécnica da USP e, em 1951, criou, com o irmão Maks, a Construtora Stuhlberger. Nos anos 1970, com o sucesso do empreendimento, David se uniu a sócios para fundar uma petroquímica e um banco, o Expansão, que tinha participação em uma corretora, a Griffo.


Em 1980, Luis Stuhlberger, filho de David, foi trabalhar no banco e na corretora. Com a crise do petróleo, o Expansão teve de ser vendido às pressas para cobrir o rombo da petroquímica da família, mas Luis, a pedido do pai, continuou na Griffo, que foi vendida a empresários da área de café, incluindo José Leopoldo Figueiredo.


A Griffo tinha também uma pequena empresa, a Hedging, que operava o mercado de commodities, recém-implantado no Brasil, negociando ouro, café e boi. Em 1989, as duas se fundiram, criando a Heding-Griffo - "hedge" no mercado financeiro é uma estratégia de proteção para os riscos de um investimento. Já grifo é uma criatura lendária metade águia e metade leão.


Em 1997 é lançado, dentro da Hedging-Griffo, o fundo Verde. A indústria de fundos de hedge era incipiente no Brasil e o nome é, em parte, uma alusão à posição comprada em dólares que Stuhlberger estava acumulando. Dez anos depois, em 2007, o Credit Suisse comprou o controle a corretora, mas Stuhlberger permaneceu na gestão. Em 2011, o banco suíço adquiria a fatia restante e, em 2015, quando termina o período de não competição, Stuhlberger sai da Hedging-Griffo e funda a Verde Asset.


No seu ápice, em 2021, a companhia chegou a ter R$ 55 bilhões sob gestão. Sempre teve um expertise grande em ações, mas ao longo do tempo os investimentos imobiliários também ganharam destaque.


Em 2023, a Lumina, de Daniel Goldberg, se tornou sócia da Verde, comprando a participação de 25% que estava nas mãos do Credit Suisse. A negociação ocorreu quase que de forma paralela com a compra global do Credit Suisse pelo UBS.


O mesmo UBS que agora troca o nome da Hedging-Griffo. David Stuhlberger morreu no ano passado, aos 99 anos de idade.

BRB compra Master

 BRB compra o Banco Master

Negociações começaram em meados de 2024

Por Lauro Jardim

28/03/2025 16h29  Atualizado agora


O conselho de administração do BRB, o banco estatal do Distrito Federal, acaba de aprovar por unanimidade a compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro.


Em resumo, o negócio, quem tem a previsão de ser assinado nos próximos dias, é o seguinte: o BRB compra 48% das ações ordinárias (com direito a voto) do Master, mas somando ordinárias e preferenciais o percentual chega a 60%. O negócio inclui duas também duas operações do Master, o will bank e o Credcesta.


Vorcaro, que hoje preside o Master, irá para o conselho do BRB.


As negociações que agora se concluem começaram em meados do ano passado. Neste meio tempo, Vorcaro negociou também (e até há poucas semanas) a venda do Master com André Esteves, dono do BTG.

Vinland 2803

 🚨 RESUMO DA SEMANA VINLAND 🚨

VINLAND (24 a 28 de março de 2025)

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*1. Governo busca “pouso suave” e mira ajuste suave da economia*

A equipe econômica do governo intensificou a narrativa de que o Brasil está em um processo bem-sucedido de desaceleração da atividade — um “pouso suave” planejado. Segundo interlocutores, o desaquecimento será mais visível a partir do segundo trimestre, com foco em manter os fundamentos ajustados, mesmo que isso implique juros elevados por mais tempo. O novo modelo de crédito consignado CLT, que movimentou muitas simulações em sua primeira semana, foi usado como exemplo de estímulo direcionado e controlado. No plano político, a entrada do governador Tarcísio de Freitas no radar presidencial de 2026 ganhou tração, mesmo diante das resistências do entorno de Bolsonaro.

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*2. Copom sinaliza alta de menor magnitude; dados de inflação e emprego movimentam mercado local*

A ata do Copom reforçou o tom cauteloso observado no comunicado da semana anterior. O comitê expressou preocupação com a inflação, mas evitou sinalizações claras para além da próxima reunião. Em suma, o Copom não trouxe muitas surpresas na sua comunicação, garantiu mais uma alta da taxa Selic, e sugeriu que o debate sobre encerramento do ciclo de aperto monetário já começou. O IPCA-15 abaixo do esperado ajudou a aliviar a curva de juros, mas o forte dado de Caged (432 mil vagas formais criadas em fevereiro, o maior da série) trouxe de volta o debate de atividade economica ainda dinâmica. A curva de juros teve comportamento errático, refletindo a disputa entre dados benignos de inflação e sinais de aquecimento da atividade. O dólar oscilou ao longo da semana, terminando com leve alta diante da aversão global a risco.

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*3. Mercado doméstico sente volatilidade externa e incerteza sobre tarifas dos EUA*

A semana foi marcada por movimentos erráticos no mercado brasileiro. O Ibovespa chegou a subir 1% com alívio na curva de juros, mas devolveu parte dos ganhos diante de ruídos sobre tarifas americanas que poderiam atingir produtos brasileiros em diversos setores. O dado forte de emprego local também pressionou a parte longa da curva. A bolsa encerrou a semana praticamente estável, sustentada por exportadoras como JBS e Vale, que lideraram os ganhos com o apoio da valorização das commodities. Já os setores mais sensíveis a juros e ligados ao consumo seguiram penalizados.

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*4. Fed mantém cautela, tarifas entram em vigor e dados seguem mistos nos EUA*

Nos Estados Unidos, os mercados seguiram pressionados pelas incertezas em torno da política comercial. Na quarta-feira, foi anunciada uma tarifa de 25% sobre veículos e peças importadas, com início em abril. Apesar de dados mistos — inflação acima do esperado, PIB sem surpresas e queda na confiança—, o mercado segue atento à performance da bolsa. A curva de juros americana fechou a semana em queda nos curtos e alta nos longos, refletindo dúvidas sobre a persistência da inflação versus o riscos de desaceleração. As bolsas, após ganhos expressivos no início da semana, devolveram os avanços, encerrando a semana entre inalteradas ou com quedas moderadas.

