sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Elena Landau

 


Mônica de Bolle 3101

 De: Monica De Bolle from Here’s a Thought <bolle@substack.com>

Data: 28 de janeiro de 2025 

Assunto: Anotações do Caos



[...]

Tenho me mantido longe das notícias e mais longe ainda das notícias das notícias. Dessa vez, estou preferindo experimentar o caos sem qualquer elaboração intelectual—às vezes, ou quase sempre, a mente atrapalha. Emoções se misturam com pensamentos e o intangível ganha forma física. A queimadura da indignação, o suor frio da paranoia, a constrição no peito e nas vísceras da ansiedade. Quando me dei conta de que estava vivendo assim há anos resolvi parar. Infelizmente, a decisão coincidiu parcialmente com o retorno de Trump à Casa Branca.


Imagino que andem lendo por aí as notícias das notícias, ou a reinterpretação de analistas e jornalistas locais sobre aquilo que se passa no império em crise. O populismo é invariavelmente sintoma de degradação. O processo de degradação de um país é gradual, lento, modorrento até. Países não desaparecem após sofrerem degradação, às vezes nem por transformações passam. Mas isso não importa, pois poucas coisas na vida se resumem a resultados. São os processos que ditam ritmos e fluxos. A degradação norte-americana que já se estende por algumas décadas é visível para qualquer pessoa que tenha alguma intimidade com esse país. Na degradação surgem as piores qualidades de uma sociedade. No caso da norte-americana, essas são a hipocrisia, a paranoia, o culto ao dinheiro, o bangue-bangue, a truculência nas relações interpessoais, tenham elas o grau de intimidade que for. A figura do “Ugly American” está personificada no homem que ocupa a Casa Branca e isso não é novidade.

[...]

Voltando a Trump. Tudo que vocês estão lendo realmente está acontecendo. Para além do que vocês estão lendo, há apatia e resignação. Boa parte dessa semi-catatonia se deve à implosão dos Democratas, muito semelhante ao PSDB. Aliás, o que não falta são as semelhanças com a América Latina. Não fosse a região tão presa aos seus complexos de inferioridade, talvez soubesse reconhecer-se como inspiração Trumpista. Trump é familiar para nós pois como ele já tivemos muitos. Essa familiaridade traz uma impressão equivocada de escárnio em alguns setores de nossas sociedades. Digo que o escárnio é equívoco pois ele tende a dar um verniz de bobagem ao caos. O caos nunca deve ser subestimado, mesmo quando o populista é meio burro. Trump não é burro.


Se vocês estão lendo esse artigo atrás de especulações, adianto: não faço. Querem saber o que eu acho que vais se passar por aqui? Pois bem, não sei. Se quiserem respostas prontas, leiam as notícias das notícias e as opiniões infundadas, uma quase redundância nos dias de hoje. A única coisa que sei é que a inflação nunca deixa ninguém na mão. Não sei dizer exatamente o que Trump haverá de colher de suas ações, mas sei que as principais serão (e já são) inflacionárias.


Tomem a questão migratória. Independetemente do que o governo Trump consiga viabilizar, ele já promoveu um imenso choque de oferta. Incerteza, dúvida e medo estão tirando trabalhadores das colheitas, dos serviços, das atividades que nenhum norte-americano com certos atributos quer fazer. As pessoas afetadas pela política e pela retórica de Donald Trump atuam nas áreas mais sensíveis para o bolso da população, aquelas que figuram de modo proeminente nos índices de preços. Pressionados pelo choque de oferta migratório e pela epidemia de gripe aviária que deixou de ser monitorada por ordem presidencial, os preços dos alimentos deverão subir expressivamente nos próximos dois meses. Está aí algo que o populista Trump não aprendeu com seus pares mais antigos da América Latina: inflação derruba populistas. Quando não derruba, trava as agendas de “reforma” pois a inflação é o caos em sua forma mais eficiente e arrasadora. Para um governo que criou um departamento, ou ministério, para garantir a tal eficiência, ela se revelará plena na capacidade ímpar de gerar inflação.


Os próximos capítulos devem trazer mais cenas familiares. Por exemplo, as reclamações de Trump quando o Fed resolver interromper o ciclo de quedas de juros. Será que as notícias das notícias tratarão as implicâncias de Trump com Jerome Powell do mesmo modo que trataram as falas de Lula sobre a atuação de Bob Fields Neto? Fiquem de olho por aí e mandem notícias das notícias das notícias. Ou melhor, nada mandem. Só observem. Faz-se muito pouco disso hoje em dia, observar. Todo mundo quer falar, influenciar, sacudir, chacoalhar. É sempre melhor observar. O problema da observação é que ela não traz frutos materiais, portanto existe uma escolha. Escolham bem.