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📌 *Resumo Geral:*

A semana foi de transição entre a preocupação com o ritmo da economia e o início de um novo capítulo nas políticas monetárias e comerciais globais. No Brasil, o governo busca vender a tese de um ajuste gradual e coordenado. Lá fora, o Fed mantém cautela, mas o ruído tarifário aumenta. O mercado segue dividido entre os sinais de alívio inflacionário e os riscos vindos do crescimento e da política externa.

Fabio Alves

 FÁBIO ALVES: PRECIFICANDO AS TARIFAS APÓS 2 DE ABRIL


Há um sentimento de confusão no mercado, segundo vários analistas, à medida que se aproxima o dia 2 de abril, data prevista para o início da vigência das tarifas de importação recíprocas dos Estados Unidos. E a pergunta que muitos se fazem agora é: estaria o mercado precificando corretamente o nível de tarifas que, de fato, vai prevalecer a partir de 2 de abril? Onde a régua vai parar? No cenário mais otimista, de praticamente nenhum aumento tarifário? Ou no mais pessimista, de uma guerra comercial global de maiores proporções? Ou ainda, um meio termo? Já estamos chegando ao fim deste mês, e ainda não há consenso sobre o que resultará em termos de elevação das alíquotas dessas tarifas de importação. O presidente americano Donald Trump sugeriu que pode haver flexibilidade na adoção das tarifas recíprocas e espaço para negociação. Assim, o mercado vem operando relativamente no escuro, daí o erro de precificação correta do cenário adiante. Inicialmente, os investidores chegaram a duvidar que Trump levasse a cabo seu planto de imposição de tarifas pesadas, deflagrando uma guerra comercial que poderia resultar em inflação mais alta e recessão nos EUA. Depois, houve uma fase de histeria, quando os anúncios se sucederam. Em seguida, os investidores passaram a ignorar esses anúncios, diante dos recuos de Trump, ora assinando decretos de novas alíquotas, ora anunciando pausas na adoção das tarifas. Na quarta-feira, por exemplo, os mercados acionários recuaram quando Trump assinou o decreto impondo a tarifa de 25% sobre os carros importados pelos EUA, mas, no mercado de câmbio, essa notícia praticamente não causou maior estrago. “Talvez o mercado de câmbio esteja lidando com uma fatiga das tarifas, e - para além do que já foi precificado - a pouca reação [às alíquotas sobre automóveis] pode ter sido um reflexo de Trump ter sugerido que as tarifas recíprocas podem ser bem lenientes”, afirmou o chefe global de estratégia e mercados do banco ING, Chris Turner. Já o economista-sênior de mercados da consultoria Capital Economics, Hubert de Barochez, ponderou que os mercados acionários de vários países com peso importante da indústria automobilística sofreram bastante com o anúncio da quarta-feira por Trump. E que os investidores de bolsas não se mostraram indiferentes, como parecia até há pouco tempo. “A diferença é que as ameaças estão se tornando agora cada vez mais concretas”, disse Barochez. Na opinião dele, os mercados globais de ações vão passar por pressão adicional no curto prazo, “talvez até na próxima semana, quando Trump deve finalmente anunciar as tarifas recíprocas”. Segundo Wei Yao, analista do banco francês Société Générale, disse que, considerando tudo o que Trump e seus assessores já falaram até o momento, esperam-se três inciativas a serem anunciadas no dia 2 de abril. “Duas delas sobre o reequilíbrio do comércio (tarifas recíprocas e específicas de setores) e uma sobre geopolítica (tarifas secundárias para os países que importarem petróleo venezuelano)”, explicou Yao. Ainda segundo Yao, Trump sinalizou o foco sobre tarifas recíprocas para 15% dos países que mantêm um desequilíbrio comercial persistente com os EUA. “Nenhuma lista exata foi divulgada, mas devemos esperar que essa lista irá incluir qualquer país [ou região] com superávit comercial com os EUA, os quais, em ordem decrescente, seriam China, União Europeia, México, Vietnam, Japão, Taiwan, Coreia, Canadá, Índia, Tailândia e Suíça”, afirmou a analista do Société Générale. Em resumo: o mais provável é que o nível tarifário que os EUA imporá aos outros parceiros comerciais a partir de 2 de abril fique entre os cenários pessimista e otimista do mercado nas últimas semanas. Resta saber se a precificação está já ajustada a esse eventual meio termo. (fabio.alves@estadao.com) Fábio Alves é jornalista do Broadcast

TAV: Rio SP

 Exclusivo: trem-bala Rio-SP terá passagem a R$ 500, viagem de 105 minutos e investimento de R$ 60 bi


CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, detalhou o ambicioso projeto que tem previsão de iniciar a operação em 2032


Imagine viajar da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo em 105 minutos, em um trem-bala que se desloca a 320 km/h, a um custo de R$ 500 pela passagem. Transformar esse sonho antigo do brasileiro em realidade é tarefa do CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), ele foi diretor da Agência Nacional da Transporte Terrestre (ANTT) e presidente Empresa de Planejamento e Logística (EPL).


Em entrevista exclusiva à EXAME, ele contou os detalhes do ambicioso projeto que tem orçamento estimado em R$ 60 bilhões para construir a infraestrutura necessária ao longo de um traçado de 417 quilômetros e que pretende começar a operação em 2032. A TAV Brasil é a empresa autorizada pelo governo a construir e explorar o projeto pelo período de 99 anos.


A possibilidade de construção do trem de alta velocidade exclusivamente pelo setor privado passou a existir em 2021, com a aprovação pelo Congresso do marco legal ferroviário, que estabeleceu o modelo de autorização.


A legislação permitiu a TAV Brasil celebrar, em 2023, um contrato com o governo para construir e explorar o serviço por 99 anos. Neste modelo não é necessário a licitação de um projeto. Todo esse processo é conduzido pelo operador privado que recebeu a autorização.


Por duas vezes, durante a gestão de Dilma Rousseff, o governo tentou, sem sucesso, licitar o projeto. Na primeira tentativa, o Executivo contrataria uma empresa ou consórcio para construir e operar o trem-bala e, como contrapartida, o projeto seria financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, o leilão não recebeu propostas efetivas.


Sem sucesso no primeiro modelo, o governo definiu que construiria a infraestrutura e contrataria um operador, que pagaria para explorar o serviço. Mais uma vez, o projeto não saiu do papel.


Quatro estações entre Rio e São Paulo


O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo prevê a construção de quatro estações ao longo do trajeto de 417 quilômetros, afirmou Figueiredo. Além das estações entre Rio e São Paulo, haverá uma parada em Volta Renda (RJ) e outra em São José dos Campos (SP).


Os pontos exatos dependem da aprovação das prefeituras. No caso de Rio e São Paulo, a ideia é que sejam construídas na região central ou aproveitem estruturas já existentes para contribuir no processo de revitalização dessas áreas.


Segundo o CEO TAV Brasil, uma viagem entre todo trajeto tem custo estimado em R$ 500. Quem fizer uma o trajeto de ida e volta entre Rio e São Paulo deve gastar R$ 1.000. Já um deslocamento para Volta Redonda ou para São José dos Campos será a metade do preço: R$ 250 por trecho e R$ 500 ida e volta.


Com 38 milhões de habitantes, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e mais de 40 destinos turísticos, os dois estados têm potencial de alavancar o crescimento com a execução do projeto. Nas contas TAV Brasil, o trem de alta velocidade tem potencial de adicionar R$ 168 bilhões ao PIB, criar 130 mil empregos diretos e indiretos, além de garantir R$ 46 bilhões em impostos até 2055.


Exploração imobiliária


Diante do custo de R$ 60 bilhões em investimentos para construção das linhas, terminais, compra de trens e sistemas operacionais, o projeto traz uma inovação em relação aos anteriores: a possibilidade de exploração imobiliária nas proximidades das estações. Com isso, o empreendimento passa a gerar receita adicional, com potencial estimado em R$ 27,3 bilhões.


A Lei de Ferrovias permite que terrenos junto às estações sejam desapropriados para criar uma área estendida em que é possível construir empreendimentos imobiliários próximos a ferrovias, como shoppings, centros empresariais e hotéis.


Segundo a TAV, ainda é possível adquirir terrenos privados para desenvolvimento imobiliário ou para evitar altos custos de desapropriação. Por exemplo, negociar com proprietários, áreas para aproveitar o crescimento da operação ferroviária. O mesmo se aplica a outras estações e imóveis estratégicos na faixa de domínio, se vantajoso.


Um caso de sucesso dessa inovação ocorreu na Coreia do Sul, na estação entre as cidades de

Cheonan e Asan, que fica a 100 quilômetros da capital Seoul. A estação foi inaugurada em 2003 e por meio dos empreendimentos imobiliários foi possível criar uma cidade que hoje tem 600 mil habitantes.




Chineses, espanhóis e fundos árabes no páreo


Após garantir a autorização do governo para o projeto, a empresa agora trabalha, segundo Figueiredo, para finalizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para, posteriormente, pleitear licenças prévias, entre elas a ambiental, para iniciar a obra.


Em paralelo, o executivo tem negociado com empresas chinesas, espanhóis e fundos árabes para viabilizar os R$ 60 bilhões em investimentos necessários para obra, compra dos trens e sistemas de operação. Os nomes das companhias não podem ser revelados, diante dos acordos de confidencialidade estabelecidos entre as partes.


“Estamos em conversas com os espanhóis, que construíram muitas linhas de trens da alta velocidade. Também estamos conversando com empresas chinesas, que oferecem um pacote completo de equipamentos, construção e sistemas de operação. Ainda há conversas com fundos árabes. No fim, podemos fechar com um dos três ou ter uma estrutura combinada entre os três”, disse.


Atualmente, segundo Figueiredo, os chineses estão na vanguarda da tecnologia. O primeiro trem de alta velocidade foi inaugurado no Japão, em 1964, com ligação entre a capital Tokio e Osaka. Na Europa, a primeira linha em começou operar na França, entre Paris e Lyon, em 1981.


Os chineses inauguraram a primeira linha em 2008, entre as cidades de Pequim e Tianjing. De lá para cá, a China construiu 40 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros existentes no mundo.


“Em todas as conversas, os possíveis parceiros apontam a necessidade de apoio local do governo brasileiro. É importante que o governo diga que o projeto é prioritário ou entre no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso traz agilidade para os processos de licenciamento, desapropriação e financiamento”, disse.


Segundo Figueiredo, esse pedido formal já foi feito ao Ministério dos Transportes. A pasta avalia o pleito. Pelo cronograma da empresa, o processo de conclusão dos estudos técnicos ocorrerá até o fim de 2026. O planejamento prevê o início das operações em 2032 para, enfim, o sonho do trem-bala se tornar realidade.


https://exame.com/brasil/infraestrutura/exclusivo-trem-bala-rio-sp-tera-passagem-a-r-500-viagem-de-105-minutos-e-investimento-de-r-60-bi/

Tarcísio no game

 Entrada de Tarcísio na disputa pelo Planalto é cenário que se consolida a cada dia, diz vice em SP / Vice-governador de São Paulo acredita que apesar do posicionamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, conjuntura política acabará colocando o atual chefe do Executivo paulista na corrida presidencial de 2026- Estadão 28/3


Por Geovani Bucci (Broadcast) e Daniel Galvão


A entrada de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026 é um cenário que “cada dia mais se consolida”, na opinião de Felício Ramuth, vice-governador de São Paulo. Apesar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) insistir que será candidato, mesmo inelegível, e o próprio governador negar publicamente a intenção de disputar a presidência da República na próxima eleição, Ramuth aposta que a conjuntura política acabará colocando seu companheiro de Palácio dos Bandeirantes na disputa presidencial. É a primeira vez que um integrante da cúpula do governo estadual destaca abertamente a hipótese.


“O cenário político acaba nos empurrando para caminhos que nem esperávamos ou para os quais não estávamos nos preparando. Isso pode acontecer”, afirmou Ramuth durante entrevista exclusiva ao programa ‘Papo com Editor’, do Estadão/Broadcast.


Ramuth, que assumiria o governo do Estado em abril do ano que vem caso Tarcísio se afastasse para disputar o Planalto, reconhece que hoje, mesmo inelegível, a candidatura do ex-presidente Bolsonaro está posta. Mas a situação do ex-presidente pode se agravar ao longo dos próximos meses, à medida em que o Supremo Tribunal Federal (STF) começar a julgar os envolvidos com a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Nesta quarta-feira, 26, Bolsonaro foi transformado em réu junto com 7 aliados.


Como mostrou o Estadão, partidos do Centrão têm pressionado Bolsonaro por uma definição e colocam um prazo para que o ex-presidente abra caminho para outro nome: o final deste ano. Bolsonaro, contudo, insiste que se manterá na disputa e registrará a candidatura mesmo estando inelegível. Uma pesquisa feita com manifestantes bolsonaristas em Copacabana, no dia 16, mostrou que a maioria prefere Tarcísio como nome da direita.