Alex Ribeiro 3101

 ANÁLISE: PIB e venda de dólares ajudaram a conter avanço da dívida bruta


Alex Ribeiro De São Paulo

Há cerca de um ano, os analistas econômicos estimavam que a dívida bruta do governo geral fosse fechar em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, tomou-se conhecimento, pelos dados oficiais do Banco Central, que a dívida ficou em 76,1% do PIB. Onde está o erro?

Dois fatores principais que não estavam nas contas da mediana dos analistas ajudaram a puxar a dívida bruta para baixo: o crescimento mais forte do que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) nominal e as pesadas vendas de dólares feitas pelo Banco Central no ano passado.


No início de 2024, os analistas econômicos esperavam que o PIB crescesse 2% reais e que a inflação pelo IPCA ficasse em 1,55%. Hoje, a estimativa de PIB real está em 3,49% para o ano passado, e a inflação medida pelo IPCA chegou a 4,83%.


Isso faz uma boa diferença no cálculo da relação dívida/PIB. A dívida bruta fechou o ano de 2024 em R$ 9,984 trilhões, uma expansão nominal de 11,2% no ano. Já o PIB cresceu 7,92%, chegando a R$ 11,810 trilhões.


Fazendo uma regra de três entre a dívida bruta e o PIB, chega-se a uma relação entre dívida e PIB de 76,1%. O avanço do PIB nominal teve um efeito baixista de 5,4 pontos percentuais do PIB na dívida bruta. Se o PIB real tivesse crescido menos, como previsto pelo mercado, e se a inflação fosse menor, a dívida teria crescido para mais de 78% do PIB.


Outro fator que teve uma grande influência em segurar o avanço do endividamento foram as vendas de dólares que o Banco Central fez em dezembro - e também ao longo do ano - para lidar com um surto de fuga de capitais estrangeiros do Brasil.


O Banco Central vendeu US$ 36,260 bilhões ao longo de 2024, dos quais US$ 21,260 bilhões de forma definitiva e US$ 15 bilhões em linhas de dólares, que depois voltam às reservas internacionais. Essa venda de dólares possibilitou que o governo reduzisse em R$ 212,477 bilhões a sua dívida bruta, por meio da redução de operações compromissadas. Sem essas operações, a dívida bruta seria 1,8 ponto percentual do PIB maior no fechamento de 2024.


Os analistas econômicos não deixaram de prever apenas fatores que baixaram a dívida, mas também fatores altistas para o endividamento.


O mercado não antecipou as pressões inflacionárias e, portanto, que o Banco Central teria que não só parar o ciclo de redução da Selic, como também aumentá-la. O consenso era que a Selic fosse encerrar 2024 em 9% ao ano, mas, no fim, ficou em 12,25% ao ano.


Isso fez com que os encargos com a dívida pública superassem o antecipado. Pelos dados divulgados hoje pelo Banco Central, somaram R$ 950 bilhões, ou o equivalente a 8,05% do PIB. Pelas previsões dos analistas econômicos no início de 2024, deveriam ter ficado em 6% do PIB.


Uma parte do erro de previsão nas estimativas do gasto com juros está ligada à desvalorização não antecipada do real ante o dólar. No início de 2024, os analistas achavam que o dólar fosse encerrar o ano em R$ 5,00, mas acabou ficando em R$ 6,19.


Essa alta do dólar teve efeito negativo na dívida bruta de cerca de 2 pontos percentuais do PIB. Cerca de 1 ponto do PIB está ligado ao pagamento de R$ 116 bilhões que o Banco Central fez ao mercado em seus swaps cambiais, que integram os encargos da dívida bruta. Houve ainda um impacto altista de 1 ponto percentual no estoque da dívida externa bruta, quando convertida em reais.


Entre todos os erros de previsão, o mais importante, do ponto de vista da dinâmica de longo prazo da dívida, foi o fato de o mercado ter superestimado o déficit primário em 2024. Pelo Boletim Focus, a mediana da projeção era 0,8%, e, no fim das contas, ficou na metade disso.


Esse é o indicador mais importante porque, no fim das contas, é o que os governos podem ajustar para se contrapor a outros fatores que fazem a dívida subir, como ciclos econômicos menos favoráveis, quando a economia cresce menos, quando o BC tem que subir os juros para combater um ciclo inflacionário ou quando o dólar tem que subir para fazer um ajuste de preços relativos.


O erro de previsão do mercado para o déficit primário pode ser explicado por vários fatores. Como a economia e a inflação cresceram acima do esperado, o mercado acabou subestimando a arrecadação. O governo também lançou mão de algumas receitas extraordinárias que não estavam nas contas dos analistas. Os especialistas também estavam céticos, no começo do ano, de que o presidente Lula fosse autorizar que a Fazenda fizesse um contingenciamento de despesas.


O fato de a dívida pública ter subido menos do que se esperava é positivo, porque, neste ano de 2025, o ponto de partida é mais baixo. Mas será mais difícil que os fatores que ajudaram a contê-la se repitam. Com a economia sobreaquecida, há menos espaço para o PIB crescer, e o BC fez um aperto monetário para esfriá-la.