Apesar de Tarcísio defender abertamente a sua candidatura à reeleição em São Paulo, Ramuth diz que a política, “muitas vezes, não segue exatamente os nossos desejos”. Para ele, a conjuntura pode fazer com que o governador se torne candidato ao Planalto nas eleições de 2026, mesmo que não haja a intenção do republicano de concorrer de fato.


O vice-governador reconhece que Tarcísio é alinhado com Bolsonaro, mas defende opiniões diferentes do ex-presidente quando julga necessário. O vice-governador cita como exemplo as recentes declarações de Tarcísio sobre as urnas eletrônicas. O governador elogiou o sistema usado no Brasil e disse que elas são “referência” mundo afora, o que contrariou muitos bolsonaristas. “Assim como eu, que fui eleito três vezes por meio das urnas eletrônicas, ele confia nesse sistema”, afirmou o vice.


Ramuth disse também estar “calmo” e “alegre” por pleitearem seu lugar como candidato a vice-governador de São Paulo, numa eventual substituição na chapa da reeleição. Atualmente, há dois nomes que gostariam de concorrer ao lado de Tarcísio nas próximas eleições: o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o presidente nacional do próprio partido de Ramuth (e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado), Gilberto Kassab.


“É claro que existe um cenário natural que é manter a chapa já existente, mas é natural também que outras forças políticas queiram se apresentar neste momento”, disse. “Tenho certeza que todos os nomes citados podem contribuir num futuro governo.”


Vice não defende saída do PSD do governo Lula


Apesar de ser vice de Tarcísio, possível candidato à Presidência em 2026, Felício Ramuth afirmou não ser a favor de uma eventual saída de seu partido do governo federal.


Hoje o PSD tem três ministérios: Minas e Energia, Pesca e Aquicultura e Agricultura. Contudo, seu presidente, Gilberto Kassab, é secretário de Governo e Relações Institucionais de Tarcísio.


Ramuth destacou que há uma diferença de posicionamento entre os quadros políticos do partido marcado pela regionalidade e que o PSD é de “centro”. Enquanto a legenda possui nomes mais alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, onde o petismo possui mais força, os partidários de Sudeste e Sul são mais contemplados pela centro-direita e direita.


“Quando o próprio Kassab permanece em São Paulo, à frente de uma secretaria, isso deixa claro que o PSD paulista está mais alinhado à centro-direita”, disse o vice-governador. “Já os que apoiaram a eleição do presidente Lula ocupam hoje cargos nos ministérios – e isso é legítimo, não me causa estranheza.”


Em relação ao presidente nacional de seu partido, Ramuth avaliou que Kassab não quis chamar recentemente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de “fraco” propriamente, e, sim, que ele é um “ministro enfraquecido”, que não possui respaldo suficiente de Lula para fazer o embate dentro do PT de modo a buscar eficiência no uso de recursos públicos. “Ele expressou algo que, na verdade, se escuta nos corredores de Brasília”, afirmou.


Nesse sentido, Ramuth disse que falta a Lula uma conexão com a sociedade, fator que o petista teria “perdido”. Segundo o vice-governador, projetos como a tentativa de regulamentar o trabalho dos motoristas e entregadores por aplicativo do início do ano passado representam distanciamento e “falta de sensibilidade política”.


“Acho que o presidente Lula está preso ao passado, sem um olhar para o futuro. E isso se reflete em várias decisões do governo”, explicou Ramuth. “Soma-se a isso a prática recorrente de gastar mais do que se deve. E, aliás, com a eleição se aproximando, essa tendência só piora. Já vemos que há alguns planos sendo preparados para manter essa gastança.”

Elio Gaspari

 Elio Gaspari é considerado comunista por esses golpistas saudosista de 64. 


Elio Gaspari escreveu: 


"Débora virou um símbolo espinhoso – Elio Gaspari


Cena 1, janeiro de 1970: Os juízes da 1ª Auditoria do Exército leem a sentença que condena a oito anos de prisão os oito principais autores do sequestro do embaixador Charles Elbrick, ocorrido em setembro do ano anterior.


(A ditadura vivia um pico da sua fase repressiva. Carlos Marighella, patrono involuntário do sequestro, e Virgílio Gomes da Silva, participante da ação, haviam sido assassinados.)


Cena 2, março de 2025: O ministro Alexandre de Moraes condena a 14 anos de prisão a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023, ela escreveu com batom “Perdeu, mané” na estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Moraes foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino. 


Débora, mãe de dois filhos menores, está presa desde março de 2023. Ela escreveu uma carta ao ministro Moraes desculpando-se, mas ele acabou dando-lhe 14 anos. Como o ministro Luiz Fux pediu vista, o julgamento não terminou.


Os 14 anos de Débora seguem uma tendência do STF, que vem impondo punições leoninas à infantaria golpista do 8 de Janeiro. O tribunal já condenou 371 pessoas a penas que somam 3,3 mil anos de cadeia, e 71 cumpriam penas em janeiro passado. Seguindo essa métrica, os militares que comprovadamente atuaram na armação de um golpe deveriam receber penas seculares.


O repórter Merval Pereira já mostrou que diversos juristas apontam que os réus têm sido condenados duas vezes pelo mesmo crime: quatro anos por atentar contra o Estado Democrático de Direito, mais cinco por tentar um golpe.


Estão em curso conversas que poderão desembocar na redução das penas. Tudo bem, mas um Judiciário-ventoinha não contribui para o bom andamento dos trabalhos. O país já teve de conviver com a construção e o desmanche da Operação Lava-Jato. Na ascensão, o juiz Sergio Moro e os procuradores tudo podiam. No declínio, nada fizeram de certo. O mané perdeu, e nesse caso ele era o cidadão que acreditava no surto de moralidade em relação ao andar de cima.


Os novos manés esperam que a Justiça cobre um preço aos que tramaram o golpe de Estado de 2022/23 e, pelo andar da carruagem, as coisas não vão bem. As sentenças impostas à infantaria vândala do 8 de Janeiro levam água para aqueles que propagam o delírio de que o Brasil vive uma ditadura. Débora Rodrigues dos Santos, com seu batom, torna-se um símbolo espinhoso. Basta imaginar que o jovem que pichou “Abaixo a ditadura” no Theatro Municipal do Rio em 1968 tivesse sido condenado a pena semelhante.


Com a autoridade que a defesa da democracia lhes concede, os ministros do Supremo podem muito, mas devem cuidar do respeito ao bom senso. Se a senhora do batom merece 14 anos, resta saber quantos merecerá o redator do plano Punhal Verde e Amarelo, impresso no Palácio do Planalto.


O Ministério Público tem a simpatia de boa parte da população, mas acusação não é prova.


As mil páginas do relatório da Polícia Federal e as 272 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral são contundentes em alguns aspectos e débeis em outros. Havia um golpe em curso, e caberá aos juízes, depois de ouvir a defesa de cada acusado, decidir até onde e como a trama prosperou."


O Globo e  Folha de São Paulo , 26/03/25

Bankinter Portugal Matinal 2803

 Análise Bankinter Portugal


SESSÃO: ONTEM foi um dia de fortes retrocessos dos automóveis (VW -1,5%, BMW -2,6%...) devido ao imposto alfandegário de 25% de Trump, aparentemente sem exceções… embora depois comprovaremos se as fará para os seus próprios fabricantes. Esta madrugada na Ásia: Toyota -4,5%, Honda -4,9%, Nissan -3,9%, Mazda -4,2%... Em paralelo, o golpe às companhias áreas já começou, visto que as viagens são a primeira coisa a deteriorar-se quando as coisas dão para o torto: IAG -1,4%, Lufthansa -1,3%, Airfrance KLM -4,3%... Tecnologia também fraca, com redução de posições, como é natural, para reduzir riscos. E isso é mesmo o que estamos a recomendar fazer, embora evitando reagir exageradamente.


Futuros fracos, tanto nos EUA como na Europa: ca.-0,1%/-0,2%. Às 12:30h sairá o Deflator do Consumo (PCE) americano, provavelmente a repetir em +2,5% porque é de fevereiro e isso significa que ainda não receberá tensões inflacionistas renovadas pelos impostos alfandegários, mas, ainda assim, a sua Subjacente parece que aumentará 1 décima até +2,7%, arrefecendo (ainda mais) as expetativas de que a Fed volte a baixar taxas de juros de seguida (nós estimamos que não o fará até setembro, se o fizer) e, por extensão, um pouco as bolsas também. Embora já estejam frias. Depois de subir na sexta-feira (21), segunda-feira (24) e terça-feira (25), Nova Iorque retrocedeu ontem e antes de ontem consecutivamente… logo que os vislumbres de uma realidade incerta regressaram com a aplicação de impostos alfandegários e a desilusão (não poderia ser de outra forma, já o tínhamos dito) face a essa espécie de cessar-fogo confuso no Mar Negro e instalações energéticas que a Rússia só cumpriria se lhe servissem a cabeça de Ucrânia numa bandeja. Ontem à noite, reforçou isto ao reclamar uma “administração provisória” para a Ucrânia.

 

CONCLUSÃO TELEGRÁFICA: O mercado continua a arrefecer. Hoje um pouco mais com os retrocessos dos automóveis na Ásia e provavelmente também com o aumento do Deflator PCE americano (12:30 h). Recordemos que, na segunda-feira, saiu um PMI Industrial americano a retroceder bruscamente até a zona de contração económica (49,8 desde 52,7), e na terça-feira uma Confiança do Consumidor americano mais abalada do que o esperado: 92,9 desde 100,1 (94,0 esperado). São 2 indícios que confirmam a incipiente debilidade do ciclo americano sobre a qual temos vindo a avisar. E na Europa não será diferente, embora os primeiros indicadores o mostrem mais tarde, como sempre. Tal como na geoestratégia, as coisas não só não melhoram, como pioram depois do empenhamento pessoal de Trump de conseguir um cessar-fogo a qualquer custo (inclusive à custa de falta de honra) que só conseguirá dar poder à Rússia enquanto trai os seus aliados (Europa). O prémio de risco deverá, inclusive, aumentar progressivamente. Isso fará com que sexta-feira seja em baixa, de forma que os saldos semanais das bolsas certamente serão negativos esta semana, provavelmente Europa pior do que Wall St. O ouro continuará a subir à medida que as expetativas de inflação voltem a ser revistas em alta como consequência dos impostos alfandegários, já que é um ativo usado como cobertura de inflação.


S&P500 -0,3% Nq-100 -0,6% SOX -2,1% ES-50 -0,6% IBEX -0,1% VIX 19,1 Bund 2,72% T-Note 4,32% Spread 2A-10A USA=+34pb B10A: ESP 3,34% PT 3,23% FRA 3,42% ITA 3,83% Euribor 12m 2,349% (fut.2,199%) USD 1,073 JPY 161,4 Ouro 3.079$ Brent 73,0$ WTI 69,6$ Bitcoin -2,4% (85.222$) Ether -4,9% (1.908$). 


FIM

BDM Matinal Riscala 2803

 *Rosa Riscala: PCE nos EUA e emprego no Brasil fecham a semana*


… Após a revisão para cima do PIB/4Tri dos EUA terem sustentado as apostas de dois ou três cortes do juro americano este ano, a expectativa nesta 6ªF é para o PCE de fevereiro, a medida favorita do Fed para a inflação. Também é importante a confiança do consumidor de Michigan, enquanto os mercados antecipam os impactos da guerra comercial deflagrada por Trump com as tarifas de 25% sobre os automóveis importados. As coisas tendem a piorar a partir da próxima semana, quando serão anunciadas as tarifas recíprocas (02/04) e as possíveis retaliações dos líderes mundiais. Aqui, apesar do peso das incertezas externas, o mercado recuperou posições mais contidas nos juros com o IPCA-15 benigno e hoje espera pelo IGP-M e dados do emprego.


… O IGP-M de março (8h) abre o dia, com a mediana das estimativas apontando para deflação de 0,18%, após a alta de 1,03% em fevereiro, refletindo a queda dos preços industriais no atacado. Em 12 meses, o índice deve subir de 8,44% para 8,76%.


… Ao Broadcast, economistas explicam que o IPA industrial será influenciado pelas quedas do petróleo, gás e minério de ferro. Em contrapartida, os preços agropecuários devem mostrar aceleração, com o avanço de grãos, tomates, café, ovos e suínos.