A devolução dos US$ 15 bilhões das linhas de dólares feitas pelo BC deve provocar uma pressão altista de perto de 1 ponto do PIB na dívida bruta. Além disso, o ano começa com juros nominais mais altos. Pode ter surpresas baixistas para a dívida? Sim, uma delas é uma aceleração mais forte do que o esperado da inflação e outro um novo desempenho acima do esperado do PIB. Nesses dois casos, porém, a Selic deve se manter alta.

Incerteza econômica

 


JP Morgan

 🇧🇷 *J.P. MORGAN: BANCO ACREDITA QUE MOMENTO DO BRASIL JÁ PASSOU*


O J.P. Morgan mantém uma visão cautelosa sobre o Brasil, destacando que o mercado brasileiro é mais propício para operações de curto prazo do que para investimentos de longo prazo, devido ao encurtamento dos ciclos econômicos. A instituição rebaixou sua recomendação para "Neutro" em novembro, observando uma posterior queda do mercado brasileiro e um desempenho superior do México. 


O banco acredita que o melhor do rali já passou, com o real sendo negociado próximo ao seu valor justo e sem grandes perspectivas de valorização sem avanços significativos no cenário doméstico. Apesar de valuations atrativos, desafios como inflação crescente, desaceleração econômica, incertezas fiscais e impactos da política monetária restritiva seguem como entraves. Embora haja possibilidade de surpresas positivas, como uma inflação mais controlada ou avanços fiscais, o Brasil, isoladamente, não é um catalisador forte para atrair investidores.


#Notícias #TradeNews

Silvio Ribas

 O TRIPÉ ECONÔMICO DE TRUMP

Os discursos de campanha de Donald Trump se converteram em dezenas de decretos presidenciais e outras ações governamentais que afetam empresas e governos nos Estados Unidos e ao redor do mundo, desenhando um horizonte desafiador para a maior economia do planeta, com inevitáveis consequências históricas.

Com base nas medidas já anunciadas e nas falas do presidente americano, é possível entender qual é a estratégia dele para um vigoroso ciclo de crescimento para o país, a tal “golden age”, a partir de um tripé voltado à expansão de produção e renda sem gerar pressões inflacionárias. Vejam:

1. PODER DE NEGOCIAÇÃO
explora o fato de os EUA serem um grande comprador global para negociar condições mais vantajosas com seus fornecedores. Apesar de acenar maiores custos internos com tarifas protecionistas, busca usar seu peso econômico para obter preços menores e fortalecer a indústria doméstica. Junto com a defesa do dólar nas transações globais, essa estratégia pode, em tese, estimular a competitividade empresarial e reduzir gastos para o consumidor final.

2. ENERGIA BARATA E FARTA
A aposta na exploração intensiva dos recursos energéticos visa garantir energia abundante e a custos competitivos, fator essencial para o desenvolvimento de qualquer economia. Há décadas, a oferta farta de energia barata funciona como alicerce de grandes avanços industriais e tecnológicos. Se bem implementada, essa política pode baixar custos de produção, favorecer investimentos.

3. MAIS PRODUTIVIDADE E COMPETIÇÃO
Outro pilar é o estímulo à inovação, com foco na revolução tecnológica, especialmente em áreas como inteligência artificial. A experiência da gestão Bill Clinton, quando a economia americana prosperou com o salto de produtividade digital, é um exemplo que o governo parece buscar repetir. Paralelamente, há a defesa de uma política liberal que inclui a redução da burocracia estatal e a eliminação de programas considerados ineficientes, permitindo cortes de impostos. Essa combinação tende a impulsionar a atividade produtiva, estimular a competição, gerar empregos e aumentar salários, fortalecendo os EUA como maior consumidor do mundo.

Se esses três pilares – negociação estratégica, abundância energética e inovação apoiada por desonerações fiscais – forem equilibrados e bem geridos, o resultado pode ser um ciclo de expansão econômica robusta e sustentada. No entanto, a concretização desse cenário depende de fatores internos e externos. Ainda assim, a perspectiva de uma liderança global que privilegie o progresso movido pela iniciativa privada e pelo legítimo desejo de prosperidade da população indica novos rumos.

Já deu...

 Fernando Haddad, mais um poste criado pelo Deus Lula, disse que o cidadão é o "maestro da Orquestra". Estamos fufu. Lula não tem mais a mínima condição de ser maestro de nada, nem da sua casa, em quem manda é a Janja. É o ocaso de um projeto de poder, do lulo-petismo, que foi se transformando num culto fajuto à personalidade, nas piores personificações das ditaduras corruptas de esquerda. Lula já não consegue concatenar ideias, está cansado e sim, mto velho. Já deu.

Paulo Cursino

  Não, eu não gostaria de ver a América de Trump tirando o presidente da Venezuela do poder. Eu gostaria de ver o Brasil fazendo isso. O paí...