… Nesta 5ªF, o IPCA-15 de março de 25 desacelerou de uma alta de 1,23% em fevereiro para 0,64% em março, abaixo da mediana (0,68%), revelando ainda recuo nas medidas do núcleo da inflação, em particular, de bens industriais.


… Apesar da pressão dos serviços, o IPCA-15 ajudou o mercado a devolver as apostas que começavam a surgir de um aperto ainda mais rigoroso da Selic (75pbs), com a curva de juros voltando a precificar uma alta de 50pbs em maio (leia abaixo).


… O Relatório de Política Monetária também foi bem recebido ao sinalizar a perspectiva de desaceleração da atividade. A previsão do BC é de que o hiato do produto recue de 0,6% no 1Tri para -0,8% no 3Tri, respondendo à política contracionista.


… Essa leitura, confirmada com ênfase por Galípolo na entrevista, foi interpretada como um sinal de que o BC estaria confortável para encerrar o ciclo de aperto em breve, mantendo os juros elevados por mais tempo para levar a inflação à meta.


… Novo levantamento da AE, após o RPM, revelou que a ampla maioria do mercado manteve a expectativa de elevação da Selic a 14,25% em maio e de 15% em junho e julho, o que projeta um ajuste final de 25pbs para o encerramento do ciclo.


… Por outro lado, o relatório falhou em avaliar o impacto das medidas de estímulo ao consumo, fiscais e parafiscais, que tem sido anunciadas em série pelo governo Lula na tentativa de recuperar sua popularidade e salvar a reeleição.


… A cada nova pesquisa que confirma os níveis elevados de reprovação do governo, seguem-se novas iniciativas populistas.


… Questionado sobre essa preocupação do mercado, Galípolo disse que o modelo do BC – que revisou em baixa a projeção para o PIB deste ano, de 2,1% para 1,9% – não considerou a faixa ampliada de isenção do IR nem o crédito consignado privado.


… Apenas o saque-aniversário do FGTS já está nas projeções da autoridade monetária para a inflação e a atividade.


… E quando o problema não vem do Planalto, vem do Congresso, onde os parlamentares tentaram prorrogar por mais um mês o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), com encerramento previsto para esse mês.


… A lei de abril de 2024 prorrogava o benefício fiscal até 2027 ou até que fosse atingido o limite de R$ 15 bilhões em renúncias, o que a Receita apurou que foi. Em entrevista no final do dia, Haddad negou qualquer possibilidade de ampliar o programa.


… O ministro apenas se comprometeu com uma auditoria para verificar se as estimativas da Receita foram confirmadas. Se o valor ficar aquém dos R$ 15 bilhões, o governo poderá verificar uma forma de compensação para chegar a esse patamar.


EMPREGO – Rumores de que o Caged poderá anunciar hoje (14h30) a criação de 400 mil postos de trabalho com carteira assinada em fevereiro correram o mercado ontem à tarde, contribuindo para reduzir as quedas dos juros futuros.


… A mediana das estimativas indica criação de 225 mil vagas, acelerando o ritmo na comparação com janeiro, que registrou saldo positivo de 137,3 mil vagas. As estimativas para essa leitura variam de 154,9 mil a 330 mil vagas formais criadas.


… A sazonalidade favorável sustenta a expectativa de criação de novos postos de trabalho em fevereiro, segundo economistas.


… Mais cedo (9h), o IBGE deve mostrar leve alta da taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro, a 6,8% (de 6,5% no mês anterior). As projeções variam de 6,6% a 7,0%. E para o fim de 2025, a média é de 7,0%.


O MUNDO VS TRUMP – Líderes mundiais foram uníssonos nas críticas à decisão do presidente dos EUA de colocar tarifas de 25% sobre os carros importados, “uma postura agressiva que antecedeu as tarifas recíprocas da próxima 4ªF”, segundo o BBH.


… O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, confirmou que irá retaliar com “medidas de grande impacto”, acrescentando que a relação econômica e militar entre os dois países chegou ao fim. Já levou uma ameaça de Trump.


… Em sua conta na Truth Social, o presidente americano disse que pode impor tarifas de importação ainda maiores para o Canadá e a União Europeia se houver uma colaboração para “prejudicar a economia dos Estados Unidos”.


… O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que a decisão, de impor tarifas sobre carros é errada e o republicano escolheu um caminho que “só produzirá perdedores”. Emmanuel Macron disse que os europeus “responderão com reciprocidade”.


… E até a líder mexicana, Claudia Sheinbaum, que se dá com Trump, disse dará uma resposta no dia 3 de abril.


… A UE prometeu uma resposta “oportuna e robusta” às tarifas, à medida que a China se dispõe a trabalhar para aprofundar uma cooperação econômica com o bloco. A Coreia do Sul fez uma reunião de emergência e prometeu retrucar às tarifas.


… Também o Japão alertou para o “impacto significativo” das medidas, enquanto o Reino Unido pode revisar os subsídios à Tesla para apoiar melhor sua indústria, disse a ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves.


… Segundo a Fitch, os primeiros sinais do efeito das tarifas dos Estados Unidos já começam a aparecer no comércio internacional, com as importações americanas aumentando em janeiro, após empresas ampliarem as compras antes das medidas.


… A agência de análise de risco afirma que Brasil e outros países emergentes, entre eles a Índia e a África do Sul, companheiros do País no Brics, correm um grande risco de serem alvos das tarifas recíprocas, previstas para o dia 2 de abril.


… O risco tarifário deixou a Moody’s mais perto de cortar sua classificação AAA do governo dos EUA esta semana, com a empresa de classificação de crédito emitindo novas previsões sobre déficits mais altos e taxas de juros mais altas.


… De acordo com a Capital Economics, há espaço para o aumento da produção de automóveis nos EUA, mas não o suficiente para substituir as importações e os efeitos inflacionários ameaçam compensar quaisquer aspectos positivos à economia.


… Já o Goldman Sachs afirma que a alta da inflação nos EUA será inevitável com a adoção de tarifas a importados. Só os 25% aos carros fabricados no exterior devem elevar o núcleo dos preços em 0,2 ponto porcentual.


… Para o Barclays, a inflação média no país subirá de 2,9% em 2024 para 3,0% neste ano, e reduzir o PIB de 2,8% para 1,5%.


MAIS AGENDA – Além do IGP-M e dos dados de emprego, o Tesouro divulgará (14h30) o Relatório da Dívida Pública em fevereiro. Já o BC divulga (9h) a Pesquisa Firmus, que capta a percepção de empresas não financeiras sobre as variáveis econômicas.


… No final da tarde (17h), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa do evento Arko Conference 2025.


… O presidente do BC, Gabriel Galípolo, profere aula magna na Faculdade Zumbi dos Palmares (19h).


BALANÇOS – Encerrando a semana, Gol divulga resultado do 4Tri, após o fechamento.


NOS EUA – O PCE de fevereiro (9h30) é o principal indicador da agenda internacional, com potencial para alterar aposta nos juros, se surpreender. A previsão para o índice cheio e o núcleo é de 0,3% na margem e 2,5% e 2,6% na base anual.


… Também é importante o índice de sentimento do consumidor de março medido pela Universidade de Michigan (11h), que pode recuar para 57,9, após ter registrado 64,7 em fevereiro. Junto são divulgadas as expectativas de inflação de 1 e de 5 anos.


… Mais dois Fed boys falam hoje: Michael Barr (13h15) e Raphael Bostic (16h30).


… Nesta 5ªF, Tom Barkin disse que a direção da política monetária do Fed está sendo traçada debaixo de uma densa névoa. “Não um tipo de névoa do dia a dia e difícil de prever. É um tipo de névoa visibilidade zero, encoste e ligue os piscas.”


… Se assumirmos uma tarifa eventual de 20% sobre a China e uma tarifa de 25% sobre o México, Canadá e produtos de alumínio e aço, a taxa média de tarifa aumentaria quase quatro vezes mais do que em 2018 nos EUA, disse ele.


… Já a presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que as tarifas do governo Trump aumentarão a inflação nos EUA, mas não está claro quão persistente será essa pressão ascendente. Como Powell, acha que pode ser de curta duração.


EUROPA – O dia começa com o índice GfK de confiança do consumidor de abril na Alemanha e o PIB/4Tri e vendas no varejo no Reino Unido. Na zona do euro saem o índice de confiança do consumidor e índice do sentimento econômico (7h).


DESENCANTOU – Depois de vários testes, o Ibovespa conseguiu romper os 133 mil no fechamento pela primeira vez neste ano. O fluxo gringo, na esteira da rotação global de ativos com as políticas de Trump, tem feito o índice se descolar das baixas em NY.


… Ontem não foi diferente e ainda houve ajuda da baixa dos juros futuros, que passou com louvor pela agenda do dia, incluindo o IPCA-15 abaixo do esperado, com núcleos e serviços em desaceleração, como você leu acima.


… Em alta de 0,47%, o Ibov teve ganho de 0,47%, aos 133.148,75 pontos, e volume financeiro de R$ 20,8 bilhões.


… Além da ajuda de Trump, outro fator importante que tem sustentado fluxo estrangeiro para a B3 neste trimestre é a melhor percepção sobre a economia da China, da qual o mercado brasileiro é visto como ‘proxy’ pela exposição a commodities.


… É certo que a alta do Ibovespa diminuiu ao longo do pregão (na máxima ficou perto dos 134 mil) à medida que os juros também reduziram a queda, em meio a um câmbio mais depreciado e ao rumor de que o Caged deve vir forte, hoje.


… Mas o resultado do dia acabou sendo positivo. Além do IPCA-15 benigno, o leilão de prefixados do Tesouro com o volume bem menor que o normal, o RPM e a entrevista de Galípolo respaldaram o recuo dos juros.


… No fechamento, o Jan/26 caía a 15,100% (de 15,165%), Jan/27 cedia a 15,00% (de 15,145%); Jan/29, a 14,780% (de 14,900%); o Jan/31, a 14,880% (de 14,980%); e o Jan/33, a 14,870% (de 14,950%).


… No câmbio, o dólar até testou uma queda no início do dia, mas sucumbiu à pressão que tomou conta das moedas emergentes em meio à fúria tarifária de Trump. E deve sobrar – mais – para o Brasil.


… Citando fontes da Casa Branca, a Folha informou que Trump pode taxar toda a indústria brasileira no pacote de 2 de abril.


… O dólar à vista subiu 0,36%, a R$ 5,7533, mas ainda recua 2,76% no mês e quase 7% neste ano. A moeda brasileira desvalorizou menos que pares como os pesos mexicano e colombiano por causa da disparada da Selic.


… Em entrevista sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo, afirmou que a aceleração do ciclo de aperto monetário a partir de dezembro mudou a relação de carry trade, o que contribuiu para a apreciação do real ao longo deste 1Tri.


… Lá fora, o índice DXY caiu 0,20%, para 104,335 pontos. O rumo incerto da política econômica americana tem feito o dólar oscilar entre altos e baixos, mas para o Bank of America, a tendência da moeda americana é de alta.


… As tarifas generalizadas e as retaliações resultantes podem desencadear um movimento global de aversão ao risco.


… No retrovisor, a atividade nos Estados Unidos vai bem. O PIB/4Tri foi revisado em alta na leitura final, crescendo 2,4% na base anual, acima dos 2,3% esperados pelo mercado, mas desacelerou frente aos 3,1% do 3Tri.


… O euro subiu 0,41%, a US$ 1,0799; a libra avançou 0,51%, a US$ 1,2955; e o iene teve queda de 0,32%, a 151,036/US$.


… Nas bolsas de NY, o dia foi de baixa moderada. O Dow Jones caiu 0,37% a 42.299,39 pontos, S&P 500 recuou 0,33%, a 5.693,23, Nasdaq perdeu 0,53%, a 17.804,04. Destaques negativos, General Motors caiu 3,12% e Ford perdeu 3,88%.


… Por aqui, a possibilidade de abertura do mercado do Japão para a carne brasileira animou as ações de frigoríficos. JBS puxou os ganhos, com +5,83% (R$ 41,95). O papel teve seu preço-alvo elevado pelo Bank of America de R$ 48 para R$ 55.


… Minerva subiu 4,84%, a R$ 6,07. Ainda se destacaram Hapvida (+5,38%), Cogna (+5,15%) e Yduqs (+4,93%).


… As blue chips foram bem. Petrobras ON, +1,02% (R$ 41,48) e Petrobras PN, +0,75% (R$ 37,67), seguindo o Brent/junho, que subiu 0,38%, a US$ 73,34 o barril, com o mercado monitorando sanções dos EUA contra o petróleo do Irã e da Venezuela.


… Vale avançou 0,80% (R$ 58,15), com alta de 1,28% do minério de ferro em Dalian.


… Os principais bancos fecharam mistos. Santander subiu 0,62% (R$ 27,42), e Itaú teve alta de 0,12% (R$ 32,13). Bradesco ON caiu 0,85% (R$ 11,69), Banco do Brasil baixou 0,42% (R$ 28,69) e Bradesco PN perdeu 0,38% (R$ 13,02).


… Marcopolo liderou o ranking negativo (-4,98%, R$ 6,68), seguido da CVC (-2,58%, R$ 2,27) e Vamos (-2,28%, R$ 5,15).


EM TEMPO… O governo Lula indicou Nelson Hubner, Silas Rondeau e Maurício Tolmasquim para o Conselho de Administração da ELETROBRAS e Guido Mantega para o Conselho Fiscal. (fontes do Broadcast)


EQUATORIAL. Conselho de Administração aprovou homologação integral do aumento de capital de R$ 111,1 milhões, mediante a subscrição privada de 4.275.569 ações ON; operação havia sido proposta em reunião do colegiado de 7 de janeiro.


PETROBRAS concluiu obras de modernização do Trem 1 da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco; processo de revisão e ampliação (Revamp) recebeu investimento de R$ 93 milhões e expandirá capacidade de 115 mil para 130 mil bpb.


BRASKEM voltou a afirmar por meio de comunicado ao mercado que “não conduz eventuais negociações de compra e venda das ações de sua emissão”, ao responder a questionamento da B3 sobre oscilações atípicas dos papéis.


EVEN registrou lucro líquido consolidado de R$ 13,9 milhões no 4TRI; sem Melnick, lucro ficou em R$ 30,4 milhões, recuo de 22% ante o 4TRI23. Ebitda ficou negativo em R$ 23,2 milhões no 4TRI24 ante dado positivo do 4TRI23.


SER EDUCACIONAL registrou prejuízo de R$ 30,2 milhões no 4TRI, revertendo lucro de R$ 5,7 milhões de um ano antes.


SUZANO confirmou reajustes no preço da celulose a partir de abril.


HYPERA entrou com documento no Cade em que acusa o empresário Carlos Sanchez, da EMS, de “conduta inapropriada” e tentar fazer “uma investida desenfreada” para ter influência na companhia ao comprar ações da farmacêutica no mercado.


TIM distribuirá R$ 2,050 bilhões em dividendos complementares, a R$ 0,282 por ação. Pagamentos serão feitos em três parcelas ainda neste ano: 22 de abril, 23 de julho e 23 de outubro, sem a aplicação de qualquer índice de atualização monetária…


… A tele informou ter aprovado grupamento da totalidade das ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal de emissão, na proporção de 100 para 1, e de subsequente desdobramento: uma ação grupada passará a corresponder a 100 ações.


IPO. A brasileira Global Eggs, dona da Granja Faria, decidiu adiar oferta para abertura de capital nos EUA…


… Grupo prefere primeiro se consolidar depois da aquisição da americana Hillandale Farms, por US$ 1,1 bilhão, para já se mostrar aos investidores em um segundo momento como uma empresa verdadeiramente global.

quinta-feira, 27 de março de 2025

Quase ficção

 Quase ficção

Carlos Andreazza


O Estado de S. Paulo.

22 de mar. de 2025


A aprovação – em março de 2025 – da Lei Orçamentária Anual para 2025 antecipa o conjunto bandalheiro em que consistirá o Orçamento do ano eleitoral, aquele que garantirá os dinheiros à (tentativa de) reeleição de todos. Não será apenas Lula o candidato. Há um esquema de poder a ser prorrogado. O Congresso – o orçamento secreto – também pretende se reeleger.


Farão o diabo. Juntos. Como o feito, com (por) Bolsonaro, em 2022. Você pagará. Depois da eleição. Não existe Gás para Todos de graça. E, se o governo quer dobrar a aposta eleitoreira na gastança, o Parlamento dirá – diz – “tudo bem”; desde que tenha o seu incluído na farra. Para rir, tem de fazer rir.


A embocadura do troço – do pacto pela irresponsabilidade – foi exibida na última quinta. A começar pela forma. Esquema Lira de atropelamento da atividade legislativa. Ninguém leu o texto. São mais de mil páginas. Relatório apresentado no mesmo dia em que seria votado na comissão e no plenário.


O Parlamento aprovou o bicho sem a menor ideia do que chancelava – o que lhe confirma o caráter ficcional. Quase ficcional; porque o Congresso sabia absolutamente o que aprovava – na matéria que lhe interessava. A ficção é para você, mortal. Para eles, concretude – trator e pavimentação. O que lhes interessava: a garantia dos bilhões para emendas parlamentares, fixada a porção que, via emendas de comissão, bancará a versão 3.0 do orçamento secreto.


Serão R$ 50 bilhões para emendas parlamentares, dos quais R$ 11,5 bilhões às de comissão. Assegurado esse espaço, o restante consistiria em erguer peça orçamentária farsante – que, conforme as práticas do governo gastador-inflacionário, superestima receitas e subestima despesas. O Pé-de


Meia, por exemplo, vai pendurado quase todo para fora: a custar mais de R$ 10 bilhões, tem previsto só R$ 1 bilhão.


O relator, Ângelo Coronel, cumprindo o papel de ser mais otimista até do que a HP de Haddad, estima superávit de R$ 15 bilhões. O cronista ora obrigado a registrar que o STF autorizou que o pagamento de precatórios não forme sob o teto de gastos. Contará para o endividamento. Para meta fiscal, somente em 2027 – depois do ano eleitoral. Coincidência; porque o Supremo não faz esse tipo de cálculo.


A turma – Planalto e donos do Congresso – acertou tudo por cima. Gleisi Hoffmann assinou a promissória. Compromisso de pagamento de emendas de comissão ainda de 2024; mais um extra para cada um dos 594 deputados e senadores. Quase R$ 7 bilhões ao todo.


Não lhes faltarão recursos. Tudo assentado para 26. Davi Alcolumbre estava todo pimpão. Teve efeito haver colocado a faca no pescoço do governo – atrasando a existência do Orçamento – pela solução das emendas parlamentares. Afinaramse. O ano começou. Em certo sentido, também acabou. •

Ailton Braga

  Hoje, 02/02/2026, saiu no Blog do IBRE da FGV, artigo meu em que faço análise da interação entre política fiscal e política monetária, a p...